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sexta-feira, 7 de agosto de 2015
Acne, sexo demais e outras curiosas razões pelas quais homens indianos pedem divórcio
A Índia tem uma das menores taxas de divórcio do mundo, mas fins de casamento têm se tornado mais comuns.
Especialistas dizem que a maioria dos casos de divórcio no país ocorrem por razões citadas legalmente como "abuso" ou "crueldade". Mas o que constitui tal abuso é objeto de debate, especialmente na hora de avaliar os danos psicológicos causados a alguma das partes durante o casamento.
A Corte Suprema indiana estabelece que não existem parâmetros fixos para determinar a chamada crueldade mental. E, por causa das amplas definições legais para isso, tribunais indianos acabaram tendo de analisar uma série de interpretações bizarras sobre o que constitui o abuso psicológico.
E os exemplos são curiosos.
'Festeira'
Na semana passada, a Alta Corte de Mumbai reverteu a decisão de uma vara de família no caso de um marinheiro que, em 2011, obteve divórcio alegando que sua mulher ia a muitas festas. E que isso era uma forma de abuso.
A corte decidiu que o homem também gostava de sair e que, por isso, não teria sido submetido a alguma forma de crueldade. O juiz, M.L. Tahaliyani, disse ainda que "o ato de socializar é permitido na sociedade moderna".
'Máquina sexual'
Mulher foi acusada de abusar do marido por causa de seu grande apetite sexual
Um casamento sem sexo é um motivo global para divórcios. Mas, no ano passado, um homem em Mumbai pediu a separação com base no argumento de que sua mulher queria "transar demais".
Na petição, o homem disse que sua mulher tinha um apetite sexual incontrolável desde que tinham se casado, em 2012. E alegou ter sido forçado a manter relações sexuais mesmo quando estava doente - segundo ele, a mulher ameaçava transar com outros homens quando ele se recusava a atender seus desejos.
O homem disse que o "comportamento cruel e autocrático" da esposa tornou difícil a convivência. O tribunal decidiu em seu favor e concedeu o divórcio, depois de a mulher não comparecer à audiência para rebater as acusações.
'Polícia da moda'
Homem alegou que o senso 'fashion' da mulher o incomodava
Outro caso bizarro em Mumbai, mas dessa vez o argumento apresentado por um marido em busca de divórcio foi que o vestuário de sua mulher era uma forma de crueldade.
O homem, casado desde 2009, ficou angustiado pela decisão de sua mulher de não usar trajes tradicionais indianos, e sim saias e calças jeans para ir trabalhar. Um vara de família concedeu o divórcio, mas a Alta Corte derrubou o veredito no ano passado.
"A porta da crueldade não pode ser escancarada. Do contrário, o divórcio teria que ser concedido em todos os casos de incompatibilidade de gênios", disse o juiz.
'Trauma' da acne
Tribunal aceitou reclamação de que mulher 'escondeu' que tinha problema sério de acne
Casamentos arranjados são comuns na Índia, e em 2002 um homem conseguiu a anulação do seu com o argumento de ter ficado traumatizado com a acne de sua mulher. Em sua petição, o homem disse que as espinhas e cravos no rosto da mulher até o tinham impedido de "consumar" o matrimônio, em 1998.
Um tribunal de Mumbai deu ganho de causa ao homem, observando que, embora a condição da mulher fosse um problema para ela, era também traumática para o marido. A corte considerou ainda que a "mulher enganou o homem ao não revelar que tinha uma doença de pele".
Isso mesmo depois de um parecer do médico da mulher, estabelecendo que a condição era tratável e não afetaria a vida sexual do casal.
'Hospitalidade hostil'
Recusa em fazer chá para os amigos teria 'humilhado' o marido
Em 1985, um tribunal na cidade de Allahabad manteve a decisão de uma vara de família local de conceder divórcio a um homem que disse ter sido vítima de abuso psicológico pela mulher.
Ele teria se sentido humilhado quando sua mulher se recusou a fazer chá para ele e seus amigos.
As charges são de autoria de Kirtish Bhatt, da BBC Hindi
Fonte: BBC Brasil
sábado, 21 de janeiro de 2012
Participação excessiva da mulher na vida social do homem pode estar ligada à disfunção erétil
Eles também tendem a perder o desejo e o interesse pelas parceiras
RIO - Homens cujas namoradas se dão muito bem com seus amigos sofrem na cama, afirmam cientistas. Um estudo realizado pela Cornell University descobriu que homens mais velhos que passam a maior parte de suas vidas sociais ao lado das parceiras são mais propensos a sofrer de disfunção erétil.
O fenômeno foi apelidado de "parceira de intermediação" - quando a parceira está sempre entre o homem e seus amigos. Cerca de 25% dos homens pesquisados passam pelo problema.
-Homens que convivem com uma 'parceira de intermediação' nas relações amorosas são mais propensos a ter problemas para obter ou manter uma ereção e também costumam ter mais dificuldades em atingir o orgasmo durante o sexo - comentou em entrevista ao "Daily Mail" Benjamin Cornwell, que realizou o estudo com Edward Laumann, da Universidade de Chicago.
Explica-se. Os cientistas dizem que esse tipo de relação míngua a sensação de autonomia e privacidade, que são centrais no conceito tradicional de masculinidade. Eles afirmaram que mulheres que tentam administrar a vida social do marido também podem vir a acumular problemas para si mesmas.
Os pesquisadores americanos também descobriram que homens que não têm muito tempo livre para passar com seus próprios amigos podem se sentir menos atraídos pelas parceiras. E disseram que não há nada de errado com a esposa fazer a maior parte da organização de suas atividades sociais conjuntas - já que as mulheres tendem a ser mais organizadas.
Mas eles afirmam que reduzir o contato com os amigos ao ponto de toda a socialização ser feita em conjunto pode ser perigoso. E sugerem que as mulheres devem encorajar seus maridos a passar mais tempo sozinhos com os amigos homens.
- A questão chave é se esse comportamento das mulheres reduz o contato dos homens com seus amigos enquanto aumenta o delas - por exemplo, se ela altera a programação dele ao ponto de seu contato com os amigos ocorrer cada vez mais no contexto de jantares com amigos - acrescentou o Professor Benjamin Cornwell, da Cornell University.
Os estudiosos analisaram dados do Projeto Nacional de Vida Social, Saúde e Envelhecimento, uma pesquisa de 2005 com três mil pessoas em Chicago, com idade entre 57 e 85 anos.
Edward Laumann, professor de sociologia da Universidade de Chicago, completou:
- O homem precisa ter alguém para conversar sobre as coisas que importam para ele - seja futebol, política, carro ou qualquer outro tema de seu interesse ou mesmo preocupação que ele queira dividir com os amigos
O Globo
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Preconceito social faz famílias afegãs criarem meninas como meninos
Quando Azita Rafhat, uma ex-parlamentar afegã, prepara as suas filhas para a escola de manhã, ela veste uma delas de forma diferente.
Três meninas usam roupas brancas e cobrem seus rostos com véus. Mas Mehrnoush, a quarta menina, veste terno e gravata. Na rua, Mehrnoush não é mais uma menina, e sim um rapaz chamado Mehran.
Azita Rafhat não teve filhos homens, e para evitar as provocações que famílias assim sofrem no Afeganistão, ela tomou a decisão radical de mudar a criação de Mehrnoush.
Esse tipo de atitude não é incomum no país. Existe até mesmo um termo – Bacha Posh – para meninas que são vestidas como garotos.
"Mesmo que você tenha uma boa posição no Afeganistão e está bem de vida, as pessoas veem você de forma diferente (se não tiver um filho homem). Elas dizem que a sua vida só é completa se você tem um filho", diz Azita.
Sempre houve preferência por meninos no Afeganistão, por motivos tanto econômicos quanto sociais.
O seu marido, Ezatullah, acredita que ter um filho é um sinal de prestígio e honra.
"As pessoas que nos visitavam sempre diziam: 'Oh, lamentamos que vocês não têm um filho.' Então imaginamos que seria uma boa ideia vestir nossa filha assim, já que ela também queria."
Economia
Muitas meninas vestidas de rapazes andam pelas ruas no Afeganistão. Algumas famílias optam por esse caminho para permitir que elas consigam empregos em lugares públicos, como em mercados, já que mulheres não podem trabalhar na rua.
Em alguns mercados de Cabul, um grupo de meninas, com idade entre cinco e 12 anos, se apresenta como meninos e vende água e chiclete. No entanto, nenhuma quis dar entrevista sobre o assunto.
A tradição não dura por toda a vida. Aos 17 ou 18 anos, as jovens voltam a assumir uma identidade feminina. Mas essa mudança não é nada simples.
Elaha mora em Mazar-e-Sharif, no norte do Afeganistão. Ela viveu como menino por 20 anos, porque sua família não tinha filhos homens. Apenas há dois anos, quando entrou na universidade, é que ela passou a se vestir como mulher.
No entanto, ela ainda não se sente totalmente feminina. Alguns de seus hábitos não são típicos de garotas, e ela diz que não pretende se casar.
"Quando eu era criança, meus pais me vestiam de menino porque eu não tinha um irmão. Até recentemente, vivendo como menino, eu saia para brincar com outros garotos e tinha mais liberdade."
Contra sua própria vontade, ela voltou a viver como mulher, e diz que só aceitou voltar porque se trata de uma tradição social. No entanto, ela se diz revoltada com a forma como as mulheres são tratadas pelos seus maridos no Afeganistão.
"Às vezes, eu tenho vontade de me casar e bater no meu marido, só para compensar a forma como as outras mulheres são tratadas em casa."
História comum
Atiqullah Ansari, diretor da famosa mesquita de Mazar-e Sharif, diz que a tradição é parte de um apelo que se faz a Deus.
As famílias que não têm filhos homens vestem as meninas assim como forma de pedir a Deus por um bebê homem.
Mães que não têm filhos homens visitam o templo de Hazrat-e Ali para fazer o pedido a Deus.
Ansari conta que de acordo com o Islã, as meninas que vivem como garotos precisam cobrir o rosto quando amadurecem.
No Afeganistão, histórias assim têm se tornado cada vez mais comuns. É comum pessoas conhecerem parentes ou vizinhos que já passaram por isso.
Fariba Majid, que dirige o Departamento de Direitos da Mulher da Província de Balkh, diz que ela própria já passou por isso, e quando era criança era chamada pelo nome masculino de Wahid.
"Eu era a terceira filha na minha família, e quando nasci, meus pais decidiram me vestir de menino", afirma.
"Eu podia trabalhar com meu pai em sua loja ou até mesmo ir para Cabul para comprar coisas para a loja."
Ela disse que a experiência a ajudou a ganhar confiança e permitiu que ela chegasse onde está hoje.
Segredo
A própria ex-parlamentar Azita Rafhat, mãe de Mehrnoush, também já passou por isso.
"Deixe-me contar um segredo", ela afirma. "Quando eu era criança, eu vivi como garoto e trabalhava com meu pai. Eu tive a experiência tanto do mundo masculino quanto feminino, e isso me ajudou a seguir uma carreira com ambição."
A tradição existe a séculos no Afeganistão. De acordo com o sociólogo Daud Rawish, de Cabul, isso pode ter começado durante períodos de guerra no passado, quando mulheres eram vestidas de homens para poderem ajudar a combater os inimigos.
