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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Miss filipina cria site para transexuais em busca de 'amor decente'

Depois de vencer concursos de beleza nas Filipinas, Maki fundou site de namoro especializado

Uma transgênero das Filipinas, que ganhou um dos principais concursos de beleza do conservador país católico, criou com o namorado um site que promete "amor decente" para pessoas que mudaram de sexo.

O site (mytranssexualdate.com) tem como objetivo combater a ideia de que transgêneros são objetos sexuais.
Maki Gingoyon, de 25 anos, conta que, quase sempre que dizia ser transgênero, no início de uma relação, gerava duas reações: rejeição imediata ou propostas indecentes. "Queriam saber se eu tinha pênis, se aceitava ser filmada", disse ao programa Outlook, do Serviço Mundial da BBC.
Para evitar este tipo de incidente, Maki, que ganhou o concurso de Rainha da província de Cebu em 2010 usando o nome de Eve Mercedez, entre outras competições de beleza do país, iniciou as atividades do site.
"O que eu quero com isso? Um site decente para minhas irmãs transexuais".

Pressão
Maki nasceu um menino em Manila, capital das Filipinas. Morava com os avós em uma casa com outros membros da família.
Em seu site pessoal, ela conta que não é operada, ou seja, "sou uma mulher transsexual que prefere não se livrar de meus genitais masculinos (...), mas, claramente, isto não tem nada a ver com minha identidade de gênero. Pois, em meu coração, em minha alma e em minha mente, sou uma mulher e me identifico como tal".
Na entrevista à BBC, ela conta como sua infância foi marcada pela feminilidade.

Leia mais: Jovens americanos usam tradicionais bailes de formatura para ‘sair do armário’

Maki conta que tudo o que mais queria era a aceitação de sua mãe
"Estava sempre com minha mãe e observava sua feminilidade. Eu queria usar saias, ter cabelos longos. Mas sabia que não podia porque nasci com o órgão reprodutor masculino, e isso me definia como do sexo masculino naquela época", lembra.
A pressão para que ela confirmasse sua identidade masculina era grande. "Estava rodeada por figuras masculinas em casa (tios e primos). Os homens da minha família eram muito impositivos em relação à masculinidade. Eu me lembro que sempre organizavam lutas de boxe e queriam que brigássemos o tempo todo", disse.
Ela ainda mora na casa onde cresceu. "Era muito bonito ou bonita, menino ou menina. Ia à Igreja todos os domingos", disse uma tia à repórter da BBC Aurora Almendral. "Queria dançar como as Spice Girls", disse um primo.
Maki sofria pressão da família para se comportar como um menino e tentava manter o que via como sua verdadeira identidade em segredo. "Eu me fechava no quarto dos meus avós e dançava com lençóis e saltos".
Na adolescência, ela conta que concluiu que nunca poderia ser uma mulher, teria de ser um homem gay e começou a sofrer depressão.
"Minha mãe dizia que, se eu virasse gay, não queria mais me ver. Eu sentia muito medo. Via os meninos gays sofrendo bullying. Imagine um menino de 11 anos sob esse tipo de pressão", lembra.

Leia mais: Na escola e na família, a difícil batalha de crianças transgênero por aceitação


Os anos se passaram e Maki decidiu, finalmente, que iniciaria um processo para mudar de sexo. A transição foi, inicialmente, secreta, com tratamento à base de estrogênio.
"Ninguém sabia até que notaram que meus seios cresciam. Finalmente, minha mãe começou a me apresentar com saias. Não me importava com mais ninguém. Se minha mãe me aceitava, estava satisfeita", disse.
Ela conta que começou, então, a disputar concursos de beleza e a ganhar um após o outro até vencer o concurso nacional das Filipinas.
O site, explica Maki, define, no perfil dos participantes, diferentes facetas de uma transgênero: se já foi operada, se está no processo pré-operatório ou se, como muitos, não pretende passar por uma operação de mudança de sexo.

Leia mais: Pais de crianças transgêneros usam redes sociais para combater preconceito


Fonte: BBC Brasil

sábado, 27 de junho de 2015

Decisão sobre casamento gay é festejada em bar histórico de Nova York


Icônico Stonewall Innonde, onde movimento de direitos homossexuais enfrentou a polícia em 1969, recebe visitantes emocionados ao longo de todo o dia

por Isabel De Luca

NOVA YORK - Quando a notícia de que a Suprema Corte havia liberado o casamento gay começou a circular, na manhã desta sexta-feira, Nova York já sabia o que fazer: uma multidão tomou a frente do icônico Stonewall Inn, o bar onde o movimento pela igualdade de direitos foi catalisado, 46 anos atrás. Homens, mulheres e crianças iam chegando pouco a pouco, entre abraços generalizados e algumas lágrimas. A polícia fechou a rua. Durante todo o dia, simpatizantes de diferentes credos faziam fila para tirar uma foto na fachada da velha taverna.

No mês em que o mundo celebra o Orgulho Gay, o Stonewall acaba de ser preservado como patrimônio da cidade. Uma história que Tom Pantage, vizinho do lendário estabelecimento do Village desde 1969, conhece como poucos. E lá estava ele para contar:

— Eu tinha 17 anos. Conversava em pé, no fundo do bar, quando a polícia entrou atacando, como sempre. A comunidade, cansada, queria reagir, mas ninguém sabia que seria naquela noite. As lésbicas e drag queens foram as primeiras a contra-atacar. Vi tudo: a cadeira voando, o policial atingido. Aquele foi o momento. E não teve mais volta.


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Ex-executivo de uma rede de cosméticos que chegou a ter um bar gay na região nos anos 1970, Pantage só continha a euforia ao pregar a conscientização:

— Só estamos aqui hoje pela perseverança da comunidade gay, que passou 40 anos invisível e reivindicando por direitos. Precisamos contar isso à nova geração, porque a minha morreu de Aids.

Ao seu lado, o bancário David Ehrich distribuída adesivos pela criação do Parque Nacional Stonewall na praça em frente ao bar.

— A história do movimento está escondida em lugares onde as pessoas se reuniam, como aqui. Ainda é só o começo, a decisão da Suprema Corte não significa que gays vivam em segurança — ponderou.

A assistente social Shlana Levin apareceu com uma camiseta em que se declarava em busca de uma boa menina judia. Casadas em Massachussets há dez anos, Julia Ridgway e Barbara Lanciers carregavam uma placa que dizia “O amor vence”. O professor Curtis Dann-Messier levou a filha de 5 meses:


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— É um alívio saber que ela vai crescer sem precisar se preocupar com isso.

Lá dentro, música e bebida rolando soltas, o ator Andrew Rannels, o Elijah da série “Girls”, confraternizava:

— Vim sozinho, assim que soube da liberação achei que devia estar aqui. Mas acabei encontrando um monte de amigos. Estou tão feliz.

OGLOBO

sábado, 13 de setembro de 2014

A vacinação contra HPV é segura?


Eu fiquei muito preocupada quando ouvi a notícia sobre as alunas da escola de Bertioga que foram internadas no hospital por causa de sintomas como a perda de movimentos e sensibilidade das pernas causados, supostamente, pela vacina contra o HPV.

Para quem ainda não sabe, desde março, a vacina contra o HPV passou a ser distribuída gratuitamente pelo SUS para meninas entre 11 e 13 anos e a segunda fase da campanha começou no dia 1o de setembro. Obviamente, minha primeira reação ao saber do acontecido foi querer saber sobre as meninas. Mas, depois, o impacto que uma notícia como essa pode causar na população ocupou os meus pensamentos como educadora sexual. Fui saber o que as pessoas estavam pensando.

Não deu outra! Como diz o ditado, notícia ruim chega logo. São inúmeros os sites, blogs e canais de notícias que divulgaram o acontecido, e os comentários são exatamente aqueles que eu suspeitava: “e agora, devo vacinar minha filha?”

As escolas serão bastante questionadas por muitos pais até que se esclareça de fato o que aconteceu com a essas garotas. Procurei me assessorar com médicos ginecologistas, neurologistas e imunologistas, e todos foram unânimes: não há nenhum motivo para pânico ou medo de vacinar as meninas.

Segundo a Folha de S. Paulo, a Secretaria Estadual de Saúde está acompanhando de perto os casos das 11 jovens e já descartou qualquer problema com o lote de vacinas utilizado em Bertioga. De acordo com a responsável pelo setor de Imunizações da Secretaria, Helena Sato, a vacinação contra o HPV vai continuar em todo o estado. Ela disse que não há nenhuma associação dos sintomas apresentados pelas adolescentes de Bertioga com a aplicação da vacina, uma vez que o mesmo lote, composto por 320 mil doses, vem sendo aplicado desde o início do mês em estudantes de todo o estado de São Paulo.

