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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Com nova decisão, Abdelmassih só deve deixar a prisão aos 100 anos


Medida reduziu a pena de 278 anos para 181, e determinou que ele não poderá ser solto antes de cumprir 30 anos de prisão, que corresponde a pena máxima estabelecida pela lei brasileira

A Justiça manteve nesta quinta-feira (16) a condenação ao ex-médico Roger Abdelmassih, 71, condenado a prisão por crimes sexuais contra pacientes. A decisão, no entanto, reduziu a pena de 278 anos para 181, e determinou que ele não poderá ser solto antes de cumprir 30 anos de prisão, que corresponde a pena máxima estabelecida pela lei brasileira.

A nova decisão alterou a da primeira instância que permitia progressão de pena (para o semiaberto, por exemplo) após o cumprimento de dois quintos dos 30 anos, o que permitiria sua soltura em 12 anos.

Agora, a Justiça estabeleceu que qualquer benefício deverá ser feito com base na pena total, de 181 anos. Com isso, ele deveria cumprir ao menos 70 anos de prisão. A lei brasileira, porém, não permite encarceramento por mais de 30 anos, o que faz com que o ex-médico permaneça na cadeira até os 100 anos - ele já cumpriu 4 meses de prisão em 2009.

Já a redução da pena foi determinada por conta da prescrição de alguns crimes. Ao todo, ele foi condenado por 48 crimes sexuais contra 37 mulheres. Desde que foi acusado pela primeira vez, Abdelmassih negou por diversas vezes ter praticado crimes sexuais contra ex-pacientes. Ele diz que foi atacado por um "movimento de ressentimentos vingativos".

O julgamento do recurso teve início no último dia 2 pela 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Na ocasião, o relator do caso, desembargador José Raul Gavião de Almeida, proferiu seu voto mantendo a condenação do ex-médico. Outros desembargadores pediram vista, o que adiou a decisão, para essa quinta, quando o voto do relator foi seguido pelos demais.

Para o advogado Sergei Cobra, assistente da acusação, a decisão desta quinta foi correta. "Foi a pena que ele mereceu. Uma vitória da sociedade contra um crime contra a humanidade, não apenas contra as mulheres", afirmou. O advogado de Abdelmassih, José Luiz de Oliveira Lima, também foi procurado, mas ainda não comentou o caso.

O Tempo

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

SENTENÇA DE ROGER ABDELMASSIH


16ª Vara Criminal



Vistos, etc.

ROGER ABDELMASSIH, qualificado nos autos, foi denunciado como incurso no artigo 213, “caput”, por 56 (cinqüenta e seis) vezes, sendo 04 (quatro) delas em combinação com o artigo 14, inciso I, c.c. artigo 69, do Código Penal, em consonância com a lei 12.015/09 e 8.072/90, porque, no período compreendido entre 1995 e janeiro de 2008, nas dependências da Clínica e Centro de Pesquisa em Reprodução Humana Roger Abdelmassih, na Rua Maestro Elias Lobo, nº 805, Jardim Paulista e, após junho de 2004, situada na Avenida Brasil, nº 1085, Jardim Paulista, praticou as seguintes infrações penais, contra mulheres, pacientes de sua clínica, com exceção de uma delas que era funcionária (ofendida “01”), que realizavam tratamento de fertilização “in vitro”, que tem em uma das etapas, a retirada de óvulos, com aplicação de sedação. O denunciado constrangeu ou tentou constranger as vítimas, sempre mediante violência real, a praticar ou permitir que com elas praticasse atos libidinosos diversos da conjunção carnal, com

16ª Vara Criminal



exceção das vítimas designadas “A”, “23”, “37”, pois em relação a elas constrangeu-as à conjunção carnal. A denúncia foi apresentada em trinta e nove itens referentes às trinta e nove vítimas, conforme segue:

1- Em 2002 constrangeu a ofendida “23”, à conjunção carnal. Na quarta tentativa de fertilização, depois de sedada, ao recobrar os sentidos, foi surpreendida com o denunciado masturbando-a com os dedos sob a camisola hospitalar. Foi para sala de repouso e o réu a empurrou, com força física, contra a parede, colocando uma de suas pernas entre as dela, passando então a lambê-la na região dos seios e a beijar-lhe de forma lasciva na boca. Bradava para que ela segurasse seu órgão genital. Forçou a abertura das pernas da ofendida e com ela manteve conjunção carnal.

2- No primeiro semestre de 2002 e do ano de 2005, por duas vezes, constrangeu a ofendida “39”. Durante uma das consultas, em 2002, no interior de sua sala, aproximou-se da vítima e, com uma das mãos, agarrou-a pelo rosto, impediu a resistência, impondo-lhe lascivo beijo na boca. Empurrou a ofendida contra uma estante, imobilizando-a mediante prevalência física, passando a acariciá-la por diversas regiões do corpo, além de forçá-la a colocar uma de suas mãos em seu órgão genital. Em 2005, na última tentativa do plano, durante uma das consultas, no interior do consultório, valendo-se de força física, agarrou a ofendida, imobilizando-a e arrastando-a contra a parede da sala. Na seqüência, colocou um dos seus joelhos entre as pernas da ofendida e forçou-a a manipular seu órgão genital, além de lançar-lhe libidinosas carícias pelo corpo.

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3- Em 1995, constrangeu a ofendida “A”, à conjunção carnal, após a aspiração dos óvulos. O denunciado, valendo-se da ação do sedativo e de sua predominância física, sentou a ofendida sobre a cama e, segurando-lhe fortemente pelos braços, impôs-lhe atos libidinosos diversos da conjunção carnal. Através de sua prevalência física, com a vítima ainda inerte sobre a cama, deu-lhe beijos e segurou-a fortemente pelos braços, levantou sua camisola hospitalar e consumou a conjunção carnal.

4- Em 16 de janeiro de 2008, constrangeu a ofendida “01”, recepcionista da clínica, chamada ao seu consultório. Ele foi ao encontro da vítima, puxando-a e imobilizando-a pelos braços, desferindo-lhe lascivo beijo na boca. A vítima tentou reagir, porém, manteve-se subjugada pela predominância física do denunciado, constrangendo-a a satisfazer sua libido.

5- Em 1999, constrangeu, por duas vezes, uma consumada e outra tentada, a ofendida “C”. Após a aspiração dos óvulos, na sala de recuperação, a vítima foi imobilizada pelo denunciado, que debruçou seu corpo contra o dela, abraçando-a, fez carícias no corpo da vítima, nas partes íntimas, beijos na boca com a introdução de língua, puxou uma das mãos da ofendida, impondo-lhe a aproximação até o seu pênis. Quando realizou a transferência de embriões, após o procedimento, segurou fortemente a vítima pelo queixo, tentando beijá-la, mas não logrou êxito.

6- No segundo semestre de 1999, constrangeu a ofendida “12”. O denunciado aproximava-se e apalpava os seios da vítima, em conduta desconexa com o exame de ultrassom que ofendida realizava, em

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posição ginecológica. Após a coleta de óvulos, na sala de recuperação, o denunciado, além de contar com a fragilidade decorrente do procedimento, impôs-se fisicamente sobre a vítima, debruçando-se sobre o seu corpo e impondo-lhe beijo na boca. A vítima desvencilhou-se de seu agressor tentando abrigar-se no banheiro. Ele a agarrou pelos braços e submeteu-a a novo beijo lascivo.

No dia seguinte ao constrangimento acima, a ofendida retornou a clínica, por apresentar quadro de inchaço. Estava na sala de reuniões, quando o denunciado se aproximou, fechou a porta e foi em sua direção para abraçá-la. Em reação, a vítima o empurrou.

7- No final do mês de novembro de 1999, constrangeu a ofendida “04”. A ofendida detectou comportamento atípico do médico, que a cumprimentava com beijos no rosto, porém, passando-lhe a língua. Após a coleta de óvulos, permaneceu na sala de repouso, para se recuperar dos efeitos da anestesia e das cólicas e não tinha sangramento. O denunciado aplicou-lhe uma medicação endovenosa, ela perdeu a consciência e, ao recobrá-la, sentia intensa dor, da região anal, diversa da até então experimentada e que tinha sangramento. Nos dias subsequentes procurou um gastroenterologista, que diagnosticou a presença de ferimentos na região anal, incompatíveis com qualquer tipo de sonda retal, sinalizando que o problema seria de cunho sexual.

