segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Acusado de bater em designer com taco vai ser transferido para manicômio


Ele deve passar por um procedimento de verificação de sanidade mental

Alessandre Fernando Aleixo, acusado de bater em um designer com um taco de beisebol em uma livraria de São Paulo, irá para um manicômio judiciário, segundo decisão da Justiça anunciada na tarde desta segunda-feira (16) divulgada por nota da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Estado. Lá deverá ser realizado um procedimento de verificação de sanidade mental, a fim de determinar se Aleixo tinha consciência do que estava fazendo.
A decisão é da juíza Tânia Magalhães Avelar Moreira da Silveira, do 1º Tribunal do Júri de São Paulo. Ela ouviu nesta tarde o acusado, o Ministério Público, que pediu o exame, e a Defensoria Pública. O processo fica parado até que o resultado do exame fique pronto.
Aleixo é acusado de agredir o designer Henrique Pereira com um taco de beisebol dentro da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, na avenida Paulista, zona sul de São Paulo, no dia 21 de dezembro de 2009.
O agressor, de 38 anos, foi detido em flagrante após o ataque ao rapaz e indiciado por tentativa de homicídio. Ele já havia estado na livraria anteriormente, quando quebrou a vitrine, mas não feriu ninguém. Aleixo aguarda o julgamento no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros.
Na primeira audiência sobre o caso, no dia 3 de março, o Aleixo, que é personal trainer, não chegou a ser interrogado devido ao seu estado emocional. Agressivo e com os olhos arregalados, falava frases desconexas e precisou ser contido por quatro policiais.
Segundo informações preliminares, antes do ataque o preso havia sido diagnosticado com esquizofrenia paranoide e estava sendo submetido a tratamento médico.
O designer de 22 anos está internado há oito meses na UTI (Unidade de Tratamento Intensiva) em estado gravíssimo, no hospital das Clínicas. Em depoimento ao R7, a família disse que o rapaz passou por uma cirurgia recentemente para a retirada de uma válvula da cabeça, após uma infecção.



Promotor do caso Isabella Nardoni faz palestra na


A Escola Superior da Magistratura (Esma) abriu 10 vagas para magistrados estaduais interessados em participar do Seminário Reformas do Código de Processo Penal: Novas Perspectivas, promovido pelo Ministério Público da Paraíba.

Promotor do caso Isabella Nardoni faz palestra na PB

O evento será realizado nos dias 20 e 21, no Auditório Edigardo Ferreira Soares, da Procuradoria Geral de Justiça, em João Pessoa, e tem como palestrantes Antônio Scarance Fernandes, Wellington Saraiva, Eugênio Pacelli e Francisco Cembranelli, este último promotor do Caso Nardoni.
Os juízes poderão se inscrever na Secretaria da Esma, nesta quinta e sexta-feira (12 e 13), das 13h às 20h, ou pelo e-mail esma@tjpb.jus.br. No caso de inscrição eletrônica, os magistrados devem confirmar pelo telefone (83) 3252-1104.
O diretor em exercício da Esma, juiz Euler Paulo de Moura Jansen, informou que, na hipótese de o número de inscritos ser superior às vagas oferecidas, a prioridade será para os magistrados que ministram disciplinas criminais na Esma e, em seguida, aos juízes das varas criminais, devido à temática a ser abordada no curso.
Caso o número de juízes seja superior à quantidade de vagas oferecidas, haverá um sorteio para a escolha do participante. Caso o número seja inferior à oferta, as vagas remanescentes serão preenchidas com os demais juízes inscritos, igualmente por sorteio, explicou Euler Jansen.

