Mostrando postagens com marcador Dia Internacional da Luta Contra a Violência à Mulher. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dia Internacional da Luta Contra a Violência à Mulher. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Documentarista Cláudia Priscila comenta 'Leite e Ferro'

Estreou em circuito na sexta-feira (25), o documentário “Leite e Ferro”, que retrata a vida de mães presidiárias que são levadas ao paulistano Centro de Atendimento Hospitalar à Mulher Presa (CAHMP) para amamentar os filhos recém-nascidos. Vencedor do Grande Prêmio na Mostra Competitiva Internacional e Destaque Feminino na Competitiva Nacional do Festival Internacional de Cinema Feminino (Femina), o filme marca a estreia da cineasta Cláudia Priscila, que comenta o trabalho em entrevista a este blogue. Leia os principais trechos da conversa

Como surgiu a ideia de realizar o documentário "Leite e Ferro"? Por que esse tema das presidiárias que vão a um lugar específico para amamentar seus filhos te atraiu tanto?
O que me motivou a fazer este filme foi a minha experiência com a maternidade, após o nascimento do meu filho Pedro. Tive vontade de entender como essa experiência poderia acontecer em uma situação limite, tanto emocional quanto física. Quem me apresentou a instituição foi a Heide Cerneka, da Pastoral Carcerária. Outra motivação foi dar voz a essas mulheres, tirá-las da invisibilidade. Fazer um movimento antropofágico e a sociedade deglutir o que ela vomitou, o que ela excluiu.

Você encontrou alguma dificuldade para filmar no Centro de Atendimento Hospitalar à Mulher Presa e como foi feita a escolha das personagens?
Tive dificuldade em conseguir a autorização para a filmagem. Isso foi bastante estressante, porque as mulheres iriam embora da instituição. Estavam em trânsito. Foi uma corrida contra o tempo. Sobre as personagens, eu e a Lorena Delia (pesquisadora e produtora) ficamos dois meses frequentando a instituição. Num primeiro momento conversamos com cada uma das mulheres presas separadamente e depois passávamos o dia com elas na cadeia. A primeira pessoa que entrevistamos durante a pesquisa foi a “Daluana”. Fiz duas perguntas e ela falou por duas horas…. Tive certeza que estava diante de alguém especial para o documentário. As outras personagens também foram escolhidas neste processo. O importante era detectar pessoas dispostas a falar livremente sobre a experiência da maternidade no cárcere.

Foi difícil não tomar partido e nem julgar a atitude e a maneira de pensar de cada uma daquelas mães presidiárias? Por quê?
Não estava lá para julgar. Aquelas mulheres já estavam sentenciadas ou esperando por isso. Fui pra lá sabendo que viveria uma situação singular. Tenho muitas críticas ao sistema penitenciário brasileiro. Acho que, principalmente no caso das mulheres, deveria se pensar em penas alternativas, porque os filhos são os que mais sofrem com a falta das mães, o que acarreta na desestruturação familiar.

Você esperava que o documentário "Leite e Ferro" obtivesse um resultado tão bom em festivais? E qual é sua expectativa agora com relação ao público das salas de cinema?
Foi uma grande surpresa participar de importantes festivais dentro e fora do Brasil. “Leite e Ferro” ganhou prêmios importantes, como Melhor Documentário e Melhor Direção de Documentário no Festival de Paulínia. Minha expectativa agora é trazer essa discussão para a sociedade.

Você ainda mantém algum contato com aquelas mães e sabe qual foi o destino delas e dos bebês? Sabe se eles voltaram a se encontrar?
Tenho contato com a Daluana. Ela saiu da cadeia e conseguiu pegar a guarda do filho Levy que estava num abrigo. Para sobreviver começou a fazer um trabalho informal. Vendia lanche nas portas das cadeias. Aí veio a Prefeitura e levou todo o material de trabalho dela. Daluana voltou a roubar e está presa de novo. Seu filho está com a sogra e ela deve sair logo da cadeia.

Por que você acredita que o documentário tem obtido tanto destaque desde a denominada retomada do cinema brasileiro?
Eu acho que cresceu a produção de documentários no Brasil e isso trouxe visibilidade para este tipo de cinema. Outra razão que pode estar ligada a isso é a sede das pessoas pelo real, que veio com a demanda de reality shows e da internet. Vejo um momento positivo.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Mulheres: Lisboa recebe marcha pelo fim da violência



Realizou-se esta sexta-feira, em Lisboa, a primeira Marcha pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. A iniciativa insere-se nas comemorações do Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, decretado pelas Nações Unidas em 1999 e que se assinala hoje, e contará com a participação de dezenas de associações e até de partidos políticos.

A marcha foi organizada conjuntamente pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), pela ComuniDária (Integração de Migrantes e Minorias Étnicas) e pelo Movimento SlutWalk Lisboa.

