Nova campanha da Saatchi & Saatchi, para a Coordown, apoia mães de portadores da Síndrome de Down
A filial italiana da Saatchi & Saatchi aproveitou um e-mail enviado por uma futura mãe para criar a nova campanha da CoorDown, organização nacional de apoio à Síndrome de Down.
"Que tipo de vida o meu filho vai ter?", perguntou a mulher que estava com medo, pois acabara de descobrir que seu filho iria nascer com a doença genética.
O anúncio, feito especialmente para o Dia Mundial da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, traz 15 portadores da Síndrome de Down para responder a pergunta da mãe, mostrando as alegrias e os desafios que o filho possivelmente enfrentará no futuro.
O filme adota o conceito "Todo mundo tem o direito de ser feliz", a fim de promover a diversidade e integração na sociedade, especialmente na escola e no trabalho.
Este é o terceiro ano de trabalho da Saatchi com a CoorDown. As duas últimas campanhas ganharam 11 Leões em Cannes para a agência.
Com informações do Adweek.
meiomensagem
notícias atuais sobre saúde, violência,justiça,cidadania,educação, cultura,direitos humanos,ecologia, variedades,comportamento
sexta-feira, 14 de março de 2014
segunda-feira, 10 de março de 2014
Refrigerante Mineirinho resiste no mercado enfrentando ‘gigantes’ do setor
Criada em 1940 em Ubá, bebida de Chapéu de Couro é fabricada há mais de trinta anos em São Gonçalo
NITERÓI - Existem marcas que conquistam um valor afetivo com consumidores de uma forma que poucas campanhas publicitárias conseguem. Algumas desaparecem e se tornam itens de colecionador. Outras resistem ao tempo e ultrapassam gerações, ganhando cada vez mais fãs. O refrigerante Mineirinho está incluído nesse segundo grupo. Apesar do nome, é um produto tipicamente fluminense. Criado há 74 anos, sua popularidade foi confirmada na edição mais recente da pesquisa “Marcas dos cariocas”, desenvolvida pelo GLOBO em parceria com o Grupo Troiano e publicada em outubro. O Mineirinho ficou em quarto lugar na categoria “refrigerante”, logo atrás de gigantes do setor como Coca-Cola, Pepsi e Guaraná Antarctica.
— Manter-se no mercado não é fácil. Estamos competindo com alguns dos maiores conglomerados industriais do planeta. A concorrência sempre foi muito dura. Prova disso é que o Brasil chegou a ter cerca de 800 fábricas de refrigerante e, hoje, não há mais do que 200. As gigantes não aceitam perder um por cento sequer de seus consumidores. Para nós, atrair esse percentual já seria uma grande conquista — afirma Marco Taboadela, que dirige a empresa ao lado de Roberto Ferah.
'Escondido’ nas prateleiras
Os dois garantem que a bebida pode ser encontrada com facilidade em qualquer cidade do estado. A realidade não é bem assim, mas talvez isso nem seja um problema. Pelo contrário, a relativa dificuldade para achar o Mineirinho acabou criando uma mística em torno do refrigerante. Alguns bares, lanchonetes e supermercados conquistam clientes fieis simplesmente pelo fato de terem Mineirinho nas prateleiras.
A fabricação é feita num parque industrial em São Gonçalo que tem 24 mil metros quadrados e cerca de 300 funcionários. Por questões de estratégia comercial, números da produção não são revelados. Os diretores também desconversam quando perguntados se já receberam ofertas de outras empresas pela marca.
— Existe essa lenda de que a Coca-Cola tenta comprar o Mineirinho. A gente não confirma nem desmente, só achamos muito bom que o nome esteja sendo lembrado pelas pessoas. Isso é sinal de que estamos fazendo sucesso — diz Taboadela.
Outro fato que deixa os empresários orgulhosos é o da bebida não ter um concorrente direto. Enquanto existem refrigerantes com sabores cola, laranja, guaraná, uva e limão de diversas marcas, o Mineirinho é o único feito de chapéu-de-couro. O cultivo da planta, próprio, é feito na cidade de Tanguá.
— Nossa matéria-prima é uma erva tipicamente brasileira, com diversas propriedades medicinais. Apesar disso, ao contrário de algumas marcas que se vendem como grandes fontes de energia mesmo não tendo nada além de açúcar, sempre deixamos claro que vendemos um refrigerante, não um remédio — diz Ferah, destacando também que a bebida é livre de sódio.
O Mineirinho foi também um dos primeiros refrigerantes vendidos em embalagem PET, a partir de 1989. A Coca-Cola, por exemplo, só adotou esse modelo em 1991. Os diretores da marca dizem que inovação é um fator primordial para a empresa continuar existindo.
— Não queremos ser lembrados como algo nostálgico, uma marca presa ao passado. O Mineirinho está mais vivo do que nunca. Nosso grande sonho é levar a bebida para fora do estado e ganhar o país — diz Taboadela.
Relação íntima com a região
A história do Mineirinho começou, de fato, em Minas Gerais. A empresa foi fundada em 1940 na cidade de Ubá, mas, em 1946, foi transferida para o Ponto Cem Réis, em Niterói.
