domingo, 20 de setembro de 2009

Pais prostituem filhos por menos de US$ 0,50 no Peru


Lima – Muitas famílias pobres prostituem seus filhos por 1 novo sol* (US$ 0,34) no Peru, onde também foi denunciado que crianças de até 3 anos aparecem sendo abusadas em vídeos, informa neste domingo a imprensa local.

“Muitas famílias do interior do país, por exemplo em Iquitos, alugam seus filhos por dinheiro. Em troca de 1 novo sol ou de um pedaço de frango, os forçam a se prostituir em canoas”, denunciou María Teresa Mosquera, diretora de uma organização de defesa das crianças, em coluna publicada no jornal “Peru.21″.

Segundo María Teresa, essas famílias entregam seus filhos à máfia a fim de ter melhores condições econômicas ou adquirir alguns luxos.
Já a Rede Peruana contra a Pornografia Infantil denunciou que encontrou diversos grupos estrangeiros que se aproveitam da oferta sexual de menores nas zonas mais pobres do país, para gravar vídeos pornográficos, material que depois é vendido no mercado negro.

“Temos informação de que as gravações são feitas na selva peruana, em cidades como Iquitos, Pucallpa e Madre de Dios”, disse o presidente da organização, Dimitri Senmache.

Os grupos também operariam em cidades turísticas como Cuzco e Puno, onde os vídeos supostamente são gravados por estrangeiros.



EFE

*Novo sol – moeda corrente oficial do Peru

A insanidade e paixões na disputa pela posse dos filhos


Mãe esconde filho em casa por 2 anos durante disputa de custódia nos EUA.
Garoto de 6 anos era mantido em quarto secreto na casa da avó em Illinois.
Pai chegou a revistar o lugar, mas não conseguiu achar Ricky Chekevdia.


Um menino norte-americano de seis anos cuja custódia era disputada pelos pais apareceu vivo na sexta-feira (4) depois de ter ficado desaparecido durante quase dois anos, segundo a polícia.
Ele estava escondido com sua mãe em um pequeno "quarto secreto" da casa de sua avó, em Franklin, no estado americano de Illinois.
Richard "Ricky" Chekevdia estava fisicamente bem, segundo os policiais, que descobriram o garoto ao cumprir uma ordem judicial de busca no local, uma casa na zona rural. Segundo a polícia, o garoto afirmou que estava muito feliz por ter sido libertado.
A mãe do garoto, Shannon Wilfong, de 30 anos, é acusada de abdução de menor e está presa. A avó, Diane Dobbs, de 51, foi acusada de cumplicidade com o crime. Elas ainda não haviam contratado advogados.
Após ser libertado, o garoto ficou com parentes do pai. Agora, as autoridades investigam a acusação de que o pai teria abusado de Ricky antes de seu desaparecimento. O pai, o ex-policial Mike Chekevdia, nega.
Mike ganhou a custódia temporária de seu filho logo após o garoto e a mãe terem desaparecido, em novembro de 2007. Ele disse que suspeitava havia muito de que o garoto estava com a mãe. Mas, nas vezes em que o procurou na casa, nunca encontrava pistas dele.
O quarto foi construído especialmente para esconder o garoto, segundo a polícia. Do tamanho de uma máquina de lavar roupa, ele ficava escondido por uma parede.
"Eu acreditava firmemente que ele estava lá, e agora isso foi confirmado", disse Mike.
Diane, avó do garoto, argumentou a um jornal local que sua filha mantinha o garoto escondido para afastá-lo do pai. Segundo ela, a disputa da custódia foi "um pesadelo" para toda a família.

Fonte: G1.globo.com
Postado no blog "Não dá para ficar calado"

Assédio moral: confira o perfil do agressor


RIO - Aproveitando-se de determinada posição ou cargo hierarquicamente superior, o agressor constrange, irrita, ameaça, prejudica ou humilha a outra, quer seja empregado, prestador de serviço ou servidor eventual, explica André Moraes, da Talento e Profissão.
- As ameaças, em geral, referem-se à demissão, prejuízos à carreira, rompimento de contratos, impedimento de participação em processos de treinamento e desenvolvimento, preferência injusta ou descarada por outros, sem razões que a justifiquem.
Para Fátima Sanchez, gerente de Desenvolvimento Pessoal da Personal Service, as características clássicas do assediador moral é o descaso e a ausência de gestos de acolhimento e reconhecimento. Na opinião, no entanto, esse comportamento é um pouco mais difícil com colegas e, para que o assédio moral se perpetue, é preciso que o chefe também humilhe as pessoas.
- Quando a liderança é positiva, há naturalmente uma inibição para este tipo de comportamento.

