notícias atuais sobre saúde, violência,justiça,cidadania,educação, cultura,direitos humanos,ecologia, variedades,comportamento
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Exclusivo: meninas são transformadas em escravas sexuais no Brasil
Dois meses de investigação, com documentos e entrevistas exclusivas. O Repórter Record Investigação revela um escândalo. Meninas negras e pobres, descendentes de escravos de um quilombo, são transformadas em escravas domésticas e sexuais. Não perca, nesta segunda (15), às 22h30!
Fonte : R7
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Jovem negra coloca foto com namorado branco no Facebook e sofre racismo
Quando M. D. M. R., uma jovem negra de 20 anos, colocou uma foto sua com o namorado no Facebook, ela não imaginava do que seria vítima. Ela foi atacada em uma enxurrada de comentários com ofensas racistas.
Em um primeiro momento, a vítima, que pediu para ser identificada apenas pelas iniciais de seu nome, mas autorizou o uso da imagem, disse ter ficado triste com a situação. Com o apoio da família e do namorado, resolveu procurar a polícia e denunciar o caso. Ela diz também ter recebido muitas mensagens de conforto. Em uma delas, um advogado de Brasília a aconselhou a procurar as autoridades.
O caso ocorreu na cidade mineira de Muriaé (a 320 km de Belo Horizonte). Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, um inquérito foi aberto nesta quarta-feira (27) para investigar o caso.
Segundo a polícia, a jovem publicou a foto no dia 17 deste mês na rede social e surgiram vários comentários racistas. Ela procurou a polícia no dia último dia 26 para registrar a queixa.
Em um dos comentários feito na página da jovem na rede social, um internauta escreve: "Onde comprou essa escrava?", para em seguida pedir: "Me vende ela".
A estes seguiram outros comentários: "Parece até que estão.... na senzala"; "Seu dono?"; "um branco e uma negosa (sic)"; "Tipo assim tia eu acho que vc roubou o branco pra tirar foto (sic)".
Em entrevista ao UOL, a moça afirmou que quer que sua atitude sirva de exemplo para outras pessoas. "Achei muito triste. Na hora, fiquei surpresa com tudo o que estava acontecendo, mas depois meu namorado e minha família me deram força. Foi uma atitude corajosa minha mesmo [de ter feito a denúncia], porque muitas pessoas não têm coragem de denunciar esse tipo de crime. Acho que todo mundo deve denunciar", afirmou, pedindo também punição aos que postaram as mensagens de cunho racista.
"Eu acho que toda pessoa sofreu algum tipo de preconceito, seja qual for, tem de denunciar à polícia. Não pode ficar impune. Eu quero que seja descoberto quem foi e que paguem pelo que fizeram comigo", afirmou.
A moça afirmou ter desativado a página na rede social após a repercussão do caso, mas a reativou depois de ter feito a denúncia.
"Eu vou continuar com ela [a página no Facebook]. Em um primeiro momento, muitas pessoas ficaram me procurando, aí eu achei melhor desativar. Mas não por medo, só por conta disso mesmo", disse.
Injúria racial
De acordo com o delegado Eduardo Freitas da Silva, o caso vai contar com apoio da Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos, de Belo Horizonte. Ele adiantou que já conseguiu precisar o Estado de origem da maioria dos internautas que postaram as mensagens.
"Nós fizemos uma análise preliminar e verificamos que nenhum dos autores das ofensas raciais é daqui da cidade. Grande parte é de São Paulo. Alguns são perfis falsos, mas outros são de pessoas reais, identificáveis", afirmou.
O policial disse que vai encaminhar um ofício aos administradores do Facebook solicitando a identificação dos que postaram comentários racistas na página da vítima. Segundo ele, os suspeitos serão intimados a depor por meio de carta precatória.
"Vamos contar com a ajuda da Polícia Civil de São Paulo para que essas pessoas sejam ouvidas nas delegacias mais próximas de suas residências. A injúria racial prevê de um a três anos de prisão e multa", afirmou.
Rayder Bragon
Do UOL, em Belo Horizonte
domingo, 24 de novembro de 2013
Com oportunidades desiguais, negros sofrem mais com violência, evasão escolar e são maioria no trabalho infantil
“Me ver,
Pobre, preso ou morto,
Já é cultural.
Pesadelo,
É um elogio,
Pra quem vive na guerra,
A paz nunca existiu,
Num clima quente,
A minha gente sua frio,
Vi um pretinho,
Seu caderno era um fuzil”
(Racionais MC’s)
A cada nova pesquisa ou estudo, os números - apesar de alarmantes - já não surpreendem mais aqueles que acompanham as diferenças étnicas e desigualdades raciais no país, pois pouco mudou. Em relação ao trabalho infantil, a predominância é de crianças e adolescentes negros e do sexo masculino das zonas urbanas, oriundas das camadas mais pobres da população. A análise é do relatório “Crianças Fora da Escola 2012”, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
O estudo aponta que mais de um milhão de crianças e adolescentes, entre seis e 14 anos, encontram-se trabalhando no Brasil, o que representa 7,8% do total desse público no país. Entre as crianças brancas, a taxa é de 34,60% (377.167). Entre as negras, de 64,78% (706.160). Nessa faixa etária, o trabalho infantil é uma causa importante do abandono escolar, e aqueles que exercem alguma atividade profissional em paralelo aos estudos também estão em situação de risco.
“Tanto o trabalho como a escola aparecem historicamente como espaços perversos, de negação de direitos à população negra”, afirma o professor da UNEafro-Brasil, Douglas Belchior. “A condição social em que a população negra foi condenada significa que foi preciso priorizar o trabalho antes do estudo. As crianças são condenadas a não frequentar a escola e ajudar na renda familiar, em trabalho penoso, mal remunerado. Isso reflete no futuro”, completa.
De acordo com a pesquisa “A Inserção dos Negros no Mercado de Trabalho”, os trabalhadores negros ocupam, em geral, cargos de menor qualificação e, consequentemente, têm salários com até 57,3% de diferença, sendo menos valorizados do que os não negros. Esses dados foram divulgados no último dia 13 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Outro ponto a ser destacado em relação à educação é a aplicação da Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio. “O racismo é cultural no Brasil desde sua educação básica na escola, essa lei não tem impacto”, avalia Belchior.
Padrão de beleza, valores e religiosidade eurocêntricas são fatores que influenciam a educação das crianças, consequentemente, futuro adultos. “Algumas escolas não aplicam a lei porque os pais não aceitam seus filhos estudando religião ou cultura africana”, denuncia o professor. “Por isso defendemos a mudança de mentalidade porque isso combate a médio e longo prazo o racismo no nosso país”.
