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quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Pagamos pela mordomia de poucos.
Por Mônica El Bayeh
Na 'Visita' de hoje, Mônica se revolta, como professora e mãe, contra a boquinha educação pedida pelos juízes
- Ele tem de roubar, professora! Ele tem três filhos para sustentar!
- Pois eu tenho dois e não roubo ninguém.
O raciocínio de minha aluna faz um desvio do bem, da ética e da moral para proteger quem lhe é querido. É um raciocínio torto e cínico. É aluna de escola pública. Pobre. Favelada. Explica? Justifica? Pois tem juiz fazendo pior. Muito pior.
O mais recente raciocínio torto e cínico do Poder é a boquinha educação que os juízes e desembargadores querem para si.
A desembargadora Leila Mariano, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, enviou um projeto de lei à Alerj em caráter de urgência. Ela pede a aprovação de um auxílio-educação de até R$ 7.250 mensais para filhos de juízes e desembargadores.
Fiquei até feliz, sabia? Eu estou sendo descontada pelo prefeito Eduardo Paes há meses por conta de uma greve. A greve da educação era mais do que justa. Mas, aos olhos da justiça vendada, foi ilegal.
Achei que só eu, sem meu salário, estivesse na maior pindaíba. E olhe meu espanto: a vida dos juízes está muito pior! Se estão precisando de ajuda até para pagar escola dos filhos, a coisa está feia mesmo! Coitados! Fiquei com pena.
Você, que trabalha uma média de trinta a quarenta horas semanais, ganha R$ 7.250 mensais? Tem ideia de em quantas escolas um professor de escola pública precisa trabalhar para ganhar isso? Só para constar, a hora-aula de um professor do estado no Rio de Janeiro é de R$ 18,42. Isso porque teve aumento mês passado!
O sofrido povo brasileiro mais uma vez é obrigado a pagar pela mordomia alheia. Farinha pouca meu pirão primeiro, né? Vamos negociar, doutora? A situação está difícil aqui também. Esse angu era para ser dividido. Mas para a gente só vem o caroço. Uma vaguinha no município, nem pensar, Vossa Excelência?
Já que a greve dos professores foi julgada ilegal, é sinal de que os educadores estão enganados. E que as escolas do município são tão boas que seriam um lugar perfeito para seus filhotinhos amados. Isso fora o intercâmbio cultural que eles fariam com o pessoal lá do morro! Desculpe, é comunidade agora. Esqueci. Faz toda a diferença! Nomenclatura é tudo!
Consigo visualizar seus filhos subindo morro para fazer trabalho de grupo. Vão de motorista, de Kombi ou de motoboy? Os meninos vão ensinar seus filhos a soltar pipa, jogar bola descalço, dançar funk. E como dançam, viu? Parecem de borracha. Nossos meninos também são bons, Excelência. Também têm potencial e merecem boa educação. Vamos juntar?
No Estado a situação não fica nada a dever também. A escola que vem sendo sucateada pelos governos passados de Garotinho, Rosinha, Cabral e Pezão é um lugar seguro, tranquilo, ótimo nível e acolhedor. Sugiro que experimentem.
R$ 7.250 mensais é muitas vezes mais que o salário mínimo dos trabalhadores honestos espremidos diariamente nos trens da Central e nos vagões de metrô. Paga o salário de seis professores e meio. É triste a situação dos educadores do município e do estado do Rio de Janeiro. Não é à toa que que, em oito dias, 233 pediram para sair.
O custo desse benefício vale para os filhos e dependentes dos magistrados que tenham entre oito e 24 anos. Eu não imaginava que os magistrados amigos estivessem nessa situação. Que me conste, os magistrados do Rio - ao contrário dos professores - estão entre os mais bem pagos do Brasil. E recebem salários que chegam a R$ 29 mil. Isso fora os auxílios. É pouco? Para quem? Para quem paga ou quem recebe?
No Brasil é precisamente o excesso de boca de uns que deixa os outros na fome. O olho grande dos que têm o poder e o dinheiro nas mãos, mas não usam para servir. Só para se servir. Vontade de gritar:
- Ei, não faz isso, não! É meu também. Trabalhei muito por ele.
Não me escutam. Nunca escutam. Não lhes pesa o mal que fazem? Não lhes dói a consciência? Ou será que culpa e ética são coisa só de pobre? Não acredito que seja.
A boquinha de poucos é a fome de muitos, quase todos nós. A voracidade dos que deveriam nos proteger e dar exemplo chega a ser imoral. Vergonha alheia.
Época
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
PROFESSORES DO BRASIL - Falar com as mãos (CONT.)

Recursos diferenciados para a turma heterogênea
Passado o receio inicial, Silvana percebeu com o tempo que quase tudo precisava ser adaptado: a postura, a maneira de falar, a avaliação e, principalmente, os materiais. "Uma pessoa que cresceu sem escutar aprende por observação. Ela precisa ver, montar e perceber os conceitos de forma concreta", diz Roseli. Foi assim, com aulas visuais e exemplos palpáveis, que conseguiu lecionar. Usou material emborrachado, quadrados, cubos, jogos, dados e desenhos. Ensinou adição com objetos que se agrupavam. Para a multiplicação, dividiu os próprios alunos da sala em quadrados desenhados no chão: três turmas de quatro igual a 12, cinco grupos de cinco crianças resultavam em 25. As frações foram entendidas com círculos desenhados na mesa em formato de pizza: com dois pedaços do total de oito, se faz um quarto. Até a probabilidade ficou mais fácil com uma boneca de papel e várias roupas para combinar.
No entanto, mesmo com materiais diferenciados e maior número de explicações orais, um cuidado essencial deve ser tomado para garantir um trabalho de sucesso. O educador precisa se policiar para não fazer duas versões da aula - uma para os alunos que escutam e outra para os deficientes auditivos. Como explica Ronice Muller, coordenadora do primeiro curso de licenciatura Letras-Libras do país, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a base da inclusão é a integração total entre os alunos. "A escola deve se tornar bilíngue. Os colegas têm de aprender Libras, afinal, no futuro, eles vão falar com os surdos inclusos na sociedade", afirma.
Para isso, professores da língua de sinais devem dar aulas aos ouvintes e incentivar trabalhos em grupo. Foi o que aconteceu em Irará, cidade de 25 mil habitantes a 128 quilômetros de Salvador. A EM São Judas Tadeu começou a receber surdos em 2005. Além dos professores, as turmas em que os deficientes auditivos são matriculados recebem noções de libras. "As crianças aprendem rápido e, em vez de ficar com preconceito, logo ajudam os professores a entender o que os colegas surdos dizem", explica o diretor da unidade, Márcio Jambeiro.
A falta que os intérpretes fazem
No ano passado, dos 64.150 alunos surdos recenseados pelo Ministério da Educação no Brasil, 54% estavam em classes regulares. Mas o primeiro levantamento que cruzará o número de intérpretes com as matrículas dos deficientes auditivos só deve ser feito este ano. Mesmo antes da divulgação dos resultados, especialistas e autoridades imaginam o que ele dirá: não há profissionais suficientes.
É por causa da carência que entidades do setor ainda defendem as escolas especiais segregadas até o fim do Ensino Fundamental. Em muitas unidades de ensino regulares, alunos surdos ainda estudam sem intérpretes, o que revolta integrantes da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis). "A inclusão não está funcionando", diz o diretor da entidade em São Paulo, Neivaldo Augusto Zovico. "Os professores estão despreparados e as secretarias de Educação não contratam intérpretes. Os alunos acabam frustrados por não entender nada e desistem", reclama.
A coordenadora do Programa de Acessibilidade da Derdic-PUC, Maria Inês Vieira, defende o mesmo ponto de vista. "Acredito em inclusão na sociedade, mas não na Educação Básica", diz. Ela explica que, para o aluno surdo, o português é uma segunda língua e deveria ser ensinado após a primeira, libras.
A diretora de Educação Especial da Secretaria de Educação Especial do MEC, Martinha Dutra, afirma que a inclusão total é uma questão de tempo. "Faltam profissionais porque tudo é muito novo. A própria regulamentação do intérprete no Ministério do Trabalho ainda está em curso, mas isso vai ser acelerado com a multiplicação do conhecimento de libras", argumenta.
Pela nova perspectiva de trabalho das autoridades, as instituições especializadas deixam de receber verbas por crianças atendidas de maneira segregada, em escolas especiais.
No novo modelo, essas entidades devem usar a experiência acumulada para ajudar a inclusão na rede pública, em contratos com estados e municípios, por exemplo. Outro fator que incentiva essa modernização é um decreto federal, assinado em 2008, que dobra o valor do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb) para alunos com deficiência inclusos na rede regular, se atendidos pelo contraturno público e estudando regularmente com intérprete, como manda a lei.
Conversas an
imadas, mas sem sons nem gritos
LIBRAS TAMBÉM PARA QUEM ESCUTA
Passado o receio inicial, Silvana percebeu com o tempo que quase tudo precisava ser adaptado: a postura, a maneira de falar, a avaliação e, principalmente, os materiais. "Uma pessoa que cresceu sem escutar aprende por observação. Ela precisa ver, montar e perceber os conceitos de forma concreta", diz Roseli. Foi assim, com aulas visuais e exemplos palpáveis, que conseguiu lecionar. Usou material emborrachado, quadrados, cubos, jogos, dados e desenhos. Ensinou adição com objetos que se agrupavam. Para a multiplicação, dividiu os próprios alunos da sala em quadrados desenhados no chão: três turmas de quatro igual a 12, cinco grupos de cinco crianças resultavam em 25. As frações foram entendidas com círculos desenhados na mesa em formato de pizza: com dois pedaços do total de oito, se faz um quarto. Até a probabilidade ficou mais fácil com uma boneca de papel e várias roupas para combinar.
No entanto, mesmo com materiais diferenciados e maior número de explicações orais, um cuidado essencial deve ser tomado para garantir um trabalho de sucesso. O educador precisa se policiar para não fazer duas versões da aula - uma para os alunos que escutam e outra para os deficientes auditivos. Como explica Ronice Muller, coordenadora do primeiro curso de licenciatura Letras-Libras do país, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a base da inclusão é a integração total entre os alunos. "A escola deve se tornar bilíngue. Os colegas têm de aprender Libras, afinal, no futuro, eles vão falar com os surdos inclusos na sociedade", afirma.
Para isso, professores da língua de sinais devem dar aulas aos ouvintes e incentivar trabalhos em grupo. Foi o que aconteceu em Irará, cidade de 25 mil habitantes a 128 quilômetros de Salvador. A EM São Judas Tadeu começou a receber surdos em 2005. Além dos professores, as turmas em que os deficientes auditivos são matriculados recebem noções de libras. "As crianças aprendem rápido e, em vez de ficar com preconceito, logo ajudam os professores a entender o que os colegas surdos dizem", explica o diretor da unidade, Márcio Jambeiro.
A falta que os intérpretes fazem
No ano passado, dos 64.150 alunos surdos recenseados pelo Ministério da Educação no Brasil, 54% estavam em classes regulares. Mas o primeiro levantamento que cruzará o número de intérpretes com as matrículas dos deficientes auditivos só deve ser feito este ano. Mesmo antes da divulgação dos resultados, especialistas e autoridades imaginam o que ele dirá: não há profissionais suficientes.
É por causa da carência que entidades do setor ainda defendem as escolas especiais segregadas até o fim do Ensino Fundamental. Em muitas unidades de ensino regulares, alunos surdos ainda estudam sem intérpretes, o que revolta integrantes da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis). "A inclusão não está funcionando", diz o diretor da entidade em São Paulo, Neivaldo Augusto Zovico. "Os professores estão despreparados e as secretarias de Educação não contratam intérpretes. Os alunos acabam frustrados por não entender nada e desistem", reclama.
A coordenadora do Programa de Acessibilidade da Derdic-PUC, Maria Inês Vieira, defende o mesmo ponto de vista. "Acredito em inclusão na sociedade, mas não na Educação Básica", diz. Ela explica que, para o aluno surdo, o português é uma segunda língua e deveria ser ensinado após a primeira, libras.
A diretora de Educação Especial da Secretaria de Educação Especial do MEC, Martinha Dutra, afirma que a inclusão total é uma questão de tempo. "Faltam profissionais porque tudo é muito novo. A própria regulamentação do intérprete no Ministério do Trabalho ainda está em curso, mas isso vai ser acelerado com a multiplicação do conhecimento de libras", argumenta.
Pela nova perspectiva de trabalho das autoridades, as instituições especializadas deixam de receber verbas por crianças atendidas de maneira segregada, em escolas especiais.
No novo modelo, essas entidades devem usar a experiência acumulada para ajudar a inclusão na rede pública, em contratos com estados e municípios, por exemplo. Outro fator que incentiva essa modernização é um decreto federal, assinado em 2008, que dobra o valor do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb) para alunos com deficiência inclusos na rede regular, se atendidos pelo contraturno público e estudando regularmente com intérprete, como manda a lei.
Conversas an
imadas, mas sem sons nem gritosLIBRAS TAMBÉM PARA QUEM ESCUTA
Na EM São Judas Tadeu, em Irará, a 128 quilômetros de Salvador, as aulas oferecidas pelos tradutores eram anunciadas nos corredores para que estudantes e docentes pudessem se organizar e participar. A adesão foi grande. "Vinham professores e alunos. Às vezes, também um porteiro ou o diretor", conta a intérprete Edma Oliveira dos Santos. Hoje, é comum ver alunos surdos e ouvintes conversando normalmente no pátio. Foto: Fernando Vivas
Os cursos de libras para ouvintes começaram explorando os horários livres dos intérpretes. As aulas dos tradutores eram anunciadas nos corredores e na sala dos professores para os interessados. Havia opções em vários dias e em horários diferentes. Assim, os estudantes ouvintes que aprendiam o básico começavam a prestar atenção nos movimentos do intérprete em sala, ouvindo ao fundo a voz do professor e decorando as palavras.
No fim das aulas, era comum ver estudantes tirando dúvidas sobre as lições. "Hoje, as crianças que estudam em salas com surdos se comunicam bem com eles. Mesmo no intervalo, você anda pelos corredores e vê todos conversando em libras fluentemente."
