quarta-feira, 18 de agosto de 2010

SP: Menino de 6 anos vai passar fim de semana com a mãe em Florianópolis e desaparece

Ian, de 6 anos, desapareceu com a mãe - reprodução Tv Globo.

SÃO PAULO - O pai de um menino de 6 anos, de São Paulo, procura pelo filho que foi passar férias com a mãe em Florianópolis, Santa Catarina, e desapareceu. A Justiça de São Paulo determinou que a Justiça de Santa Catarina procure o menino.
Já faz 14 dias que Ian, que mora com o pai, foi para o Sul do país e até agora não retornou. O pai tinha a guarda provisória do filho e obteve a guarda definitiva. Ele acredita que, por isso, a mãe não devolveu o menino.
- Procuramos no endereço dela e de parentes e não encontramos. Estou desesperado - diz o pai Fábio Pereira Simão.
A mãe, Maíra Longo Pereira, mora com o namorado em Florianópolis. Policiais da Delegacia Anti-Sequestro estiveram no antigo endereço da mulher, mas não a encontraram. Segundo o delegado Renato Hendges, a mãe chegou a matricular o filho numa escola de Florianópolis, mas depois desapareceu.
O pai chegou a registrar um boletim de ocorrência em São Paulo sobre o desaparecimento.



Queniano é preso na Tanzânia por tentar vender albino para bruxaria


Partes de albinos são usadas por feiticeiros na Tanzânia em poções para riqueza e saúde.

A polícia da Tanzânia prendeu um queniano acusado de tentar negociar a venda de um homem albino.
A prisão ocorreu após um policial fingir ser um negociante tentando comprar órgãos de pessoas albinas para serem usadas em rituais de feitiçaria.
A polícia diz que Nathan Mutei, de 28 anos, enganou o albino Robinson Mkwama, de 20 anos, prometendo um emprego na Tanzânia como assistente de motorista de caminhão.
Mas, na verdade, Mutei estava, segundo a polícia, buscando compradores para Robinson. Um negócio de mais de US$ 250 mil teria sido fechado com o policial que fingiu ser um comprador.
Mutei deve comparecer diante de um tribunal nesta quarta-feira, acusado de tráfico de pessoas.

Crimes
O correspondente da BBC para o leste africano, Will Ross, afirma que partes de corpos de albinos são usadas na Tanzânia por feiticeiros que dizem a seus clientes preparar poções que os tornariam mais ricos ou saudáveis.
Nos últimos três anos, mais de 50 albinos - entre crianças e adultos - foram mortos na Tanzânia. O governo prometeu combater este tipo de crime.
Segundo Ross, no entanto, a Justiça no país é lenta e apenas sete pessoas foram condenadas até agora.


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mãe de Joanna Marins diz que pai não chorou ao ver filha morta


