sábado, 19 de novembro de 2011

Blitz antiálcool para menores aplica primeira multa em SP


Bar na Rua Augusta foi multado em R$ 2,6 mil
Geladeira para clientes mantinha bebida alcoólica junto a refrigerantes.


A blitz contra a venda de bebida alcoólica a menores e a presença de menores bebendo aplicou a primeira multa a um estabelecimento comercial em São Paulo à 1h30 deste sábado (19).

Um bar da Rua Augusta, região central da capital, foi autuado pela Vigilância Sanitária do Estado por misturar em uma geladeira que fica à disposição dos clientes garrafas e latas de bebidas alcoólicas com refrigerantes, sucos e águas. Segundo a nova lei, é obrigatório manter os produtos alcoólicos em locais separados dos não alcoólicos.

A dona do estabelecimento, Risalva Silva Cruz, disse que não tinha conhecimento total das novas regras. "Eu soube que a bebida alcoólica pode estar na geladeira com o refrigerante, mas que nenhum cliente poderia abrir a geladeira, e sim a gente ir até a geladeira e tirar a bebida", disse. O valor da multa aplicada, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, é de R$ 2,6 mil.

Um balanço sobre a blitz ao longo da madrugada em todo o estado deve ser divulgado até o final da tarde deste sábado.

O governador Geraldo Alckmin esteve na região da Rua Augusta momentos antes do início das fiscalizações. Para ele, a adesão dos comercianter será rápida e o foco é prevenir um problema de saúde pública no estado. "Eu acho que rapidamente os comerciantes vão ficar atentos. O objetivo da lei representa menos acidentes, menos perdas de vidas, e isso vai expor menos os jovem a outras drogas, ao risco de dependência química", afirmou.

O jovem João Francisco Furtado Martins, de 25 anos, foi abordado pelos agentes dentro de um dos bares e disse que aprova a iniciativa. "Não me incomoda mostrar o RG. Se é preciso fazer isso para coibir o que é errado, então não tem problema. É importante a fiscalização, porque lei só é lei quando a fiscalização existe".

Comerciantes alertas
O estabelecimento que descumprir a lei e for autuado duas vezes tem que fechar as portas por 15 dias. Na terceira vez, a punição é maior: não pode funcionar por 30 dias. Na quarta, o local será fechado e o dono perderá a licença. As multas vão de R$ 1.745 a R$ 87.250.

Para José Edmilson da Silva, funcionário do primeiro estabelecimento vistoriado, também será preciso ficar mais atento aos clientes. "Existem menores que só de você olhar parece que já é maior, então nós pedimos mais frequentemente o RG. Algumas pessoas já chegam aqui com bebida, e essa pessoa pode ser menor. Então a gente também tem que se adaptar a isso".

A nova lei também já causou mudança no comportamento de alguns comércios. Preocupado com o bem-estar dos clientes, o dono de uma pizzaria treinou seus funcionários para agirem corretamente durante uma eventual abordagem para solicitar a identidade.

"Eu pedi para que os garçons passassem os casos para o gerente ou para mim, para que não haja uma abordagem equivocada e para o cliente não ficar chateado por pedir o documento", disse Fernando Leite de Mendonça.

Agentes fiscalizadores
A lei já existia e era proibido vender bebida para um menor de idade. A diferença é que ela ficou mais rigorosa. Por exemplo: se um menor comprar ou consumir bebida alcoólica em um estabelecimento, mesmo que ela tenha sido comprada por um adulto, o proprietário do lugar será responsabilizado.

Cerca de 200 fiscais participaram das blitzes na região metropolitana de São Paulo. Outros 300 agentes também vistoriaram estabelecimentos em todo o Estado. O objetivo do governo é treinar mais 4 mil fiscais durante o ano que vem.

Até sexta-feira (18), o trabalho era de orientação. Os agentes explicaram o que podia e o que não podia no comércio de bebidas alcoólicas. Entre os estabelecimentos estão os bares, restaurantes, postos de gasolina, padarias e supermercado.

Denúncias
Quem souber de algum lugar que venda ou permita o consumo de bebida alcoólica por menores pode ligar no: 0800 771 3541. Em breve, o Governo irá disponibilizar o link para a denúncia online. Veja outras informações sobre a nova lei.


