Cientistas dinamarqueses estão esperando resultados de um experimento que, se der certo, pode significar a criação de uma cura distribuível e acessível para o vírus HIV, que causa a Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), dentro de alguns meses. Pesquisadores estão conduzindo ensaios clínicos para testar uma "nova estratégia", no qual o vírus é despojado do DNA humano, onde se multiplica, e destruído permanentemente pelo sistema imunológico do paciente. A medida representaria um passo dramático na tentativa de encontrar uma cura para o vírus. As informações são do jornal inglês Telegraph.
A técnica envolve a libertação do vírus HIV de "reservatórios" que estes formam no DNA das células, levando-o para a superfície das mesmas. Uma vez “exposto” na superfície da célula, o vírus pode ser eliminado naturalmente pelo sistema imunológico, capaz de criar uma "vacina" contra ele. Os cientistas estão atualmente realizando testes em humanos, na esperança de provar que ele é eficaz. Em laboratório, os testes já foram bem-sucedidos.
Pesquisa em humanos
Em estudos in vitro - aqueles nos quais são usadas células humanas em laboratório - a nova técnica foi tão bem sucedida que, em janeiro, o Conselho de Pesquisa dinamarquês premiou os pesquisadores com cerca de R$ 5 milhões para darem prosseguimento na pesquisa, desta vez, em humanos.
De acordo com Dr. Søgaard, pesquisador sênior do Hospital da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, que lidera o estudo, os primeiros sinais são "promissores".
- Estou quase certo de que teremos sucesso. O desafio será fazer o sistema imunológico dos pacientes reconhecer o vírus, depois de exposto, e destruí-lo. Isto depende da força e da sensibilidade dos sistemas imunes individuais - afirmou
Quinze pacientes estão participando dos ensaios e, se eles forem considerados curados do HIV, o tratamento será testado em uma escala mais ampla.
A pesquisa da equipe dinamarquesa está entre o movimento mais avançado e rápido do mundo para a cura do HIV.
Comportamento seguro
Dr Søgaard ressaltou que a cura não é o mesmo que uma vacina preventiva e que a sensibilização de comportamento inseguro, incluindo relações sexuais desprotegidas e compartilhamento de agulhas, ainda são de suma importância na luta contra o HIV.
Com o tratamento moderno HIV, o paciente pode viver uma vida quase normal, mesmo em idade avançada, com efeitos colaterais limitados.
No entanto, se a medicação for interrompida, o vírus pode voltar a se multiplicar no organismo do indivíduo e os sintomas da Aids podem reaparecer em duas semanas.
Encontrar uma cura iria libertar o paciente da necessidade de tomar medicação contínua HIV e salvar bilhões em serviços de saúde pública.
Fonte: Extra
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quinta-feira, 30 de junho de 2016
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Passividade faz cientistas investigarem se há Rivotril na água dos brasileiros
Corrupção de milhões, acordos , limitação da ideia de família, retirada de direitos da mulher, porte de armas para deputados, projeto que anistia o dinheiro legal no exterior, impostos altos sem contrapartida social, semana de terça a quinta no Congresso…
Diante de tanto escândalos e decisões que prejudicam a vida do brasileiro, cientistas de um pool de universidades nacionais e estrangeiras estão apurando uma desconfiança antiga: a existência de calmantes na água que o brasileiro toma. “Claro que a falta de conhecimento da atualidade que existe a partir da educação de qualidade do brasileiro é um fator que merece ser levado em conta”, diz Eduardo Santanna, da Universidade do Sudeste. “Mas este nível de passividade diante de tudo merece ser investigado a fundo”, garante.
Os cientistas vão apurar também por que mesmo as pessoas esclarecidas têm energia para discutir e clamar por justiça apenas nas redes sociais. “O ativista de Facebook é um personagem contemporâneo nefasto”, opina Santana. “Porque dá a sensação de que a pessoa está fazendo algo, quando de verdade não está, e gasta sua energia em algo inócuo”.
Fonte: UOL
Diante de tanto escândalos e decisões que prejudicam a vida do brasileiro, cientistas de um pool de universidades nacionais e estrangeiras estão apurando uma desconfiança antiga: a existência de calmantes na água que o brasileiro toma. “Claro que a falta de conhecimento da atualidade que existe a partir da educação de qualidade do brasileiro é um fator que merece ser levado em conta”, diz Eduardo Santanna, da Universidade do Sudeste. “Mas este nível de passividade diante de tudo merece ser investigado a fundo”, garante.
Os cientistas vão apurar também por que mesmo as pessoas esclarecidas têm energia para discutir e clamar por justiça apenas nas redes sociais. “O ativista de Facebook é um personagem contemporâneo nefasto”, opina Santana. “Porque dá a sensação de que a pessoa está fazendo algo, quando de verdade não está, e gasta sua energia em algo inócuo”.
Fonte: UOL
sexta-feira, 31 de julho de 2015
Caverna escavada por mamíferos gigantes é descoberta na Amazônia
Pesquisadores dentro da paleotoca, labirinto cavado por animais como preguiças e tatus gigantes - Divulgação
Labirinto conhecido como paleotoca teria sido cavado por preguiça gigante extinta há mais de 10 mil anos
por Cleide Carvalho
SÃO PAULO - Uma equipe da CPRM- Serviço Geológico do Brasil achou a primeira paleotoca da região Amazônica em Ponta do Abunã, em Rondônia. Paleotocas são labirintos gigantes escavados por animais já extintos, como preguiças e tatus gigantes. No caso de Ponta do Abunã, o geólogo Amilcar Adamy, que chefiou a expedição, acredita que o túnel foi escavado por uma preguiça gigante extinta há cerca de 10 mil anos, uma vez que fósseis do mamífero já foram localizadas no vale do Rio Madeira durante a fase de garimpo. No túnel é possível identificar marcas de garra que podem ser do animal.
- A caverna havia sido visitada algumas vezes por moradores de uma comunidade próxima, mas eles imaginavam que ela era uma obra humana, não escavada por animais gigantes. É uma ocorrência única na Amazônia e é importante também por identificar o modo de vida desses animais e o clima do período Pleistoceno, caracterizado por uma megafauna na região. E está muito bem preservado - diz Adamy.
As preguiças gigantes, segundo especialistas, mediam até seis metros e pesavam em torno de uma tonelada e meia. Na época em que os túneis foram escavados não havia ali floresta. Segundo o geólogo, a região era uma extensa savana habitada por animais gigantes, como mastodontes e jacarés de grande porte, além das preguiças.
Adamy diz que, provavelmente, a região era muito mais fria e seca no local onde hoje é floresta Amazônica - caracterizada pelo clima oposto, quente e úmido. A entrada da caverna é hoje de difícil acesso justamente por estar encoberta pelas árvores.
A paleotoca da Ponta do Abunã tem estruturas circulares e semicirculares de grandes dimensões, com numerosos túneis interligados e a extensão é ainda indefinida. Os geólogos tomaram conhecimento de sua existência no Projeto Geodiversidade de Rondônia (GD-RO), realizado em 2010, que buscava identificar sítios geológicos que possam ser usados como atração turística e favorecer o desenvolvimento do estado de forma sustentável.
Adamy se interessou pela descoberta e fez contato com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que descobriram e estudam dezenas de paleotocas no Sul do país. Agora, Adamy e sua equipe foram a campo para explorar o local e verificar se, de fato, era uma toca de animal extinto, o que acabou confirmado. O próximo passo é fazer estudos complementares e realizar escavações de pequeno porte na busca de possíveis fósseis, além de identificar a extensão total da caverna. Em alguns trechos o túnel está mais estreito e foram registrados desabamentos. Por isso, é preciso desobstrui-lo para identificar a real extensão, estimada em cerca de 200 metros até agora.
Ponta do Abunã fica na divisa de Rondônia com o Acre e com a Bolívia. O local começou a ser explorado no tempo da exploração da borracha na Amazônia, no século XIX. A ocupação inicial foi feita por moradores do Acre, mas o maior fluxo de migrantes ocorreu na década de 70, com a construção da BR-364. Na década de 80 houve disputa entre Rondônia e Acre sobre a posse da área e só na década de 90 foi decidido que a área pertencia ao estado de Rondônia. O estado do Acre teve de retirar os equipamentos públicos que mantinha na região mas, mesmo assim, a relação é maior com o Acre, já que entre Porto Velho, a capital de Rondônia, e Ponta do Abunã há uma barreira natural, que é o Rio Madeira.
De acordo com pesquisadores, o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com maior número de paleotocas identificadas. São mais de mil. Segundo dados do Projeto Paleotocas, que reúne pesquisadores da UFRS e da Unesp, as paleotocas são exclusivas da América do Sul. Em média, os túneis têm larguras de quatro metros e alturas de 2 metros. As extensões costumam alcançar 200 metros. Em Morro Grande, Santa Catarina, foram identificados 150 metros de túneis, com cerca de 1,5 metro de diâmetro distribuídos em 4 andares. O local fica num morro e tem pelo menos oito saídas.
Fonte: O Globo
Labirinto conhecido como paleotoca teria sido cavado por preguiça gigante extinta há mais de 10 mil anos
por Cleide Carvalho
SÃO PAULO - Uma equipe da CPRM- Serviço Geológico do Brasil achou a primeira paleotoca da região Amazônica em Ponta do Abunã, em Rondônia. Paleotocas são labirintos gigantes escavados por animais já extintos, como preguiças e tatus gigantes. No caso de Ponta do Abunã, o geólogo Amilcar Adamy, que chefiou a expedição, acredita que o túnel foi escavado por uma preguiça gigante extinta há cerca de 10 mil anos, uma vez que fósseis do mamífero já foram localizadas no vale do Rio Madeira durante a fase de garimpo. No túnel é possível identificar marcas de garra que podem ser do animal.