O suporte do educador

Quando se fala na prevenção de doenças como hipertensão ou diabetes, as pessoas conversam, buscam informações, trocam receitas de comidas saudáveis, dão dicas de formas de se exercitarem etc. Mas quando a doença está ligada ao sexo, geralmente não há diálogo, há julgamento. A vacinação gratuita contra HPV é uma grande conquista e é triste vê-la posta em risco.

A aids, por exemplo, foi descoberta nos anos 80 e até hoje há quem julgue que ensinar os jovens a se prevenir contra essa doença incurável é incentivá-los a ter relações sexuais. Isso é negar o benefício da informação. O conhecimento é uma das maiores virtudes para evitar os riscos a que todos nós estamos sujeitos na vida sexual. Ah! Como eu ficarei feliz no dia em que me defrontar com amigos trocando receitas de como colocar a camisinha de um jeito mais prazeroso ou dando dicas de práticas sexuais que evitam a possibilidade de infecção… Imaginem que atitude saudável a família dar camisinhas de lembrancinha do aniversário!!! Uma verdadeira festa para os meus olhos!

A vacina contra o HPV está por um triz de cair no conceito popular como algo nocivo. Nós, educadores, temos a obrigação de não deixar que isso aconteça! Como disse, a vacina contra o HPV (papiloma vírus humano) foi uma grande conquista para a prevenção dessa doença, que é uma das principais responsáveis pelos casos de câncer de colo do útero, um tumor frequente na população feminina e a segunda causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.

Conseguimos incluir a vacina no calendário nacional de imunizações, mas é preciso continuar falando sobre ela. Não ignore o assunto em sua escola, ao contrário! Converse com os pais e com seus alunos. Traga o tema à tona, perguntando suas opiniões e esclarecendo as dúvidas que aparecerem.


Nova Escola


sábado, 1 de junho de 2013

Casal homossexual consegue registro de dupla maternidade na Justiça do RS


As mulheres conceberam a criança por meio de uma fertilização assistida na qual as duas participaram do processo

Num final de tarde ensolarado em meados de janeiro, Nina, de apenas quatro meses, é levada a um parque por duas jovens mulheres para passear. Atraída pelos grandes olhos azuis da criança, uma senhora se aproxima e, após elogiar a menina, pergunta:

— Vejo vocês aqui frequentemente com esta criança, quem é a mãe?

— Nós duas somos as mães — responde uma delas.

A senhora, num misto de perplexidade e dúvida, sorri e se afasta.

A resposta não foi mera força de expressão. Nina tem, sim, duas mães biológicas. Foi gerada através de uma reprodução assistida. Os óvulos de uma das mulheres foram fecundados in vitro com sêmen e, em seguida, implantados no útero de sua companheira. Casos como esse ainda são raros no Brasil, e os empecilhos legais para registrar a dupla maternidade/paternidade dificultam ainda mais o processo.

Mas a conquista de direitos para casais homoafetivos tem encorajado muitos a optar por essa alternativa. Segundo o último censo do IBGE, realizado em 2010, pelo menos 60 mil famílias se declararam homoafetivas. As mulheres são maioria nesses arranjos e respondem por 53,8% dos casais homossexuais.

A menina dos olhos azuis, hoje com oito meses, brinca ao pular do colo de uma mãe para o da outra. Fruto do relacionamento da irlandesa Emma Kennedy, 38 anos, com a psicóloga Agatha Dall'Igna, 31 anos, gaúcha nascida em Porto Alegre. Elas se conheceram há cinco anos em Londres, para onde estão retornando após um ano morando no Brasil. Agatha estava na Inglaterra para fazer um mestrado em psicologia social. Emma já vivia lá há mais de uma década e trabalhava como enfermeira psiquiátrica.

Se foi amor à primeira vista? Elas dizem que sim. Tanto que, poucos meses depois, já estavam morando juntas. Em 2011, resolveram oficializar a união e começaram a fazer planos para constituir uma família. Junto com os sonhos, surgiram os impasses legais.

Inseminação em Minas

A primeira etapa foi fazer o registro da união na Inglaterra. Lá, o casamento entre pessoas do mesmo sexo ainda não está aprovado legalmente, mas a união civil, que concede os mesmos direitos ao casal, sim.

— Quando contei para minha família sobre o casamento e planos futuros, ela aceitou muito bem. Sou muito sortuda nesse aspecto — conta Agatha.

A aceitação também foi tranquila por parte da família de Emma. Antes de casarem, ambas viajaram à Irlanda para anunciar a decisão.

Para comemorar, fizeram uma festa na capital gaúcha, em dezembro do mesmo ano. No Brasil, já com a ideia de ter filhos, elas também oficializaram a união por escritura pública. No país não há lei sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo. Entretanto, desde 2011, quando o Supremo Tribunal Federal reconheceu, por unanimidade, a equiparação da união estável homossexual à heterossexual, diversos cartórios no Brasil passaram a realizar o registro.

Alguma coisa ainda estava faltando na vida do casal. Foi por isso que elas decidiram conceber uma criança juntas.

A solução que encontraram foi a inseminação artificial em que ambas participam do processo, um procedimento ainda raro entre casais homoafetivos no Brasil.

— O mesmo pode ser feito na Inglaterra, sem tantos obstáculos legais. Apesar das dificuldades, achamos que compensava engravidar aqui para ficar perto das pessoas que nos amam e nos dão todo apoio — explica a psicóloga.

Até maio de 2013, todas as solicitações para o procedimento envolvendo casais homoafetivos deveriam passar pelo Conselho Regional de Medicina, que nem sempre emitia pareceres favoráveis. No Rio Grande do Sul, por exemplo, pouquíssimas solicitações foram aceitas em 2012. Por isso, e por recomendação da médica do casal, resolveram realizar o procedimento em Minas Gerais. Lá, conseguiram com mais facilidade a autorização para fazer a inseminação artificial, efetivada em janeiro de 2012. Se foi sorte ou não, não sabem dizer, mas o que contam com um sorriso no rosto é que o resultado foi positivo na primeira tentativa. Emma descobriu que estava grávida duas semanas depois de ter os embriões implantados em seu útero.

— Nosso sonho era que tivesse um pouquinho de cada uma de nós duas na nossa filha, e realizamos — comemora a irlandesa.

O passo seguinte foi lutar pelo registro da dupla maternidade. Mais uma vez, a falta de legislação dificultou o processo e fez com que as mulheres tivessem que entrar com uma ação judicial para conseguir o direito de registrar a filha com as duas mães.

— Afinal, nós duas somos mães biológicas — argumenta Agatha.

Já prevendo as dificuldades jurídicas, resolveram encaminhar o pedido dois meses antes do nascimento de Nina. Foi com a ajuda das advogadas Mônica Guazzelli e Lúcia Iolovitch, especialistas em Direito de Família, que ingressaram com a ação.

O pedido foi feito inicialmente na Vara dos Registros Públicos, que encaminhou para a Vara de Família. Esta não se disse competente para julgar o caso e o passou para o Juizado da Infância e Juventude. Foi somente lá, e um mês depois do nascimento da filha — ou seja, três meses depois da solicitação —, que conseguiram a autorização para o registro ser feito.

— Parece que a própria Justiça tinha dúvida de quem deveria julgar nosso caso — destaca a psicóloga.

Muita luta pela frente


Hoje, as mulheres comemoram aliviadas. Sabem que ainda terão muitas lutas pela frente, como explicar para a filha sobre suas escolhas e seguir lidando com o preconceito, que existe aqui ou na Inglaterra, de forma mais ou menos explícita.

— Vamos lidar com o fato de nossa filha não ter pai, e as nossas opções serão conversadas com ela da forma mais aberta possível — planeja Agatha.

Na Inglaterra, para onde estão voltando, pretendem seguir uma vida como a de qualquer outra família.

Se os planos continuarem dando certo, logo, logo Nina terá um irmãozinho para dividir o quarto.

A legislação

O Brasil não tem legislação para casais do mesmo sexo. O que existe são decisões do Poder Judiciário que concedem direitos aos homossexuais, mas que ainda geram dúvidas, comenta a ex-desembargadora e especialista em direito homoafetivo Maria Berenice Dias. As resoluções que favorecem a constituição de uma família nestes novos padrões não são totalmente aceitas por juízes de alguns Estados, o que resulta em uma situação de instabilidade para os gays.

— Estamos atrás de muitos países, como Uruguai e Argentina, onde o casamento entre casais do mesmo sexo é lei — destaca a especialista.

