quinta-feira, 13 de junho de 2013

A partir das orientações, será possível a utilização da bedaquilina para tratar pacientes com estirpes resistentes a medicamentos da doença

13 de junho de 2013 - A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou hoje as diretrizes provisórias para o uso da bedaquilina, primeiro novo medicamento lançado para tratamento da tuberculose em 50 anos, que foi rapidamente aprovado pela agência norte-americana de alimentos e medicamentos, a FDA (Food and Drug Administration, na sigla em inglês), em 31 de dezembro de 2012. Com o reconhecimento da crescente crise da tuberculose multirresistente (MDR-TB) e a urgente necessidade por melhores medicamentos com maior eficácia e protocolos de segurança, a OMS deu um importante passo com a divulgação das recomendações provisórias sobre o medicamento, baseadas em dados resultantes dos testes clínicos da fase II b.

A escalada da epidemia de tuberculose resistente a medicamentos (DR-TB) é massiva, com 310 mil novos casos notificados em 2011. Mas, globalmente, apenas 19% das pessoas que se considera que estejam infectadas estão recebendo tratamento. A expectativa é de que a bedaquilina – que tem se monstrado potencialmente efetiva contra a Mycobacterium tuberculosis¬, que causa a tuberculose, durante os testes – possa se tornar uma poderosa ferramenta nos regimes de tratamento mais curtos, mais efetivos e menos tóxicos do que os atuais. Hoje, o tratamento para DR-TB envolve a administração de 20 pílulas diárias por dois anos e oito meses de injeções diárias, que podem causar efeitos colaterais excruciantes e, no fim das contas, curam apenas um em cada dois pacientes.

Em 2012, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) tratou 31 mil pessoas com tuberculose em 36 países, 1.780 das quais apresentaram estirpes resistentes a medicamentos da doença. MSF responde à divulgação das diretrizes da OMS abaixo. O depoimento é da Dra. Jennifer Cohn, coordenadora médica da Campanha de Acesso a Medicamentos de MSF:

“As novas diretrizes da OMS para o uso da bedaquilina são bem-vindas e oportunas, considerando a recente aprovação pela FDA e a necessidade urgente de ampliação do tratamento de DR-TB.

O uso regulado e controlado da bedaquilina é essencial para garantir que não desperdicemos a oportunidade de utilizar adequadamente um dos poucos medicamentos disponíveis que podem tratar a DR-TB efetivamente.

Como uma das maiores organizações não governamentais que oferece tratamento para a DR-TB, MSF atende cada vez mais pessoas com estirpes da doença e sem o desenvolvimento de novos medicamentos que possam, combinados a outros, resultar em regimes de tratamento mais curtos, efetivos e menos tóxicos, a DR-TB vai continuar ganhando força como uma emergência global.
As empresas farmacêuticas e de pesquisas têm papel de protagonistas no desenvolvimento de novos tratamentos que possam ser amplamente oferecidos para reverter essa crise. Mas isso só acontecerá se tais empresas colaborarem e pesquisadores acelerarem os estudos sobre novas combinações de medicamentos.

Garantir o acesso a esses medicamentos também será essencial.”

MÉDICOS SEM FRONTEIRAS

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Em Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, Caravana do Norte chega a Manaus

A Caravana do Norte contra o Trabalho Infantil já passou por três estados (Rondônia, Roraima e Amapá) e chega hoje a seu quarto destino, Manaus, Amazonas. Ela segue seu itinerário para articular autoridades públicas junto à sociedade civil sobre a temática do trabalho infantil e, em um segundo passo, definir estratégias de proteção aos direitos de crianças e adolescentes. Ainda esta semana, na sexta, a Caravana chega a Tocantins.