TJ-PB


JusBrasil

Polícia prende suspeito de abusar de adolescente deficiente em Carapicuíba (SP)


Um homem de 42 anos foi preso em flagrante na noite de domingo (15) por abusar sexualmente de uma adolescente de 15 anos, portadora de deficiência mental, na cidade de Carapicuíba (Grande São Paulo). A garota estava desaparecida desde a manhã da última sexta-feira (13).
De acordo com informações da polícia, a adolescente havia sido abordada pelo suspeito quando ia para a escola. O pai dela teria feito buscas pela garota na região, quando localizou a jovem entrando em um motel em companhia do suspeito por volta das 19h30 de ontem. Ele acionou a Polícia Militar.
Ao perceber a chegada dos policiais, o suspeito tentou fugir a pé, deixando a garota no estabelecimento, informou a SSP (Secretaria de Segurança Pública). Apesar disso, ele foi detido e encaminhado para o 1º DP da cidade.
Em depoimento, a garota afirmou à polícia que foi abordada pelo homem na manhã de sexta e permaneceu com ele até a noite de domingo, e acrescentou que manteve relações sexuais com ele nesse período. Apesar disso, ele negou. O delegado de plantão autuou o suspeito em flagrante pelos crimes de estupro de vulnerável e cárcere privado.



Cerca de 3,5 milhões de crianças podem contrair doenças no Paquistão


NOVA YORK - Cerca de 3,5 milhões de crianças correm o risco de contrair doenças graves por conta das condições precárias de infraestrutura e higiene nas quais se encontra o Paquistão após o período de fortes chuvas e enchentes pelas quais o país passou, informou nesta segunda-feira, 16, um porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU).
No sul do Paquistão, as enchentes continuam a afetar os moradores das províncias do Baluchistão e de Sindh. Centenas de milhares de paquistaneses tiveram de deixar suas casas nessas áreas no últimos dias. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, deixou o Paquistão após um período de visitas e disse que a situação na qual o país está configura o maior desastre que ele já viu.
"Cerca de 3,5 milhões de crianças enfrentam um alto risco de se contagiar com doenças perigosas transmitidas por meio da água, como diarreia e disenteria", disse Maurizio Giuliano, porta-voz do Gabinete da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, de acordo com informações da agência AFP.
"O que nos preocupa mais são a água e a saúde. Água potável é essencial para a prevenção de doenças. As águas das chuvas estão bastante contaminadas, a água potável está em falta", disse.
A Organização Mundial da Saúde está se preparando para ajudar dezenas de milhares de pessoas em caso de cólera, embora o governo não notificou a ONU de quaisquer casos desta doença. Segundo Giuliano, o número total de pessoas expostas a essas doenças é de mais de 6 milhões. No sul do país, vítimas das enchentes bloquearam uma estrada para protestar contra a falta de ajuda do governo e pediram mais ação das autoridades. "Parece que não há governo aqui desde as enchentes. Perdemos nossos filhos, nossos bens, mal pudemos nos salvar, conseguimos chegar aqui, mas não temos nada. Onde esta´o governo, o que vamos fazer, para onde vamos? O governo é responsável por fazer tudo o que for possível", disse um dos manifestantes.
No Baluchistão, pelo menos quatro cidades foram inundadas depois que o governo decidiu mudar o curso do Rio Indus para evitar enchentes na região de Jacobabad e de uma base da Força Aérea nas proximidades, na província de Sindh.
Um funcionário de uma usina que abastece tanto Sindh quanto o Baluchistão com energia elétrica disse que a água havia atingido a altura de 1,5 metro dentro do local.

Pedido de ajuda
No domingo, Ban pediu que as comunidade internacional envie mais ajuda para o Paquistão, dizendo que abrigo, remédios e água são os itens mais urgentes. Ele também anunciou que o Centro de Resposta a Emergências da ONU doaria US$ 10 milhões ao país, colocando o total de verba do fundo já destinada às vítimas em US$ 27 milhões.
Na quarta, a ONU anunciou que seriam necessários US$ 459 milhões para ajudar o Paquistão. No longo prazo, a quantia chegaria à casa dos bilhões. Segundo Ban, mais de um quinto do país foi afetado pelas chuvas.
O governo diz que cerca de 20 milhões de pessoas foram de alguma forma afetadas pelas enchentes e que, até agora, 1.500 perderam a vida. As enchentes começaram duas semanas atrás na região noroeste do país e devastaram a área agrícola paquistanesa.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou que as enchentes trariam consequências econômicas graves para o país, que já depende da ajuda externa.




