domingo, 7 de agosto de 2011

Caso Juan: exame forense foi determinante na elucidação


Análise feita em várias etapas, com técnicos de especialidades variadas, permitiu a peritos ter certeza que corpo era do menino morto em Nova Iguaçu

Rio - Foi uma novidade da Polícia Técnica do Rio de Janeiro, o setor de Antropologia Forense, que produziu uma das principais provas que ajudaram na elucidação da morte e desaparecimento de Juan Moraes, 11 anos. O menino foi morto durante ação de policiais do 20º BPM (Mesquita) no bairro Danon, em Nova Iguaçu, em 20 de junho. Dez dias depois do crime, a ossada de Juan foi encontrada em Belford Roxo. Quatro PMs foram presos acusados do crime.

Apesar de a polícia afirmar que o material analisado no setor no Instituto Médico-Legal (IML) é de Juan — comprovado depois por DNA — o corpo do menino será exumado a pedido do defensor público Antônio Carlos de Oliveira. Ele quer um novo DNA que será feito por um laboratório em São Paulo conveniado ao órgão, já que um laudo da Polícia Civil atestou, primeiro, que se tratava de ossada feminina.


Criada há oito meses, a Antropologia Forense — que analisa esqueletos humanos — detectou o erro. O trabalho permitiu, antes do teste de DNA, que fosse descoberto, por meio de sobreposição de imagens, que os ossos provavelmente eram de Juan.

O exame foi feito basicamente pelo crânio e pélvis. “Indícios apontavam para ele, mas não eram fortes o suficiente para determinar que se tratava de Juan. Ele não havia entrado na puberdade, por isso as características não ofereciam precisão para a dizer o sexo”, explicou o chefe da Antropologia Forense, o cirurgião-dentista Marcos Paulo Salles Machado.




Investimento vai acelerar processo


A análise da ossada de Juan durou cinco dias devido à repercussão do caso. Mas, em geral, ela dura meses. Para acelerar o processo, a Antropologia Forense aguarda investimentos para o setor, principalmente porque deve passar a analisar as ossadas encontradas no estado.

Enquanto os investimentos não chegam, Marco Paulo conta com a ajuda dos peritos de vários setores do IML. “Não tenho os melhores recursos, mas com o que eu tenho, consigo fazer o trabalho. O IML é uma casa de ciência. Temos que mobilizar as pessoas para a importância da criação de um novo serviço. Esse exame pode ser realizado com rotina”, disse ele.
Sobreposição
A partir da foto de Juan, divulgada pelo Disque-Denúncia (2253-1177), foi realizada a sobreposição da imagem com o crânio encontrado em Belford Roxo.

Segundo a perícia, marcações e medições em pontos específicos da foto e da ossada permitiram concluir que há perfeita coincidência entre as imagens.

Ossada da vítima estava incompleta
Segundo o laudo da Antropologia Forense, a ossada de Juan chegou incompleta, pois alguns ossos estavam fraturados e as mãos e os pés ainda tinha pele. Junto ao material, foram enviados ainda dois ossos não humanos.

O setor teria condições de atestar com certeza tratar-se da ossada de Juan, através da arcada dentária do menino que foi encontrada. Isso seria possível se houvesse uma foto dele de perfil ou sorrindo. “Com a sobreposição de imagens, isso é possível porque os dentes projetam externamente as nossas características craniofaciais”, explicou Marcos Paulo.

Exames comparativos com radiografias dos dentes de Juan, se houvesse, também seriam analisadas. Tratamento de canal, obturações e restaurações são características analisadas.

As avaliações dentárias são feitas para a Antropologia Forense pelo serviço de Odontologia Legal. Foi através do exame feito no setor que descobriu-se que a ossada era de uma pessoa entre 10 e 12 anos.

O DIA ONLINE

País não está preparado para ensino de música

Não existem profissionais de música suficientes para o número de crianças no país / Tamara Kulikova / Shuttestock

Veja o que será aplicado nas aulas, os problemas e as soluções que o Brasil terá pela frente

No dia 18 de agosto de 2008 foi aprovada a lei federal nº 11.769,do MEC (Ministério da Educação), que tornou o ensino de música obrigatório em escolas públicas e particulares de ensino médio e fundamental do país. Na época foram dados três anos de prazo para as instituições se adaptarem e incluirem a disciplina na grade. No entanto, o cenário atual das instituições de ensino mostra que não houve muito avanço e boa parte nem sabe quando e como vai começar a ministrar as aulas.

