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quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Psicologia e Comportamento Idosos órfãos de filhos vivos são os novos desvalidos do século XXI
Por Ana Fraiman, Mestre em Psicologia Social pela USP
Atenção e carinho estão para a alegria da alma, como o ar que respiramos está para a saúde do corpo. Nestas últimas décadas surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões
A ordem era essa: em busca de melhores oportunidades, vinham para as cidades os filhos mais crescidos e não necessariamente os mais fortes, que logo traziam seus irmãos, que logo traziam seus pais e moravam todos sob um mesmo teto, até que a vida e o trabalho duro e honesto lhes propiciassem melhores condições. Este senhor, com olhos sonhadores, rememorava com saudade os tempos em que cavavam buracos nas terras e ali dormiam, cheios de sonho que lhes fortalecia os músculos cansados. Não importava dormir ao relento. Cediam ao cansaço sob a luz das estrelas e das esperanças.
A evasão dos mais jovens em busca de recursos de sobrevivência e de desenvolvimento, sempre ocorreu. Trabalho, estudos, fugas das guerras e perseguições, a seca e a fome brutal, desde que o mundo é mundo pressionou os jovens a abandonarem o lar paterno. Também os jovens fugiram da violência e brutalidade de seus pais ignorantes e de mau gênio. Nada disso, porém, era vivido como abandono: era rompimento nos casos mais drásticos. Era separação vivida como intervalo, breve ou tornado definitivo, caso a vida não lhes concedesse condição futura de reencontro, de reunião.
Separação e responsabilidade
Assim como os pais deixavam e, ainda deixam seus filhos em mãos de outros familiares, ao partirem em busca de melhores condições de vida, de trabalho e estudos, houve filhos que se separaram de seus pais. Em geral, porém, isso não é percebido como abandono emocional. Não há descaso nem esquecimento. Os filhos que partem e partiam, também assumiam responsabilidades pesadas de ampará-los e aos irmãos mais jovens. Gratidão e retorno, em forma de cuidados ainda que à distância. Mesmo quando um filho não está presente na vida de seus pais, sua voz ao telefone, agora enviada pelas modernas tecnologias e, com ela as imagens nas telinhas, carrega a melodia do afeto, da saudade e da genuína preocupação. E os mais velhos nutrem seus corações e curam as feridas de suas almas, por que se sentem amados e podem abençoá-los. Nos tempos de hoje, porém, dentro de um espectro social muito amplo e profundo, os abandonos e as distâncias não ocupam mais do que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas. Nasceu uma geração de ‘pais órfãos de filhos’. Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que cedem seus créditos consignados para filhos contraírem dívidas em seus honrados nomes, que lhes antecipam herança. Mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão – talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo – mas da crença de que seus pais se bastam.
Este estilo de vida, nos dias comuns, que não inclui conversa amena e exclui a ‘presença a troco de nada, só para ficar junto’, dificulta ou, mesmo, impede o compartilhar de valores e interesses por parte dos membros de uma família na atualidade, resulta de uma cultura baseada na afirmação das individualidades e na política familiar focada nos mais jovens, nos que tomam decisões ego-centradas e na alta velocidade: tudo muito veloz, tudo fugaz, tudo incerto e instável. Vida líquida, como diz Zygmunt Bauman, sociólogo polonês. Instalou-se e aprofundou-se nos pais, nem tão velhos assim, o sentimento de abandono. E de desespero. O universo de relacionamento nas sociedades líquidas assegura a insegurança permanente e monta uma armadilha em que redes sociais são suficientes para gerar controle e sentimento de pertença. Não passam, porém de ilusões que mascaram as distâncias interpessoais que se acentuam e que esvaziam de afeto, mesmo aquelas que são primordiais: entre pais e filhos e entre irmãos. O desespero calado dos pais desvalidos, órfãos de quem lhes asseguraria conforto emocional e, quiçá material, não faz parte de uma genuína renúncia da parte destes pais, que ‘não querem incomodar ninguém’, uma falsa racionalidade – e é para isso que se prestam as racionalizações – que abala a saúde, a segurança pessoal, o senso de pertença. É do medo de perder o pouco que seus filhos lhes concedem em termos de atenção e presença afetuosa. O primado da ‘falta de tempo’ torna muito difícil viver um dia a dia em que a pessoa está sujeita ao pânico de não ter com quem contar.
A irritação por precisar mudar alguns hábitos. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões. Desde os poucos minutos dos sinais luminosos para se atravessar uma rua, até as grandes filas nos supermercados, a dificuldade de caminhar por calçadas quebradas e a hesitação ao digitar uma senha de computador, qualquer coisa que tire o adulto de seu tempo de trabalho e do seu lazer, ao acompanhar os pais, é causa de irritação. Inclusive por que o próprio lazer, igualmente, é executado com horário marcado e em espaço determinado. Nas salas de espera veem-se os idosos calados e seus filhos entretidos nos seus jornais, revistas, tablets e celulares. Vive-se uma vida velocíssima, em que quase todo o tempo do simples existir deve ser vertido para tempo útil, entendendo-se tempo útil como aquele que também é investido nas redes sociais. Enquanto isso, para os mais velhos o relógio gira mais lento, à medida que percebem, eles próprios, irem passando pelo tempo. O tempo para estar parado, o tempo da fruição está limitado. Os adultos correm para diminuir suas ansiosas marchas em aulas de meditação. Os mais velhos têm tempo sobrante para escutar os outros, ou para lerem seus livros, a Bíblia, tudo aquilo que possa requerer reflexão. Ou somente uma leve distração. Os idosos leem o de que gostam. Adultos devoram artigos, revistas e informações sobre o seu trabalho, em suas hiper especializações. Têm que estar a par de tudo just in time – o que não significa exatamente saber, posto que existe grande diferença entre saber e tomar conhecimento. Já, os mais velhos querem mais é se livrar do excesso de conhecimento e manter suas mentes mais abertas e em repouso. Ou, então, focadas naquilo que realmente lhes faz bem como pessoa. Restam poucos interesses em comum a compartilhar. Idosos precisam de tempo para fazer nada e, simplesmente recordar. Idosos apreciam prosear. Adultos têm necessidade de dizer e de contar. A prosa poética e contemplativa ausentou-se do seu dia a dia. Ela não é útil, não produz resultados palpáveis.
A dificuldade de reconhecer a falta que o outro faz.
Do prisma dos relacionamentos afetivos e dos compromissos existenciais, todas as gerações têm medo de confessar o quanto o outro faz falta em suas vidas, como se isso fraqueza fosse. Montou-se, coletivamente, uma enorme e terrível armadilha existencial, como se ninguém mais precisasse de ninguém. A família nuclear é muito ameaçadora. para o conforto, segurança e bem-estar: um número grande de filhos não mais é bemvindo, pais longevos não são bem tolerados e tudo isso custa muito caro, financeira, material e psicologicamente falando. Sobrevieram a solidão e o medo permanente que impregnam a cultura utilitarista, que transformou as relações humanas em transações comerciais. As pessoas se enxergam como recursos ou clientes. Pais em desespero tentam comprar o amor dos filhos e temem os ataques e abandono de clientes descontentes. Mas, carinho de filho não se compra, assim como ausência de pai e mãe não se compensa com presentes, dinheiro e silêncio sobre as dores profundas as gerações em conflito se infringem. Por vezes a estratégia de condutas desviantes dão certo, para os adolescentes conseguirem trazer seus pais para mais perto, enquanto os mais idosos caem doentes, necessitando – objetivamente – de cuidados especiais. Tudo isso, porém, tem um altíssimo custo. Diálogo? Só existe o verdadeiro diálogo entre aqueles que não comungam das mesmas crenças e valores, que são efetivamente diferentes. Conversar, trocar ideias não é dialogar. Dialogar é abrir-se para o outro. É experiência delicada e profunda de auto revelação. Dialogar requer tempo, ambiente e clima, para que se realizem escutas autênticas e para que sejam afastadas as mútuas projeções. O que sabem, pais e filhos, sobre as noites insones de uns e de outros? O que conversam eles sobre os receios, inseguranças e solidão? E sobre os novos amores? Cada geração se encerra dentro de si própria e age como se tudo estivesse certo e correto, quando isso não é verdade.
A dificuldade de reconhecer limites característicos do envelhecimento dos pais. Este é o modelo que se pode identificar. Muito mais grave seria não ter modelo. A questão é que as dores são tão mascaradas, profundas e bem alimentadas pelas novas tecnologias, inclusive, que todas as gerações estão envolvidas pelo desejo exacerbado de viver fortes emoções e correr riscos desnecessários, quase que diariamente. Drogas e violência toldam a visão de consequências e sequestram as responsabilidades. Na infância e adolescência os pais devem ser responsáveis pelos seus filhos. Depois, os adultos, cada qual deve ser responsável por si próprio. Mais além, os filhos devem ser responsáveis por seus pais de mais idade. E quando não se é mais nem tão jovem e, ainda não tão idoso que se necessite de cuidados permanentes por parte dos filhos? Temos aí a geração de pais desvalidos: pais órfãos de seus filhos vivos. E estes respondem, de maneira geral, ou com negligência ou, com superproteção. Qualquer das formas caracteriza maus cuidados e violência emocional.
Na vida dos mais velhos alguns dos limites físicos e mentais vão se instalando e vão mudando com a idade. Dos pais e dos filhos. Desobrigados que foram de serem solidários aos seus pais, os filhos adultos como que se habituaram a não prestarem atenção às necessidades de seus pais, conforme envelhecem. Mantêm expectativas irrealistas e não têm pálida ideia do que é ter lutado toda uma vida para se auto afirmar, para depois passar a viver com dependências relativas e dar de frente com a grande dor da exclusão social. A começar pela perda dos postos de trabalho e, a continuar, pela enxurrada de preconceitos que se abatem sobre os idosos, nas sociedades profundamente preconceituosas e fóbicas em relação à morte e à velhice. Somente que, em vez de se flexibilizarem, uns e outros, os filhos tentam modificar seus pais, ensinando-lhes como envelhecer. Chega a ser patético. Então, eles impõem suas verdades pós-modernas e os idosos fingem acatar seus conselhos, que não foram pedidos e nem lhes cabem de fato.
