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sexta-feira, 13 de novembro de 2015
LEMBRA DELA? Segredo sobre a morte de Isabella Nardoni vai mudar tudo
A reviravolta no caso se deu depois que uma carcereira procurou o Ministério Público para revelar segredos que podem mudar os rumos do caso Isabela Nardoni, que foi morta pelo pai e madrasta covardemente, jogava viva da janela de um prédio no ano de 2008, a carcereira que não quis que sua identidade fosse revelada por segurança, afirma com toda certeza revelou que ouviu da madrasta de Isabella que o avô da menina estaria envolvido no caso da morte.
Ela deu entrevista ao fantástico e as revelações feitas por ela já foram ouvidas e colhidas pelo departamento de homicídios, vai ao encontro de outro fornecido por outra testemunha e também revelado pelo “Fantástico”.
Segundo essas duas funcionárias na medida que ela foi pegando confiança pelas guardas femininas, a madrasta foi se abrindo e revelando coisas que nunca havia sido reveladas, e que a questionaram, __ Quem foi quem fez? e ela respondeu que foi ela a mando de uma terceira pessoa, ” falou que teria sido a mando de mais alguém, mas que alguém? questionei ela ” daquele véio! ” que velho? seu sogro? ‘ e ela chorando muito abaixou a cabeça e disse que sim com um sinal de balançar a cabeça, afirmando.
Não foi somente para as carcereiras que ela se abriu, as presas que dividem a cela com ela também ouviram a confissão. Se isso for verdade a principal beneficiária é exatamente Ana Carolina Jatobá condenada a 26 anos de prisão, contra os 31 de Alexandre Nardoni também preso acusado de matar a filha. Seu pai, Antônio Nardoni, por meio do advogado que representa o casal, disse que não comentaria as novas denúncias.
Fonte: Fantástico
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sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Laudo dos EUA diz que marcas em Isabella Nardoni não são de mãos
As análises foram encomendadas pela defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Segundo o laudo, marcas no pescoço da menina não foram feitas nem pelo pai, nem pela madrasta
O resultado de um laudo feito nos Estados Unidos pelo Instituto de Engenharia Biomédica da George Washington University concluiu que as marcas no pescoço de Isabella Nardoni, menina morta aos 5 anos em São Paulo, em 2008, não foram feitas por mãos humanas. As análises foram encomendadas pelo criminalista Roberto Podval, que defende o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina.
Os exames feitos pela equipe do professor americano James K. Hahn afirmaram que as marcas no pescoço da menina não foram causadas pelas mãos de Anna Carolina, conforme a acusação do Ministério Público Estadual (MPE), tampouco foram resultado de esganadura feita pelo pai da criança. O laudo diz elas "não são compatíveis com a morfologia das mãos de Anna e de Alexandre", nem foram feitas por mãos humanas.
"Isso foi surpreendente", afirmou Podval. Para fazer as análises, o criminalista fez moldes das mãos dos dois acusados. O estudo da equipe do professor Hahn foi desenvolvido com base nas articulações das mãos e dos dedos. Para mostrar como chegaram a esse resultado, os peritos prepararam um relatório que será trazido por Podval para ser incluído no processo do caso.
Mesmo sabendo que a Justiça dificilmente aceita a análise de provas novas em habeas corpus, é por meio disso que o criminalista pretende tirar o casal da prisão. Normalmente, só depois do trânsito em julgado de um caso – sua decisão judicial final – é que se pode pedir a revisão criminal. Por isso, o casal Nardoni teria de esperar preso. Podval considera que a espera na cadeia depois do surgimento de uma dúvida mais do que razoável de que o casal tenha cometido o crime é algo que a Justiça deve evitar. Por este motivo o criminalista acredita ser possível a libertação.
Crime
O casal Nardoni cumpre pena desde que, em março de 2010, foi condenado pelo 2.º Tribunal do Júri de São Paulo pela morte da garota. O pai recebeu a pena de 31 anos de prisão, enquanto a madrasta, de 26 anos e 8 meses. Ambos recorreram da decisão, mas a Justiça ainda não terminou de analisar seus recursos.
Anna e Alexandre foram condenados por homicídio qualificado – meio cruel, sem dar chance de defesa para a vítima e para assegurar a impunidade de outro crime. De acordo com a acusação, a menina teria sido espancada pela madrasta, que teria tentado sufocá-la. Pensando que ela estava morta, o pai teria cortado com uma tesoura a rede de proteção da janela de um quarto do apartamento do casal, na zona norte de São Paulo. Em seguida, Alexandre teria atirado a menina pela janela. A criança caiu no jardim do prédio.
Para Podval, as marcas no pescoço de Isabella podem ter sido provocadas nessa queda, quando a menina passou por uma pequena palmeira no jardim. "O laudo diz que as marcas não foram causadas por mãos humanas, mas não diz o que as pode ter causado. Ele é inconclusivo nesse ponto. Mas acredito que elas podem ter sido causadas na queda", afirmou o criminalista.
O defensor do casal está nos Estados Unidos para retirar o resultado dos exames. Ele deve se reunir ainda nesta semana com a equipe do professor Hahn, em Washington. O retorno ao Brasil está marcado para a próxima semana. "Vamos preparar o recurso. Sempre acreditei na inocência de meus clientes."
EK
Época
O resultado de um laudo feito nos Estados Unidos pelo Instituto de Engenharia Biomédica da George Washington University concluiu que as marcas no pescoço de Isabella Nardoni, menina morta aos 5 anos em São Paulo, em 2008, não foram feitas por mãos humanas. As análises foram encomendadas pelo criminalista Roberto Podval, que defende o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina.
Os exames feitos pela equipe do professor americano James K. Hahn afirmaram que as marcas no pescoço da menina não foram causadas pelas mãos de Anna Carolina, conforme a acusação do Ministério Público Estadual (MPE), tampouco foram resultado de esganadura feita pelo pai da criança. O laudo diz elas "não são compatíveis com a morfologia das mãos de Anna e de Alexandre", nem foram feitas por mãos humanas.
"Isso foi surpreendente", afirmou Podval. Para fazer as análises, o criminalista fez moldes das mãos dos dois acusados. O estudo da equipe do professor Hahn foi desenvolvido com base nas articulações das mãos e dos dedos. Para mostrar como chegaram a esse resultado, os peritos prepararam um relatório que será trazido por Podval para ser incluído no processo do caso.
Mesmo sabendo que a Justiça dificilmente aceita a análise de provas novas em habeas corpus, é por meio disso que o criminalista pretende tirar o casal da prisão. Normalmente, só depois do trânsito em julgado de um caso – sua decisão judicial final – é que se pode pedir a revisão criminal. Por isso, o casal Nardoni teria de esperar preso. Podval considera que a espera na cadeia depois do surgimento de uma dúvida mais do que razoável de que o casal tenha cometido o crime é algo que a Justiça deve evitar. Por este motivo o criminalista acredita ser possível a libertação.
Crime
O casal Nardoni cumpre pena desde que, em março de 2010, foi condenado pelo 2.º Tribunal do Júri de São Paulo pela morte da garota. O pai recebeu a pena de 31 anos de prisão, enquanto a madrasta, de 26 anos e 8 meses. Ambos recorreram da decisão, mas a Justiça ainda não terminou de analisar seus recursos.
Anna e Alexandre foram condenados por homicídio qualificado – meio cruel, sem dar chance de defesa para a vítima e para assegurar a impunidade de outro crime. De acordo com a acusação, a menina teria sido espancada pela madrasta, que teria tentado sufocá-la. Pensando que ela estava morta, o pai teria cortado com uma tesoura a rede de proteção da janela de um quarto do apartamento do casal, na zona norte de São Paulo. Em seguida, Alexandre teria atirado a menina pela janela. A criança caiu no jardim do prédio.
Para Podval, as marcas no pescoço de Isabella podem ter sido provocadas nessa queda, quando a menina passou por uma pequena palmeira no jardim. "O laudo diz que as marcas não foram causadas por mãos humanas, mas não diz o que as pode ter causado. Ele é inconclusivo nesse ponto. Mas acredito que elas podem ter sido causadas na queda", afirmou o criminalista.
O defensor do casal está nos Estados Unidos para retirar o resultado dos exames. Ele deve se reunir ainda nesta semana com a equipe do professor Hahn, em Washington. O retorno ao Brasil está marcado para a próxima semana. "Vamos preparar o recurso. Sempre acreditei na inocência de meus clientes."
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quinta-feira, 14 de março de 2013
STJ nega recurso contra júri do casal Nardoni
Anna Carolina e Alexandre Nardoni foram condenados em 2010
O casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá tiveram recurso pela realização de um novo júri negado nesta quinta-feira (21) pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). A decisão foi publicada na noite desta sexta-feira (22) no Diário da Justiça Eletrônico e é assinado pela ministra Laurita Vaz.
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados pela morte da filha de Alexandre, Isabella Nardoni, de cinco anos, no dia 27 de março de 2010, após cinco dias de júri popular. Alexandre recebeu pena de 31 anos, um mês e dez dias de prisão, e Anna Carolina de 26 anos e oito meses.
R7
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Quase cinco anos após a morte de Isabella Nardoni, mãe da menina fala sobre planos para o futuro
Ana Carolina Oliveira disse que não passa um dia sem pensar na filha
Após passar um tempo fora do País para estudar e conhecer um novo amor, Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, falou com exclusividade ao Jornal da Record. Ela disse que sonha em ter outros filhos, apesar de nunca esquecer de Isabella.
No dia 29 de março, a morte da menina completa cinco anos. Em abril, Isabella faria 11 anos. A mãe disse que jamais passa um dia sem pensar nela.
— Eu já tive pesadelos, que sempre atormentam. Mas já sonhei que a gente estava se encontrando, eu sonho bastante com ela. Isso me faz bem.
A filha também está faz no dia a dia de Ana Oliveira.
— Para mim, a presença dela é em todos os momentos. Eu carrego comigo. Às vezes tem que tomar uma decisão, eu peço a opinião dela.
O apartamento
A reportagem do Jornal da Record conseguiu acesso ao apartamento onde Isabella passou os últimos momentos de vida, em Santana, zona norte de São Paulo. O imóvel está à venda, por um preço abaixo do de mercado.
Os móveis da família Nardoni foram retirados. Apenas foram mantidos os armários da cozinha. A pintura também foi refeita e uma película escura aplicada aos vidros.
R7
terça-feira, 3 de maio de 2011
Justiça mantém júri, mas reduz pena de Alexandre Nardoni
Réu teve pena reduzida em cerca de 11 meses.
Pena de Anna Carolina Jatobá, madrasta da garota, foi mantida.
