quarta-feira, 7 de julho de 2010

Vestígios de sangue em carro de Bruno são de Eliza, diz polícia



Amostras foram comparadas com material colhido do pai da jovem.
Eliza teve relacionamento com goleiro Bruno e sumiu no início de junho.


A polícia confirmou, nesta quarta-feira (7), que os vestígios de sangue que foram encontrados no carro do goleiro Bruno são de Eliza Samudio. A jovem teve um relacionamento com o atleta e está desaparecida desde o início de junho. Amostras coletadas no veículo foram comparadas com material genético colhido do pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio.
Segundo o delegado Edson Moreira, de Belo Horizonte, também foram encontrados vestígios de sangue de um homem no carro. Moreira disse que deve pedir o material genético dos suspeitos de envolvimento no caso, para fazer uma nova comparação.
Mais cedo, nesta quarta, policiais entraram na casa em que estaria o corpo de Eliza Samudio, em Vespasiano (MG). De acordo com a Polícia Civil, entraram no imóvel bombeiros, peritos e delegados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais com suas equipes.
Policiais disseram que foram retirados do imóvel dez cães da raça rottweiler (sendo quatro adultos e seis filhotes) e um vira-lata. Os animais devem ser levados para o centro de zoonoses de Belo Horizonte.

Entenda o caso
De acordo com a polícia, o sumiço de Eliza começou a ser investigado após denúncias de que ela havia sido agredida no sítio que pertence ao jogador Bruno, em Esmeraldas (MG).
Em 28 de junho, a polícia vasculhou o sítio do goleiro Bruno, por mais de nove horas. Policiais e peritos fizeram escavações e vistoriaram o sótão, onde encontraram roupas de mulher, objetos de criança, fraldas e passagens aéreas. Um poço também foi vasculhado. A polícia já ouviu funcionários do sítio de Bruno e amigas de Eliza.
Em 5 de julho, a polícia recebeu denúncia de que o corpo da jovem foi jogada em uma lagoa, em Ribeirão das Neves (MG). Bombeiros realizaram buscas, mas nada foi encontrado.
O Flamengo anunciou que o goleiro permanece afastado do time durante as investigações. Em 1º de julho, ele disse que estava "muito chateado" com o sumiço de Eliza. O atleta ainda não foi chamado para depor.



G1

Retirados doentes do Hospital Geral de Luanda, prestes a desabar


Quatro anos após a inauguração

Uma centena e meia de doentes foram retirados do Hospital Geral de Luanda, que ameaça ruir, quatro anos depois de construído por uma empresa chinesa, anunciou hoje a Rádio Nacional de Angola (RNA).
Os doentes foram levados do local depois da descoberta de “fissuras profundas nas paredes dos serviços de pediatria e de ginecologia”, especificou a RNA.
O estabelecimento, que custou 8 milhões de dólares (6,3 milhões de euros), foi construído pela China Overseas Engineering Group Company (COVEC), ao abrigo das linhas de crédito que a China concedeu a Angola, segundo o semanário privado angolano “O País”, que alertara que Hospital Geral poderia ruir a qualquer momento, pois que estava desde a semana passada “a cair aos bocados”.
O MPLA, partido no poder, enviou para o local a deputada Ariana Afonso, a qual declarou à RNA que “uma estrutura construída tão recentemente não deveria apresentar este tipo de problema, que coloca em risco a vida dos doentes. O governo provincial de Luanda deve procurar os responsáveis, porque 8 milhões de dólares são muito dinheiro”.
Desde o fim da guerra civil entre o MPLA e a UNITA, de 1975 a 2002, Angola encetou grandes obras públicas, graças ao auxílio da China, que abriu linhas de crédito em troca do petróleo angolano.
Os empréstimos são feitos por três entidades distintas: o banco estatal de exportação EXIM, o Fundo Internacional Chinês e o Banco Chinês de Desenvolvimento, cujo funcionamento é segundo a AFP considerado “muito opaco”.
Os empréstimos chineses destes últimos oito anos elevam-se a 9.000 milhões de dólares (7.100 milhões de euros), estando agora a ser negociado um novo crédito no valor de dois terços desse total até agora concedido.
Logo um ano a seguir à sua inauguração, as instalações do Hospital Geral de Luanda começaram a apresentar fissuras no interior e no exterior, situação que se arrastou até agora, sem que tivesse havido qualquer intervenção de monta por parte dos empreiteiros ou da entidade que fiscalizou a obra, escreveu o semanário “O País”.
A directora daquela unidade hospitalar, Isabel Massocolo, explicou nos últimos dias à imprensa que os doentes iriam ser transferidos, de modo a evitar que se repetisse uma situação de Março de 2007, quando desabou o edifício da Direcção Nacional de Investigação Criminal e morreram soterradas mais de 30 pessoas.
Em Março do ano passado o hospital recebera a visita de deputados da subcomissão parlamentar de Saúde e Ambiente, que constataram “algumas dificuldades, principalmente nas áreas de gestão e manutenção”. Mas nem esse nem outros alertas serviram de grande coisa, até que o mês passado os blocos provocados pelas fissuras se começaram a separar uns dos outros. Quem estivesse lá dentro via bem o que se passava no exterior, sem necessidade de ir à janela; e vice-versa. Tal como quem estivesse no rés-do-chão podia perfeitamente assistir às movimentações no andar de cima.


P20

Polícia mineira encontra corpo em casa onde estaria Eliza Samudio



Homem conhecido como Russo seria dono da residência, segundo investigações

A equipe de reportagem da Rede Record em Belo Horizonte (MG) informou que policiais civis encontraram um corpo na casa onde procuravam Eliza Samudio, na tarde desta quarta-feira (7), no bairro Santa Clara, em Vespasiano, região metropolitana da capital mineira.
Segundo a Rede Record Minas, o quarteirão da casa onde o corpo foi encontrado estava interditada às 13h30 por policiais fortemente armados. Centenas de curiosos se aglomeravam nos limites do isolamento. O local seria a residência de um ex-policial que teria sido exonerado das funções por causa do envolvimento em sequestros. Ele é conhecido como Russo.
A casa tem dois andares, sendo que um deles está em obras. Três cães fazem a segurança do local. Ainda não há confirmação de que o cadáver encontrado seja de Eliza Samudio. A Polícia Civil não se pronunciou oficialmente sobre este desdobramento. A movimentação é grande no local.
A jovem paranaense, 25 anos, é ex-amante do goleiro Bruno e dizia que o filho de quatro meses era do atleta. Ela desapareceu no início de junho e foi vista pela última vez no sítio de Bruno em Esmeraldas (MG). O jogador e outras seis pessoas são suspeitas de envolvimento no sumiço. Todos tiveram a prisão temporária decretada nesta manhã. Cinco já foram presas, segundo a Justiça de Minas Gerais. Bruno e o amigo conhecido como Macarrão estão foragidos.