Assédio moral faz mal a saúde.
Hoje, as empresas, com as tendências de diálogos e canais de denúncias pelo Ministério Público do Trabalho ou Ministério do Trabalho, têm monitorado mais a relação entre funcionários e este tipo de comportamento está em fase de extinção, acredita Fátima. Segundo ela, os chefes que ainda o praticam são antigos, da época quando a chefia era exercida de maneira mais dura.
Além disso, lembra André Moraes, muitas empresas já criaram canais ou sistemas que dificultam ou impedem este tipo de situação. Entretanto, diz ele, de um modo geral, ainda está aberto num universo imenso de empresas.

O que fazer?
O funcionário que acredita estar sendo vítima de assédio moral não deve se acomodar e fingir que nada está acontecendo. Para a consultora Luisa Chomuni Alves, é importante que busque orientação e ajuda da área de Recursos Humanos da empresa. Também deve anotar tudo o que vem ocorrento, dia após dia, numa espécie de diário.
Fátima Sanchez aconselha que, para começar, o funcionário pode ter uma conversa com o chefe, mostrando que ele não se sente confortável com as atitudes que estão sendo tomadas. Caso ele insista, vale recorrer aos chefes do chefe. Luisa Chomuni alerta que, se for falar com o superior hierárquico, é bom a pessoa evitar ir sozinho, pois levar uma testemunha da conversa pode valer pontos adiante.
Para André Moraes, o funcionário que está sendo assediado moralmente deve reagir com trabalho, ética e aproveitar-se dos canais adequados.
- Conversa de corredor e lamentações com colegas, em nada adiantam.
Se necessário, afirma, ele deve buscar uma transferência para outra área da organização ou mesmo considerar uma mudança de emprego. Afinal, uma empresa que não cria defesas para situações como esta, não deve ser o melhor lugar para se trabalhar, ressalta.
Se o problema permanecer, o caminho pode ser os sindicatos ou os órgãos públicos, como a Delegacia Regional do Trabalho (DRT), dizem os especialistas.
- Mas chegar a este ponto é saber que poderão ter conseqüências. O funcionário deve estar preparado - avisa Fátima Sanchez.
Infelizmente, não há uma estatística sobre o número de ações referentes a assédio moral, segundo o setor de Distribuição de Feitos da Primeira Instância do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, onde os processos são distribuídos. As ações existentes são de indenização, que podem ser por dano moral, dano material, acidente de trabalho, entre outros.
O assédio moral é uma espécie de dano moral. Assim, o assédio moral é o objeto da ação de indenização - informa a assessoria do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ).
Segundo a chefe do Departamento de Feitos da Primeira Instância do TRT-Rj, dentro de uma ação pode haver mais de um objeto. Ou seja, dentro do rol de pedidos de uma Reclamação Trabalhista (RT), pode haver pedido de reintegração (volta ao emprego), rescisão e indenização por algum dos vários danos, entre eles o assédio moral, ao qual não cabe uma ação específica.

Baixe AQUI a cartilha: Assédio Moral: exploração e opressão em dose dupla
Cartilha sobre os Direitos da Mulher Trabalhadora (retiradas do Núcleo Piratininga)

Fonte:Ione Luques - O Globo Online

As etapas do processo de Adoção


Passo 1: Visite uma Vara da Infância e Juventude

Dirija-se até a Vara da Infância e Juventude mais próxima de sua casa, com os seguintes documentos:
- RG
- Comprovante de residência

Passo 2: Agende uma entrevista com o setor técnico e verifique a documentação necessária para dar continuidade ao processo.

A vara agendará uma data para uma entrevista com o setor técnico. Você receberá a lista dos documentos de que a vara precisará para dar continuidade ao seu processo. Estes documentos variam de vara para vara, mas geralmente são:
- Cópia autenticada da certidão de casamento ou nascimento
- Cópia do RG
- Cópia do comprovante de renda mensal
- Atestado de sanidade física e mental
- Atestado de idoneidade moral assinada por 2 testemunhas, com firma reconhecida
- Atestado de antecedentes criminais

Passo 3: A entrevista.

Na entrevista você preencherá a ficha de triagem em que poderá selecionar o tipo físico, idade e sexo da criança. A partir daí, você fará parte de uma lista de espera. Quanto menor for o número de restrições, menor o tempo de espera pelo filho desejado.

