quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

ROGER ABDELMASSIH


VEJA NA ÍNTEGRA, O TEXTO PUBLICADO ONTEM PELA FOLHA DE SÃO PAULO, ASSINADO PELO DR. ROGER ABDELMASSIH, ACUSADO POR EX-PACIENTES, DE ABUSO SEXUAL.

AS DUAS FACES DA MOEDA
Roger Abdelmassih

Ainda não compreendi qual é a verdadeira motivação para esse movimento que mais se caracteriza como sanha de vendeta

"O sentimento mais comum entre os homens é o da má vontade" (Pedro Nava)


NO DOMINGO 11 de janeiro, quando baixei o vidro para brincar com meu amigo cadeirante, o que fazemos todos os dias no cruzamento da avenida 9 de Julho, vi que o rosto sempre sorridente estava sério. Ele tomou a iniciativa da conversa: "Força doutor, o senhor é maior do que tudo isso; fé em Deus que tudo vai passar". Faltaram-me as palavras. Estendi-lhe a mão e agradeci emocionado.Compreendi que o meu amigo havia lido a matéria da sexta, ou as do sábado, e que sabia do drama que eu começara a viver. E que, apesar dos horrores lidos, confiava em mim. O que ainda não compreendi é o porquê de tudo isso. Qual a verdadeira motivação para esse movimento que mais se caracteriza como sanha de vendeta, que se expressa em denúncias esvaziadas de sentido, em acusações perversas, subjetivas, sem materialidade, que embutem em si mesmas minha condenação perante a opinião pública. As fontes diversas e o ódio silencioso, sedimentado há décadas, são assustadores -incompreensíveis.É certo que sou o representante mais conhecido no Brasil de uma especialidade médica que não consegue, ainda, 100% de resultados. Nesses 20 anos de clínica em medicina reprodutiva, tenho lidado -abertamente- com as mais variadas expressões de frustração de pacientes que não conseguiram atingir seus objetivos.É certo que, em 65 anos de vida, cometi erros -muitos, até- como marido e pai de família, como profissional, como amigo, como ser apenas humano que sou. É certo que "eu sou eu e minhas circunstâncias" (Ortega y Gasset) e que muitos antipatizam com as minhas circunstâncias. E é certo, acima de tudo, que não sou merecedor de tantas e tamanhas atitudes de desforra, de julgamento à revelia na praça pública das páginas da imprensa -uma demonstração inequívoca de ressentimentos, de justiça selvagem manifestada à moda tribal, ao arrepio da Justiça.Sei que a vingança faz parte da natureza humana, mas não pode haver Estado de Direito quando o fórum adequado para que a justiça prevaleça é substituído por retaliações como essa a que estou sendo submetido, acolhidas e divulgadas da forma como têm sido.Toda a notoriedade que tenho, e que parece incomodar a tantos, foi conquistada unicamente em consequência do meu trabalho e dos resultados obtidos. Trabalho tenazmente, 14 horas diárias em média, não poupo investimentos em aperfeiçoamento do meu pessoal, em tecnologia de ponta e, especialmente, em pesquisa básica (a única clínica particular que mantém um centro de pesquisa básica), na busca do melhor resultado possível contra a infertilidade.Lutei como poucos por essa causa e tenho a certeza de que servi para elevar a qualidade da reprodução humana assistida no Brasil. Lutei muito pelos casais inférteis e conquistei cerca de 8.000 vitórias, quase 8.000 crianças que deram sentido à vida de casais, que realizaram o desejo de formar famílias.Seria uma incoerência, uma estupidez, uma insanidade se fosse eu o moto propulsor da destruição de casamentos, de futuras famílias que eu ajudaria a formar. Não faz sentido. A verdade tem mais de um lado, e quem quer conhecê-la precisa ver a moeda por inteiro. Esse movimento de ressentimentos vingativos tem uma história de quase dois anos, cujos documentos serão apresentados no momento adequado, ao fórum adequado para sopesar as provas. Há cerca de dois anos venho sendo atacado, por meio da internet. E-mails impressionantemente agressivos e ameaçadores, distribuídos para toda a minha família, para a imprensa e para a classe médica. Comunidades em sites de relacionamento, blogs e fóruns estampavam a mesma falácia que hoje ganha espaço na grande imprensa. No começo, parecia uma ação isolada. Mas o que poderia ser um moderno e já cotidiano crime de "cyberbullying", do qual são vítimas tanto adolescentes quanto prestadores de serviços, como um médico, acabou virando esse pesadelo. O meu silêncio não é como o silêncio das pedras. É um silêncio cheio de sons e de cores, e sobretudo de respeito à Justiça e, até, às pessoas que estão me acusando, pois, pasme quem quiser, eu tenho minhas explicações, especialmente para as mentiras, para as fantasias e para as fofocas que ganham espaço na imprensa e que tentam desonrar a minha dignidade como pessoa humana -fundamento constitucional, direito pétreo que me vem sendo negado. Sei que a vida é feita de luta e de obstáculos e que é preciso coragem moral para adaptar-se a tempos de angústia como estes, que requerem paciência e resignação. Mas é preciso, também, contar com o apoio da família -que está ao meu lado- e com a solidariedade dos amigos para fortalecer a fé em Deus e a certeza de que a Justiça será soberana.Agradeço sinceramente as incontáveis manifestações de conforto que venho recebendo, especialmente aquelas que demonstram confiança no meu caráter. Meu querido amigo cadeirante tem razão: tudo vai passar.

