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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Sem incubadora livre, bebê é enrolado em saco de lixo em hospital do MA

Bebê prematuro foi enrolado em manta e saco de lixo para manter temperatura corporal

A foto de um recém-nascido prematuro enrolado em um saco de lixo no hospital municipal de Santa Inês (246 km de São Luís), no interior do Maranhão, causou revolta nas redes sociais.

A imagem foi compartilhada por vários meios de comunicação e políticos do Estado nesta segunda-feira (6) e gerou uma série de críticas.

Segundo o diretor do hospital municipal de Santa Inês, Tomaz Martins, o bebê que aparece na foto nasceu prematuramente e tinha um irmão gêmeo. Ele explicou que não havia incubadora no momento para colocar os dois recém-nascidos.

"A mãe foi atendida antes do parto e recebeu atendimento durante e depois do parto. Só que foram gêmeos e temos duas incubadoras; uma já estava ocupada. Então um dos bebês foi para a desocupada e o outro ficou em um berço, que foi aquecido da maneira correta", disse ao UOL. O parto aconteceu no dia 30 de junho.

Para Martins, houve um interpretação equivocada da foto. "Era um plástico que não era nada usado. A criança foi para casa assim. A pediatra enrolou com uma manta por baixo, colocou o plástico por cima e iria enrolar outra manta. Antes dela proceder o fechamento, tiraram essa foto e fizeram essa interpretação. O importante é que as crianças estão bem", assegurou. Um dos tios das crianças disse que os bebês seguem internados no hospital Juvêncio Matos, porque nasceram com sete meses de gestação e estão ainda em desenvolvimento.

Técnicas pouco ortodoxas

O diretor ainda defendeu o procedimento feito pela médica que realizou o parto. "A pediatra que fez esse procedimento é especialista, não é uma clínica geral. Ela fez tudo seguindo as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria, que diz que a temperatura, nesses casos, tem que ser melhorada. E, para isso, é preciso algumas vezes usar técnicas pouco ortodoxas", afirmou.

Martins disse ainda que os bebês foram transferidos por "procedimento praxe" para São Luís. "Houve o pedido da médica, mas ão houve questionamento dos médicos de São Luís sobre o que foi feito por nós", explicou.

O diretor defendeu a estrutura do hospital, que, para ele, é adequada para o porte da cidade. "Nós somos um hospital municipal muito bem estruturado. Para você ter ideia, o hospital regional mais próximo fica a 50 km daqui, no município de Monção, e só tem uma incubadora. E estamos prestes a inaugurar uma nova ala com quatro incubadoras", informou.

Fonte: UOL Notícias

sábado, 9 de abril de 2016

H1N1 em circulação não tem mutação perigosa, revela sequenciamento

Imagem de microscopia eletrônica de transmissão colorida digitalmente mostra agrupamento de partículas de H1N1 (Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID))
Instituto Evandro Chagas fez sequenciamento parcial do genoma do vírus.
H1N1 já provocou 71 mortes em surto que começou antes do previsto.


O vírus H1N1 que circula hoje no Brasil não tem certas mutações perigosas associadas a casos mais graves da doença, segundo pesquisadores do Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará. Para chegar a essa conclusão, eles fizeram o sequenciamento parcial do genoma do vírus a partir de amostras de pacientes infectados coletadas nos primeiros meses do ano em diferentes estados do país.

Segundo a pesquisadora do IEC Mirleide Cordeiro dos Santos, o estudo partiu de uma preocupação: no ano passado, mutações foram identificadas no H1N1 que circulou na Índia e levou a uma grande epidemia no país. Essas mutações, encontradas no gene que codifica a hemaglutinina, proteína que tem como função ligar o vírus à célula hospedeira, levaram a uma maior patogenicidade do vírus. Isso significa que ele tinha uma capacidade maior de provocar sintomas a partir da entrada no organismo do paciente.

Os cientistas do IEC resolveram sequenciar parte do genoma do H1N1 para verificar se o vírus em circulação no Brasil tinha essas mesmas mutações. O resultado foi que elas não estão presentes. “Em relação a esse gene, o vírus não é mais patogênico do que o que circulou em 2009 ou 2013 (anos que tiveram epidemias de H1N1 no Brasil)”, diz Mirleide.