Um policial civil da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro informou às 12h que a corporação já recebeu ao menos dez denúncias anônimas sobre o paradeiro do goleiro. Ao menos 15 equipes da Polícia Civil fazem buscas em cerca de seis endereços no Rio.
Vizinhos do goleiro disseram à Rede Record que o jogador deixou a casa dele, em um condomínio no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste, por volta das 2h. Equipes da Polícia Civil ficaram entre 5h e 8h15 na porta da casa de Bruno até que saíram para fazer buscas pela cidade. O advogado dele informou que irá entrar com habeas corpus contra a prisão do jogador.



Regente russo Mikhail Pletnev indiciado por estupro de menor na Tailândia


BANGKOK — O célebre regente de orquestra e pianista russo Mikhail Pletnev foi indiciado por estupro de um menor de 15 anos na Tailândia e poderá ser condenado a uma pena de até 20 anos de prisão.
Pletnev, de 53 anos, é o diretor artístico da Orquesta Nacional da Rússia. Foi libertado sob fiança de 300.000 bahts (9.200 dólares) e autorizado pelo tribunal a abandonar o país de maneira temporária.
"Ele foi indiciado pela violação de um jovem menor de 15 anos", declarou o tenente-coronel Omsin Sukkanka, diretor do Centro de Proteção de Crianças, Jovens e Mulheres da cidade de Pattaya, sul da Tailândia.
Pletnev pode ser condenado a uma pena de quatro a 20 anos de prisão. Ele também pode ser acusado de detenção ilegal de menor.
O tribunal de Pattaya informou que a próxima audiência do músico está prevista para 19 de julho, mas a lei exige que se apresente às autoridades a cada 12 dias.
A agência de notícias RIA Novosti revelou na véspera, citando o cônsul da Rússia na Tailândia, que o músico havia sido liberado sob fiança depois de uma revista em sua casa em Pattaya, um balneário conhecido por sua indústria do sexo.
Sites russos na internet publicaram vídeos da revista, aparentemente feitos pela polícia tailandesa, nos quais apareceu o passaporte do músico.
Um funcionário de uma organização não-governamental local explicou que a suposta vítima do músico tem 14 anos e frequenta a escola.
"A vítima apresentou uma denúncia junto a nós e cooperamos com a polícia para investigar e obter do tribunal uma ordem de prisão", explicou à AFP Supagon Noja, afirmando que o músico russo foi detido numa quadra de badminton na terça-feira.
Pletnev afirmou que era inocente das acusações.
Mikhail Pletnev, que pertence a uma família de músicos, ficou famoso depois de ganhar o primeiro prêmio do Concurso Tchaikovski em 1978, aos 21 anos.
No começo dos anos 80, começou a dirigir músicos antes de fundar, em 1990, a Orquesta Nacional da Rússia. Pouco depois foi nomeado seu diretor artístico.
Suas gravações com esta orquestra de virtuoses, principalmente as sinfonias de Tchaikovski e Rajmaninov, são consideradas entre as melhores por muitos críticos. Pletnev abandonou os concertos de piano para se dedicar à direção musical.
Também é um dos assessores em termos de cultura e arte do presidente russo Dimitri Medvedev. Em 2005, ganhou um prestigioso Grammy Award.
Em Moscou, o ministério das Relações Exteriores indicou que o músico contará com uma assistência jurídica e consular.

AFP

Venda da maconha é normatizada no Colorado (EUA) e será restrita a profissionais


Venda da maconha é normatizada no Colorado (EUA) e será restrita a profissionais
The New York Times - David Segal, Em Boulder, no Colorado (Estados Unidos)
Quem achar que será fácil enriquecer vendendo maconha em um Estado no qual esta droga é legal deveria passar numa companhia de Ravi Respeto, gerente da Farmacy, uma drogaria de luxo daqui, especializada em maconha, que oferece a Strawberry Haze, a Hawaiian Skunk e outras variedades de Cannabis sativa por até US$ 16 (R$ 29) o grama.

Ela acabará com a alegria dos otimistas.

“Nenhum programa de M.B.A. poderia ter me preparado para esta experiência”, diz ela, usando um jaleco de cor creme feito de cânhamo. “As pessoas têm essa noção equivocada de que basta entrar no negócio para começar a ganhar dinheiro fácil, mas a realidade não é essa”.

Desde que este estabelecimento foi inaugurado, em janeiro, ela tem passado por vários problemas enervantes seguidos. Os cultivadores de maconha, acostumados a efetuar transações apenas em dinheiro vivo, estão chocados por serem pagos com cheques ou pelo fato de os clientes lhes pedirem recibos. E há muitas surpresas desagradáveis, como quando, recentemente, a Farmacy descobriu que a sua linha de bebidas com infusão de maconha não poderia ser vendida nas imediações de Denver. As autoridades municipais de lá decidiram que qualquer produto modificado com maconha precisa ser produzido em uma cozinha da cidade.

“Você jamais veria uma lei que determinasse, 'Quem quiser vender tênis da Nike em São Francisco, só poderá vendê-los se eles forem fabricados em São Francisco'”, diz Respeto, sentada em um pequeno escritório no segundo andar da Farmacy. “Mas neste ramo de negócios a gente se depara a todo momento com coisas desse tipo”.