Estadão

Homens produzem mais hormônios com nascimento do filho, diz estudo


Uma pesquisa de uma universidade em Israel afirma que os homens, ao se tornarem pais, passam por um processo de aumento de produção de hormônios semelhantes ao das mulheres que viram mães.

Assim como acontece com as mulheres que se tornam mães, os pais também passam a produzir mais neuroquímicos que ajudam a torná-los mais afetuosos, o que auxilia no processo de paternidade.
Os hormônios oxitocina e prolactina são produzidos em maior quantidade na mulher do que nos homens devido a processos físicos, ligados à gravidez. A oxitocina ajuda as mulheres a fazerem as contrações durante o trabalho de parto. Já a prolactina ajuda na amamentação.
Cientistas acreditavam que os homens não produziam mais hormônios, por não estarem fisicamente envolvidos no parto da criança, mas a nova pesquisa indica que processo masculino é semelhante ao que acontece com as mães.

Tempo com os filhos
Os pesquisadores da universidade de Bar-Ilan, em Israel, analisaram os níveis hormonais de 43 pais, seis meses depois do nascimento de seus filhos.
Os homens também foram filmados na presença dos seus filhos, para que se avaliasse como cada um se adaptou ao novo papel de pai.
Os cientistas acharam um padrão entre o nível de hormônio e a habilidade dos pais de se relacionarem bem com seus bebês. Quanto mais hormônios cada homem produzia, melhores eram suas habilidades paternas, na hora de brincar e se comunicar com a criança.
"Esta parece ser uma forma que a evolução [das espécies] encontrou para ajudar a transformar os homens em bons pais assim que eles têm filhos", disse a pesquisadora Ruth Feldman, da universidade de Bar-Ilan, em Israel.
"Estes hormônios parecem ter um papel importante na forma como os homens se relacionam com seus filhos recém-nascidos."
A pesquisa foi publicada na revista científica Hormones and Behavior.
"É possível, na medida em que o contato com o filho aumenta diariamente, em par com o crescimento das habilidades sociais do filho entre os dois e seis meses de nascimento, que os níveis de prolactina e oxitocina se reorganizem, criando novas conexões", afirma o artigo publicado na revista.
Outro experimento realizado pelos cientistas com 80 casais revelou que o aumento do hormônio oxitocina aconteceu da mesma forma em homens e mulheres.
Agora, os cientistas buscam hipóteses para descobrir o que faz os homens produzirem mais hormônios, já que eles não dão à luz nem amamentam.
Para Feldman, o simples contato dos pais com os filhos pode ser a resposta.
"Isso ressalta a importância de se dar oportunidades de interação entre pais e filhos logo após o nascimento, para desencadear as mudanças no sistema neuro-hormonal."


Nova espécie de macaco é descoberta na floresta amazônica


Com cerca de 250 indivíduos na natureza, o Callicebus caquetensis já está ameaçado de extinção

Foi anunciada nesta-quinta a descoberta de uma nova espécie de macaco sauá (ou macaco titi, em inglês), batizado de Callicebus caquetensis. O primata foi visto pela primeira vez em 2008 por uma equipe do departamento de biologia da Universidade Nacional da Colômbia, em Bogotá.
Os primeiros macacos foram achados em cativeiro, criados como animais de estimação por moradores da região de Caquetá, perto da fronteira com Peru e Equador. A espécie já surge extremamente ameaçada. Os pesquisadores estimam que existam apenas 250 indivíduos, que vivem em uma área menor que 100 km2.
A região onde foi feita a descoberta era foco da ação de guerrilhas até bem pouco tempo, o que dificultou a pesquisa. Hoje, a sobrevivência dos animais está ameaçada pela perda de seu habitat para a agricultura. Os responsáveis pela descoberta recomendaram a criação de reservas especiais para os macacos.
O Callicebus caquetensis tem o mesmo tamanho que um gato doméstico. Outras espécies de macacos sauá vivem na Amazônia brasileira e na Mata Atlântica.