A médica Cristiane Cardoso Marcenal, mãe de Joanna Marcenal, que morreu na última sexta-feira após ter ficado quase um mês em coma, deu uma entrevista comovente no programa "Mais Você", da "TV Globo", na manhã desta terça.
Durante sua participação no programa, a médica revelou que André Rodrigues, pai de sua filha, já havia agredido a menina quando ela tinha apenas dois anos e meio de idade. Segundo Cristiane, durante consulta com o pediatra, ele afirmou que havia sinais de espancamento. A mãe disse que na época Joanna não podia ouvir falar do ocorrido, e quando se referia a André, ela dizia: "papai André me bateu na cabeça", além de dizer que o pai era "mau".
Perguntada sobre a relação da madrasta com André, Cristiane revelou que existe um boletim de ocorrência que registrou o atendimento de André em um hospital depois que ele foi atingido por uma cadeira, lançada pela atual esposa e madrasta de Joanna. Cristiane falou sobre o motivo da agressão: "Porque ela não queria a Joanna lá".
Sobre o período de um mês em que a menina de apenas cinco anos esteve em coma, no Hospital Amiu, em Botafogo, Cristiane relatou que a vida dela e de toda a família parou. Porém, André continuou a levar a vida normalmente, como se nada estivesse acontecendo. Segundo ela, no dia em que a filha morreu, André ficou parado olhando para o corpo. "Eu perguntei se ele não ia chorar e a resposta foi 'primeiro eu vou tentar entender essa história' e foi embora", relembrou.
A mãe de Joanna ainda contou um pouco sobre a gravidez e o comportamento do pai durante o início da vida de Joanna. "No período de gravidez ele nem me viu grávida. Quando a Joanna nasceu, ele a registrou e depois apareceu pouquíssimas vezes para ver a criança. A Joanna cresceu sabendo que tinha o papai André".
Em relação à perda da guarda da filha, que aconteceu em abril deste ano, a médica explicou que a filha foi "arrancada" dela, e deixou a menina dizendo que voltaria. "Pedi na Justiça, em todas as ONGs que pudessem me ajudar, procurei mil advogados, vendi um apartamento para pagar advogado. A juíza, em nenhum momento, parou para ouvir qualquer tipo de negociação que eu fizesse", lamentou Cristiane.
A mãe da pequena Joanna concluiu a entrevista fazendo um apelo para que pessoas que possam ajudar a chegar no culpado, ou que tenham visto Joanna se machucar, que façam denúncias. Cristiane ainda comparou o caso da filha com outros dois que ficaram bem conhecidos no país pela brutalidade.
"O que mais me indigna nisso tudo é que a história com o menino João Hélio foi ocasionada por marginais. A da menina Isabella Nardoni ocorreu com pessoas que não detinham as leis. No meu caso, a Joanna foi vítima do Judiciário desse país. A juíza tirou ela de dentro de casa e a entregou para ser morta", concluiu indignada.

Corregedoria diz que PMs falsificaram boletim de ocorrência após atropelamento no Rio


Os dois policiais militares suspeitos de extorquir Rafael Bussamra, que atropelou e matou Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, irão responder por falsidade ideológica por terem falsificado um boletim de ocorrência.
A informação foi divulgada pelo corregedor da PM, coronel Ronaldo Menezes, na tarde desta terça-feira. Na manhã de hoje, a PM já havia informado que o cabo Marcelo Bigon e o sargento Marcelo Leal devem responder também pelos crimes de corrupção passiva e transgressão disciplinar.
De acordo com Menezes, os policiais adulteraram o local e a hora do atropelamento no boletim de ocorrência feito no batalhão do Leblon (zonal sul do Rio) no dia do crime. Segundo o corregedor, os dois policiais podem pegar até 15 anos de prisão pelos três crimes (corrupção passiva, transgressão disciplinar e falsidade ideológica) e serem expulsos da corporação.
"A guarnição confeccionou um talão de boletim de ocorrência em que ela registra uma abordagem ao carro de Rafael Bussamra em horário e local que eles não estavam. Daí o crime de falsidade ideológica. Isso tudo foi bem caracterizado a partir do sistema GPS", afirmou o corregedor da PM.
Menezes também disse que, na ocasião, outra dupla de policiais militares registraram um boletim de ocorrência sobre o atropelamento, com os dados corretos.
O IPM (Inquérito Policial Militar) que investigou o caso concluiu que o pai do atropelador teria oferecido propina para os policiais liberarem o veículo do filho. Na ocasião, pai e irmão do motorista teriam pago R$ 1.000 aos militares.
De acordo com o inquérito, houve crime militar na ação dos policiais na madrugada do dia 20 de julho e, por isso, eles terão que passar pelo Conselho de Disciplina da corporação, que terá três oficiais na bancada para avaliar a conduta deles. Os dois militares estão detidos desde o dia 28 no Bep (Batalhão Especial Prisional), em Benfica, zona norte da cidade. A rapidez na conclusão do inquérito impediu que os advogados dos policiais pudessem fazer petições de relaxamento da prisão.
Cópias do inquérito da PM foram distribuídas para o Ministério Público Militar e para a 1ª Central de Inquéritos do Ministério Público da Justiça comum, por apontar a acusação de corrupção ativa contra Roberto Bussamra.



Pagamento da pensão é problema entre muitos casais durante processo de separação



De janeiro a julho deste ano, a Justiça mineira decretou a prisão de 2772 homens. Eles são acusados de não pagar a pensão alimentícia. No momento, todos são considerados foragidos.