G1

ILUSÕES DO AMANHÃ poema de alexandre lemos (aluno da APAE)


’Por que eu vivo procurando um motivo de viver, se a vida às vezes parece de mim esquecer?
Procuro em todas, mas todas não são você.
Eu quero apenas viver, se não for para mim que seja pra você .
Mas às vezes você parece me ignorar, sem nem ao menos me olhar, me machucando pra valer.
Atrás dos meus sonhos eu vou correr. Eu vou me achar pra mais tarde em você me perder.
Se a vida dá presente pra cada um, o meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito? Esse mundo cheio de preconceito.
Quando estou só, preso na minha solidão, juntando pedaços de mim que caíam ao chão, juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.
Talvez eu seja um tolo, que acredita num sonho.
Na procura de te esquecer, eu fiz brotar a flor.
Para carregar junto ao peito, e crer que esse mundo ainda tem jeito.
E como príncipe sonhador…
Sou um tolo que acredita, ainda, no amor.’

PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos – APAE) Este poema foi escrito por um aluno da APAE, chamado, pela sociedade,de excepcional. Excepcional é a sua sensibilidade!
Ele tem 28 anos, com idade mental de 15 e peço que divulguem para prestigiá-lo. Se uma pessoa assim acredita tanto, porque as que se dizem normais não acreditam?

PALAVRAS, TODAS PALAVRAS

Brasil vai fabricar equipamento que detecta HIV com apenas uma gota de sangue


Rubéola, sífilis, toxoplasmose e hepatite B também poderão ser diagnosticadas com o novo aparelho

O Brasil vai produzir e utilizar na rede pública um aparelho para teste rápido de HIV, rubéola, sífilis, toxoplasmose e hepatite B em gestantes com apenas uma gota de sangue. O acordo para fabricação do equipamento foi assinado ontem entre o Instituto Carlos Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Paraná, e a empresa de equipamentos médicos e hospitalares Lifemed.

Criado pela Universidade Federal do Paraná, o kit, que inclui o aparelho e os materiais necessários aos exames, pode diagnosticar as doenças em até 30 minutos. Atualmente, o resultado dos exames leva semanas para ficar pronto. Por ser portátil, o equipamento pode ser levado a áreas de difícil acesso, à periferia das grandes cidades e à zona rural.

O kit nacional chegará ao Sistema Único de Saúde (SUS) somente em 2014. Com ele, o Ministério da Saúde espera, entre outros objetivos, reduzir a taxa de prevalência das doenças entre grávidas a partir do diagnóstico rápido e precoce no pré-natal, uma das metas do Programa Rede Cegonha, lançado este ano pela presidenta Dilma Rousseff. A cada ano são registrados, por exemplo, 19 mil casos de sífilis congênita no país.

— Esse equipamento, com o tempo, pode incorporar o diagnóstico de outras doenças infecciosas e podemos ampliar (o uso) não somente para o pré-natal, mas para toda a rede básica — disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Segundo o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, o aparelho tem potencial para diagnosticar cem tipos diferentes de doenças. Cada kit pode ser usado por até cem pacientes.

O ministério irá gastar cerca de R$ 950 milhões com a compra gradual das unidades no período de cinco anos. A economia para os cofres públicos é estimada em R$ 177 milhões de reais com a redução de importações e outros custos. Em 2014, serão comprados 2 milhões de kits. Em 2019, o montante será elevado para 10 milhões de unidades. De acordo com Padilha, em cinco anos, os kits nacionais serão suficientes para abastecer a rede pública em todo o país. Cada kit vai custar R$ 30,40 no primeiro lote de compras, em 2014. Com o aumento das encomendas, o preço de cada equipamento deve cair para R$ 21,50 em 2019, segundo estimativa do próprio governo.

bem-estar

Ex-ator de Malhação é preso acusado de agredir ex-esposa


Rio - O ator Charles Paraventi, de 42 anos, foi preso na noite desta sexta-feira acusado de agredir a ex-esposa, a promotora de eventos Maiara Carla Leite, 26. Ex-integrante do elenco de Malhação, ele foi encaminhado para a 5ª DP (Mem de Sá) e autuado na Lei Maria da Penha, por lesão corporal e injúria.

