segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Cachorro não é o único vilão da praia: o homem suja mais


Na última segunda-feira, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio divulgou um relatório sobre a qualidade da areia das praias cariocas. A grande surpresa foi o fato de Ipanema, um dos nossos mais belos cartões postais, ser também um paraíso para bacterias de passado nada abonador. Especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil apressaram-se em colocar a culpa nos mal-educados que levam seus cachorros para curtir o sol e o mar sem pensar no que pode acontecer com crianças expostas a coliformes, escherichias e outros maus elementos.
Nunca fui muito fã de cachorro, e não é só pelo péssimo hábito que esses animais têm de latir. Para começar, morei toda a minha infância em apartamento, onde não dava para ter um pastor alemão ensinado como aquele do seriado Vigilante Rodoviário. Aliás, não entendo as pessoas que criam um dinamarquês ou dog alemão num quitinete quando um simples chiuaua já seria grande demais.
A outra razão dessa minha aversão é que levei uma mordida aos 11 anos e dela nunca mais esqueci (a única coisa boa foi que, na época, tirei muita onda com meus colegas dizendo que fora obrigado a tomar 15 injeções na barriga, mentira). Some-se a isso ainda o fato de o único cão que ganhei na vida ter vindo com uma doença incurável (bócio). Tivemos que devolvê-lo, e você pode imaginar a minha decepção.
Independentemente desse histórico de traumas, acho levar cachorro à praia egoísmo, cafonice, porcaria... Enfim, não me faltam adjetivos para condenar a prática. Mesmo que o dono carregue um saquinho plástico para recolher o adubo que seu amigão do peito vai deixar por lá, a simples presença do animal no meio de crianças e adultos é um desrespeito. E não me venham com essa de que lhes dão vermífugo todo mês. Felizmente, o choque de ordem está tirando os cachorros da praia, pelo menos em Ipanema e no Leblon.
Agora, voltando à sujeira na areia, é uma injustiça culpar só os Plutos da vida. Estão esquecendo de um animal muito mais sujo que o cachorro: o homem. Veja, por exemplo, a quantidade de mendigos e afins que perambulam pela orla. Você acha que essa turma vai ao banheiro onde? Pois é...
E não é só o lumpemproletariado a contribuir para que nossa areia esteja mais suja que a ficha criminal do Beira-Mar. É importante lembrar dos luaus e das raves promovidas pela juventude dourada – e até pela prefeitura – nas praias. São festas que entram pela madrugada e, às vezes, invadem a manhã seguinte. Abro aqui um parêntese: como essa garotada é animada para dançar. E bebendo só água!!!! Que alegria autêntica... Bom, melhor deixar isso pra lá...
O fato é que, depois que a festa acaba, ficam na areia os restos de tanta euforia: cerveja, uísque, ice, melancia, farofa, "cocrete", salsichão, camisinha... fora os subprodutos fisiológicos da galera. Aí, chegam os pombos para fechar esse ciclo antinatural com chave de ouro.
O próximo passo da Secretaria Municipal de Ordem Pública deve ser regular os eventos noturnos, porque não adianta zelar pela limpeza da areia durante o dia e deixar a porcariada reinar à noite.
Culpar só os cachorros é mais que uma covardia, trata-se de uma cachorrada.

Migliaccio


Rio Acima JBlog

País tem o maior número de dentistas do mundo, mas 13,43% da população entre 15 e 19 anos nunca foi a um especialista