Uma das experiências mais estranhas da história recente do capitalismo norte-americano está em andamento aqui nas Montanhas Rochosas: a primeira tentativa do país de regulamentar, licenciar e taxar integralmente a comercialização da maconha com fins lucrativos. Na Califórnia, os donos de farmácias que vendem maconha para fins medicinais trabalham em associações sem fins lucrativos, mas os pioneiros da cannabis do Estado do Colorado contam com a liberdade para lucrarem o quanto puderem – contanto que atuem segundo as regras estabelecidas.

O problema é que há uma quantidade enorme de regras, e regras adicionais entrarão em vigor nos próximos meses. As autoridades daqui foram inicialmente pegas de surpresa quando a corrida às farmácias que vendem maconha teve início aqui no ano passado, depois que o presidente Barack Obama anunciou que as forças federais de repressão ao uso de entorpecentes não perturbariam os usuários nem os fornecedores de maconha, contanto que estes obedecessem às leis do Estado. No Colorado, onde uma emenda constitucional legalizando a maconha para fins medicinais foi aprovada em 2000, centenas de drogarias especializadas na droga surgiram imediatamente, e uma quantidade enorme de residentes do Estado passou a se queixar de “fortes dores”, um dos oito problemas de saúde mais populares que podem ser tratados legalmente com essa erva, que antigamente costumava ser demonizada.

Agora, mais de 80 mil pessoas aqui possuem certificados para o uso medicinal da maconha. Esses certificados são basicamente receitas médicas, e durante meses cerca mil novos “pacientes” por dia procuraram obter o documento.

À medida que a oferta atendia a demanda, os políticos decidiram que era necessário um novo conjunto de regras. A receita federal dos Estados Unidos (Department of Revenue) passou meses criando regras para essa nova indústria, acabando com a fase da procura louca por receitas e substituindo-a por medidas específicas para conter essa tendência. Tais medidas dizem respeito ao cultivo, à distribuição, ao armazenamento e a todos os outros aspectos da indústria de produção e venda da maconha.

Agora todos observarão atentamente a experiência, bem além das fronteiras do Colorado, para ver se essas medidas terão sucesso. As regras adotadas aqui poderão ser um modelo para os 13 Estados, bem como o Distrito de Colúmbia e o Maine, que estão prestes a criar programas próprios relativos à maconha.

Os norte-americanos gastam cerca de US$ 25 bilhões (R$ 45,3 bilhões) por ano com maconha, segundo o economista da Universidade Harvard, Jeffrey Miron, o que dá uma ideia da popularidade dessa droga. No fim das contas, nós poderemos estar nos referindo a uma quantia considerável em impostos sobre a comercialização da droga, derivada da venda da maconha como remédio. Isso para não mencionar o investimento privado e a geração de empregos. Um porta-voz da Organização Nacional para a Reforma das Leis da Maconha diz que os investidores em fundos de hedge e vários firmas de serviços financeiros estão começando a manter contatos a fim de avaliarem as oportunidades financeiras proporcionadas pelo novo negócio.

“Hoje em dia ninguém nos telefona mais para perguntar se o uso da maconha faria com que os homens desenvolvessem seios”, diz Allen St. Pierre, diretor executivo da Organização Nacional para a Reforma das Leis da Maconha. “Agora, os telefonemas são de investidores – pessoas que estão procurando formas de investir ou de oferecer os seus serviços”.

E o que aconteceria se a maconha fosse legalizada? Como o governo criaria regras que permitissem que a indústria florescesse, sem no entanto crescer descontroladamente? E, tendo em vista que tudo isso diz respeito a uma medicação, o que dizer dos médicos, alguns dos quais transformaram as consultas para a prescrição de maconha para fins medicinais em uma especialização altamente lucrativa?

Estas e dezenas de outras questões estão sendo agora respondidas em cidades como Boulder, uma localidade afluente, com uma grande comunidade universitária, onde o número de drogarias especializadas na venda de maconha – existem de 50 a 100 dessas drogarias, dependendo da pessoa a quem se perguntar – é maior do que o número combinado de estabelecimentos de venda de álcool e de cafés Starbucks. Durante uma visita recente, ficou claro que para cada vendedor de maconha e cada médico que acredita que as regras são muito estritas, nebulosas ou fluidas, existem outros que mal podem esconder o sorriso das suas faces.

“Quando eu visitei a cidade em setembro último, olhei em volta e vi que havia apenas quatro dessas drogarias em Boulder, e todas elas ficavam no campus”, diz Bradley Melshenker, o co-proprietário da Greenest Green que já foi comerciante de maconha para fins medicinais em Los Angeles. “Nós entramos em uma delas e vimos 30 garotos na sala de espera. Nós percebemos que aquilo era uma maluquice”.

A primeira visita a um centro de venda de maconha para fins medicinais é uma experiência meio desorientadora, semelhante a respirar debaixo d'água durante o primeiro mergulho autônomo, ou como ver o Red Sox vencer a World Series de 2004. Tudo o que você viu no passado lhe diz que tal experiência é impossível, mas, ao mesmo tempo, você sabe que aquilo está de fato ocorrendo.

Esqueçam as transações furtivas que definem o comércio norte-americano de maconha desde que este teve início. As melhores drogarias especializadas de Boulder exibem o seu produto naquele tipo de vitrine que se vê em joalherias e padarias de luxo.

As pessoas que estão atrás do balcão, conhecidas como “budtenders”, gostam de se definir como sommeliers, embora os nomes das variedades à venda nestes estabelecimentos jamais serão confundidas com um vinho chardonnay: Bubble Gum, Sour Kush, God’s Gift, Grand Daddy Purp e Blue Skunk.

“Esta aqui vai deixar o usuário nas alturas”, diz Michael Bellingham, proprietário da drogaria Boulder Medical Marijuana Dispensary, enquanto segura um frasco de Jack the Ripper (“Jack, o Estripador”), uma das mais de dez variedades de maconha vendidas em sua loja. “É uma variedade muito séria, muito forte; ela vai direto ao cérebro”.

