terça-feira, 16 de junho de 2009

Polícia de SP apreende código de regras de grupo neonazista acusado de assassinato em 2007

SÃO PAULO - A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo apreendeu nesta terça-feira o código de regras de um grupo neonazista denominado Front 88. Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos e a polícia estima que cerca de 20 a 30 pessoas fazem parte do grupo. Segundo a delegada Margarete Barreto, titular do Decradi, a guerra entre grupos neonazistas já resultaram em um assassinato na capital paulista em 2007 e uma tentativa de homicídio em agosto do ano passado.
H.H.A., um adolescente integrante do Front 88, é acusado de matar em 2007, na Rua Augusta, Ricardo Sutamis, membro de outro grupo neonazista. Rogério Moreira, outro alvo de H.H.A, conseguiu escapar com vida. Em 2 de agosto passado, Moreira teria tentado matar H.H.A para vingar a morte do amigo. Moreira foi indiciado e as buscas desta terça-feira devem ajudar a colher provas contra a atuação dele e de seu grupo.
O Front 88 tem ligações com o Neuland, grupo acusado de matar dois jovens no Paraná em abril passado. Segundo Margarette, o economista Ricardo Barollo, integrante do Neuland e preso como mandante do duplo assassinato no Paraná, pagou a viagem de integrantes do Front 88 para encontros realizados no estado vizinho. O Neuland estaria treinando integrantes do Front 88, já que o Neuland é um grupo armado e com treinamento paramilitar.
Nas buscas autorizadas pela Justiça, a polícia apreendeu, além do código de regras do Front 88, armas brancas, armas de brinquedo, livros de propaganda neonazista e o código de regras.
A delegada Margarete afirma que a hierarquia do Front 88 é por idade - os mais novos devem obediência e respeito aos mais velhos. Todos devem comparecer a cada 15 dias nas reuniões. Se precisar se ausentar, é preciso justificar o motivo. Caso contrário, o integrante é sumariamente expulso.
Segundo ela, um sistema de comunicação por códigos indica os locais de reuniões, para que eles não sejam alcançados pela polícia. Os integrantes do grupo, assim como os do Neuland, se autodenominam soldados.
- Há em curso uma uma guerra entre os grupos intolerância - diz Margarete, ao explicar o motivo dos assassinatos entre neonazistas.
O polícia paulista investiga a atuação de pelo menos 35 pessoas no grupo neonazista Neuland. Segundo a Decradi, cerca de 25 grupos neonazistas atuam no estado, mas o de Barollo, denominado Neuland, é considerado o mais organizado ideologicamente. Além de São Paulo, os neonazistas são investigados no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
Leia também: Neonazistas são suspeitos de 10 mortes nos últimos 60 dias.
O grupo Neuland tem células em atuação na capital paulista, onde está o maior número de participantes, e está organizado em células nas cidades de Campinas, Sorocaba e Limeira. Além de Barollo, apenas mais um integrante do grupo foi indiciado por crime ligado à ação do grupo. Trata-se de Alessandro Martines, 31 anos, preso em 13 de junho de 2008, no município de Santo André, no ABC paulista, com 147 itens de armamentos, entre espingardas, pistolas, carabinas, carregadores, munição e facas Butterfly.
O processo contra Martines foi distribuído à 2ª Vara Criminal do Fórum de Santo André. Martines está sendo acusado, principalmente, por crimes vinculados ao porte ilegal de armas. Não há informação disponível sobre possível indiciamento por crime de racismo.

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