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sábado, 18 de dezembro de 2010

Ele está curado


Pela primeira vez, médicos usam a palavra cura ao se referir à recuperação de um doente de aids. Como esse caso singular pode revigorar as pesquisas

O microbiologista francês Louis Pasteur costumava dizer que a sorte sorri para as mentes preparadas. O incrível caso do americano Timothy Ray Brown, de 44 anos, parece confirmar a tese. Tim, como é chamado pelos amigos, viveu vários anos com o vírus HIV. Tratava-se com o coquetel de drogas e trabalhava como garçom num café de Berlim. Era mais um de tantos soropositivos que, graças ao avanço do tratamento, levavam uma vida praticamente normal. Em 2006, no entanto, ele descobriu que também tinha leucemia, um tipo de câncer que ataca o sistema de defesa. Tim procurou o médico Gero Hütter, um jovem oncologista que entende de leucemia, mas nunca havia atendido um doente de aids. Foi aí que a sorte começou a conspirar a favor dos dois. Tim precisaria passar por um transplante de medula. Hütter decidiu escolher um doador especial, com uma mutação que o torna naturalmente resistente ao vírus HIV. O resultado surpreendeu o mundo. Desde 1996, os cientistas sabem que cerca de 1% dos europeus têm essa mutação antiaids. Ela não ocorre na população negra nem asiática. A mutação faz com que as células de defesa do organismo não tenham uma molécula chamada de CCR5. Ela é usada pelo HIV para invadir as células humanas (leia na ilustração). O que poderia acontecer se as células de defesa de Tim fossem totalmente aniquiladas pela quimioterapia e, em seguida, ele recebesse um novo sistema imune capaz de resistir ao vírus?
Hütter tinha uma bela hipótese em mente e decidiu testá-la. A sorte lhe sorriu. Tim deverá entrar para a história como a primeira pessoa no mundo a se livrar do vírus da aids – um fato inédito desde que a doença foi descrita, em 1981. Ele é um caso único entre os 60 milhões de pessoas que já foram infectadas desde o início da epidemia. A vitória de Tim sobre o vírus foi anunciada em um artigo publicado na revista Blood, uma publicação da Associação Americana de Hematologia.
A equipe de Hütter, da Universidade de Medicina de Berlim, garante ter reunido evidências suficientes para afirmar que o vírus HIV foi erradicado do organismo graças ao transplante de medula óssea. “Eu chamo isso de cura”, disse Hütter a ÉPOCA.
Três anos e meio depois do transplante, os médicos não encontraram sinal do vírus – mesmo usando as técnicas mais avançadas de diagnóstico. Ainda assim é possível que o HIV ainda esteja escondido em poucas células em algum ponto do organismo. Se isso estiver ocorrendo e o vírus voltar a se manifestar no futuro, será o fim do entusiasmo em torno da primeira cura da aids.
“É difícil afirmar que o paciente está definitivamente curado e que o vírus foi eliminado de todos os compartimentos de seu organismo”, diz a bioquímica Françoise Barré-Sinoussi, ganhadora do Nobel de Medicina em 2008 pela descoberta do vírus HIV, junto com Luc Montagnier. “No entanto, os dados do artigo são muito interessantes porque demonstram que não há nenhum traço do vírus ou dos reservatórios virais em partes importantes do organismo, como o intestino.”




Cristiane Segatto e Marcela Buscato com Elton Hubner, de Berlim



Época

sábado, 11 de dezembro de 2010

"Hoje com mais de 50 anos, geração pré-Aids está mais exposta ao vírus", diz médico

O médico infectologista Jean Gorinchteyn, especialista no tratamento de Aids em idosos, no Instituto Emílio Ribas

Com seis anos de experiência no ambulatório de idosos soropositivos do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, o infectologista Jean Gorinchteyn notou uma lacuna grave nas campanhas de prevenção da Aids: elas não se dirigem às pessoas que têm mais de 50 anos.
O resultado, segundo o médico, é a presença, no hospital, de mais senhores e senhoras infectados com o vírus, e "das formas mais banais". O público nessa faixa de idade é pouco acostumado ao uso da camisinha e ignora os riscos de contágio.
Para contornar esse cenário, Gorinchteyn escreveu "Sexo e Aids Depois dos 50", livro que reúne muitas informações práticas sobre o tratamento e o diagnóstico, além da história da doença.
Mas o coração da obra são os depoimentos de quatro mulheres e dois homens entre 61 e 75 anos. Eles relatam como contraíram uma doença que até então acreditavam ser exclusiva de jovens.
Nas orelhas há depoimentos de Lima Duarte, Paulo Goulart, Nicete Bruno e Adriane Galisteu, célebres que, segundo o médico, dão mais visibilidade ao alerta.

Leia os principais trechos da entrevista.

Folha - Pessoas acima dos 50 são o novo grupo de risco?
Jean Gorinchteyn - Todos somos grupos de risco, mas criamos condições de essas pessoas mais velhas se tornarem vulneráveis, sem direito à prevenção. Representam o grupo de maior risco, hoje. As outras faixas etárias estão protegidas: houve redução da transmissão infantil e no número de infectados entre a população de 14 a 49 anos.

Quais os números de infectados nessa faixa etária?
Até 2002, tínhamos uma média de 17 pessoas acima dos 50 com HIV por 100 mil habitantes. Isso dobrou naquele ano: saltou para 40 pacientes por 100 mil habitantes, nível que vem se mantendo. Se os níveis se mantêm é porque essa população não foi alertada. Nas outras faixas, isso tem diminuído.

De que forma as pessoas de mais de 50 contraem o vírus?
Entre os mais velhos, 89% das contaminações se dão por via sexual, como nos jovens. A diferença é que o jovem hoje se contamina se quiser. Ele sabe como usar o preservativo e onde encontrar. Os mais velhos, não. Dizem que não sabiam usar. Já não usavam o preservativo de forma habitual, porque o látex era duro e grosso, só usado para evitar a gravidez.

Mulheres de mais de 50 têm comportamento arriscado?
A situação da mulher é muito clara. Ela sabe que se contaminou ou com o marido que teve relação extraconjugal ou com o seu novo namorado. Casos de contaminação por relacionamento eventual são raros no ambulatório onde atendo. E naquelas que tiveram uma relação eventual, a contaminação ocorreu só com um parceiro. Ela tende a ter um perfil mais vitimizado.

