segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Justiça de São Paulo nega habeas corpus para acusados de morte de Mércia Nakashima


A Justiça de São Paulo negou nesta segunda-feira a liminar ao habeas corpus em favor do ex-policial militar e advogado Mizael Bispo de Souza e do vigia Evandro Bezerra da Silva, acusados pelo assassinato da advogada Mércia Nakashima.
Com a decisão, se mantém o decreto de prisão preventiva dos dois. Os acusados estão foragidos desde o dia 7 de dezembro.
A desembargadora Angélica de Almeida, da 12ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, argumentou, em sua decisão, a existência de ameaças aos familiares de Mércia e a testemunhas do caso.
"Há fatos novos, situações que devem receber análise detida, verificada que deve ser a necessidade, ou não, de se acautelar o interesse processual, ou seja, risco de perturbação ou comprometimento da prova, ou dificuldade na aplicação da lei penal, tendo em vista a natureza do procedimento que apura crimes dolosos contra a vida", afirmou na decisão.
Samir Haddad Júnior, um dos advogados de Mizael, afirmou que vai recorrer da decisão. "Das outras vezes, nós conseguimos reverter a prisão em liminar, mas dessa vez não. Vamos recorrer em Brasília. E ainda aguardamos o julgamento do mérito deste habeas corpus", afirmou.
De acordo com ele, ainda nesta semana ele irá entrar com três recursos no STJ (Superior Tribunal de Justiça). "Vamos recorrer da decisão desta última liminar, da decisão de levar o caso ao Tribunal do Júri e da transferência do caso para a Justiça de Nazaré Paulista, onde ocorreu o crime", afirmou Haddad Júnior.
Ele também disse não saber onde está seu cliente.
A prisão foi um pedido do promotor Rodrigo Merli Antunes, feito no início de dezembro. Ele afirmou ter anexado ao processo 17 novos fundamentos que justificam a prisão dos acusados. "São fundamentos concretos de situações de constrangimento, ameaça e perseguição de testemunhas, de forjar e tentar eliminar provas, além da fuga. Mizael demonstrou e verbalizou que nunca vai se dar por vencido e sempre vai fugir enquanto não tiver uma decisão favorável a ele", disse o promotor do caso.
O pedido foi feito junto com as alegações finais do processo, após audiência de instrução na Justiça de Guarulhos (Grande São Paulo), para ouvir testemunhas de defesa e acusação, realizada entre os dias 18 e 21 de outubro. Para Haddad Júnior, não há fato novo que justifique o pedido de prisão.
Outra estratégia da defesa de Mizael foi pedir a transferência do caso para Nazaré Paulista (64 km de São Paulo), já que laudo da perícia apontou que a advogada morreu afogada em uma represa da cidade, onde seu corpo foi encontrado. O caso está sendo julgado na Justiça de Guarulhos, cidade onde mora Mizael e a família da vítima.
No entanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu, em novembro, que o julgamento deve continuar em Guarulhos.



Adolescente de 11 anos morre por suspeita de overdose


Polícia prendeu em flagrante um homem e um adolescente suspeitos de serem os fornecedores

A Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA) prendeu em flagrante, na noite desse domingo (26), um homem e apreendeu um adolescente acusados de fornecer drogas a uma menina que teria morrido por overdose. A jovem, de 11 anos, foi levada à Policlínica Arnaldo Marques, mas não resistiu. Adjailson da Silva Vicente, de 22 anos, foi preso e um adolescente apreendido.
O jovem está detido na GPCA e o homem foi levado ao Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, Grande Recife. Ele será indiciado por homicídio doloso, que é quando há intenção de matar.
A polícia não sabe dizer qual droga causou a morte, e espera os resultados dos exames tanatoscópicos para dar andamento às investigações. Por enquanto, algumas testemunhas já foram ouvidas e, nos próximos dias, familiares e vizinhos da vítima devem ser intimados a prestar depoimento. As testemunhas ouvidas no domingo disseram que a garota teria consumido loló e maconha.
A jovem vivia na comunidade de Jardim Monteverde, no Ibura, Zona Sul do Recife. Segundo os vizinhos, sua família sempre teve problemas com as drogas mas a jovem chegou a ficar na casa de uma vizinha por algum tempo antes de voltar a morar com seus seis irmãos, há cerca de três meses. "Quando ela me via ela fugia, se escondia; mas eu e minha filha tomavamos a cola dela mesmo assim, mas o fim foi triste", lamenta a aposentada Isabel Maria da Silva (foto 6), que tentou adotá-la. O pai não morava com os jovens e a mãe e outro irmão já morreram, também, por uso excessivo de drogas.
O corpo da jovem foi enterrado na tarde dessa segunda-feira (27), no cemitério de Santo Amaro.


pe360graus

Envolvidos com álcool e drogas, índios criam milícias nas tribos



Caciques dizem que precisam ter armas de fogo para serem respeitados.
Tradição de castigos físicos é muito forte.