Apesar de o Brasil concentrar 19% dos dentistas do mundo, cerca de 1/3 da população ainda sofre com a falta de políticas públicas de saúde bucal. Os números contraditórios — resultado de um levantamento realizado por profissionais da área e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), de 2002 — revelam que, apesar do crescimento de políticas para o setor, ainda há muito o que fazer para mudar essa realidade. De acordo com o livro Perfil atual e tendência do cirurgião-dentista brasileiro, lançado na semana passada em um congresso internacional da área, o país forma, a cada ano, cerca de 9 mil especialistas, apenas dois mil a menos do que o número registrado em todos os 26 países da Europa juntos no mesmo período.
Em compensação, dados do último levantamento do Ministério da Saúde apontam que a prática de ir ao dentista ainda é escassa entre os lares brasileiros. Entre pessoas de 15 a 19 anos, por exemplo, 13,43% nunca foram a um dentista. Entre 35 e 44 anos, cerca de 97,18% declararam ter ido ao consultório ao menos uma vez. O número aumenta para idosos na faixa etária de 65 a 74 anos — cerca de 94,19%. “O problema é que temos demandas de décadas que não se resolverão em duas ou três gestões de governos. Mas a expansão está ocorrendo”, acredita a diretora do Departamento de Gestão e Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad. Ela afirma que o governo investiu em profissionais a partir de 2002 e que hoje cerca de 10% dos profissionais em odontologia estão na rede pública de saúde. “Antes eram três mil no Programa Saúde da Família. Em 2010, esse número já é de 18 mil e tende a aumentar”, afirma.
Segundo o livro, o programa aparece como oportunidade do primeiro emprego para profissionais entre 20 a 29 anos. De acordo com a diretora, o grande desafio no país está em realocar mais profissionais para as regiões que mais precisam por meio do concurso público. Ela destaca uma mudança de perfil no exercício da profissão, com uma forte migração de profissionais para o setor público.
A técnica do Ministério da Saúde é uma das responsáveis pelo levantamento de informações que resultou no livro. Os dados foram extraídos do Ministério do Trabalho, do Ministério da Fazenda, da Capes e da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas. O material traça um perfil da profissão e das perspectivas dos 219.575 profissionais que estão dentro e fora do mercado de trabalho. Deste total, 59% se concentram no Sudeste. A maioria em São Paulo — com 33,08% — seguida de Minas Gerais, com 12,19% dos profissionais. Por lá, a proporção é de 601 pessoas para cada dentista. A região Norte é a que apresenta maior carência de especialistas em saúde bucal: 4%, ou um profissional a cada 1.800 habitantes. A ausência de profissionais nesta região empurra os salários para cima. O maior percentual de dentistas que ganham acima de R$ 72 mil por ano fica no Norte, segundo dados baseados nas Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física em 2007. A pesquisa revela também que a maioria (51,25%) é composta por mulheres.
A expansão das universidades privadas é uma das causas do grande número de profissionais no país, segundo a professora do departamento de odontologia Universidade Federal da Londrina e uma das autoras do livro, Maria Celeste Morita. “Hoje, temos 197 cursos e o mercado consegue lidar com esses 9 mil formados por ano com uma taxa de profissionalização considerável”, afirma. Na região Sudeste, onde há maior número de formados, cerca de 72% dos cursos são particulares.
Dez especialidades concentram 95% dos profissionais. As principais são ortodontia e endodontia, com 11.778 e 9.120 profissionais, respectivamente. As que menos têm especialistas são as de saúde coletiva e implantologia, com 1.430 e 2.986 cadastrados, respectivamente.
O levantamento indica também que cerca de 40% dos profissionais têm menos de 40 anos e atuam na região onde se especializaram. É o caso de Alexandre Souza, 37 anos. Ele atua há dez anos em Brasília e atende cerca de 20 pacientes por dia. Apesar de estar empregado, critica a falta de oportunidade de vagas no serviço público para a especialidade. “Hoje, o deficit ainda é muito grande para as comunidades carentes e o governo não proporciona concurso para superar essa demanda. Não adianta a gente ter tantos profissionais formado se o serviço público não está absorvendo”, endossa. Alexandre é um dos 140 mil dentistas ou 2/3 da categoria que trabalham como autônomos, segundo a pesquisa. Os outros 59.225 — 27% — estão cadastrados no Sistema Único de Saúde (SUS) e trabalham no Programa Saúde da Família e nos centros de especialidades odontológicas.
Brasília foi apontada pelo livro como a região onde a remuneração por hora, em reais, é a maior do país: R$ 134,81. Em seguida, vem Mato Grosso do Sul, onde os dentistas que trabalham no regime de carteira assinada ganham por hora o equivalente a R$ 102,09. No Nordeste, os dados do Ministério do Trabalho incluídos na pesquisa mostram que o pagamento médio é de apenas R$ 57,47.

Daniele Santos


Técnica faz paciente resistir após coração parar por 14 minutos



Consultor Afonso Beviani relata ter tido 'uma segunda chance'.
Hipotermia traz menos chances de sequela neurológica, diz médico.