A fase adiantada em que se encontra a inclusão na cidade baiana mostra que boas iniciativas podem prosperar mesmo fora das grandes capitais. Muito desse sucesso se deve a 20 anos de dedicação de uma professora. Nos anos 1980, Edma Olivera dos Santos dava aula para o Ensino Fundamental em uma escola rural multisseriada, quando recebeu um aluno surdo. "Na época, a orientação era falar devagar e esperar que eles aprendessem a leitura labial. Percebi que não ia funcionar e comecei a sinalizar, eles sinalizaram de volta e assim foi", lembra.
Com o passar dos anos, ela aprendeu libras e começou a ser procurada por todos os pais de surdos de Irará. Quando o governo instituiu que os deficientes auditivos deveriam estudar em escolas regulares, ela se tornou intérprete de seus ex-alunos na EM São Judas Tadeu. "Tenho orgulho de dizer que eles estão entre os melhores em todas as turmas", afirma.
Mesmo com experiências pioneiras em desenvolvimento no Brasil, especialistas, autoridades e docentes reconhecem que ainda há dificuldades e falhas. Faltam experiência e, na maior parte do país, material adequado, salas de apoio e intérpretes. A maioria dos surdos só aprende Libras quando vai para escola e, até que se tornem fluentes no idioma, não entendem os intérpretes e podem perder o interesse. A recomendação de Edma a qualquer colega que receber um aluno surdo é que enfrente o desafio. "Para eles, a escola é ainda mais importante. Quando um deficiente auditivo aprende a escrever, vai ao médico sozinho e bota no papel: eu estou com dor de cabeça. O professor tem em mãos a grande chance de dar autonomia a uma pessoa."
http://ponderantes.blogspot.com/2009/09/professores-do-brasil-blogagem-coletiva.html
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Diminuir preconceito é desafio para professor

Pesquisa revelou que comunidade escolar discrimina
Para especialistas, é justamente nesse espaço que a diversidade deve ser trabalhada
Combater o preconceito dentro da sala de aula é um dos maiores desafios para os professores atualmente. Além de mediar situações de conflito entre os estudantes, o docente tem de desconstruir suas próprias pré-noções. Uma pesquisa divulgada em junho deste ano pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) revelou que todas as pessoas envolvidas com a escola, desde os pais até os docentes, praticam algum tipo de discriminação. 99,3% dos alunos, pais e funcionários têm algum tipo de preconceito étnico-racial, socioeconômico, com relação a portadores de necessidades especiais, gênero, geração, orientação sexual ou territorial.
O estudo ouviu 18,5 mil pessoas em 501 escolas públicas de todo o país. O grupo mais atingido pela discriminação foi o de portadores de necessidades especiais. Em seguida estão os negros.
Para especialistas, a escola reflete o que ocorre na sociedade. Apesar disso, é justamente esse espaço que pode trazer mudanças reais. Como o professor é um dos formadores de opinião de crianças e adolescentes, deve estimular o debate em sala de aula sobre essas questões e apresentar a diversidade das visões de mundo. O grande problema é que muitas vezes o próprio docente não está preparado e nem recebe apoio para isso. O caminho apontado para solucionar o impasse é investir na formação.
A professora da Universidade Federal do Paraná e doutora em psicologia social Tânia Baibich-Faria diz que é dentro da sala de aula que se pode combater a discriminação com mais eficiência, mesmo com o professor também tendo pré-noções. “O mais importante é reconhecer em si o preconceito e desenvolver competência de estar sempre alerta para lidar com isso.” Ela explica que a discriminação ocorre em todas as sociedades, porque está relacionada com a construção da própria identidade. Por isso, não se pode exigir que os professores sejam diferentes. Mas eles podem e devem desconstruir esses conceitos. “O papel do professor é fundamental. Ele tem de construir a pedagogia do antipreconceito. Ele não pode negar a realidade e ao mesmo tempo que percebê-la deve ter uma atitude combativa.”
Estudos comprovam que a discriminação deixa marcas por toda a vida e é a escola que pode mudar essa realidade. “O docente deve agir nas mentes, vísceras e coração”, diz Tânia. “Quem luta por justiça social precisa estar sempre em alerta e combativo. É pensar a educação para além da sala de aula.” Na UFPR há disciplinas específicas na graduação e pós-graduação para abordar a questão com os futuros professores.
No ensino público, somente na última década foram criadas políticas específicas de combate à discriminação na sala de aula. Com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) em 1996, o assunto passou a entrar em pauta. Hoje o Ministério da Educação tem uma secretaria para tratar o tema. Há projetos de formação de docentes para o reconhecimento da diversidade sexual e equidade de gênero e o programa Escola que Protege, direcionado ao combate da violência.
Na Secretaria de Estado da Educação (Seed), foi criado em 2007 um departamento para abordar a diversidade. Há atividades direcionadas à formação em áreas como indígenas, negros, mulheres e orientação sexual. “A escola pública tem de ser universal. E o professor precisa estar preparado”, afirma Wagner Roberto do Amaral, chefe do departamento. Para apoiar os docentes, a Seed desenvolve palestras, cursos e grupos de discussão. Na secretaria de educação de Curitiba também há uma formação específica para a questão. “É preciso desmitificar todos os tipos de discriminação. E por trás dessas ações há a importância da formação”, diz a diretora do departamento de ensino fundamental, Nara Salamunes.
Para a orientadora educacional do Colégio Dom Bosco, Francisca Maria de Fauw, o docente tem de introduzir a temática do preconceito no cotidiano da sala de aula. “O professor é um facilitador. Deve estimular o debate. A escola deve investir na qualificação e o profissional tem de assumir sua função social. Somos o espaço de resgate da autoestima e da autonomia.”
Paola Carriel
Gazeta do Povo
Uma homenagem aos professores

A cansada ex-professora se aproximou do balcão do supermercado. Sua perna esquerda doía e ela esperava ter tomado todos os comprimidos do dia: para pressão alta, tontura e um grande número de outras enfermidades.
“Graças a Deus eu me aposentei há vários anos”, ela pensou. “Não tenho energia para ensinar hoje em dia”.
Imediatamente antes de se formar a fila para o balcão, ela viu um rapaz com quatro crianças e uma esposa, ou namorada, grávida. A professora não pôde deixar de notar a tatuagem em seu pescoço.
“Ele esteve preso”, pensou.
Continuou a observá-lo. Sua camiseta branca, cabelo raspado e calças largas levaram-na a conjecturar:
“Ele é membro de uma gangue.”
A professora tentou deixar passar o homem na sua frente.
- Você pode ir primeiro – ofereceu.
- Não, a senhora primeiro – ele insistiu.
- Não, você está com mais gente – disse a professora.
- Devemos respeitar os mais velhos – defendeu-se o homem.
E, com isto, fez um gesto largo indicando o caminho para a mulher.
Um breve sorriso apareceu em seus lábios enquanto ela mancou na frente dele. A professora que existia dentro dela não pôde desperdiçar o momento e, virando-se para ele, perguntou:
- Quem lhe ensinou boas maneiras?
- A senhora, Sra. Simpson, na terceira série.
Paul Karrer
Brasil Contra a Pedofilia
“Graças a Deus eu me aposentei há vários anos”, ela pensou. “Não tenho energia para ensinar hoje em dia”.
Imediatamente antes de se formar a fila para o balcão, ela viu um rapaz com quatro crianças e uma esposa, ou namorada, grávida. A professora não pôde deixar de notar a tatuagem em seu pescoço.
“Ele esteve preso”, pensou.
Continuou a observá-lo. Sua camiseta branca, cabelo raspado e calças largas levaram-na a conjecturar:
“Ele é membro de uma gangue.”
A professora tentou deixar passar o homem na sua frente.
- Você pode ir primeiro – ofereceu.
- Não, a senhora primeiro – ele insistiu.
- Não, você está com mais gente – disse a professora.
- Devemos respeitar os mais velhos – defendeu-se o homem.
E, com isto, fez um gesto largo indicando o caminho para a mulher.
Um breve sorriso apareceu em seus lábios enquanto ela mancou na frente dele. A professora que existia dentro dela não pôde desperdiçar o momento e, virando-se para ele, perguntou:
- Quem lhe ensinou boas maneiras?
- A senhora, Sra. Simpson, na terceira série.
Paul Karrer
Brasil Contra a Pedofilia
ALIENAÇÃO PARENTAL , PERIGO IMINENTE

Alienação parental é a rejeição do genitor que "ficou de fora" pelos seus próprios filhos, fenômeno este provocado normalmente pelo guardião que detêm a exclusividade da guarda sobre eles ( a conhecida guarda física monoparental ou exclusiva).
Esta guarda única permite ao genitor que detêm a guarda com excluvidade, a capacidade de monopolizar o controle sobre a pessoa do filho, como um ditador, de forma que ao exercer este poder extravagante, desequilibra o relacionamento entre os pais em relação ao filho. A situação se caracteriza quando, a qualquer preço, o genitor guardião que quer se vingar do ex cônjuge, através da condição de superioridade que detêm, tentado fazer com que o outro progenitor ou se dobre as suas vontades, ou então se afaste dos filhos.
Levando em consideração que as Varas de família agraciam as mulheres, com a guarda dos filhos, em aproximadamente 91% dos casos (IBGE/2002), salta aos nossos olhos que a maior incidência de casos de alienação parental é causada pelas mães, podendo, todavia ser causada também pelo pai, dentro dos 9% restantes.
Concluímos assim, que o compartilhamento parental na criação dos filhos, anularia o excesso de poder uni-lateral, origem da alienação parental, trazendo a solução para este e vários outros problemas causados pela Guarda Única.
Infelizmente nosso Novo Código Civil não nos agraciou com as mudanças que se fazem necessário para atender a mulher moderna, o pai responsável, a atual família brasileira, ao asseverar que a Guarda dos filhos continue sendo monoparental, da mesma forma que o Código Civil antecessor que data de 1916, hoje com 87 anos.
Com o objetivo de ajudar aos pais a identificar quando é que seus filhos podem estar sendo vítimas da alienação parental, juntamos as seguintes situações que demonstram em menor ou maior grau o risco da rejeição paterna.
• ...”Cuidado ao sair com seu pai . Ele quer roubar você de mim”...
• ...”Seu pai abandonou vocês “...
• ...”Seu pai não se importa com vocês”...
• ...”Você não gosta de mim!Me deixa em casa sozinha para sair com seu pai”...
• ...”Seu pai não me deixa refazer minha vida”...
• ...”Seu pai me ameaça , ele vive me perseguindo”...
• ...”Seu pai não nos deixa em paz, vive chamando no telefone”...
• ...”Seu pai tenta sempre comprar vocês com brinquedos e presentes”...
• ...”Seu pai não dá dinheiro para manter vocês”...
• ...”Seu pai é um bêbado”...
• ...”Seu pai é um vagabundo”....
• ...”Seu pai é desprezível”...
• ...”Seu pai é um inútil”...
• ...”Seu pai é um desequilibrado”...
• ...”Vocês deveriam ter vergonha do seu pai”....
• ...”Cuidado com seu pai ele pode abusar de você”...
• ...”Peça pro seu pai comprar isso ou aquilo”...
• ...”Eu fico desesperada quando vocês saem com seu pai”...
• ...”Seu pai bateu em você , tente se lembrar do passado”...
• ...”Seu pai bateu em mim, foi por isso que me separei dele”...
• ...”Seu pai é muito violento, ele vai te bater”...
Com isso, ocorrem casos de crianças com problemas psicológicos diversos, onde vemos tais reflexos somatizados, de uma culpa que elas não tem, ora em forma mais grave, como o desvio de comportamento, e outras copiando o modelo materno ou paterno de forma inadequada,
Caso ocorra com seu filho situação semelhante, é necessário que se procure a Vara de Família, devidamente representado por um advogado familista, para que seja peticionado uma ação de inversão da guarda, ou Guarda Compartilhada.
Outras características de mães, ou pais, que induzem a alienação parental aos filhos:
• Cortam as fotografias em que os filhos estão em companhia do pai, ou então proíbe que as exponha em seu quarto.
• Pais monoparentais, não participam ao pai que “ficou de fora” informações escolares como os boletins escolares, proíbe a entrada destes na escola, não fornece fotografias, datas de eventos festivos escolares e tentam macular a imagem do pai junto ao corpo docente do colégio.
• Pais dessa natureza, não cooperam em participar de mediações promovidas por instituições que promovem a mediação entre casais em litígio, são freqüentemente agressivos, arrogantes, e exímios manipuladores.
• Restringem e proíbem terminantemente, a proximidade dos filhos e parentes com os membros da família do ex-cônjuge.
• Encaram o ex-cônjuge como um fator impeditivo para a formação de uma outra família.(normalmente porque idealizam uma nova vida imaginando poder substituir a figura do pai pela a do padrasto, o que não seria possível com a proximidade do ex).
• Pais que induzem a alienação parental, ao ser necessário, deixam seus filhos com babás, vizinhos, parentes ou amigos, mas nunca com o pai não residente, (mesmo que ele seja o seu vizinho), a desculpa clássica é: ” Seu pai está proibido de ver as crianças fora do horário pré-estipulado para ele “ , ” Seu pai só pode ficar com vocês de 15 em 15 dias. Foi o Juiz que disse “ ou “ Não permito, porque seu pai vai interferir na rotina da nossa família”
• Pais que induzem a alienação parental, normalmente são vítimas do seu próprio procedimento no futuro, sendo julgados pelos seus próprios filhos impiedosamente.
• Tem crises de depressão e agressividade, exercendo violência física ou psicológica sobre seus filhos.
• Fazem chantagem emocional sempre que possível, especialmente quando a criança está de férias com o pai não residente.
• Não percebe o cônjuge na sua angustiante revolta e infelicidade que o seu “maior inimigo” poderia ser seu maior aliado, sendo enormemente beneficiada dividindo a responsabilidade no compartilhamento da guarda do filho, com o ex-cônjuge.
• Muitas vezes negam ao pai não residente o direito de visitar seus filhos nos horários pré-estipulados, desaparecendo por semanas a fio, ou obrigando as crianças a dizerem, que não querem sair com o pai, não permitindo nem mesmo que ele se aproxime de sua casa, chamando a polícia sob a alegação que está sendo ameaçada ou perseguida.
• Não permitem o contato telefônico do pai com o filho em momento algum, proibindo inclusive que o filho ligue para ele.