Ao retornar à clínica, foi conduzida para a sala de reuniões, onde foi recebida pelo denunciado que se aproximou e, valendose de sua predominância física, encurralou-a contra a parede da sala e constrangeu-a a permitir carícias em suas pernas. Além disso, após segurarlhe fortemente pela nuca, passou a beijá-la na região do pescoço.

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8- No final de 1999 e início de 2000, mediante violência real, constrangeu a ofendida “34”, por duas vezes. A vítima estranhou o comportamento do médico, pelos beijos na face acrescidos de “passadas” de língua e abraços a demonstrar sua excitação. No dia da coleta de óvulos, enquanto se recuperava do procedimento anestésico, aproximou-se e lançou um beijo na boca da paciente, além de acariciá-la com as mãos sob a camisola hospitalar. A vítima empurrou o denunciado, que colocou-a em pé e, mediante violência física, consistente em segurá-la pelas costas e forçá-la pela nuca, impôs-lhe lascivo beijo.

9- No primeiro semestre de 2000, em duas oportunidades distintas, atuando com desígnios autônomos, constrangeu a ofendida “30”. A vítima esteve na sala do réu, que foi em direção à vítima, agarrou-a fortemente pelos braços e, encurralando-a contra a porta, impôs-lhe, sem chances de reação, um beijo lascivo na boca.

No dia da aspiração de óvulos, o denunciado, antes de efetivar o procedimento, antes da sedação, sem auxiliares no ambiente, aproximou-se da vítima que se encontrava deitada em posição ginecológica, com as pernas atadas nos apoios da respectiva mesa e sentouse defronte às pernas da ofendida, introduzindo os dedos e movimentando-os no interior da genitália da ofendida.

10- Em 2001, constrangeu a vítima M.B. Na primeira tentativa, após a transferência de óvulos, procedimento sem sedação, na sala de recuperação, projetou-se violentamente, de corpo inteiro, sobre a vítima, que deitada se recuperava do procedimento, imobilizando-a com sua predominância física. Passou a beijá-la na boca, lamber-lhe o rosto e seios,

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além de manipulá-la em suas partes íntimas. Ela estava com a resistência física anulada e quando tentou gritar, teve a boca tapada.

1- No período compreendido entre outubro de 2005 e outubro de 2006, tentou constranger a ofendida “37” à conjunção carnal, somente não logrando êxito em razão de circunstâncias alheias à sua vontade. Vários dias após o estupro tentado, em desígnio autônomo, constrangeu a ofendida praticar ou permitir que com ela praticasse atos libidinosos diversos da conjunção carnal.

A vítima foi chamada ao consultório do denunciado. No local, diante dos anteriores assédios e galanteios desfechados pelo denunciado (em consulta anterior, o denunciado se levantou, foi até a ofendida, que se encontrava sentada, expôs seu pênis ereto e tentou colocá-lo na boca da vítima, que refutou, empurrando seu agressor), não se sentou, quando convidada. Ele partiu rumo à ofendida, que, para se proteger, correu em torno da mesa, sendo perseguida pelo médico, que em determinado instante a alcançou e imobilizou-a pelos braços, passando a acariciá-la na região dos seios, levantou-lhe a saia e puxou a calcinha para baixo. Após, debruçou-a contra a mesa, somente não efetivando a conjunção carnal por interrupção de funcionário da clínica, que bateu à porta da sala, gerando a cessação da violência e permitindo que a ofendida deixasse o local.

Após a aspiração dos óvulos, a ofendida foi encaminhada para a sala de repouso e voltou a ser surpreendida pelo denunciado, que lançando mão da fragilidade decorrente do anestésico, agarrou-a fortemente e impôs-lhe beijos, além de lambidas pelo rosto

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12- Em 1997, o denunciado, constrangeu a vítima C.A.P, por duas vezes, em desígnios autônomos. Durante uma das consultas, agarrou uma das mãos da ofendida, levando-a a força contra seu órgão genital. Valendo-se desta imobilização, acariciou-lhe os seios e tentou beijá-la, impondo-lhe, diante da resistência da ofendida, que mantinha a boca cerrada, lambidas pela região do rosto. Na ocasião, tais fatos foram, relatados ao CRM/SP.

Em outra oportunidade, durante o procedimento de fertilização, após a transferência de embriões, enquanto a vítima colocava suas roupas, abraçou-a inesperada e fortemente pelas costas, com o nítido propósito de satisfazer seu apetite sexual, sussurrando comentários obscenos.

13- Em 1999, constrangeu, por cinco vezes, em desígnios autônomos, a ofendida “40”. Em duas consultas, o denunciado aproximou-se da vítima, agarrando-a e imobilizando-a pelos braços e, após aproximar seu corpo ao dela, mostrou sua excitação através de seu membro viril, além de desferir-lhe beijos lascivos.

Nos três procedimentos de aspiração dos óvulos, em períodos distintos, o denunciado, na sala de repouso, com a ofendida se recuperando dos efeitos da sedação, impôs-se fisicamente sobre ela, e, após agarrá-la à força, passou a acariciar seu corpo sob a camisola hospitalar, além de impor-lhe beijos na boca.

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Após uma tentativa de fertilização, a vítima foi chamada para uma consulta. Passou a consolar a ofendida pela perda e por fim, encurralou-a brutalmente, forçando e conseguindo beijá-la, além de roçar fortemente seu órgão genital excitado contra o dela.

15- Em 1999, constrangeu a ofendida I.V.C. Na segunda tentativa, após a retirada dos óvulos, na sala de recuperação, impondo-se fisicamente, forçou a condução da mão da ofendida até o seu órgão genital, que se encontrava fora das calças, em ato final de masturbação.

16- Em outubro de 2001, constrangeu a ofendida “31”, que realizou cinco tentativas. Suspendeu o tratamento e realizou viagem para o exterior. Ao retornar para a consulta relativa à sexta tentativa, no consultório, de forma surpreendente, aproximou-se da vítima, segurou-a fortemente pelas mãos, impedindo qualquer reação, fez declarações. Na sequência, aplicou-lhe um beijo lascivo na boca.

17- No segundo semestre de 2006, constrangeu a ofendida “19”, que estranhava a forma como ele se despedia. O denunciado aproximou-se e mediante violência física, segurando violentamente a ofendida pela cabeça, impedindo-a de qualquer reação, impôs-lhe um lascivo beijo na boca. Ela conseguiu esquivar-se do ataque e teve que contornar a mesa da sala, seguida por ele, para então alcançar a porta de saída e deixar o local.

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18- No primeiro semestre de 2001, constrangeu a ofendida “B”. Na segunda tentativa, trajando somente a camisola hospitalar, após a aspiração de óvulos, na sala de repouso, enquanto recobrava os sentidos, debilitada física e psicologicamente, valendo-se tanto da recuperação da vítima e de sua prevalência física, impôs-lhe beijos na boca e rosto, bem como carícias por seu corpo, nas partes íntimas.

19- No início do mês de maio de 2007, constrangeu a ofendida “03” após a aspiração de óvulos, na sala de repouso, ao recobrar os sentidos, deparou-se posicionada em pé, com o denunciado imobilizando-a contra uma porta. Com a vítima subjugada, à mercê da recuperação dos efeitos anestésicos e, principalmente, pela prevalência física imposta, passou a beijar-lhe na boca, além de direcionar sua mão contra seu órgão genital exposto e ereto.

20- No mês de março de 2007, em duas oportunidades, constrangeu a ofendida “24. No dia 20 ou 23 de março de 2007, após exames, a vítima foi chamada a comparecer ao consultório do denunciado, onde passou a assediar a ofendida lançando galanteios, aproximou-se e, através de imposição física, empurrou-a contra a parede da sala, encurralando-a, além de segurá-la fortemente, impondo-lhe beijos lascivos na boca. No dia 27.3.2007, após a aspiração de óvulos, na sala de repouso, com a camisola hospitalar, prevalecendo-se de sua superioridade física, conjugada com a debilidade da vítima, passou a molestá-la, acariciando seus seios e tentando beijá-la, direcionou, à força, a mão da ofendida contra seu órgão genital .