A Caravana chega a Manaus em um dia simbólico, o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil. Por isso, o evento na capital amazonense foi marcado por uma passeata, do Centro de Convivência até a prefeitura da cidade para a entrega do Termo de Compromisso. “As crianças e adolescentes produziram encaminhamentos e apontamentos em oficinas temáticas, e essa carta será entregue para as autoridades públicas de Manaus e será discutida em audiência”, afirma o coordenador do Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção do Adolescente, Alberto de Souza.

Mesmo antes de chegar à capital, desde o dia 10 de junho, já ocorrem mobilizações, oficinas e atividades com crianças e adolescentes em diversos municípios da região.

Um ponto a ser destacado no Amazonas é a união das agremiações Caprichoso e Garantido, do Festival de Parintins, maior festa folclórica do estado, contra o trabalho infantil. Desde 2012, o festival articula ações com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e juízes da região para que não haja nenhuma criança ou adolescente em situação de trabalho durante as festividades. “Isso é inédito e deve ser comemorado”, explica Souza, também auditor-fiscal do trabalho no MTE. “Seria como unirmos o Corinthians e o São Paulo em prol do combate ao trabalho infantil”. A organização afirma que não houve exploração de mão-de-obra infantil nos dois últimos anos de festa.

Face cruel


Segundo dados do Mapa de indicadores sobre Trabalho Infantil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Manaus tem pelo menos 24.400 mil crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos trabalhando. Do total, 5,3 mil não são alfabetizadas. “O investimento é tímido e insuficiente. Temos hoje uma face muito cruel na região Norte. Faltam creches, escolas e atividades nos contraturnos, além do tratamento para vítimas de vício das drogas, problema muito presente na região”, aponta o coordenador do Fórum.

Souza explica que, como qualquer grande cidade, o trabalho infantil em Manaus é encontrado nas mais variadas formas, com crianças em situação de risco de contaminação química, no trabalho do corte de peixe e sujeitas à violência e à vulnerabilidade em semáforos. Além do trabalho rural em regiões interioranas, outro grande problema que o Amazonas enfrenta acontece nas fronteiras com os países vizinhos, Peru, Colômbia e Venezuela. “São áreas com inúmeras pessoas não documentadas, sem controle algum de trânsito e uma informalidade de trabalho absurda”, denuncia o auditor-fiscal. “Encontramos facilmente crianças de seis anos, por exemplo, carregando e vendendo garrafas de combustível trazidas do Peru, onde o combustível é mais barato”.

Tocantins


O estado de Tocantins também se mobiliza. Desde 7 de junho, é palco de palestras e oficinas nas escolas como parte da programação da Caravana. Além dessas atividades, diversas audiências públicas acontecem a partir de hoje até o fim da semana nos municípios de Gurupi, Araguaína e Palmas para fortalecer as ações locais no enfrentamento ao trabalho infantil e definir estratégias de proteção aos direitos de crianças e adolescentes.

O país tem tido avanços nos últimos 20 anos no combate ao trabalho infantil, mas o problema é mais grave no Norte, única região a apresentar aumento no número de crianças trabalhando. Cerca de uma em cada dez crianças exerce atividade econômica remunerada ou não, de acordo com o IBGE.

O Censo demográfico de 2010 registrou o número de casos de trabalho infantil entre crianças de 10 a 17 anos em algumas cidades do estado. A capital Palmas apresenta o maior registro, com 4452 casos. Em seguida, vêm os municípios Araguaína, com 3163, Gurupi, 1982, Porto Nacional, 1344, Paraíso do Tocantins, 941, Colinas, 896, Araguatins, 544, e Natividade, com 111.

A ideia geral da Caravana do Norte é lançar um novo olhar sobre o tema. Souza, de Manaus, diz que “estamos vivenciando um momento de enxergar a necessidade urgente da criação de políticas públicas e chamar a atenção das autoridades. Um prefeito não pode ficar só no discurso, estamos exigindo práticas”.

