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sexta-feira, 18 de julho de 2014

'Gigante' da luta contra Aids e comissário que não deveria estar a bordo estão entre mortos


Uma das mentes mais brilhantes da pesquisa sobre a Aids e um comissário que não deveria estar no voo estavam entre os que morreram quando o voo MH17 caiu no leste da Ucrânia, nesta quinta-feira.

Veja abaixo algumas de suas histórias:

'Gigante' da pesquisa contra a Aids

O holandês Joep Lange estava entre os mais proeminentes do grupo de cerca de cem pesquisadores e ativistas que viajavam para a 20ª Conferência da Sociedade Internacional de Aids em Melbourne, na Austrália.

Relatórios sugerem que a bordo do MH17 estavam cerca de cem cientistas, oficiais de comunicação e ativistas que iriam participar da conferência.

Lange era um dos ex-presidentes da sociedade, descrito como uma das mentes mais brilhantes da pesquisa sobre a doença.

Antes da confirmação de sua morte, a sociedade afirmou, em nota, que "o movimento realmente perdeu um gigante".

No Twitter, vários colegas prestaram homenagem a Lange. A médica Seema Yasmin se referiu a ele como um amigo que foi dedicado a suas cinco filhas e tuitou: "Pessoas como Joep mudam o curso de uma epidemia."

"Joep foi um grande cientista clínico, e um grande amigo do Wellcome Trust", disse Jeremy Farrar, diretor do grupo de pesquisa médica Wellcome Trust.

A mulher de Lange, Jacqueline van Tongeren, também estava a bordo.

Passageiro acidental

Um comissário de bordo da Malaysia Airlines trocou seu turno de trabalho e acabou voando no jato que caiu em território controlado pelos rebeldes na Ucrânia.

Foi uma triste coincidência, já que sua esposa, comissária de bordo como ele, também havia trocado de turno e estava, por isso, no avião da Malaysia que desapareceu a caminho de Kuala Lumpur no dia 8 de março, com 239 passageiros a bordo, de acordo com uma reportagem do jornal The Malaysian Insider.

Sanjid Singh vivia com a mulher e o filho de sete anos em Kuala Lumpur.

"Ele esteve aqui [em Penang] há mais ou menos um mês. Ele nos disse recentemente que trocou com um colega o voo de volta Amsterdã-Kuala Lumpur," seu pai Jijar Singh disse ao jornal.

Singh disse que seu filho deveria visitá-lo após seu retorno de Amsterdã.

"A mãe dele havia preparado todos os seus pratos favoritos", disse.

Piada no Facebook

Cor Pan brincou no Facebook sobre seu avião desaparecendo pouco antes de decolar.

O holandês estava saindo de férias com sua namorada, Neeljte Tol, e postou uma foto do avião no Facebook com a legenda:

"Se o meu voo para a Malásia desaparecer, era assim que ele era."

Seus amigos reagiram desejando-lhe boas férias, mas assim que veio a notícia da queda do avião as mensagens em sua página do Facebook começaram a demonstrar preocupação crescente, que no fim se tranformou em tristeza.

Segunda perda

Uma família australiana foi duplamente afetada pelas seguidas tragédias com aviões da Malaysia Airlines.

Kaylene Mann, uma australiana que perdeu seu irmão e sua cunhada - Rod y Mary Burrows - no acidente ocorrido há 4 meses, soube nesta sexta-feira que sua enteada, Maree Rizk, estava entre os mortos.

Seu irmão, Greg Burrows, disse que a família não podia acreditar nem aceitar seu destino: "(Kaylene) perdeu seu irmão e agora sua enteada... Estamos destruídos novamente".

Rizk, de Melbourne, voltava para casa após férias de quatro semanas na Europa. Estava com o marido, Albert, membro do comitê do Clube de Futebol Sunbury, da Austrália.

Phil Lithgow, presidente do clube, disse que ela trabalhava como voluntária na cafeteria e que um de seus filhos, James, jogava na equipe.

"Eram pessoas adoráveis, não há nada que se possa dizer de mau deles. Eram muito generosos no tempo em que dedicavam à comunidade", disse Lithgow.

Visita à mãe falecida


Yuli Hastini, John Paulisen e seus dois filhos estavam indo visitar o túmulo da mãe de Yuli

Hastini, de 44 anos, seu marido holandês John Paulisen, de 47 anos, e seus dois filhos, o menino Arjuna, de 5 anos, e a menina Sri, de 3 anos, visitavam sua família na cidade natal dela, Solo, em Java Central, a cada dois anos, durante o feriado muçulmano do Eid.

Seu cunhado disse à BBC Indonésia que ela trabalhava para uma empresa farmacêutica na Holanda.

Ela havia ficou arrasada por não ter conseguido ir ao funeral de sua mãe no ano passado. Por isso, a família planejou a viagem para visitar o túmulo da mãe.

Ex-jornalista da BBC

Glenn Thomas, um jornalista e coordenador de relações com a mídia da OMS, estava viajando para a conferência sobre Aids na Austrália.

Glenn, de 49 anos de idade, trabalhava em Genebra e foi um dos nove britânicos que morreram no acidente.

Ele também era um ex-jornalista da BBC. Colegas e amigos prestaram homenagens no Twitter.

Peter Horrocks, diretor do Serviço Mundial da BBC, disse em um e-mail para os funcionários que Glenn era conhecido como um "indivíduo calmo, amável e totalmente profissional".

"Ele fará falta. Nossos pensamentos estão com sua família e amigos neste terrível momento".

Aeromoça persistente

A atendente de voo Nur Shazana Mohd Salleh era uma pessoa feliz e achava que este mês seria especial.

A família da aeromoça de 31 anos disse à mídia local que ela morreu fazendo o trabalho que amava.

"Ela passou por tantas entrevistas para finalmente conseguir este trabalho", o pai disse, acrescentando que ela trabalhou para a companhia pelos últimos nove anos.

Ele disse que ela era solteira e que tinha a esperança de se casar em breve, e que ela achava que este mês, de alguma forma, seria especial.

Seu tio disse que ela era a mais velha de quatro filhos e estava sempre alegre.

Professora inspiradora

Professora era 'uma inspiração' para seus colegas

A professora australiana Francesca Davison e seu marido, Liam, estavam voltando para a casa após férias na Europa.

Conhecida como Frankie, a professora de 54 anos é descrita pela diretora do colégio em que trabalhava como "uma inspiração para todos que entraram em contato com ela".

Ela ensinava literatura e humanidades em Toorak College, em Victoria, e é descrita como uma "querida amiga, generosa e amável".

BBC Brasil

sexta-feira, 15 de março de 2013

Cura funcional da infecção pelo HIV é observada em 14 pacientes na França


Em um estudo, essas pessoas passaram a tomar antirretrovirais mais cedo do que o normal e durante três anos. Nos sete anos seguintes, sem remédios, seus níveis de vírus no sangue eram incapazes de desencadear sintomas

Pesquisadores publicaram, nesta quinta-feira, um estudo no qual revelam que 14 pacientes adultos infectados pelo HIV parecem ter obtido uma cura funcional da doença. Ou seja, mesmo após terem interrompido o tratamento, apresentam quantidades tão pequenas do vírus no sangue que ele se tornou incapaz de produzir sintomas durante sete anos. A pesquisa foi divulgada dias depois de médicos americanos terem anunciado a também cura funcional em um bebê recém-nascido infectado pelo vírus da aids.

Segundo os responsáveis por esse estudo, que foi coordenado no Instituto Pasteur, em Paris, na França, a chave para a cura funcional nesses 14 pacientes foi o início precoce do tratamento com antirretrovirais após a infecção. De acordo com o artigo, essas pessoas começaram a ser monitoradas a partir do momento em que elas passaram a receber os antirretrovirais, que foi dez semanas após eles serem infectadas. Em média, essas drogas são dadas aos pacientes três anos mais tarde.