• Proíbem a empregada doméstica de passar a ligação do pai ao seu filho.
Esta guarda única permite ao genitor que detêm a guarda com excluvidade, a capacidade de monopolizar o controle sobre a pessoa do filho, como um ditador, de forma que ao exercer este poder extravagante, desequilibra o relacionamento entre os pais em relação ao filho. A situação se caracteriza quando, a qualquer preço, o genitor guardião que quer se vingar do ex cônjuge, através da condição de superioridade que detêm, tentado fazer com que o outro progenitor ou se dobre as suas vontades, ou então se afaste dos filhos.
Levando em consideração que as Varas de família agraciam as mulheres, com a guarda dos filhos, em aproximadamente 91% dos casos (IBGE/2002), salta aos nossos olhos que a maior incidência de casos de alienação parental é causada pelas mães, podendo, todavia ser causada também pelo pai, dentro dos 9% restantes.
Concluímos assim, que o compartilhamento parental na criação dos filhos, anularia o excesso de poder uni-lateral, origem da alienação parental, trazendo a solução para este e vários outros problemas causados pela Guarda Única.
Infelizmente nosso Novo Código Civil não nos agraciou com as mudanças que se fazem necessário para atender a mulher moderna, o pai responsável, a atual família brasileira, ao asseverar que a Guarda dos filhos continue sendo monoparental, da mesma forma que o Código Civil antecessor que data de 1916, hoje com 87 anos.
Com o objetivo de ajudar aos pais a identificar quando é que seus filhos podem estar sendo vítimas da alienação parental, juntamos as seguintes situações que demonstram em menor ou maior grau o risco da rejeição paterna.
• ...”Cuidado ao sair com seu pai . Ele quer roubar você de mim”...
• ...”Seu pai abandonou vocês “...
• ...”Seu pai não se importa com vocês”...
• ...”Você não gosta de mim!Me deixa em casa sozinha para sair com seu pai”...
• ...”Seu pai não me deixa refazer minha vida”...
• ...”Seu pai me ameaça , ele vive me perseguindo”...
• ...”Seu pai não nos deixa em paz, vive chamando no telefone”...
• ...”Seu pai tenta sempre comprar vocês com brinquedos e presentes”...
• ...”Seu pai não dá dinheiro para manter vocês”...
• ...”Seu pai é um bêbado”...
• ...”Seu pai é um vagabundo”....
• ...”Seu pai é desprezível”...
• ...”Seu pai é um inútil”...
• ...”Seu pai é um desequilibrado”...
• ...”Vocês deveriam ter vergonha do seu pai”....
• ...”Cuidado com seu pai ele pode abusar de você”...
• ...”Peça pro seu pai comprar isso ou aquilo”...
• ...”Eu fico desesperada quando vocês saem com seu pai”...
• ...”Seu pai bateu em você , tente se lembrar do passado”...
• ...”Seu pai bateu em mim, foi por isso que me separei dele”...
• ...”Seu pai é muito violento, ele vai te bater”...
Com isso, ocorrem casos de crianças com problemas psicológicos diversos, onde vemos tais reflexos somatizados, de uma culpa que elas não tem, ora em forma mais grave, como o desvio de comportamento, e outras copiando o modelo materno ou paterno de forma inadequada,
Caso ocorra com seu filho situação semelhante, é necessário que se procure a Vara de Família, devidamente representado por um advogado familista, para que seja peticionado uma ação de inversão da guarda, ou Guarda Compartilhada.
Outras características de mães, ou pais, que induzem a alienação parental aos filhos:
• Cortam as fotografias em que os filhos estão em companhia do pai, ou então proíbe que as exponha em seu quarto.
• Pais monoparentais, não participam ao pai que “ficou de fora” informações escolares como os boletins escolares, proíbe a entrada destes na escola, não fornece fotografias, datas de eventos festivos escolares e tentam macular a imagem do pai junto ao corpo docente do colégio.
• Pais dessa natureza, não cooperam em participar de mediações promovidas por instituições que promovem a mediação entre casais em litígio, são freqüentemente agressivos, arrogantes, e exímios manipuladores.
• Restringem e proíbem terminantemente, a proximidade dos filhos e parentes com os membros da família do ex-cônjuge.
• Encaram o ex-cônjuge como um fator impeditivo para a formação de uma outra família.(normalmente porque idealizam uma nova vida imaginando poder substituir a figura do pai pela a do padrasto, o que não seria possível com a proximidade do ex).
• Pais que induzem a alienação parental, ao ser necessário, deixam seus filhos com babás, vizinhos, parentes ou amigos, mas nunca com o pai não residente, (mesmo que ele seja o seu vizinho), a desculpa clássica é: ” Seu pai está proibido de ver as crianças fora do horário pré-estipulado para ele “ , ” Seu pai só pode ficar com vocês de 15 em 15 dias. Foi o Juiz que disse “ ou “ Não permito, porque seu pai vai interferir na rotina da nossa família”
• Pais que induzem a alienação parental, normalmente são vítimas do seu próprio procedimento no futuro, sendo julgados pelos seus próprios filhos impiedosamente.
• Tem crises de depressão e agressividade, exercendo violência física ou psicológica sobre seus filhos.
• Fazem chantagem emocional sempre que possível, especialmente quando a criança está de férias com o pai não residente.
• Não percebe o cônjuge na sua angustiante revolta e infelicidade que o seu “maior inimigo” poderia ser seu maior aliado, sendo enormemente beneficiada dividindo a responsabilidade no compartilhamento da guarda do filho, com o ex-cônjuge.
• Muitas vezes negam ao pai não residente o direito de visitar seus filhos nos horários pré-estipulados, desaparecendo por semanas a fio, ou obrigando as crianças a dizerem, que não querem sair com o pai, não permitindo nem mesmo que ele se aproxime de sua casa, chamando a polícia sob a alegação que está sendo ameaçada ou perseguida.
• Não permitem o contato telefônico do pai com o filho em momento algum, proibindo inclusive que o filho ligue para ele.
• Proíbem a empregada doméstica de passar a ligação do pai ao seu filho.
• Desaparece com o telefone celular que o pai dá para o filho.
• Costumam fazer denunciações caluniosas de agressão, ameaça, crimes contra a honra, etc.
• Agridem fisicamente o pai em locais não públicos, e imediatamente se deslocam para locais públicos, para forjar um pedido socorro por terem sido agredidas.
• Freqüentemente ameaçam mudarem-se pra bem longe, os Estados Unidos ou uma cidade bem longe.
Euclydes de Souza é advogado, presidente da Apase Rio de Janeiro e PaiLegal
pailegal.net
• Costumam fazer denunciações caluniosas de agressão, ameaça, crimes contra a honra, etc.
• Agridem fisicamente o pai em locais não públicos, e imediatamente se deslocam para locais públicos, para forjar um pedido socorro por terem sido agredidas.
• Freqüentemente ameaçam mudarem-se pra bem longe, os Estados Unidos ou uma cidade bem longe.
Euclydes de Souza é advogado, presidente da Apase Rio de Janeiro e PaiLegal
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Promotoria quer crianças de até 4 anos nas creches de SP

O Ministério Público Estadual quer impedir que alunos menores de quatro anos sejam matriculados na pré-escola em vez de creches, em São Paulo. Para isso, entrou com uma ação civil pública pedindo à Justiça que a prefeitura, a partir de 2010, matricule obrigatoriamente crianças dessa faixa etária em creches.
Segundo a Promotoria de Defesa dos Interesses da Criança e da Juventude da Capital, as Emeis não possuem espaço adequado, além de reunirem um número excessivo de alunos em sala de aula, o que é incompatível levando em conta os cuidados que eles necessitam nesta faixa etária.
A mudança foi feita por uma portaria, que diminuiu a idade mínima de entrada nas Emeis para três anos. A prática, considerada irregular pela Promotoria, foi denunciada pelo Agora em junho deste ano. Nas Emeis, as salas podem ter até 35 alunos, cuidados por professor. Na creche, esse número cai para 18. Pelo menos 48 mil alunos de três anos foram colocados em escolas pela prefeitura.
O documento, assinado pelas promotoras Dora Martin Strilicherk, Laila Said Abdel Qader Shukair e Carmen Lucia de Mello Cornacchioni, pede que seja respeitada nas creches a proporção de um professor para cada 15 alunos. As vagas para crianças menores de quatro anos "criadas de forma ilegal na Emeis", diz a Promotoria, ainda devem ser incluídas no cadastro de demanda não atendida nas creches.
Multa
Em caso de descumprimento, a prefeitura pagará multa diária de R$ 1.000 por cada sala de Emei com criança menor de quatro anos. De acordo com o documento, por mais que a demanda seja grande, isso "não autoriza o sucateamento de serviço de educação infantil" na rede municipal.
O Ministério Público também levou em conta um parecer dos professores da Faculdade de Educação da USP, que aponta a falta de infraestrutura das Emeis para atender crianças menores de três anos, já que sua estrutura é inadequada até para alunos de quatro e de cinco anos.
Os docentes ainda chamam atenção para o fato de as Emeis terem turnos de quatro horas, contra as dez horas das creches, e a falta de condições para descanso das crianças e um atendimento individualizado. A Promotoria também realizou visitas em Emeis para verificar os problemas. A ação civil pública tem pedido de tutela antecipada, para que comece a valer assim que a liminar for concedida, independente de a prefeitura entrar com recurso.
Outro lado
A Secretaria Municipal da Educação informou que não comentaria a decisão do Ministério Público porque não havia sido notificada. A pasta não respondeu o que será feito em relação ao que foi pedido pela Promotoria e aos problemas apontados no relatório da vistoria nas Emeis.
Em entrevista ao Agora, em junho deste ano, o secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, afirmou que a prefeitura cumpre a LDB (Lei de Diretrizes Básicas da Educação), que determina a creche como modelo adequado para crianças até três anos e a pré-escola para as de quatro e cinco anos.
Segundo a Promotoria de Defesa dos Interesses da Criança e da Juventude da Capital, as Emeis não possuem espaço adequado, além de reunirem um número excessivo de alunos em sala de aula, o que é incompatível levando em conta os cuidados que eles necessitam nesta faixa etária.
A mudança foi feita por uma portaria, que diminuiu a idade mínima de entrada nas Emeis para três anos. A prática, considerada irregular pela Promotoria, foi denunciada pelo Agora em junho deste ano. Nas Emeis, as salas podem ter até 35 alunos, cuidados por professor. Na creche, esse número cai para 18. Pelo menos 48 mil alunos de três anos foram colocados em escolas pela prefeitura.
O documento, assinado pelas promotoras Dora Martin Strilicherk, Laila Said Abdel Qader Shukair e Carmen Lucia de Mello Cornacchioni, pede que seja respeitada nas creches a proporção de um professor para cada 15 alunos. As vagas para crianças menores de quatro anos "criadas de forma ilegal na Emeis", diz a Promotoria, ainda devem ser incluídas no cadastro de demanda não atendida nas creches.
Multa
Em caso de descumprimento, a prefeitura pagará multa diária de R$ 1.000 por cada sala de Emei com criança menor de quatro anos. De acordo com o documento, por mais que a demanda seja grande, isso "não autoriza o sucateamento de serviço de educação infantil" na rede municipal.
O Ministério Público também levou em conta um parecer dos professores da Faculdade de Educação da USP, que aponta a falta de infraestrutura das Emeis para atender crianças menores de três anos, já que sua estrutura é inadequada até para alunos de quatro e de cinco anos.
Os docentes ainda chamam atenção para o fato de as Emeis terem turnos de quatro horas, contra as dez horas das creches, e a falta de condições para descanso das crianças e um atendimento individualizado. A Promotoria também realizou visitas em Emeis para verificar os problemas. A ação civil pública tem pedido de tutela antecipada, para que comece a valer assim que a liminar for concedida, independente de a prefeitura entrar com recurso.
Outro lado
A Secretaria Municipal da Educação informou que não comentaria a decisão do Ministério Público porque não havia sido notificada. A pasta não respondeu o que será feito em relação ao que foi pedido pela Promotoria e aos problemas apontados no relatório da vistoria nas Emeis.
Em entrevista ao Agora, em junho deste ano, o secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, afirmou que a prefeitura cumpre a LDB (Lei de Diretrizes Básicas da Educação), que determina a creche como modelo adequado para crianças até três anos e a pré-escola para as de quatro e cinco anos.
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PROFESSORES DO BRASIL - ‘Heróis’ viram professores em programa da prefeitura

Secretária Cláudia Costin aposta em talentos da comunidade para ensinar oficinas nas Escolas do Amanhã. Município está contratando 2.250 educadores
Rio - Transformar a comunidade numa extensão do espaço escolar e unir a vizinhança para afastar as mazelas da região. É esse o objetivo do Bairro Educador, programa já em curso da Secretaria Municipal de Educação apresentado ontem no Colégio Henrique Fóreis, na Fazendinha, em Inhaúma. Ao todo, 2.250 educadores comunitários, especializados em 14 tipos de oficinas, estão sendo contratados para trabalhar com os 108 mil alunos das 150 Escolas da Amanhã, localizadas em áreas de risco.
Os voluntários receberão entre R$ 60 e R$ 300 para ensinar o que sabem nos contraturnos, ou seja, quem estuda de manhã tem atividade à tarde e vice-versa. O Bairro Educador reunirá atividades de dança, locução, DJ, recreação, xadrez, teatro, futebol de campo e de salão, informática, letramento, matemática (reforço), canto, capoeira e culinária.
“Nossa intenção é mostrar que, apesar de coisas ruins, os bairros têm seus heróis: músicos, atletas, recreadores, atores. É com esses exemplos que vocês devem conviver e se inspirar para alcançar sucesso na vida”, discursou a secretária Cláudia Costin.
Depois de pular corda e elástico com as crianças, Cláudia conheceu diversos projetos já desenvolvidos na Henrique Fóreis. A recreadora Vanessa Amoroso, 29, por exemplo, ensina a criançada a transformar sucata em brinquedos e bijuterias. “Caixas de achocolatados, por exemplo, podem virar carrinhos ou trens. Garrafas PET dão ótimos bonecos, e folhas coloridas, flores. Palitos de picolé são usados para fazer porta-joias”, comentou, na ponta da língua, Emíle Alvareno, 10, aluna do 4º ano.