Violência sistêmica
“A revanche dos excluídos em ebulição
Luta enraizada na forma de expressão
Cultura afro-indígena nas veias periféricas
Herança diluída nessa grande latino-américa
O legado de Malcolm-X e dos Panteras Negras
Resistência é o melhor ataque, a melhor defesa”
(Ktarse)
Para o professor da UNEafro-Brasil, essa disparidade representa uma violência sistêmica do Estado e a raiz está na infância. “As crianças são as principais vítimas de problemas relacionados ao racismo, pobreza e falta de oportunidade, há uma relação umbilical e da própria natureza como ciclo vicioso. Por isso, uma demanda histórica que os movimentos reivindicam são as cotas em universidades e no mercado de trabalho”.
Questões socioeconômicas, de gênero e raça. Esses são os três elementos que interagem na opressão de classe no Brasil, de acordo com Belchior. “As politicas públicas universais que existem desde o começo da República teriam dado conta dos problemas dos negros tanto quanto para não negros, porém vemos que isso hoje não é verdade”.
Para ele, as politicas sociais são universais, mas não são aplicadas dessa forma. “A população negra foi ter direito à escola há poucas décadas. Essa relação do trabalho com a falta de educação é fruto da violência, pois a porta fica aberta para outras formas e estratégias de sobrevivência não-formais, seja venda de DVD pirata ou cocaína, por exemplo”.
Divulgado em outubro deste ano, o estudo “Participação, Democracia e Racismo?”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta, entre outros dados, que a cada três assassinatos no Brasil, dois negros são vítimas; a chance de um adolescente negro ser assassinado é 3,7 vezes maior em comparação aos brancos; e assassinatos atingem negros numa proporção 135% maior do que os não negros.
“Rappers como o GOG, Facção Central, DMN e Racionais, por exemplo, fazem muito sentido ainda hoje com letras de 20 anos atrás. Por quê?”, provoca Belchior. Para ele, do ponto de vista do direito social, a condição do negro não mudou muito, mesmo reconhecendo avanços importantes na história. “O que foi feito até agora foi resultado de muita luta e não devemos nos dar por satisfeito porque o Brasil ainda é bastante racista”.
Ver mais:
promenino
quarta-feira, 27 de março de 2013
Feliciano manda prender rapaz que o chamou de racista
Na sessão de hoje da Comissão de Direitos Humanos e Minoria, o pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP), na foto, mandou a polícia legislativa prender um manifestante por tê-lo chamado de racista.
Feliciano apontou o dedo para um rapaz: “Aquele senhor de barba, chama a segurança. Ele me chamou de racista. Racismo é crime. Ele vai sair preso daqui”.
Marcelo Régis Pereira, o manifestante, protestou: “Isso [a detenção] é porque sou negro. Eu sou negro”.
Depois que Pereira foi retirado da sala, Feliciano disse aos manifestantes: “Podem espernear, fui eleito com o voto do povo”.
O deputado não conseguiu dar prosseguimento à sessão por causa dos apitos e das palavras de ordem cos manifestantes, como “Não, não me representa, não”; “Não respeita negros, não respeita homossexuais, não respeita mulheres, não vou te respeitar não”.
Jovens evangélicos manifestaram apoio ao deputado: “Fica, Feliciano”; "Jesus, Jesus”. O grupo contra o pastor respondeu: "Estado laico já".
A sessão começou às 14h20 e durou apenas 10 minutos por causa da confusão. Feliciano a transferiu para outra sala, onde foi permitida a entrada apenas de 40 manifestante (20 contra o deputado e 20 a favor), além dos jornalistas
Paulopes
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Governo lança projeto de prevenção à violência contra a juventude negra
Brasília - O governo federal lança, em Maceió (AL), a primeira etapa de um programa piloto que visa enfrentar o crescente número de homicídios entre jovens negros de todo o país. Intitulado Juventude Viva, a iniciativa é a primeira etapa de uma ação mais ampla, o Plano de Prevenção à Violência Contra a Juventude Negra.
Segundo dados do Ministério da Saúde, 53% dos homicídios registrados no país vitimam pessoas jovens. Destas, mais de 75% são negras. Além disso, enquanto as mortes de jovens brancos caíram de 9.248, em 2000, para 7.065, em 2010, a morte de jovens negros cresceu de 14.055 para 19.255 no mesmo período.
Em Alagoas, o programa irá complementar iniciativas que já estão em curso, como o Programa Brasil Mais Seguro, do Ministério da Justiça. A escolha do estado também se justifica porque a capital, Maceió, ocupa o segundo lugar entre as cidades com o maior número de homicídios no país. Nesta primeira etapa, além de Maceió, o Juventude Viva também será testado em outras três cidades alagoanas: Arapiraca, Marechal Deodoro e União dos Palmares. A meta do governo federal é, a partir da experiência inicial, estender a iniciativa para os 132 municípios mais violentos do país.
"O Juventude Viva representa um plano de enfrentamento à mortalidade da juventude negra. Vai começar como uma experiência em Alagoas, com os vários ministérios envolvidos desenvolvendo um conjunto de ações de inclusão e contra a cultura de violência", explicou a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, logo após participar, esta manhã, do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Também participou do programa o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Entre as iniciativas a serem desenvolvidas, a ministra mencionou a adoção, pelas escolas estaduais, de aulas em período integral; a criação de espaços culturais em territórios violentos e o estímulo ao empreendedorismo juvenil, principalmente quando associado à chamada economia solidária. Além disso, segundo a ministra, o programa também prevê ações de capacitação dos profissionais que atuam com os jovens, especialmente dos policiais.
"Será extremamente importante o trabalho que faremos com as forças policiais para que possamos ter um comportamento diferenciado dos policiais em relação aos jovens, especialmente em relação ao jovem negro que, por conta da discriminação racial, acaba sendo mais atingido por essa violência", explicou a ministra.
O Juventude Viva, segundo a ministra, irá beneficiar não apenas jovens negros entre 15 e 29 anos, mas toda a população das regiões contempladas com iniciativas como a construção de espaços culturais.
"Pretendemos atingir os jovens negros, que, nos últimos anos, são os que mais têm sofrido com esses altos índices de homicídios, mas, embora o diagnóstico que conduza o programa leve em conta a população negra, seu caráter é amplo. A instalação de uma praça de cultura em um bairro de maioria negra faz toda a diferença para toda a população", acrescentou a ministra.
"Embora tenhamos experimentado, nos últimos anos, uma melhoria dos indicadores sociais da população negra, temos ainda milhões de jovens negros que estão fora da escola e do mercado de trabalho, sendo uma população vulnerável às possibilidades de se envolver em situações violentas e que tem a vida pouco valorizada, já que não está inserida em nenhum tipo de rede social mais forte."
