Papiros foram descobertos há mais de um século em cidade a cerca de 160 quilômetros do Cairo, no Egito - Egypt Exploration Society
Magia promete ‘queimar o coração’ de mulher até ela se apaixonar por feiticeiro
RIO — Os populares anúncios que prometem trazer o amor em sete dias são bem mais antigos do que se imagina. Pesquisadores da Universidade de Udine, na Itália, conseguiram decifrar dois papiros egípcios, escritos há aproximadamente 1.700 anos, com feitiços para conquistar a pessoa amada. Em um deles, deuses são invocados para “queimar o coração” de uma mulher até que ela ame o feiticeiro. No outro, palavras mágicas devem ser proferidas para “subjugar” um homem e forçá-lo a fazer tudo o que lhe for mandado.
Segundo o autor das traduções, Franco Maltomini, os dois feitiços não eram direcionados a uma pessoa específica, mas serviam como uma espécie de receita, informa o site Live Science. Quem quisesse lançar a magia precisava apenas inserir o nome do alvo desejado, que os deuses eram invocados. Os papiros são datados do século III d.C., mas a autoria dos feitiços é desconhecida. Os textos são escritos em grego, uma língua amplamente utilizada no Egito na época.
Os papiros foram descobertos há mais de um século pelos arqueólogos Bernard Grenfell e Arthur Hunt, em Oxirrinco, a cerca de 160 quilômetros do Cairo, no Egito, entre centenas de milhares de outros documentos. Ao longo do tempo, os textos foram estudados e traduzidos. Muitos deles fazem parte de coleção da Egypt Exploration Society, do Reino Unido, e armazenados da Universidade de Oxford, na Inglaterra.
Maltomini é um dos pesquisadores associados baseados em outras universidades, que analisam a traduzem esse material. Os resultados serão publicados na próxima edição da revista “The Oxyrhynchus Papyri“, série de livros focada na publicação de estudos sobre os papiros de Oxirrinco.
Os feitiços decifrados invocam vários deuses gnósticos — Gnosticismo era uma antiga religião que incorporava elementos presentes no Cristianismo —, dizendo que os feiticeiros deveriam queimar uma série de oferendas em uma casa de banho, e o feitiço deveria ser escrito nas paredes.
“Eu vos conjuro, terra e água, pelo demônio que habita em você. E conjuro o destino deste banho para que, enquanto se queima, queime ela (a mulher alvo), que (nome da mãe da mulher alvo) pariu, até que ela venha a mim”, diz um dos textos, seguido por uma série de deuses e palavras mágicas. “Nomes sagrados, inflamem o caminho e queimem o coração dela”.
O outro papiro contém um feitiço para forçar um homem a fazer qualquer coisa que o feiticeiro mandar. O trabalho prescreve que uma série de palavras mágicas devem ser gravadas em uma pequena placa de cobre, que depois deve ser costurada em algo que o alvo usa, como uma sandália ou uma vestimenta.
No verso do papiro existe uma lista de receitas sobre o uso de excrementos de animais para tratar uma série de problemas, incluindo dores de cabeça e hanseníase, e até para melhorar o sexo. Umas das receitas diz que a combinação de mel com as fezes de uma ave, usada de uma forma específica não descrita no texto, serviria para “promover o prazer”.
Fonte: O Globo
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terça-feira, 24 de maio de 2016
domingo, 24 de janeiro de 2016
As tragédias dos índios Krenak
O índio torturado Manoel Vieira das Graças, Manoel Pankararu, nas ruínas do que sobrou do Reformatório destruído pela enchente do Rio Doce em 1979Foto: Michel Filho / Agência O Globo
Na história oficial, o Reformatório Krenak, instalado pelo governo no auge do regime militar, servia para “corrigir índios desajustados”. Para a etnia, não passou de uma “cadeia”, palco de espancamento, tortura e desaparecimentos. O Ministério Público Federal está pedindo a reparação pelas violações
RESPLENDOR (MG) - O sorriso que intensifica as rugas ao redor, no rosto de Dejanira Krenak, de 65 anos, dá lugar a um semblante consternado. Incomoda lembrar quando “não podia ser alegre, acender fogo, falar a língua, tomar um gole”. Eram algumas das proibições impostas pelo governo militar, que manteve o Reformatório Krenak na terra da etnia, de 1969 a 1972, para receber índígenas criminosos ou considerados de mau comportamento. Convênio firmado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) deu à Polícia Militar de Minas Gerais a tarefa de cuidar das aldeias da região, no Vale do Rio Doce, já cobiçada à época por fazendeiros e mineradores. Quem desobedecesse às regras ficava preso.