Os desembargadores da 4ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiram por unanimidade, nesta terça-feira (3), negar a anulação do julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados em 2010 por matar Isabella (filha de Nardoni) em 2008. No entanto, a pena de Alexandre Nardoni foi reduzida em cerca de 11 meses devido a uma falha no cálculo da pena em relação aos agravantes. A pena de Anna Jatobá, madrasta da garota, foi mantida.
A pena de Alexandre ficou definida em 30 anos, 2 meses e 20 dias. Em 27 de março de 2010, depois de quatro dias de julgamento, ele tinha sido sentenciado a 31 anos, 1 mês e dez dias de prisão sob a acusação de ter jogado a própria filha Isabella da janela do sexto andar do prédio. A madrasta da menina recebeu pena de 26 anos e 8 meses de reclusão pela esganadura antes da queda.
Mais cedo, a procuradora Sandra Jardim, que participava da sessão de julgamento dos últimos recursos impetrados pela defesa do casal Nardoni, afirmou não ver motivos para anular o caso e considerou “risível e tola” a tese da defesa de que uma terceira pessoa entrou no apartamento do casal para cometer um assalto e acabou matando a criança.
G1
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quinta-feira, 31 de março de 2011
Mônica Bergamo: Presídio apura punição de Alexandre Nardoni
A penitenciária de Tremembé (147 km de São Paulo) abriu sindicância para apurar o episódio que levou por dez dias à solitária Alexandre Nardoni, condenado a 31 anos de cadeia pela morte de sua filha Isabella, de 5 anos.
A informação é da coluna Mônica Bergamo, publicada na Folha desta quinta-feira . Os advogados suspeitam que houve arbitrariedade, mas dizem aguardar o fim da investigação. Nardoni foi colocado de "castigo" no fim de fevereiro último e passou dez dias isolado na penitenciária como punição por reclamar sobre problemas durante as visitas.
Ele foi condenado em março do ano passado pela morte de Isabella. A menina morreu em março de 2008, ao ser jogada do sexto andar do prédio onde moravam o pai e a madrasta, Anna Carolina Jatobá --também condenada--, na zona norte da cidade de São Paulo. O pai foi condenado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão por homicídio triplamente qualificado: por ter sido usado meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima, e para garantir a ocultação de crime anterior. Já Anna Carolina foi condenada a 26 anos e oito meses de prisão.
Folha OnLine
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quarta-feira, 30 de março de 2011
3 anos sem Isabella Nardoni
29/03/11 - há 3 anos atrás o Brasil conhecia de uma forma trágica uma menininha de sorriso meigo que passava o fim de semana com o pai e foi brutalmente assassinada. foram dois anos e busca por justiça até chegar à condenação segundo a justiça dos verdadeiros culpados. acompanhei este caso do início ao fim, pois mexeu muito comigo e acredito que com 190 milhões de brasileiros também. só queria desejar muita paz, luz e esperança a família Cunha Oliveira; família da mãe de Isabella.
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terça-feira, 29 de março de 2011
Alexandre Nardoni é punido e fica isolado no presídio de Tremembé
Alexandre Nardoni foi condenado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão por homicídio triplamente qualificado Condenado pela morte da filha Isabella, Alaxandre Nardoni foi punido no fim de fevereiro e passou dez dias isolado na penitenciária de Tremembé, em São Paulo.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (29) pela colunista Mônica Bergamo no jornal Folha de S. Paulo. O castigo, segundo a polícia, teria sido por conta da reclamação de Nardoni sobre problemas durante as visitas ao presídio.
Alexandre Nardoni foi condenado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão por homicídio triplamente qualificado. A mulher Anna Carolina foi condenada a 26 anos e oito meses. Ambos cumprem pena pela morte de Isabella, 5 anos, que morreu em março de 2008 após ser jogada do sexto andar do prédio donde moravam o pai e a madrasta.
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Três anos após morte de Isabella Nardoni, apartamento da família continua vazio em SP
Da rua, é possível ver que as janelas estão fechadas e, a sacada, sem qualquer movimento. Na guarita, a quem pergunta pelos moradores do apartamento 62, o porteiro dá logo o aviso: "está vazio". Hoje, três anos após a morte da menina Isabella Nardoni, o apartamento de onde a garota caiu, localizado na rua Santa Leocádia, 138, zona norte de São Paulo, continua sem ninguém.
Condenados pelo assassinato, o pai de Isabella, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, que moravam no edifício London, estão presos. Fotografado exaustivamente na época do crime e palco de várias perícias, o ambiente estaria fechado, sem uso algum. Uma vizinha, que pediu para não ser identificada, informou que o pai de Alexandre, Antonio Nardoni, tentou passar o apartamento 62 adiante, mas não teria tido sucesso. Na rua, não há placa para anunciar o aluguel ou venda do apartamento. Antonio Nardoni foi procurado pelo UOL Notícias, mas não retornou ao telefonema da reportagem.
Condenação
O Tribunal do Júri do Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, condenou Alexandre e Anna Carolina Jatobá em março do ano passado. No total, Nardoni foi condenado a 31 anos, 1 mês e dez dias de prisão e Jatobá a 26 anos e oito meses, ambos em regime fechado. Os jurados –quatro mulheres e três homens– entenderam que os réus cometeram homicídio triplamente qualificado, por usarem meio cruel (asfixia), dificultarem a defesa da vítima, que foi arremessada pela janela inconsciente, e terem cometido um crime para encobrir outro –o que haviam feito no apartamento antes de atirar a criança.
A pena de Alexandre foi aumentada em um sexto porque ele cometeu o crime contra a própria filha e por ter se omitido na condição de pai. Também pesou um agravante contra ambos: a menina ter menos de 14 anos de idade. Somou-se a essa pena a condenação por mais um crime, oito meses e 24 dias-multa por fraude processual (em regime semiaberto), pelo fato de o casal ter alterado o local do crime com o objetivo de enganar as autoridades.
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‘Tem como esquecer um filho?’, diz mãe de Isabella, 3 anos após crime
Ana Carolina com a filha Isabella em foto do álbum da família Cunha Oliveira (Reprodução/Arquivo Pessoal) Em entrevista ao G1, Ana Carolina Oliveira fala sobre data da morte da filha. Túmulo de Isabella vira local de visitação em SP; casal Nardoni está preso.
“Tem como esquecer um filho?”, indaga Ana Carolina Cunha de Oliveira, mãe de Isabella de Oliveira Nardoni, ao responder uma das perguntas feitas pelo G1 sobre os três anos da morte da menina.
“Todos os dias são marcantes, pois ela não voltará nunca, e não apenas em algumas datas.”
A entrevista foi feita por e-mail, por intermédio da advogada dela, Cristina Christo Leite. Isabella foi encontrada caída no terraço do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo, já sem sinais vitais, no final da noite de 29 de março de 2008. Informações desencontradas davam conta de um possível assassinato. Ela tinha apenas 5 anos quando foi levada de ambulância a um hospital na tentativa de que fosse reanimada.
Sem sucesso, os médicos informaram à família que o quadro era irreversível já no início da madrugada do dia 30. Por esse motivo, essa última data é a que aparece na cruz da lápide de Isabella ao lado da estrela que traz o seu nascimento: 18 de abril de 2002.
Segundo funcionários do Cemitério Parque dos Pinheiros, no Jaçanã, a visitação ao túmulo beira a peregrinação. A administração do cemitério particular informa que as visitações são permitidas para quem quiser, basta se identificar na portaria. As visitas são diárias. Vasos com flores são deixados por pessoas, muitas delas desconhecidas, no local. Outros visitantes rezam.
É o caso do aposentado Antonio José da Silva, de 80 anos, e seus amigos e familiares, que visitaram o túmulo de Isabella na manhã de segunda-feira (28). “Foi um caso que abalou o Brasil porque ela foi morta por alguém da própria família, alguém que deveria protegê-la. Morreu jovem como um anjinho”, diz.
Desde o início das investigações, a Polícia Civil desconfiou da versão apresentada pelo pai da criança, Alexandre Alves Nardoni, e da madrasta da menina, Anna Carolina Trota Peixoto Jatobá, de que um assaltante havia entrado no prédio e a jogado da janela do sexto andar. Após se tornar suspeito, indiciado, acusado, denunciado e réu, o casal foi condenado pelo crime em 27 de março de 2010.
Alexandre, atualmente com 32 anos de idade, foi sentenciado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão sob a acusação de ter atirado Isabella do apartamento ao chão. Anna Carolina Jatobá, com 27 anos, recebeu pena de 26 anos e oito meses de reclusão porque foi tida como a responsável pela esganadura antes da queda. O ciúme que a madrasta tinha do marido com a filha dele, Isabella, e com a mãe da menina, Ana Carolina Oliveira, foi apontada como a motivação do crime.
Os Nardoni estão detidos na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo. A defesa deles ainda tenta anular o júri popular para a realização de um novo julgamento. Os dois dizem ser inocentes.
“A maior lição que ficou para sociedade é que a Justiça existe e é eficiente. Independentemente de todas as manobras que a defesa tenha feito, a Justiça se mostrou capaz de trazer à tona a culpa dos réus para que eles fossem condenados”, afirma a advogada Cristina Christo Leite, que também foi assistente da acusação no caso.
Leia abaixo a íntegra da entrevista que Ana Carolina Oliveira, agora com 26 anos, concedeu por escrito ao G1 para falar sobre as datas de três anos da morte da filha Isabella e a de um ano da condenação do casal Nardoni.
Foram mantidas as palavras do mesmo modo que foram escritas no e-mail.
G1 - Quase um ano depois, qual foi o significado da condenação dos réus acusados de matar Isabella para a sociedade?
Ana Carolina Oliveira - Pra mim, foi um sentimento de justiça feita. Ver que neste caso não houve impunidade, ou melhor, muito pelo contrário, pois vimos a dedicação, o profissionalismo do inicio ao fim.
G1- Se existe alguma lição, qual foi a que você aprendeu nesse período?
Ana Carolina - Neste caso existem muitas lições. Hoje ainda é difícil explicar exatamente, mas as feridas, seguidas do amadurecimento, tentam entrar em equilíbrio.
G1 - Você chegou a dar apoio a algumas famílias que tiveram seus parentes assassinados, como a mãe de Mércia Nakashima. Você pretende ajudar mais pessoas que, assim como você, perderam alguém de modo cruel ou violento?
Ana Carolina - Eu não tenho nenhum projeto concreto como uma ONG para esse tipo de ajuda. Eu como todo e qualquer cidadão se comove com tanto casos bárbaros e o descaso das pessoas pela vida humana, seja alguém da família ou alguém de longe, mas o que estiver ao meu alcance e o que eu puder fazer pra ajudar toda e qualquer pessoa que passe por algum sofrimento como o da perda eu farei com toda certeza.