Afonso Beviani é o homem que ressuscitou. O coração dele parou por 14 minutos, mas os médicos conseguiram reanimá-lo e ele está firme e forte e sem nenhuma sequela, graças a uma técnica que pode beneficiar pacientes do mundo inteiro.
Ele virou uma celebridade na vizinhança. “Graças a Deus estou bem de saúde. Eu morri e agora voltei”, comemora Afonso. “Lá em cima, Deus não quer gente ruim. Manda de volta e a gente tem que aguentar aqui”, brinca um amigo. “Aguentaram 14 minutos lá em cima”, responde Afonso, com bom humor.
Afonso era corredor, disputou até a São Silvestre. Agora, caminha cinco quilômetros por dia, recuperando a força do coração e matutando. A única marca que ficou foi um apagão na memória, que começou três dias antes do infarto e só voltou quando ele recobrou a consciência, uma semana depois.
“Quem me falou isso foi o meu filho e a minha filha, que eu tinha tido uma parada cardíaca de 14 minutos. Pensei que fosse uma brincadeira, eu falei 'impossível alguém ter uma parada cardíaca de 14 minutos e estar vivo”, conta o consultor Afonso Beviani.
Na família, é o assunto constante. “Pensei que era a coluna. Eu tenho um probleminha na coluna e normalmente ele me ataca. Estava doendo muito. Um sobrinho esteve em casa e me levou para o hospital, onde foi detectado que eu estava com problema cardíaco mesmo”, lembra Afonso. De ambulância, foi levado para Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, e direto para a sala de cirurgia. Os médicos fizeram um cateterismo - inseriram um fio pela virilha, chegando até o coração. Quando encontraram a artéria enfartada, entupida por um coágulo, eles abriram um balão, que dilata a artéria. Em seguida, fizeram o reparo: liberaram um stent, uma pecinha que se abre, mantendo o caminho livre para o sangue.
De lá, Afonso foi para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde a doutora Luciana era a médica responsável por ele. “Principalmente nos infartos extensos, como foi o caso dele, o grande risco do paciente é nas primeiras 48 horas”, explica a cardiologista do Incor, Luciana Facilotto.
Na madrugada, ele teve uma arritmia. O coração primeiro batia descompassado e depois parou. Começava uma corrida contra o tempo.
A cada choque, um sinal de que ia voltar e parava de novo. Os médicos não desistiam de continuar o procedimento chamado de ressuscitação. Quatorze minutos depois, o coração de Afonso voltou a bater sozinho. Mas ficou parado durante 14 minutos. Todo estudante de medicina sabe que, depois de três minutos sem oxigênio no cérebro, os neurônios, as células nervosas, começam a morrer. Depois de 14 minutos, a lesão é brutal.

Sem resposta a estímulos
Afonso estava inconsciente, não respondia a estímulos, não tinha reflexos básicos. Nesses casos, a maioria dos pacientes morre e os que sobrevivem, geralmente ficam com lesões neurológicas muito graves.
O hospital avisou a família. O genro atendeu o telefone: “Eu lembro nitidamente, como se fosse hoje. Eu perguntei: ‘não é o filho que está falando, você pode falar comigo se aconteceu alguma coisa. Ele morreu?’ A pessoa que estava do outro lado disse: ainda não”, conta o genro de Afonso Ronaldo Lucas.
Foi a doutora Luciana que deu a notícia: “Nós acreditávamos que ele teria uma evolução neurológica ruim, com sequelas graves”, disse a médica.
“Isso nos deixou meio apavorados. Não pelo fato de ele ter qualquer déficit motor, porque isso realmente não preocupava. Mas o fato de não ter a cabeça em ordem, não conseguir mais conversar com ele. Isso era o mais difícil”, conta a filha de Afonso, Daniela Lucas.