Alcoolismo, drogas, magia negra, estupros e suicídios cada vez mais fazem parte da rotina de comunidades indígenas localizadas em uma região isolada do país, nas fronteiras com o Peru e a Colômbia. Na terra dos tikunas, no extremo oeste da Amazônia, não há controle na venda de álcool e drogas.
Por isso, os índios da região formaram sua própria polícia, uma espécie de milícia paramilitar. A fronteira entre Tabatinga, no Brasil, e Letícia, na Colômbia, é rota do tráfico de drogas e de armas. O Rio Solimões é a principal estrada da região. As aldeias Tikuna ficam justamente neste entorno e são mais de 20 vilas.
Os tikunas formam a mais numerosa nação indígena do Brasil. A proximidade com os brancos tem feito os índios adotarem práticas perigosas, como o alcoolismo. O índios alegam que a bebida vêm das cidades e são vendidas nas tribos. Pela lei, é proibido vender qualquer tipo de bebida alcoólica em região indígena.
Muitos jovens e até crianças com idades entre 10, 11 e 12 anos de idade já estão envolvidos com álcool. É possível ver jovens bebendo na porta de casa, sem o menor controle dos pais. Embriagados, muitos perdem o equilíbrio e chegam a cair no igarapé.

Lei dos caciques
Em cada comunidade há um contingente que pode variar de 100 a 300 milicianos. Todos os índios têm treinamento militar e todas as tropas têm seu delegado e os instrutores. Um deles serviu ao Exército em Tabatinga como soldado. Na aldeia, ele atua como comandante. “Aqui é meus ‘polícia’. Eles me indicaram para o cargo”, diz.
O tempo que passou no Exército, onde atuava com armas, trouxe a experiência para treinar. “Sim, senhor. Com isso hoje existe a polícia indígena. (...) Sim. Aqui eu não. Porque proíbe. Aqui só cassetete para defender nosso povo”, afirma o índio.
Na polícia indígena, prevalece a lei dos caciques. “É que nas comunidades acontecem muitas coisas. É como criminalidade, estupro, invasão da terra, invasão da caça de mata ou dos lagos. Quando a gente denuncia para a Polícia Federal, eles só fazem escrever. Eles não vêm, não tomam a providência. É por causa disso que a polícia indígena foi criada”, afirma o cacique ticuna, Odácio Sosana Bastos.
“Antes de a gente começar o nosso trabalho, havia muitas drogas: cocaína, brilho, heroína, pasta. Tudo entrando pela fronteira. Mas quando a gente começou o trabalho, nós reduzimos em 85% o problema que tinha na comunidade”, garante o cacique.
Nos últimos anos, foram 85 casos de suicídio só em uma aldeia dos tikunas. “Quando consomem, eles chegam em casa com a cabeça já com álcool. O pai conversa com o filho e aconselha. Depois o filho fica revoltado. Aí o filho pega uma corda dessas e consegue se enforcar por causa do alcoolismo”, conta João Inácio Irineu Vitorino, ‘delegado’ da polícia indígena.
O antropólogo João Pacheco de Oliveira, do Museu Nacional no Rio de Janeiro, estudou o comportamento dos tikunas.“De certo modo apareceram grupos paramilitares em várias outras cidades ticunas e começaram a atuar de um modo talvez um pouco radical em relação às iniciativas da comunidade”, diz o antropólogo.