Para o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) no Rio Grande do Sul, advogado Conrado Paulino da Rosa, a falta de legislação é consequência de um preconceito que ainda circunda o Poder Legislativo:

— Muitos legisladores não assumem uma postura favorável em relação ao tema por medo de se vincularem demais ao assunto. Enquanto não houver lei sobre isso, uma parcela importante da população fica à margem da sociedade.

Em relação ao restante do país, o Rio Grande do Sul tem muito a comemorar, destaca Paulino da Rosa. O Estado foi pioneiro em decisões a favor dos homossexuais. Foi aqui, por exemplo, onde pela primeira vez a união homoafetiva foi reconhecida como uma entidade familiar.

O casamento


No dia 15 de maio de 2013, o Brasil regulamentou o casamento civil gay. A resolução, aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), passou a obrigar todos os cartórios do país a celebrar casamento entre pessoas do mesmo sexo e a converter união estável em casamento, mesmo não havendo lei no Congresso Nacional sobre o assunto. Para Paulino da Rosa, a decisão do CNJ é mais uma intervenção do Poder Judiciário para garantir os valores de respeito à pluralidade, que começou em 2011 quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável entre casais homossexuais. Atualmente, é possível que casais gays tenham direito a pensão alimentícia, previdência e plano de saúde.

A fertilização assistida

No dia 8 de maio de 2013, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou uma resolução que garante aos casais homossexuais o direito de recorrer à reprodução assistida para ter filhos. A norma anterior, de 2010, previa que qualquer pessoa poderia ser submetida ao procedimento, mas não especificava que casais homossexuais poderiam realizá-lo.

O médico ginecologista Antônio Celso Ayub, um dos coautores da nova resolução, explica que, até então, as clínicas não tinham autonomia para decidir em quais casos o procedimento poderia ser realizado. Os casais homoafetivos tinham que solicitar uma autorização do Conselho Regional de Medicina para se submeter à fertilização. No Estado, muitos pedidos eram negados.

O registro do filho

Casais homoafetivos que desejam registrar um filho, seja por inseminação artificial ou adoção, ainda sofrem dificuldades no Brasil. Maria Berenice Dias, advogada especializada em direito homoafetivo, explica que, nestes casos, os pais da criança devem entrar com uma ação judicial.

— Os homossexuais ainda devem se submeter a um processo judicial que gera custos financeiros e emocionais.

As implicações sociais

Estudos realizados desde a década de 70 em países europeus, Estados Unidos e Canadá mostram que crianças criadas por casais homossexuais não sofrem desvantagens em relação às que crescem em famílias com pais heterossexuais. Para a psicanalista e doutora em Antropologia Social Elizabeth Zambrano, as investigações reforçam a visão de que a família é uma instituição cultural, na qual o que vale são as "funções" exercidas pelos cuidadores da criança, independentemente da sua orientação sexual.

— Os estudos não indicaram diferenças na capacidade de socialização das crianças, no desempenho escolar e na orientação sexual, por exemplo. Isso mostra que os papéis materno e paterno estão além do gênero. São um vínculo muito mais social do que biológico — explica.

Zero Hora

domingo, 17 de março de 2013

Menina inglesa vira menino e se casa com a própria babá. Conheça a história


Jovem de 19 anos aguarda para fazer cirurgia de troca de sexo

O adolescente Bobby Fransis Barnes nasceu uma menina. Mas hoje, aos 19 anos de idade, vive como homem e namora Donna Price, de 31 anos, melhor amiga de sua mãe e babá do rapaz durante a infância. O casal e a mãe de Barnes, Tracey Wood, estiveram em um programa de TV americano nesta semana para contar a história.

R7

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Idosos gays chineses se casam e mostram que não existe idade para amar


Cerimônia foi transmitida em tempo real pela Internet

China - Um casal de idosos gays se casou, nesta quarta-feira, e mostrou que não há limites de idade para o amor. Ambos com 60 anos, eles decidiram transmitir a cerimônia em tempo real por uma rede social semelhante ao Twitter. Uma das curiosidades do casamento inusitado foi a vestimenta de um dos noivos que era composta por um tradicional vestido de noiva, com direito a véu.

A cerimônia contou com a presença de amigos e familiares que assistiram ao casal - apelidado de "pequeno tesouro" e "grande tesouro" - trocarem as alianças. Apenas um fato deixou a festa um tanto quanto triste para os noivos. O filho de um deles não compareceu ao evento por não concordar com o casamento.

Os "pombinhos" se conheceram quando um deles, que é entregador de água, foi levar um garrafão na casa do outro, um professor de história aposentado.

Na China, a homossexualidade é um tema tabu, embora, segundo estimativas, haja cerca de 30 milhões de gays no país. Como a lei chinesa não permite uma união homoafetiva, a cerimônia dos idosos foi simplismente um compromisso privado de união. "Nós estamos determinados a não abandonar um ao outro, a não ser que um de nós venha a morrer. Vamos lutar pelo nosso amor, não importa quão difícil ou doloroso seja", afirmaram os idosos de 60 anos.

Um ativista do Centro LGBT de Pequim declarou que "eles têm uma coragem extraordinária, ainda mais no contexto da cultura chinesa". "É difícil até para jovens homossexuais chineses expressarem abertamente sua orientação sexual", afirmou.

As informações são do Sun.

O Dia Online

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Casal de homossexuais é decapitado e queimado dentro de casa


Cabeças foram encontradas jogadas no meio da rua em uma quadra próxima da residência

Um casal de homossexuais foi decapitado e queimado dentro de casa na madrugada desta segunda-feira (24) no Pedregal, bairro do Novo Gama (GO), região do Entorno do DF. As informações foram repassadas pelo 5º Comando Regional da Polícia Militar do Estado de Goiás.

A polícia informou que José Dalvalei Alves Pereira, de 37 anos, morava junto com um travesti, identificado até o momento somente como Camila, há mais ou menos um ano. O padrasto de Pereira afirmou que nenhum dos dois tinha envolvimento com drogas, mas que costumavam beber.

Na noite deste domingo (23), o casal teria se envolvido em uma confusão depois de tomar cerveja em um bar da região. A mãe de Pereira também informou que o filho teria recebido ameaças da vizinha nos últimos dias, porque estaria saindo com o marido dela.

Apesar dessas duas denúncias, a polícia prefere trabalhar com a hipótese de que uma terceira pessoa teria ido à casa do casal nesta madrugada e bebido com eles.

O crime aconteceu por volta das 3h na quadra 672 da cidade. Inicialmente, os vizinhos acionaram equipes do Corpo de Bombeiros acreditando que se tratava somente de um incêndio.

No entanto, depois que os homens do resgate chegaram ao local e controlaram as chamas, dois corpos carbonizados sem as cabeças foram encontrados dentro da residência. Horas depois, por volta das 5h, as duas cabeças foram localizadas jogadas no meio da rua em frente a um lote vazio da quadra 668.

A Polícia Civil foi acionada e uma perícia foi realizada para identificar o quê de fato aconteceu nas cenas do crime. Os resultados devem ficar prontos em até 30 dias.

A ocorrência está registrada no Ciops (Centro Integrado de Operações e Segurança) da cidade, que investiga o caso. Até o momento, ninguém foi preso.

R7

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Homossexualidade pode ser influenciada pela epigenética


Pesquisa afirma que a orientação sexual pode estar ligada a marcadores epigenéticos que regulam a sensibilidade à testosterona e são transmitidos de pais para filhas e de mães para filhos

Do ponto de vista evolutivo, o fato de a homossexualidade ser algo bastante comum na sociedade humana, ocorrendo em cerca de 5% da população mundial, é intrigante. Como homossexuais produzem menos prole do que heterossexuais, uma possível variação genética relacionada à homossexualidade dificilmente seria mantida ao longo das gerações. "Isso é muito enigmático a partir de uma perspectiva evolucionária: como a homossexualidade pode existir em uma frequência tão alta a despeito do processo de seleção natural?", diz em entrevista ao site de VEJA Urban Friberg, do departamento de Biologia Evolutiva da Universidade de Uppsala, na Suécia. Friberg, ao lado de William Rice, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, e Sergey Gavrilets, da Universidade do Tennessee, ambas nos Estados Unidos, pode ter encontrado uma resposta: o fator biológico ligado à homossexualidade não estaria na genética propriamente dita, e sim em um conceito conhecido por epigenética. Os resultados foram publicados nesta terça-feira no periódico científico The Quarterly Review of Biology.

A epigenética trata de modificações no DNA que sinalizam aos genes se eles devem se expressar ou não. Esses marcadores não chegam a alterar nossa genética, mas deixam uma marca permanente ao ditar o destino do gene: se um gene não se expressa, é como se ele não existisse.