De onde vem a prepotência de filhos adultos e netos adolescentes que se arrogam saber como seus pais e avós devem ser, fazer, sentir e pensar ao envelhecer? É risível o esforço das gerações mais jovens, querendo educa-los, quando o envelhecimento é uma obra social e, mais, profundamente coletiva, da qual os adultos de hoje – que justa, porém indevidamente – cultivam os valores da juventude permanente e, da velhice não fazem a mais pálida ideia. Além do que, também não têm a menor noção de como haverão eles próprios de envelhecer, uma vez que está em curso uma profunda mudança nas formas, estilos e no tempo de se viver até envelhecer naturalmente e, morrer a Boa Morte. Penso ser uma verdadeira utopia propor, neste momento crítico, mudanças definidas na interação entre pais e filhos e entre irmãos. Mudanças definidas e, de nenhuma forma definitivas, porém, um tanto mais humanas, sensíveis e confortáveis. O compartilhar é imperativo. O dialogar poderá interpor-se entre os conflitos geracionais, quem sabe atenuando-os e reafirmando a necessidade de resgatar a simplicidade dos afetos garantidos e das presenças necessárias para a segurança de todos.
Quando a solidão e o desamparo, o abandono emocional, forem reconhecidos como altamente nocivos, pela experiência e pelas autoridades médicas, em redes públicas de saúde e de comunicação, quem sabe ouviremos mais pessoas que pensam desta mesma forma, porém se auto impuseram a lei do silêncio. Por vergonha de se declararem abandonados justamente por aqueles a quem mais se dedicaram até então. É necessário aprender a enfrentar o que constitui perigo, alto risco para a saúde moral e emocional para cada faixa etária. Temos previsão de que, chegados ao ano de 2.035, no Brasil haverá mais pessoas com 55 anos ou mais de idade, do que crianças de até dez anos, em toda a população. E, com certeza, no seio das famílias. Estudos de grande envergadura em relação ao envelhecimento populacional afirmam que a população de 80 anos e mais é a que vai quadruplicar de hoje até o ano de 2.050. O diálogo, portanto, intra e intergeracional deve ensaiar seus passos desde agora. O aumento expressivo de idosos acima dos 80 anos nas políticas públicas ainda não está, nem de longe, sendo contemplado pelas autoridades competentes. As medidas a serem tomadas serão muito duras. Ninguém de nós vai ficar de fora. Como não deve permanecer fora da discussão sobre o envelhecimento populacional mundial e as estratégias para enfrentá-lo.
Fonte: Pazes
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Famílias abandonam crianças com microcefalia e paralisia cerebral
Tratamento. Uma profissional atende a uma criança na Cruz Verde: hospital é o único para paralisia cerebral grave - Marcos Alves
Em hospital de referência 70% dos pacientes não recebem visita
SÃO PAULO — Guilherme* estava de mau humor. Deitado em um berço de metal, seu corpo franzino não revelava os 14 anos de idade. Por trás da máscara de um respirador artificial, apenas seus olhos entristecidos apareciam. Uma pneumonia o impedia, naquela manhã, de circular, distribuindo irônicos apelidos a pacientes, enfermeiras e médicos. Desde os sete meses, ele mora no único hospital do Brasil de atenção exclusiva para pessoas com paralisia cerebral grave: a Associação Cruz Verde, na Zona Sul de São Paulo. Nunca foi pra casa, nunca recebeu visitas de parentes. Foi deixado pela família ainda na maternidade, assim que nasceu e recebeu o diagnóstico de que não viveria mais de quatro anos.
Guilherme é um dos 204 pacientes que moram na Cruz Verde. No prédio arejado e iluminado, de paredes claras e equipe sorridente, crianças, adolescentes e adultos que sofrem com paralisia cerebral e microcefalia graves, recebem diversos tratamentos, como fisioterapia, fonoterapia, hidroterapia e terapia ocupacional. Nenhum deles consegue caminhar, todos usam fraldas, a maioria não pode engolir e se alimenta por sondas, poucos falam. Cerca de 70% foram abandonados pelas famílias e irão viver no hospital até a morte.
A paralisia cerebral é uma condição na qual o paciente tem uma ou mais partes do cérebro lesionadas, causando a morte de neurônios. Pode ser provocada enquanto a criança ainda se desenvolve dentro do útero da mãe, por doenças contraídas ou pelo uso de drogas. No momento do parto, por falta de oxigênio, ou nos primeiros anos de vida, por paradas cardiorrespiratórias ou acidentes que afetem diretamente a oxigenação do cérebro.
O estado provoca graves dificuldades motoras, com atrofia e entortamento dos membros, dificuldades respiratórias, epilepsia e algum grau de atraso intelectual. Em alguma medida, todos eles compreendem o mundo ao redor e têm as interações limitadas pelos problemas de fala e de visão que resultam das lesões neurais. A paralisia cerebral pode acontecer associada à microcefalia - situação em que as crianças nascem com cérebros menores ou não o desenvolvem com o passar do tempo - em uma interação ainda pouco explicada pela ciência. O atendimento de cada criança na Cruz Verde é complexo e custa R$ 4 mil por mês.
— As mães que abandonam as crianças não têm qualquer estrutura econômica, social ou familiar para fazer frente ao desafio de cuidar delas. Além do preconceito, da rejeição, essas mães normalmente já foram abandonadas pelo pai da criança. Algumas são usuárias de drogas, não têm família e já têm muitos filhos — afirma a assistente social do hospital Jéssica Pereira da Silva.
Atendimento de cada criança na Cruz Verde é complexo e custa R$ 4 mil por mês - Marcos Alves
Ricardo* tinha 10 anos quando a casa onde morava pegou fogo. Ele era o responsável pelos cuidados de três irmãos menores enquanto a mãe trabalhava. Embora tenha sido o primeiro a sair da casa em chamas, ele acabou voltando para tentar salvar os familiares. Depois de resgatar os irmãos e de inalar uma grande quantidade de fumaça, sofreu uma parada cardiorrespiratória que lhe causou paralisia cerebral grave. Ainda no hospital, Ricardo foi abandonado pela família que salvou. Ocupa há oito anos um dos berços de uma ala da Cruz Verde. Não fala, nem anda. Mas segue o interlocutor com o olhar. Nunca recebeu visita ou foi procurado.
Aos 12 anos, Luana*, que nasceu com paralisia cerebral, pesava apenas 12 quilos quando chegou ao hospital, em extrema desnutrição, depois de ser retirada da família por maus-tratos. Ela depende de uma traqueostomia e um respirador para se manter viva. Júlia*, uma simpática menina de dois anos que distribui sorrisos quando alguém chega perto de seu leito, nasceu de uma mulher que teve sucessivas crises de epilepsia durante a gestação, e teve o cérebro lesionado. A mãe a deixou, visita raramente.
— Quando a mãe vem, ela diz: "isso eu não quero na minha casa". As pessoas não querem cuidar, mal querem olhar, há muito preconceito. Temo que o aumento de casos de microcefalia provoque um surto de abandonos — afirma a neuropediatra, especialista em paralisia cerebral, Adriana Ávila de Espíndola.
A dor da rejeição Fernanda Silva Costa, de 38 anos, conheceu dentro de casa. Ela é mãe de Artur, de 3 anos, que nasceu com microcefalia e paralisia cerebral. A criança não enxerga, não fala, não anda, não consegue se sentar sozinha, não engole nenhuma comida que não seja pastosa. Ela e o marido se desdobram nos cuidados com o pequeno, que incluem uma agenda médica extensa. Mas a mãe de Fernanda, avó de Artur, se recusa a chegar perto da criança.
— Ela não o pega no colo, arruma desculpas para não acompanhar no médico, parece que sente nojo dele. Isso machuca muito. Agora estamos tentando matriculá-lo em alguma escola, mas nenhuma delas aceita, dizem que não têm condições. Os pais não deixam suas crianças chegarem perto do Artur. Não querem deixá-lo entrar na sociedade — conta Fernanda, que leva o filho para tratamento na Cruz Verde.
Além do preconceito, as mães enfrentam a falta de terapias e opções médicas no sistema público de saúde para tratar suas crianças. Pacientes com paralisia cerebral precisam de estimulação contínua para uma maior qualidade de vida. Com custo de R$ 15 milhões anuais, a Cruz Verde se equilibra entre a escassez de verba pública - o SUS custeia 50% das despesas - e a necessidade de doações de mais de 50 empresas para seguir funcionando. Os administradores se assombram diante da possibilidade de que a demanda por seus cuidados aumente diante do nascimento em massa de bebês com microcefalia, resultante da infecção por zika vírus. A superintendente do hospital Marilena Pacios resume a aflição:
— O que faremos agora diante de uma parcela dessa geração nascendo quase sem cérebro? Isso é uma tragédia.
*Nomes fictícios
Fonte: O Globo
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/familias-abandonam-criancas-com-microcefalia-paralisia-cerebral-18447204#ixzz3yT3A2v6P
© 1996 - 2016. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
Em hospital de referência 70% dos pacientes não recebem visita
SÃO PAULO — Guilherme* estava de mau humor. Deitado em um berço de metal, seu corpo franzino não revelava os 14 anos de idade. Por trás da máscara de um respirador artificial, apenas seus olhos entristecidos apareciam. Uma pneumonia o impedia, naquela manhã, de circular, distribuindo irônicos apelidos a pacientes, enfermeiras e médicos. Desde os sete meses, ele mora no único hospital do Brasil de atenção exclusiva para pessoas com paralisia cerebral grave: a Associação Cruz Verde, na Zona Sul de São Paulo. Nunca foi pra casa, nunca recebeu visitas de parentes. Foi deixado pela família ainda na maternidade, assim que nasceu e recebeu o diagnóstico de que não viveria mais de quatro anos.
Guilherme é um dos 204 pacientes que moram na Cruz Verde. No prédio arejado e iluminado, de paredes claras e equipe sorridente, crianças, adolescentes e adultos que sofrem com paralisia cerebral e microcefalia graves, recebem diversos tratamentos, como fisioterapia, fonoterapia, hidroterapia e terapia ocupacional. Nenhum deles consegue caminhar, todos usam fraldas, a maioria não pode engolir e se alimenta por sondas, poucos falam. Cerca de 70% foram abandonados pelas famílias e irão viver no hospital até a morte.
A paralisia cerebral é uma condição na qual o paciente tem uma ou mais partes do cérebro lesionadas, causando a morte de neurônios. Pode ser provocada enquanto a criança ainda se desenvolve dentro do útero da mãe, por doenças contraídas ou pelo uso de drogas. No momento do parto, por falta de oxigênio, ou nos primeiros anos de vida, por paradas cardiorrespiratórias ou acidentes que afetem diretamente a oxigenação do cérebro.
O estado provoca graves dificuldades motoras, com atrofia e entortamento dos membros, dificuldades respiratórias, epilepsia e algum grau de atraso intelectual. Em alguma medida, todos eles compreendem o mundo ao redor e têm as interações limitadas pelos problemas de fala e de visão que resultam das lesões neurais. A paralisia cerebral pode acontecer associada à microcefalia - situação em que as crianças nascem com cérebros menores ou não o desenvolvem com o passar do tempo - em uma interação ainda pouco explicada pela ciência. O atendimento de cada criança na Cruz Verde é complexo e custa R$ 4 mil por mês.