G1 - Na última vez que concedeu uma entrevista ao G1, você comentou que iria retomar a vida. Passa pela sua cabeça como seria voltar a ser mãe, desde a gestação até o parto e a escolha do nome da criança?
Ana Carolina - A minha vida está sendo retomada um dia de cada vez. Com toda certeza e se Deus permitir quero ser mãe novamente. Não sei como vai ser como isso acontecer, mas é certeza que quero realizar esse sonho novamente.
G1 - Pensa em voltar a ter filhos, constituir uma nova família, se casar ou adotar uma criança?
Ana Carolina - Esses são uns dos meus grandes planos de vida.
G1 - Qual o significado dessas três datas para você: dia 27 de março (condenação do casal Nardoni), dia 29 de março (morte de Isabella), e dia 18 de abril (nascimento de sua filha)?
Ana Carolina - Com toda certeza essas datas são marcantes, mas eu diria que TODOS os dias são marcantes, pois ela não voltará NUNCA, e não apenas em algumas datas.
G1 - Quase um ano após a sentença do casal, porque você acha que sua filha foi morta?
Ana Carolina - Continuo com a mesma opinião. Um ciúme gerado, ou algo que tenha lembrado meu nome em algum momento seguido de discussões.
G1 - Em 2010, você afirmou que o pai de Isabella deveria ter zelado pela filha e não fez isso. Tem vontade de dizer algo agora aos parentes dos condenados ou ao casal?
Ana Carolina - Eu penso que tudo que houve desde que tudo aconteceu já disse TUDO. E continuo afirmando que quem deveria zelar pela vida dela seria ele.
G1 - Como está a Ana Carolina um ano após o julgamento e condenação dos acusados de matar sua filha?
Ana Carolina - Eu diria que mais madura, mais firme. Na verdade hoje faz um ano de julgamento seguido de três anos da ausência da minha filha.
G1 - Sua mãe tem uma tatuagem com o nome de Isabella para lembrar da neta dela. E você, como se recorda de sua filha?
Ana Carolina - Tem como esquecer um filho???
Kleber Thomaz
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domingo, 27 de março de 2011
Um ano após condenação, defesa do casal Nardoni ainda tenta anular júri
Alexandre e Anna Jatobá alegam inocência, diz advogado Roberto Podval. Pai e madrasta de Isabella estão presos pelo assassinato da menina em 2008.
Um ano após o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Jatobá, a defesa do casal ainda tenta anular o júri popular no Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo, que condenou os dois pelo assassinato de Isabella Nardoni. A menina de 5 anos foi encontrada morta no terraço do Edifício London, em 29 de março de 2008.
Em 27 de março de 2010, o pai da menina morta foi sentenciado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão sob a acusação de tê-la jogado da janela do sexto andar do prédio. A madrasta dela recebeu pena de 26 anos e oito meses de reclusão porque a teria esganado antes da queda. A motivação do crime teria sido o ciúmes que Anna teria de Alexandre com Isabella.
Os Nardoni estão detidos na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo. Segundo o advogado do casal, Roberto Podval, Alexandre e Anna ainda negam o crime que foi atribuído a eles e sustentam que são inocentes. Na época do julgamento, chegaram a cogitar a possibilidade de que Isabella teria sido morta por um assaltante que havia entrado escondido no apartamento ou até mesmo que a queda seria decorrente de um acidente doméstico. Por esse motivo, o defensor afirmou que aguarda a decisão sobre dois recursos no Poder Judiciário que pedem a nulidade do júri feito no ano passado e, consequentemente, a realização de um novo julgamento. Nesses casos, também existe a possibilidade de se cogitar a liberdade do casal nos pedidos. Os pedidos foram feitos ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Recursos contra o júri
O primeiro recurso, chamado ‘carta testemunhável’, deu entrada em 2010 pediu o reconhecimento do direito a um novo julgamento baseado na possibilidade que existia antes da reforma processual de 2008, intitulado ‘protesto por novo júri’, no qual réus condenados a penas superiores a 20 anos tinham direito a novo julgamento. A lei 11.689 entrou em vigor em 2008 e extinguiu esse direito.
A defesa do casal Nardoni argumentava que, como o crime ocorreu antes da publicação da lei, os dois tinham direito a protesto por novo júri. Como o pedido com a ‘carta testemunhável’ foi indeferido pelo TJ-SP em 2010, Podval recorreu. O advogado entrou em 26 de janeiro deste ano com um recurso extraordinário para que o mesmo recurso seja apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e um recurso especial para análise do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas para que o recurso siga adiante nessas instâncias superiores, ela precisa da admissão do tribunal paulista. Não há previsão para quando isso irá ocorrer.
O outro recurso pendente no TJ é uma apelação ingressada em 28 de maio de 2010. O pedido está com o desembargador Luis Soares de Mello, relator do processo. Para pedir a anulação do júri e a realização de um novo julgamento, Podval argumenta, entre outras coisas, que foram negados pedidos de diligências feitos pela defesa durante a fase processual. Esse pedido deverá ser apreciado ainda neste ano, provavelmente em abril. “O julgamento do casal Nardoni mostrou que a força social, o clamor público, impediu que se fizesse um julgamento justo. A justiça ainda não foi feita nesse caso”, disse Podval, na sexta-feira (25), por telefone ao G1. De acordo com o defensor de Alexandre e Anna, os dois se sentem injustiçados. “Tenho tido contato com eles, nos falamos neste ano. Como você acha que eles estão se sentindo sabendo que são inocentes e estão presos por um crime que não cometeram?”, indagou o advogado.
Apesar da comoção popular em querer condenar o casal em 2010 antes mesmo do julgamento, houve quem pensasse o contrário. Os médicos George Sanguinetti e Paulo Papandreu chegaram a trabalhar para os antigos defensores dos Nardoni e até escreveram livros posteriormente para apresentar suas teses para o homicídio que inocentavam Alexandre e Anna.
Mais recentemente, um homem postou um vídeo no site Youtube questionando a linha do tempo apresentada pelo Ministério Público, que colocava o casal na cena do crime.
Nardoni pelos Nardoni
Com a condição de não terem suas identidades reveladas, parentes do casal Nardoni informaram ao G1 que o casal continua se correspondendo por meio de cartas e recebendo a visita dos filhos na prisão masculina e feminina em Tremembé. Os dois meninos estudam em São Paulo. Familiares comentaram que as crianças chegaram a ter dificuldades para serem matriculadas em algumas instituições educacionais por causa do sobrenome, que era visto de modo pejorativo por algumas pessoas.
Amigos da família disseram que os parentes paternos de Isabella ainda visitam o túmulo da menina em dias que não coincidam com datas marcantes, como o dia em que ela morreu (29 de março) e nasceu (8 de abril).
O G1 não conseguiu localizar a mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, para comentar o assunto.
'Divisor de águas'
O promotor do caso, Francisco Cembranelli, afirmou na sexta-feira que discorda das razões apresentadas pela defesa dos Nardoni para pedir a anulação do júri. “Todos os direitos dos então suspeitos e depois réus foram respeitados, tanto pela polícia quanto pela Promotoria e Justiça”, disse o promotor. Para Cembranelli, o caso Isabella e o julgamento do casal foram emblemáticos e um divisor de águas para a investigação criminal brasileira.
“O caso foi acompanhado pela população que conheceu a qualidade do trabalho dos institutos da Polícia Técnico Científica. Foi um marco para a investigação policial, que passou a reivindicar aparelhamento melhor. Foi um divisor de águas mostrando que é possível mostrar qualidade no esclarecimento de um crime”, disse. Na opinião do promotor, o que foi determinante para condenação do casal foi o conjunto das provas técnicas e testemunhais.
“Ela permitiu analisar o caso e raciocinar sobre a conclusão lógica do que aconteceu”, disse ele. Procurado pelo para falar, o juiz Maurício Fossen, que presidiu o julgamento e deu a sentença, informou por meio da assessoria do TJ que não comentaria o caso.
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sábado, 26 de março de 2011
Um ano depois de julgamento, casal Nardoni pede redução de pena

O assassinato da menina Isabella Nardoni, de cinco anos, chocou o país e foi destaque no noticiário. Um ano após a condenação dos responsáveis pelo crime, completado neste sábado, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta respectivamente, reivindicam na Justiça a redução de pena.
O recurso foi encaminhado a 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo e é analisada pelo desembargador Luis Soares de Mello. A decisão deve sair em abril.
O pedido de redução de pena foi feito porque apenas a decisão do juiz, em relação ao tempo de detenção, pode ser contestada. A condenação, por meio de júri popular, se mantém soberana.
Crime
Nardoni foi preso sob a acusação de ter matado a própria filha, Isabella, ao jogá-la da janela do quinto andar do apartamento onde moravam, na zona norte de São Paulo. Sua mulher e madrasta da criança, Anna Carolina, foi acusada de participação no crime, ocorrido em março de 2008.
O pai da menina foi condenado a 31 anos, um mês e 10 dias de prisão por homicídio triplamente qualificado em regime fechado, além de oito meses de detenção em semiaberto por fraude processual qualificada.
A condenação de Anna Carolina foi semelhante: 26 anos e oito meses de reclusão por homicídio triplamente qualificado, em regime fechado, além de oito meses de detenção em semiaberto por fraude processual qualificada.
Desde então, a defesa do casal Nardoni tenta reverter a decisão da Justiça. O último recurso foi negado em 21 de setembro do ano passado. O argumento era o chamado “protesto por novo júri”, ferramenta jurídica que possibilitava um novo julgamento para réus condenados a mais de 20 anos, mas extinta em 2008.
O recurso foi encaminhado a 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo e é analisada pelo desembargador Luis Soares de Mello. A decisão deve sair em abril.
O pedido de redução de pena foi feito porque apenas a decisão do juiz, em relação ao tempo de detenção, pode ser contestada. A condenação, por meio de júri popular, se mantém soberana.
Crime
Nardoni foi preso sob a acusação de ter matado a própria filha, Isabella, ao jogá-la da janela do quinto andar do apartamento onde moravam, na zona norte de São Paulo. Sua mulher e madrasta da criança, Anna Carolina, foi acusada de participação no crime, ocorrido em março de 2008.
O pai da menina foi condenado a 31 anos, um mês e 10 dias de prisão por homicídio triplamente qualificado em regime fechado, além de oito meses de detenção em semiaberto por fraude processual qualificada.