Próximos passos


A Caravana começou no dia 6 de maio, em Roraima, passando também por Roraima e Amapá. Ainda serão percorridos os estados do Acre, de 17 a 21 de junho, e Pará, onde serão encerradas as mobilizações, no dia 26 de junho. A ação é uma iniciativa do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fnpeti) e dos Fóruns Estaduais em parceria com Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego e Organização Internacional do Trabalho, com apoio da Fundação Telefônica.

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promenino

O TURISTA ALEMÃO, A VIOLÊNCIA DO ESTADO E A RESPONSABILIDADE.

Vendo as imagens do turista alemão tendo alta do hospital, após ter sido baleado por um bandido na Favela da Rocinha no Rio de Janeiro, pude perceber que vivemos em nosso país uma distorção das responsabilidades e uma anarquia total dos deveres das autoridades eleitas para com o cidadão. Atrevo-me a dizer que experimentamos uma verdadeira política institucionalizada de violência do Estado conta seu povo.

Muito longe de cumprirem suas funções constitucionais de velarem pelo bem-estar da população e protegerem aqueles que mais necessitam contra a sanha dos poderosos e os pequenos percalços do dia a dia; as autoridades brasileiras (e em especial as do Rio de Janeiro) parecem terem optado pelo genocídio legal e sistemático dos mais carentes e estendem o manto protetor do Estado apenas aos que podem pagar ou representam algum bônus político ou eleitoral para si próprios.

Voltando ao turista alemão; percebemos claramente isso ao vê-lo sorridente e escoltado por uma enorme gama de autoridades com sorrisos largos e gestos amistosos em sua entrevista. Nada contra a recuperação do rapaz, na verdade até fico feliz com isso. O grande problema é olhar para “a outra ponta da corda” e perceber as inúmeras mortes de cidadãos comuns dia após dia nos hospitais sucateados e recheados de profissionais mal pagos e, muitas vezes, criminosamente mal intencionados ao atenderem um “Zé das Couves” qualquer como nós.

Quantas mortes por causas banais ou facilmente evitáveis não ocorrem todos os dias nesses hospitais ou nas enormes e humilhantes filas de atendimento em suas portas?

Recentemente um morador da minha rua passou mal com convulsões e ficou desacordado. Ao ser acionada, a ambulância do SAMU levou mais de uma hora para chegar a uma rua que se localiza no centro de um bairro que não possui favelas e é considerado um dos dez mais valorizados da capital carioca. Mas, infelizmente para quem mora aqui, se localiza na Zona Norte e num subúrbio da cidade.

Exatamente o mesmo se da com a polícia. Acionada para deter atos de vandalismo praticados por ocupantes, aparentemente drogados, de um veículo cuja placa e modelo foram passados ao atendente do 190; a viatura encarregada de cumprir o atendimento levou mais de 40 minutos para apresentar-se. O resultado óbvio é que os meliantes já haviam se evadido e nada restou aos policiais fazer se não continuar em sua preguiçosa missão de engana-trouxa. Isso sem contar os inúmeros chamados feitos para a central de polícia que jamais se convertem em presença policial, sendo solenemente ignorados pelos responsáveis pela suposta proteção ao cidadão.

Se a mesma coisa acontece na Zona Sul ou em outras áreas turísticas da cidade, várias ambulâncias ou viaturas policiais se atropelam para atender o turista ferido ou o cidadão de primeira linha atingido pela desgraça do momento. Maior prova disso foi o ocorrido durante o incêndio na casa do atual secretário estadual de saúde, Sérgio Cortes. Ferido no incêndio, a ambulância do SAMU lhe prestou rápido atendimento e o carregou diretamente para um hospital particular. Se um cidadão comum se vir na mesma situação, mesmo que implore, será levado para um dos pardieiros superlotados que eles chamam de hospitais. Lá chegando terá sorte se for atendido em algumas horas ou senão morrer pelo descaso da equipe ou de infecção pela sujeira e abandono das boas práticas hospitalares.