Tirando umas duas exceções – Bellingham entre elas –, entrevistar vendedores de maconha é uma experiência diferente de entrevistar qualquer outro tipo de empresário. Perguntas simples do tipo “sim” ou “não” geram solilóquios de dez minutos de duração. Palavras novas são criadas no local, como “refudiate”, e ouvem-se vocábulos regulares que são usados de maneiras que só fazem sentido naquele contexto específico. Um cara não parava de dizer “rue” (“arrependido”) como se a palavra significasse “relutante”, como na frase “I think the state was rue to act” (“Eu acho que o Estado estava 'arrependido' em agir”).

Muitos deles têm uma longa história de contato com a maconha, e eles continuam – vamos adotar a nova terminologia - “rue” na hora de fornecer os seus nomes. Um funcionário de uma drogaria jura que os seus pais hippies o batizaram de Onefree, mas diz que prefere ser chamado de Dave, e que todo mundo o chama de Van.

Alguns donos de drogarias recusaram-se a ser entrevistados; muitos deles ainda estão tentando se acostumar à ideia de que aquilo que estão fazendo é legal. E nenhum dos proprietários nos convidou para visitar o seu “grow”, conforme são conhecidas as plantações hidropônicas de maconha em ambientes fechados. Quanto a esse assunto, todo mundo fica meio acanhado. Existem regras estritas quanto ao tamanho dessas plantações, e é claro que no nível federal a maconha continua classificada como “Substância Controlada de Categoria I”, juntamente com a heroína e o LSD.

Porém, a maioria dos proprietários tem prazer em mostrar os seus produtos à venda, e esse material tem pouca coisa a ver com as trouxas de maconha da era antiga dessa droga. A maconha de última geração é densa e de aparência argilosa e vêm com tonalidades exóticas de verde e lavanda – como tapetes de fibras feitos em uma selva. A maioria dos usuários compra um ou dois gramas a cada vez, e muitas dessas drogarias oferecem “cartões de lealdade” - compre bastante e ganhe um pouco de graça. E se o consumidor não gosta de fumar, existe uma grande quantidade de produtos comestíveis à base de maconha, como biscoitos, bombons, manteiga, barras de chocolate, bolinhos, café e sorvete.

“Algumas semanas atrás nós organizamos aqui uma noite de milkshake de maconha”, conta Lauren Meisels, da Greenest Green. “O estabelecimento ficou lotado”.

Os comerciantes de maconha do Colorado, assim como os pioneiros em qualquer novo negócio, têm que tomar várias decisões básicas quando abrem as suas firmas. Entre elas: qual deveria ser o aspecto de uma drogaria especializada em maconha para fins medicinais com objetivos comerciais? As leis estaduais determinam que a venda de cannabis só pode ser efetuada em “áreas de acesso limitado”, mas não há nada referente à decoração do interior das lojas.

Portanto, o que se vê é uma grande variedade em termos de visual. A Greenest Green parece um bar de Amsterdã, com um quadro informativo que anuncia as ofertas do dia com cores que fazem lembrar o Starbust Fruit Chews, bem como um aparelho de som que toca reggae. Até uma lei recente ter entrado em vigor, os pacientes podiam “se medicar” na própria loja, com opções que incluíam a experiência de fumar óleo de haxixe em uma espécie de bong elaborado chamado “skillet”, ao preço de US$ 5 (R$ 9).

A Green Room tem um ar de Loja de Cristais na Boêmia, com um bar expresso e uma sala separada para uma massagista. Uma outra, a Dr. Reefer – este é o nome da drogaria e do dono – tem orgulho de ser meio bagunçada, em parte porque ela não passou por nenhuma reforma rigorosa desde que a lanchonete que funcionava ali mudou de endereço.

“Antigamente isso aqui era uma lanchonete de cachorros-quentes chamada What’s Up Dog. O meu negócio funcionava no porão”, diz Pierre Werner, que é o Dr. Reefer em pessoa. “Quando a What's Up Dog fechou, eu me mudei para cá no dia seguinte, e desde então a loja funciona aqui”.

Aliás, Werner não é na verdade médico. Ao contrário, ele é – e diz isso em tom de orgulho e desafio - “um criminoso condenado em três ocasiões pela posse de maconha com a intenção de vender a droga”. Essa história, bem como o seu hábito de ficar próximo à beira da estrada acenando com um grande cartaz com a inscrição “Dr. Reefer” para os carros que passam, enquanto grita “venham pegar os seus medicamentos”, fazem com que os outros proprietários de drogarias especializadas em maconha, para não falar dos políticos locais, não o vejam com bons olhos.

Afinal de contas, eles estão tentando criar respeitabilidade – e talvez até mesmo um certo toque de classe –, e o Dr. Reefer não está os ajudando nessa tarefa.

Se existe um precedente histórico para aquilo que está ocorrendo atualmente no Colorado, esse precedente pode ser a década de vinte e a era da Lei Seca. Durante aquela era, a lei de proibição federal continha uma cláusula de exceção para uso medicinal do álcool, e médicos de toda a nação logo descobriram que podiam incrementar os seus rendimentos mediante a prescrição de receitas de bebidas alcoólicas.

As farmácias, que se candidataram a fornecer tais receitas, e que foram um dos últimos tipos de estabelecimentos nos quais se podia comprar uísque legalmente, lucraram bastante. Durante a década de vinte, o número de lojas Walgreens disparou de 20 para quase 400.

A Lei Seca também enriqueceu aventureiros em todos as etapas da produção e do consumo de bebidas alcoólicas, desde plantadores de uvas e destiladores até os donos de lojas ilegais de bebidas. Muitos deles acabaram acumulando fortunas legítimas com o fim da Lei Seca. Muitos indivíduos que estão no ramo da venda de maconha dizem acreditar que eles são os pioneiros em um mercado que poderá crescer enormemente, à medida que as leis e a opinião pública se tornarem mais favoráveis ao negócio. Mas muita coisa depende das restrições impostas à venda da cannabis, conforme indica o exemplo do Colorado.

Os vendedores daqui dizem que, para ter sucesso no negócio, é preciso levar em consideração dois fatores essenciais.