Diretora já colhe bons resultados nas turmas
A diretora da Henrique Fóreis, Regina Correia, disse que os estudantes estão mais alegres, motivados e com melhor rendimento escolar. “As atividades valorizam mais a educação e trazem bem-estar para as crianças”, afirmou. Era comum ver, nos arredores, homens do tráfico com armas, o que assustava os alunos.
“Procuramos explorar conhecimentos específicos em cada região. Na Favela da Maré, por exemplo, nós encontramos ótimas bailarinas. Elas foram contratadas para dar aulas. No Alemão, há muita gente com dom para locução e culinária”, ressaltou Cláudia Costin.
A prefeitura busca parcerias com clubes, ONGs, igrejas e centros culturais. “Queremos que a escola se espalhe pela comunidade, para que estudantes aprendam novas atividades e transmitam esse conhecimento”.
Rio - Transformar a comunidade numa extensão do espaço escolar e unir a vizinhança para afastar as mazelas da região. É esse o objetivo do Bairro Educador, programa já em curso da Secretaria Municipal de Educação apresentado ontem no Colégio Henrique Fóreis, na Fazendinha, em Inhaúma. Ao todo, 2.250 educadores comunitários, especializados em 14 tipos de oficinas, estão sendo contratados para trabalhar com os 108 mil alunos das 150 Escolas da Amanhã, localizadas em áreas de risco.
Os voluntários receberão entre R$ 60 e R$ 300 para ensinar o que sabem nos contraturnos, ou seja, quem estuda de manhã tem atividade à tarde e vice-versa. O Bairro Educador reunirá atividades de dança, locução, DJ, recreação, xadrez, teatro, futebol de campo e de salão, informática, letramento, matemática (reforço), canto, capoeira e culinária.
“Nossa intenção é mostrar que, apesar de coisas ruins, os bairros têm seus heróis: músicos, atletas, recreadores, atores. É com esses exemplos que vocês devem conviver e se inspirar para alcançar sucesso na vida”, discursou a secretária Cláudia Costin.
Depois de pular corda e elástico com as crianças, Cláudia conheceu diversos projetos já desenvolvidos na Henrique Fóreis. A recreadora Vanessa Amoroso, 29, por exemplo, ensina a criançada a transformar sucata em brinquedos e bijuterias. “Caixas de achocolatados, por exemplo, podem virar carrinhos ou trens. Garrafas PET dão ótimos bonecos, e folhas coloridas, flores. Palitos de picolé são usados para fazer porta-joias”, comentou, na ponta da língua, Emíle Alvareno, 10, aluna do 4º ano.
Diretora já colhe bons resultados nas turmas
A diretora da Henrique Fóreis, Regina Correia, disse que os estudantes estão mais alegres, motivados e com melhor rendimento escolar. “As atividades valorizam mais a educação e trazem bem-estar para as crianças”, afirmou. Era comum ver, nos arredores, homens do tráfico com armas, o que assustava os alunos.
“Procuramos explorar conhecimentos específicos em cada região. Na Favela da Maré, por exemplo, nós encontramos ótimas bailarinas. Elas foram contratadas para dar aulas. No Alemão, há muita gente com dom para locução e culinária”, ressaltou Cláudia Costin.
A prefeitura busca parcerias com clubes, ONGs, igrejas e centros culturais. “Queremos que a escola se espalhe pela comunidade, para que estudantes aprendam novas atividades e transmitam esse conhecimento”.
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PROFESSORES DO BRASIL - Falar com as mãos
O VALOR DA FALA NAS AULAS COM SURDOSA professora de Geografia Marilda Dutra, de São José, na Grande Florianópolis, aprendeu rápido que o uso do quadro-negro precisa ser revisto. Acostumados com a comunicação oral, os alunos com deficiência têm maiores dificuldade para ler. "Quando escrevo, é mais difícil perceber quem entendeu. Se explico,vejo no rosto de todos (dos que escutam e não) se estão acompanhando. Desenho e gesticulo o quanto precisa.".
Foto: Eduardo Lyra
Levar os surdos para a sala regular exige nova postura do professor, tato para lidar com o intérprete e, acredite, muitas explicações orais
A inclusão de crianças com deficiência auditiva sempre foi polêmica, mas recentemente ganhou um novo rumo em nosso país. De acordo com a política do governo federal, elas não devem mais ficar segregados nas escolas especiais e precisam estudar desde cedo em unidades comuns, com um intérprete que traduza todas as aulas para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e o contraturno preenchido por atividades específicas para surdos. Problema resolvido? Nem de longe. Enquanto entidades do setor ainda denunciam a falta de estrutura para a implementação das regras (leia o quadro na página 74), os docentes já começam a receber parte dessa nova clientela e estão criando formas próprias de trabalho - muitas com sucesso.
Não é uma tarefa fácil nem existe uma fórmula conceitualmente correta para lidar com a situação. Cada caso é um caso (saiba como pedir ajuda no quadro abaixo). A professora de Geografia Marilda Dutra, da EE Nossa Senhora da Conceição, em São José, na Grande Florianópolis, por exemplo, aprendeu uma lição curiosa logo nos primeiros dias de trabalho. Para ensinar quem não ouve, ela tem de falar mais. A maior mudança foi deixar o giz em segundo plano. Cada tipo de relevo, clima e vegetação precisava de fotografias, desenhos, gravuras e muitos exemplos verbais. Em vez de simples mapas, o mundo passou a ser representado em bolas de isopor para facilitar a compreensão dos meridianos.
Maria Inês Vieira, coordenadora do Programa de Acessibilidade da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Derdic-PUC), explica o motivo da necessidade de rever o uso do quadro-negro. "Mesmo que o surdo já saiba ler e escrever em português, ele demorará mais para entender orientações por escrito", diz. A especialista ensina que o ouvinte entende a sequência de palavras escritas porque tem uma cultura prévia oral. Já quem não ouve está sendo apresentado ao português como um todo e não conhece a organização da língua. "Os conjuntos de palavras podem não fazer sentido na maneira como ele aprendeu a pensar. É como traduzir apenas as palavras de um texto em alemão ou chinês. Não é o suficiente para a compreensão do todo", diz.
Em Florianópolis, a professora de Matemática Silvana Maria Soster teve outra reação no início do ano passado, quando foi informada pela direção da EM Luiz Cândido da Luz que uma de suas classes da 2ª fase do ciclo 2 (equivalente ao 5º ano, mas já com um docente por disciplina) teria quatro alunos surdos. "Tomei um susto. Nunca tinha passado por isso e pensei: será que posso?", conta. Para Roseli Baumel, educadora livre-docente especializada em Educação Especial da Universidade de São Paulo (USP), esse tipo de dúvida é natural. "Temos de ser honestos e admitir que não estamos prontos", orienta a especialista.
A inclusão de crianças com deficiência auditiva sempre foi polêmica, mas recentemente ganhou um novo rumo em nosso país. De acordo com a política do governo federal, elas não devem mais ficar segregados nas escolas especiais e precisam estudar desde cedo em unidades comuns, com um intérprete que traduza todas as aulas para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e o contraturno preenchido por atividades específicas para surdos. Problema resolvido? Nem de longe. Enquanto entidades do setor ainda denunciam a falta de estrutura para a implementação das regras (leia o quadro na página 74), os docentes já começam a receber parte dessa nova clientela e estão criando formas próprias de trabalho - muitas com sucesso.
Não é uma tarefa fácil nem existe uma fórmula conceitualmente correta para lidar com a situação. Cada caso é um caso (saiba como pedir ajuda no quadro abaixo). A professora de Geografia Marilda Dutra, da EE Nossa Senhora da Conceição, em São José, na Grande Florianópolis, por exemplo, aprendeu uma lição curiosa logo nos primeiros dias de trabalho. Para ensinar quem não ouve, ela tem de falar mais. A maior mudança foi deixar o giz em segundo plano. Cada tipo de relevo, clima e vegetação precisava de fotografias, desenhos, gravuras e muitos exemplos verbais. Em vez de simples mapas, o mundo passou a ser representado em bolas de isopor para facilitar a compreensão dos meridianos.
Maria Inês Vieira, coordenadora do Programa de Acessibilidade da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Derdic-PUC), explica o motivo da necessidade de rever o uso do quadro-negro. "Mesmo que o surdo já saiba ler e escrever em português, ele demorará mais para entender orientações por escrito", diz. A especialista ensina que o ouvinte entende a sequência de palavras escritas porque tem uma cultura prévia oral. Já quem não ouve está sendo apresentado ao português como um todo e não conhece a organização da língua. "Os conjuntos de palavras podem não fazer sentido na maneira como ele aprendeu a pensar. É como traduzir apenas as palavras de um texto em alemão ou chinês. Não é o suficiente para a compreensão do todo", diz.
Em Florianópolis, a professora de Matemática Silvana Maria Soster teve outra reação no início do ano passado, quando foi informada pela direção da EM Luiz Cândido da Luz que uma de suas classes da 2ª fase do ciclo 2 (equivalente ao 5º ano, mas já com um docente por disciplina) teria quatro alunos surdos. "Tomei um susto. Nunca tinha passado por isso e pensei: será que posso?", conta. Para Roseli Baumel, educadora livre-docente especializada em Educação Especial da Universidade de São Paulo (USP), esse tipo de dúvida é natural. "Temos de ser honestos e admitir que não estamos prontos", orienta a especialista.
Recebi um aluno surdo. E agora?
Peça ajuda. Esse é o conselho da professora livre-docente Roseli Baumel, da Faculdade de Educação da USP. Ela divide esse S.O.S. em quatro partes:
Família
Peça ajuda. Esse é o conselho da professora livre-docente Roseli Baumel, da Faculdade de Educação da USP. Ela divide esse S.O.S. em quatro partes:
Família
A participação da família ajuda em qualquer caso, mas, se o aluno é surdo, a conversa precisa ser mais constante e aprofundada. Descubra como é a comunicação em casa, desde a linguagem utilizada até o que mais chama a atenção da criança.
Entidades
Entidades
Procure apoio em uma instituição que atenda os deficientes, como o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), no Rio de Janeiro. Muitos oferecem aulas de libras e dicionários da língua e auxiliam na escolha de materiais para facilitar o aprendizado. Enquanto a escola não tem sala de apoio, algumas ONGs podem dar aulas de libras e reforço às crianças no contraturno.
Professores
Professores
Converse com outros docentes do aluno, de disciplinas diferentes ou anos anteriores. Procure repetir experiências de sucesso e pergunte também o que não funcionou para evitar os mesmos erros. Busque exemplos em outras unidades de ensino. "É preciso debater o ensino, fazer encontros e trocar informações", diz Roseli.
Governo
Governo
Os alunos têm direito a um intérprete, e a escola, a materiais apropriados e a uma sala multidisciplinar. O governo também deve oferecer cursos de libras para os professores. As aulas devem ser dadas em faculdades que fazem convênio com o Ministério da Educação. Além disso, unidades com mais de 100 alunos podem pedir recursos para a montagem de uma sala de apoio pelo Programa Escola Acessível. Informações podem ser obtidas pelo telefone 0800-61-6161.
Nova Escola
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Nova Escola
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PROFESSORES DO BRASIL - Uma professora nota 10

Série mostra docente de uma escola de Viamão que serve de psicóloga para gerações sucessivas de alunos
Durante os anos de formação, Rosilene Konrath Kroth tinha uma certeza: seria uma professora rígida e exigente, de quem aluno algum conseguiria gostar.
Acertou apenas metade da previsão. Em 27 anos de magistério, granjeou de fato fama de severa. Mas também virou uma professora amada pelos estudantes, daquelas a quem se confiam problemas íntimos e que deixam marcas vívidas.
A auxiliar de secretaria Cassandra Alano, 27 anos, dá um testemunho disso. Foi aluna de Rosilene durante três anos, há mais de uma década, na Escola Estadual de Ensino Médio Nísia Floresta, em Viamão. Nesta semana, quando deparou com o blog Professor Nota 10, de zerohora.com, a jovem sentiu-se impelida a postar uma foto e um texto em homenagem a duas antigas mestras. Rosilene era uma delas.
– Foi o momento de dizer que, apesar de ter passado muito tempo, ainda lembro muito das aulas dela – contou Cassandra.
O que leva uma professora a se tornar uma referência desse gênero na vida de alguém? Aos 45 anos, Rosilene acredita que justamente ser rígida e exigente motivou isso.
– Tenho autoridade e coloco limites. Exijo disciplina. Quando se está na sala de aula, é para estudar. Essas são as coisas que os alunos esperam. Mas tem de complementar isso com carinho e respeito.
Rosilene começou a lecionar em 1982, recém-formada em Magistério. Ensinou em escolas municipais de Sobradinho e Viamão enquanto fazia o curso de História. Quando se formou, em 1987, passou no concurso do Estado para ser professora da disciplina na Escola Nísia Floresta. Envolveu-se de tal forma com a comunidade da Vila Elza que nunca mais quis se afastar de lá. Segundo ela, apesar de se tratar de uma escola de periferia, com nível socioeconômico baixo, o estabelecimento evitou o campo minado de violência em que vivem outros colégios porque os moradores são participativos.
Nesse universo, Rosilene é uma referência que atravessa gerações. Ela dá aula hoje para os filhos dos seus alunos de anos atrás. Conhece todo mundo – os casos tristes e os casos alegres. Com frequência identifica pelo comportamento de algum estudante que ele está com problemas em casa, desvia a aula do tema da História do Brasil, aborda questões capazes de reconfortá-lo e, só então, retoma o conteúdo.
– Às vezes, viro psicóloga. Meninos e meninas vêm trazer os problemas, às vezes desesperados.
A professora procura acompanhar o destino dos seus ex-alunos. Deprime-se quando descobre que algum foi parar no presídio, mas exulta com as notícias de sucesso de outros. Vários viraram professores. Alguns fazem faculdade de História.
– Por um lado, sinto orgulho, porque estou servindo de modelo. Mas quando penso em toda a trajetória de dificuldade que esses alunos terão pela frente, tenho angústia. Eles vão ter de superar muita coisa com um pedacinho de giz e o quadro-negro. O professor tem de ser muito criativo e trabalhar por amor, porque pelo salário não é. Tenho prazer de ensinar e de ajudar – afirma Rosilene.