Hipotermia
Foi aí que o Doutor Sergio Timerman sugeriu uma técnica desenvolvida nos Estados Unidos e ainda pouco empregada no Brasil para casos como o de Afonso - a hipotermia.
“Com a hipotermia, nós estamos ganhando em torno de 35% a 40% de chance de diminuir a sequela neurológica e sobreviver o paciente”, explica o cardiologista Sérgio Timerman.
A técnica envolve aplicar muito gelo até baixar a temperatura do paciente para entre 32ºC e 24ºC. É um procedimento delicado. Acima de 34ºC, não faz efeito. Abaixo de 32ºC, pode matar o paciente. Para ajudar, o soro sai do congelador direto para a veia do paciente.
Nesse período, o metabolismo do paciente se reduz ao básico para ficar vivo e concentra o gasto de energia na recuperação do cérebro.
“Você priva esse cérebro de oxigênio e você tem que dar tempo de ele se recuperar. Existem células que já morreram ou tem células que estão naquela dependência se vai ou não vai morrer”, acrescenta o médico Sérgio Timerman.
Depois de 24 horas, a aplicação de gelo foi suspensa e a temperatura voltou ao normal. Mas foram dias sem sinal de melhora.
Todo dia que nós chegávamos na UTI, eu e meu irmão olhávamos para ver se tinha o tubo. A gente queria que tirassem o tubo. E a gente olha e via que ele ainda estava entubado”, lembra a filha de Afonso. Até que numa manhã, ele se mexeu. E mostrou que estava consciente.
“Respondia com o braço, fazendo jóia, fazia assim com o olho, você já percebe que o paciente está tendo contato com a gente”, conta a médica.
“Quando chegamos lá, abrimos a porta da UTI. Alguém veio rindo e falou ‘hoje vocês vão estar felizes’. Quando a gente entrou no quarto, ele estava com uma cara de assustado, olhando para gente, querendo falar, sem voz. Acho que foi a hora mais feliz, porque ele reconheceu a gente de pronto. Era um medo que a gente tinha, de ele voltar e não saber quem a gente era, não lembrar de nada. Na hora ele falou ‘oi filho, oi filha’. Aí a gente ganhou o presente de Natal”, diz Daniela, emocionada.
“A outra imagem que eu me lembro sou eu no hospital, de mãos dadas com os meus filhos. A Doutora Luciana na minha frente e me perguntando se eu sabia onde eu estava. Eu olhei, mas também não precisa ser nenhum mágico para saber. Falei que sabia que estava no hospital. Foi aí que a Doutora Luciana, de um jeito todo característico dela, começou a me explicar o que é que eu tinha tido”, lembra Afonso.
Se os neurônios estavam morrendo, então como é que o paciente se recuperou e sem sequelas? A resposta honesta dos cientistas é que eles não sabem exatamente porque isso acontece. O que eles já entenderam, no entanto, é que a morte não é um evento - não é no momento que para o coração que todo o organismo, todas as células morrem. A parada do coração é só o início de um processo, que leva à morte de todas as células. Ao resfriar o paciente, esse processo, em alguns casos, pode ser interrompido.

'Nova era'
“Nós estamos vivendo uma nova era dentro do atendimento da parada cardíaca. Qual é o momento que nós devemos parar de tentar salvar essas pessoas que já foram consideradas mortas? No passado muitas desses pacientes não se fazia absolutamente nada. A hipotermia veio para ficar. Devemos fazer isso em todos os pacientes que voltam de uma parada cardíaca com alguma alteração neurológica. Não fazer é fazer um tratamento não completo nesses pacientes”, explica o médico Sérgio Timerman.
Fazer é dar a gente como Afonso a chance de ver a neta crescer, de completar seu ciclo de vida. A única sequela, a memória daqueles dias e não faz falta.
Afonso conta que se sente como se tivesse tido uma segunda chance. “Agora é só agradecer, agradecer e agradecer”, finaliza Afonso, com muita emoção.


G1

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Menina morre ao tentar sair pela janela de prédio com corda feita de lençol em SP


Caso aconteceu em Heliópolis, na Zona Sul, no sábado (6).
Estudante de 15 anos estava sozinha em casa.