A descoberta assegura que a cepa do vírus em circulação é a mesma da vacina contra influenza disponível hoje. Mirleide observa que, como o H1N1 é um vírus que tem RNA como material genético, ele apresenta uma grande variabilidade genética, e pode sofrer mutações de uma estação para outra. Saber que o vírus atual não sofreu essas mutações nocivas identificadas na Índia, portanto, é uma boa notícia.

Vírus já provocou 71 mortes

O número inesperado de casos e de mortes por H1N1 este ano – foram 444 casos de síndrome respiratória aguda por influenza H1N1 e 71 mortes até 26 de março, segundo o Ministério da Saúde – provavelmente se deve ao adiantamento da chegada do vírus ao país, antes do início da vacinação, segundo Mirleide.

“Como a população ainda não estava vacinada e o vírus não circulava com intensidade grande desde 2013, havia uma população muito suscetível”, diz a pesquisadora. Agora, ela e sua equipe buscam fazer o sequenciamento completo do vírus, o que pode revelar, por exemplo, de onde exatamente veio a cepa que atingiu o país.

Especialistas discutem várias hipóteses que podem explicar a antecipação da chegada do vírus, que vão desde fatores climáticos até o aumento de viagens internacionais que podem ter trazido o H1N1 que circulava no hemisfério norte.

Fonte: BEM ESTAR

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Componente químico Pyriproxyfen é apontado como causa da microcefalia


Nem o Zika vírus e nem vacinas, para a Organização dos Médicos Argentinos o grande surto de microcefalia que se abateu sobre o Brasil é causado por um químico larvicida chamado Pyriproxyfen colocado na água ou pulverizado nas cidades afetadas pelo surto de microcefalia.

Nem o Zika vírus e nem vacinas, para a Organização dos Médicos Argentinos o grande surto de microcefalia que se abateu sobre o Brasil é causado por um químico larvicida chamado Pyriproxyfen colocado na água ou pulverizado nas cidades afetadas pelo surto de microcefalia.

Reportagem Especial


O relatório da entidade é enfático ao dizer que não é coincidência os casos de microcefalia surgirem na áreas onde o governo brasileiro fez a aplicação do Pyriproxyfen diretamente no sistema de abastecimento de água da população, mais especificamente em Pernambuco.

“O Pyroproxyfen é aplicado diretamente pelo Ministério da Saúde nos reservatório de água potável utilizados pelo povo de Pernambuco, onde a proliferação do mosquito Aedes é muito elevado ( uma situação semelhante à das ilhas do Pacífico ). (…) Malformações detectadas em milhares de crianças de mulheres grávidas que vivem em áreas onde o Estado brasileiro acrescentou Pyriproxyfen à água potável não é uma coincidência, apesar do Ministério da Saúde colocar a culpa direta sobre o Zika vírus para os danos causados (microcefalia).”, revela o relatório na página 3.

O relatório também observou que o Zika tem sido tradicionalmente considerado uma doença relativamente benigna, que nunca foi associada com defeitos congênitos, mesmo em áreas onde infectou 75% da população.

Posição da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)


O relatório argentino, que também aborda a epidemia de dengue no Brasil, concorda com as conclusões de um relatório separado sobre o surto Zika feito por médicos brasileiros e pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco.

A Abrasco também aponta o Pyriproxyfen como causa provável da microcefalia. A associação condena a estratégia de controle químico para frear o crescimento dos mosquitos portadores do Zika vírus. A Abrasco alega que tal medida está contaminando o meio ambiente, bem como pessoas e não está diminuindo o número de mosquitos. Para a Abrasco esta estratégia é, de fato, impulsionada por interesses comerciais da indústria química, a qual diz que está profundamente integrada com os ministérios latino-americanos de saúde, bem como a Organização Mundial de Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde.

Abrasco nomeou a empresa britânica Oxitec que produz insetos geneticamente modificados como parte do lobby empresarial que está a distorcer os fatos sobre o Zika vírus para atender a sua própria agenda com fins lucrativos.

