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domingo, 11 de abril de 2010

Igreja evita veto a novo caso de aborto legal


Médicos do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), do Recife (PE), deram início anteontem ao processo de abortamento legal em uma menina de 10 anos que ficou grávida após ser abusada sexualmente pelo padrasto. O caso mostra uma mudança de posição da Igreja Católica pernambucana, que evitou polemizar sobre o procedimento. Há um ano, a Igreja tentou dificultar o abortamento legal em um caso semelhante.
O estado de saúde da garota, que vinha sendo vítima de abuso há mais de dois anos, é bom. Segundo a diretora do Cisam, Fátima Maia, a criança estava com 16 semanas e três dias de gestação.
Há cerca de um ano, quando outra menina, de 9 anos, também vítima de abuso, passou pelo mesmo procedimento, o então arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso, foi contra - os médicos do Cisam e a mãe da vítima acabaram excomungados pela Igreja.
Sucessor de dom José, dom Fernando Saburido declarou-se "triste", mas disse que a decisão é dos pais. "Se há um consenso médico de que a vida da mãe corre risco, o aborto é algo a ser considerado." D. Fernando disse, porém, que a Igreja é contra o procedimento.

PEDRO MOREIRA

Estadão.com.br

sábado, 10 de abril de 2010

Criança de 10 anos que está grávida internou-se para fazer aborto


Menina vinha sendo abusada sexualmente pelo padrasto há 2 anos; a unidade é referência na rede pública estadual de saúde para os casos de aborto previstos em lei

A criança de que vinha sendo abusada sexualmente pelo padrasto nos últimos dois anos foi internada na tarde desta sexta-feira (9) no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no bairro da Encruzilhada fazer um aborto legal.
A unidade é referência na rede pública estadual de saúde para os casos de aborto previstos em lei. O atendimento à criança está sendo prestado por uma equipe formada por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais.
“Não é um procedimento de risco, é um procedimento tranqüilo, é o que usamos conforme protocolo do Ministério da Saúde. A recuperação é tranqüila, por volta de 24h ou 48h a paciente é liberada”, informou Fátima Maia, diretora do Cisam.
O aborto é previsto em casos de estupro, como o dela. Ela e a mãe passaram a manhã quase toda no Centro de Referência Especializado de Assistência Social, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes.
“Serão feitos os encaminhamento para ser realizado o procedimento e a gente vai acompanhar para que nenhum direito dessa menina seja violado”, declarou o conselheiro tutelar Eduarte Fabrício.
A advogada do Centro, Aline Tavares , disse que a menina, 10 anos, está recebendo assistência nas áreas jurídica, psicológica e social, e que a criança está muito abatida: “a criança se apresenta bastante fragilizada, com muita dificuldade de verbalização, de passar informações básicas, como o nome. A gente pede essa solidariedade por parte da sociedade e garantir a proteção dela”.
Os abusos sexuais aconteciam dentro de casa. A mãe, que é empregada doméstica, passa o dia fora de casa – momento que o padrasto aproveitava para cometer o crime. Ela foi identificada com gravidez de quatro meses, e os médicos não sabem informar se ela prejudicará a saúde da menor. A gravidez foi constatada na manhã da última quinta-feira (8), após uma ultrassonografia que foi realizada depois da criança reclamar de dores de estômago.


pe360graus

quarta-feira, 17 de março de 2010

Nove presos em clínica de aborto na Gamboa


RIO - Policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Saúde Pública (DRCCSP) estouraram uma clínica de aborto na Rua do Livramento, na Gamboa, Zona Portuária, na noite desta terça-feira. Segundo a polícia, nove pessoas foram presas - entre elas quatro pacientes. O médico que fazia os procedimentos e o proprietário da clínica também foram autuados.
Segundo o delegado Fábio Cardoso, uma denúncia anônima levou a polícia a investigar a clínica. Os policiais fizeram monitoramento do local, checando horários e funcionamento do estabelecimento.
- Existia uma movimentação estranha, compatível a clínica de aborto. Mulheres entravam acompanhadas de homens ou senhoras de terceira idade, o que caracterizava - explicou o delegado.
Na noite desta terça-feira, quatro policiais civis - dois homens e duas mulheres - se passaram por clientes e entraram no estabelecimento. Quando tiveram certeza de que se tratava de uma clínica de aborto, avisaram ao delegado e a polícia invadiu o local.
Foram presos o médico Carlos Eduardo de Souza Pinto, 39 anos, e quatro assistentes. De acordo com o delegado, quatro mulheres que haviam feito aborto foram presas. Elas foram encaminhadas à Maternidade Praça 15, no Centro.
Segundo a polícia, o médico e as assistentes serão autuados por crime de aborto praticado em terceiro - cuja pena é de um a quatro anos - e formação de quadrilha. O crime é inafiançável, de acordo com o delegado. As quatro pacientes irão responder por consentimento ao aborto.
Na clínica foram encontradas notas fiscais de material de limpeza e coleta de resíduos em nome da Central Med Clínica Médica Ltda. Segundo o delegado Fábio Cardoso, a clínica cobrava R$ 600 para fazer um aborto num feto de até seis semanas, e R$ 2 mil para interromper uma gravidez com mais de oito semanas.
Ainda de acordo com o policial, a clínica só funcionava à noite, para dificultar a ação da polícia. O estabelecimento contava com um sistema de vigilância com câmeras na entrada e no corredor.
- É uma preocupação exagerada para uma clínica normal - observou o delegado.
No início da madrugada, o proprietário da clínica, Wagner Ferreira da Silva, 46 anos, foi preso. Ele também será autuado por crime de aborto praticado em terceiro e formação de quadrilha.