Numa cidade que gasta mais de um bilhão de reais na reforma de um mero estádio de futebol e mais alguns bilhões em obras de embelezamento, meramente cosméticas e em grande parte desnecessárias, de quem será a responsabilidade pela morte de milhões e pela opção pelo atendimento “VIP” aos turistas e a “cidadãos de primeira classe”?

Visão Panorâmica

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Bebê abandonado dentro de mala é salvo por cachorro de rua


Um cachorro salvou a vida de um bebê no sábado (8) no bairro de Estados, em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba (PR).
Segundo o portal CGN, a menina recém-nascida estava dentro de uma mala de viagem. Um cachorro de rua, ao perceber a presença da criança, começou a latir, chamando a atenção de moradores ao redor.
Uma equipe da Secretaria da Segurança Pública da cidade foi acionada e deu os primeiros socorros à bebê, que foi levada até a casa Hospitalar de Fazenda do Rio Grande, onde foi internada e passa bem.
A delegacia de Fazenda do Rio Grande investiga quem abandonou o bebê.

(Com informações do "CGN")

BOL

COMENTÁRIO EM DESTAQUE

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Estudante do Colégio Naval é internado com suspeit...":

Eu conheci de perto esses covardes disfarçados de militares 'educadores'. São capazes sim, de praticarem bulling e coisas muito piores em nome da tal da disciplina que eles tanto pregam - mas não acreditam. Eles sabem que disciplina de verdade passa longe milhas daquilo que eles praticam lá naquele colégio. O que vi lá me assustou. Na verdade, me assustou mais o que não vi mas que, paradoxalmente, era o mais óbvio. Eu tenho que agradecer a Deus todos os dias pelo insight que tive de ir lá e exigir o desligamento do meu filho e só sair de lá com ele 'embaixo da minha asa'. Mas do dia em que pedi a baixa dele até deixarem finalmente ele sair, foi um suplício! E isso, porque me hospedei do lado do colégio e avisei que estava ali à espreita e a postos para qualquer eventualidade (entenda-se: não mexam com ele pois vão se dar mal) mas o que puderam humilhar, fizeram. E não me deixaram vê-lo até o dia em que foi liberado. Isso aconteceu 5 dias após o pedido. Inventaram mil papeis que ele tinha que levar pra um e outro assinar lá dentro, e para cada um daqueles recalcados ele tinha que explicar porque estava saindo e ouvir a ladainha recalcada deles, o papo esdrúxulo de você está fazendo uma loucura em sair daqui - aquela lavagem cerebral que eles adoram fazer tentando convencer-se de que eles mesmo estão no lugar que querem. Quando saí dali com meu filho, até tirei os saltos altos e andei de pé no chão com ele ao lado. Até hoje não está sendo fácil trazê-lo de volta ao mundo suave, jovem, sem medos, sem recalques, sem paranoias, sem covardes atacando. Mas está no caminho de onde nunca deveria ter saído. Indo para a carreira que sempre sonhou e aos poucos esse pesadelo vai virando piada de mau gosto.
Só lamento pelos que ficaram. Aquilo poderia mesmo ser uma escola de príncipes se os sapos que a conduzem reconhecessem que para serem militares não precisam parecer uns micos amestrados.



Postado por Anônimo no blog Anjos e Guerreiros em 10 de junho de 2013 03:48

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Crianças de até 5 anos são 40% dos fumantes passivos

Exposição à fumaça do cigarro pode causar desde asma até morte súbita, alerta sociedade

RIo - Problema de adulto, fumar também afeta a saúde das crianças. No Brasil, 40% dos fumantes passivos têm até 5 anos. A exposição à fumaça pode causar desde asma até morte súbita. O alerta é da campanha da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) para o Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado amanhã.