94 indígenas em reformatório
Não só os krenaks conheceram a “cadeia”, como eles se referem ao reformatório. Pelo menos 94 indígenas de 15 etnias levados de 11 estados passaram por lá, segundo dois inquéritos do Ministério Público Federal (MPF) em Minas que investigam essa passagem dos anos de chumbo. Manoel Vieira das Graças, de 68 anos, é um dos que chegaram no caminhão apinhado de gente. Pankararu, da aldeia Brejo dos Padres, em Tacaratu (PE), conta que foi levado à força para o presídio com o pai, depois de se envolver em uma briga:
— Botaram nós na cadeia. Sofremos demais aqui. Batiam, machucavam os índios.
Em meio às ruínas do antigo reformatório, onde diz ter passado muitos anos, Manoel mostrou o local do “cubículo”, uma solitária, pequena e abafada, onde indisciplinados passavam noites de castigo. Havia uma passagem de água que gotejava em quem estivesse lá, o que era visto como uma forma de tortura. De dia, os indígenas tinham que trabalhar na roça e na limpeza do posto militar.
Pankararu diz não gostar de ir ao local, porque rememora a “escravidão”. Manoel é citado na lista oficial de “confinados”. Os motivos para as prisões, mostra o documento, iam de embriaguez, vadiagem, homicídio, roubos, até pederastia. Mulheres também eram punidas. Laurita Felix, de 84 anos, conta que a mãe, Bastianinha, ficou detida por três meses porque “bebeu um tantinho de pinga”. Segundo ela, era comum os presos ficarem o primeiro dia sem comer ou beber:
— Eu fui levar almoço e água para dar a ela. Eles disseram: “Não vai dar, não, porque ela é muito teimosa” — lembra.
Os índios tinham que respeitar regras, como não falar a própria língua ou pedir autorização para deixar a aldeia. Para José Alfredo de Oliveira, o Cacique Nego, era uma humilhação:
— A gente tinha que sair só debaixo de ordem, igual a um ladrão, um assassino. Uma vez, passei para o lado de lá do rio para jogar uma sinuquinha, aí me prenderam, fiquei 17 dias preso.
Os desaparecimentos intrigam os krenak mais antigos. O alvo principal eram os que tentavam fugir. Se capturados, apanhavam até “vomitar sangue”, diz Laurita. Alguns sumiam depois. Entre os “chefes” do período, o que mais aparece nos relatos dos indígenas é o do “capitão Pinheiro”, hoje major reformado da PM mineira e responsável pelo controle da região na época, tido como “bravo” e “ruim”.
Em 1972, os indígenas no local foram removidos para a Fazenda Guarani, em Carmésia (MG), que o governo de Minas deu à Funai em troca das terras tradicionais dos krenak. Esperança de um recomeço, a nova morada virou um castigo. As péssimas condições e a falta de comida, agravadas por não haver rio próximo, estão registradas em documentos oficiais.
Os krenak se dispersaram nos anos 70. Muitos já haviam passado por uma primeira expulsão. É o caso de Euclides Krenak. Com 105 anos, ele ficou mais da metade da vida entre aldeias em Mato Grosso do Sul e São Paulo. Mesmo após a área ser devolvida aos krenak, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 1993, eles relutavam em voltar.
— Tive que ir atrás dele para garantir que não tinha mais polícia aqui — conta a irmã, Dejanira.
Apesar da idade, Euclides mantém ar vigilante. De tempos em tempos, olha para a janela, como se esperasse a chegada de alguém. E resume que “morreu muito índio” na terra onde quer ser enterrado.