É importante ressaltar que a música antes era considerada conteúdo optativo na rede pública e particular de ensino, ficando a cargo do planejamento pedagógico das escolas. Agora as secretarias estaduais e municipais de ensino terão que organizar a matéria na grade curricular já a partir do próximo dia 18.

Aulas
A secretária de educação de São Bernardo do Campo, Cleuza Repulho, explica que nas aulas serão desenvolvidos temas como história da música, conhecimentos de instrumentos, música brasileira e prática de instrumentos básicos (violão e flauta, por exemplo). Já quem quiser um instrumento mais específico, como violino e bateria, terá que pedir um acompanhamento pela própria escola e praticar em aulas extracurriculares, ou seja, fora da grade tradicional.

Ainda segundo Repulho, não existe nenhum critério para notas durante a aplicação do conhecimento de música. “Ainda não está claro como será a avaliação para os alunos”, diz a secretária, que também fala da importância da aula em relação aos jovens. “Nesta proposta a ideia é estimular as crianças a terem um contato com diversas artes desde cedo e aumentar a sua visão cultural.”

Sem nenhuma definição de como avaliar, Susana Kruger, diretora educacional do Projeto Guri, associação que incentiva a música através de cursos gratuitos, indica que o melhor modo seria por fatores como envolvimento, comprometimento e respeito.

A especialista também comenta que é possível avaliar o desenvolvimento musical de cada aluno. “O professor pode prover meios e usar diferentes ferramentas para estimular o aluno a alcançar o patamar seguinte, motivá-lo a estudar e a melhorar”, diz Kruger, que ainda fala de como os educadores devem incentivar os alunos. “Para todos estes aspectos (musicais e extra-musicais) não é aconselhável dar nota, mas sim emitir um parecer qualitativo, que incentive o aluno a desenvolver os pontos que precisam ser melhorados."

Seguindo esta ideia de avaliação, a diretora do Projeto Guri analisa qual seria o ideal para aplicação das aulas. “Qualquer conteúdo musical deve ser trabalhado nas perspectivas de atividades (execução, composição e apreciação) e de dimensões de conhecimento musical (materiais, expressão e forma). Somente desta maneira os alunos terão um contato autêntico e significativo com a música, se desenvolverão neste discurso e nos aspectos sociais e humanos envolvidos.”

Problemas e soluções
Apesar de a proposta ser vista como bons olhos existem alguns problemas na sua aplicação, como falta de professores e fiscalização das próprias aulas. “Nesse processo a principal dificuldade é que não existe gente formada o suficiente para acompanhar o grande número de alunos existente. Apesar de ser uma proposta bacana tem que ter logística, não basta a pessoa saber música, ela também tem que saber ensinar. Fora que ainda não se sabe como o ensino será fiscalizado”, comenta Cleuza Repulho.

A secretária acredita que outro empecilho será a grade escolar. “Cada vez que se cria uma disciplina o tempo de aula que é finito, fica menor. Se já temos dificuldades de dar as aulas básicas (português e matemática), como poderemos dar aulas de música com qualidade? É só mais uma dificuldade para o sistema educacional”, declara Repulho que sugere outra aplicação de ensino. “É óbvio que a iniciação de música é importante, no entanto o ideal seria uma aula de cultura, que envolvesse temas como cinema, artes, teatro e claro a música”.

Susana Kruger também afirma que faltam profissionais, mas que professores de artes poderão fazer um bom trabalho enquanto não se formam especialistas para o assunto. “Já é consenso na área da educação de que não existem profissionais específicos de música que possam assumir todas as aulas nas escolas de todo o território brasileiro. Seria necessário um investimento maciço na formação inicial e continuada dos profissionais, com criação de mais faculdades e cursos. Enquanto isso não acontece, muitas escolas têm investido na formação dos profissionais de artes ou outras disciplinas em cursos de extensão, para que estes possam dar conta da demanda da legislação. Muitos destes farão um ótimo trabalho", ressalta.