O primeiro é a importância de garantir a obtenção de muitos “direitos de profissionais de saúde”, uma espécie de autorização de venda que toda pessoa que tenha um certificado para a aquisição de maconha pode designar ao vendedor que escolher. Esses direitos de profissionais de saúde de cada paciente, conforme os usuários são universalmente conhecidos, permitem que a drogaria venda a maconha produzida por seis plantas, embora a maconha possa ser vendida para qualquer um que possua um certificado. Assim, quando mais desses direitos a drogaria de maconha obtiver, mas maconha ela poderá vender.

O segundo fator essencial é cultivar a própria maconha. Uma libra (454 gramas) de maconha é vendida no mercado varejista por um preço que varia entre US$ 5.500 e US$ 7.500 (R$ 9.960 e R$ 13.583). A compra dessa quantidade no atacado custará cerca de US$ 4.000 (R$ 7.244). Mas quem plantar a própria maconha terá um custo por libra que ficará apenas entre US$ 750 e US$ 1.000 (R$ 1.358 e R$ 1.811).

“É como um ambiente real de atacado”, afirma Sean Fey, um dos proprietários da Green Room. “Tendo em vista as despesas gerais, ninguém vai ganhar muito dinheiro se as margens de lucro forem de 40% ou 50%, que é aquilo que você ganha caso não cultive a sua própria maconha. Mas quem produzir a própria maconha terá margens de 70% a 80%”.

Até o momento espera-se que as vendas de maconha gerem cerca de US$ 2,7 milhões (R$ 4,9 milhões) em taxas de licenciamento, além dos mais de US$ 681 mil (R$ 1,2 milhão) em impostos sobre vendas coletados entre julho de 2009 e fevereiro de 2010. Esses números parecem ser um início suficientemente bom, mas representam bem menos do que os US$ 15 milhões (R$ 27,2 milhões) em impostos anuais previstos por algumas das autoridades mais otimistas do Estado.

Uma série de regulamentações conhecida como Emenda 1284, assinada pelo governador em 7 de junho, deverá inviabilizar os negócios de muitas drogarias de maconha, eliminando os indivíduos amadores e os semi-profissionais que embarcaram nessa onda porque não havia nada para detê-los, mas ela fortalecerá bastante aqueles que até o momento conseguiram se manter firmes.

Essa é pelo menos a esperança de Matt Cook, diretor de fiscalização do Departamento da Receita Estadual, e o homem responsável pelo sistema de regulamentação da maconha no Colorado.

“Eu lido com regulamentações para diferentes setores empresariais há 30 anos”, diz Cook. “Álcool, tabaco, venda de automóveis. Eu simplesmente peguei as melhores práticas desses setores, e me foi permitido apresentar as minhas próprias sugestões”.

As novas regras, muitas das quais entrarão em vigor nos próximos meses, tratam as drogarias de maconha um pouco como as farmácias tradicionais e um pouco como os cassinos. Em breve aqueles indivíduos que tiverem passagem pela polícia não poderão ser proprietários desse tipo de estabelecimento (Werner está vendendo a loja Dr. Reefer). Webcams que funcionarão 24 horas por dia estarão focalizadas em todas as unidades de cultivo e drogarias de maconha no Estado. Existem restrições quanto a horários, novas regras para licenciamento, diretrizes para rótulos, e assim por diante.

Os proprietários, de forma geral, não estão reclamando. Quando mais o negócio for regulamentado, maior facilidade eles terão para operar, afirma Respeto, da Farmacy. A companhia, que ela fundou com o pai, tem grandes ambições: tornar-se uma franchise para a venda de maconha para fins medicinais e fazer com a Super Silver Haze o que a Rite Aid fez com as pílulas. A loja em Boulder é de fato a quinta da companhia. Já existem três na Califórnia e uma em Denver.

“No passado eu fui gerente de lojas da rede Whole Foods na Costa Leste”, explica ela. “E aquilo era muito mais fácil, já que na indústria de alimentos a gente conhece os padrões”.

Respeto tem uma espécie de aparência normal típica das mães de pré-adolescentes, algo que se ajusta perfeitamente a um elemento central do plano de marketing da Farmacy. A companhia gostaria de expurgar desse setor aquela imagem de contracultura, de indivíduos chapados e confusos, e transformá-lo em algo mais condizente com o consumidor comum.

“O que se ouve falar sobre esse setor tem a ver com bandos de garotos de 18 anos que só querem curtir uma onda”, diz ela. “Mas no nosso estabelecimento você vê muito pouco disso. O que se vê nele é, por exemplo, aquela mulher de 50 anos de idade que sofre de artrite e que escolhe a maconha como medicação analgésica”.

A dimensão medicinal dessa indústria parece estar em uma tensão perpétua com as suas raízes psicodélicas. Todos os funcionários dessas drogarias transmitem uma grande sinceridade ao falarem sobre os benefícios da maconha à saúde, e cada um deles tem uma história a contar sobre um homem idoso cuja dor crônica de coluna desapareceu ao experimentar os poderes curativos da maconha Sour Diesel.

Essas são histórias verdadeiras, e não há dúvida de que a maconha ajuda muita gente que está padecendo de dores genuínas.

Mas qual foi a última vez que a sua farmácia ofereceu uma noite do milkshake? Ou que ela vendeu bolas de sorvete de chocolate e amendoim com “dosagem controlada”?

A julgar pelos três dias de visitas a doze estabelecimentos, o público-alvo dessas drogarias parece consistir de um grupo de pessoas de 20 a 30 anos de idade. Quando questionados, todos eles disseram que padecem de algum problema de saúde – insônia, cólicas menstruais ou vários problemas ortopédicos dolorosos.

“Eu fraturei uma vértebra na minha coluna”, diz Keith Aten, que acabou de passar na Green Room para comprar um biscoito e um caramelo “medicinais”. “A minha coluna dói se eu passar o dia caminhando muito”.

Aten é um jovem alto de 21 anos de idade que usa uma camiseta com a ilustração de uma “versão zumbi” do espantalho do Mágico de Oz, espreitando na Estrada dos Tijolos Amarelos e gritando “Cérebros!”. Como todo paciente, Aten é assiduamente cortejado com amostras pelos proprietários que estão de olho no direito de profissionais de saúde obtido pelo rapaz junto a um médico.