O MPF ajuizou, há um mês, ação pedindo reparação do Estado aos krenaks, que incluem desculpa pública, ações para resgate da língua tradicional e revisão territorial. O procurador da República Edmundo Antonio Dias defende a medida:
— O reformatório era um presídio sem previsão legal, destinado a confinar indígenas em razão de condutas em geral sequer previstas pela legislação penal, sem qualquer julgamento. Os índios não podiam viver sua própria cultura, praticar seus rituais. É uma continuação do processo de desterritorialização que começou com o Brasil Colônia e que foi intensificado, no século passado, durante o período do regime militar.
A Funai, em nota, reconheceu a violência sofrida pelos indígenas na ditadura e lembrou que a Comissão Nacional da Verdade estimou ao menos 8.350 indígenas mortos “em decorrência da ação direta ou da omissão de agentes governamentais”.
Além do órgão indigenista, foram acionados judicialmente a Fundação Rural Minas, o estado de Minas e o major Manoel Pinheiro. A Rural Minas informou que não colaborou com as supostas violações. Os demais não retornaram.
Visão desoladora. Família indígena observa o Rio Doce tomado por por rejeitos: cerca evita que bois bebam a água - Michel Filho / Agência O Globo
Na terra indígena Krenak, que abriga cerca de 400 pessoas em quatro mil hectares, na margem esquerda do Rio Doce, cercas foram colocadas recentemente, parte do plano de redução de danos das empresas envolvidas no rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG). A medida visa evitar que animais criados pelos indígenas, especialmente bois, bebam água do rio. Com os olhos úmidos, Irani Felix aponta incrédula para o obstáculo:
— Nunca pensei ter uma cerca impedindo a gente de chegar no rio — comenta.
O pequeno Naktã, de 5 anos, filho mais novo de Irani, reclama de não ter mais onde aprender a nadar. Apesar do chinelo do Capitão América e joguinhos no celular da mãe, que o deixam tão semelhante a qualquer garoto de fora da aldeia, a criança mostra uma relação diferente com o Rio Doce. Fala com pesar sobre o “montão de peixe” que morreu perto da casa da família. E lista córregos e riachos próximos onde ele talvez possa encontrar lambari.
Pescar e beber água é a preocupação de José Cecílio Damasceno, ou Takruko, como se apresenta logo depois de usar o nome de “branco”. O indígena fala com desespero da sujeira que tomou conta do leito do rio, chamando-o de “rio do amargor”. Além da renda obtida com o trabalho de barqueiro pela prefeitura, ele recorria ao Doce para reforçar o orçamento:
— O rio dava tudo para nós. Se eu precisava de um pacote de açúcar, pescava e vendia para os restaurantes. Agora está tudo morto.
A água mineral que vem sendo distribuída pelas empresas, segundo ele, não “mata a sede da gente”. Em todas as casas da terra indígena, há caixas azuis que armazenam a água distribuída por carros-pipa, destinada aos animais e afazeres domésticos. Na última semana, porém, as chuvas que atingiram a região têm dificultado a chegada do recurso.
— Choveu demais e, em muitas estradas, os carros-pipa não passam. Teve queda de barreira, está muito difícil — diz Douglas Krenak, líder jovem da etnia.
Barbicha, roupas esportivas, internet em casa, Douglas representa as mudanças pelas quais o povo Krenak passou ao longo do tempo. As seis aldeias que formam a terra indígena guardam pouca semelhança com o que era na década de 1960 e 1970, quando os militares passaram a comandar o local. A mata diminuiu, deu lugar a pastos, que alimentam os bois criados pelos indígenas. A comunidade se engajou num projeto de produção de leite para cooperativas, que hoje representa boa parte da renda dos moradores.
Carros, motos e antenas parabólicas são itens quase obrigatórios na porta das casas de alvenaria, bem modestas, onde os indígenas moram. O casamento com “brancos” é outra prática comum da geração jovem das aldeias. O cabelo geralmente escorrido e escuro deixou de ser regra entre a criançada que corre na frente das casas. Nem por isso, defende o procurador Edmundo Antônio Dias, perdem a condição de indígenas:
— Segundo a Convenção 169 (da OIT), povo indígena é o que se reconhece como tal, esteja ele onde estiver. Não é porque as condições mudaram, que o jovem passou a estudar, fazer faculdade, que se perdem os valores próprios deles.
