Ana Maria Ribas Bernardelli - 20 jan, 2017
O que é mais mportante para uma mãe: manter a casa em ordem, ou deixar os filhos à vontade, sem disciplina, e sem ordem? A resposta adequada seria: manter a casa em ordem, e esperar que os filhos fiquem à vontade sob disciplina e ordem. Basta que eles sejam educados para isso.
O que é mais importante para uma mulher: um marido satisfeito, feliz, relaxado, à custa de cuecas jogadas pelo banheiro, e toalhas molhadas sobre a cama, ou um parceiro ordeiro e colaborativo? A resposta adequada seria: um marido feliz, satisfeito, ordeiro e colaborativo, que ajude a manter a casa longe do caos.
A verdade é que há situações que não se excluem, pelo contrário, se complementam.
Esse é um tema nada excludente. Filhos e maridos devem colaborar com a mínima ordem reinante sob pena de se tornarem abusivos fora do convívio familiar. Não há felicidade na desordem. Não pode haver tolerância com a desordem organizada sistematicamente como se a desordem fosse a ordem.
A criança que cresce sem envolvimento com a ordem, aprenderá a envolver-se com a desordem. O adulto que foi criança e não guardou o brinquedo que usou, terá grandes possibilidades de vir a ser pouco colaborativo, daquele tipo que levanta da mesa na casa da tia sem retirar e lavar o seu prato, ou sem arrumar a sua cama.
Não é de nenhum tratado filosófico que retirei essas conclusões; é da vida, da experiência, da análise prática.
Todas as crianças que são deixadas sem a disciplina da ordem criam uma desordem amplificada, depois de adultos. As casas que habitam são uma bagunça. As tarefas que deveriam ser resolvidas diariamente passam a ser desempenhadas em prazos dilatados por semanas, meses, e anos. A louça é lavada quando não há mais lugar sobre a pia e embaixo da pia. As roupas vão para a máquina, quando a última calcinha vai para o corpo. Tudo é abusivamente acumulado.
Não há regras que possam valer para quem foi criado sem regra alguma.
Há nos desordeiros domésticos uma forte tendência para se tornarem acumuladores, aqueles indivíduos que guardam todo tipo de lixo fora e dentro deles. Começam por não catalogar objetos que, sem lugar definido, se misturam sob as mais diversas categorias. Livros no chão fazem companhia a chinelos jogados, documentos espalhados, travesseiros abandonados pelo caminho. As mais diversas coisas e coisinhas cujo destino é incerto, somam-se às coisas maiores que se acumulam na superfície.
A Teoria do Caos prevê a grosso modo que, se uma casa for deixada limpa, arejada, arrumada, com todos os objetos em seus devidos lugares, basta um tempo relativamente curto para que o abandono se encarregue de instalar o caos.
O que quero dizer com isso? Quero dizer que todas as forças do Universo decaído trabalham a favor do caos.
Não é preciso que eu e você façamos coisa alguma para que o caos se instale. Basta que não o façamos.
Dentro de pouco tempo, a poeira fina se depositará sobre a superfície em camadas sedimentadas, as aranhas farão suas teias, o mofo se expandirá sobre as áreas que guardam algum vestígio de umidade e tudo- absolutamente tudo- entrará em processo de desintegração e morte.
A vida cobra a sua e a minha colaboração para que o universo se mantenha em cadência de ritmo, harmonia, e perfeita intencionalidade da ordem.
Algumas mães parecem ignorar essa necessidade e não colocam os seus filhos na cadeia da ordem. Preferem que eles se juntem à cadeia da desordem.
É a pior coisa que uma mãe pode fazer.
Mães muito “boazinhas” se tornam incubadoras de adultos porcalhões e relaxados. Mães muito “boazinhas”, inconscientemente, esperam que seus filhos as amem mais por isso, e, no devido tempo, cobrarão que esse “amor” lhes seja devolvido.
Mães “muito boazinhas” são um dilema existencial para carregar, mais tarde. Choramingam o tempo todo dizendo quão boas foram para os seus filhos, e exatamente por terem criado filhos irresponsáveis, bagunceiros e relaxados, não receberão de volta nem o amor, e nem a ordem minimamente necessária, que a última etapa de vida pede, para que se morra em paz.
Dia desses, fui testemunha de um fato bastante humano e convincente: Diante do quarto do menino que apresentava um cenário bagunçado, a mãe o mandou tomar banho, e enquanto ele tomava o banho, ela entrou no quarto e confiscou o Ipad.
Ao sair, o menino perguntou:
– Mãe você pegou o meu Ipad?
– Peguei. O Ipad só volta quando o seu quarto estiver tão organizado como você o recebeu pela manhã.”
Assim aconteceu por dois dias. Não foi preciso mais do que dois dias para que o hábito se instalasse.
Haveria três caminhos: fazer tudo pelo filho; repetir todos os dias a mesma cantilena, elevando a voz; exercer autoridade acompanhada do seqüestro de um privilégio ao qual ele se acostumara: o uso do Ipad.
Penso que ela fez uma ótima escolha.
Então, é isso: mães eduquem os seus filhos para a manutenção da ordem. É um benefício que fará grande diferença na vida adulta e é tão importante que até o ar, o céu, o sol, o mar, as árvores, as plantas, os rios, os peixes, os animais, os homens de boa vontade, a Terra, e o Universo agradecem.
Fonte: CONTI outra
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sábado, 28 de janeiro de 2017
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Menina de 14 anos morre eletrocutada ao usar celular que estava carregando durante o banho
Uma adolescente de 14 anos, que não teve sua identidade revelada, morreu eletrocutada ao tentar usar seu celular que estava carregando na tomada, enquanto ela tomava banho. O acidente aconteceu em Moscou, na Rússia.
A menina, que vivia com sua mãe e seu irmão mais velho, conectou o cabo ao celular, mas acidentalmente deixou o aparelho cair na água.
A mãe da vítima a encontrou com o corpo começando a queimar, após notar demora para sair do chuveiro. De acordo com o site Mirror, a menina usava um cabo de extensão para ligar o telefone à energia elétrica, já que não havia tomada dentro do banheiro.
Em entrevista à imprensa local, a procuradora Yulia Ivanova afirmou: “Ainda estamos investigando e vamos chegar a uma decisão sobre as medidas a serem tomadas.”
Fonte: REDETV
A menina, que vivia com sua mãe e seu irmão mais velho, conectou o cabo ao celular, mas acidentalmente deixou o aparelho cair na água.
A mãe da vítima a encontrou com o corpo começando a queimar, após notar demora para sair do chuveiro. De acordo com o site Mirror, a menina usava um cabo de extensão para ligar o telefone à energia elétrica, já que não havia tomada dentro do banheiro.
Em entrevista à imprensa local, a procuradora Yulia Ivanova afirmou: “Ainda estamos investigando e vamos chegar a uma decisão sobre as medidas a serem tomadas.”
Fonte: REDETV
terça-feira, 3 de maio de 2016
Atitudes restritivas dos pais pode prevenir o uso de álcool por menores de idade?
O consumo de álcool por menores de idade implica sérios riscos para a saúde, com maior chance de abuso e dependência de álcool e outras substâncias no futuro, para acidentes de trânsito e mortes prematuras. Entre as medidas preventivas ao consumo precoce de álcool, destaca-se uma vertente promissora, cujo foco são pais de adolescentes, com ações realizadas especialmente em escolas. Acredita-se que a alteração do comportamento, normas e atitudes dos pais pode impactar positivamente na redução do consumo de álcool por adolescentes.
A estratégia elaborada pelo programa Örebro Prevention Programme (OPP) consiste em reuniões com pais e professores com 30 minutos de duração, realizadas semestralmente em escolas. Nessas reuniões é indicado que os pais adotem postura de tolerância zero para o consumo de álcool pelos adolescentes, deixando claro para os menores de idade quais são as regras e possíveis sanções aplicadas caso o combinado não seja cumprido. O programa demonstrou resultados positivos em estudos anteriores para a prevenção do uso nocivo de álcool, reduzindo a frequência de episódios de embriaguez.
Com o objetivo de entender o mecanismo responsável pelo sucesso do OPP, o presente estudo analisou qual seria o papel das atitudes restritivas dos pais na obtenção dos resultados positivos, os quais foram redução dos episódios de embriaguez e o retardamento do beber regular (ao menos um episódio de embriaguez por mês). Para isso, 653 adolescentes com idade entre 12 e 13 anos e 524 pais preencheram questionários no início do estudo, após 18 meses e 30 meses. Além disso, variáveis que pudessem confundir os resultados, como gênero, status imigratório, qualidade de relacionamento com pais e uso de álcool por pais e colegas foram incluídas nas análises.
As atitudes dos pais foram classificadas conforme quatro opções, desde “muito lenientes” (consideram natural a curiosidade dos filhos para experimentar álcool e acreditam que fazem uso responsável) até “muito rigorosas” (consideram que menores de idade jamais podem consumir de álcool e nem deveriam se preocupar com isso). Os adolescentes responderam quantas vezes consumiram álcool até se sentirem alcoolizados no último mês, o que foi acompanhado ao longo do estudo para observar mudanças no padrão daqueles que iniciaram o hábito de beber mensalmente. Os adolescentes também responderam com qual frequência observam os pais e colegas consumirem álcool e sobre a qualidade de relacionamento com os pais. Para comparações de resultados, um grupo de pais recebeu a intervenção, isto é, participou das reuniões, e o outro não recebeu.
Constatou-se que no grupo sem intervenção os adolescentes evoluíram com mais episódios de embriaguez, enquanto no grupo com intervenção, adolescentes reduziram a frequência de episódios de embriaguez ou iniciaram mais tardiamente. Como resultado principal, cerca de 50% do resultado positivo do programa foi atribuído às atitudes restritivas dos pais, o que representa um papel robusto. Por outro lado, demais mecanismos adjacentes podem ser fonte de futuras pesquisas. Por exemplo, de forma interessante, os pais que receberam a intervenção mantiveram mais atitudes restritivas ao longo do tempo, enquanto o grupo que não recebeu evoluiu com menos atitudes restritivas frente ao uso de álcool por seus filhos. Além disso, foi observado que pais imigrantes ou que possuem má relação com filho tendem a adotar posturas menos restritivas. Talvez, pais que vivenciam relacionamento ruim com os filhos se sintam menos empoderados e tenham menor expectativa em relação a eles.
Conclui-se que atitudes mais restritivas dos pais, em vigência da intervenção do OPP, criaram ambiente desfavorável ao consumo de álcool e foram assim eficientes na prevenção do uso nocivo, ao reduzir e retardar o consumo de álcool por menores de idade.
Fonte: CISA
A estratégia elaborada pelo programa Örebro Prevention Programme (OPP) consiste em reuniões com pais e professores com 30 minutos de duração, realizadas semestralmente em escolas. Nessas reuniões é indicado que os pais adotem postura de tolerância zero para o consumo de álcool pelos adolescentes, deixando claro para os menores de idade quais são as regras e possíveis sanções aplicadas caso o combinado não seja cumprido. O programa demonstrou resultados positivos em estudos anteriores para a prevenção do uso nocivo de álcool, reduzindo a frequência de episódios de embriaguez.
Com o objetivo de entender o mecanismo responsável pelo sucesso do OPP, o presente estudo analisou qual seria o papel das atitudes restritivas dos pais na obtenção dos resultados positivos, os quais foram redução dos episódios de embriaguez e o retardamento do beber regular (ao menos um episódio de embriaguez por mês). Para isso, 653 adolescentes com idade entre 12 e 13 anos e 524 pais preencheram questionários no início do estudo, após 18 meses e 30 meses. Além disso, variáveis que pudessem confundir os resultados, como gênero, status imigratório, qualidade de relacionamento com pais e uso de álcool por pais e colegas foram incluídas nas análises.
As atitudes dos pais foram classificadas conforme quatro opções, desde “muito lenientes” (consideram natural a curiosidade dos filhos para experimentar álcool e acreditam que fazem uso responsável) até “muito rigorosas” (consideram que menores de idade jamais podem consumir de álcool e nem deveriam se preocupar com isso). Os adolescentes responderam quantas vezes consumiram álcool até se sentirem alcoolizados no último mês, o que foi acompanhado ao longo do estudo para observar mudanças no padrão daqueles que iniciaram o hábito de beber mensalmente. Os adolescentes também responderam com qual frequência observam os pais e colegas consumirem álcool e sobre a qualidade de relacionamento com os pais. Para comparações de resultados, um grupo de pais recebeu a intervenção, isto é, participou das reuniões, e o outro não recebeu.