MPF pede condenação da fundação Renascer e de bispo


O MPF (Ministério Público Federal) pediu à Justiça que a Fundação Renascer e José Antonio Bruno, ex-bispo e atual deputado estadual de São Paulo pelo DEM, sejam condenados por improbidade administrativa.
Os crimes teriam ocorrido em convênios com o FNDE (Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação). De acordo com a acusação, R$ 2 milhões de verbas públicas foram desviados ou tiveram destino inadequado.
A Renascer recebeu R$ 1.923.173,95 entre 2003 e 2004 para programas de alfabetização de 23 mil jovens e adultos, que faziam parte da iniciativa Brasil Alfabetizado, do governo federal, mas os gastos não foram comprovados com notas fiscais.
O Ministério Público, a CGU (Controladoria Geral da União) e auditores do FNDE consideraram a prestação de contas da Renascer inadequada. José Bruno era presidente da fundação na época e ficou no cargo até o início de 2010.
De acordo com o procurador da República Sergio Gardenghi Suiama, responsável pelo caso, não há como saber quantas pessoas foram beneficiadas pelo programa. Elas deveriam receber uma ajuda de custa de R$ 60, mas não foram identificados e não há comprovação do pagamento.
Testemunhas indicadas pelos réus puderam confirmar a alfabetização de 12 turmas de 25 alunos, 300 no total. De acordo com outras testemunhas, há provas do dinheiro sacado pelas pessoas, mas o número não chega aos 23 mil previstos.

Aulas de religião
Analisando o plano de aula, o MPF concluiu que a Renascer usou parte do dinheiro para ensinar conteúdo religioso, ao contrário do previsto pelo Ministério da Educação. A igreja nega as acusações.

Roberto Saraiva


eBand

Garoto pára de respirar toda vez que dorme


Britânico de 11 anos permanece conectado a aparelhos durante à noite

O britânico Liam Derbyshire desafiou os médicos e completou 11 anos mesmo tendo uma doença rara chamada de Hipoventilação Central, conhecida popularmente como maldição de Ondina (uma referência à mitologia grega), o que faz ele parar de respirar toda vez que adormece. Os médicos disseram a seus pais que ele viveria apenas seis semanas.
Como o menino precisa estar conectado a uma máquina de suporte de vida todas as noites, a conta de eletricidade da família, que vive em de Gosport, no interior da Inglaterra, é muito alta por causa dos equipamentos. Eles também instalaram um gerador elétrico de emergência em caso de faltar energia durante a noite. Liam Heathfield frequenta uma escola especial e precisa usar um tubo de traqueostomia na garganta. O garoto também teve câncer quando criança.
Sua mãe, Kim, 50 anos, disse que precisa estar sempre atenta pois a frequência cardíaca do menino diminui de uma hora para outra. Uma pessoa vai à casa de Liam toda a noite para cuidar dele e permitir que seus pais possam dormir. Ele tem um aparelho para auxiliar na respiração movido a pilha, em caso de dormir no carro ou no avião e precisa comer grandes porções regularmente, pois tem um sistema digestivo muito pequeno.