Essa nova teoria vai ao encontro de outra tese mais antiga, a de que a homossexualidade é definida, ao menos em parte, por um componente hereditário. Pelo menos quatro grandes estudos, publicados em 2000, 2010 e 2011, nos periódicos Behaviour Genetics, Archives of Sexual Behaviour e PLoS ONE, apontam para esse fator na origem da orientação sexual, a partir de estudos com gêmeos monozigóticos (também chamados de idênticos ou univitelinos, produtos da fertilização de um único óvulo) e dizigóticos (também chamados de fraternos ou bivitelinos, produtos da fertilização de dois óvulos diferentes).

Epigenética — Imagine o material genético humano como um manual de instruções. Os genes formariam o conteúdo do livro, enquanto as epimarcas ditariam como esse texto deveria ser lido. "A epigenética altera e regula a forma como os genes se expressam", explica a geneticista Mayana Zatz, do departamento de Genética e Biologia Evolutiva da Universidade de São Paulo (USP). É por meio dos comandos epigenéticos, por exemplo, que o pâncreas fabrica apenas insulina, apesar de as células nesse órgão terem genes para a produção de muitos outros hormônios.

Acreditava-se que os traços da epigenética não eram hereditários, sendo apagados e recriados a cada passagem de geração. Como pesquisas nas últimas décadas mostraram que uma fração de epimarcas é, sim, passada de pais para filhos, Friberg, Rice e Gavrilets julgaram ter encontrado a peça que faltava para montar o quebra-cabeça.

Sensibilidade – Os três criaram um modelo segundo o qual uma dessas epimarcas transmitidas hereditariamente é o marcador responsável por regular a sensibilidade à testosterona de fetos no útero materno. Ao longo da gestação, tanto fetos masculinos quanto femininos são expostos a quantidades variadas do hormônio, sendo que o fator epigenético estudado no artigo torna o cérebro dos meninos mais sensíveis à testosterona quando os níveis estão abaixo do normal. Isso acontece para preservar características masculinas, podendo inclusive influir na orientação sexual. O mesmo ocorre, mas inversamente, com as meninas. Quando a testosterona está acima do normal, a epimarca funciona como uma barreira, diminuindo sua sensibilidade ao hormônio.

A partir desse modelo, a homossexualidade poderia ser explicada pela transmissão de epimarcas sexualmente antagônicas. Ou seja: quando o pai transmite seus marcadores, que tiveram a função de torná-lo mais sensível à testosterona, para uma filha. De igual maneira, esse material hereditário pode ser passado de uma mãe para um filho, tornando-o menos sensível à testosterona.

"Quando os efeitos desse mecanismos (que regulam a sensibilidade à testosterona) não são apagados entre as gerações, eles se expressam na prole do sexo oposto. Isso pode resultar em indivíduos que desenvolvem preferências sexuais pelo mesmo sexo", explica Friberg, da Universidade de Uppsala. "O que fizemos foi colocar pela primeira vez o conceito da transmissibilidade epigenética no contexto de desenvolvimento sexual."

O pesquisador faz questão de ressaltar que ainda não se pode provar que a epimarca específica da sensibilidade à testosterona é hereditária. Para tanto, testes específicos precisarão ser realizados. "Uma grande solidez do nosso estudo é que o modelo epigenético para a homossexualidade faz predições que são testáveis com tecnologia já existente. Se o nosso modelo estiver errado, pode ser rapidamente descartado", escrevem os autores no artigo do The Quarterly Review of Biology.

Outro pesquisador envolvido, Sergey Gavrilets, da Universidade do Tennessee, afirma que mesmo que a teoria da hereditariedade seja respaldada por futuros estudos, o debate está longe de acabar. "A hereditariedade explica apenas parte da variação na preferência sexual. As razões, que podem ser sociais, culturais e do ambiente, permanecerão como um tópico de intensa discussão."

"Estudo positivo" – Carmita Abdo é coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ela destaca que a nova pesquisa é positiva, uma vez que contribui para a melhor compreensão dos fatores biológicos envolvidos na ocorrência da homossexualidade. "O trabalho é importante porque reforça uma ideia cada vez mais prevalente: a de que a genética — no caso a epigenética — tem influência sobre a orientação sexual."

Essa compreensão científica tem sido importante, segundo Carmita, no combate a mitos que envolveram o tema e que alimentaram interpretações preconceituosas. "Até pouco tempo atrás, achava-se que a orientação sexual era proveniente de uma escolha, como se deliberadamente o indivíduo optasse por ser homossexual. Muito do preconceito contra os homossexuais advém daí", afirma, lembrando que até o início dos anos 90 a homossexualidade era tratada como um transtorno de preferência, e não como uma característica. "Observar um fenômeno pelas lentes da ciência muda a compreensão e ajuda a deixar de lado certas discriminações. Nesse caso em particular, você remove da equação a ideia de que o homossexual é responsável por uma opção que muitos veem como negativa, pejorativa."

Ela ressalva, entretanto, que ainda existe muita incerteza no campo e que a orientação sexual precisa ser encarada como produto de vários fatores. "O estudo reforça a ideia segundo a qual existe uma predisposição que vai ser confirmada ou não a partir de uma serie de influências que vão ocorrer ao longo da vida, algumas delas de ordem cultural, educacional e social. Ele não consagra uma interpretação determinista, nem diz que tudo depende dos genes"

"Nosso objetivo é entender como as preferências sexuais se desenvolvem e evoluem"
Urban Friberg
Professor do Departamento de Biologia Evolutiva da Universidade de Uppsala, na Suécia

Qual o principal objetivo da pesquisa?

Assume-se que indivíduos homossexuais produzem menos prole do que heterossexuais. Qualquer codificação genética para homossexuais deveria, portanto, ser rapidamente removida no processo de seleção natural. Apesar disso, a homossexualidade é relativamente comum entre humanos (cerca de 5%). Além do mais, os melhores estudos disponíveis mostram que há um componente herditário na homossexualidade. Isso tudo é muito intrigante de uma perspectiva evolucionária: como a homossexualidade pode existir em frequências tão significativas apesar da seleção contra ela? O objetivo da nossa pesquisa foi simplesmente tentar resolver esse enigma, o que nos ajuda a entender como as preferências sexuais se desenvolvem e evoluem.

Como a mudança de foco de genética para a epigenética pode ser explicada?

Nossa principal contribuição é trazer uma explicação lógica para o porquê de a homossexualidade ser algo tão frequente – e para tanto nós mudamos o foco, como causa da homossexualidade, de genes para epimarcas. Nossa teoria sugere que a homossexualidade é resultado de um mecanismo que ajuda as pessoas a desenvolver a preferência por indivíduos do sexo oposto. Quando os efeitos desse mecanismos (epimarcas) não são apagados entre as gerações, eles se expressam na prole do sexo oposto. Isso pode resultar em indivíduos que desenvolvem preferências sexuais pelo mesmo sexo.

Como a comunidade científica lida com genética e homossexualidade?

Houve diversos estudos nos quais os pesquisadores tentaram encontrar genes associados com a homossexualidade. Tais estudos falharam e nenhum gene foi identificado. O resultado disso tudo é intrigante, uma vez que a homossexualidade tem um componente hereditário. Nossa teoria, porém, é capaz de explicar por que a homossexualidade é tão comum e tem um componente hereditário, sem nenhuma codificação genética para esse traço.

Encontrar uma possível explicação biológica ajuda a combater o preconceito?

Atualmente, algumas pessoas acreditam que a homossexualidade é uma escolha pessoal e que indivíduos homossexuais podem ser ensinados a escolher de forma diferente a sua orientação sexual. Eu acredito que encontrar as raízes da preferência sexual mina tais mitos e ajuda as pessoas a melhor entender e aceitar a homossexualidade

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Homosexuality as a Consequence of Epigenetically Canalized Sexual Develpment.

Onde foi divulgada: The Quarterly Review of Biology

Quem fez: William Rice, Urban Friberg e Sergey Gavrilets

Instituição: Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, Universidade Uppsala e Universidade do Tennessee.

Resultado: O artigo estudou um possível componente hereditário para, a partir de um ponto de vista evolutivo, explicar a homossexualidade. Os três autores montaram um modelo segundo o qual uma marca epigenética (epimarca), que regula a sensibilidade à testosterona em fetos, pode ser transmitida de mãe para filho e de pai para filha e influenciar na orientação sexual.