Constatou-se que no grupo sem intervenção os adolescentes evoluíram com mais episódios de embriaguez, enquanto no grupo com intervenção, adolescentes reduziram a frequência de episódios de embriaguez ou iniciaram mais tardiamente. Como resultado principal, cerca de 50% do resultado positivo do programa foi atribuído às atitudes restritivas dos pais, o que representa um papel robusto. Por outro lado, demais mecanismos adjacentes podem ser fonte de futuras pesquisas. Por exemplo, de forma interessante, os pais que receberam a intervenção mantiveram mais atitudes restritivas ao longo do tempo, enquanto o grupo que não recebeu evoluiu com menos atitudes restritivas frente ao uso de álcool por seus filhos. Além disso, foi observado que pais imigrantes ou que possuem má relação com filho tendem a adotar posturas menos restritivas. Talvez, pais que vivenciam relacionamento ruim com os filhos se sintam menos empoderados e tenham menor expectativa em relação a eles.
Conclui-se que atitudes mais restritivas dos pais, em vigência da intervenção do OPP, criaram ambiente desfavorável ao consumo de álcool e foram assim eficientes na prevenção do uso nocivo, ao reduzir e retardar o consumo de álcool por menores de idade.
Fonte: CISA
domingo, 7 de fevereiro de 2016
A mobilização do 'Caso Samuel': Protesto em frente ao Fórum de Riacho Grande, Brasília
Os manifestantes combinaram o encontro pela Internet. No ato pedem a reversão de decisão da Justiça.
A fisioterapeuta Marcia Silva conheceu o caso do menino Samuel através da Internet. Incomodada com a situação do caso (sobretudo com a falta de informações), ela decidiu se mobilizar através das redes sociais, e criou o evento pelo Facebook, que logo teve aderência de outros interessados que também aguardavam informações. Márcia não conhece a família de Samuel, mas decidiu propor o protesto por estar muito sensibilizada com a história. Ela e milhares de brasileiros.
O caso continua repercutindo muito. A falta de novas informações tem incomodado a todos. As fotos e vídeos postados na página "Ajudem o Samuel" (Facebook) foram tiradas do ar pela administração da rede social. Mas assim que postadas novamente, bastou um pedido da tia de Samuel para que voltassem a compartilhar, e logo aqueles que haviam curtido a página (mais de 180.000 pessoas) refizeram os compartilhamentos. A repercussão popular nesses casos costuma ser muito rápida. O mesmo se deu no início desse mês, com um vídeo de um pai espancando a filha de 3 anos. O vídeo foi feito pela mãe da menina, para ser usado como prova de sua denúncia, e causou revolta na sociedade, sobretudo através das redes sociais.
Ontem (28), na frente do Fórum do Riacho Fundo, em Brasília, mulheres que seguravam seus filhos pela mão gritavam por justiça, cartazes eram vistos nas mãos de manifestantes, carros que passavam buzinavam em apoio ao ato. O protesto pedia a reversão da decisão da Justiça, e clamava por informações sobre o caso (o Ministério Público já havia declarado segredo de Justiça ao caso). Entre as maiores indagações dos manifestantes está a dúvida "Por que o juiz não ouviu Samuel"? No vídeo veiculado na internet, o menino pede para falar com o magistrado, no desespero de pedir para ficar com a mãe.
O homem que o pequeno Samuel chama de "tio" no vídeo é Israel Souza, amigo da família. Ele falou sobre o tratamento do menino, que tomava remédios para amenizar os traumas que teria adquirido vivendo com o pai. Ele conta ainda que a família está muito abalada, e ao mesmo tempo muito surpresa com o apoio que as pessoas estão dando através da web. A mãe do menino está angustiada pela falta de contato, e diz ter medo pelo que seu filho possa estar passando.
Em entrevista ao portal G1, a advogada e professora de Direto Renata Malta disse achar ótima a mobilização da sociedade no caso, mas que isso não deve influenciar uma decisão judicial. Frisou também a importância de levar em conta que o vídeo mostra apenas uma parte da história.
No entanto, apesar dos esforços da imprensa e de pessoas de certa forma envolvidas, "a outra parte da história" ainda não se mostrou interessada em manifestar sua posição.Da decisão do juiz (27/01) até o momento, ninguém conseguiu falar com o pai do Samuel, nem mesmo a mãe do menino, que afirma não ter tido contato com o filho.
Fonte: blastingnews
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
O perigo das “House Parties - Cuidado com seus filhos adolescentes
Você tem filhos entre 12 e 18 anos? Você sabe o que é uma House Parties? Não?
Pois é House Parties ou simplesmente HP é como os adolescentes chamam as festinhas na casa de amigos muito comum nos EUA (vejam foto ao lado) e também no Brasil.
Ora, todo e pai e mãe geralmente recebem por parte dos seus filhos pedidos para que estes os liberem para uma "happy hour" entre adolescentes na casa de um amiguinho qualquer.
Os pais naturalmente permitem a ida de seus filhos a estes ajuntamentos sociais, confiados que os responsáveis pelo adolescente anfitrião estarão presentes no evento. O problema é que na maioria dos casos, os adolescentes organizam tais festas longe de seus pais, proporcionando com isso problemas seríssimos.
Para exemplificar o que eu estou dizendo, vejam os relatos abaixo que originalmente foram publicados num blog de São Paulo, blog este indicado pela minha amiga Norma Braga. ( Texto original aqui).
"Eles chamam apenas de HP.
Vou em uma HP na casa do Flávio, vou em uma HP no prédio da Maria, não importa o nome, é sempre alguém conhecido do colégio, ou amigo de amigo. Geralmente, o horário é das 16 às 23 h, um horário até que confortável. Você leva, você busca. Parece inofensivo, mas não é. Eles sempre dizem que vai ter um pai ou adulto junto. Mentira. E, todo o mundo vai, desde a amiga santinha, até as mais “saidinhas”. Tenho uma filha adolescente, de 14, e é um ritual, todas vem se arrumar em casa, felizes e amáveis. Usam roupas até que normais e vão. Vão até o banheiro do lugar, levam micro-shorts na mochila e aí começa. A idade varia, desde 12 (pasmem) até 18 ou mais, no caso dos meninos.
Sei disso, porque um dia fui levar um grupo em uma HP , numa casa no Morumbi e (instinto de mãe), resolvi entrar. Tinha segurança na porta, que depois de muita conversa me liberou, ameacei chamar a polícia. Quis falar com os pais, os donos da casa e me disseram que eles já chegariam.
Quando entrei, me deparei com o pior pesadelo de uma mãe. Cheiro de maconha, copos de plástico com vodka, todas as meninas dançando, agachando até o chão e os meninos mau conseguiam andar. A dança,parecia cena de sexo explícito, mas com roupa. Ouvi um grito, olhei. Uma garota de uns 12 anos, não passava disso, poderia ser até menos, bem magrinha, caiu no chão com tudo de fora e os garotos jogavam bebida nela como se fosse urina e ela ria e ria….ninguém ajudou a levantar, ela ficou um tempo ali, achando o máximo. Nunca mais deixei minha filha ir a nenhuma HP.
Não era um baile funk da favela, eram filhos como os nossos. Foi no Morumbi, mas isso acontece igualzinho aqui, sem dúvidas. Aliás aqui acontece toda a semana. Lembram do garoto que morreu perto do Edifício Ghaia? Estava voltando de uma HP.
Gente, já fomos adolescentes e com certeza aprontamos muito. Mas, o que está acontecendo agora é diferente, como se não existisse o certo e errado, o medo, o amor próprio.
Pais, não liberem a casa ou salão de prédio para seus filhos, sem supervisão. Não dá. Acho que a maioria de nós conversamos, aconselhamos, etc… mas os hormônios falam mais alto.
Não dá para prender….eles podem dizer que vão à um amigo e ir à uma HP. Como saberemos? Por isso a responsabilidade é dos pais e de mais ninguém.
Quando meus filhos estiverem em suas casas, cuidem deles, pois é esse o desejo que vocês têm para os seus. Bjs"
Caro leitor, vivemos dias difíceis onde o pecado se multiplica a olhos vistos. Isto posto, os aconselho a estarem bem próximos de seus filhos procurando saber detalhes da festa que pretendem ir. Se for o caso, converse com os pais do adolescente organizador da festa procurando saber detalhes do evento.
Lembre-se: Filhos são herança do Senhor e nós não os tivemos para que satanás os arrebate de nossas mãos.
Cuide deles, proteja-os e Deus será glorificado!
Pense nisso!
Fonte: Renato Vargens
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Inclusão - Banda Sayonara
Amigos, fãs e simpatizantes da Banda Sayonara, posso pedir-lhes um favor muito especial?
Haverá alguém disposto a publicar este post e deixá-lo na sua página durante pelo menos uma hora? Esta é a Semana da Educação Especial e o mês do autismo, e este post é em honra de todas as crianças que Deus fez de uma maneira única e excepcional.
Vamos lá pessoal, gostaria de ver isto publicado em todos os murais nem que seja por uma única hora...
Então, vamos passar para outras pessoas...
OBRIGADA
terça-feira, 22 de julho de 2014
Em abrigos, programa resgata história de crianças e adolescentes com brincadeiras e expressões artísticas
Acolhido em abril de 2013, Roberto* sempre teve dificuldade em se comunicar e desabafar sobre o que acontecia na sua casa e os motivos dele estar num abrigo. Porém a voluntária Julia*, do Instituto Fazendo História, percebeu que o garoto de 11 anos de idade gostava muito de brincar e encontrou no lúdico a oportunidade de se aproximar e conhecer mais sobre Roberto. Juntos, faziam um resgate de sua história por meio de conversas e brincadeiras, e ainda registravam em um álbum, com pinturas, fotos e colagens, imagens que expressavam suas memórias para que conhecesse e se apropriasse de sua história passada e presente.
É dessa forma que funciona o programa Fazendo Minha História, do Instituto Fazendo História, localizado na capital paulista. “Buscamos o direito de a criança ter sua história de vida, elaborada, contada, vivenciada por ela. Isso contribui para trabalhar melhor algumas questões com ela e com sua família”, explica a coordenadora técnica dos programas do Instituto, Isabel Penteado. “Antes, pensavam que a história dessas crianças e adolescentes era cheia de mazelas e coisas ruins, então era omitida, mas todos nós temos vivencias boas e ruins em nossas vidas e elas não são esquecidas. Vimos que é preciso compreender o que se viveu e buscar transformarem potencias as dificuldades.”
Esse é o fio condutor do programa que, a partir da mediação de leitura e brincadeiras com fantasias e personagens, traz como resultado o prazer em ler, o valor de se registrar a própria história e ainda incentiva os profissionais dos serviços de acolhimento a conversarem de forma afetiva com as crianças e adolescentes sobre suas próprias histórias de vida. “É um trabalho inovador. Não é fácil para as crianças falarem, então criar personagens ou histórias fictícias são ótimas formas para ajudar a criança a enfrentar o que viveram”, aponta Isabel.
Todo o trabalho desse programa é feito em parceria com voluntários ou profissionais dos abrigos, que se encontram semanalmente com as crianças durante um ano, para ler e compartilhar histórias, além de ajudar na construção do álbum. “Os educadores, psicólogos e voluntários passam por formação de mediação de leitura e aprendem como trabalhar as histórias dos livros e das crianças. Dessa forma, os acolhidos conseguem trabalhar a própria história, os motivos de estar ali e as suas relações, com os pais, com os colegas e com seu redor”, relata a coordenadora do Instituto.
Espaço de proteção
Dados do Ministério do Desenvolvimento Social apontam que, em 2010, 36.929 crianças e adolescentes estavam sob medida de acolhimento, espalhados entre os 2.624 serviços de atendimento no Brasil. Negligência na família (37,6%), pais ou responsáveis dependentes químicos ou alcoolistas (21%) e abandono (19%) são os principais motivos para que uma criança seja afastada por um tempo de sua família.
De acordo com a coordenadora técnica dos programas do Instituto, Isabel Penteado, há crianças que estão esperando por uma família adotiva, outras que ainda não estão disponíveis para adoção, mas que as famílias não foram encontradas. E ainda há aquelas que somente ficam por alguns meses até que a situação em sua casa se resolva. “Quando se denuncia uma família, os órgãos responsáveis verificam essa denúncia e, se entendem que essa família não pode cuidar dessa criança, ela fica abrigada por um tempo.”
Previstos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para casos de violação ou ameaça dos direitos de meninos e meninas, os abrigos institucionais, casas lares ou famílias acolhedoras, devem oferecer um espaço de proteção que favoreça o desenvolvimento da autonomia e da criatividade dessas crianças e adolescentes. A permanência máxima é de, no máximo, dois anos, salvo casos em que seja necessário um tempo maior. “Antigamente os meninos eram esquecidos no abrigo, hoje isso é menos frequente”, compara Isabel.
Fazendo história
Formado por um grupo de psicólogas, o Instituto Fazendo História é uma organização não governamental que atua há quase 10 anos na cidade de São Paulo, colaborando com o desenvolvimento de meninos e meninas nos serviços de acolhimento e junto à rede de proteção à infância. “A ideia é que a rede de atendimento ajude a família a se reorganizar para receber a criança de volta. Lugar de criança e adolescente crescer é na sua família e estamos aqui para ajudar”, afirma a coordenadora.