— Ficamos na cidade até 1979. A demanda começou a crescer, e o espaço ficou pequeno. Tínhamos também o problema recorrente de falta d’água. A solução foi construir um parque industrial no bairro Barro Vermelho, em São Gonçalo, onde permanecemos até hoje. A fórmula da bebida é a mesma desde 1946 — garante Ferah.
O Globo
NITERÓI - Existem marcas que conquistam um valor afetivo com consumidores de uma forma que poucas campanhas publicitárias conseguem. Algumas desaparecem e se tornam itens de colecionador. Outras resistem ao tempo e ultrapassam gerações, ganhando cada vez mais fãs. O refrigerante Mineirinho está incluído nesse segundo grupo. Apesar do nome, é um produto tipicamente fluminense. Criado há 74 anos, sua popularidade foi confirmada na edição mais recente da pesquisa “Marcas dos cariocas”, desenvolvida pelo GLOBO em parceria com o Grupo Troiano e publicada em outubro. O Mineirinho ficou em quarto lugar na categoria “refrigerante”, logo atrás de gigantes do setor como Coca-Cola, Pepsi e Guaraná Antarctica.
— Manter-se no mercado não é fácil. Estamos competindo com alguns dos maiores conglomerados industriais do planeta. A concorrência sempre foi muito dura. Prova disso é que o Brasil chegou a ter cerca de 800 fábricas de refrigerante e, hoje, não há mais do que 200. As gigantes não aceitam perder um por cento sequer de seus consumidores. Para nós, atrair esse percentual já seria uma grande conquista — afirma Marco Taboadela, que dirige a empresa ao lado de Roberto Ferah.
'Escondido’ nas prateleiras
Os dois garantem que a bebida pode ser encontrada com facilidade em qualquer cidade do estado. A realidade não é bem assim, mas talvez isso nem seja um problema. Pelo contrário, a relativa dificuldade para achar o Mineirinho acabou criando uma mística em torno do refrigerante. Alguns bares, lanchonetes e supermercados conquistam clientes fieis simplesmente pelo fato de terem Mineirinho nas prateleiras.
A fabricação é feita num parque industrial em São Gonçalo que tem 24 mil metros quadrados e cerca de 300 funcionários. Por questões de estratégia comercial, números da produção não são revelados. Os diretores também desconversam quando perguntados se já receberam ofertas de outras empresas pela marca.
— Existe essa lenda de que a Coca-Cola tenta comprar o Mineirinho. A gente não confirma nem desmente, só achamos muito bom que o nome esteja sendo lembrado pelas pessoas. Isso é sinal de que estamos fazendo sucesso — diz Taboadela.
Outro fato que deixa os empresários orgulhosos é o da bebida não ter um concorrente direto. Enquanto existem refrigerantes com sabores cola, laranja, guaraná, uva e limão de diversas marcas, o Mineirinho é o único feito de chapéu-de-couro. O cultivo da planta, próprio, é feito na cidade de Tanguá.
— Nossa matéria-prima é uma erva tipicamente brasileira, com diversas propriedades medicinais. Apesar disso, ao contrário de algumas marcas que se vendem como grandes fontes de energia mesmo não tendo nada além de açúcar, sempre deixamos claro que vendemos um refrigerante, não um remédio — diz Ferah, destacando também que a bebida é livre de sódio.
O Mineirinho foi também um dos primeiros refrigerantes vendidos em embalagem PET, a partir de 1989. A Coca-Cola, por exemplo, só adotou esse modelo em 1991. Os diretores da marca dizem que inovação é um fator primordial para a empresa continuar existindo.
— Não queremos ser lembrados como algo nostálgico, uma marca presa ao passado. O Mineirinho está mais vivo do que nunca. Nosso grande sonho é levar a bebida para fora do estado e ganhar o país — diz Taboadela.
Relação íntima com a região
A história do Mineirinho começou, de fato, em Minas Gerais. A empresa foi fundada em 1940 na cidade de Ubá, mas, em 1946, foi transferida para o Ponto Cem Réis, em Niterói.
— Ficamos na cidade até 1979. A demanda começou a crescer, e o espaço ficou pequeno. Tínhamos também o problema recorrente de falta d’água. A solução foi construir um parque industrial no bairro Barro Vermelho, em São Gonçalo, onde permanecemos até hoje. A fórmula da bebida é a mesma desde 1946 — garante Ferah.
O Globo
Marcadores:
curiosidades
Mãe soube da morte do pequeno Alex pelo Facebook
Digna Medeiros quer que madrasta seja presa por não denunciar tortura contra o menino de 8 anos, assassinado pelo pai por "gostar de lavar louça"
Pouco depois das oito da noite do último dia 17, Digna Medeiros se preparava para dormir. Já havia colocado o caçula de oito meses na cama e foi ver “as novidades” no Facebook. A mensagem de uma sobrinha fez desabar a mulher de 29 anos. "Tia, vem para cá porque aconteceu um negócio com meu primo. Alex bateu tanto no seu filho que ele morreu", dizia a mensagem. Em Mossoró, no Rio Grande do Norte, Digna explodiu em um grito de dor e raiva. Ela estava, então, a 2.500 quilômetros do Rio de Janeiro, onde o filho de 8 anos passara a viver com o pai, Alex André Moraes Soeiro, na favela da Vila Kennedy.