Itamar Melo e Marcelo
Zero Hora
Durante os anos de formação, Rosilene Konrath Kroth tinha uma certeza: seria uma professora rígida e exigente, de quem aluno algum conseguiria gostar.
Acertou apenas metade da previsão. Em 27 anos de magistério, granjeou de fato fama de severa. Mas também virou uma professora amada pelos estudantes, daquelas a quem se confiam problemas íntimos e que deixam marcas vívidas.
A auxiliar de secretaria Cassandra Alano, 27 anos, dá um testemunho disso. Foi aluna de Rosilene durante três anos, há mais de uma década, na Escola Estadual de Ensino Médio Nísia Floresta, em Viamão. Nesta semana, quando deparou com o blog Professor Nota 10, de zerohora.com, a jovem sentiu-se impelida a postar uma foto e um texto em homenagem a duas antigas mestras. Rosilene era uma delas.
– Foi o momento de dizer que, apesar de ter passado muito tempo, ainda lembro muito das aulas dela – contou Cassandra.
O que leva uma professora a se tornar uma referência desse gênero na vida de alguém? Aos 45 anos, Rosilene acredita que justamente ser rígida e exigente motivou isso.
– Tenho autoridade e coloco limites. Exijo disciplina. Quando se está na sala de aula, é para estudar. Essas são as coisas que os alunos esperam. Mas tem de complementar isso com carinho e respeito.
Rosilene começou a lecionar em 1982, recém-formada em Magistério. Ensinou em escolas municipais de Sobradinho e Viamão enquanto fazia o curso de História. Quando se formou, em 1987, passou no concurso do Estado para ser professora da disciplina na Escola Nísia Floresta. Envolveu-se de tal forma com a comunidade da Vila Elza que nunca mais quis se afastar de lá. Segundo ela, apesar de se tratar de uma escola de periferia, com nível socioeconômico baixo, o estabelecimento evitou o campo minado de violência em que vivem outros colégios porque os moradores são participativos.
Nesse universo, Rosilene é uma referência que atravessa gerações. Ela dá aula hoje para os filhos dos seus alunos de anos atrás. Conhece todo mundo – os casos tristes e os casos alegres. Com frequência identifica pelo comportamento de algum estudante que ele está com problemas em casa, desvia a aula do tema da História do Brasil, aborda questões capazes de reconfortá-lo e, só então, retoma o conteúdo.
– Às vezes, viro psicóloga. Meninos e meninas vêm trazer os problemas, às vezes desesperados.
A professora procura acompanhar o destino dos seus ex-alunos. Deprime-se quando descobre que algum foi parar no presídio, mas exulta com as notícias de sucesso de outros. Vários viraram professores. Alguns fazem faculdade de História.
– Por um lado, sinto orgulho, porque estou servindo de modelo. Mas quando penso em toda a trajetória de dificuldade que esses alunos terão pela frente, tenho angústia. Eles vão ter de superar muita coisa com um pedacinho de giz e o quadro-negro. O professor tem de ser muito criativo e trabalhar por amor, porque pelo salário não é. Tenho prazer de ensinar e de ajudar – afirma Rosilene.
Itamar Melo e Marcelo
Zero Hora
http://ponderantes.blogspot.com/2009/09/professores-do-brasil-blogagem-coletiva.html
15 de outubro - PROFESSORES DO BRASIL - CORPO DANÇANTE
MERGULHO DE CABEÇA Educadores aprendem a explorar o próprio corpo e a levar a técnica para as aulas de Arte. Foto: Tatiana CardealProjeto desperta em professores o interesse pela dança, um elemento a mais a ser usado em classe
Em 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o ensino de Arte nas quatro linguagens - música, teatro, dança e artes visuais - passou a ser obrigatório na Educação Básica. Raros, porém, são os professores que dominam essa pluralidade de linguagens. Segundo o Censo da Educação Superior, dos 111 cursos que formam professores na área, apenas 39 oferecem alguma formação em dança.
Prelúdio
"Sou completamente analfabeta nesse campo", diz Eliane Pincov, professora de Arte na capital paulista. A autodefinição poderia ser seguida por um coro de educadores que aguardavam o evento. A cena ocorre na São Paulo Companhia de Dança, criada em 2008 e que periodicamente realiza o encontro Corpo a Corpo com o Professor, gratuito. O nome não é mera força de expressão: a descoberta do corpo é o foco principal.
Primeiro ato - Sobrancelhas para o alto, transformação do espaço
A diretora-adjunta da companhia, Inês Bogéa, pede aos presentes que massageiem o próprio corpo. "Observe se o seu ombro virou um brinquinho, colado na orelha, ou se está no lugar", diz, brincando. "Muito bem! Agora, bom dia!" O grupo ensaia um olhar diferente sobre a dança. "Um espetáculo nada mais é do que a interação entre pessoas mediada por imagens", provoca Inês. As primeiras sobrancelhas se levantam. "O ato de dançar é transformar o espaço interior e o que rodeia o seu corpo. O que se quer é reconhecer suas potencialidades." Fica claro como será o encontro: a descoberta do corpo em movimento é fonte de prazer. O grupo deixa-se levar.
Segundo ato - O que há por trás do show
O tema desse encontro é a caixa-preta, termo que, no contexto artístico, se refere ao palco e aos bastidores. O objetivo é fazer com que os participantes explorem a expressão corporal, o que poderão também propor aos alunos. Para isso, diferentes recursos são usados, entre eles vídeos feitos pela companhia. No fim, cada professor leva uma cópia do material para usar nas aulas. "Tinha uma ideia quase mítica sobre os espetáculos", diz Jovana de Souza, que leciona na rede estadual de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. "Agora sei que eles são resultado do trabalho de muitas pessoas. Não é mágica." Não só, pelo menos.
Grand finale
Chega o momento mais esperado. No escuro e em grupos, os professores seguem os passos da diretora artística da companhia, Iracity Cardoso. Acendem-se luzes de palco. Estimulados, os educadores usam o corpo para desenhar no espaço, exploram fachos de luz, constroem gestos. Subitamente faz-se... música, e o elemento dá novo ritmo à dança. É uma situação nova para quase todos - a revelação de uma natureza diferente de movimento, de linguagem. No rosto de cada um, o prazer de explorar e aprender. "No início, fiquei acanhada, assim como ficariam os meus alunos. Mas, aos poucos, mergulhei nesse mundo e dançar passou a fazer sentido", comenta Jovana. "É o que pretendo fazer como educadora: mostrar às minhas turmas como é rico e prazeroso esse universo."
Em 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o ensino de Arte nas quatro linguagens - música, teatro, dança e artes visuais - passou a ser obrigatório na Educação Básica. Raros, porém, são os professores que dominam essa pluralidade de linguagens. Segundo o Censo da Educação Superior, dos 111 cursos que formam professores na área, apenas 39 oferecem alguma formação em dança.
Prelúdio
"Sou completamente analfabeta nesse campo", diz Eliane Pincov, professora de Arte na capital paulista. A autodefinição poderia ser seguida por um coro de educadores que aguardavam o evento. A cena ocorre na São Paulo Companhia de Dança, criada em 2008 e que periodicamente realiza o encontro Corpo a Corpo com o Professor, gratuito. O nome não é mera força de expressão: a descoberta do corpo é o foco principal.
Primeiro ato - Sobrancelhas para o alto, transformação do espaço
A diretora-adjunta da companhia, Inês Bogéa, pede aos presentes que massageiem o próprio corpo. "Observe se o seu ombro virou um brinquinho, colado na orelha, ou se está no lugar", diz, brincando. "Muito bem! Agora, bom dia!" O grupo ensaia um olhar diferente sobre a dança. "Um espetáculo nada mais é do que a interação entre pessoas mediada por imagens", provoca Inês. As primeiras sobrancelhas se levantam. "O ato de dançar é transformar o espaço interior e o que rodeia o seu corpo. O que se quer é reconhecer suas potencialidades." Fica claro como será o encontro: a descoberta do corpo em movimento é fonte de prazer. O grupo deixa-se levar.
Segundo ato - O que há por trás do show
O tema desse encontro é a caixa-preta, termo que, no contexto artístico, se refere ao palco e aos bastidores. O objetivo é fazer com que os participantes explorem a expressão corporal, o que poderão também propor aos alunos. Para isso, diferentes recursos são usados, entre eles vídeos feitos pela companhia. No fim, cada professor leva uma cópia do material para usar nas aulas. "Tinha uma ideia quase mítica sobre os espetáculos", diz Jovana de Souza, que leciona na rede estadual de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. "Agora sei que eles são resultado do trabalho de muitas pessoas. Não é mágica." Não só, pelo menos.
Grand finale
Chega o momento mais esperado. No escuro e em grupos, os professores seguem os passos da diretora artística da companhia, Iracity Cardoso. Acendem-se luzes de palco. Estimulados, os educadores usam o corpo para desenhar no espaço, exploram fachos de luz, constroem gestos. Subitamente faz-se... música, e o elemento dá novo ritmo à dança. É uma situação nova para quase todos - a revelação de uma natureza diferente de movimento, de linguagem. No rosto de cada um, o prazer de explorar e aprender. "No início, fiquei acanhada, assim como ficariam os meus alunos. Mas, aos poucos, mergulhei nesse mundo e dançar passou a fazer sentido", comenta Jovana. "É o que pretendo fazer como educadora: mostrar às minhas turmas como é rico e prazeroso esse universo."
Thais Gurgel
NOVA ESCOLA
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terça-feira, 13 de outubro de 2009
Ménage à trois

PARIS - A polêmica do momento na França, à parte política, economia e futebol, tem tudo para chegar ao Brasil. Trata-se do "Statut du Beau-Parent", ou seja, as regras para a convivência entre filhos de um casamento com o pai/mãe do segundo casamento (ou terceiro, quarto, quantos forem).
Confesso que tenho uma certa birra com o excesso de regulamentos, especialmente no Brasil, mas, lendo o texto que o "Figaro" publicou hoje a respeito, me convenci de que talvez seja importante estabelecer regras a respeito.
Afinal, já costuma ser difícil o relacionamento com o ex-marido/mulher quando são apenas dois no jogo. Imagino então quando entra um terceiro (o filho/filha) e, em seguida, um quarto (o novo marido/mulher).
Pego um exemplo que já me tocou viver por tabela: para viajar com os filhos, a mulher/marido divorciada/o é obrigado a levar por escrito ao aeroporto uma autorização do ex-cônjuge. A regra vale no Brasil como na França, tanto que o deputado que está preparando o projeto aqui, Jean Leonetti, lembra que essa obrigação "pode ser utilizada por um dos pais para contrariar o outro".
Não seria mais lógico estabelecer que, em caso de novo casamento, o novo cônjuge possa assumir a responsabilidade de levar o filho para viajar com a mulher, sem que o ex-cônjuge tenha que dar palpite?
A legislação em preparação na França parece ser tipo "prêt-a-porter": "Trata-se, diz o deputado Leonetti, de encontrar arranjos mais suaves e pragmáticos que possam se adaptar a cada caso".
Concretamente, a ideia é a de só organizar a nova vida familiar após discutir as regras com os pais biológicos, o novo marido/mulher e as crianças, na presença, claro, de um advogado.
Sem ele, não seria preciso estabelecer regras. Bastaria manter o que existe hoje - e todo mundo que está nessa situação sabe que é fonte de muita dor-de-cabeça.
O eixo da legislação é a criança, óbvio. Na França, são 1,6 milhão delas que vivem em lares reconstruídos, fora as 2,7 milhões em que só há um pai (ou mãe) presente. Total, portanto: 4,3 milhões. No Brasil, com uma população mais de três vezes maior, é lógico supor que o número é bem mais elevado.
A legislação já leva chumbo do lado dos conservadores, por ser supostamente liberal demais, e dos liberais, porque é tida como discriminatória.
Os conservadores dizem que estimula a adoção por homossexuais. Leonetti não esconde que, quando fala da entrada de um terceiro no jogo pai/mãe (o novo cônjuge), não faz discriminação. "Um terceiro é aquele que vive com o pai/mãe, sob o mesmo teto". Ponto final.
Mas as entidades de homossexuais/lésbicas reclamam exatamente desse ponto final. Acham que deveria ficar explicitado que casais reconstruídos, mas formados por duas pessoas do mesmo sexo, estão tão protegidos quanto os demais.
Imagino que muita gente no Brasil vai reclamar que já é duro arrumar novo parceiro/a sem regras. Com elas, ficaria logicamente mais difícil. Mas o objetivo não é proteger os adultos que, em tese, sabem se defender. É garantir a criançada.
Clóvis Rossi é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. Assina coluna às quintas e domingos na página 2 da Folha e, aos sábados, no caderno Mundo. É autor, entre outras obras, de "Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo e "O Que é Jornalismo".
E-mail: crossi@uol.com.br
Fonte: Folha On-line
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Dê limites de presente a seu filho: ele agradece

Dê limites de presente a seu filho
Quem nunca ouviu ou usou a expressão "é de pequeno que se torce o pepino", numa referência à necessidade de estabelecer limites para as crianças? Mas parece que a velha máxima, cada vez mais, torna-se esquecida. Crianças e adolescentes rebeldes, indisciplinados, que não respeitam pais e professores, existem aos montes por aí. E pais que alegam "não dar conta" dos filhos também.
Há casos em que crianças de 4, 5 anos de idade, exercem controle sobre os pais. Como a menina que após uma birra num shopping, levada para o carro pela mãe, começou a gritar: "Socorro, estou sendo sequestrada!".
Esse fato, descrito pela psicopedagoga paulista Maria Irene Maluf, retrata uma situação vivida hoje por várias famílias. Maria Irene explica que bebês são mesmo capazes de controlar suas mães. Crianças podem ser especialistas em manipulação.
E se limites não são estabelecidos no tempo devido - e aí não se inclui punição física, porque todos sabem que a velha palmada hoje é alvo de rejeição -, os problemas só acumulam-se.
"A asa cresce, mas o mal deve ser arrancado pela raiz", diz Maria Irene Maluf, fazendo questão de afirmar: "É preciso lembrar que criar filho é diferente de criar pássaro, cachorro. Dá trabalho, envolve questões morais, éticas", um verdadeiro alerta neste Dia das Crianças.