Mas nem todos toleram esse tipo de tradição. O diretor da Comissão de Direitos Humanos da Província de Balkh, Qazi Sayed Mohammad Sami, disse que a prática é uma violação de direitos fundamentais.
"Nós não podemos mudar o gênero de alguém só por um tempo. Isso é contra a humanidade", afirma ele.
A tradição teve efeitos devastadores em algumas meninas, que sentem um conflito de identidades e acreditam ter perdido parte fundamental de suas infâncias.
Para outras, a experiência foi positiva, já que elas tiveram liberdades que nunca exerceriam, caso tivessem sido criadas apenas como garotas.
BBC Brasil
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Pai deixa 28 lições de vida aos filhos antes de morrer
Quando soube que tinha poucos meses de vida por causa de um câncer, o professor de gramática inglês Paul Flanagan só pensou em seus filhos, Thomas e Lucy. Em vez de sentir piedade de si mesmo ou entregar-se à tristeza, ele usou seus últimos dias para tentar ser um bom pai – mesmo à distância. Paul escreveu cartas, deixou mensagens gravadas em DVD e até comprou presentes para ser entregues às crianças em seus aniversários futuros. Separou também seus livros preferidos e, dentro deles, deixou bilhetes dizendo por que havia gostado de lê-los.
Em novembro de 2009, aos 45 anos, Paul morreu por causa do melanoma, deixando a mulher, Mandy, Thomas, então com 5 anos, e Lucy, de 1 ano e meio. Quase dois anos depois, ele continua presente com suas mensagens e fotos espalhadas por toda a casa. E, no mês passado, a família ganhou mais uma lembrança de Paul. Por acaso, Mandy encontrou um documento em seu antigo computador intitulado “Sobre encontrar a realização”. “Abri e, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, descobri que eram seus pontos para viver uma vida boa e feliz”, diz Mandy ao jornal Daily Mail.
“Quando alguém recebe a notícia de que tem poucos meses de vida, decide que sua vida não vai ser completa se não pular de bungee-jump da Ponte Harbour, em Sidney, ou não tiver visitado o Grand Canyon. Esse não era Paul. Tudo que importava para ele estava bem aqui. Ele viveu e morreu de acordo com suas próprias regras, e sei que encontrou sua própria realização.” Mandy diz que a carta é uma reprodução fiel dos valores e do bom humor de Paul.
O professor resumiu as reflexões que nortearam seu modo de viver em 28 itens. Traduzo aqui as palavras de Paul para seus filhos – e que agora servem de inspiração não só para eles, mas para todos que as leem.
“Nessas últimas semanas, depois de saber de meu diagnóstico terminal, procurei encontrar em minha alma e em meu coração maneiras de estar em contato com vocês enquanto vocês crescem.
Estive pensando sobre o que realmente importa na vida, e os valores e as aspirações que fazem das pessoas felizes e bem-sucedidas. Na minha opinião, e vocês provavelmente têm suas próprias ideias agora, a fórmula é bem simples.
As três virtudes mais importantes são: lealdade, integridade e coragem moral. Se aspirarem a elas, seus amigos os respeitarão, seus empregadores o manterão no emprego, e seu pai será muito orgulhoso de vocês.
Estou dando conselhos a vocês. Esses são os princípios sobre o quais tentei construir a minha vida e são exatamente os que eu encorajaria vocês a abraçar, se eu pudesse.
Amo muito vocês. Não se esqueçam disso.
Seja cortês, pontual, sempre diga “por favor” e “obrigado”, e tenha certeza de usar o garfo e a faca de maneira correta. Os outros decidem como tratá-los de acordo com as suas maneiras.
Seja generoso, atencioso e tenha compaixão quando os outros enfrentarem dificuldades, mesmo que você tenha seus próprios problemas. Os outros vão admirar sua abnegação e vão ajudá-lo.
Mostre coragem moral. Faça o que é certo, mesmo que isso o torne impopular. Sempre achei importante ser capaz de me olhar no espelho toda manhã, ao fazer a barba, e não sentir nenhuma culpa ou remorso. Parto deste mundo com a consciência limpa.
Mostre humildade. Tenha a sua opinião, mas pare para refletir no que o outro lado está dizendo, e volte atrás quando souber estar errado. Nunca se preocupe em perder a personalidade. Isso só acontece quando se é cabeça-dura.
Aprenda com seus erros. Você vai cometer muitos, então os use como uma ferramenta de aprendizado. Se você continuar cometendo o mesmo erro ou se meter em problema, está fazendo algo errado.
Evite rebaixar alguém para outra pessoa; isso só vai fazer você ser visto como mau. Se você tiver um problema com alguém, diga a ela pessoalmente. Suspenda fogo! Se alguém importuná-lo, não reaja imediatamente. Uma vez que você disse alguma coisa, não pode mais retirá-la, e a maioria das pessoas merece uma segunda chance.
Divirta-se. Se isso envolve assumir riscos, assuma-os. Se for pego, coloque suas mãos para cima.
Doe para a caridade e ajude os menos afortunados que você: é fácil e muito recompensador.
Sempre olhe para o lado bom! O copo está meio cheio, nunca meio vazio. Toda adversidade tem um lado bom, se você procurar.
Faça seu instinto pensar sempre sempre em dizer ‘sim’. Procure razões para fazer algo, não as razões para dizer ‘não’. Seus amigos vão gostar de você por isso.
Seja gentil: você conseguirá mais do que você quer se der ao outro o que ele deseja. Comprometer-se pode ser bom.
Sempre aceite convites para festas. Você pode não querer ir, mas eles querem que você vá. Mostre a eles cortesia e respeito.
Nunca abandone um amigo. Eu enterraria cadáveres por meus amigos, se eles me pedissem… por isso eu os escolhi tão cuidadosamente.
Sempre dê gorjeta por um bom serviço. Isso mostra respeito. Mas nunca recompense um mau serviço. Um serviço ruim é um insulto.
Sempre trate aqueles que conhecer como seu igual, estejam eles acima ou abaixo de seu estágio na vida. Para aqueles acima de você, mostre deferência, mas não seja um puxa-saco.
Sempre respeite a idade, porque idade é igual a sabedoria.
Esteja preparado para colocar os interesses de seu irmão à frente dos seus.
Orgulhe-se de quem você é e de onde você veio, mas abra a sua mente para outras culturas e línguas. Quando começar a viajar (como espero que faça), você aprenderá que seu lugar no mundo é, ao mesmo tempo, vital e insignificante. Não cresça mais que os seus calções.
Seja ambicioso, mas não apenas ambicioso. Prepare-se para amparar suas ambições em treinamento e trabalho duro.
Viva o dia ao máximo: faça algo que o faça sorrir ou gargalhar, e evite a procrastinação.
Dê o seu melhor na escola. Alguns professores se esquecem de que os alunos precisam de incentivos. Então, se o seu professor não o incentivar, incentive a si mesmo.
Sempre compre aquilo que você pode pagar. Nunca poupe em hotéis, roupas, sapatos, maquiagem ou joias. Mas sempre procurem um bom negócio. Você recebe por aquilo que paga.
Nunca desista! Meus dois pequenos soldados não têm pai, mas não corajosos, têm um coração grande, estão em forma e são fortes. Vocês também são amados por uma família e amigos generosos. Vocês fazem o seu próprio destino, meus filhos, então lutem por ele.
Nunca sinta pena de si mesmo, ou pelo menos não sinta por muito tempo. Chorar não melhora as coisas.
Cuide de seu corpo que ele vai cuidar de você.
Aprenda um idioma, ou pelo menos tente. Nunca comece uma conversa com um estrangeiro sem primeiro cumprimentá-la em sua língua materna; mas pergunte se ela fala inglês!
E, por fim, tenha carinho por sua mãe, e cuide muito bem dela.
Amo vocês com todo meu coração,
Papai”
Mulher 7 X 7
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Aumenta número de casais com guarda compartilhada dos filhos
Dados são da “Estatística do Registro Civil 2010", elaborada pelo IBGERIO - A maioria dos casais divorciados ainda prefere deixar a responsabilidade da guarda dos filhos para as mulheres, como é costume no Brasil e na maior parte do mundo. Entretanto, na "Estatística do Registro Civil 2010", elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada nesta quarta-feira, o número de casais que concordou em ter a guarda compartilhada de seus filhos (menores de idade) aumentou significativamente. Os casais divorciados que possuem a responsabilidade conjunta deixaram de representar 2,7% do total de divorciados com filhos em 2000 e passaram para 5,5% em 2010. Ou seja, mais do que dobrou, em dez anos, a proporção deste tipo de guarda. O IBGE divulgou ainda dados sobre óbitos, casamentos, separação e divórcios.
As taxas sobre guarda compartilhada ainda são pequenas se comparadas com a hegemonia das mulheres na responsabilidade de criação, mas representam uma mudança que se percebe de forma gradativa. Em 2000, 89,6% dos casais divorciados com filhos deixaram a guarda para as mulheres; em 2005, 89,5%; e em 2010, 87,3%.
No ano passado, a capital onde proporcionalmente mais pessoas compartilharam a guarda foi Salvador: 46,54% dos filhos de casais que se divorciaram ficaram sob responsabilidade de ambos os cônjuges (1.196 filhos). São Paulo, apesar de registrar o maior número de divorciados com filhos pequenos do Brasil, apresentou um número quase três vezes menor (434).
Cuiabá (Mato Grosso) e Goiânia (Goiás) não registraram nenhum caso de guarda compartilhada em 2010. Entre os estados, a Bahia se destacou com 17,27% ou 1.503 menores cuja guarda foi compartilhada entre os dois pais. Amazonas (2,2% ou 29 menores) e Rio de Janeiro (3,03% ou 236 pessoas) registraram os menores percentuais. No total do país, apenas 5,8% dos filhos menores (7.957) ficaram sob a guarda dos homens.
Taxa de divórcio aumenta e é maior de série histórica
O IBGE confirmou também o que qualquer pessoa pode constatar: a sociedade brasileira aceita cada vez mais o divórcio entre casais. A mudança de costumes pode ser verificada tanto na naturalidade com que é enfrentado o rompimento de uma relação, na desburocratização dos serviços que servem a este fim, ou nos dados do IBGE. Em 2010, houve 243.224 divórcios.
A taxa geral de divórcio (divórcios por mil habitantes, a partir dos 20 anos de idade) atingiu, em 2010, o seu maior valor desde 1984 (início da série histórica) : 1,8. Em 2009, era de 1,4 divórcio por mil habitantes e, há uma década, em 2000, de 1,2.
Os números coletados pelo IBGE revelam que os casamentos estão ficando mais curtos: 40,9% dos divórcios registrados em 2010 foram de casamentos que duraram no máximo 10 anos. Em 2000, foram 33,3%; em 2005, 31,8%. Porém, os divórcios concedidos em 2010 foram feitos por pessoas que ficaram casadas em média durante 16 anos.
O IBGE diferencia divórcio de separação. A separação desobriga o casal dos deveres do casamento, mas não permite a formalização de uma nova união por conta das partes - ao contrário do divórcio, que permite um novo casamento. Hoje, realizar o divórcio é mais prático do que a separação. Por este motivo, o instituto verificou uma queda na taxa de separação.
Casamentos cada vez mais tarde
Em 2010, observou-se também que os solteiros formalizaram a primeira união com mais idade. Se eles, em 2000, tinham idade média de 27 anos quando se casavam, em 2010, tinham 29. Já as mulheres, que se casavam em média aos 24 anos, passaram a se casar aos 26.