Soeiro foi preso horas depois. E admitiu que batia frequentemente no pequeno Alex Medeiros para “ensinar o menino a ser homem”. O fato de Alex gostar de lavar louça, brincar com maquiagem e ser delicado foi o motivo da última surra. O pequeno Alex, acusado de ser afeminado, apanhava sem chorar.
O menino que havia viajado para o Rio ansioso para conhecer o pai e descobrir se eram parecidos — afinal, tinham o mesmo nome — morreu devido a uma hemorragia interna provocada pela dilaceração do fígado. O corpo magro de Alex, com sinais de desnutrição, era coberto por cicatrizes, manchas roxas, edemas e escoriações. No laudo do Instituto Médico Legal, ao qual o site de VEJA teve acesso, a perita Áurea Maria Tavares Souza identificou lesões na face, nas pernas, nos joelhos, no punho, nos braços, nos antebraços, nos cotovelos, nas pernas, nas costas, no tórax, na região cervical e próximo ao ouvido esquerdo.
Sem querer acreditar no que havia lido, Digna chorou e gritou enquanto tentava, em desespero, falar por telefone com Soeiro. "Senti uma dor imensa no corpo inteiro. Não conseguia me manter de pé, não conseguia pensar, nem reagir. Eu só implorava a Deus para que Ingrid estivesse enganada", disse. Ingrid não havia mentido.
O crime bárbaro chocou a favela, onde vivem 120.000 pessoas. A notícia correu a cidade e ganhou destaque nos jornais locais e nas emissoras de TV. A crueldade de Soeiro rendeu imediatamente o apelido de “monstro” na favela.
Menino inteligente e carinhoso, Alex nasceu no Rio Grande do Norte. Meses depois do nascimento, a família se mudou para o Rio de Janeiro. O casamento de Digna e Soeiro terminou antes que Alex completasse um ano. Com o bebê, ela voltou para Mossoró. Em maio de 2013, grávida do quarto filho, ela pediu que Soeiro cuidasse de Alex. Àquela altura, Digna não conseguia administrar o cotidiano dos filhos. Segundo conta, as dores da quarta gravidez — depois de três cesarianas — a impediam de levar a criança ao colégio, o que já tinha motivado uma visita do Conselho Tutelar de Mossoró a sua casa, cobrando cuidados com a educação do menino.
"Conversei com Alex e expliquei que depois que o irmão nascesse ele voltaria para me ajudar. Ele foi tranquilo porque queria conhecer o pai. Ele sabia que tinha o mesmo nome do pai e vivia me perguntando coisas sobre ele", conta, acrescentando que Soeiro pagou a passagem aérea do filho.
A convivência no Rio entre o menino amável, acostumado a ajudar a mãe nas tarefas de casa, e o pai desempregado, que havia cumprido pena por tráfico de drogas, foi trágica. Na tarde de 17 de fevereiro, o garoto foi levado desacordado pela madrasta Gisele Soares para a Unidade de Pronto Atendimento (Upa) da Vila Kennedy. Apesar de a madrasta afirmar que Alex havia desmaiado de repente, os médicos não tiveram dúvidas de que ela estava mentindo: a criança estava morta e os sinais dos maus tratos repetidos eram evidentes.
Os sinais da violência no corpo do menino chocaram a equipe do Conselho Tutelar de Bangu, na Zona Oeste, que acompanhou o caso. "Trabalho há três anos no Conselho Tutelar de Bangu e nunca tinha visto tanta covardia. O corpinho do menino estava todo marcado. Não há duvidas de que ele vinha sendo espancado há meses. Ele levou uma pancada tão forte que provocou o rompimento do fígado. Esse tipo de ruptura acontece em vitimas de acidentes de carro que sofrem forte impacto", disse ao site de VEJA o conselheiro Rodrigo Coelho.
Duas semanas depois da perda do filho, Digna não consegue apagar a imagem de Alex com o rosto desfigurado. O menino foi sepultado no dia 19, no cemitério do Murundu, em Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio. "Eu beijava o rosto no meu filho e pedia baixinho para que ele acordasse. Implorei para que ele abrisse os olhinhos", conta a mãe.
Digna por pouco não chegou para o enterro do filho. Ela desembarcou no Rio no dia 19 e foi direto para o IML para tentar ver o filho. Lá, soube que o corpo havia sido liberado. Acompanhada pelo conselheiro, Digna chegou ao cemitério dez minutos antes do sepultamento e viu Gisele, a madrasta, e Ailton, um irmão de Soeiro. "Ninguém soube que meu filho seria sepultado. Nenhum parente ou amigo estava lá. Eles fizeram tudo escondido".
Soeiro teve a prisão temporária decretada. Ele está preso no Complexo de Gericinó, em Bangu. A madrasta, que morava com o suspeito e outras quatro crianças, prestou depoimento e foi liberada. Digna quer que ela também seja presa. “Se ela tivesse denunciado as agressões, que aconteciam na casa dela, meu filho estaria vivo”, diz.