O fato de os pais não saberem dizer não aos filhos preocupa aos especialistas. "Muitas vezes só punem quando estão com raiva. E aí, o que eles estão ensinando? Nada", diz o psicólogo Adriano Facioli, professor da Faculdade Alvorada e do Ceub, em Brasília.
Pulso firme
Ele explica que os pais devem manter as regras sem perder a cabeça. "É preciso clareza de regras e coerência na aplicação de possíveis penalidades. Deve-se mostrar para a criança ou para o adolescente que é preciso respeitar compromissos. Ter pulso firme é manter o que foi acordado", orienta Facioli.
Professora do curso de Psicologia da Ufes, Claudia Broetto Rosset deixa claro que não há receita nem fórmula mágica para educação dos filhos. Afinal, educação é um processo.
"Um adolescente rebelde resulta da história de anos. É preciso aplicar limite desde a primeira infância. A criança vai berrar, espernear, mas os pais têm que ter clareza do que fazem".
A psicóloga lembra que hoje, os pais ficam muito tempo fora de casa, e muitos tendem a ceder facilmente à pressão. "O fato é que é que quem não aprende a ter limite em casa vai enfrentar essa realidade em algum lugar, às vezes de forma traumática".
Compreender transgressão faz punição funcionar
Você "dá uma dura" no seu filho por causa de um comportamento que considera inadequado, e o coloca de castigo. Dias depois, ele repete o mesmo "malfeito", e recebe uma nova "bronca".
A situação descrita acima não é incomum, e leva à reflexão sobre algo estudado pela Psicologia de Desenvolvimento Humano: qual a a percepção de moralidade que o indivíduo tem? Até que ponto um garoto que vive aprontando vê seu comportamento como transgressão, e como ele julga e mede a forma pela qual deve ser punido por esse comportamento?
A discussão da moralidade das ações, lembra o professor de Psicologia da Ufes Sávio Silveira de Queiroz, passa pelos contextos familiar, escolar e clínico.
Ele diz que a compreensão da transgressão por uma criança ou adolescente é muito importante para que a correção do ato seja por eles compreendida, e funcione.
"A chave para se entender transgressão, punição, limite, é o desenvolvimento da moralidade. Os pais devem mostrar para os filhos, desde cedo, o que fere uma boa conduta ética e moral", diz o psicólogo.
"Até as formigas têm hierarquia. Filhos não podem mandar nos pais, e nós não podemos mesmo abrir mão disso"
Maria Irene Maluf Psicopedagoga
Regras rígidas e diálogo com ajuda bíblica
Mãe e pedagoga, Marcela Waleska Rodrigues Henrique, 39, vê os filhos Hedrei, 15, e Silvia Elise, 12, reagindo, cada um à sua maneira, às normas do viver em família e fora dela. Marcela diz que Silvia costuma ter sempre "resposta na ponta da língua", e que Hedrei vive uma fase de querer sair com colegas, e estar sempre falando ao telefone, na fase típica em que surgem interesses por meninas. Evangélicos, os Henrique oram juntos e usam a Bíblia como referência também na educação dos filhos. As regras, no entanto, são rígidas em caso de desrespeito ou falhas de comportamento. A menina, por exemplo, já ficou um mês sem poder usar o computador. Há também punição financeira. Ambos, Hederi e Silvia Elise, recebem mesada, e se não colaboram, deixando uma toalha molhada sobre a cama, por exemplo, sofrem um desconto de R$ 2. O mesmo se aplica à rebeldia e à desobediência. "A cada coisa errada, debito no saldo da mesada. É a regra", diz a mãe, admitindo que, assim, evita maiores irritações. Marcela lembra que os pais não podem desistir dos filhos. "Precisamos ver a melhor forma de dialogar com eles e fazê-los perceber seus erros", diz ela.
Elogios e críticas registrados diariamente
Mônica Fernandes é comerciante, tem dois filhos - Beatriz, 8 anos, e João Pedro, 6 -e, por isso mesmo, uma agenda cheia, diariamente. As crianças têm rotinas diárias a cumprir, mas, muitas vezes, Mônica tem que repetir sempre as mesmas recomendações. "Às vezes me irrito, mas me esforço para manter a calma", diz ela, explicando que funciona muito bem na sua casa é um controle feito por meio de elogios e críticas registrados em cartazes afixados nos quartos das crianças. Uma carinha alegre desenhada no papel indica tarefas cumpridas e bom comportamento. "As crianças adoram receber elogios, principalmente a Bia, que é muito competitiva", diz a mãe. Mas há momentos em que a punição se faz necessária, e aí entra na lista, por exemplo, a temporária retirada de acesso à TV. Mônica diz que João Pedro exige uma abordagem diferente, por ser mais novo. "Às vezes ele demonstra que não está nem aí se eu lhe tiro um brinquedo. Ele consegue brincar com qualquer coisa, e parece não querer ouvir aquilo que não o interessa, mas não gosta de se sentir sem liberdade, retido num quarto, por exemplo ", diz a mãe, que desdobra-se em atenção às crianças. "Esforço-me para fazer o melhor, porque sei que estou formando o caráter delas".
Projeto prevê proibição legal para o uso da palmada
Qualquer castigo físico imposto à criança, inclusive a palmada, pode ser proibido por lei com a aprovação do Projeto de Lei que tramita no Congresso Nacional. Há pesquisa mostrando as consequências nos processo da construção da inteligência das crianças que apanham. Testes de inteligência americanos teriam revelado que os bebês que apanharam com um e dois anos apresentaram dificuldades de aprendizado aos 3 anos.
Mas o psicólogo Adriano Facioli, de Brasília, afirma: na discussão sobre a palmada estão em jogo aspectos éticos. "Se é proibida punição corporal para adultos, por que seria permitida para crianças?", argumenta.
Facioli lembra que a violência também pode acontecer por meio da humilhação, da negligência, e que ela tem sempre efeito colateral. "Um sujeito muito punido tende a se retrair, a apresentar uma relação com o mundo marcada pelo medo. Perde a criatividade", afirma o psicólogo.
Ele diz também que aquele que é punido sempre tende a agir de forma certinha só quando está perto de quem o pune. Além disso, tende a reproduzir as formas de punição das quais é vítima, sendo agressivo.
Claudia Feliz
cfeliz@redegazeta.com.br
Gazeta On-line
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Escola é multada depois que aluna perde dedos em aula de artes

Uma escola britânica foi multada em 16.500 libras (cerca de R$ 46 mil), depois que uma aluna de 16 anos perdeu oito dedos ao ficar com as mãos presas em um balde de gesso quente, durante uma aula de artes.
A menina estava fazendo um molde de suas mãos em janeiro de 2007 quando ocorreu o acidente. A professora havia instruído a menina a por as mãos em um balde de argila para fazer o molde, que em seguida seria preenchido pelo gesso de Paris.
Em vez disso, a menina pôs as mãos no balde de gesso, que estava sendo aquecido para endurecer dentro do molde. Dez minutos depois, as mãos da estudante ficaram presas, e nem os professores nem os responsáveis pela segurança na escola, em Lincolnshire, conseguiram soltá-las.
A aluna sofreu sérias queimaduras. A escola admitiu ter violado regras de segurança e saúde e também admitiu ter falhado ao deixar de reportar o caso para as autoridades, que só descobriram o ocorrido depois que o cirurgião da menina entrou em contato.
A escola ainda teve que pagar 2.500 libras (cerca de R$ 7 mil) como parte dos custos do processo judicial. O preparo de grandes quantidades de gesso de Paris pode gerar temperaturas de até 60 graus.
A promotora Jo Anderson, que atuou em nome das autoridades de saúde e segurança, disse que “as mãos da aluna estavam literalmente sendo queimadas enquanto o gesso endurecia em volta delas”.
“De forma alguma a aluna poderia, ou deveria ter sido alertada sobre a possibilidade de vir a sofrer catastróficas consequências.”
Cirurgiões plásticos fizeram o possível para ajudar a jovem, mas depois de 12 operações, ela perdeu todos os dedos da mão esquerda, e ficou com apenas dois dedos na mão direita.
Falando após o julgamento, o advogado da menina, Stephen Hill, afirmou que sua cliente é uma “jovem extraordinária”, que espera entrar para a universidade e se tornar professora em uma creche ou escola primária.
Enxertos de pele
“Ela está muito bem, considerando-se os ferimentos devastadores que sofreu”, disse ele.
Segundo o advogado, a menina, que ficou apenas com um dedo indicador e um dedo médio, está cansada de ser submetida a cirurgias.
Além de ter ficado com apenas dois dedos, as cirurgias deixaram várias cicatrizes pelo corpo da jovem, de onde foi retirada pele para ser usada em enxertos na mão.
A escola divulgou um comunicado afirmando que está orgulhosa pelo fato de a jovem ter retomado os estudos e assegurando que as normas de segurança foram revistas e não há riscos de outro acidente como este.
A menina estava fazendo um molde de suas mãos em janeiro de 2007 quando ocorreu o acidente. A professora havia instruído a menina a por as mãos em um balde de argila para fazer o molde, que em seguida seria preenchido pelo gesso de Paris.
Em vez disso, a menina pôs as mãos no balde de gesso, que estava sendo aquecido para endurecer dentro do molde. Dez minutos depois, as mãos da estudante ficaram presas, e nem os professores nem os responsáveis pela segurança na escola, em Lincolnshire, conseguiram soltá-las.
A aluna sofreu sérias queimaduras. A escola admitiu ter violado regras de segurança e saúde e também admitiu ter falhado ao deixar de reportar o caso para as autoridades, que só descobriram o ocorrido depois que o cirurgião da menina entrou em contato.
A escola ainda teve que pagar 2.500 libras (cerca de R$ 7 mil) como parte dos custos do processo judicial. O preparo de grandes quantidades de gesso de Paris pode gerar temperaturas de até 60 graus.
A promotora Jo Anderson, que atuou em nome das autoridades de saúde e segurança, disse que “as mãos da aluna estavam literalmente sendo queimadas enquanto o gesso endurecia em volta delas”.
“De forma alguma a aluna poderia, ou deveria ter sido alertada sobre a possibilidade de vir a sofrer catastróficas consequências.”
Cirurgiões plásticos fizeram o possível para ajudar a jovem, mas depois de 12 operações, ela perdeu todos os dedos da mão esquerda, e ficou com apenas dois dedos na mão direita.
Falando após o julgamento, o advogado da menina, Stephen Hill, afirmou que sua cliente é uma “jovem extraordinária”, que espera entrar para a universidade e se tornar professora em uma creche ou escola primária.
Enxertos de pele
“Ela está muito bem, considerando-se os ferimentos devastadores que sofreu”, disse ele.
Segundo o advogado, a menina, que ficou apenas com um dedo indicador e um dedo médio, está cansada de ser submetida a cirurgias.
Além de ter ficado com apenas dois dedos, as cirurgias deixaram várias cicatrizes pelo corpo da jovem, de onde foi retirada pele para ser usada em enxertos na mão.
A escola divulgou um comunicado afirmando que está orgulhosa pelo fato de a jovem ter retomado os estudos e assegurando que as normas de segurança foram revistas e não há riscos de outro acidente como este.
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São João traduzido para a Libras

Bandeirolas, pipoca, quadrilha. Aprendendo a língua de sinais, portadores de deficiência auditiva curtem a festa junina e se inserem na sociedade
Sergipe tem nos festejos juninos sua maior expressão cultural. Na escola, a garotada aprende a importância de manter viva a tradição e, é claro, dança quadrilha e se delicia com as guloseimas. O sonho da professora Loide Araújo Guimarães, da Escola Municipal de Educação Infantil Ana Luiza Mesquita Rocha, em Aracaju, era que, em sua turma, todos (sem exceção) compreendessem a riqueza da celebração. Um desafio e tanto. Loide é responsável por uma sala de recursos e, no ano passado, entre os oito alunos havia três com deficiência auditiva e idade entre 4 e 5 anos. "Para participar da festa com as outras crianças eles precisavam conhecer aquele universo por meio da Língua Brasileira de Sinais", justifica.
Ao basear seu trabalho no ensino da Libras, Loide está no caminho certo. "A primeira língua a ser usada por pessoas com deficiência auditiva é a de sinais. É a Libras que vai dar base para a aprendizagem da segunda língua, no caso o português", explica Maria Inês Vieira, da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Em Aracaju os meninos passam entre 45 minutos e uma hora e meia por dia com Loide, antes de ir para as classes de ouvintes. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil sustenta a inclusão de pessoas com deficiência auditiva nas atividades regulares como meio de favorecer o desenvolvimento de várias capacidades, como a sociabilidade. Para facilitar esse trabalho e torná-lo mais produtivo, Loide também auxilia as outras educadoras, ensinando-as a se comunicar com os garotos.
Síntese do trabalho
Tema: Inclusão e linguagem
Objetivo: Promover a inclusão de pessoas com deficiência auditiva no ambiente escolar, na família e na sociedade, por meio do ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras)
Como chegar lá: Trabalhe com a garotada o vocabulário referente a um determinado tema, como a festa junina, em Libras e em português escrito. Faça com que as crianças participem de todas as atividades planejadas pela escola para as demais turmas, como aulas-passeio em que a temática do projeto seja explorada. Ensine a língua de sinais também a funcionários, professores e familiares dos alunos, para que todos se comuniquem cada vez mais com as crianças
Dica: Uma maneira de envolver as famílias no projeto é reservar um tempo, após a aula, para ensinar às mães as palavras e expressões trabalhadas em classe
Sergipe tem nos festejos juninos sua maior expressão cultural. Na escola, a garotada aprende a importância de manter viva a tradição e, é claro, dança quadrilha e se delicia com as guloseimas. O sonho da professora Loide Araújo Guimarães, da Escola Municipal de Educação Infantil Ana Luiza Mesquita Rocha, em Aracaju, era que, em sua turma, todos (sem exceção) compreendessem a riqueza da celebração. Um desafio e tanto. Loide é responsável por uma sala de recursos e, no ano passado, entre os oito alunos havia três com deficiência auditiva e idade entre 4 e 5 anos. "Para participar da festa com as outras crianças eles precisavam conhecer aquele universo por meio da Língua Brasileira de Sinais", justifica.