Há mais senhores infectados?
Há muito mais homens. Em jovens, é quase um meio a meio. O homem é sempre mais infectado porque a mulher mais velha entra na menopausa e começa a ter um declínio hormonal, que faz com que ela tenha o seu desejo diminuído. Muitas vezes ela opta por não ter relação e compensa isso com o fato de ser mãe, avó, companheira. O homem, não. O decréscimo hormonal é mais lento. O homem vai procurar relações fora e daí se contamina. Muitas vezes ele nem contamina a mulher, porque o casal não mantêm mais relações.

O Viagra ajuda a explicar o contágio maior nessa faixa?
Só poderemos medir esse impacto daqui a três anos. Mas é certo que essas medicações fizeram com que o individuo melhorasse o desempenho e com isso se relacionasse mais, muitas vezes sem preservativo.

Como os mais velhos lidam com o diagnóstico?
É comum aparecer o questionamento sobre a forma como eles contarão para suas mulheres, filhos, netos. Muitos são pessoas que já assumiram papéis sociais. O diagnóstico vai trazer um demérito, uma depressão. Eles se sentem envergonhados. Alguns até hoje não contaram a filhos e netos. Alguns filhos se revoltam. O câncer traz os netos, estimula a família, mas a Aids, num primeiro momento, não. O indivíduo não é visto como vítima. Às vezes, acaba abandonado.

O que deveria mudar em termos de propaganda para atingir essas pessoas?
A publicidade deveria escolher pessoas com esse perfil e que pudessem falar e lembrar que quem tem mais de 50 também corre o risco de pegar Aids e precisa usar camisinha. Seria importante que essas pessoas fossem incentivadas em outros tipos de campanhas, da mesma forma como se faz mutirão da catarata, do colesterol.
O livro mostra o preconceito em relação aos mais velhos, na área da saúde.
Não é só da área da saúde. Quando a gente fala de um homem de 50, tudo bem aceitar que ele tem vida sexual. Mas quando se fala num homem de 85 tendo vida sexual, as pessoas brincam. Somos preconceituosos de formação. Não crescemos habituados a ouvir isso. Olhávamos nossos avós como figuras assexuadas. Quando essas pessoas têm relações sexuais, isso choca. Muitas pessoas com 70, 80 têm condições físicas maravilhosas, se aposentam e continuam trabalhando, provendo a casa, ativas. Por que a vida sexual não seria mantida?


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Multirão para teste de HIV


De 16 de novembro a 1º de dezembro cerca de 120 mil exames devem ser realizados gratuitamente no Estado, incentivando o diagnóstico precoce. A Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com os municípios paulistas, promove a partir do próximo dia 16 de novembro, na próxima terça-feira, um mutirão de testes gratuitos de HIV. .. A campanha “Fique Sabendo” 2010 tem como objetivo incentivar o diagnóstico precoce da infecção pelo vírus da Aids, que é considerado fundamental para o sucesso do tratamento. Até 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids, cerca de 120 mil exames, dos quais 20 mil testes rápidos (resultados em cerca de 15 minutos) deverão ser realizados em todo o Estado.
Mais de 460 municípios aderiram à campanha, num total de 3,5 mil unidades de saúde. Ao todo foram mobilizados para a ação cerca de 40 mil profissionais de saúde de diferentes áreas, entre enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e técnicos de laboratório, entre outros.
Em alguns municípios também haverá atividades de testagem fora dos serviços de saúde ou unidades que irão funcionar em horários alternativos, visando expandir o acesso do exame anti-HIV à população.
Além de oferecer exames à população mais vulnerável ao HIV, como homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas, travestis e transexuais, a campanha também pretende incentivar pessoas que nunca realizaram o teste a conhecerem o seu status sorológico verdadeiro, independentemente de sua sexualidade.
“É fundamental que as pessoas com vida sexual ativa façam o teste, para descobrirem se são ou não portadora do vírus HIV e, em caso de positividade, iniciarem imediatamente o tratamento”, afirma Maria Clara Gianna, coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids.
Para divulgar a ação, foram confeccionados 10.000 cartazes e 5 milhões de folders sobre o teste rápido, além de 20 mil camisetas e 20 mil coletes para os profissionais de saúde envolvidos na campanha.

Informações
Na capital o lançamento da campanha ocorrerá no dia 16 às 10h na Matilha Cultural, que fica na Rua Rego Freitas, 542, região central de São Paulo. Informações sobre as unidades participantes podem ser obtidas pelo Disque Disque DST/Aids – 0800-16-25-50.

Fonte: Assessoria de Imprensa


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Mônica Bergamo: SP lança cartilha de como revelar diagnóstico de Aids a adolescente


O governo de São Paulo lança hoje uma cartilha para orientar os profissionais de saúde sobre como revelar o diagnóstico de HIV/Aids para crianças e adolescentes. A informação é da coluna Mônica Bergamo publicada na edição desta segunda-feira da Folha Ainda de acordo com o texto, o material diz que o primeiro passo é averiguar se o paciente já tem "capacidade para manter segredos". Se não tiver, deve se falar apenas da importância dos medicamentos e da ação do vírus no organismo, sem mencionar o diagnóstico de HIV.
Entre outros tópicos estão a utilização de recursos lúdicos --um "kit diagnóstico", com brinquedos, a exigência de autorização dos pais ou responsáveis para a revelação e uma conversa com eles para saber se a criança já possui noções de sexualidade, para definir se esse tema pode ser abordado.


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pesquisadores descobrem como HIV se torna resistente a medicamento


Vírus mutante remove medicamento que impede sua reprodução

Pesquisadores da Universidade Estadual de New Jersey, nos Estados Unidos, descobriram como o HIV-1, um dos vírus que causam a AIDS, se torna resistente ao AZT, um dos medicamentos mais usados contra a doença.
Em um estudo publicado no periódico Nature Structural & Molecular Biology, os pesquisadores mostraram que o vírus sofre uma mutação que o permite remover o AZT. O AZT funciona impedindo a reprodução do vírus ao inibir a enzima transcriptase reversa. É esta enzima que permite que o vírus transforme RNA (ácido ribonucleico) em DNA e se reproduza. O vírus com mutação usa uma proteína chamada ATP, molécula que transporta energia dentro das células, para remover o AZT. A mutação já era conhecida, mas ainda não se sabia como o vírus driblava o AZT. A descoberta pode levar à produção de drogas mais eficazes contra a AIDS.