Hoje são 144 abrigos parceiros que recebem o Instituto, dividido em cinco principais programas de acolhimento institucional, que oferecem desde rede de psicólogos voluntários e formação de educadores a serviços de desenvolvimento para bebês, crianças e adolescentes. “Muitas vezes os voluntários e educadores são pessoas sem conhecimento técnico, então precisamos sempre alinhar com eles a importância, os cuidados e proteções com a criança”, explica Isabel.
Ela destaca também a relação com os adolescentes, que pode ser um pouco mais delicada. “Os abrigos têm muita dificuldade em trabalhar com adolescentes. É uma fase intensa e de descobrimento, de autonomia e ao mesmo tempo dependência”. Nesse sentido, outro programa do Instituto, o Grupo Nós ajuda os abrigos em como trabalhar com esses meninos e traça com eles projetos de vida para os próximos três anos, pensando em moradia, profissionalização, estudos e nos vínculos de suporte desses adolescentes.
“Muitas histórias se repetem, a família é violenta com seu filho e, diversas vezes, os adultos responsáveis viveram isso com seus pais. Essas crianças têm especificidades, foram retiradas e precisam de acolhimento. Então, devemos quebrar esse ciclo de violência e não alimentar o pensamento de que não há nada a ser feito com essas famílias”.
*Os nomes foram alterados para preservar a identidade das pessoas citadas
promenino
segunda-feira, 14 de abril de 2014
ECA e Legislação
As crianças e adolescentes brasileiros são protegidos por uma série de regras e leis estabelecidas pelo país. Após anos de debates e mobilizações, chegou-se ao consenso de que a infância e a adolescência devem ser protegidas por toda a sociedade das diferentes formas de violência. Também acordou-se que todos somos responsáveis por garantir o desenvolvimento integral desse grupo.
Partindo dessa premissa, o arcabouço legal brasileiro traz vários instrumentos que designam os direitos das crianças e asseguram a sua proteção. O primeiro é a própria Constituição Federal Brasileira de 1988, que determina que haja "prioridade absoluta" na proteção da infância e na garantia de seus direitos, não só por parte do Estado, mas também da família e da sociedade.
A Constituição é o mais importante conjunto de normas de um país, que determina as atribuições e limites das instituições, os direitos dos cidadãos e os deveres do Estado. A Constituição, também conhecida como Carta Magna, é a lei suprema e fundamental do Brasil e se situa no topo de todo o ordenamento jurídico. Ou seja, nenhuma lei pode contrariar o que está determinado nela.
Para ser efetivada, os preceitos da Constituição devem ser transformados em leis. No caso da infância, a lei mais importante é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), lei nº 8.069. Em vigor desde 1990, o ECA é considerado um marco na proteção da infância e tem como base a doutrina de proteção integral, reforçando a ideia de "prioridade absoluta" da Constituição.
No ECA estão determinadas questões, como os direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes; as sanções, quando há o cometimento de ato infracional; quais órgãos devem prestar assistência; e a tipificação de crimes contra criança.
Para se aprofundar nos conteúdos do Estatuto, conheça o ECA Comentado e o Entendendo o ECA.
Trabalho infantil
A Constituição Brasileira (Artigo 7, inciso XXXIII) determina a "proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos". A única exceção é dada aos aprendizes, que podem trabalhar a partir dos 14 anos.
A aprendizagem está presente no ECA e é regulamentada pela lei nº 10.097 de 2000. A contratação nessa modalidade implica em carga horária reduzida, inscrição em curso de ensino técnico e atividades específicas que não sejam prejudiciais ao desenvolvimento do adolescente e não interfiram nos estudos regulares.
Entre os 16 e 18 anos, o adolescente já pode iniciar suas atividades de trabalho desde que não seja em horário noturno, nem em atividades perigosas, insalubres ou que estejam relacionadas no decreto 6.481, de 2008 conhecido como Lista TIP, que define as piores formas de trabalho infantil e que podem ser executadas apenas por pessoas com mais de 18 anos. A contratação deve se dar por meio de carteira assinada.
Ainda que a Constituição seja clara e incisiva na proibição do trabalho infantil, há juízes que emitem autorizações para que crianças e adolescentes trabalhem antes da idade permitida. Em 2011, foram 3.134 autorizações judiciais de trabalho. As ações dos juízes são fundamentadas por uma interpretação da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), legislação da década de 40, que prevê autorizações judiciais quando a "ocupação é indispensável à sua própria subsistência ou à de seus pais, avós ou irmãos". Entretanto, esse item da CLT contradiz a Constituição, que não abre exceções para o trabalho infantil, a não ser como aprendiz.
Convenções internacionais
O Brasil é signatário de importantes tratados de proteção à infância e sobre o trabalho infantil. No âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), o país aderiu à Convenção sobre os Direitos da Criança, que traz uma série de obrigações dos Estados signatários diante das crianças. Em relação ao trabalho infantil, ele é signatário dos mais importantes tratados sobre a questão proposta pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). São as Convenções 138, que determina a idade mínima para admissão no trabalho, e a 182, que traz a especificação das piores formas de trabalho infantil e pede ação imediata para sua erradicação.
promenino
Partindo dessa premissa, o arcabouço legal brasileiro traz vários instrumentos que designam os direitos das crianças e asseguram a sua proteção. O primeiro é a própria Constituição Federal Brasileira de 1988, que determina que haja "prioridade absoluta" na proteção da infância e na garantia de seus direitos, não só por parte do Estado, mas também da família e da sociedade.
A Constituição é o mais importante conjunto de normas de um país, que determina as atribuições e limites das instituições, os direitos dos cidadãos e os deveres do Estado. A Constituição, também conhecida como Carta Magna, é a lei suprema e fundamental do Brasil e se situa no topo de todo o ordenamento jurídico. Ou seja, nenhuma lei pode contrariar o que está determinado nela.
Para ser efetivada, os preceitos da Constituição devem ser transformados em leis. No caso da infância, a lei mais importante é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), lei nº 8.069. Em vigor desde 1990, o ECA é considerado um marco na proteção da infância e tem como base a doutrina de proteção integral, reforçando a ideia de "prioridade absoluta" da Constituição.
No ECA estão determinadas questões, como os direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes; as sanções, quando há o cometimento de ato infracional; quais órgãos devem prestar assistência; e a tipificação de crimes contra criança.
Para se aprofundar nos conteúdos do Estatuto, conheça o ECA Comentado e o Entendendo o ECA.
Trabalho infantil
A Constituição Brasileira (Artigo 7, inciso XXXIII) determina a "proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos". A única exceção é dada aos aprendizes, que podem trabalhar a partir dos 14 anos.
A aprendizagem está presente no ECA e é regulamentada pela lei nº 10.097 de 2000. A contratação nessa modalidade implica em carga horária reduzida, inscrição em curso de ensino técnico e atividades específicas que não sejam prejudiciais ao desenvolvimento do adolescente e não interfiram nos estudos regulares.
Entre os 16 e 18 anos, o adolescente já pode iniciar suas atividades de trabalho desde que não seja em horário noturno, nem em atividades perigosas, insalubres ou que estejam relacionadas no decreto 6.481, de 2008 conhecido como Lista TIP, que define as piores formas de trabalho infantil e que podem ser executadas apenas por pessoas com mais de 18 anos. A contratação deve se dar por meio de carteira assinada.
Ainda que a Constituição seja clara e incisiva na proibição do trabalho infantil, há juízes que emitem autorizações para que crianças e adolescentes trabalhem antes da idade permitida. Em 2011, foram 3.134 autorizações judiciais de trabalho. As ações dos juízes são fundamentadas por uma interpretação da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), legislação da década de 40, que prevê autorizações judiciais quando a "ocupação é indispensável à sua própria subsistência ou à de seus pais, avós ou irmãos". Entretanto, esse item da CLT contradiz a Constituição, que não abre exceções para o trabalho infantil, a não ser como aprendiz.
Convenções internacionais
O Brasil é signatário de importantes tratados de proteção à infância e sobre o trabalho infantil. No âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), o país aderiu à Convenção sobre os Direitos da Criança, que traz uma série de obrigações dos Estados signatários diante das crianças. Em relação ao trabalho infantil, ele é signatário dos mais importantes tratados sobre a questão proposta pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). São as Convenções 138, que determina a idade mínima para admissão no trabalho, e a 182, que traz a especificação das piores formas de trabalho infantil e pede ação imediata para sua erradicação.
promenino
sábado, 22 de março de 2014
Senado aprova PL que garante convivência familiar aos filhos de presos
Nessa terça-feira (18), o Senado aprovou o projeto de lei (PL) que garante a convivência de crianças e adolescentes com pais que estejam presos. A proposta prevê que haja visitas regulares aos filhos, de modo a garantir que o direito à convivência familiar, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, seja garantido.
O PL determina também que ser condenado por um crime não implica na perda do poder familiar, exceto quando for um crime doloso contra a própria criança. O projeto segue agora para sanção presidencial.
promenino
O PL determina também que ser condenado por um crime não implica na perda do poder familiar, exceto quando for um crime doloso contra a própria criança. O projeto segue agora para sanção presidencial.
promenino
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Trabalho e omissão da família prejudicam saúde de crianças e adolescentes
Realizado nos dias 24 e 25 de setembro, o Workshop Direito à Profissionalização, promoveu uma série de discussões quanto à aplicação da legislação protetiva vigente, além de debater educação e saúde de jovens inseridos no trabalho infantil. Realizado em formato de oficinas, o Workshop foi subdividido em temas, sendo um deles a questão dos agravos à saúde do trabalhador infanto-juvenil. O evento foi realizado em Cuiabá, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em conjunto com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso (SRTE/MT).
Dados da OIT mostram que a incidência de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil é de 54% na área do comércio e 28% na indústria. Devido a pouca idade, muitas sofrem com as consequências do esforço pesado e a quantidade de horas trabalhadas. Apesar disso, são poucas as que recebem tratamento médico adequado.
Convidado para participar do evento, o Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso (CRP-18), esteve representado pela conselheira Marisa Helena Alves. O "Estudo sobre o trabalho infantil em Mato Grosso: um enfoque sobre saúde, educação e aspectos legais", organizado pela OIT, foi utilizado para o debate. A psicóloga ficou responsável por analisar o trabalho do ponto de vista da saúde.
“É fato que o trabalho infantil pode prejudicar o desenvolvimento físico e psicológico dos jovens. Porém, infelizmente, são poucos os casos em que as crianças e adolescentes chegam até a rede de saúde para serem atendidos devido a algum agravo causado pelo trabalho", conta.
Marisa Helena acrescenta que uma das principais dificuldades dos profissionais de saúde é quanto à identificação de alguns sintomas oriundos do trabalho infantil. Isto porque, de acordo com a psicóloga, nem sempre a criança ou adolescente procura por atendimento.
"Acredito que seja não só um problema de saúde como social também. Muitas vezes, a própria família não encaminha este jovem para atendimento por medo de perder uma fonte de renda financeira. Por isso, a necessidade de se fortalecer a rede na atenção básica, diretamente com as famílias", ressalta Marisa Helena.
Números - Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelam que aproximadamente 150 milhões de crianças de 05 a 14 anos de idade estão envolvidas com o trabalho infantil, sendo a maioria em países africanos. No Brasil, o artigo 69 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, não permite o trabalho a jovens menores de 14 anos de idade.
Em Mato Grosso, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, em 300 ações de fiscalização realizadas entre os anos de 2009 a 2011 e o primeiro semestres de 2012, 282 jovens foram identificados em situação de trabalho infantil.
promenino
Dados da OIT mostram que a incidência de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil é de 54% na área do comércio e 28% na indústria. Devido a pouca idade, muitas sofrem com as consequências do esforço pesado e a quantidade de horas trabalhadas. Apesar disso, são poucas as que recebem tratamento médico adequado.
Convidado para participar do evento, o Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso (CRP-18), esteve representado pela conselheira Marisa Helena Alves. O "Estudo sobre o trabalho infantil em Mato Grosso: um enfoque sobre saúde, educação e aspectos legais", organizado pela OIT, foi utilizado para o debate. A psicóloga ficou responsável por analisar o trabalho do ponto de vista da saúde.
“É fato que o trabalho infantil pode prejudicar o desenvolvimento físico e psicológico dos jovens. Porém, infelizmente, são poucos os casos em que as crianças e adolescentes chegam até a rede de saúde para serem atendidos devido a algum agravo causado pelo trabalho", conta.
Marisa Helena acrescenta que uma das principais dificuldades dos profissionais de saúde é quanto à identificação de alguns sintomas oriundos do trabalho infantil. Isto porque, de acordo com a psicóloga, nem sempre a criança ou adolescente procura por atendimento.