A condenação de Anna Carolina foi semelhante: 26 anos e oito meses de reclusão por homicídio triplamente qualificado, em regime fechado, além de oito meses de detenção em semiaberto por fraude processual qualificada.
Desde então, a defesa do casal Nardoni tenta reverter a decisão da Justiça. O último recurso foi negado em 21 de setembro do ano passado. O argumento era o chamado “protesto por novo júri”, ferramenta jurídica que possibilitava um novo julgamento para réus condenados a mais de 20 anos, mas extinta em 2008.
Fabio Mendes
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Marilia Gabriela entrevista promotor do caso Nardoni no SBT

O “De Frente Com Gabi” deste domingo, 13 de fevereiro, à meia-noite, recebe o promotor Francisco Cembrabelli.
O programa De Frente Com Gabi, exibido pelo SBT, deste domingo, 13 de fevereiro, à meia-noite, recebe o promotor Francisco Cembrabelli. Com mais de 20 de experiência no tribunal de júri, Cembranelli se tornou conhecido em todo Brasil depois de atuar no Caso Isabella.
Abaixo, algumas frases da entrevista:
- Nunca escolhi estar exposto;
- O homem é naturalmente um ser bom;
- O promotor não tem obrigação de acusação;
- Para atuar no caso, eu preciso me convencer da verdade. Eu devo satisfação a minha consciência;
- Não sou dono da verdade;
- Houve uma dificuldade extrema (Caso Celso Daniel). Um grande número de pessoas morreu em circunstâncias misteriosas;
- A população começou a acompanhar o Caso Isabella como se fosse novela;
- A imprensa não tem o poder de criar provas.
http://www.vcfaz.net/viewtopic.php?t=145673
O programa De Frente Com Gabi, exibido pelo SBT, deste domingo, 13 de fevereiro, à meia-noite, recebe o promotor Francisco Cembrabelli. Com mais de 20 de experiência no tribunal de júri, Cembranelli se tornou conhecido em todo Brasil depois de atuar no Caso Isabella.
Abaixo, algumas frases da entrevista:
- Nunca escolhi estar exposto;
- O homem é naturalmente um ser bom;
- O promotor não tem obrigação de acusação;
- Para atuar no caso, eu preciso me convencer da verdade. Eu devo satisfação a minha consciência;
- Não sou dono da verdade;
- Houve uma dificuldade extrema (Caso Celso Daniel). Um grande número de pessoas morreu em circunstâncias misteriosas;
- A população começou a acompanhar o Caso Isabella como se fosse novela;
- A imprensa não tem o poder de criar provas.
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domingo, 14 de novembro de 2010
Perito do caso Isabella conta como é a profissão: 'Não pode se emocionar'
Perícia criminal é considerada fundamental para resolução de crimes.
Para se tornar um perito é preciso prestar concurso; veja dicas
Considerada ponto-chave em todas as investigações criminais, a perícia técnica vem ganhando destaque nos últimos anos por conta dos crimes de grande repercussão e que parecem ser de difícil solução. Além disso, seriados que mostram policiais ou peritos utilizando ciência e tecnologia para desvendar casos complexos também ajudam a aumentar o interesse pela área.
Para entender melhor qual o papel desses profissionais, o G1 acompanhou o trabalho de Sérgio Vieira Ferreira, 51 anos, perito que atuou em um dos crimes mais famosos na história recente do país. Ele estava de plantão na noite da morte da menina Isabella Nardoni, em março de 2008, e foi o primeiro perito a chegar à cena do crime, o apartamento de Alexandre Nardoni, condenado pela acusação de ter jogado a filha pela janela.
A ocorrência acompanhada pelo G1 na madrugada de uma quarta-feira em outubro foi a sétima do plantão de Sérgio Ferreira – um plantão de 24 horas. Em uma rua tranquila do bairro do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo, houve uma tentativa de assalto, por volta de 21h, com vítima baleada e socorrida com vida, segundo informações iniciais. A reportagem acompanhava o perito em outra ocorrência, no centro de São Paulo, quando Sérgio foi notificado da nova perícia.
A vítima era um homem de 50 anos. De acordo com testemunhas, ele saiu de carro de casa, a algumas quadras do local do crime, para comprar ração para o cachorro. Na tentativa de assalto, a vítima, em um Honda Civic, foi baleada. O assaltante fugiu. O motorista ainda correu pela rua em busca de ajuda, foi socorrido, mas não resistiu ao ferimento e morreu. A Polícia Civil informou que investiga o crime.
Ferreira disse à reportagem que um perito não pode se envolver com nenhum caso. "Somos policiais técnicos. É necessário coletar provas técnicas. Não pode se emocionar. Tem casos difíceis que, como ser humano, você tem que dar aquele breque. Mas vamos fazer o serviço e coletar o que tiver para coletar", afirmou.
O perito, no entanto, não escondeu que casos envolvendo crianças o "incomodam" mais. "Eu era o perito plantonista naquela noite [da morte de Isabella] e fui o primeiro da perícia a chegar ao local. Chegou como crime contra o patrimônio, que alguém havia invadido um apartamento e jogado a criança pela janela. Pensei no lógico. Se alguém invadiu, vai ter sinais de arrombamento. E fui percebendo que a história não batia. E os vestígios contam para a gente a história. O perito, com a experiência, aprende a ter esse tino."
Formado em biologia, Ferreira já trabalhou como professor e prestou concurso por incentivo do irmão, que é policial. "Ser perito para mim é uma profissão maravilhosa, a cada dia há casos diferentes. Não estamos aqui para condenar nem inocentar, mas para dar subsídios para que se tenha investigação honesta."
Tipos de perícia
São duas as áreas de atuação dentro da perícia criminal: o trabalho de campo, quando os peritos saem para a rua e vão ao local do crime coletar indícios para produção das provas, como faz Sérgio Ferreira; e o trabalho nos laboratórios, no qual os peritos fazem análise dos materiais coletados nos locais dos crimes.
Em São Paulo, a Polícia Técnico-Científica tem seis áreas laboratoriais para análise das provas obtidas na perícia de campo: física, química, análise instrumental, entorpecentes, balística e biologia/bioquímica.
O perito Adílson Pereira, físico que coordena os laboratórios da capital paulista, mostrou ao G1 um dos locais que despertam mais curiosidade em relação às investigações criminais: o laboratório de DNA forense. É lá que amostras de sangue ou outros materiais genéticos são analisados.
"No laboratório de DNA forense se faz análise para chegar ao perfil genético do material, que será comparado com suspeito, vítima ou parentes. Aqui é analisado todo material biológico: sangue, ossos, cabelo, material nas unhas da vítima que eventualmente tentou se defender arranhando outra pessoa. São materiais coletados no campo ou pelo médico legista, recolhido no cadáver ou no vivo que tenha ido fazer exame de corpo de delito", explica - veja no vídeo ao lado como é o laboratório e ouça mais sobre o trabalho do perito.
Pereira conta que nem sempre é fácil analisar esses materiais: "Muitas vezes analisamos material em decomposição, pode levar de alguns dias até seis meses. Às vezes o sangue ficou muitas horas exposto ao sol, isso torna mais difícil o trabalho."
O Instituto Médico Legal (IML) também faz parte da Polícia Técnica. Se, por acaso, balas são retiradas de vítimas pelos médicos legistas, esses materiais serão analisados nos laboratórios.
Concurso
Atualmente, para ser um perito criminal no Brasil só há uma porta de entrada: o concurso público. É preciso ter graduação completa em qualquer área. O concurso é geralmente formado por três etapas: a prova escrita de múltipla escolha, a prova oral e um curso de formação na Academia de Polícia, que dura quase um ano.
O perito é treinado como um policial comum, mas passa por especialização para atuar na área. O perito criminal pode e deve andar armado, destaca Adílson Pereira. "Somos policiais treinados. Temos que agir como policiais, mas estamos mais voltados para a área científica", afirmou.
Diretor do Núcleo de Perícias em Crimes contra a Pessoa da Polícia Técnica de São Paulo, José Antonio de Moraes explica ainda que durante a formação o perito estuda criminalística, organização policial, contenção de crises e abordagens, além de outros temas.
Para ele, para ser um bom perito é preciso ter vocação. "Precisa ser um indivíduo chamado vocacionado. Temos aqui formados em direito, biblioteconomia, não importa a área. Caso seja aprovado no concurso, passará por curso de formação e será treinado."
"Tem gente que entra, fica três meses, e depois não quer mais voltar. Não pode se envolver emocionalmente com o crime. Isso não é frieza, é profissionalismo. (...) A perícia é imparcial. Não importa se os vestígios ajudarem a defesa ou a acusação. O processo tem dois tipos de prova, a testemunhal e a técnica. Pessoas mentem, vestígios jamais", comenta o perito Moraes.
Enquanto que para ser perito de campo não há exigência sobre área de formação, para atuar nos laboratórios, em muitos casos, é necessário ter conhecimento específico.
"Nos laboratórios, damos preferência a quem tem formação, mas não necessariamente quem tem habilitação vai atuar dentro daquela área. Temos uma formação que habilita ao atendimento na cena do crime e, quando tem necessidade de especialista, buscamos dentro dos quadros. Um biólogo não necessariamente vai atuar no laboratório de biologia. Pode atuar também no campo", explicou o físico Adílson Pereira, que chefia os laboratórios de São Paulo.
Além de peritos criminais, as perícias estaduais têm ainda fotógrafos e desenhistas, que também são concursados. Eles fotografam os locais dos crimes e fazem desenhos para simular situações.
A organização das perícias varia de acordo com cada estado. Em alguns casos, os órgãos são subordinados diretamente à Secretaria de Segurança Pública estadual e têm independência em relação às polícias civil e militar. Em outros estados, as polícias técnicas são subordinadas às polícias civis.
Em São Paulo, há expectativa sobre a abertura de um grande concurso em 2011, com cerca de mil vagas, mas a Secretaria de Segurança Pública do estado não confirmou.
Efeito 'CSI'
Presidente da Associação Brasileira de Criminalística (ABC), o perito paraibano Humberto Pontes diz que há falta de pessoal em todas as perícias do país e avalia que a abertura de concursos é necessária.
"Estudos dão conta de que é preciso 1 perito para cada 5 mil habitantes, e isso não acontece. (...) É preciso abrir concurso", afirmou.
Em São Paulo, a Polícia Científica tem 3,2 mil funcionários – dos quais 1,1 mil são peritos. A cidade tem 11 milhões de habitantes. São, portanto, 10 mil habitantes para cada perito.
Pontes, da ABC, diz que há demanda para preenchimento dos cargos. “Tem bastante gente interessada. Tenho recebido estudantes e graduados interessados sobre onde tem concurso. Isso é efeito CSI, que tem feito uma divulgação enorme da perícia", comenta, citando o seriado de TV norte-americano.