— As mães que abandonam as crianças não têm qualquer estrutura econômica, social ou familiar para fazer frente ao desafio de cuidar delas. Além do preconceito, da rejeição, essas mães normalmente já foram abandonadas pelo pai da criança. Algumas são usuárias de drogas, não têm família e já têm muitos filhos — afirma a assistente social do hospital Jéssica Pereira da Silva.
Atendimento de cada criança na Cruz Verde é complexo e custa R$ 4 mil por mês - Marcos Alves
Ricardo* tinha 10 anos quando a casa onde morava pegou fogo. Ele era o responsável pelos cuidados de três irmãos menores enquanto a mãe trabalhava. Embora tenha sido o primeiro a sair da casa em chamas, ele acabou voltando para tentar salvar os familiares. Depois de resgatar os irmãos e de inalar uma grande quantidade de fumaça, sofreu uma parada cardiorrespiratória que lhe causou paralisia cerebral grave. Ainda no hospital, Ricardo foi abandonado pela família que salvou. Ocupa há oito anos um dos berços de uma ala da Cruz Verde. Não fala, nem anda. Mas segue o interlocutor com o olhar. Nunca recebeu visita ou foi procurado.
Aos 12 anos, Luana*, que nasceu com paralisia cerebral, pesava apenas 12 quilos quando chegou ao hospital, em extrema desnutrição, depois de ser retirada da família por maus-tratos. Ela depende de uma traqueostomia e um respirador para se manter viva. Júlia*, uma simpática menina de dois anos que distribui sorrisos quando alguém chega perto de seu leito, nasceu de uma mulher que teve sucessivas crises de epilepsia durante a gestação, e teve o cérebro lesionado. A mãe a deixou, visita raramente.
— Quando a mãe vem, ela diz: "isso eu não quero na minha casa". As pessoas não querem cuidar, mal querem olhar, há muito preconceito. Temo que o aumento de casos de microcefalia provoque um surto de abandonos — afirma a neuropediatra, especialista em paralisia cerebral, Adriana Ávila de Espíndola.
A dor da rejeição Fernanda Silva Costa, de 38 anos, conheceu dentro de casa. Ela é mãe de Artur, de 3 anos, que nasceu com microcefalia e paralisia cerebral. A criança não enxerga, não fala, não anda, não consegue se sentar sozinha, não engole nenhuma comida que não seja pastosa. Ela e o marido se desdobram nos cuidados com o pequeno, que incluem uma agenda médica extensa. Mas a mãe de Fernanda, avó de Artur, se recusa a chegar perto da criança.
— Ela não o pega no colo, arruma desculpas para não acompanhar no médico, parece que sente nojo dele. Isso machuca muito. Agora estamos tentando matriculá-lo em alguma escola, mas nenhuma delas aceita, dizem que não têm condições. Os pais não deixam suas crianças chegarem perto do Artur. Não querem deixá-lo entrar na sociedade — conta Fernanda, que leva o filho para tratamento na Cruz Verde.
Além do preconceito, as mães enfrentam a falta de terapias e opções médicas no sistema público de saúde para tratar suas crianças. Pacientes com paralisia cerebral precisam de estimulação contínua para uma maior qualidade de vida. Com custo de R$ 15 milhões anuais, a Cruz Verde se equilibra entre a escassez de verba pública - o SUS custeia 50% das despesas - e a necessidade de doações de mais de 50 empresas para seguir funcionando. Os administradores se assombram diante da possibilidade de que a demanda por seus cuidados aumente diante do nascimento em massa de bebês com microcefalia, resultante da infecção por zika vírus. A superintendente do hospital Marilena Pacios resume a aflição:
— O que faremos agora diante de uma parcela dessa geração nascendo quase sem cérebro? Isso é uma tragédia.
*Nomes fictícios
Fonte: O Globo
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/familias-abandonam-criancas-com-microcefalia-paralisia-cerebral-18447204#ixzz3yT3A2v6P
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Cão morre enforcado, com fome e sede após dona ir para praia em Campos
Um cachorro morreu de sede e fome na tarde desta segunda-feira (11), em uma casa na rua Eudoxo de Brito Falcão, no Parque Nova Brasília, em Campos. Agonizando, o animal ainda se enforcou na coleira tentando encontrar sombra e água. Segundo vizinhos, a dona do animal o deixou no quintal sem assistência e foi para a praia, onde passou o final de semana e só retornou no final da tarde de hoje.
Revoltado, um vizinho fotografou os maus-tratos e procurou a redação do jornal Notícia Urbana para divulgar a crueldade. Nas redes sociais, uma jovem escreveu. “Isso aconteceu hoje aqui em Campos… A dona do cão foi veranear e deixou o cachorro no sol. Ele morreu com sede, fome e enforcado. Ela ainda não chegou, não sei o que fazer e a quem recorrer!”, desabafou.
Em apenas uma hora, a postagem teve centenas de curtidas, comentários e compartilhamentos.
Cabe ressaltar que praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos é crime e a pena varia de detenção, de três meses a um ano, e multa.
Fonte: Notícia Urbana
Revoltado, um vizinho fotografou os maus-tratos e procurou a redação do jornal Notícia Urbana para divulgar a crueldade. Nas redes sociais, uma jovem escreveu. “Isso aconteceu hoje aqui em Campos… A dona do cão foi veranear e deixou o cachorro no sol. Ele morreu com sede, fome e enforcado. Ela ainda não chegou, não sei o que fazer e a quem recorrer!”, desabafou.
Em apenas uma hora, a postagem teve centenas de curtidas, comentários e compartilhamentos.
Cabe ressaltar que praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos é crime e a pena varia de detenção, de três meses a um ano, e multa.
Fonte: Notícia Urbana
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Os lixões do tráfico
Ausência do poder público abre caminho para ações de criminosos em aterros de Caxias
O recado chegou por um radiotransmissor, em forma de alerta urgente: era preciso descer imediatamente de uma montanha de 53 metros de lixo. Nervoso, um técnico parou a aferição dos poços de captação de gás no local, enfiou-se num carro e, minutos depois, estava abrigado. Passado o susto, soube que estava na mira de um fuzil. O episódio envolvendo um funcionário da empresa que administra o aterro do Jardim Gramacho, fechado em junho de 2012, ocorreu há um mês, após uma incursão policial a um depósito clandestino de lixo vizinho, em Duque de Caxias. Não foi um caso fortuito. Traficantes armados com fuzis e pistolas são vistos com frequência no entorno daquele que já foi o maior lixão da América Latina. Três anos depois do encerramento dos depósitos de resíduos no local, o vácuo do poder público criou uma estrada aberta para o crime. De acordo com a Coordenadoria de Combate a Crimes Ambientais (Cicca), vinculada à Secretaria estadual do Ambiente (SEA) e à prefeitura de Caxias, o tráfico controla cinco lixões clandestinos na área, onde cobra pedágio de caminhões.
Do alto do aterro é possível ver depósitos clandestinos avançando sobre o bosque de manguezal que protege a Baía de Guanabara. Na última quinta-feira, O GLOBO flagrou até mesmo uma retroescavadeira ajudando a organizar as gigantescas pilhas de resíduos. Uma dinâmica de difícil controle, reconhece o coronel José Maurício Padrone, coordenador da Cicca.
— A maioria dos moradores do bairro sobrevive do lixo. Com o fechamento de Gramacho, criou-se um grande comércio ilegal em torno dele, com caminhoneiros, alguns catadores e empresas inescrupulosas de lixo extraordinário, que não querem se deslocar para o aterro sanitário em Seropédica e pagar R$ 60 a tonelada — diz Padrone. — O tráfico cobra R$ 40 para liberar a passagem de um caminhão com até dez toneladas de resíduos. Quem perde é o meio ambiente.
“Cada um no seu quadrado”
Padrone avalia que as operações de repressão aos despejos ilegais só terão efeito com o avanço de projetos de melhoria de infraestrutura do bairro de Jardim Gramacho. Enquanto as promessas não saem do papel, o combate ao crime patina em tentativas ineficientes de “enxugar gelo”. Opinião endossada pelo secretário de Meio Ambiente de Duque de Caxias, Luiz Renato Vergara.
— Jardim Gramacho precisa de uma grande intervenção social. Nós vamos iniciar, este mês, uma reestruturação nas principais vias. Mas o grande projeto que poderia mudar essa realidade, do governo federal, ainda não aconteceu — lamenta o secretário, prevendo um gasto de R$ 1,5 milhão do município para intervenções em drenagem, limpeza e melhoria urbanística do bairro.
Também este mês, a estação de transbordo de resíduos, que opera desde o fechamento do aterro e fica a poucos metros do local, será transferida para um galpão às margens da Rodovia Washington Luís. A promessa é que acabe o vaivém de caminhões, antiga reclamação de moradores.
As ruas de Jardim Gramacho, que se estende da Washington Luís até as margens da Baía de Guanabara, permanecem caóticas. Saneamento e pavimentação inexistem, e há lixo acumulado por toda a parte, deixando um odor insuportável. Os 20 mil moradores dividem espaço com criações de porcos e galinhas. Os esforços por ali se voltam a estratégias de sobrevivência. O bairro tem hoje 21 cooperativas de catadores. A reciclagem emprega um exército de quase 500 pessoas, 60% a menos que os 1.400 catadores do antigo aterro. Além dos “negócios” com lixo, o tráfico da região já começa a lotear terrenos do entorno.
— Aqui é cada um no seu quadrado. Eles (os traficantes) não mexem com a gente, e a gente não mexe com eles. E fica tudo bem — informa um catador. — O fechamento do aterro foi uma catástrofe para quem vive da reciclagem.
Uma catadora concorda, e acrescenta:
— Nem todo mundo recebeu a indenização (de R$ 14 mil) após o fechamento do aterro. A crise no preço dos recicláveis está nos prejudicando. Sobrevivemos com doações de materiais como plástico, papel, metal e alumínio. Não dá nem para comparar com a época boa de Gramacho.
Em operação policial realizada em outubro do ano passado, uma intensa troca de tiros deixou moradores em pânico. Traficantes se refugiaram numa ilha, com acesso por uma trilha no meio do manguezal. Comandante do 15º BPM (Duque de Caxias), o tenente-coronel João Jacques Busnello conta que, desde janeiro, quatro fuzis foram apreendidos nas localidades de Chatuba, Maruim e Parque Planetário, em Jardim Gramacho. Seis supostos traficantes e um PM foram mortos no bairro nos últimos sete meses. Mas o oficial frisa que, desde que assumiu o batalhão, em janeiro, as mortes em confronto caíram 50%.