Leia também: Conheça Gero Huetter, o homem que derrotou a aids

Os pacientes, que tinham entre 34 e 66 anos, então, tomaram os antirretrovirais ao longo de dois a três anos, em média, e depois interromperam o tratamento. De acordo com o estudo, eles conseguiram manter a carga viral sob controle durante uma média de sete anos e meio, sem o uso de nenhum medicamento. Um dos pacientes chegou a ficar pouco mais de dez anos sem apresentar sintomas. “Não é erradicação, mas claramente eles puderam viver por um longo período de tempo saudáveis e sem tomar os antirretrovirais”, diz Asier Saez-Cirio, coordenador da pesquisa, que está presente no periódico PLoS Pathogens.

No entanto, os pesquisadores advertem que esses resultados não significam que essa abordagem possa funcionar para todas as pessoas infectadas pelo HIV no mundo, já que a pesquisa analisou 70 pacientes infectados e somente 14 deles apresentaram a cura funcional. Já o restante dos indivíduos, ao deixarem de tomar os antirretrovirais, recuperaram níveis de vírus semelhantes aos observados antes de começarem a ser tratados.

Explicação — Segundo os autores, ainda não está claro o que fez com que a cura funcional ocorresse nesses 14 pacientes, apesar de eles terem sido submetidos a vários testes imunológicos. Mas eles acreditam que, entre essas pessoas, possa ter ocorrido uma limitação nos reservatórios virais, que se formam no organismo de um indivíduo após a infecção pelo HIV. Esses reservatórios são compostos por células dormentes que reativam a infecção quando o remédio deixa de ser tomado.

“Esses dados, junto às informações sobre o caso do bebê recém-nascido nos Estados Unidos, apoiam fortemente a ideia do tratamento precoce e fornecem pistas importantes para o desenvolvimento de estratégias para curar a infecção pelo HIV, ou ao menos induzir a um controle a longo prazo sem a necessidade de antirretrovirais”, disse Asier Saez-Cirio, que coordenou a pesquisa.

Veja

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

[REALIZATTO] AIDS = ESTUPRO DE PESSOA INCONSCIENTE


Refletindo sobre acontecimentos nos últimos 5 (cinco) anos, deparo-me com uma constatação assombrosa. A AIDS, ou o vírus que provoca falta de imunidade, é tão e quão somente o resultado de anos de estupro pessoa inconsciente, o que em síntese remete a uma super bactéria "candida", que atua de forma irracional.

A pessoa que é vítima de estupro inconsciente, ou subjugada com pratica de sexo anal, desenvolve diversas doenças, entre elas: infecções intestinais, infecções pulmonares, alterações circulatórias, envelhecimento precoce, ressecamento de pele e de cabelos, obesidade, diabetes, artroses, alterações esqueléticas, doenças neurológicas, exacerbamento da agressividade, confusão mental, esquecimento, dificuldade de aprendizado, infecções urinárias, cansaço, pressão alta e doenças congênitas, entre outras.

A vítima está constantemente sendo acometida de doenças e infecções, o que a obriga a usar antibióticos e outros medicamentos. O excesso de antibióticos num organismo que não tem tempo de se recuperar, provoca baixa de imunidade, até que esta deixe de existir.

Quando o organismo está debilitado, algumas bactérias oportunistas se desenvolvem. A Candida Albicans é uma delas. Esta bactéria infesta o organismo, causando diversas infecções. Se este organismo não reage estará instalada a AIDS.

Informação recebida por e-mail de Fátima Leme

sábado, 6 de outubro de 2012

Nova vacina contra a aids mata células infectadas

Equipe brasileira: a pesquisa utilizou a vacina para febre amarela como base para novas vacinas (Gutemberg Brito/IOC)


Pesquisa usa 'células assassinas' que destroem as células infectadas pelo HIV. Em teste com macacos, maioria teve a doença controlada

Um estudo conduzido em conjunto por pesquisadores da Universidade de Miami e do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) abre um novo caminho na pesquisa de uma vacina para o vírus HIV, causador da aids. O estudo, liderado por David Watkins, professor do Departamento de Patologia da Universidade de Miami, foi publicado esta semana no site da revista Nature. Ao invés de realizar testes com anticorpos, como tem sido feito atualmente, a equipe trabalhou com uma célula do sistema imunológico, a T CD8, considerada potencial "assassina" das células que reproduzem o HIV. "O vírus usa as células T CD4 como uma 'fábrica'", onde se replica, gerando mais vírus, que vão infectar outras células T CD4. A T CD8 mata as células infectadas", diz Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e integrante do grupo que conduziu a pesquisa.

A inspiração veio da descoberta de um grupo de pessoas, os chamados "controladores de elite”, que possuem o vírus do HIV, mas não desenvolvem a aids. De acordo com Watkins, apenas uma a cada 300 pessoas infectadas pelo HIV pode controlar a replicação do vírus no organismo e não desenvolver a doença. O pesquisador conta que há cinco anos foi descoberto que entre macacos rhesus também havia aqueles capazes de controlar a replicação do SIV, vírus responsável pela aids nos primatas.

Estudos realizados com os controladores de elite mostraram que 70% deles possuía um genótipo em comum. Para descobrir se esse genótipo estava relacionado ao controle do vírus, a equipe desenvolveu vacinas que estimulavam a produção da T CD8 e aplicou apenas em macacos que possuíam esse genótipo específico (que é similar ao dos humanos). Em seguida, os macacos foram infectados com o vírus SIV.

"Quando o vírus começa a se multiplicar, as T CD8 impedem a replicação de células infectadas, mas isso leva um tempo, porque elas estão presentes em uma quantidade muito baixa inicialmente", afirmou Watkins ao site de VEJA. "O que nós fizemos foi colocar as células assassinas em maior quantidade no organismo antes do vírus chegar", completa.

Os macacos testados foram divididos em dois grupos de oito animais cada. Um grupo recebeu a vacina antes do vírus e o outro recebeu apenas o vírus. Entre os que foram vacinados, todos controlaram o vírus nas primeiras 10 semanas. Após esse período, em dois deles a quantidade de vírus começou a crescer. Os pesquisadores descobriram que isso ocorreu porque o vírus sofreu mutações que impediram que ele fosse reconhecido pela T CD8. Dessa forma, foram gerados 6 controladores de elite, enquanto no grupo que não foi vacinado, apenas um animal se mostrou capaz de controlar o vírus.

Genética - A variação no DNA encontrada na maior parte dos controladores de elite é identificada pelos códigos HLA-B*57 e HLA-B*27. Nas pessoas que possuem uma dessas variações, há uma espécie de ‘balde’ na superfície das células infectadas pelo HIV, que contém uma parte do vírus. É isso o que mostra para T CD8 que aquela célula está infectada e deve ser eliminada. Estima-se que uma a cada dez pessoas apresente esse genótipo, mas a porcentagem varia muito conforme a população analisada. “Não sabemos por que nem todo mundo que tem o genótipo é um controlador de elite. Isso ainda é um mistério”, lembra Myrna Bonaldo.

Participação brasileira - As vacinas foram criadas a partir de uma metodologia desenvolvida pela Fiocruz, que utiliza a vacina de febre amarela como “base” na qual são feitas modificações genéticas que podem levar ao combate de outras doenças. Além de Myrna Bonaldo, participaram do estudo outros três pesquisadores Brasileiros: Ricardo Galler (pesquisador de Bio-Manguinhos/Fiocruz), Marlon Santana (bolsista do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do IOC/Fiocruz) e Maurício Martins (brasileiro que integra a equipe de David Watkins).