Veja

sábado, 24 de novembro de 2012

Casais homossexuais brasileiros tendem a ter filhos


Reportagem de VEJA desta semana mostra novo estudo que constata uma das mudanças recentes mais notáveis na sociedade mundial de que o Brasil não ficou de fora: a naturalidade em encarar o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo

Uma das mudanças recentes mais notáveis na sociedade mundial de que o Brasil não ficou de fora é a naturalidade em encarar o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. Estimulados por leis, livros, filmes e novelas que tratam da homossexualidade como um fato da vida, os gays assumem sua orientação sexual sem constrangimento. Há um forte componente de classe nesse fenômeno. Quanto mais ricas e mais instruídas são as pessoas, maior tende a ser entre elas a proporção de casais que se declaram gays. Um estudo feito pelo demógrafo Reinaldo Gregori, de São Paulo, tendo como base os dados do Censo 2010, confirma essa percepção - e revela uma surpreendente taxa de casais do mesmo sexo no Brasil que já têm filhos. Eles são 20%, em comparação com os 16% verificados nos Estados Unidos.

O Censo 2010 foi o primeiro levantamento desse tipo feito no Brasil que tinha no formulário a pergunta sobre o sexo do cônjuge. A resposta era optativa. Ainda assim, cerca de 68 000 pessoas - 0,18% dos casais - declararam ter um parceiro do mesmo sexo. “O censo mostrou que esse novo arranjo familiar está se tornando menos incomum no Brasil”, diz Gregori. É presumível que seja expressivo o número de casais gays que, em 2010, preferiu optar por não revelar sua condição. O censo confirma a tendência de que os casais gays assumidos são mais numerosos entre os níveis sociais mais altos, com escolaridade e renda acima da média brasileira.

Os dados computados pelo demógrafo Gregori mostram que, enquanto apenas 34% dos chefes de família heterossexuais possuem mais de dez anos de estudo, entre os casais homossexuais declarados esse número chega a 67% e seu rendimento médio, de 5 200 reais, é quase o dobro. A musicista Thais Musachi, 26 anos, e a pediatra Luciana Avelar, 38, juntas há cinco anos, encaixam-se perfeitamente nessa amostra, tanto no que se refere à renda e escolaridade quanto na tendência de ter filhos. Elas conseguiram superar as barreiras biológicas à reprodução recorrendo a um banco de esperma. Luciana gestou em seu útero dois embriões. Um deles foi produzido com a junção de um óvulo dela e o espermatozoide doado. O outro óvulo foi retirado de Thais. Elas curtem agora um casal de filhos de 11 meses. Laura é mais parecida com Thais e Lucca lembra mais Luciana. “Para nós, nunca foi importante saber quem gerou quem, nem fizemos exames de DNA para descobrir”, diz Thais, que espera uma permissão judicial para colocar na certidão de nascimento das crianças o seu nome ao lado do de Luciana.

O caminho escolhido por Luciana e Thais para terem filhos é complexo, caro e, portanto, menos frequente. O mais comum é adotar. Mas para homossexuais as dificuldades são maiores do que aquelas enfrentadas por casais heterossexuais. Segundo uma pesquisa do Ibope feita no ano passado, 55% dos brasileiros consideram imprópria a adoção por gays. “A ideia prevalente ainda é que os gays são promíscuos e propensos a abusar sexualmente das crianças”, diz a psicóloga Mariana Farias, autora de livros sobre o assunto. Mariana lembra que a maioria das pessoas acredita erradamente que, por influência da situação doméstica, as crianças adotadas por gays fatalmente se tornarão homossexuais. Conclui Mariana: “São conceitos desmentidos em estudos científicos, mas que continuam a ter forte influência”.

O psicólogo Carlos Henrique da Cruz, 51 anos, e seu parceiro, o professor Wagner da Matta, 49, foram confrontados com toda a carga de preconceito quando tentaram incluir o nome deles no cadastro de adoções em Natal, no Rio Grande do Norte, em 2004. O pedido de inclusão foi negado. “Disseram que nós não poderíamos ser considerados uma família”, conta Cruz. Eles conseguiram seu intento dois anos depois, no Recife, mas pelo cadastro individual feito por Cruz. Desde 2006, são pais de Pérola, 11 anos, e Pétala, 9.


As pesquisas apontam para o fato de que os casais gays não fazem as exigências que, em geral, são colocadas como condição para adotar, entre elas que a criança seja ainda um bebê, sem problemas de saúde e da mesma etnia dos futuros pais. Duas decisões tomadas recentemente pela Justiça também contribuem para aumentar a chance de pessoas do mesmo sexo formarem uma família. Em 2010, o Superior Tribunal de Justiça autorizou a adoção de uma criança por um casal de mulheres. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal aprovou a união estável para os homossexuais. A falta de legislação específica ainda deixa espaço para interpretações diferentes, mas a situação começa a mudar. A enfermeira Cecilia de Avila, de 53 anos, de Uberaba, Minas Gerais, havia colocado apenas seu nome nos pedidos de adoção de dois dos quatro filhos que cria com a artesã Ana Cláudia Santos, 45. Por sugestão do próprio promotor, iniciou os outros dois processos junto com Ana.

Claro que não se pode exigir que todas as pessoas reajam com naturalidade diante de casais do mesmo sexo. Embora as estatísticas mostrem crescimento, esse arranjo ainda é novidade para muitos. Faz parte do cotidiano dos casais homossexuais lidar com doses diversas de estranheza. “Quando saímos os quatro juntos, as pessoas olham com muita curiosidade. Na escola nos apresentamos como pais adotivos, sem maiores explicações. Mas as meninas falam abertamente que têm dois pais e alguns coleguinhas acham que é mentira”, relata Cruz, o pai de Pérola e Pétala. A artesã Ana Cláudia conta que Laura, a filha mais velha, passou por uma situação difícil. “Uma menina disse que não ia mais ser amiga dela por nossa causa. Informamos a diretora, que conversou com a aluna.” Laura, de 10 anos, vive há cinco com suas duas mães e aprendeu a driblar esse tipo de obstáculo. Diz ela: “No começo, sentia um pouco de vergonha, mas hoje eu gosto de contar que tenho duas mães”.


Veja

sábado, 6 de outubro de 2012

Modelo português que castrou jornalista em NY usava testículos como talismã


O modelo português Renato Seabra, 21 anos, que matou e castrou o jornalista Carlos Castro, 65 anos, usava a genitália do ex namorado presa ao pulso como um amuleto, revelou seu advogado nesta sexta-feira (5) em Nova York, onde o crime ocorreu.

“Ele fazia isso para a sua proteção, ele podia sentir o poder”, disse o advogado Rubin Sinis

R7

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Juiz autoriza mudança de sexo de prisioneiro que matou esposa


Um juiz no Estado americano de Massachusetts determinou que um detento transexual e condenado pelo assassinato de sua mulher poderá realizar uma operação de mudança de sexo financiada pelo governo estadual.

Em sua decisão pioneira, o juiz da cidade de Boston Mark L. Wolf comentou que negar a cirurgia ao presidiário que atende pelo nome de Michelle L. Kosilek seria uma forma de preconceito social.

Mas autoridades do setor presidiário vêm se negando a permitir a realização da cirurgia sob o argumento de que ela poderia gerar problemas de segurança.

Kosilek chegou a tentar se castrar e, por duas vezes, a cometer suicídio. Os próprios médicos do Departamento de Correção local já disseram que a cirurgia seria a única solução adequada para o caso de Kosilek.

O detento é sexagenário e seu nome de batismo é Robert Kosilek. Ele estrangulou sua mulher, Cheryl, na cidade de Mansfield, em 1990.

De acordo com o juiz, negar ao detento o direito de realizar a operação seria uma violação da Oitava Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que proíbe punições cruéis e fora do normal.

ProcessoKosilek está cumprindo uma sentença de prisão perpétua. Em 2000, ele processou o Departamento Correcional do Estado devido ao veto à realização da cirurgia.

Em sua decisão, de 127 páginas, o juiz afirmou que ''já é algo amplamente aceito que cirurgias de mudança de sexo podem ser uma necessidade médica para muitas pessoas''.

Ele acrescentou ainda que ''negar os cuidados médicos necessários devido ao medo da controvérsia ou por temor de críticas por parte de políticos, da imprensa e do público não atende a qualquer propósito penal''.


A decisão de Wolf constitui a primeira vez que um juiz nos Estados Unidos decide que uma mudança de sexo é necessária para um prisioneiro que sofre de transtorno de identidade de gênero.

Alguns juízes do Massachusetts e outros Estados americanos vinham tomando decisões nesse sentido, reforçando a crença de que cuidados médicos específicos para presidiários transexuais representam uma exigência constitucional, mas tais determinações vêm também encontrando forte resistência.

No ano passado, um tribunal de recursos que atende a boa parte da chamada região da Nova Inglaterra - formada pelos Estados de Massachusetts, Maine, New Hampshire, Vermont, Rhode Island e Connecticut - aprovou uma decisão de um tribunal de instância inferior que determinava que prisioneiros com transtorno de identidade de gênero pudessem receber tratamento de hormônios.