Operação Pantera
A cadeia da polícia indígena, com um metro e meio de altura, fica na comunidade de Belém dos Solimões. Na porta, algumas tábuas estão quebradas, porque os presos chutaram a parte interna.
“Quando está muito alterado, nós amarramos e jogamos aqui dentro. No outro dia, a gente tira o preso, leva para ali, chama o cacique ou chama o pastor. Fazemos uma reunião, um julgamento. Pergunta se a pessoa vai fazer de novo ou não. Aí a pessoa vai dizer que não vai fazer mais. Mas muitos repetem, muitos não cumprem”, conta
“Faz mais ou menos uns três meses que não prendo ninguém, é que mandaram parar. O Ministério Público mandou parar, porque teve uma revolta com o pessoal aqui quando nós começamos a trabalhar para acabar com esse negócio da bebida.”
Mas os caciques insistem que a polícia indígena precisa ter armas de fogo para ser respeitada. “O Ministério Público diz que nós, como índio, não precisamos usar a arma. Por quê? Nosso povo é igual ao povo civilizado. Tem revólver, tem pistola, tem machado, e ataca com essas armas em cima de nós. E nós só com cassetete?”, questiona Sosana Bastos.

Ministério Público
A procuradora da República Gisele Dias Bleggi lembra que a legislação não permite o uso de arma de fogo. "O que eles alegam para instituir a polícia indígena é a questão que eles acham que o Estado está sendo muito omisso, o Estado não está dando a proteção que tem que dar para poder garantir a segurança dos membros das próprias comunidades. Arma de fogo, não, arma deles pode. Arma de fogo é proibido, a legislação não permite", diz.
Ela também fala a respeito a aplicação do que chama de "penas cruéis". "Os abusos que violem os direitos humanos, por exemplo, a aplicação de penas cruéis, de tortura e de morte - isso o Ministério Público não pode permitir. A Constituição não permite. O Ministério Público não pode virar as costas, mas o Ministério Público não pode apoiar que os indígenas formem uma organização militarizada”, diz a procuradora Gisele.
A tradição de castigos físicos é muito forte. “Isso aqui é para aqueles que estão muito alterados. Usam a palmatória como castigo e para que a pessoa se acalme”, diz Santo Mestâncio Alexandre, cacique da comunidade indígena Umariaçu 2.
Os índios querem receber do Estado por este serviço de policiamento. “Queremos que o governo federal nos reconheça com salário e queremos que o Congresso nacional reconheça com leis nossa segurança”, diz.

Polícia Militar
O delegado da Polícia Federal Gustavo Henrique Pivoto João diz que não se pode reconhecer este tipo de formação policial. “A Polícia Federal tem como um grupo verdadeiramente de milícia, com raízes até paramilitar. Caso isso venha evoluir para uma situação que eles tenham, por exemplo, armamento, a polícia não concorda. A Polícia Federal não apoia. A Polícia Federal reprime qualquer ação que vá de encontro ao estado democrático de direito, contra os direitos humanos”, afirma.
Para cuidar da área, a polícia conta com três delegados e 34 agentes.
Por meio de nota, a Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão responsável pela política nacional em relação aos índios, diz que a criação da "polícia indígena" é ilegal. Quando verifica a ocorrência de crimes, a Funai aciona as forças policiais.
“Há o temor de que esses índios acabem vindo a ser cooptados pelo tráfico de drogas, pelas organizações paramilitares de traficantes”, alerta o delegado da Polícia Federal, Pivoto João.



G1

Escolas antecipam a adaptação dos alunos

Mundo novo. Carolina participa do dia de adaptação no Augusto Laranja; acompanhada da mãe, ela conheceu o colégio
Antes do início do ano letivo, colégios tentam minimizar o impacto das mudanças