Globominas.com

Brasil deve proibir castigo físico de crianças como método pedagógico, diz Vannuchi


São Paulo - A aprovação da lei que visa a proibir que adultos cometam qualquer tipo de punição física contra crianças com o argumento de estarem as educando foi defendida hoje (16) pelo ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. Para o ministro, é um absurdo que a lei brasileira proíba o castigo físico de adultos, mas não o de crianças.
Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) trata dos "maus-tratos", mas não especifica os tipos de castigo. Por isso, o governo federal enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que, se aprovado, irá proibir palmadas, beliscões e formas de agressões físicas hoje consideradas leves por muitos pais e até mesmo por alguns educadores.
Ao falar durante a 1ª Semana de Educação em Direitos Humanos, evento realizado pela Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Vannuchi citou o caso da menina Isabella Nardoni, morta em março de 2008, para explicar que a agressão contra crianças e adolescentes, mesmo quando cometida pelos pais, é um grave problema social e não um assunto familiar.
"Se uma criança é espancada na casa vizinha diariamente, nós não estamos falando de beliscõezinhos ou de tapinhas. Esta é uma lei para que as pessoas entendam que o espancamento da criança não é assunto familiar, mas sim algo que diz respeito a todos", disseu Vannuchi. "Está mais do que na hora do Brasil aderir ao grupo de 25 países que já proíbem o castigo físico de crianças", completou.

Edição: Aécio Amado

Alex Rodrigues


Lei cria serviço para tirar dúvidas da língua portuguesa por telefone no RJ


Oito professores vão responder à população.
Fortaleza já tem serviço semelhante há 30 anos
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O Diário Oficial da Assembléia Legislativa do Rio publicou nesta terça-feira (17) a promulgação da lei que cria o Plantão Gramatical de Língua Portuguesa. O Telegramática, de autoria do deputado estadual Coronel Jairo (PSC), prevê o atendimento através de uma linha telefônica, por uma equipe composta de oito professores, que se revezarão em dois turmos diários. As perguntas poderão ser feitas de segunda a sexta.
Com a lei, a população do Rio passará a contar com um serviço que esclarece dúvidas sobre a língua portuguesa envolvendo ortografia, acentuação, concordância, regência e morfologia.
De acordo com a Alerj, o plantão gramatical funcionará sob a responsabilidade da Secretaria de Educação, que poderá assinar convênio com instituições públicas ou privadas para implantar o sistema. O serviço deverá contar com um número telefônico exclusivo, para garantir o anonimato do usuário.
O serviço segue o modelo de Fortaleza, onde o atendimento funciona com sucesso há 30 anos, com uma equipe de profissionais que atende o público diariamente das 8h às 18h. Há plantões gramaticais por telefone também em Curitiba, Brasília, Jundiaí e Londrina.



PM encontra criança que jogava laser nos olhos de pilotos de avião em BH


Menino disse que queria apenas se divertir

A Polícia Militar descobriu nesta segunda-feira (16) o responsável por colocar em risco a vida de pilotos e passageiros de aviões no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte com um raio laser. Um menino de oito anos ficava na cobertura de um prédio e usava o aparelho contra os profissionais.
De acordo com o capitão Messias Alan de Magalhães, da sala de operações do Comando de Policiamento Aéreo da PM (Copaer), no último sábado (14), a torre de comando recebeu a denúncia de que alguém ameaçava o trabalho dos pilotos. Eles estariam com dificuldades para pousar no aeroporto da Pampulha.
Uma equipe no helicóptero do Copaer saiu em busca do responsável pela emissão dos raios e descobriu que eles vinham de um prédio, localizado na rua Edna Branda Ferreira, no Bairro Santa Amélia. De acordo com o capitão Alan, o edifício fica na linha de pouso das aeronaves.
No local, a PM descobriu que o responsável pela "brincadeira" era um menino de oito anos. Ele contou aos policiais que não teve a intenção de prejudicar ninguém e que queria apenas se divertir.
O responsável por ele, um homem de 29 anos, foi levado para a Delegacia da Polícia Civil de Venda Nova, onde foi ouvido e liberado. Ele pode responder por atentado à segurança dos transportes aéreo, marítimo ou fluvial.