O povo Krenak pede à Funai uma revisão territorial da terra indígena já demarcada. Eles reivindicam a área de Sete Salões, que fica do outro lado do rio e é parte de um parque estadual, muito visitado por turistas. Segundo a Funai, o grupo de trabalho que fará os estudos necessários à identificação e à eventual nova delimitação deverá ser retomado no primeiro semestre deste ano. Os indígenas alegam que se trata de um local sagrado, onde os antepassados viviam.
Atualmente, há no Brasil 37 terras indígenas delimitadas, 66 declaradas, oito homologadas e 434 regularizadas, fase final do procedimento, segundo a Funai. No total, são 545 áreas nas mais diferentes fases de reconhecimento.
Fonte: O Globo
Na história oficial, o Reformatório Krenak, instalado pelo governo no auge do regime militar, servia para “corrigir índios desajustados”. Para a etnia, não passou de uma “cadeia”, palco de espancamento, tortura e desaparecimentos. O Ministério Público Federal está pedindo a reparação pelas violações
RESPLENDOR (MG) - O sorriso que intensifica as rugas ao redor, no rosto de Dejanira Krenak, de 65 anos, dá lugar a um semblante consternado. Incomoda lembrar quando “não podia ser alegre, acender fogo, falar a língua, tomar um gole”. Eram algumas das proibições impostas pelo governo militar, que manteve o Reformatório Krenak na terra da etnia, de 1969 a 1972, para receber índígenas criminosos ou considerados de mau comportamento. Convênio firmado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) deu à Polícia Militar de Minas Gerais a tarefa de cuidar das aldeias da região, no Vale do Rio Doce, já cobiçada à época por fazendeiros e mineradores. Quem desobedecesse às regras ficava preso.
94 indígenas em reformatório
Não só os krenaks conheceram a “cadeia”, como eles se referem ao reformatório. Pelo menos 94 indígenas de 15 etnias levados de 11 estados passaram por lá, segundo dois inquéritos do Ministério Público Federal (MPF) em Minas que investigam essa passagem dos anos de chumbo. Manoel Vieira das Graças, de 68 anos, é um dos que chegaram no caminhão apinhado de gente. Pankararu, da aldeia Brejo dos Padres, em Tacaratu (PE), conta que foi levado à força para o presídio com o pai, depois de se envolver em uma briga:
— Botaram nós na cadeia. Sofremos demais aqui. Batiam, machucavam os índios.
Em meio às ruínas do antigo reformatório, onde diz ter passado muitos anos, Manoel mostrou o local do “cubículo”, uma solitária, pequena e abafada, onde indisciplinados passavam noites de castigo. Havia uma passagem de água que gotejava em quem estivesse lá, o que era visto como uma forma de tortura. De dia, os indígenas tinham que trabalhar na roça e na limpeza do posto militar.
Pankararu diz não gostar de ir ao local, porque rememora a “escravidão”. Manoel é citado na lista oficial de “confinados”. Os motivos para as prisões, mostra o documento, iam de embriaguez, vadiagem, homicídio, roubos, até pederastia. Mulheres também eram punidas. Laurita Felix, de 84 anos, conta que a mãe, Bastianinha, ficou detida por três meses porque “bebeu um tantinho de pinga”. Segundo ela, era comum os presos ficarem o primeiro dia sem comer ou beber:
— Eu fui levar almoço e água para dar a ela. Eles disseram: “Não vai dar, não, porque ela é muito teimosa” — lembra.
Os índios tinham que respeitar regras, como não falar a própria língua ou pedir autorização para deixar a aldeia. Para José Alfredo de Oliveira, o Cacique Nego, era uma humilhação:
— A gente tinha que sair só debaixo de ordem, igual a um ladrão, um assassino. Uma vez, passei para o lado de lá do rio para jogar uma sinuquinha, aí me prenderam, fiquei 17 dias preso.
Os desaparecimentos intrigam os krenak mais antigos. O alvo principal eram os que tentavam fugir. Se capturados, apanhavam até “vomitar sangue”, diz Laurita. Alguns sumiam depois. Entre os “chefes” do período, o que mais aparece nos relatos dos indígenas é o do “capitão Pinheiro”, hoje major reformado da PM mineira e responsável pelo controle da região na época, tido como “bravo” e “ruim”.