Ainda no ano passado, um outro tribunal de recursos derrubou uma lei de Wisconsin que impedia tratamento hormonal para presidiários que sofriam dessa desordem.

Em 2010, o Tribunal Tributário dos Estados Unidos determinou que os custos de fornecer hormônios femininos e de realizar cirurgias de mudança de sexo para alguns indivíduos deveria ser financiados pelos governos locais.

BBC Brasil

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Estudo mostra que cada vítima gay é alvo de 3,9 ataques em média

Relatório inédito revela que vizinhos e família são os principais agressores de homossexuais

BRASÍLIA - O governo concluiu seu primeiro Relatório Sobre Violência Homofóbica no Brasil, com um raio X desse tipo de violação ocorrida em 2011. O relatório aponta uma média de 3,9 agressões sofridas por cada uma das vítimas. A vítima não sofre apenas violência física - como socos e pontapés -, mas também psicológica, como humilhações e injúrias. O documento foi produzido pela Coordenação Geral LGBT da Secretaria de Direitos Humanos.

O estudo tem como base os registros de violência contra a população LGBT feitos em serviços de atendimento do governo, como a Central de Atendimento à Mulher, da Ouvidoria do SUS e denúncia efetuadas diretamente nos órgão da Secretaria de Direitos Humanos, vinculada à Presidência da República. O estudo demonstra que as agressões contra essa população são cotidianas, que há um número maior de agressores do que de vítimas e que os homossexuais foram alvos de mais de um ataque. De janeiro a dezembro de 2011, foram denunciadas 6.809 violações contra os LGBTs: 1.713 vítimas e 2.275 suspeitos. Do total das vítimas, 67,5% eram do sexo masculino e 26,4% do feminino. O restante não informou.

Em relação a número de suspeitos superar o de vítimas, o documento conclui o que aparece nos noticiários, que grupos de pessoas se reúnem para espancar homossexuais. Em 2011, ocorreram 18,65 violações de direitos humanos de caráter homofóbico por dia. A cada dia, durante o ano de 2011, 4,69 pessoas foram vítimas. Quanto ao mês de ocorrências, dezembro aparece em primeiro lugar, com 19,4% das violações, seguido por outubro (14,8%) e novembro (13,6%). Nesse período, ocorreram as conferências municipais e estaduais LGBTs.

Nas denúncias feitas aos órgãos públicos, apenas 42% foram de iniciativa das próprias vítimas; em 26,3% dos casos o denunciante não conhecia a vítima e em 5% tratava-se de familiares, principalmente filhos e irmãos.

Por orientação sexual, a grande maioria das vítimas, 85,5%, se apresentou como homossexual; 9,5% bissexuais e 1,6% heterossexuais. Em relação a raça e cor autodeclarada, 51,5% das vítimas são negros (pretos e pardos) e 44,5% são brancos.

Entre os agressores, prevalecem os familiares (38,2%) e os vizinhos (35,8%). Entre os familiares, as mães agridem mais os filhos que os pais. Sobre o local da violência: 42% acontecem em casa - da vítima e do suspeito - e na rua, 30,8%. Quanto ao tipo de violência, a psicológica é a de maior incidência,com 42,5%, seguidas de discriminação (22,3%), da violência física (15,9%). Entre os tipos de violência psicológica estão as humilhações, hostilizações e ameaças.

O relatório conclui que a homofobia atua de forma a desumanizar as expressões de sexualidade divergentes da heterossexual, atingindo a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em todos os níveis e podendo ser encontrada nos mais diversos espaços, desde os institucionais até o nível familiar.

"Os dados denunciam que a sociedade brasileira ainda é extremamente sexista, machista e misógina. Os números que apresentam a maioria dos agressores como do sexo masculino atestam o quanto a masculinidade construída socialmente sente-se ameaçada por outras vivências da sexualidade. O quanto tudo o que foge da heteronormatividade é visto como doentio, criminoso ou que necessita de “correção”. E a “correção”, “cura” ou “pena” desse indivíduo “não-humano” se dá de forma violenta e com a anuência social, às vezes explícita e outras implícita".

O documento constata que homofobia pode ser mais sentida por jovens e por negros e pardos, o que corrobora estudos que revelam que essa população é a mais atingida pela violência. "Entendemos que o maior número de jovens vítimas da violência homofóbica pode estar associada ao fato de esses jovens negarem-se às restrições impostas pelos guetos LGBT. Aqueles espaços restritos a população LGBT já não atendem aos anseios dos jovens LGBT, eles já ocupam as ruas de diversas capitais brasileiras e não têm receio de demonstrar afeto publicamente".

O Globo

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Advogado afirma que Bruno e Macarrão tinham relacionamento homossexual


Ex-goleiro confirmou, nesta segunda-feira (9), ser o autor de carta divulgada no fim de semana

O ex-goleiro Bruno Fernandes e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, tinham um relacionamento homossexual. A afirmação foi feita pelo advogado de defesa do ex-jogador, Rui Pimenta, no início da tarde desta segunda-feira (9), após o encontro do defensor com o jogador na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Ele afirmou ainda que Eliza Samudio não apenas sabia do relacionamento amoroso dos dois, como também participava de relações sexuais com ambos.

— Um é o homossexual ativo, é o que gosta de ter relação com o passivo, é o que gosta de introduzir. No caso, o Bruno seria o ativo e o passivo seria o Macarrão. Acontece que ela (Eliza) participava de orgias com os dois.

O defensor disse ainda que a carta, revelada pela revista Veja no último sábado (7), teria a ver com esse relacionamento homossexual. Segundo Pimenta, Bruno confirmou que é o autor do texto, endereçado ao amigo. A estratégia de revelar a existência de uma relação amorosa entre Bruno e Macarrão é defendida por Pimenta desde quando assumiu o caso, no fim do ano passado.

O advogado afirmou que durante o encontro com o ex-goleiro, o ex-jogador revelou também o que estaria escrito no final da carta. O trecho, que foi rasurado, se refere a uma suposta traição de Macarrão a Bruno e isso significaria o término da amizade.

— Ele escreve que se não fosse aprovado o plano citado, o plano B, ele se via desvinculado da amizade do Macarrão, pelo fato de ele (Bruno) ter sido traído quando mandou que levasse ela (Eliza) para a rodoviária e ele a levou para o Bola, e sumiram com ela.

O advogado de defesa de Macarrão, Leonardo Diniz, afirmou que não irá se pronunciar sobre a reportagem da revista Veja nem sobre as declarações de Rui Pimenta por, segundo ele, não terem relação com os autos. Ele disse que irá tomar as providências judiciais cabíveis.

A Secretaria de Estado de Defesa Social afirmou que está apurando a informação de que a carta de Bruno teria sido interceptada por um agente penitenciário.

Carta

A revista Veja divulgou, no último sábado (7), uma carta escrita pelo ex-goleiro Bruno Fernandes, em que ele supostamente pede para o amigo Macarrão assumir a culpa pelo desaparecimento e morte de Eliza Samudio. No documento ele cita a existência de um "plano B", mas não dá detalhes sobre o significado da expressão.

De acordo com o advogado de defesa de Bruno, Rui Pimenta, o pedido é "juridicamente impossível", já que mesmo que Macarrão assumisse o crime, o ex-goleiro teria de ir a júri.

— O teor da carta, para mim, não é muito significativo, me parece mais tratar de um relacionamento homossexual entre eles, conteúdo sentimental mesmo. A revista parece ter interpretado de forma equivocada, para fazer tumulto com a imagem do Bruno.

O ex-goleiro escreveu: "Eu, sinceramente, não pediria isso pra você, mas hoje não temos que pensar em nós somente! Temos uma grande responsabilidade que são nossas crianças, então, meu irmão, peço que pense nisso e do fundo do meu coração me perdoe, eu sempre fui e sempre serei homem com você". Bruno ainda pede perdão várias vezes ao amigo.

A versão original da carta está atualmente com a Secretaria de Defesa Social (SEDS) do Estado. A revista teria tido acesso a uma cópia do texto por meio de um agente penitenciário que não foi identificado.

Pimenta ressalta que, embora a publicação tenha afirmado que o texto é verdadeiro "não é informado qual perito analisou a carta para comprovar a autenticidade dela".

— A estratégia do "plano B" parece mais se tratar do término da relação, uma questão interna deles. Não há elementos ali que apontem para o caso do desaparecimento da Eliza.