R7

Pediatra afirma que menina morta na semana passada com suspeita de maus-tratos nunca sofreu convulsão

Joanna em foto do celular da mãe/ Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo.

RIO - O pediatra Vanderlei Porto negou, nesta segunda-feira, que Joanna Marcenal - que morreu semana passada sob a suspeita de ter sofrido maus-tratos - tivesse doença neurológica ou qualquer outro problema de saúde que pudesse causar convulsões. Antes de ser internada, a criança, de 5 anos, cuja guarda havia sido entregue ao pai, o técnico judiciário André Rodrigues Marins, foi atendida três vezes em emergências com quadro convulsivo, conforme mostra reportagem de Ludmila Lima, com a colaboração de Vera Araújo, publicada na edição desta terça-feira do GLOBO.
- A Joanna sempre foi supersaudável e normal. Ela nunca teve convulsão e não tomava remédio anticonvulsivo - afirmou Vanderlei, pediatra de Joanna desde que ela era bebê até o momento em que foi entregue ao pai, em 26 de maio.
Em seu depoimento na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav), o falso médico Alex Sandro da Cunha Souza , de 33 anos, estudante do 5º período de Medicina, que atendeu Joanna, levantou suspeitas sobre a madrasta da menina, Vanessa Maia. Segundo o estudante, no RioMar, Joanna pediu para ir ao banheiro. Alegando que a menina estava de fralda, Vanessa teria dito que não era preciso. Naquele dia, segundo peritos do Instituto-Médico Legal do Rio, a criança já tinha queimaduras nas nádegas. Um exame preliminar do IML , feito no fim do mês de julho, constatou que as queimaduras tinham sido produzidas nos últimos 40 dias, quando a menina já estava sob a guarda do pai, o técnico judiciário André Rodrigues Marins.
Alex Sandro disse ainda ter sugerido ao pai de Joanna a permanência da menina no Hospital RioMar, onde o falso estudante dava plantão usando o CRM de um médico de Nova Iguaçu. A criança deixou o hospital desacordada, depois de uma crise convulsiva, no dia 17 de julho.
De acordo com o titular da DCAV, Luiz Henrique Marques, Alex Sandro e a médica Sarita Pereira, coordenadora do setor de pediatria do Hospital RioMar, serão indiciados por exercício ilegal da Medicina, uso de documento falso, falsidade ideológica e tráfico de drogas, já que Joanna recebeu remédios de uso controlado.



Defensora: pai não aceitava relação com padrasto
Joanna passou 26 dias em coma. A vida da menina foi marcada por uma intensa briga entre os pais. As desavenças entre a mãe, a médica Cristiane Cardoso Marcenal Ferraz, e André foram parar na Justiça em 2007. A defensora pública Heloísa Guimarães, que acompanha o caso pelo lado da família da mãe, diz que o pai não aceitava a relação da criança com o padrasto, o pastor Ricardo Ferraz.
A decisão de entregar Joanna ao pai foi da juíza da 1ª Vara de Família de Nova Iguaçu, Claudia Nascimento Vieira. A guarda permaneceria com André até o próximo dia 26, sem direito a visitas da mãe. A medida foi referendada pelo Tribunal de Justiça. Laudos psicológicos teriam atestado que Joanna sofria da síndrome de alienação parental, supostamente em razão de a mãe tê-la afastado do pai.



O Globo

O fenômeno Bullying pode gerar malefícios irreparáveis e crimes diversos.