Passo 4: A aprovação da ficha.

Uma vez aprovada a ficha, você está apto a adotar.


QUEM PODE ADOTAR E QUEM PODE SER ADOTADO

Quem pode adotar?

• Maiores de 21 anos, qualquer que seja seu estado civil
• O adotante deve ser 16 anos mais velho do que o adotado
• A Justiça não prevê adoção por homossexuais. A autorização fica a critério do juiz responsável
• Cônjuge ou concubino pode adotar o filho do companheiro

Quem não pode adotar?

• Avô não pode adotar neto
• Irmão não pode adotar irmão
• Tutor não pode adotar o tutelado

Quem pode ser adotado?

• Criança ou adolescente com, no máximo, 18 anos de idade, na data do pedido de adoção.
• Pessoa maior de 18 anos que já esteja sob a guarda ou tutela do adotante na data do pedido de adoção.

Outros detalhes:

• A criança ou o adolescente passa a ter os mesmos direitos e deveres, inclusive hereditários, de um filho legítimo.
• Quem é adotado recebe o sobrenome do adotante.
• A adoção é irrevogável, ou seja, a criança ou o adolescente nunca mais deixará de ser filho do adotante, nem mesmo com sua morte.
• Posso registrar como meu filho uma criança nascida de outra pessoa?

Essa atitude é ilegal e desaconselhada por psicólogos e juízes. Essa prática - conhecida por adoção à brasileira - é crime de falsidade ideológica, previsto no artigo 242 do Código Penal, com pena de reclusão de 2 a 6 anos. Esta situação, normalmente, envolve intermediários que também podem ser punidos conforme o artigo 237 do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Além disso, os pais biológicos podem recorrer à Justiça a qualquer momento para reaver o filho. Na adoção à brasileira, a história de vida e de origem da criança desaparece. E no futuro, isto pode gerar inquietação e problemas para o adotado.

No site "AjudaBrasil" o leitor poderá encontrar ainda a lista dos Juizados da Infancia e Juventude" e um modelo de requerimento para adoção

Atenção: Veja os Símbolos da Pedofilia




O F.B.I. elaborou um informe em que indica e registra uma série de símbolos utilizados por pedófilos para serem identificados entre si. Os símbolos são sempre compostos pela união dos similares, um dentro do outro. O de forma maior identifica o adulto, enquanto que a menor corresponde a um menino ou uma menina. A diferença de tamanhos entre eles mostra uma preferência por crianças maiores ou menores quanto à idade.Os triângulos representam homens que adoram meninos (o detalhe cruel é o triângulo mais fino, que representam homens que gostam de meninos bem pequenos); o coração são homens (ou mulheres) que gostam de meninas e a borboleta são aqueles que gostam de ambos. De acordo com a revista, são informações coletadas pelo FBI durantes suas investigações. A idéia dos triângulos e corações concêntricos é a da figura maior envolvendo a figura menor, numa genialidade pervertida de um conceito gráfico.
Existe um requinte de crueldade, pois esses seres fazem questão de se exibirem em código para outros, fazendo desses símbolos bijuterias, moedas, troféus, adesivo etc.Infelizmente, é o design gráfico a serviço do mal.
No caso de que coincidam com alguém que utilize algumas dessas simbologias, deverão estar alerta e em caso de aproximação com crianças, avisar à polícia.
Os pedófilos gostam de exibir-se em códigos para os demais, utilizando os símbolos em colares, anéis, pulseiras, moedas, jóias, troféus, adesivos, camisetas, etc. É o desenho gráfico a serviço da pedofilia. Protejamos nossos filhos.
Os pedófilos cada dia ficam mais expostos, e existem ativistas que lutam para que a relação entre crianças e adultos seja considerada normal, aceita socialmente, que seja legalizada a pornografia infantil, pois nas suas crenças, a criança pode decidir o que fazer com seu corpo. São verdadeiros doentes mentais, insanos.
Quando esses símbolos foram publicados, várias pessoas identificaram um deles, por exemplo, como uma marca de sorvetes. Outros com logomarcas de empresas. Apenas estamos divulgando uma lista fornecida e divulgada em todo o mundo pelo F.B.I.

Baixe AQUI a Cartilha da CPI da Pedofilia

Fonte: UAI- Minas Gerais; TV Alterosa; blog "Não dá para ficar calado"

Anúncio machista deixa brasileiras indignadas nos EUA


Aqui nos EUA muito já se ouviu falar em “casamento por um green card.” Mas um anúncio de correio sentimental tem feito o inverso: “busco um casamento, em troca ofereço um green card.” Lido no rádio, o anúncio a seguir causou o furor das mulheres brasileiras em Massachusetts:

"O prazer da mulher é servir ao homem.