O fumo passivo é o contato com a fumaça que sai do cigarro, que contém mais nicotina do que a tragada pelo fumante. Entre as crianças, os danos são maiores, porque elas possuem organismo mais sensível aos componentes do tabaco.
Segundo Márcio de Sousa, coordenador do Comitê Antitabaco da SBC, o bebê que inala nicotina pode sofrer de Síndrome da Morte Súbita Infantil. A substância também é transmitida pelo leite materno e pode elevar a pressão arterial e diminuir o oxigênio do sangue.

Crianças que convivem com fumantes também têm mais chances de desenvolver problemas respiratórios, alergia, conjuntivite, e perda na audição. “Não adianta fumar em local isolado, pois as partículas do cigarro grudam na roupa do fumante e podem passar para as crianças e prejudicá-las”, disse.

De acordo com Ricardo Meireles, pneumologista do Instituto Nacional do Câncer, a longo prazo, as crianças que fumam passivamente podem ter câncer de pulmão, infarto, Acidente Vascular Cerebral e enfisema pulmonar. “A fumaça tem 4mil substâncias tóxicas, e leva oito horas para ser dissipada”, cita.

Ontem, a Secretaria Estadual de Saúde promoveu ação no PAM de Cavalcante e fez vários testes com monoxímetro. O equipamento verifica o grau de intoxicação pelo monóxido de carbono, uma das consequências do fumo, e de Fargestrom, que avalia o grau de dependência ao tabaco. Além disso, fumantes foram incentivados a trocar maços de cigarro por brindes.
Tratamento contra o vício

Fumantes que desejam largar o vício podem procurar o Programa de Controle ao Tabagismo, da Secretaria Municipal de Saúde. O serviço é gratuito e oferece desde atendimento psicológico até medicamentos para ajudar no tratamento antifumo.
O paciente passa por entrevista individual e é avaliado de acordo com o grau de dependência ao cigarro. Depois, é convidado a visitar, semanalmente, uma das 170 unidades de saúde da capital que possuem o programa. No local, ocorrem reuniões para ajudar a pessoa a se manter sem o cigarro e deixá-la preparada para combater situações que incitem recaídas.
Informações sobre endereço de unidades de saúde com o programa antitabagismo pelo telefone 1746.

Fonte: O Dia

sábado, 1 de junho de 2013

Encontrada mais uma puguinha roubada!!!!

Casal homossexual consegue registro de dupla maternidade na Justiça do RS


As mulheres conceberam a criança por meio de uma fertilização assistida na qual as duas participaram do processo

Num final de tarde ensolarado em meados de janeiro, Nina, de apenas quatro meses, é levada a um parque por duas jovens mulheres para passear. Atraída pelos grandes olhos azuis da criança, uma senhora se aproxima e, após elogiar a menina, pergunta:

— Vejo vocês aqui frequentemente com esta criança, quem é a mãe?

— Nós duas somos as mães — responde uma delas.

A senhora, num misto de perplexidade e dúvida, sorri e se afasta.

A resposta não foi mera força de expressão. Nina tem, sim, duas mães biológicas. Foi gerada através de uma reprodução assistida. Os óvulos de uma das mulheres foram fecundados in vitro com sêmen e, em seguida, implantados no útero de sua companheira. Casos como esse ainda são raros no Brasil, e os empecilhos legais para registrar a dupla maternidade/paternidade dificultam ainda mais o processo.

Mas a conquista de direitos para casais homoafetivos tem encorajado muitos a optar por essa alternativa. Segundo o último censo do IBGE, realizado em 2010, pelo menos 60 mil famílias se declararam homoafetivas. As mulheres são maioria nesses arranjos e respondem por 53,8% dos casais homossexuais.

A menina dos olhos azuis, hoje com oito meses, brinca ao pular do colo de uma mãe para o da outra. Fruto do relacionamento da irlandesa Emma Kennedy, 38 anos, com a psicóloga Agatha Dall'Igna, 31 anos, gaúcha nascida em Porto Alegre. Elas se conheceram há cinco anos em Londres, para onde estão retornando após um ano morando no Brasil. Agatha estava na Inglaterra para fazer um mestrado em psicologia social. Emma já vivia lá há mais de uma década e trabalhava como enfermeira psiquiátrica.