- A caverna havia sido visitada algumas vezes por moradores de uma comunidade próxima, mas eles imaginavam que ela era uma obra humana, não escavada por animais gigantes. É uma ocorrência única na Amazônia e é importante também por identificar o modo de vida desses animais e o clima do período Pleistoceno, caracterizado por uma megafauna na região. E está muito bem preservado - diz Adamy.
As preguiças gigantes, segundo especialistas, mediam até seis metros e pesavam em torno de uma tonelada e meia. Na época em que os túneis foram escavados não havia ali floresta. Segundo o geólogo, a região era uma extensa savana habitada por animais gigantes, como mastodontes e jacarés de grande porte, além das preguiças.
Adamy diz que, provavelmente, a região era muito mais fria e seca no local onde hoje é floresta Amazônica - caracterizada pelo clima oposto, quente e úmido. A entrada da caverna é hoje de difícil acesso justamente por estar encoberta pelas árvores.
A paleotoca da Ponta do Abunã tem estruturas circulares e semicirculares de grandes dimensões, com numerosos túneis interligados e a extensão é ainda indefinida. Os geólogos tomaram conhecimento de sua existência no Projeto Geodiversidade de Rondônia (GD-RO), realizado em 2010, que buscava identificar sítios geológicos que possam ser usados como atração turística e favorecer o desenvolvimento do estado de forma sustentável.
Adamy se interessou pela descoberta e fez contato com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que descobriram e estudam dezenas de paleotocas no Sul do país. Agora, Adamy e sua equipe foram a campo para explorar o local e verificar se, de fato, era uma toca de animal extinto, o que acabou confirmado. O próximo passo é fazer estudos complementares e realizar escavações de pequeno porte na busca de possíveis fósseis, além de identificar a extensão total da caverna. Em alguns trechos o túnel está mais estreito e foram registrados desabamentos. Por isso, é preciso desobstrui-lo para identificar a real extensão, estimada em cerca de 200 metros até agora.
Ponta do Abunã fica na divisa de Rondônia com o Acre e com a Bolívia. O local começou a ser explorado no tempo da exploração da borracha na Amazônia, no século XIX. A ocupação inicial foi feita por moradores do Acre, mas o maior fluxo de migrantes ocorreu na década de 70, com a construção da BR-364. Na década de 80 houve disputa entre Rondônia e Acre sobre a posse da área e só na década de 90 foi decidido que a área pertencia ao estado de Rondônia. O estado do Acre teve de retirar os equipamentos públicos que mantinha na região mas, mesmo assim, a relação é maior com o Acre, já que entre Porto Velho, a capital de Rondônia, e Ponta do Abunã há uma barreira natural, que é o Rio Madeira.
De acordo com pesquisadores, o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com maior número de paleotocas identificadas. São mais de mil. Segundo dados do Projeto Paleotocas, que reúne pesquisadores da UFRS e da Unesp, as paleotocas são exclusivas da América do Sul. Em média, os túneis têm larguras de quatro metros e alturas de 2 metros. As extensões costumam alcançar 200 metros. Em Morro Grande, Santa Catarina, foram identificados 150 metros de túneis, com cerca de 1,5 metro de diâmetro distribuídos em 4 andares. O local fica num morro e tem pelo menos oito saídas.
Fonte: O Globo
sábado, 13 de setembro de 2014
Como parar o envelhecimento
Nas últimas décadas, a expectativa de vida dos humanos em todo o mundo aumentou. Novas pesquisas e um prêmio milionário tentam descobrir como envelhecemos – e como evitar que isso aconteça
Os humanos, hoje, vivem mais. Nos últimos 100 anos, praticamente dobramos nossa expectativa de vida. Isso deve continuar a acontecer pelas próximas décadas: segundo os cálculos de Cadell Last, um antropólogo evolucionário do Global Brain Insitute, um humano médio poderá alcançar os 120 anos em 2050. Os avanços no campo foram garantidos pelo aumento na facilidade de acesso a tratamentos de saúde modernos, a introdução dos antibióticos e outros confortos da vida contemporânea. Esta semana, a ciência deu novos passos para tornar o envelhecimento mais saudável (ou detê-lo).
A notícia mais promissora vem da Califórnia. Cientistas da Universidade da Califórnia (UCLA) dizem ter encontrado um método ainda mais eficaz para aumentar a permanência de seres-vivos na terra através da manipulação genética. A ideia funciona bem em moscas-da-fruta. Os cientistas identificaram e ativaram um gene chamado de AMPK, que desacelera o processo de envelhecimento. Ao aumentar a atividade da AMPK nos estômagos das moscas, eles foram capazes de alongar a expectativa de vida dos animais, de seis para oito semanas. Um terço a mais.
O AMPK também existe nos seres-humanos, em níveis baixos. O gene é uma espécie de sensor energético, ativado quando os níveis de energia estão baixos. Sua função é dar o gatilho para o processo de autofagia, que protege a célula ao consumir partes velhas ou danificadas.David Walker e Matthew Ulgherait, os autores do estudo publicado no periódico Cell Reports, acreditam que a ativação desse gene no intestino humano poderia diminuir a velocidade do envelhecimento de todo o corpo. “Em lugar de estudar as doenças do envelhecimento – como Parkinson e Alzheimer, doenças cardiovasculares e diabetes- uma a uma, acreditamos que é possível interferir no processo de envelhecimento e adiar o estabelecimento da maioria dessas doenças”, disse Walker.
O processo ainda não foi testado em humanos. Os mais entusiasmados se apressaram em dizer que, por fim, a fonte da juventude pode estar em nossos barrigas. O radiologista Joon Yun – hoje, um diretor de fundos de investimento - também da Califórnia, não está tão certo disso. Por esse motivo, ofereceu US$1milhão aos cientistas que se mostrarem capazes de parar o envelhecimento. O valor será dividido em dois prêmios: metade irá para a equipe capaz de proteger o coração de um animal de envelhecer; a outra metade, para aqueles capazes de aumentar a expectativa de vida de um animal em 50%. Yoon criou o Prêmio Palo Alto de Longevidade, diz ele, como forma de incentivar os pesquisadores a “desvendar o código do envelhecimento”.
“A forma como inovamos na saúde costuma se preocupar com as consequências do envelhecimento, mas deixamos de lado a raiz do problema”, disse Yun ao jornal The Washington Post. Sua intenção é encontrar uma solução que prolongue a vida das pessoas e as mantenha saudáveis.
RC
Época
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Detetive usa teste de DNA para revelar que Jack, O Estripador era um barbeiro polonês
Aaron Kosminski, um imigrande judeu, tinha 23 anos quando cometeu os crimes, diz autor de livro
RIO - Mais de 120 anos depois do assassinato de suas cinco vítimas, a identidade de Jack, o Estripador finalmente pode ter sido revelada. Se análises de DNA estiverem corretas, o serial-killer mais famoso do mundo se chamada Aaron Kosminski, de 23 anos, um imigrante polonês que trabalhava em Londres como barbeiro.
O detetive que arroga para si a descoberta é Russell Edwards, de 48 anos, que mora ao norte da capital inglesa. Edwards conta que ficou cativado com o mito por trás dos assassinatos de Jack, e ficou durante 14 anos investigando o mistério.
A chave para a elucidação dos crimes foi um xale utilizado por Catherine Eddowes, uma das vítimas de Jack, morta em agosto de 1888. A vestimenta, marcada com sangue e inclusive com registros de sêmem, foi retida pelo sargento Amos Simpson, que estava de plantão na noite da morte de Eddowes e guardou a peça para sua esposa.
Desde então, o xale passou de gerações e gerações até ir à venda em um leilão em 2007. Sem titubear, Edwards deu o maior lance e levou o xale. Com a ajuda do Jari Louhelainen, especialista em biologia molecular, Edwards usou técnicas pioneiras para analisar o DNA do xale durante três anos e meio.
Russell Edwards investiga xale usado por uma das vítimas de Jack, o Estripador - / Divulgação
Os resultados do teste foram cruzados com o bloco de notas do inspetor-chefe Donald Swanson, que liderou a investigação contra Jack à época e registrou um suspeito chamado "Kosminski", dizendo que ele era um judeu polonês de “baixa classe” e teve a vida familiar em Whitechapel. As anotações foram doadas pelos descendentes de Swanson para o Museu do Crime da Scotland Yard, em 2006.
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Dentre os registros, há a passagem dizendo que Kosminski "tinha um grande ódio de mulheres... com fortes tendências homicidas". Os testes de DNA também foram cruzados com o cadastro de sindicatos da época, indicando que Kosminski ganhava a vida como barbeiro.
Com a identidade de Jack já revelada, Edwards investigou então toda a história por trás de Kosminski, que tinha fugido da Polônia por conta da onda anti-semita da época que matava judeus na Rússia e no Leste Europeu. Em 1881, o assassino chegou a Londres, indo morar em Mile End. Mesmo sem nunca ter sido descoberto por seus crimes, Kosminski passou por uma sequência de manicômios, até morrer em 1899 depois de contrair gangrena na perna.
Toda a história de Jack e os bastidores da investigação que relevaria a identidade do vilão mais famoso do mundo virarão o livro “Identificando Jack, o Estripador”, que será lançado por Edwards nesta terça-feira.
O Globo
terça-feira, 3 de junho de 2014
Caso JK: Comissão Municipal da Verdade vai à Justiça contra Comissão Nacional
Professor Gilberto Bercovici defende inversão do ônus da prova
e que Estado prove que Juscelino Kubitschek não foi assassinado
O presidente da Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog (CMVVH), Gilberto Natalini, anunciou nesta terça-feira (3) que entrará com mandado de segurança para impedir a Comissão Nacional da Verdade (CNV) de transformar um documento preliminar sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek em relatório definitivo.
