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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

"É preciso denunciar e não ter medo", recomenda ministra sobre tráfico de pessoas


Brasília – O governo do Brasil vai intensificar a campanha de combate ao tráfico de pessoas, ampliando o serviço de atendimento às denúncias sobre esse mercado. Para obter resultados, a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, faz um apelo, em entrevista à Agência Brasil: “A primeira coisa a fazer é denunciar e não ter medo. Ser traficada, ser violentada, não é vergonha para ninguém. Podem ter certeza, o governo brasileiro está do lado das mulheres e vítimas. O governo não aceita mais conviver com o tráfico”.

A ministra lembrou que o tráfico envolve não só mulheres, mas crianças e homossexuais. “Denunciar vale para todos. A pessoa não pode ser discriminada nem excluída por causa de sua escolha sexual. Falo isso de alma e coração. O governo não aceita conviver com a homofobia nem com a lesbofobia. Somos todos brasileiros. É uma diretriz de governo, uma posição e uma convicção”, ressaltou. A seguir, os principais trechos da entrevista da ministra:

Agência Brasil – O aumento das discussões sobre o tráfico de mulheres é provocado pela elevação de casos nos últimos meses?
Eleonora Menicucci – Não. Isso não significa que aumentou, mas, sim, que o assunto saiu do esconderijo e só sai de baixo do tapete quando há um governo determinado a resolver a questão. A presidenta Dilma Rousseff é obcecada pelo tema do enfrentamento à violência e ao tráfico de pessoas e por isso há uma política de governo neste sentido. No que se refere ao tráfico de pessoas, historicamente as crianças e as mulheres são as principais vítimas.

Agência Brasil – Há uma razão para que mulheres e crianças sejam as principais vítimas do tráfico de pessoas?
Eleonora Menicucci – As crianças, porque indefesas, e as mulheres porque ainda predomina o sistema do patriarcado, no qual elas são traficadas para fins de negócios e de mercado. As mulheres são objeto de negócios, no caso, do [mercado de] sexo. O que não tem relação alguma com prostituição, é preciso fazer essa distinção.

Agência Brasil – Qual a diferença entre tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e prostituição?
Eleonora Menicucci – A mulher quando é traficada, o objetivo é que outros ganhem dinheiro [à custa dela]. Isso é crime. A prostituição, a pessoa faz programas sexuais para viver – ou não, mas de alguma maneira é [uma iniciativa] espontânea.

Agência Brasil – Há mais de um ano participando da campanha de combate ao tráfico de pessoas, o que a senhora recomenda para as famílias das vítimas e até mesmo para quem foi aliciado?
Eleonora Menicucci – Antes de tudo, a primeira coisa é denunciar e não ter medo. Ser traficada, ser violentada não é vergonha para ninguém. Podem ter certeza, o governo brasileiro está do lado das mulheres e vítimas. O governo não aceita mais conviver com o tráfico. Quem fazia isso [traficar pessoas] era a escravidão. Estamos empenhados em acabar com os resquícios da escravidão.

Agência Brasil – Homossexuais e transexuais também são vítimas das redes de tráfico de pessoas. O governo observa isso?
Eleonora Menicucci – Denunciar vale para todos. A pessoa não pode ser discriminada nem excluída por causa de sua escolha sexual. Falo isso de alma e coração. O governo não aceita conviver com a homofobia nem com a lesbofobia. Somos todos brasileiros. É uma diretriz de governo, uma posição e uma convicção.

Agência Brasil – O governo concentrou-se no combate às redes de tráfico de pessoas em Portugal, na Espanha e na Itália. Há pretensões de ampliar a campanha para outros países?
Eleonora Menicucci – Sim. Queremos ampliar ainda este ano.Vários acertos estão sendo feitos. Mas é um processo. Esses países [Portugal, Espanha e Itália] foram escolhidos devido à facilidade de tráfico existente nessas regiões. Além disso, a crise econômica [internacional] acabou aumentando a ação dos traficantes e o idioma [próximo ao português falado no Brasil] também ajuda. Mas há também casos [em investigação] em El Salvador, na França, em Luxemburgo e na Suíça.

Agência Brasil – Para a senhora, a atuação da CPI do Tráfico de Pessoas vai colaborar com a campanha nacional?
Eleonora Menicucci – Acho extraordinário [o trabalho] da CPI. É uma proposta que vem somar ao enfrentamento ao tráfico de pessoas. Sem dúvida, agrega e sensibiliza a atuação do Congresso.

Agência Brasil – O tráfico existe de uma forma geral, então?
Eleonora Menicucci – O tráfico existe dentro do próprio país. No Sul, no Sudeste, no Centro-Oeste, no Nordeste e no Norte. Outro dia desbarataram uma casa em São Paulo e foram encontradas meninas de 12 anos.

Agência Brasil – O traficante tem um perfil?
Eleonora Menicucci – Os envolvidos com o tráfico são pessoas do círculo de conhecimento da vítima, que vigiam a rotina dela. Em geral, os traficantes fiscalizam e acompanham a rotina da vítima, depois partem para o assédio. Em Salamanca [Espanha], por exemplo, eles observavam a rotina das mulheres na academia de ginástica. Mas também é bastante frequente fazer isso em bares.

Agência Brasil – A estratégia de assédio é, em geral, a mesma?
Eleonora Menicucci – As mulheres são seduzidas com a promessa de uma vida melhor, de trabalho com carteira assinada e de forma mais digna. [Em geral], são mulheres pobres, mas há também casos de classe média. Todas têm sonhos de melhorar de vida. Não quer dizer que só as mulheres pobres são vulneráveis. São mulheres bonitas, jovens e promissoras.

Agência Brasil – Quando desembarcam no país prometido, a realidade é totalmente diferente da informada nos primeiros contatos…
Eleonora Menicucci – As mulheres ganham as passagens e as promessas são as mais variadas. Quando chegam [ao país prometido], os documentos são retirados e são informadas que têm dívidas. Houve uma jovem que a dívida dela era de mais de 5 mil euros [mais de R$15 mil]. [Essas mulheres] são confinadas em condições desumanas e sem alimentação. As quadrilhas as mantêm em lugares do tipo boate e não saem para nada. [Também] são obrigadas a ter relação [sexual] o tempo todo.

promenino

sábado, 19 de janeiro de 2013

A cada cinco dias, uma pessoa é vítima do tráfico de seres humanos no Brasil


Europa é o principal destino das pessoas neste novo mercado escravagista

George morreu na Alemanha. Cláudia viveu por lá, mas em cárcere privado. Outras três mulheres, também gaúchas, foram presas em Hamburgo. Talita padeceu como escrava na Itália. E uma sexta jovem se viu forçada a virar dançarina de boate na Espanha. Parece ficção, roteiro perfeito para ser incluído na novela Salve Jorge. Mas é a pura realidade. São histórias de quem virou mercadoria nas mãos de traficantes internacionais de seres humanos.

A Europa é o principal centro deste novo mercado escravagista do século 21. Alemanha, Itália e Espanha estão entre os países onde brasileiros são subjugados, como ocorreu com os personagens desta reportagem.

Todos eles jovens ambiciosos, cruzaram o Atlântico sonhando alto com uma oportunidade de dar uma guinada na vida. Mas todos foram enganados. Cláudia Guedes, aos 28 anos, acreditou em um agente de modelos que a ajudaria a encontrar um príncipe encantado na Alemanha, mas acabou vendida a um comerciante por R$ 20 mil.

Também na Alemanha, George Teixeira, 23 anos, caiu na conversa de que seria instrutor de academia e sucumbiu como stripper, até ser encontrado enforcado. A versão oficial é de suicídio, mas a família nunca acreditou nisso.

— Mataram meu filho — esbraveja em prantos a cozinheira desempregada Terezinha Natália de Souza, 59 anos, que jamais viu o corpo de George, enterrado em Hamburgo, há 14 anos.

Estudos indicam que o Brasil é o maior "exportador" de pessoas da América Latina. E, este ano, deverá assumir o segundo lugar como país onde mais são julgados processos criminais referentes ao tráfico de seres humanos.

A cada cinco dias, uma vítima é alvo deste tipo de crime em solo brasileiro — seja para o tráfico interno ou externo, conforme levantamento de outubro realizado pela Secretaria Nacional de Justiça, em conjunto com o Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes (UNODC). A maioria é explorada sexualmente, predominantemente jovens mulatas e negras, um fetiche dos europeus.

A CPI do Tráfico de Pessoas do Senado, finalizada em dezembro, listou 867 inquéritos instaurados pela Polícia Federal (PF) sobre este tipo de crime nas últimas duas décadas, incluindo 29 no Rio Grande do Sul.

Um deles resultou na prisão, às vésperas do Natal, de Ernani Fernandes da Silva, 49 anos, ex-dançarino em boates da Alemanha que se escondia em Viamão, onde atuava como xamã — uma espécie de curandeiro. Ernani estava foragido da Justiça Federal desde 2006, quando foi condenado a seis anos e dois meses de prisão por aliciar três jovens para prostituição na Alemanha, onde acabaram presas no aeroporto de Hamburgo e deportadas, em 1999. A pena imposta a Ernani inclui a acusação de induzir outra mulher que foi trabalhar em uma boate na Espanha. E foi na casa de Ernani, em Hamburgo, que George desembarcou para a viagem sem volta à Alemanha.

O tráfico de pessoas é crime, mesmo que a vítima seja conivente com a situação. E é considerado de difícil repressão, principalmente quando o destino é o Exterior, porque nem sempre quem é coagido se dispõe ou tem chance de delatar o algoz.

— A pessoa está em um país estranho, irregularmente, não fala o idioma local e tem medo de procurar as autoridades. O seu único elo de segurança acaba sendo o explorador, a quem fica completamente à mercê, sofrendo humilhações e espancamentos — analisa a delegada Diana Calazans Mann, da Delegacia de Defesa Institucional, da PF gaúcha.

Diana critica a complacência com os que estão à frente de casas de prostituição, os cafetões, atividade classificada como crime:

— Existem sentenças de absolvição de donos de prostíbulos sob o princípio da adequação social. É um contrassenso. Há uma política de repressão ao tráfico de seres humanos e, ao mesmo tempo, uma leniência com a exploração sexual. A sociedade precisa refletir sobre isso.

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, lembra que o governo desenvolve o Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, visando qualificar o combater ao crime.