Charles e a ex-esposa moram juntos em um apartamento do ator em Ipanema, mas, já estariam separados.
Nesta sexta-feira, durante uma discussão, ele agrediu física e verbalmente a mulher. Segundo Naiara, o ator estaria sob efeito de drogas. Ainda de acordo com a promotora, eles namoram há quatro anos e a briga teria ocorrido por causa de dinheiro. O ator tem um filha de oito anos.

A fiança foi estipulada em R$ 8 mil, mas como o ator não tinha o dinheiro, continuará preso. Naiara tinha apenas R$ 600 e saiu chorando da delegacia ao saber do valor estipulado. Segundo o delegado, o valor é fixado levando em conta o tipo de lesão causada na vítima e a condição financeira, o nível de periculosidade e a vida pregressa do agressor. Este último teve peso maior na determinação da fiança.

Na delegacia foi feito exame de corpo de delito e o delegado de plantão já tem em mãos laudo prévio de lesão corporal.

Em 2006, Paraventi foi preso na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, onde estaria comprando drogas. De acordo com o relato dos policias que prenderam o ator, Paraventi ofereceu a eles R$ 20 mil e o carro que usava para ir à favela, uma Parati, para não ser preso.

Atualmente, Chales é protagonista do elenco da peça "Os capangas", que está em cartaz no Norte Shopping, no Cachambi, Zona Norte do Rio. Ele não compareceu a apresentação desta sesta-feira. Ainda de acordo com Naiara, desde 2006, quando foi preso, ele não conseguia emprego, fazendo pontas em programas e dando aulas particulares de inglês.

Charles Paraventi autou no filme Chamas da Vingança, em 2004, protagonizado por Denzel Washington. No Brasil, ele atuou em A Ostra e o Vento (1997) e Cidade de Deus (2002), e nos infantis Tainá, Uma Aventura na Amazônia (2001) e Didi Quer Ser Criança (2004).

Reportagem de Ricardo Albuquerque e Marcello Victor

O DIA ONLINE

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Nova York: casa na árvore para driblar crise econômica


NOVA YORK – “Eu acho que todo mundo tem esse lugar especial na cabeça – uma nostalgia primitiva- por uma casa na árvore”, disse a designer Alexandra Meyn, bem confortável em seu refúgio construído no quintal de seu apartamento térreo no Brooklyn. “Os olhos das pessoas brilham quando você conta que tem uma casa na árvore”.

Presa a uma sólida amoreira, a morada de Meyn remete a infância. O interior é coberto por uma colagem de páginas de revistas de moda; um cabo de eletricidade vem direto do quarto e alimenta as lâmpadas instaladas em um fio e um toca-discos. Há ainda morcegos cor-de-rosa na parede, e janelas penduradas como brincos. Quando terminou a casa, há quase dois meses, Meyn convidou os amigos para uma festa a fantasia.

- É divertido subir aqui com as pessoas e conversar, conversar e conversar -, diz.

Mas a construção também reflete realidades adultas, como o desejo de Meyn por um abrigo em torno do bairro onde vive. E o motivo que a levou a empregar energia criativa em uma estrutura tão quixotesca foi apenas um: desde que se formou em design de interiores no Instituto Pratt, em maio deste ano, Meyn não conseguiu encontrar um estágio ou trabalho.

- Decidi criar o meu próprio -, diz Meyen, 33, que parece determinada a permanecer otimista mesmo enquanto envia currículos para o espaço.

Orçamento de US$ 400

Ao construir a casa na árvore, a moradora do Brooklyn pensou que poderia aprender algumas habilidades práticas do design, o que, de fato, aconteceu. Trabalhando com um orçamento de US$ 400, ela aprendeu a encontrar materiais mais baratos. Portas e janelas foram achadas no lixo; tábuas para o piso, tinta e outros itens foram comprados na Build It Green (Construção Verde), uma organização sem fins lucrativos localizada no Queens que comercializa material de construção bem abaixo do preço.

Meyn também aprendeu a equilibrar um projeto ambicioso com a realidade, o que resultou em uma casa na árvore de 5 m de altura, instalada em uma robusta plataforma elevada em vez de suspensa do tronco da árvore, como ela inicialmente planejou.

- A casa parece um pouco com um bloco. Mas como é minha primeira, preferi colocar a segurança em primeiro lugar - explica.