Com este problema, a especialista sugere a parceria com instituições de música como uma boa saída. “Poderia ser feita a efetivação de parcerias com instituições socioculturais que já trabalham com ensino musical, a exemplo do que acontece em países como a Inglaterra, além de incluir a música no currículo escolar, fomenta este tipo de parceria para a realização de atividades musicais complementares”, completa Susana.

Secretarias de ensino
Com problemas tanto na mão de obra como na fiscalização, as instituições municipais e estaduais farão algumas adaptações para atender a legislação. As aulas no ensino de artes (duas aulas semanais) também terão aplicações musicais, como estudos, produções e manifestações culturais. O processo já acontece com temas como teatro, dança e artes visuais. No entanto, ainda não existe previsão para a mudança.

A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo informou que, para aprimorar a qualidade de ensino, serão viabilizadas ações como parcerias com instituições culturais, projetos e cursos descentralizados.

Sobre qual será a participação do MEC no processo, a instituição esclareceu que não será responsável por fiscalizar as escolas e que o funcionamento será de responsabilidade das próprias secretarias de educação de cada Estado. Quanto as escolas particulares, não há definição.

eBand

Cientista mostra que a dança melhora a capacidade cognitiva de portadores do Mal de Parkinson


LONDRES - Os frequentadores do Festival de Edimburgo, uma congregação anual de atores, comediantes e uma gama de outros artistas, estão acostumados com o inusitado. Pouca gente que compareceu ao programa deste ano, porém, estava preparada para Peter Lovatt: além de ter diante de si um cientista que não apenas defende o papel terapêutico da dança, a plateia viu um acadêmico que não se furta a sacudir os próprios ossos.

NO PASSINHO:Vídeo mostra a teoria e a prática da teoria de Lovatt

Ex-dançarino profissional com doutorado em Psicologia pela Universidade de Cambridge, Lovatt se vê numa missão de defesa e promoção de seus estudos. Até porque, alguns resultados têm sido surpreendentes mesmo para os colegas que torcem o nariz para os métodos pouco ortodoxos desse inglês de 46 anos. Ao mesmo tempo que o Laboratório de Psicologia da Dança que ele coordena na Universidade de Hertfordshire gera publicidade em talk shows e programas de variedades, também gera resultados em estudos sobre passos e firulas na capacidade cognitiva de portadores do Mal de Parkinson. Lovatt e sua equipe constataram que dançar combate os efeitos mentais degenerativos da doença.

- Já existem outros estudos mostrando que a dança ajuda nas questões de mobilidade e equilíbrio dos portadores de Parkinson, mas o que pudemos ver nos nossos estudos é que há também influência cognitiva, sobretudo no processo de pensamento divergente, em que é preciso encontrar mais de uma solução apropriada para um problema. Basicamente a dança é melhor do que o exercício tradicional para essas pessoas - explica o cientista.

Os resultados de um trabalho de três meses com grupos de pacientes revelam ainda dados curiosos sobre os efeitos cognitivos: enquanto formas de improvisação de dança influenciaram o pensamento divergente, formas estruturadas, em especial o tango, desenvolveram efeitos no pensamento convergente (o que busca uma única solução para determinado problema). Nesse caso mais específico, Lovatt detectou acelerações em apenas 15 minutos de dança.

- Foi um resultado que também vimos nos experimentos com gente saudável. Imagine se as escolas pudessem incentivar mais movimentação dos alunos em vez de deixá-los sentados o dia inteiro. Ainda não sabemos como, mas está claro que a dança tem influência nos processos neurais. No caso do Parkinson, por exemplo, os cérebros de quem tem a doença podem estar desenvolvendo caminhos alternativos, driblando as partes afetadas - especula o cientista.

O exercício de imaginação tem também um aspecto pessoal: disléxico, Lovatt tinha sérias dificuldades e passou por anos de estudo sem conseguir obter as qualificações obrigatórias para tentar um curso universitário - não que ele fizesse muita questão na época, diga-se de passagem. Seus esforços eram destinados à dança e ele trabalhou anos como profissional participando de produções teatrais e mesmo de turnês em cruzeiros.