Natalini quer que a CNV leve em consideração os depoimentos de pelo menos oito pessoas que testemunharam os acontecimentos que culminaram com a morte de JK e de seu motorista, Geraldo Ribeiro, num "acidente de trânsito" na Rodovia Presidente Dutra, em 22 de agosto de 1976.
A CNVVH investigou a morte de JK e concluiu que ele sofreu um atentado político. A CNV considera a morte do ex-presidente consequência natural de um acidente, com base nas perícias criminais feitas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, em plena ditadura militar.
Em audiência pública promovida nesta terça-feira pela CMVVH e o Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), o professor Gilberto Bercovici afirmou que a CNV tem de analisar a documentação e os depoimentos tomados pela CMVVH antes de concluir o caso. "Não faz sentido a Comissão Nacional assumir laudo da ditadura militar, provavelmente forjado, e decidir encerrar a discussão sobre a morte de JK", afirmou ele.
Bercovici elabora parecer sobre o assunto. O jurista defende que a inversão do ônus da prova, prevista no Direito brasileiro, tem de valer no caso JK. "A ditadura que torturou e matou não exitaria em fraudar um inquérito policial para encobrir o assassinato de JK. Cabe ao Estado provar que não houve um assassinato".
De acordo com o professor da Faculdade de Direito da USP, a CNV poderá ser contestada na Justiça por abuso de poder. "Até para que não haja dúvidas sobre o conjunto dos trabalhos da CNV, não se pode encerrar as investigações sobre a morte de JK com a desculpa de que não há tempo suficiente para aprofundá-las", declarou Bercovici. "Isso seria um desserviço à memória e à verdade".
Natalini, da CMVVH, deixou claro que não deseja abrir uma guerra contra a CNV, mas assegurou não aceitar que um inquérito da ditadura se sobreponha a uma investigação democrática. "Em vez da perícia da polícia da ditadura, eu fico com o testemunho de um homem negro e pobre", afirmou Natalini, referindo-se ao motorista de ônibus Josias Nunes de Oliveira, acusado injustamente de ter causado o acidente que provocou as mortes de JK e de Geraldo Ribeiro.
Bercovici, por sua vez, criticou a falta de consideração com a memória de JK. "Não há provas de que foi um acidente. Não aceitamos a história oficial, e sim queremos buscar a verdade efetiva dos fatos".
Informações: Gilberto Natalini (99654-9532) e Ivo Patarra (99603-5058)
domingo, 19 de janeiro de 2014
Pesquisa aponta que crianças e adolescentes brasileiros não enxergam trabalho infantil como violência
O que as crianças e os adolescentes brasileiros entendem por “violência”? Foi a partir dessa pergunta que a pesquisadora Tamires Alves Monteiro, do Instituto de Psicologia da USP, quis saber, entre outras coisas, se eles percebiam as violências mais sutis, como a presença de moradores de rua e a exploração do trabalho infantil. Porém, foi constatado que a maioria dos entrevistados ficou preso à ideia de violência concreta – como em uma cena em que um homem chuta um cachorro, por exemplo.
Em geral, as respostas variavam, mas levavam à mesma constatação. Alguns adolescentes diziam que o homem nasce violento, demonstrando uma concepção consoante com a psicanálise. Outros diziam que quem nasce em um ambiente violento reproduz a violência, indicando que o fenômeno é um produto do meio social em que a pessoa está inserida – ideia que converge com a modelagem trabalhada pela psicologia da aprendizagem.
Outro ponto destacado por Tamires é que a violência é um tema pouco explorado na escola. Para ela, apesar de a instituição muitas vezes estar imersa em um universo violento, não há a proposta de reflexões contestadoras que vão além de simples pesquisas e levantamento de dados. Como consequência, o fenômeno permanece enraizado na sociedade brasileira.
promenino
Em geral, as respostas variavam, mas levavam à mesma constatação. Alguns adolescentes diziam que o homem nasce violento, demonstrando uma concepção consoante com a psicanálise. Outros diziam que quem nasce em um ambiente violento reproduz a violência, indicando que o fenômeno é um produto do meio social em que a pessoa está inserida – ideia que converge com a modelagem trabalhada pela psicologia da aprendizagem.
Outro ponto destacado por Tamires é que a violência é um tema pouco explorado na escola. Para ela, apesar de a instituição muitas vezes estar imersa em um universo violento, não há a proposta de reflexões contestadoras que vão além de simples pesquisas e levantamento de dados. Como consequência, o fenômeno permanece enraizado na sociedade brasileira.
promenino
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Pesquisa revela o perfil e o que pensam os caminhoneiros no Brasil sobre exploração sexual nas estradas
Dia Mundial do Turismo, uma comemoração que abre canais para a exploração sexual. Mas neste dia, preferimos olhar para casos que muitas vezes passam despercebidos, naturalizados na paisagem. As estradas que nos levam a vários cantos do Brasil são espaços para uma exploração cruel de crianças e adolescentes.As estradas brasileiras possuem atualmente 1.776 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes, por onde passam mais de um milhão de caminhoneiros. A mercantilização do corpo de crianças e adolescentes nas rodovias é alvo de pesquisas que buscam traçar o perfil e os motivos que levam meninos e meninas a venderem seus corpos nos acostamentos. Mas uma pesquisa de 2010 procurou entender a visão dos caminhoneiros, ou seja, quem mais “demanda” o sexo e exploração sexual infantil nas rodovias. Esse foi o objetivo da pesquisa “O Perfil do Caminhoneiro Brasileiro”, de 2010, realizada pela campanha Na Mão Certa, da Childhood Brasil.
Em entrevista ao Promenino, professor da Universidade Federal de Sergipe e coordenador do estudo, Elder Cerqueira, diz que há dois pontos a serem destacados: “um é que os caminhoneiros enxergam o sexo de forma instintiva e banalizada, eles se envolvem nessas situações com a consciência de utilizar um serviço como qualquer outro. De forma geral, não há nenhum perfil de pedófilo ou abusador, é muito mais uma questão de pura satisfação sexual”.
Outro ponto é o como os caminhoneiros veem o vínculo estabelecido com as vítimas de exploração sexual, tendo o machismo como uma representação bem clara dentro da exploração e do sexo comercial na visão dos motoristas. “Eles se justificam para se impor em questões de gênero, em como o homem entende o que é sexo e a sexualidade, e em como ele julga o sexo da mulher”, aponta o coordenador. “Eles criam uma categoria diferente para essas crianças de estrada. O significado de criança e adolescente desses homens é biológico, ou seja, para o censo comum, uma menina não ser mais virgem significa que ela é mulher. Então eles usam o comportamento sexual delas para colocá-las em outra categoria que não a mesma de suas filhas, sobrinhas e netas”.
Segundo Cerqueira, as garotas buscam o interesse financeiro imediato, sejapara usar drogas ou bens materiais, alimentando o consumismo e mudando o perfil de serem exploradas apenas pela miséria e necessidade financeira. “Os caminhoneiros enxergam essa situação como prostituição, as garotas usam perfume e tem celular próprio, muitas vezes não é somente pela necessidade financeira”, explica. Ainda assim, está claro que um maior número de crianças são exploradas em regiões mais pobres. “É muito importante essa análise da mercantilização do corpo, do mundo do consumo, tanto do lado do homem, como cliente, como do lado delas”.
A necessidade financeira da criança ou da família continuou sendo o principal motivo (79,4%) para jovens com menos de 18 anos se envolverem em situação análoga à prostituição, na opinião dos entrevistados. Também foram citados falta de educação (43,4%), exploração/coerção de alguém (34,1%), existência de mercado fácil (23,7%), prazer (19,5%), existência de adultos que gostam/procuram (13,5%) e falta de opção do que fazer (12%). De acordo com os caminhoneiros, a média do valor do programa com crianças e adolescentes foi de R$ 25,05, acima do valor apontado em 2005, que foi de R$ 17,26.
“Atualmente há uma noção maior do que é criança e adolescente e maioridade. Mas em relação a direitos eles conhecem superficialmente, já ouviram falar sobre ECA, Conselho Tutelar e Disque 100, porém o número de denúncias ainda é baixo”, explica Cerqueira.
Em comparação com os dados apurados em 2005, os entrevistados se mostraram mais familiarizados com as leis e os serviços de proteção às crianças e adolescentes. A maioria disse conhecer o Conselho Tutelar (91,6%), o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (76%), o Juizado de Menores (76,6%), a campanha Na Mão Certa contra a exploração de crianças e adolescentes no Brasil (61,7%) e o Disque-denúncia (56,2%). A pesquisa de 2010 mostrou ainda que 37,7% conhecem a Delegacia da Criança e do Adolescente e 9,2% conhecem o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS).
Além disso, as estradas e rodovias são vulneráveis, desde questões jurídicas e legais que emperram atuação e fiscalização a problemas relacionados à distância dos órgãos de proteção. “Até a denúncia chegar ao órgão e a fiscalização ir ao local, muita coisa pode ter acontecido. Há vilarejos em que o conselho tutelar fica a mais de 100 quilômetro de distância. São lugares de passagem e alta circulação de pessoas, o fato de um homem cometer um crime dessa forma e logo em seguida estar em outro estado facilita”.
promenino
Em entrevista ao Promenino, professor da Universidade Federal de Sergipe e coordenador do estudo, Elder Cerqueira, diz que há dois pontos a serem destacados: “um é que os caminhoneiros enxergam o sexo de forma instintiva e banalizada, eles se envolvem nessas situações com a consciência de utilizar um serviço como qualquer outro. De forma geral, não há nenhum perfil de pedófilo ou abusador, é muito mais uma questão de pura satisfação sexual”.