O Rio de Janeiro registrou a menor proporção de casamentos entre solteiros (76,7%), ao passo que a maior foi registrada no Piauí (92,9%). O número de casamentos com pessoas divorciadas puxou a média do estado fluminense para baixo.
Entre as pessoas divorciadas, inclusive, as maiores proporções foram no Rio e em São Paulo (4,2%, em ambos). Já as uniões formais entre mulheres divorciadas e homens solteiros foram mais frequentes em Rondônia (5,9%) e São Paulo (5,8%). Na composição inversa, as maiores percentagens foram observadas no Distrito Federal (10,0%) e no Rio de Janeiro (9,4%).
Dados revelam queda no percentual de óbitos violentos
Nos dados sobre óbitos, o Registro Civil de 2010 aponta queda no percentual de óbitos violentos no país desde 2002. Naquele ano, esse percentual era de 16,3% para homens e 4,5% para mulheres; em 2010, caiu para 14,5% no caso dos homens e 3,7% no das mulheres. Na contramão dessa redução, houve aumento, porém, no número de óbitos masculinos nas regiões Nordeste e Norte, de 2009 para 2010 (de 15,5% para 16,4%, e de 16,9% para 17,8%, respectivamente). No Nordeste, esse aumento no percentual de mortes masculinas violentas tem sido detectado desde 2001 (quando era de 13,5%).
Os dados sobre mortes também mostram que houve queda nos subregistros de óbitos no país: foram 14,6% em 2000 e 7,7% em 2010. No entanto, o subregistro no Norte e no Nordeste, apesar de também ter diminuído, ainda tem altos percentuais: 22,4% e 24,5%, respectivamente. A maior parte dos subregistros é de mortes de crianças com menos de 1 ano.
Melhora na cobertura de registros
O número de nascimentos registrados em cartório ultrapassou os 2,7 milhões em 2010, o menor valor absoluto dos últimos dez anos. Em 2000, foram registradas quase 2,9 milhões de crianças. Apesar disso, houve uma queda no percentual de subregistros no país, passando de 21,9% em 2000 para 8,2% em 2009, e chegando a 6,6% em 2010.
Outro destaque apontado pelos dados do IBGE é a redução do número de nascimentos com a mãe menor de 20 anos: esse percentual caiu de 21,7% em 2000 para 18,4% em 2010. Também houve queda de registros de nascimentos com a mãe com idade entre 20 e 24 anos (de 30,8% para 27,5%). Já o volume de nascimentos no grupo de mães com 25 a 29 anos e com 30 a 34 anos aumentou: entre 2000 e 2010, esses percentuais aumentaram respectivamente de 23,1% para 25,3%, e de 14,4% para 17,6%. Também cresceu no grupo de mães com 35 a 39 anos, indo de 6,9% para 8,3%.
O Globo
domingo, 13 de novembro de 2011
Na Etiópia, autistas sofrem por desconhecimento da condição e superstição
Em 1995, a etíope Zemi Yunus não sabia o que era autismo, mas tinha consciência de que seu filho Jojo, então com quatro anos, era "diferente das outras crianças da idade dele".
Foi então que seu marido assistiu a um programa de televisão sobre a condição. Na época, a família vivia nos Estados Unidos.
De repente, o casal se deu conta de que era possível que Jojo fosse autista. Certamente, os sintomas descritos pareciam indicar isso.
Pouco tempo antes de retornar à Etiópia, Zemi começou a pesquisar o assunto com mais profundidade.
Zemi disse que, assim como muitos pais de crianças autistas, ela se preocupava com a demora do filho em começar a falar.
'Mimado'
Vários médicos haviam dito a ela que não se preocupasse porque, frequentemente, meninos começam a falar um pouco mais tarde.
No entanto, quanto mais pesquisava, mais Zemi reconhecia que o atraso na fala do filho, assim como suas ações repetitivas e dificuldades de comportamento eram claramente manifestações de autismo.
Infelizmente, o diagnóstico da condição, particularmente em países em desenvolvimento, é raro.
Ao retornar à capital da Etiópia, Addis Abeba, Zemi consultou psicólogos, médicos e outros profissionais durante vários anos. Nunca obteve uma confirmação de suas suspeitas.
Dona de seu próprio negócio, a mãe de Jojo teve dificuldade em encontrar uma escola para o filho. Muitos professores diziam que Jojo era "mimado". Ele foi expulso de cinco escolas consecutivamente.
Uma instituição pediu pagamento triplo para aceitar Jojo.
Problema Comum
A essa altura, Zemi já tinha pesquisado amplamente o tema e sabia que a ocorrência de autismo na região era bastante alta.
Na Etiópia, ninguém falava publicamente sobre o assunto, mas ela insistiu. Começou a procurar por outros pais afetados pelo problema.
Zemi ficou chocada com o que encontrou. Famílias com crianças autistas as mantinham em casa, com frequência em quartos escuros.
Ela encontrou o caso de uma menina cujas mãos ficavam amarradas atrás das costas, provavelmente para impedir que ela agredisse a si própria. (Esse não é um comportamento raro entre crianças autistas, especialmente quando estão estressadas.)
Suas experiências a levaram a querer falar publicamente sobre o autismo.
Foi então que seu marido assistiu a um programa de televisão sobre a condição. Na época, a família vivia nos Estados Unidos.
De repente, o casal se deu conta de que era possível que Jojo fosse autista. Certamente, os sintomas descritos pareciam indicar isso.
Pouco tempo antes de retornar à Etiópia, Zemi começou a pesquisar o assunto com mais profundidade.
Zemi disse que, assim como muitos pais de crianças autistas, ela se preocupava com a demora do filho em começar a falar.
'Mimado'
Vários médicos haviam dito a ela que não se preocupasse porque, frequentemente, meninos começam a falar um pouco mais tarde.
No entanto, quanto mais pesquisava, mais Zemi reconhecia que o atraso na fala do filho, assim como suas ações repetitivas e dificuldades de comportamento eram claramente manifestações de autismo.
Infelizmente, o diagnóstico da condição, particularmente em países em desenvolvimento, é raro.
Ao retornar à capital da Etiópia, Addis Abeba, Zemi consultou psicólogos, médicos e outros profissionais durante vários anos. Nunca obteve uma confirmação de suas suspeitas.
Dona de seu próprio negócio, a mãe de Jojo teve dificuldade em encontrar uma escola para o filho. Muitos professores diziam que Jojo era "mimado". Ele foi expulso de cinco escolas consecutivamente.
Uma instituição pediu pagamento triplo para aceitar Jojo.
Problema Comum
A essa altura, Zemi já tinha pesquisado amplamente o tema e sabia que a ocorrência de autismo na região era bastante alta.
Na Etiópia, ninguém falava publicamente sobre o assunto, mas ela insistiu. Começou a procurar por outros pais afetados pelo problema.
Zemi ficou chocada com o que encontrou. Famílias com crianças autistas as mantinham em casa, com frequência em quartos escuros.
Ela encontrou o caso de uma menina cujas mãos ficavam amarradas atrás das costas, provavelmente para impedir que ela agredisse a si própria. (Esse não é um comportamento raro entre crianças autistas, especialmente quando estão estressadas.)
Suas experiências a levaram a querer falar publicamente sobre o autismo.

Em 2002, usando seu bem-sucedido negócio para promover suas atividades beneficentes, Zemi inaugurou o Joy Centre for Children with Autism em Addis Abeba.
A escola começou a funcionar com quatro alunos - entre eles, seu filho - e três funcionários. Hoje, 75 crianças estão matriculadas na escola e a equipe conta com mais de 30 funcionários.
Como a escola não tem fins lucrativos, os pais pagam o que podem. A instituição recebe auxílio da ONU e de outros doadores.
A criação do centro levou o governo da Etiópia a iniciar um programa para crianças com necessidades especiais.
'Possuídos pelo demônio'
Isso não quer dizer que os etíopes mudaram sua atitude em relação aos que sofrem de autismo.
Muitas pessoas ainda pensam que as crianças afetadas pela condição são possuídas pelo demônio em virtude de pecados cometidos por seus pais. Isso explica por que, frequentemente, crianças autistas são escondidas pelas famílias.
Também há muita ignorância sobre o assunto no setor médico.
Elias Tegene, um psicólogo que se especializa em autismo, descreve a condição como um novo "tema" que só se tornou conhecido na última década.
Apesar da falta de dados oficiais no país, ele acredita que a incidência da condição está crescendo rapidamente.
O problema é acentuado pelo fato de que muitos médicos na Etiópia nunca ouviram falar da condição.
Os que identificam a condição tratam os pacientes como casos psiquiátricos (embora o problema seja, na verdade, neurológico) ou simplesmente dizem aos pais que precisam educar melhor seus filhos.
Com base em suas observações, Tegene disse acreditar que o autismo é mais comum em crianças da chamada "geração boom", ou seja, etíopes que viajaram para o exterior para trabalhar e estudar.
O menino de nove anos Addis é uma dessas crianças. Ele nasceu em Maryland, nos Estados Unidos, de pais etíopes. Seu diagnóstico foi feito quando ele tinha apenas dois anos.
O diagnóstico rápido se deveu ao fato de que Addis nasceu prematuro, com 27 semanas, e já estava sendo monitorado por uma equipe médica.
Vida Ativa
O pai de Addis, Abiy, disse que demorou para que ele e a esposa aceitassem o diagnóstico inicial.
"Todo mundo tinha uma teoria sobre por que isso tinha acontecido", disse Abiy.
Segundo ele, há uma percepção de que o autismo é mais comum entre comunidades de migrantes vindos do Chifre da África - na região nordeste do continente.
"Alguém nos disse que as crianças que tinham sido diagnosticadas em casa (na Etiópia) eram aquelas que tinham nascido no exterior , nos Estados Unidos ou na Europa".
Foi a esposa de Abiy, Azeb - uma professora primária hoje se especializando em crianças com necessidades especiais - quem primeiro sugeriu que talvez Addis fosse autista.
O marido, no entanto, resistiu à ideia de procurar tratamento por não querer aceitar a realidade. O diagnóstico resultou em um período de muita reflexão para Abiy.
Hoje, Addis vive uma vida ativa, cheia de atividades. Ele tem um senso de direção particularmente desenvolvido.
"Meu filho é uma criança ótima. Se nasceu com autismo, que seja. Mas ele é o melhor filho (do mundo)", diz Abiy.
"Ele se comporta bem e nunca nos atrapalhou de maneira alguma".
Embora não haja pesquisas para confirmar a visão do psicólogo Elias, de que o autismo está aumentando entre os etíopes, e especialmente entre os que vivem no exterior, há evidências em relação a crianças da Somália vivendo no exterior.
Em 2009, o jornal New York Times publicou uma reportagem dizendo que autoridades do Departamento de Saúde de Minnesota, nos Estados Unidos, tinham chegado a um acordo em relação a um fato impressionante: havia índices mais altos de autismo em crianças somális vivendo no Estado.
Embora enfatizando que a amostra era bastante pequena, as autoridades citadas no artigo disseram que as crianças somális tinham entre duas a sete vezes mais probabilidade de sofrer da condição do que pessoas de outras etnias.
Dados da Suécia e de outros pontos dos Estados Unidos parecem reforçar essa teoria.