Procuro mulher que faça comida fresca para mim todos os dias (detesto comida de microondas), que me traga cafezinho na cama, que lave e passe as minhas roupas, que pague o aluguel sozinha, que faça compra todos os dias antes de sair para o trabalho, que antes de passar na sala me peça licença, que não use muito o computador (detesto o Orkut), que só fale com a família no telefone quando eu não estiver em casa, que fale inglês para resolver os problemas diários de casa, que me obedeça.

Ofereço a esta mulher a chance de ter um green card.

As candidatas podem mandar correspondência imediatamente.

Fernando”

Bom, depois do anúncio cara-de-pau, uma ouvinte da rádio WSRO (650 AM) respondeu: “ele só vai encontrar mulher assim no cemitério;” outra disse que “ele não quer mulher, e sim uma escrava.”

Fernando é um solteirão mineiro de 48 anos, nunca se casou, um torcerdor do Galo que adora malhar o tempo todo.

Até uma anunciante de um curso de inglês local, a ex-ativista comunitária Ilma Paixão, não resistiu e cutucou o rapaz: “O que o Fernando procura não é uma mulher, mas sim uma égua.”

E você, leitora , o que você acha? Será que o Fernando não está supervalorizando o seu green card? Qual seria a melhor resposta para o anúncio dele?



Brasil com Z

Viver para o próximo


Advogado cria instituto e realiza sonho de levar educação, saúde e cultura a mais de 300 mil brasileiros carentes

Quando descobriu, aos 20 anos, que estava com diabetes, o advogado Luis Eduardo Salvatore decidiu ser feliz. Isso para ele significava realizar alguma coisa para melhorar a vida das pessoas mais carentes. Decidiu deixar o emprego, abdicar da carreira e seu primeiro passo foi viajar para uma aldeia no Alto Xingu, onde encontrou o que realmente queria fazer: ajudar a quem precisava a ter acesso a educação, saúde e cultura. Em troca da permissão para entrar na aldeia e fotografar os costumes indígenas, prometeu levar dentistas para cuidar da saúde bucal dos índios. Ao ver o resultado, ficou encantado com a experiência.

Assim começou o seu projeto. Depois de quatro anos, nascia o Instituto Brasil Solidário (IBS), que criou em parceria com a irmã Ana Elisa.

Ex-empregada de uma agência de designer, ela abraçou a ideia e, em pouco tempo, a ação casual de Salvatore no Xingu se tornou um projeto que atende cerca de dez cidades por ano e, até 2007, contabilizou 343 mil beneficiados diretos. Os projetos sociais realizados pelo instituto são fundamentados na convivência, inovação e na necessidade real de cada município.

"Para nós, é uma grande conquista. Doamos a ferramenta e depois fazemos a gestão de todo o trabalho"
Luis Salvatore, diretor do Instituto Brasil Solidário

As equipes viajam por todo o Brasil para desenvolver os programas em comunidades socialmente desfavorecidas e com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Uma das ações implementadas nas escolas é a construção de "escovódromos" para incentivar a higiene dental diária, que é programada juntamente com o horário das aulas. Cada aluno ganha um kit para toda a família e aprende a escovar os dentes. "Houve diminuição de cáries e dor de dente, e até de evasão escolar que antes ocorria por esses fatores", diz Salvatore.

Neste ano, o instituto iniciou o Programa de Desenvolvimento Sustentável: Amigos do Planeta na Escola, que, em parceria com a Casas Bahia, vai atender dez cidades até 2011 com metodologias educacionais nas escolas e diversas ações voltadas à sustentabilidade, saúde, meio ambiente, teatro, música, cinema e inclusão digital. O IBS distribui às crianças em idade escolar kits com livros doados por editoras e material didático. A pasta é, muitas vezes, recebida por muitas crianças como um presente único. Algo a que elas dificilmente teriam acesso e serve de incentivo para os alunos. Além do material didático, em algumas cidades recebem instrumentos e educação musical - um dos pontos mais valorizados pelo IBS.