Outro ponto é o como os caminhoneiros veem o vínculo estabelecido com as vítimas de exploração sexual, tendo o machismo como uma representação bem clara dentro da exploração e do sexo comercial na visão dos motoristas. “Eles se justificam para se impor em questões de gênero, em como o homem entende o que é sexo e a sexualidade, e em como ele julga o sexo da mulher”, aponta o coordenador. “Eles criam uma categoria diferente para essas crianças de estrada. O significado de criança e adolescente desses homens é biológico, ou seja, para o censo comum, uma menina não ser mais virgem significa que ela é mulher. Então eles usam o comportamento sexual delas para colocá-las em outra categoria que não a mesma de suas filhas, sobrinhas e netas”.
Segundo Cerqueira, as garotas buscam o interesse financeiro imediato, sejapara usar drogas ou bens materiais, alimentando o consumismo e mudando o perfil de serem exploradas apenas pela miséria e necessidade financeira. “Os caminhoneiros enxergam essa situação como prostituição, as garotas usam perfume e tem celular próprio, muitas vezes não é somente pela necessidade financeira”, explica. Ainda assim, está claro que um maior número de crianças são exploradas em regiões mais pobres. “É muito importante essa análise da mercantilização do corpo, do mundo do consumo, tanto do lado do homem, como cliente, como do lado delas”.
A necessidade financeira da criança ou da família continuou sendo o principal motivo (79,4%) para jovens com menos de 18 anos se envolverem em situação análoga à prostituição, na opinião dos entrevistados. Também foram citados falta de educação (43,4%), exploração/coerção de alguém (34,1%), existência de mercado fácil (23,7%), prazer (19,5%), existência de adultos que gostam/procuram (13,5%) e falta de opção do que fazer (12%). De acordo com os caminhoneiros, a média do valor do programa com crianças e adolescentes foi de R$ 25,05, acima do valor apontado em 2005, que foi de R$ 17,26.
“Atualmente há uma noção maior do que é criança e adolescente e maioridade. Mas em relação a direitos eles conhecem superficialmente, já ouviram falar sobre ECA, Conselho Tutelar e Disque 100, porém o número de denúncias ainda é baixo”, explica Cerqueira.
Em comparação com os dados apurados em 2005, os entrevistados se mostraram mais familiarizados com as leis e os serviços de proteção às crianças e adolescentes. A maioria disse conhecer o Conselho Tutelar (91,6%), o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (76%), o Juizado de Menores (76,6%), a campanha Na Mão Certa contra a exploração de crianças e adolescentes no Brasil (61,7%) e o Disque-denúncia (56,2%). A pesquisa de 2010 mostrou ainda que 37,7% conhecem a Delegacia da Criança e do Adolescente e 9,2% conhecem o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS).
Além disso, as estradas e rodovias são vulneráveis, desde questões jurídicas e legais que emperram atuação e fiscalização a problemas relacionados à distância dos órgãos de proteção. “Até a denúncia chegar ao órgão e a fiscalização ir ao local, muita coisa pode ter acontecido. Há vilarejos em que o conselho tutelar fica a mais de 100 quilômetro de distância. São lugares de passagem e alta circulação de pessoas, o fato de um homem cometer um crime dessa forma e logo em seguida estar em outro estado facilita”.
promenino
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Proteína pode reverter envelhecimento de células do sangue
Estudo realizado com camundongos mostra que a proteína SIRT3 ajuda a evitar os danos causados às células pelo envelhecimento
Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, realizaram um avanço na compreensão dos mecanismos moleculares envolvidos no processo de envelhecimento, que podem ajudar no desenvolvimento de tratamentos para doenças degenerativas relacionadas à idade.
No estudo, publicado nessa quinta-feira, no periódico Cell Reports, os pesquisadores adicionaram um “gene de longevidade” às células-tronco do sangue de camundongos idosos, aumentando seu potencial de regeneração das células do sangue.
Trata-se do gene responsável pela produção da proteína SIRT3, da classe conhecida como sirtuínas, que desempenha um papel importante ajudando as células-tronco de sangue envelhecidas a lidarem com o stress oxidativo.
Quando os pesquisadores infundiram a SIRT3 nas células-tronco de sangue dos camundongos idosos o tratamento estimulou a formação de novas células de sangue, o que prova uma reversão da deterioração, relacionada com a idade, na função das células-tronco velhas.
"Já sabemos que as sirtuínas regulam o envelhecimento, mas nosso estudo é o primeiro a demonstrar que elas podem reverter a degeneração vinculada ao envelhecimento", disse Danica Chen, professora de Ciência e Toxicologia na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e pesquisadora principal do estudo.
Danica afirmou que nos últimos 10 a 20 anos houve muitos avanços na compreensão científica do envelhecimento: em lugar de um processo descontrolado e ao acaso, o envelhecimento é considerado agora um desenvolvimento altamente regulado, o que o torna passível de manipulação.
Para a realização do estudo, os pesquisadores observaram o sangue de camundongos que tinham o gene SIRT3 inativo. Entre os animais mais novos, a ausência da proteína não causou alterações significativas. Mas, a partir do dois anos de idade, os camundongos com deficiência de SIRT3 passaram a apresentar uma quantidade menor de células-tronco sanguíneas e uma menor capacidade de regeneração de células do sangue (principal função das células-tronco), em comparação com camundongos normais de mesma idade.
A explicação para esse fato seria que, quando as células são jovens, os níveis de stress oxidativo são menores e ainda não atrapalham a função das células-tronco do sangue, de forma que a SIRT3 não é tão importante. Com o passar dos anos, o organismo passa a gerar mais stress oxidativo e seus sistemas de defesa deixam de ser suficientes. É nesse momento que o papel de SIRT3 se torna essencial para o organismo. No entanto, os níveis dessa proteína vão diminuindo com o passar dos anos, o que faz com que o stress oxidativo volte a se acumular, causando o envelhecimento das células.
"Outros estudos já mostraram que uma só mutação de gene pode levar a uma extensão do período de vida", disse Danica. "A questão é se podemos entender o processo o suficiente para desenvolver uma 'fonte molecular da juventude'". Para a pesquisadora, ainda é cedo para afirmar se a SIRT3 pode realmente prolongar a vida. Segundo ela, o principal objetivo do estudo nesse momento é utilizar esse conhecimento para tratar doenças degenerativas.
Veja
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Idosos levam 40% mais tempo para frear carro que adultos, diz pesquisa
Estudo realizado pelo Hospital das Clínicas aponta que frenagem mais lenta está relacionada com a velocidade reduzida com que os motoristas mais velhos dirigem
Pesquisa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) aponta que o tempo de reação dos motoristas idosos para frear um veículo é 39,6% maior em comparação ao de adultos jovens. A média do tempo de reação a partir do momento que uma placa "Pare" é avistada até a frenagem foi 1,34 segundo para os idosos, enquanto que para o grupo de adultos jovens, o tempo foi 0,96 segundo. O estudo (15), foi feito com o uso de um simulador e teve a participação de 30 idosos e 15 adultos jovens.
Apesar do tempo de reação maior, 97% dos idosos participantes do estudo não se envolveram em acidentes nos últimos cinco anos, nem foram multados no último ano. O estudo detectou que os idosos evitam colisões diminuindo drasticamente a velocidade. “Intuitivamente ou não, eles diminuem a velocidade e aí eles têm um tempo maior para parar”, diz a pesquisadora do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, Angélica Castilho Alonso.
A pesquisadora afirma que com o aumento do número de idosos no país – em 2020, o Brasil terá a quinta maior população idosa do mundo – as cidades terão de se adaptar ao modo, mais lento, deles ao volante. “A adaptação não é proibir os idosos de dirigir. Teremos que pensar quais serão as modificações na cidade para que o idoso possa fluir sem atrapalhar o trânsito e sem correr riscos,” diz a pesquisadora, sugerindo algum tipo de identificação nos veículos.
A idade média dos avaliados foi 74,3 anos para homens e 69,4 para mulheres. Eles dirigem em média há 48,5 anos, e elas há 40,6 anos. Os carros das mulheres têm em torno de 5,7 anos de uso, e o dos homens, 10,7 anos. Todos os avaliados dirigem os próprios veículos em dias de chuva, vias congestionadas e em horários de pico. A maior parte dos motoristas pesquisados – 73% mulheres e 87% homens – dirige à noite. “Antes, pensávamos em um idoso motorista como aquele que dirige no entorno da sua residência, que leva os netos à escola. Mas esse perfil mudou 100%", diz Angélica.
Todos os entrevistados afirmaram ser cuidadosos no trânsito. Entre as mulheres, 27% já pensaram em parar de dirigir, e entre os homens, apenas 13%. “Recomendação médica, pedido familiar, facilidade de usar outro meio de transporte ou a autopercepção de incapacidade são os motivos que levariam o grupo pesquisado a parar de dirigir”, afirma a pesquisadora.
Época
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Violência doméstica pode estar relacionada a distúrbios mentais
Uma pesquisa britânica mostrou que a violência doméstica aumenta as chances da vítima apresentar diferentes tipos de doenças mentais
Uma pesquisa da Universidade King’s College de Londres mostrou que pessoas com distúrbios mentais têm chances maiores de ter vivido experiências de violência doméstica, em comparação à população em geral. O estudo, publicado nesta quarta-feira no periódico Plos One, é uma revisão de 41 estudos sobre o assunto realizados em diversas partes do mundo.
Os resultados mostraram que mulheres com distúrbios depressivos têm uma chance cerca de duas vezes e meia maior de terem sofrido violência doméstica na vida adulta. Para mulheres com distúrbios de ansiedade, a chance é três vezes e meia maior e para Transtorno do Estresse Pós-Traumático, a prevalência aumentou em cerca de sete vezes.
O risco de ter sofrido violência doméstica também é maior em mulheres com outras doenças relacionadas à saúde mental, como Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), transtornos alimentares e outros distúrbios mentais comuns, como esquizofrenia e transtorno bipolar.