Ao basear seu trabalho no ensino da Libras, Loide está no caminho certo. "A primeira língua a ser usada por pessoas com deficiência auditiva é a de sinais. É a Libras que vai dar base para a aprendizagem da segunda língua, no caso o português", explica Maria Inês Vieira, da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Em Aracaju os meninos passam entre 45 minutos e uma hora e meia por dia com Loide, antes de ir para as classes de ouvintes. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil sustenta a inclusão de pessoas com deficiência auditiva nas atividades regulares como meio de favorecer o desenvolvimento de várias capacidades, como a sociabilidade. Para facilitar esse trabalho e torná-lo mais produtivo, Loide também auxilia as outras educadoras, ensinando-as a se comunicar com os garotos.
Síntese do trabalho
Tema: Inclusão e linguagem
Objetivo: Promover a inclusão de pessoas com deficiência auditiva no ambiente escolar, na família e na sociedade, por meio do ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras)
Como chegar lá: Trabalhe com a garotada o vocabulário referente a um determinado tema, como a festa junina, em Libras e em português escrito. Faça com que as crianças participem de todas as atividades planejadas pela escola para as demais turmas, como aulas-passeio em que a temática do projeto seja explorada. Ensine a língua de sinais também a funcionários, professores e familiares dos alunos, para que todos se comuniquem cada vez mais com as crianças
Dica: Uma maneira de envolver as famílias no projeto é reservar um tempo, após a aula, para ensinar às mães as palavras e expressões trabalhadas em classe
Excursão ao mercado municipal de Aracaju:Loide ensina aos pequenos José Edson e
Dayvid quais são os ingredientes dos
pratos típicos juninos. Foto: Edson Ruiz
Festa de São João
Quando decidiu criar um projeto específico sobre a festa de São João, Loide contou com a colaboração da pedagoga Margarida Maria Teles, especializada em educação de surdos. "Queríamos evitar que as crianças ficassem alheias ao que acontecia à sua volta, como espectadoras", afirma Margarida. Traduzindo para a Libras muitos dos ícones relativos às comemorações, as duas permitiram a todos participar da construção coletiva dos festejos não só imitar os colegas.
Rita de Cássia conversa com o filho Dayvidna língua de sinais: a participação das
famílias é essencial para ao progresso
das crianças. Foto: Edson Ruiz
Na realização do projeto, que durou cinco semanas, Loide envolveu as demais professoras e também os familiares. O comprometimento dos pais é essencial para o progresso dos alunos nessa faixa de idade. "Todos os dias busco saber as palavras que meu filho aprendeu para me comunicar com ele", conta Rita de Cássia Hilário, mãe de Dayvid de Jesus, de 6 anos.
Com o objetivo de reforçar a aprendizagem do novo vocabulário, Loide colocou na sala um varal com cartazes. Cada um tinha o nome de uma comida, escrito em português e no alfabeto digital (em que cada gesto significa uma letra), e ilustrado com desenhos representando a língua de sinais. "As crianças tinham de relacionar os cartazes às figuras correspondentes", explica. Toda a decoração da sala alusiva ao tema também era acompanhada de reproduções dos gestos na Libras. Nas tradicionais bandeirolas, a professora desenhou o sinal correspondente a cada cor.
A classe de Loide participou, com o restante da escola, de uma excursão pela cidade decorada com motivos juninos. O grupo visitou o mercado, lotado de barracas com comidas típicas. "Durante o passeio eu ia ensinando o que era cada coisa, em português e na Libras", lembra-se. Depois a turminha foi à casa do estudante José Edson Sousa e ajudou a mãe do garoto a preparar diversos pratos, identificando os ingredientes aprendidos em aula.
A hora da grande festa: na barraca dascomidas, Margarida entrega a Dayvid
a laranja que ele pediu enquanto
José Edson espera sua vez.
Foto: Edson Ruiz
No dia da festa no colégio, sanfoneiros foram chamados para garantir a animação. Observando os colegas, os alunos com necessidades especiais também dançaram a quadrilha. "Eles sentem a vibração da música e a integração com os ouvintes é salutar", elogia Solange Rocha, professora do Instituto Nacional de Educação de Surdos. Finalmente, na hora de pedir as comidas, ninguém precisou apontar. Bastava fazer o sinal correspondente, na Libras, para ser servido. Maior prova de sucesso não poderia haver: a escola tinha se transformado num espaço de integração via educação.
Nova Escola
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Cada um aprende de um jeito


Professores propõem a alunos de 1ª a 8ª série com deficiência as mesmas atividades planejadas para os demais
A lei é categórica: todas as crianças e jovens de 6 a 14 anos devem estar matriculados na rede regular de ensino, sem exceção. Entre os objetivos que se apresentam, está o de ensinar os conteúdos curriculares de uma forma que permita também aos que têm deficiência mental aprender. Para alcançá-lo, é necessário respeitar o ritmo e os limites de cada aluno e propor as mesmas atividades a toda a turma - incluindo os estudantes que têm deficiências como síndrome de Down, síndrome de Williams e autismo. Algumas estratégias utilizadas pela Escola Viva, em Cotia (SP), e pela EMEF Professor Francisco Weiler, em Morro Reuter (RS), permitem que essas crianças e jovens não freqüentem as aulas apenas como um passatempo ou uma atividade de recreação.
O conceito de inclusão deve estar contemplado no projeto pedagógico da escola. Atividades com esse propósito se encaixam no dia-a-dia dos professores e alunos (veja os quadros desta página e das seguintes) e tendem a dar resultados a longo prazo. Na Escola Viva, por exemplo, todos os alunos com deficiência têm exatamente os mesmos materiais que os demais, garantindo que ninguém se sinta discriminado.
João Gabriel Uemura, 16 anos, é aluno da 8ª série e no começo do ano fez questão de que a mãe comprasse para ele cadernos para todas as disciplinas, mesmo não sabendo ler e escrever de forma convencional. Assim como os colegas, João colou nas capas imagens de seus heróis preferidos. Isso o faz se sentir parte do grupo.
O simples fato de ter o material já ensina. Certa vez, Diogo Mitsuro Nakagawa, 15 anos, aluno da 8ª série, disse a Rossana Ramos, diretora da escola: "Amanhã é sábado e eu vou passear com meu pai". A diretora perguntou como ele sabia que o dia seguinte seria um sábado. Ele respondeu: "Porque hoje teve apostila de Sociologia. Então hoje é sexta-feira". Segundo Rossana, ter um material que estabelece a rotina da escola deu a esse aluno a noção de tempo. "Essa foi a aprendizagem dele naquele momento."
Escrita própria
Outra preocupação constante dos professores é pedir que esses estudantes escrevam, não importa como ou o quê. Na Escola Viva acredita-se que todos podem avançar e cada progresso é percebido e comemorado. Apesar de também ter baixa visão, João usa todos os cadernos e não deixa de registrar uma lição sequer. Quando entrou na escola, há cinco anos, as páginas eram repletas de desenhos e rabiscos. Nesse tempo, ele aprendeu a escrever seu nome, percebeu que a escrita se faz da esquerda para a direita e passou a rabiscar no caderno pautado "minhoquinhas" (a chamada escrita social), que iam do começo ao fim da linha. Hoje, ele reconhece que os textos são compostos de muitas palavras. Por isso, ele dispõe diversas "minhoquinhas" na mesma linha. Para deixar o caderno organizado e bonito, João sempre coloca "título" e "data" nos trabalhos, com canetas de cores diferentes. "No caderno de Matemática, no entanto, ele só usa números", conta Rossana.
A proposta pedagógica leva em conta também as necessidades de adaptação dos alunos com deficiência a pessoas e ambientes novos. É comum essas crianças e jovens, assim que entram na escola regular, não quererem permanecer mais do que cinco minutos dentro da sala de aula, terem comportamentoagressivo ou se refugiarem no isolamento. Quando chegou à adolescência, muitas vezes Davi Nascimento da Silva, hoje com 15 anos, aluno da 8ª série, não queria nem saber de entrar na classe. Não conversava, apenas passeava pelos corredores ou ficava sentado no parque, onde ele se sentia mais à vontade.
Em vez de insistir para que Davi permanecesse em sala, os professores levavam a turma para o parque e lá davam suas aulas. Isso ajudou muito o garoto a se aproximar do grupo. A equipe da escola se orgulha dos progressos do menino. Hoje ele conversa, brinca e joga bola com os colegas, participa de todas as aulas - do lado de dentro da sala - e respeita a rotina e as regras comuns a todos. "Nos dias em que o Davi está mais agitado, deixamos que ele saia um pouquinho da sala. Ele dá um passeio, volta e retoma as atividades", afirma a coordenadora, Daniela Jarandilha.
Na escola Professor Francisco Weiler, o cuidado com o outro faz parte da rotina da garotada. Nas salas em que há estudantes com deficiência, os professores organizam um rodízio para determinar quem vai auxiliar o colega a cada dia.
E essa mãozinha não se limita às tarefas de classe. O ajudante da vez acompanha o amigo na hora da merenda, escolhe um livro e conta a história para ele ou o ajuda a ir ao banheiro. "Eles se sentem importantes com essa atribuição e é esse sentimento que queremos despertar", afirma a diretora, Dayse Eckhard Ondan.
A participação da família
A aprendizagem sobre a importância da inclusão chega até os pais. "Eles aprovam a experiência diária dos filhos. Muitos contam que as crianças se tornam mais cooperativas", constata Dayse. A mudança de atitude é fruto de muita conversa e da parceria com as famílias. No início das aulas, os pais participam de uma reunião em que a equipe pedagógica explica os procedimentos da inclusão e qual o papel da garotada nessa área. Ao longo do ano, também assistem a quatro seminários, em que podem tirar dúvidas e sugerir temas de discussão.
Todas essas diretrizes fazem das duas escolas espaços abertos às diferenças. Nelas, as crianças com deficiência ganham muito, pois são estimuladas constantemente a avançar e as demais aprendem a respeitar os colegas. Os pais, que estudaram em escolas onde a convivência com as diferenças não fazia parte da proposta, têm a oportunidade de aprender junto com os filhos um comportamento solidário e cidadão.
Cor no material
Crianças e jovens com deficiência mental geralmente têm dificuldade de se concentrar por muito tempo. Para prender a atenção delas, são recomendadas atividades dinâmicas e que envolvam muitas cores. Leila Splendore, coordenadora de Matemática da Escola Viva, tem uma estratégia simples: usar gizes coloridos ao escrever no quadro e dar lápis de cor e canetinhas para os alunos fazerem seus registros nos cadernos. Ela também cria jogos com tabuleiros bem coloridos em que utiliza elementos do cotidiano da turma: números de duas casas, que podem ser relacionados à idade dos alunos, e papéis representando cédulas de real.
Trabalho em grupo
A criança com deficiência mental deve ser solicitada a participar de todos os projetos junto com a turma. Na escola Professor Francisco Weiler, a professora da 2ª série Jóice Mallmann organiza as crianças sempre em grupos, para estimular a colaboração entre todos e integrar Bianca Amado Farias (à esquerda), 8 anos. Na hora de produzir um jornal sobre Morro Reuter, o município gaúcho onde mora, ela ajudou a escrever os textos e também a fazer as ilustrações, tudo com muito capricho.
Portfólio exibe os avanços
Fazer um portfólio com as produções da garotada durante sua permanência na escola é fundamental para ajudar a acompanhar o progresso de cada um e planejar novas intervenções. No caso das crianças com deficiência mental, esse recurso mostra que elas também avançam - o que é animador para seus professores. Em 2003, Diogo, aluno da 8a série da Escola Viva, escrevia uma letra em cada página do caderno. Agora, ele já assina o nome, usa números e escreve algumas palavras com várias letras.
Hora do faz-de-conta
A professora Jóice sempre sugere às crianças inventar as próprias brincadeiras. Nada está pronto: elas têm de usar, por exemplo, almofadas, bexigas, fantasias, tecidos e papéis.
No início de 2005, quando entrou na escola, Bianca (à direita) apenas observava essas atividades. Com a insistência dos coleguinhas, ela hoje participa, sorridente, e escolhe as roupas que quer vestir. Brinca de princesa e, ao final, senta em roda com os colegas e a professora para contar o que fez. A garota já participa da fantasia dos amigos e ensaia as próprias.
Os cinco sentidos
Utilizar materiais com diferentes texturas, estimular o olfato dos alunos e fazê-los aguçar os ouvidos são estratégias valiosas. Para divertir a turma do 1º ano do Ensino Fundamental e prender a atenção de Clayton Deutschle (segurando o livro), 10 anos, a professora Juliana Zimmer, da escola Professor Francisco Weiler, inicia as aulas com dança e canto. Na hora da leitura, ela pede que as crianças façam gestos e produzam sons relacionados ao enredo.
Atividade manual
Quando um aluno termina a atividade antes dos colegas, pode começar a tumultuar a aula ou tirar a concentração dos demais. A criança com deficiência mental não é diferente. Ela muitas vezes perde o interesse pelas tarefas. Por isso, é importante sempre deixar na sala materiais de artes para que todos possam colar, pintar, desenhar, moldar ou bordar no tempo livre.
Essas atividades ajudam também a melhorar a concentração dos alunos com deficiência. No contato com a arte, Valentina Chaluleu, 15 anos, aluna da 7ª série da Escola Viva, aprimora a concentração e demonstra interesse pelas tarefas.
A lei é categórica: todas as crianças e jovens de 6 a 14 anos devem estar matriculados na rede regular de ensino, sem exceção. Entre os objetivos que se apresentam, está o de ensinar os conteúdos curriculares de uma forma que permita também aos que têm deficiência mental aprender. Para alcançá-lo, é necessário respeitar o ritmo e os limites de cada aluno e propor as mesmas atividades a toda a turma - incluindo os estudantes que têm deficiências como síndrome de Down, síndrome de Williams e autismo. Algumas estratégias utilizadas pela Escola Viva, em Cotia (SP), e pela EMEF Professor Francisco Weiler, em Morro Reuter (RS), permitem que essas crianças e jovens não freqüentem as aulas apenas como um passatempo ou uma atividade de recreação.