— Precisamos estar mais articulados com outros países, dar mais apoio às vítimas, para que elas não se transformem em novas aliciadoras. É comum retornarem ao Brasil para buscar outras mulheres com intenção de pagar dívidas com quem as explora — alerta.

A viagem sem volta de George

Egresso do Exército, ambulante, George Teixeira, 21 anos, tinha pressa em mudar de vida. Queria ajudar a mãe, a cozinheira Terezinha Natália de Souza, e os dois irmãos a sair da situação difícil de pobres migrantes catarinenses refugiados em uma casa da Vila São José, em Porto Alegre.

Não titubeou quando uma vizinha ofereceu R$ 200 por dia como instrutor de academia na Alemanha, além de cama e comida de graça. George vendeu um Fusca, comprou passagens de ida e volta, tirou fotos para o passaporte, e convenceu a mãe de que tinha tomado a decisão certa.

— Ele era muito ambicioso e dizia para mim: mãe, deixa eu ir, volto em três meses e nossa vida vai mudar — lembra Terezinha, vivendo hoje em Urubici, na serra catarinense.

Em junho de 1996, George embarcou para a Europa. No voo estava a vizinha Maribel Fernandes Pinto, cujo irmão, Ernani Fernandes da Silva, ajudaria George com o emprego.

Terezinha não tinha telefone, e George se comunicava por cartas. Começou a se queixar da falta de trabalho e dinheiro, disse que virou stripper em uma boate e que tinham furtado sua passagem de volta ao Brasil.

Quase um ano depois, George apareceu de surpresa em casa. Para a mãe, tinha o semblante estranho. Ficou apenas um pedaço de uma tarde de abril de 1997 na casa dela e contou que retornaria logo para a Alemanha porque viajara com dinheiro emprestado pelo dono da boate e precisava trabalhar para quitar a dívida. Foi a última vez que Terezinha viu o filho.

Em julho de 1998, George escreveu contando que tinha se casado com uma alemã, e que pretendia casar-se com a jovem em Porto Alegre, prevendo chegar em setembro. Em 24 de agosto daquele ano, um fax chegou às mãos de Terezinha, informando a morte do rapaz. O corpo tinha sido encontrado no banheiro de casa, com um cinto de roupão enrolado no pescoço. Para a polícia alemã, suicídio.

— Como pode uma pessoa se casar em julho e se matar em agosto? Ele foi assassinado, mas não consegui provar nada — afirma, aos prantos.

Cláudia foi vendida por R$ 20 mil

Julho de 1995. No salão de beleza em que trabalhava, no bairro Azenha, na Capital, a cabeleireira Cláudia Guedes ouviu de uma amiga modelo a oferta de "virar mulher de europeu rico, ganhar dinheiro para dar uma casa para a mãe".

Cláudia só teria de ir a Europa para ser apresentada a um bem-sucedido comerciante siciliano, que vivia em Neuss, na região de Düsseldorf. O interesse do italiano era se casar com uma negra brasileira e viver na Bahia. Se Cláudia aceitasse, teria vida de princesa. Do contrário, poderia trabalhar lá ou voltar para casa.

Morena, solteira, 28 anos, com uma criança para criar, Cláudia cedeu aos apelos e embarcou para a Alemanha. Foi recebida pela irmã do agenciador de modelos. A mulher levou Cláudia para lojas de roupas, salão de beleza e depois para a "nova casa". O futuro marido saiu com Cláudia para um passeio de carro. Com o dobro da idade dela, o homem decidiu: ficariam juntos, Cláudia teria carro, moradia, comida, mas não poderiam se casar — ele já era casado. Estava proibida de sair sozinha da casa da amiga e teria de esquecer o filho deixado com a mãe:

— Àquela altura, já tinha me arrependido, me desesperei e gritei: "meu Deus". Ele, enfurecido, dirigindo a 150 km/h, tirou as mãos do volante e disse que não acreditava em Deus, que tinha de ser do jeito dele, porque tinha pago por mim. Perguntava se eu tinha recebido dinheiro.

Desnorteada, Cláudia foi levada ao "cativeiro". Quinze dias depois, o agente de modelos apareceu na casa. O italiano cobrou explicações, e exigia de volta o que tinha pago — R$ 20 mil. Além de Cláudia, Salvatore também fora ludibriado.

— Aí, teve muita confusão e entendi que tinha sido vendida. Bateu o pavor.

Foram 25 dias de angústia até que Cláudia recebesse o passaporte para embarcar de volta. De mãos e bolsos vazios.

Filha de uma família de classe média da Paraíba, Talita Sayeg — nome adotado ao assumir a condição de transexual — foi expulsa de casa aos 15 anos. Ganhava a vida nas ruas de João Pessoa, até ser atraída por Isnard Alves Cabral, a Diná, travesti paraibano que vive em Roma, suspeito de comandar uma rede de tráfico para exploração sexual na Europa a partir do Nordeste.

Decidida a se dar bem na Itália — um dos destinos preferidos de transexuais brasileiros —, aos 18 anos, em 2002, Talita arriscou se aventurar. Na Paraíba, uma irmã de Diná organizou a viagem. Bancou as despesas e a colocou em um avião com outros dois travestis rumo à Toscana, cada um com R$ 2 mil na bolsa para serem aceitos como turistas.

Na chegada à cidade litorânea de Viareggio, teve de entregar o passaporte a Diná e o dinheiro com o qual passou na alfândega. Talita sabia que teria de pagar pela viagem, já conhecia histórias de pessoas que se rebelavam e eram vendidas a redes de traficantes europeus. Mas não esperava que a conta fosse tão alta: US$ 12 mil, o equivalente a R$ 24 mil. Ainda tinha de pagar R$ 100 por dia como diária da casa, gastos com alimentação e transporte e um regalo para agradar Diná, em geral, uma joia ao custo de R$ 3 mil.

Talita conta que trabalhava das 20h às 6h, chegando a 15 programas por noite. Lembra que foi escravizada por dois anos, até conquistar sua carta de alforria, em Roma.

— Tinha gente que se revoltava, se atirando nas drogas, desesperada por ganhar o dinheiro, mas vê-lo ir embora. Passavam nas casas recolhendo a grana todas as manhã.

Diná, o feitor de Talita, foi denunciado em 2010 pelo Ministério Público Federal da Paraíba com outros quatro paraibanos e um italiano sob suspeita de traficar dezenas de travestis para a Europa.

Talita ainda chora o dinheiro perdido, mas se considera uma sobrevivente. Desde maio mora em Porto Alegre, buscando uma nova vida.

ZERO HORA

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Tráfico humano: um crime economicamente comparável ao de armas e drogas


Os números do tráfico internacional humano dão a dimensão desta violenta prática aos direitos humanos, sobretudo das mulheres e crianças. Considerado a terceira atividade ilegal mais lucrativa do mundo, segundo o Observatório de Tráfico de Seres Humanos, é uma realidade com um impacto econômico comparável ao do tráfico de armas e de droga. Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) revelam: a prática atinge cerca de 2,5 milhões de pessoas e movimenta 32 milhões de dólares por ano. Só em 2010, 140 mil mulheres foram traficadas na Europa e exploradas sexualmente. Juntas, elas fariam cerca de 50 milhões de programas sexuais por ano, a um valor médio de 50 euros cada, o que representa um lucro anual de 2,5 bilhões de euros, ou R$ 6,5 bilhões. No Brasil, o Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescente afirma que o país tem 241 rotas de tráfico de pessoas. A região Norte tem a maior concentração de rotas (76), seguida pelo Nordeste (69), Sudeste (35), Centro-Oeste (33) e Sul (28).

As vítimas são atraídas para trabalharem em melhores condições do que em seu país de origem e acabam caindo nas máfias da prostituição e trabalho escravo para adultos e exploração sexual e trabalho infantil para crianças e adolescentes. Em torno de 80% das pessoas traficadas são mulheres ou meninas por apresentam uma maior vulnerabilidade, contribuindo assim com a crescente feminização da pobreza. No caso das crianças, trata-se de uma violação ao direito a crescer livre e num ambiente protegido e acolhedor.

Realidade nicaraguense

Em 2011, a Salve the Children a Organização Internacional para as Migrações (OIM) lançaram o relatório Tráfico de pessoas com fins de exploração laboral e seus efeitos na infância. Nele, são abordadas as realidades dos departamentos nicaraguenses de Madriz, Estelí e Rivas, confirmando que o tráfico de crianças e adolescentes nestes locais fronteiriços não se dá com fins laborais, mas para exploração sexual.

A pobreza é apontada como um fator determinante para a ocorrência do tráfico de meninas e meninos que são levadas a lugares distantes, no próprio país ou para nações como Guatemala, El Salvador, Costa Rica, México, Estados Unidos - estas duas últimas apontadas como principais destinos. Desinformação e envolvimento de profissionais inescrupulosos, como advogados e motoristas de furgões, também contribuem com a cadeia de crimes.

Do total de 5,2 milhões de habitantes da Nicarágua, 52% são mulheres e, destas, 53% têm menos de 18 anos de idade. Entre as adolescentes, há altos índices de gravidez precoce - 46% já são mães ou estão grávidas do primeiro filho. 54% dos/as adolescentes moram na zona rural, enfrentando péssimo sistema educacional, marcado pelo atraso escolar.
"O modus operandi dos traficantes se dá com o uso do dinheiro para enganar as vítimas potenciais. Os lugares de preferenciais de atuação dos traficantes são os institutos e escolas, aos que fazem chegar suas mensagens de oferecimento de trabalhos bem remunerados dentro e fora do país. Os contatos são familiares, amigos ou estrangeiros que facilitam o endividamento da família para que as vítimas possam viajar; neste processo participam falsificadores ou advogados inescrupulosos que se prestam como intermediários", diz o documento.

No combate ao tráfico de crianças e adolescentes, o relatório destaca ações de prevenção e sensibilização, principalmente em locais de grande fluxo turístico. De acordo com o relatório, tanto Estado quanto sociedade civil têm realizado feiras estudantis informativas e capacitações de viajantes. Também há centros e instituições que oferecem atenção às vítimas do tráfico de pessoas como Casa Aliança, Ministério da Família, Departamento de Delitos Especiais e as Delegacias da Mulher e da Infância, que conta com equipes especializadas.

