Deputado federal suplente, Nelson Nahim, foi condenado por estupro e outros crimes / Divulgação
Vereadores, empresários e homens da alta sociedade estão presos no Complexo de Bangu
O irmão do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, Nelson Nahim, que é ex-vereador de Campos de Goytacazes, está preso junto com outros políticos locais pelos crimes de estupro e submissão de criança e adolescentes à prostituição e exploração sexual. Eles estão no Complexo de Bangu, no Rio de Janeiro.
Os quatro políticos e outras dez pessoas, incluindo um policial militar, foram condenados pelo caso que ficou conhecido como “As Meninas de Guarus”, investigado desde 2009, mas nenhum dos acusados tinha sido preso até junho passado.
Cerca de 12 crianças e adolescentes entre 8 e 16 anos de idade foram mantidas presas em uma casa, localizada em Guarus, distrito de Campos, onde eram obrigadas fazer sexo com homens adultos e a consumir drogas, como cocaína, haxixe, crack, ecstasy e maconha.
A sentença foi divulgada, no mês passado, pela juíza Daniela Barbosa Assunção, da terceira Vara Criminal de Campos, após 17 juízes se declararem suspeitos para julgar o caso, justamente por envolver figurões de cidade. “A juíza veio do Espírito Santo, veio escoltada, quase em uma operação de guerra, para julgar o caso”, conta a professora Odisséia Carvalho, que na época era vereadora (PT), e foi uma das pessoas que denunciou o caso e batalhou para que fosse investigado.
Nelson Nahim, que nesse momento é deputado federal suplente (PSD-RJ), foi apontado como um dos integrantes da rede pedofilia por uma das vítimas, uma adolescente de 15 anos, com quem manteve relação por diversas vezes. Ele também foi acusado de ameaçar uma das vítimas, para não revelar o esquema.
Segundo Odisséia Carvalho, essa organização criminosa atuou durante pelo menos 3 anos seguidos. “O chefão da rede, conhecido como Alex, chegou a construir uma pousada, onde eram feitos os ‘atendimentos’. Inclusive os materiais de construção fornecidos em troca de sexo com as crianças e adolescentes”, afirma a professora.
As crianças chegaram a fazer 30 programas por dia. Muitas vezes com o nariz sangrando, devido ao uso de cocaína. Duas dela morreram em 2009. Uma das meninas, de 12 anos, fugiu e procurou a mãe. Ela tinha presenciado a morte de uma criança de 8 e outra de 12 anos, que tinham se recusado a fazer sexos com os comerciantes Thiago Calil e Fabricio Calil, segundo informações delacionadas às investigações.
As duas tinham sido estupradas, em uma visita anterior dos dois homens. Muito machucadas, as crianças se recusaram a praticar o ato sexual e foram obrigadas a cheiras cocaína até a morte por overdose. “Uma espécie de punição, para servir de exemplo”, relata a ex-vereadora Odisséia Carvalho.
O caso que só foi denunciado porque uma das vítimas conseguiu fugir do cativeiro. A casa tinha as portas e janelas trancadas com correntes e cadeados e era vigiada por homens armados. Os clientes eram políticos, empresários e homens ricos e influentes de Campos Goytacazes.
Algumas dessas crianças vinham de casas-abrigos do Conselho Tutelar de Campos e muitas eram de outros estados, como Minas Gerais e Espírito Santo. “Algumas delas estavam em listas de desaparecidas, vítimas de tráfico de pessoas”, explica Odisséia.
Os condenados recorreram da decisão da juíza e agora, presos, esperam novo julgamento.
A reportagem procurou o escritório Bergher & Mattos Advogados Associados, que faz a defesa de Nelson Nahim, mas não foi atendida.
Fonte: Brasil de Fato
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segunda-feira, 4 de julho de 2016
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Traficantes invadem piscina de vila olímpica no Rio
Polícia Civil investiga quem são os criminosos que aparecem exibindo fuzis em uma piscina da Vila Olímpica Félix Mielli Venerando
Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga quem são os criminosos que aparecem exibindo fuzis em uma piscina da Vila Olímpica Félix Mielli Venerando, em Honório Gurgel, na Zona Norte do Rio. Uma foto obtida por agentes da 39ª DP (Pavuna) e divulgada pelo jornal fluminense Extra mostra três criminosos submersos segurando fuzis fora d'água.
De acordo com investigadores, a foto foi feita há uma semana e mostra traficantes que seriam do Complexo da Pedreira e teriam tomado a comunidade de Proença Rosa há duas semanas. Os agentes tiveram acesso a uma gravação de áudio em que um homem, identificado pela polícia como Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, que seria chefe do tráfico no Morro da Pedreira, cita a vila olímpica e desafia a facção rival. "Adorei a piscina, esculachou. [sic] Se ligou? Maior complexão, tá tudo dominado. E outra coisa: pode vir com bondão de onde for. Vai trocar tiro com nós a noite toda."
A vila olímpica invadida pelos criminosos foi inaugurada em 2012 pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer. De acordo com a prefeitura, o local estava fechado no momento da invasão e as atividades "foram normalizadas".
(com Estadão Conteúdo)
Veja
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
O menino de um ano e oito meses teve uma folha de maconha desenhada de um lado da cabeça e do outro, foi escrito 4:20, conhecido por ser um código de usuários da droga. A criança foi vista por policiais na zona rural de Santa Rita do Suaçuí, no Vale do Aço.
R7
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
SUPERAÇÃO
REINSERÇÃO SOCIAL
A presença da família é importante durante todo o processo de tratamento da pessoa que apresenta dependência e fundamental também na etapa da reinserção social do ex-usuário de crack. Após o término da fase intensiva de tratamento e com o retorno ao meio familiar, o restabelecimento das relações sociais positivas está diretamente relacionado à manutenção das transformações.
Segundo Fátima Sudbrack, psicóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB), um dos primeiros passos para o processo de reinserção social é evitar o isolamento do usuário. “É uma ilusão achar que só a internação vai resolver o problema. Na verdade, a desintoxicação é só uma parte do tratamento, pois o mais importante é a reinserção social. É importante que o dependente saiba com quem pode contar”, explica.
É fundamental que a família reconheça que ele está em um processo de recuperação de dependência, compreenda suas dificuldades e ofereça apoio para que ele possa reconstruir sua vida social. “Durante o tratamento os familiares e amigos podem e devem apoiar o dependente, se possível com ajuda profissional. O principal risco para um ex-usuário é se sentir sozinho, desvalorizado e sem a confiança das pessoas próximas”, diz Fátima.
A capacidade de acolher e compreender, estabelecer regras claras de convivência familiar, a demonstração de um interesse real em ajudar e de compromisso com a recuperação, além do respeito às diferenças e da manutenção de um ambiente de apoio, carinho e atenção, são atitudes que contribuem para melhorar a qualidade de vida do ex-usuário e ajudam na prevenção de recaídas. “De forma geral, no início é preciso exercer um controle maior sobre as atividades do indivíduo, manter uma rotina mais rigorosa, com acompanhamento. É preciso oferecer toda a ajuda possível, manter uma proximidade maior. O que faltou antes vai ter que ser fortalecido neste momento”, afirma o médico Mauro Soibelman, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É o chamado manejo firme e amigável, expressão usada por psiquiatras especializados no tratamento de dependentes químicos. “Não significa ser autoritário e bruto, apenas firme no propósito de manter o usuário longe do crack”, completa o especialista.
De acordo com Raquel Barros, psicóloga da ONG Lua Nova, é preciso dar espaço para a pessoa recomeçar. “Não se trata de fazer de conta que nada está acontecendo, mas de não focar a pessoa só nisso”, ressalta. A procura por um trabalho e a volta aos estudos deve ser incentivada. “É fundamental ocupar o tempo em que o dependente fumava crack com atividades saudáveis, seja com estudos, trabalho, esportes ou caminhadas”, diz Mauro Soibelman.