O conceito de inclusão deve estar contemplado no projeto pedagógico da escola. Atividades com esse propósito se encaixam no dia-a-dia dos professores e alunos (veja os quadros desta página e das seguintes) e tendem a dar resultados a longo prazo. Na Escola Viva, por exemplo, todos os alunos com deficiência têm exatamente os mesmos materiais que os demais, garantindo que ninguém se sinta discriminado.
João Gabriel Uemura, 16 anos, é aluno da 8ª série e no começo do ano fez questão de que a mãe comprasse para ele cadernos para todas as disciplinas, mesmo não sabendo ler e escrever de forma convencional. Assim como os colegas, João colou nas capas imagens de seus heróis preferidos. Isso o faz se sentir parte do grupo.
O simples fato de ter o material já ensina. Certa vez, Diogo Mitsuro Nakagawa, 15 anos, aluno da 8ª série, disse a Rossana Ramos, diretora da escola: "Amanhã é sábado e eu vou passear com meu pai". A diretora perguntou como ele sabia que o dia seguinte seria um sábado. Ele respondeu: "Porque hoje teve apostila de Sociologia. Então hoje é sexta-feira". Segundo Rossana, ter um material que estabelece a rotina da escola deu a esse aluno a noção de tempo. "Essa foi a aprendizagem dele naquele momento."
Escrita própria
Outra preocupação constante dos professores é pedir que esses estudantes escrevam, não importa como ou o quê. Na Escola Viva acredita-se que todos podem avançar e cada progresso é percebido e comemorado. Apesar de também ter baixa visão, João usa todos os cadernos e não deixa de registrar uma lição sequer. Quando entrou na escola, há cinco anos, as páginas eram repletas de desenhos e rabiscos. Nesse tempo, ele aprendeu a escrever seu nome, percebeu que a escrita se faz da esquerda para a direita e passou a rabiscar no caderno pautado "minhoquinhas" (a chamada escrita social), que iam do começo ao fim da linha. Hoje, ele reconhece que os textos são compostos de muitas palavras. Por isso, ele dispõe diversas "minhoquinhas" na mesma linha. Para deixar o caderno organizado e bonito, João sempre coloca "título" e "data" nos trabalhos, com canetas de cores diferentes. "No caderno de Matemática, no entanto, ele só usa números", conta Rossana.
A proposta pedagógica leva em conta também as necessidades de adaptação dos alunos com deficiência a pessoas e ambientes novos. É comum essas crianças e jovens, assim que entram na escola regular, não quererem permanecer mais do que cinco minutos dentro da sala de aula, terem comportamentoagressivo ou se refugiarem no isolamento. Quando chegou à adolescência, muitas vezes Davi Nascimento da Silva, hoje com 15 anos, aluno da 8ª série, não queria nem saber de entrar na classe. Não conversava, apenas passeava pelos corredores ou ficava sentado no parque, onde ele se sentia mais à vontade.
Em vez de insistir para que Davi permanecesse em sala, os professores levavam a turma para o parque e lá davam suas aulas. Isso ajudou muito o garoto a se aproximar do grupo. A equipe da escola se orgulha dos progressos do menino. Hoje ele conversa, brinca e joga bola com os colegas, participa de todas as aulas - do lado de dentro da sala - e respeita a rotina e as regras comuns a todos. "Nos dias em que o Davi está mais agitado, deixamos que ele saia um pouquinho da sala. Ele dá um passeio, volta e retoma as atividades", afirma a coordenadora, Daniela Jarandilha.
Na escola Professor Francisco Weiler, o cuidado com o outro faz parte da rotina da garotada. Nas salas em que há estudantes com deficiência, os professores organizam um rodízio para determinar quem vai auxiliar o colega a cada dia.
E essa mãozinha não se limita às tarefas de classe. O ajudante da vez acompanha o amigo na hora da merenda, escolhe um livro e conta a história para ele ou o ajuda a ir ao banheiro. "Eles se sentem importantes com essa atribuição e é esse sentimento que queremos despertar", afirma a diretora, Dayse Eckhard Ondan.
A participação da família
A aprendizagem sobre a importância da inclusão chega até os pais. "Eles aprovam a experiência diária dos filhos. Muitos contam que as crianças se tornam mais cooperativas", constata Dayse. A mudança de atitude é fruto de muita conversa e da parceria com as famílias. No início das aulas, os pais participam de uma reunião em que a equipe pedagógica explica os procedimentos da inclusão e qual o papel da garotada nessa área. Ao longo do ano, também assistem a quatro seminários, em que podem tirar dúvidas e sugerir temas de discussão.
Todas essas diretrizes fazem das duas escolas espaços abertos às diferenças. Nelas, as crianças com deficiência ganham muito, pois são estimuladas constantemente a avançar e as demais aprendem a respeitar os colegas. Os pais, que estudaram em escolas onde a convivência com as diferenças não fazia parte da proposta, têm a oportunidade de aprender junto com os filhos um comportamento solidário e cidadão.
Cor no material
Crianças e jovens com deficiência mental geralmente têm dificuldade de se concentrar por muito tempo. Para prender a atenção delas, são recomendadas atividades dinâmicas e que envolvam muitas cores. Leila Splendore, coordenadora de Matemática da Escola Viva, tem uma estratégia simples: usar gizes coloridos ao escrever no quadro e dar lápis de cor e canetinhas para os alunos fazerem seus registros nos cadernos. Ela também cria jogos com tabuleiros bem coloridos em que utiliza elementos do cotidiano da turma: números de duas casas, que podem ser relacionados à idade dos alunos, e papéis representando cédulas de real.
Trabalho em grupo
A criança com deficiência mental deve ser solicitada a participar de todos os projetos junto com a turma. Na escola Professor Francisco Weiler, a professora da 2ª série Jóice Mallmann organiza as crianças sempre em grupos, para estimular a colaboração entre todos e integrar Bianca Amado Farias (à esquerda), 8 anos. Na hora de produzir um jornal sobre Morro Reuter, o município gaúcho onde mora, ela ajudou a escrever os textos e também a fazer as ilustrações, tudo com muito capricho.
Portfólio exibe os avanços
Fazer um portfólio com as produções da garotada durante sua permanência na escola é fundamental para ajudar a acompanhar o progresso de cada um e planejar novas intervenções. No caso das crianças com deficiência mental, esse recurso mostra que elas também avançam - o que é animador para seus professores. Em 2003, Diogo, aluno da 8a série da Escola Viva, escrevia uma letra em cada página do caderno. Agora, ele já assina o nome, usa números e escreve algumas palavras com várias letras.
Hora do faz-de-conta
A professora Jóice sempre sugere às crianças inventar as próprias brincadeiras. Nada está pronto: elas têm de usar, por exemplo, almofadas, bexigas, fantasias, tecidos e papéis.
No início de 2005, quando entrou na escola, Bianca (à direita) apenas observava essas atividades. Com a insistência dos coleguinhas, ela hoje participa, sorridente, e escolhe as roupas que quer vestir. Brinca de princesa e, ao final, senta em roda com os colegas e a professora para contar o que fez. A garota já participa da fantasia dos amigos e ensaia as próprias.
Os cinco sentidos
Utilizar materiais com diferentes texturas, estimular o olfato dos alunos e fazê-los aguçar os ouvidos são estratégias valiosas. Para divertir a turma do 1º ano do Ensino Fundamental e prender a atenção de Clayton Deutschle (segurando o livro), 10 anos, a professora Juliana Zimmer, da escola Professor Francisco Weiler, inicia as aulas com dança e canto. Na hora da leitura, ela pede que as crianças façam gestos e produzam sons relacionados ao enredo.
Atividade manual
Quando um aluno termina a atividade antes dos colegas, pode começar a tumultuar a aula ou tirar a concentração dos demais. A criança com deficiência mental não é diferente. Ela muitas vezes perde o interesse pelas tarefas. Por isso, é importante sempre deixar na sala materiais de artes para que todos possam colar, pintar, desenhar, moldar ou bordar no tempo livre.
Essas atividades ajudam também a melhorar a concentração dos alunos com deficiência. No contato com a arte, Valentina Chaluleu, 15 anos, aluna da 7ª série da Escola Viva, aprimora a concentração e demonstra interesse pelas tarefas.
http://ponderantes.blogspot.com/2009/09/professores-do-brasil-blogagem-coletiva.html
sábado, 10 de outubro de 2009
Menino de 5 anos volta a viver com pai alemão após morar dois anos com a mãe no Brasil
RECIFE - Uma briga de dois anos entre uma pernambucana e um alemão pela guarda do filho, de 5 anos de idade terá novo capítulo na semana. Mathias Kübel aguarda apenas uma publicação no Diário Oficial de Pernambuco para levar o filho de volta para a Alemanha, onde a família morava até junho de 2007, quando a mãe da criança, Camila Pinheiro, pediu autorização ao marido para passar férias no Brasil, acompanhada do menino. A defesa da mãe diz que vai recorrer da decisão, já que não foi considerado o que é melhor para a criança.A autorização para a viagem foi dada pela Justiça Federal de Pernambuco. Porém, não acaba com a disputa do casal pela guarda do filho. A guarda definitiva da criança será decidida pela Justiça alemã, local de domicílio fixo da família. O casal viveu junto na Alemanha, em união estável, desde 2002.
Em julho de 2007, porém, a mãe veio com o filho para o Brasil. Um mês depois, o pai veio também e foi informado de que mãe e filho não retornariam mais à Europa.
Ela apresentou a ele uma decisão liminar que deu guarda provisória a ela e que proibía a saída do menor do país - contou a advogada de Mathias Kübel, Marisa Hardman Paranhos.
Segundo Marisa, o alemão voltou para o seu país e decidiu buscar apoio jurídico para lutar pela guarda do filho.
- Na Alemanha, ele se informou melhor e viu que a Convenção de Haia, da qual o Brasil é signatário, diz que uma criança retida ilicitamente num país signatário deve ser imediatamente devolvida e que a guarda deve ser decidida no local de residência habuitual da criança, que, neste caso, é a Alemanha - explica a advogada.
Segundo Paranhos, Kübel conseguiu que a Justiça Estadual de Pernambuco reconhecesse que o Brasil não tem competência para julgar a causa. Além disso, o alemão conseguiu que as autoridades de seu país solicitassem ao governo brasileiro a devolução do menor. Mas, de acordo com Marisa, como a mãe teria se recusado a entregar o filho, a União entrou com ação requerendo a busca e a apreensão do menino, pois entendeu que o Brasil deveria cumprir a convenção internacional assinada.
A advogada de Kübel conta que a tutela antecipada foi concedida em junho de 2008. A criança chegou a ser entregue ao pai, mas, antes que ele retornasse à Alemanha, a mãe conseguiu reavê-lo ao entrar com um recurso de urgência na Justiça.
Nesta quinta-feira, porém, a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região em Pernambuco, confirmou que o menor deve voltar imediatamente para a Alemanha, onde se decidirá o mérito da guarda da criança. O acórdão deve ser publicado na quarta-feira e, segundo a advogada de Mathias, ele deve embarcar com o filho para a Europa no máximo um dia depois da publicação.
- Ele ficou muito feliz com a decisão. O que ele sentiu é que tardou mas não falhou. O Brasil honrou o seu compromisso internacional - afirmou a advogada.
Segundo Marisa, quando pela primeira vez a Justiça brasileira determinou o retorno da criança para a Alemanha, o pai decidiu adiar a viagem, pois a ex-companheira disse que retornaria também. Mas, enquanto a renovação do passaporte da pernambucana era providenciada, ela conseguiu liminar na Justiça para a criança permanecer no Brasil.
De acordo com a advogada, Kübel é um bom pai e não esperava que a ex-companheira decidisse ficar no Brasil.
- Eles mantinham uma vida estável lá, como uma família. A criança tinha escola, aula de música. Ele não esperava que ela não fosse voltar. Ela deixou muita coisa lá, roupas. Ele sempre foi presente, levava o filho para a escolinha, para o médico. Quando ele vem para Brasil, ele sempre vê o filho, brinca com ele - disse.
A advogada Gisele Martorelli, que defende a mãe da criança, vai recorrer da decisão da Justiça Federal de Pernambuco. A advogada diz que a decisão afronta a Convenção de Haia e a Constituição Federal, que devem considerar qual o melhor interesse para o menor.
- Nesses casos, é preciso avaliar em que situação haverá menor prejuízo psicológico para a criança. É necessário ouvir a mãe, o pai, testemunhas e, caso seja possível, até mesmo a criança, com ajuda de psicólogos, para que se avalie onde ela ficará melhor. Isso é um princípio constitucional e não foi cumprido. Houve a supressão de provas de que seria melhor a criança ficar com a mãe ou com o pai. Por isso, vamos recorrer da decisão - afirmou a advogada Gisele Martorelli.
E complementa:
- Uma das partes (a mãe) se apõe ao retorno da criança. Por isso, a Justiça brasileira poderia se opor à volta do menino, se ficasse provado que ela teria prejuízo psicológico ou físico.
Ela diz que na Alemanha, a guarda da criança já está decidida e é do pai.
- Se essa criança for repatriada, ela perde a mãe - afirma a advogada.
Para o desembargador Paulo Roberto de Oliveira Lima, relator da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Pernambuco, que determinou a volta do menino, foi tomada com base na Convenção de Haia.
- A Convenção de Haia, nesse caso, estabelece o seguinte: quando uma das partes do casal de nacionalidade diferente decide levar o filho para um país signatário sem consentimento da outra parte, que nesse caso também está num país signatário, o próprio país, no caso o Brasil, é obrigado a restabelecer a situação anterior. E foi o que aconteceu. A ação não foi proposta pelo pai e sim pela União, para cumprir uma obrigação que ela assumiu - salienta o desembargador.
Lima ressaltou que agora cabe à Justiça alemã, e não ao Brasil, decidir a guarda definitiva da criança.
- É o juiz do domicílio escolhido pelo casal, no caso a Alemanha, quem deve decidir a guarda. O que aconteceu foi uma desestruturação de um relacionamento, já que ela já iniciou um outro relacionamento e já tem até outro filho.
Marcelle Ribeiro, João Sorima Neto, Leonardo Guandeline, O Globo
Veja:
http://anjoseguerreiros.blogspot.com/2009/10/advogados-defendem-punicao-para.html
http://ponderantes.blogspot.com/2009/09/professores-do-brasil-blogagem-coletiva.html
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