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21- Em 1995, constrangeu a ofendida “D”. o denunciado segurou a vítima, ainda atordoada por conta dos efeitos da sedação, anulando a possibilidade de resistência, e impôs-lhe, para satisfazer sua libido, beijos na boca. 2- No mês de julho de 1997, constrangeu a ofendida “E”, por três vezes, duas consumadas e uma tentada. Ao se despedir, a vítima foi surpreendentemente puxada e imobilizada pelo médico que lhe desferiu um beijo na boca. Em período posterior, ao término de coleta de sangue, foi surpreendida com o ingresso do denunciado, que se aproximou da ofendida, que vestia seu casaco, puxou-a violentamente pelos braços, impedindo-a de qualquer reação, impondo-lhe um beijo lascivo contra a sua boca.

Na fase de retirada de óvulos, enquanto se recuperava do procedimento, ainda sob efeito da sedação, a vítima foi novamente submetida à satisfação do apetite sexual do denunciado. Abordou a vítima, no final do ato clínico enquanto ela se recompunha e se vestia, agarrando-a pelos braços e tentando beijá-la na região da boca, somente não logrando êxito diante da esquiva realizada pela ofendida, que o empurrou, deixando o local.

23- No primeiro semestre de 1997, constrangeu a ofendida “25”. Após a retirada dos óvulos, quando foi sedada, a ofendida foi encaminhada pelo denunciado para uma sala de reuniões. Nesse local, imobilizou-a e a envolveu fortemente em seus braços, encostando-a contra a parede e impondo-lhe um beijo na boca.

16ª Vara Criminal



24- Em 29.1.1999, constrangeu a ofendida “27”. A vítima se submeteu ao procedimento de transferência de embriões, fase final da fertilização, que dispensa o uso de sedação. Com a vítima deitada em posição ginecológica, o denunciado debruçou-se sobre ela, impedindo-a de qualquer reação, impondo-lhe um beijo na boca.

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sentença de roger abdelmassih

sábado, 6 de setembro de 2014

Depois de vida de luxo em mansão paraguaia, Abdelmassih come 'prato feito' em cela de 14 m²


Depois de morar três anos e sete meses em uma mansão de 700 m² com a mulher, Larissa Sacco, de 37 anos, e com os dois filhos no Paraguai, o ex-médico Roger Abdelmassih, 70, divide chuveiro, vaso sanitário e uma cela de 14 m² com outros cinco presos na Penitenciária de Tremembé, interior de São Paulo.

A situação atual de Abdelmassih é bem diferente daquela vivida na cidade de Assunção, capital paraguaia, quando era vizinho do presidente do país, Horacio Cartes (confira a arte completa comparando as situações no final desta reportagem).

Cercado de luxo e conhecido na região como "Ricardo", nome falso, o ex-médico condenado a 278 anos por estuprar suas pacientes andava tranquilamente pelas ruas e frequentava restaurantes de alto padrão, onde costumava pedir pratos típicos da culinária italiana — nhoque e penne, acompanhados de espumante rosé.

Na mansão alugada por US$ 5 mil por mês, equivalente a R$ 11 mil, o criminoso vivia no mais alto conforto. Tinha motorista particular, trocava de empregada doméstica a cada dois meses para não levantar suspeita e levava os filhos, gêmeos de três anos, para um dos principais colégios paraguaios.

Agora, na Penitenciária de Tremembé, Roger Abdelmassih segue regras rígidas. Não pode mais escolher suas vestes: tem de usar o uniforme da prisão — camisa branca e calça bege. Tem hora certa para sair para o pátio e hora certa para voltar para cela. E, nos dias de visita, sempre aos finais de semana, pode receber até duas pessoas. Seu cardápio também mudou. O ex-médico, almoça o mesmo que é oferecido a todos os presos: carne, arroz, feijão e uma sobremesa simples.

Duas semanas após ser capturado, Roger Abdelmassih divide cela com cinco presos e recebe primeira visita

A Penitenciária de Tremembé já foi endereço de Abdelmassih em 2009, quando ficou preso por cinco meses, entre agosto e dezembro. Ele, porém, foi solto por decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF (Superior Tribunal Federal), que considerou que o ex-médico poderia recorrer em liberdade da sentença de 278 anos de condenação.

Dois anos mais tarde, em 2011, Abdelmassih teve a prisão decretada novamente por pedir a renovação de seu passaporte — a Justiça entendeu a atitude como evidência de tentativa de fuga, o que se confirmou e o tornou o homem mais procurado do país.

R7

sábado, 30 de agosto de 2014

MP apura se policial colaborava com Abdelmassih e rede de informantes

Roger Abdelmassih era procurado no programa de
recompensas (Foto: Reprodução / Web Denúncia)


Interceptação telefônica gravou ex-médico dizendo apelido de agente de SP.
Secretaria da Segurança Pública determinou investigação sobre o caso.


O Ministério Público (MP) investiga se um policial de São Paulo colaborava com Roger Abdelmassih e sua rede de informantes para que o ex-médico, condenado a 278 anos de prisão por estupros e foragido da Justiça brasileira, continuasse escondido no Paraguai.
Procurada pela equipe de reportagem, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que também irá investigar o caso.

Os promotores têm interceptações telefônicas que flagram Abdelmassih dizendo a um parente o apelido desse policial. Em uma delas, o ex-médico diz que o agente é "amigo" de um dos seus colaboradores financeiros, e ainda "trabalharia junto à Secretaria da Segurança Pública", na capital paulista. Não há confirmação, no entanto, se o funcionário público pertence à Polícia Civil ou é da Polícia Militar.
Na conversa por telefone, gravada com autorização judicial, Abdelmassih diz que o policial poderia ser procurado por seu grupo para vazar dados sigilosos das 15 denúncias que o Programa de Recompensas recebeu sobre possíveis paradeiros do ex-médico. O áudio não menciona dinheiro em troca das informações.
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O grampo ainda mostra Abdelmassih pedindo para o familiar acionar seu grupo de colaboradores para procurar o policial e confirmar com ele os locais das denúncias. Desse modo, acreditava ser possível saber se alguma delas indicava o ponto exato onde o ex-médico estava. A escuta não mostra se os informantes encontraram o agente e se ele passou os dados.

Abdelmassih se diz "abatido", na interceptação, e demonstra preocupação se alguma das denúncias feitas pudesse revelar seu esconderijo. O ex-médico comenta, por exemplo, sobre a possbilidade de a Polícia Federal (PF) estar envolvida nas buscas a ele.
Grampo
A gravação ocorreu duas semanas antes de Abdelmassih, de 70 anos, ser preso neste mês em Assunção. Na capital paraguaia, ele usava o nome falso de Ricardo Galeano e morava numa casa alugada de alto padrão com a mulher, a ex-procuradora da República Larissa Sacco, de 37, e os filhos gêmeos do casal.

Indagado pela equipe de reportagem, o advogado Arles Gonçalves Jr, presidente da Comissão de Segurança da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, afirmou que se for comprovado que um policial repassou para um procurado informações sigilosas de denúncias do paradeiro dele, o agente será responsabilizado criminalmente.
“O policial poderá responder por crimes, por exemplo, como favorecimento a fuga de criminoso, obstrução da Justiça, formação de quadrilha, quebra de sigilo”, afirmou Gonçalves Jr. "Ou corrupção, se ele recebeu dinheiro por isso".
Se ficar demonstrado que Abdelmassih e sua rede de informantes tentaram cooptar agente público, eles também poderão responder por crimes. “Poderiam entrar como favorecimento pessoal e formação de quadrilha”, disse o advogado.

Defesa
A equipe de reportagem não localizou a defesa do ex-médico para falar sobre o assunto. Condenado por estuprar e abusar sexualmente 37 ex-pacientes, Abdelmassih cumpre pena na Penitenciária de Tremembé, no interior paulista.
O ex-médico sempre negou as acusações de que violentou mulheres na clínica de fertilização que tinha na capital paulista. Em sua defesa, alegava que apenas beijava as pacientes no rosto e que elas estavam tendo alucinações por conta da sedação.

Recompensa

As 130 interceptações feitas nos telefones usados por Abdelmassih ajudaram o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP em Bauru, interior paulista, e a PF a localizarem e prenderem no Paraguai o homem mais procurado de São Paulo. Ele foi pego por um delegado federal e policiais paraguaios. A Polícia Civil paulista não participou da prisão em Assunção.
Apesar de o Programa de Recompensa ter oferecido R$ 10 mil para quem desse informações precisas que levassem ao esconderijo de Abdelmassih, e 15 denúncias terem sido feitas, o prêmio não foi pago. A SSP e o Instituto São Paulo Contra a Violência (ISPCV), parceiros do programa, avaliaram que as denúncias dos prováveis paradeiros do ex-médico não foram relevantes para a investigação.
A pasta é responsável pelo pagamento do prêmio e o instituto por administrar o programa.