Coordenado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República, o programa contará com a colaboração dos ministérios da Cultura, Educação, Saúde, Trabalho e Esportes.
Fonte: Agência Brasil
promenino
terça-feira, 31 de julho de 2012
Ministro manda que PF investigue racismo contra Rafaela no Twitter
LONDRES - Das respostas intempestivas a comentários agressivos que recebeu pelo Twitter, após ser eliminada da competição de judô dos Jogos de Londres, Rafaela Silva fez questão de se desculpar. Mas algumas delas ainda lhe doem bastante, a ponto de ela não segurar as lágrimas na manhã desta terça-feira, no Excel Centre, onde assistia às lutas de Leandro Guilheiro e Mariana Silva. Rafaela foi vítima de racismo e o GLOBO teve acesso às acusações que lhe foram enviadas pelo Twitter, dizendo que "lugar de macaca é na jaula" e que "vc não é melhor do que ninguém porque você é NEGRA".
O racismo pelo Twitter vai virar caso de polícia. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse que vai determinar à Polícia Federal que investigue o caso.
- Racismo é uma questão de Justiça. É uma indignidade onde não foi apenas a atleta que foi desrespeitada. É um desrespeito ao povo brasileiro. A PF vai entrar no caso pois estamos falando de um ser humano que além de representar seu país recebe bolsa-atleta - disse Aldo, que soube do caso pelo GLOBO.
O ministro contou que esteve com ela na segunda-feira depois da eliminação. E tratou de estimular a atleta, que considera ter um enorme potencial para disputar medalhas nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
- Rafaela é uma moça muito jovem. Tenho enorme carinho por ela. Sem contar que é um exemplo de esforço e dedicação que soube superar adversidades na vida. Após a luta eu a abracei e a consolei. Reforcei a confiança que temos no talento dela. E disse que o governo vai continuar a apoiá-la com o bolsa-atleta.
COB divulga nota e diz que Rafaela não quer prosseguir com o caso
O Comitê Olímpico Brasileiro divulgou nota repudiando o acontecimento e informando que a atleta desistiu de levar adiante o caso.
"A Missão Brasileira em Londres, prestando auxilio jurídico a atleta, consultou o departamento jurídico do COB sobre as medidas legais que possam ser tomadas. No entanto, a própria Rafaela Silva não pretende dar prosseguimento ao caso", disse a nota do COB.
Mais cedo, o chefe de equipe do judô e diretor-técnico da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Ney Wilson, garantiu que a CBJ estuda modos de fazer com que os insultos não fiquem impunes.
- Já encaminhamos o caso à chefia de delegação do COB e, independentemente do que eles forem fazer, vamos pedir que o caso seja investigado - afirmou Ney.
Neymar se solidarizou com a judoca brasileiro, enviando mensagem pelo Twitter:
"Sei como vc se sente! Agora é ficar ao lado dos que te amam de verdade e treinar muito para realizar seu sonho na Rio-2016", escreveu o craque da seleção brasileira.
A judoca tinha admitido inicialmente, ao GLOBO, que não queria que o caso fosse investigado.
- Não gostaria que ficasse assim. Racismo nunca aconteceu comigo. Não sabia nem o que falar. Na hora, só desliguei o computador. Falaram essas coisas e também que minha família não teria orgulho de mim. Foi isso o que mais me ofendeu - disse ela.
Geraldo Bernardes, mestre de Rafaela e que junto com Flávio Canto coordena os núcleos do Instituto Reação em comunidades carentes do Rio, como Rocinha, Tubiacanga e Cidade de Deus, disse que nunca houve casos de racismo envolvendo seus atletas.
- O núcleo onde ela surgiu fica dentro de uma academia de classe média alta, em Jacarepaguá, e todo mundo treina junto, seja rico ou pobre. De quimono, não há distinção de raça, cor, nada. Acho que a página virada tem de ser pelo que aconteceu na luta, por um golpe normal do judô que a regra não permite. Mas essa questão do racismo não pode ficar impune. Onde vamos parar?
CBJ vai pedir moderação no uso da redes sociais
As ofensas racistas contra Rafaela partiram de um usuário apelidado "Urubu Palheta". Ela as encaminhou para Rosicleia, técnica da seleção braisleira feminina, que defendeu a atleta hoje de manhã, após a derrota da peso meio-médio (até 63kg) Mariana Silva para a chinesa Lili Xu, por wazari, logo na primeira luta.
- Não estou justificando a atitude da Rafaela, mas explicando o que aconteceu. Você vem de uma derrota dolorosa daquelas, em que até os árbitros tinham dado o wazari a favor dela, abre o computador para encontrar algum conforto de amigos e familiares e se depara com uma ofensa desse nível? Que país é esse em que a cor de pele justifica um ato dessa natureza? Animal é quem fez isso. Este sim é que deve ir para uma jaula - afirmou Rosicleia. - Acho que ninguém está preparado para se deparar com uma agressão tão grande assim, ainda mais uma menina tão jovem e numa situação de cabeça quente. A orientação é ficar longe das mídias sociais, embora a gente saiba que é um meio mais rápido de se comunicar com as pessoas que a gente gosta. Foi uma forma infantil, mas humana de reagir.
Rosicleia, no entanto, admitiu que a orientação, de agora em diante, é para os atletas evitarem ao máximo as redes sociais. A própria CBJ já havia solicitado antes dos Jogos que, para manter a concentração na preparação, os atletas evitassem usar as redes sociais por muito tempo.
- Depois que a porta abriu, a gente tenta botar o cadeado. As redes sociais são muito perigosas e nunca pensei que algo num nível tão baixo pudesse acontecer contra uma de nossas atletas.
O Globo
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha.
Dentre as ações realizadas pela Secretaria da Cidadania e Direitos Humanos, através da Superintendência dos Direitos da Mulher e da Superintendência da Igualdade Racial, temos a comemoração do Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha.
Esta data foi criada durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingo, República Dominicana. Nesse encontro, foi estipulado que este dia seria o marco internacional da luta e da resistência da mulher negra. Desde então, sociedade civil e governo têm atuado para consolidar e dar visibilidade a esta data, tendo em conta as condições de opressão de gênero e étnico-raciais em que vivem estas mulheres.
Por esta razão estamos lhe convidando a participar deste evento, no dia 27 de julho, cujo objetivo é ampliar e fortalecer as organizações de mulheres, em especial as negras, construir estratégias para a inserção de temáticas voltadas para o enfrentamento ao racismo, sexismo, discriminação, preconceito e demais desigualdades raciais e sociais.