A mãe do menino diz que não desconfiava que ele estava sendo espancado pelo pai, a quem, depois da tragédia, passou a chamar de monstro. Desde maio, segundo afirma, só falou duas vezes com o filho. Digna afirma que o celular de Soeiro deixou de funcionar no ano passado — ela não sabe dizer quando perdeu contato telefônico com o ex-marido. "Eu falava com Ailton, tio do meu filho, e ele dizia sempre que estava tudo bem. Eu pedi diversas vezes o número do celular da Gisele, para tentar falar com meu Alex, mas Ailton dizia que não tinha. Algumas pessoas me culpam, dizem que eu larguei meu menino, mas não é verdade. Deixei meu filho com o pai e pretendia buscá-lo", diz Digna.
Nesta segunda-feira, Digna volta para Mossoró, onde mora com o caçula e o marido. Ela tem ainda outros dois filhos: um menino de três anos, que mora com os avós paternos, e um garoto de 15, que mora com o pai, no Rio. "Tudo o que eu queria era acordar desse pesadelo e voltar com meu filho para casa. Meu mundo desabou", diz.
VEJA
Pouco depois das oito da noite do último dia 17, Digna Medeiros se preparava para dormir. Já havia colocado o caçula de oito meses na cama e foi ver “as novidades” no Facebook. A mensagem de uma sobrinha fez desabar a mulher de 29 anos. "Tia, vem para cá porque aconteceu um negócio com meu primo. Alex bateu tanto no seu filho que ele morreu", dizia a mensagem. Em Mossoró, no Rio Grande do Norte, Digna explodiu em um grito de dor e raiva. Ela estava, então, a 2.500 quilômetros do Rio de Janeiro, onde o filho de 8 anos passara a viver com o pai, Alex André Moraes Soeiro, na favela da Vila Kennedy.
Soeiro foi preso horas depois. E admitiu que batia frequentemente no pequeno Alex Medeiros para “ensinar o menino a ser homem”. O fato de Alex gostar de lavar louça, brincar com maquiagem e ser delicado foi o motivo da última surra. O pequeno Alex, acusado de ser afeminado, apanhava sem chorar.
O menino que havia viajado para o Rio ansioso para conhecer o pai e descobrir se eram parecidos — afinal, tinham o mesmo nome — morreu devido a uma hemorragia interna provocada pela dilaceração do fígado. O corpo magro de Alex, com sinais de desnutrição, era coberto por cicatrizes, manchas roxas, edemas e escoriações. No laudo do Instituto Médico Legal, ao qual o site de VEJA teve acesso, a perita Áurea Maria Tavares Souza identificou lesões na face, nas pernas, nos joelhos, no punho, nos braços, nos antebraços, nos cotovelos, nas pernas, nas costas, no tórax, na região cervical e próximo ao ouvido esquerdo.
Sem querer acreditar no que havia lido, Digna chorou e gritou enquanto tentava, em desespero, falar por telefone com Soeiro. "Senti uma dor imensa no corpo inteiro. Não conseguia me manter de pé, não conseguia pensar, nem reagir. Eu só implorava a Deus para que Ingrid estivesse enganada", disse. Ingrid não havia mentido.
O crime bárbaro chocou a favela, onde vivem 120.000 pessoas. A notícia correu a cidade e ganhou destaque nos jornais locais e nas emissoras de TV. A crueldade de Soeiro rendeu imediatamente o apelido de “monstro” na favela.
Menino inteligente e carinhoso, Alex nasceu no Rio Grande do Norte. Meses depois do nascimento, a família se mudou para o Rio de Janeiro. O casamento de Digna e Soeiro terminou antes que Alex completasse um ano. Com o bebê, ela voltou para Mossoró. Em maio de 2013, grávida do quarto filho, ela pediu que Soeiro cuidasse de Alex. Àquela altura, Digna não conseguia administrar o cotidiano dos filhos. Segundo conta, as dores da quarta gravidez — depois de três cesarianas — a impediam de levar a criança ao colégio, o que já tinha motivado uma visita do Conselho Tutelar de Mossoró a sua casa, cobrando cuidados com a educação do menino.
"Conversei com Alex e expliquei que depois que o irmão nascesse ele voltaria para me ajudar. Ele foi tranquilo porque queria conhecer o pai. Ele sabia que tinha o mesmo nome do pai e vivia me perguntando coisas sobre ele", conta, acrescentando que Soeiro pagou a passagem aérea do filho.
A convivência no Rio entre o menino amável, acostumado a ajudar a mãe nas tarefas de casa, e o pai desempregado, que havia cumprido pena por tráfico de drogas, foi trágica. Na tarde de 17 de fevereiro, o garoto foi levado desacordado pela madrasta Gisele Soares para a Unidade de Pronto Atendimento (Upa) da Vila Kennedy. Apesar de a madrasta afirmar que Alex havia desmaiado de repente, os médicos não tiveram dúvidas de que ela estava mentindo: a criança estava morta e os sinais dos maus tratos repetidos eram evidentes.