O estudo também encontrou relação entre homens com distúrbios mentais e o risco mais elevado de violência doméstica, mas a prevalência desse tipo de agressão é considerada mais alta e mais intensa em mulheres.
Possibilidades — A conclusão do estudo, porém, não é uma relação de causa e consequência. "Nesse estudo, nós descobrimos que tanto homens quanto mulheres com problemas de saúde mental apresentam um risco maior de sofrer violência doméstica. Evidências sugerem que duas coisas estão ocorrendo: a violência doméstica pode fazer com que as vítimas desenvolvam problemas de saúde mental, e pessoas com problemas de saúde mental são mais propensas a sofrer violência doméstica", afirma Louise Howard, um dos autores do estudo. Para ele, esses dados são importantes para que os profissionais da área de saúde mental fiquem atentos à possibilidade de seus pacientes serem vítimas de violência doméstica.
No Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2009, quatro em cada dez mulheres (43%) já foram vítimas de violência doméstica. Entre os homens, esse porcentual é de 12,3%.
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Experiences of domestic violence and mental disorders: a systematic review and meta-analysis
Onde foi divulgada: periódico Plos One
Quem fez: Kylee Trevillion, Siaˆn Oram, Gene Feder e Louise M. Howard
Instituição: Universidade King’s College de Londres
Resultado: Os resultados mostraram que mulheres com distúrbios depressivos têm chance cerca de duas vezes e meia maior de terem sofrido violência doméstica na vida adulta. Para mulheres com distúrbios de ansiedade, a chance é três vezes e meia maior e para Transtorno do Estresse Pós-Traumático, a prevalência aumentou em cerca de sete vezes.
Veja
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Homossexualidade pode ser influenciada pela epigenética
Pesquisa afirma que a orientação sexual pode estar ligada a marcadores epigenéticos que regulam a sensibilidade à testosterona e são transmitidos de pais para filhas e de mães para filhos
Do ponto de vista evolutivo, o fato de a homossexualidade ser algo bastante comum na sociedade humana, ocorrendo em cerca de 5% da população mundial, é intrigante. Como homossexuais produzem menos prole do que heterossexuais, uma possível variação genética relacionada à homossexualidade dificilmente seria mantida ao longo das gerações. "Isso é muito enigmático a partir de uma perspectiva evolucionária: como a homossexualidade pode existir em uma frequência tão alta a despeito do processo de seleção natural?", diz em entrevista ao site de VEJA Urban Friberg, do departamento de Biologia Evolutiva da Universidade de Uppsala, na Suécia. Friberg, ao lado de William Rice, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, e Sergey Gavrilets, da Universidade do Tennessee, ambas nos Estados Unidos, pode ter encontrado uma resposta: o fator biológico ligado à homossexualidade não estaria na genética propriamente dita, e sim em um conceito conhecido por epigenética. Os resultados foram publicados nesta terça-feira no periódico científico The Quarterly Review of Biology.
A epigenética trata de modificações no DNA que sinalizam aos genes se eles devem se expressar ou não. Esses marcadores não chegam a alterar nossa genética, mas deixam uma marca permanente ao ditar o destino do gene: se um gene não se expressa, é como se ele não existisse.
Essa nova teoria vai ao encontro de outra tese mais antiga, a de que a homossexualidade é definida, ao menos em parte, por um componente hereditário. Pelo menos quatro grandes estudos, publicados em 2000, 2010 e 2011, nos periódicos Behaviour Genetics, Archives of Sexual Behaviour e PLoS ONE, apontam para esse fator na origem da orientação sexual, a partir de estudos com gêmeos monozigóticos (também chamados de idênticos ou univitelinos, produtos da fertilização de um único óvulo) e dizigóticos (também chamados de fraternos ou bivitelinos, produtos da fertilização de dois óvulos diferentes).
Epigenética — Imagine o material genético humano como um manual de instruções. Os genes formariam o conteúdo do livro, enquanto as epimarcas ditariam como esse texto deveria ser lido. "A epigenética altera e regula a forma como os genes se expressam", explica a geneticista Mayana Zatz, do departamento de Genética e Biologia Evolutiva da Universidade de São Paulo (USP). É por meio dos comandos epigenéticos, por exemplo, que o pâncreas fabrica apenas insulina, apesar de as células nesse órgão terem genes para a produção de muitos outros hormônios.
Acreditava-se que os traços da epigenética não eram hereditários, sendo apagados e recriados a cada passagem de geração. Como pesquisas nas últimas décadas mostraram que uma fração de epimarcas é, sim, passada de pais para filhos, Friberg, Rice e Gavrilets julgaram ter encontrado a peça que faltava para montar o quebra-cabeça.
Sensibilidade – Os três criaram um modelo segundo o qual uma dessas epimarcas transmitidas hereditariamente é o marcador responsável por regular a sensibilidade à testosterona de fetos no útero materno. Ao longo da gestação, tanto fetos masculinos quanto femininos são expostos a quantidades variadas do hormônio, sendo que o fator epigenético estudado no artigo torna o cérebro dos meninos mais sensíveis à testosterona quando os níveis estão abaixo do normal. Isso acontece para preservar características masculinas, podendo inclusive influir na orientação sexual. O mesmo ocorre, mas inversamente, com as meninas. Quando a testosterona está acima do normal, a epimarca funciona como uma barreira, diminuindo sua sensibilidade ao hormônio.
A partir desse modelo, a homossexualidade poderia ser explicada pela transmissão de epimarcas sexualmente antagônicas. Ou seja: quando o pai transmite seus marcadores, que tiveram a função de torná-lo mais sensível à testosterona, para uma filha. De igual maneira, esse material hereditário pode ser passado de uma mãe para um filho, tornando-o menos sensível à testosterona.
"Quando os efeitos desse mecanismos (que regulam a sensibilidade à testosterona) não são apagados entre as gerações, eles se expressam na prole do sexo oposto. Isso pode resultar em indivíduos que desenvolvem preferências sexuais pelo mesmo sexo", explica Friberg, da Universidade de Uppsala. "O que fizemos foi colocar pela primeira vez o conceito da transmissibilidade epigenética no contexto de desenvolvimento sexual."
O pesquisador faz questão de ressaltar que ainda não se pode provar que a epimarca específica da sensibilidade à testosterona é hereditária. Para tanto, testes específicos precisarão ser realizados. "Uma grande solidez do nosso estudo é que o modelo epigenético para a homossexualidade faz predições que são testáveis com tecnologia já existente. Se o nosso modelo estiver errado, pode ser rapidamente descartado", escrevem os autores no artigo do The Quarterly Review of Biology.
Outro pesquisador envolvido, Sergey Gavrilets, da Universidade do Tennessee, afirma que mesmo que a teoria da hereditariedade seja respaldada por futuros estudos, o debate está longe de acabar. "A hereditariedade explica apenas parte da variação na preferência sexual. As razões, que podem ser sociais, culturais e do ambiente, permanecerão como um tópico de intensa discussão."
"Estudo positivo" – Carmita Abdo é coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ela destaca que a nova pesquisa é positiva, uma vez que contribui para a melhor compreensão dos fatores biológicos envolvidos na ocorrência da homossexualidade. "O trabalho é importante porque reforça uma ideia cada vez mais prevalente: a de que a genética — no caso a epigenética — tem influência sobre a orientação sexual."
Essa compreensão científica tem sido importante, segundo Carmita, no combate a mitos que envolveram o tema e que alimentaram interpretações preconceituosas. "Até pouco tempo atrás, achava-se que a orientação sexual era proveniente de uma escolha, como se deliberadamente o indivíduo optasse por ser homossexual. Muito do preconceito contra os homossexuais advém daí", afirma, lembrando que até o início dos anos 90 a homossexualidade era tratada como um transtorno de preferência, e não como uma característica. "Observar um fenômeno pelas lentes da ciência muda a compreensão e ajuda a deixar de lado certas discriminações. Nesse caso em particular, você remove da equação a ideia de que o homossexual é responsável por uma opção que muitos veem como negativa, pejorativa."
Ela ressalva, entretanto, que ainda existe muita incerteza no campo e que a orientação sexual precisa ser encarada como produto de vários fatores. "O estudo reforça a ideia segundo a qual existe uma predisposição que vai ser confirmada ou não a partir de uma serie de influências que vão ocorrer ao longo da vida, algumas delas de ordem cultural, educacional e social. Ele não consagra uma interpretação determinista, nem diz que tudo depende dos genes"
"Nosso objetivo é entender como as preferências sexuais se desenvolvem e evoluem"
Urban Friberg
Professor do Departamento de Biologia Evolutiva da Universidade de Uppsala, na Suécia
Qual o principal objetivo da pesquisa?
Assume-se que indivíduos homossexuais produzem menos prole do que heterossexuais. Qualquer codificação genética para homossexuais deveria, portanto, ser rapidamente removida no processo de seleção natural. Apesar disso, a homossexualidade é relativamente comum entre humanos (cerca de 5%). Além do mais, os melhores estudos disponíveis mostram que há um componente herditário na homossexualidade. Isso tudo é muito intrigante de uma perspectiva evolucionária: como a homossexualidade pode existir em frequências tão significativas apesar da seleção contra ela? O objetivo da nossa pesquisa foi simplesmente tentar resolver esse enigma, o que nos ajuda a entender como as preferências sexuais se desenvolvem e evoluem.
Como a mudança de foco de genética para a epigenética pode ser explicada?
Nossa principal contribuição é trazer uma explicação lógica para o porquê de a homossexualidade ser algo tão frequente – e para tanto nós mudamos o foco, como causa da homossexualidade, de genes para epimarcas. Nossa teoria sugere que a homossexualidade é resultado de um mecanismo que ajuda as pessoas a desenvolver a preferência por indivíduos do sexo oposto. Quando os efeitos desse mecanismos (epimarcas) não são apagados entre as gerações, eles se expressam na prole do sexo oposto. Isso pode resultar em indivíduos que desenvolvem preferências sexuais pelo mesmo sexo.