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cientistas provocam 'autodestruição' de células de HIV

Cientistas acreditam que pesquisa pode levar a novo tratamento

Cientistas de Israel afirmam ter descoberto uma nova forma de eliminar células infectadas com HIV, em um processo que provoca a autodestruição de células contaminadas.

Pela técnica desenvolvida pelos cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém, as células infectadas com HIV recebem um DNA viral, que faz com que a célula morra. A técnica não afetou as células não-infectadas.
Até o momento, a técnica foi desenvolvida apenas em pequena escala, com poucas células. Nenhum teste foi realizado em humanos.
A pesquisa será publicada nesta quinta-feira na revista científica Aids Research and Therapy.
Os pesquisadores afirmam que a técnica poderia levar a um tipo de tratamento contra o vírus HIV.
O melhor tratamento disponível atualmente – à base de antiretrovirais – é eficaz no combate à replicação de células infectadas, mas ele não consegue eliminá-las.
Segundo o artigo, assinado pelo professor Abraham Loyter e sua equipe, o método desenvolvido no laboratório "resultou não só no bloqueio do HIV-1, mas também exterminou as células infectadas por apoptose [autodestruição]".
O artigo faz a ressalva, no entanto, de que há mais de um tipo de vírus HIV e que o trabalho da equipe está apenas nos estágios iniciais.
Os pesquisadores acreditam que o trabalho pode ajudar no desenvolvimento de um novo tipo de tratamento no futuro contra a aids.


terça-feira, 13 de julho de 2010

Governo quer lançar campanha de orientação a soropositivos que pretendem ter filhos

O Ministério da Saúde pretende lançar uma campanha de orientação para portadores de Aids que queiram ter filhos. A iniciativa já provoca polêmica, porque é impossível reduzir a zero o risco de transmissão do vírus ao bebê.
De cada mil crianças nascidas no Brasil, 17 são de mães com HIV. Apenas em 2008, quase 5 mil mulheres soropositivas ficaram grávidas. Por causa disso, o governo vai divulgar informações sobre os cuidados para diminuir a chance de transmissão do vírus para quem tem Aids.
Entre as recomendações estão: não apresentar outras doenças sexualmente transmissíveis e crônicas; estar com baixa carga viral; ter o nível células de defesa do organismo elevado; e procurar acompanhamento médico.
E campanha de orientação nacional ainda está em estudo, mas o Ministério da Saúde acredita que se forem cumpridas todas as recomendações o risco de transmissão do HIV para o bebê é de 1%. Em São Paulo, a Secretaria Estadual da Saúde já lançou um programa de reprodução assistida para soropositivos.

Roberto Saraiva


eBand

domingo, 11 de julho de 2010

Descobertos anticorpos que combatem 90% dos tipos de HIV

VRC01 e VRC02, em verde e azul, agem sobre HIV, em cinza e vermelho

Foram descobertos dois anticorpos que impedem a ação de mais de 90% das variedades de HIV sobre células humanas. O VRC01 e VRC02 podem permitir o desenvolvimento de vacinas ou tratamentos mais eficientes para a doença.
O trabalho foi descrito na última edição da revista Science, um dos mais improtantes periódicos científicos do mundo. A pesqusia foi conduzida por cientistas ligados ao governo dos Estados Unidos.
Os anticorpos foram descobertos em amostras de sangue de um paciente infectado pelo HIV e que não desenvolveu Aids. O vírus da doença é difícil de ser comabtido porque muda continuamente sua estrutura, ou seja: cada vacina que se desenvolve torna-se em pouco tempo inócua para a maioria dos casos.
O VRC01 e VRC02, entretanto, atuam em áreas do vírus que se mantêm mesmo após as mutações. Desta forma, eles são muito mais edicientes e promissores.

Luiz Fujita Jr


terça-feira, 22 de junho de 2010

Travesti com HIV perfura mão de enfermeira com seringa infectada



Agressor ainda mordeu uma técnica de enfermagem.
Servidoras tomaram coquetel de medicamentos contra o vírus.

Revoltado com a falta de atendimento de um hospital de Ceilândia, cidade satélite a cerca de 30 km de Brasília, um travesti tirou o próprio sangue com uma seringa e perfurou várias vezes a mão de uma enfermeira nesta segunda-feira (21). O agressor também mordeu o braço da técnica de enfermagem que tentava ajudar.
O travesti, de 28 anos, estava acompanhando uma amiga que passava mal. De acordo com testemunhas, o agressor entrou em desespero após esperar por mais de cinco horas no hospital.
Uma paciente disse que o travesti ficou nervoso com a falta de previsão no atendimento. “Ela se revoltou. Tinha várias pessoas chorando, desmaiando embaixo do banco, só que eu não gritei. Ela viu, deu a doida nela, e ela fez isso”, disse.
O travesti, que estava dentro da emergência, teve acesso à sala onde a equipe de enfermagem guardava as seringas. De acordo com os funcionários, ele tirou o sangue e saiu correndo pelo corredor. Quando a enfermeira-chefe tentou controlar a situação, teve a mão perfurada. E a técnica que tentou ajudar levou a mordida no braço.
O travesti foi preso em flagrante por um policial militar que estava no hospital e fez nesta segunda mesmo o teste que apontou que ele é portador do vírus HIV.
As servidoras do hospital tomaram um coquetel de medicamentos contra o vírus e foram levadas para a delegacia. A técnica de enfermagem conta que o travesti também ameaçou os pacientes. “Ela tirou uma quantidade grande na seringa e ameaçava todo mundo. Os pacientes ficavam pedindo pelo amor de Deus para tirar ela dali”, disse.
De acordo com o delegado Onofre de Moares, o travesti vai responder por tentativa de duplo homicídio. “A partir do momento que ficou constatado no laudo que ele é soropositivo, vai responder por duas tentativas de homicídio qualificado. A pena para cada tentativa é de 12 a 30 anos, diminuída de um ou dois terços porque foi tentativa, e não homicídio consumado”, explicou o delegado.