Hábitos sociais
Situações de convívio social fora do ambiente familiar tendem a ser desafiadoras para o ex-usuário de crack. Para a psicóloga Fátima Sudbrack, não é recomendado que a pessoa volte a freqüentar casas noturnas, bares ou mantenha contato com amigos que fazem uso de drogas. “Não podemos pedir que a pessoa abandone tudo o que fazia, mas é bem difícil retornar a esses lugares e não voltar a consumir a droga”, diz.
O uso de drogas lícitas, mesmo de forma moderada, não é recomendado pela maioria dos especialistas. “O cigarro é mais tolerável, apesar de controverso. Mas o álcool é um grande problema. Mesmo em baixas doses, a bebida alcoólica afrouxa as defesas do usuário e se torna um facilitador para recaídas”, explica Soibelman. Para a psicóloga Fátima Sudbrack, o dependente tende a compensar a ausência do crack com outra droga mais acessível. “Fazendo o uso de álcool e outras drogas ele não vai se recuperar, mas apenas buscar satisfação em outro produto”, diz.
Crack é possível vencer
A presença da família é importante durante todo o processo de tratamento da pessoa que apresenta dependência e fundamental também na etapa da reinserção social do ex-usuário de crack. Após o término da fase intensiva de tratamento e com o retorno ao meio familiar, o restabelecimento das relações sociais positivas está diretamente relacionado à manutenção das transformações.
Segundo Fátima Sudbrack, psicóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB), um dos primeiros passos para o processo de reinserção social é evitar o isolamento do usuário. “É uma ilusão achar que só a internação vai resolver o problema. Na verdade, a desintoxicação é só uma parte do tratamento, pois o mais importante é a reinserção social. É importante que o dependente saiba com quem pode contar”, explica.
É fundamental que a família reconheça que ele está em um processo de recuperação de dependência, compreenda suas dificuldades e ofereça apoio para que ele possa reconstruir sua vida social. “Durante o tratamento os familiares e amigos podem e devem apoiar o dependente, se possível com ajuda profissional. O principal risco para um ex-usuário é se sentir sozinho, desvalorizado e sem a confiança das pessoas próximas”, diz Fátima.
A capacidade de acolher e compreender, estabelecer regras claras de convivência familiar, a demonstração de um interesse real em ajudar e de compromisso com a recuperação, além do respeito às diferenças e da manutenção de um ambiente de apoio, carinho e atenção, são atitudes que contribuem para melhorar a qualidade de vida do ex-usuário e ajudam na prevenção de recaídas. “De forma geral, no início é preciso exercer um controle maior sobre as atividades do indivíduo, manter uma rotina mais rigorosa, com acompanhamento. É preciso oferecer toda a ajuda possível, manter uma proximidade maior. O que faltou antes vai ter que ser fortalecido neste momento”, afirma o médico Mauro Soibelman, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É o chamado manejo firme e amigável, expressão usada por psiquiatras especializados no tratamento de dependentes químicos. “Não significa ser autoritário e bruto, apenas firme no propósito de manter o usuário longe do crack”, completa o especialista.
De acordo com Raquel Barros, psicóloga da ONG Lua Nova, é preciso dar espaço para a pessoa recomeçar. “Não se trata de fazer de conta que nada está acontecendo, mas de não focar a pessoa só nisso”, ressalta. A procura por um trabalho e a volta aos estudos deve ser incentivada. “É fundamental ocupar o tempo em que o dependente fumava crack com atividades saudáveis, seja com estudos, trabalho, esportes ou caminhadas”, diz Mauro Soibelman.
Hábitos sociais
Situações de convívio social fora do ambiente familiar tendem a ser desafiadoras para o ex-usuário de crack. Para a psicóloga Fátima Sudbrack, não é recomendado que a pessoa volte a freqüentar casas noturnas, bares ou mantenha contato com amigos que fazem uso de drogas. “Não podemos pedir que a pessoa abandone tudo o que fazia, mas é bem difícil retornar a esses lugares e não voltar a consumir a droga”, diz.
O uso de drogas lícitas, mesmo de forma moderada, não é recomendado pela maioria dos especialistas. “O cigarro é mais tolerável, apesar de controverso. Mas o álcool é um grande problema. Mesmo em baixas doses, a bebida alcoólica afrouxa as defesas do usuário e se torna um facilitador para recaídas”, explica Soibelman. Para a psicóloga Fátima Sudbrack, o dependente tende a compensar a ausência do crack com outra droga mais acessível. “Fazendo o uso de álcool e outras drogas ele não vai se recuperar, mas apenas buscar satisfação em outro produto”, diz.
Crack é possível vencer
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Crianças de até 5 anos são 40% dos fumantes passivos
Exposição à fumaça do cigarro pode causar desde asma até morte súbita, alerta sociedade
RIo - Problema de adulto, fumar também afeta a saúde das crianças. No Brasil, 40% dos fumantes passivos têm até 5 anos. A exposição à fumaça pode causar desde asma até morte súbita. O alerta é da campanha da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) para o Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado amanhã.
O fumo passivo é o contato com a fumaça que sai do cigarro, que contém mais nicotina do que a tragada pelo fumante. Entre as crianças, os danos são maiores, porque elas possuem organismo mais sensível aos componentes do tabaco.
Segundo Márcio de Sousa, coordenador do Comitê Antitabaco da SBC, o bebê que inala nicotina pode sofrer de Síndrome da Morte Súbita Infantil. A substância também é transmitida pelo leite materno e pode elevar a pressão arterial e diminuir o oxigênio do sangue.
Crianças que convivem com fumantes também têm mais chances de desenvolver problemas respiratórios, alergia, conjuntivite, e perda na audição. “Não adianta fumar em local isolado, pois as partículas do cigarro grudam na roupa do fumante e podem passar para as crianças e prejudicá-las”, disse.
De acordo com Ricardo Meireles, pneumologista do Instituto Nacional do Câncer, a longo prazo, as crianças que fumam passivamente podem ter câncer de pulmão, infarto, Acidente Vascular Cerebral e enfisema pulmonar. “A fumaça tem 4mil substâncias tóxicas, e leva oito horas para ser dissipada”, cita.
Ontem, a Secretaria Estadual de Saúde promoveu ação no PAM de Cavalcante e fez vários testes com monoxímetro. O equipamento verifica o grau de intoxicação pelo monóxido de carbono, uma das consequências do fumo, e de Fargestrom, que avalia o grau de dependência ao tabaco. Além disso, fumantes foram incentivados a trocar maços de cigarro por brindes.
Tratamento contra o vício
Fumantes que desejam largar o vício podem procurar o Programa de Controle ao Tabagismo, da Secretaria Municipal de Saúde. O serviço é gratuito e oferece desde atendimento psicológico até medicamentos para ajudar no tratamento antifumo.
O paciente passa por entrevista individual e é avaliado de acordo com o grau de dependência ao cigarro. Depois, é convidado a visitar, semanalmente, uma das 170 unidades de saúde da capital que possuem o programa. No local, ocorrem reuniões para ajudar a pessoa a se manter sem o cigarro e deixá-la preparada para combater situações que incitem recaídas.
Informações sobre endereço de unidades de saúde com o programa antitabagismo pelo telefone 1746.
Fonte: O Dia
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Câmara aprova texto-base de projeto que modifica lei de combate às drogas
Proposta prevê medidas como a internação involuntária de dependentes químicos e a ampliação de pena para traficantes
BRASÍLIA — A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira à noite o texto-base do projeto que altera a Lei de Drogas, permitindo a internação involuntária de dependentes químicos, mas desde que haja autorização da família. Um médico terá que atestar a necessidade de internação. Foi excluído do texto de autoria do deputado Osmar Terra (PMDB-RS) um trecho que permitia a agentes de segurança pública também determinar a internação.