Como a comunidade científica lida com genética e homossexualidade?
Houve diversos estudos nos quais os pesquisadores tentaram encontrar genes associados com a homossexualidade. Tais estudos falharam e nenhum gene foi identificado. O resultado disso tudo é intrigante, uma vez que a homossexualidade tem um componente hereditário. Nossa teoria, porém, é capaz de explicar por que a homossexualidade é tão comum e tem um componente hereditário, sem nenhuma codificação genética para esse traço.
Encontrar uma possível explicação biológica ajuda a combater o preconceito?
Atualmente, algumas pessoas acreditam que a homossexualidade é uma escolha pessoal e que indivíduos homossexuais podem ser ensinados a escolher de forma diferente a sua orientação sexual. Eu acredito que encontrar as raízes da preferência sexual mina tais mitos e ajuda as pessoas a melhor entender e aceitar a homossexualidade
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Homosexuality as a Consequence of Epigenetically Canalized Sexual Develpment.
Onde foi divulgada: The Quarterly Review of Biology
Quem fez: William Rice, Urban Friberg e Sergey Gavrilets
Instituição: Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, Universidade Uppsala e Universidade do Tennessee.
Resultado: O artigo estudou um possível componente hereditário para, a partir de um ponto de vista evolutivo, explicar a homossexualidade. Os três autores montaram um modelo segundo o qual uma marca epigenética (epimarca), que regula a sensibilidade à testosterona em fetos, pode ser transmitida de mãe para filho e de pai para filha e influenciar na orientação sexual.
Veja
sábado, 1 de dezembro de 2012
Mortes por agressão de vítimas entre 15 e 29 anos caem 50% em dez anos
Pesquisa da Uerj revela que número passou de 1.779 em 2000 para 831 em 2010
RIO — Júlio César tinha acabado de fazer 20 anos. Morador da Cidade Alta, em Cordovil, favela que já teve tráfico, milícia, e tráfico de novo — e, até hoje, está à mercê de domínios paralelos que se alternam —, ele era cria do local, mas tinha ambições. Muitas. Apesar da pobreza, se esforçava para terminar o ensino fundamental e não parava de fazer cursos: desenho, teatro, corte e costura. O último foi de gastronomia, tão em moda, que acreditava que lhe garantiria um futuro melhor. Sentado numa praça da comunidade, onde, com seus múltiplos talentos, ajudava a montar a festa de aniversário de uma criança de lá, Júlio César perdeu tudo em fração de segundos. Os sonhos, a vida.
— Era um menino concentrado e meigo, que estava no local errado, na hora errada — diz a tia Joelma Coelho, que acompanha de perto o desenrolar do inquérito sobre o assassinato do rapaz, atingido no abdômen durante uma operação policial.
Tudo isso aconteceu em 2010, numa favela da Zona Norte, de pouca visibilidade, mas histórias assim são uma trágica realidade do Rio. A morte prematura de jovens entre 15 e 29 anos é considerada uma epidemia em todo o país. Mas uma pesquisa da Uerj, recém-concluída, revela que algo começa a mudar. A mortalidade por agressão no município da população nessa faixa etária, que tem casos como o de Júlio César, caiu de 1.779 óbitos em 2000 para 831 em 2010, aproximadamente 50%.
UPP teve papel fundamental
A socióloga Alba Zaluar, do Núcleo de Pesquisas da Violência da Uerj, que assina a pesquisa ao lado do médico Mário Francisco Giani Monteiro, do Instituto Medicina Social da universidade, considera que a implantação do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), em 2008, foi fundamental:
— A política de segurança não afetou apenas aquelas favelas em que estavam presentes as unidades pacificadoras, mas as demais, visto que houve, de fato, uma mudança no estilo do tráfico, que se tornou menos violento e percebeu que não é tão poderoso, que não pode ficar barbarizando, como diziam no filme “Cidade de Deus”. Agora, são mais comedidos no uso das armas. O impacto foi muito significativo.
O resultado, se mantida a tendência, pode representar uma mudança histórica, já que as mortes por agressão correspondem a 75% do total de óbitos entre 15 e 29 anos.
Cria do Complexo do Alemão, Raul Santiago, de 23 anos, é um sobrevivente. Conviveu por muito tempo com o domínio do tráfico na favela, que durou pelo menos 40 anos. Até que, em 2010, o processo de pacificação teve início.
— Eu cheguei muito perto. Lembro de uma vez em que um amigo, que tinha ido para o tráfico, me pediu para segurar o fuzil enquanto ele ia ao banheiro. Isso é a realidade da favela. Algumas pessoas acham que a pessoa só vira bandido para se exibir, mas muitas vezes fui tentar um emprego de vendedor de loja e, quando sabiam que eu era do Alemão, desistiam dizendo que eu ia faltar muito porque lá tinha muito tiroteio. É difícil — diz Raul, que aos 11 anos viu pela primeira vez um corpo dilacerado num valão.
Hoje, ele estuda o assunto. Faz um curso de extensão da UFRJ na Escola Popular de Comunicação Crítica do Observatório de Favelas e pretende cursar direito:
— Com as UPPs, as mortes diminuíram muito. Mas o quadro ainda é gravíssimo. Das 50 mil mortes no Brasil por ano, 28 mil são de jovens, dos quais 50% são negros.
Os dados comparativos reforçam a hipótese de influência da política de segurança, com as UPPs, porque o risco de morte prematura caiu mais nas áreas da cidade que concentram a população de renda mais baixa. Com doutorado em demografia médica, Mário Francisco Giani Monteiro explica que as estimativas têm como base dados do Censo do IBGE de 2010.
— Até eu me impressionei com a intensidade dos resultados. Onde o risco é maior, mais acentuada foi a queda — afirma Mário.
A redução do risco de morte, entre 15 e 30 anos, nas Regiões Administrativas (RAs) de baixa renda foi 40% (de 21,3 mortos/1.000 para 12,8 mortos/1.000) entre 2000 e 2010. E nas RAs de renda mais alta, foi de 20% (de 8,2 mortes/1.000 para 6,6 mortes/1.000). Ainda assim, a morte prematura ainda é o dobro em regiões pobres.
Raquel Willadino, coordenadora de direitos humanos do Observatório de Favelas e do Programa de Violência Letal Contra Jovens e Adolescentes, diz que ainda é expressivo o número de vidas perdidas. A última atualização de suas pesquisas, em 2008, faz uma previsão sombria: se nada for feito, 2.300 adolescentes morrerão no Rio até 2014.
— Este é um problema muito contundente, que precisa ser enfrentado como prioridade — afirma Raquel, que divulgará um novo estudo este mês.
Risco de negros é maior
De acordo com o estudo da Uerj, o risco de morte dos 15 aos 30 anos caiu tanto para filhos de mães negras quanto para os de mãe branca. Entre os filhos de negras, os óbitos prematuros passaram de 22,6/1.000 em 2000, para 8,7 em 2010, queda de 18,1%. Para os filhos de mães brancas, caiu de 18,5/1.000 para 5,3/1.000, 39,1%. Como uma melhora maior entre brancos, o abismo se aprofundou. O risco de morte de filhos de negras, que já era 1,2 vez maior, é agora 1,6 vez maior.
Através de uma nota, a Secretaria de Segurança atribuiu a melhoria nas estatísticas à política de pacificação iniciada em 2007 com as UPPs. Segundo a Secretaria, os dados de homicídios dolosos do Instituto de Segurança Pública (ISP) indicam uma queda significativa dos homicídios por 100 mil habitantes: de 39,6, em 2007, para 26,5, em 2011.
O Globo
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Pesquisa aponta aumento no número de agressões contra crianças no Rio
O número de agressões contra crianças aumentou segundo levantamento do Instituto de Segurança Pública. Nos últimos oito meses, foram 200 casos a mais que no mesmo período do ano passado.
R7
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Programa contra crack foi feito com dados de 4 Estados
Recursos previstos são de R$ 4 bilhões
O programa nacional de combate ao crack, lançado há um ano pela presidente Dilma Rousseff e com recursos previstos em R$ 4 bilhões, é um tiro no escuro. Foi feito com base em números escassos, que nem de longe retratam a realidade dos usuários no País ou o universo de cracolândias. O Estado teve acesso aos documentos preparatórios do plano "Crack, é possível vencer".
"A estratégia foi pensada a partir de uma pesquisa nacional realizada pela Fiocruz, que mapeou os locais de maior concentração de uso de crack nos Estados", diz o documento assinado pelo Departamento de Políticas, Programas e Projetos, do Ministério da Justiça. No entanto, o governo tem nas mãos dados de apenas quatro Estados, pois comandantes de 23 PMs não forneceram estatísticas sobre o crack — incluindo São Paulo, Minas, Rio, Paraná e Mato Grosso. Os dados coletados são referentes só à quantidade de pontos de venda e de usuários.
O levantamento com Secretarias de Segurança dos Estados não é diferente e reuniu dados precários. O Distrito Federal, por exemplo, informou que tem apenas 220 usuários da droga. Goiás alega ter 56. Mato Grosso do Sul, 120. Oito Estados nem sequer forneceram informações. São Paulo respondeu parcialmente, sugerindo foco na capital do Estado.
"Conclui-se que os Estados não têm dados mapeados sobre a quantidade real de usuários de crack (até porque a polícia não faz distinção entre usuário e traficante, obtendo dados de pessoas detidas), mas dados de quantidade de apreensão de droga e de prisões efetuadas pelas Polícias Civil e Militar e dados estimados de usuários das cenas de uso", diz o relatório do Ministério da Justiça.