Entre elogios e críticas ao Brasil, iraniana Nobel da Paz pede pressão internacional para salvar Sakineh


BERLIM - Prêmio Nobel da Paz em 2003, a advogada iraniana Shirin Ebadi, de 63 anos, acha que o presidente Lula ainda não sabe bem que posição adotar em relação ao Irã. Afinal, lembra ela, de um lado, ele apoia as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra Teerã; de outro, toma a iniciativa unilateral de negociar com o país. Ela critica Lula também num episódio ligado ao sindicalista iraniano Mansour Ossanla, que está preso. Como considerava o presidente brasileiro um defensor dos sindicalistas, Shirin pediu que Lula, em sua última viagem ao Irã, visitasse a família de Ossanla, mas o apelo não foi atendido. Em entrevista exclusiva ao GLOBO, Shirin elogiou, porém, a tentativa brasileira de pressionar o Irã no caso de Sakineh Ashtiani, iraniana condenada à morte por apedrejamento. O aumento da pressão internacional poderia influenciar na anulação da pena de morte, opina a advogada, que desde as eleições presidenciais do Irã em 2009 vive na Europa, pois teme ser presa se voltar ao seu país. "A situação dos direitos humanos piorou muito", afirma, lembrando que a situação da mulher é insuportável desde a revolução islâmica. Embora 65% dos estudantes nas universidades sejam mulheres, as leis do país estabelecem que "a vida de uma mulher vale apenas a metade da de um homem". O caso de Sakineh traz lembranças amargas para Shirin. Pouco depois da revolução, ela defendeu uma acusada de adultério. E de nada valeram os protestos que organizou contra a execução. A mulher foi morta por apedrejamento.

O GLOBO: Como a senhora viu a negociação do Brasil com o Irã na questão atômica?

SHIRIN EBADI: Para mim, o presidente Lula ainda não sabe direito que posição quer adotar em relação ao Irã. De um lado, diz-se comprometido a seguir as decisões do Conselho de Segurança das Nações Unidas. De outro, toma a iniciativa unilateral de ir a Teerã negociar com o Irã.

BERLIM - Prêmio Nobel da Paz em 2003, a advogada iraniana Shirin Ebadi, de 63 anos, acha que o presidente Lula ainda não sabe bem que posição adotar em relação ao Irã. Afinal, lembra ela, de um lado, ele apoia as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra Teerã; de outro, toma a iniciativa unilateral de negociar com o país. Ela critica Lula também num episódio ligado ao sindicalista iraniano Mansour Ossanla, que está preso. Como considerava o presidente brasileiro um defensor dos sindicalistas, Shirin pediu que Lula, em sua última viagem ao Irã, visitasse a família de Ossanla, mas o apelo não foi atendido. Em entrevista exclusiva ao GLOBO, Shirin elogiou, porém, a tentativa brasileira de pressionar o Irã no caso de Sakineh Ashtiani, iraniana condenada à morte por apedrejamento. O aumento da pressão internacional poderia influenciar na anulação da pena de morte, opina a advogada, que desde as eleições presidenciais do Irã em 2009 vive na Europa, pois teme ser presa se voltar ao seu país. "A situação dos direitos humanos piorou muito", afirma, lembrando que a situação da mulher é insuportável desde a revolução islâmica. Embora 65% dos estudantes nas universidades sejam mulheres, as leis do país estabelecem que "a vida de uma mulher vale apenas a metade da de um homem". O caso de Sakineh traz lembranças amargas para Shirin. Pouco depois da revolução, ela defendeu uma acusada de adultério. E de nada valeram os protestos que organizou contra a execução. A mulher foi morta por apedrejamento.

O GLOBO: Como a senhora viu a negociação do Brasil com o Irã na questão atômica?

SHIRIN EBADI: Para mim, o presidente Lula ainda não sabe direito que posição quer adotar em relação ao Irã. De um lado, diz-se comprometido a seguir as decisões do Conselho de Segurança das Nações Unidas. De outro, toma a iniciativa unilateral de ir a Teerã negociar com o Irã.