ROGER ABDELMASSIH , 65, médico especialista em reprodução humana assistida, é sócio-diretor da Clínica e Centro de Reprodução Humana Assistida Roger Abdelmassih e membro do Comitê Executivo da Sociedade Internacional de Andrologia. Foi fundador e presidente da Sociedade Brasileira de Andrologia.Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

PLANTA AMAZÔNICA CONTRA O CÂNCER EM PACIENTES - AVELOS

Estudo é o primeiro de que se tem notícia em solo nacional. Pesquisa está sendo feita no Hospital Israelita Albert Einstein.
Cientistas e médicos brasileiros estão testando em humanos o potencial de uma erva amazônica para o tratamento do câncer. É possivelmente a primeira vez que o Brasil submete um medicamento dessa natureza, obtido em solo nacional, aos rigorosos testes médicos para a aprovação de uma nova droga.
A planta é a avelós (nome científico Euphorbia tirucalli), típica das regiões norte e nordeste do País. Sua ação medicinal já era mencionada na cultura popular, o que motivou a indústria farmacêutica a analisar sua ação em células em cultura e em animais. Os resultados foram bastante promissores.
Ao que tudo indica, a substância age nas células do câncer induzindo a apoptose, uma espécie de suicídio celular. “É o que chamamos de morte celular programada”, explicou ao G1 Auro Del Giglio, gerente do programa integrado de oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e um dos coordenadores do estudo. “Em células normais, é um procedimento que acontece para a renovação das células, com as antigas dando lugar às novas. Mas nas células do câncer isso quase nunca acontece, e a idéia é exacerbar essa tendência.”
Com isso, a droga tem o potencial para, se não fazer regredir, pelo menos conter ou reduzir o avanço da doença, induzindo a apoptose de muitas das células do tumor. Não custa lembrar que o câncer é basicamente um agrupamento de células que se rebelaram contra o corpo, multiplicando-se enlouquecidamente e consumindo os recursos do organismo todo em prol de seu próprio crescimento. Simples de descrever, dificílimo de tratar.
SEM APRESSAR CONCLUSÕES
In vitro, a droga funcionou contra colônias de células de câncer de mama, melanoma e outros tipos de tumor. Mas ainda não dá para dizer que o remédio vá funcionar em humanos. “Nesse primeiro estudo, de fase 1, o que a gente faz é descobrir a dose certa”, diz Del Giglio. “É um estudo para identificar a toxicidade e a segurança do medicamento.”
No momento, cinco pacientes estão passando por esse procedimento no Hospital Israelita Albert Einstein. A idéia é concluir o estudo até o fim do ano e iniciar a fase 2 — que envolve um grupo maior de pacientes com o objetivo de identificar o real potencial da droga como tratamento para tipos específicos de tumores em 2009.
A partir daí, os cientistas já miram buscar aprovação da droga para que chegue às prateleiras, embora tenham ainda de ser conduzidas outras duas fases de estudos, de grande porte, para concluir o ciclo pelo qual passam todos os medicamentos antes de obter aprovação das autoridades competentes.
A despeito da fase preliminar dos estudos, a equipe está animada com os avanços. “Do que eu tenho notícia, é o primeiro estudo rigoroso conduzido com um medicamento herbal brasileiro para câncer”, diz Del Giglio. “Está todo mundo muito entusiasmado justamente por conta disso.”
O trabalho está sendo conduzido em parceria com a empresa PHC Pharma Consulting, com sede em São Paulo.

E AS PESQUISAS CONTINUAM!