Flavia Lima



O Globo

segunda-feira, 8 de março de 2010

Multidão protesta contra lei de aborto na Espanha


Dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas de Madri, capital espanhola, protestar contra a lei aprovada recentemente pelo Parlamento que permite a realização de aborto por meninas a partir dos 16 anos, até a 14ª semana de gestação.

As manifestações chamadas Marcha Pela Vida 2010 incluem passeatas em 70 cidades espanholas, bem como ações ao redor do mundo, em cidades como Buenos Aires, Lima, Monterrey, Cidade da Guatemala, La Paz, Paris e Bruxelas.
Os manifestantes, em Madri, incluíam homens, mulheres, idosos e jovens. Muitas famílias compareceram com crianças pequenas trajadas para passeio.
As famílias exigem a derrogação da Lei de Saúde Sexual e Reprodutiva e da Interrupção Voluntária da Gravidez, que entra em vigor em julho.
Além de manter o prazo para o aborto, a lei ainda permite que a gravidez seja interrompida até a 22ª semana se houver grave risco para a vida ou saúde da gestante, ou sérias anomalias no feto.
As marchas foram convocadas por cerca de 270 organizações, entre elas Direito a Vivir, HazteOir.org e Médicos por la Vida.

Reforma Social
Esta lei é uma das últimas medidas de reforma social aprovadas na Espanha, como o casamento gay, que vem causando mal-estar entre os setores conservadores e a Igreja Católica.
Os críticos da nova lei afirmam que o governo está promovendo os abortos em vez de apoiar a maternidade.
Mas a nova lei só está regulando o que ocorre atualmente no país, já que o aborto é permitido desde que a gestante afirme que sua saúde mental está em risco, caso leve a gravidez adiante.
Em 2008, foram realizados mais de 115 mil abortos no país, a maioria com base nesta premissa e durante as primeiras 12 semanas de gestação. A nova lei também prevê melhorias na educação sexual nas escolas e maior acesso aos métodos anticoncepcionais.



domingo, 17 de janeiro de 2010

CNBB rejeita propostas do PNDH-3 sobre aborto e união homossexual


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) rejeitou hoje em comunicado a descriminalização do aborto, a união civil entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homossexuais, algumas das propostas contidas no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3).
A CNBB também criticou o ponto do plano que prevê a retirada dos símbolos religiosos dos locais públicos, medida que tachou de "intolerante" e que "pretende ignorar as raízes históricas" do Brasil.
Segundo a entidade, há propostas no PNDH-3 que são elementos de divergência e "que requerem tempo para o exercício do diálogo".
Aprovado em dezembro, o plano traçou recomendações ao Legislativo para a futura elaboração de leis orientadas a regular estes direitos sociais.
O texto recomenda a aprovação de uma legislação que "reconheça" a união civil entre pessoas do mesmo sexo e que garanta o direito de adoção destes casais.
Além disso, pede ao Poder Judiciário para que realize campanhas para sensibilizar aos juízes a evitar "preconceitos" nos processos de adoção por casais homossexuais.
O PNDH-3 fala do aborto como uma questão "de saúde pública" e se recomenda a aprovação de uma lei que o descriminalize, "considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos".
O plano também levantou críticas entre os militares devido ao projeto de criar uma comissão que investigue os crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura (1964-1985).
Após uma reunião nesta semana com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cedeu a não restringir o plano aos assassinatos e torturas cometidos pelos militares e estender as investigações para "todas as violações dos direitos humanos" cometidas na época da ditadura. EFE

G1

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Médicos de hospital de Itajubá recusam fazer aborto em menina de 11 anos engravidada em estupro


BELO HORIZONTE - Uma menina de 11 anos, grávida de 2 meses, terá de ser transferida do Hospital Escola Itajubá, em Minas Gerais, porque os médicos da instituição se recusam a fazer o aborto. A lei brasileira prevê o aborto em caso de estupro, mas o código de ética médica permite que o profissional recuse fazer o procedimento.
- É um problema de consciência, ninguém quis fazer. Mas o hospital tem obrigação de cumprir a ordem judicial - diz o diretor do hospital Sindalberto Fernando de Oliveira.
Oliveira afirma que o hospital procurou um médico fora de seu corpo clínico, mas argumenta que ele tentou e o procedimento não deu certo. Agora, explicou o diretor, é preciso esperar 72 horas para repetir o procedimento, mas o médico viajou em férias.
- Ele não tinha o compromisso de continuar a fazer o procedimento - afirma.
O hospital recorreu à Justiça para pedir a transferência e argumentou que não conseguiu nenhum outro médico para fazer o aborto. Nesta terça-feira, o juiz Selmo Silas autorizou a transferência da menina para o Hospital Júlia Kubitschek, em Belo Horizonte, onde o aborto deve ser feito. O hospital informou que ainda não recebeu a determinação judicial.
A menor grávida e suas duas irmãs, uma de 13 anos e outra de 15 anos, disseram ao Conselho Tutelar que tiveram relação sexual com um conhecido da família. A relação era mantida há um ano e o homem, segundo as meninas, continuava a ameaçá-las. O acusado foi interrogado, mas solto por falta de provas.
A menina grávida, que é da cidade de Piranguinho, continua internada no hospital de Itajubá.
Em março passado, o aborto em uma menina de 9 anos estuprada pelo padrasto em Alagoinha , Pernambuco, causou polêmica entre os médicos e o arcebispo de Olinda e Recife Dom José Cardoso Sobrinho, hoje aposentado. A menina estava grávida de gêmeos e representantes da igreja tentaram convencer a família a impedir o procedimento. "A lei humana contraria a lei de Deus , que é contra a morte", disse o arcebispo, referindo-se ao fato de a lei brasileira autorizar o aborto em caso de estupro.
A menina, que estava internada no Instituto Materno-Infantil Professor Fernando Figueira (Imip), em Recife, acabou transferida às pressas de hospital depois da intervenção da igreja católica. O aborto foi feito na Maternidade Cisam, vinculada à Universidade de Pernambuco, no Recife. O diretor médico do hospital, Sérgio Cabral, disse que a menina corria riscos. O arcebispo, porém, anunciou a excomunhão de médicos, parentes e profissionais que participaram do procedimento.