BERLIM - Prêmio Nobel da Paz em 2003, a advogada iraniana Shirin Ebadi, de 63 anos, acha que o presidente Lula ainda não sabe bem que posição adotar em relação ao Irã. Afinal, lembra ela, de um lado, ele apoia as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra Teerã; de outro, toma a iniciativa unilateral de negociar com o país. Ela critica Lula também num episódio ligado ao sindicalista iraniano Mansour Ossanla, que está preso. Como considerava o presidente brasileiro um defensor dos sindicalistas, Shirin pediu que Lula, em sua última viagem ao Irã, visitasse a família de Ossanla, mas o apelo não foi atendido. Em entrevista exclusiva ao GLOBO, Shirin elogiou, porém, a tentativa brasileira de pressionar o Irã no caso de Sakineh Ashtiani, iraniana condenada à morte por apedrejamento. O aumento da pressão internacional poderia influenciar na anulação da pena de morte, opina a advogada, que desde as eleições presidenciais do Irã em 2009 vive na Europa, pois teme ser presa se voltar ao seu país. "A situação dos direitos humanos piorou muito", afirma, lembrando que a situação da mulher é insuportável desde a revolução islâmica. Embora 65% dos estudantes nas universidades sejam mulheres, as leis do país estabelecem que "a vida de uma mulher vale apenas a metade da de um homem". O caso de Sakineh traz lembranças amargas para Shirin. Pouco depois da revolução, ela defendeu uma acusada de adultério. E de nada valeram os protestos que organizou contra a execução. A mulher foi morta por apedrejamento.

O GLOBO: Como a senhora viu a negociação do Brasil com o Irã na questão atômica?

SHIRIN EBADI: Para mim, o presidente Lula ainda não sabe direito que posição quer adotar em relação ao Irã. De um lado, diz-se comprometido a seguir as decisões do Conselho de Segurança das Nações Unidas. De outro, toma a iniciativa unilateral de ir a Teerã negociar com o Irã.

O GLOBO: O Brasil ofereceu asilo político a Sakineh Ashtiani, mas o embaixador do Irã em Brasília negou a existência oficial dessa oferta. Na sua opinião, a confusão é um mal-entendido diplomático ou uma jogada política do Irã?

SHIRIN: Trata-se de algo entre dois estados. Não quero atuar como juíza nesse caso nem comentar. Mas vejo como positiva a tentativa brasileira de interferir a favor da condenada à morte. O mundo inteiro deve tentar intervir para que Sakineh Ashtiani não seja executada. Pela minha experiência, eu diria que, se a pressão internacional aumentar, há a chance de ela sobreviver, de a sentença de morte ser anulada. No passado, o regime iraniano já mudou de posição claramente reagindo à pressão de fora.

O GLOBO: No seu trabalho em Teerã, já foi advogada de defesa de mulheres condenadas ao apedrejamento?

SHIRIN: Já defendi uma mulher em situação semelhante à de Sakineh Ashtiani, uma mulher que foi condenada à morte por apedrejamento. Ela vivia em Teerã, era muito infeliz no casamento e um dia encontrou um ex-namorado, com quem teve uma relação extraconjulgal. Infelizmente, toda a campanha de protestos que fizemos contra a sentença não teve resultado, a mulher foi morta por apedrejamento. Foi pouco depois da revolução islâmica, e nessa época a opinião pública internacional não reagia muito aos crimes contra os direitos humanos praticados no Irã. Havia ainda a guerra fria entre o bloco leste e o Ocidente e ninguém prestava muita atenção ao que acontecia no Irã.

O GLOBO: Quais são, atualmente, os maiores problemas para as mulheres no Irã?