As vacinas continham partes do vírus SIV e estimulavam a produção de três variações da T CD8. A diferença entre elas é que cada uma tem como alvo, ou seja, é capaz de reconhecer, partes diferentes do vírus. “Podemos pensar no vírus como um colar, com uma longa sequência de pérolas, que são os aminoácidos. Cada tipo de TCD8 consegue identificar uma região com oito aminoácidos”, explica Watkins.

Expectativas - "Os resultados obtidos neste estudo podem ajudar o estabelecimento de estratégias de vacinação para o HIV", afirma Myrna Bonaldo. "Uma vacina eficaz provavelmente precisará incluir duas abordagens: tanto a de anticorpos neutralizantes quanto a de produção de células T CD8 protetoras."

Para Watkins, os próximos passos da pesquisa são descobrir qual das três variações de T CD8 é a mais eficaz para inibir a replicação do HIV e realizar testes em macacos que não possuem o genótipo específico.

O pesquisador prefere não fazer previsões sobre quando a vacina estará pronta para aplicação em massa. “Quando o vírus foi descoberto disseram que a gente teria a vacina em dois anos. Isso já faz 30 anos. Eu acho que vai demorar muito tempo para termos a vacina, mas isso não quer dizer que não possa acontecer uma descoberta no ano que vem que mude o jeito que a gente pensa sobre isso. Essa é a natureza da ciência”, afirma.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Vaccine-induced CD8+ T cells control AIDS virus replication

Onde foi divulgada: revista Nature

Quem fez: Myrna C. Bonaldo, Ricardo Galler, David B. Allison, Michael Piatak Jr, Ashley T. Haase, Jeffrey D. Lifson, Todd M. Allen e David I. Watkins

Instituição: Universidade de Miami e Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz

Dados de amostragem: 16 macacos rhesus, divididos em dois grupos

Resultado: 6 dos 8 macacos que receberam a vacina experimental se tornaram capazes de controlar o vírus SIV (correspondente ao HIV nos humanos) e não desenvolveram a doença. Entre os 8 que não foram vacinados, apenas 1 conseguiu controlar o vírus

Veja

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Pesquisadores identificam nova doença semelhante à Aids

Enfermidade que atinge sistema imunológico é mais comum em adultos da Ásia

WASHINGTON - Pesquisadores identificaram uma nova doença misteriosa que tem causado sintomas semelhantes aos da Aids em dezenas de pessoas na Ásia e em algumas nos Estados Unidos, mesmo quando não estão infectados pelo HIV.

Os sistemas imunológicos dos pacientes foram danificados, o que os deixou incapazes de se defender de germes como faria uma pessoa saudável. A causa da doença é desconhecida, mas parece não ser contagiosa.

- Este é um outro tipo de imunodeficiência adquirida que não se herda e ocorre em adultos, mas não se propaga da forma como a Aids por meio de um vírus - disse a doutora Sarah Browne, cientista do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos.

Browne ajudou a realizar o estudo com pesquisadores na Tailândia e em Taiwan, onde foi detectada a maioria dos casos desde 2004. O relatório foi publicado no "New England Journal of Medicine".

- É provável que algum tipo de infecção possa desencadear a doença, embora pareça que não se propaga de pessoa para pessoa - disse o doutor Dennis Maki, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Wisconsin.

A doença se desenvolve por cerca de 50 anos em média, mas não é característica de grupos familiares, o que torna improvável a causa genética, afirmou Browne. Alguns pacientes morreram de infecções fortes, entre eles asiáticos que vivem atualmente nos Estados Unidos.

Kim Nguyen, de 62 anos, uma costureira originária do Vietnã que vive no estado do Tennessee desde 1975, ficou gravemente doente com uma febre persistente, infecções nos ossos e outros sintomas em 2009. Esteve enferma de forma recorrente por vários anos e visitou o Vietnã em 1995 e em 2009.

- Ela estava com um infecção sistêmica, que primeiramente parecia ser uma tuberculose, mas não era - disse o médico Carlton Hays.

Deferente do HIV, o vírus que causa a Aids, a nova doença não afeta os linfócitos T, mas provoca um tipo diferente de dano no sistema imunológico. O estudo de Browne com mais de 200 pessoas de Taiwan e da Tailândia descobriu que a maioria dos doentes criava anticorpos que bloqueavam o interferon gama, um sinal químico que ajuda o corpo a se desfazer de infecções. Ao bloquear esse sinal, as pessoas ficam vulneráveis a vírus, fungos e parasistas, mas especialmente a microbactérias, um grupo de germes semelhantes aos da tuberculose, que pode causar graves danos aos pulmões.

Os antibióticos não são sempre eficazes no combate à doença. Os médicos têm tentado outros métodos, incluindo drogas contra o câncer que ajudam a suprimir a produção de anticorpos. A doença desaparece assim que a infecção é controlada, mas com o envolvimento do sistema imunológico se torna uma condição crônica, acreditam os pesquisadores.

O fato de que quase todos os pacientes identificados até agora serem da Ásia ou asiáticos que vivem em outros continentes sugere que fatores genéticos ou ambientais podem desencadear a doença, concluíram os pesquisadores.

O Globo

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Saiba como funciona o teste de HIV feito em casa

O novo exame de HIV pode ser feito em casa e é muito parecido com um teste de gravidez comum. O kit poderá ser comprado em qualquer farmácia e deve chegar às lojas nos próximos meses. Depois de 20 anos de discussão, um painel de especialistas aprovou o teste no fim de maio. O OraQuick é o primeiro exame desse tipo a ser aprovado no mundo. Ele é feito a partir de uma amostra de saliva. O resultado fica pronto entre 20 e 40 minutos.

Eficácia

Kit vendido em farmácias poderá diagnosticar vírus da Aids em exame caseiro
O teste é eficiente em 90% dos casos, mas em caso de resultado negativo deve ser repetido em três meses para confirmação. Nos Estados Unidos, 1,2 milhão de pessoas estão infectadas pelo HIV, mas 20% delas não sabem que carregam o vírus. O exame deve ajudar a diminuir esse número e contribuir para a redução de novos contágios. Todo ano o país registra 50 mil novos casos.  BBC Brasil

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

RS é o Estado com maior índice de casos de Aids por habitante, aponta ministério

Todas as 10 cidades com maior incidência da doença estão no sul do país

O sul do Brasil concentra 23% dos casos de Aids, com apenas 14% da população total do país. O dado chama atenção do Ministério da Saúde, que promete investimentos na região para reverter essa estatística. O número faz parte do Boletim Epidemiológico DST Aids, divulgado pelo ministério em coletiva de imprensa em Brasília, na manhã desta segunda-feira.

De acordo com o boletim, todas as 10 cidades que lideram a lista de maior incidência da doença estão no Sul (veja lista abaixo). Na estatística por Estado, o Rio Grande do Sul é o que mais registra casos de Aids: são 27,7 por 100 mil habitantes. O segundo do ranking é Roraima (26/100mil), seguido por Santa Catarina (23,5/100mil). O Paraná é o quinto da lista, com 15,7 casos por 100 mil habitantes. No ranking por capitais, Porto Alegre também se destaca com 99,8 casos por 100 mil habitantes, enquanto Florianópolis, segunda da lista, registra 57,9 casos por 100 mil. Os dados se referem a 2010.

— O que nos chama atenção é que o RS tem muito mais casos em relação à sua população, mas não é um fator isolado que leva a isso, como o acesso ao diagnóstico, por exemplo. Nós reforçamos as campanhas no Sul, em especial no RS, inclusive com ações regionalizadas em pequenas cidades — disse o ministro Alexandre Padilha.