Saber o rosto da futura professora, descobrir o espaço da sala de aula e já se enturmar com os novos colegas - tudo isso antes de as aulas começarem. Com festinhas, gincanas, atividades didáticas e reuniões pedagógicas, algumas escolas particulares de São Paulo oferecem a oportunidade para o aluno que está mudando de ciclo ou chegando a um novo colégio começar a adaptação antes do início das aulas.
Especialistas e pesquisadores da área apoiam esse tipo de iniciativa (leia mais nesta pág.). Afirmam que o principal objetivo é aliviar a ansiedade e a tensão que o momento da "estreia" reserva, deixando as crianças à vontade para enfrentar os novos livros, colegas, professores, disciplinas e hábitos - ainda mais nas mudanças de ciclo, quando aumenta, junto com o número de docentes e de matérias, a responsabilidade.
"A adaptação prévia é uma primeira experiência que mostra ao aluno que ele vai precisar de mais autonomia", explica Katia Senise, diretora do Colégio Magister, na zona sul de São Paulo.
A escola começa a adaptar os alunos que vão para o fundamental II em setembro, quando eles são levados para assistir às aulas no prédio onde funciona o novo ciclo - lá, até os endereços são diferentes. Em outubro, esse período aumenta para duas semanas e, em novembro, são três.
"Toda mudança de ciclo é complicada e deve ser acompanhada de perto", afirma Katia. Depois que o ano letivo tem início, a coordenação do Magister monitora como os alunos estão reagindo às novidades - especialmente para verificar se o rendimento escolar está se mantendo.
Levar os futuros professores para darem palestras aos novos alunos é outra estratégia adotada. "Colocamos os docentes para conversarem com as crianças e também tentamos propor um papo despretensioso com os estudantes que já passaram por essas mudanças", afirma Claudia Meletti, coordenadora pedagógica do 6.º ano da Escola Castanheiras, em Santana do Parnaíba.
A escola toma cuidado para não "ritualizar" demais o processo de mudança ou de inserção dos novos alunos. "Tentamos deixar a situação o menos impactante possível. A passagem de ciclo existe, mas não deve ser forçada nem engessada", diz Claudia.
Gerando expectativas. As escolas que investem no dia de pré-adaptação afirmam que o segredo é transformar a suscetibilidade emocional pela qual os alunos estão passando em um momento de descontração, em que é possível fazer novas amizades.
O Colégio Sidarta, que fica na cidade de Cotia, em São Paulo, costuma demarcar bem os momentos de mudança. Para isso, a escola organiza reuniões com os pais, em que são discutidas as alterações na rotina escolar pelas quais as crianças passarão.
A escola faz adaptações para os alunos que vão da educação infantil para o fundamental; do ciclo I para o ciclo II do fundamental; e do 9.º ano para o ensino médio, além de realizar uma despedida dos jovens que partem para o ensino superior.
"Fazemos um trabalho muito intenso com as famílias de todos os alunos porque cada nova fase carrega um mundo novo de especificidades", comenta a diretora Claudia Siqueira. "A mudança não é só no número da série."
Após o início do ano letivo, o Sidarta coloca alunos tutores dentro das salas de aula para fazer a medição entre a coordenação e os estudantes. "Acompanhar como eles estão lidando com as transformações é uma maneira de estabelecer vínculos", conta Claudia.
Segurança. Além de ser encarada como um benefício para crianças, a pré-adaptação também é elogiada pelos pais. "Tudo isso já vai dando o ritmo para quando a criança realmente começar a estudar", afirma a dentista Adriana Moreira, de 39 anos.
Sua filha, Carolina, de 4 anos, acaba de entrar no Augusto Laranja. A escola organiza atividades de artes, educação física, música e um lanche para as crianças - tudo na companhia dos pais. "Ela se integrou muito bem com os coleguinhas e não ficou tímida", comemora Adriana, que participou do dia de adaptação da filha ao lado de outras mães.
No caso de quem acaba de escolher uma nova escola para o filho, deixá-lo conhecer o espaço antes das aulas começarem é uma forma de dar mais segurança para a situação. "A Helena estudava em outra escolinha desde o berçário. Trocar de escola é uma grande mudança para ela", conta a advogada Alessandra Mattos, de 35 anos.
De acordo com os pais, reservar um dia especial para a criança conhecer o colégio não atrapalha a rotina, especialmente pelo fato de a adaptação ser realizada em dezembro, período de férias escolares.
"Além disso, participar desse dia de adaptação é um investimento na qualidade de vida do meu filho. É assim que eu penso", opina a farmacêutica Katia Schmidt, de 35 anos. Ela tirou o filho Ulrik, de 5 anos, de uma escola pequena para matriculá-lo no Augusto Laranja.

PRESTE ATENÇÃO

1. Organização.
A escola deve oferecer atividades previamente organizadas para a interação das crianças no dia de adaptação.

2. Diversidade.
É interessante que nesse dia sejam oferecidos diferentes tipos de atividades.

3. Recepção.
Professores e funcionários devem ser solícitos e receptivos durante as atividades.

4. Informação.
Os pais devem ser informados previamente sobre o dia especial para que possam participar.

5. Bem-estar.
É bom ficar atento às reações da criança durante as atividades da adaptação. É importante que ela se sinta bem no novo ambiente.


Estadão

Ser uma pessoa feliz pode virar lei



O Congresso discute um projeto que propõe que a busca da felicidade passa a fazer parte dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição.