O professor de psiquiatria da Unifesp Universidade Federal de São Paulo, Dartiu Xavier diz que o País não tem dados precisos sobre esse tipo de droga.
—Constata-se que não sabemos qual é a real dimensão do crack no País.
O médico, que há 15 anos dirige o Proad (Programa de Orientação e Atendimento), questiona o caráter de "epidemia" que foi conferido ao problema e a pressa com que o programa foi lançado.
Xavier afirma que o retrato do crack no Brasil só deverá ser traçado por uma pesquisa encomendada pelo governo à Fundação Oswaldo Cruz, ainda em andamento.
—O estudo é sério, muito bem feito, mas foi atropelado.
A atividade teve de ser interrompida em alguns pontos do País, depois de ações policiais que dissolveram as comunidades, como em São Paulo.
No papel
Os documentos indicam ainda que a atuação das forças de segurança pública neste ano, nas chamadas "cenas de uso", ficou a reboque de ações estaduais. E parte do planejamento para a atuação dos agentes de segurança nesses locais ainda não saiu do papel. O relatório da Secretaria Nacional de Segurança Pública previa, por exemplo, a intervenção em 51 cracolândias de maior concentração de usuários para identificação e prisão de traficantes, além da instalação de 44 bases móveis com videomonitoramento e 1.072 pontos de câmeras fixas.
O pregão para a compra do sistema de captação e transmissão de imagens foi suspenso. As demais licitações para aquisição de veículos, motocicletas e armas de baixa letalidade ainda não foram concluídas. Mas o governo afirma que até o fim do ano entregará todo o material para os Estados. O documento anunciava também ações de inteligência contra o tráfico.
Procurada, a secretária nacional de Segurança, Regina Miki, responsável pelo programa, afirmou que 2012 foi um ano de "amarrar as pontas nas pontas".
—Posso qualificá-lo como um ano de oficina de alinhamento.
Ela ressaltou que o período eleitoral também teria atrasado o cronograma. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
R7
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Crianças são mais generosas quando observadas
Quando há influência de outras pessoas ou da transparência de suas ações, meninos e meninas de cinco anos tendem a ser mais generosos socialmente
Crianças tendem a ser mais generosas quando sabem que estão sendo observadas. Um artigo publicado na edição desta semana da revista científica PLoS ONE aponta que a capacidade de reconhecer benefícios sociais de uma ação generosa não é exclusividade dos adultos. Segundo a pesquisa, crianças com cinco anos de idade já têm discernimento para tentar ganhar prestígio e inflar sua reputação na sociedade na qual vivem. Isso tende a acontecer, no entanto, apenas quando elas sabem que estão sendo observadas.
Conduzido por membros do departamento de Psicologia da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, o estudo reuniu 64 crianças de cinco anos, que moravam na Nova Inglaterra, Estados Unidos. Essas crianças foram divididas em dois grupos principais: os atores e os recipientes. Aos atores cabia a decisão de dar um ou quatro adesivos a um colega do grupo recipiente — cada ator recebia cinco adesivos. Se o participante optasse por dar ao amigo apenas um adesivo, a atitude era considerada pouco generosa e antissocial. Se optasse por quatro adesivos, o gesto era considerado sociável e generoso.
A entrega de adesivos ocorreu em dois cenários. No primeiro, os dois grupos poderiam ou não estar separados por uma espécie de vidro fosco, o que definia se a criança com os adesivos seria ou não identificada pelo colega. Num segundo cenário, havia diferentes tipos de urnas, que podiam ser transparentes ou opacas e, portanto, indicavam que a criança receptora podia ver quantos adesivos estava ganhando.
De acordo com os pesquisadores, os resultados apontam para um quadro de pouca generosidade. "No geral, as crianças apresentaram comportamento sociável (entregaram quatro adesivos) apenas quando o conteúdo dos recipientes e o rosto dos receptores eram perfeitamente visíveis. Em todas as outras condições, elas foram estatisticamente pouco generosas, entregando aos receptores a menor quantidade de adesivos."
Para Kristin Leimgruber, uma das coordenadoras do estudo, as conclusões mostram que crianças usam mais "estratégias de socialização" do que se imaginava. "A tendência de doar alguma coisa entre as crianças parece estar relacionada com informação que outros têm sobre suas ações. Tanto para crianças como para adultos, quanto mais outras pessoas sabem sobre suas ações, maior a probabilidade de eles agirem generosamente", diz.
Os autores acreditam que as decisões das crianças são sensíveis a fatores externos, como audiência e transparência de informação, mesmo anos antes de elas entenderem o conceito de reputação. Evidências atuais mostram que as crianças não entendem questões como autopromoção de uma reputação até a idade de oito anos. "Mas o nosso estudo mostra que aos cinco anos o comportamento delas já está de acordo com padrões de sociabilidade que respondem à audiência e à transparência de informações."
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Young Children Are More Generous When Others Are Aware of Their Actions
Onde foi divulgada: revista PLOS ONE
Quem fez: Kristin L. Leimgruber, Alex Shaw, Laurie R. Santos, Kristina R. Olson
Instituição: Universidade de Yale
Dados de amostragem: 64 crianças, entre meninos e meninas, de cinco anos de idade
Resultado: Crianças de cinco anos de idade já conseguem usar estratégias de socialização. Em condições onde há influência de um público visível ou pela transparência de suas ações, elas tendem a ser mais generosas
Veja
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Crianças que comem muito fast-food têm QI mais baixo
Pesquisa revelou que a alimentação nos primeiros anos de vida tem impacto direto no desenvolvimento da capacidade cognitiva
Deixar seu filho pequeno trocar uma refeição por hambúrguer e batata frita pode significar mais do que sobrepeso. Um novo estudo realizado pelo Goldsmiths College, da Universidade de Londres, revelou o impacto da alimentação no desenvolvimento do cérebro infantil e chegou à seguinte conclusão: crianças que comem muito fast-food desenvolvem QI (quoeficiente de inteligência) menor do que as que se alimentam regularmente com alimentos frescos.
A pesquisa analisou a alimentação diária de 4 mil crianças escocesas com idades entre 3 e 5 anos e considerou também a classe social das famílias. Os resultados evidenciaram o papel da nutrição para o desenvolvimento cognitivo da criança. Segundo Sophie Von Stumm, uma das autoras do estudo, crianças que comem sanduíches, pizzas e doces com frequência apresentam QI dois pontos abaixo daquelas que mantêm uma alimentação saudável.
A nutricionista Maria Fernanda Elias, de São Paulo, reforça: “A carência de nutrientes pode trazer sérios prejuízo cognitivos. Para dar um exemplo, o ômega-3, encontrado nos óleos de peixes marinhos, como atum, pescada e sardinha, participa da formação dos neurônios e transmissão de impulsos nervosos. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda o consumo de peixe fresco pelo menos duas vezes por semana”.
Outra conclusão do estudo foi a de que famílias com melhores níveis socioeconômicos preparam com mais frequência refeições frescas, auxiliando o desempenho cognitivo de suas crianças.
“Comer bem é um hábito que deve ser aprendido e incentivado dentro de casa, com o exemplo dado pelos próprios pais”, diz Saada Ellovitch, neuropediatra do Hospital Samaritano (SP). “Não há problema em deixar seu filho comer um lanche fast-food uma vez ou outra, desde que tenha uma rotina alimentar saudável nos outros dias. É uma questão de equilíbrio e, principalmente, de educação alimentar”. E na sua casa, como é a alimentação da família?
Crescer
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Pesquisadores identificam nova doença semelhante à Aids
Enfermidade que atinge sistema imunológico é mais comum em adultos da Ásia
WASHINGTON - Pesquisadores identificaram uma nova doença misteriosa que tem causado sintomas semelhantes aos da Aids em dezenas de pessoas na Ásia e em algumas nos Estados Unidos, mesmo quando não estão infectados pelo HIV.
Os sistemas imunológicos dos pacientes foram danificados, o que os deixou incapazes de se defender de germes como faria uma pessoa saudável. A causa da doença é desconhecida, mas parece não ser contagiosa.
- Este é um outro tipo de imunodeficiência adquirida que não se herda e ocorre em adultos, mas não se propaga da forma como a Aids por meio de um vírus - disse a doutora Sarah Browne, cientista do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos.
Browne ajudou a realizar o estudo com pesquisadores na Tailândia e em Taiwan, onde foi detectada a maioria dos casos desde 2004. O relatório foi publicado no "New England Journal of Medicine".
- É provável que algum tipo de infecção possa desencadear a doença, embora pareça que não se propaga de pessoa para pessoa - disse o doutor Dennis Maki, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Wisconsin.
A doença se desenvolve por cerca de 50 anos em média, mas não é característica de grupos familiares, o que torna improvável a causa genética, afirmou Browne. Alguns pacientes morreram de infecções fortes, entre eles asiáticos que vivem atualmente nos Estados Unidos.
Kim Nguyen, de 62 anos, uma costureira originária do Vietnã que vive no estado do Tennessee desde 1975, ficou gravemente doente com uma febre persistente, infecções nos ossos e outros sintomas em 2009. Esteve enferma de forma recorrente por vários anos e visitou o Vietnã em 1995 e em 2009.
- Ela estava com um infecção sistêmica, que primeiramente parecia ser uma tuberculose, mas não era - disse o médico Carlton Hays.
Deferente do HIV, o vírus que causa a Aids, a nova doença não afeta os linfócitos T, mas provoca um tipo diferente de dano no sistema imunológico. O estudo de Browne com mais de 200 pessoas de Taiwan e da Tailândia descobriu que a maioria dos doentes criava anticorpos que bloqueavam o interferon gama, um sinal químico que ajuda o corpo a se desfazer de infecções. Ao bloquear esse sinal, as pessoas ficam vulneráveis a vírus, fungos e parasistas, mas especialmente a microbactérias, um grupo de germes semelhantes aos da tuberculose, que pode causar graves danos aos pulmões.