No país inteiro, 630 mil pessoas convivem com HIV/Aids. A prevalência da doença (estatística de pessoas infectadas por HIV) permanece estável em cerca de 0,6% da população, enquanto a incidência (novos casos notificados) teve leve redução de 18,8/100 mil habitantes em 2009 para 17,9/100 mil habitantes em 2010. Houve um aumento significativo de casos identificados em pequenos municípios (com até 50 mil habitantes). Essas cidades respondiam por 5,6% dos casos e passaram a representar 8,4% dos casos, conforme o boletim divulgado hoje.

Ranking da taxa de incidência de Aids (por 100 mil) em municípios brasileiros com mais de 50 mil habitantes

1. Porto Alegre (RS) — 99,8

2. Alvorada (RS) — 81,8

3. Balneário Camboriú (SC) — 77,7

4. Uruguaiana (RS) — 67,0

5. Sapucaia do Sul (RS) — 66,4

6. Criciúma (SC) — 61,9

7. Biguaçu (SC) — 60,1

8. Pinhais (PR) — 58,1

9. Florianópolis (SC) — 57,9

10. Canoas (RS) — 57,4

Taxa de incidência de Aids (por 100 mil habitantes) nas capitais brasileiras

1. Porto Alegre (RS) — 99,8

2. Florianópolis (SC) — 57,9

3. Manaus (AM) — 50,9

4. Boa Vista (RR) — 46,4

5. Curitiba (PR) — 41,8

6. Belém (PA) — 41,3

7. Porto Velho (RO) — 37,8

8. Vitória (ES) — 35,1

9. Rio de Janeiro (RJ) — 34,7

10. Recife (PE) — 33,4

Outros dados

Em alguns grupos, o avanço no combate à epidemia é mais marcante. Entre os menores de cinco anos de idade, casos relacionados à transmissão vertical, ou seja, da mãe para o bebê durante a gravidez, o parto ou pelo leite materno, a taxa de incidência (número de casos por 100 mil habitantes), caiu 41% de 1998 a 2010. Em relação à taxa de mortalidade, o boletim também sinaliza queda. Em 12 anos, a taxa de incidência baixou de 7,6 para 6,3 a cada 100 mil pessoas. A queda foi de 17%.

O documento chama a atenção para públicos específicos, que têm tido comportamento diverso e ampliado o número de casos. Ao longo dos últimos 12 anos, a porcentagem de casos na população de 15 a 24 anos caiu. Já entre os gays da mesma faixa, houve aumento de 10,1%. No ano passado, para cada 16 homossexuais dessa faixa etária vivendo com Aids, havia 10 heterossexuais. Essa relação, em 1998, era de 12 para 10.

Na população de 15 a 24 anos, entre 1980 e 2011, foram diagnosticados 66.698 casos de aids, sendo 38.045 no sexo masculino (57%) e 28.648 no sexo feminino (43%). O total equivale a 11% do total de casos de Aids notificados no Brasil desde o início da epidemia ocorre entre jovens. O quadro levou o Ministério da Saúde a priorizar este público na campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, que ocorre em 1º de dezembro.

BEM-ESTAR

sábado, 19 de novembro de 2011

Brasil vai fabricar equipamento que detecta HIV com apenas uma gota de sangue


Rubéola, sífilis, toxoplasmose e hepatite B também poderão ser diagnosticadas com o novo aparelho

O Brasil vai produzir e utilizar na rede pública um aparelho para teste rápido de HIV, rubéola, sífilis, toxoplasmose e hepatite B em gestantes com apenas uma gota de sangue. O acordo para fabricação do equipamento foi assinado ontem entre o Instituto Carlos Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Paraná, e a empresa de equipamentos médicos e hospitalares Lifemed.

Criado pela Universidade Federal do Paraná, o kit, que inclui o aparelho e os materiais necessários aos exames, pode diagnosticar as doenças em até 30 minutos. Atualmente, o resultado dos exames leva semanas para ficar pronto. Por ser portátil, o equipamento pode ser levado a áreas de difícil acesso, à periferia das grandes cidades e à zona rural.

O kit nacional chegará ao Sistema Único de Saúde (SUS) somente em 2014. Com ele, o Ministério da Saúde espera, entre outros objetivos, reduzir a taxa de prevalência das doenças entre grávidas a partir do diagnóstico rápido e precoce no pré-natal, uma das metas do Programa Rede Cegonha, lançado este ano pela presidenta Dilma Rousseff. A cada ano são registrados, por exemplo, 19 mil casos de sífilis congênita no país.

— Esse equipamento, com o tempo, pode incorporar o diagnóstico de outras doenças infecciosas e podemos ampliar (o uso) não somente para o pré-natal, mas para toda a rede básica — disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Segundo o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, o aparelho tem potencial para diagnosticar cem tipos diferentes de doenças. Cada kit pode ser usado por até cem pacientes.

O ministério irá gastar cerca de R$ 950 milhões com a compra gradual das unidades no período de cinco anos. A economia para os cofres públicos é estimada em R$ 177 milhões de reais com a redução de importações e outros custos. Em 2014, serão comprados 2 milhões de kits. Em 2019, o montante será elevado para 10 milhões de unidades. De acordo com Padilha, em cinco anos, os kits nacionais serão suficientes para abastecer a rede pública em todo o país. Cada kit vai custar R$ 30,40 no primeiro lote de compras, em 2014. Com o aumento das encomendas, o preço de cada equipamento deve cair para R$ 21,50 em 2019, segundo estimativa do próprio governo.

bem-estar

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Anfetaminas são a segunda droga mais consumida no mundo


Os estimulantes do tipo anfetamínicos, como o ecstasy e a metanfetamina, droga estimulante do sistema nervoso central, são o segundo tipo mais consumido no mundo, atrás apenas da maconha. O dado está no relatório Relatório Global de Estimulante do Tipo Anfetamínico, divulgado hoje (13) pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc).

O texto aponta que enquanto as apreensões de maconha, heroína e cocaína permaneceram praticamente estáveis em todo o mundo entre 2005 e 2009, nesse período houve claro aumento das apreensões de anfetaminas, com exceção do ecstasy que se manteve constante.

De acordo com o relatório, o mercado de produção de anfetaminas evoluiu de uma indústria caseira, com produção em pequena escala, para um mercado com maior integração e grupos de crime organizado envolvidos ao longo da cadeia de produção e abastecimento.

“Acessíveis e fáceis de fabricar, são drogas de escolha atraente para usuários em todas as regiões do mundo e oferecem aos criminosos uma entrada a mercados ainda não explorados. Ao contrário das drogas à base de plantas, as sintéticas podem ser fabricadas em qualquer lugar, com baixo investimento inicial por parte dos criminosos”, explica o texto.
O relatório da Unodc mostra que a fabricação das metanfetaminas está sendo cada vez mais relatada na América Central e do Sul, com laboratórios sendo desmantelados no Brasil, na Guatemala e Nicarágua.

Dados do relatório mostram que as autoridades brasileiras encontraram laboratórios de ecstasy em 2008 e 2009 e um laboratório de metanfetamina em 2009. Em 2010, o Brasil apreendeu 2.740 comprimidos de ecstasy e 5.910 unidades de metanfetamina.

O Brasil, ao lado da Venezuela e da Argentina, são os países com as maiores taxas de consumo de anfetaminas na América do Sul.

O uso das anfetaminas por meio injetável é apontado pela Unodc como uma preocupação emergente devido à ligação desse tipo de uso com a propagação do vírus HIV. O uso intravenoso dessas drogas vem ocorrendo notavelmente no Leste e Sudeste Asiático e em partes da Europa Oriental e Ocidental.