"Salve Jorge"

Foi assim com uma maranhense, moradora de Abolição, periferia do Rio de Janeiro, que, aos fins de semana, frequentava danceterias de pagode para se divertir e esquecer da rotina pesada de empregada doméstica. Aos 32 anos, estava recém-separada do marido e tinha três filhos – a menor, de apenas 1 ano – quando sua vida mudou. Foi no pagode que surgiu a proposta. Ela e uma amiga receberam o convite tentador de outrauma mulher que conheceram nos bailes. Ela propôs que as amigas fossem para Israel, trabalhar como garçonetes em um restaurante brasileiro de Tel Aviv. O salário: US$ 1.500 por mês. “Era muito mais do que eu poderia ganhar com as minhas faxinas”, diz. “Se eu ficasse lá um ano, daria pra juntar o dinheiro para realizar o sonho de comprar uma casa. Aceitei.”

Antes de embarcar, comprarem roupas longas e discretas. “Ela falou pra gente levar bastante saia comprida, porque em Tel Aviv não se podia andar muito à vontade, como no Rio. Não desconfiamos de nada,” comentou. Tiraram passaporte, receberam a passagem de ida e algum dinheiro adiantado. As duas não sabiam dizer nem meia dúzia de palavras em inglês, tampouco de hebraico. Nunca tinham saído do Brasil, mas não se intimidaram. No aeroporto, diante dos cartazes da Polícia Federal que alertavam para o crime de tráfico humano, nenhuma das duas se identificou com a mensagem. “Na minha cabeça, eu estava indo trabalhar fora para conseguir o melhor para os meus filhos. Nunca imaginei encontrar aquela cena que encontrei quando cheguei”.

Ao sair do aeroporto em Israel, as amigas tiveram que entregar seus passaportes para os israelenses e foram separadas. Uma delas foi imediatamente levada para um prostíbulo. “Olharam para mim e me disseram: ‘Troca de roupa e vai trabalhar’. Comecei a chorar, desesperada. Mas as outras brasileiras que já trabalhavam na boate me disseram para não me recusar, porque eles iriam me bater, me deixar com fome, ou até sumir comigo. As meninas me maquiaram. Coloquei um shortinho e um sutiã e fiquei no sofá do salão, exposta como mercadoria.”

Mais de dez anos depois, trabalha como empregada doméstica. Ganha R$ 800 por mês, mora de favor na casa da mãe, um dos seus filhos se envolveu com o crack. Ela jamais conseguiu comprar a casa que tanto sonhou. Sempre teve vergonha de contar a própria história. Do seu jeito simples, olhando para o chão, ela se pergunta: “Quem iria acreditar que eu fui uma vítima e não achar que eu fui ser garota de programa nessas condições porque eu quis?”.

A autora de novelas Glória Perez estudou o assunto por dois anos e resolveu tratar do tráfico de pessoas na nova novela das 9h, "Salve Jorge", que estreou no fim de outubro. A protagonista da trama, Morena (interpretada por Nanda Costa) traduzirá em imagens a dor, até pouco tempo anônima, da maranhense. Sua amiga está sendo vivida pela atriz Carolina Dieckman. “Sempre me chamou a atenção dramas invisíveis, que estão na cara de todo mundo, mas as pessoas não veem”, diz Glória Perez. “O tráfico humano é isso, um crime invisível que produz uma carga de sofrimento tão grande e que, no entanto, pouco se consegue fazer para solucionar.”

Cooperação internacional

A adoção, em 2000, do Protocolo Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres e Crianças e do Protocolo contra o Crime Organizado Transnacional, Relativo ao Combate ao Contrabando de Migrantes por via Terrestre, Marítima e Aérea, que complementam a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, representa um marco fundamental nos esforços internacionais para enfrentar o tráfico de seres humanos, considerado uma forma moderna de escravidão.

Aprimorar a lei brasileira para combater o tráfico humano

Os brasileiros são vítimas frequentes deste crime, mas a legislação do país só prevê punição ao tráfico de mulheres para fins de exploração sexual. A lei não contempla explicitamente homens e crianças, tampouco a exploração em outros tipos de atividades. Pensando nesta situação, a senadora Lidice da Mata (PSB-BA) formulou uma nova proposta de lei para criminalizar todos os tipos de tráfico humano. O apoio popular é fundamental para que a lei seja levada à votação e aprovada o mais rapidamente possível.

Os brasileiros são vítimas frequentes deste crime, mas a legislação do país só prevê punição ao tráfico de mulheres para fins de exploração sexual. A lei não contempla explicitamente homens e crianças, tampouco a exploração em outros tipos de atividades. Pensando nesta situação, a senadora Lidice da Mata (PSB-BA) formulou uma nova proposta de lei para criminalizar todos os tipos de tráfico humano. O apoio popular é fundamental para que a lei seja levada à votação e aprovada o mais rapidamente possível.

Quer contribuir com a criação de uma legislação mais severa para punir o crime de tráfico humano?

Clique aqui e assine a petição

Se o texto for assinado por 1,4 milhão de pessoas, ele se tornará um projeto de lei e terá de ser votado pelos parlamentares, tal como aconteceu com a Lei da Ficha Limpa.

Denuncie

Para denunciar casos de tráfico de pessoas, contrabando de migrantes, tráfico de mulheres e outros crimes semelhantes às autoridades brasileiras, ligue para o número 180.

Com informações da Adital, Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Rede Brasil Atual, Revista Marie Claire e Observatório de Tráfico de Seres Humanos.

promenino

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Mãe diz que entregou gêmeos para estrangeiros



Nova denúncia reforça suspeita de quadrilha no sertão baiano

No mesmo dia em que uma equipe do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) iniciou os trabalhos de correição no Fórum de Euclides da Cunha (a 327 km de Salvador), o juiz local, Luís Roberto Cappio, passou a apurar nova denúncia de adoção irregular de crianças. O novo caso relatado é o de um casal de gêmeos, entregue a estrangeiros, em agosto de 2002 - dez anos antes do escândalo decorrente da retirada de cinco crianças de uma família da cidade vizinha de Monte Santo (a 352 km da capital) e entregues a famílias paulistas, ocorrida em junho de 2011, mas que foi denunciada este ano.

Para Cappio, a nova denúncia reforça suspeita de que uma quadrilha agiria na região: "O caso foi há dez anos, e é óbvio que não foi o único, temos que saber quantos foram. O indício é de tráfico, internacional inclusive". A mãe dos gêmeos hoje tem 31 anos. Ela contou ter entregue os bebês no dia seguinte ao nascimento a uma moradora de Euclides da Cunha que seria a agenciadora: "Eu não tinha como cuidar deles, pois já tinha dois filhos (hoje com 13 e 12 anos). Não tive apoio do pai deles". Ela declarou ter recebido uma cesta básica para entregar as crianças. O depoimento foi colhido pelo promotor público Luciano Ghignone.

Ela disse que as pessoas que receberam os bebês não falavam português e chegaram de avião em um campo de pouso da região: "Me disseram que um casal de São Paulo ficaria com os bebês, mas eles falavam outra língua, acho que espanhol. Eu só quero saber se eles estão bem e aceito os dois de volta se estiverem sendo maltratados ou se eles quiserem".

Jornale

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Família pobre tem filhos tirados de casa e entregues para adoção


Pais não puderam se defender. Para juiz, se trata de uma quadrilha que atua para traficar crianças pobres no sertão da Bahia de forma planejada, profissional e habitual.

Uma família pobre tem os cinco filhos tirados de casa e entregues para a adoção. Tudo feito em tempo recorde, de um dia para o outro, e sem que os pais pudessem se defender. Mas na vizinhança e na escolinha da cidade, todos garantem que as crianças eram bem tratadas. A Justiça quer saber agora o que está por trás dessa história.

O cenário é a cidade de Monte Santo, no sertão da Bahia.

Silvânia Maria da Silva e Gerôncio de Brito Souza viviam assim. Ele, vendendo o dia de serviço pesado na enxada para não deixar faltar comida em casa.

“Todos os filhos meus que nasceram foi festa. Festa, caixa de foguete, galinha, carne assada, calabresa, tudo”, lembra ele.

Ela, cuidando da casa. “O pai dava atenção. Quando eu botei na escola, Gerôncio vinha buscar. Vinha às reuniões. Sempre comparecendo às reuniões”, conta ela.

Gerôncio e Silvânia estão separados, mas o apego aos filhos sempre foi reconhecido na vizinhança.

“Não tinha um dia que eles não viessem aqui na casa do pai. Não tinha um dia. Quando era assim, eles iam para a escola. Quando era meio-dia, chegava, corriam. Ele dava banho, botava perfume nos meninos”, detalha a vizinha Catarina da Mota Silva.

Os quatro avós também ajudavam, mas no dia 13 de maio do ano passado a história dessa família começou a mudar. A caçula, de 2 meses de idade, única menina dos cinco filhos, foi a primeira a ser levada, por ordem da Justiça de Monte Santo. Duas semanas depois, o sofrimento aumentou.

“Estava em casa, estava até lavando as roupas deles, de repente chegou esse carro. Eu pensei que era para trazer minha menina de volta”, relata Silvânia, emocionada.

Eram dois policiais e uma escrivã para cumprir nova ordem do juiz: levar os outros quatro meninos.

“O Ricardo correu lá por dentro, correu para a casa da mãe, lá ‘pra riba’”, conta a avó paterna, Maria Brito Souza.

“Meu filho mais velho chegou: 'mãe, me esconda. Me esconda que eu não quero ir, não'”, conta a mãe aos prantos.

“A rua toda ficou chocada naquela noite. Foi uma noite de terror”, reforça a avó.

“Ainda hoje eu não gosto de lembrar. Ainda hoje tenho sentimento por isso”, diz a vizinha.

“Os policiais disseram que, se nós impedíssemos, nós iríamos presos. Eu mais o pai. Que era ordem do juiz”, diz a mãe.

Os filhos de Gerôncio e Silvânia foram dados para quatro casais de São Paulo. Foi tudo feito com muita rapidez no fórum de Monte Santo. As famílias paulistas chegaram em um dia, foram ouvidas pelo juiz e, no dia seguinte, voltaram para São Paulo levando, com elas, as crianças. Os pais biológicos e a promotoria de Justiça não estavam na audiência. Por lei, sem a presença deles, o processo de adoção não pode sequer ser iniciado.