Fonte: Globo

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Frente Nacional pela Legalização do Aborto realiza Assembleia


A ABONG acompanha e participa, por meio de suas associadas, da luta pela legalização do aborto e pela não criminalização das mulheres que recorrem à essa prática.

Entre os dias 6 e 7 de dezembro, 150 mulheres, vindas de todos os cantos do país, participaram da I Assembleia da Frente Nacional pelo fim da criminalização das mulheres e pela legalização do aborto, realizada em São Paulo, no sindicato dos químicos.
Durante a atividade, foram discutidas perspectivas e estratégias da luta para o ano de 2010, além de meios para mobilizar demais movimentos e organizações para a causa.
A Assembleia produziu uma declaração final (veja abaixo) e quatro moções e apoio ao MST, pela laicidade do ensino público (a ser direcionada à Conferência Nacional de Educação), pela construção de uma campanha pela legalização do aborto pelo Conselho Nacional de Direitos da Mulher e contra a criminalização das mulheres na mídia (a ser direcionada à Conferência Nacional de Comunicação).

DECLARAÇÃO FINAL DA ASSEMBLEIA DA FRENTE NACIONAL PELO FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DAS MULHERES E PELA LEGALIZAÇAO DO ABORTO.

Recrudesce no Brasil um processo de criminalização dos movimentos sociais, organizações e militantes. Isto para bloquear o avanço das lutas por direitos e transformação social. No caso da luta das mulheres não é diferente.
Forças patriarcais tradicionais, constituídas pelas oligarquias, a ultra direita fascista e setores fundamentalistas das igrejas cristãs, nos últimos anos deslancharam um processo de perseguição e criminalização da luta das mulheres por autonomia e autodeterminação reprodutiva atingindo em primeiro lugar as mulheres que recorreram a prática do aborto e aqueles/as que as apóiam.
Numa perversa aliança entre neoliberais e conservadores, vivemos uma conjuntura de cerceamento do direito ao debate democrático sobre a problemática do aborto, ao mesmo tempo em que cresce no Estado o poder e influência destas forças. Ocupam o parlamento, os espaços de controle social e avançam no controle da gestão da rede pública de educação e de saúde, e nesse caso, ameaçando os princípios do SUS com impacto negativo na qualidade do atendimento às mulheres. Dados de estudos e pesquisas sobre a mortalidade de mulheres comprovam que, pela magnitude da proporção de mulheres negras mortas nos serviços de saúde, configura-se num verdadeiro genocídio perpetrado pelo Estado brasileiro contra esta população.
As forças patriarcais, religiosas ou não, atuam também na base dos partidos políticos e movimentos sociais, disputando ideologicamente o debate de projeto de sociedade junto à juventude e à ampla parcela cristã dos/as militantes e dirigentes. Por este estratagema tentam impor sua doutrina religiosa, visão de mundo e visão sobre as mulheres, a sexualidade e a reprodução humana.
A adesão ao ideário conservador no campo da sexualidade e reprodução construiu as contradições que hoje enfrentamos nos partidos de esquerda e nos movimentos do campo democrático popular, que, construindo um projeto libertador, recuam em propostas libertárias quanto à autonomia das mulheres.
Hoje no Brasil, parte dos algozes da inquisição com suas vestes e capuzes tem uma nova face: o paletó, o jaleco branco, a toga, que no legislativo, nos tribunais, serviços de saúde, delegacias se arvoram a prender, julgar, punir e condenar as mulheres que, em situação limites de sua vida, optaram pela prática do aborto como ultimo recurso diante de uma gravidez indesejada.
Temos hoje uma das piores e mais reacionária legislatura no Congresso Nacional desde a ditadura, que ataca os movimentos sociais pela via das CPIs, entre elas a CPI do Aborto, ao mesmo tempo em que aprova a concordata entre o Brasil e o Vaticano, uma ameaça ao princípio da laicidade do Estado brasileiro.
Nesta conjuntura, nós integrantes da Frente Nacional pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto reafirmamos:

nosso compromisso com a construção da Frente formada por movimentos sociais e setores democráticos brasileiros;

nosso compromisso com a defesa radical das mulheres e movimentos sociais engajados nas lutas sociais;

nosso compromisso de não abandonar e prestar solidariedade a todas as mulheres que precisaram recorrer ao aborto,

nosso compromisso com a construção de um Brasil justo e democrático.