O texto prevê ainda atuação de entidades terapêuticas, mas exige que a internação compulsória só seja feita nos estabelecimentos que prestem atendimento de saúde. Ou seja, aqueles que dão apenas atendimento religioso não podem receber pacientes internados involuntariamente.
O projeto aprovado aumenta de 5 para 8 anos de cadeia a pena mínima para o grande traficante integrante de organização criminosa. A pena máxima continua sendo de 15 anos. O texto não inclui o cadastramento de dependentes, que era previsto no primeiro texto do relator da proposta, o deputado Givaldo Carimbão (PSB-AL). Após a votação de todos os destaques no plenário da Câmara, o texto ainda será remetido ao Senado. Os destaques pedem a retirada de trechos considerados polêmicos do projeto. Foi derrubado, por exemplo, o artigo que determinava a inclusão em rótulo de bebidas alcoólicas de advertência sobre malefícios para a saúde dos consumidores. Foram 169 votos contra a advertência e 149 a favor.
Carimbão incluiu no texto, a pedido do PT, o direito a redução da pena para o traficante de “menor potencial ofensivo” — preso primário, detido com quantidade não tão grande de droga. O substitutivo, porém, não definiu qual quantidade de droga caracteriza esse tipo de traficante. Hoje, ele não tem direito às benesses da progressão de regime.
Vagas de trabalho para ex-usuários
Foi aprovado também um capítulo sobre inserção social do paciente recuperado. A proposta de Carimbão destina para a pessoa que está recebendo atendimento de drogas 3% do total de postos de trabalho em obras públicas que ofereçam mais de 30 vagas. Mas o texto prevê que o usuário deve se manter na abstinência no trabalho. Se tiver alguma recaída, perderá o emprego. O governo é contra estabelecimento desse percentual e o PT apresentou destaque para derrubar o artigo.
— Não tem sentido. Até mesmo a recaída é prevista no tratamento. Não se pode vincular estabilidade no emprego à abstinência de droga ou álcool — disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).
Segundo Teixeira, o PT era contra o aumento da pena mínima para traficante vinculado a organização criminosa. Ele entende que essa medida pode gerar confusão entre quem é usuário ou traficante. O assunto seria objeto de votação em separado.
— É uma medida que vai gerar confusão. Como definir se um grupo de quatro pessoas é traficante ou não. Pode haver quatro pessoas fumando maconha e acharem que são traficantes. E vai o usuário cumprir pena maior que um homicida.
O debate foi intenso. Autor do projeto, Osmar Terra discordou de Paulo Teixeira e afirmou que o objetivo é reduzir locais de boca de fumo:
— Por mim, todo traficante, pequeno ou grande, tem que ser preso. Sem qualquer regalia.
O texto-base aprovado prevê que pessoas físicas que doarem dinheiro para instituições e organizações que atuem no tratamento de viciados poderão abater até 6% do Imposto de Renda. Mas foi apresentado um destaque para derrubar esse artigo.
Osmar Terra, durante seu discurso em favor do projeto, exibiu um saco pequeno de plástico, cheio até a metade, onde dizia ter a quantidade de crack suficiente para o consumo de cinco dias. Mas o saco continha pedaços de giz.
O plenário da Câmara rejeitou a mudança dos rótulos de bebidas alcoólicas, que deveriam conter advertências sobre o malefício de seu consumo. Porém, foi pedida votação nominal.
Internação compulsória causa polêmica
O projeto substitutivo, do deputado Givaldo Carimbão (PSB-AL) para o projeto do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), muda o Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas (Sisnad) para definir condições de atendimento aos usuários, diretrizes e formas de financiamento das ações.
Durante a votação, a internação involuntária de usuários de drogas, prevista no projeto, causou polêmica entre deputados. O líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP), disse que a medida é repressora, não vai resolver o problema do consumo e vai incentivar a família a internar antes, em vez de lidar com o problema.
— Avançamos na luta antimanicomial, em que a internação compulsória precede a análise de uma junta médica, e agora qualquer familiar, com dificuldade de lidar com a droga, vai internar involuntariamente um usuário sem saber se isso é eficiente — ironizou ao comparar à prática de manicômios.
Já o autor do projeto, deputado Osmar Terra, disse que o texto mira em usuários que estão nas ruas sem condições de se reabilitar.
— São pessoas que não têm família, dormem nas ruas, perderam tudo e não conseguem trabalhar, vivendo apenas esperando os próximos 15 minutos para usar a droga — disse.
O deputado Sirkis (PV-RJ) criticou o viés repressivo do projeto, que visa a internar usuários:
— A questão das drogas tem de passar da esfera da segurança para a saúde.
Mas o deputado Weliton Prado (PT-MG) disse que o projeto não prevê a internação, mas o acolhimento dos usuários.
O GLOBO
sábado, 27 de abril de 2013
Consumo de álcool por vias anal e vaginal preocupa médicos
Por Aline Lacerda
Além de consumir bebida via anal, vários jovens no mundo têm assustado pais e médicos com métodos nada convencionais de se embriagar. Nos Estados Unidos e Europa, vídeos se espalharam na internet com adolescentes pingando vodca nos olhos, método chamado por eles de "vodka eyeballing". Meninas que encharcam absorventes internos de álcool e os colocam na vagina também tem parecido uma prática difundida, além de beberem álcool em gel.
Segundo a Dra. Zila Van Der Meer Sanchez, pesquisadora do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), da Unifesp, os adolescentes que chegam aos prontos-socorros alcoolizados usam menos destas práticas no Brasil do que em outros países, apesar de casos terem sido registrados.
“Os riscos para quem consome álcool desta maneira são exatamente os mesmos de métodos convencionais. O que conta é a quantidade de álcool ingerida, porque independente de onde for, o corpo vai absorver do mesmo jeito”, explicou ao Terra.
O clínico geral do Hospital das Clínicas, Dr. Arnaldo Lichtenstein, também alerta para o uso cada vez maior de álcool. “O grande problema é o uso abusivo do álcool, independente da via”.
No entanto, além do comportamento extremamente invasivo ao corpo, o ânus, por exemplo, tem mais terminações nervosas e mucosas mais expostas, o que causa uma absorção mais rápida e compromete a percepção da quantidade ingerida.
“Se for tomando de pouquinho em pouquinho, a pessoa vai sentindo e consegue identificar mais fácil a hora de parar. Mas, mesmo assim, depois de parar ainda há uma grande quantidade de álcool no estômago para ser metabolizado e, neste ponto é comum as pessoas passarem mal, vomitarem e colocarem para fora o que ainda não foi absorvido. No entanto, nestes casos de consumo por outras vias, a substância vai ficar ali até ser completamente absorvida”, informou.
Além do estômago e intestino, o álcool é mais rapidamente absorvido pelas mucosas do corpo, desde a boca até o ânus e a vagina. “A absorção é muito grande pelas mucosas. Se você bebe uma taça de vinho e demora uma hora ou duas para ser processado, o consumo pela mucosa leva minutos”, explicou o Dr. Arnaldo Lichtenstein.
“O problema é que o álcool é irritante. Do mesmo modo que irrita o estômago, vai irritar o olho e causar uma conjuntivite, no ânus e na vagina vai acontecer a mesma coisa e pode gerar problema sérios a curto, médio e longo prazo”, esclareceu o clínico do HC.
Os adolescentes que bebem álcool em gel podem ter reflexos no fígado. “Você vai sobrecarregar seu fígado com as substâncias que têm no produto, além do álcool. Pode intoxicar e vai retardar o metabolismo”, informou a Dra. Zila Van Der Meer.
Vale ainda esclarecer que a exceção é pingar bebida no olho, prática que não tem efeito nenhum. “Esta história de pingar nos olhos, teria que ser um caminhão de álcool para deixar bêbado. Nesta região não tem nenhuma relação fazer isto”, comentou a especialista.
Em relação ao consumo via anal, ela esclareceu ainda: “pode dar uma concepção de violência sexual. Vai além do álcool, pode ter caráter de uma agressão sexual”.