Os sinais da violência no corpo do menino chocaram a equipe do Conselho Tutelar de Bangu, na Zona Oeste, que acompanhou o caso. "Trabalho há três anos no Conselho Tutelar de Bangu e nunca tinha visto tanta covardia. O corpinho do menino estava todo marcado. Não há duvidas de que ele vinha sendo espancado há meses. Ele levou uma pancada tão forte que provocou o rompimento do fígado. Esse tipo de ruptura acontece em vitimas de acidentes de carro que sofrem forte impacto", disse ao site de VEJA o conselheiro Rodrigo Coelho.
Duas semanas depois da perda do filho, Digna não consegue apagar a imagem de Alex com o rosto desfigurado. O menino foi sepultado no dia 19, no cemitério do Murundu, em Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio. "Eu beijava o rosto no meu filho e pedia baixinho para que ele acordasse. Implorei para que ele abrisse os olhinhos", conta a mãe.
Digna por pouco não chegou para o enterro do filho. Ela desembarcou no Rio no dia 19 e foi direto para o IML para tentar ver o filho. Lá, soube que o corpo havia sido liberado. Acompanhada pelo conselheiro, Digna chegou ao cemitério dez minutos antes do sepultamento e viu Gisele, a madrasta, e Ailton, um irmão de Soeiro. "Ninguém soube que meu filho seria sepultado. Nenhum parente ou amigo estava lá. Eles fizeram tudo escondido".
Soeiro teve a prisão temporária decretada. Ele está preso no Complexo de Gericinó, em Bangu. A madrasta, que morava com o suspeito e outras quatro crianças, prestou depoimento e foi liberada. Digna quer que ela também seja presa. “Se ela tivesse denunciado as agressões, que aconteciam na casa dela, meu filho estaria vivo”, diz.
A mãe do menino diz que não desconfiava que ele estava sendo espancado pelo pai, a quem, depois da tragédia, passou a chamar de monstro. Desde maio, segundo afirma, só falou duas vezes com o filho. Digna afirma que o celular de Soeiro deixou de funcionar no ano passado — ela não sabe dizer quando perdeu contato telefônico com o ex-marido. "Eu falava com Ailton, tio do meu filho, e ele dizia sempre que estava tudo bem. Eu pedi diversas vezes o número do celular da Gisele, para tentar falar com meu Alex, mas Ailton dizia que não tinha. Algumas pessoas me culpam, dizem que eu larguei meu menino, mas não é verdade. Deixei meu filho com o pai e pretendia buscá-lo", diz Digna.
Nesta segunda-feira, Digna volta para Mossoró, onde mora com o caçula e o marido. Ela tem ainda outros dois filhos: um menino de três anos, que mora com os avós paternos, e um garoto de 15, que mora com o pai, no Rio. "Tudo o que eu queria era acordar desse pesadelo e voltar com meu filho para casa. Meu mundo desabou", diz.
VEJA
Marcadores:
discriminação,
violência
sábado, 8 de março de 2014
Apesar de sentença de morte, bebê de anões nasce e sobrevive
Pais realizam sonho de ter filho, mas temem pelo futuro da criança
Após realizar sonho de gravidez, a anã Laura Whitfield recebeu a notícia dos médicos que precisa abortar porque seu bebê não teria chances de sobreviver. Porém, ela decidiu levar a diante a gestação e conseguiu ter seu bebê. As informações são do site Daily Mail desta sexta-feira (7)
Foto: Reprodução/DailyMail
R7
Após realizar sonho de gravidez, a anã Laura Whitfield recebeu a notícia dos médicos que precisa abortar porque seu bebê não teria chances de sobreviver. Porém, ela decidiu levar a diante a gestação e conseguiu ter seu bebê. As informações são do site Daily Mail desta sexta-feira (7)
Foto: Reprodução/DailyMail
R7
Marcadores:
medicina,
saúde infantil
sexta-feira, 7 de março de 2014
quinta-feira, 6 de março de 2014
MORTES NO TRÂNSITO: BRASIL É O 4º DO MUNDO
(*) Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil.
O Instituto Avante Brasil realizou um levantamento mundial sobre mortes no trânsito em 2010, estruturando um ranking comparativo dos dez países mais violentos. O levantamento, inédito, teve por base o relatório "Global Status Report on Road Safety 2013", da Organização das Nações Unidas, que mostra o número de mortes de 183 países. Em relação aos que não disponibilizaram dados recentes, o total de mortos foi estimado por meio de uma análise regressiva, o que viabilizou com confiança a comparação entre eles.
Em termos absolutos, o Brasil é 4º país do mundo com maior número de mortes no trânsito, ficando atrás somente da China, Índia e Nigéria. É possível notar que essas mortes também estão intimamente conectadas ao IDH (índice de desenvolvimento humano), que, por sua vez, tem por base a educação, a longevidade e a renda per capita. Dentre os 10 países mais violentos do planeta não aparece nenhum do grupo do capitalismo evoluído e distributivo, fundado na educação de qualidade para todos, na difusão da ética e no império da lei e do devido processo legal e proporcional (Dinamarca, Suécia, Suíça, Coreia do Sul, Japão, Cingapura, Áustria etc.).