Convocamos todas as mulheres a mobilizarem sua inquietude, rebeldia e indignação na luta feminista em defesa das mulheres;

Convocamos os setores democráticos a somarem-se em aliança contra a criminalização das mulheres e dos movimentos sociais;

Não aceitamos qualquer proposta de plebiscito sobre o tema do aborto. Esta prática não pode ser transformada em questão plebiscitária. Esta é uma questão de foro íntimo de cada uma de nós mulheres. As mulheres devem ter garantida a sua capacidade moral e soberana de tomar decisões sobre suas vidas.

Exigimos dos poderes da República a observância dos Tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário e observância das resoluções das Conferências de Políticas para Mulheres, cumprindo a revisão, coordenada pela SPM em 2005, da legislação que pune o aborto e avançando na sua legalização nos termos da proposta consensuada no âmbito da Comissão Tripartite formada pela sociedade civil, executivo e legislativo.

Nenhuma mulher deve ser presa, punida, maltratada ou morrer pela prática do aborto.

Pela autonomia e cidadania de todas as mulheres!

Pelo fim da criminalização das mulheres!

Pela legalização do aborto!

sábado, 28 de novembro de 2009

Remédio abortivo é vendido ilegalmente pela internet


O misoprostol serve para induzir o parto em mulheres com dificuldades para ter dilatação e para expulsar fetos presos no útero
Medicamentos abortivos de venda proibida no país, que podem até levar à morte de quem consome, podem ser comprados facilmente pela internet e têm, inclusive, propagandas em sites de relacionamentos, segundo relatos de internautas e conforme constatou reportagem do G1.
Na segunda-feira da semana passada, 16 de novembro, o G1 entrou em contato por e-mail e por MSN com uma mulher, após encontrar no seu perfil no site de relacionamentos Orkut relatos de pessoas que compraram dela o Cytotec – um dos nomes comerciais do misoprostol, substância abortiva. Nas mensagens, adolescentes e mulheres jovens agradeciam pelo fornecimento do remédio.
O misoprostol serve para induzir o parto em mulheres com dificuldades para ter dilatação e para expulsar fetos presos no útero após abortos naturais. Desde 1998, a comercialização para o público em geral é proibida no Brasil – há permissão exclusivamente para uso hospitalar. Atualmente, uma única empresa brasileira detém autorização do governo federal para fabricar e comercializar o misoprostol.
A reportagem manteve contato por dois dias com uma pessoa que dizia vender o medicamento. O valor era de R$ 370 por quatro comprimidos de Cytotec e um de mifepristone, outro abortivo. Na quarta-feira, dia 18, o depósito foi realizado. No sábado, dia 21, o medicamento foi entregue pelo correio.
Em uma caixa plástica de CD vieram quatro comprimidos de Cytotec, fabricado pela indústria farmacêutica Pfizer, e um quinto que não pôde ser identificado – a palavra na embalagem recortada termina em "ida". É possível deduzir que é nacional, devido à inscrição "genérico".
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão responsável pela fiscalização e regulação dos medicamentos no país, o governo tem conhecimento da irregularidade e atua para combater a fraude.
"O Cytotec entra geralmente pela fronteira seca do país, pelo Paraguai e pela Argentina. O Cytotec, nesses países, é de venda livre. No Brasil, foi proibido e passou a ser utilizado para fins abortivos. (...) Entram no país por contrabando, geralmente formiguinha", explica o chefe de inteligência da Anvisa, Adilson Batista Bezerra.


sábado, 14 de novembro de 2009

Paciente desiste do HC que pedia ao TJ/ES a interrupção da gravidez de feto com anomalia cerebral


Os desembargadores que integram a 2ª Câmara Criminal do TJ/ES homologaram no dia 11/11, o pedido de desistência de uma mulher para interromper uma gravidez, cujo feto possui anomalia no cérebro. A gestante havia entrado com um pedido de HC no TJ/ES, no qual solicitava à Justiça Estadual autorização para interromper a gestação. O processo começou a ser votado na semana passada, mas não foi concluído (não houve votação) pois a paciente desistiu do procedimento. Mesmo assim, os integrantes da 2ª Câmara Criminal determinaram à Secretaria Estadual de Saúde um acompanhamento multidisciplinar, inclusive por equipe de psicólogos, durante e após o parto, como também que o SUS proporcione todos os meios necessários para a conservação da vida da criança.
O HC em favor da gestante foi protocolado pela Defensoria Pública Estadual. O pedido já havia sido negado pelo juiz de primeiro grau, na comarca de origem. Foi feito recurso ao TJ e a relatora do processo foi a desembargadora substituta Janete Vargas Simões. A votação teve início no dia 4/11, quando a relatora acatou o pedido, acompanhando o parecer do procurador de Justiça, Sócrates de Souza. Mas a votação não foi concluída, porque o desembargador Sérgio Gama pediu vista, devido à complexidade e à polêmica que envolve a matéria.
Mas, mesmo com a desistência da gestante de interromper a gravidez, os dois desembargadores que votariam ontem fizeram questão de registrar seus votos, especificamente com relação a esse processo. Os desembargadores Sérgio Gama e Adalto Dias Tristão tiveram um entendimento diferente da relatora e se manifestaram contra a interrupção da gestação.
Além de outros aspectos, ambos ressaltaram que no processo havia apenas um laudo assinado por uma única médica atestando que o feto é portador de holoprosencefalia1 e não de anencefalia, conforme afirmava a petição inicial. Nesses casos, de acordo com os magistrados, é necessário uma avaliação de uma junta médica e ouvir várias opiniões. Outro aspecto observado pelos desembargadores foi o adiantado estado de gravidez da paciente, que já está com 35 semanas, cerca de sete meses de gestação, não se podendo desprezar o fato de que o feto já se encontra praticamente constituído, possuindo, inclusive, sentidos vitais.
Gama ressalta em sua posição: "Em nosso ordenamento jurídico, a interrupção da gravidez (aborto) é admitida como medida de exceção, nos termos do artigo 128 do Código Penal, se não houver outro meio de salvar a vida da gestante ou se a gravidez resulta de estupro, dependendo, neste caso, de consentimento da gestante ou, quando, incapaz, de seu representante legal". O desembargador Sérgio ainda ressaltou que "levando-se em cota a inviolabilidade constitucional do direito à vida em qualquer dos seus estágios, entendo que a interrupção da gravidez na hipótese dos autos, onde não se exclui a possibilidade de sobrevida extra-uterina e nem há risco de vida à genitora, não se revela a medida mais adequada".
O desembargador Adalto Dias Tristão lembrou que o aborto de feto com anomalia no cérebro já foi bastante discutido, mas até hoje não há um consenso sobre essa polêmica questão. Entretanto, já há decisão firmada de que os processos criminais em curso, relativos à anencefalia, deveriam ficar suspensos até o crivo final do STF. O desembargador relatou vários posicionamentos e doutrinas sobre a matéria e concluiu que "surgindo a necessidade de antecipação do parto, ou sendo ele realizado no prazo normal, ou seja, em qualquer destas hipóteses, seja proporcionado pelo SUS todos os meios necessários para a conservação da vida da criança enquanto houver possibilidade para tanto, seja em incubadora, UTI pré-natal ou outros meios necessários, enquanto houver vida". A relatora também acompanhou esta posição do desembargador Adalto, determinando à Secretaria Estadual de Saúde total acompanhamento à gestante e também à criança quando nascer.