Houve outras lições a respeito de assuntos mais complicados, como lidar com imposições para obter permissão da prefeitura para construir (fazer a casa na árvore pequena o suficiente para que se qualifique como um espaço de recreação) e como assegurar sua privacidade quando dorme na casa nas noites de verão.

Quanto a escalar uma equipe de trabalho, Meyn descobriu outra verdade:

- É difícil para as pessoas recusarem quando você diz que está construindo uma casa na árvore.

Meyn teve a ideia de construir a casa na árvore há cerca de um ano e meio. Com a ajuda de websites e da leitura de um livro, em outubro de 2010 já tinha a estrutura e a cobertura prontas. Entre junho e setembro de 2011, ela terminou os detalhes: a colagem aplicada nas paredes, o nicho que guarda um pequeno altar, o conserto da dobradiça da porta-balcão, que agora abre para fora, e não para dentro.

A estrutura, um misto de madeira e metal, não esconde sua rusticidade; as superfícies são ora lustrosas, ora ásperas; há elementos refinados e boêmios. É um estilo que reflete a personalidade de Meyn, que é de Nova Orleans.

-Existe uma estética rústica e original em Nova Orleans, com um tempero que só é possível nos climas quentes - diz Jason Holmes, amigo e carpinteiro que colaborou na construção.

A casa da árvore de Meyn também provou ser robusta ao resistir ao tornado que atingiu Nova York, em dezembro do ano passado. Mais recentemente, a proprietária aplicou sistemas impermeabilizantes para poder usar o espaço de 3,7 m³ como estúdio de pintura.

-É uma questão de orgulho. Uma coisa é ter uma casa na árvore; outra é ter um espaço protegido dos elementos - diz ela.

Por hora, Meyn continua a procurar um trabalho que lhe permita planejar projetos maiores. Mas, enquanto espera, ela diz:

_Ter a casa na árvore ajuda muito.

O Globo

Teste de glicemia com lágrimas em vez de sangue



Novo aparelho vai medir os níveis de glicose dos diabéticos com método indolor

Uma, duas e até dez picadas por dia. Para medir o nível de glicemia no sangue, os diabéticos tinham apenas uma opção: furar a ponta do dedo ou outras partes do corpo para tirar um pouco de sangue. Para amenizar tamanho sofrimento, engenheiros e médicos americanos, da Universidade de Michigan, estão estudando um novo modelo indolor de teste de glicemia que use lágrimas em vez de sangue. Para fazer a medição, segundo os cientistas, será preciso apenas encostar o sensor do aparelho no olho por cinco segundos e conferir o resultado.

O estudo, realizado por enquanto em coelhos, mostra que os níveis de glicose que aparecem no sangue são semelhantes aos das lágrimas. O desafio dos pesquisadores é criar uma máquina com um sensor que funcione com pouca quantidade de fluídos, além de outras complicações como um sistema que não machuque o olho e a evaporação do líquido. Ainda que os resultados do estudo tenham sido animadores, os cientistas precisam testar se os níveis de glicose do sangue e das lágrimas também são equivalentes em humanos.

O diabetes tipo 1, que ocorre em geral na infância e na adolescência, é uma doença autoimune de fundo genético, mas também modulada por fatores ambientais, como viroses e poluentes. Segundo Cristina, existem teorias que sugerem que o desmame precoce (e a inclusão dos leites industrializados na dieta dos bebês) também pode estar relacionado com o desencadeamento do diabetes tipo 1. Os principais sintomas são quando a criança urina muito, sente sede além do normal e emagrece rapidamente, cerca de 5 a 10 quilos. Além disso, ela pode se queixar de fraqueza e até mesmo perder o controle do xixi durante a noite.

A doença não tem cura. O controle é feito por meio de reposição de insulina, hormônio que os pacientes param de produzir. O tratamento atual é complexo, doloroso e exige disciplina. São aplicadas injeções subcutâneas, geralmente de 2 a 4 doses ao dia, com seringas ou canetas aplicadoras, e é preciso fazer o controle da glicemia (açúcar no sangue), através de punção de ponta de dedo, também várias vezes ao dia. Agora resta torcer para que os pesquisadores norte-americanos consigam aplicar o novo procedimento em humanos também e tragam novas esperanças para os diabéticos.