“O meu fornecedor costumava me dar uma amostra grátis de 14 gramas por mês, mas ele diminuiu essa quantidade para 7 gramas”, diz Aten. “Assim, eu estou procurando quem me ofereça algo mais vantajoso. Até o momento eu já visitei 30 estabelecimentos”.

Para adquirir esse status privilegiado, Aten precisou passar primeiro por um exame médico que certificasse que a maconha era um remédio apropriado para ele. E, por mais surpreendente que isso seja, o exame pode ser o dinheiro mais fácil de se ganhar nesse campo aromático.

Para entender por que, basta visitar o consultório do médico James Boland, a cerca de 15 quilômetros de Boulder, em um centro comercial em Broomfield. O lugar é uma modelo de eficiência de fluxo de trabalho. Em uma questão de minutos, os pacientes são saudados por uma secretária, têm os documentos registrados por um cartório público e são acompanhados até uma sala de espera – que no dia em que a reportagem esteve lá tinha uma televisão que exibia um vídeo que ensinava como preparar a própria maconha.

“Hoje eu atendi cerca de 40 pacientes, mas às vezes atendo até cem”, afirma Boland, sentado na sua pequena sala de exames.

Ele usa um uniforme verde escuro, como se fosse um membro de uma unidade MASH no intervalo de trabalho. Até o ano passado, ele tinha uma renda modesta fornecendo atestados médicos a trabalhadores de uma fábrica local de mobília.

Foi então que ele decidiu entrar em tempo integral no campo da maconha para fins medicinais, e abriu este espaço, que tecnicamente não é um consultório médico, mas sim uma “firma de gerenciamento e marketing” chamada Relaxed Clarity. Os seus funcionários têm permissão para fazer aquilo que ele não pode fazer – ir até as drogarias para fazer propaganda dos seus serviços.

E quando os pacientes chegam, eles se deparam com uma operação empresarial altamente eficiente. Cada exame demora de três a cinco minutos. “Tudo o que fazemos é responder a esta pergunta simples: esta pessoa tem um problema de saúde que faz com que ela se qualifique para o uso medicinal da maconha?”, explica Boland. “E ela apresenta algum outro problema de saúde que faria com que corresse algum risco de reação adversa caso fizesse uso da maconha?”.

Sim para a primeira pergunta, não para a segunda – essas são, segundo ele, as respostas em 90% dos casos. E ele sustenta cada uma das suas decisões.

De acordo com Boland, para os padrões da prática médica diária, este é um trabalho simples e sem dores de cabeça, a menos que o médico esbarre com jornalistas portando câmeras de televisão ocultas na esperança de identificar um caso de má conduta profissional. E há ainda o temor sempre presente de se tornar muito liberal na hora de assinar, tornando-se assim alvo de uma ação disciplinar do comitê médico estadual. Um número muito pequeno de médicos aprova a maioria dos certificados, e Boland é um dos mais lenientes.

Em apenas um ano, trabalhando três dias por semana na Relaxed Clarity, ele atende 7.000 pacientes, cada um deles pagando em média US$ 150 (R$ 272) por consulta. Ele pega uma calculadora e faz umas contas rápidas. Isso significa mais de US$ 1 milhão (R$ 1,8 milhão) em 12 meses. “E não há uma espera para que uma companhia de seguros pague uma fração daquilo que você solicitou”, diz Boland. “Sabe como é: Boom! Dinheiro vivo à vista. Assim, dá para ganhar uma quantidade significativa de dinheiro fazendo isso”.
Assim como a Farmacy, Boland pretende expandir o seu negócio para o âmbito nacional, abrindo clinicas Relaxed Clarity em outros Estados. A diferença é que o negócio dele é rentável, enquanto que a filial da Farmacy em Boulder, pelo menos por ora, não é.

A ausência de lucros tem sido uma fonte de estresse para Respeto. Talvez, à medida que a indústria amadurecer, fique mais fácil e previsível navegar nesse negócio, e haja uma tendência menor a dar telefonemas em pânico devido a problemas imprevistos. Até lá, a boa notícia é que ela está cercada todos os dias por um dos mais conhecidos relaxantes da terra. A má notícia é que ela é uma das poucas pessoas do ramo que não fuma maconha.

“À noite eu vou para casa e tomo uma taça de vinho”, suspira Respeto.

Tradução: UOL

Perfil dos adolescentes em conflito com a lei


O tema dos atos infracionais praticados por crianças e adolescentes é polêmico e abrangente. A vinculação entre infração e pobreza, no sentido do que a infração é atribuída à pobreza dos grupos de origem dos adolescentes, à desagregação familiar, ao fracasso escolar, à falta de regras e limites, leva a considerá-los infratores mais por esses aspectos do que pelas infrações que cometeram. O sentimento de medo, de insegurança e de apreensão em relação a eles, nos diferentes espaços sociais, é fruto da elaboração coletiva e do poder da informação midiática. Desta forma não são as práticas infracionais que suscitam alarme e destroem a tranqüilidade pública, mas o pobre e o negro que ainda permanecem no imaginário coletivo como figuras perigosas para a ordem pública.
O sentimento de insegurança, as propostas de estratégias de punição e maior controle social, aumentados pelo descaso dos órgãos públicos responsáveis pelas políticas sociais de atendimento aos adolescentes, provocam um superinvestimento penal, que se torna o único instrumento apto a enfrentar as práticas infracionais e serve para generalizar ainda mais a insegurança que inevitavelmente se propaga entre os grupos colocados em posições inferiores na escala social (Wacquant, 2001). Trata-se, portanto, de passar de uma concepção negativa de segurança, entendida como simples incolumidade individual em relação a possíveis atos de agressão e como repressão ao delito, para uma concepção positiva de segurança, como reconhecimento das expectativas e da identidade da pessoa e como participação social (Zolo, 2004).
Ao mesmo tempo, necessita-se fazer passos concretos de prevenção e proteção social integral. Não é suficiente olhar os fins, as idéias, as teorias, desejar uma sociedade justa, igualitária, inclusiva e de respeito para todos. Precisa olhar os meios:

"o problema mais interessante a discutir - e provavelmente também o mais suscetível de algum bom resultado - é o dos meios mais do que dos fins; o discurso sobre os fins, diga o que disserem uns e outros, corre sempre o risco de cair no genérico (BOBBIO, 2003,167)."