Procurada pelo G1 para comentar o assunto, a SSP informou que irá apurar a informação de que Abdelmassih menciona o apelido de um policial que seria ligado à pasta da segurança.
“O secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, determinou a abertura imediata de investigação para apurar a existência do suposto policial e eventuais ligações dele com parceiros do ex-médico“, informa a nota da assessoria de imprensa da pasta.
Questionado pela equipe de reportagem, Mario Royo, gerente de projetos do ISPCV, respondeu que as denúncias são recebidas por telefone (Disque Denúncia 181) e internet (Web Denúncia).

De acordo com o representante, o instituto fica num local que não pode ser divulgado, mas não é no prédio da SSP. O atendimento ao público não é feito por policiais. E os dados dos denunciantes são confidenciais e mantidos sob sigilo por meio de códigos criptografados.

“O nosso papel é recolher informação tal e qual vem, sem mexer nada, registrar isso no formulário, e passar isso para policia. Não temos mais nenhuma ingerência e nem podemos ter sobre o trabalho policial”, disse Royo. “Os policiais [civis e militares] que recebem a informação, atuam da forma que tem que atuar.”

G1

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Cunhada ajudou a sustentar Abdelmassih no exterior


Irmã da mulher do ex-médico, Elaine Sacco integra cúpula da rede que financiou a vida de luxo do criminoso durante o período de clandestinidade no Paraguai

Era numa farmácia na cidade paulista de Jaboticabal (75.000 habitantes, a 360 km de São Paulo) que a rede de apoio ao ex-médico Roger Abdelmassih planejava como enviar dinheiro para que um dos fugitivos mais procurados do país mantivesse uma vida de luxo em Assunção. A portas fechadas, após o expediente, Elaine Sacco Khouri, irmã de Larissa Sacco, mulher do médico-monstro, se reunia com Sergio Molina Junior, o contador, e Dimas Campelo Maria, que atuava como auxiliar administrativo, para organizar como mandar a remessa de reais ao Paraguai. O esquema é investigado pelo Ministério Público de São Paulo e agora pela Polícia Federal, já que Abdelmassih virou um caso da Interpol, a polícia internacional, ao ser detido em território estrangeiro.

Segundo as investigações, Sergio Molina recebia todo dia 15 do mês do advogado Sergio Luis Freitas da Silva, que atua em Avaré, cidade vizinha a Jaboticabal, uma lista dos depósitos e transferências bancárias para serem executadas. O destino: uma conta bancária de Larissa Sacco, mulher de Abdelmassih, com quem ele vivia secretamente no exterior com um casal de filhos gêmeos. As informações foram descobertas por um grupo de vítimas dos abusos de Abdelmassih, que se reuniram para desvendar o paradeiro do ex-médico. O grupo compartilhou suas descobertas com as polícias civil e federal e com o Ministério Público. "Eu fiz tudo isso para ajudar a polícia, estava demorando demais para ele ser preso de novo", diz a estilista Vanuzia Lopes, de 54 anos, líder do grupo.


Empresa de fachada – Além da ajuda de familiares da mulher do ex-médico, a investigação apura a participação de profissionais especializados em administrar empresas de fachada e operar esquemas de lavagem de dinheiro. No centro da investigação está a empresa Agropecuária Colamar, constituída em outubro de 2010 pela mulher de Abdelmassih e pela cunhada do criminoso, Elaine Sacco, como sócia minoritária. A empresa é suspeita de ter feito contratos de fachada.

A Agropecuária Colamar, cuja finalidade declarada é o cultivo de laranja, em Jaboticabal – cidade das irmãs Sacco –, foi aberta um ano antes de Abdelmassih ter sido condenado pela Justiça brasileira a 278 anos de prisão pelo estupro de pacientes. O ex-médico era, à época, uma das maiores autoridades no país em fertilização em vitro.

O fluxo de dinheiro entre a Colamar e Abdelmassih foi garantido por uma procuração assinada por Larissa em novembro de 2010, na qual ela transferiu à irmã poderes de administrar todos os seus bens – e suas contas bancárias. Dois meses depois, Abdelmassih fugiu após ter a prisão decretada. Preso em agosto de 2009, ele obteve um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) meses depois.

De acordo com as investigações, Abdelmassih também carregava grande quantidade de dólares em espécie – era comum ele oferecer desconto a casais que pagavam o tratamento de fertilidade, orçado em 50.000 reais nos anos 1990, em notas da moeda estrangeira. Testemunhas dos processos contra o ex-médico que frequentaram a antiga clínica relataram que ele guardava o dinheiro dentro de capas de raquetes de tênis no consultório – depois recolhidas por doleiros.

Na clandestinidade, Abdelmassih tinha uma vida discreta e saía pouco de sua mansão. Mas não descuidava, por telefone, da produção de suas fazendas de laranja no interior de São Paulo.

Prisão
– Ligações interceptadas com autorização judicial de pessoas próximas a Abdelmassih levaram os investigadores ao endereço secreto do médico em Assunção, no Paraguai. A pista definitiva da Polícia Federal para encontrá-lo foi o relato de uma brasileira frequentadora de uma igreja que o reconheceu, segundo relato do próprio Abdelmassih em entrevista à Rádio Estadão.

Roger Abdelmassih foi colocado em cela destinada a presos em quarentena no presídio de Tremembé, no interior de São Paulo. É onde os condenados recém-chegados passam ao menos duas semanas sem contato com outros presos e só recebem visitas de seus advogados.

A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) recebeu recomendação da Polícia Federal para manter o ex-médico afastado de objetos que possam ser usados para cometer suicídio.

Veja

Ex-pacientes de Abdelmassih podem pedir indenizações individuais, diz MP


Promotor diz que 20 mil mulheres podem recorrer contra práticas abusivas.
Grupo de vítimas que ajudou na captura diz que não quer indenização.


Ex-pacientes das clínicas de reprodução humana de Roger Abdelmassih podem entrar individualmente com ações cíveis para pedir indenizações por danos físicos e morais à Justiça contra o ex-médico, segundo o Ministério Público (MP) de São Paulo. O promotor Roberto Senise Lisboa estima em cerca de 20 mil o total de ex-pacientes que podem ter sido vítimas de práticas ilegais que vão desde irregularidades em contratos até abusos.

Procurado pelo G1, o principal grupo de vítimas de Abdelmassih informou que não pretende ingressar com ações para pedidos de indenizações.

De acordo com a Promotoria do Consumidor, o ex-médico obrigava mulheres que queriam engravidar a assinar autorizações para exames cirúrgicos quando elas estavam sedadas. Além disso, não fornecia o resultado dos testes e ainda deixava de informar o destino dos embriões descartados nos procedimentos.

“Cerca de 20 mil pessoas foram vítimas, segundo levantamento do Ministério Público”, disse o promotor Roberto Senise Lisboa. “Se elas quiserem entrar com uma ação indenizatória têm esse direito contra práticas abusivas que sofreram da clínica e do então dono dela [Abdelmassih]”.

“Foram detectadas práticas abusivas, ilícitas como não fornecer exames aos pacientes, não fornecer segunda via de contrato, mandá-las assinar autorizações enquanto estavam sedadas e não mostrar a elas o destino dos embriões não utilizados nas fertilizações”, explicou Lisboa.

Mas segundo Lisboa, essas ações indenizatórias específicas contra Abdelmassih têm de ser feitas agora individualmente e não mais de maneira coletiva pela Promotoria, por entendimento da Justiça de São Paulo.

R$ 2 milhões
O promotor explicou que, entre 2009 e 2010, recebeu denúncias de ex-pacientes lesadas pela clínica. Naquela ocasião, a Promotoria ingressou duas ações coletivas, que totalizavam inicialmente R$ 2 milhões, em favor das vítimas e contra Abdelmassih, seus sócios e a ex-procuradora da República Larissa Sacco, mulher do ex-médico.