O Dr. Arnaldo Lichtenstein ressaltou que a procura pelo prazer sexual também vem junto nestas práticas. “Isto é a busca pelo prazer mais rápido que está sendo misturado com sexualidade. São duas grandes sensações de busca de prazer”, explicou .
Ele alertou ainda que estas práticas não muito comuns acontecem há bastante tempo, mas o que mais preocupa é a quantidade exagerada de álcool que tem sido colocado em questão. “Esta busca desenfreada por sensações de euforia e anestesia é muito preocupante. Alguns pacientes falam em anestesia e usam estes meios mais rápidos para conseguir não só a desinibição que o álcool produz”, concluiu.
Fonte: Terra
Além de consumir bebida via anal, vários jovens no mundo têm assustado pais e médicos com métodos nada convencionais de se embriagar. Nos Estados Unidos e Europa, vídeos se espalharam na internet com adolescentes pingando vodca nos olhos, método chamado por eles de "vodka eyeballing". Meninas que encharcam absorventes internos de álcool e os colocam na vagina também tem parecido uma prática difundida, além de beberem álcool em gel.
Segundo a Dra. Zila Van Der Meer Sanchez, pesquisadora do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), da Unifesp, os adolescentes que chegam aos prontos-socorros alcoolizados usam menos destas práticas no Brasil do que em outros países, apesar de casos terem sido registrados.
“Os riscos para quem consome álcool desta maneira são exatamente os mesmos de métodos convencionais. O que conta é a quantidade de álcool ingerida, porque independente de onde for, o corpo vai absorver do mesmo jeito”, explicou ao Terra.
O clínico geral do Hospital das Clínicas, Dr. Arnaldo Lichtenstein, também alerta para o uso cada vez maior de álcool. “O grande problema é o uso abusivo do álcool, independente da via”.
No entanto, além do comportamento extremamente invasivo ao corpo, o ânus, por exemplo, tem mais terminações nervosas e mucosas mais expostas, o que causa uma absorção mais rápida e compromete a percepção da quantidade ingerida.
“Se for tomando de pouquinho em pouquinho, a pessoa vai sentindo e consegue identificar mais fácil a hora de parar. Mas, mesmo assim, depois de parar ainda há uma grande quantidade de álcool no estômago para ser metabolizado e, neste ponto é comum as pessoas passarem mal, vomitarem e colocarem para fora o que ainda não foi absorvido. No entanto, nestes casos de consumo por outras vias, a substância vai ficar ali até ser completamente absorvida”, informou.
Além do estômago e intestino, o álcool é mais rapidamente absorvido pelas mucosas do corpo, desde a boca até o ânus e a vagina. “A absorção é muito grande pelas mucosas. Se você bebe uma taça de vinho e demora uma hora ou duas para ser processado, o consumo pela mucosa leva minutos”, explicou o Dr. Arnaldo Lichtenstein.
“O problema é que o álcool é irritante. Do mesmo modo que irrita o estômago, vai irritar o olho e causar uma conjuntivite, no ânus e na vagina vai acontecer a mesma coisa e pode gerar problema sérios a curto, médio e longo prazo”, esclareceu o clínico do HC.
Os adolescentes que bebem álcool em gel podem ter reflexos no fígado. “Você vai sobrecarregar seu fígado com as substâncias que têm no produto, além do álcool. Pode intoxicar e vai retardar o metabolismo”, informou a Dra. Zila Van Der Meer.
Vale ainda esclarecer que a exceção é pingar bebida no olho, prática que não tem efeito nenhum. “Esta história de pingar nos olhos, teria que ser um caminhão de álcool para deixar bêbado. Nesta região não tem nenhuma relação fazer isto”, comentou a especialista.
Em relação ao consumo via anal, ela esclareceu ainda: “pode dar uma concepção de violência sexual. Vai além do álcool, pode ter caráter de uma agressão sexual”.
O Dr. Arnaldo Lichtenstein ressaltou que a procura pelo prazer sexual também vem junto nestas práticas. “Isto é a busca pelo prazer mais rápido que está sendo misturado com sexualidade. São duas grandes sensações de busca de prazer”, explicou .
Ele alertou ainda que estas práticas não muito comuns acontecem há bastante tempo, mas o que mais preocupa é a quantidade exagerada de álcool que tem sido colocado em questão. “Esta busca desenfreada por sensações de euforia e anestesia é muito preocupante. Alguns pacientes falam em anestesia e usam estes meios mais rápidos para conseguir não só a desinibição que o álcool produz”, concluiu.
Fonte: Terra
quinta-feira, 18 de abril de 2013
CAMPINAS E ESTADO FAZEM PARCERIA NO COMBATE AO CRACK
A cidade de Campinas firmou uma parceira com o Governo do Estado, por meio do programa estadual de combate ao crack, para ampliação e fortalecimento da rede integrada de assistência aos dependentes químicos, desde o primeiro acolhimento até a reinserção social dos pacientes. O convênio será assinado nesta terça feira dia 9 de abril, entre Estado e Prefeitura e estabelece fluxos para acolhimento, avaliação e encaminhamento dos pacientes e seus familiares.
A principal novidade será a implantação de um espaço intersecretarial que contará com equipe multiprofissional para receber e avaliar as necessidades de usuários e familiares de dependentes químicos da região, independente da presença do paciente, favorecendo o acesso aos serviços especializados que compõem a Rede Psicossocial para dependente de crack, álcool e outras drogas.
No local definido pela Prefeitura haverá um Plantão Judiciário e Social semelhante ao implantado na capital paulista no Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod), visando agilizar o encaminhamento de pacientes para as demandas necessárias ao seu cuidado de saúde, social e jurídica incluindo, a partir de avaliação médica e multiprofissional, internações em serviços hospitalares respeitando a legislação vigente (lei 10.216).
A porta de entrada será pelos Centros de Atenção Psicossociais de Álcool e Drogas (Caps-AD) que se responsabilizarão pelo projeto terapêutico individualizado e referenciado para os diferentes pontos de cuidado na rede de saúde incluindo ações intersecretariais. As internações são indicadas para casos excepcionais, apenas para os casos considerados mais graves, e só devem ocorrer após avaliação da equipe medica.
Para garantir assistência aos dependentes com quadros de saúde mais graves, a Secretaria de Estado da Saúde irá firmar parcerias com serviços de saúde de Amparo e Atibaia, ativando imediatamente leitos de enfermaria em hospital geral e também na modalidade de Comunidade Terapêutica, para internação e assistência multidisciplinar.
A meta é que este modelo esteja integralmente implantado em Campinas até o mês de maio. “Vamos levar, gradativamente, o modelo implantado na capital paulista para o interior e litoral de São Paulo, assegurando todos os recursos necessários para que os dependentes químicos tenham a chance de se recuperar de uma doença que pode ser fatal”, afirma Giovanni Guido Cerri, secretário de Estado da Saúde de São Paulo.
Desde 2011 o número de leitos para dependentes químicos no Estado passou de 482 para 910 e até 2014 irá ultrapassar as 1,3 mil vagas.
Secretária da Saúde. Secretaria de Desenvolvimento Social . Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania
domingo, 17 de março de 2013
Caça às drogas: mais empresas pedem exames toxicológicos
.Prática, que veio dos Estados Unidos, gera controvérsia. Também há mais companhias oferecendo tratamento para dependentes químicos
RIO – Há cerca de dois meses, um jovem escolhido em um processo seletivo da área de petróleo e gás viu sua contratação, que já estava acertada, ir por água abaixo. Isso porque o exame pré-admissional a que foi submetido — sem saber — detectou a presença de maconha na urina. E a empresa usou essa informação para dispensá-lo, antes mesmo da efetivação. A prática é considerada abusiva por especialistas em direito do trabalho. Mas não é apenas de forma discriminatória que as companhias estão atuando: no combate ao álcool e às drogas, também cresce a realização de exames pós-contratação, assim como o encaminhamento do dependente para tratamento.