- Não tinha o menor interesse no meio acadêmico, achava fora da realidade. Só aprendi a ler de verdade quando comecei a usar o ritmo da dança para me ajudar com palavras mais complicadas. Foi quando comecei a ver que estava fazendo basicamente o que todo mundo faz quando gesticula em busca das palavras: algum tipo de movimento - explica Lovatt.

E se os benefícios de exercícios físicos já foram mais que divulgados pelo meio acadêmico, o cientista-dançarino acredita que é necessário expandir o corpo de estudos sobre a dança. Especialmente porque nem tudo são flores no que diz respeito a seus efeitos.

- No laboratório, por exemplo, estamos trabalhando com análises de casos de bailarinas clássicas adolescentes, cuja baixa-estima costuma ser menor que a de meninas da mesma idade que não dançam. Estamos testando tanto a hipótese de que o meio do balé afeta os sentimentos das bailarinas quanto a de que meninas de baixa auto-estima procuram a dança clássica justamente porque a dificuldade técnica reforça sua autopiedade.

Lovatt defende, sobretudo, um maior reconhecimento da dança como parte da base social do ser humano. Por mais que homens e mulheres do século XXI já não precisem tanto de seus passos como parte dos esforços de acasalamento - ou mesmo na esfera psicológica - os estudos em Hertfordshire vêm mostrando que esta relação é mais complexa do que se imaginava.

- É por isso que apareço em programas de TV ou organizo shows como o de Edimburgo. A dança é uma parte importante na história humana e as evidências de que tem influência muito maior do que imaginávamos são motivos de sobra para que todos prestem um pouco mais de atenção - finaliza Lovatt.

O Globo

Polícia suspeita que mulher tenha dado soda cáustica para filha de 11 meses


Em depoimento, a mulher negou ter dado o produto para a filha.

R7

sábado, 6 de agosto de 2011

Setenta casais participam de divórcio coletivo em MT neste sábado

Casados há mais de meio século, Purificação e
Petrona decidiram se divorciar neste sábado.
(Foto: Kelly Martins/G1)


Casais compareceram ao Fórum de Araputanga para oficializar divórcio.
Mudança na legislação simplificou o processo de separação.


Encerrar o casamento ficou mais simples para os moradores da cidade de Araputanga, a 371 km de Cuiabá, que contaram neste sábado (6) com o primeiro divórcio coletivo do estado de Mato Grosso. Foram 70 casais inscritos e que compareceram ao Fórum do município para se separar por meio da Justiça gratuita, destinada a pessoas que possuem uma renda familiar de até R$ 1 mil.

O projeto é destinado apenas para casais que moram na cidade, de 15 mil habitantes, e atendeu os divórcios consensuais. O juiz diretor da comarca, Jorge Alexandre Martins Ferreira, responsável pelo projeto, disse ao G1 que na Comarca havia muitos casos de pessoas que já estavam de fato separadas, mas não possuíam condições financeiras e nem conhecimento jurídico para oficializar o divórcio.

“A ideia é ajudar a regularizar a situação da pessoa, pois, verifiquei que, em muitos casos, o casal enfrenta dificuldades para se divorciar oficialmente. Dessa forma, a pessoa fica liberada para novos casamentos”, destacou.

Porém, enquanto muitos decidem viver novos desafios com uma outra pessoa, um casal de aposentados preferiu terminar a vida sozinho. Dona Petrona Ajala de Roja, de 72 anos, e Purificação Ramon, de 74 anos, foram os primeiros a chegar ao Fórum, na manhã deste sábado, para romper uma aliança feita há 55 anos.

“Chegou o momento. Acho que ficamos muitos velhos e a separação é o melhor para nós”, declarou a aposentada ao G1, que contou ainda estar separada do esposo há três anos.
Purificação Ramon disse que a decisão foi tomada em conjunto e que preferiu encerrar a vida sozinho, sem intenção de uma nova companheira, apenas acompanhado pelos nove filhos que teve com Petrona. “Vou passar o resto do tempo visitando os meus filhos. Pretendo voltar para Mato Grosso do Sul e continuar a vida”, contou. Purificação garante que vai guardar momentos inesquecíveis do meio século vivido ao lado da ex-esposa e finaliza: “Foram anos felizes e não seremos inimigos. Isso é o que importa”.