Outro programa importante é a Expedição Brasil Melhor, que, desde 2002, atua em parceria com o evento esportivo Rally Internacional dos Sertões. Essa ação social leva assistência médica e odontológica gratuita às populações das cidades por onde passa a prova de corrida, monta bibliotecas, faz palestras educacionais, oferece capacitação profissional e entretém a população com teatro de marionetes e cinema. Somente em 2009, o IBS investiu cerca de R$ 1,2 milhão nesse programa, atendeu seis cidades e continuou a ação iniciada no ano anterior em outros oito municípios. Nesse período, 1.580 consultas médicas e oftalmológicas foram realizadas e 26.380 livros doados para escolas e alunos.

Givanilson Correia da Silva, 16 anos, é um dos muitos que foram beneficiados pelo instituto. Em 2008 era um dos melhores alunos do curso de fotografia, vídeo e rádio promovido pelo IBS em Balsas, no Maranhão. O projeto não só ensinou um ofício ao jovem como o colocou no mercado de trabalho. Ele foi empregado por indicação do instituto e hoje desenvolve trabalhos de tratamento de imagens em uma loja e fotografa em eventos na cidade. "Com este incentivo, pretendo seguir a carreira e, quem sabe, ser até jornalista", disse Givanilson. O instituto acompanha o desenvolvimento do garoto em Balsas, assim como o de outros jovens beneficiados pelo País. "Para nós, é uma grande conquista. Doamos a ferramenta e depois fazemos a gestão de todo o trabalho. A gente começa a fazer não o nosso sonho, mas o daquela pessoa", afirma Salvatore.

Larissa Domingos

Isto É - Independente

Na África jovem, o fim precoce da infância



Johannesburgo – Thembelihle Maduna tem 24 anos de idade, rosto de 18 e zero de perspectiva. As mãos enrugadas lembram que o tempo passou de forma diferente para ela. Thembelihle virou adulta aos 13 anos, quando se tornou responsável por todas as tarefas domésticas e pela educação do irmão de 11 anos, da filha e de uma sobrinha, ambas com 8 anos. Os quatro moram numa casa de apenas um cômodo em Tokoza, comunidade pobre próxima a Johannesburgo. Thembelihle não conheceu o pai, a mãe morreu de Aids e ela, muito jovem, foi obrigada a abrir mão de seu futuro.
A jornalista Marta Reis conta a história de algumas dessas crianças africanas que são obrigadas a virar adultos precocemente. Clique aqui e confira as fotos desta triste realidade.
- Já me acostumei com essa vida. Não tenho planos para mim, não penso em arrumar namorado. Só quero que os meninos tenham a oportunidade de estudar – diz ela.
Casos como o de Thembelihle são um triste fenômeno na África Subsaariana. Proporcionalmente, esta é a região com a maior população infantil do mundo. Mas o lugar em que há mais crianças é justamente aquele onde elas são obrigadas a crescer mais rápido. Um levantamento do Unicef de 2009 indicou que 69 milhões delas – 35% do total das crianças da África Subsaariana – trabalham.
Além de representar mão-de-obra barata, o trabalho infantil é recorrente também pela falta de adultos para realizarem as funções. O continente tem os dois únicos países do mundo em que a população infantil ultrapassa a adulta: Níger e Uganda. Em outros 37 países da África Subsaariana, as crianças representam mais de 40% dos habitantes. As epidemias e doenças, a pobreza, os conflitos armados e o grande fluxo migratório entre os países são as principais causas para a redução da população adulta.




O Globo

Açúcar é a droga da vez


O açúcar começa a ser considerado um vilão da saúde humana, um veneno tão prejudicial que merece ser tratado com o mesmo rigor empregado contra – suprema decadência! – o tabaco. Está mais perto o dia em que um pacote de açúcar trará a inscrição: "O Ministério da Saúde adverte: este produto é prejudicial à saúde".