Em 1972, os indígenas no local foram removidos para a Fazenda Guarani, em Carmésia (MG), que o governo de Minas deu à Funai em troca das terras tradicionais dos krenak. Esperança de um recomeço, a nova morada virou um castigo. As péssimas condições e a falta de comida, agravadas por não haver rio próximo, estão registradas em documentos oficiais.
Os krenak se dispersaram nos anos 70. Muitos já haviam passado por uma primeira expulsão. É o caso de Euclides Krenak. Com 105 anos, ele ficou mais da metade da vida entre aldeias em Mato Grosso do Sul e São Paulo. Mesmo após a área ser devolvida aos krenak, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 1993, eles relutavam em voltar.
— Tive que ir atrás dele para garantir que não tinha mais polícia aqui — conta a irmã, Dejanira.
Apesar da idade, Euclides mantém ar vigilante. De tempos em tempos, olha para a janela, como se esperasse a chegada de alguém. E resume que “morreu muito índio” na terra onde quer ser enterrado.
O MPF ajuizou, há um mês, ação pedindo reparação do Estado aos krenaks, que incluem desculpa pública, ações para resgate da língua tradicional e revisão territorial. O procurador da República Edmundo Antonio Dias defende a medida:
— O reformatório era um presídio sem previsão legal, destinado a confinar indígenas em razão de condutas em geral sequer previstas pela legislação penal, sem qualquer julgamento. Os índios não podiam viver sua própria cultura, praticar seus rituais. É uma continuação do processo de desterritorialização que começou com o Brasil Colônia e que foi intensificado, no século passado, durante o período do regime militar.
A Funai, em nota, reconheceu a violência sofrida pelos indígenas na ditadura e lembrou que a Comissão Nacional da Verdade estimou ao menos 8.350 indígenas mortos “em decorrência da ação direta ou da omissão de agentes governamentais”.
Além do órgão indigenista, foram acionados judicialmente a Fundação Rural Minas, o estado de Minas e o major Manoel Pinheiro. A Rural Minas informou que não colaborou com as supostas violações. Os demais não retornaram.
Visão desoladora. Família indígena observa o Rio Doce tomado por por rejeitos: cerca evita que bois bebam a água - Michel Filho / Agência O Globo
Na terra indígena Krenak, que abriga cerca de 400 pessoas em quatro mil hectares, na margem esquerda do Rio Doce, cercas foram colocadas recentemente, parte do plano de redução de danos das empresas envolvidas no rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG). A medida visa evitar que animais criados pelos indígenas, especialmente bois, bebam água do rio. Com os olhos úmidos, Irani Felix aponta incrédula para o obstáculo:
— Nunca pensei ter uma cerca impedindo a gente de chegar no rio — comenta.
O pequeno Naktã, de 5 anos, filho mais novo de Irani, reclama de não ter mais onde aprender a nadar. Apesar do chinelo do Capitão América e joguinhos no celular da mãe, que o deixam tão semelhante a qualquer garoto de fora da aldeia, a criança mostra uma relação diferente com o Rio Doce. Fala com pesar sobre o “montão de peixe” que morreu perto da casa da família. E lista córregos e riachos próximos onde ele talvez possa encontrar lambari.
Pescar e beber água é a preocupação de José Cecílio Damasceno, ou Takruko, como se apresenta logo depois de usar o nome de “branco”. O indígena fala com desespero da sujeira que tomou conta do leito do rio, chamando-o de “rio do amargor”. Além da renda obtida com o trabalho de barqueiro pela prefeitura, ele recorria ao Doce para reforçar o orçamento:
— O rio dava tudo para nós. Se eu precisava de um pacote de açúcar, pescava e vendia para os restaurantes. Agora está tudo morto.
A água mineral que vem sendo distribuída pelas empresas, segundo ele, não “mata a sede da gente”. Em todas as casas da terra indígena, há caixas azuis que armazenam a água distribuída por carros-pipa, destinada aos animais e afazeres domésticos. Na última semana, porém, as chuvas que atingiram a região têm dificultado a chegada do recurso.
— Choveu demais e, em muitas estradas, os carros-pipa não passam. Teve queda de barreira, está muito difícil — diz Douglas Krenak, líder jovem da etnia.