O MP tinha pedido à Justiça para bloquear bens patrimoniais do casal e do grupo. O objetivo era garantir no futuro a possibilidade de vender os imóveis para pagar indenizações que seriam calculadas judicialmente. Por determinação judicial o primeiro pedido foi aceito e os bens do ex-médico foram bloqueados, mas a decisão foi revista e suspensa após análise do segundo pedido.

“Em resumo, a Justiça suspendeu a decisão anterior, que havia bloqueado os bens de Abdelmassih e seus sócios, e também negou o pedido posterior, que pedia o bloqueio dos bens da mulher dele”, lamentou Senise. “A Promotoria havia entrado com uma ação contra ela porque descobriu que a empresa que ela tinha em seu nome recebia recursos financeiros do marido, portanto era dele”.

Mas a Justiça não reconheceu o segundo pedido de bloqueio de bens e ainda decidiu revogar o primeiro. “O Tribunal de Justiça [TJ] reviu seu posicionamento e determinou que o Ministério Público não teria legitimidade para defender as vítimas da clínica. Por isso anulou os dois processos”, explicou Lisboa.

Defesa
A equipe de reportagem não localizou a defesa do ex-médico e de sua mulher para comentar o assunto. Abdelmassih passou a ser conhecido pela imprensa na década de 1990, quando se tornou o mais famoso especialista em reprodução assistida do Brasil. Seu luxuoso consultório na Zona Sul de São Paulo recebia celebridades que tinham dificuldades em gerar filhos.

Após denúncias de abuso sexual contra funcionárias e pacientes, em 2010 Abdelmassih foi condenado pela Justiça a pena de 278 anos de prisão por estuprar 37 mulheres. Ele sempre negou os crimes. Foragido, foi preso na terça-feira (19) no Paraguai, onde morava com a mulher e os filhos gêmeos.

A Interpol - polícia internacional - emitiu alerta para que as demais polícias do mundo monitorem o paradeiro de Larissa. Ela será investigada por suspeita de documentação falsa e outros crimes que teria praticado durante a fuga do marido, como, por exemplo, lavagem de dinheiro.

De volta ao Brasil, está preso atualmente na Penitenciária de Tremembé, interior de São Paulo. Ele ainda é investigado por mais 26 estupros contra ex-pacientes. A apuração está sendo feita pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

G1

sábado, 23 de agosto de 2014

Abdelmassih inseminava pacientes com seu sêmen


Roger Abdelmassih (foto), 72, especialista em reprodução humana in vitro, inseminou algumas de suas pacientes com seu próprio sêmen, sem que elas e seus maridos soubessem. A informação é de Ivanilde Vieira Serebrenic, que hoje (20) falou à imprensa no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no momento em que a Polícia Federal desembarcava com Abdelmassih, que foi preso ontem de manhã em Assunção, no Paraguai.

Ivanilde é uma das dezenas de vítimas de Abdelmassih, que foi condenado em primeira instância a 278 anos de prisão por ter estuprado em sua clínica cerca de 40 mulheres. Ela disse que tinha sido procurada por um casal que descobrira com exame de DNA seu filho obtido por inseminação não lhe pertence biologicamente. Apesar disso, de acordo com Ivanilde, o casal não vai mover ação contra Abdelmassih para não constranger o filho e a família. O Ministério Público de São Paulo tem a mesma informação.

Em 2009, quando o caso Abdelmassih estourou na imprensa, a Veja divulgou que o então médico garantiu em 1993 a um empresário do Espírito Santo e a mulher dele que poderia contornar com um tratamento inovador a infertilidade do casal. A mulher ficou grávida de gêmeos, e anos mais tarde o casal descobriu que as crianças eram biologicamente de outro pai.

Independentemente da condenação, a Delegacia da Mulher abriu em 2009 um inquérito para investigar acusações de casais de que Abdelmassih fazia manipulação genética, transplantando sem autorização, por exemplo, óvulos fecundados de algumas pacientes em outras.

Populares e vítimas de Abdelmassih o chamaram de “maníaco”, entre outras coisas, quando ele foi entregue pela Polícia Federal à Delegacia de Polícia do Aeroporto de Congonhas. “Eu tenho nojo desse homem, tenho medo, vontade de vomitar, seja bem-vindo ao inferno”, afirmou Vanuzia Leite Lopes, 54.

Ainda no aeroporto, ao ser abordado por uma jornalista, o ex-médico disse ser inocente e espera que a “Justiça faça justiça”. Na delegacia, ele chorou ao falar de seus filhos gêmeos.

A Polícia mandou Abdelmassih para o presídio de Tremembé (no interior do Estado), onde já esteve por cinco meses em 2009 antes de obter habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Abdelmassih, sua mulher, Larissa Maria Sacco, 35, e seus dois filhos pequenos viviam em Assunção havia três anos. O menino e a menina nasceram no Paraguai.

O ex-médico usava documentos falsos nos quais seu nome consta como "Ricardo Galeano", nascido em 6 de fevereiro de 1949, em uma localidade chamada de Dr. Francia.

A polícia brasileira suspeita que Abdelmassih tenha comprado de policiais paraguaios a identidade de uma pessoa morta. Larissa usava o seu próprio nome, ao menos na escola de seus filhos.

De acordo com o que apurou a Rádio Estadão, a ideia da fuga para o Paraguai foi de Larissa, então grávida.

Morava em uma casa de luxo em um bairro de classe média alta, a poucos metros da residência do presidente do Paraguai. Pagava aluguel de R$ 5 mil.

O ex-médico se apresentava com investidor brasileiro. Tinha um chofer e dois carros, um deles para levar os filhos à escola. Também contava com empregada, babá e cozinheira. O casal frequentava um restaurante onde consumia vinhos de primeira linha.

Disse a um delegado não ter mais bens.

Larissa já teria saído de Assunção com os filhos. Não há informação se ela também estava com documentação falsa. Ela é a segunda mulher de Abdelmassih. Sônia, a primeira, morreu de câncer em 2008. Esse casamento durou 40 anos.

O Ministério Público está investigando o esquema que deu apoio financeiro e logístico ao casal no tempo em que esteve foragido. As operações envolviam lavagem de dinheiro.

Com informações das agências, emissoras de TV e deste site e foto da Secretaria Nacional de Antidrogas do Paragua
i.

Paulopes

Médico estuprador: Abdelmassih diz que fuga foi ideia da mulher


Ele foi condenado a 278 anos por 52 estupros e quatro tentativas de abuso a 39 mulheres

O médico Roger Abdelmassih, de 72 anos, apontou sua mulher, a ex-procuradora da República Larissa Maria Sacco, de 37 anos, como a mentora de sua fuga para o Paraguai, há três anos e meio. A policiais civis e à rádio Estadão, durante conversa na quarta-feira (20), no Aeroporto de Congonhas, ele afirmou que foi "condenado escandalosamente", sem provas — a pena é de 278 anos de prisão por 52 estupros contra 39 vítimas.

Por volta das 16h de quarta-feira, o ex-médico chegou à capital paulista e passou por exame de corpo de delito na delegacia do terminal da zona sul, onde contou aos agentes sua estratégia de fuga e sua rotina em Assunção.

— Eu achava melhor me entregar. Minha mulher disse: 'Não, vamos embora'. Aí, falei com minha irmã que tem um haras em Presidente Prudente. Fomos para lá. De lá fomos para o Paraguai.

Capturado na capital do país vizinho na terça-feira (19), ele disse que só está preso porque pediu a renovação de seu passaporte em 2011 — o médico, um dos maiores especialistas em fertilização in vitro do Brasil, foi condenado em novembro de 2010 e recorria em liberdade.

— Eu estou preso, mas não existe prova nenhuma.

De volta a Tremembé, Roger Abdelmassih vai ficar em cela isolada

Segundo ele, sua intenção não era deixar o País.

— Eles [a Justiça e o Ministério Público] achavam que eu ia fugir, mas eu não ia. Ia passear. [...] Sabe por que eu fui tirar passaporte? Porque o meu passaporte tinha dois meses para vencer. O Juca [criminalista José Luis Oliveira Lima, que defende o médico] falou assim: 'Tem lugar que você não vai conseguir usar passaporte com dois meses'.

Abdelmassih contou, então, que procurou o criminalista Márcio Thomaz Bastos.