Crescer

"Tchau, drogado, volta amanhã"


Até a presidente Dilma parece insatisfeita com o atendimento pífio que o Brasil dá aos dependentes de álcool e drogas. Por que insistir no fracasso?

Afirmar isso ou aquilo sobre o comportamento e a personalidade da presidente Dilma é arriscado. Até os iniciados no mundo da política (o que não é, absolutamente, o meu caso) sofrem para detectar quais são os traços autênticos de Dilma. Dizem que ela é austera. Dizem que tem pavio curto. Dizem que não economiza nas broncas.
Uma amostra das descomposturas que a presidente estaria passando nos ministros e nos colaboradores foi relatada pela jornalista Vera Magalhães na interessante reportagem publicada no domingo (13/11) pelo jornal Folha de S. Paulo. O que mais chamou minha atenção foi o seguinte trecho:

“A presidente comandava uma reunião com representantes de vários ministérios para discutir o lançamento de uma política de saúde para pessoas com deficiências. Quando um funcionário do Ministério da Saúde sugeriu uma sigla para identificar a nova política, Dilma cortou:
-- O quê? Você está me sugerindo mais uma sigla? Você sabe quantas siglas tem no Ministério da Saúde? – e se pôs a enumerar várias delas. Ao citar os CAPs-AD (Centros de Atenção Psicossocial Antidrogas), voltou-se para um ministro ao seu lado:
-- Você sabia que os CAPs-AD fecham às 18h? Você chega para o drogado e fala: “Drogado, são 18h. Tchau, drogado, volta amanhã!”

Finalmente alguém no governo federal parece ter percebido o absurdo que é a estrutura de atendimento aos dependentes de álcool e drogas no Brasil. Eles e suas famílias não são os únicos afetados. Toda a sociedade sofre. A política de saúde mental do Ministério da Saúde tem sérios problemas. O principal é estar baseada muito mais em ideologia e preconceito do que em medicina.

Se quem percebeu que o serviço está mal feito foi justamente quem manda na casa, a notícia é ótima. Pode ser um sinal de que as coisas finalmente podem começar a mudar. Para melhor.

Quem tem na família um dependente químico (de drogas ou álcool) ou um doente com depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo e outros problemas psiquiátricos sabe que essa estrutura de atendimento baseada nos CAPS não dá conta do problema. Por mais bem intencionados que os defensores desse modelo sejam.

A história é antiga. No final dos anos 80 ganhou força no Brasil um movimento chamado de luta antimanicomial ou de reforma psiquiátrica. Pregava a extinção dos manicômios, nos quais os pacientes eram abandonados, maltratados e submetidos a situações degradantes.
Ninguém pretende que esses horríveis depósitos de gente renasçam no Brasil. Mas é preciso reconhecer que dependentes de álcool e drogas e doentes psiquiátricos em estado grave podem precisar de internação. Os doentes (independentemente de sua condição social) merecem uma internação em hospital adequado, com atendimento psiquiátrico eficaz e a dignidade que todo sofredor merece.

As famílias dos pacientes enfrentam hoje uma enorme dificuldade para internar quem precisa. O poeta Ferreira Gullar, que teve dois filhos esquizofrênicos, denunciou a situação numa reportagem que foi capa de ÉPOCA.

Desde 1989, cerca de 70% dos leitos psiquiátricos do país foram fechados. O Ministério da Saúde investiu nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Nesses locais, o paciente recebe medicação e acompanhamento semanal. A ideia é atendê-lo sem retirá-lo do convívio da família e da comunidade. Quando a situação do paciente complica, no entanto, os familiares não conseguem vaga num leito psiquiátrico em hospitais comuns.

Vários municípios discutem a internação compulsória de dependentes de crack, uma polêmica muito bem retratada pelos colegas Mariana Sanches, Matheus Paggi e Eduardo Zanelato nesta outra reportagem de capa. A pergunta que não quer calar é “internar onde?”

Em meio a uma verdadeira epidemia de crack, o Brasil dispõe de apenas 268 centros de atendimento de casos de álcool e drogas (CAPS-Ad). Eles funcionam apenas até as 18 horas. Só de segunda a sexta-feira.