A Oxitec vende mosquitos transgênicos modificados para esterilidade e os comercializa como um produto de combate à doença – uma estratégia condenada pelos médicos argentinos, tida como “um fracasso total, exceto para a empresa fornecedora de mosquitos”.

Vale lembrar também que o Zika vírus é propriedade da família/Fundação Rockefeller, conforme relatado pelo Panorama Livre no dia 31 de janeiro. Além, claro, da ONU já ter declarado que países com casos de microcefalia deveriam liberar o aborto – deixando claro a todos o enorme número de entidades envolvidas no lobby do controle/diminuição populacional.

Quem fabrica o Pyriproxyfen?


Os médicos acrescentaram que o Pyriproxyfen é fabricado pela Sumitomo Chemical, empresa japonesa e um “parceiro estratégico” da Monsanto. O Pyriproxyfen é um inibidor do crescimento de larvas de mosquitos, que altera o processo de desenvolvimento da larva, a pupa (estágio intermediário entre a larva e o adulto, no desenvolvimento de certos insetos), para adulto, gerando, assim, malformações no desenvolvimento dos mosquitos e matando ou desativando seu desenvolvimento. O composto químico atua como um hormônio juvenil de inseto e tem o efeito de inibir o desenvolvimento de características de insetos adultos (por exemplo – as asas e genitais externos maduros) e o desenvolvimento reprodutivo. É um disruptivo endócrino e é teratogênico (causa defeitos de nascimento), de acordo com os médicos.

Em dezembro de 2014 a Sumitomo Chemical anunciou que, juntamente com a Monsanto, expandiria seus trabalhos de controle de pragas para a América Latina, mais especificamente para Brasil e Argentina.

Referências:

March Against Monsanto

Relatório da Organização dos Médicos Argentinos

Abrasco

Sumitomo Chemical

Fonte: PANORAMALIVRE

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Exames de bebês com microcefalia dão negativo para zika e dengue


Duas meninas nasceram com microcefalia na Santa Casa de Rio Preto.
Município ainda aguarda o resultado dos exames das placentas.


27/01/2016 15h05 - Atualizado em 27/01/2016 17h10
Exames de bebês com microcefalia dão negativo para zika e dengue
Duas meninas nasceram com microcefalia na Santa Casa de Rio Preto.
Município ainda aguarda o resultado dos exames das placentas.

Os exames realizados nos dois bebês que nasceram com microcefalia em São José do Rio Preto (SP) em dezembro do ano passado deram negativo para o zika vírus e para a dengue, segundo a Secretaria de Saúde municipal. O município ainda aguarda o resultado dos exames das placentas, que ainda não tem data para ser divulgado pelo Instituto Adolfo Lutz.

Duas meninas nasceram com microcefalia na Santa Casa da cidade. Uma delas nasceu no dia 25 de dezembro com o crânio medindo 31,5 centímetros (cm). Já a outra nasceu no dia 28 de dezembro com 32 cm de crânio.
Segundo a Santa Casa, na época, as crianças nasceram com nove meses completos e por cesariana. De acordo com o Ministério da Saúde, se o bebê nascer com 32 centímetros ou menos é preciso notificar como microcefalia. Ainda de acordo com informações do hospital, as mães relataram que não tiveram dengue confirmada e nenhum sintoma que pudesse ser da doença durante a gestação.
Segundo a Secretaria de Saúde de Rio Preto, estes foram os dois primeiros casos de microcefalia neste ano na cidade e, em 2014, o município não registrou casos.

Fonte: G1

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Produto que usa bactéria para matar o Aedes está pronto desde 2006

Ampolas do larvicida orgânico Bt-Horus, que será usado no combate ao Aedes aegypti no Distrito Federal (Foto: Jéssica Nascimento/G1)

Piloto teve sucesso em 2007, mas governo 'ignorou'; bacilo ataca as larvas.
Ministério diz que compra internacional impede uso de versão da Embrapa.


O larvicida biológico que usa uma bactéria para matar as larvas do mosquito Aedes aegypti – transmissor da dengue, do chikungunya e do zika vírus – será usado no Distrito Federal a partir desta quinta-feira (21), mas já está pronto para utilização em larga escala há quase dez anos. A fórmula criada no Brasil foi registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2006, mas nunca foi usada de forma sistemática no país.