Adílson Pereira, do laboratório da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, comenta que há, inclusive, semelhança entre a realidade da perícia e as séries de televisão que atraem os jovens para a profissão.
"A consultoria para esses seriados é muito boa. Os equipamentos são os mesmos de que dispomos. Evidentemente que nos seriados mostram os produtos ‘top de linha’. As técnicas utilizadas são parecidas. A diferença é que lá eles fecham os episódios em 40 minutos. Aqui, não recebemos o roteiro, é uma incógnita. Não dá para fechar em 40 minutos, às vezes demora seis meses para fechar um caso."
Moraes, do Núcleo de Crimes contra a Pessoa, concorda: "CSI realmente mostra o trabalho que se faz. CSI americana é um pouco diferente porque o perito é policial. Aqui o perito aparece só depois que o crime acontece."
O perito Sérgio Ferreira, que o G1 acompanhou no trabalho de campo, não concorda tanto assim: "Lá dá tudo certo, colhem a impressão digital e sabem até a cor dos olhos da pessoa. Coisas que não têm nada a ver. Mas é Hollywood. Tem que ter magia", comenta, aos risos.
Investimentos
Para tornar a perícia no Brasil mais moderna, o governo federal anunciou novos investimentos nos últimos meses. O secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Ballestreri, informou que até o final deste ano serão aplicados R$ 100 milhões para modernização dos órgãos. Kits básicos já foram entregues aos estados, conforme o Ministério da Justiça.
"Pelo país, os níveis são díspares. Algumas perícias têm boas condições e outras não têm nada. Vamos tentar criar padronização mínima para que se possa dizer que o Brasil inteiro tem condição de trabalho na perícia."
Na avaliação de Ballestreri, o crime é uma "atividade cada vez mais complexa" e a tecnologia é necessária para combatê-lo.
"Queremos com isso [investimentos] aumentar o índice de resolução de crimes. (...) No nosso país, durante décadas o modelo predominante da segurança pública foi fundamentado na força bruta.. (...) Se força bruta resolvesse alguma coisa, mas já se sabe que não se resolve nada. Temos que ingressar na era da tecnologia definitivamente."
Ballestreri diz que pesquisas de acadêmicos utilizadas pelo governo dão conta de que o índice de resolução de crimes nos estados está entre 30% e 70% dos casos. "Tem estados que superam a média. outros têm média inferior a 30%. (...) Isso passa para a população a impressão ou certeza de impunidade. Acaba sendo fator gerador de crimes."
Equipamentos
Um perito de campo, quando sai para seu trabalho, leva consigo uma maleta com objetos simples, mas que são fundamentais para o trabalho. Entre eles há pinça, lanterna e outros - confira no infográfico abaixo para o que serve cada um.
Além do material básico, há ainda itens mais complexos, mas que ficaram famosos por conta das investigações criminais de repercussão e dos seriados. São eles o luminol, também conhecido como bluestar, e as luzes forenses. O luminol serve para detectar manchas de sangue, e as luzes são, na verdade, faróis possantes com infravermelho que revelam a presença de substâncias orgânicas.
No acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas, há dois anos, as luzes forenses foram usadas para localização de restos mortais, conforme explicou José Antonio de Moraes, do Núcleo de Crimes Contra a Pessoa da polícia técnica paulista.
"No acidente da TAM, embora tenha ocorrido investigação por parte do núcleo de engenharia, o núcleo de crimes contra pessoa também atuou. Foram usadas as luzes forenses. O avião bateu no prédio e caiu metade do prédio. Pegou fogo, explodiu, caiu outra parte. Sobrou pó, misturado com plástico, madeira e restos mortais. Fomos procurar vestígios de material orgânico para tentar ajudar na identificação dos corpos. E conseguimos ajudar."
G1
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domingo, 10 de outubro de 2010
A justiça foi feita, diz mãe de Isabella

Ana Carolina de Oliveira afirma que ''o vazio ficou'' e conta como foram os dias de isolamento, sem poder acompanhar o julgamento
"Hoje eu não pude acordar e ter o abraço da minha filha. A Justiça foi feita? Foi. Mas o vazio ficou. Minha filha não vai voltar", disse ontem a mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, sobre o resultado do júri que condenou o casal Nardoni pela morte da menina.
Ana Carolina falou por cerca de 20 minutos com repórteres que estavam na frente do prédio em que mora com os pais, na Vila Maria, na zona norte da capital. Ela chegou para a entrevista acompanhada de parentes e da mãe, Rosa Maria Oliveira. Durante a conversa, ficou abraçada a uma menina, filha de uma vizinha. Aparentava cansaço e afirmou que só conseguiu dormir às 5h. "Estou morrendo de dor de cabeça. A adrenalina estava alta e não dormi", disse Ana Carolina.
Antes de conversar com os jornalistas, a mãe de Isabella almoçou e conversou com seu terapeuta. "A terapia me ajudou a enfrentar esse momento. Mas diria que esta semana me fez regressar os dois anos de tratamento que estou fazendo."
Choro. No início da entrevista, ela aparentava tranquilidade, mas se abalou e chorou ao falar da morte da filha, que completará dois anos amanhã. "A saudade só aumenta, nunca diminui."
A respeito da sentença, Ana Carolina disse que estava confiante no resultado e que a condenação foi justa. "A atuação do juiz Maurício Fossen foi competente", disse. "As provas estavam claras no processo." Em menos de dez anos, Alexandre Nardoni poderá ser solto e cumprir a pena em regime semiaberto. Anna Jatobá, em oito anos. A mãe de Isabella, no entanto, disse que não pensa nisso. "Não entendo de Direito. Acho que neste caso existe uma falha. Mas por agora é continuar seguindo em frente."
Sobre os fogos de artifício lançados por populares na frente do fórum ao final do julgamento, Ana Carolina disse que foi uma maneira de as pessoas "expressarem o que sentiam por aquela maldade".
Reclusão. Segundo ela, um dos momentos mais traumáticos durante o julgamento foram os quatro dias em que ficou reclusa em uma sala do Fórum. "Achei cruel o advogado (Roberto Podval) pedir para eu ficar." Ela também descreveu a sala: "Era pequena, sem ventilação e janelas." Enquanto esteve reclusa, sua pressão arterial chegou a cair. "Podval tinha receio que eu falasse com a imprensa quando saísse e o juiz acatou."
Durante o julgamento, Ana Carolina não conseguiu ver os rostos de Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni. "Fiquei sentada em um local que não conseguia enxergá-los. Um estenógrafo ficou na minha frente."
A movimentação na frente da casa da família começou por volta das 7h, quando o pai de Ana Carolina, José Oliveira, saiu para comprar pão e disse à imprensa que tirou um peso das costas. "Esperei dois anos. Queria justiça e ela foi feita."
Gladiadores da Justiça
"Hoje eu não pude acordar e ter o abraço da minha filha. A Justiça foi feita? Foi. Mas o vazio ficou. Minha filha não vai voltar", disse ontem a mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, sobre o resultado do júri que condenou o casal Nardoni pela morte da menina.
Ana Carolina falou por cerca de 20 minutos com repórteres que estavam na frente do prédio em que mora com os pais, na Vila Maria, na zona norte da capital. Ela chegou para a entrevista acompanhada de parentes e da mãe, Rosa Maria Oliveira. Durante a conversa, ficou abraçada a uma menina, filha de uma vizinha. Aparentava cansaço e afirmou que só conseguiu dormir às 5h. "Estou morrendo de dor de cabeça. A adrenalina estava alta e não dormi", disse Ana Carolina.
Antes de conversar com os jornalistas, a mãe de Isabella almoçou e conversou com seu terapeuta. "A terapia me ajudou a enfrentar esse momento. Mas diria que esta semana me fez regressar os dois anos de tratamento que estou fazendo."
Choro. No início da entrevista, ela aparentava tranquilidade, mas se abalou e chorou ao falar da morte da filha, que completará dois anos amanhã. "A saudade só aumenta, nunca diminui."
A respeito da sentença, Ana Carolina disse que estava confiante no resultado e que a condenação foi justa. "A atuação do juiz Maurício Fossen foi competente", disse. "As provas estavam claras no processo." Em menos de dez anos, Alexandre Nardoni poderá ser solto e cumprir a pena em regime semiaberto. Anna Jatobá, em oito anos. A mãe de Isabella, no entanto, disse que não pensa nisso. "Não entendo de Direito. Acho que neste caso existe uma falha. Mas por agora é continuar seguindo em frente."
Sobre os fogos de artifício lançados por populares na frente do fórum ao final do julgamento, Ana Carolina disse que foi uma maneira de as pessoas "expressarem o que sentiam por aquela maldade".
Reclusão. Segundo ela, um dos momentos mais traumáticos durante o julgamento foram os quatro dias em que ficou reclusa em uma sala do Fórum. "Achei cruel o advogado (Roberto Podval) pedir para eu ficar." Ela também descreveu a sala: "Era pequena, sem ventilação e janelas." Enquanto esteve reclusa, sua pressão arterial chegou a cair. "Podval tinha receio que eu falasse com a imprensa quando saísse e o juiz acatou."
Durante o julgamento, Ana Carolina não conseguiu ver os rostos de Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni. "Fiquei sentada em um local que não conseguia enxergá-los. Um estenógrafo ficou na minha frente."
A movimentação na frente da casa da família começou por volta das 7h, quando o pai de Ana Carolina, José Oliveira, saiu para comprar pão e disse à imprensa que tirou um peso das costas. "Esperei dois anos. Queria justiça e ela foi feita."
Gladiadores da Justiça
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domingo, 26 de setembro de 2010
“Nós não somos insensíveis”

O promotor Francisco Cembranelli valida a cobertura midiática em situações que chocam a opinião pública e confessa o seu envolvimento emocional nos casos em que atua
Por José Roberto Gomes Júnior, Priscila Pires e Raphael Scire
A morte da menina Isabella Nardoni, em março de 2008, abalou o País e gerou uma onda de informações e conteúdos por parte da mídia. Passados dois anos do incidente, os meios de comunicação novamente bombardearam o público com notícias, só que desta vez sobre o julgamento dos acusados de cometerem o crime, o pai Alexandre Nardoni e a madrasta Ana Carolina Jatobá, considerados culpados pelo Júri.
Foi exatamente por causa disso que o nome de Francisco José Taddei Cembranelli, 49 anos, ficou conhecido nacional e internacionalmente. A atuação do Promotor de Justiça no caso foi ao encontro do anseio público, de modo que o resultado do julgamento veio a impulsionar sua carreira e significou a apoteose do caminho profissional.