G1

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mundo: África do Sul lança um plano ambicioso contra a Aids


Ao lançar, no domingo (25), uma campanha em massa de prevenção e tratamento da infecção pelo HIV, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, virou uma das páginas mais sombrias do período pós-apartheid: a da negação da Aids. Seu antecessor, Thabo Mbeki, no poder entre 1999 e 2008, havia se recusado obstinadamente a iniciar uma política de tratamento por medicamentos antirretrovirais, sendo que a África do Sul, com 5,7 milhões de soropositivos, é o país mais contaminado do mundo. Segundo a Unaids, organismo da ONU especializado na luta contra a Aids, 33,4 milhões de pessoas no mundo viviam com o HIV em 2008, dentre as quais 22,4 milhões na África subsaariana.
A campanha pretende, até 2011, realizar testes voluntários de detecção entre 15 milhões de pessoas, contra 2,5 milhões em 2009, e fornecer tratamentos anti-HIV a 1,5 milhão de pessoas, contra cerca de 1 milhão em 2009.
Presente no lançamento dessa iniciativa, o diretor executivo da Unaids, Michel Sidibé, declarou: “A África do Sul pode destruir a trajetória da epidemia causada pelo HIV”. Fazendo referência à comissão que havia permitido uma saída pacífica do regime do apartheid, Sidibé acrescentou: “Essa campanha promete ser o equivalente à ‘Verdade e reconciliação’ para a resposta do país à Aids”.
A Aids é um dos grandes desafios da África do Sul, um país que tem menos de 1% da população mundial, mas representa 17% dos casos de infecções pelo HIV no planeta. O sistema de saúde herdado do apartheid levava a marca da iniquidade: de um lado, infraestruturas equivalentes às dos países ocidentais, destinadas à população branca e aos mais afortunados; de outro, para a população negra, o cuidado da infecção pelo HIV dependente das iniciativas de algumas grandes empresas, preocupadas em proteger sua mão de obra, ou de programas associativos, como o conduzido para a prevenção da transmissão de mãe para filho pelos Médicos Sem Fronteiras em Khayelitsha, no subúrbio da Cidade do Cabo.
Em 2001, a vitória histórica do governo contra os 39 laboratórios que haviam tentado se opor a uma lei que facilitava a entrada de medicamentos genéricos no país não mudou significativamente o acesso aos tratamentos para os portadores do HIV.
Thabo Mbeki escutava educadamente os defensores de uma teoria segundo a qual, contra a evidência científica, o HIV não é a causa da Aids. Auxiliado pela sua ministra da Saúde, Manto Tshabalala-Msimang, ele afirmava que os antirretrovirais eram mais perigosos que a própria doença. As campanhas feitas por associações, como Treatment Action Campaign ou pelos sindicatos não conseguiram fazê-lo mudar de ideia.
A chegada ao poder de Jacob Zuma ofereceu a possibilidade de pôr um fim a uma política que teria custado, ao longo dos últimos anos, 350 mil vidas, segundo pesquisadores da universidade americana de Harvard.
A própria África do Sul financia mais de dois terços do custo da resposta à Aids. Em 2010, as autoridades do país elevaram para mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 1,76 bilhão) o orçamento da luta contra o HIV, ou seja, um aumento de 30% em relação ao ano anterior.
Com a campanha que acaba de ser lançada, cada indivíduo testado receberá 100 preservativos. A realização de um teste de HIV também será a ocasião para um exame de saúde mais amplo: medição da pressão arterial, testes para tuberculose, diabetes, bem como para o câncer de colo de útero, entre as mulheres soropositivas.
“Essa abordagem de uma saúde geral, com uma mobilização comunitária, é uma verdadeira revolução”, comenta Michel Sidibé. O diretor executivo da Unaids ressalta que a nova campanha “também abre espaço para a discussão sobre a política de preços dos medicamentos praticada na África do Sul. O custo médio do tratamento contra o HIV para uma pessoa na África do Sul é de US$ 539 (cerca de R$ 950) por ano, ao passo que o preço negociado no mercado internacional chega a US$ 296 (cerca de R$ 522) por ano. Acabar com a política que dá preferência a empresas farmacêuticas sul-africanas permitiria aumentar o número de pessoas sob tratamento”.
De forma mais geral, Sidibé vê na virada que representa a nova orientação da África do Sul “a criação de uma força de mudança em nível continental, que levará a discutir de forma diferente a sexualidade, as discriminações. Isso reforçará a cooperação entre os Estados africanos”.
Além disso, é o papel dos países emergentes, como a África do Sul, a China, a Índia ou o Brasil, na resposta social aos problemas de saúde, que poderá ser transformado.

Fonte: Paul Benkimoun
Le Monde


domingo, 25 de abril de 2010

Presidente da África do Sul diz que não é portador do vírus HIV

Jacob Zuma tem três esposas e várias amantes

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, afirmou neste domingo que não é portador do vírus HIV, que causa a Aids.

O anúncio foi feito durante o lançamento de um programa governamental que oferece testes e aconselhamento sobre a doença.
Em discurso em um hospital em Johannesburgo, Zuma disse que revelou o resultado de seu próprio teste para tentar acabar com o estigma em torno da Aids.
"Depois de uma cuidadosa avaliação, eu decidi compartilhar o resultado do meu teste com os sul-africanos", disse o presidente. "Meu teste de abril, como os três anteriores, deu resultado negativo para o vírus da Aids."
Zuma tem três esposas e foi acusado de ser promíscuo depois que revelou que tinha tido um filho com uma amante.
Em 2006, Zuma admitiu ainda ter mantido relações sexuais sem camisinha com a mulher soropositiva. Na época, ele afirmou que tinha tomado banho depois do ato acreditando que isso reduziria o risco de infecção.
A campanha lançada em Johannesburgo prevê que 15 milhões de pessoas submetam-se a testes para HIV até junho de 2011.
Dados das Nações Unidas indicam que há mais de 5 milhões de portadores do vírus HIV na África do Sul, tornado o país um dos mais afetados pela epidemia no mundo.


segunda-feira, 15 de março de 2010

Proteína da banana pode prevenir transmissão sexual da Aids, diz estudo


Um estudo americano publicado nesta segunda-feira revela que uma classe de proteína presente nas bananas pode prevenir a transmissão sexual do vírus da Aids.