O país inteiro tem apenas três (!!!) centros 24 horas, segundo o Ministério da Saúde. Um em Petrópolis (RJ) e dois em São Bernardo do Campo (SP). Pelo sistema de atendimento vigente no Brasil é preciso surtar em horário comercial. Não sei se a bronca de Dilma foi dirigida à pessoa certa, mas foi merecida.

O mais estranho nessa história toda é que o Ministério da Saúde parece não estar interessado em ouvir os psiquiatras. Procurei vários deles, a maioria especialista no tratamento de dependentes de álcool e drogas, para saber como receberam o comentário da presidente.

“A Dilma é muito inteligente. Se o problema chega até a presidente, ela consegue dar resolução”, afirma Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. “O problema é que ela está muito mal assessorada na área de saúde mental. Nos colocamos à disposição do Ministério da Saúde para ajudar a repensar o sistema e não fomos ouvidos”, diz.

CAPS são úteis, mas não podem ser o único recurso disponível. Sozinhos, esses centros não têm competência para prestar assistência adequada aos doentes. Fechar leitos psiquiátricos e abrir mais CAPS não resolve o problema. Sem nenhum demérito às equipes multiprofissionais que trabalham neles, esses centros deveriam ser recursos complementares. Por que o governo insiste no erro?

“Por um infantil viés ideológico, quem defende o modelo atual acredita que as dependências químicas são uma construção social e os dependentes são vítimas da injustiça social”, diz Marco Antonio Bessa, presidente da Sociedade Paranaense de Psiquiatra.

Na prática, a atual orientação da política de saúde mental brasileira sataniza a psiquiatria. Parte do pressuposto de que todos os psiquiatras estão mancomunados com a indústria farmacêutica e nega os avanços que essa área da medicina trouxe para a compreensão e tratamento de tantos males e aflições.

É claro que existem maus profissionais na psiquiatra -- como em qualquer outra área do conhecimento e do mercado de trabalho. É claro que a indústria tem interesses comerciais e seduz os médicos, a imprensa e o público. É claro que há exagero no diagnóstico e na medicação de “doenças” que, muitas vezes, são apenas a expressão de comportamentos fora do padrão esperado pela sociedade. Tudo isso existe e é grave.

O problema é o radicalismo. Negar os benefícios que a psiquiatria trouxe nas últimas décadas é tão grave quanto medicar e internar quem não precisa.

Diante da crise aberta pela dependência de drogas, o governo e a sociedade precisam ouvir os psiquiatras – mesmo que seja para discordar deles.

“Às vezes fico pensando que em breve as internações em UTIs, os choques para ressuscitação e as radioterapias também serão vistos como ações arbitrárias e violentas dos médicos – esses lacaios do biopoder a serviço da opressão e da exploração da humanidade”, diz Bessa.

O professor Ronaldo Laranjeira, da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acha que a presidente precisa se informar melhor. “Se ela soubesse da missa a metade, ficaria ainda mais preocupada”, diz. “Até hoje o Ministério da Saúde não tem uma política assistencial em relação ao tratamento do crack. Nem mesmo para o alcoolismo existe um mínimo de padronização do que se deveria fazer”.
Segundo Laranjeira, os CAPS-Ad são caros e ineficientes. Cada centro custa, em média, R$ 200 mil. “Nunca conheci um CAPS que faça mais de mil atendimentos por mês. Portanto, cada consulta custa ao redor de R$ 200. A adesão ao tratamento é muito baixa e a eficácia do tratamento é absurda”, afirma.

Não se tem notícia de que algum dia o Ministério da Saúde tenha realizado uma avaliação de custo-benefício nesses locais. “Se fizesse, 90% deles teriam de ser fechados”.

Há quem acredite que na gestão Dilma a política vigente sobre drogas finalmente começa a ser questionada. Essa é a opinião de Analice Gigliotti, vice-presidente da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro. “O comentário da presidente é absolutamente pertinente. Um dependente de drogas não escolhe a hora de querer se tratar. Não escolhe a hora de precisar de tratamento. Se pudesse escolher, não seria um dependente de drogas”.
Em vez de promover a abstinência de drogas, o objetivo dos CAPS-Ad é reduzir o consumo. É a ideia da redução de danos. “Isso é inadequado porque são muito poucos os dependentes que conseguem reduzir o uso. Eles voltam a usar drogas na mesma quantidade que usavam antes. Basta ver o que acontece com os fumantes que tentam reduzir a quantidade de cigarros. Não funciona”, diz Analice.