“Sou vítima da violência da mesma forma como qualquer ser humano”
Mesmo durante o curso do julgamento do Caso Isabella, Cembranelli não abandonou os demais casos em que trabalhava. “Nunca me afastei das minhas outras funções. Sempre fiz Júri, mesmo durante os momentos mais críticos do Caso Isabella”. Reconhece, entretanto, que teve a rotina alterada, em parte por conta do assédio da imprensa, ávida por novas informações a respeito das investigações.
“Se disser que tratei do Caso Isabella e que ele representa para mim exatamente a mesma coisa que qualquer outro caso, estaria mentido. Houve uma dedicação extrema, que costumo dispensar aos casos que passam por mim”
Por José Roberto Gomes Júnior, Priscila Pires e Raphael Scire
A morte da menina Isabella Nardoni, em março de 2008, abalou o País e gerou uma onda de informações e conteúdos por parte da mídia. Passados dois anos do incidente, os meios de comunicação novamente bombardearam o público com notícias, só que desta vez sobre o julgamento dos acusados de cometerem o crime, o pai Alexandre Nardoni e a madrasta Ana Carolina Jatobá, considerados culpados pelo Júri.
Foi exatamente por causa disso que o nome de Francisco José Taddei Cembranelli, 49 anos, ficou conhecido nacional e internacionalmente. A atuação do Promotor de Justiça no caso foi ao encontro do anseio público, de modo que o resultado do julgamento veio a impulsionar sua carreira e significou a apoteose do caminho profissional.
“Sou vítima da violência da mesma forma como qualquer ser humano”
Mesmo durante o curso do julgamento do Caso Isabella, Cembranelli não abandonou os demais casos em que trabalhava. “Nunca me afastei das minhas outras funções. Sempre fiz Júri, mesmo durante os momentos mais críticos do Caso Isabella”. Reconhece, entretanto, que teve a rotina alterada, em parte por conta do assédio da imprensa, ávida por novas informações a respeito das investigações.
“Se disser que tratei do Caso Isabella e que ele representa para mim exatamente a mesma coisa que qualquer outro caso, estaria mentido. Houve uma dedicação extrema, que costumo dispensar aos casos que passam por mim”
Ele admite que até os profissionais do Direito são sensibilizados em julgamentos como esse. “Antes de ser promotor, sou cidadão, sou pai de família. Sou vítima da violência da mesma forma como qualquer ser humano.”
“Respeito profundamente o trabalho da imprensa, entendo que ela deve exercer esse papel de informar”
“Respeito profundamente o trabalho da imprensa, entendo que ela deve exercer esse papel de informar”
Em relação à aplicação da lei, Cembranelli é claro em suas opiniões: “Não podemos estabelecer essa visão maniqueísta de que só os bons merecem a aplicação dos direitos”. Ele afirma, também, que precisa haver uma discussão mais aprimorada acerca dos direitos sociais no Brasil e que se faz necessária uma atuação conjunta entre Governo e ONG´s para que o país assuma uma posição de primeiro mundo no que diz respeito aos direitos humanos.
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terça-feira, 21 de setembro de 2010
Justiça de SP nega anulação do julgamento de casal Nardoni

Tribunal de Justiça de São Paulo negou, nesta terça-feira (21), provimento ao recurso apresentado pela defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que tentava a anulação do julgamento no qual o casal foi condenado pela morte da menina Isabella Nardoni, filha do acusado.
Os advogados haviam entrado com a solicitação em abril deste ano, reivindicado novo júri. A defesa contestou também a decisão do juiz Maurício Fossen, da 2ª Vara do Júri de Santana, que não recebeu o pedido de apelação do casal. Ainda cabe recurso.
Segundo a assessoria de comunicação do TJ-SP, o recurso foi baseado "em uma possibilidade existente antes da reforma processual de 2008, chamado 'protesto por novo júri', no qual os réus condenados à pena superior a 20 anos tinham direito a novo julgamento". A Lei 11.689/2008, entretanto, extinguiu essa possibilidade.
Ainda conforme a assessoria, a defesa alegava que, como o crime havia ocorrido antes da publicação da lei, Alexandre e Anna Jatobá teriam direito ao protesto por novo júri.
Na interpretação dos desembargadores da 4ª Câmara Criminal, vale a regra em vigor no dia em que a decisão do júri foi proferida, ou seja, os réus, julgados em março deste ano, não teriam o direito. A decisão foi unânime.
O crime
O crime aconteceu em março de 2008, quando Isabella tinha 5 anos. A menina teria sido atirada do 6º andar do edifício London, onde Alexandre e Anna Carolina moravam com seus outros dois filhos.
As investigações da polícia apontaram o pai e a madrasta da criança como os principais suspeitos pelo assassinato. Levado a júri popular, o casal foi condenado no início do ano por homicídio triplamente qualificado.
Alexandre recebeu pena de 31 anos, 1 mês e 10 dias, sanção agravada por ser pai de Isabella. Anna Carolina foi condenada a 26 anos e 8 meses, em regime fechado.
Os advogados haviam entrado com a solicitação em abril deste ano, reivindicado novo júri. A defesa contestou também a decisão do juiz Maurício Fossen, da 2ª Vara do Júri de Santana, que não recebeu o pedido de apelação do casal. Ainda cabe recurso.
Segundo a assessoria de comunicação do TJ-SP, o recurso foi baseado "em uma possibilidade existente antes da reforma processual de 2008, chamado 'protesto por novo júri', no qual os réus condenados à pena superior a 20 anos tinham direito a novo julgamento". A Lei 11.689/2008, entretanto, extinguiu essa possibilidade.
Ainda conforme a assessoria, a defesa alegava que, como o crime havia ocorrido antes da publicação da lei, Alexandre e Anna Jatobá teriam direito ao protesto por novo júri.
Na interpretação dos desembargadores da 4ª Câmara Criminal, vale a regra em vigor no dia em que a decisão do júri foi proferida, ou seja, os réus, julgados em março deste ano, não teriam o direito. A decisão foi unânime.
O crime
O crime aconteceu em março de 2008, quando Isabella tinha 5 anos. A menina teria sido atirada do 6º andar do edifício London, onde Alexandre e Anna Carolina moravam com seus outros dois filhos.
As investigações da polícia apontaram o pai e a madrasta da criança como os principais suspeitos pelo assassinato. Levado a júri popular, o casal foi condenado no início do ano por homicídio triplamente qualificado.
Alexandre recebeu pena de 31 anos, 1 mês e 10 dias, sanção agravada por ser pai de Isabella. Anna Carolina foi condenada a 26 anos e 8 meses, em regime fechado.
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Justiça de SP julga nesta terça recurso para anular júri do caso Isabella

O Tribunal de Justiça de São Paulo analisa nesta terça-feira (21) um recurso que pede um novo julgamento para o casal Alexandre Nardoni e de Anna Carolina Jatobá --condenados pelo assassinato de Isabella, 5, filha de Alexandre.
Isabella morreu no dia 29 de março de 2008, ao ser jogada do sexto andar do prédio onde moravam o pai e a madrasta. Os acusados foram condenados, em março deste ano, por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (por ter alterado a cena do crime). Alexandre foi condenado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão por homicídio triplamente qualificado: por ter sido usado meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima, e para garantir a ocultação de crime anterior. Já Anna Carolina foi condenada a 26 anos e oito meses de prisão.
Cinco meses após a morte da criança, entrou em vigor uma nova lei que revogou o direito de um novo júri popular em casos de condenações iguais ou superiores a 20 anos de detenção --que era previsto nos artigos 607 e 608 do Código de Processo Penal. O recurso, chamado carta testemunhável, é contra o indeferimento de um novo júri pelo juiz Maurício Fossen, dado com base já na alteração da
legislação.
"A minha questão é absolutamente técnica. O que está se discutindo é se esse recurso for um recurso processual, vale a partir da mudança da lei. Se ele for de matéria penal, ele tem que valer para todos os casos que aconteceram antes da mudança da lei. Não achamos jurisprudência sobre esse caso, vai ser o início de uma discussão que certamente chegará ao Supremo [Tribunal Federal] sobre a possibilidade de o novo júri retroagir", afirmou à Folha Roberto Podval, advogado do casal.
Para o advogado, a matéria é penal e, portanto, caberia recurso. "O recurso trata exclusivamente da pena e só existia em função da pena aplicada, não tem pressuposto, apenas haver uma pena maior de 20 anos", disse Podval.
O Ministério Público emitiu parecer contrário ao recurso. "A simples fixação de condenação penal igual ou superior a 20 anos para a admissão de protesto por novo júri, não transmite o dispositivo de sua natureza exclusivamente processual também para o penal (...) Tratava-se, sem dúvida, apenas de norma reguladora de recurso dentro do processo, jamais repercutindo sobre o estabelecimento ou cumprimento da pena pelo crime contra a vida cometido", diz o parecer do órgão.
Caso a Justiça aprove o recurso da defesa, um novo júri será marcado. Se o recurso for indeferido, Podval vai encaminhar a questão para o STF (Supremo Tribunal Federal).
Isabella morreu no dia 29 de março de 2008, ao ser jogada do sexto andar do prédio onde moravam o pai e a madrasta. Os acusados foram condenados, em março deste ano, por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (por ter alterado a cena do crime). Alexandre foi condenado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão por homicídio triplamente qualificado: por ter sido usado meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima, e para garantir a ocultação de crime anterior. Já Anna Carolina foi condenada a 26 anos e oito meses de prisão.
Cinco meses após a morte da criança, entrou em vigor uma nova lei que revogou o direito de um novo júri popular em casos de condenações iguais ou superiores a 20 anos de detenção --que era previsto nos artigos 607 e 608 do Código de Processo Penal. O recurso, chamado carta testemunhável, é contra o indeferimento de um novo júri pelo juiz Maurício Fossen, dado com base já na alteração da
legislação."A minha questão é absolutamente técnica. O que está se discutindo é se esse recurso for um recurso processual, vale a partir da mudança da lei. Se ele for de matéria penal, ele tem que valer para todos os casos que aconteceram antes da mudança da lei. Não achamos jurisprudência sobre esse caso, vai ser o início de uma discussão que certamente chegará ao Supremo [Tribunal Federal] sobre a possibilidade de o novo júri retroagir", afirmou à Folha Roberto Podval, advogado do casal.
Para o advogado, a matéria é penal e, portanto, caberia recurso. "O recurso trata exclusivamente da pena e só existia em função da pena aplicada, não tem pressuposto, apenas haver uma pena maior de 20 anos", disse Podval.