O juiz Vítor Manoel Xavier Bizerra, que assinou a guarda provisória das crianças, trabalha hoje na cidade de Barra. O Fantástico foi até lá. Esteve na casa onde ele mora e duas vezes no fórum. Nada do juiz. A equipe deixou um recado com a escrivã.

Fantástico: Você falou para ele que nós estávamos procurando ele? Que gostaríamos de conversar?

Magda Silvana Guedes (escrivã): Falei. Eu disse a ele que vocês vieram aqui com a proposta de entrevistá-lo.

Para retirar as crianças de Monte Santo, o juiz se baseou em relatórios que se contradizem. O conselho tutelar do município não encontrou irregularidades quando visitou a casa de Silvânia. Mas a assistente social da prefeitura registrou que os meninos em idade escolar faltavam às aulas. O Fantástico foi à escola onde eles estavam matriculados.

Fantástico: Os pais nunca deixaram de trazer?

Vanessa da Silva Souza (diretora da escola): Não. Eu nunca soube.

Fantástico: E vinham buscar direitinho?

Diretora: Eles sempre vinham buscar. Gerôncio, quando não vinha, era ela.

“Crianças quando são mal tratadas, geralmente têm mau comportamento. De agressividade, de viver chorando. E eles não aparentavam nada disso, não chegavam machucados, de jeito nenhum, porque eles eram bem cuidados”, aponta a diretora.

Desesperado, Gerôncio procurava o conselho tutelar para saber do paradeiro dos filhos. Nunca conseguiu uma notícia e acabou desacatando as conselheiras. Foi preso e passou três semanas na cadeia. Os pais dele tiveram que vender a casa para pagar a fiança de R$ 5 mil. Hoje moram de favor.

Fantástico: Eram muito apegados à senhora, os seus netos?

Avô: Mandava comprar pão, ele ia, o bichinho. Não gosto nem de me lembrar, viu?

Avó: Gosto muito deles.

Os quatro avós conviviam com as crianças, mas nenhum deles foi ouvido no processo.

“Tenho foto de todos eles no meu álbum”, afirma, emocionada, a avó materna, Perpétua Maria da Mota.

Carmem Topschall aparece em todos os processos como intermediária das adoções. Ela teria sido a pessoa que aproximou os casais paulistas das crianças de Monte Santo.

O Fantástico descobriu que Carmem mora em um sobrado em Pojuca, a 350 quilômetros de Monte Santo.

Fantástico: Um assunto particular. Preferia conversar aqui mesmo?

Carmem: Ah, não. Particular, vamos subir então.

Carmem tem três filhos adotados. Ela confirma que ajudou as famílias de São Paulo, mas nega que trabalhe conseguindo crianças pobres para casais que queiram adotar.

Carmem: Eu não fui intermediária.

Fantástico: Como que não foi se a senhora aparece no processo?

Carmem: Eu apareço no processo porque eu acompanhei o pessoal e levei e mostrei o caminho, mas eu não fui intermediária.

Já faz um ano e quatro meses.

O pai afirma que as crianças fazem falta, enquanto segura, emocionado, a roupa dos filhos. A mãe conta que nunca mais teve notícia delas.

Campinas, São Paulo.
A equipe do Fantástico vai procurar os casais que, de acordo com os processos, conseguiram a guarda provisória das crianças. Dois dos cinco filhos de Silvânia e Gerôncio moram em uma casa. São os dois mais velhos. Segundo os vizinhos, a casa está sempre vazia. Partem para Indaiatuba, vizinha a Campinas. Lá, ficam os outros endereços das crianças.

O Fantástico toca o interfone e avisa que quer falar sobre uma criança adotada, mas desligam o telefone.

Em outra casa, ninguém atende. Mas a advogada que defende os interesses dos casais que estão com as crianças é encontrada.

“Houve o devido processo legal. Ninguém fez nada que não fosse pelo devido processo legal”, garante Lenora Steffen Panzetti.

O atual juiz de Monte Santo, Luiz Roberto Cappio, discorda, e ele tem uma lista de irregularidades que encontrou nos processos.

“Não houve determinação de estágio de convivência. Os pais biológicos não foram ouvidos”, diz ele.

Para ele, o caso dos filhos de Silvânia e Gerôncio é só um exemplo do que acontece em várias comunidades do sertão da Bahia.

Fantástico: Se trata de uma quadrilha que atua para traficar crianças pobres aqui no sertão da Bahia?

Juiz: Sim. De forma planejada e profissional, habitual.

A volta das crianças para Monte Santo é uma possibilidade que o juiz não descarta.

“Se eu entender que o retorno atende ao melhor interesse dessas crianças, eu farei”, declara o juiz.

“Mas essas crianças já passaram por um trauma da vida que elas levavam, da adaptação que elas tiveram e tirá-las novamente, será que realmente é o melhor para elas?”, questiona Lenora.

“Estou esperado por eles aqui”, diz a mãe, esperançosa.

Fantástico

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Itália desmantela rede que explorava transexuais recrutados em favelas


A polícia italiana anunciou ter desmantelado nesta semana uma rede de prostituição que levava à Itália transexuais brasileiros recrutados, principalmente, em favelas do Rio de Janeiro.

Segundo informações de autoridades italianas, divulgadas pela agência de notícias ANSA, 28 supostos integrantes da rede teriam sido detidos em três regiões italianas - Lazio, Campania e Umbria.

O grupo, formado por italianos e brasileiros, foi acusado de "associação criminosa" com a finalidade de fazer "tráfico de seres humanos" e "explorar prostituição".

A rede enviava a transexuais de favelas cariocas passagens aéreas para viagens do Rio de Janeiro a cidades europeias como Madrid, Zurique, Paris, Budapeste ou Bucareste.

A ideia era encaminhar os brasileiros dessas cidades para a Itália, segundo a polícia.

Doze casas que seriam usadas para prostituição também foram revistadas e interditadas.

Consulado
O consulado brasileiro em Roma diz não ter sido oficialmente informado sobre a prisão dos brasileiros.

Segundo o cônsul-geral adjunto, Paulo Roberto Palm, a polícia italiana não costuma fazer consultas a respeito de operações em curso "até por uma questão de sigilo das investigações" e, em geral, entra em contato apenas na hora de enviar cidadãos brasileiros de volta ao país.

Palm diz, porém, que alguns transexuais brasileiros teriam se queixado para o consulado a respeito dessas redes, embora tenham tido medo de entrar em detalhes "por se sentirem ameaçados".

Em 2009, o travesti brasileiro Brenda, pivô de um escândalo que causou a renúncia do governador da região de Lazio, Piero Marrazzo, foi encontrado morto no apartamento em que morava, em Roma.

BBC Brasil

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Caso de mãe que vendeu 3 filhas por R$ 6 choca a Índia

O caso de uma mulher que vendeu as três filhas pelo equivalente a R$ 6 por não conseguir cuidar delas chocou a Índia.

Purnima Halder parece ter 30 e poucos anos, mas não sabe a idade ao certo nem onde nasceu. Para ela, a vida tem sido uma luta constante.

Sem nenhuma dose de emoção, ela conta que decidiu se desfazer das filhas Piya, de 10 anos, Supriya, de 8, e Roma, de 4, para evitar que elas seguissem pelo mesmo caminho.

A história somente se tornou conhecida porque elas foram resgatadas e agora estão, junto com a mãe, em um abrigo para vítimas de tráfico humano em Bijoygunge, a 60 km de Calcutá.

Os assistentes sociais temiam que elas fossem obrigadas a se prostituir ou serem vítimas de casamentos forçados.

Expulsas

O drama das meninas começou ao serem expulsas de casa pelo próprio pai.

Purnima conta que o marido ficava bêbado com frequência e batia nela e nas filhas.

Até que um dia ele as mandou embora.

Elas acabaram indo morar numa estação de trem, onde Purnima foi convencida a vendê-las para que tivessem supostamente uma vida melhor.

Mas o destino delas era incerto, em uma região onde o tráfico humano é um problema sério.

Mais de 15 mil crianças desapareceram nas mãos de traficantes em Bengala Ocidental no último ano.

"Isso é o que a vida fez a ela [Purnima]. Ela está desesperada. Ela enfrentou a pior escolha que uma mãe poderia ter que enfrentar — se desfazer de suas filhas", afirma Annapurna Ghosh, superintendente da casa que abriga mais de cem mulheres e meninas, além de 30 meninos.

No abrigo, as meninas estão seguras, mas sentem dificuldades de adaptação. Elas ainda estão traumatizadas. E ainda temem que a mãe se desfaça delas outra vez.

R7

domingo, 12 de agosto de 2012

Jovens alvo de contrabando relatam angústia para encontrar familiares biológicos

Repórter do Diário Catarinense viajou a Israel em busca da história de brasileiros arrancados de suas famílias

Brasileiro nascido em 1986 e levado para Israel por traficantes de bebês procura por sua família biológica, que pode estar em Pelotas. O caso do jovem Ron é o mesmo de dezenas de crianças levadas dos três Estados do Sul, nos anos 80.

O drama foi retratado em série de reportagens do Diário Catarinense, jornal do Grupo RBS sediado em Florianópolis. A repórter Mônica Foltran viajou a Israel e contou a história de jovens brasileiros que foram alvo do contrabando.

Até uma década atrás, o jovem morador de Israel Ron Yehezkel acreditava saber quem era. Hoje, espera descobrir isso no Rio Grande do Sul. Ele busca, a mais de 11 mil quilômetros de sua casa, respostas para indagações que lhe afligem desde quando descobriu ser adotado.

Ele é um dos milhares de bebês brasileiros que abasteceram um esquema de tráfico de recém-nascidos em meados dos anos 80 — e que hoje, adultos, sofrem com o desconhecimento sobre o próprio passado e tentativas frustradas de localizar e reencontrar os pais biológicos.

O drama desses órfãos, que eram buscados principalmente nos Estados do Sul devido à oferta de crianças com pele clara ao gosto dos europeus, foi revelado por uma série de reportagens publicada desde o domingo passado até este sábado no jornal Diário Catarinense, do Grupo RBS.

A apuração jornalística realizada pela repórter Mônica Foltran e pelos fotógrafos Guto Kuerten e Julio Cavalheiro localizou um grupo de emigrados em Israel, principal destino do mercado humano criado por quadrilhas especializadas que se estima terem remetido cerca de 10 mil brasileiros para a Europa entre 1985 e 1988.