"Acredito que seja não só um problema de saúde como social também. Muitas vezes, a própria família não encaminha este jovem para atendimento por medo de perder uma fonte de renda financeira. Por isso, a necessidade de se fortalecer a rede na atenção básica, diretamente com as famílias", ressalta Marisa Helena.
Números - Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelam que aproximadamente 150 milhões de crianças de 05 a 14 anos de idade estão envolvidas com o trabalho infantil, sendo a maioria em países africanos. No Brasil, o artigo 69 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, não permite o trabalho a jovens menores de 14 anos de idade.
Em Mato Grosso, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, em 300 ações de fiscalização realizadas entre os anos de 2009 a 2011 e o primeiro semestres de 2012, 282 jovens foram identificados em situação de trabalho infantil.
promenino
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Pesquisa revela o perfil e o que pensam os caminhoneiros no Brasil sobre exploração sexual nas estradas
Dia Mundial do Turismo, uma comemoração que abre canais para a exploração sexual. Mas neste dia, preferimos olhar para casos que muitas vezes passam despercebidos, naturalizados na paisagem. As estradas que nos levam a vários cantos do Brasil são espaços para uma exploração cruel de crianças e adolescentes.As estradas brasileiras possuem atualmente 1.776 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes, por onde passam mais de um milhão de caminhoneiros. A mercantilização do corpo de crianças e adolescentes nas rodovias é alvo de pesquisas que buscam traçar o perfil e os motivos que levam meninos e meninas a venderem seus corpos nos acostamentos. Mas uma pesquisa de 2010 procurou entender a visão dos caminhoneiros, ou seja, quem mais “demanda” o sexo e exploração sexual infantil nas rodovias. Esse foi o objetivo da pesquisa “O Perfil do Caminhoneiro Brasileiro”, de 2010, realizada pela campanha Na Mão Certa, da Childhood Brasil.
Em entrevista ao Promenino, professor da Universidade Federal de Sergipe e coordenador do estudo, Elder Cerqueira, diz que há dois pontos a serem destacados: “um é que os caminhoneiros enxergam o sexo de forma instintiva e banalizada, eles se envolvem nessas situações com a consciência de utilizar um serviço como qualquer outro. De forma geral, não há nenhum perfil de pedófilo ou abusador, é muito mais uma questão de pura satisfação sexual”.
Outro ponto é o como os caminhoneiros veem o vínculo estabelecido com as vítimas de exploração sexual, tendo o machismo como uma representação bem clara dentro da exploração e do sexo comercial na visão dos motoristas. “Eles se justificam para se impor em questões de gênero, em como o homem entende o que é sexo e a sexualidade, e em como ele julga o sexo da mulher”, aponta o coordenador. “Eles criam uma categoria diferente para essas crianças de estrada. O significado de criança e adolescente desses homens é biológico, ou seja, para o censo comum, uma menina não ser mais virgem significa que ela é mulher. Então eles usam o comportamento sexual delas para colocá-las em outra categoria que não a mesma de suas filhas, sobrinhas e netas”.
Segundo Cerqueira, as garotas buscam o interesse financeiro imediato, sejapara usar drogas ou bens materiais, alimentando o consumismo e mudando o perfil de serem exploradas apenas pela miséria e necessidade financeira. “Os caminhoneiros enxergam essa situação como prostituição, as garotas usam perfume e tem celular próprio, muitas vezes não é somente pela necessidade financeira”, explica. Ainda assim, está claro que um maior número de crianças são exploradas em regiões mais pobres. “É muito importante essa análise da mercantilização do corpo, do mundo do consumo, tanto do lado do homem, como cliente, como do lado delas”.
A necessidade financeira da criança ou da família continuou sendo o principal motivo (79,4%) para jovens com menos de 18 anos se envolverem em situação análoga à prostituição, na opinião dos entrevistados. Também foram citados falta de educação (43,4%), exploração/coerção de alguém (34,1%), existência de mercado fácil (23,7%), prazer (19,5%), existência de adultos que gostam/procuram (13,5%) e falta de opção do que fazer (12%). De acordo com os caminhoneiros, a média do valor do programa com crianças e adolescentes foi de R$ 25,05, acima do valor apontado em 2005, que foi de R$ 17,26.
“Atualmente há uma noção maior do que é criança e adolescente e maioridade. Mas em relação a direitos eles conhecem superficialmente, já ouviram falar sobre ECA, Conselho Tutelar e Disque 100, porém o número de denúncias ainda é baixo”, explica Cerqueira.
Em comparação com os dados apurados em 2005, os entrevistados se mostraram mais familiarizados com as leis e os serviços de proteção às crianças e adolescentes. A maioria disse conhecer o Conselho Tutelar (91,6%), o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (76%), o Juizado de Menores (76,6%), a campanha Na Mão Certa contra a exploração de crianças e adolescentes no Brasil (61,7%) e o Disque-denúncia (56,2%). A pesquisa de 2010 mostrou ainda que 37,7% conhecem a Delegacia da Criança e do Adolescente e 9,2% conhecem o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS).
Além disso, as estradas e rodovias são vulneráveis, desde questões jurídicas e legais que emperram atuação e fiscalização a problemas relacionados à distância dos órgãos de proteção. “Até a denúncia chegar ao órgão e a fiscalização ir ao local, muita coisa pode ter acontecido. Há vilarejos em que o conselho tutelar fica a mais de 100 quilômetro de distância. São lugares de passagem e alta circulação de pessoas, o fato de um homem cometer um crime dessa forma e logo em seguida estar em outro estado facilita”.
promenino
Em entrevista ao Promenino, professor da Universidade Federal de Sergipe e coordenador do estudo, Elder Cerqueira, diz que há dois pontos a serem destacados: “um é que os caminhoneiros enxergam o sexo de forma instintiva e banalizada, eles se envolvem nessas situações com a consciência de utilizar um serviço como qualquer outro. De forma geral, não há nenhum perfil de pedófilo ou abusador, é muito mais uma questão de pura satisfação sexual”.
Outro ponto é o como os caminhoneiros veem o vínculo estabelecido com as vítimas de exploração sexual, tendo o machismo como uma representação bem clara dentro da exploração e do sexo comercial na visão dos motoristas. “Eles se justificam para se impor em questões de gênero, em como o homem entende o que é sexo e a sexualidade, e em como ele julga o sexo da mulher”, aponta o coordenador. “Eles criam uma categoria diferente para essas crianças de estrada. O significado de criança e adolescente desses homens é biológico, ou seja, para o censo comum, uma menina não ser mais virgem significa que ela é mulher. Então eles usam o comportamento sexual delas para colocá-las em outra categoria que não a mesma de suas filhas, sobrinhas e netas”.
Segundo Cerqueira, as garotas buscam o interesse financeiro imediato, sejapara usar drogas ou bens materiais, alimentando o consumismo e mudando o perfil de serem exploradas apenas pela miséria e necessidade financeira. “Os caminhoneiros enxergam essa situação como prostituição, as garotas usam perfume e tem celular próprio, muitas vezes não é somente pela necessidade financeira”, explica. Ainda assim, está claro que um maior número de crianças são exploradas em regiões mais pobres. “É muito importante essa análise da mercantilização do corpo, do mundo do consumo, tanto do lado do homem, como cliente, como do lado delas”.
A necessidade financeira da criança ou da família continuou sendo o principal motivo (79,4%) para jovens com menos de 18 anos se envolverem em situação análoga à prostituição, na opinião dos entrevistados. Também foram citados falta de educação (43,4%), exploração/coerção de alguém (34,1%), existência de mercado fácil (23,7%), prazer (19,5%), existência de adultos que gostam/procuram (13,5%) e falta de opção do que fazer (12%). De acordo com os caminhoneiros, a média do valor do programa com crianças e adolescentes foi de R$ 25,05, acima do valor apontado em 2005, que foi de R$ 17,26.
“Atualmente há uma noção maior do que é criança e adolescente e maioridade. Mas em relação a direitos eles conhecem superficialmente, já ouviram falar sobre ECA, Conselho Tutelar e Disque 100, porém o número de denúncias ainda é baixo”, explica Cerqueira.
Em comparação com os dados apurados em 2005, os entrevistados se mostraram mais familiarizados com as leis e os serviços de proteção às crianças e adolescentes. A maioria disse conhecer o Conselho Tutelar (91,6%), o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (76%), o Juizado de Menores (76,6%), a campanha Na Mão Certa contra a exploração de crianças e adolescentes no Brasil (61,7%) e o Disque-denúncia (56,2%). A pesquisa de 2010 mostrou ainda que 37,7% conhecem a Delegacia da Criança e do Adolescente e 9,2% conhecem o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS).
Além disso, as estradas e rodovias são vulneráveis, desde questões jurídicas e legais que emperram atuação e fiscalização a problemas relacionados à distância dos órgãos de proteção. “Até a denúncia chegar ao órgão e a fiscalização ir ao local, muita coisa pode ter acontecido. Há vilarejos em que o conselho tutelar fica a mais de 100 quilômetro de distância. São lugares de passagem e alta circulação de pessoas, o fato de um homem cometer um crime dessa forma e logo em seguida estar em outro estado facilita”.
promenino
sábado, 14 de setembro de 2013
O problema dos adolescentes que ficam acordados até tarde
Eles encontram energia para bater papo, jogar videogame e ver TV justamente à noite
Jaqueline Sordi
jaqueline.sordi@zerohora.com.br
As noites costumam ser barulhentas na casa da família Pimentel. Assim que o sol se põe, o volume dos jogos de videogame começa a se mesclar com barulho da TV, conversas ao telefone e mensagens de celular. Enquanto a servidora pública Luciana Santos prepara a janta para os dois filhos, Pedro, 14 anos, e Roberta, 18, os jovens se preparam para o turno mais agitado do dia.
A excitação — sonora, visual e mental — normalmente só dá trégua depois da meia-noite, não sem antes provocar um desgaste nos pais. O chavão "só mais cinco minutinhos", usado pelos filhos para estender por meia hora as conversas ao telefone, ou por uma hora os jogos no tablet, é contestado por Luciana e seu marido, o delegado Roberto Pimentel, 53 anos, com ordens para irem imediatamente à cama. Raramente elas são cumpridas.
— O Pedro, às vezes, fica trancado no quarto com tablet e TV ligada, então nem sabemos bem a hora em que ele pega no sono — admite a mãe.
As consequências são sentidas logo na manhã seguinte. Para o menino, acordar às 6h30min por causa da escola é um sacrifício. Como resultado das poucas horas na cama, a atenção em sala de aula fica comprometida. Quando o sono não é recuperado, até as atividades extracurriculares são prejudicadas.
— Quando ele dorme à tarde, nada o acorda. Em algumas ocasiões, acaba perdendo as aulas de karatê, que costuma frequentar três vezes por semana — conta Luciana.
Assim como na maioria das famílias com adolescentes, os conflitos entre o casal e os filhos aparecem, principalmente, na hora de dormir. O sono dos jovens, que é motivo de preocupação para muitos pais, é também assunto recorrente de trabalhos científicos.
Diferentemente do que muitas famílias pensam, o comportamento de Pedro, semelhante ao da grande maioria dos adolescentes, não se trata apenas de uma rebeldia juvenil. Atuam fatores psicológicos e biológicos nesse sono tardio.
Bom senso para entender etapa peculiar da formação
A psicanalista Katia Radke, membro da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA) e professora do Centro de Estudos, Atendimento e Pesquisa da Infância e Adolescência (Ceapia), destaca que os pais precisam ter bom senso nesta etapa da vida dos filhos e entender que é um momento peculiar na formação deles.
A adolescência é o momento da solidificação da identidade e, para consolidar suas personalidades, eles tentam impor uma certa resistência às regras dos pais, de quem sentem necessidade de se diferenciar. Esse comportamento acaba afetando as rotinas estabelecidas por eles, como a hora de ir dormir.
— Está na etimologia da palavra: adolescer significa crescer. Os jovens precisam se diferenciar para se legitimarem como indivíduos e, por isso, precisam ter uma rotina diferente daquela imposta pela família, mas sem romper completamente com as normas estabelecidas.
No campo de batalha, os hormônios
Além da revolução psicológica em curso nesta etapa da vida, a adolescência é caracterizada por uma revolução hormonal que impacta em rotinas, hábitos e ciclos biológicos. Dentro dela está a produção da melatonina, hormônio que regula a vontade de dormir.
Conforme a médica Michele Becker, neurologista infantil do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e do Hospital da Criança Conceição, a vontade de dormir e acordar mais tarde faz parte do processo natural de amadurecimento.
Ao longo da infância e da adolescência, o corpo vai se adaptando ao ritmo biológico de dormir e acordar conforme o ciclo dia-noite. Essa adaptação é influenciada por alterações hormonais características de cada etapa da vida. Antes do amanhecer, por exemplo, há aumento da secreção do hormônio cortisol, que prepara o organismo para a atividade. Ao escurecer, é a vez da melatonina, que prepara para o sono.