No mesmo corredor do Fórum, o agricultor Valdemir Ferreira Leite, de 54 anos, aguardava cabisbaixo e emocionado a possibilidade de vivenciar uma nova história. O problema, segundo ele, estava em deixar o que passou e recomeçar uma nova etapa. “É difícil não se emocionar com tudo o que foi vivido. Mas, a vida da gente é essa. Se não dá mais, começamos de novo”, avaliou, sentado ao lado da esposa, a qual está separado há 15 anos.

O juiz da Comarca frisou que a realização do divórcio coletivo só foi possível por conta da Emenda Constitucional 66/2010, que simplifica a separação prévia por um ano e não mais por dois, tornando o divórcio consensual mais rápido. Segundo o magistrado, há atualmente 150 processos litigiosos na Comarca.

Para a promotora Maisa Fidelys, a intenção é fazer com que o trâmite processual seja mais rápido, evitando a burocratização. Prova disso é o caso do produtor rural Mariano da Rocha Viana, de 65 anos, e que está separado há 40 anos. Segundo ele, durante todos esses anos, a dificuldade processual fez com que desistisse de oficializar o divórcio com a ex-esposa. “Já havia tentado outra vezes, mas desistia no meio do caminho”, pontuou. Já a motivação, de acordo com o agricultor, para enfrentar a fila no Fórum neste sábado, foi a possibilidade de um novo casamento previsto para este ano com a atual namorada.

O projeto do divórcio coletivo ocorre em uma parceria do Tribunal de Justiça com Ministério Público, Defensoria Pública, igrejas evangélicas locais e a Faculdade Católica Rainha da Paz.

G1

Audiência decidirá se acusados do caso Eliza Samudio vão para júri popular


Processo está em segunda instância e já completou um ano e um mês

Os acusados de envolvimento no desaparecimento e morte de Eliza Samudio, amante do ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes, vão participar de uma audiência na 4ª Câmara Criminal de Minas Gerais na próxima quarta-feira (10), às 13h30. O desembargador Delmival de Almeida Campos irá presidir a decisão e vai decidir se os acusados vão a júri popular.

Em 2010, a Justiça definiu que os acusados deveriam ir a júri popular. Os advogados, porém, entraram com recurso. O desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, completou um ano em junho deste ano. No dia 4 de julho de 2010, Eliza fez um último contato por telefone com uma amiga.

Apesar de a polícia ainda não ter encontrado o corpo dela, o delegado responsável pelo caso diz que as investigações concluem que ela está morta. O ex-goleiro do Flamengo é apontado como o mandante do crime.

Um ano após o desaparecimento, a Justiça ainda não julgou os acusados de participação no crime. Quatro réus do caso estão presos: o goleiro Bruno Fernandes, o amigo dele Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, o primo Sérgio Rosa Sales e o Bola, que é ex-policial civil e seria acusado de outros crimes.

Os quatro acusados, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, ex-mulher de Bruno, Fernanda Gomes de Castro, ex-amante do jogador, Elenilson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza responderão ao processo em liberdade. Todos negam o crime.

De acordo com a versão da polícia, Eliza e seu filho, na época com quatro meses, foram sequestrados e levados para o sítio do goleiro em Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Lá, os dois teriam ficado reféns por alguns dias. A jovem teria sido espancada nesse período em que ficou no sítio.

A polícia diz ainda que, no dia 7 de julho, Eliza teria sido levada para a casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em Vespasiano. Ele teria então, estrangulado a vítima até a morte e depois esquartejado o corpo dela. Os restos mortais foram dados como comida para seus cachorros rottweilers e outra parte do corpo foi cimentada na obra da casa.

R7

Polícia prende suspeito de participar de tiroteio na zona norte


A polícia prendeu na tarde desta sexta-feira, em um hospital da zona leste de São Paulo, um homem ferido suspeito de integrar a quadrilha que tentou assaltar caixas eletrônicos de um supermercado zona norte na madrugada de hoje. Seis pessoas morreram.