Segundo os pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, a lectina BanLec é um inibidor natural do HIV "tão potente quanto duas das principais drogas utilizadas atualmente no tratamento da doença".
A pesquisa publicada na mais recente edição da revista especializada Journal of Biological Chemistry explica que o BanLec bloqueia a ação do vírus HIV antes que ele possa se fixar às células sanguíneas.
As lectinas como a BanLec têm despertado interesse cada vez maior dos pesquisadores justamente por serem uma classe de proteína que se liga a carboidratos e é capaz de identificar invasores. Assim, quando um vírus aparece, ela pode ligar-se a ele impedindo a propagação de infecções.
No caso do HIV, a BanLec pode ligar-se à cobertura rica em carboidratos do vírus e bloquear sua propagação no corpo humano. A pesquisa defende ainda que, por sua forma de ação, a BanLec pode oferecer uma "proteção mais ampla".
"O problema com algumas das drogas anti-HIV é que o vírus pode sofrer mutações e tornar-se resistente, mas isso é muito mais difícil na presença das lectinas. Elas podem se ligar aos carboidratos presentes em diversas partes da cobertura do HIV, e isso presumivelmente exigirá múltiplas mutações para que o vírus consiga livrar-se delas", explicou Michael Swanson, um dos autores do trabalho.

Mais barato
Essa não seria a única vantagem da BanLec, que seria também mais barata do que os atuais coquetéis anti-Aids.
Os cientistas de Michigan defendem em seu relatório que a descoberta de novas formas de prevenção e controle da Aids são essenciais, justamente porque a cada duas pessoas que adquirem acesso ao tratamento com o coquetel de drogas, cinco contraem o vírus.
"O HIV ainda é rampante nos Estados Unidos e a explosão em países pobres continua a ser um problema sério por causa do tremendo sofrimento humano e do custo para tratar os pacientes", disse outro autor da pesquisa, David Marvovitz.
Nesse contexto, o uso de um microbicida à base de BanLec, em forma de gel ou creme a ser espalhado nos órgãos sexuais masculino e feminino, pode ser um grande ganho no combate à disseminação da Aids.
Mas o grupo de Michigan enfatiza que ainda levará anos até que o uso clínico do BanLec seja possível.


sexta-feira, 12 de março de 2010

Cidade catarinense apura possível erro em diagnóstico de HIV


Mulher passou quase sete anos fazendo tratamento em Brusque (SC).
Novo exame feito em fevereiro deu negativo.

A Secretaria Municipal de Saúde de Brusque (SC) abriu sindicância para apurar um possível erro no diagnóstico de uma paciente que passou quase sete anos sendo considerada portadora do vírus HIV. A moradora de Guabiruba (SC) fez o primeiro exame em abril de 2003, quando estava grávida, e o resultado deu positivo. A partir daí, ela passou a receber o coquetel de medicamentos para proteger o bebê. O último teste ficou pronto no fim de fevereiro deste ano e o resultado deu negativo.
A mulher disse ao G1 que tinha 30 anos quando fez os exames de rotina durante a gestação. "Estava no sexto mês de gravidez. Quando soube do resultado, fiquei sentada na frente da clínica e olhava os carros passando na rua. Só não me joguei na frente de um deles por causa da filha que carregava na barriga."
Após o nascimento da filha, a paciente informou que tentou se matar duas vezes. "Quis me enforcar, mas meu marido me salvou. Depois de algum tempo, tentei novamente, tomando remédios controlados para depressão. Fui salva por ele mais uma vez", disse.
Na época em que soube o resultado positivo, ela e o marido trabalhavam no ramo da construção civil. "A gente construía casas para alugar. Vivíamos na alta sociedade, estávamos bem fincanceiramente. Hoje, estamos falidos, não temos mais carro e nem os imóveis de antes", disse ela, que agora, vive como dona de casa e o marido como carpinteiro.
"Passei anos de humilhação na sociedade, nos postos de saúde, diante de amigos e da própria família. O que eu passei não há como explicar. Não desejo isso para ninguém. Hoje, se encontrar um soropositivo, farei tudo que puder para ajudá-lo, mas a primeira coisa que faria é dar um abraço na pessoa e fazer com que possa esquecer que existe preconceito", disse a dona de casa.

Separação
Ela revelou ao G1 que o casamento ruiu depois do resultado positivo para o vírus HIV. "Meu marido fez o exame e deu negativo. Como você acha que ele passou a me olhar? Vivemos brigando e acabamos nos separando em seguida. Entrei em depressão, mas ele voltou a morar comigo. Hoje estamos casados há 11 anos."
A dona de casa disse ainda que o marido passou a beber e ter problemas de saúde por causa da situação. "Ele ainda se viciou em cocaína e crack. Ele pensava que, como eu iria morrer mesmo, que iria morrer junto comigo. Felizmente, há dois anos ele não bebe e não se droga mais."

Histórico de exames
A paciente foi submetida a três novos exames em Brusque após saber o resultado positivo, ainda em 2003, segundo informações de Maria Aparecida Morelli Belli, titular da pasta de Saúde da cidade. "Os três exames também indicaram reagentes ao vírus. De imediato, ela passou a receber o acompanhamento preventivo para proteger o bebê, já que estava no início da gestação. Um dos exames foi feito pelo Lacen [Laboratório Central do Estado]", disse a secretária.
O diretor do Lacen de Santa Catarina, João Daniel Filho, disse ao G1 que o primeiro exame da paciente teve resultado inconclusivo. "Para se efetivar um diagnóstico de HIV é necessário que sejam feitos outros dois exames com novas amostras de sangue, coletadas em momentos distintos. É esse o protocolo do Ministério da Saúde."
Daniel informou ainda que o exame de HIV é feito em quatro etapas. "No caso da paciente em questão, as três primeiras fases indicaram reagente ao vírus, mas na quarta fase o resultado foi negativo. Por isso consideramos o resultado inconclusivo."
Ele disse que outros dois exames foram feitos no Lacen, em 2009. "O primeiro, feito em setembro, já apresentou resultado negativo para reagente. Nesta situação, não é preciso seguir as outras três etapas. No segundo exame, feito em outubro, o resultado foi o mesmo, negativo."
Daniel afirmou que é diretor do Lacen há três anos. "No período, é a primeira vez que me deparo com uma situação como essa. Nunca vi um caso semelhante."