No início da puberdade, influências hormonais atuam sobre o relógio biológico, causando a chamada "síndrome do atraso de fases do sono", um retardo de cerca de duas horas no início do sono e no despertar. Ainda não se sabe as causas exatas para o fenômeno.
— Nesta fase do desenvolvimento, é muito comum que os adolescentes queiram dormir e acordar tarde. Os pais devem inicialmente entender que isso faz parte da adolescência e somente intervir se for exagerado ou se estiver trazendo prejuízos ao jovem — destaca Michele.
Um carrossel de distrações tecnológicas
Ainda que dormir e acordar mais tarde sejam típicos da adolescência, a gurizada, em geral, acaba exagerando. Eles vão para a cama ainda mais tarde do que o ideal e, por terem de acordar cedo para as atividades cotidianas, acabam dormindo muito menos do que deveriam.
A neurologista infantil Michele Becker explica que, na adolescência, o período ideal de sono gira em torno de nove horas, sendo maior que o de adultos — de oito horas diárias. Apesar disso, pesquisas mostram que a média nesse período da vida está entre seis e sete horas por noite. E muitas vezes o sono não é de qualidade.
É aí que novas tecnologias — tablets, computadores, televisão, smartphones —, tão sedutores para jovens e adultos, podem se tornar inimigas do bem-estar físico e mental.
O uso das tais distrações pouco antes de dormir faz com que os jovens prolonguem seu estado de alerta e demorem mais a cair no sono. Elas aumentam a produção de adrenalina, o que deixa a pessoa mais agitada e ansiosa, explica Michele.
Além disso, conforme Camila Morelatto de Souza, psiquiatra da Infância e Adolescência e pesquisadora do Laboratório de Cronobiologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, aparelhos eletrônicos que emitem determinados tipos de luz (luzes de coloração mais azulada, por exemplo), se utilizados à noite, podem atrasar ainda mais o início da fase de sono.
Com um sono de pior qualidade, os adolescentes tendem a ter problemas de concentração e memória, estresse, irritação, desatenção e sonolência excessiva, enumera a psicanalista Katia Radke.
— Dormir pouco gera um excesso que a mente não dá conta, o que pode trazer muitos prejuízos tanto na esfera social quanto biológica — comenta.
Já que proibir o uso desses aparelhos não é viável no mundo atual, saber impor limites e negociar é a melhor estratégia para garantir que os filhos tenham uma boa noite de sono:
— Os filhos podem usar a internet, jogar games e assistir televisão depois do sol se pôr. Só é preciso estabelecer horários determinados para estas práticas, e garantir que eles fiquem sem estímulos tecnológicos por um tempo antes de irem para a cama.
Conforme Michele, o recomendável é que crianças ou adolescentes não assistam televisão ou utilizem o computador por pelo menos uma hora antes de dormir.
Cinco recomendações para regular o sono dos adolescentes
1)Dormir o mesmo número de horas diárias. Deve-se manter uma permanência de horas de sono durante todos os dias, inclusive finais de semana
2) Não praticar exercícios físicos até quatro horas antes de dormir, já que o corpo necessita desse tempo para relaxar
3) Desligar a televisão e o computador quando for dormir, já que a luz desses aparelhos mantém o cérebro funcionando como se estivéssemos acordados, atrasando a produção de neuro-hormônios que regulam o sono, como a melatonina
4) Não usar computador pelo menos uma hora antes de dormir. O corpo precisa de uma preparação tranquila para o sono. Desligar-se de fatores externos ajuda a sinalizar o cérebro de que é hora de dormir
5) Evitar alimentos estimulantes à noite ou pelo menos quatro horas antes de dormir, como os ricos em cafeína. Nessa lista estão chocolate, chá preto, chimarrão, café e refrigerantes
Sinais de que o adolescente não dorme o suficiente
1) sonolência diurna
2) cansaço excessivo
3) falta de motivação
4) desatenção
5) irritabilidade
O que ocorre enquanto dormimos?
Durante o sono, o cérebro não está apenas descansando. Na verdade, neste momento o corpo está realizando tarefas essenciais que teria dificuldades de fazer com a pessoa acordada.
Enquanto dormimos, liberamos hormônios, restaurarmos o maquinário necessário para realizar a neurotransmissão, fazemos e refazemos novas conexões sinápticas etc.
VIDA
Jaqueline Sordi
jaqueline.sordi@zerohora.com.br
As noites costumam ser barulhentas na casa da família Pimentel. Assim que o sol se põe, o volume dos jogos de videogame começa a se mesclar com barulho da TV, conversas ao telefone e mensagens de celular. Enquanto a servidora pública Luciana Santos prepara a janta para os dois filhos, Pedro, 14 anos, e Roberta, 18, os jovens se preparam para o turno mais agitado do dia.
A excitação — sonora, visual e mental — normalmente só dá trégua depois da meia-noite, não sem antes provocar um desgaste nos pais. O chavão "só mais cinco minutinhos", usado pelos filhos para estender por meia hora as conversas ao telefone, ou por uma hora os jogos no tablet, é contestado por Luciana e seu marido, o delegado Roberto Pimentel, 53 anos, com ordens para irem imediatamente à cama. Raramente elas são cumpridas.
— O Pedro, às vezes, fica trancado no quarto com tablet e TV ligada, então nem sabemos bem a hora em que ele pega no sono — admite a mãe.
As consequências são sentidas logo na manhã seguinte. Para o menino, acordar às 6h30min por causa da escola é um sacrifício. Como resultado das poucas horas na cama, a atenção em sala de aula fica comprometida. Quando o sono não é recuperado, até as atividades extracurriculares são prejudicadas.
— Quando ele dorme à tarde, nada o acorda. Em algumas ocasiões, acaba perdendo as aulas de karatê, que costuma frequentar três vezes por semana — conta Luciana.
Assim como na maioria das famílias com adolescentes, os conflitos entre o casal e os filhos aparecem, principalmente, na hora de dormir. O sono dos jovens, que é motivo de preocupação para muitos pais, é também assunto recorrente de trabalhos científicos.
Diferentemente do que muitas famílias pensam, o comportamento de Pedro, semelhante ao da grande maioria dos adolescentes, não se trata apenas de uma rebeldia juvenil. Atuam fatores psicológicos e biológicos nesse sono tardio.
Bom senso para entender etapa peculiar da formação
A psicanalista Katia Radke, membro da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA) e professora do Centro de Estudos, Atendimento e Pesquisa da Infância e Adolescência (Ceapia), destaca que os pais precisam ter bom senso nesta etapa da vida dos filhos e entender que é um momento peculiar na formação deles.
A adolescência é o momento da solidificação da identidade e, para consolidar suas personalidades, eles tentam impor uma certa resistência às regras dos pais, de quem sentem necessidade de se diferenciar. Esse comportamento acaba afetando as rotinas estabelecidas por eles, como a hora de ir dormir.
— Está na etimologia da palavra: adolescer significa crescer. Os jovens precisam se diferenciar para se legitimarem como indivíduos e, por isso, precisam ter uma rotina diferente daquela imposta pela família, mas sem romper completamente com as normas estabelecidas.
No campo de batalha, os hormônios
Além da revolução psicológica em curso nesta etapa da vida, a adolescência é caracterizada por uma revolução hormonal que impacta em rotinas, hábitos e ciclos biológicos. Dentro dela está a produção da melatonina, hormônio que regula a vontade de dormir.
Conforme a médica Michele Becker, neurologista infantil do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e do Hospital da Criança Conceição, a vontade de dormir e acordar mais tarde faz parte do processo natural de amadurecimento.
Ao longo da infância e da adolescência, o corpo vai se adaptando ao ritmo biológico de dormir e acordar conforme o ciclo dia-noite. Essa adaptação é influenciada por alterações hormonais características de cada etapa da vida. Antes do amanhecer, por exemplo, há aumento da secreção do hormônio cortisol, que prepara o organismo para a atividade. Ao escurecer, é a vez da melatonina, que prepara para o sono.
No início da puberdade, influências hormonais atuam sobre o relógio biológico, causando a chamada "síndrome do atraso de fases do sono", um retardo de cerca de duas horas no início do sono e no despertar. Ainda não se sabe as causas exatas para o fenômeno.
— Nesta fase do desenvolvimento, é muito comum que os adolescentes queiram dormir e acordar tarde. Os pais devem inicialmente entender que isso faz parte da adolescência e somente intervir se for exagerado ou se estiver trazendo prejuízos ao jovem — destaca Michele.
Um carrossel de distrações tecnológicas
Ainda que dormir e acordar mais tarde sejam típicos da adolescência, a gurizada, em geral, acaba exagerando. Eles vão para a cama ainda mais tarde do que o ideal e, por terem de acordar cedo para as atividades cotidianas, acabam dormindo muito menos do que deveriam.
A neurologista infantil Michele Becker explica que, na adolescência, o período ideal de sono gira em torno de nove horas, sendo maior que o de adultos — de oito horas diárias. Apesar disso, pesquisas mostram que a média nesse período da vida está entre seis e sete horas por noite. E muitas vezes o sono não é de qualidade.
É aí que novas tecnologias — tablets, computadores, televisão, smartphones —, tão sedutores para jovens e adultos, podem se tornar inimigas do bem-estar físico e mental.
O uso das tais distrações pouco antes de dormir faz com que os jovens prolonguem seu estado de alerta e demorem mais a cair no sono. Elas aumentam a produção de adrenalina, o que deixa a pessoa mais agitada e ansiosa, explica Michele.
Além disso, conforme Camila Morelatto de Souza, psiquiatra da Infância e Adolescência e pesquisadora do Laboratório de Cronobiologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, aparelhos eletrônicos que emitem determinados tipos de luz (luzes de coloração mais azulada, por exemplo), se utilizados à noite, podem atrasar ainda mais o início da fase de sono.
Com um sono de pior qualidade, os adolescentes tendem a ter problemas de concentração e memória, estresse, irritação, desatenção e sonolência excessiva, enumera a psicanalista Katia Radke.
— Dormir pouco gera um excesso que a mente não dá conta, o que pode trazer muitos prejuízos tanto na esfera social quanto biológica — comenta.
Já que proibir o uso desses aparelhos não é viável no mundo atual, saber impor limites e negociar é a melhor estratégia para garantir que os filhos tenham uma boa noite de sono:
— Os filhos podem usar a internet, jogar games e assistir televisão depois do sol se pôr. Só é preciso estabelecer horários determinados para estas práticas, e garantir que eles fiquem sem estímulos tecnológicos por um tempo antes de irem para a cama.
Conforme Michele, o recomendável é que crianças ou adolescentes não assistam televisão ou utilizem o computador por pelo menos uma hora antes de dormir.
Cinco recomendações para regular o sono dos adolescentes
1)Dormir o mesmo número de horas diárias. Deve-se manter uma permanência de horas de sono durante todos os dias, inclusive finais de semana
2) Não praticar exercícios físicos até quatro horas antes de dormir, já que o corpo necessita desse tempo para relaxar
3) Desligar a televisão e o computador quando for dormir, já que a luz desses aparelhos mantém o cérebro funcionando como se estivéssemos acordados, atrasando a produção de neuro-hormônios que regulam o sono, como a melatonina
4) Não usar computador pelo menos uma hora antes de dormir. O corpo precisa de uma preparação tranquila para o sono. Desligar-se de fatores externos ajuda a sinalizar o cérebro de que é hora de dormir
5) Evitar alimentos estimulantes à noite ou pelo menos quatro horas antes de dormir, como os ricos em cafeína. Nessa lista estão chocolate, chá preto, chimarrão, café e refrigerantes
Sinais de que o adolescente não dorme o suficiente
1) sonolência diurna
2) cansaço excessivo
3) falta de motivação
4) desatenção
5) irritabilidade
O que ocorre enquanto dormimos?
Durante o sono, o cérebro não está apenas descansando. Na verdade, neste momento o corpo está realizando tarefas essenciais que teria dificuldades de fazer com a pessoa acordada.
Enquanto dormimos, liberamos hormônios, restaurarmos o maquinário necessário para realizar a neurotransmissão, fazemos e refazemos novas conexões sinápticas etc.
VIDA
domingo, 21 de julho de 2013
Carreira precoce no futebol afeta o desenvolvimento de crianças e adolescentes
Encantados pelo sonho de fama e riqueza ao poder jogar em um grande clube de futebol, diversas crianças e adolescentes são afastadas dos pais e levadas por olheiros para outros estados brasileiros com a promessa de se tornarem o próximo Ronaldo ou Neymar. Porém, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) afirma que 99% dos garotos e garotas de até 17 anos não realizam a tão sonhada carreira como jogador profissional e, de acordo com especialistas, os impactos no desenvolvimento precoce dessas crianças são irreversíveis e caracterizados como trabalho infantil.