Um dos bebês exportados é o estudante de Direito Ron Yehezkel, nascido Ron Lemos em 1º de setembro de 1986 na cidade gaúcha de Pelotas, segundo o que indicam seu passaporte, a certidão de nascimento e os papéis de adoção. Mas até completar 15 anos, idade em que os israelenses recebem um documento nacional de identificação, Yehezkel nem sequer sabia que havia nascido no Brasil.


A crescente desconfiança de que era adotado foi confirmada quando encontrou no quarto dos pais os papéis do registro em cartório oficializando sua entrega por parte da mãe biológica para a família europeia.

— Eu criei coragem para confrontar meus pais sobre esse assunto, e eles admitiram que eu sou adotado. Mas, até hoje, não querem cooperar, contar mais coisas — diz Yehezkel, em entrevista concedida por e-mail desde sua casa em Haifa, Israel.

Seu maior interesse, no momento, é encontrar sua família de sangue. Uma pista surgiu em março, quando uma moradora de Pelotas, Ceci Gomes da Silva, 68 anos, viu uma foto de Yehezkel em um jornal local e o achou parecido com um filho seu, também adotado.

Imaginou que a mesma mulher de quem adotou seu bebê poderia ser a mãe biológica do rapaz de Israel. Por e-mail, Ceci e familiares mantêm contato com o estudante. Foram enviadas para ele fotos de um suposto irmão, Giovane Gomes da Silva, 30 anos, que trabalha como segurança na Capital.

— Vejo algo nos olhos dele que se parece com os meus. Gostaria de fazer um teste de DNA e, caso positivo, estaria disposto a viajar ao Brasil para conhecê-los — conta o futuro advogado.

Probabilidade de ser a mãe biológica é pequena

A realização de um exame de DNA ainda não foi acertada. Em sua casa, em Pelotas, Maria Amélia de Jesus, a suposta mãe biológica, conta que realmente entregou um bebê para adoção em 1986.

— Eu não tinha condição de criar — conta Mária Amélia.

Maria Amélia virou evangélica e sofreu um derrame há pouco mais de uma década. Diz não fazer questão de conhecer o possível filho por não saber como ele reagiria.

Os dados presentes nos documentos disponíveis, porém, sugerem que a possibilidade de Yehekzel ter encontrado a mãe biológica é pequena: o nome materno que consta nos papéis é Maria Lemos, e a data de adoção do jovem aparece como 16 de setembro, enquanto Maria Amélia sustenta que deu à luz em novembro de 1986.

Procurada pela reportagem, a direção da Santa Casa de Pelotas não forneceu informações sobre a possibilidade de Yehekzel ter nascido no local. Todas as pesquisas feitas pelo Serviço de Arquivo Médico são realizadas somente via ação judicial, que deve ser movida pelo próprio paciente.

A despeito das incertezas, Yehezkel diz ter orgulho de ser brasileiro, está casado há cerca de um ano e pretende, em breve, ter um filho.

Jovem foi rejeitado duas vezes



Doron, que significa presente em hebraico, nasceu em 22 de setembro de 1985, foi encaminhado para adoção e recebido como uma legítima dádiva pela família adotiva israelense. Obcecado em reencontrar sua mãe biológica, porém, tem de enfrentar pela segunda vez o fantasma do abandono.

O catarinense Doron Flamm iniciou a procura pelos pais biológicos há dois anos, e conseguiu identificar a mãe, hoje viúva e com outros filhos. Mas ela afirma que ainda não está preparada para reencontrar o filho que entregou a uma das quadrilhas de traficantes de bebês.

Moradora de Joinville, com família constituída, a mulher não demonstra satisfação por ter sido identificada como a mãe de um menino que deu à luz em Blumenau, 26 anos atrás. A mãe de Doron diz ter optado "deixar a vida como o destino a traçou" por medo da reação de sua família atual.

Ela não revelou o passado aos filhos, nem à família do marido falecido, e não admite ser identificada. Sem saber das razões para a dupla rejeição, Doron segue alimentando a possibilidade do contato.

— Quero dizer obrigado, porque ela me deu a vida e hoje sou feliz aqui — resume Doron, emocionado.

Crianças eram vendidas por quadrilhas especializadas



Em 1986, crianças resgatadas em chácara de Camboriú chocaram o país

Quadrilhas formadas por advogados, juízes, promotores, donos de cartórios, despachantes, enfermeiras e médicos, com a conivência de policiais, pagavam um salário mínimo para grávidas, em situação vulnerável, entregarem os filhos para adoção compulsória. Algumas venderam os fetos ainda no ventre — e muitas vezes por menos de um salário. Outras mães nunca viram um tostão.

Em Camboriú, um dos principais focos de atuação das quadrilhas no país, as gangues chegaram a usar uma chácara para montar o que a Polícia Federal classificou como "chocadeira", uma improvisada maternidade e berçário, local onde ficavam os nenês retirados das mães. Em apenas uma operação, a PF resgatou 20 bebês, devolvidos aos pais.

No Exterior, principalmente em Israel, os bebês valiam de US$ 10 mil a até US$ 40 mil. O comércio clandestino enriqueceu os "capos" do tráfico, que, beneficiados pela legislação da época, cumpriram penas irrisórias na cadeia. O escândalo colocou pelo menos 40 pessoas na cadeia.

Pressionado pela opinião pública, o Congresso Nacional endureceu as leis de adoção ainda no final dos anos 1980, estabelecendo normas para dificultar o trânsito de bebês de uma família para outra, a fim de sufocar o tráfico.

O que nunca cicatrizou, porém, foram as feridas abertas nas mães que entregaram os filhos por necessidade ou ingenuidade e os estragos na personalidade dos bebês. Vinte e cinco anos depois, algumas dessas crianças foram localizadas em Israel, país para onde foi levada a maioria daqueles bebês pobres. Hoje, a maioria deles enfrenta profundas crises de identidade, e quer conhecer suas famílias biológicas.

Mãe pede perdão à filha entregue para adoção

Um processo com mais de mil páginas, arquivado no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, revelou como agia uma das principais quadrilhas de venda de bebês da época. Em meio aos papéis, uma fita cassete ainda guarda os apelos feitos por uma mãe a um integrante do bando:

— Tá! E se eu quiser a minha filha de volta? — pergunta Marilene Espíndola a um participante do esquema.

— Você acha que, como advogado, depois de cinco anos de faculdade, não vou cobrar pra fazer um processo de adoção? Claro que eu cobro.

Marilene hoje vive em Itajaí e conta que, nos anos 80, foi aliciada por uma mulher loira que se ofereceu para pagar as consultas ao obstetra. Desempregada, sem perspectiva de trabalho, sozinha, longe do pai da criança, moradora de uma pensão, era alvo fácil para os traficantes de bebês.

Quando sua filha nasceu, a mãe não teve nem sequer o direito de oferecer o peito à criança — a proibição de qualquer contato entre mãe e bebê fazia parte do acerto comercial.

— Saímos do hospital, passamos numa farmácia para comprar remédios pós-parto, a loira me deixou na pensão onde eu morava e me entregou um dinheiro equivalente a um salário mínimo. Nunca mais a vi, nem à minha filha — conta Marilene.

Marilene lamenta os "erros do passado"

A menina foi localizada pela reportagem, 25 anos depois, vivendo em Israel com o nome de Maya Hirsch. Depois de ficar sabendo do paradeiro de sua filha, Marilene aceitou gravar uma mensagem em vídeo que foi apresentada à jovem. Como não compreende uma só palavra de português, teve de ser auxiliada por uma amiga, de nome Or-Luz Galon, para compreender a mãe brasileira.

No depoimento, Marilene pede perdão à filha pelos "erros do passado". Diz que nunca teve a intenção de abandoná-la e confessa que sempre procurou pela filha perdida "em cada rosto de criança que avistava caminhando pelas ruas".

As lágrimas caíram imediatamente no rosto de Maya. Não apenas a filha, mas a tradutora também chorava, por um motivo especial: Luz também foi raptada do Brasil na mesma época. Depois de se emocionar com o vídeo da mãe, Maya resumiu a sensação:

— Me sinto, agora, uma mulher mais completa.

A jovem e a mãe iniciaram uma troca de mensagens pela internet. A garota, agora, se programa para vir ao Brasil abraçar a mãe, a quem já fez um pedido:

— Quero conhecer o meu pai.

Histórias que se cruzam em Jerusalém


Reunidos pelo DC em Jerusalém, apesar da angústia comum, os filhos do tráfico sorriam na escadaria de uma escola onde se ensina a Bíblia. Poucos deles se conheciam, mas estavam eufóricos e não paravam de falar, como se fossem velhos amigos.

Em meio a mesquitas reluzindo amarelo dourado, eles exibiam em comum o mesmo sonho: o de completar, e talvez consertar, a história deixada no Brasil, um país onde nunca estiveram mas pelo qual se apaixonaram.

Reunido com auxílio das redes sociais, o grupo de jovens vendidos já alcança quase uma centena em Israel, o principal importador de bebês nos anos 80. Entusiasmados com a reunião marcada para as proximidades do Muro das Lamentações, em minutos conseguiam elaborar planos de viajar ao Brasil. Todos pareciam repetir a mesma história, compondo um mosaico de trajetórias e incertezas semelhantes.

Um jovem chamado Lior, o mais obstinado em localizar a mãe e o pai, aprendeu sozinho a falar português assistindo às novelas brasileiras. Foi um apelo dele, em português truncado postado num fórum da internet, que tocou o grupo de mulheres voluntárias de Santa Catarina e do Paraná, que se esforça, sem o apoio governamental, a unir laços rompidos pelo tráfico de bebês no Brasil.

ZERO HORA

segunda-feira, 26 de março de 2012

CPI do Tráfico de Pessoas investiga mais de 700 sites de aliciamento de adolescentes


Em apenas um ano, a Safernet, entidade especializada no enfrentamento aos crimes e violações aos direitos humanos na internet, registrou 707 sites de aliciamento e tráfico de pessoas, por meio de denúncias. O relatório (realizado de abril de 2010 a maio 2011) foi encaminhado para a CPI do Tráfico de Pessoas. “A internet é uma grande vitrine para o recrutamento de meninos para a exploração sexual, uma ferramenta para escolher potenciais vítimas”, afirma Thiago Tavares Nunes, diretor presidente da Safernet. “Um dos maiores desafios é conseguir indicadores sobre o tráfico de pessoas gerado pela internet, que parece invisível, porque quase não há documentação sobre o número de rotas e o modo de operar das quadrilhas”.