Nenhum dos 10 países comparados está no grupo dos que contam com mais elevado IDH (47, no total), com exceção dos Estados Unidos, que é responsável pela maior frota de veículos do grupo e do mundo. Apresenta, de qualquer modo, o menor número de mortes por 100 mil pessoas (11,4, contra 22 do Brasil). Vejamos:
Segundo o Datasus, em 2010, foram registradas 42.844 mortes no trânsito do Brasil. Esse número, atualizado em 2011, chegou a 43.256 mortes (o ranking, no entanto, foi feito com base nos números de 2010 de todos os países). Em 2014, de acordo com projeção feita pelo Instituto Avante Brasil, o número de mortes no trânsito estimado é de 48.349. Sendo assim, este ano, estima-se que ocorram 4.029 mortes por mês, 132 mortes por dia e 6 mortes por hora, ou seja, uma a cada 10 minutos. Com a chegada do Carnaval esse número pode ser ainda maior. Em 2013, só nas estradas federais, ocorreram 157 mortes nesse período. Com o aumento da frota assim como do fluxo viário, os acidentes e mortes podem ter incremento.
O Brasil somente deixará de ser um país pobre, ignorante, corrupto e violento (também no trânsito) quando suas instituições essenciais (Estado/democracia, sistema capitalista, império da lei e do devido processo e a sociedade civil) deixarem de seguir a lógica do capitalismo selvagem, extrativista e concentrador, para se alinhar aos países do capitalismo evoluído e distributivo (Áustria, Austrália, Nova Zelândia, Islândia, Canadá, Alemanha, Coreia do Sul etc.), que contam em média com 5/6 mortes para cada 100 mil habitantes.
Visão Panorâmica
O Instituto Avante Brasil realizou um levantamento mundial sobre mortes no trânsito em 2010, estruturando um ranking comparativo dos dez países mais violentos. O levantamento, inédito, teve por base o relatório "Global Status Report on Road Safety 2013", da Organização das Nações Unidas, que mostra o número de mortes de 183 países. Em relação aos que não disponibilizaram dados recentes, o total de mortos foi estimado por meio de uma análise regressiva, o que viabilizou com confiança a comparação entre eles.
Em termos absolutos, o Brasil é 4º país do mundo com maior número de mortes no trânsito, ficando atrás somente da China, Índia e Nigéria. É possível notar que essas mortes também estão intimamente conectadas ao IDH (índice de desenvolvimento humano), que, por sua vez, tem por base a educação, a longevidade e a renda per capita. Dentre os 10 países mais violentos do planeta não aparece nenhum do grupo do capitalismo evoluído e distributivo, fundado na educação de qualidade para todos, na difusão da ética e no império da lei e do devido processo legal e proporcional (Dinamarca, Suécia, Suíça, Coreia do Sul, Japão, Cingapura, Áustria etc.).
Nenhum dos 10 países comparados está no grupo dos que contam com mais elevado IDH (47, no total), com exceção dos Estados Unidos, que é responsável pela maior frota de veículos do grupo e do mundo. Apresenta, de qualquer modo, o menor número de mortes por 100 mil pessoas (11,4, contra 22 do Brasil). Vejamos:
Segundo o Datasus, em 2010, foram registradas 42.844 mortes no trânsito do Brasil. Esse número, atualizado em 2011, chegou a 43.256 mortes (o ranking, no entanto, foi feito com base nos números de 2010 de todos os países). Em 2014, de acordo com projeção feita pelo Instituto Avante Brasil, o número de mortes no trânsito estimado é de 48.349. Sendo assim, este ano, estima-se que ocorram 4.029 mortes por mês, 132 mortes por dia e 6 mortes por hora, ou seja, uma a cada 10 minutos. Com a chegada do Carnaval esse número pode ser ainda maior. Em 2013, só nas estradas federais, ocorreram 157 mortes nesse período. Com o aumento da frota assim como do fluxo viário, os acidentes e mortes podem ter incremento.
O Brasil somente deixará de ser um país pobre, ignorante, corrupto e violento (também no trânsito) quando suas instituições essenciais (Estado/democracia, sistema capitalista, império da lei e do devido processo e a sociedade civil) deixarem de seguir a lógica do capitalismo selvagem, extrativista e concentrador, para se alinhar aos países do capitalismo evoluído e distributivo (Áustria, Austrália, Nova Zelândia, Islândia, Canadá, Alemanha, Coreia do Sul etc.), que contam em média com 5/6 mortes para cada 100 mil habitantes.
Visão Panorâmica
terça-feira, 4 de março de 2014
Em São Paulo, bloco marca o lançamento de campanha contra violência sexual
Na manhã da quarta-feira (27), cerca de duas mil pessoas participaram do desfile do bloco de carnaval da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. A iniciativa marca a abertura da Campanha contra a Exploração Sexual de Crianças e Adolescente da prefeitura de São Paulo.