1 Holoprosencefalia - Patologia causada pela falta de divisão do lóbulo frontal do cérebro do embrião para formar hemisférios cerebrais bilaterais (as metades esquerda e direta do cérebro), causando defeitos no desenvolvimento da face e na estrutura e no funcionamento do cérebro.

Fonte: Migalhas

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Porto-riquenha admite ter feito 15 abortos em 17 anos



Em livro, Irene Avilar conta que fez todos os abortos para não perder o marido, que dizia que os filhos acabam com o apetite sexual de um casal.
Taí um assunto que aproxima o blogueiro mais dos conservadores do que dos liberais: aborto.
Embora respeite a história das mulheres nos EUA, e o direito delas de ter uma voz atuante na hora de escolher continuar ou não uma gravidez, o desperdício de uma vida me entristece mais do que a idéia de negar a mulher esse direito.
E a história de Irene Avilar, de 40 anos, a porto-riquenha que confessou ter feito 15 abortos em 17 anos, demonstra como “direitos adquiridos” podem ser abusados, enquanto destrõem vários inocentes.
Em seu livro, “Impossible Motherhood: Testimony of an Abortion Addict” (Maternidade Impossível: Testemunho de uma viciada em aborto), Irene diz que abortou porque o seu marido não queria ter filhos. Segundo o que ela conta, o marido, um professor de Literatura Latino-Americana dizia que “ter filhos acaba com o apetite sexual do casal.” Como resultado, dos 16 aos 33 anos, Irene engravidava e abortava sem que o marido soubesse – temendo que ele terminasse o casamento se soubesse da gravidez.
É difícil deixar de pensar que essa história é pontuada por um egoísmo mascarado de escolha. Veja o leitor que um professor de literatura anula a coisa mais bonita da vida, o nascimento de um ser humano, por causa da prática que leva a essa maravilha. E a mulher, que nesse caso teria a chance de provar que o homem estava errado, estava assustada demais para enfrentá-lo.
Depois de 11 anos de casamento, Irene deixou o marido, e hoje vive em Denver, no Colorado, tem 2 filhos e 2 enteados. No livro, ela compara os abortos a um vício.
“Mulheres já escreveram memórias sobre anorexia, ou bulimia, e elas explicam da melhor maneira que podem o que as motivou, ou o que as viciou. Eu tentei fazer o mesmo nesse livro,” disse Irene.
Não há tema mais explosivo nos EUA do que o aborto. Mesmo depois que a prática foi legalizada nacionalmente pela Suprema Corte americana, com a lei Roe x Wade, de 1973, o tema continua a estimular o surgimento do que o ser humano tem de pior.
Mas para Charmaine Yost, uma ativista pró-vida da ONG Americans United for Life, o caso de Irene é trágico.
“Esse caso realmente ilustra tudo o que o movimento pró-vida sempre disse, que o aborto é uma parte de uma história muito triste para as mulheres,” disse Yost ao jornal “Los Angeles Times.”
Pensem bem: a mulher luta para ser libertada dos homens, e ter o direito de controlar o próprio corpo, incluindo a chance de acabar com uma gravidez, e essa mulher faz 15 abortos para não perder um homem.

É ou não é contraditório?
Mas Irene Avilar não quer virar símbolo do movimento anti-aborto. Ela até confessa que muitos ativistas pró-escolha, ou seja, que concordam que a mulher pode decidir teminar uma gravidez, se sentiram desconfortáveis com a história contada no seu livro.
Irene não chega a dizer que se arrependeu dos abortos. Mas ela diz que nunca planejou fazer abortos seguidos.
Segundo números do Guttmacher Institute, quase metade das gravidez acontecidas nos EUA não são planejadas, e dessas, 40% acabam em aborto.