Se foi amor à primeira vista? Elas dizem que sim. Tanto que, poucos meses depois, já estavam morando juntas. Em 2011, resolveram oficializar a união e começaram a fazer planos para constituir uma família. Junto com os sonhos, surgiram os impasses legais.

Inseminação em Minas

A primeira etapa foi fazer o registro da união na Inglaterra. Lá, o casamento entre pessoas do mesmo sexo ainda não está aprovado legalmente, mas a união civil, que concede os mesmos direitos ao casal, sim.

— Quando contei para minha família sobre o casamento e planos futuros, ela aceitou muito bem. Sou muito sortuda nesse aspecto — conta Agatha.

A aceitação também foi tranquila por parte da família de Emma. Antes de casarem, ambas viajaram à Irlanda para anunciar a decisão.

Para comemorar, fizeram uma festa na capital gaúcha, em dezembro do mesmo ano. No Brasil, já com a ideia de ter filhos, elas também oficializaram a união por escritura pública. No país não há lei sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo. Entretanto, desde 2011, quando o Supremo Tribunal Federal reconheceu, por unanimidade, a equiparação da união estável homossexual à heterossexual, diversos cartórios no Brasil passaram a realizar o registro.

Alguma coisa ainda estava faltando na vida do casal. Foi por isso que elas decidiram conceber uma criança juntas.

A solução que encontraram foi a inseminação artificial em que ambas participam do processo, um procedimento ainda raro entre casais homoafetivos no Brasil.

— O mesmo pode ser feito na Inglaterra, sem tantos obstáculos legais. Apesar das dificuldades, achamos que compensava engravidar aqui para ficar perto das pessoas que nos amam e nos dão todo apoio — explica a psicóloga.

Até maio de 2013, todas as solicitações para o procedimento envolvendo casais homoafetivos deveriam passar pelo Conselho Regional de Medicina, que nem sempre emitia pareceres favoráveis. No Rio Grande do Sul, por exemplo, pouquíssimas solicitações foram aceitas em 2012. Por isso, e por recomendação da médica do casal, resolveram realizar o procedimento em Minas Gerais. Lá, conseguiram com mais facilidade a autorização para fazer a inseminação artificial, efetivada em janeiro de 2012. Se foi sorte ou não, não sabem dizer, mas o que contam com um sorriso no rosto é que o resultado foi positivo na primeira tentativa. Emma descobriu que estava grávida duas semanas depois de ter os embriões implantados em seu útero.

— Nosso sonho era que tivesse um pouquinho de cada uma de nós duas na nossa filha, e realizamos — comemora a irlandesa.

O passo seguinte foi lutar pelo registro da dupla maternidade. Mais uma vez, a falta de legislação dificultou o processo e fez com que as mulheres tivessem que entrar com uma ação judicial para conseguir o direito de registrar a filha com as duas mães.

— Afinal, nós duas somos mães biológicas — argumenta Agatha.

Já prevendo as dificuldades jurídicas, resolveram encaminhar o pedido dois meses antes do nascimento de Nina. Foi com a ajuda das advogadas Mônica Guazzelli e Lúcia Iolovitch, especialistas em Direito de Família, que ingressaram com a ação.

O pedido foi feito inicialmente na Vara dos Registros Públicos, que encaminhou para a Vara de Família. Esta não se disse competente para julgar o caso e o passou para o Juizado da Infância e Juventude. Foi somente lá, e um mês depois do nascimento da filha — ou seja, três meses depois da solicitação —, que conseguiram a autorização para o registro ser feito.

— Parece que a própria Justiça tinha dúvida de quem deveria julgar nosso caso — destaca a psicóloga.