Uma estudante de 15 anos morreu ao tentar sair do apartamento onde morava no 5º andar de um prédio em Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo, utilizando um lençol como corda, na noite de sábado (6), segundo informações da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
A garota morava com a mãe, um irmão e o padrasto num prédio na Rua Barão do Rio Prata. Ela chegou a ser levada ao Hospital Heliópolis, mas morreu. Os vizinhos da jovem contaram à polícia que ela tentou sair do apartamento pela janela utilizando um lençol como corda.
Segundo a secretaria, policiais militares foram até o apartamento e constataram que a porta estava trancada e a garota estava sozinha no local no momento da queda.
De acordo com o registro da ocorrência, o padrasto da vítima compareceu ao 95º DP, em Heliópolis, onde o caso foi registrado, e disse ter ficado surpreso com o que aconteceu. Segundo ele disse à polícia, a família havia passado a manhã em um clube em Suzano, na Grande São Paulo, e, à noite, ele, a mãe e o irmão da garota saíram e ela ficou dormindo em casa. O caso foi registrado no 95º DP como morte suspeita.


Até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo, diz OMS

Foto por Getty Images
A depressão é caracterizada pela tristeza constante que incapacita o indivíduo para as atividades corriqueiras, como trabalhar e estudar.

Transtorno ainda enfrenta preconceito, apesar de afetar mais de 120 milhões de pessoas

Ela chega de mansinho, assim como quem não quer nada. Num dia, você acorda triste, desanimado. No outro, bate uma sensação de vazio e uma vontade incontrolável de chorar, sem qualquer motivo aparente. A depressão é assim, um mal silencioso e ainda mal compreendido – até mesmo entre os próprios pacientes. Considerada um transtorno mental afetivo, ou uma doença psiquiátrica, a depressão é caracterizada pela tristeza constante e outros sintomas negativos que incapacitam o indivíduo para as atividades corriqueiras, como trabalhar, estudar, cuidar da família e até passear.
De acordo com OMS (Organização Mundial de Saúde), até 2020 a depressão será a principal doença mais incapacitante em todo o mundo. Isso significa que quem sofre de depressão tem a sua rotina virada do avesso. Ela deixa de produzir e tem a sua vida pessoal bastante prejudicada. Atualmente, mais de 120 milhões de pessoas sofrem com a depressão no mundo – estima-se que só no Brasil, são 17 milhões. E cerca de 850 mil pessoas morrem, por ano, em decorrência da doença.
Descrita pela primeira vez no início do século 20, a depressão ainda hoje é confundida com tristeza, sentimento comum a todas as pessoas em algum momento da vida. Brigar com o namorado, repetir o ano escolar e perder o emprego são motivos para deixar alguém triste, cabisbaixo. Isso não significa, porém, que o sujeito está com depressão. Em alguns dias, ele, certamente, vai estar melhor.
O desconhecimento real do funcionamento desse transtorno afetivo é o principal responsável por um dos maiores problemas para quem sofre com a depressão: o preconceito. Para Marcos Pacheco Ferraz, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), ele ainda existe e prejudica muito o paciente.
- Principalmente no ambiente de trabalho, onde há competições e cobranças por bom desempenho, é comum as pessoas nem comentarem sobre a enfermidade. Nesses casos, o melhor é tirar férias ou licença médica.
E não é só isso. A ignorância em torno da doença faz com que familiares e amigos, na tentativa de ajudar, piorem ainda mais a condição do depressivo. Frases como “tenha um pouco de força de vontade”, “vamos passear no shopping que melhora”, “você tem uma vida tão boa, tá com depressão por que?” e “se ocupe com outras coisas que você não terá tempo de pensar em bobagens”, funcionam como uma bomba na cabeça de quem já se esforça, diariamente, para conseguir sair da cama.
- Isso mostra que as pessoas não conhecem o transtorno. Achar que é frescura ainda é comum. Elas não imaginam que o paciente não consegue reagir. Não depende de força de vontade.
A designer C.N., 35 anos, que passou por uma depressão severa há alguns anos, sabe bem o que é isso. Mesmo trabalhando em um ambiente com pessoas bastante esclarecidas, ela cansou de ouvir esse tipo de comentário. E os efeitos eram devastadores. Ela conta que “até críticas sobre o meu médico eu ouvi. Uma colega disse que ele não devia ser bom, pois depois de um mês de tratamento eu já deveria estar curada.”
- É incrível o poder que algumas palavras tem sobre o doente. A primeira coisa que as pessoas perguntavam era o motivo da minha depressão, pois eu tinha uma vida tão boa, uma família, filha, um casamento bacana, um emprego legal. O fato de não ter uma explicação para a doença me deixava péssima. Era um sentimento de culpa enorme.
Por isso, Ferraz diz que é muito importante a participação da família no tratamento. Eles precisam saber o que devem e o que não devem fazer em relação ao doente. Para ele, “fazer com que todos entendam o mecanismo do transtorno e como agem os remédios é fundamental para o sucesso do tratamento. Ainda existe o mito de que antidepressivo vicia, o que é um grande engano.”