O Ministério Público emitiu parecer contrário ao recurso. "A simples fixação de condenação penal igual ou superior a 20 anos para a admissão de protesto por novo júri, não transmite o dispositivo de sua natureza exclusivamente processual também para o penal (...) Tratava-se, sem dúvida, apenas de norma reguladora de recurso dentro do processo, jamais repercutindo sobre o estabelecimento ou cumprimento da pena pelo crime contra a vida cometido", diz o parecer do órgão.
Caso a Justiça aprove o recurso da defesa, um novo júri será marcado. Se o recurso for indeferido, Podval vai encaminhar a questão para o STF (Supremo Tribunal Federal).
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domingo, 5 de setembro de 2010
Justiça foi feita , diz Ilana Casoy

O júri do rumoroso caso da menina Isabella Nardoni, que morreu aos cinco anos após sofrer uma queda do sexto andar do apartamento em que morava, foi acompanhado pela autora e pesquisadora de crimes violentos Ilana Casoy.
No livro "A Prova é a Testemunha", Casoy recria os cinco dias de julgamento e mostra como a perícia técnica conseguiu incriminar o casal Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni no assassinato de Isabella.
Uma série de indícios colocou em xeque a versão do pai e da madrasta: havia vestígios de sangue no apartamento, Isabella tinha marcas de asfixia e quebrou apenas um pulso na queda. Havia também o relato de vizinhos que teriam ouvido a menina gritar "Para, pai! Para, pai!" e marcas da tela do apartamento foram encontradas na camiseta de Alexandre.
A linha do tempo feita pelo promotor Francisco Cembranelli e o depoimento dos peritos que trabalharam no caso foram considerados, pela autora, os pontos fortes da acusação para condenar o casal Nardoni. A dupla foi condenada por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (por ter alterado a cena do crime). De acordo com a sentença, no total, Alexandre foi condenado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão por homicídio triplamente qualificado, pelo fato de ter sido cometido contra menor de 14 anos e agravado por ser contra descendente. Ele também foi condenado a oito meses pelo crime de fraude processual, em regime semiaberto.
Já Anna Carolina foi condenada a 26 anos e oito meses de prisão, por homicídio triplamente qualificado, cometido contra menor de 14 anos, e mais oito meses pelo crime de fraude processual, também em regime semiaberto.
Em entrevista à Livraria da folha, Ilana Casoy conta que Alexandre Nardoni é seguro, dominante no casal, tem um discurso mais preparado. Já Anna Jatobá é mais nervosa.
Veja entrevista:
Livraria da Folha -O que a senhora destacaria do júri da menina Isabella?
Ilana Casoy- A imprensa observou o julgamento em partes, porque havia um rodízio a ser obedecido pelos jornalistas. Minha observação do júri foi ininterrupta, de forma que pude contá-lo na sua totalidade, fazendo com que o leitor "assista" por inteiro o que aconteceu no plenário durante os cinco dias do julgamento. Assim, cada um pode ouvir defesa e acusação, sendo também jurado dessa história.
Livraria da Folha - Você teve contato com as famílias envolvidas? Qual foi a reação diante da sentença final?
Casoy- Não gostaria de falar sobre a família na divulgação do livro. Contei apenas o que aconteceu no júri, fazendo com que o meu leitor participasse de tudo. Cada dia constitui um capítulo do livro, e o momento da sentença é o epílogo.
Livraria da Folha -Qual era o ambiente do júri?
Casoy- O ambiente do júri é sempre de muita tensão e emoção, mesmo naqueles em que não há plateia. Vidas serão decididas, provas apresentadas, respostas dadas. Ali ninguém está feliz, todos perdem ou perderam, são vidas marcadas para sempre.
Livraria da Folha - Como você define Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá?
Casoy- Alexandre é seguro, dominante no casal, tem um discurso mais preparado e muitas vezes se insurgiu quanto a essa ou aquela pergunta. Anna Carolina é mais ansiosa, nervosa, fala muito depressa, se atropela nas palavras e explicações. Alexandre é mais razão, Anna Carolina mais emoção.
Livraria da Folha - A comoção da sociedade com o caso foi muito grande, isso era claramente percebido dentro do júri?
Casoy- O júri é um mundo separado. Quando você entra no plenário, tudo em volta silencia, as pessoas prestam concentrada atenção no que está sendo perguntado e respondido por quem esta sendo ouvido. Os jurados ficam "sequestrados", não sabem o que se passa lá fora. E como a decisão é unicamente deles, é isso que importa, que possam decidir com tranquilidade. Só souberam o que aconteceu do lado de fora da sala quando acabou o julgamento, o juiz jamais permitiria que houvesse qualquer tipo de interferência dentro do plenário. Apesar da emoção que cada pessoa pudesse carregar consigo, qualquer manifestação estava fora de cogitação.
Livraria da Folha - O que você acha do júri ter se tornado um "evento"?
Casoy- Não sabemos por que certos casos ganham o interesse público e outros não. Na mesma época do caso Isabella eu estava naquele mesmo fórum estudando o caso do menino Elvis, no qual a mãe era acusada de tê-lo assassinado. Não saiu uma linha sequer nos noticiários, mas também tratava-se de crime onde a linha do sagrado é rompida. Esses crimes são particularmente chocantes, porque a pessoa que deveria amar e proteger a vítima é o seu algoz. São situações difíceis de compreender e aceitar.
Livraria da Folha - De todos os crimes que já tenha pesquisado, acredita que esse tenha sido o mais complexo?
Casoy- A complexidade pode ter várias facetas: emocionais, periciais, técnico-jurídicas e etc. Nenhum caso é "o mais" em tudo, cada um é um e tem sua particularidade. A dificuldade maior talvez tenha sido mostrar aos jurados seis mil páginas de informações em apenas 5 dias, em um caso em que os réus negavam autoria e a perícia os apontava como culpados através de provas técnicas, além de todos os casos de crimes em família serem especialmente dolorosos. Este não fugiu a regra.
Livraria da Folha - Foi feito justiça no caso Isabella?
Casoy- Sempre que um caso é julgado pelo júri popular, acredito sim que justiça foi feita. São sete pessoas do povo, completamente leigas, que votam em segredo e não tem que explicar porque absolveram ou condenaram. Hoje em dia, para protegê-los ainda mais, são contados apenas os votos até que se tenha maioria, de forma que nós nem ficamos sabendo quantos votaram de cada maneira. Assim ninguém pode ser cobrado por ter acreditado na culpa ou inocência de alguém.
No livro "A Prova é a Testemunha", Casoy recria os cinco dias de julgamento e mostra como a perícia técnica conseguiu incriminar o casal Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni no assassinato de Isabella.
Uma série de indícios colocou em xeque a versão do pai e da madrasta: havia vestígios de sangue no apartamento, Isabella tinha marcas de asfixia e quebrou apenas um pulso na queda. Havia também o relato de vizinhos que teriam ouvido a menina gritar "Para, pai! Para, pai!" e marcas da tela do apartamento foram encontradas na camiseta de Alexandre.
A linha do tempo feita pelo promotor Francisco Cembranelli e o depoimento dos peritos que trabalharam no caso foram considerados, pela autora, os pontos fortes da acusação para condenar o casal Nardoni. A dupla foi condenada por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (por ter alterado a cena do crime). De acordo com a sentença, no total, Alexandre foi condenado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão por homicídio triplamente qualificado, pelo fato de ter sido cometido contra menor de 14 anos e agravado por ser contra descendente. Ele também foi condenado a oito meses pelo crime de fraude processual, em regime semiaberto.
Já Anna Carolina foi condenada a 26 anos e oito meses de prisão, por homicídio triplamente qualificado, cometido contra menor de 14 anos, e mais oito meses pelo crime de fraude processual, também em regime semiaberto.
Em entrevista à Livraria da folha, Ilana Casoy conta que Alexandre Nardoni é seguro, dominante no casal, tem um discurso mais preparado. Já Anna Jatobá é mais nervosa.
Veja entrevista:
Livraria da Folha -O que a senhora destacaria do júri da menina Isabella?
Ilana Casoy- A imprensa observou o julgamento em partes, porque havia um rodízio a ser obedecido pelos jornalistas. Minha observação do júri foi ininterrupta, de forma que pude contá-lo na sua totalidade, fazendo com que o leitor "assista" por inteiro o que aconteceu no plenário durante os cinco dias do julgamento. Assim, cada um pode ouvir defesa e acusação, sendo também jurado dessa história.
Livraria da Folha - Você teve contato com as famílias envolvidas? Qual foi a reação diante da sentença final?
Casoy- Não gostaria de falar sobre a família na divulgação do livro. Contei apenas o que aconteceu no júri, fazendo com que o meu leitor participasse de tudo. Cada dia constitui um capítulo do livro, e o momento da sentença é o epílogo.
Livraria da Folha -Qual era o ambiente do júri?
Casoy- O ambiente do júri é sempre de muita tensão e emoção, mesmo naqueles em que não há plateia. Vidas serão decididas, provas apresentadas, respostas dadas. Ali ninguém está feliz, todos perdem ou perderam, são vidas marcadas para sempre.
Livraria da Folha - Como você define Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá?
Casoy- Alexandre é seguro, dominante no casal, tem um discurso mais preparado e muitas vezes se insurgiu quanto a essa ou aquela pergunta. Anna Carolina é mais ansiosa, nervosa, fala muito depressa, se atropela nas palavras e explicações. Alexandre é mais razão, Anna Carolina mais emoção.
Livraria da Folha - A comoção da sociedade com o caso foi muito grande, isso era claramente percebido dentro do júri?
Casoy- O júri é um mundo separado. Quando você entra no plenário, tudo em volta silencia, as pessoas prestam concentrada atenção no que está sendo perguntado e respondido por quem esta sendo ouvido. Os jurados ficam "sequestrados", não sabem o que se passa lá fora. E como a decisão é unicamente deles, é isso que importa, que possam decidir com tranquilidade. Só souberam o que aconteceu do lado de fora da sala quando acabou o julgamento, o juiz jamais permitiria que houvesse qualquer tipo de interferência dentro do plenário. Apesar da emoção que cada pessoa pudesse carregar consigo, qualquer manifestação estava fora de cogitação.
Livraria da Folha - O que você acha do júri ter se tornado um "evento"?
Casoy- Não sabemos por que certos casos ganham o interesse público e outros não. Na mesma época do caso Isabella eu estava naquele mesmo fórum estudando o caso do menino Elvis, no qual a mãe era acusada de tê-lo assassinado. Não saiu uma linha sequer nos noticiários, mas também tratava-se de crime onde a linha do sagrado é rompida. Esses crimes são particularmente chocantes, porque a pessoa que deveria amar e proteger a vítima é o seu algoz. São situações difíceis de compreender e aceitar.