O açúcar, em suas várias formas, é o grande promotor da obesidade, mas seus níveis altos no sangue podem ser associados a quase todas as moléstias degenerativas, do ataque cardíaco ao derrame cerebral e ao diabetes. Existem suspeitas científicas sérias de que o açúcar possa até ser uma das causas de alguns tipos de câncer. Na lista, está o câncer de pâncreas, o mesmo que matou o ator Patrick Swayze aos 57 anos na semana passada.
Em Harvard, pesquisadores acompanharam 89 000 mulheres e 50 000 homens e descobriram que os refrigerantes podem aumentar o risco de câncer de pâncreas em mulheres, só em mulheres. Antes que os homens se sintam premiados pela natureza, outro estudo, que examinou 1.800 doentes, sugere que uma dieta açucarada pode aumentar o risco de câncer do intestino grosso em homens, só em homens.
Mas, se o açúcar, como o tabaco, subir ao patíbulo, o refrigerante se tornará o cigarro da vez. Nos Estados Unidos, já há um movimento, incipiente mas sólido, integrado pelos cientistas mais reputados do país, contra o consumo de refrigerante.
Os estados de Nova York e do Maine discutiram a possibilidade de cortar seu consumo a golpes de imposto. Em Nova York, o governador David Paterson propôs uma alíquota de 18%, mas recuou depois de perceber a má vontade dos parlamentares e a força do lobby do açúcar, cujo poder é lendário na política americana.
Recentemente, um artigo publicado no New England Journal of Medicine causou furor ao defender uma taxa punitiva sobre os refrigerantes. A repercussão se deveu à assertividade do artigo – que sugere tratar o açúcar como se tratou o tabaco – e à identidade de seus autores. Fechando o cerco, o professor Walter Willett, uma sumidade acadêmica que chefia o departamento de nutrição da escola de saúde pública de Harvard, lidera o lobby para convencer a indústria a adotar uma fórmula de refrigerante menos prejudicial à saúde. Quer que cada latinha ou garrafa tenha, no máximo, 50 calorias, o equivalente a três colheres de chá de açúcar. Uma lata de refrigerante normalmente tem 150 calorias, o equivalente a dez colheres de chá de açúcar. Um adulto que bebe uma lata com 150 calorias por dia pode chegar ao fim de um ano quase 7 quilos mais gordo. Elegantemente, Willett declarou: "Quando um adulto se acostuma a comer tudo doce, fica difícil apreciar a doçura suave de uma cenoura ou uma maçã".
No mês passado, outro golpe duríssimo. Pela primeira vez na história, a American Heart Association, a entidade dos cardiologistas, divulgou limites específicos para o consumo de calorias de açúcar. Surpreendentemente, definiu níveis inferiores aos comumente recomendados. As mulheres não devem consumir mais que 100 calorias de açúcar por dia, o que corresponde a pouco mais de seis colheres de chá de açúcar. Para os homens, o limite diário é de 150 calorias, ou dez colheres.
Os EUA são a barricada mais potente contra o açúcar do refrigerante, mas não a única. A Inglaterra e a França estão proibindo a propaganda de refrigerantes na televisão. No México, onde a obesidade cresce num ritmo assustador, o refrigerante está sendo banido das escolas. Na Alemanha e na Bélgica, a proibição vale até para o comércio nas imediações das escolas. Na Irlanda, celebridades não podem fazer comerciais de refrigerantes dirigidos ao público infantil. O açúcar e a obesidade que dele advêm são um problema em todo o planeta, inclusive no Brasil.
Examinando dados relativos a 2005, a Organização Mundial de Saúde estimou que 1,6 bilhão de seres humanos estejam acima do peso e 400 milhões, obesos. É um colosso de gordura, uma fartura de matar de inveja nossos ancestrais da savana africana, eles que, coitados, se arrebentavam por uma mísera caloria. Já surgiu um neologismo para sublinhar a dimensão global da obesidade – é a "globesidade". Com sua autoridade científica, Willett prevê: "Obesidade e diabetes serão o desafio de saúde pública do século XXI".
Obviamente, há diferenças entre o açúcar e o tabaco em termos de agressão ao organismo. A começar pelo fato de que nunca precisamos de tabaco para viver, mas necessitamos de açúcar – embora nos baste o açúcar encontrado naturalmente nas frutas, no leite e no mel, nos legumes e temperos.
Do ponto de vista exclusivo do funcionamento metabólico humano, é inteiramente desnecessário o açúcar que se adiciona a alimentos e bebidas, sucos, bolos, balas, doces, pudins, chocolates e a uma infinidade de produtos que nem desconfiamos conter açúcar, como cerveja e massa de tomate. Como tudo o que é desnecessário ao metabolismo, o açúcar em excesso faz mal à saúde. Outra diferença é que o tabaco causa 95% dos cânceres de pulmão, mas o açúcar não é, sozinho, o responsável por 95% dos casos de obesidade ou diabetes. A obesidade tem raízes múltiplas. O hábito de comer fora, a popularização das lanchonetes de fast-food, a invenção do freezer e do forno de micro-ondas, o estilo de vida sedentário, a superoferta de alimentos a preços acessíveis, tudo isso contribui para a obesidade.
Nos EUA, há um ingrediente adicional: as porções diabolicamente generosas. O americano preza o gigantesco, o monumental. Esse traço cultural aparece na preferência nacional pelas caminhonetes enormes, pelas casas que parecem castelos, pelas calças largas do hip hop e, claro, pelos pratos enormes. A batata frita do McDonald’s é um indicador. Em 1960, cada porção tinha 200 calorias. Essa quantidade subiu para 320, 450, 540 e está em 610! Há estudos teorizando que o americano associa o tamanho das porções ao poder, à masculinidade. Assim, o jovem se sentiria mais macho ao entrar no cinema carregando não um saco, mas um balde de pipoca. Faz sucesso no país um lanche que se chama Del Taco Macho Meal. Pesa quase 2 quilos.