Pesquisas
Abdirahman D. Mohammed - um médico somáli que trabalha no Axis Medical Centre, em Minneapolis - trata um grande número de pacientes de várias origens e disse não ter dúvidas de que o autismo ocorre em índices anormalmente altos em crianças de origem somali.
"Infelizmente, é um problema imenso para a nossa comunidade. Pode causar muita perturbação e ansiedade para as famílias", disse o médico.
Além disso, algumas pessoas associam o autismo a programas de imunização infantil - embora esse vínculo nunca tenha sido provado.
Como resultado, algumas crianças somális nos Estados Unidos não estão sendo vacinadas contra doenças perigosas.
E se de fato existe uma maior concentração de casos de autismo entre crianças da comunidade somali, qual seria a explicação para isso? Mohammed não sabe a resposta.
"Será que isso é ambiental, genético, ambos? Não sabemos. É um grande mistério".
Felizmente, o US Centre for Disease Control and Prevention acaba de aprovar financiamento para pesquisas sobre o assunto. Talvez sejam necessários mais estudos na Etiópia e entre comunidades de etíopes vivendo no exterior.
E de volta a Addis Abeba, os anos se passaram e hoje o filho de Zemi, Jojo, é um jovem de 20 anos.
A mãe o descreve como "um jovem bonito, com muitas vitórias". Recentemente, ele começou a dizer algumas palavras.
"Ele está prestes a falar. Estou tão animada com isso! As coisas estão caminhando".
Histórias como a de Jojo e a de Addis enchem de esperança famílias afetadas pelo autismo no mundo inteiro.
Compreenda:
Autismo
Uma deficiência do desenvolvimento neurológico que se manifesta por meio de dificuldades de interação social e de comunicação, falta de imaginação e de brincadeiras criativas.
Com frequência, as crianças não parecem afetadas pelo problema quando bebês. Alcançam todas as metas de desenvolvimento esperadas, incluindo as primeiras manifestações da fala, mas não apresentam comportamento social normal entre um e três anos de idade.
Outras características típicas são má coordenação, falta de contato olho no olho e ausência de expressões faciais. Crianças com autismo podem ter dificuldade de falar normalmente e 75% delas também apresentam dificuldades de aprendizado.
Crianças autistas frequentemente possuem talentos extraordinários, como, por exemplo, são exímias desenhistas, matemáticas, musicistas ou são dotadas de memória fotográfica. Não existe cura ou tratamento para o autismo.
BBC Brasil
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Violência, a preocupação maior
Recentemente, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) divulgou estudo que coloca o Brasil numa posição extremamente preocupante no que diz respeito à questão da violência. O Brasil concentra quase um décimo das mortes por homicídios ocorridos no mundo, revelou o levantamento da ONU. Foram registrados no nosso país 43.909 assassinatos de um total de 468 mil no mundo todo. Cabe lembrar que a população brasileira corresponde a menos de 3% dos habitantes do planeta.
O coordenador do Mapa da violência no Brasil, Julio Jacobo Waiselfisz, fez um alerta importante: “Temos 34,5 milhões de jovens de 15 a 24 anos de idade. Mais ou menos 19% desses jovens não estudam nem trabalham”, advertiu o pesquisador.
Os dados usados na pesquisa da ONU mostram que os crimes têm migrado dos estados mais populosos em direção a pontos antes relativamente tranquilos. Alagoas, Pará, Rondônia e Mato Grosso são alguns dos estados que registram os piores índices de violência. O estudo das Nações Unidas mostrou que, na América do Sul, a taxa é de 15,6 homicídios por 100 mil habitantes, praticamente o dobro da média mundial. No Brasil, são 22,3 contra 33 por 100 mil na Colômbia; e 49 por 100 mil na Venezuela. Na outra ponta, estão o Chile, com 3,7 mortes; o Suriname, com 4,6; e o Peru, com 5,2; sempre em relação a cada 100 mil moradores.
O relatório afirma que tais políticas, aliadas às ações adotadas localmente, explicam, por exemplo, a redução da taxa de criminalidade em São Paulo, que passou de 20,8 homicídios por grupo de 100 mil habitantes em 2004 para 10,8 em 2009. O quadro verificado em São Paulo e em outros estados brasileiros revela, portanto, que é possível, sim, combater a violência. Mas precisamos acelerar o passo nessa luta. Precisamos adotar ações em várias frentes. Na área da prevenção, é fundamental oferecer aos nossos jovens alternativas concretas para que possam se desenvolver plenamente.
Temos que melhorar nossas políticas públicas em setores como educação, saúde, moradia, transporte, esporte, cultura e lazer. Mas é crucial, nessa luta, avançar nas políticas públicas de segurança e nas campanhas de diminuição da circulação das armas na sociedade. Nesse sentido, quero destacar a iniciativa do Ministério da Justiça, que, desde maio deste ano, já recolheu 25 mil armas em todo o país, 12% delas de tipo pesado, como fuzis e metralhadoras. Com certeza, o combate à violência é um dos nossos maiores desafios. Precisamos, portanto, unir forças em todas as esferas governamentais para enfrentar esse problema que está no topo das preocupações dos brasileiros e que, infelizmente, tem ceifado vidas de milhares de jovens em todo o País.
Iracema Portella
Jornal do Brasil
O coordenador do Mapa da violência no Brasil, Julio Jacobo Waiselfisz, fez um alerta importante: “Temos 34,5 milhões de jovens de 15 a 24 anos de idade. Mais ou menos 19% desses jovens não estudam nem trabalham”, advertiu o pesquisador.
Os dados usados na pesquisa da ONU mostram que os crimes têm migrado dos estados mais populosos em direção a pontos antes relativamente tranquilos. Alagoas, Pará, Rondônia e Mato Grosso são alguns dos estados que registram os piores índices de violência. O estudo das Nações Unidas mostrou que, na América do Sul, a taxa é de 15,6 homicídios por 100 mil habitantes, praticamente o dobro da média mundial. No Brasil, são 22,3 contra 33 por 100 mil na Colômbia; e 49 por 100 mil na Venezuela. Na outra ponta, estão o Chile, com 3,7 mortes; o Suriname, com 4,6; e o Peru, com 5,2; sempre em relação a cada 100 mil moradores.
O relatório afirma que tais políticas, aliadas às ações adotadas localmente, explicam, por exemplo, a redução da taxa de criminalidade em São Paulo, que passou de 20,8 homicídios por grupo de 100 mil habitantes em 2004 para 10,8 em 2009. O quadro verificado em São Paulo e em outros estados brasileiros revela, portanto, que é possível, sim, combater a violência. Mas precisamos acelerar o passo nessa luta. Precisamos adotar ações em várias frentes. Na área da prevenção, é fundamental oferecer aos nossos jovens alternativas concretas para que possam se desenvolver plenamente.
Temos que melhorar nossas políticas públicas em setores como educação, saúde, moradia, transporte, esporte, cultura e lazer. Mas é crucial, nessa luta, avançar nas políticas públicas de segurança e nas campanhas de diminuição da circulação das armas na sociedade. Nesse sentido, quero destacar a iniciativa do Ministério da Justiça, que, desde maio deste ano, já recolheu 25 mil armas em todo o país, 12% delas de tipo pesado, como fuzis e metralhadoras. Com certeza, o combate à violência é um dos nossos maiores desafios. Precisamos, portanto, unir forças em todas as esferas governamentais para enfrentar esse problema que está no topo das preocupações dos brasileiros e que, infelizmente, tem ceifado vidas de milhares de jovens em todo o País.
Iracema Portella
Jornal do Brasil
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Casamento forçado de adolescentes pode fazer 100 milhões de vítimas
Unicef diz que problema pode ocorrer até 2020 caso não haja mudanças; todos os anos 145 milhões de meninas se tornam mães
Mais de 100 milhões de meninas podem ser vítimas de casamentos forçados durante a próxima década; a estimativa é parte de um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.
Segundo o Fundo, um terço de mulheres, entre 20 e 24 anos, foi forçado a se casar antes de completarem 18 anos.
Maternidade Precoce
O estudo foi apresentado na sede da ONU, na semana passada. De acordo com o Unicef, uma das consequências do casamento forçado é a maternidade precoce. Mais de 145 milhões de meninas dão à luz todos os anos, muitas delas não estão preparadas física ou psicologicamente para a responsabilidade.
A representante especial do Secretário-Geral sobre Violência contra Crianças, Marta Santos Pais, falou à Rádio ONU, em Nova York, sobre o drama das crianças obrigadas a se casar.
“O que nós sabemos é que, ao casar e ao assumir responsabilidades no seio da família, não só ficam dependentes da autoridade do marido e da família do marido. Muitas vezes, sem ter um direito à educação e poder contribuir, construtivamente, para o desenvolvimento da família e da sociedade. Mas, em segundo lugar, muitas vezes ao engravidar, vem a dar à luz com uma idade muito baixa e isto cria riscos gravíssimos no momento do nascimento da criança”, explicou.
Sociedade
De acordo com o informe, grande parte das vítimas de casamentos forçados integra as camadas mais marginalizadas e vulneráveis da sociedade. As meninas são geralmente isoladas, ao serem retiradas das suas famílias, escolas e separadas da interação com os seus pares.
Segundo o Unicef, meninas entre 10 e 14 anos são cinco vezes mais propensas a morrer durante a gravidez que outras, 10 anos mais velhas.
*Apresentação: Mônica Villela Grayley
prómenino
Mais de 100 milhões de meninas podem ser vítimas de casamentos forçados durante a próxima década; a estimativa é parte de um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.
Segundo o Fundo, um terço de mulheres, entre 20 e 24 anos, foi forçado a se casar antes de completarem 18 anos.
Maternidade Precoce
O estudo foi apresentado na sede da ONU, na semana passada. De acordo com o Unicef, uma das consequências do casamento forçado é a maternidade precoce. Mais de 145 milhões de meninas dão à luz todos os anos, muitas delas não estão preparadas física ou psicologicamente para a responsabilidade.
A representante especial do Secretário-Geral sobre Violência contra Crianças, Marta Santos Pais, falou à Rádio ONU, em Nova York, sobre o drama das crianças obrigadas a se casar.
“O que nós sabemos é que, ao casar e ao assumir responsabilidades no seio da família, não só ficam dependentes da autoridade do marido e da família do marido. Muitas vezes, sem ter um direito à educação e poder contribuir, construtivamente, para o desenvolvimento da família e da sociedade. Mas, em segundo lugar, muitas vezes ao engravidar, vem a dar à luz com uma idade muito baixa e isto cria riscos gravíssimos no momento do nascimento da criança”, explicou.
Sociedade
De acordo com o informe, grande parte das vítimas de casamentos forçados integra as camadas mais marginalizadas e vulneráveis da sociedade. As meninas são geralmente isoladas, ao serem retiradas das suas famílias, escolas e separadas da interação com os seus pares.
Segundo o Unicef, meninas entre 10 e 14 anos são cinco vezes mais propensas a morrer durante a gravidez que outras, 10 anos mais velhas.
*Apresentação: Mônica Villela Grayley
prómenino
domingo, 2 de outubro de 2011
Uruguai lança programa social para transexuais de baixa renda

O governo do Uruguai lançou nesta semana um programa social que prevê a distribuição de cestas básicas e trabalho remunerado para transexuais.