Cláudia Pinho

Encontrada criança sequestrada na Grande SP, diz PM


Bebê teria sido tirado da casa dos pais na quarta (3) em Taboão da Serra. Casal suspeito de levar criança foi detido na noite de sábado (6).

Um bebê de dois meses que havia sido sequestrado na quarta-feira (3) da casa dos pais em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, foi encontrado na noite de sábado (6) e um casal que estava com a criança foi detido, segundo informações da Polícia Militar.
De acordo com o relato da PM, eles chegaram até o casal após o pai da criança ter recebido uma denúncia anônima sobre o local onde seu filho estava. O pai conseguiu receber essa informação porque após o sumiço do bebê ele registrou a ocorrência na delegacia, fez um retrato falado da suspeita e distribui panfletos em vários locais com a foto do bebê e avisando que ele havia sido sequestrado. Uma pessoa que mora perto do casal suspeito, no Jardim Macedônia, na Zona Sul da capital paulista, viu o panfleto e telefonou para o pai da criança.
Policiais militares foram até a casa dos suspeitos, pediram para ver o bebê e o mostraram para a mãe biológica que reconheceu seu filho. Todos os envolvidos foram levados para o 47º DP, no Capão Redondo, segundo a PM.
Ainda de acordo com a corporação, os pais biológicos disseram que a mulher que levou a criança havia aparecido na casa deles dizendo estar interessada num imóvel que eles têm para alugar. Durante a conversa, foi servida cerveja e os pais biológicos desconfiam que a suspeita colocou algum tipo de medicamento na medida que os fez adormecer e facilitou que ela fugisse levando o bebê.

Presidente da África do Sul lamenta filha fora do casamento


Jacob Zuma sofre reprovação nacional e resolve pedir desculpas neste sábado (6)

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, pediu desculpas neste sábado (6) por ser pai de uma criança fora do casamento. Ele tem enfrentado reprovação nacional por conta do fato.
Críticos dizem que Zuma, um zulu tradicionalista que pratica poligamia e que atualmente tem três mulheres e 20 filhos, incluindo o bebê com uma outra mulher, tem sido visto como um mau exemplo num país com uma das maiores taxas de HIV no mundo.
Zuma disse em comunicado divulgado neste sábado:
"Na última semana tirei um tempo para refletir sobre uma relação que tive fora do casamento. Isso tem sido assunto para muita discussão e debate."
Ele ainda declarou:
"Isso tem colocado muita pressão sobre a minha família e sobre o meu partido. Eu lamento profundamente a dor que eu causei a minha família, ao partido, aos sul-africanos em geral."
Na última terça-feira, Zuma, que se casou pela quinta vez no mês passado, fazendo de Tobeka Madiba a sua atual terceira mulher, confirmou relatos de ser o pai de uma criança com Sonono Khoza, filha de Irvin Khoza, que comanda os preparativos para a Copa do Mundo na África do Sul.
Sonono Khoza teve uma menina em outubro do ano passado. Na última terça-feira, Zuma reconheceu formalmente a criança como o seu vigésimo filho.
A poligamia é permitida na África do Sul e faz parte da cultura zulu, mas a prática tem sido criticada por ativistas que lutam pela prevenção do HIV. Ao menos 5,7 milhões de sul-africanos estão infectados com o vírus.