Não deixem de comparecer:
Dia 27 de julho de 2012, de 9 às 13 horas,na Casa da Terceira idade, situada na rua Carlos Benedetti s/nº, Nova Cidade, Nilópolis -Rio de Janeiro.
Informação recebida por e-mail
sexta-feira, 23 de março de 2012
Preso por racismo tem longo histórico de crimes
Marcelo Valle Silveira Melo, jovem de classe média, era alvo de bullying e passou de provocador inconsequente a pregador da intolerância
A Polícia Federal (PF) pôs fim nesta quinta-feira a sete anos de atividade criminosa de Marcelo Valle Silveira Melo, de 26 anos. Preso por pregar a intolerância e fazer ameaças em um site, ele era uma figura conhecida na internet por espalhar as mais terríveis mensagens.
Melo passou de provocador inconsequente a um perigoso disseminador do ódio. Ele se valia da internet para passar uma imagem de superioridade que, na vida real, lhe faltava. Na rede, o garoto sem amigos se transformava em "Psycl0n", ou "Ash Ketchum".
A trajetória criminosa de Melo teve início em 2005, quando ele publicou uma sequência de ofensas contra negros em um fórum da Universidade de Brasília (UnB) no site de relacionamentos Orkut. Foi processado e condenado, em 2009, a um ano e dois meses de prisão. Recorreu da decisão e não passou um dia sequer na cadeia.
Dois anos antes da condenação, em entrevista ao site Campus Online, da UnB, disse que foi mal compreendido: "Eu queria criticar o sistema de cotas, fazer uma ironia de como ele é injusto. Jamais ser racista, como estão dizendo por aí."
Não era verdade: nos anos seguintes, Melo aprofundou seu arsenal de ofensas e ampliou o leque das vítimas. Os negros eram "macacos subdesenvolvidos". As mulheres, merecedoras de estupro. Para os homossexuais, ele pregava o extermínio. Esquerdistas, cristãos, judeus e crianças também eram alvo de ataques.
Ele distribuía ameaças de morte e, aos poucos, passou a concentrar suas mensagens no site www.silviokoerich.org, motivador da prisão. Até então, ele mudava frequentemente o veículo usado para divulgar suas ideias, o que dificultava o rastreamento.
Formado em Ciência da Computação pela Universidade Católica de Brasília, Melo também era um hacker habilidoso – e gostava de alardear sua capacidade de fraudar cartões de crédito.
Isolado, o jovem seria provavelmente apenas um desajustado inofensivo. Mas, na web, encontrou colegas que compartilhavam sua insanidade - como Emerson Eduardo Rodrigues, o paranaense que também foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira.
Origem -Filho de uma funcionária do Serviço de Processamento de Dados (Serpro) da Presidência, Melo perdeu o pai ainda criança. Vivia em um apartamento confortável na Asa Norte, bairro central de Brasília. No colégio onde estudou, era alvo de piadas por causa do sobrepeso e por se encaixar no estereótipo de "nerd".
A vida sem sobressaltos financeiros lhe permitiu uma viagem ao Japão, país pelo qual era aficcionado. Quando postou mensagens racistas em um fórum da UnB na internet, ele havia acabado de ser aprovado no curso de Letras - Japonês, que abandonou em seguida.
O jovem chegou a se submeter a tratamento psiquiátrico. Na primeira condenação, Melo teve a pena abrandada porque o juiz o considerou semi-imputável (apenas parcialmente consciente das consequências de seus atos).
Após a sentença, passou a debochar também da Justiça "Fui condenado a três anos de liberdade", postou. Intensificou as ameaças: por mais de uma vez, prometeu promover um massacre na Universidade de Brasília.
Seu principal alvo eram alunos das Ciências Humanas. Ele teria escolhido até a arma para o crime: o fuzil israelense Uzi - o mesmo usado pelo estudante que matou 32 pessoas na universidade Virginia Tech, nos Estados Unidos, em 2007.
Melo é alvo de quase dez queixas na Polícia Civil do Distrito Federal, uma delas por agredir a mãe. Também responde a um segundo processo por racismo, aberto em 2011.
A defesa alegava insanidade mental, o que deve se repetir agora, com as novas acusações. Ao manter o site que levou à sua prisão, o pregador do ódio desdenhou também da Polícia Federal. Deve pagar o preço pelos próximos anos.
Veja
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Grupo faz protesto antirracismo em shopping de Higienópolis
Ato criticou as ações no Pinheirinho e na Cracolândia; vítimas de racismo compareceram
Um grupo de manifestantes realizou uma manifestação dentro do shopping Pátio Higienópolis, na tarde deste sábado (11), no centro de São Paulo.
O protesto, cujo tema era “Higienização Sócio Racial e a Criminalização da Pobreza”, reuniu cerca de 500 pessoas, de acordo com a organização, composta por entidades ligadas aos movimentos sociais.
O ato criticou as ações na comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos, e na Cracolândia, no centro de São Paulo.
Manifestantes fazem protesto em pizzaria
A manifestação reuniu o estudante Nicolas Menezes da USP (Universidade de São Paulo), que foi agredido pela PM dentro do campus, e da estudante da UniPalmares Ester Elisa da Silva Cesário, que foi coagida a alisar o cabelo para continuar em seu estágio.
Estado é condenado a pagar indenização
De acordo com a historiadora Bergman de Paula, integrante do grupo Kilombagem, de Santo André (Grande ABC), o protesto foi pacífico, mas os seguranças no shopping tentaram impedir a entrada dos manifestantes.
- Fizeram uma tentativa de barrar a nossa entrada, mas não deu tempo. Nós fizemos um ato contra a higienização social e os atos de racismo no cotidiano, como o que ocorreu no restaurante Nono Paolo, que expulsou uma criança etíope [por ter confundido com um menino de rua].
Ainda de acordo com informações dos manifestantes, organizaram o protesto grupos como Círculo Palmarino, MNU(Movimento Negro Unificado), Uneafro, Levante Popular da Juventude Negra, Força Ativa, e partidos políticos como PSTU e PSOL.
Segundo a Polícia Militar, o protesto foi pacífico e reuniu cerca de cem pessoas. A reportagem do R7 tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa do shopping, mas não obteve retorno até a publicação desta nota.
R7
domingo, 15 de janeiro de 2012
A longa prisão sem provas de Michel, negro e pobre
Num país que adora proclamar sua democracia racial, as autoridades deveriam ser treinadas para manter as aparências, pelo menos. Em outubro do ano passado, o agente de saúde Michel Silveira, 26 anos, foi levado à delegacia sob acusação de ter participado de um roubo a mão armada.