Jornal do Brasil

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Gatos que brilham vão ajudar na pesquisa sobre a Aids



RIO - Pesquisadores da Clínica Mayo, nos EUA, criaram gatos que brilham para ajudar nas pesquisas sobre a Aids. Os animais transgênicos receberam simultaneamente genes que os tornam fluorescentes e que os permite fabricar uma versão de uma proteína chamada TRIMCyp que protege humanos e macacos da infecção pelo vírus da imunodeficiência felina (FIV). Com isso, os gatos também ficaram imunes ao FIV, que tem ação similar ao HIV. Esta foi ainda a primeira vez que uma manipulação genética do tipo foi bem sucedida com mamíferos carnívoros.

A TRIMCyp é uma proteína de uma grupo conhecido como "fatores de restrição", que os cientistas acreditam ajudar a defender os mamíferos da invasão por vírus. O problema é que tanto humanos quanto felinos não produzem naturalmente fatores de proteção contra seus respectivos vírus da imunodeficiência, o que levou ao aparecimento de uma epidemia da doença nas duas espécies. A ideia dos pesquisadores é, tendo os gatos como modelo, imitar os mecanismos evolutivos que levam ao surgimento destes fatores específicos na busca por novas maneiras de combater a Aids.


- Uma das melhores coisas sobre essa pesquisa é que ela visa beneficiar tanto a saúde humana quanto a felina, ajudando tanto gatos quanto pessoas - diz Eric Poeschla, biólogo molecular da Clínica Mayo e líder da equipe de pesquisadores responsável pelo estudo, publicado na edição desta semana da revista "Nature Methods".

Assim como o HIV, o FIV é um vírus da família dos lentivírus que destrói as chamadas células T, que atuam na linha de frente da luta do organismo contra infecções. Além de ficarem imunes ao FIV, os gatos que receberam os genes para fabricar a proteína TRIMCyp e para ficarem fluorescentes podem repassá-los a sua prole, criando toda uma linhagem de animais protegida da doença.

- Uma das grandes vantagens disso é a eficiência nas pesquisas. Quase toda a prole é transgênica e assim não precisamos analisar centenas de animais para encontrar quais são os efeticamente transgênicos - destacou Poeschla.

O Globo

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Quatro casais com portador do HIV esperam bebês sem o vírus


Foram 150 pares atendidos em São Paulo, o que mostra que a gravidez não é garantida na primeira inseminação

BRASÍLIA

Prevista no consenso terapêutico de aids de outubro, a oferta de técnicas seguras para casais com pelo menos um portador do HIV que querem ter filhos começa a dar resultado. Quatro dos 150 casais atendidos no Centro de Referência e Treinamento de Aids de São Paulo aguardam a chegada de seus filhos, com a segurança de que eles não terão o HIV.

Para que a gestação segura fosse possível, foi usada a inseminação artificial, precedida de uma técnica de "lavagem" do sêmen. O procedimento é indicado principalmente para casais sorodiscordantes, em que apenas o homem é portador do HIV.

"Nessa técnica, o espermatozoide é separado e, antes de ser usado na inseminação, ele é testado para nos certificarmos de que ele não está contaminado", afirma o coordenador do Projeto de Fertilidade do CRT-Aids, Waldemar Carvalho.

O médico, que também é do Centro de Reprodução Assistida em Situações Especiais da Faculdade de Medicina do ABC, conta que outra mulher também engravidou, mas poucos meses depois sofreu aborto.

"Informamos aos casais que não é garantida a gravidez já na primeira inseminação", afirma o médico. Dos 150 casais atendidos, nem todos foram submetidos à técnica. "É preciso que determinadas condições sejam adequadas. Entre os parâmetros está a quantidade de vírus presente no organismo, detectado pelo exame de carga viral", completou Carvalho.

Para ser atendido no serviço, é preciso que o casal seja fértil. "Fazemos a inseminação. Não submetemos a mulher a tratamento para aumentar a ovulação nem usamos técnicas de fertilização assistida", conta Rita Sarti, infectologista do CRT.

A inseminação artificial também é indicada quando dois parceiros estão contaminados. "O preservativo nunca deve ser abandonado, mesmo quando os dois integrantes têm HIV. Isso evita a superinfecção, quando um paciente tem contato com um vírus diferente do que o contamina", afirma Rita.

Também para esses casais, a técnica somente é indicada quando exames de carga viral e de CD4 - que identifica a quantidade de células de defesa do organismo - estão em quantidades consideradas ideais.

"A possibilidade de formar uma família retrata um novo momento para os pacientes. Eles não estão mais preocupados somente em preservar a vida, mas fazem planos, contam com futuro distante, o que é extremamente gratificante", afirma Rita.

Esperança

WALDEMAR CARVALHO
MÉDICO

"Nessa técnica, o espermatozoide é separado e, antes de ser usado na inseminação, ele é testado para nos certificarmos de que ele não está contaminado."

RITA SARTI
INFECTOLOGISTA

"O preservativo nunca deve ser abandonado."



quarta-feira, 8 de junho de 2011

Custos bilionários com tratamento de soropositivos levam cientistas a buscar a cura para o vírus HIV



RIO - Para seus médicos, Timothy Ray Brown era um tiro no escuro. Conhecido como o "paciente de Berlim", o americano soropositivo foi curado por um tipo único de transplante de medula óssea. Tornou-se, então, um ícone do que pode ser a próxima fase da pandemia da Aids: o seu fim.

O surgimento da doença completa 30 anos hoje e avanços científicos consideráveis permitem que ela não seja mais considerada uma sentença de morte. Testes detectam precocemente o vírus e novas drogas antirretrovirais podem controlar sua difusão por décadas. Hoje, 33,3 milhões de pessoas no mundo estão aprendendo a viver com o micro-organismo e a comunidade científica global tem seu vigor renovado nas tentativas para aniquilar o vírus. A disposição tem duas origens: a ciência e o dinheiro.

O uso de drogas sofisticadas usadas por soropositivos durante toda a vida está ficando insustentável. Apenas nos países em desenvolvimento, serão necessários, daqui a duas décadas, US$ 35 bilhões por ano para combater a pandemia. É o triplo do orçamento atual, segundo a campanha não-governamental Aids2031. Some-se a isso o custo do tratamento em nações ricas e o HIV, em 2031, consumirá cerca de US$ 60 bilhões anuais.

A Sociedade Internacional de Aids assumirá formalmente este mês a meta de achar uma cura para sua estratégia de prevenção, tratamento e assistência ao HIV.

- É claro que temos que olhar para uma outra forma possível de gerir a epidemia - admite Sharon Lewin, especialista em HIV e pesquisadora da Universidade Monash em Melbourne, na Austrália.

Segundo Françoise Barré-Sinoussi, vencedora de um Prêmio Nobel por seu trabalho na identificação do HIV, a crise econômica torna ainda mais urgente a busca por uma cura.

- Precisamos pensar a longo prazo, e isso inclui uma estratégia para encontrar a cura - alerta. - Devemos manter a procura até conseguirmos um resultado.

O paciente de Berlim é uma prova de que isso é possível. Residente na capital alemã, o soropositivo Timothy Ray Brown estava morrendo por causa de uma leucemia. Em 2007, seu médico, Gero Hüetter, deu uma sugestão radical: um transplante de medula usando células de um doador com uma mutação genética rara, conhecida como CCR5 delta 32. Já se sabia há alguns anos que pessoas com essa mutação provaram-se mais resistentes à infecção pelo HIV.

- Quando começamos o projeto, não sabíamos exatamente o que aconteceria - admite Huetter, oncologista e hematologista que, agora, trabalha na Universidade de Heidelberg, no sul da Alemanha.

Brown poderia não resistir ao tratamento. Hoje, no entanto, ele é o único ser humano curado da Aids.

- Ele não tem replicação do vírus e não está tomando qualquer medicação. E provavelmente não terá mais problemas com HIV - assegura Huetter sobre o paciente.