REUTERS


Luta diária de quem tenta deixar o vício


Seis meses depois de a lei antifumo entrar em vigor, três paulistanos contam suas batalhas pessoais contra o cigarro

Em seis meses de lei antifumo, que proíbe o cigarro em espaços fechados em São Paulo, foram várias as tentativas de impedir a legislação de vigorar - no total, 27 pedidos de liminares foram protocolados, solicitando liberação do fumo no Estado. Nenhum deles, porém, foi aceito pelo Judiciário e até aqui o Estado vence tranquilamente a guerra nos tribunais. Algo diferente ocorre nas pequenas batalhas particulares, nos embates diários de quem luta para largar o fumo. Guerra contra o próprio corpo que se mostra, frustração após frustração, bem mais difícil.
Entre julho e agosto do ano passado - até que a lei entrou em vigor, em 7 de agosto -, o Estado acompanhou a trajetória de três paulistanos, que tentavam abandonar o vício. Em 26 dias de contatos telefônicos diários, Aparecida Santucci dos Passos, de 43 anos, Alex do Nascimento, de 31, e Elton Isaac dos Santos, de 40, relataram suas frustrações e dúvidas, enquanto tentavam finalmente chegar à categoria de ex-fumantes. Na época, conseguiram avanços, diminuíram quantidades, mas o cigarro continuava presente em suas vidas.
Seis meses depois, nenhum dos paulistanos conseguiu parar - continuam entre os cerca de 2 milhões de moradores da cidade que fumam, segundo a Pesquisa Especial de Tabagismo, realizada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Aparecida está frustrada por ter recaído no vício após quatro meses de abstinência, diz se sentir "fraca" e relata "medo" de tentar novamente. Alex sente falta de "algum incentivo a mais" para conseguir largar os poucos cigarros que ainda fuma. E Elton diz que falta pouco, mas ainda não "tomou vergonha na cara" o suficiente. Em comum, todos dizem que ainda vão conseguir.
Outra opinião comum entre os três é a de que não foram influenciados pela nova lei na decisão de parar de fumar. Eles relatam, porém, que ver menos pessoas fumando nos lugares que frequentam ajuda a manter afastada a tentação. "Fumante e ex-fumante, quando vê alguém com cigarro na boca, sente vontade na hora de fumar", diz a cardiologista Jaqueline Issa, coordenadora do Ambulatório de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração (Incor). "Manter quem está se tratando longe da tentação é outro mérito da lei."

Vitor Hugo Brandalise


Acusado de mandar matar Dorothy Stang se entrega à polícia


Suposto mandante se mantinha em liberdade com habeas corpus, que foi negado pelo STJ na sexta-feira

SÃO PAULO - O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, se entregou na manhã deste sábado, por volta das 6h, à polícia do Pará, após ter seu pedido de habeas corpus negado pelo Superior Tribunal de Justiça (SJT). Ele é acusado pelo assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang, do qual seria um dos mandantes.

Veja também:
Documentário revê assassinato da freira Dorothy Stang
Trailer de 'Mataram a irmã Dorothy'

Bida se apresentou à polícia em uma delegacia da cidade de Altamira, no Pará, onde foi encaminhado para fazer o exame de corpo de delito. Em seguida, foi transferido para o Presídio Regional de Altamira, onde fica à disposição da Justiça.
Em seu primeiro julgamento, o fazendeiro foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado. Beneficiando-se da legislação que previa um novo julgamento para condenados a pena superior a 20 anos, foi absolvido no segundo julgamento. No entanto, no final do ano passado, um recurso do Ministério Público ao Tribunal de Justiça do Pará conseguiu anular a absolvição e foi decretada nova prisão, o que levou a defesa a impetrar o habeas corpus que mantinha Bida em liberdade.

Impunidade
Em nota divulgada nesta sexta-feira, 5, após ser anunciada a decisão da Justiça, as irmãs da Congregação Notredame, à qual pertencia Dorothy Stang, lembraram que passados quase cinco anos da morte da religiosa, o outro acusado de ser o mandante do assassinato, o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, ainda não foi levado a julgamento.
Dorothy Stang foi assassinada aos 73 anos em fevereiro de 2005 com seis tiros perto de Anapu, no oeste do Pará. Ela morava havia mais de 20 anos na região, ajudando agricultores ameaçados por fazendeiros e madeireiros ilegais.

Com informações da Efe e da Agência Brasil


Estadão

Consumo de crack cresce sem controle no Brasil


Viciados consumindo crack na comunidade de Manguinhos, na Rua Leopoldo Bulhões, no Rio. Foto: Domingos Peixoto / O Globo

O crack, droga derivada da cocaína, está se tornando um flagelo nacional, espalhada pelo país em diferentes classes sociais e tomando até salas de aula, contam Catarina Alencastro e Odilon Rios em reportagem publicada pelo GLOBO neste domingo.