Neste Natal, nossos repórteres foram às ruas para tentar descobrir como os brasileiros enxergam um dos sentimentos mais desejados por todos. A reportagem é de Monalisa Perrone.
“Eu sou sempre assim, com um sorriso no rosto. Uma pessoa feliz”, conta a vendedora Fernanda Gomes.
A felicidade que está escancarada no rosto de tanta gente pode virar lei. É o que propõe um projeto que esta sendo discutido no Congresso.
A busca da felicidade passaria a fazer parte de nossos direitos fundamentais, garantidos pela Constituição. Como ter trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência privada.
“A felicidade é uma condição pessoal. Ela não é uma condição política, você sente nos momentos em que você sente que você se realizou pessoalmente. Está de acordo com sua vida, seu principio”, explica a professora de Filosofia da PUC-SP Dulce Critelli.
“A felicidade anda dentro de um curto roteiro: felicidade é amor, paz, saúde e dinheiro”, canta um repentista.
Ter os direitos garantidos é fundamental. E agora no fim do ano outros desejos também ganham importância.
A época propõe uma reflexão mesmo: é Natal, 2010 está acabando. E será que fomos felizes este ano? Ah, essa palavra: felicidade. Tão repetida por todos nós e com significados tão diferentes.
“Ganhar um carro”, diz uma mulher.
“Eu gostaria de ir pro Egito”, diz um homem.
“Ser empresário para fazer uma viagem pro exterior”, conta outro homem.
“Estivesse um maravilhoso sol lá fora, e estivesse com o cabelo escovado”, brinca uma mulher.
Ter dinheiro, casa, carro: tudo isso é importante, dá estabilidade, dá conforto. Mas, para muita gente, felicidade não se conjuga com o verbo ter.
“A felicidade é o dia a dia, acordar bem ser saudável”, diz um homem.
“Uma tarde com elas no shopping, fazer o que elas gostam é o máximo”, comenta outro homem.
“Me deixa feliz ver os outros felizes”, fala uma mulher.
“A gente vê as pessoas bem faz a gente ser feliz”, conta uma mulher.
“E gente vive com os outros, a gente precisa dos outros o homem é aquela criatura que tem alegria de viver entre os homens. Por isso, talvez, ver a felicidade do outro é se sentir feliz”, explica a professora.


Jornal Nacional

Traficantes 'batizam' cocaína e transformam um quilo da droga em cinco

Polícia apreende 73 kg de cocaína no Alemão. Droga é 'batizada'.

Favela da zona oeste conta com Serviço de Atendimento ao Cliente
Para obter mais lucro com a venda de drogas, os traficantes costumam "batizá-las. Isso ocorre principalmente com a cocaína. O chamado "batismo" consiste em misturar outros produtos à droga durante o processo de refino para que sua quantidade aumente. Entre os produtos mais usados pelos traficantes estão o fermento em pó e o bicarbonato de sódio, além do pó de mármore.
Em algumas apreensões, no entanto, como na Rocinha, em março de 2009, policiais civis encontraram até mesmo cimento branco usado em obras, em uma refinaria da favela.
Um quilo de pasta-base, avaliado em R$ 12 mil, se transforma em dois quilos após ser refinado e transformado em pó. Com os aditivos, cada quilo faz de quatro a cinco quilos, movimentando R$ 32 mil, o que equivale a um lucro de 266%.
Apesar de a droga ser "batizada", existe um limite por parte dos traficantes. Colheres têm a medida exata da quantidade de substâncias que serão misturadas. Caso algum usuário reclame com o gerente da boca de fumo sobre a qualidade da droga, o responsável pela fraude, por adicionar mais fermento do que o permitido, pode pagar com a vida.
Uma facção que tem como reduto o Complexo de Senador Camará, na zona oeste, tem até uma espécie de SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente). Papelotes de cocaína vendidos pela quadrilha vêm com um aviso: “qualquer violação, reclame na boca”.

Marcelo Bastos e Mario Hugo Monken


R7

Bebê é encontrado em saco plástico em Belém



Choro ajudou a achar recém-nascido no quintal de uma casa.
Criança pode ter sido jogada por cima de muro de quase dois metros de altura.

Um recém-nascido foi encontrado no quintal de uma casa na periferia de Belém (PA), no dia de Natal (25). A criança estava num saco plástico e pode ter sido jogada por cima de um muro de quase dois metros de altura.
O choro da criança chamou a atenção de um homem, que chamou o serviço de emergência. O bebê ainda tinha o cordão umbilical e apresentava ferimentos no rosto e numa das pernas.
A criança foi internada na Santa Casa do Pará e passa bem.
A mãe da criança, que tem 20 anos, vai passar exames clínicos e psicológicos.