Fonte: PORTAL WWW.GLOBO.COM EM 29.10.08

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Droga contra câncer em teste

Hospital Albert Einstein avalia remédio feito com planta medicinal

SÃO PAULO - De uma garrafada tipicamente nordestina pode nascer o primeiro medicamento 100% brasileiro para o tratamento de cânceres. O produto foi desenvolvido a partir de uma planta conhecida como avelós e se mostrou eficaz em testes in vitro e com animais. Agora ele começa a ser avaliado clinicamente em pacientes no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
árvore, presente no Brasil e em outras partes do mundo, há anos é manipulada em chás e nas tais garrafadas - misturas feitas com plantas consideradas medicinais pelo conhecimento popular e usadas para os mais diversos fins.
O suposto potencial antitumoral do avelós havia despertado a curiosidade de cientistas, mas as várias tentativas de transformá-lo em medicamento se mostravam frustradas, por conta do seu alto teor de toxicidade. Nenhuma ainda tinha conseguido comprovar sua segurança ou eficácia.
Até que entrou em cena o empresário do setor de bebidas Everardo Ferreira Telles, que viu um parente com câncer apresentar melhora após tomar o preparado em Teresina (PI). Oncologistas disseram que era apenas uma coincidência, mas, intrigado com o resultado, Telles resolveu investir em pesquisas com a planta.
O pesquisador Luiz Francisco Pianowski, proprietário de uma empresa de consultoria farmacêutica, foi chamado para fazer o meio de campo entre pesquisadores e indústria. "Quando ele me procurou, confesso que estava um pouco cético, mas depois percebi que os resultados eram realmente promissores", conta o farmacêutico, que coordenou os estudos junto a laboratórios e uma universidade do Brasil e do exterior, além do Einstein.
O trabalho começou há apenas cinco anos, tempo considerado curto para a média de desenvolvimento de novas drogas, que costuma ser de dez anos, mas Pianowski afirma que isso se deveu aos altos investimentos. Sem citar cifras nem mais detalhes sobre a molécula isolada, o pesquisador só conta que ela age inibindo enzimas relacionadas à multiplicação dos tumores e tem potencial antiinflamatório e analgésico.
Ele credita boa parte do avanço dos estudos também ao fato de os pesquisadores terem identificado uma espécie menos comum de avelós (família das Euphorbiaceaes) que apresenta uma concentração menor de substâncias tóxicas. Mas os pesquisadores fizeram ainda uma depuração da toxicidade para deixá-la adequada ao consumo humano.
No trabalho de desenvolvimento da molécula esteve envolvido, entre outros, o laboratório do farmacologista João Calixto, da Universidade Federal de Santa Catarina. Parcerias anteriores entre Calixto e Pianowski renderam, por exemplo, o antiinflamatório de uso tópico feito com a erva-baleeira ou maria-milagrosa (Cordia verbenacea) - um dos mais vendidos hoje no Brasil.
Além de atestar a segurança, as pesquisas farmacológicas serviram ainda para padronizar a planta, aumentando seu potencial, visto que não chegou a ser desenvolvida uma molécula sintética. "A idéia é continuar usando a planta, para não desfigurar a característica fitoterápica", explica Pianowski.
O projeto recém-iniciado no Einstein tenta agora comprovar a eficácia e a qualidade do produto. Segundo o médico Dagoberto Brandão, da empresa PHC Pharma Consulting, que coordena os testes clínicos junto com Augusto Paranhos, gerente de pesquisa clínica do Einstein, a droga está sendo avaliada originalmente para tumores de mama e próstata.
Esta primeira etapa, com 20 voluntários, busca descobrir a dose mais bem tolerada pelos pacientes. "Um possível efeito colateral é a diarréia, então tentamos ver a dose máxima que podemos dar sem que isso se torne um problema", diz Brandão, que participou do desenvolvimento do antiinflamatório à base de erva-baleeira.
VAMOS CHEGAR LÁ...COM CERTEZA!!!!!


fonte: O ESTADÃO

sábado, 24 de janeiro de 2009

DIABETES: A ESPERANÇA NO BISTURI


Uma cirurgia no intestino é a nova arma na luta contra a doença. A técnica ainda é experimental, mas seus resultados são impressionantes