SHIRIN: O Irã é um país onde 65% dos estudantes nas universidades são mulheres. As mulheres são bem representadas na administração, em diferentes profissões, também nos altos escalões. Há muitas mulheres entre os professores das universidades iranianas, há muitas mulheres que trabalham como advogadas, médicas ou engenheiras. Apesar do alto nível de educação da mulher iraniana, depois da revolução foram introduzidas muitas leis que discriminam as mulheres. A vida de uma mulher vale para a lei apenas a metade do valor que tem a vida de um homem. Isso significa que se um homem e uma mulher são vítimas de uma agressão na rua, e ficam com o mesmo grau de ferimentos, a mulher recebe apenas a metade da indenização que é paga à vítima masculina. Num processo judiciário, o testemunho de um homem tem o valor do testemunho de duas mulheres. De acordo com a lei, um homem tem o direito de ter quatro esposas ao mesmo tempo. As mulheres iranianas fazem tudo o que podem contra essas leis discriminatórias. Há anos lutamos contra essa discriminação ordenada pelo Estado. Muitas das mulheres que participaram dessa luta foram presas, condenadas pela prática de atividades contra a segurança nacional. Num desses processos, onde era advogada de defesa, indaguei com ironia ao promotor: "Então, se uma mulher é contra o seu marido ter outra esposa, os americanos vão atacar o Irã". O promotor não respondeu, mas a mulher foi condenada a três anos de prisão.

O GLOBO: Desde as eleições presidenciais do Irã ano passado, a senhora vive na Europa porque tem medo de voltar ao seu país. A situação piorou muito desde a reeleição da Mahmoud Ahmadinejad?

SHIRIN: A situação quanto aos direitos humanos piorou muito. Muitos jornalistas estão na prisão. Alguns advogados que defenderam as pessoas perseguidas pelo regime por terem participado dos protestos depois das eleições foram presos e condenados a muitos anos. Trabalhar em defesa dos direitos humanos é uma atividade perigosa no Irã. Queria contar apenas um caso. Uma colega, Narges Mohammadi, vice-diretora da minha ONG de direitos humanos (Centro de Defesa dos Direitos Humanos), foi uma das perseguidas. Os agentes de segurança chegaram à casa dela de madrugada, algemaram-na e levaram-na presa diante dos olhos dos seus filhos, dois gêmeos de 3 anos, que choraram e tentaram se agarrar à mãe. Narges ficou 20 dias na prisão, mas o efeito desses dias de tortura ela vai arrastar consigo talvez a vida inteira. Ela foi libertada depois dos 20 dias porque estava quase morta, e o regime receava a publicidade negativa do caso porque a nossa ONG é conhecida. Mas precisou pagar uma fiança que correspondia ao valor de todos os seus bens e economias juntos. Ela ficou com graves problemas musculares, nunca mais conseguiu levantar-se da cama. Os médicos sugeriram uma transferência para uma clínica melhor, no exterior, mas o governo a proibia de sair do país. Nos últimos meses, muita gente morreu na prisão depois de torturada. Há ainda muitos trabalhadores nas prisões iranianas.

O GLOBO: Eles protestaram contra o regime?

SHIRIN: Sim. Depois das eleições, houve um clima de depressão nacional. Um dos que foram presos foi Mansour Ossanla, o presidente do Sindicato dos Motoristas de Ônibus. Ele sofre de diabetes e está ficando cego. Até a Organização Mundial do Trabalho interveio várias vezes, exigindo a sua libertação. Antes da última visita do presidente Lula ao Irã, dei uma entrevista a uma jornalista brasileira apelando para que Lula, que começou a sua carreira como defensor dos direitos dos trabalhadores, tomasse partido junto ao regime iraniano para a libertação de Ossanla. Mas ele recusou o pedido de visitar a família de Ossanla, o que seria um gesto simbólico e capaz de ter um efeito positivo.
O GLOBO: Alguns intelectuais iranianos dizem que o regime no Irã não pode ser reformado, apenas abolido, como o comunismo na Europa. A senhora concorda com essa opinião? Se a oposição tivesse vencido ano passado, a situação teria melhorado?

SHIRIN: Como defensora dos direitos humanos, sempre procuro uma solução que cause as menores perdas e danos no que se refere à população. E o caminho que oferece a perspectiva de menos perdas é o das reformas. Se a oposição tivesse vencido ano passado, nada teria ficado melhor da noite para o dia, mas não teríamos tido esse retrocesso nos direitos humanos que sofremos nos últimos meses.