Durante três dias, tentei entrevistar um representante do Ministério da Saúde. Ninguém me atendeu. O governo sabe que a coisa vai mal. É bom saber que a presidenta também tomou consciência disso. Talvez esse seja o momento de reformar o que precisa ser reformado. Estou convencida de que não é a psiquiatria.

Época

Panfletos ameaçam usuários de maconha no campus da USP


Material foi divulgado por estudantes pelas mídias sociais.
Além das ameaças, panfleto, assinado pelo CCC, ironiza morte de Herzog.


Panfletos com ameaças a usuários de maconha estariam sendo distribuídos na Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo, por um grupo ultraconservador. Alguns estudantes da USP postaram fotos dos panfletos nas mídias sociais, como o Facebook. Nele, há uma foto de um grupo de carecas, alusivo aos skinheads ou Carecas do ABC, tribos conhecidas pelo uso da violência e por serem de ultradireita.

No entanto, a suposta assinatura do documento é do CCC, sigla que significa Centro de Caça aos Comunistas, que surgiu na década de 1960 na Universidade Mackenzie. Em 3 de outubro de 1968, integrantes do CCC entraram em confronto com estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, em episódio que resultou na morte do estudante secundarista José Carlos Guimarães, então com 20 anos, com um tiro na cabeça.

Outros três universitários foram baleados e dezenas ficaram feridos. O episódio entrou para a história como a Batalha da Maria Antônia, em referência à rua, na região central, que serviu de palco para a briga. Os estudantes que iniciaram o movimento contra a presença da Polícia Militar, no início de outubro, após três alunos terem sido flagrados com maconha no campus, foram, justamente, os da FFLCH.

No panfleto, o grupo defende o convênio da USP com a Polícia Militar, assinado no começo de setembro. “Atenção drogado! Se o convênio USP-PM acabar, nós que iremos patrulhar a Cidade Universitária”, diz. Outra frase afirma: “Maconheiro: aqui você não terá paz!”. Em outro panfleto, distribuído conjuntamente, há uma foto do jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto pelos agentes da Ditadura Militar nos porões do DOI-CODI, em outubro de 1975, aos 38 anos.

Abaixo da foto, se lê: “Suicídio é triste, né?” Ao lado da frase, há uma máscara sorridente. A versão oficial apresentada na época pelos representantes do regime foi a de que o jornalista de origem iugoslava teria se suicidado, utilizando o próprio cinto, como aparece na foto. No entanto, testemunhos de presos na mesma época relataram que ele foi assassinado sob tortura.

Integrantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP também ficaram sabendo dos panfletos com as ameaças pela internet. O fato, inclusive, foi comentado na assembleia geral realizada na noite de quinta-feira (17) no prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. “Não vimos nenhum (panfleto) no campus até o momento, mas se houver algum partiu de um grupo extremamente minoritário na USP”, disse Renan Teodoro, diretor do DCE, que classificou o material de “mau gosto” e “quase infantil”.

No entanto, ressaltou que é uma manifestação preocupante. “Evidentemente que preocupa esse tipo de intolerância, até mesmo na cidade. Temos o exemplo dos meninos da Paulista que foram agredidos com lâmpadas fluorescentes”, disse.

A assessoria de imprensa da USP informou que a reitoria não iria comentar o assunto.

G1

Pistoleiros matam líder indígena, diz Cimi

O cacique Nísio Gomes (no centro da foto acima) foi executado com tiros de calibre 12

A Polícia Federal e uma comitiva com integrantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e conselho Aty Guassu (Grande Assembleia Guarani) estão no acampamento Tekoha Guaiviry, entre os municípios de Amambai e Ponta Porã (MS), onde uma comunidade Kaiowá Guarani foi atacada por um grupo com cerca de 40 pistoleiros - munidos com armas de groso calibre - na manhã desta sexta-feira (18).

O massacre ceifou a vida do cacique Nísio Gomes, 59 anos, executado com tiros de calibre 12. Depois de morto, o corpo do indígena foi levado pelos pistoleiros – prática vista em outros massacres cometidos contra os Kaiowá Guarani no MS. As informações são preliminares e transmitidas por integrantes da comunidade. Não se sabe se além de Nísio outros indígenas foram mortos.