O especialista cita o caso do aliciamento de meninos que são levados do Nordeste para serem comercializados em São Paulo e em outros países. Para adolescentes vindos de cidades pequenas onde os meninos homossexuais são espancados e excluídos, muitas vezes fazer parte de uma rede de exploração sexual parece um sinal de libertação. “Muitas vezes, entram sem saber que servirão a uma rede criminosa, porque as propostas não são explícitas, pensam apenas que poderão exercer livremente sua sexualidade e acabam entrando num mercado de comércio sexual”, diz o psicólogo Rodrigo Nejm, coordenador da Safernet. “Não é culpa da internet o que está acontecendo, mas da forma como a estrutura criminosa a está utilizando como facilitadora para aliciamentos”, frisa.

Ele cita que, as estratégias para conseguir vítimas são as mais variadas. Recentemente, uma rede especializada em pornografia infantil, com site, se passou por agência de modelos gospel, enviando pessoas que se diziam agentes sociais da Igreja para conseguir aprovação das famílias. Há até casos, investigados em segredo de justiça, de meninos e meninas que acabam entrando em um sistema de escravidão sexual, tornando-se refém com o passaporte confiscado.

Muitas agências de fachada estão no Orkut e outras redes sociais para recrutar adolescentes com promessas de desfiles e campanhas de modelos. Há casos de meninas de classe média, que começam induzidas por amigas que já fizeram programa para comprar uma calça de marca, um perfume mais caro, que não conseguem com a mesada do pai.

Além das promessas de carreira internacional, os adolescentes, principalmente de mais baixa renda, recebem também falsas propostas de casamento. Há também o recrutamento para trabalhar em cruzeiros na Europa com a promessa de ganhar quantias bem acima do mercado.

Segundo diretor da Safernet, Thiago Tavares, não é tão simples tirar uma página de pornografia infantil do ar, especialmente quando o provedor é internacional, porque há necessidade de cooperação de outro país, onde muitas vezes há conflito de leis. “A gente luta contra a falta de estrutura, a repressão a este tipo de crime vem ganhando corpo, mas está longe do ideal”, diz Thiago. “O número de policiais exclusivos para o tráfico de pessoas é muito pequeno e existe uma demanda por melhor estrutura”.


Fonte: Childhood Brasil

promenino

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Rede de tráfico e prostituição de brasileiras é desbaratada nos EUA


A Justiça americana anunciou na terça-feira a prisão de cinco membros de uma suposta gangue que teria ajudado a traficar centenas de imigrantes ilegais – em sua maioria brasileiros – para os Estados Unidos.

Grande parte da “clientela” do grupo era composta por mulheres obrigadas a se prostituir nos Estados Unidos.

Nacip Teotonio Pires, de 47 anos, Rubens Da Silva, de 39, Sanderlei Alves Da Cruz, de 31, Francismar Da Conceição, de 36, e Claudinei Pereira Mota, de 34, foram presos entre sexta e terça-feira em operações policiais nas cidades de Newark, em Nova Jersey, Haverhill, em Massachusetts, e em Houston, no Texas.

Uma sexta suposta integrante da gangue, cujo nome foi identificado apenas como Priscilla L.N.U., foi indiciada com o grupo mas está foragida.

Prostituição
Segundo a Justiça federal do Estado de Nova Jersey, os seis cobrariam entre US$ 13 mil (R$ 20,6 mil) e US$ 25 mil (R$ 39,6 mil) para levar os imigrantes aos Estados Unidos, dependendo da rota de viagem e se a pessoa pagava adiantado ou em parcelas após chegar ao destino.

Muitas dessas pessoas eram mulheres jovens brasileiras obrigadas a trabalhar como dançarinas em clubes de stiptease ou como prostitutas para pagar as dívidas com a gangue.

De acordo com a acusação, a gangue obrigava os imigrantes a pagar ameaçando suas famílias no país de origem ou exigindo a transferência de títulos de propriedade de imóveis como garantia antes das viagens.

Eles teriam estabelecido duas rotas para o envio dos imigrantes ilegais a partir de São Paulo – uma via Cidade do México e outra pelo Caribe.

A investigação sobre o grupo inclui grampos autorizados nos celulares dos acusados, que interceptaram as negociações entre eles.

Segundo a Justiça americana, se os acusados forem considerados culpados, podem ser condenados a penas de até dez anos de prisão e multas de até US$ 250 mil.


BBC Brasil

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Polícia liberta mulheres grávidas de 'fazenda de bebês' na Tailândia

Companhia tinha site onde serviços de barriga de aluguel eram vendidos

A polícia tailandesa desbaratou uma operação de tráfico de pessoas que vendia pela internet o serviço de barriga de aluguel e mantinha as grávidas confinadas num sítio em Bangcoc.

Oficiais do departamento de imigração prenderam 13 mulheres vietnamitas em uma casa na região de Ramkhamhaeng na quarta-feira.
Sete estavam grávidas e uma outra teria dado à luz na segunda-feira em um hospital no distrito de Min Buri.
Elas vinham sendo mantidas por chineses de Taiwan que administravam o negócio considerado ilegal.
Algumas mulheres disseram que aceitaram servir de barriga de aluguel devido à promessa de pagamento de US$5,5 mil (cerca de R$ 9,1 mil), mas foram enganadas e tiveram seus passaportes apreendidos pela organização, informou a imprensa local.

Pela internet
O esquema funcionava através de vendas na internet. O site http://www.baby-1001.com/ cobrava pelo serviço de gestação e prometia privacidade total aos usuários.
A organização funcionava como uma companhia, como uma "fazenda produtora de bebês" e a polícia chegou a intimar um executivo da firma, Siang Lung Lor, em um escritório em Bangcoc.
A operação da empresa foi descoberta depois que quatro mulheres contactaram a embaixada vietnamita em Bangcoc denunciando a exploração.
O pagamento pelo serviço de gestação é proibido na Tailândia pelo código de ética médico e pela regulamentação hospitalar.
Os envolvidos poderão responder por tráfico de seres humanos e outros crimes relacionados à natureza ilegal da fertilização e das gestações.
No entanto, não está claro qual será a possível pena enfrentada pelos acusados, pois leis que tratam de questões relacionadas à concepção artificial e barriga de aluguel ainda aguardam votação final no Parlamento tailandês.
O ministro de Saúde Pública Jurin Laksanavisit disse ao jornal The Nation que o caso é uma prioridade do governo.
"Precisamos encarar com seriedade essa questão, se não a Tailândia se tornará um lugar conhecido pelo tráfico de barrigas de aluguel", afirmou .


BBC Brasil

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Travestis menores de idade serão devolvidos aos pais



Polícia de São Paulo descobriu esquema de tráfico e exploração sexual

Os seis travestis menores de idade detidos na quarta-feira (2) pela polícia de São Paulo por serem vítimas de um suposto esquema de tráfico sexual serão devolvidos a seus pais, no Nordeste do país. Antes, eles vão passar pelo Conselho Tutelar de São Paulo.
O esquema foi descoberto durante a investigação sobre o paradeiro de um adolescente do Pará que estava desaparecido desde 27 de dezembro. A busca foi deflagrada a pedido da Polícia Civil paraense.
As investigações levaram os policiais a dois imóveis em São Paulo, um no centro e um na zona norte, onde foram encontrados 85 travestis, que se prostituiam. Entre eles, estavam os seis adolescentes. O jovem de 15 anos procurado no Pará também foi encontrado no imóvel do Cambuci, na região central.
A outra pensão ficava no início da avenida Cruzeiro do Sul. Além do Pará, a polícia achou vítimas de Alagoas, Amapá, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo. A maioria das vítimas tinha entre 18 e 23 anos.


R7

sábado, 15 de janeiro de 2011

Tráfico de pessoas gera US$ 9 bi por ano no mundo


O tráfico de pessoas, do qual entre 600 mil e 800 mil pessoas são vítimas a cada ano no mundo, gera US$ 9 bilhões anualmente e atinge principalmente os imigrantes ilegais, segundo uma organização americana. A coalizão para abolir a escravidão e o tráfico de pessoas, (Cast, na sigla em inglês), qualifica a situação como grave em diferentes cidades dos EUA, para onde a cada ano são trazidos cerca de 50 mil homens, mulheres e crianças para serem explorados, segundo estimativas da Agência Central de Inteligência (CIA).
A Cast estima que atualmente 27 milhões de pessoas no mundo sejam escravizadas. O tráfico de pessoas "é um tipo de crime que é difícil combater porque não é público. É um crime privado e há uma falta de educação sobre como identificar o problema. Nosso objetivo é implantar políticas para ajudar a identificá-lo e prestar auxílio às vítimas para que saiam dessa terrível situação", disse à Agência Efe uma advogada da Cast.
"Segundo dados do Departamento de Estado, a Califórnia é um lugar onde muitas pessoas sofreram com o tráfico. É um problema muito grave porque somos um estado vulnerável, já que há muitos aeroportos, estamos perto da fronteira, próximos do oceano, e temos cidades muito grandes", disse a advogada.
Na Califórnia, os agentes de imigração do governo federal indicam que "cerca de 10 mil mulheres em Los Angeles estão trabalhando como escravas na indústria sexual e esse número não inclui pessoas em trabalhos domésticos, fábricas, campos, entre outros". Além da Califórnia, os estados de Nova York, Texas, Flórida, Ohio e Nevada também têm muitas vítimas desse tipo de crime.
"As estatísticas do governo revelam um aumento, mas não sabemos se é porque agora há mais casos ou porque eles são mais identificados do que antes. Desde o ano 2000, temos uma lei mais agressiva em relação ao tráfico de pessoas nos EUA", destacou a advogada. "Este é um problema que não pode ser combatido sozinho, a participação da comunidade é importante, identificando possíveis vítimas e denunciando os casos de exploração humana, seja ela sexual, trabalhista ou econômica", acrescentou.





segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Itamaraty encorajará volta de brasileiros vítimas de exploração


O Ministério das Relações Exteriores lançará uma cartilha para orientar seus diplomatas no exterior a encorajar a volta de imigrantes brasileiros endividados ou vítimas de violência e exploração trabalhista.