Investigação
Maria Aparecida disse que vai tentar localizar o histórico da paciente no prontuário médico para identifcar o que ocorreu. "O médico que começou a fazer o acompanhamento dela, de maneira humanizada, achou estranho o fato de a paciente nunca ter apresentado sintomas da doença, mesmo no período em que ela não recebia o coquetel. Por isso ele pediu novos exames."
Segundo a secretária, a paciente engravidou outra vez nos quase sete anos em que foi considerada portadora do HIV. "Durante a gestação ela passava a receber os medicamentos para proteger as crianças. Durante o período em que não estava grávida, ela não recebeu o coquetel."


G1

quarta-feira, 10 de março de 2010

Grã-Bretanha doa US$ 1,5 milhão para camisinhas na África do Sul


O governo britânico anunciou, nesta terça-feira, a doação de um milhão de libras (cerca de US$ 1,5 milhão, ou R$ 2,77 milhão) para a compra de camisinhas pelo governo sul-africano em um esforço no combate à Aids no momento em que o país se prepara para receber a Copa do Mundo.

Segundo o diretor do Departamento de Desenvolvimento Internacional britânico, Gareth Thomas, a doação representa um “apoio à liderança da África do Sul e a vontade de acabar com a epidemia”.
A contribuição britânica será suficiente para a compra de 42 milhões de camisinhas e ajudará no total de 2 bilhões que o governo julga ser necessário para suprir a demanda adicional provocada pela chegada de torcedores ao país para os jogos da Copa.
De acordo com o ministro da Saúde sul-africano, esse total é cerca de duas vezes maior do que o governo distribui normalmente e necessário já que a África do Sul espera aproximadamente 450 mil estrangeiros para prestigiar o evento esportivo no país.
Em fevereiro, o responsável médico do Comitê Local de Organização da Copa 2010, Victor Ramathesele, afirmou, durante uma conferência médica organizada pela Fifa, que a África do Sul estava se preparando para receber o fluxo de visitantes.
“Haverá uma grande quantidade de pessoas desembarcando no país. Será um clima de festividade que poderá aumentar a demanda comum para medidas como camisinhas”, disse.
“Por isso, estamos tomando medidas para garantir que a oferta de camisinhas seja impulsionada durante o torneio”, afirmou.
Mais de 5 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus HIV na África do Sul – um número maior do que em qualquer outro país do mundo.

‘Exemplo’
Na última semana, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, fez uma visita oficial à Grã-Bretanha.
O governo de Zuma ficou conhecido por dar um novo impulso ao combate à Aids e ao vírus HIV no país.
Parte disso ocorreu porque o governo anterior negava a relação entre o HIV e a Aids, sugerindo que o consumo de algumas verduras e legumes como beterraba e alho poderiam agir como remédios naturais contra a doença.
Apesar da aparente melhora trazida pelo governo de Zuma, o presidente é bastante criticado por ter três mulheres e ter tido um filho fora dos casamentos.
Segundo alguns ativistas que trabalham no combate à Aids na África do Sul, Zuma não estaria dando um bom exemplo ao país.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

As adolescentes como foco na campanha de prevenção do HIV no Carnaval 2010


As meninas adolescentes foram novamente escolhidas pelo Ministério da Saúde como público-alvo de uma campanha nacional contra o HIV e aids. Desta vez, nós meninas adolescentes, receberemos destaque na campanha de Carnaval (ao lado dos jovens gays).
Para quem não me conhece, sou Micaela Cyrino, tenho 21 anos, sou estudante de artes plásticas e coordenadora da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e aids.
Antes de começar a escrever este artigo pensei na seguinte pergunta: Por que nós meninas adolescentes e jovens somos vulneráveis ao HIV?
Em primeiro lugar, percebo que ainda há uma questão cultural muito forte de que a mulher é sempre inferior ao homem nas decisões em geral. Em segundo, tem a ver com a fácil confiança que as mulheres têm pelos homens quando começam um relacionamento.
Num sexo mais casual, o preservativo é quase sempre usado, mas quando começa um relacionamento sério, um namoro, tanto a mulher quanto o homem deixam de exigir o preservativo para provar confiança pelo outro. Deixar de usar preservativo é visto como uma prova de amor.
Muitas vezes percebo que a fase de apenas ficar com um menino para passar para uma coisa mais séria, como um namoro, é a mudança de usar para deixar de usar a camisinha.
É claro que mudar comportamento não é fácil, ainda mais numa situação em que o que está em jogo é a paixão. As pessoas apaixonadas são capazes de tudo.
Mas acho que as campanhas de prevenção à aids já não têm mais o mesmo impacto como no começo da epidemia.
Talvez porque a aids já não mata mais artistas e famosos como no começo da epidemia, os adolescentes de hoje acham que é tudo bem ter aids.
Sou a favor de retomar toda a atenção e o cuidado com a transmissão do HIV, como no começo da epidemia no Brasil, mas claro que fazendo uso de todo o conhecimento que temos para evitar novos preconceitos.
Se recentemente o país e o mundo se viraram para a prevenção da Gripe A, porque não podemos resgatar essa força para a prevenção do HIV?
Contra a Gripe A, a maioria das pessoas mudou de comportamento e passou a lavar as mãos com álcool e gel sempre. Essa doença foi esclarecida para sociedade.
Será que contra o HIV, isso não poderia acontecer também? Uma campanha de comunicação em massa com linguagens bem acessíveis, explicando como se transmite o vírus, como não se transmite e que há tratamento contra a aids seria muito bem vinda.
Isso contribuiria para que mais pessoas usassem o preservativo, e mudaria o pensamento delas para além da prevenção, para uma relação melhor e sem preconceito para com as pessoas vivendo com HIV.
Torcemos e trabalharemos para que isso seja possível, e que o uso do preservativo se torne um companheiro inseparável dos adolescentes já, a partir deste Carnaval.