Brasil com Z

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Diminui o número de abortos e gestações não desejadas no mundo


O aborto é ilegal em 32 países

LONDRES, Reino Unido — O número de abortos e de gestações não desejadas registrou uma diminuição no mundo devido à generalização do uso de anticoncepcionais, segundo um estudo internacional publicado pelo Instituto Guttmacher, uma organização de saúde sexual com sede nos Estados Unidos.
O número de abortos passou de 45,5 milhões em 1995 a 41,6 milhões em 2003, e o índice de gestações não desejadas de 69 para cada mil mulheres entre 15 e 44 anos em 1995 a 55 para cada mil mulheres em 2008, informa o relatório da ONG.
Ao mesmo tempo, a proporção de mulheres casadas que utilizam métodos anticoncepcionais no mundo aumentou, passando de 54% em 1990 a 63% em 2003, a mesma coisa entre as solteiras.
"Há cada vez mais provas de que dar às mulheres os meios para decidir por elas mesmas quando querem ficar grávidas e quantos filhos querem ter diminui de maneira importante os índices de gestações não desejadas e, portanto, reduz a necessidade de recorrer ao aborto", comentou Sharon Camp, diretora do instituto.
Estes programas são, no entanto, "modestos em relação ao que poderia ser feito", acrescentou Camp, destacando importantes brechas regionais.
O aborto é ainda ilegal em 32 países, apesar de 19 países reduzirem as restrições em suas leis sobre a interrupção da gravidez desde 1997. Outros três, no entanto, as "aumentaram consideravelmente".
Enquanto que 71% das mulheres casadas utilizam métodos contraceptivos em 2003 na América Latina e no Caribe, na África a taxa era de apenas 28%.
"Satisfazer as necessidades em termos de contracepção, que continuam sendo muito altas em várias regiões do mundo, é essencial para promover o bem-estar das mulheres e suas famílias", enfatizou Camp.
Quarenta por cento das mulheres no mundo vivem em países com leis sobre 40% das mulheres no mundo vivem em países com leis sobre o aborto "muito restritivas", entre elas 97% das latino-americanas.
"As restrições legais não fazem com que haja menos abortos, apenas tornam o processo mais perigoso", declarou Camp.
O estudo recorda que os abortos clandestinos causam todos os anos 70.000 mortes e que outros cinco milhões de mulheres são tratadas anualmente por complicações derivadas de um aborto inseguro.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Aborto: escolha de quem?

Não existem garantias do que a escolha de abortar é uma decisão da mulher que se submete a este procedimento. O argumento baseado na premissa que a liberalização do aborto dá à mulher possibilidade de escolha pode ser, em alguns casos, enganoso. Num livro publicado em 2002 (1), o Dr. Reardon (com inúmeros estudos publicados em jornais científicos sobre assuntos relacionados com o aborto) menciona que 52% das mulheres nos EUA que sofrem de trauma pós-aborto referem ter sido forçadas por outros a fazer um aborto que não desejavam. Ainda que o aborto por coação continue punível por lei, a participação desta ocorrência por parte da vítima acaba por não acontecer, como geralmente ocorre em casos de violência doméstica. Direito das mulheres à escolha? Nem sempre.
Ainda nos EUA, os relatórios de uma entidade designada de National Abortion Federation, com várias clínicas de aborto espalhadas no país, mostram que uma em cada cinco mulheres que procurou serviço nas suas clínicas se opunha moralmente ou filosoficamente ao aborto (2). Porque motivo, então, se sujeitaram a ele?
Alguns investigadores da Universidade de Hong Kong realizaram um estudo comparativo de violência doméstica entre mulheres que procuravam o aborto, com outras pacientes de ginecologia (3) e verificaram que a prevalência de abuso ao longo da vida do grupo que procura aborto foi significativamente mais elevado (27,3%) do que nas pacientes gerais de ginecologia (8,2%). Os resultados sugerem que a violência doméstica pode estar por detrás de uma decisão de abortar.
A ligação entre a violência doméstica e a incidência do aborto tem sido alvo de estudo nas últimas décadas. Um estudo (4) realizado nos EUA entre 2500 mulheres que usufruíam de apoio financeiro mostrou que:
Entre as mulheres que se sujeitaram ao aborto

22,7% referiram ter sido sujeitas a abusos físicos enquanto crianças
23,6% referiram ter sido abusadas sexualmente enquanto crianças
23,3% referiram ter um parceiro violento

Entre as mulheres que nunca se sujeitaram a um aborto

10,7% referiram ter sido sujeitas a abusos físicos enquanto crianças
7.8% referiram ter sido abusadas sexualmente enquanto crianças
11.8% referiram ter um parceiro violento
Vários estudos parecem indicar a existência de uma ligação entre o aborto e um passado ou presente marcado pela violência. A existir esta ligação, mulheres nestas condições necessitam de uma ajuda que a simples despenalização do aborto não pode fornecer. Despenalizar ou legalizar o aborto pode, em alguns casos, lançar um olhar permissivo ao abuso das mulheres.