Livraria da Folha - De todos os crimes que já tenha pesquisado, acredita que esse tenha sido o mais complexo?
Casoy- A complexidade pode ter várias facetas: emocionais, periciais, técnico-jurídicas e etc. Nenhum caso é "o mais" em tudo, cada um é um e tem sua particularidade. A dificuldade maior talvez tenha sido mostrar aos jurados seis mil páginas de informações em apenas 5 dias, em um caso em que os réus negavam autoria e a perícia os apontava como culpados através de provas técnicas, além de todos os casos de crimes em família serem especialmente dolorosos. Este não fugiu a regra.
Livraria da Folha - Foi feito justiça no caso Isabella?
Casoy- Sempre que um caso é julgado pelo júri popular, acredito sim que justiça foi feita. São sete pessoas do povo, completamente leigas, que votam em segredo e não tem que explicar porque absolveram ou condenaram. Hoje em dia, para protegê-los ainda mais, são contados apenas os votos até que se tenha maioria, de forma que nós nem ficamos sabendo quantos votaram de cada maneira. Assim ninguém pode ser cobrado por ter acreditado na culpa ou inocência de alguém.
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
A Prova é a Testemunha - Ilana Casoy

Hoje trago a vocês um livro diferente dos que tenho resenhado ultimamente, este é o livro de uma história real, uma triste história, porém é o bastidor de uma história infelizmente verídica.
Esse é mais novo livro da autora Ilana Casoy: “A Prova é a Testemunha”.
Ao nos depararmos com a capa do livro, que por sinal é muito bem feita, ao mesmo tempo em que passa uma posição meio que sombria, acho difícil alguém não reconhecer sobre qual caso o livro vai tratar, o tão famoso caso “Isabela Nardoni”.
O Livro é super interessante, confesso que ele é um dos melhores que li ultimamente.
Quem abre o livro é o Promotor de Justiça Francisco J. Taddei Cembranelli contando como foi à recepção da tão bombástica noticia.
“Era final de março de 2008, início de nova estação, (...) . A vida seguindo a ordem regular das coisas e, subtamente, fomos todos sacudidos por um tsunami de notícias sobre um crime chocante. A morte de uma criança de quase seis anos de idade, atirada pela janela do 6° andar do prédio, figurando como suspeito seu próprio pai e a madrasta.” (p.10)
Lembro-me que na época em que isso ocorreu, eu como professora fiquei indignada. Dois anos depois o caso foi a julgamento popular e eu sempre tive a curiosidade de saber o que se passou dentro do tribunal, queria tentar entender o como uma tragédia como essa ocorreu. E é isso que Ilana Casoy vem nos mostrar em seu novo livro. Com um olhar totalmente imparcial ela nos conta como foi os cinco dias de julgamento de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá.
Como era de se esperar esse livro não é divido em capítulos e sim em partes, cinco partes correspondentes aos cinco dias do julgamento.
Logo nas primeiras páginas nos é apresentado a acusação de Cembranelli ao Ministério Público descrevendo como se deu a morte de Isabela.
Dá-se início aos dias do julgamento. No primeiro dia nos é narrado a entrada das testemunhas e, entre outras coisas, o depoimento dramático da mãe Ana Carolina Oliveira, onde defesa e acusação abordam temas como o triângulo amoroso entre Ana Jatobá, Nardoni e Ana Oliveira, chegando a dizer inclusive que a pequena Isabela assistia a todos os problemas desse triângulo.
Ilana Casoy consegue transmitir ao leitor a emoção que ela própria sentiu diante da emoção de Ana Carolina Oliveira ao se lembrar dos momentos que passava com a filha.
No segundo e terceiro dia do julgamento temos o depoimento da delegada contando quem foram as pessoas apuradas e como foi dado seguimento a investigação desde o momento em que o caso era encarado como latrocínio até o momento em que se começou a falar em homicídio. Temos vários depoimentos entre eles o do médico ligista, do perito em manchas de sangue, do pessoal que fez a pericia. Nesses dois dias a autora nos mostra o confrontamento entre acusação e defesa, a primeira argumentando os fatos que incriminam o casal Nardoni e a segunda tentando levantar dúvidas sobre as provas apresentadas.
No quarto dia é feita a acareação dos réus, o que é muito legal, porque a gente consegue ver o que segundo eles aconteceu e a acusação questionando. É um diálogo ríspido e empolgante. Pra deixar vocês com gostinho de “quero mais” vou mostrar dois trechos:
“A Pergunta seguinte é disparada antes de qualquer interrupção: “Ninguém falou com Ana Carolina de Oliveira? Ela entregou a filha viva e a recebeu morta e o senhor nunca falou com ela o Porquê?” (p.127)
“O promotor, muito bravo e contundente, pergunta bem alto: “POR QUE NÃO A SOCORREU?” A resposta: “Porque eu estava olhando para ela, para ver se ela estava viva”. Cembranelli, olhando firme para o réu, afirma em alto e bom som: “ELA ESTAVA VIVA!” Responde o réu: “Eu estava em choque!” O promotor não perdoa. “Pergunto: POR QUE O SENHOR NÃO A SOCORREU? Pergunta objetiva...” (p.132)
O Quinto dia é o confronto final, é o embate entre acusação e defesa, e no meu ponto de vista, é a melhor parte do livro. O clima é tão tenso que cheguei a perder a noção do tempo quando estava lendo. É realmente maravilhoso, apesar de ser o desfecho de uma história trágica.
É um livro que envolve emoção, ação, dúvidas e verdades se contrapondo colocando o leitor dentro do fórum no dia da audiência. Não é uma leitura exclusiva para profissionais de direito, é uma leitura para todos os amantes da literatura, em especial para aqueles que ficaram chocados com a morte de uma garotinha de cinco anos e que queiram entender o desfecho dessa história.
Livro super recomendado!
Livro: A Prova é a Testemunha
Autor: Ilana Casoy
Editora: Larousse
Categoria: Ciências Sociais
ISBN: 9788576357674
Páginas: 240
Lançado: 2010
VIAJE NA LEITURA
Esse é mais novo livro da autora Ilana Casoy: “A Prova é a Testemunha”.
Ao nos depararmos com a capa do livro, que por sinal é muito bem feita, ao mesmo tempo em que passa uma posição meio que sombria, acho difícil alguém não reconhecer sobre qual caso o livro vai tratar, o tão famoso caso “Isabela Nardoni”.
O Livro é super interessante, confesso que ele é um dos melhores que li ultimamente.
Quem abre o livro é o Promotor de Justiça Francisco J. Taddei Cembranelli contando como foi à recepção da tão bombástica noticia.
“Era final de março de 2008, início de nova estação, (...) . A vida seguindo a ordem regular das coisas e, subtamente, fomos todos sacudidos por um tsunami de notícias sobre um crime chocante. A morte de uma criança de quase seis anos de idade, atirada pela janela do 6° andar do prédio, figurando como suspeito seu próprio pai e a madrasta.” (p.10)
Lembro-me que na época em que isso ocorreu, eu como professora fiquei indignada. Dois anos depois o caso foi a julgamento popular e eu sempre tive a curiosidade de saber o que se passou dentro do tribunal, queria tentar entender o como uma tragédia como essa ocorreu. E é isso que Ilana Casoy vem nos mostrar em seu novo livro. Com um olhar totalmente imparcial ela nos conta como foi os cinco dias de julgamento de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá.
Como era de se esperar esse livro não é divido em capítulos e sim em partes, cinco partes correspondentes aos cinco dias do julgamento.
Logo nas primeiras páginas nos é apresentado a acusação de Cembranelli ao Ministério Público descrevendo como se deu a morte de Isabela.
Dá-se início aos dias do julgamento. No primeiro dia nos é narrado a entrada das testemunhas e, entre outras coisas, o depoimento dramático da mãe Ana Carolina Oliveira, onde defesa e acusação abordam temas como o triângulo amoroso entre Ana Jatobá, Nardoni e Ana Oliveira, chegando a dizer inclusive que a pequena Isabela assistia a todos os problemas desse triângulo.
Ilana Casoy consegue transmitir ao leitor a emoção que ela própria sentiu diante da emoção de Ana Carolina Oliveira ao se lembrar dos momentos que passava com a filha.
No segundo e terceiro dia do julgamento temos o depoimento da delegada contando quem foram as pessoas apuradas e como foi dado seguimento a investigação desde o momento em que o caso era encarado como latrocínio até o momento em que se começou a falar em homicídio. Temos vários depoimentos entre eles o do médico ligista, do perito em manchas de sangue, do pessoal que fez a pericia. Nesses dois dias a autora nos mostra o confrontamento entre acusação e defesa, a primeira argumentando os fatos que incriminam o casal Nardoni e a segunda tentando levantar dúvidas sobre as provas apresentadas.
No quarto dia é feita a acareação dos réus, o que é muito legal, porque a gente consegue ver o que segundo eles aconteceu e a acusação questionando. É um diálogo ríspido e empolgante. Pra deixar vocês com gostinho de “quero mais” vou mostrar dois trechos:
“A Pergunta seguinte é disparada antes de qualquer interrupção: “Ninguém falou com Ana Carolina de Oliveira? Ela entregou a filha viva e a recebeu morta e o senhor nunca falou com ela o Porquê?” (p.127)
“O promotor, muito bravo e contundente, pergunta bem alto: “POR QUE NÃO A SOCORREU?” A resposta: “Porque eu estava olhando para ela, para ver se ela estava viva”. Cembranelli, olhando firme para o réu, afirma em alto e bom som: “ELA ESTAVA VIVA!” Responde o réu: “Eu estava em choque!” O promotor não perdoa. “Pergunto: POR QUE O SENHOR NÃO A SOCORREU? Pergunta objetiva...” (p.132)
O Quinto dia é o confronto final, é o embate entre acusação e defesa, e no meu ponto de vista, é a melhor parte do livro. O clima é tão tenso que cheguei a perder a noção do tempo quando estava lendo. É realmente maravilhoso, apesar de ser o desfecho de uma história trágica.
É um livro que envolve emoção, ação, dúvidas e verdades se contrapondo colocando o leitor dentro do fórum no dia da audiência. Não é uma leitura exclusiva para profissionais de direito, é uma leitura para todos os amantes da literatura, em especial para aqueles que ficaram chocados com a morte de uma garotinha de cinco anos e que queiram entender o desfecho dessa história.
Livro super recomendado!
Livro: A Prova é a Testemunha
Autor: Ilana Casoy
Editora: Larousse
Categoria: Ciências Sociais
ISBN: 9788576357674
Páginas: 240
Lançado: 2010
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