Barbicha, roupas esportivas, internet em casa, Douglas representa as mudanças pelas quais o povo Krenak passou ao longo do tempo. As seis aldeias que formam a terra indígena guardam pouca semelhança com o que era na década de 1960 e 1970, quando os militares passaram a comandar o local. A mata diminuiu, deu lugar a pastos, que alimentam os bois criados pelos indígenas. A comunidade se engajou num projeto de produção de leite para cooperativas, que hoje representa boa parte da renda dos moradores.
Carros, motos e antenas parabólicas são itens quase obrigatórios na porta das casas de alvenaria, bem modestas, onde os indígenas moram. O casamento com “brancos” é outra prática comum da geração jovem das aldeias. O cabelo geralmente escorrido e escuro deixou de ser regra entre a criançada que corre na frente das casas. Nem por isso, defende o procurador Edmundo Antônio Dias, perdem a condição de indígenas:
— Segundo a Convenção 169 (da OIT), povo indígena é o que se reconhece como tal, esteja ele onde estiver. Não é porque as condições mudaram, que o jovem passou a estudar, fazer faculdade, que se perdem os valores próprios deles.
O povo Krenak pede à Funai uma revisão territorial da terra indígena já demarcada. Eles reivindicam a área de Sete Salões, que fica do outro lado do rio e é parte de um parque estadual, muito visitado por turistas. Segundo a Funai, o grupo de trabalho que fará os estudos necessários à identificação e à eventual nova delimitação deverá ser retomado no primeiro semestre deste ano. Os indígenas alegam que se trata de um local sagrado, onde os antepassados viviam.
Atualmente, há no Brasil 37 terras indígenas delimitadas, 66 declaradas, oito homologadas e 434 regularizadas, fase final do procedimento, segundo a Funai. No total, são 545 áreas nas mais diferentes fases de reconhecimento.
Fonte: O Globo
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Tutancâmon usava bengala e teve pênis embalsamado a 90 graus
Aparência completa do rei egípcio foi revelada em um estudo recente
Foto: Daily Mail / Reprodução
Os pais do rei egípcio eram irmãos - o que teria causado problemas genéticos e disfunções hormonais
Em um dos estudos mais profundos sobre Tutancâmon, cientistas europeus e africanos conseguiram recriar a imagem do rei egípcio através de mais de 2 mil escâneres e autópsias virtuais. Segundo as análises genéticas, Tutancâmon tinha dentes tortos, quadril de mulher e uma deficiência na perna que o fazia mancar. As informações são do Daily Mail.
Pelo mapeamento genético, os cientistas conseguiram descobrir que os pais de Tutancâmon eram irmãos – por isso, ele apresentava diversos problemas hereditários, o que pode ter causado sua morte.
Apesar do mito de que o rei teria morrido em consequência de um acidente de carruagem, o estudo revela que esta informação é impossível, já que o rei egípcio precisava de bengalas para se movimentar, tendo uma das pernas bastante torta.
Ainda de acordo com o estudo, o rei sofria de distúrbios hormonais, o que teria causado o quadril largo, por exemplo, e a morte prematura durante a juventude. O radiologista egípcio Ashraf Selim disse que as autópsias virtuais mostram que “os dedos do pé eram divergentes, ou seja, tortos”. Também foi encontrada uma fratura no joelho que pode ter infeccionado e causado sua morte em 1323 a.C.
Casal alemão devolverá ao Egito esteira faraônica roubada
Algumas revelações curiosas sobre sua mumificação também foram feitas pelos cientistas: o rei teve o pênis embalsamado a 90 graus (como se estivesse ereto), estava coberto por um líquido preto e teve o coração retirado para que as pessoas pensassem que fosse um deus – inspirado em Osíris, como explicou o professor Salima Ikram, da Universidade Americana do Cairo. Em seu sarcófago, foram encontradas 130 bengalas – que teria usado ao longo da vida para andar.
As descobertas foram reveladas em um documentário da BBC One chamado “Tutankhamun: The Truth Uncovered”.