A popularização dos exames toxicológicos no mercado brasileiro pode ser explicada pela intensificação da globalização e pela chegada de mais empresas multinacionais ao país.
— Essa filosofia vem dos Estados Unidos. Demorou um pouco para as empresas brasileiras aderirem à tendência — diz Maurício Yonamine, responsável pelo Laboratório de Análises Toxicológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), que faz, em média, 500 exames mensais para empresas conveniadas.
Yonamine diz que há cinco anos houve um boom na demanda, hoje estabilizada também por conta da estrutura limitada do laboratório público. No Rio, a Evolução Clínica e Consultoria, que oferece serviços de implantação de políticas corporativas antidrogas, além de testes e tratamentos de reabilitação, tem visto a procura crescer. Nos últimos três anos aumentou em 30% o número de empresas que adotam os exames toxicológicos — apenas em 2012, a Evolução fez 1.350 testes — e cresceu em 80% a quantidade de companhias que procuraram a clínica para criar um programa antidrogas.
— As empresas vêm adotando esse tipo de política porque ajuda a reduzir os acidentes de trabalho, o absenteísmo, os problemas de negligência e produtividade, além de preservar a imagem da companhia e trazer economia de despesas com assistência médica — acredita Selene Barreto, diretora da Evolução, que também atribui esse crescimento à difusão do conceito de responsabilidade social no meio corporativo.
Selene ressalta que, para submeter um indivíduo ao teste de urina para investigar o consumo de álcool e drogas, é preciso ter seu consentimento. Mas ainda assim a questão é controvertida, especialmente quando os exames são feitos antes da contratação.
— Existe uma recomendação do Conselho Federal de Medicina para que não sejam realizados exames toxicológicos prévios à admissão. É uma atitude discriminatória, que viola direitos constitucionais — afirma a advogada trabalhista Rita de Cássia Vivas.
E, para Rita, mesmo que assine um termo aceitando ser testado, o funcionário poderá contestar o teste:
— Nessa relação, o empregado é a parte frágil, que aceita qualquer coisa por medo de perder o emprego.
Tratamento extensivo às famílias
Na Embraer, desde 1984 existe o programa “Estar de bem sem drogas”, que, em 2000, incorporou os exames toxicológicos como procedimento. Todo ano , 10% dos 18 mil funcionários são sorteados para serem submetidos ao exame, que inclui coleta de urina e bafômetro.
— A intenção é detectar pessoas que tenham uma possível dependência e oferecer tratamento. Não de forma punitiva, mas preventiva, para evitar acidentes de trabalho ou erros na confecção de uma peça — explica Andrea Ferreira, gerente de Bem Estar da Embraer.
Hoje, são 40 funcionários em diferentes estágios de recuperação. Em 29 anos, 508 colaboradores receberam tratamento, incluindo empregados, estagiários e dependentes diretos.
— Toda a família adoece quando há um problema desses — diz Andrea.
Foi porque a empresa de seu pai tem uma política como a da Embraer que hoje, dia 17 de março de 2013, Joana (nome fictício), de 31 anos, comemora por estar “limpa” há 1 ano, 6 meses e 11 dias. Foram quase 15 anos de uso de álcool e maconha — a cocaína chegou mais tarde, quando ela já tinha 28 anos — até atingir o que ela chama de “fundo do poço”. Não conseguia chegar na hora no emprego e inventava desculpas para sair mais cedo e ter tempo de consumir alguma droga antes de voltar para casa, onde vive com os pais. Depois de sofrer uma tentativa de estupro, chegou em casa pedindo para ser internada. Atualmente faz estágio em informática e está terminando a faculdade.
— Hoje tenho paz de espírito. Só de não precisar mentir para a minha chefe é um alívio — diz ela, que continua fazendo terapia em grupo e também encontrou apoio nos grupos anônimos.
Joana, inclusive, é favorável ao uso de exames toxicológicos dentro das empresas. Desde que não se confunda o uso esporádico com a dependência.
— Não é porque a pessoa usou algo uma vez que ela tem a doença. Mas acho que, especialmente em áreas que envolvam riscos de segurança, os exames toxicológicos são importantes.
Promoção aconteceu durante a reabilitação
“Achei que as minhas possibilidades de crescimento profissional estavam arruinadas”. A afirmação é de Roberto, economista de 27 anos que há um ano e meio aceitou o tratamento contra a dependência de álcool e cocaína oferecido por sua empresa, conveniada com uma clínica especializada. Mas não apenas as oportunidades não acabaram, como ele foi promovido durante a reabilitação, custeada pela companhia.
A chefia tomou conhecimento do vício de Roberto depois de um incidente em uma viagem de trabalho. A assistente social, então, o abordou.
— Demorei três dias para admitir e aceitar ajuda. Não porque eu não achava que tinha um problema, mas porque tive medo de perder o emprego — conta o economista.
Por 40 dias, ele precisou ir diariamente à clínica especializada em tratamentos antidrogas. Para não levantar suspeitas, no trabalho diziam que ele estava fazendo um curso. Também foi transferido de gerência e hoje não tem mais contato com os colegas da época.
— Foi tudo tratado de forma sigilosa. Ninguém ficou sabendo — diz Roberto.
Sigilo durante o tratamento
A história é parecida com as de Sergio, um geólogo de 39 anos, e Otávio, um engenheiro de 61 anos, que também estão em tratamento, respectivamente, contra a dependência de drogas e a de álcool. No caso do geólogo, depois de um mês ele também trocou de gerência, que foi informada que ele estava em curso, enquanto ele ia diariamente à clínica. Já o engenheiro ficou de licença médica por três meses antes de retornar ao trabalho.
— O programa não expõe o funcionário e é muito sincero — afirma Otávio, que procurou ajuda na empresa por conta própria, enquanto Sergio recebeu, de sua chefia, a sugestão para que se informasse sobre o tratamento.
As companhias em que eles atuam vêm agindo de acordo com uma mudança na interpretação da lei, que considera a dependência em drogas e álcool como uma doença.
— Embora a “embriaguez habitual ou em serviço” conste no rol de motivos para a dispensa com justa causa do empregado (artigo 482 da CLT), hoje, o alcoolismo e a dependência de drogas são interpretadas pelos tribunais como doenças e não mais como atos de indisciplina do empregado — explica Rodrigo Bottrel Tostes, advogado trabalhista do Pinheiro Neto Advogados.
Por isso também, Selene Barreto, diretora da Clínica Evolução, acredita que mais companhias estejam buscando políticas antidrogas — ela vê a demanda crescer especialmente nas áreas de energia e aviação:
— Para funcionar, no entando, é preciso ter clareza e relação de honestidade com o funcionário, além de treinar as equipes de saúde e gestores para lidar com a questão.
A procuradora do trabalho Lisyane Chaves Motta lembra que as razões de solicitações de exames não podem ferir o direito à intimidade e privacidade dos trabalhadores:
— Os direitos da personalidade se sobrepõem aos interesses privados das empresas, no caso de conflito entre ambas as partes.
O Globo
quarta-feira, 13 de março de 2013
Mulher é presa por deixar o filho de menos de 2 anos fumar maconha
Rachelle L. Braaten, de 24 anos, foi presa após filmar com o celular o filho de 1 ano e 10 meses fumar maconha com ajuda de um bong - aparelho também conhecido como water pipe e que é utilizado para qualquer tipo de erva, normalmente cannabis, tabaco e derivados.
No vídeo, Rachelle leva o bong à boca do filho e diz para ele inalar. O menino engasga, tosse e vai embora, deixando a mãe dando risadas.
Policiais de Centralia (Washington, EUA) tiveram acesso ao vídeo e foram até a residência onde Rachelle vive com o filho e o companheiro, Tyler J. Lee, de 24 anos.
De acordo com o "Sun", agentes acharam na casa 40 pés de maconha e uma arma.