— Fui ao doutor Márcio: 'O senhor pode me ajudar?' A resposta foi: 'Não! Vai lá na Polícia Federal, e tira logo (o passaporte). [...] Quando fui buscar, a juíza mandou eu entregar. Aí, os advogados começaram a ver o que queriam: !'Ah, pode dar prisão'. Aí, a juíza substituta Jaqueline disse para o Juca: 'Fala para o seu cliente que não vou prender. Fala para ele ficar tranquilo'. Eu disse: 'Então, tá! Vamos para Avaré'.

Foi em uma fazenda no município paulista que promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Bauru encontraram as pistas para chegar até Assunção.

Aos policiais civis, Abdelmassih disse que, na época da fuga, estava tranquilo.

— Eu estava livre, eu estava solto. Aí, pum, me avisaram [da prisão] no meio do caminho. O Márcio falou: 'Eu acho melhor se entregar'. Minha mulher falou: 'Não, vamos embora!'.

Após o pedido de renovação do documento, a juíza Cristina Escher, da 16ª Vara Criminal, decretou sua prisão preventiva.

Médico das estrelas, Roger Abdelmassih já tratou de mulheres de Pelé e de Fernando Collor

Fuga e rotina


Antes de deixar o País, o médico contou que foi, ainda em 2011, para Jaboticabal, onde vive a família de sua mulher. Ele falou também sobre sua rotina em Assunção.

— Fiquei três anos e meio no Paraguai. Assunção é uma cidade boa. Gostam dos brasileiros. [...] Era uma bela casa. Uma casa daquelas aqui (o aluguel) custaria uns US$ 8.000. Lá custava US$ 1.800.

Segundo o preso, o imóvel foi alugado em nome de uma empresa aberta em sociedade com um amigo. Os filhos gêmeos nasceram no país vizinho.

— Não saía de casa sem peruca. E óculos. Ficava diferente do que eu era.

O médico relatou ter bons relacionamentos.


— Sempre fui querido. E vou te contar mais: o Nicolas Leoz [paraguaio, presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol] teve dois filhos comigo. E eu não procurei ele, para não constranger.

Abdelmassih relatou sua captura.

— Quem me pegou foi o rapaz da Polícia Federal. Diz ele ter informação até da igreja, de uma "cliente" da igreja que me viu, mas principalmente depois da Veja, que estampa muito o rosto da Larissa.

Ele pediu reiteradamente para que fosse levado para a Penitenciária de Tremembé, para onde foi transferido.

— Eu só vou assinar [o mandado de prisão] na hora em que eu tiver certeza de que é Tremembé. Não quero ir lá e depois ficar em Guaratinguetá.

Ele disse que merece ficar solto e comparou seu caso ao mensalão.

— Se o [José] Genoino pode sair [da cadeia] por causa do problema [de saúde], eu posso também. Eu tenho uma prótese. Isso é muito pior.


R7

Roger Abdelmassih é condenado a R$ 500 mil por trocar sêmen


O médico Roger Abdelmassih, 70, foi condenado a pagar R$ 500 mil de indenização a um casal de irmãos, gerados na clínica dele, por ter usado o sêmen de um desconhecido no tratamento de fertilização contratado pelos pais.

Reuters

Médico Roger Abdelmassih foi condenado a pagar R$ 500 mil de indenização a um casal de irmãos, gerados na clínica dele.

A ação judicial, em segredo de Justiça, foi movida em 2010 pelos irmãos, hoje com 20 anos, que descobriram a troca do sêmen: exames concluíram que o material genético usado na inseminação artificial que os gerou não era compatível com o do pai que os criou; da mãe, sim.

Segundo a decisão judicial, eles têm direito a receber R$ 250 mil cada por danos morais. O casal exigia R$ 4 milhões. Abdelmassih nega a acusação. Cabe recurso.

A sentença é de 15 de julho, um mês antes da prisão do ex-médico, na terça-feira, no Paraguai. Condenado a 278 anos de prisão pelo estupro de 37 mulheres, ele ficou mais de três anos foragido.

Ele responde a outras ações pela troca de material genético, método que, segundo as acusações, fez sua clínica atingir taxas de sucesso acima da média, dando fama à sua clínica, nos Jardins.

Em 1994, o casal foi à clínica de Abdelmassih em busca de um tratamento. A inseminação teve sucesso e os gêmeos foram gerados.

Segundo o advogado Luiz Fernando Nubile Nascimento, após os primeiros boatos sobre o então médico, em 2009, os jovens descobriram a verdade. Ele aceitou falar desde que os nomes dos clientes não fossem revelados.

Nascimento diz saber de outras quatro ações indenizatórias pela mesma razão. Nenhuma obteve sucesso. "Sem qualquer consentimento ou autorização, o doutor Roger [Abdelmassih] usou o material genético de um terceiro, que não se sabe quem é até hoje", disse o advogado.

De acordo com Nascimento, a decisão de entrar com a ação foi dos jovens, quando eles ainda eram menores. "O abalo é muito grande, eles carregam isso a vida inteira."

O advogado José Luis Oliveira Lima disse que Abdelmassih afirma que todos os procedimentos tiveram autorização de pacientes. Flávio Yarshell, que o defende na área cível, diz não comentar casos em segredo de Justiça.

JC

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Mulher de Roger Abdelmassih é procurada pela Interpol

Desde terça-feira, quando o marido foi preso, Larissa Sacco está desaparecida



A Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) emitiu um alerta para localizar Larissa Sacco, mulher do médico Roger Abdelmassih. Ela desapareceu com os dois filhos do casal, na terça-feira (19), após a prisão do marido no Paraguai.

De acordo com o alerta, Larissa é procurada por "suspeita de ajudar delinquente". Não existe ordem de prisão contra ela, apenas um pedido das autoridades brasileiras para que ela seja monitorada pela polícia em qualquer país no qual se encontre.

A polícia nacional do Paraguai informou também que vai investigar a participação de agentes públicos do País na emissão de um documento de identidade falso para o médico, com o nome de Ricardo Galeano. Em Assunção, o médico se apresentava com o documento de um suposto cidadão paraguaio.

R7

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Abdelmassih pode responder por comércio de embriões


Polícia precisa encontrar engenheiro que comercializava embriões

Um segundo inquérito policial que investiga o ex-médico Roger Abdelmassih por outros 26 estupros pode acusá-lo de crimes contra a lei de biossegurança, como a comercialização indevida de embriões humanos. Para isso, a Polícia Civil precisa encontrar o engenheiro Paulo Henrique Ferraz Bastos, ex-sócio de um casal de russos que fazia pesquisas na clínica de Abdelmassih, que também é suspeito de enganar as pacientes fertilizando-as com embriões de outros casais, segundo afirmou a delegada Celi Paulino Carlota, da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher.

— Elas (as vítimas) achavam que ele comercializava os óvulos. Algumas mulheres também vieram relatar que as crianças nasceram defeituosas.

Ainda de acordo com a delegada, as vítimas disseram que o ex-médico fazia diversas coletas de óvulos, em vez de apenas uma. Carlota também afirmou que desses outros 26 casos, em pelo menos quatro deles houve má formação dos fetos.

Em um deles, a criança morreu no segundo mês de gestação e a vítima só foi abortar durante o quarto mês sem que soubesse que o feto já estava morto.

Após quase quatro anos como o criminoso mais procurado de São Paulo, o médico chegou na tarde desta quarta-feira à capital paulista.

Ele foi preso na terça-feira (19) em Assunção, no Paraguai, e trazido de avião pela Polícia Federal, após passar a noite em Foz do Iguaçu, e desembarcou por volta das 14h50 no Aeroporto de Congonhas, na zona sul.

R7

Abdelmassih tinha apoio de políticos, policiais e cartolas, diz ministro


Ministro antidrogas do Paraguai diz que rede de contatos será investigada.
Condenado a 278 anos por estupros, ex-médico foi preso na terça-feira.


O médico Roger Abdelmassih, de 70 anos, preso nesta terça-feira (20) em Assunção, no Paraguai, passou cerca de três anos na cidade desde que fugiu do Brasil. Para conseguir viver no anonimato, ostentando luxo e desfrutando de conforto, o brasileiro contava com apoio de uma rede local de proteção que incluiu políticos, policiais corruptos e até dirigentes internacionais de futebol, segundo o ministro antidrogas do Paraguai, Luis Alberto Rojas.

Apesar de ter feito o apontamento, a autoridade local não quis revelar nomes para não atrapalhar as investigações, que agora deverão ser comandadas pelo Ministério Público do Paraguai e pelo órgão responsável pela imigração do país.