— Mantemos operações constantes ali. Infelizmente, o único braço do estado no bairro é a PM. Temos uma missão estritamente repressora. Falta uma gestão de meio ambiente eficiente. Não há motivo para as indústrias de reciclagem continuarem em Gramacho. A fiscalização ambiental pode atuar, cobrar alvará, multar. Costumo dizer que o bairro abriga um cofre com uma fortuna, mas ninguém fica rico. Como pode? — questiona Busnello. — Tem tráfico, consumo de drogas e fuzil. É uma fortificação do crime no fundo da baía, num lugar degradado, com uma única saída. A solução não é a PM.
Renda per capita de R$ 101 mensais
Diretor-executivo do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), o economista Manuel Thedim, que coordenou um amplo levantamento em mil domicílios no bairro, em 2011, lamenta o abandono. Em 2012, uma pesquisa do Iets mostrou que, com a desativação do aterro, a renda per capita por domicílio das famílias de catadores despencou de R$ 311 para R$ 101 mensais.
— As condições habitacionais são muito precárias. Houve algumas tentativas de sensibilizar bancos públicos, mas sem resultados concretos. Gramacho é um símbolo da degradação da Baía de Guanabara. Deveria receber do poder público o olhar especial que nunca teve — diz Thedim.
Fonte: O Globo
O recado chegou por um radiotransmissor, em forma de alerta urgente: era preciso descer imediatamente de uma montanha de 53 metros de lixo. Nervoso, um técnico parou a aferição dos poços de captação de gás no local, enfiou-se num carro e, minutos depois, estava abrigado. Passado o susto, soube que estava na mira de um fuzil. O episódio envolvendo um funcionário da empresa que administra o aterro do Jardim Gramacho, fechado em junho de 2012, ocorreu há um mês, após uma incursão policial a um depósito clandestino de lixo vizinho, em Duque de Caxias. Não foi um caso fortuito. Traficantes armados com fuzis e pistolas são vistos com frequência no entorno daquele que já foi o maior lixão da América Latina. Três anos depois do encerramento dos depósitos de resíduos no local, o vácuo do poder público criou uma estrada aberta para o crime. De acordo com a Coordenadoria de Combate a Crimes Ambientais (Cicca), vinculada à Secretaria estadual do Ambiente (SEA) e à prefeitura de Caxias, o tráfico controla cinco lixões clandestinos na área, onde cobra pedágio de caminhões.
Do alto do aterro é possível ver depósitos clandestinos avançando sobre o bosque de manguezal que protege a Baía de Guanabara. Na última quinta-feira, O GLOBO flagrou até mesmo uma retroescavadeira ajudando a organizar as gigantescas pilhas de resíduos. Uma dinâmica de difícil controle, reconhece o coronel José Maurício Padrone, coordenador da Cicca.
— A maioria dos moradores do bairro sobrevive do lixo. Com o fechamento de Gramacho, criou-se um grande comércio ilegal em torno dele, com caminhoneiros, alguns catadores e empresas inescrupulosas de lixo extraordinário, que não querem se deslocar para o aterro sanitário em Seropédica e pagar R$ 60 a tonelada — diz Padrone. — O tráfico cobra R$ 40 para liberar a passagem de um caminhão com até dez toneladas de resíduos. Quem perde é o meio ambiente.
“Cada um no seu quadrado”
Padrone avalia que as operações de repressão aos despejos ilegais só terão efeito com o avanço de projetos de melhoria de infraestrutura do bairro de Jardim Gramacho. Enquanto as promessas não saem do papel, o combate ao crime patina em tentativas ineficientes de “enxugar gelo”. Opinião endossada pelo secretário de Meio Ambiente de Duque de Caxias, Luiz Renato Vergara.
— Jardim Gramacho precisa de uma grande intervenção social. Nós vamos iniciar, este mês, uma reestruturação nas principais vias. Mas o grande projeto que poderia mudar essa realidade, do governo federal, ainda não aconteceu — lamenta o secretário, prevendo um gasto de R$ 1,5 milhão do município para intervenções em drenagem, limpeza e melhoria urbanística do bairro.
Também este mês, a estação de transbordo de resíduos, que opera desde o fechamento do aterro e fica a poucos metros do local, será transferida para um galpão às margens da Rodovia Washington Luís. A promessa é que acabe o vaivém de caminhões, antiga reclamação de moradores.
As ruas de Jardim Gramacho, que se estende da Washington Luís até as margens da Baía de Guanabara, permanecem caóticas. Saneamento e pavimentação inexistem, e há lixo acumulado por toda a parte, deixando um odor insuportável. Os 20 mil moradores dividem espaço com criações de porcos e galinhas. Os esforços por ali se voltam a estratégias de sobrevivência. O bairro tem hoje 21 cooperativas de catadores. A reciclagem emprega um exército de quase 500 pessoas, 60% a menos que os 1.400 catadores do antigo aterro. Além dos “negócios” com lixo, o tráfico da região já começa a lotear terrenos do entorno.
— Aqui é cada um no seu quadrado. Eles (os traficantes) não mexem com a gente, e a gente não mexe com eles. E fica tudo bem — informa um catador. — O fechamento do aterro foi uma catástrofe para quem vive da reciclagem.
Uma catadora concorda, e acrescenta:
— Nem todo mundo recebeu a indenização (de R$ 14 mil) após o fechamento do aterro. A crise no preço dos recicláveis está nos prejudicando. Sobrevivemos com doações de materiais como plástico, papel, metal e alumínio. Não dá nem para comparar com a época boa de Gramacho.
Em operação policial realizada em outubro do ano passado, uma intensa troca de tiros deixou moradores em pânico. Traficantes se refugiaram numa ilha, com acesso por uma trilha no meio do manguezal. Comandante do 15º BPM (Duque de Caxias), o tenente-coronel João Jacques Busnello conta que, desde janeiro, quatro fuzis foram apreendidos nas localidades de Chatuba, Maruim e Parque Planetário, em Jardim Gramacho. Seis supostos traficantes e um PM foram mortos no bairro nos últimos sete meses. Mas o oficial frisa que, desde que assumiu o batalhão, em janeiro, as mortes em confronto caíram 50%.
— Mantemos operações constantes ali. Infelizmente, o único braço do estado no bairro é a PM. Temos uma missão estritamente repressora. Falta uma gestão de meio ambiente eficiente. Não há motivo para as indústrias de reciclagem continuarem em Gramacho. A fiscalização ambiental pode atuar, cobrar alvará, multar. Costumo dizer que o bairro abriga um cofre com uma fortuna, mas ninguém fica rico. Como pode? — questiona Busnello. — Tem tráfico, consumo de drogas e fuzil. É uma fortificação do crime no fundo da baía, num lugar degradado, com uma única saída. A solução não é a PM.
Renda per capita de R$ 101 mensais
Diretor-executivo do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), o economista Manuel Thedim, que coordenou um amplo levantamento em mil domicílios no bairro, em 2011, lamenta o abandono. Em 2012, uma pesquisa do Iets mostrou que, com a desativação do aterro, a renda per capita por domicílio das famílias de catadores despencou de R$ 311 para R$ 101 mensais.
— As condições habitacionais são muito precárias. Houve algumas tentativas de sensibilizar bancos públicos, mas sem resultados concretos. Gramacho é um símbolo da degradação da Baía de Guanabara. Deveria receber do poder público o olhar especial que nunca teve — diz Thedim.
Fonte: O Globo
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Menino yazidi com deficiência é resgatado no deserto do Iraque
Um menino deficiente da minoria religiosa yazidi foi encontrado no deserto do norte do Iraque. Caçados pelo Estado Islâmico, milhares de pessoas da etnia já deixaram as suas casas.
Sob circunstâncias ainda não esclarecidas, o menino foi abandonado à própria sorte no deserto. Ele foi encontrado por militantes curdos à beira da morte, sob temperaturas de até 50ºC.
BBC Brasil
sábado, 2 de agosto de 2014
Casal australiano abandona bebê com síndrome de Down na Tailândia
Australianos levaram um dos irmãos e deixaram Gammy, que tem down.
Mãe que foi barriga de aluguel não pode pagar custos de cirurgia.
Um casal australiano que contratou uma mãe de aluguel na Tailândia abandonou um dos bebês gêmeos porque ele tinha síndrome de Down, noticiaram jornais australianos e ingleses nesta sexta-feira (1º). Gammy, que agora tem seis meses, tem também uma doença congênita no coração, e uma campanha está levantando fundos para ajudar sua jovem mãe a pagar pela cirurgia em Bangcoc.
Segundo o jornal "Sydney Morning Herald", a mãe, Pattharamon Janbua, de 21 anos, recebeu US$ 11,7 mil para ser barriga de aluguel para um casal australiano que não podia ter filhos. "Eu perguntei para o agente se tinha que dormir com o homem. Eu era uma menina inocente e não conhecia nada sobre esse negócio", disse ela.
Janbua disse que três meses após ter recebido o óvulo fecundado, ela descobriu que teria gêmeos. O agente ofereceu a ela US$ 1673 a mais pelo segundo bebê. No mês seguinte, após fazer exames de rotina, os médicos detectaram a síndrome de Down. Os pais australianos foram avisados e disseram que não queriam ficar com o bebê, segundo uma fonte ligada à família.
"Eles me disseram para abortar, mas eu não queria pois tenho medo do pecado", disse a jovem tailandesa, que é budista. Quando os bebês nasceram, o agente levou a menina e deixou o irmão com Down. A jovem nunca viu o casal. Ela disse que o agente não pagou US$ 2.341 do montante acordado.
"Eu gostaria de dizer para as tailandesas: não entrem no negócio de mãe de aluguel. Não pensem só no dinheiro. Se algo dá errado ninguém vai nos ajudar e o bebê será abandonado e aí nós teremos que assumir a responsabilidade", disse Janbua ao jornal. De acordo com a reportagem, a lei tailandesa só permite a barriga de aluguel caso uma familiar o faça de livre e espontânea vontade.
Uma campanha no site de financiamento coletivo Gofundme visa arrecadar US$ 150 mil para a mãe - em dez dias, mais de 2 mil pessoas já doaram US$ 102 mil.
G1
terça-feira, 22 de julho de 2014
Em abrigos, programa resgata história de crianças e adolescentes com brincadeiras e expressões artísticas
Acolhido em abril de 2013, Roberto* sempre teve dificuldade em se comunicar e desabafar sobre o que acontecia na sua casa e os motivos dele estar num abrigo. Porém a voluntária Julia*, do Instituto Fazendo História, percebeu que o garoto de 11 anos de idade gostava muito de brincar e encontrou no lúdico a oportunidade de se aproximar e conhecer mais sobre Roberto. Juntos, faziam um resgate de sua história por meio de conversas e brincadeiras, e ainda registravam em um álbum, com pinturas, fotos e colagens, imagens que expressavam suas memórias para que conhecesse e se apropriasse de sua história passada e presente.