Na trajetória da vida nos deparamos com situações inusitadas e surpreendentes. Em algumas delas podemos agir, interferir e até mesmo remediar algo de errado, porém noutras, apenas lamentar.
Dia desses, em visita a cidade de Salvador, fui ao Mercado Modelo e ali nas suas imediações um fato ocorrido me chamou atenção para o termo inglês conhecido por Bullying, cujos atos decorrentes são antigos, mas que no presente tempo com a propagação das ações inerentes trás imensa preocupação para os educadores, pais de alunos, autoridades diversas e para a sociedade em geral, vez que os seus resultados sempre se esbarram em situações criminosas ou deprimentes, por vezes com malefícios irreparáveis principalmente para as suas vítimas.
O fenômeno Bullying é usado no sentido de identificar ações provindas dos termos zoar, gozar, tiranizar, ameaçar, intimidar, isolar, ignorar, humilhar, perseguir, ofender, agredir, ferir, discriminar e apelidar pessoas com nomes maldosos, que na grande maioria das vezes tem origem nas escolas através dos jovens alunos que assim praticam tais maldades contra determinados colegas que possuem algum defeito físico, assim como, os relacionados à crença, raça, opção sexual ou aos que carregam algo fora do normal no seu jeito de ser.
De volta ao Mercado Modelo, chegava um ônibus de turismo quando diversos vendedores ambulantes assediavam os turistas para venderem os seus produtos, quando apareceu um velho mendigo, barbudo, cabeludo, maltrapilho, imundo, de pés descalços, tipo daqueles cidadãos que vivem ou sobrevivem à espera da morte na miséria absoluta, morando debaixo das marquises das lojas ou dos viadutos que o tempo e a vida lhes deram de presente e, ao se aproximar daquele grupo de pessoas, então um dos vendedores o enxotou em verdadeira humilhação:
- Sai prá lá GAMBÁ que você espanta qualquer um com o seu fedor de fossa insuportável!...
Vendo aquela cena deprimente e desumana me aproximei daquele mendigo que já saía sem reclamar com o “rabinho entre as pernas” para lhe dar um trocado qualquer e então, do seu jeito de caminhar, dos seus gestos com as mãos, de um sinal no rosto e de um tic nervoso a piscar a todo tempo um dos olhos quase já fechado pela amargura do seu viver, o reconheci...
De imediato naveguei pelo túnel do tempo de volta ao passado e aportei em uma Escola da rede pública ali próxima na própria cidade baixa da capital baiana, no início dos anos 70, onde estudei por quase dois anos antes de voltar para Aracaju e, lá encontrei o colega de classe apelidado de GAMBÁ, então perseguido implacavelmente, ofendido na sua cidadania, discriminado pelo seu jeito de ser e humilhado incondicionalmente pela grande maioria dos seus jovens colegas, meninos e meninas com idades aproximadas de 13 e 14 anos.
Aquele jovem que talvez não gostasse de tomar banho ou que talvez não tivesse oportunidade freqüente para tanto, pelo fato de possivelmente morar em alguma invasão desprovida de saneamento básico e, que sempre chegava suado e cheirando mal em sala de aula, talvez pelo provável fato de também não possuir produtos higiênicos na sua casa, logo ganhou de algum colega gaiato o apelido de gambá que nele grudou qual uma sanguessuga a sugar a sua dignidade e, então passou a ser menosprezado e ofendido por quase todos da classe e até das salas circunvizinhas. Por onde passava os alunos tapavam o nariz e na sala de aula sentava na última carteira, isolado de todos. De tanto humilhado e discriminado que era ninguém dele se aproximava, principalmente por receio de também ser hostilizado.
Senti uma fisgada no peito ao me ver também culpado pelo que se transformou o jovem colega conhecido por gambá. Confesso ter sido cúmplice por omissão, não por ação, pois eu também era uma vítima das ações nefastas advindas do Bullying, por ser um menino tímido ao extremo ao ponto de todos os dias entrar calado e sair mudo em sala de aula, então isolado pelos colegas da classe que preferiam lidar com os mais falantes e extrovertidos.
Como vítima parceira de tais ações depreciativas, o certo era eu ter me juntado ao colega gambá, mas não o fiz por covardia, por medo, por receio de ser mais rechaçado ainda pelos demais estudantes e assim sofremos individualmente em proporções diferentes a dor do isolamento e da humilhação naquele interminável ano de 1972. No ano seguinte gambá, após ter sido reprovado com as menores notas da classe em todas as matérias possíveis não mais retornou ao Colégio, enquanto que, para minha alegria logo retornei para o meu querido Estado de Sergipe para crescer e esquecer aquele deprimente, humilhante e sufocante tempo.