A única prova era a denúncia de uma das vítimas, que garante ter reconhecido o agente de saúde três dias depois do assalto.
O problema: câmaras de vídeo do local de trabalho de Michel mostram que ele estava no serviço na hora do crime. Colegas também garantem que um pouco mais tarde, estavam a seu lado. Mesmo assim, Michel ficou três meses na cadeia. Sem prova, sem um indício além de um reconhecimento feito na rua, por uma vítima. Três meses não são três horas nem três dias nem três semanas. Tem gente que tem emprego que dura três. Ou que faz um cursinho de três meses e depois presta vestibular. Michel passou o Natal e as festas longe da família. Por duas vezes amigos e parentes apresentaram recurso para liberá-lo.
Nada. A soltura só foi definida quando se apresentou um terceiro recurso. Racismo é isso. O sujeito está empregado, tem documentos, aponta testemunhas e pode até mostrar um vídeo — se a polícia tiver interesse em assisti-lo. Mas outra pessoa não enxerga nada disso. Só vê a cor da pele, aquilo que muita gente chama de raça. E aí define uma opinião e uma atitude.
´
Epoca
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Clientes de restaurante que expulsou criança negra serão ouvidos
Polícia quer saber quem estava no local quando menino foi retirado.
Caso aconteceu em SP; menino negro foi adotado por espanhóis na Etiópia.
A Polícia Civil quer saber quem eram os clientes e funcionários que estavam no restaurante Nonno Paolo, no bairro do Paraíso, Zona Sul de São Paulo, no momento em que um casal de espanhóis relatou que seu filho de 6 anos foi expulso na sexta-feira (30). O menino é negro e foi adotado há dois anos na Etiópia. Segundo o casal, o menino disse que um senhor o colocou para fora do estabelecimento. O advogado do restaurante alega que o menino saiu espontaneamente após ser abordado pelo proprietário. A criança foi encontrada pela família a um quarteirão do local.
A mãe do menino, que quis ser identificada apenas como Cristina, de 42 anos, procurou o 36º Distrito Policial, no Paraíso, e registrou um boletim de ocorrência. No mesmo dia a mulher prestou depoimento. O delegado Márcio de Castro Nilsson, titular da delegacia, instaurou um inquérito nesta segunda-feira (2), e deve ouvir outras pessoas para apurar se houve preconceito de raça ou cor.
“Ainda não dá para dizer que é preconceito. Quero apurar os fatos. Em um primeiro momento, pelo menos um constrangimento ilegal houve. Mas em que circunstâncias é preciso apurar, e até quem cometeu”, afirmou o delegado na manhã desta terça-feira (3). Por enquanto, o caso não deve ser encaminhado para a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).
Outros depoimentos ainda não foram marcados – o advogado do restaurante, José Eduardo da Cruz, esteve na delegacia nesta manhã para se inteirar sobre os fatos do inquérito e disse estar à disposição da polícia. O advogado do Nonno Paolo reconhece que o dono do estabelecimento abordou a criança, mas nega que tenha havido racismo.
"Ele [o dono] se dirigiu ao garoto e ele não respondeu. Ele imaginou que fosse mais um dos meninos de rua da feira, e a criança saiu do local espontaneamente. Em hipótese alguma houve racismo", disse. Funcionários do restaurante ouvidos pelo G1 confirmam que o dono do local colocou o garoto para fora do estabelecimento.
Os espanhóis contam que foram se servir no bufê e deixaram o menino na mesa. O gerente do restaurante, porém, garante que houve um desencontro entre o menino e seus pais. “O menino saiu procurando os pais dele. Mas ele foi para o lado errado. Os pais estavam de um lado e ele foi para outro”, disse José Eduardo Fernandes Neto.
Família
A família do menino, que chegou ao Brasil no dia 17 de dezembro e voltou para a Espanha nesta segunda, disse estar muito abalada. "Foi um desespero, a primeira coisa que eu pensei foi que alguém havia levado ele embora [o menino] e que não iríamos vê-lo nunca mais", disse a mãe, técnica de administração acadêmica na Universidade de Barcelona. A família havia ido ao Parque Ibirapuera na manhã da sexta (30) e decidiu comer no restaurante à tarde. Funcionários viram que o garoto entrou com os pais e o trataram como cliente num primeiro momento, relatou Cristina. O menino não fala português.
A tia que hospedou o casal, Aurora, afirmou que o garoto evita falar sobre o caso e que estava chorando quando foi encontrado pelos pais. "Ela [Cristina] chegou aqui chorando, com o marido. Eu voltei [ao restaurante] com ela para saber o que houve e um funcionário admitiu que havia colocado o menino para fora."
"Ele me disse 'um senhor me botou para fora', em catalão, que é a nossa língua. Perguntamos se ele estava ferido e ele disse que foi segurado pelo braço, mas não foi machucado", contou a mãe. A família estuda entrar na Justiça caso a investigação não prossiga.
G1
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Justiça condena gravadora por racismo em música de Tiririca

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro avaliou como racista a letra da música Veja os Cabelos Dela, de autoria do deputado federal Tiririca. A decisão condena a gravadora Sony, detentora dos direitos autorais da música, a pagar indenização de 1,2 milhão de reais. A ação foi movida por dez organizações não governamentais que lutam contra o racismo.
As entidades alegaram que trechos da música são ofensivos aos negros. Num trecho, a canção diz: "Veja veja veja veja veja os cabelos dela/Parece bom-bril, de ariá panela/Parece bom-bril, de ariá panela/Eu já mandei, ela se lavar/Mas ela teimo, e não quis me escutar/Essa nega fede, fede de lascar"
De acordo com o advogado Humberto Adami, que defendeu as entidades no processo, o valor é o mais alto já pago a uma indenização por ato racista. "A quantia é pequena ainda se comparada com outros segmentos de danos morais, como injúria e difamação."
A gravadora ainda não se manifestou sobre a decisão. O deputado federal Tiririca disse que não vai falar sobre o assunto porque apenas a Sony é acionada no processo.
A ação é movida pelas mesmas entidades desde 2004, quando a gravadora recorreu da condenação. Na época, a Sony foi condenada a pagar indenização de 300 milhões de reais, valor que foi reajustado nesta decisão desta quinta-feira.
Veja
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Crianças negras ainda são preteridas por famílias candidatas à adoção

Brasília – Três anos após a criação do Cadastro Nacional de Adoção, as crianças negras ainda são preteridas por famílias que desejam adotar um filho. A adoção inter-racial continua sendo um tabu: das 26 mil famílias que aguardam na fila da adoção, mais de um terço aceita apenas crianças brancas. Enquanto isso, as crianças negras (pretas e pardas) são mais da metade das que estão aptas para serem adotadas e aguardam por uma família.