Apesar de todos esses fatores, o açúcar tem papel central na pandemia de obesidade, e o refrigerante é seu veículo mais popular, particularmente nos EUA. A América é a pátria da Coca-Cola, o único país do mundo cuja imagem é associada a um refrigerante. A Coca-Cola é o símbolo do sucesso americano. Ideologizada, sua marca representa o triunfo do capitalismo e, para os velhos comunistas italianos, nada mais era do que l’acqua nera dell’ imperialismo. Os americanos bebem 56 bilhões de litros de refrigerante por ano, quatro vezes o consumo brasileiro. Como um sinal dos tempos, o consumo de bebidas açucaradas cai, enquanto a venda de refrigerantes diet cresce, em média, 3% ao ano – desempenho sem precedentes na indústria. Mas, de todo modo, os americanos são grandes devoradores de açúcar. Do açúcar de cana, consomem 9,6 milhões de toneladas por ano. E ainda devoram outro tanto do açúcar conhecido pela sigla HFCS, um xarope de milho com alto poder edulcorante que é mais rapidamente absorvido pelo organismo humano do que o açúcar de cana refinado.
O refrigerante não virou o alvo número 1 do cerco ao açúcar apenas por causa do alto consumo. Há pesquisas mostrando que a ingestão de caloria em forma líquida pode ser mais prejudicial à saúde que a de caloria de alimentos sólidos. Por motivos ainda desconhecidos, a caloria em forma líquida dribla o radar do apetite humano e retarda a sensação de saciedade, o que nos leva a comer mais, e engordar. Com a caloria em forma sólida ocorre o contrário. Sempre que passa pela catraca, o apetite registra seu ingresso, reduzindo a quantidade do que precisamos comer para nos sentir satisfeitos.
Tal como fez a turma do tabaco há meio século, os fabricantes de refrigerantes contestam essas informações científicas e usam suas próprias pesquisas. Susan Neely, presidente da American Beverage Association, que reúne as indústrias, já disse inclusive que não há prova de que o refrigerante cause obesidade. Como a venda tem caído e a obesidade não, isso é um sinal, diz ela, de que uma coisa não decorre da outra (como se fosse possível a obesidade oscilar no gráfico das vendas do atacado e do varejo).
Desde que o jornalista William Dufty (1916-2002) lançou Sugar Blues nos anos 70, um livro meio panfletário que virou um clássico na demonização do açúcar, disseminou-se cada vez mais a ideia de que açúcar engorda. VEJA consultou seis especialistas sobre os males que, com certeza científica, o açúcar em excesso pode causar, além da obesidade. O resultado é uma devastação, porque um mal provoca outro, que por sua vez provoca um terceiro, colocando em movimento um carrossel que pode incluir cárie dentária, hipertensão, doenças cardiovasculares, derrame cerebral, falência renal, cegueira, doenças nervosas, amputações – e algo como seis a sete anos de vida a menos. É óbvio que ninguém que consome açúcar obrigatoriamente passará por esse calvário, e ninguém está proibido de beber uma lata de refrigerante, um copo de caldo de cana ou comer uma fatia de bolo. A questão está no excesso ou, mais propriamente, no que pode ser considerado o excesso.
A guerra contra o açúcar e suas diversas encarnações acabará produzindo, cedo ou tarde, mudanças sísmicas na vida de bilhões de pessoas. Ao atravessar o planeta das florestas da Polinésia até as Américas, a cana-de-açúcar alterou a dieta ocidental como talvez nenhum outro produto. Popularizou o sorvete, o chá, o café, o chocolate, o rum. Tomou de assalto nossos rituais afetivos. O açúcar está no chocolate do Dia dos Namorados. Está nos ovos de Páscoa dos pequenos, no pirulito com que docemente chantageamos a criança em troca de lhe sapecar um beijo. Está no bolo diante do qual os noivos bebem a taça de champanhe na festa de casamento. É difícil imaginar o mundo de hoje sem açúcar. O Brasil, então, é impossível.
Maior produtor e maior exportador do mundo, o Brasil está também entre os maiores consumidores. Mais que artigo econômico, o açúcar faz parte da identidade nacional. Na sua herança mais sombria, o açúcar é a escravidão negra, a açucarocracia, regime despótico do senhor de engenho. É o trabalho brutal, exaustivo e mutilante dos canaviais de ontem e hoje. Mas o açúcar também tem seu aspecto iluminado entre nós.
Para o sociólogo Gilberto Freyre, ameigou nossas maneiras e gestos, amolengou as palavras do português falado no Brasil, que soa tão desossado, tão doce diante do português salgado e metálico de Portugal. O açúcar integrou-se de tal modo na alma brasileira que inspira sinônimos para todas as gradações. Na dose certa, é meiguice, suavidade, brandura. Com um grão de ousadia, é dengo e sedução. No exagero, é enjoo, tédio. O açúcar, sendo doce e amargo, é uma bela metáfora do próprio brasileiro, que funde em si mesmo, com desembaraço intrigante, o homem cordial e o homem violento. Que o açúcar tenha o destino que tiver de ter para que a humanidade seja saudável e feliz. Se um dia desaparecer da mesa, os brasileiros pelo menos terão o consolo de lembrar dele na doce, sensual e úmida definição do poeta Ferreira Gullar:

"Afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca."

André Petry



Revista Veja

A matança dos camelos


O governo da Austrália decide eliminar 650 000 do 1 milhão de animais
soltos no interior do país. Até turistas são bem-vindos para a caçada


Não é o tipo de animal que se imagina caçado a tiros, mas já há quem viaje para a Austrália especialmente para abater camelos. O americano Mike Mistelske, que já caçou elefantes em Botsuana e cabritos selvagens nas montanhas da Nova Zelândia, participou neste ano de um safári no deserto australiano. Durante dois dias, ele e um grupo de turistas, a bordo de duas picapes 4X4, rastrearam os animais pelo outback, o sertão australiano. Nas duas ocasiões em que localizaram bandos de camelos, os disparos foram feitos a 300 metros de distância. "São necessárias duas ou três balas para derrubar um animal", disse Mistelske a VEJA, na semana passada. O tiro de misericórdia normalmente é dado na cabeça. Caso o caçador deseje levar o crânio como troféu, o disparo final mira o coração. O animal abatido é abandonado ao sol e vira banquete para águias, raposas e dingos, os cães selvagens da Austrália. Em uma semana, sobram apenas os ossos.
A matança de camelos não apenas é permitida, mas tem o incentivo oficial. No fim de julho, o governo australiano lançou uma campanha para abater 650 000 animais, dois terços da população de 1 milhão. Até destinou uma verba de 16 milhões de dólares para ajudar nas despesas dos caçadores, especialmente os profissionais que perseguem os animais de helicóptero. Importados da Arábia Saudita, foram introduzidos no país em 1840 para servir de bestas de carga na travessia dos vastos desertos do interior. Muitos animais acabaram fugindo para o outback, onde se multiplicaram até se converter na praga atual. Eles invadem os banheiros das casas em busca de água, quebram tubulações nas lavouras, derrubam cercas, comem a grama nos jardins e os arbustos no campo, acelerando a desertificação.
A Austrália tem uma lista de 56 animais cuja extraordinária proliferação os coloca na categoria de pragas. Vários fatores facilitaram a multiplicação desses animais, que são, na maioria, espécies exóticas: a falta de predadores, de barreiras naturais, como montanhas, e os grandes espaços com escassa presença humana. Até os cangurus, nativos do país, multiplicam-se hoje como coelhos (veja quadro abaixo). O abate dos camelos provocou duas reações. A primeira foi contra a morte de animais inocentes. A matança, contudo, visa a preservar o ambiente original. "Enquanto a caçada comercial pode extinguir espécies inteiras, a esportiva, feita sob controle, ajuda na preservação dos animais silvestres", diz o ecólogo Luciano Verdade, do câmpus da Universidade de São Paulo em Piracicaba. A segunda rea-ção foi uma tentativa frustrada de aproveitar a carne do bicho. "Transportar um bicho de 600 quilos do meio do deserto para virar ração na cidade seria um pesadelo logístico", disse a VEJA Leszek Kosek, que presta consultoria a caçadores na Austrália. As carcaças continuarão abandonadas no deserto.

Com reportagem de Juliana Cavaçana


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