O produto pode ser aplicado em caixas d'água, piscinas, ralos, vasos de plantas e em qualquer ambiente doméstico, incluindo reservatórios de água potável. A compra só pode ser feita, no entanto, por governos ou empresas especializadas, e não pelo consumidor comum.
O larvicida tem como "princípio ativo" o Bacillum thuringiensis israelense (BTI), uma bactéria inofensiva para humanos e animais domésticos, mas letal para o mosquito. Quando a larva do Aedes come essa bactéria na água limpa e parada, recebe quatro toxinas que causam paralisia generalizada e matam o vetor.
A versão brasileira, criada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a empresa nacional Bthek, traz um bacilo em uma solução líquida. Ela é vendida pelo nome comercial "Bt-Horus" e custa cerca de R$ 60 por litro.
Em nota enviada ao G1, o Ministério da Saúde informou que só pode incluir um produto no Programa Nacional de Combate à Dengue se ele obtiver registro na Organização Mundial de Saúde (OMS). Essa restrição se aplica, segundo a pasta, porque a aquisição é feita por licitação internacional, com verbas da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
O ministério diz analisar, "além da segurança e da eficácia, o custo-efetividade, o impacto epidemiológico esperado, o protocolo e estratégia de utilização do produto e o impacto orçamentário que será produzido".

O ministério não soube informar porque mantém um regulamento que impede a compra de produtos nacionais para o Programa Nacional de Combate à Dengue, criado em 2002. mesmo aqueles com autorização da Anvisa. Os governos locais e a própria União podem comprar o Bt-Horus diretamente do fabricante mas, para isso, não podem contar com as verbas da Opas.

Apesar de não prever a aquisição do bacilo na formulação nacional, o governo federal importou oito toneladas do produto em 2010 e fez a distribuição para 13 estados e o DF.

A diferença, segundo o próprio ministério, está na forma de apresentação do produto. O BTI foi licitado na versão "efervescente" (WDG, na sigla em inglês), regulamentada pela OMS. A versão nacional, o Bt-Horus, é vendida em solução aquosa e, por isso, precisaria de nova permissão do órgão ligado à ONU.

Sem continuidade

Em 2007, o produto foi testado pela Embrapa e pela Bthek em São Sebastião, no DF, com resultados acima dos esperados pela equipe. O índice de infestação, medido pelo número de focos encontrados a cada cem casas inspecionadas, passou de 4 para 1 após a aplicação do bacilo. De "risco iminente de epidemia", o índice caiu para "aceitável", segundo critérios da Organização Mundial de Saúde.
As pesquisas foram concluídas na sede da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, a 8 km do Palácio do Buriti e a menos de 200 metros da sede da Secretaria de Saúde, no fim da Asa Norte. A Embrapa afirma que tem como missão "viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação", e que a criação de políticas públicas e aplicação de alternativas cabe ao Executivo.
Chamada Zika Vírus Samp (Foto: Divulgação/ Samp)
Mosquito Aedes aegypti transmite vírus da dengue, chikungunya e zika (Foto: Samp/Divulgação)
Depois do teste bem-sucedido em São Sebastião, o produto sumiu dos protocolos distritais até a última segunda-feira (18), quando o governo anunciou o recebimento de 600 litros do produto. A carga foi doada pela União Química, empresa brasileira que comprou a Bthek.
O subsecretário de Vigilância em Saúde do DF, Tiago Coelho, afirma que a estratégia foi "revisitada" em função do aumento da ameaça causada pelo Aedes aegypti, que passou a transmitir a chikungunya e o zika vírus. "Os instrumentos que estávamos utilizando para conter a dengue estavam se mostrando ineficientes. O controle químico, por inseticida e larvicida, e o ambiental, com retirada de entulho e água parada", diz.

Novo protocolo

Desta vez, a aplicação do BTI será feita apenas pelos agentes autorizados da Secretaria de Saúde, e não pela própria população, como em 2007. Coelho afirma que os testes daquela época foram feitos pela própria empresa, e não pela pasta, e diz que a estratégia utilizada "não se mostrou efetiva". Ele preferiu não comentar os dados de redução de epidemia passados pela Bthek e pela Embrapa.