Em Maceió, a imagem dos santos despedaçados, num altar da escola estadual Benício Dantas, virou o símbolo da derrota dos professores na luta contra o tráfico de drogas. Invadida várias vezes, a escola já teve salas, pavilhões, corredores e banheiros destruídos e reconstruídos várias vezes. Há dois registros de tiroteio na escola, o ginásio de esportes virou uma cracolândia, e os alunos fumam maconha nas salas de aula. No turno da tarde, 25% dos estudantes desistiram de estudar na escola ano passado. Casos como esse são rotina em Maceió. Dados do Ministério Público Estadual indicam que 30% dos alunos das 120 escolas da rede pública estadual na capital alagoana, entre 10 e 20 anos, estão envolvidos com o tráfico ou viraram viciados.
Os dados oficiais mais recentes mostram que essa tragédia se repete em outras capitais e cidades brasileiras. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em sua última publicação, revelou um aumento na circulação do crack no Brasil. Em 2002, 200 quilos da droga foram apreendidos. Em 2007 - último dado disponível - foram 578 quilos apreendidos. O montante equivale a 81,7% do crack apreendido na América do Sul.


Em todo o país, os serviços de atendimento a dependentes químicos relatam que mais e mais pessoas, independentemente da classe social, vêm nos últimos anos procurando ajuda para se livrar do vício do crack. A droga já é a segunda maior causa de procura por atendimento nos centros do SUS especializados em abuso de álcool e drogas, o CAPS-AD. Nesses locais, o crack só perde para a bebida.
- A rede de tratamento em algumas regiões foi surpreendida pelo aumento da procura pelo tratamento (do crack), principalmente nas grandes cidades - constata Pedro Gabriel Delgado, coordenador do Programa de Saúde Mental do Ministério da Saúde.
No Rio, o Programa de Estudos e Assistência ao Uso Indevido de Drogas (Projad), ligado ao Instituto de Psiquiatria da UFRJ, tem dados preliminares de um estudo ainda não publicado. Nele, constata-se que, em março de 2007, só 15% dos entrevistados haviam experimentado o crack. Em junho de 2008, esse percentual subiu para 25%. O número de pessoas que tinha usado a droga nos últimos 30 dias em março de 2007 não chegava a 1%; em junho de 2008, eram 10%. A prefeitura do Rio estima que pelo menos 800 pessoas em situação de risco (moradores de rua, principalmente) são viciadas em crack.

Viciados em crack dormem nas ruas próximas à 'cracolândia', no Centro de São Paulo. Foto: Michel Filho / O Globo

Em Salvador, de 2006 a 2009, 5.618 novos usuários passaram a ser atendidos pelo Programa de Redução de Danos da Universidade Federal da Bahia, um dos principais centros de estudos sobre o assunto. O alvo da pesquisa foi a população de rua e se refere só aos que aceitaram começar um processo para abandonar o vício. Para se ter uma ideia do problema, em 2006, só 26% dos novos usuários de drogas atendidos eram consumidores de crack. Em 2009, a proporção pulou para 34%; em 2008, chegou a 37,8%. Já uma pesquisa de amostra realizada com pacientes internados por dependência química, em 2006, em Porto Alegre, revelou que 43% estavam ali por conta do crack.
Um dos motivos do aumento do consumo da droga é que muitos usuários de cocaína injetável migraram para o crack, após o boom da epidemia de HIV que surpreendeu esse grupo, diz o professor Félix Henrique Kessler, vice-diretor do Centro de Pesquisa em álcool e drogas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
- Quase todos os usuários de cocaína injetável migraram para o crack - diz.
Os dados oficiais mais recentes sobre o tema são de 2005 e dão conta de que pelo menos 380 mil brasileiros fumavam, regularmente, a pedra feita com o subproduto da cocaína. Para combater o problema, o Ministério da Saúde aposta em diversificar o tratamento. A abordagem de usuários nas ruas é uma das estratégias. A exemplo do que ocorre em Salvador, Rio e outras 12 capitais montarão consultórios de rua para atrair pacientes que resistem a procurar ajuda.
- Depois que se fica dependente de crack, é difícil sair. O melhor é não entrar nessa - alerta o professor Kessler.


O Globo
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