O estado americano descriminalizou a posse de até 40 gramas de maconha, mas continua ilegal cultivar e distribuir a erva e a fornecer a menor de idade.
O Globo
terça-feira, 12 de março de 2013
Mais de 1,2 mil crianças e adolescentes viciadas em crack vivem nas ruas de São Paulo
Segundo o desembargador Antonio Carlos Malheiros, coordenador da Vara
de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, só na
região da Cracolândia, na área central da cidade, a estimativa é de que
até 400 crianças estejam envolvidas com drogas especialmente crack.
“Temos entre 22 e 23 cracolândias cercando a cidade. A central, que é a
maior cracolândia do mundo, tem 2 mil usuários [entre adultos, crianças
e adolescentes]. Calculamos que mais ou menos 20% dessas pessoas são
crianças e adolescentes. Ou seja, devemos ter, no centro da cidade,
entre 200 e 400 crianças e adolescentes em situação de drogadição. Fora
nas outras [cracolândias], que não faço nem ideia”, disse o
desembargador, que tem visitado a região praticamente todos os dias.
Para Ana Regina Noto, professora do Departamento de Psicobiologia da
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que em 2004 coordenou um
estudo envolvendo 2.807 crianças e adolescentes em situação de rua de 27
capitais do país, o número de dependentes não cresceu muito depois da
elaboraçãoo da pesquisa, mas houve mudanças no uso. “Cresceu o consumo
de crack, mas a gente percebe também que houve substituição.
Não houve aumento de crianças e adolescentes usando drogas, isso
permaneceu o mesmo. Mas houve uma migração porque o crack
começou a ocupar espaço nas grandes cidades e começou a ser uma droga de
opção. Muitos que usavam cocaína começaram a migrar para o crack”, disse à Agência Brasil.
Um levantamento feito pela Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack
e Outras Drogas da Assembleia Legislativa sobre a situação do crack, da maconha e outras drogas nos municípios paulistas e divulgado em dezembro do ano passado, com o nome de Mapa do Crack,
apontou que das 50.511 pessoas que foram atendidas nos sistemas
públicos de saúde em 299 municípios de São Paulo por envolvimento com o crack 5.676 eram menores de 18 anos. Os dados, segundo a frente parlamentar se referem ao ano de 2011. Cerca de 6% dos usuários de crack
que procuraram o sistema público de saúde para tratamento eram menores
de até 13 anos de idade. Do total de pessoas que procuraram atendimento
para se tratar do vício, 21% tinham entre 14 e 20 anos de idade.
A Agência Brasil procurou a Secretaria Municipal de
Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo para confrontar os
números, mas não obteve retorno. Mas segundo o Censo da População em
Situação de Rua na Municipalidade de São Paulo, que foi divulgado pela
secretaria e que se encontra disponível em seu site oficial,
14.478 pessoas viviam nas ruas de São Paulo em 2011, sendo que 6.765
delas em situação de rua e 7.713 em centros de acolhimento da capital. O
censo apontou que mais da metade dessa população vivia na região
central. Desse total, 7.002 eram adultos, 1.455 idosos, 221 adolescentes
e 212 crianças. O censo também apontou que 743 viviam entre a Rua
Helvétia e a Alameda Dino Bueno, que fazem parte da chamada cracolândia.O atendimento de crianças e adolescentes dependentes é feito principalmente hoje por meio de organizações não governamentais ou pela prefeitura, que as encaminham para os centros de Atenção Psicossocial (Caps).
Procurada pela Agência Brasil, a prefeitura de São Paulo, por meio de suas secretarias de Assistência Social (que faz a abordagem das crianças e adolescentes em situação de rua) e de Saúde (responsável pelo atendimento e tratamento dessas crianças e adolescentes viciados em crack), não respondeu e nem explicou como é feita a abordagem e o tratamento desses menores e nem deu uma média de quantos deles são abordados nas ruas ou encaminhados para os centros de tratamento a cada mês.
O governo de São Paulo, que desde janeiro desenvolve um programa
voltado para a cracolândia, informou que as crianças e adolescentes,
assim como os adultos, são atendidos pelo programa, mas não forneceu
mais detalhes sobre como ele é desenvolvido, especificamente crianças e
adolescentes viciados em crack. A Secretaria Estadual de Saúde
declarou que algumas crianças e adolescentes são atendidos no Centro de
Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), mas que a grande
maioria é encaminhada para os Caps, de responsabilidade da prefeitura.
Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
O CRACK DO OIAPOQUE AO CHUÍ
Disseminada por todo o país a mais avassaladora das drogas, o crack, já causa problemas no sistema de saúde de 64% das cidades brasileiras, conforme atesta a Confederação Nacional de Municípios. O crack invadiu grandes e pequenas cidades, periferias e lugares de baixa a alta classe social, municípios, povoados, zona rural e já chegou até às aldeias indígenas transformando os seus tristes usuários em espécie de zumbis ou mortos-vivos.
De poder devastador e parecendo sobrenatural, o crack sempre vicia a pessoa quando do seu primeiro experimento e o que vem depois é tragédia certa. Crack e desgraça são indissociáveis e quase palavras sinônimas. O crack é a verdadeira degradação humana.
A fórmula oficial do crack divulgada pelos Estados Unidos da América é bem menos agressiva do que a falsificada no nosso país, ou seja, tal produto é formado por meio de uma mistura da pasta base da folha da coca ou cloridrato de cocaína com bicarbonato de sódio, entretanto no Brasil, fornecedores e traficantes para obterem maiores lucros financeiros recriaram o mal para pior. São adicionados para recompor a fórmula maligna e cruel do crack a cal virgem, a amônia, o ácido sulfúrico ou soda caustica que é para deixar a pedra meio tenra e o querosene ou gasolina para dar a combustão ao preparado químico final. O crack é fumado através do cachimbo, latinha ou outra parafernália parecida. Assim, a fumaça altamente tóxica do crack que mais se assemelha a cheiro de pneu queimado ao ser aspirada por si só já demonstra o extremo malefício que causa ao organismo do seu usuário.
Segundo estudos realizados recentemente o Brasil que já beira os três milhões de usuários consome até uma tonelada de crack por dia, trazendo conseqüências drásticas, não somente para o viciado e seus familiares, mas também para a sociedade em geral, vez que em decorrência dessa mortal droga todos os índices de delinqüência aumentaram estupidamente, com destaque para a prostituição, os pequenos e grandes furtos, roubos e até latrocínios, pois pelo crack e para o crack se matam e se morrem.
A expansão do crack reclama principalmente ações urgentes em duas frentes, a do abastecimento e a do consumo, vez que a educativa ou preventiva vem sendo razoavelmente aplicada. Ambas têm indicadores alarmantes. O Brasil, que já se consolidou na triste posição de rota preferencial do tráfico internacional de cocaína, parece caminhar para também ocupar um lugar de ponta no mercado mundial dessa terrível droga.
Como o Brasil sempre está nas primeiras colocações dos absurdos somos o segundo no mundo no ranking dos maiores consumidores dessa droga, perdendo apenas para os Estados Unidos da América que consome o crack não falsificado. Com o consumo interno aquecido e as rotas que asseguram o movimento de exportação e importação do crack e das outras drogas, o momento é deveras preocupante, tanto é que a ONU já demonstra inquestionável sinal de que a situação pode descambar para o descontrole.
No lado do provimento do mercado, deve-se recorrer a ações integradas das três instâncias do poder público, com ênfase na repressão aos grupos de traficantes e à rede criminosa que garante a circulação da droga. Leis mais rígidas urgem por modificações para penalidades exemplares a tais criminosos, além da formação de um maior efetivo policial em todas as camadas possíveis, principalmente no âmbito federal não só para combater mais veementemente o tráfico, mas principalmente no sentido de melhor vigiar as nossas fronteiras para que não entre o produto base dessa droga, ou seja, a cocaína.