"Neste momento, depois de revisitar os pontos positivos e negativos, nós estamos introduzindo [o produto] com um novo protocolo. Vamos fazer o monitoramento de todos os indicadores e divulgar o resultado, dentro do protocolo que a secretaria entende como correto. É um processo contínuo: a pesquisa alimenta a política pública, que fornece novos dados para a pesquisa", diz o subsecretário.
Os 600 litros doados devem ser suficientes para dois ou três meses de aplicação, nas estimativas do GDF e considerando o "nível atual" de focos. Nesse período, a Secretaria de Saúde promete avaliar os resultados. "Assim que a gente identificar a efetividade, a intenção é fazer um termo de referência para adotar a compra regular", diz Coelho.
Na manhã desta quinta (21), 150 agentes da Vigilância Ambiental receberam o treinamento necessário para usar o produto, que será dividido em 12 mil ampolas de 50 ml. A previsão do GDF é de que o produto começasse a ser aplicado ainda nesta quinta nas regiões com o maior índice de focos do mosquito: Santa Maria, Gama, Brazlândia, Lago Norte e Planaltina.
O GDF garante que seguirá o cronograma de reaplicação indicado pelo fabricante – onde houver foco, o agente de vigilância terá que retornar a cada três semanas. O governo não explicou como fará esse controle na segunda etapa de implementação, quando todo o DF passar a receber o bacilo.

Nova tentativa

O gerente de produção da Bthek e da divisão de biotecnologia da União Química, José Eduardo Sacconi Nunes, diz que a aplicação do BTI no DF vai funcionar como um "segundo projeto piloto", em uma tentativa de reinserir o larvicida no mercado. Desde 2010, segundo ele, nenhum governo municipal, estadual, distrital ou federal adquiriu o produto, de modo contínuo, para o combate à dengue.

"O produto foi utilizado sistematicamente na região Sul, mas no combate ao mosquito borrachudo, pelo incômodo que ele causa em populações ribeirinhas. É um mosquito que gosta de água corrente, não bota ovo em água parada. Como o larvicida ataca a larva, e não o adulto, pode ser que o Aedes volte a pôr ovos ali. Por isso, você precisa ir reaplicando até matar toda a cadeia", diz.
A dose necessária para eliminar as larvas de Aedes varia de uma gota (para ralos domésticos) a um litro (piscinas de 20 mil litros). "Dependendo da dose, as larvas morrem em 24 horas. A vantagem é a especificidade, ou seja, essas toxinas só agem nas larvas e são inofensivas aos humanos, animais, plantas", diz a pesquisadora Rose Monnerat, que liderou a pesquisa do bacilo na Embrapa.
Dependendo da dose, as larvas morrem em 24 horas. A vantagem é a especificidade, ou seja, essas toxinas só agem nas larvas e são inofensivas aos humanos, animais, plantas"

Após aplicado, o bacilo se reproduz muito pouco, e apenas dentro da larva morta. Como a bactéria é sensível à luz solar, o produto é mais eficiente para ambientes internos e precisa ser reaplicada, "religiosamente", a cada três semanas. A ação funcionaria como complemento ao uso dos "fumacês", mais eficazes na área externa porque os moradores fecham as portas e janelas durante a aplicação.

Dengue no DF

O Distrito Federal registrou aumento de 110% no número de casos de dengue nas primeiras duas semanas de 2016, em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 253 infecções confirmadas até a última segunda-feira (18), contra 120 apurados em 2015. Os dados foram divulgados nesta quarta (20) no boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde.
Entre os dias 11 e 18 deste mês, o índice de casos pulou de 59 para 253 – foram 194 infecções em apenas sete dias. A variação, segundo a Saúde, foi impulsionada pelo crescimento das ocorrências em Brazlândia – de 3, em 2015, para 100 em 2016. Em 13 regiões, o índice caiu em relação ao ano passado, e em outras nove, houve estabilidade.