Em sete anos, o diabetes arruinou a saúde da funcionária pública Legínia Miranda. Com o organismo combalido pela doença, ela estava ficando cega. Sua pressão arterial, sempre alta, atingia por vezes inacreditáveis 22 por 16 (o normal é 12 por 8). Legínia vivia abatida por um cansaço permanente e uma depressão profunda. A moléstia lhe impingia uma rotina penosa – comprimidos antidiabéticos, injeções de insulina, dieta austeríssima. Mesmo assim, sua glicemia não baixava. Girava em torno dos 300 miligramas de glicose por decilitro de sangue, mas freqüentemente chegava a 520 (o normal é 100, no máximo). Em 2005, aos 54 anos e prestes a se aposentar por invalidez, Legínia concordou em passar por um tratamento ainda experimental contra o diabetes tipo 2. Às 7 da manhã de 5 de novembro, ela deu entrada no centro cirúrgico do Hospital de Especialidades, em Goiânia. Nove horas depois, a doença já dava sinais de arrefecimento. Sem nenhum medicamento, sua glicemia baixou para 160 – um patamar jamais alcançado nos anos precedentes. Legínia experimentou uma melhora que, em outros tempos, seria chamada de milagrosa. Hoje, sua pressão está normal e a glicemia gira em torno dos 70 miligramas de glicose por decilitro de sangue. Com a visão recuperada, ela não precisa mais de óculos – nem para ler. À mesa, apesar da dieta equilibrada, delicia-se sem medo com pudim de leite e quindim. Nada, porém, se compara à felicidade de acompanhar as estripulias de Ana Carolina, a neta de 1 ano e 2 meses. Legínia agora tem fôlego. "Eu nasci de novo", diz a funcionária pública. Legínia é personagem de uma das mais arrojadas e fascinantes linhas de tratamento do diabetes tipo 2 – a intervenção cirúrgica.
A operação para conter o diabetes é diferente de qualquer outra. Ela não se destina a trocar um órgão que funciona mal por outro em boas condições, como nos transplantes. Tampouco é feita para a implantação de um corpo estranho no organismo, de modo a fazê-lo trabalhar melhor. A cirurgia do diabetes combina simplicidade e engenhosidade. Os médicos estão conseguindo, com pequenas modificações na anatomia do intestino delgado, regular a produção de insulina no pâncreas e, com isso, restaurar as taxas de glicemia aos níveis normais. Em outras palavras, eles conseguem reverter o diabetes. A cirurgia é fruto de uma constatação nova e surpreendente: a de que o diabetes é uma disfunção cujas origens ultrapassam as fronteiras do pâncreas, o órgão produtor de insulina – hormônio responsável por retirar as moléculas de glicose da circulação sanguínea e levá-las para dentro das células, onde são transformadas em energia. O diabetes surge da falta ou da ineficiência da insulina, o que leva ao acúmulo de glicose no sangue. E o que é que o intestino delgado tem a ver com isso? Tudo. Com 6,5 metros de comprimento e 4 centímetros de diâmetro, cheio de dobras e reentrâncias, o intestino delgado, além de promover a digestão e a absorção dos alimentos, funciona como uma espécie de fábrica de incretinas, a família de hormônios capaz de potencializar a secreção de insulina. Elas ajudam a baixar as taxas de glicose no sangue, sobretudo depois das refeições, quando esses níveis tendem a explodir. O bisturi entra para corrigir essas falhas e restabelecer a sintonia entre os hormônios do aparelho digestivo e a insulina.
A experiência com um dos métodos foi relatada na edição de agosto passado da revista Surgical Endoscopy, da Sociedade Americana de Cirurgiões Gastrointestinais e Endoscópicos. O autor do artigo é o cirurgião Áureo Ludovico De Paula, do Hospital de Especialidades, de Goiânia. Ele é o criador da técnica de interposição do íleo, feita por laparoscopia. A cirurgia consiste em aproximar uma parte do íleo do estômago; prevê ainda a redução de 20% do estômago, o que reduz drasticamente a produção de grelina, o hormônio do apetite. Isso leva à perda de peso e, assim, diminui a resistência à insulina. Dos 39 pacientes citados no artigo da revista americana, quase 90% ficaram completamente livres do diabetes. De cada dez, três saíram do hospital sem necessidade de nenhuma medicação antidiabética – uma cura praticamente instantânea. "Se apenas metade desses resultados puder ser repetida, teremos uma revolução no tratamento do diabetes", diz Alfredo Halpern, endocrinologista, da Universidade de São Paulo. A cirurgia tem efeito, ainda, sobre uma série de outras doenças associadas ao diabetes – hipertensão, colesterol alto e triglicérides em excesso.
Há três semanas, uma equipe de pesquisadores da Escola de Medicina Mount Sinai, em Nova York, esteve no Brasil para aprender a técnica criada por De Paula. Eles vão começar a testá-la nos Estados Unidos. O sucesso da experiência BRASILEIRA serviu de incentivo para que os americanos se lançassem nessa empreitada. Até então, eles não haviam tomado essa iniciativa porque, lá, os protocolos de pesquisas com seres humanos são muito mais rigorosos e demorados. Outro grupo envolvido no tratamento cirúrgico do diabetes é o coordenado pelo cirurgião José Carlos Pareja, chefe do Serviço de Cirurgia Bariátrica e Metabólica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Inspirado na técnica desenvolvida pelo médico italiano Francesco Rubino e batizado de exclusão duodenal, o método isola o duodeno e 40% do jejuno do processo digestivo. Com isso, o alimento chega menos degradado ao íleo e estimula a ação das incretinas. Até agora, Pareja operou quinze doentes. Todos tomavam injeções de insulina e antidiabéticos orais diariamente. Depois da cirurgia, os quinze se livraram das picadas, mas nenhum conseguiu abandonar a medicação por boca.
O paulista Divaldo Faria de Mello, de 46 anos, passou por essa cirurgia. Em 2003, por causa do diabetes, ele teve de amputar dois dedos do pé direito, machucados durante uma partida de futebol. O excesso de glicose no sangue impediu que as feridas se cicatrizassem. A vida de Mello pode ser dividida entre antes e depois da cirurgia. Diz ele: "Não ter de tomar injeção todos os dias e conseguir comer de tudo, até feijoada, é uma bênção".
Os médicos da Unicamp pretendem testar duas outras técnicas cirúrgicas contra o diabetes. . É provável que, num futuro não muito longínquo, vários tipos de operação convivam no catálogo de tratamentos disponíveis.
Alguns especialistas costumam alarmar-se com o que seria uma epidemia de diabetes tipo 2 já em curso no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2025 os doentes somarão 330 milhões de pessoas. Nos Estados Unidos, estima-se que metade das crianças negras e hispânicas nascidas em 2000 desenvolverá a doença em algum momento de sua vida. Não importa o mecanismo pelo qual o distúrbio surge, o fato é que os estímulos externos são decisivos. Em especial, a alimentação rica em gorduras e o sedentarismo. Por esse ângulo, o diabetes tipo 2 é uma doença culturalmente provocada. Vencer suas causas culturais, portanto, pode ser, para a maioria dos doentes em potencial, uma maneira menos dolorosa do que tomar picadas diárias de insulina sintética ou entrar na faca.
Reportagem de Adriana Dias Lopes e Anna Paula Buchalla
Revista Veja