“É uma sobrecarga terrível que afeta os desenvolvimentos físico e psicológico. Estes garotos perdem a infância e a adolescência, uma fase importante da vida, de formação”, afirma o ex-jogador e atual presidente do Sindicato dos Atletas de São Paulo, Rinaldo Martorelli. “Há uma total descompensação, pois um garoto de 14 anos queima etapas de formação de caráter, desenvolvimento físico e psicológico, e também de pensamento crítico, isso sem considerar o aspecto educacional”.
Há vários prejuízos que podem ser verificados como lesão ao direito à educação e à convivência comunitária, excesso de carga nos treinamentos, alojamentos em péssimas condições, ausência de formalização dos contratos do atleta não profissional em formação e não pagamento de bolsa aprendizagem, tráfico nacional e internacional de pessoas, além da suscetibilidade para ocorrência de crimes sexuais, como exemplifica a procuradora do trabalho Cândice Arósio, representante da Coordenadoria de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância) no Mato Grosso do Sul. “As situações mais graves são a falta de cuidado com a saúde desse adolescente, que muitas vezes vem de longe, não se alimenta direito, faz uso de substâncias desconhecidas no afã de se tornar um jogador de futebol, além da grande pressão psicológica imposta pelos pais e pelos agentes”.
De acordo com o preparador físico do Centro de Formação de Atletas (CFA) do São Paulo Futebol Clube, Rodrigo Pignataro, a rotina de treinos ideal para crianças e adolescentes que ingressam na carreira futebolística aos 10 e 11 anos de idade deve ser de forma lúdica e que desenvolva habilidades como reflexo, corrida e lógica, e que seja uma vez por semana, com um jogo no fim de semana. Aos 12 e 13, os treinos passam a ser com a frequência de duas vezes por semana. E a partir dos 14, os treinos passam a ser gradativamente mais parecidos com os dos profissionais.
“Dentro dos perfis fisiológico e psicológico, de forma saudável, os garotos só podem treinar por uma hora e meia e são treinos diferenciados, de iniciação lúdica desportiva, como garante a Lei Pelé e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”, explica o preparador físico. “Não há cobrança de resultado nos treinos e nos jogos. Eles sabem que precisam acertar, ninguém chuta uma bola para o gol querendo errar, então conversamos e a criança aponta o que ela fez de errado e o que ela precisa fazer para melhorar”, exemplifica.
Outro ponto a ser destacado são as adaptações do esporte para as crianças e adolescentes. No CFA do clube paulista, por exemplo, os campos são adaptados para as categorias sub-14, que não disputam campeonato. Segundo Pignataro, um jogador profissional corre entre nove e 11 quilômetros durante os 90 minutos de uma partida e cuida de uma área de 200 metros quadrados dentro de um jogo. “Se eu colocar 11 contra 11 nessa mesma dimensão, com jogadores de 10 anos, eles também vão ter que cuidar do mesmo espaço, e isso é um crime”. O preparador afirma ainda que pouco mudou durante seus 13 anos de carreira. “Houve pouca mudança na consciência ao longo dos anos. Existe a naturalização da situação nas categorias no futebol, isso dificulta o entendimento dos profissionais, dos pais, além da falta de fiscalização”.
Jogo sem juiz
Com a falta de consciência dos clubes, da família e do Estado, há um abuso e cobrança excessiva. As categorias de base são precárias e submetem os atletas a uma rotina diária intensa de exercícios e fortes atividades físicas. A maioria dos garotos fica longe de suas famílias, impedidas do convívio social, concentrando e dedicando a maior parte do tempo ao futebol.
“Tudo na vida deve ser feito de forma ponderada e equilibrada. A criança tem o direito de ser simplesmente criança, o que significa dizer que tem que estudar, brincar, praticar o esporte que lhe confira prazer e aprendizado, sem a necessidade de que isso se torne a sua profissão no futuro”, afirma Cândice.
Para Martorelli, um outro problema “é a necessidade de o atleta de futebol se profissionalizar cada vez mais cedo, então os clubes se antecipam cada vez mais”. Para o ex-jogador , é preciso também explicar aos pais os riscos da carreira e as mínimas chances de se profissionalizar. Além disso, essa visão e aceitação social é histórica e difícil de ser rompida, pois não há discussão a respeito dos problemas e desafios de uma criança ou adolescente atleta. “Essa situação se dá pela falta de visão social do clube, que não está preocupado e sequer sabe da obrigatoriedade da criança na escola, além da falta de fiscalização total do Ministério Público e dos órgãos competentes”.
A procuradora do trabalho também concorda que é difícil quebrar a visão social naturalizada a respeito de trabalho infantil nas categorias de base. “O que se vê é simplesmente o sonho e a prática do esporte como lazer, não sendo de fácil entendimento que por trás disso há grandes interesses, muito dinheiro e pessoas que desejam descobrir o próximo craque a qualquer custo”. Porém, Arósio afirma que há clubes que seguem rigorosamente o que dispõe a lei Pelé, cumprindo com todas as formalidades necessárias. “Há os que já cumprem e que já passaram por inspeções pelo MPT, principalmente em estados com maior tradição, como São Paulo e Paraná”.
promenino
“É uma sobrecarga terrível que afeta os desenvolvimentos físico e psicológico. Estes garotos perdem a infância e a adolescência, uma fase importante da vida, de formação”, afirma o ex-jogador e atual presidente do Sindicato dos Atletas de São Paulo, Rinaldo Martorelli. “Há uma total descompensação, pois um garoto de 14 anos queima etapas de formação de caráter, desenvolvimento físico e psicológico, e também de pensamento crítico, isso sem considerar o aspecto educacional”.
Há vários prejuízos que podem ser verificados como lesão ao direito à educação e à convivência comunitária, excesso de carga nos treinamentos, alojamentos em péssimas condições, ausência de formalização dos contratos do atleta não profissional em formação e não pagamento de bolsa aprendizagem, tráfico nacional e internacional de pessoas, além da suscetibilidade para ocorrência de crimes sexuais, como exemplifica a procuradora do trabalho Cândice Arósio, representante da Coordenadoria de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância) no Mato Grosso do Sul. “As situações mais graves são a falta de cuidado com a saúde desse adolescente, que muitas vezes vem de longe, não se alimenta direito, faz uso de substâncias desconhecidas no afã de se tornar um jogador de futebol, além da grande pressão psicológica imposta pelos pais e pelos agentes”.
De acordo com o preparador físico do Centro de Formação de Atletas (CFA) do São Paulo Futebol Clube, Rodrigo Pignataro, a rotina de treinos ideal para crianças e adolescentes que ingressam na carreira futebolística aos 10 e 11 anos de idade deve ser de forma lúdica e que desenvolva habilidades como reflexo, corrida e lógica, e que seja uma vez por semana, com um jogo no fim de semana. Aos 12 e 13, os treinos passam a ser com a frequência de duas vezes por semana. E a partir dos 14, os treinos passam a ser gradativamente mais parecidos com os dos profissionais.
“Dentro dos perfis fisiológico e psicológico, de forma saudável, os garotos só podem treinar por uma hora e meia e são treinos diferenciados, de iniciação lúdica desportiva, como garante a Lei Pelé e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”, explica o preparador físico. “Não há cobrança de resultado nos treinos e nos jogos. Eles sabem que precisam acertar, ninguém chuta uma bola para o gol querendo errar, então conversamos e a criança aponta o que ela fez de errado e o que ela precisa fazer para melhorar”, exemplifica.
Outro ponto a ser destacado são as adaptações do esporte para as crianças e adolescentes. No CFA do clube paulista, por exemplo, os campos são adaptados para as categorias sub-14, que não disputam campeonato. Segundo Pignataro, um jogador profissional corre entre nove e 11 quilômetros durante os 90 minutos de uma partida e cuida de uma área de 200 metros quadrados dentro de um jogo. “Se eu colocar 11 contra 11 nessa mesma dimensão, com jogadores de 10 anos, eles também vão ter que cuidar do mesmo espaço, e isso é um crime”. O preparador afirma ainda que pouco mudou durante seus 13 anos de carreira. “Houve pouca mudança na consciência ao longo dos anos. Existe a naturalização da situação nas categorias no futebol, isso dificulta o entendimento dos profissionais, dos pais, além da falta de fiscalização”.
Jogo sem juiz
Com a falta de consciência dos clubes, da família e do Estado, há um abuso e cobrança excessiva. As categorias de base são precárias e submetem os atletas a uma rotina diária intensa de exercícios e fortes atividades físicas. A maioria dos garotos fica longe de suas famílias, impedidas do convívio social, concentrando e dedicando a maior parte do tempo ao futebol.
“Tudo na vida deve ser feito de forma ponderada e equilibrada. A criança tem o direito de ser simplesmente criança, o que significa dizer que tem que estudar, brincar, praticar o esporte que lhe confira prazer e aprendizado, sem a necessidade de que isso se torne a sua profissão no futuro”, afirma Cândice.
Para Martorelli, um outro problema “é a necessidade de o atleta de futebol se profissionalizar cada vez mais cedo, então os clubes se antecipam cada vez mais”. Para o ex-jogador , é preciso também explicar aos pais os riscos da carreira e as mínimas chances de se profissionalizar. Além disso, essa visão e aceitação social é histórica e difícil de ser rompida, pois não há discussão a respeito dos problemas e desafios de uma criança ou adolescente atleta. “Essa situação se dá pela falta de visão social do clube, que não está preocupado e sequer sabe da obrigatoriedade da criança na escola, além da falta de fiscalização total do Ministério Público e dos órgãos competentes”.
A procuradora do trabalho também concorda que é difícil quebrar a visão social naturalizada a respeito de trabalho infantil nas categorias de base. “O que se vê é simplesmente o sonho e a prática do esporte como lazer, não sendo de fácil entendimento que por trás disso há grandes interesses, muito dinheiro e pessoas que desejam descobrir o próximo craque a qualquer custo”. Porém, Arósio afirma que há clubes que seguem rigorosamente o que dispõe a lei Pelé, cumprindo com todas as formalidades necessárias. “Há os que já cumprem e que já passaram por inspeções pelo MPT, principalmente em estados com maior tradição, como São Paulo e Paraná”.
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quinta-feira, 9 de maio de 2013
Oficina mobiliza empresas contra exploração sexual de crianças e adolescentes
"As empresas podem contribuir com a erradicação da exploração sexual de crianças e adolescentes?" "Como inserir a questão nas agendas do mundo corporativo?" Essas e outras questões de mesma natureza foram pensadas durante a primeira oficina da Campanha contra a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes realizada pela ONG Terra dos Homens, com apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, no último dia 3 de maio, em São Paulo.
Segundo a integrante da ONG Terra dos Homens e coordenadora do projeto, Vera Cristina de Souza, “o grande objetivo do encontro é fazer com que as empresas pensem formas de levar o tema para sua agenda de trabalho de forma contínua, com a proposição de ações”.
A oficina reuniu cerca de 20 representantes de empresas e instituições, como a construtora Camargo Corrêa e as redes de hotéis Accor e Meliá; entre as atividades, um momento de debate sobre possíveis ações e o compartilhamento de atividades já praticadas. A Petrobrás, por exemplo, têm entre seus critérios de contratação de fornecedores a existência de ações no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes.
Outra experiência apontada como exemplar é do grupo Mil, detentor de uma rede de supermercados e indústrias, na região serrana do Rio de Janeiro. Vera Cristina explica que o grupo prevê ações aos trabalhadores, clientes e à comunidade: “os colaboradores recebem workshop sobre a temática no horário do almoço; os clientes entram em contato com o logo da Faça Bonito [campanha de proteção à crianças e adolescentes] e com o telefone do disque denúncia ao levar as sacolinhas do estabelecimento; e, para a comunidade, há uma mobilização com encontros e seminários com a participação do sistema de garantia de direitos", pontua.
A construtora Camargo Corrêa, uma das maiores empresas do setor de construção civil pesada, há anos realiza espaços de sensibilização em suas obras. A analista de responsabilidade social e representante da companhia, Letícia Morais Silveira Santos, conta que a construtora possui o programa “Grandes Obras pela Infância” direcionado aos colaboradores e ao público externo. Segundo Letícia, internamente é feito um trabalho de educação e sensibilização e, externamente, em parceria com o Instituto Camargo Corrêa, é feito o aporte de recursos para o fortalecimento da rede de proteção.
A Campanha contra a Exploração Sexual de Crianças e Adolescente da ONG Terra dos Homens também realiza ações com os trabalhadores de obras. Vera Cristina relata que em uma das atividades de sensibilização, realizada em Porto Velho, percebeu uma questão equivocada relacionada à percepção que se tem sobre a adolescência das meninas por parte dos operários: "Embora eles reconheçam a necessidade de uma infância protegida, acreditam que, após essa fase, a menina já é mulher e pode ter qualquer tipo de relacionamento sexual", explica.