"Tivemos a rapidez de conseguir a expulsão dele de imediato, pois ele estava sem os documentos pessoais e havia um pedido de prisão contra ele. A velocidade da expulsão, que ocorreu dentro da lei, poderia prejudicar o julgamento dele pelos crimes que ele cometeu no país dele. Ele tem contatos influentes, tanto no Brasil como no Paraguai, muito influentes, desde políticos, policiais corruptos e até dirigentes internacionais do futebol", disse o ministro.

Essa influência de Abdelmassih fez com que ele pudesse passar três anos no Paraguai sem ser incomodado, principalmente pela polícia do país. "Ainda não sabemos se esse apoio influente que ele tinha o ajudou a entrar no país, a permanecer no país como estava, a talvez usar documentos falsos. Isso ainda está sendo investigado, a mulher dele será chamada para prestar depoimento sobre os documentos dos filhos, dela e do próprio Roger", disse Rojas.

Segundo a investigação do governo paraguaio, Abdelmassih levava vida de luxo, tinha babás, cozinheira, enfermeira, chofer, seguranças, frequentava restaurantes caros e exclusivos com a mulher e usava o nome Ricardo.

"A gente achava que ele era um embaixador brasileiro ou um empresário milionário. Ele se mudou para essa casa há três anos, foi quando começou a ter movimento na casa. Eles trocavam de empregados de dois em dois meses", disse um dos moradores, vizinho de calçada.

Rojas também afirmou que Abdelmassih morava em uma casa luxuosa em um bairro nobre da capital paraguaia, pela qual pagava um aluguel de US$ 2,5 mil. "Para muita gente ele se identificou como empresário do ramo de investimento em projetos sociais", disse o ministro paraguaio. O ex-médico usava o nome Ricardo.

Um dos automóveis era um Mercedes modelo E 350, em nome de Juan Gabriel Cortaza. A polícia informa que o carro foi vendido, mas não foi transferido por Abdelmassih. Já para os filhos, havia num Kia Carnival modelo 2012, em nome da empresa Gala Import e Export S/A.

O ex-médico era monitorado por uma equipe da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) e da Polícia Federal brasileira há oito dias. Abdelmassih foi preso quando saía de um estabelecimento comercial, no bairro Villa Morrá, em Assunção, às 14h30. Ele estava acompanhado da mulher .

Condenação e fuga

Roger Abdelmassih tem 70 anos e era considerado um dos principais especialistas em reprodução humana no Brasil. Ele foi condenado pela Justiça a 278 anos de reclusão pelos crimes de estupro e atentado violento ao pudor.

Ele estava foragido desde 2011 e foi preso na tarde de terça-feira (19) em Assunção, capital do Paraguai. Após o procedimento de deportação sumária, Abdelmassih chegou em Foz por volta das 18h. Horas depois de ser preso, ele teve um mal-estar e precisou ser levado para o hospital. Segundo a edição desta quarta do Bom Dia Brasil, ele foi atendido rapidamente e retornou para a prisão na mesma noite.

Roger Abdelmassih é fichado pela polícia paraguaia após ser preso em Assunção. Médico é condenado a 278 anos de prisão por estupro contra 39 pacientes

Abdelmassih foi condenado por estuprar, 37 pacientes, que disseram ter sido atacadas dentro da clínica que ele mantinha na Avenida Brasil, na região dos Jardins, área nobre da cidade de São Paulo. Ao todo, ele foi acusado ter cometido 48 ataques, entre estupros e atentado violento ao pudor.

Conforme o delegado Marcos Paulo Pimentel, o ex-médico vivia ilegalmente no país vizinho, não trabalhava e morava com a mulher em uma residência de luxo em Assunção. As investigações concluíram que ele saiu do Brasil por uma fronteira terrestre. Todavia, Pimentel não soube precisar qual foi a rota usada.

Médico alegava inocência
O ex-médico sempre alegou inocência. Chegou a dizer que só ‘beijava’ o rosto das pacientes e vinha sendo atacado por um "movimento de ressentimentos vingativos". Mas, em geral, as mulheres o acusaram de tentar beijá-las na boca ou acariciá-las quando estavam sozinhas - sem o marido ou a enfermeira presente.

Algumas disseram que foram molestadas após a sedação. De acordo com a acusação, parte dos 8 mil bebês concebidos na clínica de fertilização também não seriam filhos biológicos de quem fez o tratamento.

Disfarces
Para chegar ao ex-médico, a Polícia Federal usou um programa específico, que montou várias imagens com a foto de Abdelmassih. Nelas, o sistema fez projeções de como ficaria o rosto dele com fantasias e disfarces, como tintura capilar, uso de chapéus e óculos escuros.

Condenação
As denúncias contra o médico começaram em 2008. Abdelmassih foi indiciado em junho de 2009 por estupro e atentado violento ao pudor. Ele chegou a ficar preso de 17 de agosto a 24 de dezembro de 2009, mas recebeu do Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de responder o processo em liberdade.

Em 23 de novembro de 2010, a Justiça o condenou a 278 anos de reclusão. Abdelmassih não foi preso logo após ter sido condenado porque um habeas corpus do Superior Tribunal de Justiça (STJ) dava a ele o direito de responder em liberdade.

O habeas corpus foi revogado pela Justiça em janeiro de 2011, quando ex-médico tentou renovar seu passaporte, o que sugeria a possibilidade de que ele tentaria sair do Brasil. Como a prisão foi decretada e ele deixou de se apresentar, passou a ser procurado pela polícia.

Em maio de 2011, Abdelmassih teve o registro de médico cassado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo.

Lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) informou que vai investigar uma possível rede de favorecimentos à fuga do ex-médico. Segundo os promotores, os integrantes dessa rede e o próprio Abdelmassih teriam cometido uma série de outros crimes, como falsidade ideológica e falsidade material, além de lavagem de dinheiro para que o ex-médico tivesse condições de fugir do Brasil e se manter fora do país, conforme o procurador-geral de Justiça Márcio Fernando Elias Rosa e o promotor Luiz Henrique Cardoso Dal Poz.

A quantidade de pessoas, a identidade delas e a relação delas com o fugitivo não foram informados pelo Ministério Público. "As investigações têm continuado para responder a todas estas questões", disse Rosa.

Vítimas celebram prisão

Uma página no Facebook, usada por uma associação de vítimas do ex-médico, comemorou a notícia da prisão. No perfil particular de algumas das vítimas, há postagens comemorativas. “uhu, conseguimos”, diz uma das mulheres.

Uma das noras do ex-médico, afirmou que "a justiça foi feita", ao se referir sobre a prisão do sogro. Segundo ela, a família não vai se pronunciar mais sobre o caso, para preservar os descendentes mais novos. "A gente não quer falar por conta dos filhos e netos", explicou.

G1

Abdelmassih deu 'calote' em dono de mansão no Paraguai


Dono do imóvel é espanhol e disse que médico assinava documentos como Ricardo


O ex-médico Roger Abdelmassih estava devendo o aluguel da casa em que vivia escondido havia três anos e meio em Assunção, no Paraguai. Ele pagava US$ 5 mil por mês pela casa no número 1976 da rua Guido Spano, na Villa Morra, um bairro de classe alta na capital paraguaia.

Administrador da imobiliária Saturno, Miguel Portillo, disse ao Estado que alugou a casa há quase quatro anos para um homem que se identificou como Ricardo Galeano. Era essa a identidade falsa que Abdelmassih usaria no Paraguai. Inicialmente, o aluguel era de US$ 3,8 mil, mas com o passar dos anos, foi reajustado para os atuais US$ 5 mil por mês.

A casa pertence, segundo Portillo, a um espanhol. Ele não soube especificar quantos aluguéis Abdelmassih estava devendo. Ainda de acordo com ele, a mulher do ex-médico, Larissa Maria Sacco, identificava-se como Lara Sacco.

— Ela nunca assinava os papéis; era sempre o Ricardo (Abdelmassih).

O casal vivia em Assunção e se dava bem com os vizinhos. A empregada de uma vizinha disse ao jornal O Estado de S. Paulo que o casal costumava passear com as crianças na rua e frequentava à noite o restaurante Uvaterra, na esquina da Rua Guido Spano. Abdelmassih e Larissa mantinham ainda uma babá, que cuidava dos meninos.