"Até agora, nossos programas sociais não davam acesso específico aos transexuais. Com este programa queremos abrir espaço para três questões: identidade, alimentação e inclusão social e trabalhista", disse à BBC Brasil o diretor nacional de política social do Ministério de Desenvolvimento Social do país, Andrés Scagliola.
A medida, segundo Scagliola, tem o objetivo de tirar os transexuais da marginalidade social. Até então, o grupo não era amparado pelos programas de distribuição de renda do governo.
"Nossos programas sociais preveem benefícios para famílias que têm filhos menores de 18 anos e renda insuficiente para uma vida digna. Mas eles (os projetos) não previam esta ajuda para os transexuais", disse o diretor.
Para ser incluído nesses programas, a pessoa deverá assinalar "transexual" no cadastro administrativo do ministério.
Os interessados vão poder se inscrever no ministério a partir de janeiro de 2012. Estima-se, a partir de estudo realizado pela Universidad de la República, em Montevidéu, que cerca de 3 mil pessoas poderiam ser atendidas pelo novo programa em todo o país.
"(Os participantes do programa) serão cadastrados como transexuais e atendidos com ajuda alimentar ou uma renda fixa a partir de trabalhos para instituições públicas, como melhorias numa praça ou numa escola, por exemplo", disse Scagliola.
‘Sensibilização’
Antes, porém, os funcionários do ministério passarão por um treinamento.
"É um trabalho para sensibilizar os próprios funcionários, para prepará-los. Não podemos ter um programa de acesso e depois criar dificuldades para que os futuros beneficiados tenham acesso a ele", diz Scagliola.
Atualmente, o governo uruguaio possui dois programas que seriam ampliados para os transexuais – cartão alimentício, distribuído para os que estão na extrema pobreza, e o chamado Uruguai Trabalha, que oferece benefícios em troca de trabalhos para alguma instituição pública e prevê pagamento mensal de cerca de R$ 360.
O novo programa para transexuais se soma à aprovação da lei de identidade de gênero, que entrou em vigor em 2009 no Uruguai.
Desde então, os uruguaios que quiserem podem assumir sua nova sexualidade e novo nome na certidão de nascimento e demais documentos
BBC Brasil
domingo, 25 de setembro de 2011
Interior do estado do Rio tem 10% na extrema pobreza
RIO - Marcelo, Júlia, Fernando, Bruno, Bruna, Ronaldo e Washington. Na casa de apenas dois cômodos, os sete filhos de Luciana Rodrigues, de 32 anos, vivem como podem. E podem pouco. Falta alimentação adequada e, para os mais novos, até mesmo a fralda, que a mãe improvisa utilizando um saco plástico amarrado ao quadril das crianças. Com renda inferior a R$ 70 reais per capita, essa família do município de Sumidouro, na Região Serrana, é o retrato daqueles que vivem abaixo da linha de extrema pobreza no Rio.
Sem emprego, Luciana depende do benefício federal pago a pessoas incapacitadas por algum tipo de deficiência e que não podem ter renda - o caso de dois dos seus filhos - e os ganhos do marido, que faz bico na lavoura. Ele recebe R$ 35 por dia, quando consegue serviço.
- Dependemos da ajuda de vizinhos ou de doações que a igreja faz. A situação é muito difícil porque falta de tudo. Aqui, almoçamos arroz e feijão. Carne, eu não me lembro quando comemos - diz Juliana.
Você concorda com a ideia de o Estado repassar recursos para famílias em situação de extrema pobreza?
A situação da extrema pobreza no estado (com exceção da capital) atinge cerca de 320 mil famílias - cerca de um milhão pessoas ou aproximadamente 10% da população do interior, segundo uma estimativa da Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos. A partir de dados do IBGE e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a secretaria está elaborando o mapa da miséria, que vai identificar os mais pobres em cada cidade. Para chegar a esses dados, o órgão utiliza como base o estudo da União, que tem como critério a renda inferior a R$ 70 per capita. Mas, no estado, o parâmetro usado será o R$ 100 per capita.
- Os R$ 70 per capita utilizados pelo governo federal para identificar as famílias em extrema pobreza não servem como critério para o Rio. Aqui temos uma pobreza metropolitana, com um custo de vida maior que o do Nordeste. Por isso estamos utilizando o critério de R$ 100. Por esse parâmetro, a nossa estimativa é que 320 mil famílias se encontrem hoje nessa situação - explica o secretário de Assistência Social, Rodrigo Neves.
O Globo
Sem emprego, Luciana depende do benefício federal pago a pessoas incapacitadas por algum tipo de deficiência e que não podem ter renda - o caso de dois dos seus filhos - e os ganhos do marido, que faz bico na lavoura. Ele recebe R$ 35 por dia, quando consegue serviço.
- Dependemos da ajuda de vizinhos ou de doações que a igreja faz. A situação é muito difícil porque falta de tudo. Aqui, almoçamos arroz e feijão. Carne, eu não me lembro quando comemos - diz Juliana.
Você concorda com a ideia de o Estado repassar recursos para famílias em situação de extrema pobreza?
A situação da extrema pobreza no estado (com exceção da capital) atinge cerca de 320 mil famílias - cerca de um milhão pessoas ou aproximadamente 10% da população do interior, segundo uma estimativa da Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos. A partir de dados do IBGE e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a secretaria está elaborando o mapa da miséria, que vai identificar os mais pobres em cada cidade. Para chegar a esses dados, o órgão utiliza como base o estudo da União, que tem como critério a renda inferior a R$ 70 per capita. Mas, no estado, o parâmetro usado será o R$ 100 per capita.
- Os R$ 70 per capita utilizados pelo governo federal para identificar as famílias em extrema pobreza não servem como critério para o Rio. Aqui temos uma pobreza metropolitana, com um custo de vida maior que o do Nordeste. Por isso estamos utilizando o critério de R$ 100. Por esse parâmetro, a nossa estimativa é que 320 mil famílias se encontrem hoje nessa situação - explica o secretário de Assistência Social, Rodrigo Neves.
O Globo
domingo, 11 de setembro de 2011
Crack: o problema é de todos nós
"Meu maior erro foi ter colocado um cigarro de maconha na boca. Agora, quero nascer de novo", João*, 17 anosAlém de destruir famílias, droga aumenta problemas urbanos
Alucinados, eles vagam pelas ruas e não respeitam ninguém. Suas vidas resumem-se à busca pelo seu único objeto de desejo: o crack. E eles já são tantos, que não é mais possível ignorá-los como se pertencessem a um submundo que não nos atinge. Os "noiados" ganharam áreas nobres e periferias e viraram um problema que, de uma forma ou de outra, toca a sociedade e é de responsabilidade de todos.
Veja aqui onde obter ajuda
Além do sofrimento de famílias e amigos, a epidemia de crack - que já foi a droga dos pobres, mas hoje está em todas as classes sociais - significa aumento dos índices de violência, degradação do espaço urbano e toda uma geração perdida de crianças, que já nascem viciadas ou abandonadas pelos pais.
Somente no ano passado, o Estado gastou mais de R$ 2,3 milhões em 2.817 atendimentos e internações de viciados. Parte da verba foi destinada ao Hospital dos Ferroviários, em Vila Velha, onde funcionam, desde 2009, oito leitos destinados a crianças e adolescentes usuários de drogas.
O serviço é voltado para internação e desintoxicação, e 80% dos pacientes são meninos, com em média 16 anos. São garotos como João*, 17 anos, que aos 14, já fumava maconha e bebia.
Como tantos outros, começou pela curiosidade. E viu a vida mudar de vez quando conheceu o fristo, mistura de crack com maconha. "Eu tinha mais moral, mais conceito. Era popular. Fiquei três semanas sem ir pra escola", conta.
Hoje, depois de duas semanas de internação, o sonho é voltar a ser o menino que era o orgulho da mãe. "Quero estar na igreja, dar um culto e ver minha mãe lá na frente. Ela já sofreu muito comigo", admite.
Do lado do crime
Antes de procurar ajuda, João foi deixando as boas amizades de lado, perdeu a namorada e foi acusado de roubo dentro da escola. Chegou a ser preso, depois de encontrar no tráfico uma alternativa para sustentar o vício.
Na família, não faltaram "parcerias" para o mau caminho. "Meu primo usava pedra, e tenho um tio preso. Quase toda a família do meu pai é viciada ou já cometeu algum crime para usar droga. Queria roupa, queria dinheiro para comprar presente para a namorada. Apelei para o crime."
12 segundos
Tudo acontece em uma velocidade incontrolável. São 12 segundos de alucinação e uma vida inteira de arrependimentos depois. "A pessoa fica na compulsão e faz tudo para obter a droga. Envolve-se em situações de risco, assalto e homicídio. Fica vulnerável, subnutrida, igual a um zumbi", explica Expedito Jorge Tavares, coordenador do Núcleo de Prevenção de Drogas da Polícia Federal no Estado.
Compulsão que Juliano*, 17, sabe bem como é. "Uma vez, tomei uma cartela de diazepan, duas cachacinhas e fumei fristo. Tentei matar meu pai e meu cachorro. Dei um soco na TV. E só me controlaram depois que chamaram a polícia", lembra.
Quando mudou de cidade com a família, o garoto não se adaptou. Parou de ir à escola, começou a usar drogas. Pedro chegou a roubar para conseguir o crack. Não tinha forças, sozinho, para deixar as pedras de lado, mas pôde contar com a família.
Depois de 21 dias de internação, ele deixou o Hospital dos Ferroviários e foi direto para um projeto que conta com tratamento terapêutico. "Minha família me deu apoio quando disse que queria me tratar. Os primeiros dias foram sinistros, queria quebrar tudo."
Apoio essencial
Ter o apoio da família, como Pedro, pode fazer a diferença entre conseguir ou não derrotar o vício. "Nem sempre a família participa, o que seria fundamental para ajudar o usuário a enfrentar o mundo lá fora. Só a internação não é solução", ressalta a coordenadora da UTCA do Hospital dos Ferroviários, Bárbara de Oliveira.
Como explica a socióloga e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Marcia Rodrigues, a família deveria ser a primeira instância para dar referência a esses jovens. Mas não é isso que está ocorrendo, o que acaba produzindo uma geração perdida.
Como Simone*, 38, que hoje, após várias recaídas, comemora cinco meses sem usar o crack, mas vê seus erros cobrarem um alto preço: usou a droga durante a gravidez, abandonou os filhos pequenos por causa do vício e hoje vê a filha mais velha ir pelo mesmo caminho.
"Perdi meus filhos, né? Eles afastaram-se, e isso é muito triste. Agora vejo minha filha de 15 anos nessa. Ela usava entorpecentes escondida e só soube quando ela foi presa, há três anos", lamenta.
Na primeira vez, a menina foi detida na escola, guardando uma arma para o namorado. Na segunda, estava traficando. Chegou a engolir quatro pedras de crack para não ir para a delegacia. Acabou no hospital.
Filhos: as vítimas
A dependência de filhos de mães viciadas em crack é ainda mais perigosa. O especialista em Dependência Química João Chequer explica que, desde que estava no útero, a filha de Simone já estava acostumada a utilizar o crack.
"Quando ela usou a droga aos 12 anos, se identificou com aquilo de forma maligna. Ela sente que já usou bioquimicamente o crack e a ligação dela com a droga é imediata e definitiva. É incontrolável", diz João Chequer.