O Guia de Retorno ao Brasil, como a cartilha foi intitulada, busca fazer com que a volta seja “não o fim de um sonho, mas o recomeço de suas vidas”, segundo a introdução do documento.
De acordo com Maria Luiza Ribeiro Lopes da Silva, chefe da Divisão de Assistência Consular do Itamaraty e coordenadora do grupo que elaborou a cartilha, o foco da iniciativa são vítimas de tráfico humano, como mulheres aliciadas por redes de prostituição.
O Itamaraty não tem dados sobre esse grupo, mas um relatório de 2006 do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês) estimou que 70 mil brasileiras trabalhavam como prostitutas no exterior. Atraídas por ofertas de trabalho em outras áreas, muitas se veem obrigadas a fazer programas para quitar dívidas com os empregadores.
Para chegar a essas mulheres, os diplomatas recorrerão a voluntários da própria comunidade brasileira no exterior.
"Uma manicure, por exemplo, pode ser uma ponte com outras integrantes da comunidade", diz Lopes da Silva.

Programas sociais
Feito o contato, elas serão orientadas sobre programas sociais nos quais poderiam se enquadrar caso regressassem ao país, como os de microcrédito, o Bolsa Família e o Minha Vida, Minha Casa, e sobre a oferta de empregos e cursos profissionalizantes nas suas regiões de origem.
Em casos excepcionais, caso comprovem não ter como arcar com as despesas para a volta e a Organização Internacional para a Migração não puder fazê-lo, o Itamaraty cobrirá os gastos.
"A ideia é aperfeiçoar o nosso serviço, para que ele não termine com a viagem no aeroporto. Queremos impedir que essas pessoas voltem ao Brasil sem nada nas mãos."
Outro público-alvo do programa, diz Lopes da Silva, são mulheres que sofrem violência doméstica. "Muitas brasileiras acabam se casando com moradores locais para a obtenção de documentos, e é comum que essa situação de desequilíbrio resulte em violência."
Mas transexuais e homens nas mais diversas situações de vulnerabilidade também serão contemplados.
No fim de agosto, a polícia espanhola desmontou uma rede destinada a explorar sexualmente brasileiros. Segundo a polícia, homens com promessas de trabalho e bons salário eram obrigados, ao chegar na Espanha, a se prostituir para pagar dívidas que chegavam a 4 mil euros (cerca de R$ 8,9 mil).

Rede de amparo
Elaborado desde julho, o Guia de Retorno ao Brasil foi montado em parceria do Itamaraty com a Polícia Federal, o Ministério da Justiça e a Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM).
Esses órgãos forneceram ao Itamaraty uma lista de entidades espalhadas por todo o país que podem auxiliar os recém-chegados, como entidades públicas federais e estaduais.
Segundo Lopes da Silva, a intenção do programa é fazer uma ponte entre os brasileiros no exterior e a "tremenda estrutura" de amparo já existente no Brasil.
No próximo dia 20, ela viajará à Espanha e a Portugal para divulgar a cartilha e se reunir com diplomatas, voluntários e ONGs locais. Os dois países são, nessa ordem e seguidos por Suíça e Holanda, os que concentram a maioria dos brasileiros em situação de risco no exterior, segundo a diplomata.
Por isso, agentes consulares e voluntários desses países receberão, além da cartilha, um treinamento para lidar com o grupo.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Espanha prende mais 5 suspeitos por rede de prostituição de brasileiros


Polícia desmantelou rede que explorava sexualmente imigrantes brasileiros.
Um garoto de 16 anos estava entre as vítimas do grupo.

A polícia espanhola anunciou nesta terça-feira (7) que prendeu mais cinco suspeitos de envolvimento na rede de exploração sexual de homens brasileiros, que foi desmantelada na semana passada.
Segundo o último comunicado divulgado, um brasileiro de 16 anos estava entre as mais de 70 vítimas do grupo que levava brasileiros a várias cidades da Espanha e os mantinha trabalhando em situações precárias para pagar as dívidas da viagem. A polícia encontrou ainda imagens do garoto de 16 anos divulgadas em site com anúncios da organização. A polícia diz que o garoto permaneceu ligado ao grupo por três semanas.
As prisões anunciadas nesta terça-feira são o resultado da segunda fase da operação realizada nos últimos dias contra a rede de exploração sexual de homens. "Cinco pessoas foram presas em gravações feitas em três prostíbulos masculinos localizados no centro da cidade de Madrid", disse a Polícia nacional.
Além dos cinco suspeitos detidos nesta segunda fase da operação,, os agentes prenderam cinco pessoas que estavam em situação irregular de imigração.

Organização desmantelada
No dia 31 de agosto, a polícia espanhola desmantelou a primeira rede de tráfico de homens na Espanha ao término de operações iniciadas em fevereiro que causaram a detenção de 14 pessoas. Foi a primeira vez que a Espanha acabou com uma rede dedicada à exploração sexual de homens. As primeiras detenções aconteceram em Palma de Mallorca, Madri, Barcelona, Alicante e León.
A maior parte dos jovens que se prostituíam vinha do Maranhão, atraídos por promessas enganosas. As operações, que começaram em fevereiro passado, causaram a detenção de 14 pessoas, entre elas do cérebro da organização, de nacionalidade brasileira, identificado pela polícia como "Lucas".
Também foram presas 17 vítimas que estavam na Espanha em situação irregular, explicaram depois em uma entrevista coletiva à imprensa membros da Brigada Central de Redes de Imigração.
A organização atraía os homens com a oferta de uma "bolsa de viagem" e a passagem de avião, que era comprada com cartões "clonados". As vítimas tentavam entrar na Espanha a partir de outros países do Espaço Schengen europeu. Quando chegavam ao território espanhol, "o líder da rede os distribuía por casas de prostituição variadas e fornecia a eles cocaína, 'popper' (uma droga para a estimulação sexual) e Viagra para que se prostituíssem 24 horas por dia".
O grupo conseguiu levar para a Espanha cerca de 80 pessoas, dos quais 64 eram homens e o restante travestis e mulheres, indicaram as autoridades da brigada.
As vítimas desta rede viviam amontoadas em casas de quartos com duas ou três beliches em que dormiam entre quatro e seis pessoas. Havia uma pequena sala onde se apresentavam para seus clientes, em maioria homens com entre 20 e 65 anos.
Os jovens cobravam cerca de 60 euros (R$ 135), mas a metade da arrecadação ia para os chefes da rede, a quem tinham que pagar cerca de 4.000 euros (R$ 9.000) por terem sido levados para a Espanha.
Segundo a polícia, os líderes da organização faziam as vítimas assinarem um contrato de arrendamento de um quarto compartilhado para poderem fingir que eles estavam ali voluntariamente.


G1

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sobrevivente indica que mais três pessoas podem ter escapado do massacre no México


Brasília – Mais quatro pessoas podem ter sobrevivido ao massacre dos 72 imigrantes na fronteira do México com os Estados Unidos. A informação é do equatoriano Luis Freddy Lala Pomavilla, que foi identificado inicialmente pelas autoridades como o único sobrevivente da chacina.
Segundo ele, 76 pessoas viajaram juntas aos Estados Unidos. Um homem hondurenho também é apontado como sobrevivente da chacina, segundo as autoridades mexicanas, que o mantêm sob segurança no país. Com isso, falta localizar mais dois eventuais sobreviventes.
As informações são da Agência Pública de Notícias do Equador e Sulamérica (Andes), a imprensa oficial equatoriana. Até ontem (2) à noite, as autoridades mexicanas confirmavam a localização de 72 corpos, dos quais 41 foram identificados - entre eles apenas um brasileiro, Juliard Aires Fernandes, de 20 anos. Foram encontrados documentos de outro brasileiro, Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos,
Um dos sobreviventes do crime indicou, porém, que podem existir outros que conseguiram escapar do massacre. Lala, em entrevista concedida ontem, contou que houve um verdadeiro périplo, promovido pelo grupo que levava os imigrantes rumo os Estados Unidos, até que chegassem ao México.
O equatoriano disse que para chegar a Tamaulipas, estado onde ocorreu o crime, com os outros imigrantes, o grupo que os conduzia levou todos para Honduras, depois para a Guatemala e, em seguida, para o México.
Ao ser perguntado sobre o que recomenda para quem sonha em viver nos Estados Unidos, Lala foi objetivo: “Eu diria: não vá". Há muitos maus [homens] que não o deixarão passar. Não sigam [para os Estados Unidos]. Viajaram comigo 76 pessoas, mataram a todos. Eu digo aos equatorianos que não viajem mais porque os La Zetas [nome do cartel suspeito de ser responsável pelo crime] vão matar muita gente”.
Segundo Lala, todos os imigrantes foram levados durante a noite em vários carros. Depois, permaneceram em um local, que ele não soube identificar, sob a guarda de oito homens armados. Em seguida, foram transportados novamente em vários carros para a fazenda onde houve o crime. Antes do assassinato coletivo, todos foram amarrados em grupos de quatro pessoas. As vítimas tiveram bocas amordaçadas, mãos e pés atados, e foram colocadas de costas para a parede.
O massacre ocorreu há quase duas semanas em uma fazenda na região de Reynosa, no estado de Tamaulipas, na fronteira do México com os Estados Unidos. O crime é atribuído a cartéis de tráfico de pessoas e drogas. A principal suspeita, segundo as autoridades mexicanas, recai sobre o grupo La Zetas.

Renata Giraldi


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Polícia da Espanha desbarata rede de tráfico sexual de homens que explorava brasileiros


MADRI - Pela primeira vez na História a Espanha desarticulou uma rede de exploração sexual masculina, segundo informações publicadas nesta terça-feira no site do jornal "El País", de Madri. A Polícia Nacional espanhola estima que entre 60 e 80 homens - a maioria proveniente do estado do Maranhão - eram distribuídos em diversas regiões da Espanha para prostituição. Também faziam parte do grupo explorado pela rede algumas mulheres e travestis. Os homens eram obrigados a se prostituir 24 horas por dia. Para isso, eram forçados a se drogar com cocaína e a usar estimulantes sexuais. Segundo autoridades, os clientes eram homens, de variadas idades.
Agentes detiveram 14 pessoas, quase todas brasileiras, ligadas à rede de prostituição. As prisões foram feitas em Palma de Mallorca, Madri, Barcelona, Alicante e León. A quadrilha comprava passagens com cartões clonados para os brasileiros, aliciados por agentes em suas cidades. Antes de chegar à Espanha, o grupo passava por outros países, a fim de despistar a polícia.
De acordo com a investigação, a maior parte do grupo acreditava que trabalharia como modelo ou dançarino de boate em alguma cidade espanhola. A quadrilha, inicialmente, dizia que os homens só teriam que arcar com os custos da passagem, mas depois lhes exigia até 4.000 euros (cerca de R$ 8.900).
As vítimas tinham que entregar ao gerente do local em que viviam metade do que ganhavam com os programas mais 200 euros (R$ 445) pelo alojamento.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

Europa Ocidental tem 140 mil ‘escravas sexuais’, diz relatório da ONU


Cerca de 70 mil mulheres são vítimas de tráfico sexual para a Europa Ocidental anualmente, segundo estima um relatório da UNODC (agência da ONU para Drogas e Crime).