Muita luta pela frente


Hoje, as mulheres comemoram aliviadas. Sabem que ainda terão muitas lutas pela frente, como explicar para a filha sobre suas escolhas e seguir lidando com o preconceito, que existe aqui ou na Inglaterra, de forma mais ou menos explícita.

— Vamos lidar com o fato de nossa filha não ter pai, e as nossas opções serão conversadas com ela da forma mais aberta possível — planeja Agatha.

Na Inglaterra, para onde estão voltando, pretendem seguir uma vida como a de qualquer outra família.

Se os planos continuarem dando certo, logo, logo Nina terá um irmãozinho para dividir o quarto.

A legislação

O Brasil não tem legislação para casais do mesmo sexo. O que existe são decisões do Poder Judiciário que concedem direitos aos homossexuais, mas que ainda geram dúvidas, comenta a ex-desembargadora e especialista em direito homoafetivo Maria Berenice Dias. As resoluções que favorecem a constituição de uma família nestes novos padrões não são totalmente aceitas por juízes de alguns Estados, o que resulta em uma situação de instabilidade para os gays.

— Estamos atrás de muitos países, como Uruguai e Argentina, onde o casamento entre casais do mesmo sexo é lei — destaca a especialista.

Para o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) no Rio Grande do Sul, advogado Conrado Paulino da Rosa, a falta de legislação é consequência de um preconceito que ainda circunda o Poder Legislativo:

— Muitos legisladores não assumem uma postura favorável em relação ao tema por medo de se vincularem demais ao assunto. Enquanto não houver lei sobre isso, uma parcela importante da população fica à margem da sociedade.

Em relação ao restante do país, o Rio Grande do Sul tem muito a comemorar, destaca Paulino da Rosa. O Estado foi pioneiro em decisões a favor dos homossexuais. Foi aqui, por exemplo, onde pela primeira vez a união homoafetiva foi reconhecida como uma entidade familiar.

O casamento


No dia 15 de maio de 2013, o Brasil regulamentou o casamento civil gay. A resolução, aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), passou a obrigar todos os cartórios do país a celebrar casamento entre pessoas do mesmo sexo e a converter união estável em casamento, mesmo não havendo lei no Congresso Nacional sobre o assunto. Para Paulino da Rosa, a decisão do CNJ é mais uma intervenção do Poder Judiciário para garantir os valores de respeito à pluralidade, que começou em 2011 quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável entre casais homossexuais. Atualmente, é possível que casais gays tenham direito a pensão alimentícia, previdência e plano de saúde.

A fertilização assistida

No dia 8 de maio de 2013, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou uma resolução que garante aos casais homossexuais o direito de recorrer à reprodução assistida para ter filhos. A norma anterior, de 2010, previa que qualquer pessoa poderia ser submetida ao procedimento, mas não especificava que casais homossexuais poderiam realizá-lo.

O médico ginecologista Antônio Celso Ayub, um dos coautores da nova resolução, explica que, até então, as clínicas não tinham autonomia para decidir em quais casos o procedimento poderia ser realizado. Os casais homoafetivos tinham que solicitar uma autorização do Conselho Regional de Medicina para se submeter à fertilização. No Estado, muitos pedidos eram negados.

O registro do filho

Casais homoafetivos que desejam registrar um filho, seja por inseminação artificial ou adoção, ainda sofrem dificuldades no Brasil. Maria Berenice Dias, advogada especializada em direito homoafetivo, explica que, nestes casos, os pais da criança devem entrar com uma ação judicial.

— Os homossexuais ainda devem se submeter a um processo judicial que gera custos financeiros e emocionais.

As implicações sociais

Estudos realizados desde a década de 70 em países europeus, Estados Unidos e Canadá mostram que crianças criadas por casais homossexuais não sofrem desvantagens em relação às que crescem em famílias com pais heterossexuais. Para a psicanalista e doutora em Antropologia Social Elizabeth Zambrano, as investigações reforçam a visão de que a família é uma instituição cultural, na qual o que vale são as "funções" exercidas pelos cuidadores da criança, independentemente da sua orientação sexual.