É dessa forma que funciona o programa Fazendo Minha História, do Instituto Fazendo História, localizado na capital paulista. “Buscamos o direito de a criança ter sua história de vida, elaborada, contada, vivenciada por ela. Isso contribui para trabalhar melhor algumas questões com ela e com sua família”, explica a coordenadora técnica dos programas do Instituto, Isabel Penteado. “Antes, pensavam que a história dessas crianças e adolescentes era cheia de mazelas e coisas ruins, então era omitida, mas todos nós temos vivencias boas e ruins em nossas vidas e elas não são esquecidas. Vimos que é preciso compreender o que se viveu e buscar transformarem potencias as dificuldades.”
Esse é o fio condutor do programa que, a partir da mediação de leitura e brincadeiras com fantasias e personagens, traz como resultado o prazer em ler, o valor de se registrar a própria história e ainda incentiva os profissionais dos serviços de acolhimento a conversarem de forma afetiva com as crianças e adolescentes sobre suas próprias histórias de vida. “É um trabalho inovador. Não é fácil para as crianças falarem, então criar personagens ou histórias fictícias são ótimas formas para ajudar a criança a enfrentar o que viveram”, aponta Isabel.
Todo o trabalho desse programa é feito em parceria com voluntários ou profissionais dos abrigos, que se encontram semanalmente com as crianças durante um ano, para ler e compartilhar histórias, além de ajudar na construção do álbum. “Os educadores, psicólogos e voluntários passam por formação de mediação de leitura e aprendem como trabalhar as histórias dos livros e das crianças. Dessa forma, os acolhidos conseguem trabalhar a própria história, os motivos de estar ali e as suas relações, com os pais, com os colegas e com seu redor”, relata a coordenadora do Instituto.
Espaço de proteção
Dados do Ministério do Desenvolvimento Social apontam que, em 2010, 36.929 crianças e adolescentes estavam sob medida de acolhimento, espalhados entre os 2.624 serviços de atendimento no Brasil. Negligência na família (37,6%), pais ou responsáveis dependentes químicos ou alcoolistas (21%) e abandono (19%) são os principais motivos para que uma criança seja afastada por um tempo de sua família.
De acordo com a coordenadora técnica dos programas do Instituto, Isabel Penteado, há crianças que estão esperando por uma família adotiva, outras que ainda não estão disponíveis para adoção, mas que as famílias não foram encontradas. E ainda há aquelas que somente ficam por alguns meses até que a situação em sua casa se resolva. “Quando se denuncia uma família, os órgãos responsáveis verificam essa denúncia e, se entendem que essa família não pode cuidar dessa criança, ela fica abrigada por um tempo.”
Previstos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para casos de violação ou ameaça dos direitos de meninos e meninas, os abrigos institucionais, casas lares ou famílias acolhedoras, devem oferecer um espaço de proteção que favoreça o desenvolvimento da autonomia e da criatividade dessas crianças e adolescentes. A permanência máxima é de, no máximo, dois anos, salvo casos em que seja necessário um tempo maior. “Antigamente os meninos eram esquecidos no abrigo, hoje isso é menos frequente”, compara Isabel.
Fazendo história
Formado por um grupo de psicólogas, o Instituto Fazendo História é uma organização não governamental que atua há quase 10 anos na cidade de São Paulo, colaborando com o desenvolvimento de meninos e meninas nos serviços de acolhimento e junto à rede de proteção à infância. “A ideia é que a rede de atendimento ajude a família a se reorganizar para receber a criança de volta. Lugar de criança e adolescente crescer é na sua família e estamos aqui para ajudar”, afirma a coordenadora.
Hoje são 144 abrigos parceiros que recebem o Instituto, dividido em cinco principais programas de acolhimento institucional, que oferecem desde rede de psicólogos voluntários e formação de educadores a serviços de desenvolvimento para bebês, crianças e adolescentes. “Muitas vezes os voluntários e educadores são pessoas sem conhecimento técnico, então precisamos sempre alinhar com eles a importância, os cuidados e proteções com a criança”, explica Isabel.
Ela destaca também a relação com os adolescentes, que pode ser um pouco mais delicada. “Os abrigos têm muita dificuldade em trabalhar com adolescentes. É uma fase intensa e de descobrimento, de autonomia e ao mesmo tempo dependência”. Nesse sentido, outro programa do Instituto, o Grupo Nós ajuda os abrigos em como trabalhar com esses meninos e traça com eles projetos de vida para os próximos três anos, pensando em moradia, profissionalização, estudos e nos vínculos de suporte desses adolescentes.
“Muitas histórias se repetem, a família é violenta com seu filho e, diversas vezes, os adultos responsáveis viveram isso com seus pais. Essas crianças têm especificidades, foram retiradas e precisam de acolhimento. Então, devemos quebrar esse ciclo de violência e não alimentar o pensamento de que não há nada a ser feito com essas famílias”.
*Os nomes foram alterados para preservar a identidade das pessoas citadas
promenino
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Presidenta Dilma, AJUDE os ex-trabalhadores da Varig!
“Como manter o otimismo?”
Amigos sofredores do Aerus e vítimas de Lula/ Dilma/PT:
De início a solução para o caso Aerus estava difícil. Depois passou a MUITO difícil. Agora, juntando alguns fatos recentes e a fala da Graziella no jornal de ontem, acho que a solução tornou-se impossível!
Vamos a alguns fatos:
1. No dia 13 de agosto a ministra Gleisi Hoffmann afirmou que Dilma determinou que fosse encontrada uma solução para o caso Aerus. MENTIRA!!
Isso foi uma enganação com o objetivo de retirar os aposentados que estavam concentrados no congresso.
2. A partir daquele dia houve uma série de mentiras praticadas pela AGU, pela Casa Civil, pela Previc e alguns ministérios. Adiaram e cancelaram reuniões, enviaram representantes do segundo escalão sem nenhum poder de decisão, sempre com o objetivo de adiar uma possível solução.
3. O ministro Mantega declarou ser totalmente contra um acordo com o Aerus.
4. A AGU faz de tudo para cancelar a decisão do juiz Jamil Jesus.
5. O ministro Mercadante será mais um sério obstáculo à nossa causa.
6. O ministro Barbosa, que já demonstrou ter um inexplicável ÓDIO da Varig, provavelmente não leve o processo de Defasagem a julgamento em 2014. E quando o caso for julgado com certeza seu voto será contra o Aerus.
7. Graziella Baggio sempre diz que é uma otimista por natureza. Na fala de ontem ela disse que NÃO está otimista com relação ao resultado da Defasagem.
8. Se Graziella estiver certa e a Varig perder a Defasagem, é evidente que o governo não precisará fazer qualquer acordo.
9. Dilma jamais demonstrou a menor boa vontade em resolver nosso caso. Será que ela sabe o que é Aerus? Será que se perguntarem o que é Aerus ela vai pensar que se trata de uma nova empresa de aviação?
Diante deste terrível quadro gostaria que alguém me respondesse: COMO MANTER O OTIMISMO??
Título e Texto: Rubens de Freitas, 29-01-2014
Amigos sofredores do Aerus e vítimas de Lula/ Dilma/PT:
De início a solução para o caso Aerus estava difícil. Depois passou a MUITO difícil. Agora, juntando alguns fatos recentes e a fala da Graziella no jornal de ontem, acho que a solução tornou-se impossível!
Vamos a alguns fatos:
1. No dia 13 de agosto a ministra Gleisi Hoffmann afirmou que Dilma determinou que fosse encontrada uma solução para o caso Aerus. MENTIRA!!
Isso foi uma enganação com o objetivo de retirar os aposentados que estavam concentrados no congresso.
2. A partir daquele dia houve uma série de mentiras praticadas pela AGU, pela Casa Civil, pela Previc e alguns ministérios. Adiaram e cancelaram reuniões, enviaram representantes do segundo escalão sem nenhum poder de decisão, sempre com o objetivo de adiar uma possível solução.
3. O ministro Mantega declarou ser totalmente contra um acordo com o Aerus.
4. A AGU faz de tudo para cancelar a decisão do juiz Jamil Jesus.
5. O ministro Mercadante será mais um sério obstáculo à nossa causa.
6. O ministro Barbosa, que já demonstrou ter um inexplicável ÓDIO da Varig, provavelmente não leve o processo de Defasagem a julgamento em 2014. E quando o caso for julgado com certeza seu voto será contra o Aerus.
7. Graziella Baggio sempre diz que é uma otimista por natureza. Na fala de ontem ela disse que NÃO está otimista com relação ao resultado da Defasagem.
8. Se Graziella estiver certa e a Varig perder a Defasagem, é evidente que o governo não precisará fazer qualquer acordo.
9. Dilma jamais demonstrou a menor boa vontade em resolver nosso caso. Será que ela sabe o que é Aerus? Será que se perguntarem o que é Aerus ela vai pensar que se trata de uma nova empresa de aviação?
Diante deste terrível quadro gostaria que alguém me respondesse: COMO MANTER O OTIMISMO??
Título e Texto: Rubens de Freitas, 29-01-2014
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Cadela encontra recém-nascida amarrada em saco durante passeio com o dono
Menina com apenas 24 horas de vida foi jogada debaixo de arbustos em parque na Inglaterra
A população de Birmingham, na Inglaterra, está bastante surpresa com a história de uma cadela da raça pastor alemão que, durante passeio com o dono a um parque da região, encontrou um bebê recém-nascido amarrado dentro de uma sacola. A criança estava jogada debaixo de arbustos.
Roger Wilday, de 68 anos, estranhou a atitude da fêmea Jade, que abandonou a caminhada que a dupla realizava para correr até o local onde estava o bebê. Ao avistar o saco, o inglês pensou que gatinhos estavam presos. Ele só percebeu que se tratava de uma criança quando rasgou uma parte do plástico e viu os bracinhos da recém-nascida.
Chocado, Wilday imediatamente chamou a polícia. Quando as autoridades chegaram, a menina foi levada ao hospital.
Os médicos acreditam que a garota estava com apenas 24 horas de vida quando foi largada no parque. Eles também constataram que a menina deveria estar presa no saco há cerca de 30 minutos quando a cadela a encontrou. "Se estivesse mais tempo presa, ela não resistiria", disse o pediatra responsável pelo caso ao jornal local Birmingham Mail.
Para homenagear a cadela heroína, a menina abandonada está sendo chamada de "Jade" pela equipe do hospital no qual está internada.
A polícia local está procurando informações sobre a mãe da garotinha e, em comunicado oficial, pediu a ajuda dos moradores de Birmingham.
Wilday disse que Jade, de nove anos, é apaixonada por crianças. O inglês tem cinco netos. Um deles é Eliza, que nasceu há duas semanas e já virou o xodó da cachorra.