Simone espera por dias melhores, apesar de tudo. "Agora minha filha está em tratamento, assim como eu", comemora. Mas a culpa não vai embora: "Se estivesse do lado dela, poderia ter sido diferente, ela se sentiria mais segura. Eu tive culpa, sim", sentencia.
*Os nomes dos entrevistados foram trocados para preservar as identidades
R$ 10 - É o preço de uma pedra de crack, suficiente para três tragadas
33% - dos usuários de crack morrem nos primeiros 5 anos de consumo, segundo estudo da Unifesp
Rede Gazeta lança campanha
Hoje, data em que comemora 83 anos, a Rede Gazeta lança o projeto Rede Contra o Crack. O objetivo é promover o debate, formar parcerias e mobilizar a sociedade e os governos na busca de soluções para reduzir o consumo e o tráfico de drogas, por meio da cobertura jornalística em todos os veículos da rede e da veiculação de campanhas publicitárias.
Gazeta Online
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Veja vídeos sobre os ataques do 11 de Setembro
As imagens feitas de um helicóptero da polícia de Nova York mostram as duas torres do World Trade Center em chamas e o relato de um policial sobre os desabamentos dos prédios. O atentado terrorista em 2001 deixou quase 3.000 mortos.
Atentados derrubaram os símbolos do capitalismo e do poder americanos
A tragédia do 11 de Setembro foi acompanhada no mundo inteiro, em tempo real, pela televisão. Das primeiras imagens até o momento em que as duas torres do World Trade Center caíram, telespectadores de todo o planeta acompanharam ao vivo o acontecimento que iria definir a primeira década do século 21.
Outros atentados terroristas se desenrolaram diante das câmeras - como o atentado contra a equipe olímpica israelense em Munique, na Olimpíada de 1972, ou a tomada da Embaixada dos Estados Unidos em Teerã (Irã), que durou mais de 400 dias.
O 11 de Setembro, no entanto, chocou por diversos fatores - por exemplo, o número de vítimas (quase 3.000) e por ter sido o primeiro ataque em solo americano cometido por estrangeiros.
Relembre o episódio que marcou a última década nos vídeos selecionados pelo R7
R7
domingo, 28 de agosto de 2011
Cinema para mães e bebês resgata vida social de cariocas no pós-parto
Sessões especiais garantem estrutura e diversão para as famílias
A chegada de mulheres com bebês no colo a alguns cinemas do Rio desperta a atenção de muita gente. Porém, logo os frequentadores começam a entender do que se trata: são as sessões do CineMaterna, realizadas hoje em quatro cinemas da cidade.
No Unibanco Arteplex, em Botafogo (zona sul), elas acontecem em um sábado por mês e quinzenalmente, às quintas-feiras. Já no Kinoplex Fashion Mall, em São Conrado (zona sul), e no Severiano Ribeiro Via Parque, na Barra da Tijuca (zona oeste), as sessões são mensais, às quintas-feiras. O Cinemark Downtown, também na Barra, participa do projeto no caso de sessões comemorativas, como o Dia dos Pais, Dia das Mães e do Dia das Crianças.
O projeto CineMaterna surgiu em São Paulo a partir da ideia de três mães. Alexandra Swerts, Tais Viana e Irene Nagashima começaram a frequentar cinemas convencionais com seus bebês, mas não foi fácil. Faltava estrutura e os olhares de reprovação eram inevitáveis.
A partir desta dificuldade e da grande vontade de retomar a vida social, surgiram a ONG Associação CineMaterna e o projeto CineMaterna, que teve sua primeira sessão em 2008. Hoje, o CineMaterna está em 32 salas de 14 grandes cidades brasileiras e já recebeu mais de 65 mil pessoas em três anos.
A coordenadora do projeto no Rio de Janeiro, Bianca Balassiano, afirma que a iniciativa foi importante para fazer o resgate social das mães no pós-parto..
- A mulher moderna está acostumada a sair todo dia, trabalhar, ter sua rotina e, de repente, se vê com aquele bebezinho em casa, sem programa e sente vontade de conversar com outras pessoas e de ver o que está se falando...
Estrutura
O site do projeto (www.cinematerna.org.br) tira dúvidas e informa a programação dos cinemas para as mamães. Aquelas que se cadastrarem podem até participar da votação que seleciona os filmes exibidos nas próximas sessões..
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Para receber as famílias, as salas usadas no projeto passam por adaptações. O ar-condicionado e o som são mais baixos, parte da luz permanece acesa e trocadores ficam disponíveis para que as mamães troquem a fralda dos bebês sem perder nenhuma cena. As sessões são realizadas no primeiro horário da sala de cinema, garantindo mais limpeza e tranquilidade no local. A doutoranda Suia Omim, mãe de Teresa, de apenas quatro meses, foi pela primeira vez ao CineMaterna e aprovou..
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- Ter essa estrutura realmente faz uma diferença. Não é uma sessão de cinema em que você vai ser “o estranho” por estar com um bebê..
.
Para manter toda a sua proposta, o CineMaterna conta com um patrocínio e co-patrocínios. Uma empresa de cosméticos é uma das grandes responsáveis por permitir a expansão do projeto. Já os cinemas onde acontecem as sessões ficam com o retorno da bilheteria e da publicidade de tela..
O CineMaterna também tem suas regras para os frequentadores. Logo na entrada da sala de cinema e durante o trailler, as mamães ficam cientes da etiqueta para as sessões. Entre as boas condutas estão não levar brinquedos que emitam muito luz e façam barulho, nem tirar fotos com flash durante a sessão. Nada que tire o prazer e a beleza do programa com os bebês..
R7
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Debutantes de comunidade carente têm festas simples sem abrir mão do glamour
Enquanto as debutantes do Morro da Providência ganham uma noite de gala promovida pela Unidade de Polícia Pacificadora, famílias de outras comunidades dão seu jeito para realizar o sonho de suas jovens com orçamentos enxutos, mas nem por isso sem glamour.
Mônica Andrade, de 39 anos, trabalha há cinco anos promovendo festas nas comunidades do Complexo da Maré, na Zona Norte.
Ela conta que, lá, as festas de debutantes costumam ser em lajes, na rua ou em pequenos salões alugados, e o padrão costuma ser "bem simples, simples ou médio". O jeito é usar a imaginação e o bom humor para compensar quando há falta de recursos, diz.
Assim, um tapete quadriculado pode dar um ar de discoteca à laje; uma televisão pode substituir o telão para exibir as clássicas imagens da infância; e os garçons fazem um pouco de graça para substituir o "príncipe".
"Já que não podemos chamar um Caíque Brito ou um Reynaldo Gianecchini, meus garçons são todos gatinhos, para chamar a atenção das meninas", diverte-se ela, que recruta o filho, o genro, o marido e amigos para servir. "Quando não temos dinheiro, temos que fazer outras coisas para fazer brilhar os olhos das meninas. E os pais ficam felizes por realizar o sonho delas."
As famílias que a procuram costumam ganhar entre um e dois salários mínimos por mês. Costumam economizar bastante para fazer as festas, que custam a partir de R$ 1 mil (com "uma mesinha decorada, um bolo, um pouco de docinho, salgadinho e refrigerante" para entre 80 e 100 pessoas) e podem chegar a R$ 4 mil.
"É uma data muito importante, a menina está se preparando para a vida adulta. Às vezes vale a pena você deixar de trocar a carne de primeira pela de segunda por uns meses para realizar o sonho delas. Mas a primeira pergunta que faço para eles é quanto têm disponível para gastar. Deixo bem claro que não precisa ir além daquilo que podem", diz.
Festa especial
Na medida do possível, porém, Mônica procura convencer os pais a deixar a festa o mais "especial" possível. "Não basta ter só o parabéns, tem que ter um algo a mais", diz ela. Assim, quando os pais de Priscila Alves da Silva foram encomendar um bolo para comemorar seus 15 anos com um churrasco na rua, ela tratou de argumentar.
"O pai queria fazer um churrasco enorme mas estava esquecendo o glamour da história. Consegui convencê-los a mudar para um jantar e investir na beleza da festa. Deixou de ser de rua para ser num salão próximo da casa deles, pelo mesmo dinheiro. Ela ficou encantada", diz.
"Foi bem melhor, porque ficou uma coisa mais organizada, mais especial", lembra Priscila, ainda com 15 anos. "Acabamos fazendo uma festa à fantasia. Comecei de Alice no País das Maravilhas e depois troquei para A Bela e a Fera", diz, referindo-se aos figurinos das protagonistas das histórias.
Mudar de roupa para a hora dos parabéns ainda é uma tradição na maioria das festas na Maré, conta Monica.
A jovem Zenyth Silva de Souza, que vai fazer sua festa em janeiro, já escolheu os dois modelos que vai vestir numa revista, e vai mandar fazer com uma costureira.
"O branco é longo, para a meia-noite. Vai ser um pouco rodado mas não tanto, para não ficar muito exagerado. E o outro vai ser cheio de paetezinho, rosa bem clarinho, até o joelho", conta. "Estou muito ansiosa para chegar no dia. Minha mãe está tendo que economizar bastante para fazer. Espero que seja ótimo, que todo mundo possa se alegrar."
'Tia Gostosona'
Mônica afirma que já fez festa até festa debaixo de escada, em casas apertadas, e que não é o tamanho que importa. "O importante é que as minhas meninas se sintam felizes, lindas e realizadas."
Ela chama as debutantes de "minhas meninas" e, em troca, ganhou na comunidade o apelido de "Tia Gostosona". "Trabalho com festa, com bolo, com coisa gostosa e sou simpática. Aí ganhei esse apelido", ri. "Tem que fazer as coisas com amor e carinho, se não a coisa não dá certo. Se só pensar em ganhar dinheiro, dentro de favela não funciona."
Professor da Universidade Federal Fluminense e coordenador-geral do Observatório de Favelas, Jailson de Souza e Silva diz que a vida nas favelas é marcada pelo desejo de celebrar, e que com festas de 15 anos não é diferente.
"As festas são muito valorizadas, seja com mais ou menos grana", diz, chamando atenção para uma característica forte na favela: a cultura da abundância. "Oferecer as melhores coisas possíveis para os convidados é uma coisa central na favela. As pessoas costumam brincar que em festa de classe média se passa fome, não tem comida", diz.
Para Souza e Silva, o fato de um baile de debutantes estar sendo promovido para jovens do Morro da Providência pode dar a falsa impressão de que aquelas meninas "carentes" (as aspas são dele) não teriam outra opção.
"A celebração de festas de 15 anos costuma ser algo muito valorizado. Esse esforço está lá presente, não é algo que a polícia esteja inventando", ressalta.
O professor chama atenção para o risco de tais festas serem vistas como algo supérfluo pela classe média. "Um problema tradicional é achar que o pobre não pode viver a dimensão do simbólico. Existe uma extrema pressão para que setores populares só vivam a dimensão do trabalho, do que é útil, produtivo. É um olhar preconceituoso. Alguns tipos de investimento no plano simbólico são fundamentais", diz.
BBC Brasil
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Do lixo à elite das escolas da rede pública estadual
O melhor colégio da Região Metropolitana do Rio é formado, basicamente, por filhos de catadores do aterro de Gramacho
POR MARIA LUISA BARROS
Rio - Lições de superação de pais, alunos e professores estão levando escolas do interior e da Baixada ao topo do ensino público no estado do Rio. Resultado do primeiro Saerjinho (provão de avaliação) do ano mostra que das 1.457 escolas da rede estadual, as seis melhores do 9º ano do Ensino Fundamental estão em Trajano de Morais, Cardoso Moreira, Duque de Caxias, Porciúncula e Conceição de Macabu. A melhor da Região Metropolitana é formada, basicamente, por filhos de catadores de lixo.