Dois anos na cela

Bruno Fernandes completou dois anos de prisão no último sábado (7). A Justiça de Contagem concedeu a liberdade condicional ao goleiro em relação ao processo que foi condenado, no Rio de Janeiro, por agressão e cárcere privado de Eliza. Mesmo assim, ele continua detido devido ao mandado de prisão referente ao assassinato da jovem.

R7

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Turistas gays poderão casar em Buenos Aires, mas Brasil não reconhecerá uniões


Os casais de turistas estrangeiros gays poderão se casar na cidade de Buenos Aires, de acordo com medida anunciada, nesta quinta-feira, pela prefeitura da cidade. No entanto, segundo diplomatas do Consulado do Brasil na capital argentina, estes casamentos não serão válidos no Brasil.

"Juridicamente, não existe o casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil e por isso o casamento entre turistas brasileiros aqui em Buenos Aires não será reconhecido", disseram à BBC Brasil.

A medida argentina permite que os turistas estrangeiros se casem nos cartórios da capital cinco dias após terem realizado o pedido formal para o casamento, indicando um hotel como endereço provisório na cidade.

"A resolução prevê que qualquer estrangeiro ou estrangeira, independente de sua orientação sexual, que esteja de passagem ou more na Argentina, poderá celebrar o casamento (na cidade)", afirma o documento divulgado pela assessoria de imprensa do prefeito Maurício Macri.

A prefeitura diz ainda que a possibilidade de casamento para turistas está baseada na constituição nacional e em leis de migração.

De acordo com o governo da cidade, a Direção Geral de Registro de Estado Civil e Capacidade das Pessoas orientará os cartórios para que recebam os estrangeiros "sem nenhum tipo de discriminação" (em relação aos argentinos).

Para se casar, o turista estrangeiro vai precisar apenas de um comprovante do local onde está hospedado, o passaporte ou carteira de identidade e informações sobre o período em que permanecerá na cidade.

Casal paraguaio
No último mês de março, um casal de turistas paraguaios homossexuais foi o primeiro a se casar na Argentina, na cidade de Rosário. Simon Cazal e Sergio López se beneficiaram da medida que havia sido aprovada por autoridades rosarinas.

Presidente da entidade paraguaia Somosgay, Cazal disse que espera que o casamento seja reconhecido em breve pela lei de seu país. "Estamos emocionados. Este é um momento único", disse ele após a cerimônia em Rosário.

A Argentina foi, em 2010, o primeiro país da América Latina a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A decisão do governo da cidade de Buenos Aires prevê ainda que turistas heterossexuais também possam se casar nos cartórios locais.

Neste caso, segundo o Consulado do Brasil, o casamento será reconhecido pelas leis brasileiras. "Pela legislação brasileira, um dos cônjuges deve ser brasileiro e o casamento, registrado no consulado para ser reconhecido no Brasil", afirmaram.

Na semana passada, o Congresso Nacional argentino aprovou a Lei de Identidade de Gênero, que prevê que pessoas transsexuais possam mudar seus nomes nos documentos de identidade e na certidão de nascimento, além de ter acesso à rede pública de saúde para realização de cirurgias de mudança de sexo.

A medida foi considerada "um avanço dos direitos humanos" por entidades que reúnem transsexuais, como a Associação de Travestis,Transsexuais e Transgêneros da Argentina (ATTTA), a maior do país.

BBC Brasil

domingo, 11 de março de 2012

Inglês se torna 'mãe', mas perde o parceiro


Thomas Beatie (leia a história aqui) não é um caso isolado. A Inglaterra também tem uma história de "homem grávido"...

Jason, de 24 anos, tomou um susto quando o seu parceiro o acordou às 7h para dizer que estava "grávido".

Ele esfregou os olhos e viu Paul agitando um teste de gravidez no ar.

"Você vai ser papai", disse Paul, legalmente reconhecido como do sexo masculino.

Paul nasceu mulher, mas se tornou "homem" após terapia hormanal. Entretanto ele não perdeu a capacidade de engravidar.

"Quando ele me acordou àquela manhã foi um grande choque. Fiquei em pânico e com medo. Pensei que crianças fossem algo para um futuro mais distante, não seis meses após nos conhecermos", contou Jason, segundo reportagem do "Sun".

Jason e Paul se conheceram em um pub. Até o segundo encontro, Jason não sabia que Paul havia nascido mulher.

A filha de Paul e Jason nasceu ano passado. Mas com o nascimento, a relação chegou ao fim.

"O fato de Paul não estar recebendo testosterona durante a gravidez fez com que ele se tornasse cada vez mais uma mulher. Os seios cresceram, ele ficou inchado e até começou a ter um cheiro diferente", contou Jason.

Era o fim da linha para os dois. Jason, entretanto, diz ser um orgulhoso pai. Ele não deixa de visitar a filha.

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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Meninos são aliciados para virar transexuais em SP


Tráfico de adolescentes para prostituição começa nas redes da internet

SÃO PAULO - Magra, cabelos compridos, short curto. M., 16 anos, abre o sorriso leve e ingênuo dos adolescentes quando perguntada se pode dar entrevista. Poderia ser uma das milhares de meninas que sonham com as passarelas. Mas não é. O relógio marca 1h de sexta-feira. M. é um garoto e está na calçada, numa das travessas da Avenida Indianópolis, conhecido ponto de prostituição de travestis e transexuais, escancarado em meio a casas de alto padrão do Planalto Paulista, na Zona Sul de São Paulo. A poucos passos, mais perto da esquina, está K., também de 16 anos.

— Sou muito feminina. Não tem como não ser mulher 24 horas por dia — diz K.

M. e K. são a ponta do novelo que transformou São Paulo num centro de tráfico de adolescentes nos últimos cinco anos. Meninos a partir de 14 anos são aliciados no Ceará, no Rio Grande do Norte e no Piauí e, aos poucos, são transformados em mulheres para se prostituírem nas ruas de São Paulo e em países da Europa. Misturados a travestis maiores de idade, eles são distribuídos em três pontos tradicionais de prostituição transexual em São Paulo: além da Indianópolis, são encaminhados para a região da Avenida Cruzeiro do Sul, na Zona Norte, e Avenida Industrial, em Santo André, no ABC paulista.

O primeiro contato é feito por meio de redes de relacionamento na internet. Uma simples busca por “casas de cafetina” leva os garotos a perfis de aliciadores, que são homens, mulheres e travestis. Após o primeiro contato, pedem que o adolescente encaminhe uma foto por e-mail, para que seja avaliado. Se for considerado interessante e “feminino”, eles têm a passagem paga pelos aliciadores. Ao chegar a São Paulo, passam a morar em repúblicas de transexuais e a serem transformados. Recebem inicialmente megahair e hormônios femininos. Quando começam a faturar mais com os programas nas ruas, vem a oferta de prótese de silicone nos seios. Os escolhidos para ir à Europa chegam a ser “transformados” em tempo recorde, apenas cinco meses, para não perder a temporada na zona do euro.

É fácil identificar os adolescentes recém-chegados. Além do corpo típico da idade, eles têm seios pequenos, produzidos por injeção de hormônios, e megahair. Testados inicialmente na periferia, os meninos são distribuídos nos pontos de prostituição de acordo com a aparência. Os considerados mais bonitos recebem investimento mais alto e vão trabalhar na área nobre da cidade. Na Avenida Indianópolis, recebem R$ 70 por um programa no drive in e R$ 100 se o programa for em motel. Nos outros dois endereços, o valor é bem mais baixo: entre R$ 30 e R$ 50 no drive in e R$ 70 a R$ 80 em motel.

Menores evitam ruas principais

Não faltam interessados. A partir de 17h, homens na faixa de 30 a 50 anos aproveitam o fim do expediente para, antes de seguir para casa, fazer programas rápidos com os transexuais na Indianópolis. Um furgão preto, com insulfilme, faz o transporte de vários transexuais. Mas, nesse horário de maior movimento, dificilmente os menores ficam à vista nas calçadas.

Por existirem há décadas, os pontos de prostituição de travestis são vistos com naturalidade pelos moradores de São Paulo. Afinal, se prostituir não é crime. Por isso, a rede criminosa se mistura aos transexuais mais antigos. Assim como eles recebem a proteção da Polícia Militar para não serem agredidos por grupos homofóbicos, os novos fios do novelo se entrelaçam, dando à rede de tráfico internacional de adolescentes o mesmo aparato de segurança e legalidade que é dado aos transexuais ditos “independentes”.

Em geral, os transexuais adolescentes ficam nas travessas, atrás dos grupos de maiores de idade, que ficam quase nus e são extremamente expansivos. Pacíficos, os dois grupos convivem bem com a vizinhança, exceto pelo constrangimento proporcionado pelos mais velhos (acima de 25 anos) sem roupa ou exibindo partes íntimas ou siliconadas.