Virgílio Carmona, morador de uma casa em frente à alugada pelo ex-médico, confirmou que o foragido morava ali havia mais de 3 anos. Abdelmassih usava um carro da marca Kia para se locomover pela cidade.

— Eu não os conhecia bem.

O casal contribuía com 650 mil guaranis (cerca de R$ 500) por mês para pagar o salário do vigia da rua.

A Larissa deixou a casa na noite de terça-feira, dia 19. Antes, prometeu a Protillo que voltaria à Assunção em dez ou quinze dias para quitar a dívida. Pela manhã, funcionários da imobiliária faziam uma faxina na casa.

— Não sabia que ele era uma pessoa condenada no Brasil. Vou pedir as chaves do imóvel de volta.

R7

Vítimas roger Abdelmassih e clínica

Vana Lopes
4 h
Bom diaaaaa a todos, obrigadaaaaaa pelo apoio que sempre recebemos dos que compartilharam fotos deste estuprador.Hoje estamos muito felizes e as pessoas estão nos procurando para nos parabenizar por estes 3 anos de investigações que fizemos.Coloco aqui nossa resposta pois nao consigo responder individualmente neste momento.Temos documentos e historias de bastidores para contar para vocês, como sempre disse somos VITIMAS e não COITADAS então caçamos ele mesmo!!Tivemos a ajuda fundamental de Leandro Mansel da Record , da revista Veja , da imprensa de um modo geral, e principalmente do amigo Beto Nogueira que nos apresentou a pessoa honestíssima Dr Fernando Grella. Fabio Bechara, da Secretaria de Segurança de São Paulo, e o projeto do Web Denuncias, Estendemos nossos agradecimentos aos policiais incorruptíveis Jonnhy e Marcelo Biondi da Seção de Captura, da Interpol Dr Luiz Eduardo Navajas ,da Policia Federal, e do Promotor Dal Poz, e da Dra Celi Carlota. Por favor liguem no meu celular os repórteres para agendar as entrevistas , pois são muitas e amanha vamos ao aeroporto buscar este Estuprador...e lhe dar boas vindas para este "inferno" que ele fez por merecer. Agradeço em especial as denunciantes(os) pois sem vocês e os mais de 300 documentos que nos mandaram nada do que aconteceu seria possível. continuaremos garantindo o sigilo absoluto, Grata ,Vana Lopes e Vitimas Roger AbdelmassihHelena Cristina LeardiniTeresa CordioliIvany SerebrenicSilvia FrancoMonika Bartkevitch

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Em redes sociais, vítimas festejam prisão de Abdelmassih

‘Conseguimos!’, comemorou uma das mulheres que foram abusadas. Busca pelo médico durou três anos

SÃO PAULO - “Conseguimos! Roger Abdelmassih preso!” Em letras maiúsculas, Helena Cristina Leardini comemorou em uma rede social na tarde desta terça-feira a prisão do médico Roger Abdelmassih, que estava foragido desde 2011, após ser condenado a 278 anos de prisão por 52 estupros e quatro tentativas de abuso sexual contra 39 mulheres, geralmente suas pacientes. Helena é uma das vítimas.

Pelas redes sociais, as vítimas demonstraram alívio com a prisão. Abdelmassih estava com a mulher, a ex-procuradora da República Larissa Sacco, e os filhos gêmeos de três anos, em Assunção, no Paraguai. Agora, está sendo conduzido a Foz do Iguaçu, no Paraná. No Facebook, as mulheres que sofreram abusos por parte do médico criaram uma página especial, a “Vítimas de Roger Abdelmassih e Clínica”. Além de anunciar prisão, a página passou a mostrar uma imagem do médico atrás de grades.

“Atenção amigos, Roger Abdelmassih foi preso!”, escreveu Vana Lopes, outra vítima, que comemorou: “Graças ao trabalho em conjunto e principalmente a Deus! Investigação de três anos enfim deu frutos. Conseguimos!”

Amigos das vítimas também demonstraram alegria. “Sua caçada terminou”, escreveu um deles a Vana Lopes.

Vana, na verdade, é Vanúzia, uma das mulheres que, com a fuga do médico, decidiu criar uma associação de vítimas para pressionar e ajudar nas investigações.

O Globo

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Exclusivo: veja imagens do momento da prisão do médico Roger Abdelmassih



A equipe do Cidade Alerta acompanhou o momento em que dois policiais do serviço antidrogas da imigração paraguaia, acompanhados de um policial federal deram voz de prisão ao médico Roger Abdelmassih, procurado há quatro anos.

R7

Procurado há quatro anos, médico Roger Abdelmassih é capturado no Paraguai


Ele foi condenado a 278 anos por 52 estupros e quatro tentativas de abuso a 39 mulheres

Foi preso na tarde desta terça-feira (19), às 13h25, o médico Roger Abdelmassih. A prisão ocorreu perto da escola onde o médico ia deixar os filhos junto com a mulher Larissa, no Paraguai. Roger estava vivendo em Assunção, capital do Paraguai, com a mulher e dois filhos gêmeos, de 3 anos — um menino e uma menina.

Abdelmassih foi condenado a 278 anos por 52 estupros e quatro tentativas de abuso a 39 mulheres. Ele teve o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo.

Conhecido como o médico das estrelas, Abdelmassih era especialista em reprodução assistida. O faturamento estimado de sua clínica, na época em que foi denunciado, era de aproximadamente R$ 2 milhões por mês.

O médico é suspeito de atacar as pacientes depois de sedá-las. Cerca de 20 mil mulheres teriam passado pela clínica de Abdelmassih. Ele dizia ter ajudado a gerar 8 mil bebês.

O médico chegou a ser preso em 2009, mas foi liberado às vésperas do Natal, por conta de um habeas corpos concedido pelo então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes.

Dois anos depois, em 2011, quando Abdelmassih tentou renovar o passaporte, um novo pedido de prisão foi decretado. Mas o médico nunca mais foi achado. Ele entrou para a lista dos procurados da Interpol.

R7

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Operação secreta descobre último refúgio do médico Roger Abdelmassih



Um dos homens mais procurados do Brasil, Roger Abdelmassih, condenado a quase 13 anos de prisão por uma série de estupros, continua foragido. O Domingo Espetacular seguiu as pistas no interior de São Paulo e acompanhou a rota de fuga do médico até países da Europa, onde ele se escondeu da polícia durante um ano.

R7

Por onde andará aproveitando a vida com sua nova família, Roger Abdelmassih ??????????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Desaparecido, não creio...Com toda fortuna que fez tirando de suas pobres vítimas...está bem na frente de nosso nariz. Isso é certo!

Por que as pessoas que sabiam ou sabem onde se encontra não denunciam? Por medo, por $$$$$$$ ? Esse deve estar rolando até fora do país.
Quem o viu num cassino,foi à polícia, denunciou, voltou lá e nada foi feito.
E por isso as vítimas estão assustadas com o que poderá mandar fazer a elas...
Coragem gente, denunciem porque ele não é o que o atual sogro disse:"Um homem de Bem" !
A polícia só chega nos lugares por onde anda, uando já se foi e deixou rastros num certo lugar que deve ser seu esconderijo. Sabe-se lá lá dentro mesmo porque o espaço permite isso e lá mesmo deve ser o 'esconderijo'.

Devem estar rindo de todos como na foto acima.....

sábado, 23 de julho de 2011

Morre mãe de Roger Abdelmassih



Olga Pedro Abdelmassih morreu aos 98 anos por insuficiência respiratória

Morreu no final da tarde desta quarta-feira (20) Olga Pedro Abdelmassih, 98 anos, mãe do foragido da Justiça Róger Abdelmassih, acusado de cometer mais de 50 estupros em sua clínica. Ela morreu em um hospital de Campinas.

Olga teve insuficiência respiratória seguida de parada cardíaca por volta das 17h, segundo Vicente, neto dela e filho de Roger. Ela estava internada há 12 dias em razão de uma gripe forte, que se transformou em pneumonia.

Viúva desde 1985, Olga morava sozinha em Campinas, mas sempre podia contar com a companhia dos netos e bisnetos nos almoços de domingo. Olga era quem preparava os pratos, típicos da cozinha árabe, de acordo com Vicente.

O enterro do corpo de Olga está marcado para acontecer nesta quinta-feira (21), às 16h, no cemitério Flamboyant.

Vicente afirma que a família não tem contato com Roger desde janeiro.

R7
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