Segundo a polícia, Reginaldo Moura da Conceição --morador de Pirituba (zona norte)-- era um dos dez homens que invadiu um supermercado da rede Comprebem na rua Elisio Teixeira Leite, na região de Parada de Taipas (zona norte).

A quadrilha --fortemente armada-- rendeu três funcionários e, com a ajuda de maçaricos, arrombou os caixas eletrônicos para roubar o dinheiro. O crime aconteceu por volta das 3h.

Quando os policiais militares --avisados pelo 190 do roubo-- e da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar) chegaram ao local teve início uma intensa troca de tiros, que terminou com a morte dos seis ladrões e deixou policiais feridos. Os funcionários do supermercado saíram ilesos da troca de tiros.

Dos seis mortos, a polícia já identificou três: Alessandro Leal Paes da Silva, 29, Nicomedes Teixeira, 34, e o terceiro ainda não teve o nome divulgado.

O Comprebem informou, em nota, que a loja estava fechada e encontra-se em reformas. "Nenhum funcionário ou cliente foi ferido e a empresa se mantém a disposição das autoridades para contribuir com as investigações".

Folha OnLine

Internar à força resolve?


Para combater a epidemia de crack, autoridades decidem internar os dependentes compulsoriamente. ÉPOCA foi ver de perto se isso funciona

A boca ferida, maltratada pelo uso contínuo de cachimbos precários, era uma das poucas partes do rosto de R. que o cobertor marrom e sujo deixava entrever. O corpo miúdo poderia facilmente ser confundido com o de um garoto de 14 anos. Os passos que o conduziam para fora da Favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, eram apenas resignados, não mais relutantes. Enquanto caminhava, R. experimentava momentos de lucidez nos quais tentava resumir sua trajetória. Aos 25 anos, viciado em crack, sem ter onde dormir, exceto a rua, ele enfrentava o quarto dia sem comer. No dia 19 de julho, foi encontrado e levado à força pela equipe da Secretaria de Assistência Social do município do Rio de Janeiro. “Se for a salvação para mim, eu vou. Sabe por quê? Porque eu tô vendo que se eu ficar aqui, fumando oito, nove pedras por dia, eu não vou aguentar mais. Eu vou morrer.” Antes das 10 horas da manhã, R. já embarcara numa das quatro vans da prefeitura que levaria os usuários de crack recolhidos ali à delegacia e, depois, a algum abrigo para tratamento de dependentes químicos.

RESIGNADO
Um usuário de crack de 25 anos espera pelo transporte que o levará ao abrigo municipal. Ele aceitou a internação porque temia morrer do vício

A ação da Secretaria de Assistência Social carioca é estridente. Desde maio, três vezes por semana, os agentes sobem os morros da cidade que continuam sob domínio do crime organizado para levar, na marra, os dependentes de crack que povoam as cracolândias da cidade. ÉPOCA acompanhou uma dessas operações no final do mês passado. O trabalho só é possível porque é apoiado por policiais civis e militares, empunhando armas de grosso calibre. Antes dos agentes, o blindado da PM conhecido como “caveirão” sobe o morro. Há troca de tiros entre a polícia e traficantes. Abordados pelos agentes, os usuários costumam reagir de modo arredio. A resposta vem na mesma proporção. O porte físico avantajado e a experiência como segurança de boate, constantes entre os agentes da secretaria, possibilitam que eles terminem por dominar os dependentes, embora com dificuldades.

As operações já resultaram no acolhimento de 1.319 pessoas (1.065 adultos e 254 crianças e adolescentes) em cracolândias. Segundo a prefeitura do Rio, nas áreas onde os viciados são tirados das ruas, o índice de pequenos roubos e furtos costuma cair até 50% nos primeiros dias. Depois de levados das favelas, crianças, adolescentes e adultos têm destinos diferentes. Todos os menores de 18 anos encontrados, de quem o Estado passa a ser o tutor, ficarão cerca de três meses internados contra a própria vontade (e de sua família, eventualmente) em alguma unidade terapêutica da prefeitura. São casas com psiquiatras, clínicos gerais, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e grades. Grades por todos os lados. A prefeitura do Rio está convencida de que, sem elas, de nada adianta ter os melhores profissionais. A recuperação seria inviável. Ainda assim, nem sempre se consegue evitar a fuga dos pacientes. Para os adultos, a internação compulsória ainda não é a regra, embora já ocorra em alguns casos, sempre autorizados por um juiz. A prefeitura do Rio afirma que gostaria de adotá-la em larga escala, mas que ainda não encontrou um meio legal de promovê-la.