O objetivo do bloco é conscientizar a população, não apenas sobre a questão da violência sexual, mas também sobre o trabalho infantil, consumo de drogas e outros temas relacionados à proteção da infância. Com a ação, a prefeitura espera que aumente o número de denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes. No estado de São Paulo, é possível fazer denúncias pelo telefone 181 e a nível nacional pelo Disque 100.
promenino
Marcadores:
violência sexual
Trabalho infantil e desinteresse levam à evasão escolar
Mais de 50 milhões de alunos matriculados na educação básica do País deveriam ter voltado a estudar nesse início de ano. Porém, um a cada quatro alunos que inicia o ensino fundamental no Brasil abandona a escola antes de completar a última série, segundo o Relatório de Desenvolvimento 2012, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
A necessidade de trocar os estudos pelo trabalho, a distorção de idade e série, a falta de acesso e o desinteresse são os principais motivos para que 25,3% das crianças e adolescentes abandonem a escola. A estatística da Organização das Nações Unidas torna o Brasil o terceiro em taxa de evasão escolar entre os 100 países com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). No relatório, o Pnud sugere que o país adote "políticas educacionais ambiciosas".
É no ensino médio que a maioria desiste. O relatório Crianças Fora da Escola 2012, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), aponta que 534.872 crianças e adolescentes de 7 a 14 anos estavam fora da escola, sendo a região Nordeste a de maior concentração, com 189.483. Dos adolescentes com idade entre 15 e 17 anos, o número é quase três vezes maior: 1.539.811 jovens abandonaram a escola, o que representa 14,8% desta população. Em números absolutos, a região Nordeste é novamente a primeira, com 524.114 adolescentes, seguida da Sudeste, com 471.827.
Para a diretora pedagógica da Associação Cidade Escola Aprendiz, Helena Singer, há uma série de complicações que fazem com que meninos e meninas larguem a escola, desde a falta de articulação da rede de proteção e garantia de direitos das crianças e adolescentes até a estrutura escolar, arcaica e que não atrai os jovens. “Os interesses dos alunos não são contemplados nas escolas, tudo já vem pronto e decidido. Os jovens precisam ser convidados para fazer parte do debate da proposta da escola, com fóruns de discussão modelos que contemplem os estudantes.”
Nesse sentido, a escola tem um papel primordial para combater a evasão escolar. “É ela quem deve primeiro identificar a criança ou adolescente que abandonou os estudos, que está com muita falta ou com aproveitamento abaixo da média”, afirma o coordenador da área de infância do Ministério Público do Trabalho (Coordinfância/MPT) em Goiás, Tiago Ranieri. “A partir daí, a escola deve acionar a rede de proteção, de forma que os agentes da rede entrem em contato e forneçam assistência à família, identificando o problema familiar que levou a criança ou adolescente abandonar a escola.”
Para a diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz, a qualidade de ensino também é responsável pelo o abandono. “Geralmente os alunos estão aprendendo pouco, mesmo quem conclui o ensino médio. Isso acaba não abrindo tantos espaços assim de inserção de trabalho porque seu desenvolvimento não aconteceu de forma plena.” Ainda que com baixa qualidade, Helena explica que a escola ainda é importante. “Mesmo com todos os defeitos, a escola ainda diferencia as pessoas. Quem tem maior tempo de aproveitamento escolar acaba tendo mais oportunidades e visão crítica de mundo”, afirma.
Escola x Trabalho
O coordenador regional da Coordinfância aponta ainda o trabalho infantil como uma das causas da evasão escolar. “Tudo começa pela vulnerabilidade socioeconômica da família, então os filhos acabam por terem que trabalhar para ajudar na renda da casa, dividindo o tempo entre escola e trabalho”, explica. “Uma criança que consegue angariar algum valor acaba largando a escola porque ele vê ali uma solução imediata, o ambiente escolar passa a perder o sentido.”
Ainda de acordo com o relatório do Unicef, os adolescentes de 15 a 17 anos que trabalham e estudam ao mesmo tempo somam 2.196.092 em todo o País, o que representa 21% do total dessa faixa etária. A região com maior proporção de adolescentes nessa situação é a Sul, com 24,7%, seguida pela Nordeste, com 22,4%. Em termos absolutos, as líderes são as regiões Sudeste, com 737.884, e Nordeste, com 732.520.
O trabalho tem muita influência para que um jovem deixe de frequentar a escola. Para poder trabalhar durante o dia, é comum o aluno optar pelo período noturno escolar. Porém cansados, não conseguem acompanhar as aulas. “Trabalhando o dia inteiro, esses meninos e meninas ainda em formação física e psicológica têm seu rendimento afetado ou deixam de frequentar a escola por cansaço”, aponta Ranieiri. “Geralmente essas crianças não vão trabalhar em escritório, e sim em trabalhos que adultos não querem fazer e que envolve esforço físico.”