Já no outro lado do problema, o das consequências, as ações envolvem questões mais complexas, principalmente no âmbito curativo a ser dispensado aos usuários que continua precário. Em primeiro plano necessário se faz a contratação estatal de uma boa gama de psicólogos ou profissionais equivalentes para conscientizar o debilitado usuário do crack ao real tratamento médico. No segundo plano vem a questão dos Hospitais ou Clínicas de recuperação que em números proporcionais à imensa legião dos zumbis do crack, estão muito aquém da triste e deprimente realidade apresentada, principalmente para aqueles usuários que dependem do poder público.
Archimedes Marques, Escritor e Delegado de Polícia no Estado de Sergipe. (Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe)
archimedes-marques@bol.com.br
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Prefeitura dá início ao processo de internação compulsória de usuários de crack
.Cracolândia da Maré, uma das maiores do estado, é ocupada pela Polícia
Rio - Uma megaoperação para acolher usuários de crack, realizada na madrugada desta terça-feira no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, inaugurou uma nova fase no combate ao uso da droga no Rio: a adoção da internação compulsória de adultos. A medida, que divide opiniões no que diz respeito à sua constitucionalidade, será anunciada durante uma entrevista no Centro de Operações da prefeitura.
O Globo
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Crianças são detidas por tráfico de drogas em Sorocaba, SP
Meninos de 11 e 12 anos estavam com porções de maconha e crack.
Eles foram levados para a delegacia e liberados na presença dos pais.
Duas crianças, de 11 e 12 anos, foram detidas por tráfico de drogas na tarde deste domingo (27), em Sorocaba (SP). Elas foram pegas com os entorpecentes pela Guarda Municipal durante a operação Comunidade Segura, no conjunto habitacional Ana Paula Eleutério, conhecido como Habiteto.
Uma equipe da Ronda Ostensiva avistou os menores em frente a uma pista de skate do bairro. Quando perceberam a chegada da viatura, as crianças tentaram fugir, mas foram impedidas pelos guardas.
Com o menino de 12 anos, foram encontrados R$ 83 em dinheiro. Questionado, ele confirmou que a quantia era proveniente do tráfico e ainda indicou onde as drogas estavam guardadas. A GCM foi até a noita onde os dois estavam quando foram avistados e encontrou 32 porções de maconha e 48 pedras de crack.
O outro menino afirmou que só estava acompanhando o colega e que não fazia parte do esquema. Mesmo assim, os dois foram levados para o plantão policial da zona norte, onde o delegado elaborou boletim de ocorrência de ato infracional. Os responsáveis foram chamados e os menores, liberados.
Agora, as crianças devem ser ouvidas na Vara da Infância e Juventude, onde o promotor responsável determinará as medidas a serem tomadas para o acompanhamento dos menores.
G1
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Sem conseguir internação, jovem volta à cracolândia em SP
"Falaram que eu tô ótimo. Não querem me dar uma chance. Então, tá. Tô indo pro fluxo." A afirmação é do agitado Thomas Navar Watanabe Fantine, 20, roupas sujas, olhos vermelhos e pontas dos dedos queimadas pelo crack.
Na tarde de ontem, ele deixava o Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e outras Drogas), no centro de São Paulo, sem conseguir o que queria: ser internado.
"Eu tô pedindo. Estou desde os nove anos nesta vida. O que tenho que fazer para que eles entendam que eu preciso de ajuda? Trazer um cachimbo de crack e fumar aqui, na frente deles?"
Ao deixar o Cratod, Thomas seguiu para a cracolândia, para o "fluxo" de uso da droga. Sentou na calçada, sacou o cachimbo e fumou sua pedra.
Ontem era o segundo dia seguido que o rapaz procurava tratamento no Cratod. Desde segunda, o centro virou uma espécie de pronto-socorro de dependentes de drogas em busca de ajuda e de familiares que querem internar à força seus filhos, irmãos, pais e mães com algum vício.
Rosangela Elias, coordenadora de Saúde Mental, Álcool e Drogas do Governo, afirmou ontem que os médicos avaliaram Thomas e que, como a situação dele não foi considerada grave, ficou decidido que ele deveria procurar um Caps, que oferece atendimento ambulatorial --as pessoas frequentam grupos de ajuda, passam por psicólogos e, se preciso, são medicadas.
SEM SUCESSO
O Caps mais próximo fica na mesma rua do Cratod, distante cerca de 2 quilômetros.
"O que eu vou fazer lá? Passar o dia, tomar remédio e depois voltar para a rua e usar crack?", diz Thomas, morador fixo da cracolândia há dois meses. O rapaz disse que já havia tentado esse tratamento, sem sucesso.
Agora, procurava ajuda "em homenagem" à mãe.
"Se ele pediu ajuda, está mesmo precisando", lamentou Sheyla Fantini, 44, a mãe de Thomás, por telefone, após ser avisada pela Folha de que o filho buscara tratamento. Ela afirma que tentará novamente uma internação.
Desde segunda-feira, o governo Alckmin (PSDB) montou um plantão jurídico (com juiz, promotor e advogados) no Cratod para agilizar as internações à força.
O local, no entanto, atraiu muita gente em busca de ajuda e algumas internações foram feitas de forma voluntária. Tanto que, de segunda a quarta-feira, só 4 das 18 internações foram à força. Ontem, mais 16 pessoas foram internadas --o governo não informou quantas foram feitas contra a vontade do dependente.
Folha Online
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Faixa anuncia proibição da venda de crack na Favela Paque União
Rio - A Favela Parque união, na Zona Norte do Rio, amanhaceu nesta sexta-feira com uma faixa, que teria sido colocada por traficantes locais, informando que não se vende mais crack na comunidade.
Nesta quinta, o menino Rafael Felipe Ribeiro, de 10 anos, que era usuário do entorpecente, morreu atropelado na Avenida Brasil, tentando fugir de uma operação da Secretaria de Assistência Social (SMAS) para repreender os usuários da droga na cracolândia próxima à comunidade.
Nesta sexta-feira, mesmo após a tragédia com o menino Rafael, os usuários de crack continuam ocupando as margens da Avenida Brasil, na altura da favela. Alheios ao perigo, eles consomem drogas à luz do dia, sem ser incomodados pela polícia.
Menino atropelado não voltava para casa há nove dias
De acordo com a Secretaria de Assistência Social, o tio da vítima informou que um irmão de Rafael, de 14 anos, esteve na cracolândia na última quarta para tentar convencer o menino a retornar para casa, de onde ele havia saído há nove dias.
O tio disse ainda que o pai da vítima já faleceu e que a mãe também é usuária de drogas. A família chegou a ser cadastrada no programa Bolsa Família, mas perdeu o benefício por não comparecer ao Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) do município e não apresentar frequência escolar dos filhos.
Usuários de crack ocupam o canteiro central das pistas da Avenida Brasil | Foto: Fábio Gonçalves / Agência O Dia
A mãe de Rafael, Renata Ribeiro, de 38 anos, negou que o filho usasse crack. “Ele nunca se envolveu com crack. Só fazia uso de maconha. Cansei de ir atrás dele nas ruas, mas ninguém foge ao seu destino. As pessoas querem me difamar. Só eu sei a dor que sinto. Perdi um filho”, se defende.
Segundo a secretaria, o menino era morador da comunidade Vila Cruzeiro, na Penha. O órgão informou que toda a estrutura da Secretaria foi utilizada para identificar a vítima e localizar a família.
Equipes da SMAS levaram a mãe e o tio da criança ao Instituto Médico Legal para a identificação e liberação do corpo. A SMAS declara ainda que está prestando auxílio psicológico aos familiares, que vivem em situação de extrema pobreza, e financeiro para o funeral.
De acordo com testemunhas, o acidente ocorreu por volta das 4h45 no momento em que a criança corria pela via junto com usuários de crack durante uma operação da Secretaria Municipal de Assistência Social a 500 metros do acesso a Ilha do Governador.