Globo Rural On-Line
A população de Birmingham, na Inglaterra, está bastante surpresa com a história de uma cadela da raça pastor alemão que, durante passeio com o dono a um parque da região, encontrou um bebê recém-nascido amarrado dentro de uma sacola. A criança estava jogada debaixo de arbustos.
Roger Wilday, de 68 anos, estranhou a atitude da fêmea Jade, que abandonou a caminhada que a dupla realizava para correr até o local onde estava o bebê. Ao avistar o saco, o inglês pensou que gatinhos estavam presos. Ele só percebeu que se tratava de uma criança quando rasgou uma parte do plástico e viu os bracinhos da recém-nascida.
Chocado, Wilday imediatamente chamou a polícia. Quando as autoridades chegaram, a menina foi levada ao hospital.
Os médicos acreditam que a garota estava com apenas 24 horas de vida quando foi largada no parque. Eles também constataram que a menina deveria estar presa no saco há cerca de 30 minutos quando a cadela a encontrou. "Se estivesse mais tempo presa, ela não resistiria", disse o pediatra responsável pelo caso ao jornal local Birmingham Mail.
Para homenagear a cadela heroína, a menina abandonada está sendo chamada de "Jade" pela equipe do hospital no qual está internada.
A polícia local está procurando informações sobre a mãe da garotinha e, em comunicado oficial, pediu a ajuda dos moradores de Birmingham.
Wilday disse que Jade, de nove anos, é apaixonada por crianças. O inglês tem cinco netos. Um deles é Eliza, que nasceu há duas semanas e já virou o xodó da cachorra.
Globo Rural On-Line
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Bebê abandonado dentro de mala é salvo por cachorro de rua
Um cachorro salvou a vida de um bebê no sábado (8) no bairro de Estados, em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba (PR).
Segundo o portal CGN, a menina recém-nascida estava dentro de uma mala de viagem. Um cachorro de rua, ao perceber a presença da criança, começou a latir, chamando a atenção de moradores ao redor.
Uma equipe da Secretaria da Segurança Pública da cidade foi acionada e deu os primeiros socorros à bebê, que foi levada até a casa Hospitalar de Fazenda do Rio Grande, onde foi internada e passa bem.
A delegacia de Fazenda do Rio Grande investiga quem abandonou o bebê.
(Com informações do "CGN")
BOL
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Morte de menino por escorpião expõe isolamento de ribeirinhos
Um menino de 13 anos picado por um escorpião numa reserva extrativista em Altamira, no oeste do Pará, morreu após passar ao menos sete horas sem atendimento médico. Minutos antes do acidente, um irmão do garoto havia sido picado por uma cobra, mas foi resgatado de helicóptero 22 horas depois e sobreviveu.
O caso ocorreu na última quinta-feira na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio. Nos últimos dois anos, três Unidades Básicas de Saúde (UBS) foram construídas na região, uma delas dentro da reserva. As unidades, porém, não estão funcionando por falta de equipamentos e profissionais.
Responsável pela operação das UBS, a prefeitura de Altamira – município onde a hidrelétrica de Belo Monte está sendo erguida – diz que não consegue recrutar técnicos para as unidades porque o consórcio construtor da usina oferece salários até duas vezes maiores para os profissionais.
Segundo a procuradora do Ministério Público Federal (MPF) em Altamira, Thais Santi, a morte do menino e a demora para o resgate de seu irmão ilustram ''a ausência de prestação de serviços públicos'' às cerca de 2 mil pessoas que vivem em comunidades ribeirinhas na Terra do Meio, região cercada por Terras Indígenas e com área equivalente a um terço do Estado de São Paulo.
Cobrança
Santi, ONGs e pesquisadores que atuam na região disseram à BBC Brasil que o grupo está ainda mais desassistido que comunidades indígenas do Xingu.
Eles cobram a criação de uma estrutura dentro do Ministério da Saúde com recursos para ações específicas para famílias extrativistas, como visitas de agentes, criação de unidades de saúde em áreas isoladas e planos de resgate para emergências.
Os acidentes com os irmãos ocorreram por volta das 17h do último dia 28, quando o ribeirinho Antônio da Rocha coletava produtos da floresta com seus filhos.
Enquanto coletava patauá, fruto de uma palmeira com uso análogo ao do açaí, Valdeci, de 19 anos, foi picado por uma cobra. Integrante do grupo, Lindomar, 20, diz que a serpente desapareceu antes que pudesse ser identificada pelo irmão.
A família deu ao jovem uma dose de Específico Pessoa, remédio popularmente utilizado na Amazônia contra picadas venenosas. Apreensivo, o pai decidiu encerrar os trabalhos e voltar para casa. Quando se preparavam para deixar a área, Francenildo, de 13 anos, foi picado por um escorpião.
''Ele deu um grito'', conta Lindomar, que diz ter matado o animal com um facão. ''Fiquei esperando por Deus o que ia acontecer.'' Como Valdeci havia bebido todo o remédio, não sobrou nada para o irmão mais novo.
Apesar da dor da picada, Francenildo fez questão de carregar sozinho seu cesto até o barco. ''Quando chegou na beira do rio, só deu um gemido'', diz o irmão. ''Já estava espumando pela boca.''
Desmaiado, o menino foi embarcado e levado pelos parentes até sua casa. Chovia forte, e todos se encharcaram no caminho.
Sem resgate
Em casa, Lindomar afirma que o pai (''só chorando, coitado'') tentava animar o menino, cujas condições se agravavam. Sem rádio comunicador na residência, único meio de contato em áreas isoladas da Amazônia, a família não podia pedir ajuda para um resgate.
O pai tentava fazer com que Francenildo engolisse remédios caseiros, mas o menino os vomitava. À meia-noite, ele morreu.
''Nesse desespero todo'', diz Lindomar, seu irmão Valdeci agonizava com as dores causadas pelo veneno da cobra.
Por sorte, um dia antes, a procuradora do MPF Thais Santi e pesquisadores que a acompanhavam haviam visitado a família durante incursão na Terra do Meio. Na manhã seguinte, quando estava numa comunidade próxima, o grupo soube do caso e se mobilizou para que Valdeci fosse resgatado por autoridades de Altamira.
Por volta das 8h30, o grupo começou a contatar outras comunidades por rádio até que a notícia chegou ao escritório do ISA (Instituto Socioambiental), ONG que atua na defesa de povos indígenas e tradicionais da região.
O ISA, por fim, localizou um coronel da Polícia Militar, que enviou um helicóptero para a área.
Enquanto isso, Valdeci foi levado em uma lancha veloz para o posto de saúde em funcionamento mais próximo da comunidade, na Terra Indígena Cachoeira Seca. Lá, contudo, não havia soro antiofídico.
O helicóptero só chegou ao local às 15h. O médico que vinha a bordo tratou Valdeci, que foi levado a um hospital em Itaituba e, na manhã seguinte, transferido para o hospital municipal de Altamira.
O jovem passou três dias internado e teve alta na última terça-feira. Lindomar acompanhou o irmão na viagem.
Segundo a médica Ceila Málaque, especialista no tratamento de acidentes com animais peçonhentos do hospital Vital Brazil, do Instituto Butantan, em São Paulo, o índice de crianças mortas após picadas de escorpião no Brasil é de apenas 0,6%.
Sem socorro
Ela diz, no entanto, que os acidentes devem ser tratados com urgência e que Francenildo deveria ter sido imediatamente transportado para um local onde pudesse receber, além de doses de antiveneno, ventilação mecânica e remédios para regular suas funções cardíacas.
No entanto, a viagem de lancha entre a reserva e o hospital em Altamira onde poderia ter recebido esse tratamento dura cerca de dois dias nesta época do ano, quando os rios estão cheios. Durante a seca, o mesmo trajeto pode levar até cinco dias.
De helicóptero, a viagem dura duas horas.
Para a procuradora Thais Santi, ''foi uma morte anunciada''. Ela diz que, sem rádios de comunicação, muitas famílias da Terra do Meio ''não têm condição nenhuma de pedir socorro''.
''Elas não estão isoladas por distância, mas pela omissão do Estado.'' Santi afirma que, caso alguma das três unidades de saúde próximas à comunidade estivesse funcionando, os jovens poderiam ter sido atendidos em menos de meia hora.
As unidades foram construídas entre 2011 e 2012 pelo ISA em convênio com a prefeitura de Altamira, mas jamais operaram.
Santi diz ainda que uma decisão da Justiça Federal em 2011 determinou que o poder público garantisse visitas mensais de agentes de saúde a todas as comunidades ribeirinhas da região.
A procuradora diz que a sentença jamais foi respeitada e que há comunidades à beira do rio Iriri que nunca tiveram contato com profissionais de saúde.
Tampouco há escolas em boa parte da região. Na família Rocha, todos são analfabetos.
Segundo o secretário de Saúde de Altamira, Waldeci Maia, a prefeitura está se esforçando para tornar as vagas em unidades de saúde remotas mais atraentes para técnicos em enfermagem, apesar dos melhores salários oferecidos pelo consórcio Norte Energia.
Ele diz, porém, que o município ''não tem condições nem recursos para resolver sozinho'' os problemas das comunidades ribeirinhas e cobra maior atuação dos governos federal e estadual.
Nota do Ministério
Em nota, o Ministério da Saúde disse que há 44 equipes do programa Saúde da Família para atender a região do Xingu, que engloba 11 municípios (incluindo a Terra do Meio) e 374,5 mil habitantes.
O ministério diz que, em 2012, repassou ao município de Altamira R$ 9,4 milhões para custear ações em saúde.
A secretaria de Saúde do Pará, por sua vez, afirmou em nota que ''a instalação de hospitais e Unidades Básicas de Saúde, assim como a frequência de agentes comunitários de saúde nessas áreas, é de responsabilidade da gestão municipal''.
Coordenador do ISA em Altamira, Marcelo Salazar defende a criação de uma estrutura dentro do Ministério da Saúde para as comunidades extrativistas do país, a exemplo do que ocorreu com os indígenas. ''Enquanto de um lado do rio os índios têm atendimento, ainda que bastante falho, do outro os ribeirinhos não têm nada'', afirma.
Após receber alta, Valdeci e o irmão Lindomar iniciaram na quarta-feira a longa viagem de barco para regressar à comunidade.
Na bagagem, a pedido da mãe, levaram velas compradas na cidade para a missa de sétimo dia do irmão Francenildo, marcada para esta sexta-feira. Eles temiam não chegar a tempo.
BBC Brasil
sábado, 23 de março de 2013
Índios devem ficar um ano em alojamento na Zona Oeste do Rio
Operários trabalham para entregar alojamento provisório neste domingo.
Indígenas devem se mudar quando Centro de Referência for construído.