Os adolescentes são mais discretos, menos siliconados e “montados”. A aparência de menina é mais natural. Os implantes de silicone nos seios são menores, num apelo direcionado aos pedófilos. Eles usam saias e shorts curtinhos, como M. e K., e podem ser facilmente confundidos com meninas.

Como na Indianópolis prostitutas e travestis dividem espaço, clientes são surpreendidos pela nova leva de jovens vindos de outros estados, de aparência cada vez menos óbvia.

Y., 19 anos, é um dos transexuais que fazem aumentar a confusão. Aos 15, foi levado a São Paulo pela rede de prostituição e pedofilia.

— A cafetina viu que eu era feminina e que ganharia muito dinheiro. Minha mãe assinou autorização para eu viajar, e vim de avião. Ficou preocupada, como toda mãe, mas deixou — conta.

Inicialmente, foi levado a trabalhar na Avenida Industrial, em Santo André, no ABC paulista. Pagava R$ 20 pela diária na república, sem almoço.

— Quem não tivesse os R$ 20 tinha de voltar para a rua, não entrava enquanto não conseguisse — diz ele.

Mesmo sem ter sido transformada, já chamava atenção. Logo começou a faturar R$ 250 por dia. Aos 16 anos, recebeu “financiamento” para colocar prótese de silicone no seio. O implante foi feito por cirurgião plástico. Custou R$ 4 mil, mas Y. teve de pagar R$ 8 mil à cafetina, pois não tinha dinheiro para quitar à vista.

Y. diz que aceitou porque queria ficar feminina logo. Neste mercado, os seios são vistos como principal atributo. Quanto mais aparência de mulher, mais os clientes pagam. Agora, a jovem mora sozinha num flat e paga seu aluguel. Diz que divide o espaço da avenida tranquilamente e já não deve nada a ninguém. Faz entre seis e 10 programas por noite, afirma, enquanto lança olhares às dezenas de carros que passam rente à calçada, não se sabe se por curiosidade ou atração fatal.

O Globo

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Diretor cria banheiro exclusivo para homossexual em colégio de Londrina


Colégio no interior do PR também disponibilizou o banheiro dos professores.
AGLBT desaprovou medida e vai encaminhar ofício a Secretaria de Educaçã
o.

A partir deste ano, o colégio estadual Vicente Rijo, em Londrina, terá um banheiro exclusivo para alunos homossexuais. O assunto dividiu opiniões nesta quarta-feira (8), primeiro dia de aula. O colégio destinou um banheiro que era pouco usado e outro, que até então, era exclusivo dos professores.

A medida, segundo o diretor Donizetti Brandino, foi adotada porque alunos reclamaram de constrangimento no sanitário masculino e foi aprovada pelo Conselho Escolar.

Um estudante de 17 anos que não quis se identificar afirmou que aprova a medida. “Meninos ficam olhando com cara feia”, afirmou o jovem. Ele contou que em 2011 uma inspetora do colégio o flagrou dentro do banheiro feminino e o encaminhou para a direção do colégio. O rapaz disse também que foi pedido para que ele usasse o banheiro dos professores para evitar constrangimentos para as meninas.

Na avaliação dos professores e da direção da escola, a medida não é discriminatória e não visa isolar os homossexuais, mesmo assim, afirmam que não pretendem estimular que mais alunos utilizem os banheiros já denominados de alternativos. “O nosso objetivo é a educação. É conscientizar para que essas realidades possam ser trabalhadas de forma que todos tenham direitos”, declarou o diretor Donizetti Brandino.

A opinião, entretanto, não é compartilhada por Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (AGLBT). Segundo ele, ainda que tenha sido para beneficiar os homossexuais, a atitude representa uma solução simplista que não se aprofunda na questão do respeito.

“Nós queremos uma escola inclusiva que respeita a diversidade na biblioteca, na sala de aula e banheiros”, disse o presidente da AGLBT que também é doutor em educação. Toni Reis afirmou ainda que é preciso sensibilizar a comunidade escolar e capacitar os profissionais para que haja o entendimento de respeito a individualidade. “Não podemos fazer essa segregação”.

Flávio Arns, secretário estadual de Educação, disse desconhecer a existência banheiros alternativos para homossexuais nas escolas e vê com cautela a medida. “Consideramos completamente desnecessário. Não é importante, não é necessário. Nós temos, sim, criar na escola um clima de respeito à diversidade”, disse o secretário.

Ainda nesta quarta-feira, a AGLBT vai encaminhar um ofício para a Secretaria Estadual de Educação solicitando uma intervenção na escola londrinense. A ideia, de acordo com Reis, é suspender a medida e evitar que ela seja replicada em outras unidades de ensino. Caso o pedido não seja atendido, a Associação pretende recorrer ao Ministério Público (MP).

G1

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Grupos de defesa dos homossexuais promovem 'beijaço' na Zona Sul de SP


Ato aconteceu em frente a lanchonete na Rua Vergueiro nesta tarde.
Casal gay foi repreendido por funcionário sábado passado (28) no local
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Grupos em defesa dos direitos dos homossexuais promoveram ‘beijaço’ em frente a lanchonete na Rua Vergueiro, na Zona Sul de São Paulo, na tarde deste sábado (4). No sábado passado (28), o jornalista Marcelo Hailer, de 29 anos, e o estudante Eros Prado, de 19, foram repreendidos durante um beijo por um funcionário do estabelecimento, que alegou que se tratava de um “ambiente familiar". Marcelo fez registro do ocorrido no sistema online da CADS (Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual) (Foto: Cris Faga/AE/AE)

G1

domingo, 29 de janeiro de 2012

Cartunista vai à Justiça para ter direito de usar banheiro feminino


Em uma noite de terça, uma senhora entra no banheiro feminino da Real Pizzaria e Lanchonete, na zona oeste de São Paulo. Ela veste uma minissaia jeans, uma blusa feminina listrada, meia-calça e sandália.

Momentos depois, é proibida de voltar ao banheiro pelo dono do estabelecimento. Motivo: uma cliente, com a filha de dez anos, reconheceu na senhora o cartunista da Folha Laerte Coutinho, 60, que se veste de mulher há três anos.

Ela reclamou com Renato Cunha, 19, sócio da pizzaria. Cunha reclamou com Laerte. Laerte reclamou no Twitter. E assim começou a polêmica. O caso chegou ontem à Secretaria da Justiça do Estado.

A coordenadora estadual de políticas para a diversidade sexual, Heloísa Alves, ligou para Laerte e avisou: ele pode reivindicar seus direitos. Segundo ela, a casa feriu a lei estadual 10.948/2001, sobre discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero.

Proibido de entrar no banheiro feminino, mesmo tendo incorporado as roupas de mulher ao dia a dia, Laerte diz que pretende acionar a lei.

Ele conta que, avisado pelo dono, tentou argumentar com a cliente. "Até brinquei e passei para a minha personagem Muriel e disse: mas sou operado! E ela: mas não é o que você diz por aí."

Laerte, que se define como alguém "com dupla cidadania", diz que passou a usar o banheiro feminino após aderir ao crossdressing (vestir-se como o sexo oposto) e se "consolidar" como travesti, mas não tem preferência por um banheiro específico.

"É uma questão de contexto, de como estou no dia. Não quero nem ter uma regra nem abrir mão do meu direito", disse o cartunista.

Cunha, o sócio da pizzaria, diz que não sabia da "dupla cidadania" do cartunista nem que o caso iria gerar polêmica.

"Eu nem sabia o que era crossdressing. Houve a confusão, e no final eu cometi esse erro de falar: se o senhor puder usar o banheiro masculino, por favor." Ele diz que se arrependeu do pedido.

Ontem, a proibição gerou comentários e dividiu usuários das redes sociais. A discussão ganhou apoio entre associações de travestis e transexuais.

Segundo Adriana Galvão, presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia da OAB-SP, não há lei específica sobre o tema.

Folha OnLine

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Nigéria pretende endurecer leis contra gays



















4 de prisão, endurecendo a legislação contra homossexuais no país.Legisladores nigerianos preparam uma proposta de lei que condena casais gays que vivem juntos a 14 de prisão, endurecendo a legislação contra homossexuais no país.

A Anistia Internacional disse que a medida ameaça os direitos humanos básicos de um grande número de nigerianos.


O senador Ahmed Lawan afirma que se o casamento gay fosse liberado, a população diminuiria muito portanto a lei é para a proteção da humanidade.


Atos homossexuais já são ilegais na Nigéria e na semana passada o Senado já vetou por ampla maioria uma proposta para legalizar o casamento de pessoas do mesmo sexo.


BBC Brasil

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