Em junho do ano passado, traficantes das favela do Jacarezinho, Mandela e Manguinhos, na Zona Norte, fizeram uma ação parecida. Em postes e muros da região, onde existem as maiores cracolândias do Rio, cartazes foram afixados com os seguintes dizeres: “Em breve a venda de crack será proibida nesta comunidade”.
O Dia Online
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Programa contra crack foi feito com dados de 4 Estados
Recursos previstos são de R$ 4 bilhões
O programa nacional de combate ao crack, lançado há um ano pela presidente Dilma Rousseff e com recursos previstos em R$ 4 bilhões, é um tiro no escuro. Foi feito com base em números escassos, que nem de longe retratam a realidade dos usuários no País ou o universo de cracolândias. O Estado teve acesso aos documentos preparatórios do plano "Crack, é possível vencer".
"A estratégia foi pensada a partir de uma pesquisa nacional realizada pela Fiocruz, que mapeou os locais de maior concentração de uso de crack nos Estados", diz o documento assinado pelo Departamento de Políticas, Programas e Projetos, do Ministério da Justiça. No entanto, o governo tem nas mãos dados de apenas quatro Estados, pois comandantes de 23 PMs não forneceram estatísticas sobre o crack — incluindo São Paulo, Minas, Rio, Paraná e Mato Grosso. Os dados coletados são referentes só à quantidade de pontos de venda e de usuários.
O levantamento com Secretarias de Segurança dos Estados não é diferente e reuniu dados precários. O Distrito Federal, por exemplo, informou que tem apenas 220 usuários da droga. Goiás alega ter 56. Mato Grosso do Sul, 120. Oito Estados nem sequer forneceram informações. São Paulo respondeu parcialmente, sugerindo foco na capital do Estado.
"Conclui-se que os Estados não têm dados mapeados sobre a quantidade real de usuários de crack (até porque a polícia não faz distinção entre usuário e traficante, obtendo dados de pessoas detidas), mas dados de quantidade de apreensão de droga e de prisões efetuadas pelas Polícias Civil e Militar e dados estimados de usuários das cenas de uso", diz o relatório do Ministério da Justiça.
O professor de psiquiatria da Unifesp Universidade Federal de São Paulo, Dartiu Xavier diz que o País não tem dados precisos sobre esse tipo de droga.
—Constata-se que não sabemos qual é a real dimensão do crack no País.
O médico, que há 15 anos dirige o Proad (Programa de Orientação e Atendimento), questiona o caráter de "epidemia" que foi conferido ao problema e a pressa com que o programa foi lançado.
Xavier afirma que o retrato do crack no Brasil só deverá ser traçado por uma pesquisa encomendada pelo governo à Fundação Oswaldo Cruz, ainda em andamento.
—O estudo é sério, muito bem feito, mas foi atropelado.
A atividade teve de ser interrompida em alguns pontos do País, depois de ações policiais que dissolveram as comunidades, como em São Paulo.
No papel
Os documentos indicam ainda que a atuação das forças de segurança pública neste ano, nas chamadas "cenas de uso", ficou a reboque de ações estaduais. E parte do planejamento para a atuação dos agentes de segurança nesses locais ainda não saiu do papel. O relatório da Secretaria Nacional de Segurança Pública previa, por exemplo, a intervenção em 51 cracolândias de maior concentração de usuários para identificação e prisão de traficantes, além da instalação de 44 bases móveis com videomonitoramento e 1.072 pontos de câmeras fixas.
O pregão para a compra do sistema de captação e transmissão de imagens foi suspenso. As demais licitações para aquisição de veículos, motocicletas e armas de baixa letalidade ainda não foram concluídas. Mas o governo afirma que até o fim do ano entregará todo o material para os Estados. O documento anunciava também ações de inteligência contra o tráfico.
Procurada, a secretária nacional de Segurança, Regina Miki, responsável pelo programa, afirmou que 2012 foi um ano de "amarrar as pontas nas pontas".
—Posso qualificá-lo como um ano de oficina de alinhamento.
Ela ressaltou que o período eleitoral também teria atrasado o cronograma. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
R7
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Curso prepara policiais para lidar com usuários de crack no Rio
Policiais civis e militares e guardas municipais estão passando por uma capacitação para lidar com a abordagem de usuários de crack. Veja como é o treinamento.
R7
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Cão policial sofre ameaças de traficantes armados da zona norte do Rio
Labrador Boss leva a polícia até os esconderijos de criminosos de Manguinhos e Jacarezinho
A ocupação do Complexo de Manguinhos e da favela do Jacarezinho, na zona norte, colocou um dos cachorros do BAC (Batalhão de Ações com Cães) na mira dos traficantes armados. Os criminosos ordenavam pelos radiotransmissores que os comparsas atirassem no animal.
Boss (chefe em inglês), o labrador de pelo amarronzado, se tornou um dos principais alvos dos traficantes que tentavam resistir à chegada das forças de segurança nas comunidades. Segundo o tenente Daniel Rezende, os traficantes diziam para “mirar no marronzinho” durante as incursões no interior das favelas.
— É a primeira vez que um animal nosso recebe esse tipo de ameaça. A gente já tinha achado muita coisa antes da ocupação final por causa do Boss. Nós captamos pelos radiotransmissores que os traficantes estavam de olho nele. Eles diziam: “Mirem [as armas] no marronzinho. Tem que pegar o marronzinho!”.
O labrador Boss só tem cinco anos, mas a experiência do cão policial faz inveja a qualquer recruta. A habilidade de encontrar armas, drogas e explosivos simplesmente pelo cheiro levou os policiais militares aos principais esconderijos da facção que contralava Manguinhos e Jacarezinho.
— Boss é um dos recordistas em descobrir armas e drogas. Ele é o nosso grande parceiro nas operações. O faro dele é infalível.
No domingo (28), graças ao trabalho de Boss, os PMs apreenderam mais de 300 kg de maconha em uma casa abandonada em Manguinhos. Após as ameaças, o BAC redobrou a segurança do cão. O tenente Daniel Rezende explica que, durante as operações, os policiais formam um cinturão em torno do animal.
— Nós somos uma patrulha de nove policiais. Dois vão na frente e os outros ficam pelas laterais e atrás. Formamos um cinturão de 360 graus para deixar o cão com segurança total.
Boss trabalha em média seis horas por dia. Após um dia de trabalho, o labrador ganha um dia de folga. No quartel, o cão policial passa por avaliações de treinadores e veterinários. Uma bola de tênis garante a diversão do animal durante o descanso.
R7
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Mulher agredida por usuário de crack na Barra é americana
O delegado titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), Carlos Henrique Pereira Machado, informou que o usuário de crack que agrediu uma mulher na orla da Barra já foi atuado em flagrante por tentativa de homicídio. Ele foi identificado como sendo Alexandre Luiz de Oliveira, de 33 anos. A vítima se chama Renné Murdoch, de 44 anos, e foi internada em estado grave no Hospital Miguel Couto, na Gávea.
Renné está radicada no Rio há cerca de 12 anos, acompanhando o pastor e missionário Philip Murdoch, da Igreja Luz às Nações. Ele também é engenheiro. Neto de ingleses e morou no Estados Unidos, onde conheceu a mulher. O casal tem 4 filhos que estudam na Escola Internacional do Rio, que funciona na igreja Uninon Church, na Barra. Renné trabalha na igreja com o marido. Nos Estados Unidos ela atuava num grupo cristão que amparava mães solteiras, tentando dissuadí-las de fazer aborto.
A vítima está em coma induzido e acabou se se submeter à segunda cirurgia no Hospital Miguel Couto. Ela sofreu traumatismo craniano.
O acusado foi levado à delegacia por guardas municipais, que conseguiram resgatá-lo das mãos de populares que ameçavam linchá-lo.
O usuário de crack, em estado de choque, dizia apenas:
-- Já passou, já passou.
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