Micaela Cyrino
Micaela Cyrino é estudante de artes plásticas, coordenadora da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e aids, e participou do grupo de trabalho de comunicação da campanha do Ministério da Saúde para a prevenção do HIV no Carnaval.


Agência de Notícias da Aids

Folha de S.Paulo e O Globo destacam campanhas de prevenção ao HIV durante a Copa do Mundo


As campanhas de prevenção ao HIV durante a Copa do Mundo - evento que será realizado entre 11 de junho e 11 de julho na África do Sul - foram tema de nota na Folha de S.Paulo e matéria no jornal O Globo. De acordo com as publicações, a Fifa, o Comitê Organizador da Copa do Mundo-2010 e o governo local vão distribuir camisinhas ao mais de 400 mil turistas estrangeiros. A África do Sul é o país com o maior número de pessoas infectadas pelo vírus da aids no mundo. Confira os textos a seguir.

Mundial também contra a Aids
Evento servirá para alertar turistas e locais sobre a importância do sexo seguro

Jorge Luiz Rodrigues
Enviado especial SUN CITY, África do Sul

Com 11,6% (5,7 milhões) da população (de 49 milhões) sul-africana sendo portadores do vírus HIV, a Fifa, o Comitê Organizador da Copa do Mundo-2010 e o governo vão aproveitar o megaevento, de 11 de junho a 11 julho, para alertar sobre a importância do sexo seguro.
Camisinhas serão distribuídas aos mais de 400 mil turistas estrangeiros que visitarão o país. O diretor da comissão médica da Fifa, o belga Michel D'Hooghe, informou ainda que as 32 delegações das seleções participantes também foram alertadas sobre o tema no III Seminário Internacional de Medicina do Futebol, encerrado domingo, em Sun City: - Em toda competição da Fifa, quando enviamos informações às seleções participantes, também alertamos sobre os perigos dos países, e não apenas aqui na África do Sul.
O médico belga afirmou ainda que a Fifa estabeleceu como alvo não apenas a prevenção à Aids na África do Sul, país líder em portadores do vírus HIV no mundo, mas também ao conjunto de doenças que ele chamou de "Big 3": malária, tuberculose e Aids.

Luta contra doping também aumentará
Chefe médico do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo2010, o sul-africano Victor Ramathesele justificou a necessidade de distribuição de mais preservativos: - Haverá um grande número de pessoas chegando ao país e um espírito festivo, que pode desencadear maior demanda de preservativos.
Membro da Comissão Médica da Fifa e chefe de pesquisas médicas da entidade, o tcheco naturalizado americano Jiri Dvorak informou que, pelo menos, 576 exames antidoping serão feitos antes e durante a Copa.
Até o próximo dia 22 de março, todas as 32 seleções participantes terão de informar à Fifa onde estarão seus jogadores selecionáveis durante o primeiro período de testes, com exames de sangue e urina, que começará a partir de 10 de abril e irá até 10 de junho - véspera da abertura do Mundial.
Oito atletas de cada país serão sorteados para os controles fora de competição e em amistosos. Serão 320 destes controles. Durante a Copa do Mundo, haverá outros 256.

Resort atrai turismo em meio à pobreza
SUN CITY. Com 1,5 hectare e 12 mil funcionários durante a alta temporada de verão, Sun City é um resort, com quatro hotéis, mais de cinco mil quartos, cassinos, piscinas, praia artificial com ondas e até areia branquinha, lago, monotrilho, dois campos de golfe renomados e atrações para famílias e amantes da jogatina.
Espécie de paraíso típico dos anos 90, transformou o turismo numa região (North West) onde o desemprego e a pobreza são enormes. Fica a 180km de Johannesburgo e a apenas 30km de um dos estádiossede da próxima Copa do Mundo: o Royal Bafokeng, em Rustemburgo.
Quem quer se divertir com a família vem para cá e tem todos os tipos de preços. Desde um quarto comum, ao custo de US$ 150, no Hotel Cabanas, a uma suíte de rei, por US$ 6 mil.
Aqui, a Fifa promove dois grandes seminários: a III Conferência Internacional de Medicina do Futebol, que terminou domingo, e o Workshop para as 32 seleções classificadas para a Copa-2010.
É incrível mas o Dunga conseguiu chegar de cara feia a um lugar como este. (J.L.R)

Fonte: O Globo

Aids: Doença preocupa organização
O comitê organizador da Copa e o governo sul-africano prometem doar milhões preservativos. O país registra o maior número de pessoas com o vírus da Aids no mundo, com cerca de 5 milhões, ou 10% da população.

Fonte: Folha de S.Paulo


domingo, 7 de fevereiro de 2010

Presidente da África do Sul lamenta filha fora do casamento


Jacob Zuma sofre reprovação nacional e resolve pedir desculpas neste sábado (6)

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, pediu desculpas neste sábado (6) por ser pai de uma criança fora do casamento. Ele tem enfrentado reprovação nacional por conta do fato.
Críticos dizem que Zuma, um zulu tradicionalista que pratica poligamia e que atualmente tem três mulheres e 20 filhos, incluindo o bebê com uma outra mulher, tem sido visto como um mau exemplo num país com uma das maiores taxas de HIV no mundo.
Zuma disse em comunicado divulgado neste sábado:
"Na última semana tirei um tempo para refletir sobre uma relação que tive fora do casamento. Isso tem sido assunto para muita discussão e debate."
Ele ainda declarou:
"Isso tem colocado muita pressão sobre a minha família e sobre o meu partido. Eu lamento profundamente a dor que eu causei a minha família, ao partido, aos sul-africanos em geral."
Na última terça-feira, Zuma, que se casou pela quinta vez no mês passado, fazendo de Tobeka Madiba a sua atual terceira mulher, confirmou relatos de ser o pai de uma criança com Sonono Khoza, filha de Irvin Khoza, que comanda os preparativos para a Copa do Mundo na África do Sul.
Sonono Khoza teve uma menina em outubro do ano passado. Na última terça-feira, Zuma reconheceu formalmente a criança como o seu vigésimo filho.
A poligamia é permitida na África do Sul e faz parte da cultura zulu, mas a prática tem sido criticada por ativistas que lutam pela prevenção do HIV. Ao menos 5,7 milhões de sul-africanos estão infectados com o vírus.