Apesar das campanhas promovidas por entidades e governos sobre a necessidade de se ampliar o perfil da criança procurada, o supervisor da 1ª Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal, Walter Gomes, diz que houve pouco avanço. “O que verificamos no dia a dia é que as família continuam apresentando enorme resistência [à adoção de crianças negras]. A questão da cor ainda continua sendo um obstáculo de difícil desconstrução.”
Hoje no Distrito Federal há 51 crianças negras habilitadas para adoção, todas com mais de 5 anos. Entre as 410 famílias que aguardam na fila, apenas 17 admitem uma criança com esse perfil. Permanece o padrão que busca recém-nascidos de cor branca e sem irmãos. Segundo Gomes, o principal argumento das famílias para rejeitar a adoção de negros é a possibilidade de que eles venham a sofrer preconceito pela diferença da cor da pele.
“Mas esse argumento é de natureza projetiva, ou seja, são famílias que já carregam o preconceito, e esse é um argumento que não se mantém diante de uma análise bem objetiva”, defende Gomes. O tempo de espera na fila da adoção por uma criança com o perfil “clássico” é em média de oito anos. Se os pretendentes aceitaram crianças negras, com irmãos e mais velhas, o prazo pode cair para três meses, informa.
Há cinco anos, a advogada Mirian Andrade Veloso se tornou mãe de Camille, uma menina negra que hoje está com 7 anos. Mirian, que tem 38 anos, cabelos loiros e olhos claros, conta que na rotina das duas a cor da pele é apenas um “detalhe”. Lembra-se apenas de um episódio em que a menina foi questionada por uma pessoa se era mesmo filha de Mirian, em função da diferença física entre as duas.
“Isso [o medo do preconceito] é um problema de quem ainda não adotou e tem essa visão. Não existe problema real nessa questão, o problema está no pré-conceito daquela situação que a gente não viveu. Essas experiências podem existir, mas são muito pouco perto do bônus”, afirma a advogada.
Hoje, Mirian e o marido têm a guarda de outra menina de 13 anos, irmã de Camille, e desistiram da ideia de terem filhos biológicos. “É uma pena as pessoas colocarem restrições para adotar uma criança porque quem fica esperando para escolher está perdendo, deixando de ser feliz.”
Para Walter Gomes, é necessário um trabalho de sensibilização das famílias para que aumente o número de adoções inter-raciais. “O racismo, no nosso dia a dia, é verificado nos comportamentos, nas atitudes. No contexto da adoção não tem como você lutar para que esse preconceito seja dissolvido, se não for por meio da afirmatividade afetiva. No universo do amor, não existe diferença, não existe cor. O amor, quando existe de verdade nas relações, acaba por erradicar tudo que é contrário à cidadania”, ressalta.
Fonte: Agência Brasil - 19/11/2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Brancos têm duas vezes mais acesso a planos de saúde no Brasil que negros
Os dados são do Instituto Data Popular e vêm de uma pesquisa feita em parceria com o Fundo Baobá.
Segundo a pesquisa, 15,2% dos negros têm plano de saúde, contra 31,3%, dos brancos.
Para Athayde Motta, diretor do fundo, que levanta recursos para projetos voltados à população negra, "o acesso aos serviço é em geral pior para os negros, que vivem em locais mais distantes, onde o tratamento não é de qualidade".
"Se você ganha um pouquinho mais, a primeira coisa que faz é ter um plano de saúde privado e pagar escola particular para o filho. O sistema público de saúde e educação no Brasil ainda é muito ruim".
O dado sobre acesso a plano de saúde reflete a desigualdade racial no país, onde, segundo dados do Censo 2010 divulgados em maio passado, o número de pobres pardos ou pretos é 2,7 vezes o número de pobres brancos.
Dados da pesquisa do Instituto Data Popular indicam ainda que os negros continuam sendo minoria nos estratos mais ricos.
A classe A, por exemplo, é formada por 82,3% de brancos e 17,7% de negros. Já na classe E, os negros são 76,3% do total e os brancos 23,7%.
A classe C é a camada social onde há menos desigualdade entre brancos (56,9%) e negros (43,1%).
Médico particular
A cabeleireira Dulcinéia Luz, de 32 anos, nunca teve um plano de saúde.
Para o marido, a filha e os cinco irmãos, todos residentes em Araçoiaba da Serra, a 120 km de São Paulo, o SUS é a primeira opção quando precisam de atendimento médico.
"Penso em ter um plano de saúde no futuro, você nunca sabe quando pode precisar. Mas acho também que o SUS poderia melhorar. Se o SUS fosse bom, eu nem pensaria em ter um plano de saúde", diz.
Assim como outros milhões de integrantes da classe C, Dulcinéia viu a vida melhorar nos últimos anos. Sua filha hoje tem um computador, luxo impensável há alguns anos, assim como o acesso a um médico particular.
Sem plano de saúde, e descontente com os serviços do SUS, ela recorre a consultórios particulares se "a necessidade for grande".
"Quando acho que dá para ser atendida no SUS, vou ao SUS. Se for mais grave, eu pago", diz.
A pesquisa mostra que quando precisam de tratamento médico apenas 10,9% dos negros e 27,3% dos brancos recorrem a um médico particular.
Ambulatório
A primeira opção, para a maioria dos negros (64,5% deles), é o ambulatório de empresas e sindicatos. O índice entre os brancos que recorrem a ambulatórios é de 49,2%.
Esse é o caso de Marcelo Antonio de Jesus, 36 anos, residente na Penha, zona leste de São Paulo.
Jesus teve, por cinco anos, plano de saúde pago pela empresa para a qual trabalhava.
"Hoje os planos de saúde mais baratos têm pouca qualidade, o atendimento é demorado. Já os planos bons são muito caros", explica.
Educador de uma ONG, Jesus conta que gostaria de voltar a ter acesso a um plano privado, "com atendimento mais rápido".
Leia mais: Negro sofre 'discriminação institucionalizada' no serviço de saúde, diz diretor de ONG
BBC Brasil
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Estudantes negros são menos de 10% nas universidades federais

Em 2003, pesquisa mostrava que taxa não chegava a 6%
Apesar de políticas afirmativas direcionadas para a população negra, esse público ainda é minoria nas universidades federais. Estudo que será lançado nesta quarta-feira (3) pela Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) sobre o perfil dos estudantes de graduação mostra que 8,72% deles são negros. Os brancos são 53,9%, os pardos 32% e os indígenas, menos de 1%.