Os índios retirados do terreno que ocupavam no Maracanã, na Zona Norte do Rio de Janeiro, devem passar cerca de um ano em um alojamento provisório junto ao Hospital Curupaiti, em Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade, antes de irem para um local definitivo, informou neste sábado (23) a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Estado, que pretende entregar a residência temporária aos índigenas às 10h deste domingo (24).
Na sexta-feira (22), houve confronto entre a Polícia Militar e alguns dos indígenas, além de militantes, durante a desocupação do antigo Museu do Índio, que o grupo chamava de "Aldeia Maracanã".
A intenção dos indígenas era ocupar o local ainda neste sábado, mas isso não foi possível porque cerca de 50 operários trabalham no terreno para tentar concluir, em um único dia, as instalações e a ligação da rede de água e esgoto. Futuramente, o grupo deve se mudar para um terreno próximo, onde o governo do estado construirá o Centro de Referencia Indígena.
"O fato de eles terem aceitado ir primeiro para um alojamento provisório reduz o prazo para construção do Centro de Referência Indígena, que inicialmente era previsto em 18 meses. Mas ainda teremos que discutir a obra com os indígenas, depois licitar", disse o secretario estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Zaqueu Teixeira, que visitou as obras do alojamento neste sábado. Ele não especificou quanto deve demorar a obra do centro que abrigará os índios, mas concordou que o tempo deve ser em torno de um ano.
Noite em hotel
Os índios passaram a noite desta sexta-feira (22) no terceiro andar do Hotel Acolhedor Santana 2, no Centro, oferecido pela prefeitura. As condições não agradaram o grupo. Afonso Apurinã esteve entre os 12 índios que foram ao albergue, mas saíram depois de almoçar, reclamando da comida, especialmente do arroz "duro" e do frango "horrível". Um deles, identificado apenas como Tiago, disse que não voltaria, afirmando que iria voltar a morar em Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste, onde sua família vive.
Segundo a Secretaria de Assistência Social, os índios visitaram os três locais oferecidos pelo estado, e optaram pelo terreno de Jacarepaguá, pelo tamanho, de 2 mil m² e a proximidade do trecho de matas da antiga colônia. De acordo com a secretaria, os alojamentos para residência temporária terão beliches e contêineres para cozinha e banheiros.
No total, 35 índios viviam no acampamento no Maracanã, segundo o defensor público da União Daniel Macedo, que intermediou as negociações, terminadas em conflito com uso de gás de pimenta e tiros de balas de borrancha por policiais militares do Batalhão de Choque. O confronto começou depois que uma fogueira acesa em meio a um ritual incendiou uma espécie de oca que eles mantinham inprovisada. O fogo foi apagado às pressas pelos bombeiros, antes que se espalhasse pela vegetação.
Um racha entre as índios que habitavam fez com que dois dos 17 grupos indígenas tentassem resistir à retirada, disse o artesão Kawatá Pataxó, que havia chegado ao acampamento do Maracanã há uma semana, vindo de Porto Seguro, na Bahia, e estava entre os que chegaram para passar a noite no albergue do Centro do Rio. "Todas as etnias aceitaram sair, menos Guajajara e Caiapó", contou.
Defensoria segue no caso
Daniel Macedo afirmou, na noite desta sexta-feira (22), que Defensoria pública da União (DPU) vai acompanhar os desbodramentos porque, segundo ele, não basta colocar o grupo em um terreno em Jacarepaguá. "Esse espaço não pode ser apenas um alojamento, para deixá-los lá. Tem que se criar uma estrutura digna para que eles consigam viver", disse
O defensor, acrescentou que a conduta da Polícia Militar será investigada. "Vamos apurar as responsabilidades, porque houve abuso de autoridade. Pedimos 10 minutos para negociar com os últimos índios que insistiam em permanecer no local. Eles estavam saindo, mas as autoridades determinaram a invasão. Jogaram spray de pimenta numa atitude truculenta".
Ocupantes reclamam de albergue
No Hotel Santana, os ocupantes têm que sair às 9h e tem horário de 16h as 22h para retornar. Os ocupantes, que podem ficar no albergue de dois a três meses, são advertidos caso não retornem no horário e, na terceira vez, expulsos. Eles criticam as condições do local. Um dos hóspedes, que não quis se identificar, com medo de expulsão, diz que, mal chegou, há 20 dias, já teve R$ 700 roubados em roupas.
Os armários não têm chaves e os furtos são comuns, segundo o faxineiro Ivonaldo Albuquerque, de 48 anos, que trabalha na Câmara dos Vereadores, no Centro, e "morava muito longe, em Santa Cruz [na Zona Oeste, a quase 80 km do Centro]", por isso, foi para o abrigo, de onde deve sair para morar de aluguel na Lapa, também no Centro.
"Nos dois meses em que eu estou aqui, teve um monte de furto, pelo menos uns cinco", conta.
Para evitar esse problema, o pedreiro Marco Antonio Coimbra, de 50 anos, conta que dorme com a carteira "dentro da roupa".
Por sua vez, Alex Fagner de Oliveira, de 29 anos, queixa-se da limitação de horário, que dificulta na hora de conseguir um trabalho a poder sair do abrigo.
"Cheguei aqui no dia 27 [de fevereiro], vindo de Macaé [no Norte Fluminense], e, no dia 4, arrumei emprego de garçom no Arábia Saudita, restaurante aqui perto, no Bairro de Fátima, mas eles exigiam que, toda vez em que eu passasse das 22h, o dono do restaurante assinasse um papel dizendo que eu estava trabalhando. Não dava para fazer isso sempre. Por isso, depois da primeira advertência, pedi para sair do emprego, para não ser expulso daqui", contou.
G1
sexta-feira, 15 de março de 2013
Assassinato de menino de 12 anos da Rocinha expõe abandono pela família e pelo Estado
.Divisão de Homicídios investiga a hipótese de Alan e dois colegas terem se envolvido num furto no Jardim Botânico
RIO — Quando lhe perguntam quantos filhos tem, Emiliane Salete de Souza, de 37 anos, responde: “Sete”. Dez segundos depois, o tom de voz fica mais baixo e ela corrige: “Eram sete com o Alan”. Quarto filho a nascer, Alan de Souza, de 12 anos, foi brutalmente assassinado com dois tiros na cabeça, disparados a curta distância. O corpo franzino, de 31 quilos e 1,20 metro de altura, foi encontrado há 12 dias, numa ribanceira da Vista Chinesa. Segundo a mãe, havia perfurações nos dedos do menino, provavelmente feitas com pregos, mas a Divisão de Homicídios (DH), baseada no laudo do Instituto Médico-Legal, nega a tortura.
O Globo
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Pai do menino de nove anos que matou o primo de cinco é preso no entorno do DF
O homem vai responder por abandono de incapaz
O pai do garoto de nove anos que matou o primo mais novo com um tiro na cabeça, foi preso nesta sexta-feira (22), em Águas Lindas de Goiás, município do entorno do Distrito Federal.
Leandro de Araújo, de 28 anos, é acusado do crime de abandono de incapaz e estava foragido desde dezembro do ano passado. Segundo a polícia, ele e a mulher saíram de casa e deixaram o filho em casa cuidando do primo que tinha apenas cinco anos.
Quando os dois meninos estavam sozinhos em casa, o garoto mais velho achou a arma do pai dentro do guarda-roupa e atirou na cabeça do primo.
R7
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Polícia encontra idosa trancada em casa e sem comida no ES
Segundo a aposentada, a neta a deixou trancada para viajar no carnaval.
Prefeitura de Vila Velha conseguiu vaga em um abrigo para a idosa.
Uma aposentada de 79 anos foi encontrada pela polícia, nesta quarta-feira (13), trancada dentro de casa, sozinha e sem comida, no bairro Cobilândia, Vila Velha, na Grande Vitória. Dona Judith Kosken de Souza contou que foi a neta que a prendeu na residência, onde passou quatro dias trancada. A idosa foi examinada em um hospital no município. Ainda nesta tarde, a prefeitura conseguiu uma vaga para a senhora em um abrigo, onde será avaliada por uma assistente social. Caso necessário, ela será encaminhada para uma casa de repouso. A polícia ainda não localizou a neta. Inicialmente, dona Judith disse ter 82 anos, mas, na identidade, consta 1934 como a data de nascimento.
Os militares que encontraram a aposentada explicaram que ela pedia socorro para tentar sair da casa. “Precisamos romper o cadeado do portão e demos socorro para ela. Verificamos a situação da casa e vimos que não havia alimentação, estava suja, com cheiro forte e ruim. Realmente uma situação desumana”, explicou o cabo Giordano, na Polícia Militar.
De acordo com a idosa, a neta e uma amiga a trancaram na residência no último sábado (9), para viajarem durante o carnaval. Mas essa não foi a primeira vez que a dona Judith foi maltratada pela jovem. “Elas se trancam no quarto e eu preciso ficar batendo para ver se elas abrem, me deixam sozinha. Elas sempre me xingam. Minha neta se misturou com quem não presta e levou para dentro de casa. Não quero mais voltar para lá”, contou.
Depois de resgatar a aposentada e registrar o boletim de ocorrência, a polícia começou a procurar lugares onde a senhora pudesse permanecer em segurança. Tentaram em um abrigo municipal, mas não havia vaga. De lá, recorreram a outros três locais, mas também não foi possível. A idosa passou cinco horas dentro de um carro de polícia a procura de um local para ficar.
Em um dos hospitais, após muita insistência, os militares conseguiram que uma médica examinasse a idosa e, com o laudo médico, conseguiram uma internação social por maus tratos. “Essa situação foge da nossa rotina do dia a dia. Tentamos em vários locais, buscamos apoio da prefeitura, mas enfim conseguimos”, disse o cabo.
A neta e a amiga ainda não foram identificadas para a polícia. Por meio de nota, a PM explicou que o procedimento foi encerrado no Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Vila Velha e o caso segue para a Delegacia do Idoso do Espírito Santo nesta quinta-feira (14).
G1
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Criança de dois anos morre espancada pelos irmãos, diz polícia
Meninos de 11 e 13 anos disseram que brincavam de luta com o 'caçula'.
Criança é a mesma que foi abandonada e entregue a um vendedor de picolé.
Uma brincadeira de luta entre irmãos fugiu do controle e terminou de forma trágica na noite da segunda-feira (4), no Conjunto Virgem dos Pobres III, na periferia de Maceió. Segundo a polícia, um menino de dois anos morreu vítima de espancamento dos próprios irmãos. A criança foi encaminhada pelo pai, Daniel Lealdo Melo, para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas já chegou sem vida.
O menino é o mesmo que em dezembro de 2012 foi abandonado pela mãe e entregue a um vendedor de picolé. Na época, o pai resgatou a criança e disse que a mãe era viciada e drogas.