Por trás do bom desempenho de estudantes na avaliação da Secretaria Estadual de Educação para medir o aprendizado em Português e Matemática, histórias de famílias pobres que não medem esforços pelo futuro dos filhos. Na melhor escola da Região Metropolitana do Rio, a Escola Estadual Lara Villela, em Caxias, muitos alunos são filhos de catadores do Aterro Sanitário de Jardim Gramacho.
Como Adriele da Silva Lopes, 15 anos, que tem planos de voar mais alto que os pais e se tornar aeromoça. “Quero ser alguém na vida e ajudar minha família”, sonha a jovem, que está no 9º ano do Ensino Fundamental. O apoio vem da mãe, a catadora Neuza Maria da Silva Lopes, 34, que estudou só até a antiga 5ª série. “Eu trabalho no lixo porque não tive estudo. Mas não quero essa vida para os meus filhos. Por isso brigo muito pela escola e cobro dever de casa”, ensina Neuza, que retira do lixo livros de poemas para a filha. “Ela adora poesia”, diz. Não foi à toa que o gosto pela leitura rendeu à escola 81,4% de acertos em Português, maior que o de Matemática (75,9%), numa pontuação de zero a 100.
No ranking geral, a campeã foi a E.E.Doutor José de Moraes Souza, em Trajano de Morais, município de 12 mil habitantes na Região Serrana. Lá os alunos acertaram 87,3% em Português e 95,4% em Matemática. “No interior, as famílias participam mais da vida escolar”, avalia o secretário de Educação, Wilson Risolia.
Na campeã, quilômetros de caminhada e nenhuma falta
Jovens que estudam no interior se saem melhor do que os colegas de escolas da Região Metropolitana. Foi o que apontou o Saerjinho. Nos pequenos municípios fluminenses, 75% dos estudantes tiveram desempenho bom e alto, contra 66% dos alunos dos grandes centros urbanos.
“Aqui eles não são só um número na chamada. Todos se conhecem e isso facilita o aprendizado”, diz o diretor Joarênio Neves Olegário, da E.E. Dr. José de Moraes Souza, em Tapera, distrito de Trajano de Morais, a primeira colocada. Segundo ele, mesmo enfrentando quilômetros a pé para pegar o ônibus que leva até a escola, os alunos não desanimam: “Temos 100% de frequência”.
O incentivo aos estudos vem das olimpíadas do conhecimento disputadas entre escolas da cidade, oficinas de leitura e cumprimento do currículo mínimo adotado pela secretaria para orientar escolas sobre o conteúdo que deve ser dado nas disciplinas.
Para Paolo Fontani, coordenador da Unesco no Brasil, a participação da comunidade faz a diferença: “Pais devem ter a consciência do ensino para o futuro dos filhos. A educação é a única chance para que cada um possa mudar a condição em que vive”.
De olho grudado no quadro de metas
Em Caxias, alunos do C. E. Lara Villela não tiram o olho do painel de gestão colado na parede. Lá estão as metas de desempenho — frequência de alunos e professores, presença dos pais nas reuniões, prevenção da gravidez entre outras—, que devem ser melhoradas a cada dois meses, com a supervisão da Secretaria de Educação. “Se estamos no vermelho temos que trabalhar para chegar no verde”, explica a diretora Delorne Bruno Maia.
Na escola onde estudam 600 alunos do 6º ao 9º ano, além do noturno para adultos, eles têm aulas de xadrez, vídeo, produção de texto com jornais e praticam vôlei e futsal. “Antes ajudavam os pais a catar lixo. Agora ninguém fica ocioso. Se agarram a qualquer oportunidade de poder sair da vida que levam”, reconhece Delorne.
POR MARIA LUISA BARROS
Rio - Lições de superação de pais, alunos e professores estão levando escolas do interior e da Baixada ao topo do ensino público no estado do Rio. Resultado do primeiro Saerjinho (provão de avaliação) do ano mostra que das 1.457 escolas da rede estadual, as seis melhores do 9º ano do Ensino Fundamental estão em Trajano de Morais, Cardoso Moreira, Duque de Caxias, Porciúncula e Conceição de Macabu. A melhor da Região Metropolitana é formada, basicamente, por filhos de catadores de lixo.
Por trás do bom desempenho de estudantes na avaliação da Secretaria Estadual de Educação para medir o aprendizado em Português e Matemática, histórias de famílias pobres que não medem esforços pelo futuro dos filhos. Na melhor escola da Região Metropolitana do Rio, a Escola Estadual Lara Villela, em Caxias, muitos alunos são filhos de catadores do Aterro Sanitário de Jardim Gramacho.
Como Adriele da Silva Lopes, 15 anos, que tem planos de voar mais alto que os pais e se tornar aeromoça. “Quero ser alguém na vida e ajudar minha família”, sonha a jovem, que está no 9º ano do Ensino Fundamental. O apoio vem da mãe, a catadora Neuza Maria da Silva Lopes, 34, que estudou só até a antiga 5ª série. “Eu trabalho no lixo porque não tive estudo. Mas não quero essa vida para os meus filhos. Por isso brigo muito pela escola e cobro dever de casa”, ensina Neuza, que retira do lixo livros de poemas para a filha. “Ela adora poesia”, diz. Não foi à toa que o gosto pela leitura rendeu à escola 81,4% de acertos em Português, maior que o de Matemática (75,9%), numa pontuação de zero a 100.
No ranking geral, a campeã foi a E.E.Doutor José de Moraes Souza, em Trajano de Morais, município de 12 mil habitantes na Região Serrana. Lá os alunos acertaram 87,3% em Português e 95,4% em Matemática. “No interior, as famílias participam mais da vida escolar”, avalia o secretário de Educação, Wilson Risolia.
Na campeã, quilômetros de caminhada e nenhuma falta
Jovens que estudam no interior se saem melhor do que os colegas de escolas da Região Metropolitana. Foi o que apontou o Saerjinho. Nos pequenos municípios fluminenses, 75% dos estudantes tiveram desempenho bom e alto, contra 66% dos alunos dos grandes centros urbanos.
“Aqui eles não são só um número na chamada. Todos se conhecem e isso facilita o aprendizado”, diz o diretor Joarênio Neves Olegário, da E.E. Dr. José de Moraes Souza, em Tapera, distrito de Trajano de Morais, a primeira colocada. Segundo ele, mesmo enfrentando quilômetros a pé para pegar o ônibus que leva até a escola, os alunos não desanimam: “Temos 100% de frequência”.
O incentivo aos estudos vem das olimpíadas do conhecimento disputadas entre escolas da cidade, oficinas de leitura e cumprimento do currículo mínimo adotado pela secretaria para orientar escolas sobre o conteúdo que deve ser dado nas disciplinas.
Para Paolo Fontani, coordenador da Unesco no Brasil, a participação da comunidade faz a diferença: “Pais devem ter a consciência do ensino para o futuro dos filhos. A educação é a única chance para que cada um possa mudar a condição em que vive”.
De olho grudado no quadro de metas
Em Caxias, alunos do C. E. Lara Villela não tiram o olho do painel de gestão colado na parede. Lá estão as metas de desempenho — frequência de alunos e professores, presença dos pais nas reuniões, prevenção da gravidez entre outras—, que devem ser melhoradas a cada dois meses, com a supervisão da Secretaria de Educação. “Se estamos no vermelho temos que trabalhar para chegar no verde”, explica a diretora Delorne Bruno Maia.
Na escola onde estudam 600 alunos do 6º ao 9º ano, além do noturno para adultos, eles têm aulas de xadrez, vídeo, produção de texto com jornais e praticam vôlei e futsal. “Antes ajudavam os pais a catar lixo. Agora ninguém fica ocioso. Se agarram a qualquer oportunidade de poder sair da vida que levam”, reconhece Delorne.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
MP vai lançar campanha de alerta sobre consumo de drogas
RIO - Com o objetivo de alertar a sociedade para os riscos do consumo de drogas, garantirndo o tratamento adequado ao usuário e sua reinserção à sociedade, o Ministério Público do Rio vai lançar na próxima sexta-feira, às 9 horas, a Campanha "Combate às Drogas - Restabelecendo Laços", com ênfase no crack.
O MP vai orientar políticas públicas e programas para auxiliar a família dos usuários, como o encaminhamento aos Centros de Atenção Psicossocial - CAPS, e deverá adotar medidas judiciais para garantir o tratamento em caso de falta de vagas ou recusa no atendimento.
Promotores e servidores do MP estão sendo capacitados para atuarem nessa frente, e um mapeamento dos municípios fluminenses com mais de 70 mil habitantes já está sendo feito para identificar quais possuem centros especiais para o tratamento da dependência química. Após o levantamento, o MP vai procurar autoridades municipais para debater a criação e a manutenção desses centros. O trabalho será realizadopor promotores das áreas Criminal, Cível, da Tutela da Saúde, da Tutela Coletiva da Cidadania e da Infância e Juventude.
O Globo
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Fotógrafa explora inserção de animais na sociedade
Por mais de uma década, a fotógrafa americana Colleen Plumb percorreu o país retratando situações que mostravam como diferentes tipos de animais estavam inseridos na sociedade atual.
O resultado desse trabalho foi transformado na série Animals are Outside Today (Animais estão fora hoje, em tradução livre), que reúne mais de 70 imagens expostas em uma galeria de Miami e em um livro homônimo.
Parte das imagens da série mostra animais vivos, sejam domesticados ou em seu habitat natural. Mas há também fotos de de animais mortos, usados para decoração, estudo ou consumo.
O resultado desse trabalho foi transformado na série Animals are Outside Today (Animais estão fora hoje, em tradução livre), que reúne mais de 70 imagens expostas em uma galeria de Miami e em um livro homônimo.
Parte das imagens da série mostra animais vivos, sejam domesticados ou em seu habitat natural. Mas há também fotos de de animais mortos, usados para decoração, estudo ou consumo.
No entanto, há também imagens de animais mortos, usados para decoração, estudo ou consumo, caso do porco assado desta foto. Fotos cortesia: artista e galerias Dina Mitrani e Jen Bekman
Plumb conta que ela sempre se interessou por essa crescente desconexão entre humanos e o mundo natural. Fotos cortesia: artista e galerias Dina Mitrani e Jen Bekman A fotógrafa explica que sua ideia era a de investigar a afinidade em relação a alguns bichos e a falta de conexão com outros.
BBC Brasil
sábado, 11 de junho de 2011
CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DO RIO DE JANEIRO
Povo Fluminense,
Os Bombeiros do Rio de Janeiro, profissionais trabalhadores, ordeiros e competentes, em respeito à população que sempre defenderam, por vezes com o sacrifício da própria vida, vem a público esclarecer o que tem ocorrido na Corporação e no Governo do Estado e o que levou companheiros e seus familiares a desafiarem os desmandos do Comandante Geral Cel Pedro Marco e do Governador Sérgio Cabral.
Como sabemos, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro é uma corporação voltada para a preservação de vidas e proteção de Bens da população do Estado do Rio de Janeiro.