Para o coordenador nacional do combate à exploração do trabalho de crianças adolescente do MPT, Rafael Dias Marques, muitas dessas crianças e adolescentes estão perdendo a sua capacidade de elaborar um futuro. “Elas estão desenvolvendo doenças de trabalho que os incapacitam para a vida produtiva quando se tornarem adultos. Essa é uma das mais perversas formas de violação dos direitos humanos de crianças e adolescentes”. Marques também corresponsabiliza a sociedade como um todo. “No momento em que a população se conscientiza, passa a ser um agente de cobrança do poder público para que políticas públicas sejam desenvolvidas e essas crianças e adolescentes possam se desenvolver de maneira integral.”
promenino
A necessidade de trocar os estudos pelo trabalho, a distorção de idade e série, a falta de acesso e o desinteresse são os principais motivos para que 25,3% das crianças e adolescentes abandonem a escola. A estatística da Organização das Nações Unidas torna o Brasil o terceiro em taxa de evasão escolar entre os 100 países com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). No relatório, o Pnud sugere que o país adote "políticas educacionais ambiciosas".
É no ensino médio que a maioria desiste. O relatório Crianças Fora da Escola 2012, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), aponta que 534.872 crianças e adolescentes de 7 a 14 anos estavam fora da escola, sendo a região Nordeste a de maior concentração, com 189.483. Dos adolescentes com idade entre 15 e 17 anos, o número é quase três vezes maior: 1.539.811 jovens abandonaram a escola, o que representa 14,8% desta população. Em números absolutos, a região Nordeste é novamente a primeira, com 524.114 adolescentes, seguida da Sudeste, com 471.827.
Para a diretora pedagógica da Associação Cidade Escola Aprendiz, Helena Singer, há uma série de complicações que fazem com que meninos e meninas larguem a escola, desde a falta de articulação da rede de proteção e garantia de direitos das crianças e adolescentes até a estrutura escolar, arcaica e que não atrai os jovens. “Os interesses dos alunos não são contemplados nas escolas, tudo já vem pronto e decidido. Os jovens precisam ser convidados para fazer parte do debate da proposta da escola, com fóruns de discussão modelos que contemplem os estudantes.”
Nesse sentido, a escola tem um papel primordial para combater a evasão escolar. “É ela quem deve primeiro identificar a criança ou adolescente que abandonou os estudos, que está com muita falta ou com aproveitamento abaixo da média”, afirma o coordenador da área de infância do Ministério Público do Trabalho (Coordinfância/MPT) em Goiás, Tiago Ranieri. “A partir daí, a escola deve acionar a rede de proteção, de forma que os agentes da rede entrem em contato e forneçam assistência à família, identificando o problema familiar que levou a criança ou adolescente abandonar a escola.”
Para a diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz, a qualidade de ensino também é responsável pelo o abandono. “Geralmente os alunos estão aprendendo pouco, mesmo quem conclui o ensino médio. Isso acaba não abrindo tantos espaços assim de inserção de trabalho porque seu desenvolvimento não aconteceu de forma plena.” Ainda que com baixa qualidade, Helena explica que a escola ainda é importante. “Mesmo com todos os defeitos, a escola ainda diferencia as pessoas. Quem tem maior tempo de aproveitamento escolar acaba tendo mais oportunidades e visão crítica de mundo”, afirma.
Escola x Trabalho
O coordenador regional da Coordinfância aponta ainda o trabalho infantil como uma das causas da evasão escolar. “Tudo começa pela vulnerabilidade socioeconômica da família, então os filhos acabam por terem que trabalhar para ajudar na renda da casa, dividindo o tempo entre escola e trabalho”, explica. “Uma criança que consegue angariar algum valor acaba largando a escola porque ele vê ali uma solução imediata, o ambiente escolar passa a perder o sentido.”
Ainda de acordo com o relatório do Unicef, os adolescentes de 15 a 17 anos que trabalham e estudam ao mesmo tempo somam 2.196.092 em todo o País, o que representa 21% do total dessa faixa etária. A região com maior proporção de adolescentes nessa situação é a Sul, com 24,7%, seguida pela Nordeste, com 22,4%. Em termos absolutos, as líderes são as regiões Sudeste, com 737.884, e Nordeste, com 732.520.
O trabalho tem muita influência para que um jovem deixe de frequentar a escola. Para poder trabalhar durante o dia, é comum o aluno optar pelo período noturno escolar. Porém cansados, não conseguem acompanhar as aulas. “Trabalhando o dia inteiro, esses meninos e meninas ainda em formação física e psicológica têm seu rendimento afetado ou deixam de frequentar a escola por cansaço”, aponta Ranieiri. “Geralmente essas crianças não vão trabalhar em escritório, e sim em trabalhos que adultos não querem fazer e que envolve esforço físico.”
Para o coordenador nacional do combate à exploração do trabalho de crianças adolescente do MPT, Rafael Dias Marques, muitas dessas crianças e adolescentes estão perdendo a sua capacidade de elaborar um futuro. “Elas estão desenvolvendo doenças de trabalho que os incapacitam para a vida produtiva quando se tornarem adultos. Essa é uma das mais perversas formas de violação dos direitos humanos de crianças e adolescentes”. Marques também corresponsabiliza a sociedade como um todo. “No momento em que a população se conscientiza, passa a ser um agente de cobrança do poder público para que políticas públicas sejam desenvolvidas e essas crianças e adolescentes possam se desenvolver de maneira integral.”
promenino
Marcadores:
educação,
trabalho infantil
sábado, 1 de março de 2014
Assinar:
Postagens (Atom)
Verbratec© Desktop.


.jpg)