G1

domingo, 26 de dezembro de 2010

Extrato da sucupira tem propriedades de ação contra a dor e até potencial antitumoral

Semente da planta tem potentes atividades analgésicas e antitumorais
Foto: Júlio Cordeiro


Pesquisa foi feita por estudiosos brasileiros
Novos potenciais medicinais das plantas não param de ser descobertos. Ao observar a utilização e os relatos sobre o chá da folha de sucupira — conhecido por amenizar dores nas articulações e na garganta —, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) resolveram estudar as tais propriedades medicinais da planta e descobriram que seu extrato tem eficientes atividades analgésica e antitumoral. A sucupira é uma árvore de porte médio (de até 16m), comum no cerrado e em parte da Mata Atlântica.
Ainda é o que se chama de pesquisa básica, sem mecanismos concretos de utilização (como um medicamento), mas que traz oportunidades de desenvolvimento de novos remédios.
— De um dado popular até chegar a um fármaco levam-se anos — enfatiza um dos autores do estudo, Humberto Moreira Spíndola, farmacêutico do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Química, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Unicamp.
Isso ocorre porque é necessário comprovar se os ativos de fato funcionam e se são seguros para sua utilização.
— Estamos em uma etapa inicial do estudo, na qual comprovamos que os extratos da planta funcionam. Precisamos, porém, percorrer um longo caminho até saber se eles são eficazes em seres humanos — diz Spíndola.
Para comprovar as propriedades, os cientistas avaliaram os extratos de folhas e sementes da sucupira e descobriram que, nessas últimas, encontravam-se potentes atividades analgésicas e antitumorais. As folhas não tiveram a mesma atividade, provavelmente por não conterem os mesmos princípios ativos, informa Mary Ann Foglio, orientadora de Spíndola.
Na avaliação dos extratos dessas sementes, foram descobertas duas substâncias envolvidas tanto na atividade analgésica quanto na antitumoral: a geranilgeraniol e a vouacapano. Da união delas, os cientistas desenvolveram um novo extrato para testar em células (in vitro) e em ratos e camundongos (in vivo).
Para descobrir a atividade antitumoral, o extrato foi injetado em células de diversas linhagens de câncer. Segundo Spíndola, os resultados foram positivos em todas as células, demonstrando capacidade de combate ao tumor. O extrato, contudo, teve maior eficiência sobre o câncer de próstata. Nos testes com camundongos, o tumor foi induzido e também foi observada a ação positiva contra os cânceres.
— Mas não podemos afirmar que daria certo em humanos, já que os tumores de animais são mais simples. Precisamos de mais estudos para descobrir os mecanismos de ação do extrato nos tumores humanos — sustenta o autor da pesquisa.
Os resultados das atividades analgésicas são mais próximos da realidade. Nos testes com ratos e camundongos, as substâncias do extrato da semente da sucupira mostraram potencialidade em inibir a dor.
— Nessa etapa, determinamos os mecanismos de ação que podiam estar envolvidos na atividade analgésica. A principal conclusão foi que funciona — comemora Spíndola.

Os experimentos

Antitumoral

Os testes para determinar a eficácia das substâncias encontradas foram feitos in vitro (em células) e em camundongos

A) In vitro
As substâncias foram injetadas nas células de diversas linhagens tumorais. Os cientistas observaram uma ação maior no combate aos tumores das células com linhagem de câncer de próstata

B) Animais
— Os pesquisadores induziram o crescimento do tumor em camundongo
— Depois, injetaram as substâncias nos tumores
— Os resultados demonstram ação capaz de combater o tumor de camundongo

Analgésico
— Nos testes foram utilizados ratos e camundongos para determinar a eficácia das substâncias
— Os cientistas provocaram estímulos dolorosos na pele e mecânicos
— Após os estímulos, aplicaram as substâncias no organismo dos animais e observaram que elas eram capazes de atenuar a dor

Próximo passo
— Estudar se as substâncias são tóxicas ao organismo

Expectativa na aplicação
— Uso oral contra as dores
— Pomadas e cremes de massagem para aliviar as dores reumáticas