Para reverter o cenário, Vera Cristina acredita nas ações de conscientização. "A informação, nesse caso, é muito importante, pois se nota que eles não têm a leitura da violação, da violência", pondera a coordenadora.
A iniciativa de mobilização do setor empresarial para o combate à exploração sexual veio do III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes realizado em 2008 no Rio de Janeiro. A partir daí criou-se uma declaração de compromisso para o engajamento das empresas com ações no combate ao enfrentamento da violência sexual. Até agora, há 140 signatários sendo quase 100 no estado do Rio de Janeiro.
A Campanha busca agora engajar empresas de outros estados. Em São Paulo, ocorrerá uma segunda oficina em 19 de julho e está prevista uma terceira para encerramento dos trabalhos. Em julho, também será realizado um encontro em Brasília que reunirá as empresas do norte, nordeste e centro-oeste do país.
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quarta-feira, 27 de março de 2013
Debate em São Paulo discute os impactos negativos da publicidade infantil
Preocupados com a influência da publicidade em torno de crianças e adolescentes, a série de encontros mensais Primaveras – diálogos sobre ativismo, democracia e sustentabilidade promoveu, no último dia 20 de março, o debate Publicidade Infantil: João e Maria na Terra Sem Lei.
Fazendo alusão aos contos infantis, o coordenador de comunicação do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), Adriano Calhau, abriu a noite na Matilha Cultural, em São Paulo, com um texto autoral sobre os personagens João e Maria vivendo em meio às chamadas junkies foods (lanche, salgadinho, fritura) e os massivos ataques da publicidade direcionada às crianças.
Em forma de roda, o debate contou com as participações dos cineastas, Tadeu Jungle e Estela Renner, autora de importantes filmes sobre a relação de crianças com o consumo. Segundo especialistas, além de problemas como estresse familiar, adultização, erotização e sexualidade precoces, e outros fatores nocivos, o aumento da ideia do “ter para ser” se torna cada vez mais pertinente na sociedade contemporânea.
Crianças, a Alma do Negócio (2008) e o mais recente lançamento da diretora, Muito Além do Peso (2012), trazem depoimentos e fatos chocantes sobre essa relação desigual e seus malefícios, como o aumento da obesidade infantil no Brasil, doença que assombra mais de um terço das crianças.
Outro dado interessante é que 56 por cento dos bebês com menos de um ano já tomaram refrigerante. A pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), feita em 2011 pelo Ministério da Saúde, revelou que a proporção de obesos subiu de 11,4 por cento para 15,8 por cento entre 2006 e 2011. A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), de 2009, apontou que 21,7 por cento dos brasileiros que têm entre 10 e 19 anos apresentam excesso de peso; em 1970 esse índice era de 3,7 por cento. Segundo os dados, 1,14 por cento das mulheres e 0,44 por cento dos homens apresentam obesidade grave, o que representa 0,8 por cento da população. Ao todo, há 14,8 milhões de brasileiros obesos, número equivalente a quase metade dos obesos dos Estados Unidos.
“Um dos objetivos do filme, e tem a ver com ativismo sim, é provocar as pessoas individualmente”, explica a diretora. “É isso que a gente quer para nossos filhos?”, questiona. Além disso, os filmes se tornam cada vez mais pertinentes por comprovar que a sociedade está sofrendo excessos, mas não está totalmente consciente disso. “Tem um segmento gigantesco de médicos, nutricionistas, psicólogos e afins preocupados com as famílias e suas geladeiras. Nesse sentido, o filme surge como ferramenta para utilização em qualquer espaço formativo e educativo", explica Estela.
Apesar da formação de publicitário, Jungle é consciente da causa e reflete sobre os caminhos saudáveis que podem ser adotados e a relevância da produção de conteúdos audiovisuais como ferramenta para ativistas. “Eu vejo o mundo atual cada vez mais conectado, com pessoas mais ativas enquanto indivíduos. Uma pedrinha atirada na margem de um lago reverbera-o por inteiro. Essa é a importância do audiovisual, da internet e de pessoas interessadas”.
O debate foi organizado por cinco grupos que se dedicam a temáticas e causas sociais: o Instituto Democracia e Sustentabilidade; o espaço Matilha Cultural; as revistas Página 22 e Outras Palavras e a Escola de Ativismo. E contou com a cobertura online realizada pela Pós TV.
Retrocesso político
Para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a publicidade parece não atingir a sociedade. Indo contra dados e fatos, o governante novamente vetou mais um projeto de lei, aprovado pela Assembleia Legislativa, relacionado à venda de alimentos para crianças.
O projeto 1.096/2011, do deputado estadual Alex Manente (PPS), foi interpretado pelo governador como inconstitucional. Alckmin também afirma falta de competência do Estado em legislar a propaganda comercial. No fim de janeiro, o governante já havia vetado o projeto de lei apresentado pelo deputado estadual Rui Falcão (PT), que restringia a publicidade de alimentos não saudáveis em escolas e, das 6 às 21 horas, nas rádios e TVs (PL 193/2008).
“Fazer uma contrapropaganda é uma forma de ativismo legal. É mais fácil queimar a imagem de uma marca do que tentar fazer valer um projeto de lei”, sugere Estela Renner. “Temos o outro lado da historia, a nossa historia, que podemos contar na web e de forma audiovisual”, concorda Tadeu Jungle.
O diretor, porém, faz uma ressalva. “A ideia não é vilanizar o produto, mas direcioná-lo ao público certo. Crianças jamais devem fazer parte desse público, porque elas fantasiam e não têm discernimento do que é real ou não".
Em nota pública, o Instituto Alana (apoiador da causa e de iniciativas contra os excessos da propaganda voltada ao público infantil) aponta que “faltou, mais uma vez, vontade política para enfrentar com coragem a necessidade de regulação do abusivo marketing de alimentos 'junkie food' direcionados às crianças”. A ONG também apoiou a cineasta na produção de seus dois documentários.
promenino
sexta-feira, 15 de março de 2013
Artista expõe o ECA em forma de quadrinhos para crianças e adolescentes
Quadrinhos foi a forma que a artista Viviane Scarabelo encontrou para orientar crianças e adolescentes sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 23 desenhos feitos com nanquim, lápis de cor, aquarela e acrílica estão expostos até o dia 23 de março na Divisão de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, em São Paulo.
A exposição Estatuto da Criança e Adolescente em Quadrinhos mostra de forma simples e de fácil entendimento os conceitos do ECA. Scarabelo, que também é presidente do Conselho Tutelar de Bauru – Região II, afirmou ser gratificante poder agregar arte e conhecimento, e que sua intenção é que que os alunos da rede pública e municipal tenham acesso às obras, que estarão expostas na Gibiteca da cidade.
Além da exposição, outras atividades estão programadas para março, como oficinas, visitas e lançamento de livros. Mais informações para as atividades e agendamentos podem ser feitos pelo telefone (14) 3235 1312 ou pelo email bibliotecacentral@bauru.sp.gov.br.
Confira a programação completa:
12/03
- Homenagem Dia do Bibliotecário
(Café da manhã e exibição do documentário “Bibliotecário”, do Canal Espaço Documentários)
Local: Biblioteca Municipal “Rodrigues de Abreu” – Av. Nações Unidas, 8-9
Horário: 8h - Livre
- Exposição “Estatuto da Criança e Adolescente em Quadrinhos”
(23 desenhos com técnicas de nanquim, lápis de cor, aquarela e acrílica da artista plástica Viviane Scarabelo)
Local: Gibiteca Municipal “Aucione Torres Agostinho” - Av. Nações Unidas, 8-9
Período: 05 a 23 de março
Horário: 8h às 17h
Parceria: Conselho Tutelar
- Visita Escolar na Biblioteca Municipal “Rodrigues de Abreu”
Escola: EMEF Dirce Boemer Guedes de Azevedo
Horário: 9h e 14h
Número de Alunos: 30 (manhã) e 30 (tarde)
Faixa Etária: 6 anos
Parceria: Secretaria de Educação
- Oficina de Crochê e Tricô
Local: Biblioteca Ramal Geisel – Rua Alziro Zarur, 5-8
Horário: 15h – Livre
promenino
quarta-feira, 6 de março de 2013
Crianças participam de 80% das decisões de compra da família, aponta instituto
De acordo com um levantamento do Instituto Alana, as crianças chegam a participar de 80% das decisões de compra em uma família. Os dados estatísticos apontam que em 60% das compras de automóveis, por exemplo, as crianças são consultadas. Os dados foram apresentados hoje (5) na abertura dos seminários Infância e Comunicação: Marcos Legais e Políticas Públicas, na Câmara dos Deputados.
"Daí a importância desse público ser visto como influenciador e promotor de vendas", explicou o advogado da área de Defesa do Instituto Alana, Pedro Hartung. Ao longo do dia, três meses de debate ainda vão discutir classificação indicativa e proteção da imagem da criança e do adolescente na mídia na Câmara.
Foi realizada nessa terça-feira, dia 05 de março, no Congresso Nacional, a abertura do evento Infância e Comunicação: Marcos Legais e Políticas Públicas, que debaterá a publicidade infantil, a classificação indicativa e a proteção da imagem da criança e do adolescente na mídia. O encontro acontece das 9h às 18h e contará com a presença de especialistas nacionais e internacionais, além de parlamentares identificados com a agenda temática.
O evento acontece no momento em que pautas como classificação indicativa e publicidade infantil estão ganhando destaque e visibilidade em função da crescente influência da mídia nas sociedades contemporâneas, em especial junto ao público infanto-juvenil. Por isso, a necessidade constante de aperfeiçoamento dos marcos legais e políticas públicas referentes ao setor.
Com informações da Agência Brasil
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Disque 100 recebeu mais de 120 mil denúncias de violação de direitos de crianças e adolescentes
Brasília - De janeiro a novembro deste ano, 77% das denúncias registradas por meio do Disque 100 são relativas a violação de direitos humanos de crianças e adolescentes. Foram 120.344 denúncias. As meninas correspondem a mais da metade (57%) das vítimas, principalmente na faixa etária de 8 a 14 anos. Além disso, 61% desses registros são relacionados a crianças e adolescentes pretos e pardos.
Segundo números divulgados hoje (10) pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), responsável pelo serviço de denúncias por telefone, nos noves meses deste ano foram registrados, ao todo, 155.336 casos, relacionados também à violação de direitos de idosos, de pessoas com deficiência, entre outros.
Para a ministra da SDH, Maria do Rosário, a elevada incidência de denúncias ligadas a crianças e adolescentes é explicada, em parte, pela vulnerabilidade dessa população diante dos agressores. Ela acredita que o aumento do número de denúncias tenha ligação com o fato de o serviço ter sido lançado em 2003, com o monitoramento exclusivo da violência contra crianças e adolescentes.
“Não tenho nenhuma dúvida que, no Brasil de hoje, temos que estar dedicados à proteção das crianças para que elas não sofram violência”, disse, lembrando que o governo federal começa a pagar, mensalmente, os recursos da expansão do Brasil Carinhoso. A ação integra o Plano Brasil sem Miséria e complementa a renda das famílias extremamente pobres de forma que todos os integrantes superem o patamar de renda de R$ 70 mensais.
“Dessa forma, estamos alcançando em termos de renda mais 8,1 milhões de crianças no país, que estão saindo da situação de miséria extrema. Aliamos a renda e o atendimento para enfrentarmos a violência”, disse.
A secretária nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Angélica Goulart, destacou que, para enfrentar o problema, o governo federal está trabalhando para fortalecer os conselhos tutelares pelo país. A partir de março de 2013, os conselhos receberão novos equipamentos, como carros, computadores com acesso à internet, celulares e impressoras.
“Inicialmente, 500 conselhos vão receber os equipamentos para poder aplicar melhor as medidas de proteção a todas as crianças e adolescentes”, disse, acrescentando que a medida será estendida, progressivamente, a outros conselhos tutelares. Ao todo, essas unidades somam 5.900 no país.
Foram registradas entre janeiro e novembro deste ano 21.404 denúncias de violação de direitos dos idosos, o que corresponde a 13,8% do total; 7.527 denúncias relacionadas aos direitos das pessoas com deficiência, representando 4,8% do total; 2.830 contra a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros), ou 1,8% do total; 489 contra população em situação de rua (0,3%) e 1.603 contra outras populações em situação de vulnerabilidade, que engloba quilombolas, indígenas, ciganos entre outros (1,8%).
Desde maio de 2003, quando o Disque 100 passou a ser operado pelo governo federal, foram recebidas 396.693 denúncias. O serviço funciona 24 horas, todos os dias da semana, incluindo domingos e feriados. A ligação é gratuita e pode ser feita de qualquer telefone em todo o território nacional.