Os antibióticos não são sempre eficazes no combate à doença. Os médicos têm tentado outros métodos, incluindo drogas contra o câncer que ajudam a suprimir a produção de anticorpos. A doença desaparece assim que a infecção é controlada, mas com o envolvimento do sistema imunológico se torna uma condição crônica, acreditam os pesquisadores.
O fato de que quase todos os pacientes identificados até agora serem da Ásia ou asiáticos que vivem em outros continentes sugere que fatores genéticos ou ambientais podem desencadear a doença, concluíram os pesquisadores.
O Globo
WASHINGTON - Pesquisadores identificaram uma nova doença misteriosa que tem causado sintomas semelhantes aos da Aids em dezenas de pessoas na Ásia e em algumas nos Estados Unidos, mesmo quando não estão infectados pelo HIV.
Os sistemas imunológicos dos pacientes foram danificados, o que os deixou incapazes de se defender de germes como faria uma pessoa saudável. A causa da doença é desconhecida, mas parece não ser contagiosa.
- Este é um outro tipo de imunodeficiência adquirida que não se herda e ocorre em adultos, mas não se propaga da forma como a Aids por meio de um vírus - disse a doutora Sarah Browne, cientista do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos.
Browne ajudou a realizar o estudo com pesquisadores na Tailândia e em Taiwan, onde foi detectada a maioria dos casos desde 2004. O relatório foi publicado no "New England Journal of Medicine".
- É provável que algum tipo de infecção possa desencadear a doença, embora pareça que não se propaga de pessoa para pessoa - disse o doutor Dennis Maki, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Wisconsin.
A doença se desenvolve por cerca de 50 anos em média, mas não é característica de grupos familiares, o que torna improvável a causa genética, afirmou Browne. Alguns pacientes morreram de infecções fortes, entre eles asiáticos que vivem atualmente nos Estados Unidos.
Kim Nguyen, de 62 anos, uma costureira originária do Vietnã que vive no estado do Tennessee desde 1975, ficou gravemente doente com uma febre persistente, infecções nos ossos e outros sintomas em 2009. Esteve enferma de forma recorrente por vários anos e visitou o Vietnã em 1995 e em 2009.
- Ela estava com um infecção sistêmica, que primeiramente parecia ser uma tuberculose, mas não era - disse o médico Carlton Hays.
Deferente do HIV, o vírus que causa a Aids, a nova doença não afeta os linfócitos T, mas provoca um tipo diferente de dano no sistema imunológico. O estudo de Browne com mais de 200 pessoas de Taiwan e da Tailândia descobriu que a maioria dos doentes criava anticorpos que bloqueavam o interferon gama, um sinal químico que ajuda o corpo a se desfazer de infecções. Ao bloquear esse sinal, as pessoas ficam vulneráveis a vírus, fungos e parasistas, mas especialmente a microbactérias, um grupo de germes semelhantes aos da tuberculose, que pode causar graves danos aos pulmões.
Os antibióticos não são sempre eficazes no combate à doença. Os médicos têm tentado outros métodos, incluindo drogas contra o câncer que ajudam a suprimir a produção de anticorpos. A doença desaparece assim que a infecção é controlada, mas com o envolvimento do sistema imunológico se torna uma condição crônica, acreditam os pesquisadores.
O fato de que quase todos os pacientes identificados até agora serem da Ásia ou asiáticos que vivem em outros continentes sugere que fatores genéticos ou ambientais podem desencadear a doença, concluíram os pesquisadores.
O Globo
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Taxa de homicídios no Brasil cresceu 41% desde 1992, aponta IBGE
A taxa de homicídios no Brasil cresceu 41% em 17 anos, de 1992 a 2009, de acordo com a pesquisa IDS 2012 (Indicadores de Desenvolvimento Sustentável) divulgada nesta segunda-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em 2009, ano dos dados mais recentes disponíveis, a média de assassinatos no país foi de 27,1 mortes para cada 100 mil habitantes, enquanto em 1992 o índice foi de 19,2.
Entre os Estados, Alagoas (59,3), Espírito Santo (56,9) e Pernambuco (44,9) atingiram os maiores índices de mortes. As menores taxas foram registradas no Piauí (12,4), Santa Catarina (13,4) e São Paulo (15,8).
Os valores relativos aos homens são mais de dez vezes maiores aos das mulheres. Considerando apenas vítimas do sexo masculino, o índice de assassinatos foi de 50,7 por 100 mil habitantes em 2009. Já considerando apenas mulheres, o índice cai para 4,4.
Segundo o IBGE, as mortes por homicídios afetam a esperança de vida, que se reduz devido às mortes prematuras, sobretudo, de homens jovens.
Coeficiente de homicídios por 100 mil habitantes - 2009
UF
Total
Homens
Mulheres
Alagoas
59,3
114,2
6,9
Espírito Santo
56,9
102,8
12,2
Pernambuco
44,9
85,7
6,7
Pará
40,1
74,5
4,9
Bahia
37,0
70,1
4,7
Rondônia
35,7
63,6
6,9
Paraná
34,5
63,7
6,1
Distrito Federal
33,8
64,7
5,6
Paraíba
33,5
63,3
5,1
Rio de Janeiro
33,4
65,3
4,2
Mato Grosso
33,3
59,2
6,4
Sergipe
32,3
62,4
3,5
Goiás
32,0
59,1
5,5
Mato Grosso do Sul
30,7
56,1
5,5
Amapá
30,3
56,6
3,8
Roraima
28,0
42,3
12,1
Amazonas
27,0
49,8
4,0
Rio Grande do Norte
25,5
48,4
3,6
Ceará
25,3
48,5
3,2
Tocantins
22,4
39,4
4,9
Acre
22,1
39,4
4,7
Maranhão
22,0
41,4
2,7
Rio Grande do Sul
20,5
37,7
4,0
Minas Gerais
18,7
33,7
4,0
São Paulo
15,8
29,2
3,1
Santa Catarina
13,4
23,9
3,0
Piauí
12,2
22,8
1,9
Fonte: Ministério da Saúde, Sistema de Informações sobre Mortalidade
Folha OnLine
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Censo: mortalidade infantil tem queda de 47,6% na última década
Ainda assim, Brasil está longe do índice de países desenvolvidos
RIO - O Brasil diminuiu consideravelmente os índices de mortalidade infantil na última década. Dados do Censo 2010 divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a queda chegou a 47,6%. Em 2000, a cada mil crianças nascidas vivas, 29,7 morriam antes de completar um ano de idade. Em 2010, eram 15,6 mortes para cada mil nascidos vivos. Em cinco décadas, a queda foi de 88%, pois há 50 anos, o índice era de 131.
A maior redução no período aconteceu no Nordeste (58,6%). Apesar da melhora, o Brasil ainda está longe do nível de países desenvolvidos, como os da Europa e Japão, além de Cuba, onde o índice é de cinco mortes por mil.
Para o IBGE, o índice de mortalidade infantil pode continuar em queda, mas os percentuais de redução já não devem ser os mesmos. Isso porque, quando o nível é muito alto, medidas emergenciais, como a ampliação do saneamento básico e campanhas de vacinação, já diminui drasticamente a taxa. Agora, chegou-se a um nível em que as ações para diminuição devem ser mais específicas.
A taxa de mortalidade de menores de um ano é importante por refletir níveis gerais de saúde, condição de vida e desenvolvimento econômico de uma população. Segundo o IBGE, os principais fatores que contribuíram para tamanha queda na mortalidade infantil foram políticas como o aumento do salário mínimo e ampliação de programas de transferência de renda.
As mudanças nos padrões reprodutivos, com quedas acentuadas nos índices de fecundidade desde os anos 60, e o aumento da escolaridade das mães também ajudaram a manter a taxa de mortalidade em ritmo de queda.
Menos de dois filhos por mulher
Os dados divulgados nesta sexta-feira também mostram a queda na taxa de fecundidade das brasileiras. Em 2000, o índice era 2,38 filhos por mulher e, em 2010, a taxa foi de 1,90. Ou seja, uma redução de 20,1%. A queda maior aconteceu no Nordeste: 23,4% na década pesquisada.
O IBGE chama atenção para o fato de que o Brasil chegou a um patamar abaixo do chamado nível de reposição (de 2,1), que garante a substituição das gerações. Assim, se o país mantiver a taxa de fecundidade abaixo deste patamar, a população absoluta começará a diminuir, embora não haja uma projeção para que isso aconteça.
- O Rio e São Paulo já têm taxas no padrão europeu - afirmou Luiz Antônio Pinto de Oliveira, coordenador de população de indicadores sociais do IBGE.
- A redução da taxa de fecundidade está ligada ao planejamento do casal, à entrada da mulher no mercado de trabalho e ao estilo de vida urbano. É um fenômeno internacional que está acontecendo no Brasil - disse o coordenador.
Na década de 1940, a média era de 6,16 filhos por mulher. A cada Censo, o nível diminui e agora apenas a Região Norte, com índice 2,47, tem taxa acima do nível de reposição. O Ceará foi onde houve maior queda da taxa de fecundidade: 29,7%.
O recenseamento mostra ainda que houve queda nos índices de todas as idades, mas a redução foi menos acentuada nas faixas entre 35 a 49 anos.
- Isso significa que há uma tendência clara ao chamado envelhecimento da fecundidade - afirmou Oliveira.
Diante dos resultados do Censo, o Ministério do Desenvolvimento Social divulgou nota na qual diz que a ministra Tereza Campello considera que os dados contribuem para rebater "mitos" em torno do Bolsa Família.
"Os dados mostram que o Bolsa Família não incentiva a natalidade. Ao contrário. A queda é maior nas regiões que mais recebem os benefícios do programa", disse a ministra.
O Globo
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