Essa triste lição de vida me mostrou o quanto as chamadas inocentes brincadeiras de criança podem ser maléficas para tantos outros, se é que essas ações escolares agora conhecidas por Bullying podem ser consideradas inocentes, vez que para muitos estudiosos no assunto, tais ofensores sofrem de distúrbios psíquico que precisam de tratamento sob pena de explosões mais desastrosas ainda, como de fato vem ocorrendo em muitos lugares.
A agressividade e a violência advindas do fenômeno Bullying assumem além de tudo, o caráter etiológico do violar, não só referente às normas de conduta, a moral e a disciplina, mas principalmente viola os direitos do cidadão relacionados a sua integridade física e psíquica, a sua liberdade de opinião ou sua escolha de vida, a sua liberdade de expressão e até de locomoção, enfim, fere de morte o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana em sociedade.
A psiquiatria e a psicologia mostram que além do sofrimento dos jovens vítimas do fenômeno Bullying, muitos adultos ainda experimentam aflições intensas advindas de uma vida estudantil traumática.
Nos últimos anos a população mundial freqüentemente assiste atônita as diversas situações estarrecedoras quase sempre nascidas e advindas do fenômeno Bullying, com agressões físicas e assassinatos por parte de alunos contra os seus próprios colegas, contra professores, guerras de gangues, de torcidas organizadas, de tráfico de drogas com participação de jovens estudantes até mesmo dentro das próprias instalações escolares.
As diversas Escolas espalhadas pelo país, destarte para as situadas nos ambientes periféricos das grandes cidades se tornaram espaço de intolerância, competições absurdas e conflitos de todos os tipos possíveis, em especial para os problemas relacionados às drogas, assim como, para os pertinentes à liberdade sexual, ou seja, para as meninas que não aderem a esse tipo de pratica livre, passando então as mesmas a sofrer diversos tipos de perseguições, em verdadeiras inversões de valores por conta das ações absurdas do fenômeno Bullying.
Ética, solidariedade e humanismo são realmente palavras desconhecidas e perdidas em muitas comunidades de jovens estudantes que as substituem pelo desrespeito e pela afronta ao direito individual do seu colega que pretende prosperar e vencer na vida honestamente, pelo seu próprio esforço e valor.
É preciso dar um basta nestes tipos perniciosos de vandalismo e delitos juvenis. O jovem necessita acima de tudo de limites. Precisa entender os seus direitos e os seus deveres e até onde eles chegam. Precisa de disciplina e autoridade. Precisa entender que todos são cidadãos em igualdade de condições. Entretanto, para que consigamos chegar a tal geração de jovens politizada, só com uma boa educação familiar e escolar é possível alcançar tal objetivo.
Assim, não há como deixar de concluir que estamos diante de um sério problema relacionado às áreas educacional, social, da psiquiatria e de segurança pública, com real tendência para sua resolução na educação preventiva, curativa psiquiatra ou psicológica, por isso, necessário se faz, da consciência absoluta do Ministério da Educação com a elaboração de verdadeiro e efetivo Programa de combate a este grande malefício conhecido por Bullying, tomando por gerentes os bons educadores, estudiosos e pesquisadores no assunto que em alguns Estados brasileiros já se fazem presentes nas suas respectivas secretarias de educação, mas que necessitam, sem sombras de dúvidas, de melhores investimentos financeiros para as suas conseqüentes vitórias que por certo serão galgadas no trabalho junto aos pais de alunos, professores e dos próprios estudantes autores e vitimas do fenômeno.
Além dessa medida, necessário se faz uma batalha mais ampla dentro do Legislativo, até com uma reforma no próprio Estatuto de Criança e do Adolescente com reais modificações e acrescentando-se a esta Lei bons artigos inerentes ao tema para possibilitar ao Estado Nação um melhor campo de atuação, pois é desejo de todos nós vermos os nossos jovens estudantes crescendo e somando-se a construção coletiva e permanente para o pleno exercício da cidadania.

Autor: Archimedes Marques (delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela Universidade Federal de Sergipe)


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