Muitos especialistas consideram inconcebível que o tratamento de Brown sirva para todos os soropositivos. O procedimento foi caro, complexo e arriscado. Para ser aplicado em outros, seria necessário uma correspondência exata com doadores, que deveriam ter a tal mutação genética.

- É irrealista pensar que esta abordagem medicamente pesada, extremamente custosa e quase irreproduzível pode ser replicada - descarta Sinoussi. - Mas pelo menos ela mostra que a cura é possível.

O primeiro registro da Aids foi em 1981, quando cientistas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA constataram a existência de uma síndrome até então desconhecida. Um artigo publicado pelo órgão em junho daquele ano referiu-se a "cinco homens jovens, todos homossexuais ativos" de Los Angeles como os primeiros casos documentados.


O Globo

domingo, 5 de junho de 2011

ONU pede mais verbas para tratamento de portadores de HIV


O programa de Aids na ONU (Unaids) pediu o aumento das verbas para o tratamento de pessoas portadoras do vírus HIV.

Michael Sidibe, diretor do programa, disse que o desafio no combate à Aids é expandir o acesso a remédios e lidar com os fatores sociais que estigmatizam a doença.

Segundo a Unaids, enquanto as verbas para tratamento da doença em países de renda média ou baixa aumentaram dez vezes entre 2001 e 2009, os recursos internacionais diminuíram em 2010. E muitos governos ainda dependem de recursos externos.

"Temo que os investimentos internacionais estão caindo em um momento em que a resposta à Aids está dando bons resultados para as pessoas", disse.

"Se não investirmos agora, teremos que pagar muito mais no futuro."

"O acesso ao tratamento vai transformar a resposta à Aids na próxima década. Precisamos investir no processo de aceleração e descobrir novas opções de tratamento", acrescentou.

Sidibe afirmou ainda que o desafio, além de expandir o acesso à remédios, também é enfrentar os fatores sociais que ainda geram preconceito, fazendo com que principalmente as mulheres fiquem em situação vulnerável.

Para isso, a Unaids acredita que um investimento de pelo menos US$ 22 bilhões é necessário até 2015, US$ 6 bilhões a mais do que está disponível atualmente.

O programa de Aids da ONU estima que estas verbas evitariam 12 milhões de novos casos de infecção pelo HIV e 7,4 milhões de mortes relacionadas à Aids até 2020.

Queda
Na quinta-feira, um relatório da ONU informou que houve uma queda global de cerca de 25% em novos casos de infecção pelo HIV e uma redução nas mortes relacionadas à Aids na última década.

Na Índia, a taxa de novos casos de infecção pelo HIV caiu mais de 50% e, na África do Sul, mais de 35%. Os dois países tem o maior número de pessoas vivendo com HIV de seus continentes.

O relatório foi publicado antes do 30º aniversário, neste domingo, do primeiro caso de Aids informado, na época, pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

A Assembleia Geral da ONU deve se reunir em Nova York para discutir a epidemia da doença a próxima semana, com 20 líderes do mundo todo e mais de cem ministros.

Estima-se que cerca de 34 milhões de pessoas estavam vivendo com o HIV em 2010 e cerca de 30 milhões tenham morrido de causas relacionadas à Aids desde 1981, de acordo com o relatório.

Comportamento
O relatório também afirma que, na terceira década da epidemia, as pessoas estão começando a adotar um comportamento sexual mais seguro, refletindo o impacto da prevenção do HIV e dos esforços para conscientização.

Mas, segundo o documento, ainda há falhas, pois homens jovens tem mais chances de ser informados sobre o HIV do que as mulheres jovens.

Também houve um avanço significativo na prevenção de novos casos de HIV entre crianças e um aumento no número de mães que vivem com HIV e conseguem acesso a antirretrovirais durante a gravidez, parto e amamentação

"Trinta anos atrás esta doença misteriosa era chamada de peste gay, (...) as pessoas tinham medo uma das outras. Agora, o mundo é completamente diferente, nós quebramos a conspiração do silêncio", disse Sidibe.

No entanto, o relatório descobriu que, no final de 2010, cerca de 9 milhões de pessoas que precisavam de tratamento não recebiam os remédios e que o acesso aos tratamento para crianças era mais baixo do que para adultos.

E, enquanto a taxa de novos casos de infecção pelo HIV teve uma queda global, o número todal de infecções por HIV continua alto, cerca de 7 mil por dia.


BBC Brasil

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Unicef diz que cerca de 2,5 mil jovens contraem Aids diariamente no mundo


Segundo o documento, 41% dos contágios ocorrem entre pessoas de 15 a 24 anos

Cerca de 2,5 mil jovens contraem o vírus do HIV diariamente no mundo todo, segundo um relatório do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), apresentado nesta quarta-feira (01) em Johannesburgo.

Segundo o documento, elaborado pelo Unicef em conjunto com outras agências das Nações Unidas e o Banco Mundial, 41% dos contágios ocorrem entre pessoas de 15 a 24 anos, o que situa este grupo como o de maior risco, com um número de entre 4,3 milhões e 5,9 milhões de casos no mundo.

Calcula-se que cerca de 60% dos jovens soropositivos sejam mulheres; um número que se eleva para 72% na África Subsaariana, a região mais afetada do mundo, segundo o relatório publicado pelo Unicef.

De acordo com o diretor-executivo do Unicef, Anthony Lake, através de comunicado divulgado pela imprensa, para muitas mulheres, a infecção é resultado de maus-tratos, exclusão e estupros.

Segundo os dados da Unaids(Agência das Nações Unidas para a Aids), incluídos no documento, a África do Sul e a Nigéria são os dois países do mundo com um maior número de casos entre jovens de 15 a 25 anos, com um número estimado em meio milhão de pessoas infectadas.

A África do Sul lidera a lista de novos contágios no mundo todo, com cerca de 190 mil novos soropositivos em 2009, segundo dados da Unaids, que revela que a maioria deles não sabe que tem a doença.

"É vital realizar testes antecipados. Nós nos propusemos a realizar 15 milhões de testes até o final de junho, e 11,9 milhões de sul-africanos já sabem se estão infectados ou não", explicou nesta quarta-feira durante a apresentação do relatório a diretora do departamento de Saúde da África do Sul. Elhadj As Sy, diretor do Unicef para o leste e o sul da África, reconheceu que a aids "demonstrou ser a peste de nossas sociedades" e acrescentou que o relatório "não é nada agradável", mas revela o panorama que o mundo enfrenta.

"Copyright Efe - Todos os direitos de reprodução e representação são reservados para a Agência Efe."