A medida de internação à força do Rio de Janeiro é pioneira, tem provocado polêmica, mas conquistado cada vez mais adeptos entre os gestores públicos. No Congresso, tramita um projeto de lei que propõe extinguir a necessidade de ação judicial para internar alguém à força. No governo federal, há autoridades simpáticas à ideia. Em São Paulo, onde há a maior cracolândia do país, depois de dois anos de uma política de convencimento de dependentes para que aceitassem voluntariamente ser tratados, a experiência carioca poderá ser repetida em breve. A Procuradoria-Geral da cidade deu um parecer favorável à internação compulsória de usuários de crack. A decisão agora cabe ao prefeito Gilberto Kassab, que já admitiu publicamente ver a internação forçada como uma resposta para o histórico problema do município. Estima-se que, pela cracolândia paulistana, perambulem quase 2 mil pessoas diariamente. A internação na marra funciona? Representa uma solução para as famílias que sofrem o drama de ter dependentes em crack?

Época

Ex-chefe do tráfico quer tirar jovens do crime


RIO - O único fantasma que ainda ronda a cabeça de Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, de 47 anos, um dos últimos remanescentes do tráfico de drogas dos anos 80, é o medo de sofrer uma extorsão por parte de policiais corruptos. Na sexta-feira, o ex-chefe do tráfico do Morro da Mangueira, depois de cumprir 21 anos de prisão, em dois tempos, saiu da cadeia para trabalhar, com carteira assinada, como assessor direto do coordenador do AfroReggae, José Júnior, de quem receberá R$ 2.500 para dar palestras aos jovens, buscando retirá-los do caminho do tráfico.

Tuchinha, beneficiado pelo regime semiaberto, conseguiu um trabalho extramuros, ou seja, durante o dia baterá o ponto no AfroReggae e, à noite, dormirá no presídio. Em seu primeiro dia de liberdade na sexta-feira, ele esteve como governador Sérgio Cabral, durante uma visita a UPA de Bangu. O O governador disse para ele honrar o crachá do AfroReggae. Num dia de sol morno, a primeira sensação foi de alívio.

- Nada paga o preço de saber que a minha família está em segurança. Poder andar tranquilo, sem ter a preocupação de que vai vir a polícia para me prender. Minha cabeça está tranquila - disse Tuchinha.

Mas no fundo, ele ainda tem receio de como a polícia vai tratá-lo no dia a dia, do lado de fora da cadeia. O medo não é à toa, para quem teve um membro da família sequestrado por policiais da banda podre. É tocar no assunto para os olhos de Tuchinha ficarem marejados:

- O perigo maior é eles (policiais) pensarem que eu tenho dinheiro para mineirar (extorquir dinheiro). Já esqueci isso (o sequestro do parente). Vida nova. O passado está enterrado.

Ao ser perguntado se a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Mangueira foi um dos fatores que influenciou a sua desistência de ficar à frente do tráfico da favela, Tuchinha nega veemente. Segundo ele, quando foi preso pela segunda vez, em 2006 , na época em liberdade condicional, o ex-chefe do tráfico da Mangueira, preso em Aracaju (SE), disse que atuava como uma espécie de conselheiro, mas garante que já estava fora do tráfico. Ele conta que era compositor, profissão que pretende abandonar:

- Fui preso porque estava no samba. Acabei ganhando as manchetes dos jornais. Agora, querem dizer que eu ganhei com o meu samba na Mangueira, porque fiz pressão pois era o cara. Se fosse assim como é eu ganhei na Porto da Pedra, em 2006, onde não conhecia ninguém? Um ano depois emplaquei na Mangueira, no Tuiuti e na Lins Imperial. Além disso, eu havia perdido outras três vezes, antes de 2007 - justificou.