Temos a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança (1989), ratificada pelo Brasil em 1990, que, nesse mesmo ano, promulgou a Lei Federal nº 8.069, denominada Estatuto da Criança e do Adolescente. Seria interessante estudar e pesquisar o que há por baixo de toda a polêmica e rejeição ao ECA. Um exemplo disso é a atitude e a crítica por parte de prepostos da segurança devido ao fato de que o ECA se tem demonstrado um meio de contenção da arbitrariedade policial.
A problemática de crianças e de adolescentes em conflito com a lei questiona profundamente a cultura da violência, isto é, a ruptura dos nexos sociais pelo uso da força e apela para a erradicação da violência pela construção da cidadania. O que não se pode aceitar não são somente as manifestações de violência, mas a submissão e aceitação dessa realidade.

Clique aqui para ver o trabalho na íntegra

Violência além dos muros

D. mostra o braço atingido por estudante de 16 anos em Oswaldo Cruz

Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia


Menino de 12 anos, perseguido por ser calouro, é agredido com um porrete a 150 metros da escola

Rio - Vítima de bullying — agressões verbais e psicológicas repetidas vezes, sem motivação evidente —, D., 12 anos, aluno do 6º ano de escola municipal em Oswaldo Cruz, Zona Norte do Rio, foi espancado a golpes de porrete por um estudante do 8º ano, 16 anos, na manhã de segunda-feira.
Por causa das pancadas nas costas, braço esquerdo, orelha direita e cabeça, o menino vomitou e sofreu tonturas por mais de quatro horas. Ontem, fez exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML).
O suspeito das agressões vai depor hoje na 30ª DP (Marechal Hermes), onde o caso foi registrado como lesão corporal. A pancadaria ocorreu às 11h15, a 150 metros do colégio.
“Se as pessoas não interferem e tomam o porrete, acho que meu filho teria morrido ali”, alertou o pai do menino, 56.
“Enquanto um me batia, outros quatro mandavam ele bater ainda mais”, revelou D. “Eles vieram por trás, puxaram minha mochila, por isso o empurrei para me soltar. Foi quando ele pegou o porrete”.
Desde que entrou para a escola, em fevereiro, D. sofre por ser um dos calouros. Há dois meses, o pai pediu à direção que o transferisse para o turno da manhã. “Briguei com um garoto que não parava de dar tapa no meu rosto”, disse D.
“Cercamos ele de carinho, por isso não admitimos que seja vítima de violência, ainda mais no ambiente escolar”, ressaltou a mãe, 50, que tem outros três filhos.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação reafirmou que o fato ocorreu fora das dependências da escola. “Ao tomar conhecimento do ocorrido, a direção encaminhou os estudantes de volta à escola e convocou os responsáveis para reunião. O aluno do 8º ano, acusado de agressão, mora com a avó e, de acordo com ela, será providenciada a sua transferência, pois ele voltou a viver com os pais na cidade de Araruama”.

Escola deve prevenir o bullying, diz pediatra
O pediatra Lauro Monteiro Filho, especialista em bullying, disse que o problema deve ser prevenido e combatido pela escola.
“Prevenir e combater o bullying é responsabilidade de toda a instituição e envolve funcionários, professores, diretoria, alunos e pais”.
O médico também dá uma dica sobre como enfrentar este drama recorrente.
“Não se resolve o bullying escolar na polícia ou na Justiça, que são as últimas instâncias a serem procuradas, se todo o resto falhou”.
No Rio de Janeiro, o combate ao bullying está previsto na lei 5.089, sancionada pelo prefeito Eduardo Paes em outubro de 2009. O texto destaca que as unidades de ensino devem incluir ações antibullying nos projetos pedagógicos.


O DIA ONLINE

Congresso contra drogas tem início hoje na Capital

Evento vai reunir profissionais de quatro países para debater o crack

Renomados especialistas se reúnem a partir de hoje para combater um inimigo comum: o crack. Com o objetivo de encontrar soluções para enfrentar o crescente problema do abuso de entorpecentes no Estado e no país, inicia-se às 8h o 1º Congresso Internacional Crack e outras Drogas: Um Debate que se Impõe.
Promovido pela Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul e a UFRGS, com apoio do Grupo RBS, o evento vai reunir personalidades – que são referência na área – de quatro países: Argentina, Brasil, Colômbia e México. Até sexta-feira serão realizadas três conferências, três painéis e 16 oficinas, todas com inscrições esgotadas.
O primeiro palestrante será o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Também no primeiro dia, ocorrerá o Painel da Prevenção, que terá a participação do vice-presidente RS da RBS, Geraldo Corrêa. Amanhã, o psiquiatra e psicanalista Eduardo Kalina é uma das atrações. A médica e doutora em ciências Ana Cecília Marques participará do Painel Tratamento.
O foco das discussões estará na prevenção, no tratamento e na redução da oferta de drogas, principalmente do crack. Segundo dados do IBGE, o número de usuários da pedra no Brasil chega a 1,2 milhão, e a idade média para início do uso da droga é de 13 anos. No início de 2009, pelo menos 55 mil pessoas consumiam a pedra diariamente no Estado.

Os debates
- O que: 1° Congresso Internacional Crack e Outras Drogas
- Quando: até sexta-feira
- Onde: salão de Atos da UFRGS
- Como participar: as vagas estão esgotadas
- Novas inscrições: só em caso de desistência, no local, por R$ 30

PARTICIPANTES
- Gilmar Mendes – Ex-presidente do STF, o ministro fará a conferência de abertura do evento
- Solange Nappo – Pesquisadora do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
- Eduardo Kalina – Psiquiatra e psicanalista argentino, é autor de livros sobre dependência de drogas

Polícia investiga maus-tratos contra criança em ritual de magia



Criança foi encontrada com ferimentos no corpo.