R7

quinta-feira, 3 de março de 2011

Drogas e AIDS em trágicos caminhos


É desejo de todo o ser humano viver intensamente por muito tempo, aproveitar os prazeres da vida com alegria e disposição, conviver amistosamente com seus familiares e amigos, ir para onde bem quiser com liberdade e autonomia, e, acima de tudo, ser saudável física e mentalmente, entretanto, nos caminhos da vida muitos descambam para a marginalidade das leis vigentes e para o submundo horripilante das drogas, consciente ou inconscientemente.
Está dentre os malefícios criados do homem para o homem, as drogas ilícitas ou mesmo lícitas, tais como: skunk, maconha, haxixe, ecstasy, morfina, heroína, ópio, LSD, anfetamina, cocaína, merla, crack, oxi, cristal, paco, codeína, rebite, lança-perfume, clorofórmio, peiote, mescalina, psilocibina, demais drogas psicoativas, além do álcool e do tabaco que são as mais comuns.
Tais drogas fazem as suas partes ilusórias de supostas melhoras psicológicas na mente humana em busca de um reino fantástico através de uma imaginação distorcida, com breves momentos estimulantes, entorpecentes e alucinógenos, quando na verdade leva o individuo para uma morte precoce e sofrida com a devastação e doença de vários dos seus órgãos, além de arrastar junto em grande sofrimento e dor os seus entes queridos.
Os efeitos das drogas são avassaladores e devastadores no organismo do ser humano, embora inicialmente possam dar uma sensação de bem-estar ao usuário. Os efeitos nefastos decorrem inicialmente da dependência física e psíquica que elas provocam. A dependência física altera a química do organismo, tornando-se indispensável ao indivíduo e a psíquica, quando o dependente não usa a droga, deixa-o em lastimável estado de depressão, abatimento e desânimo, perdendo o interesse pelo trabalho, pelo estudo e pela vida, passando o mesmo, a partir de certo estágio a não mais considerar os seus entes queridos ou quaisquer pessoas possíveis. O viciado ou dependente químico passa a viver noutro mundo, um mundo só dele, um mundo imaginário e inexistente.
Com a necessidade premente que o dependente da droga sente, possibilita um comércio rendoso, proibido e clandestino para os insanos traficantes, que se impõe à força, de forma abusiva e prepotente. Quadrilhas organizadas e armadas, sem qualquer escrúpulo e sem o menor respeito à vida, aos poderes constituídos, às leis vigentes, cultivam plantas entorpecentes, preparam, fabricam e refinam as drogas ilícitas e distribuem para os demais comparsas traficantes e estes repassam a altos custos para os tristes consumidores.
Irmanadas maleficamente com as drogas também estão as doenças sexualmente transmissíveis. As DST, como o próprio nome diz, são doenças transmitidas por meio das relações sexuais, assim como também acontece com vírus da AIDS, o HIV, especialmente por intermédio do sangue que pode ocorrer quando agulhas e seringas são compartilhadas para o uso de drogas injetáveis.
Mesmo com o advento do crack que vicia ao primeiro experimento, destrói e atinge principalmente a classe mais pobre, em sofrimento, degradação e morte, o uso de drogas injetáveis continua em ascensão no nosso país, em especial na classe média e alta. Com isso o número de pessoas contaminadas pelo vírus da AIDS devido ao uso em comum de agulhas e seringas, também cresce em altas proporções.
As drogas, assim como o sexo, encontram-se profundamente ancoradas na visão como fontes de satisfação, de sensação agradável, de dimensão de prazer, sem as quais seria inexplicável a atração por elas exercida, contudo, das duas opções, somente o sexo é realmente saudável, contanto que seja sexo seguro, ou seja, sexo praticado com preservativo.
Mas, o que geralmente acontece é que na vigência dos efeitos eufóricos das drogas a capacidade de negociar o uso de preservativo pode ficar prejudicada, pois a alerta de usar camisinha parece ser apenas um detalhe insignificante, com isso, a relação sexual acaba acontecendo sem proteção aumentando então o risco de disseminação e contaminação da AIDS tanto para o ativo quanto ao passivo do ato.
Assim, drogas e AIDS passeiam de mãos dadas pelos trágicos caminhos da vida arrastando os menos avisados para suas armadilhas, tal qual a aranha faz na sua invisível teia a caçar a sua indefesa presa.

Autor: Archimedes Marques (Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS) – archimedesmarques@infonet.com.br

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ministério da Saúde vai distribuir 84 milhões de camisinhas no carnaval


Ação faz parte da campanha nacional de prevenção a Aids

O Ministério da Saúde vai distribuir no carnaval 84 milhões de camisinhas – 26 milhões a mais que em 2010. Segundo o ministro Alexandre Padilha, boa parte dos preservativos foi fabricada em Xapuri, no Acre. Ele disse que o material que será distribuído é cinco vezes mais resistente que as demais camisinhas.
A campanha nacional contra a aids no carnaval foi lançada no sábado (25) pelo ministério, no Rio, e tem como foco garotas de 15 a 24 anos, faixa etária em que a incidência da doença tem crescido nos últimos anos.
Três vídeos serão transmitidos pela internet e pela televisão antes, durante e depois do período da folia. Dois deles, divulgados deste domingo a 8 de março, são protagonizados por um grupo de meninas que chamam a atenção para o uso da camisinha na relação sexual.
A segunda fase, já depois do carnaval, terá um vídeo veiculado de 9 a 20 de março que incentiva quem fez sexo desprotegido com parceiro fixo ou casual a fazer o teste de aids.
As estimativas apontam que cerca de 630 mil pessoas no país vivem com o vírus HIV, sendo que 255 mil não sabem que têm a doença.
Conforme dados de 2010, divulgados pelo ministério, os casos de aids entre mulheres de 13 a 19 anos superam o de homens. Para cada oito meninos infectados, existem dez meninas. Nas outras faixas etárias, o número de casos entre o sexo masculino é maior do que entre o sexo feminino.
Uma pesquisa de 2008 revelou que as garotas de 15 a 24 anos usam menos camisinha nas relações casuais ou fixas. De acordo com a pesquisa, na última relação sexual com parceiro casual, 76,8% dos rapazes responderam ter usado o preservativo, ante 49,7% das meninas. Em relacionamentos fixos, apenas 25,1% das garotas afirmaram usar a camisinha regularmente, enquanto o percentual é de 36,4% entre os meninos da mesma faixa etária.


Jornale

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

São Paulo recruta voluntários para teste de vacina contra a Aids


SÃO PAULO - A Secretaria de Estado da Saúde e a Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) começaram a selecionar voluntários para testes de uma vacina preventiva contra o HIV, o vírus causador da Aids. O produto, produzido pelo VRC (Centro de Pesquisa de Vacinas, em inglês), ligado ao governo dos Estados Unidos, também vai ser testado na Suíça e no Peru.
Serão selecionados 25 voluntários, tanto homens quanto mulheres. Para participar, é preciso ter entre 18 e 50 anos, ser saudável, não estar infectado pelo HIV e morar na Grande São Paulo. Mulheres grávidas ou amamentando não podem participar.
Ao contrário do que acontece com outras doenças, em que a vacina é produzida a partir do próprio vírus causador do problema, o produto que vai ser testado foi feito a partir de cópias artificiais do HIV. Isso acontece como todas as vacinas contra a doença, em razão do temor de que os voluntários se infectem – com a estratégia de usar as cópias, não há risco de isso acontecer.
Trechos artificiais do HIV são inseridos em um outro vírus (nesse caso foi escolhido o Adenovírus 5, causador do resfriado), que age como um “cavalo de troia” e carrega o material responsável por estimular o nosso corpo a se defender do invasor.
Artur Kalichman, coordenador-adjunto do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids da Secretaria de Saúde, diz que os homens voluntários também precisam ser circuncidados. Isso acontece porque, em 2007, surgiram suspeitas de que uma vacina produzida pela Merck e que também tinha esse vírus em sua composição poderia, em vez de proteger contra a doença, aumentar o risco de infecção, especialmente em homens não circuncidados e que tiveram contato com o Adenovírus 5. O objetivo desse teste ainda não é verificar se a vacina funciona. Como se trata de um estudo em fase 1, a ideia é saber se o produto é seguro e também coletar informações para o desenvolvimento de futuras vacinas contra a doença. Kalichman explica que uma das dúvidas dos cientistas é saber qual o volume de “pedaços” do HIV devem ser colocados na vacina para estimular melhor o sistema de defesa do corpo.
– Parte dos voluntários vai receber uma vacina com menos pedaços incorporados do HIV e outros vão receber um produto com mais pedaços. Queremos saber qual funciona melhor e consegue uma resposta mais potente.
Para se inscrever, é preciso procurar a Unidade de Pesquisa de Vacinas Anti-HIV pelo telefone 5087-9915, pelo e-mail vacinas@crt.saude.sp.gov.br ou ir pessoalmente ao Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, que fica na Rua Santa Cruz, 81, Vila Mariana, zona sul da capital de São Paulo.
Depois de tomar a dose, o voluntário vai ser acompanhado de perto por cerca de seis meses. A expectativa é que a experiência demore cerca de dois anos para ficar pronta em todas as pessoas participantes.Informações do site SIS - Saúde