Ainda que a participação dos negros nas federais seja pequena, houve um crescimento em relação à pesquisa anterior produzida pela Andifes em 2003, quando menos de 6% dos alunos eram negros. Isso significa um aumento de 47,7% na participação dessa população em universidades federais.
Para o presidente da associação, João Luiz Martins, a evolução é “tímida”. Ele defende a necessidade de políticas afirmativas mais agressivas para garantir a inclusão.
- A universidade tem uma dívida enorme em relação a isso [inclusão de negros]. Há necessidade de ampliar essas ações porque o atendimento ainda é muito baixo.
A entidade é contra uma legislação ou regra nacional que determine uma política comum para todas as instituições, como o projeto de lei que tramita no Senado e determina reserva de 50% das vagas para egressos de escolas públicas.
- Cada um de nós tem uma política afirmativa mais adequada à nossa realidade. No Norte, por exemplo, a universidade precisa de uma política que tenha atenção aos indígenas. No Sul, o perfil já é outro e na Bahia outro.
O estudo mostra que os alunos egressos de escolas públicas são 44,8% dos estudantes das universidades federais. Mais de 40% cursaram todo o ensino médio em escola privada. O reitor da UFPA (Universidade Federal do Pará), Carlos Maneschy, explica que na instituição metade das vagas do vestibular é reservada para egressos da rede pública. Desse total, 40% são para estudantes negros. Ele acredita que nos próximos anos a universidade terá 20% de alunos da raça negra.
- Antes, nem 5% eram de escola pública.
R7
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Para 63,7% dos brasileiros, cor ou raça influencia na vida, aponta IBGE
Para 71% dos entrevistados, cor ou raça tem influência no trabalho.
Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), divulgado nesta sexta-feira (22), aponta que 63,7% dos brasileiros entrevistados acredita que a cor ou raça influencia na vida. O estudo “Pesquisa das Características Étnico-Raciais da População: um Estudo das Categorias de Classificação de Cor ou Raça” coletou informações em 2008, em uma amostra de cerca de 15 mil residências realizada em cinco estados e no Distrito Federal.
Entre as unidades pesquisadas, o maior percentual de pessoas que acredita que a raça ou a cor influencia na vida foi registrado no Distrito Federal (77%) e o menor no Amazonas (54,8%).
As mulheres apresentam percentual maior do que os homens: 66,8% delas disseram que a cor ou raça influenciava, contra 60,2% deles. Quando se analisa o quadro por idades, os maiores percentuais de resposta afirmativa ficam com os jovens com idades dentre 25 e 39 anos (67,8%), seguidas por pessoas na faixa etária de 15 a 24 anos (67,2%).
Os dois grupos se alternam na liderança desse quesito em todos os estados, mas no Distrito Federal há destaque para o grupo com idades entre 40 a 59 anos, onde corresponde a 79,5%
Influência no trabalho
Entre as situações nas quais a cor ou raça tem maior influência, o trabalho aparece em primeiro lugar pelas pessoas entrevistadas, com 71% das respostas, aponta o IBGE.
Logo em seguida, os brasileiros apontaram que a cor e raça interferem "na relação com justiça ou a polícia", citada por 68,3% dos entrevistados. Para 65%, estes fatores também interferem no convívio social e para 59,3%, cor e raça são fatores que atuam na maneira das pessoas agirem nas escolas.
Dos entrevistados, 96% afirmam saber a própria cor ou raça. As cinco categorias de classificação do IBGE (branca, preta, parda, amarela e indígena), além dos termos “morena” e “negra”, foram utilizadas pelos entrevistados.
A maioria dos brasileiros respondeu ao IBGE que o fator preponderante para identificar sua cor ou raça é “a cor da pele” – foi o argumento de 74% dos entrevistados. Mas 62% deles disseram que a origem familiar também é analisa e para 54%, traços físicos também atuam na formação da raça.
Estudo inédito
“A importância muito grande deste estudo é que ele é inédito. O IBGE jamais tinha indagado este aspecto sobre a influência na vida das pessoas. Normalmente fizemos pesquisas concretas, sobre renda, saneamento. Agora, fizemos a pessoa refletir sobre um sentimento”, diz ao G1 Ana Sabóia, chefe da Divisão de Indicadores do IBGE e coordenadora-geral da pesquisa.
O Distrito Federal se destacou no levantamento com os maiores percentuais de percepção da influência da cor ou raça em quase todas as situações citadas. Para os moradores de lá, cor e raça atuam no trabalho (86,2%), na relação com justiça/polícia (74,1%), no convívio social (78,1%), na escola (71,4%) e também nas repartições públicas (68,3%). Apenas em “casamento”, a Paraíba ficou com 49,5% contra 48,1% do DF.
Ana atribuiu este resultado ao “maior nível de escolaridade da população do Distrito Federal, quando as pessoas têm maior facilidade em responder a este nível de pergunta”.
Própria cor
Entre os destaques é o dado de que 96% dos brasileiros entrevistados afirmam que saberiam fazer sua autoclassificação no que diz respeito a sua cor ou raça. Para Ana, isso mostra que “as pessoas sabem dizer a sua cor, não tem mais este mito”.
Segundo a pesquisadora, os dados não podem dizer se o brasileiro acredita que há preconceito pela cor ou raça. “Não se pode afirmar isso. A pergunta foi direta, se a cor ou a raça influencia na vida. A gente não perguntou se isso era positivamente ou negativamente”, afirma.
G1
sábado, 14 de maio de 2011
África revela detalhes da época da escravidão
A África guarda até hoje registros que revelam detalhes da época da escravidão. Em muros de pedras, os homens eram presos em argolas, onde podiam passar horas, até dias, com as mãos amarradas e sofrendo maus-tratos.
Do litoral africano, saíram milhares de navios negreiros para traficar escravos em países como o Brasil e os Estados Unidos. Até mesmo uma rede sagrada sustentava a prática e seus abusos.
Neste próximo domingo (15), não perca essas e outras histórias no Domingo Espetacular, que começa às 20h30.
R7
Movimento negro realiza manifestação contra racismo em SP

Entidades do movimento negro realizaram uma manifestação contra o racismo em frente ao Teatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo, na região central de São Paulo, nesta sexta-feira, 13 de maio.
O Dia da Abolição da Escravatura é marcado por diversas reivindicações da população negra, entre elas a manutenção de cotas em universidades e reparação histórica para os negros. Durante o protesto a Polícia Militar pediu a retirada de cartazes alusivos à violência policial.
eBand
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Tribunal belga julgará em setembro suposto racismo em 'Tintim'

Um tribunal da Bélgica marcou para 30 de setembro o início do julgamento da ação que pretende retirar das prateleiras de livros infantis uma das obras do personagem de histórias em quadrinhos Tintim, do cartunista belga Hergé.