REUTERS


domingo, 17 de janeiro de 2010

Sexo entre toxicômanos acelera transmissão do HIV na Ásia


A OMS (Organização Mundial da Saúde) advertiu nesta segunda-feira que o consumo de drogas é a principal causa que acelera a epidemia de Aids e o HIV na Ásia, sobretudo pela promiscuidade sexual dos toxicômanos.
Segundo os últimos dados revelados pela OMS, a maioria dos contágios da doença no continente acontece agora por via intravenosa.
Outro perigo são os soropositivos que mantêm relações sexuais sem preservativo após terem tomado estimulantes com efeitos afrodisíacos como metanfetaminas.
A OMS, o Banco Asiático de Desenvolvimento e especialistas antidroga das Nações Unidas realizam esta semana uma reunião na Malásia com o objetivo de adotar uma nova estratégia comum para frear a expansão da Aids na região entre 2010 e 2015.
O novo plano deve incluir medidas para combater a influência dos entorpecentes sintéticos e o efeito acrescentado da transmissão aos soropositivos da hepatite C via seringas infectadas, assim como programas voluntários de reabilitação.

da Efe, em Kuala Lumpur

Folha Online

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Gel antiaids é reprovado em testes na África


Um gel criado pelo laboratório americano Endo para evitar a contaminação pela aids foi reprovado em testes na África, disse o Conselho de Pesquisa Médica (MRC) da Grã-Bretanha nesta segunda-feira. O microbicida vaginal Pro 2000 foi testado em mais de 9.000 mulheres em quatro países africanos, sem evidências de que reduza a contaminação pelo vírus causador HIV.
O resultado é um novo revés para o laboratório, cujas ações já tinham caído neste mês por causa da recusa das autoridades dos EUA em aprovar o medicamento Aveed, contra déficit de testosterona.
Até agora, não há nenhum gel microbicida que funcione contra a contaminação pelo HIV, e este teste "mostrou conclusivamente que o gel Pro 2000 não tinha benefício agregado", disse o MRC em nota. "Este resultado é desanimador, particularmente à luz dos resultados de um teste menor patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA, que sugeria que o Pro 2000 poderia reduzir em 30% o risco de infecção pelo HIV", disse Sheena McCormack, responsável pelo estudo.
O estudo do MRC foi o maior teste clínico internacional já feito sobre um gel para a prevenção do HIV. Quase 60 milhões de pessoas já foram contaminadas pelo vírus, e 25 milhões morreram de aids desde o início da década de 1980.
O teste do MRC, realizado entre setembro de 2005 e setembro de 2009, abrangeu 9.385 mulheres e foi realizado pelo Programa de Desenvolvimento de Microbicidas, parceria não-lucrativa entre 16 instituições africanas e europeias de pesquisas.
Os pesquisadores disseram que não houve diferenças significativas na taxa de contaminação entre as mulheres que usaram o gel Pro 2000 e as que usaram um gel placebo.

( Agência Estado)


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sexo: O mundo se une contra a AIDS

Crédito: Mark Weiss

Campanhas buscam combater a doença que cresce no interior do País

Primeiro de dezembro é o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS. No mundo inteiro governos, empresas e celebridades promovem eventos e campanhas para a prevenção da infecção causada pelo vírus HIV. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 33,4 milhões de pessoas no mundo convivem com o vírus e, somente em 2008, estima-se que mais 2,7 milhões tenham sido infectadas.
No Brasil, os números são menores mas não menos alarmantes. Segundo dados de 2006 do Ministério da Saúde, o país tem cerca de 630 mil infectados. O que preocupa as autoridades é um novo dado, divulgado em setembro; enquanto o número de contaminação diminui nas grandes cidades, a incidência só faz crescer em municípios com menos de 50 mil habitantes. O motivo? A falta de prevenção.
Estamos cansados de ouvir que a melhor forma de se proteger contra a AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis, é o uso da camisinha. Mesmo assim, jovens de todo o país ainda se arriscam em relações sexuais sem o preservativo. "Às vezes não tem, ou atrapalha o clima na hora de pegar", conta Ana*, de 18 anos, "Mas só rola sem camisinha com namorado, com quem eu confio". E a jovem não está sozinha. Muitas pessoas usam apenas o anticoncepcional na hora do sexo, com o medo de uma gravidez indesejada. Nesses casos, a "confiança" é a única proteção contra as DSTs.
Vídeo do Programa Nacional de DST e AIDS Para conscientizar os jovens brasileiros, a grife Levi´s faz a segunda edição da campanha "69 com camisinha". A brincadeira vem do preço de uma camiseta comemorativa, que custa R$ 69 e vem com uma camisinha na etiqueta. O dinheiro arrecadado com a venda destas camisetas exclusivas será revertido para a Sociedade Viva Cazuza. O slogan não poderia ser melhor: "A gente espera que o resultado dessa campanha seja negativo".
O Ministério da Saúde não ficou para trás e ampliou a campanha de prevenção à AIDS para a Internet. Um site foi criado especialmente para esclarecer as dúvidas dos usuários e combater o preconceito contra os portadores do vírus HIV. Você ainda pode consultar a programação de eventos, ler as novidades sobre a doença e até participar da campanha, deixando um depoimento em vídeo, foto ou texto. Quem tiver Twitter, ainda pode seguir o perfil do Ministério. Mas todo este movimento de nada adiantará se a população não se concientizar do problema. O primeiro passo para combater a AIDS é usar camisinha. Para quem transou sem ou passou por alguma situação de risco, o melhor é tirar logo a dúvida. O teste é feito gratuitamente em Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e podem ser anônimos. Quanto mais cedo o contágio for descoberto, maior é a expectativa de vida do soropositivo. Portanto, não se esconda. Faça o exame!

* Nome fictício, para preservar a identidade do entrevistado.

Rudolf Ritter

ObaOba
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