Fonte: G1

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Grávidas relatam seu cotidiano de medo em relação ao zika

Ministério da Saúde conclui nesta quinta plano de combate ao ‘Aedes’

RIO — Em uma semana, veio a confirmação da gravidez, cuidadosamente planejada. Na outra, o início de um bombardeio de informações sobre a associação entre zika e microcefalia, uma malformação que até então não fazia parte do rol de preocupações da gestante Katharina Kelecom. Grávida de primeira viagem, ela não esconde a sensação de desamparo, especialmente após o Ministério da Saúde confirmar, no último sábado, que o vírus realmente provoca a anomalia congênita, e que o risco maior seria o de uma infecção nos três primeiros meses de gestação.

— Eu tive uma alegria muito grande com a gravidez e, pouco tempo depois, ouvi autoridades do governo recomendando não engravidar! Isso me alarmou e, por mais que tente me informar, continuo cheia de dúvidas. Por que o zika provoca microcefalia? Qual é a ação do vírus? Como isso passa para o feto? Ninguém consegue ainda responder isso — lamenta ela, que é professora de um colégio da Tijuca onde vários alunos e funcionários já tiveram dengue, e alguns, o próprio zika.

Ontem, a Secretaria de Saúde do Rio informou que o estado totaliza 23 registros de microcefalia este ano, 19 em bebês já nascidos. Oito destas gestantes relataram manchas vermelhas na pele, mas ainda não há confirmação de que elas tiveram zika. A taxa de microcefalias é quase do dobro da média histórica anual do estado, que é de 12 ocorrências.

Diante disso, os repelentes viraram assunto rotineiro para as grávidas fluminenses. Katharina é alérgica, então não pode usar muitos desses produtos. Ela tem comprado alguns nas versões em spray e em creme e, ao chegar em casa, faz pequenos testes para ver se tem alguma reação.

— Minha próxima consulta de pré-natal é daqui a 20 dias e espero que minha médica já tenha mais orientações sobre isso — anseia ela. — Eu tento me acalmar para não preocupar mais quem está ao redor. Mesmo assim, minha mãe, por exemplo, me liga de manhã e à noite para perguntar se eu passei o repelente para ir ao trabalho.

Até mesmo as mulheres com gestações mais avançadas se mantêm em alerta. Com 27 semanas, Luana Rodrigues não deixa de usar repelente e descreve esses últimos dias como “angustiantes”:

— É uma sensação de impotência, porque evitar o mosquito não depende só da gente. E não é uma questão de tomar uma vacina, porque simplesmente não existe.

Luana mora no Grajaú, bairro com grande quantidade de casas, o que faz aumentar sua preocupação em relação a possíveis criadouros do Aedes perto de sua residência. Além disso, ela trabalha duas vezes por semana em Belford Roxo, onde vê muitos terrenos baldios.

— Quando vou para Belford Roxo, sempre visto calças grossas, tento me proteger o máximo possível. Mas as grávidas sentem mais calor do que o normal, ainda mais perto do verão, então isso é muito difícil — conta ela, que não consegue passar um dia sequer sem que essa angústia volte à sua mente. — Qualquer pessoa que venha falar comigo pergunta “e aí, e o zika?”. Hoje mesmo, ouvi isso três vezes!

OMS E OPAS LANÇAM ALERTA


O Ministério da Saúde garante que os esforços para orientar melhor a população não param. Segundo informou ontem o ministro Marcelo Castro, o previsto é que seja concluído hoje o plano nacional de combate ao mosquito Aedes aegypti. Castro também afirmou que, dos 646 casos suspeitos da malformação em Pernambuco, cerca de 150 estão confirmados.

— Estamos dando os ajustes finais, combinando com a Casa Civil, com a comunicação do governo federal, para fazer tudo conjugado. Já discutimos com os secretários estaduais, os secretários municipais — comentou.


Ainda ontem, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) lançaram um alerta epidemiológico para que os países membros fiquem vigilantes para detectar e confirmar casos de infecção pelo vírus zika. No comunicado, as organizações destacam a epidemia de microcefalia no Brasil e pedem para que as demais nações reforcem o combate ao mosquito Aedes aegypti.