Foto: Daily Mail / Reprodução
Os pais do rei egípcio eram irmãos - o que teria causado problemas genéticos e disfunções hormonais
Em um dos estudos mais profundos sobre Tutancâmon, cientistas europeus e africanos conseguiram recriar a imagem do rei egípcio através de mais de 2 mil escâneres e autópsias virtuais. Segundo as análises genéticas, Tutancâmon tinha dentes tortos, quadril de mulher e uma deficiência na perna que o fazia mancar. As informações são do Daily Mail.
Pelo mapeamento genético, os cientistas conseguiram descobrir que os pais de Tutancâmon eram irmãos – por isso, ele apresentava diversos problemas hereditários, o que pode ter causado sua morte.
Apesar do mito de que o rei teria morrido em consequência de um acidente de carruagem, o estudo revela que esta informação é impossível, já que o rei egípcio precisava de bengalas para se movimentar, tendo uma das pernas bastante torta.
Ainda de acordo com o estudo, o rei sofria de distúrbios hormonais, o que teria causado o quadril largo, por exemplo, e a morte prematura durante a juventude. O radiologista egípcio Ashraf Selim disse que as autópsias virtuais mostram que “os dedos do pé eram divergentes, ou seja, tortos”. Também foi encontrada uma fratura no joelho que pode ter infeccionado e causado sua morte em 1323 a.C.
Casal alemão devolverá ao Egito esteira faraônica roubada
Algumas revelações curiosas sobre sua mumificação também foram feitas pelos cientistas: o rei teve o pênis embalsamado a 90 graus (como se estivesse ereto), estava coberto por um líquido preto e teve o coração retirado para que as pessoas pensassem que fosse um deus – inspirado em Osíris, como explicou o professor Salima Ikram, da Universidade Americana do Cairo. Em seu sarcófago, foram encontradas 130 bengalas – que teria usado ao longo da vida para andar.
As descobertas foram reveladas em um documentário da BBC One chamado “Tutankhamun: The Truth Uncovered”.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Descoberta enorme tumba no norte da Grécia do tempo de Alexandre, o Grande
Arqueológos dizem que é o maior cemitério já encontrado no país
ANFÍPOLIS, GRÉCIA - A descoberta de uma enorme tumba no Norte da Grécia, que data do tempo de Alexandre, o Grande, da Macedônia, entusiasmou os moradores do país no Mediterrâneo, distraindo-os da terrível crise que a economia local enfrenta há anos. Gregos, assim como arqueólogos do mundo todo, agora se perguntam quem estaria enterrado em um túmulo tão imponente.
A descoberta aconteceu no início de agosto. Segundo o site da BBC, uma equipe de arqueólogos gregos liderados por Katerina Peristeri desenterrou o que, dizem as autoridades, seria o maior cemitério já descoberto no país. O achado está num monte na Anfípolis antiga, uma grande cidade do reino da Macedônia, 100km a leste de Thessaloniki, segunda maior cidade da Grécia.
A estrutura remonta ao final do século IV a.C., e o muro ao redor dele é de 500 metros de circunferência, superando as dimensões do local de enterro do pai de Alexandre, Filipe II, em Vergina, a oeste de Thessaloniki.
- Estamos observando com admiração e com profunda emoção a escavação em Amphipolis. Este é um monumento enterro de dimensões únicas e impressionante maestria artística. Os mais belos segredos estão escondidos logo abaixo de nossos pés - disse o ministro da Cultura da Grécia, Konstantinos Tasoulas
Dentro da tumba, foram encontrados dois cariátides(estátuas de mulheres com túnicas) de cerca de 2,7 metros de altura, colocados ali, possivelmente, para afastar instrusos da câmara principal. O novo sítio arqueológico está sob proteção policial 24 horas por dia. A ideia é manter jornalistas e turistas afastados enquanto os cientistas realizam seu trabalho.
Só a equipe de arqueólogos pode dar pistas sobre quem está enterrado ali, mas os envolvidos ainda estão entretidos em medidas para preservar o local (uma das câmaras da tumba corre o risco de desabar). Para a população dos vilarejos ao redor do sítio, entretanto, não há dúvidas de que Alexandre, o Grande, é o dono do túmulo. Mas esta afirmação é tratada como especulação pelo governo grego, já que, até hoje, acredita-se que Alexandre estaria enterrado em algum lugar do Egito.
O Globo
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