Sobre as UPPs, Tuchinha responde que acha a ideia boa, desde que a polícia trate o morador com respeito. O ex-chefe da Mangueira ainda é do tempo em que a política assistencialista imperava nas favelas do Rio, prática adotada por uma das mais antigas facções criminosas. Em troca, moradores abriam as portas de duas casas para esconder o "benfeitor" durante ações policiais na favela.

- Antigamente, os moradores me respeitavam por causa da minha filosofia: respeitar a comunidade. Eu tenho amor pela Mangueira. A minha gestão no morro foi de não entrar em confronto. Todos os moradores lá me conhecem e sabem como eu sou. A polícia tem que aprender que deve respeitar para ser respeitada - ensina o ex-traficante.

Hoje, os tempos são outros na Mangueira. Na opinião do ex-traficante, a entrada do crack nas favelas do Rio é o fim da juventude. Por isso, procurou a ajuda do AfroReggae.

- A Mangueira foi a última a aceitar o crack. Sempre estive na luta para evitar a entrada da droga maldita. Mandei acabar com os carros abandonados em frente à favela, antes de ser preso pela segunda vez, para evitar que virassem pontos de viciados - lembrou Tuchinha.

Ele conta que a droga entrou no Rio com a aproximação de uma facção de São Paulo com a do Rio:

- Os traficantes paulistas mandavam a cocaína, mas davam descontos para quem comprasse com o crack. Algumas comunidades começaram a comercializar da droga. Como crescimento do vício do crack, o movimento dessas comunidades cresceu, enquanto outras minguavam. Todo mundo acabou vendendo o crack. Agora, é essa epidemia.

Com a experiência de quem foi chefe do tráfico por pelo menos , Tuchinha diz que o caminho para frear a onda do crack é as autoridades evitarem a entrada das drogas, policiando as fronteira:

- A cocaína não é produzida aqui. Enquanto tiver entrando, isso vai piorar cada vez mais. Esta droga é o fim. As pessoas estão mais violentas. Quero um Rio de paz para a minha família.

Uma das primeiras missões que terá a frente do AfroReggae é convencer o irmão, o traficante Polegar do tráfico:

- Eu botava o Polegar no colégio, cobrava boas notas, mas fui preso e perdi as rédeas. Agora, vou dizer para ele e para os outros jovens: perdi a minha juventude. Dinheiro, mulher, nada vale a pena. É pura ilusão. Não há dinheiro que vai pagar. Vou tirar os jovens do caminho errado.

Tuchinha entrou para o crime em 1983. Foi preso pela primeira vez, em 89, quando, cumprindo 17 anos de pena.

O Globo

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Merendeira confessa ter envenenado comida de escola


Polícia pediu prisão preventiva da funcionária

Uma das três merendeiras da Escola Estadual de Ensino Fundamental Doutor Pacheco Prates, em Belém Velho, Zona Sul da Capital, confessou na tarde de hoje ter colocado veneno para ratos no estrogonofe servido aos alunos, professores e funcionários no almoço de quinta-feira. Wanuzi Mendes Machado, 23 anos, que trabalha no colégio há três semanas, disse não saber porque colocou o veneno Nitrocin na panela.

Aos policiais da 1ª Delegacia de Homicídios, Wanuzi contou ter encontrado os sachês embaixo da pia da cozinha e misturado o veneno para ratos à comida quando a outra merendeira da escola saiu para ir a um posto de saúde. A jovem confirmou ter comido o estrogonofe e também foi atendida na tarde de ontem, assim como todos os outros.

Ao todo, 39 pessoas comeram a refeição envenenada e precisaram ser atendidos em postos de saúde da Capital com sintomas de náusea, dores de barriga e cabeça. O delegado Cleber Lima, da 1ª DHD, disse ter solicitado à Justiça a prisão preventiva de Wanuzi e irá indiciá-la por tentativa de homicídio qualificado.

Ela foi liberada e estaria sob cuidados de familiares.

Zero Hora
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