As denúncias de violações de direitos humanos são examinadas e encaminhadas para os órgãos responsáveis, entre eles o Ministério Público, as defensorias públicas nos estados e os conselhos estaduais do idoso, para apuração e providências.
A partir do ano que vem, o Disque 100 vai registrar denúncias de tortura em prisões.
Fonte: Agência Brasil - 10/12/2012
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sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Ideb: notas de escolas em áreas pacificadas foram as que mais cresceram
RIO - Policiais fardados no pátio e dentro das salas de aula não são um sinal de insegurança na Escola Municipal Pedro Aleixo, na Cidade de Deus. Muito pelo contrário: são eles os responsáveis pelas aulas de música e capoeira que atraem cada vez mais a atenção de estudantes. A unidade é uma das que impulsionaram o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de colégios da prefeitura localizados em regiões pacificadas. Levantamento feito pelo GLOBO mostra que as 24 escolas que oferecem do 1º ao 5º ano do ensino fundamental (primeiro segmento) nessas áreas tiveram um crescimento médio de 11,8% nas notas entre 2009 e 2011, passando de 4,48 para 5,01. As 90 em locais ainda sob o domínio do tráfico ou da milícia evoluíram 6,8% (de 4,72 para 5,04) no período. A melhoria nas notas das outras 592 escolas foi de 7,7% (5,2 para 5,6).
No segundo segmento (6º ao 9º ano), o crescimento é mais claro. Os oito colégios em áreas pacificadas registraram um aumento médio de 42,8% nas notas do Ideb, que subiram de 2,8 para 4. As 31 unidades em áreas conflagradas cresceram 28,2% (3,15 para 4,04). Uma evolução maior que a do restante da rede (332 escolas), de 25% (3,6 para 4,5). A nota do Ideb leva em conta provas de português e matemática e taxas de aprovação.
- Fica evidente que a pacificação ajuda e muito as escolas. Os relatos de diretores, além das próprias notas, mostram isso. Mas também é motivo de comemoração o fato de termos tido, no segundo segmento, por exemplo, um aumento do Ideb superior ao do restante da rede, mesmo em áreas que ainda sofrem com a violência. Tanto as unidades em locais pacificados quanto aquelas que ainda sofrem com a violência têm desde 2009 ações de reforço do projeto Escolas do Amanhã - diz a secretária municipal de Educação, Claudia Costin.
Queda na evasão também foi constatada
Um outro fator que chama a atenção nos colégios em regiões pacificadas é a queda da evasão escolar. No primeiro segmento, de 24 unidades, 14 conseguiram reduzir os índices de abandono de alunos entre 2009 e 2011, e duas mantiveram as taxas estáveis. No segundo segmento, de oito, cinco diminuíram o percentual de alunos que deixam as salas de aula ao longo do ano letivo. O caso da Pedro Aleixo, na Cidade de Deus, é emblemático: no primeiro segmento, o abandono saiu de 18% em 2009 para 3,1% no ano passado.
- A violência dificultava muito a frequência. Sempre que havia conflitos os pais ficavam receosos. Hoje não vemos mais pessoas armadas no entorno - destaca a diretora da Pedro Aleixo, Patrícia Pacini.
O mesmo aconteceu no Ciep Presidente João Goulart, no Andaraí. A taxa de abandono entre 2009 e 2011 no primeiro segmento caiu para menos da metade: de 5,8% para 2,4%. A unidade também foi uma das que mais evoluíram no Ideb, saindo de uma nota de 3,1 para 4,5. Com estudantes do Morro dos Macacos e do Complexo do Andaraí, que eram comunidades rivais, a diretora da escola, Ana Maria dos Reis, conta que alguns atritos entre alunos desapareceram após a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) em 2010 nos dois morros:
- Para reduzir a evasão, também passamos a trabalhar em conjunto com o conselho tutelar e os pais ou responsáveis pelas crianças para descobrir os motivos das faltas e como evitá-las.
Ao mesmo tempo, as unidades do projeto Escolas do Amanhã se destacaram no ranking do Ideb mesmo em áreas não pacificadas. O Ciep Heitor Villa Lobos, em Antares, na Zona Oeste, registrou um dos melhores desempenhos no primeiro segmento de toda a rede municipal: saiu de 3,9 em 2009 para 6,6 em 2011. A nota supera a média da capital do país que melhor se saiu no índice (Florianópolis, com 6). O Rio teve média geral de 5,4, ficando na sexta posição.
- Trabalho na escola desde 1986 e sou diretora desde 1990. A maior parte de nossa equipe está aqui há muito tempo, todos vestiram a camisa mesmo. O Ciep não perdeu as suas características originais: funciona desde a inauguração em sistema de horário integral - diz a diretora Luzinete Costa dos Santos.
A secretária Claudia Costin reforça a importância do projeto Escolas do Amanhã para auxiliar na tarefa de educadores em áreas violentas:
- Temos vários elementos importantes no projeto: oficinas de reforço escolar, artes e esporte; um programa de ciências com abordagem interdisciplinar; iniciativas culturais organizadas pelos próprios alunos, além de toda a capacitação que realizamos para desfazer bloqueios cognitivos que advêm de exposição à violência. As mães educadoras, que ficam nas escolas para dar apoio, e a presença de coordenadores em mediação de conflitos também foram muito importantes.
Massa Online
No segundo segmento (6º ao 9º ano), o crescimento é mais claro. Os oito colégios em áreas pacificadas registraram um aumento médio de 42,8% nas notas do Ideb, que subiram de 2,8 para 4. As 31 unidades em áreas conflagradas cresceram 28,2% (3,15 para 4,04). Uma evolução maior que a do restante da rede (332 escolas), de 25% (3,6 para 4,5). A nota do Ideb leva em conta provas de português e matemática e taxas de aprovação.
- Fica evidente que a pacificação ajuda e muito as escolas. Os relatos de diretores, além das próprias notas, mostram isso. Mas também é motivo de comemoração o fato de termos tido, no segundo segmento, por exemplo, um aumento do Ideb superior ao do restante da rede, mesmo em áreas que ainda sofrem com a violência. Tanto as unidades em locais pacificados quanto aquelas que ainda sofrem com a violência têm desde 2009 ações de reforço do projeto Escolas do Amanhã - diz a secretária municipal de Educação, Claudia Costin.
Queda na evasão também foi constatada
Um outro fator que chama a atenção nos colégios em regiões pacificadas é a queda da evasão escolar. No primeiro segmento, de 24 unidades, 14 conseguiram reduzir os índices de abandono de alunos entre 2009 e 2011, e duas mantiveram as taxas estáveis. No segundo segmento, de oito, cinco diminuíram o percentual de alunos que deixam as salas de aula ao longo do ano letivo. O caso da Pedro Aleixo, na Cidade de Deus, é emblemático: no primeiro segmento, o abandono saiu de 18% em 2009 para 3,1% no ano passado.
- A violência dificultava muito a frequência. Sempre que havia conflitos os pais ficavam receosos. Hoje não vemos mais pessoas armadas no entorno - destaca a diretora da Pedro Aleixo, Patrícia Pacini.
O mesmo aconteceu no Ciep Presidente João Goulart, no Andaraí. A taxa de abandono entre 2009 e 2011 no primeiro segmento caiu para menos da metade: de 5,8% para 2,4%. A unidade também foi uma das que mais evoluíram no Ideb, saindo de uma nota de 3,1 para 4,5. Com estudantes do Morro dos Macacos e do Complexo do Andaraí, que eram comunidades rivais, a diretora da escola, Ana Maria dos Reis, conta que alguns atritos entre alunos desapareceram após a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) em 2010 nos dois morros:
- Para reduzir a evasão, também passamos a trabalhar em conjunto com o conselho tutelar e os pais ou responsáveis pelas crianças para descobrir os motivos das faltas e como evitá-las.
Ao mesmo tempo, as unidades do projeto Escolas do Amanhã se destacaram no ranking do Ideb mesmo em áreas não pacificadas. O Ciep Heitor Villa Lobos, em Antares, na Zona Oeste, registrou um dos melhores desempenhos no primeiro segmento de toda a rede municipal: saiu de 3,9 em 2009 para 6,6 em 2011. A nota supera a média da capital do país que melhor se saiu no índice (Florianópolis, com 6). O Rio teve média geral de 5,4, ficando na sexta posição.
- Trabalho na escola desde 1986 e sou diretora desde 1990. A maior parte de nossa equipe está aqui há muito tempo, todos vestiram a camisa mesmo. O Ciep não perdeu as suas características originais: funciona desde a inauguração em sistema de horário integral - diz a diretora Luzinete Costa dos Santos.
A secretária Claudia Costin reforça a importância do projeto Escolas do Amanhã para auxiliar na tarefa de educadores em áreas violentas:
- Temos vários elementos importantes no projeto: oficinas de reforço escolar, artes e esporte; um programa de ciências com abordagem interdisciplinar; iniciativas culturais organizadas pelos próprios alunos, além de toda a capacitação que realizamos para desfazer bloqueios cognitivos que advêm de exposição à violência. As mães educadoras, que ficam nas escolas para dar apoio, e a presença de coordenadores em mediação de conflitos também foram muito importantes.
Massa Online
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Adolescente detido por tráfico pela 1ª vez não deve ser internado, decide STJ
AFONSO BENITES
Após julgar centenas de casos de menores de idade apreendidos por tráfico de drogas, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) fixou regra que deve reduzir a internação de adolescentes por esse motivo.
A súmula 492, publicada na quinta-feira passada, determina que, se o adolescente for detido por tráfico e não tiver passagem pelo crime na polícia, não deve, obrigatoriamente, ficar apreendido.
A medida, segundo especialistas, visa frear uma prática comum no meio judiciário e que, para alguns deles, afronta o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
A lei prevê que a internação só deve acontecer em três ocasiões: quando o ato infracional (o crime) for cometido mediante violência ou grave ameaça, se houver reiteração ou se o jovem descumprir medida disciplinar anterior.
Hoje, porém, é comum juízes internarem jovens detidos por tráfico que nunca haviam cometido outro crime.
"Muitos dos adolescentes apreendidos traficam para manter o próprio vício. O juiz acha que deixá-lo internado é dar uma resposta à sociedade e é a melhor maneira de tratá-lo", afirmou o desembargador Antonio Carlos Malheiros, coordenador de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo.
No Estado de SP, os detidos por tráfico representam 42,7% da população de internos. Segundo a Fundação Casa (antiga Febem), nos últimos seis anos, o tráfico foi o principal motivo do aumento da lotação.
"Juízes, principalmente do interior do Estado, sentem-se pressionados pela sociedade e preferem internar o jovem em vez de tratá-lo", afirma a presidente da Fundação Casa, Berenice Gianella.
Para o coordenador de Infância e Juventude da Defensoria Pública paulista, Diego Vale de Medeiros, a medida deverá reduzir em cerca de 30% a superlotação da Fundação Casa. Hoje, há 8.934 jovens internados no Estado.
'PASSE LIVRE'
Para o procurador de Justiça Marcio Sergio Christino, a súmula do STJ é um "passe livre" para o tráfico. "Vai ficar mais fácil para o traficante contratar esse adolescente para trabalhar como vendedor. Só basta dizer que ele não vai ser punido e, pronto, seu negócio será mantido."
Como a súmula do STJ não é vinculante --ou seja, ela não obriga os juízes a tomarem decisão igual ao do tribunal superior--, o juiz ainda poderá determinar a internação do acusado por tráfico.
"Mas a argumentação dele deverá ser mais embasada, já que sua decisão será alterada quando chegar ao STJ", afirmou o defensor Medeiros.
A pressão para não internar o menor detido por tráfico pela primeira vez fará com que juízes busquem outras medidas socioeducativas, como liberdade assistida e prestação de serviço comunitário.
GRUPOS
Apesar de não haver um estudo que mostre quem é o jovem que foi apreendido por tráfico em São Paulo, profissionais que lidam com esses adolescentes ou com seus processos judiciais os dividem em dois grupos.
Um é o que busca no tráfico uma maneira de sustentar o seu próprio vício. É o caso do jovem que usa crack e se torna microtraficante para garantir que terá a sua droga no dia seguinte.
O outro grupo é o do jovem que busca no tráfico uma maneira de obter dinheiro rapidamente.
"É aquela coisa típica de jovem que, para se fazer presente dentro de seu meio, quer estar com uma roupa de marca, com uma moto nova e por aí vai", afirmou a presidente da Fundação Casa, Berenice Gianella.
Pablo, hoje com 18 anos, está nesse segundo grupo. Ele ficou seis meses internado por tráfico de drogas na Grande São Paulo.
"Via os traficantes do meu bairro com carros do ano, roupas de marca e eu também queria. Mas minha família não tinha condição de me dar. Por isso, achei que traficar era a melhor saída. Me enganei", afirmou.
Solto no ano passado, o rapaz se tornou office-boy.
Folha Uol
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