Segundo o documento O Tráfico de Pessoas para a Europa para Exploração Sexual, haveria atualmente cerca de 140 mil mulheres obrigadas a trabalhar no mercado do sexo na região.
A ONU avalia que essas 140 mil mulheres traficadas façam ao todo cerca de 50 milhões de programas anuais, a um custo médio de 50 euros por cliente (cerca de R$ 109), movimentando um total de 2,5 bilhões de euros (R$ 5,47 bilhões).
O relatório da ONU foi divulgado na Espanha pelo diretor-executivo da UNODC, Antonio Maria Costa, para coincidir com o lançamento da campanha internacional Coração Azul de combate o problema.
“Os europeus acreditam que a escravidão foi abolida há centenas de anos. Mas olhem em volta – os escravos estão em nosso entorno. Precisamos fazer mais para reduzir a demanda por produtos feitos por escravos e por meio da exploração”, afirmou Costa.

Origens
O relatório da ONU cita a região dos Bálcãs como a principal origem das mulheres traficadas para a Europa Ocidental (32% do total), seguida dos países do ex-bloco soviético (19%), mas observa também um aumento no número de mulheres brasileiras traficadas (as sul-americanas são 13% do total).
Segundo a organização, a maioria das vítimas brasileiras de tráfico sexual para a Europa são originárias de regiões pobres no norte do país, principalmente nos Estados do Amazonas, do Pará, de Roraima e do Amapá.
O relatório observa ainda que as vítimas sul-americanas (principalmente do Brasil e do Paraguai) são traficadas principalmente para Espanha, Itália, Portugal, França, Holanda, Alemanha, Áustria e Suíça.
Em Portugal, dados do governo local divulgados na semana passada indicam que as brasileiras são 40% das mulheres traficadas no país.
Na Espanha, segundo os dados da ONU, o número de vítimas brasileiras e paraguaias ultrapassou desde 2003 o de vítimas colombianas, antes majoritárias no país.

Números
O total de 140 mil mulheres traficadas na Europa foi estimado pela ONU com base no número de 7.300 vítimas detectadas na Europa Ocidental em 2006. A organização estima que 1 em cada 20 vítimas seriam detectadas, indicando um total de 140 mil.
A agência estima ainda que o mercado tem uma renovação em média a cada dois anos, levando ao número de 70 mil novas vítimas a cada ano para substituir as que conseguem deixar a condição.
O relatório da ONU, porém, questiona alguns números de pesquisas sobre o tema. O documento cita uma estimativa de 700 mil mulheres trabalhando como prostitutas na Europa Ocidental (incluindo as que trabalham sem coerção).
Mas ao confrontar esse número com as pesquisas que indicam uma média de 6% dos homens pagando por sexo a cada ano nesses países, a organização estima que isso levaria a uma média de dez clientes anuais por prostituta, um número extremamente baixo mesmo que se tratassem de clientes regulares.
Para a organização, ou menos mulheres trabalham como prostitutas ou mais homens estão pagando por sexo com elas – ou ambas as coisas.


BBC Brasil

sábado, 26 de junho de 2010

Brasileiras são 40% das vitimas de tráfico de pessoas em Portugal


Cerca de 40% das vítimas de tráfico de pessoas em Portugal são mulheres de nacionalidade brasileira. Este é o resultado do Relatório Anual de 2009 do Observatório do Tráfico de Seres Humanos, órgão ligado ao Ministério da Administração Interna (Interior) português.

"Podemos traçar um perfil da vítima. É mulher, brasileira e o tráfico destina-se à exploração sexual. É solteira, com mais de 25 anos, e vem para Portugal com uma proposta de trabalho", afirma Joana Daniel Wrabetz, responsável pelo estudo. Ela conta que a maior parte das brasileiras vítimas de tráfico vêm de Goiás, Minas Gerais e de Estados do Nordeste.
O estudo foi feito baseado em 84 casos sinalizados durante o ano de 2009, dos quais sete já foram levados a julgamento. Em relação aos agressores, também foi estabelecido um perfil.
"Geralmente é um português que conhece os prostíbulos onde pode colocar as vítimas, muitas vezes em parceria com um estrangeiro", relata Joana.
Ela distingue o tráfico da imigração ilegal para a prostituição. "No tráfico, depois de entrar no país, as vítimas perdem seus direitos, estão a ser violentadas e ficam reduzidas a uma situação de escravatura. O fato de que muitas brasileiras tenham vindo sabendo que iam trabalhar na prostituição não pode servir de desculpa para justificar o tráfico."
Muitas vezes, além de situações de cárcere privado, as vítimas de tráfico ficam sem documentos. Normalmente, para impedir que as vítimas de tráfico fujam, os documentos da vítima são retirados.
"O tráfico de seres humanos põe em causa a dignidade dos seres humanos. Por isso, o código penal estabeleceu como crime grave a ocultação de documentos ou sua destruição", afirmou o ministro da Administração Interna, Rui Pereira.
Não há dados em Portugal sobre o total de vítimas. "Este é o segundo ano que fazemos o relatório. Não tenho meios para dar uma estimativa do universo total de vítimas de tráfico. Ainda não foi possível reunir dados históricos para elaborar modelos para predizer a realidade", relata Paulo João, da Direção Geral da Administração Interna, órgão ligado ao Ministério da Administração Interna.

Maior comunidade
Para o diretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Manuel Jarmela Paulus, o maior número de brasileiros entre as vítimas está relacionado apenas à dimensão da comunidade – com 100 mil pessoas, mais de 20% do total de imigrantes no país.
"Isso não tem nada a ver com nenhuma particularidade do país. Apenas é a comunidade mais numerosa em Portugal", afirma.
O segundo grupo mais numeroso de vítimas é proveniente de países do Leste Europeu.
Segundo Paulus, para combater o tráfico de pessoas, o Serviço de Estrangeiros está trabalhando com as autoridades brasileiras. "As parcerias com a Polícia Federal êm sido exemplares. No Brasil, a questão do tráfico de pessoas também preocupa as autoridades brasileiras."
Sem dar números de operações e de pessoas que teriam sido detidas por tráfico, ele indica como resultados da parceria com a Polícia Federal a presença de agentes brasileiros em Portugal, tomando parte de operações do SEF e de portugueses no Brasil, em operações realizadas pela Polícia Federal.

Jair Rattner


quinta-feira, 24 de junho de 2010

CPI da Câmara vai investigar tráfico de crianças em Encruzilhada


Salvador - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instituída pela Câmara de Deputados para investigar as causas, consequências e responsáveis pelo desaparecimento de crianças e adolescentes no Brasil discutirá, no próximo dia 30, no município baiano de Encruzilhada (distante 645km de Salvador), a prática de aliciamento e intermediação irregular de crianças para adoção, denunciada pelo promotor de Justiça Márcio de Oliveira Neves à Justiça. A audiência pública acontecerá às 9h30, na Câmara de Vereadores, oportunidade em que o promotor de Justiça irá expor o trabalho do Ministério Público no combate ao ‘tráfico de crianças’ no município, que, no último mês de março, teve casos de intermediação de crianças expostos em matéria jornalística produzida pelo SBT.
Segundo Márcio Neves, a repercussão da matéria exibida em cadeia nacional, aliada à gravidade das práticas nela evidenciadas, motivaram a realização da audiência pública, que contará também com a presença da juíza da comarca, de vereadores e de diversas mães que compõem a investigação. No início do último mês de maio, o promotor de Justiça denunciou a vereadora Maria Elizabete de Abreu Rosa pelo oferecimento de recompensa a gestantes convencidas a lhe entregar os filhos após o nascimento. A vereadora, que está foragida desde que a Justiça, a pedido do MP, decretou sua prisão preventiva, aliciou várias mulheres. Em abril de 2009, ela, também conhecida como “Bete”, dizendo-se sabedora dos problemas de saúde de Adeides Santos, ofereceu-lhe recompensa e pediu que, quando o bebê nascesse, ele lhe fosse entregue, informa Márcio Neves, esclarecendo que, em troca, Adeides (também denunciada), que estava grávida de oito meses e sofria de problemas cardíacos, receberia ajuda para realização de laqueadura e dos exames necessários ao tratamento do coração. Cedendo à recompensa oferecida por Bete, que também exerce a função de técnica de enfermagem, Adeides entregou a filha, lamenta o representante do MP.
Grávida de cinco meses, Cláudia Ramos foi mais uma das grávidas aliciadas pela vereadora, que procurou a gestante informando-lhe que um casal “de fora”, que não podia ter filhos, tinha interesse em criar a criança quando esta nascesse. Segundo o promotor, como recompensa, Bete prometeu a Cláudia (também denunciada) que o casal, “por ser bem de vida”, ajudaria ela e permitiria que a mesma sempre pudesse ver a criança e ter notícias suas. Em abril de 2007, cedendo à proposta da vereadora, Cláudia Ramos entregou seu filho. Outra grávida abordada por Bete foi Amanda da Silva que, aos oito meses de gestação, recebeu proposta para entregar o filho que estava prestes a nascer, lembra Márcio Neves. De acordo com ele, Bete procurou Amanda prometendo-lhe um emprego de doméstica em São Paulo, chegando a apresentar a Amanda duas mulheres, das quais uma disse que ali estava por causa da criança. Nessa ocasião, ressalta o membro do MP, foi oferecido dinheiro à gestante para que ela realizasse os exames médicos necessários e comprasse tudo que necessitasse. Mas o objetivo da promessa de ajuda em dinheiro, destaca o promotor, era a efetivação da entrega da criança a elas. Isso não aconteceu porque Amanda desistiu.

Jornal da Mídia
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