Vizinhos relataram à polícia que a criança e os irmãos estavam trancados em casa havia dois dias e que o pai saiu para trabalhar. Os militares foram acionados pelos vizinhos após ouvirem pedidos de socorro dos meninos de 13 e 11 anos.
Os irmãos confessaram a agressão em depoimento ao delegado responsável pelas investigações, Odemberg Paranhos. “As duas crianças disseram gostar muito de luta, e que os três sempre “treinavam” em casa, mas que o caçula apanhava muito”, contou o delegado.
O estado em que se encontrava a criança em óbito causou revolta dos vizinhos e até dos médicos. “Os pediatras que estavam de plantão disseram nunca ter visto algo parecido, a criança estava muito suja e cheia de hematomas” contou a delegada Maria Aparecida, que recebeu a denúncia.
A mãe da criança é viciada em drogas e o pai por diversas vezes tentou interná-la por intermédio da Defensoria Pública. Em outras ocasiões Daniel Melo chegou a alegar que não teria condições de cuidar do filho e nem de contratar uma babá para cuidar dele.
Daniel Lealdo esteve na Central de Polícia após a morte da criança, mas não quis falar com a imprensa. Segundo Paranhos, ele foi liberado após o depoimento. Já os menores serão levados para a Casa de Custódia, e o Ministério Público (MP) irá dizer o local definitivo onde ficarão. A depender da infração eles poderão ficar detidos por até três anos.
G1
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Faixa anuncia proibição da venda de crack na Favela Paque União
Rio - A Favela Parque união, na Zona Norte do Rio, amanhaceu nesta sexta-feira com uma faixa, que teria sido colocada por traficantes locais, informando que não se vende mais crack na comunidade.
Nesta quinta, o menino Rafael Felipe Ribeiro, de 10 anos, que era usuário do entorpecente, morreu atropelado na Avenida Brasil, tentando fugir de uma operação da Secretaria de Assistência Social (SMAS) para repreender os usuários da droga na cracolândia próxima à comunidade.
Nesta sexta-feira, mesmo após a tragédia com o menino Rafael, os usuários de crack continuam ocupando as margens da Avenida Brasil, na altura da favela. Alheios ao perigo, eles consomem drogas à luz do dia, sem ser incomodados pela polícia.
Menino atropelado não voltava para casa há nove dias
De acordo com a Secretaria de Assistência Social, o tio da vítima informou que um irmão de Rafael, de 14 anos, esteve na cracolândia na última quarta para tentar convencer o menino a retornar para casa, de onde ele havia saído há nove dias.
O tio disse ainda que o pai da vítima já faleceu e que a mãe também é usuária de drogas. A família chegou a ser cadastrada no programa Bolsa Família, mas perdeu o benefício por não comparecer ao Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) do município e não apresentar frequência escolar dos filhos.
Usuários de crack ocupam o canteiro central das pistas da Avenida Brasil | Foto: Fábio Gonçalves / Agência O Dia
A mãe de Rafael, Renata Ribeiro, de 38 anos, negou que o filho usasse crack. “Ele nunca se envolveu com crack. Só fazia uso de maconha. Cansei de ir atrás dele nas ruas, mas ninguém foge ao seu destino. As pessoas querem me difamar. Só eu sei a dor que sinto. Perdi um filho”, se defende.
Segundo a secretaria, o menino era morador da comunidade Vila Cruzeiro, na Penha. O órgão informou que toda a estrutura da Secretaria foi utilizada para identificar a vítima e localizar a família.
Equipes da SMAS levaram a mãe e o tio da criança ao Instituto Médico Legal para a identificação e liberação do corpo. A SMAS declara ainda que está prestando auxílio psicológico aos familiares, que vivem em situação de extrema pobreza, e financeiro para o funeral.
De acordo com testemunhas, o acidente ocorreu por volta das 4h45 no momento em que a criança corria pela via junto com usuários de crack durante uma operação da Secretaria Municipal de Assistência Social a 500 metros do acesso a Ilha do Governador.
Em junho do ano passado, traficantes das favela do Jacarezinho, Mandela e Manguinhos, na Zona Norte, fizeram uma ação parecida. Em postes e muros da região, onde existem as maiores cracolândias do Rio, cartazes foram afixados com os seguintes dizeres: “Em breve a venda de crack será proibida nesta comunidade”.
O Dia Online
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Polícia investiga morte de bebê deixado no carro em Volta Redonda
Menina ficou quatro horas em carro estacionado e chegou morta a hospital.
Caso ocorreu no fim da tarde de quinta-feira (8), no bairro de Água Limpa.
A polícia investiga a morte de um bebê de 10 meses, no fim da tarde desta quinta-feira (8), em Volta Redonda, no Sul Fluminense. O pai, um empresário, esqueceu a criança por quatro horas dentro do carro, estacionado no bairro Água Limpa. Ele chegou a ser detido, mas foi liberado após pagamento de fiança.
A menina Manuella Mantila Sueth foi levada pelo próprio pai para o hospital, mas já chegou sem vida, com sinais de asfixia. De acordo com o Globo Notícia, o pai contou na delegacia que esqueceu da filha porque não tinha o hábito de levá-la à creche. Ele disse que só lembrou que havia esquecido do bebê no carro quando a mãe telefonou questionando a ausência de Manuella na creche. O empresário afirmou, ainda, segundo a TV Rio Sul, que não tinha costume de levá-la para a creche.
O empresário foi detido, indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar) e liberado depois do pagamento de fiança de R$ 12.440.
A menina vai ser enterrada na tarde desta sexta-feita (9). Nesta manhã, Manuella era velada na capela Mortuária do bairro Aterrado. O enterro está marcado para as 16h no Cemitério Portal da Saudade.
G1
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Sindicância apura caso de autista esquecido em centro de reabilitação
Investigação foi aberta pela Prefeitura de Taboão da Serra, na Grande SP.
Família de adolescente diz que ele vai voltar a frequentar unidade.
A Prefeitura de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, informou na manhã desta terça-feira (25) que abriu uma sindicância para apurar o caso do adolescente autista que ficou cinco horas preso em um centro de reabilitação social do Jardim Vitória após ter sido esquecido por funcionários na unidade. O centro de reabilitação, que pertence à Secretaria de Assistência Social, atende 126 pessoas entre jovens e adultos.
Segundo o secretário de Comunicação José Ribeiro Junior, duas funcionárias do centro, uma assistente social e uma orientadora responsáveis pelo fechamento da unidade serão ouvidas. “O responsável será penalizado. Existe um funcionário responsável por levar os alunos até a van. Não sei o que aconteceu, existe conferência de entrada e saída”.
De acordo com o secretário, a van não estava quebrada no fim da tarde desta segunda-feira (24), conforme informou a família da vítima, e levou os demais alunos para casa. Ele informou que, na verdade, as vans que são terceirizadas deixaram de funcionar a partir desta terça-feira, devido a uma negociação entre os perueiros que pedem reajuste para a Prefeitura.
O adolescente autista, de 17 anos, continuará frequentando a unidade mesmo depois do ocorrido, segundo a avó do garoto. “Como não conseguimos que ele fosse matriculado em nenhuma escola, [o centro de reabilitação] é um lugar onde ele consegue se distrair com a banda de música e outras atividades. Se ele não for lá, não terá pra onde ir”, disse a dona de casa Aparecida Creuza Geroldi, 68 anos.
Aparecida, que cuida do neto, conta que era o terceiro dia que o jovem frequentava o centro de reabilitação. Foi ela quem recebeu o telefonema dizendo para buscá-lo. “Uma funcionária ligou por volta das 17h50 dizendo que a van tava quebrada. Vinte minutos depois, a mãe dele já estava no centro, mas encontrou tudo fechado”, conta.
Após várias idas ao local, a família tentou falar a diretora da unidade, mas não conseguiu. “Ficamos desesperados, achamos que algo ruim tinha acontecido. Procuramos por ele até no hospital”, desabafa a avó.
Em nota, a Secretaria de Assistência Social de Taboão da Serra, disse que “este foi um fato pontual e que foge do padrão de excelência com que os deficientes são atendidos há mais de 4 anos nesta unidade. As circunstâncias em que aconteceu o incidente estão sendo apuradas com rigor para que os responsáveis sejam identificados e se tome as devidas providências”.
Caso
Após encontrar as portas do centro fechadas e não conseguir falar com nenhum funcionário da unidade, a família do adolescente ligou para a Polícia Militar e para a Guarda Municipal. Dois guardas foram até o centro de reabilitação. Desconfiados de que o adolescente pudesse estar ainda lá dentro, eles pularam o muro.
“Quando o colega ligou a lanterna e o menino percebeu aquele sinal de luz, ele imediatamente abriu a cortina, se apresentou, em estado assim quase de desespero”, disse Glycon José Bernardes Junior, inspetor da Guarda Civil.
A avó conta que o menino, que não consegue falar, ficou sem tomar o remédio. “Ele estava transtornado, chorando, muito nervoso, quando foi encontrado no banheiro”, disse. Durante as horas em que ficou sozinho, o jovem jogou alguns objetos no chão.
A família registrou ocorrência na Delegacia Central de Taboão da Serra. A coordenadora do centro não estava presente no momento da saída.
G1
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Criança encontra recém-nascido morto dentro de mochila, em Goiás
Segundo vizinha, corpo do bebê estava enrolado em um saco de arroz.
Caso aconteceu na manhã desta quinta-feira (20), em Aparecida de Goiânia.
Recém-nascido estava enrolado em saco, dentro de mochila.
Um recém-nascido morto foi encontrado dentro de uma mochila por volta das 8h30 desta quinta-feira (20), no Setor Buriti Sereno, em Aparecida de Goiânia, Região Metropolitana. Segundo a mulher que acionou a polícia, o bebê foi achado pela filha de uma vizinha, uma menina de aproximadamente 5 anos.
“A filha da minha vizinha mexeu na mochila, viu o bebê e correu para contar para a mãe. Quando minha vizinha viu, começou a passar mal e me gritou na porta de casa. Ele estava com o corpinho enrolado em um saco de arroz, dentro de uma mochila. Era um bebê lindo”, disse ao G1 a empregada doméstica de 41 anos, que preferiu não se identificar.
A informação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) é que o menino ainda estava com o cordão umbilical e com o corpo sujo de sangue. Agentes da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Aparecida estiveram no local.
Investigação
Segundo a titular da DPCA, Myrian Vidal, até o final da manhã ainda não havia ficado definido quem vai investigar o caso. “Se for um aborto, a investigação fica a cargo da DPCA. Agora, se morreu depois de nascer, o GIH que investiga”, explicou a delegada.
Até o início da tarde desta quinta-feira, as equipes continuavam no local aguardando a chegada do Instituto Médico Legal (IML) para recolher o corpo. A polícia ainda não tem informações sobre a mãe da criança.
CARIRI VELHO
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