Fonte: Aborto na Aldeia

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Campanha pró-aborto de feto sem cérebro pressiona STF a decidir este ano

Cartaz e vídeo relançam polêmica em torno de ação que tramita há 5 anos
Malformação congênita, a anencefalia atinge uma a cada mil crianças

Emilio Sant'Anna

Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para julgar o direito à interrupção da gravidez de fetos sem cérebro, os grupos a favor e contra o aborto continuam travando uma disputa ideológica nos bastidores. Neste mês, duas organizações de defesa dos direitos reprodutivos da mulher lançaram campanhas que voltam a impulsionar uma controvérsia que já dura no mínimo cinco anos.
A anencefalia é uma malformação congênita que atinge cerca de um em cada mil bebês e leva ao nascimento da criança sem o cérebro. Geralmente, o recém-nascido resiste por no máximo poucos dias.
As campanhas foram criadas pela Cepia - Cidadania, Estudo, Pesquisa e Ação em parceria com o Conselho Nacional da Mulher e apoio da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR) e pela Anis - Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero. A primeira traz a imagem de um parto sendo realizado com médicos e gestante vestidos de preto, com a seguinte frase estampada: “Quando o parto é de um anencéfalo o resultado não é uma certidão de nascimento. É um atestado de óbito.”
Já a Anis divulgou nesta semana um vídeo no YouTube em que mostra o dilema real de um jovem médico diante da decisão de interromper a gestação de um feto anencéfalo. As campanhas têm o objetivo de levantar o debate sobre o tema e pressionar para que o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 54 seja concluído pelo STF.
A ação - um instrumento jurídico que visa a corrigir a violação de um direito fundamental - foi proposta em 2004 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Saúde (CNTS). “Nós acreditamos que o julgamento deve ser ainda neste semestre, mas é um tema de grande impacto político e a Corte vai enfrentar outros temas delicados, como a extradição de Cesare Battisti e a união civil de pessoas do mesmo sexo”, diz a antropóloga e diretora da organização, Débora Diniz. Nos últimos cinco anos, quatro audiências públicas para discutir o assunto foram realizadas como preparação para o debate no STF.
“Quando examinamos nosso Código Penal, verificamos que poucos países ainda tratam o aborto dessa maneira tão restritiva e tão penalisada”, diz a presidente do CCR, Maragert Arilha. “O Supremo tem em suas mãos uma oportunidade única de aliviar o sofrimento de muitas mulheres que se vêem obrigadas a continuar com uma gravidez que não será bem-sucedida.”

Politização injustificada

Para a presidente do Movimento Brasil sem Aborto e integrante da Comissão de Bioética da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Lenise Garcia, as campanhas só servem para chocar e o debate no Supremo é, na verdade, uma politização injustificada do Judiciário. “É uma imagem muita pesada e agressiva para as pessoas que tiveram filhos anencéfalos”, afirma.
Isso é eugenia. Agora é a questão dos anencéfalos, mas depois pode vir a ser qualquer outro problema, como a Síndrome de Down"
Lenise, que também é professora da Universidade de Brasília (UnB), afirma que a aprovação do aborto nesse caso abriria um perigoso precedente.
O fundador da organização presidida por ela, Jaime Ferreira Souza, concorda. "Isso é eugenia", diz. "Agora é a questão dos anencéfalos, mas depois pode vir a ser qualquer outro problema, como a Síndrome de Down"

Rotina

Débora é uma das autoras de uma pesquisa que revela como os casos de anencefalia são frequentes na rotina dos médicos. Em média, eles atendem 6,5 pacientes nessa condição durante suas carreiras.
O estudo ouviu 1.814 médicos filiados à Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Destes, 1.804 revelaram ter atendido casos de mulheres grávidas de anencéfalos nos últimos 20 anos. “Essa é uma realidade dos hospitais e das clínicas”, diz Débora. “A pergunta que nós devolvemos ao STF é: como esse dilema é resolvido nos consultórios?”
Os médicos entrevistados foram responsáveis por 9.730 atendimentos de mulheres com gestações de anencéfalos, 85% delas preferiram interromper a gravidez. No entanto, apenas 3.602 obtiveram a permissão do Judiciário.
A pesquisa não permite inferir quantas tiveram seus pedidos negados pela Justiça. “Hoje nós nem sabemos quantas mulheres sequer vão à Justiça e conseguem resolver com a solidariedade dos médicos ou quantas vão e não conseguem”, afirma. “O que sabemos é que nessa pesquisa uma proporção alta das mulheres queriam abortar, mas não foram à Justiça.”
Para a advogada Tamara Amoroso Gonçalves, ao permitir o aborto no caso de risco para a vida da mãe, o artigo 128 do Código Penal brasileiro, que trata do assunto, ignora que a gestação de um feto anencéfalo coloca em risco a integridade da gestante. A advogada é autora de um levantamento sobre os casos de aborto levados a julgamento nos tribunais estaduais e superiores do país, entre 2001 e 2006.
Nesse período, 781 decisões foram proferidas pelo Judiciário. A maior parte dos abortos analisados, 31%, foi resultado de violência contra a mulher. A anencefalia e os casos de malformação foram responsáveis por 7% dos casos. “Há um questionamento se trata-se realmente de uma vida. A Lei de Transplantes considera finita a vida quando há a morte cerebral. No caso do anencéfalo, ele não tem o cérebro formado. Por isso se questiona se há uma vida a ser tutelada”, explica Tamara.

“Aquele que está por nascer já deveria ser considerado um ser vivo”, responde com um ditado romano o coordenador da Pastoral da Família, e bispo de Nova Friburgo, d. Rafael Cifuentes. “Ninguém mata um excepcional, o mesmo critério deveria ser observado para os anencéfalos.”