Preso que rompeu tornozeleira eletrônica é detido em Ourinhos, SP


SÃO PAULO - A Polícia Militar deteve, em Ourinhos, a 378 km de São Paulo, um preso que havia rompido sua tornozeleira eletrônica utilizada para monitoramento durante a saída temporária de Natal e Ano Novo. A prisão ocorreu na quinta-feira e esse é o terceiro caso registrado pela polícia no Estado. O primeiro caso ocorreu em Marília, a 418 km de São Paulo. Já o segundo aconteceu na Zona Leste de São Paulo, capital. Os dois são considerados foragidos. Os equipamentos foram localizados.
No estado, dos 20 mil detentos que tiveram direito à saída temporária de Natal, 4,6 mil usaram a tornozeleira eletrônica. O monitoramento é feito por uma empresa.



Relatório da UFRJ mostra que pretos e pardos ainda têm acesso desigual ao SUS


RIO - Mesmo 22 anos depois de a Constituição ter sido promulgada e garantido que todos são iguais, "sem distinção de qualquer natureza", um estudo da UFRJ mostra que ainda existe um abismo entre brancos, negros e pardos no acesso à saúde pública. Economista e pesquisador, Marcelo Paixão se debruçou sobre dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo IBGE, em 2008, para produzir o capítulo ligado à saúde do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2009 - 2010, que ainda será publicado. E constatou: a desigualdade perpassa o Sistema Único de Saúde (SUS), e ainda é preciso avançar muito para que a Constituição seja cumprida.
Segundo o relatório, em 2008, a importância do SUS para pretos e pardos era 19,5% superior do que para os brancos, e eles responderam por 55,2% de todos os atendimentos. No entanto, nas consultas os negros e pardos são minoria. Quando se trata, por exemplo, de pré-natal, 71% das mães de filhos brancos fizeram mais de sete consultas; o número de mães de filhos pretos e pardos que passaram pelos mesmos exames é 28,6% inferior.
O estudo mostra ainda que 15,6% dos pretos e pardos que foram atendidos declararam que o serviço era regular, ruim ou muito ruim. A diferença no indicador entre as mulheres pretas e pardas - as mais insatisfeitas - e os homens brancos - os menos insatisfeitos - chegou a 5,2 pontos. Entre os que precisavam procurar um médico e desistiram, o número chegou a 33,2% dos homens, e 26,1% das mulheres pretas e pardas.
- Esses indicadores apresentam algumas possibilidades, mais do que conclusões. Mas fica claro que o sistema falha no atendimento. Se a pessoa deixa de procurar e diz que uma das causas é não gostar dos profissionais, ela sinaliza que há um problema - diz Paixão.

Pretos e pardos são 50,3% da população
Prestes a deixar a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o ministro Eloi Ferreira de Araujo reconhece que a política universalista do SUS ainda não alcança a plenitude.
- Se continuarmos tratando da questão como se todos fossem iguais, vamos continuar reféns de tratamentos iguais para desiguais. Se os negros não se sentem bem, se não se sentem acolhidos, o SUS tem que mudar. Essa população já está exposta a mais vulnerabilidade social, e é preciso acelerar o combate à desigualdade na saúde - diz Ferreira de Araujo.
A população brasileira é, de acordo com a Pnad, de 189.953 milhões. Desses, 48,8% se declaram brancos; 6,5% pretos; 43,8% dizem ser pardos; e 0,9% são amarelos, indígenas ou não declararam. A pesquisa revela ainda que 43,5% dos homens pretos e pardos não haviam visitado um médico nos últimos 12 meses. Entre os brancos, o percentual era de 38,6%.
Preparando-se para assumir a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, com status de ministério, a socióloga gaúcha Luiza Bairros, radicada em Salvador desde 1979 e hoje à frente da Secretaria de Promoção da Igualdade da Bahia (Sepromi), lembra que o "racismo é um dos determinantes sociais da saúde", e que o enfrentamento da desigualdade racial, questão histórica no Brasil, é "questão de escolha política". Para a futura ministra, que assume no ano internacional dos afrodescendentes, "o combate ao racismo é responsabilidade primária do Estado" e diz quais serão as prioridades à frente da secretaria:
- Inicio a transição esta semana. A secretaria existe há quase oito anos, e ao longo desse caminho criou muitos programas. Quero conhecê-los para pensar de forma mais embasada nas prioridades. 2011 é, segundo a ONU, o ano dos afrodescendentes. Então, é um ano para trabalharmos ações emblemáticas.

Colaborou Agência A Tarde


O Globo
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