— Os estudos não indicaram diferenças na capacidade de socialização das crianças, no desempenho escolar e na orientação sexual, por exemplo. Isso mostra que os papéis materno e paterno estão além do gênero. São um vínculo muito mais social do que biológico — explica.

Zero Hora

Sobe para 9 número de mortos por novo tornado em Oklahoma, nos EUA


Chuvas causaram inundações na região de 1,3 milhão de habitantes.
Na semana passada, tornado já havia matado 24 pessoas na mesma área.


Subiu para nove o número de pessoas mortas pela passagem na sexta-feira (31) de tornados no Estado central de Oklahoma, nos Estados Unidos, afirmou a porta-voz do Instituto Médico Legal estadual, Amy Elliott, neste sábado (1º). Na semana passada, outro tornado atingiu a mesma região, matando 24.

Segundo Amy Elliott, entre os mortos estão duas crianças e sete adultos. Anteriormente, o número de vítimas fatais era cinco.

Os tornados despejaram 200 milímetros de chuva na região de Oklahoma City e seus subúrbios, causando inundações repentinas que submergiram partes da região metropolitana de 1,3 milhão de habitantes.

O Serviço Meteorológico Nacional afirmou que o clima severo se deslocava para os Estados vizinhos de Illinois e Missouri, onde o governador Jay Nixon declarou estado de emergência na sexta-feira.

Os tornados atingiram a região apenas 11 dias após um tornado de categoria EF5, o mais poderoso na classificação desses fenômenos naturais, devastar Moore e matar 24 pessoas.

Um mãe e seu bebê morreram na sexta-feira enquanto viajavam na rodovia Interestadual 40, a oeste de Oklahoma City, quando seu veículo foi pego pela tempestade e foram sugados para fora, disse a porta-voz da Polícia Rodoviária Oklahoma, Betsy Randolph.

A rodovia foi fechada devido à tempestade, com vários acidentes e lesões.

Mais de 40 pessoas estavam sendo tratadas por ferimentos relacionados à tempestade, incluindo cinco em estado grave, entre elas uma criança, de acordo com um hospital de Oklahoma.

Meteorologistas já haviam declarado emergência para tornado na área metropolitana de Oklahoma City e até chegaram a emitir um aviso de tornado para Moore, que teve danos limitados desde as últimas tempestades, disse um policial enviado à cidade.

Um tornado atingiu a Interestadual 40 em direção a Oklahoma City, tombando caminhões e arremessando fardos de feno, disse uma testemunha. Imagens de TV mostraram linhas de energia derrubadas e carros jogados, já que os sistemas climáticos provocaram forte chuva, isolando motoristas na inundação.

"Por razões que não são claras para mim, mais pessoas saíram às ruas, mais do que esperávamos. Todos agiram de forma diferente nesta tempestade, e como resultado criou-se uma situação extremamente perigosa", disse o prefeito de Oklahoma City, Mick Cornett.

"Eu acho que ainda estamos um pouco abalados com o que aconteceu em Moore. Nós ainda estamos enterrando filhos e vítimas, então nossas emoções ainda são fortes", acrescentou.

Brandi Vanalphen, de 30 anos, estava entre as centenas de motoristas presos no trânsito, enquanto tentava fugir do sistema de tornados no subúrbio de Norman.

"O que me assustou foi ficar presa no trânsito", disse ela. "Eu comecei a ver flashes de energia para o norte, as pessoas começaram a dirigir sobre a grama."

A governadora de Oklahoma, Mary Fallin, disse à rede de TV CNN que os motoristas enfrentaram um grande perigo ao ficarem presos em qualquer rodovia no caminho do tornado.

"O que vimos a partir dos tornados que passaram por Moore e os outros na semana passada foi que as pessoas que estavam em carros na Interestadual foram mortas", disse Fallin à CNN.

G1
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