Fonte: G1
Visite o site "Anencefalia info", resultado de pesquisas e experiências de mães e pais que passaram por esta vivência.
Perguntas e Respostas sobre anencefalia

domingo, 27 de setembro de 2009

O certo, o errado, e a descriminalização do aborto


Se há algo que ainda me surpreende é a necessidade humana de crer que seu ponto de vista sobre qualquer assunto é o único certo, e todos os demais são resultado de tolice ou incompreensão. Em boa parte das discussões, sempre há um momento no qual alguém se julga no direito de declarar o que é certo ou errado, e exigir dos outros comportamento compatível com aquilo que acha certo. Não há questionamento, respeito nem tolerância com a opinião alheia, mas apenas desprezo.
Quando o assunto é aborto, essa imposição de convicções fica muito nítida. Religiosos querem impor o seu ponto de vista a TODO o mundo, inclusive a quem não professa aquela religião. Pessoas que puderam escolher e optaram por não abortar acreditam que TODOS devam seguir seu exemplo. Pessoas que nunca passaram por algo parecido com uma gravidez têm idéias prontas sobre o tema e querem impô-las a TODO o mundo. Juízes, longe de se distanciarem de sua religião e discutirem temas polêmicos respeitando os sentimentos dos envolvidos, julgam a TODOS com base em suas opiniões particulares. Políticos, ao invés de respeitarem a pluralidade de crenças e se pautarem por uma conduta laica, oferecem projetos de lei que misturam assuntos de saúde pública com sua formação religiosa, ignorância científica e seus preconceitos mais íntimos, e que valerão para TODOS.
O resultado disso são comentários esdrúxulos, que pouco ou nada respeitam a vida alheia, mas que são enunciados como grandes verdades e ditam as condutas a serem seguidas.

Pessoas que são contra o aborto costumam afirmar que:

•algumas mulheres são promíscuas: é um direito delas, da mesma forma que algumas mulheres deixam os cabelos curtos e outras preferem que eles fiquem compridos.
•o aborto será usado como anticoncepcional: aqui, o TODO é prejudicado pela parte, em uma clara inversão de valores. Não é porque existem ladrões que todas as pessoas devem ficar presas, certo? Então, por que tratar o aborto de forma diferente?
•existem métodos anticoncepcionais dos mais variados tipos: só que nenhum deles é 100% à prova de falhas, ou indicados para todo e qualquer caso
•as dificuldades são superadas pela alegria de ter um filho: esse argumento ignora a falta de vocação maternal e/ou dificuldades de toda ordem
•só as mulheres que já abortaram podem defender o aborto: então apenas homicidas podem defender homicidas, ladrões podem defender ladrões, etc
•determinada religião proíbe o aborto: e daí? Vivemos em um Estado teoricamente laico. É absurdo impor a conduta prescrita por uma religião a quem não tem religião ou professa alguma que é tolerante com o aborto. Favor não confundir o que é “certo” para determinada religião com sua imposição a todo o mundo, inclusive aos que não seguem aquela doutrina
•certas mulheres não sabem ficar de pernas fechadas: esse raciocínio é uma invasão da vida sexual da mulher; ela não deve explicações a ninguém, e, se é pobre – pois esse é o contexto típico desses comentários – tem-se ainda um preconceito que envolve poder aquisitivo, como se só os pobres ou moradores de determinadas regiões não pudessem ter filhos
Recusar o direito ao aborto com base nos argumentos acima, e em outros bastante semelhantes, é impor a todas as mulheres a visão de “certo” baseada apenas no preconceito de algumas pessoas, desrespeitando sua vontade, sua visão de planejamento familiar e de suas vidas.

Essa exacerbação do “estou certo, vocês estão errados e devem me obedecer”, encampada pelo Estado ao criminalizar o aborto, se reflete nos dados sobre abortos clandestinos, na hipocrisia, no julgamento das outras pessoas sem ao menos tentar entender o que elas estão sentindo ou pensando, na imposição de uma conduta que pode ser adequada a quem julga, mas totalmente inadequada a quem é julgada.
Amanhã será o dia da Descriminalização do Aborto.Por descriminalização, entenda-se: fazer o aborto deixar de ser assunto de polícia (resultado: prisão) para ser, simplesmente, assunto de saúde pública, envolvendo apoio psicológico, informação adequada sobre contracepção, direito de optar pelo aborto ou pelo prosseguimento da gravidez, direito de fazer um aborto ou parto com toda a segurança e higiene que a medicina pode oferecer. Essa deve ser uma escolha de cada mulher, e não uma imposição estatal, religiosa ou social. Deixemos que a consciência ou a religião de cada gestante diga o que devem fazer. E respeitemos a vontade de cada mulher.
Do contrário, estaremos demonstrando que, no caso da criminalização do aborto, não há interesse no bem-estar dos seres humanos, mas apenas uma imposição de preconceitos pessoais destinada a provar aos demais humanos que a sua opinião é a melhor e deve ser imposta a TODOS.
O dia em que pararmos de impor aos outros, inclusive por meio de leis, pontos de vista que restringem direitos e invadem a vida privada de todas as pessoas será um grande dia. Descriminalizar o aborto é um bom primeiro passo nesse sentido, e um belo exercício de tolerância e respeito à opinião alheia.

Por Cynthia Semíramis
Professora de Direito, desenvolve pesquisa sobre direitos das mulheres
Belo Horizonte-MG
setembro de 2006
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