Os relatos dão conta de que os pistoleiros sequestraram mais dois jovens e uma criança; por outro lado, apontam também para o assassinato de uma mulher e uma criança.

“Estavam todos de máscaras, com jaquetas escuras. Chegaram ao acampamento e pediram para todos irem para o chão. Portavam armas calibre 12”, disse um indígena da comunidade que presenciou o ataque e terá sua identidade preservada por motivos de segurança.

Conforme relato do indígena, o cacique foi executado com tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. “Chegaram para matar nosso cacique”, afirmou. O filho de Nísio tentou impedir o assassinato do pai, segundo o indígena, e se atirou sobre um dos pistoleiros. Bateram no rapaz, mas ele não desistiu. Só o pararam com um tiro de borracha no peito. Na frente do filho, executaram o pai. Cerca de dez indígenas permaneceram no acampamento.

O restante fugiu para o mato e só se sabe de um rapaz ferido pelos tiros de borracha – disparados contra quem resistiu e contra quem estava atirado ao chão por ordem dos pistoleiros. Este não é o primeiro ataque sofrido pela comunidade, composta por cerca de 60 Kaiowá Guarani.

Decisão é de permanecer

Desde o dia 1º deste mês os indígenas ocupam um pedaço de terra entre as fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde – instaladas em Território Indígena de ocupação tradicional dos Kaiowá. A ação dos pistoleiros foi respaldada por cerca de uma dezena de caminhonetes – marcas Hilux e S-10 nas cores preta, vermelha e verde. Na caçamba de uma delas o corpo do cacique Nísio foi levado, bem como os outros sequestrados, estejam mortos ou vivos.

“O povo continua no acampamento, nós vamos morrer tudo aqui mesmo. Não vamos sair do nosso tekoha”, afirmou o indígena. Ele disse ainda que a comunidade deseja enterrar o cacique na terra pela qual a liderança lutou a vida inteira.

“Ele está morto. Não é possível que tenha sobrevivido com tiros na cabeça e por todo o corpo”, lamentou. A comunidade vivia na beira de uma rodovia estadual antes da ocupação do pedaço de terra no tekoha Kaiowá. O acampamento atacado fica na estrada entre os municípios de Amambai e Ponta Porã, perto da fronteira entre Brasil e Paraguai.

Conforme recente publicação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre a violência praticada contra os povos indígenas do MS nos últimos oito anos, no estado está concentrada a maior quantidade de acampamentos indígenas do País, 31 - há dois anos, em 2009, eram 22.

São mais de 1200 famílias vivendo em condições degradantes à beira de rodovias ou sitiadas em fazendas. Expostas a violências diversas, as comunidades veem suas crianças sofrerem com a desnutrição – os casos somam 4 mil nos últimos oito anos - e longe do território tradicional.

Atualmente, 98% da população originária do estado vivem efetivamente em menos de 75 mil hectares, ou seja, 0,2% do território estadual. Em dados comparativos, cerca de 70 mil cabeças de gado, das mais de 22,3 milhões que o estado possui, ocupam área equivalente as que estão efetivamente na posse dos indígenas hoje.

Sobre o território Com relatório em fase de conclusão pela Fundação Nacional do Índio (Funai), a área ocupada pela comunidade está em processo de identificação desde 2008. Por conta disso, o ataque tem como principal causa o conflito pela posse do território. A região do ataque fica a meia hora da fronteira com o Paraguai. Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público Federal (MPF), referente ao processo de demarcação da Terra Indígena, está em execução.

Fonte: Conselho Indigenista Missionário

Correio do Estado

Grupos folclóricos comemoram mês da Consciência Negra em Recife (PE)


Várias pessoas participaram de caminhada saindo do parque 13 de Maio nesta sexta

Grupos folclóricos e populares participaram de uma caminhada em celebração ao mês da Consciência Negra, saindo do parque 13 de Maio, no centro de Recife (PE), nesta sexta-feira (18).

Até o Dia da Consciência Negra, comemorado no próximo domingo (20), muitos eventos ainda devem acontecer na cidade

R7
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