No manifesto da iniciativa, os responsáveis explicam que, com esta marcha, o propósito é "sensibilizar a sociedade" para o fenómeno da violência. De acordo com a organização, "é imperativo que se comecem a adotar, de forma rigorosa e generalizada, os mecanismos necessários para combater as opressões de género, articuladas com opressões económico-sociais, de etnia, nacionalidade, orientação sexual e outras".

O início da caminhada estava marcado para as 17:00h no Largo Camões e o grupo segue depois até ao Rossio. Entre os nomes que se associaram ao evento encontram-se a Amnistia Internacional Portugal, que considera a violência sobre as mulheres uma "das mais vastas e persistentes violações de Direitos Humanos", o Bloco de Esquerda, a ILGA Portugal, a Liga Portuguesa Contra a Sida, entre vários outros.

Entretanto, a AMCV - Associação de Mulheres contra a Violência, que também apoia esta marcha, assinalará os 16 dias de ativismo pela eliminação da violência contra as mulheres (entre 25 de Novembro e 10 de Dezembro) com o lançamento de um spot publicitário sob o lema "Há um telefone que pode salvar a vida de muitas mulheres".


[Notícia sugerida por Alexandra Luís]

Boas Notícias

25 de novembro: Dia Internacional de Luta Contra a Violência à Mulher

O drama familiar vivido pela personagem Celeste, interpretada pela atriz Dira Paes, na novela Fina Estampa, da Rede Globo, é um bom exemplo sobre como proceder ao ser vítima de violência contra a mulher. Após anos de sofrimento e inúmeros hematomas, ela dá um basta na violência praticada pelo marido Baltazar, vivido pelo ator Alexandre Nero, e o denuncia à polícia. Preso em flagrante, ele vai preso, como deveria acontecer com todo homem que pratica violência contra o sexo feminino, seja parente ou não.
Existem muitas campanhas e as leis estão mais severas, por isso os números estão diminuindo, mas ainda há muito que se feito. O apoio de familiares e da sociedade aliado a informação é, sem dúvida, a grande arma contra a violência à mulher. Para conscientizar a população sobre esse grave problema social que atinge todo o mundo, dia 25 de novembro foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional de Luta Contra a Violência à Mulher.
Para a médica e psicanalista, Soraya Hissa de Carvalho, a data é uma ótima oportunidade para debater a questão. “As mulheres estão se conscientizando do apoio social que vão receber se resolverem denunciar seus agressores. Isso graças às campanhas e debates promovidos pela mídia em geral. Apesar do tema ter ganhado o horário nobre da TV, muitas mulheres ainda são agredidas e até mortas por seus companheiros”, afirma a médica.
Recente pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo, em parceria com o SESC, revela que a cada dois minutos cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil. Prova disso é que somente no Estado de Minas Gerais, nos oito primeiros meses de 2011, o número de mulheres que pediram ajuda contra a violência aumentou cerca de 160%, segundo o Centro Risoleta Neves de Atendimento (Cerna). O serviço registrou 359 novos casos, contra 137 em 2010. Dados revelam que 80% das agressões acontecem dentro de casa, normalmente provocadas por maridos e namorados. A motivação da violência são ciúmes, drogas, alcoolismo, entre outros.
“Mesmo com o aumento das denúncias, muitas mulheres ainda não delatam seus agressores. Isso se deve ao medo da impunidade, do amor a este homem, da proteção aos filhos e vergonha. Outras tantas mulheres após denunciar voltam a se relacionar com o agressor pelos mesmos motivos”, diz a psicanalista.
Ainda de acordo com os dados do Cerna, o número de mulheres que retornaram e permaneceram em atendimento aumentou também para 10%. Foram 821 de janeiro a agosto deste ano e 747 no mesmo período do ano passado.
Consequências no corpo e na mente
Além das marcas deixadas pelo corpo, quem agride deixa marcas sérias no psicológico da vítima. De acordo com a psicanalista, as mulheres agredidas podem apresentar alguns sintomas psicossomáticos como estresse pós-traumático, destruição da autoestima, apatia, depressão, ansiedade, distúrbios sexuais, distúrbios do sono, pânico, abuso na ingestão de substâncias, ansiedade generalizada, fobia, entre outras.
“As marcas do corpo são curadas, mas as psicológicas são difíceis de cicatrizar. Além disso, não só a mulher agredida sofre, mas também todos que convivem com ela. O apoio e a solidariedade de familiares, filhos, amigos e vizinhos é um grande aliado neste momento”, diz Soraya Hissa.
Vamos denunciar
A vítima pode ligar para o número 180, Central de Atendimento à Mulher, serviço que pertence à Secretaria Nacional de Política para as Mulheres ou procurar delegacias e outros órgãos especializados em atendimento ao público feminino. Não é preciso se identificar e o serviço funciona 24h. Em casos mais urgentes, os denunciantes são orientados a ligar diretamente para a Polícia Militar, no número 190.

Verbratec© Desktop.