Ao longo da sua existência, o CBMERJ sempre se pautou pela hierarquia e disciplina e também pela credibilidade de seus serviços, estando ao lado da população Fluminense em todas as suas aflições e enfrentando com bravura as calamidades naturais que atingem o Estado. São inúmeras as vidas salvas e os bens preservados pelos profissionais do Corpo de Bombeiros, que a população chama carinhosamente de Heróis. Ao nos formarmos, juramos defender a população com o Sacrifício da nossa própria vida e assim temos feito ao longo desses 155 anos de existência.
A Corporação recolhe cadáveres, combate os mosquitos da dengue, atua nas UPAS, guarnece o sambódromo no carnaval e atua no Rock in Rio (sem remuneração extra, embora o evento seja cobrado ao público), além de exercer as suas funções de salvamentos e combate à incêndio, recebendo um dos PIORES SALÁRIOS pagos pela categoria no Brasil (tabela ao Final).
O reequipamento da Corporação não é mérito do Governador, mas sim da população do Estado do Rio de Janeiro que paga a taxa de incêndio e que, ainda assim, não sabe que os recursos não são totalmente destinados à Corporação.
A Ira do Sr. Sérgio Cabral, com os Bombeiros, vem de 2009, quando foi vaiado pela Corporação durante o lançamento da Campanha “Cultura Antidengue” no ginásio do Maracanãzinho e desde então tem discriminado os Bombeiros militares, sejam nas gratificações (usando seu poder de discricionariedade) seja nas condições de trabalho (vocês viram alguma homenagem aos heróis que morreram na calamidade da Região Serrana?)
Agora, a população do Estado do Rio de Janeiro, assiste a sua Corporação de heróis ser aviltada e achincalhada pelas atitudes ditatoriais do Governador Sérgio Cabral que culminou com os manifestantes adentrando o Quartel Central da Corporação, no ultimo dia 03, para serem ouvidos pelo seu Comandante Geral, que omisso, serviu de “pau mandado” do governador Sérgio Cabral e ignorou os clamores de sua Tropa, nem comparecendo ao local.
O Governador Sérgio Cabral, adotando os melhores recursos da DITADURA, mandou o BOPE invadir com tiros e bombas o Quartel Central do Corpo de Bombeiros, ferindo militares honestos, mulheres e crianças indefesas. Atitude inadmissível em um Estado democrático de Direito!
Porque o Comandante Geral do CBMERJ, Cel Pedro Marco, não tomou as medidas necessárias para a retirada de seus militares do pátio do Quartel Central? Estavam todos desarmados e com seus familiares. Não era necessário o uso da força e sim do diálogo. Os Bombeiros são pacíficos por natureza.
O Governador nunca gostou da Corporação. Nomeou para Secretário o Ex médico do CBMERJ Sérgio Côrtes, um homem que deixou a Corporação por não concordar com os baixos salários e a carga de trabalho excessiva e agora nada faz para ajudar a Corporação, apenas integra os desmandos administrativos e superfaturados do Governo do Estado na área da saúde.
Assistimos perplexos ao Comandante Geral da PMERJ usurpar o Comando do CBMERJ e se dirigir, dentro do quartel dos Bombeiros, à tropa de profissionais honestos como se bandidos fossem.
Nossos militares foram presos e conduzidos aos quartéis da PMERJ como criminosos apenas por reivindicar dignidade profissional!
Se nossos companheiros erraram ao ADENTRAR a SUA SEGUNDA MORADA, o Governador foi CRIMINOSO e DITATORIAL ao ordenar a invasão do Quartel Central dos Bombeiros pelo BOPE com uso de FORÇA, TIROS E BOMBAS, como se ali fosse uma antro de criminosos e não de profissionais que arriscam a sua vida pela população, CAUSANDO FERIMENTO EM MULHERES E CRIANÇAS e obrigando a nossos companheiros ao confronto.
AJUDEM AQUELES QUE SEMPRE O SOCORRERAM!!!
NUNCA DEIXAMOS DE ATENDER E SOCORRER A POPULAÇÃO!
MOSTRE A SUA INDIGNAÇÃO POR ESSE ATO VIOLENTO E DITATORIAL DO GOVERNADOR SERGIO CABRAL!!!
MOSTRE O SEU APOIO AOS BOMBEIROS!
ENVIEM ESSA CARTA PARA TODOS OS SEUS AMIGOS.
ACOMPANHEM E APOIEM O NOSSO MOVIMENTO PELO SITE http://www.sosguardavidas.com
SALÁRIOS BRUTOS NO BRASIL:
01º - Brasília - R$ 4.129.73
02º - Sergipe – R$ 3.012.00
03º - Goiás – R$ 2.722.00
04º - Mato Grosso do Sul – R$ 2.176.00
05º – São Paulo – R$ 2.170.00
06º – Paraná – R$ 2.128,00 1
07º - Amapá – R$ 2.070.00
08º – Minas Gerais - R$ 2.041.00
09º - Maranhão– R$ 2.037.39
10º – Bahia – inicial - R$ 1.927.00
11º - Alagoas - R$ 1.818.56
12º - Rio Grande do Norte – R$ 1.815.00
13º - Espírito Santo – R$ 1.801.14
14º - Mato Grosso – R$ 1.779.00
15º - Santa Catarina – R$ 1.600.00
16º - Tocantins – R$ 1.572.00
17º - Amazonas – R$ 1.546.00
18º - Ceará – R$ 1.529,00
19º - Roraima – R$ 1.526.91
20º - Piauí – R$ 1.372.00
21º - Pernambuco – R$ 1.331.00
22º - Acre – R$ 1.299.81
23º - Paraíba – R$ 1.297.88
24º - Rondônia – R$ 1.251.00
25º - Pará – R$ 1.215,00
26º - Rio Grande do Sul – R$ 1.172.00
27º - Rio de Janeiro - R$ 1.031,38 (SEM VALE TRANSPORTE)
O RIO DE JANEIRO é o Estado que mais recebe investimentos no Brasil, é o 2º que mais arrecada impostos. Pretende Sediar o Rock in Rio, as Olimpíadas militares, a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016.
Há algo de errado e Podre no Governo do Exmo Sr Governador Sérgio Cabral Filho!!!
Coloque uma fita vermelha nos seus veiculos para demonstrar seu apoio aos bombeiros !!!!
Robson Simas – Cel BM RRem
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Falta de civilidade atrapalha autoridades e prejudica o patrimônio público

Em Porto Alegre, deverá ser lançada nas próximas semanas uma campanha destinada a combater a má-educação urbana
Em um ano, a Brigada Militar recebe mais de 300 mil trotes no Estado. Todos os meses, 6,6 mil orelhões são danificados. Diariamente, mais de 400 motoristas são multados por estacionar o carro em local proibido.
Os números escancaram como a falta de civilidade conturba a vida de gaúchos e brasileiros, desafiando sociedade e autoridades a encontrar soluções. Em Porto Alegre, deverá ser lançada nas próximas semanas uma campanha destinada a combater a má-educação urbana.
Na semana passada, a pichação da chaminé da Usina do Gasômetro – um dos cartões-postais da Capital – se transformou em mais uma evidência da falta de cuidado da população com o patrimônio público. No mesmo dia, nove toneladas de lixo foram retiradas do Delta do Jacuí, e ladrões furtaram parafusos da canalização do Conduto Álvaro Chaves. Consultas a órgãos públicos e empresas privadas, porém, mostram que o impacto das más ações é bem mais amplo.
Embora não exista uma contabilidade global dos prejuízos financeiros e morais provocados pela incivilidade, é fácil perceber o custo social gerado pelo registro de 37 trotes a cada hora para o telefone de emergência da Brigada Militar – que muitas vezes resulta na mobilização inútil de homens e viaturas, além de ocupar linhas telefônicas prioritárias. Para a historiadora e cientista política da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) Ana Simão, a origem de comportamentos como esse está na relação do cidadão comum com o Estado.
— A sociedade não percebe o que é público como seu. O resultado disso é a necessidade de que o Estado esteja presente em tudo o tempo inteiro — avalia, lembrando que o perfil patrimonialista do Estado brasileiro reforça esse sentimento.
Zero Hora
Os números escancaram como a falta de civilidade conturba a vida de gaúchos e brasileiros, desafiando sociedade e autoridades a encontrar soluções. Em Porto Alegre, deverá ser lançada nas próximas semanas uma campanha destinada a combater a má-educação urbana.
Na semana passada, a pichação da chaminé da Usina do Gasômetro – um dos cartões-postais da Capital – se transformou em mais uma evidência da falta de cuidado da população com o patrimônio público. No mesmo dia, nove toneladas de lixo foram retiradas do Delta do Jacuí, e ladrões furtaram parafusos da canalização do Conduto Álvaro Chaves. Consultas a órgãos públicos e empresas privadas, porém, mostram que o impacto das más ações é bem mais amplo.
Embora não exista uma contabilidade global dos prejuízos financeiros e morais provocados pela incivilidade, é fácil perceber o custo social gerado pelo registro de 37 trotes a cada hora para o telefone de emergência da Brigada Militar – que muitas vezes resulta na mobilização inútil de homens e viaturas, além de ocupar linhas telefônicas prioritárias. Para a historiadora e cientista política da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) Ana Simão, a origem de comportamentos como esse está na relação do cidadão comum com o Estado.
— A sociedade não percebe o que é público como seu. O resultado disso é a necessidade de que o Estado esteja presente em tudo o tempo inteiro — avalia, lembrando que o perfil patrimonialista do Estado brasileiro reforça esse sentimento.
Zero Hora
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
PB: Programa antidrogas é reformulado

Sistema antidrogas estadual seguia a legislação de 1976. Novas diretrizes preveem programas de reinserção e também a participação da Secretaria de Juventude
do clipping da Andi
A lei que instituiu a reformulação do Sistema Estadual de Políticas sobre Drogas (SEPD), na Paraíba, foi publicada no último sábado (18) no Diário Oficial do Estado (DOE). As alterações estão de acordo com a nova lei de políticas de prevenção às drogas no País, que atualmente segue a legislação de 2006. Na Paraíba, o Sistema ainda seguia a legislação de 1976. A reformulação do SEPD abrange o desenvolvimento e execução de ações de prevenção e combate às drogas. Mas, além disso, deverá ser criado projeto para inserir socialmente os usuários e dependentes de drogas e a realização de campanhas de prevenção. Outra novidade é a inclusão de secretarias de Estado, entre elas a da Juventude.
Fonte: Jornal da Paraíba (PB) – 21/12/2010
prómenino
do clipping da Andi
A lei que instituiu a reformulação do Sistema Estadual de Políticas sobre Drogas (SEPD), na Paraíba, foi publicada no último sábado (18) no Diário Oficial do Estado (DOE). As alterações estão de acordo com a nova lei de políticas de prevenção às drogas no País, que atualmente segue a legislação de 2006. Na Paraíba, o Sistema ainda seguia a legislação de 1976. A reformulação do SEPD abrange o desenvolvimento e execução de ações de prevenção e combate às drogas. Mas, além disso, deverá ser criado projeto para inserir socialmente os usuários e dependentes de drogas e a realização de campanhas de prevenção. Outra novidade é a inclusão de secretarias de Estado, entre elas a da Juventude.
Fonte: Jornal da Paraíba (PB) – 21/12/2010
prómenino
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