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Risco de contrair HIV em transfusão no Brasil é 20 vezes maior que nos EUA


Ministério da Saúde questiona estudo da Fundação Pró-Sangue de São Paulo feito por estimativa

BRASÍLIA - Uma pesquisa feita em três hemocentros brasileiros no período entre 2007 e 2008 indica que o risco de contrair HIV em transfusões de sangue no Brasil é 20 vezes maior que nos Estados Unidos. O trabalho, feito por estimativa, calcula que uma em cada 100 mil bolsas de sangue do País podem estar contaminadas pelo vírus causador da aids. Nos EUA, a relação é de 1 para cada 2 milhões de bolsas.
Embora muito mais elevados do que americanos e de alguns países europeus, os índices brasileiros melhoraram. Uma versão anterior do levantamento indicava que 1 em cada 60 mil bolsas poderiam estar contaminadas pelo HIV. "Precisamos avançar na segurança. Mas não há dúvida de que muito já foi feito", afirma a coordenadora desse trabalho, Ester Sabino, da Fundação Pró-Sangue de São Paulo. De acordo com os números atuais, entre 30 e 60 pessoas por ano podem ser contaminadas por sangue doado.
Na versão anterior da pesquisa, a estimativa era de que entre 50 e 100 indivíduos pudessem se infectar. O coordenador nacional da Política de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Guilherme Genovez, questiona os índices apresentados no estudo. "Eles estão mais para um oráculo. Foram feitos por estatística, não podem ser considerados fato", observou. Para mostrar a segurança do sangue no Brasil, Genovez cita um levantamento feito em 130 mil bolsas de sangue coletadas em hemocentros de Santa Catarina, São Paulo, Rio e Pernambuco: o vírus não foi identificado em nenhuma amostra.
Financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, em inglês), o levantamento coordenado por Ester foi feito a partir da análise de bolsas de sangue coletadas nos hemocentros de São Paulo, Minas e Pernambuco. Durante a apresentação dos resultados, em congresso da Associação Americana de Bancos de Sangue, a autora classificou como "alto" o risco residual para HIV em transfusões de sangue no Brasil. A doação no País, no entanto, é precedida de uma série de cuidados: os candidatos passam por entrevistas para detectar situações de risco de contaminação recente com o vírus. Passada essa fase, o sangue é submetido a testes para identificar a presença do HIV.
O problema está no que médicos chamam de janela imunológica, período no qual a presença do vírus não é descoberta pelo exame. O mesmo problema ocorre com hepatite C, cuja janela imunológica é de 50 dias. Os reflexos dos exames "falso negativos" podem ser constatados nas estatísticas. Dados do Ministério da Saúde mostram que 13,3% dos casos da doença confirmados em 2009 foram causados por transfusão de sangue.
Uma das alternativas para melhorar a segurança é a introdução de rotina do uso de um teste batizado de NAT, que identifica traços do vírus no sangue e não de anticorpos, como os exames tradicionais.
Ester calcula que, com o início do teste, o risco de infecção por HIV passaria de 1 em 100 mil para um em cada 250 mil. "O exame, sozinho, não basta. O resultado não vai a zero, nem chega próximo do que é identificado nos Estados Unidos", diz. Para a professora, é importante reduzir uma prática ainda comum de as pessoas buscarem bancos de sangue para fazer testagem de HIV. "Além do NAT, dependemos de mudanças de comportamento de alguns doadores mais expostos ao HIV para que não façam doações", afirmou.


Estadão

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Unesco lança jogo eletrônico para prevenção do HIV entre jovens


De forma lúdica, ferramenta multimídia também fornece informações sobre o tratamento e cuidados da síndrome

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, lançou um jogo eletrônico para a prevenção do HIV e AIDS entre os jovens.
Segundo comunicado da agência, o objetivo da ferramenta é fornecer informações precisas e confiáveis sobre o vírus e, ao mesmo tempo, educar de uma forma divertida.

Viagem
O jogo permite viajar por cinco continentes, com visitas virtuais a alguns patrimônios culturais da Unesco. O programa também permite acessar imagens e fatos interessantes relacionados aos lugares visitados.
O público-alvo consiste de jovens entre 16 e 24 anos ou mais. Segundo a Unesco, os adolescentes têm dificuldade para conversar sobre temas relacionados ao HIV com adultos.
A agência diz que a timidez dos pais e a falta de informações precisas também dificultam o diálogo.
A Unesco já começou a desenvolver um segundo jogo eletrônico para a prevenção do HIV e AIDS.

Fonte: Rádio ONU, Alessandra Ribeiro - 27/12/10


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Laboratório terá de indenizar mulher por troca de exame de HIV


Mulher que recebeu exame com resultado positivo para HIV e não foi informada da necessidade de refazer o teste, como determina o Ministério da Saúde, deve ser indenizada. A decisão é da 9ª Câmara Cível do TJRS, mantendo sentença do 1º Grau, embora reduzindo o valor da reparação por danos morais de R$ 40 mil para R$ 15 mil.
A autora, grávida, desesperou-se com a possibilidade de transmitir a doença para o filho e culpou o marido pela suposta contaminação. Na verdade, porém, a amostra de sangue dela fora trocada com a de terceiro soropositivo.
O Laboratório Diagnósticos, réu no processo, apelou ao Tribunal de Justiça alegando que a autora tirara conclusões equivocadas dos exames. Sustentou ainda que constava no laudo advertência sobre a necessidade de repetição do exame e de entrega do mesmo ao médico.
Ao analisar o caso, a relatora, Desembargadora Marilene Bonzanini Bernardi, embasou-se na Portaria nº 488/1998, editada pelo Ministério da Saúde, que aborda a possibilidade de ocorrência de resultados falso-positivos ou falso-negativos nos testes de detecção de anticorpos anti-HIV e a necessidade de padronização dos procedimentos seqüenciados nos serviços de saúde.
De acordo com os artigos 4º e 5º da Portaria, o diagnóstico somente poderá ser confirmado após a análise de, no mínimo, duas amostras de sangue coletadas em momentos diferentes, sendo que o segundo teste é incumbência do laboratório que realizou o primeiro. No laudo do exame entregue pelo laboratório réu, porém, consta apenas que o resultado não era definitivo e que o mesmo deveria ser correlacionado com dados clínicos, assim como o médico deveria determinar testes confirmatórios.
Dessa forma, a relatora considerou que não constava no documento qualquer referência da possibilidade de exame falso-positivo e da necessidade de realização de exame complementar. Perfeita a conclusão, pois, de que a requerente, em nenhum momento, recebeu a instrução de como deveria proceder, apenas recebeu o resultado, sem maiores explicações ou cuidados, destacou a magistrada. Ela afirmou ainda que o dano causado à autora não necessitava de comprovação, pois presumível a violação do sentimento do homem médio decorrente da notícia de que está sofrendo de doença grave e de cura inexistente.
Com relação ao quantum fixado na sentença de 1º Grau, a Desembargadora votou pela redução dos valores em razão das condições econômicas da autora. Dessa forma, ela minorou a reparação por danos morais para R$ 15 mil. Tal montante, ao meu sentir, não se mostra nem tão baixo – assegurando o caráter repressivo-pedagógico próprio da indenização por danos morais – nem tão elevado – a ponto de caracterizar um enriquecimento sem causa, avaliou.
Os Desembargadores Tasso Caubi Soares Delabary e Íris Helena Medeiros Nogueira acompanharam o voto da relatora.

Apelação Cível nº 70035511229

Fonte: Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul


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