A polícia de Várzea Paulista vai investigar a denúncia de maus tratos e cárcere privado de uma criança de dez anos. Ela foi encontrada em um terreiro de umbanda que funcionava irregularmente. O promotor da Vara e da Infância determinou que a menina seja levada para um abrigo.
A conselheira tutelar, Elaine Rodrigues, chegou até à casa, na Vila Real, para investigar uma denúncia de maus tratos. Ela encontrou a menina de 10 anos com a cabeça raspada e com pequenos cortes pelo corpo. A mãe da menina é uma frequentadora do terreiro. A mãe e o pai de santo foram levados para a delegacia para prestar depoimento. Eles não quiseram falar sobre as denúncias.
A criança foi encaminhada à Vara da Infância e Juventude. Para o promotor , a menina contou que participava de um ritual. Uma das exigências era ficar pelo menos 14 dias sem sair de casa. Com base no depoimento, o promotor decidiu encaminhar a criança para um abrigo.
A polícia também vai investigar o caso. O delegado quer saber a origens das lesões encontradas no corpo da menina e se ele era mantida em cárcere privado. Uma equipe da Vigilância Sanitária foi verificar a denúncia de maus tratos a animais que vivem no terreiro de umbanda,mas não encontrou irregularidades.
Também em Várzea Pauista policiais estiveram em outro centro de umbanda da cidade para verificar uma denúncia de pedofilia. No local, havia três adolescentes. Foram encontrados preservativos e revistas pornográficas. O Ministério Público informou que vai abrir procedimento para investigar a denúncia.



TV Tem

terça-feira, 6 de julho de 2010

Menor confirma que ex de Bruno está morta, diz policial



Eliza Samudio está desaparecida desde o início do mês passado.
Ela tentava provar que goleiro do Flamengo é pai do filho dela.


Um inspetor da Divisão de Homicídios do Rio disse, nesta terça-feira (6), que o menor levado da casa do goleiro Bruno confirmou que a ex-namorada do atleta do Flamengo, Eliza Samudio, estaria morta. Ele, no entanto, não teria dito como isso aconteceu. Segundo o policial, o menor disse também que sequestrou e deu uma coronhada na cabeça da jovem, que ficou desacordada, mas não teria morrido em decorrência da agressão. Eliza está desaparecida desde o início de junho.
A arma usada na agressão seria uma pistola e pertenceria a um amigo de Bruno, Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão. Na versão do menor, Eliza saiu de carro junto com Macarrão. O adolescente estaria escondido no carro e teria agredido Eliza depois de uma discussão entre ela e Macarrão. O inspetor disse que o menor não envolveu Bruno no ocorrido. O advogado de Macarrão disse à TV Globo que não acredita na versão do menor.
Um dos advogados do escritório que defende o goleiro Bruno, Monclar Gama, esteve mais cedo na Divisão de Homicídios para ver como estava o menor. O advogado disse, ao sair da delegacia, que não teve acesso ao depoimento prestado pelo adolescente. Ele afirmou também que Bruno estava na casa no momento em que a polícia chegou para levar o menor, e recebeu os agentes. Segundo Gama, o menor permanece na delegacia, acompanhado de um tio.

Denúncia
O delegado Rafael Willis, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), informou, em entrevista à Rádio Tupi, que um parente do jovem foi à delegacia, contou que o menor estaria na casa do goleiro e tinha informações sobre o caso. A polícia teria chegado ao adolescente após essa informação.
A assessoria do Disque-Denúncia confirmou que recebeu uma ligação com informações que também ajudaram a localizar o menor na casa de Bruno.

Bruno será ouvido
Em Minas Gerais, a Polícia Civil informou que é responsável pelas investigações do desaparecimento de Eliza Samudio e que acompanha o que está acontendo no Rio de Janeiro.
O delegado Edson Moreira afirmou, mais cedo, que está negociando com os advogados do goleiro Bruno para que ele seja ouvido na sexta-feira (9) ou na semana que vem. O depoimento deve acontecer em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Além de Bruno, pelo menos outras duas pessoas devem ser ouvidas no mesmo prazo. São elas: a mulher do goleiro, Dayanne, e um amigo conhecido como Macarrão.
Nesta tarde, os bombeiros voltaram ao entorno da Lagoa Suja, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com a equipe que esteve no local, não foram encontradas pistas. Na segunda (5), a polícia recebeu uma denúncia de que o corpo da jovem foi jogado nessa lagoa e os bombeiros já haviam realizado buscas no local, sem sucesso.
Havia uma previsão de buscas na Lagoa dos Tocos, que fica na mesma região, mas esse trabalho não aconteceu.

Outro depoimento
Na manhã desta terça-feira, a mãe de criação de Bruno foi ouvida em casa, em Ribeirão das Neves. A conversa foi mantida em sigilo. Ela não precisou ir até a delegacia devido à idade avançada.
Pelo menos 30 pessoas já prestaram depoimento. A Polícia Civil deve enviar um representante nos próximos dias a São Paulo para recolher o material que está no notebook de Eliza.

Entenda o caso
De acordo com a polícia, o sumiço de Eliza Samudio começou a ser investigado depois de denúncias de que ela havia sido agredida no sítio que pertence ao jogador Bruno, em Esmeraldas (MG).
Dayane Fernandes, mulher do goleiro Bruno, teria dito, em depoimento à polícia, que Eliza teria abandonado o bebê. A criança foi encontrada pela polícia na casa de desconhecidos e foi entregue ao avô, pai de Eliza, em 27 de junho.
Dayane chegou a ser levada à delegacia na sexta-feira, 25 de junho. Ela foi detida e liberada em seguida. Segundo a delegada, a mulher do atleta foi autuada por subtração de incapaz.
Na segunda-feira passada, 28 de junho, a polícia vasculhou o sítio do goleiro Bruno, por mais de nove horas. Policiais e peritos fizeram escavações e vistoriaram o sótão, onde encontraram roupas de mulher, objetos de criança, fraldas e passagens aéreas. Um poço também foi vasculhado. A polícia já ouviu funcionários do sítio de Bruno e amigas de Eliza.
O Flamengo anunciou que o goleiro permanece afastado do time durante as investigações. Em 1º de julho, ele disse que estava "muito chateado" com o sumiço de Eliza. O atleta ainda não foi chamado para depor.

Aluizio Freire


G1
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