Com instituições internacionais endossando a gravidade do problema e o risco de ele se espalhar por mais lugares, Daniele Alves Ribeiro, que é moradora do Alto da Boa Vista, se preocupa ainda mais, já que tem um caso de zika na própria família. Sua mãe teve a doença há poucos meses. Após saber sobre o risco de microcefalia, ela chegou a experimentar um repelente caseiro feito de álcool, óleo e cravo, mas o efeito era curto demais. Agora, Daniele começa a pensar em colocar telas nas janelas de casa.

— Estou num momento de incertezas. E é uma frustração que isso esteja acontecendo logo agora, porque esperei tanto para ter um bebê — lamenta Daniele, que tem 30 anos.

Ao passo que, em condições normais, grande parte das gestantes aproveita cada segundo do crescimento do bebê, a contadora Danívia Vargas, de 25 anos, “quer que tudo acabe logo”. Passou a ficar neurótica, como ela mesma definiu, com a possibilidade de ser picada ou pelo Aedes aegypti ou pelo Aedes albopictus — uma variante que também pode causar zika, dengue e chicungunha, mas é menos encontrada.

— Eu e meu marido já estamos enxergando um mosquito a três quilômetros de distância — brinca Danívia. — Além do repelente, vou colocar tela na minha casa neste final de semana mesmo. Por enquanto, não abro mais as janelas.

Ela conta que um casal que mora em seu condomínio, em Jacarepaguá, teve zika recentemente, e ela já denunciou a presença de focos do mosquito a autoridades.

— Como o condomínio onde moro é novo, algumas coberturas não estão ocupadas. Mas as piscinas estão lá, abertas, e por isso acumulam água — observa a futura mãe. — Eu mesma já achei um Aedes morto na minha casa. Não sei se me picou, mas não tive nenhuma reação.

Danívia participa até de um grupo no WhatsApp que reúne gestantes do Brasil inteiro e cujo assunto principal é, claro, o zika.

— Algumas relatam muita dificuldade para comprar repelente porque estão em falta no mercado, e outras, por não terem condições financeiras. Eu já paguei R$ 50 num frasco. A cada hora aparece uma nova dúvida e, sempre que alguém escuta ou lê algo novo, compartilha. As meninas do Norte e do Nordeste estão muito mais preocupadas.

INCERTEZAS SOBRE REPELENTES


O assunto divide até mesmo dermatologistas: enquanto uns garantem que a substância icaridina é segura, outros afirmam que o melhor é recorrer a outros compostos ou mesmo a produtos naturais.

— O melhor para as grávidas é o repelente com IR3535 — recomenda Carlos Milhomens, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, que descarta o uso de repelentes ligados em tomada e aqueles aplicados em tecidos.

Já Murilo Drummond, professor titular do Instituto de Pós-Graduação Carlos Chagas, recomenda apenas repelentes naturais para aquelas que estão no primeiro trimestre de gravidez:

— O problema dos outros repelentes é que são tóxicos e alérgicos. Se uma grávida tiver uma reação alérgica, poderá ter que tomar remédios que não são bons para a época da gestação.

De acordo com Denise Valle, pesquisadora do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fiocruz, a principal característica do Aedes é ser oportunista.

— O mosquito tem hábitos mais diurnos que noturnos. Mas, se você chegar em casa à noite e ele estiver lá, com fome, vai picar. Voar baixo é uma característica comum aos mosquitos, mas mais uma vez: o Aedes é oportunista, se tiver que ir a uma calha a dois metros do chão colocar ovos, ele irá — pontua ela.


Fonte: O Globo


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Com medo do ebola, familiares abandonam corpos de entes queridos nas ruas da Libéria


Governo liberiano decretou estado de emergência no país nesta quinta-feira

Um jovem foi encontrado morto jogado nas ruas da Libéria após suspeita de ebola. Com medo de chamar agentes de saúde locais e serem levados para a quarentena, familiares tentam se livrar dos corpos jogando-os em lugares públicos.