A ação diz respeito ao livro Tintim no Congo (intituladoTintim na África no Brasil), publicado originalmente entre 1930 e 1931 na Bélgica. O autor do processo, o cidadão congolês Bienvenu Mbutu Mondondo, alega que o conteúdo do livro mostra uma visão preconceituosa e colonialista dos negros e dos povos africanos.
Tintin no Congo é o segundo livro da série As Aventuras de Tintim. Na obra, o personagem viaja ao território da atual República Democrática do Congo, onde se envolve em aventuras com nativos, animais selvagens e gangues de criminosos.
Na época da publicação do livro, o país era colônia da Bélgica. A independência ocorreu em 1960, quando o novo país adotou o nome de Zaire.
Além de colocar o livro nas seções de obras adultas nas livrarias, os autores da ação pretendem que a capa da obra tenha um aviso de que seu conteúdo é racista e que um prefácio contextualize historicamente a trama.
Mondondo entrou com a ação juntamente com o Conselho Representativo de Associações Negras (Cran).
Acredita-se que os advogados de defesa da empresa Moulinsart, que detém os direitos de Tintim, e da editora Casterman, que publica a obra, irão alegar o direito à liberdade de expressão como principal argumento para manter a obra como está.
Modificações
Hergé tinha 23 anos quando Tintim no Congo foi publicado.
O autor, que morreu em 1983, afirmou, anos depois da publicação do livro, que se deixou levar pelos "preconceitos da sociedade burguesa" e que o espírito da trama era condizente com a visão "paternalista" que o ocidente tinha em relação aos países africanos à época.
Nos anos 1970, Tintim no Congo ganhou uma reedição, na qual Hergé fez modificações na história.
Em uma delas, o autor transformou um trecho em que Tintim dá uma aula de história a estudantes africanos, ensinando que o país dos alunos era a Bélgica. Na nova edição, Hergé transformou o cenário em uma aula de matemática.
As Aventuras de Tintim é uma das séries de histórias em quadrinhos mais vendidas e traduzidas no mundo. Uma adaptação em 3D de Tintim para o cinema foi dirigida pelo cineasta americano Steven Spielberg, com lançamento previsto para este ano.
BBC Brasil
sábado, 2 de abril de 2011
Cinco motivos para sentir vergonha
Há um novo nome na lista dos fugitivos mais procurados do Estado de São Paulo: o pedreiro Ananias dos Santos, de 27 anos, principal suspeito de um dos crimes mais tenebrosos de que o país ouviu falar. As vítimas são as irmãs Josely e Juliana, de 16 e 15 anos. No caminho entre o ônibus escolar e a casa, encontraram um monstro.
Se tiver sido mesmo Ananias, era um monstro conhecido delas e da polícia. Tinha saído da prisão numa folga de Páscoa, em 2009, e não voltara. Todos sabiam onde morava. Já era foragido antes. Mas ainda não tinha ficado famoso.
A delegada Sandra Vergal diz com simplicidade que, “pelos antecedentes dele, Ananias não podia ser contrariado em nada”.
Por que nenhuma autoridade policial até agora fez um mea culpa? O preso sai pela porta da frente, não volta para a cela e, por suposta rejeição de uma das meninas, persegue e mata as irmãs a tiros?
Dói demais ver as fotos das adolescentes. Além de muito bonitas, eram conhecidas como educadas, estudiosas e apegadas à família.
Ananias era fugitivo com endereço certo. Quem afinal matou as meninas da aprazível Cunha, uma localidade pacata e verde, que fez passeata de 3 mil por justiça? Somos ou não também culpados pela negligência de nosso sistema penitenciário?
A semana passada foi pródiga em constrangimentos.
Em dezembro, listei nesta coluna dez razões para se indignar. Nos últimos dias, além do crime bárbaro de Cunha, deparei com mais quatro razões para me decepcionar com o ser humano público e privado.
■O vice-presidente José Alencar, herói no combate ao câncer, afetuoso no trato com as pessoas, dizia “não temer a morte, mas a desonra”. E, mesmo assim, foi incapaz de sequer conhecer sua suposta filha com uma enfermeira.
Recusou-se a fazer exame de paternidade e chamou publicamente a mãe de Rosemary de Morais de prostituta:
“Todo mundo que foi à zona um dia pode ser pai. São milhões de casos”. No caso de Alencar, a atitude não combina com a biografia. Onde estava sua coragem? Encarou o câncer e 17 cirurgias, mas Rosemary não. Ela ganhou na Justiça o sobrenome Alencar
Além do crime bárbaro de Cunha, a semana ofereceu quatro outros motivos para nosso constrangimento
■A atriz Cibele Dorsa usou sua depressão e seu suicídio para protagonizar um circo deprimente. O Twitter, a carta para a revista Caras, o vídeo montado para homenagear o noivo que também se matara dois meses antes.
Nesse inacreditável mundo novo, a regra é se expor e ser seguido por milhares, mesmo no Além. Uma moça bonita, mãe de um casal de filhos, desperdiça a vida e dirige um roteiro multimídia para conseguir finalmente a fama após a morte. O suicídio perde o que lhe restava de privacidade, discrição, gravidade e pudor.
■O deputado Jair Bolsonaro também aproveitou a mídia para ser mais Bolsonaro do que nunca. Ofendeu negros quando só queria, segundo ele, ofender gays. Já falou barbaridades piores.
Desta vez, conseguiu a repercussão desejada porque difamou pela televisão uma celebridade, Preta Gil. Reafirmou a uma rádio que Preta “é promíscua” e que o pai da cantora, Gilberto Gil, “é outro que vive dando bitoquinha em homens”.
Como Bolsonaro defende sua liberdade de expressão, eu também poderia escrever que ele não passa de um ignorante. Mas, como isso não é novidade, só pergunto como o deputado foi parar na Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
■O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em visita a Buenos Aires, foi condecorado pela Faculdade de Jornalismo de La Plata por sua “defesa da comunicação popular”.
Chávez tirou do ar uma TV e várias emissoras de rádio. Aprovou leis que tornaram crime as críticas pesadas ao governo. Perseguiu oposicionistas. E ganhou um prêmio que é homenagem a um jornalista importante da Argentina, assassinado pelos militares, Rodolfo Walsh.
O vexame internacional foi ainda maior pela coincidência: a anfitriã, a presidente Cristina Kirchner, é acusada de estar por trás dos sindicalistas que proibiram a circulação do jornal Clarín. Como jornalista e ser humano, senti vergonha e impotência diante desses episódios e seus personagens. Nessas horas, a palavra não é suficiente.