O GLOBO: Recentemente, a senhora disse que os americanos deveriam distanciar-se da ideia de qualquer tipo de intervenção militar no Irã. O que os países estrangeiros devem fazer para melhorar a situação no seu país?

SHIRIN: O que os países podem fazer de melhor é não apoiar o aparelho de repressão no Irã. Eu gostaria de citar o exemplo da firma Eutelsat (da França), que apoia o Irã nas suas medidas de censura. Ou a firma Nokia, que ofereceu a Teerã equipamento para o controle de celulares. Os governos do Ocidente deveriam prestar atenção nisso e tomar medidas para que suas empresas parem de ganhar dinheiro fortalecendo o sistema de repressão no Irã.

Graça Magalhães - Reuther


O Globo

domingo, 15 de agosto de 2010

Pediatra vai para a mesma cadeia de procuradora acusada de torturadora no Riio



Médica presa após morte de criança passa a primeira noite em Bangu 7

O delegado titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima, Luis Henrique Marques Pereira, informou no início da tarde deste domingo (15) que a médica Sarita Fernandes Pereira, presa na manhã de sábado (14) suspeita de envolvimento na morte de uma menina de cinco anos, passou a noite no presídio Nelson Hungria, mais conhecido como Bangu 7, no complexo penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro. Na mesma unidade está presa desde o ínício de junho a procuradora aposentada Vera Lucia Sant'Anna, acusada de torturar uma menina de três anos da qual tinha a guarda provisória.
- Ela ficará presa temporariamente lá até que a gente conclua as investigações. A defesa deve entrar com pedido de liberdade esta semana, mas acho que não vão conseguir.
A pediatra com mais de 20 anos de profissão foi presa em casa, na zona oeste do Rio, na manhã de sábado. Na delegacia ela chorou e se defendeu.
- Eu acredito na Justiça. Eu acredito na minha advogada e eu sei que isso tudo vai acabar bem.
Sarita era chefe da pediatria do hospital RioMar, na Barra da Tijuca, zona oeste. Ela é suspeita de contratar um estudante do quinto período de medicina como médico. Ele usou o registro de um profissional com o qual já havia trabalhado. O rapaz está sendo procurado pela polícia e é considerado foragido. A defesa disse que ele vai se apresentar assim que analisar o processo.
O estudante contou durante depoimento na semana passada que atendeu, medicou irregularmente e deu alta à Joanna Cardoso Marcenal Marins, de cinco anos de idade. A menina morreu na tarde de sexta-feira (13), após 26 dias em coma. Ao ser internada, apresentava convulsões, hematomas nas pernas e grandes queimaduras nas nádegas e tórax.
A médica e o estudante foram indiciados por falsidade ideológia, falsidade material, tráfico de drogas (uso de medicamentos controlados), associação para o tráfico e exercício ilegal da profissão com agravo do fato da criança ter morrido. O inquérito deve ser entregue à Justiça nos próximos dias.

Demitida e processada
A assessoria de imprensa do hospital RioMar informou através de nota que a direção demitiu a médica e estuda a possibilidade de entrar com um processo cível e um outro criminal contra ela.

Ela trabalhava há cinco anos na unidade. Há dois anos ela assumiu a coordenação do setor de pediatria do hospital. Entre as atribuições, era ela a responsável pela contratação de novos médicos.
O falso médico trabalhava no hospital de madrugada e nos fins de semana. Ele tinha sido contratado há menos de seis meses.

Disputa entre os pais
A mãe de Joanna acusa o ex-namorado e pai da menina de maus-tratos. Os dois disputavam a guarda da filha há dois anos e ela estava sob os cuidados do pai. Ele nega qualquer tipo de agressão e diz que a filha se machucou sozinha por causa de problemas neurológicos. A polícia investiga os ferimentos e principalmente a origem das queimaduras.
O enterro será neste domingo (15), às 16h, no cemitério Jardim da Saudade, em Edson Passos, Mesquita, na Baixada Fluminense.

Camila Ruback


R7
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