Nesta quinta-feira (7), o governo da Libéria decretou estado de emergência. Junto com Serra Leoa e Guiné, a Libéria é um dos três países mais afetados pela epidemia na África Ocidental

Foto: Reprodução/ DailyMail

R7

sexta-feira, 27 de junho de 2014

No PA, ao saber sobre morte, família descobre corte em bebê após cesárea


Atestado diz que bebê morreu de 'sofrimento fetal agudo circular de cordão'.
Médico alega que corte não afetaria na saúde e pode ocorrer em urgências.


Uma família de Santarém, no oeste do Pará, descobriu um corte no corpo de um bebê logo após o parto feito no Hospital Municipal de Santarém (HMS), na tarde de segunda-feira (23). Os familiares contam que o médico que fez o parto cesárea disse que a criança já nasceu morta e que a causa da morte não foi o corte.
No atestado de óbito consta que a causa da morte foi “sofrimento fetal agudo circular de cordão”, que ocorre quando a criança nasce com o cordão umbilical enrolado no pescoço. Segundo a avó do bebê, Raimunda Batista, a família acredita que, apesar do corte, a principal causa da morte foi a demora no atendimento. Ela explica que a mãe, Marcilene Dias da Cruz, de 22 anos, foi levada ao Hospital Municipal no sábado (21) com dores e perda de líquido, mas somente na segunda-feira foi operada.

Raimunda destaca que, ainda no sábado, Marcilene recebeu uma injeção e foi mandada de volta para casa, mas retornou ao hospital no dia seguinte com dores. “Eles abandonaram ela na sala de espera. O primeiro médico que atendeu falou que ela ia ter filho normal, mas do jeito que ela era grande, ela não ia ter normal. Ele falou que até as 7hs da manhã de segunda a gente operava ela, mas não fizeram isso. Ela foi operada quatro horas da tarde”, ressaltou. Ainda segundo ela, a cirurgia foi feita por outro médico, diferente do que atendeu a paciente pela manhã.
Após o parto, Raimunda conta que o bebê estava enrolado em um pano no necrotério e que a família só descobriu o corte ao observá-lo detalhadamente.
Ao G1, o obstetra Waldir Mesquita disse que recebeu a paciente, que estava no atendimento de pré parto desde o dia anterior, por volta das 15h15 de segunda-feira, "com diagnóstico de sofrimento fetal agudo, que é um acidente que ocorre de forma rápida. Eu a submeti à operação cesariana, que é o procedimento indicado e, ao retirar o bebê, ele estava com três circulares de cordão e essa é que foi a causa da morte”, afirma.
Em relação ao corte no corpo da criança, ele explicou que se trata de um procedimento que pode ocorrer, principalmente em situações urgentes, mas garante que não prejudica a saúde do paciente. “O que existe é o que chamamos de escoriação no bebê, que vai do dorso, pega a nádega e parte da coxa. Isso se deve ao risco das duas pinças podem fazer quando você tira o bebê. Como o caso dela era urgente, a gente foi tirar o bebê apressadamente para tentar ver se conseguia reanimá-lo. E provavelmente, repito, provavelmente, essas pinças-corte devem ter riscado o dorso do bebê, mas isso não tem nada a ver com a causa da morte”, alegou o médico.

A família chegou a ir ao Propaz para registrar Boletim de Ocorrência, mas foi orientada a levar a informação ao Ministério Público do Estado.
Por telefone, a diretora do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, Stael Rejane, informou que o corpo da criança foi necropsiado na tarde desta terça (24), e que o prazo para entrega do resultado é de 10 a 30 dias.

Posicionamento do HMS

Em nota, o HMS informou que a morte do recém-nascido, de Marcilene Dias Amorim, atestada em prontuário, foi por Asfixia de Cirtcular de Cordão Umbilical no Pescoço, considerado de difícil reversão para nascimento com vida. Todos os esforços foram tomados pela equipe médica, mas a criança não resistiu.
Em relação ao corte no lado esquerdo, que vai da região torácica à coxa, o HMS disse que ele ocorreu durante a retirada do bebê, já sem os sinais vitais por instrumental médico. O fato será apurado e devidamente encaminhado aos órgãos competentes para imputação de responsabilidades.
No Hospital Municipal, Marcilene Dias foi prontamente atendida, realizando exames e foi acompanhada 24h pela equipe obstétrica.

G1
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