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

TV GLOBO E ABDELMASSIH

Conforme publicamos em texto anterior,"POR QUE A MÍDIA SE CALA?" estamos nos perguntando até agora por que a TV GLOBO, tem ignorado completamente o caso do médico Roger Abdelmassih, 65 anos, de São Paulo, objeto há quatro meses de um inquérito policial , por suspeita de abuso sexual de pacientes.
Quando a investigação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, no dia 9, pela repórter Lilian Cristofoletti (foto menor), nove mulheres haviam prestado depoimento contra Abdelmassih; uma semana depois, o número tinha aumentado para 33, se incluído um testemunho que estava sendo colhido na sexta-feira. A jornalista da Folha denunciou o escândalo e , fora uma breve declaração do médico ao mesmo jornal, não se tem notícias do mesmo em nenhum noticiário da Globo. O que mais chama atenção é que não há referência a nenhuma das supostas vítimas do médico, que até o momento passam de 40 mulheres, sendo duas, publicamente reveladas! Nós , particularmente, só temos tido acesso a informações sobre o caso, através da Rede Bandeirantes e Gazeta.
Até a semana passada, todas as denúncias investigadas no inquérito eram de atentado violento ao pudor, que engloba qualquer ato forçado de natureza sexual, menos estupro, definido pela lei como a penetração genital. Parte das mulheres disse ter sido assediada dentro do consultório pelo médico, que tentou beijá-las e acariciá-las à força. Reagiram, e o assédio não avançou. Outras afirmam que estavam sedadas durante o abuso e só vieram a se dar conta depois. Na quinta-feira, dia 15, uma paciente, que hoje mora em Minas Gerais, entrou em contato com o Ministério Público para fazer o que, se confirmado, configuraria a primeira denúncia de estupro. O inquérito policial trata ainda de um tipo de denúncia paralela: pacientes que acusam o médico de lhes ter proposto a utilização de material genético – óvulos e espermatozoides – que não o delas ou o de seus maridos, sem que estes soubessem, depois que as primeiras tentativas de fertilização não surtiram efeito.
Seria a extensa lista de pacientes globais que faz com que ,em lugar do "espalhafato" feito no caso Nardoni e Eloá, só tenhamos silêncio ? Tom Cavalcanti; Luisa Thomé; Carlos Alberto Nóbrega; Renan Calheiros; Pelé; Moacyr Franco; César Filho; Brito Júnior são alguns deles.
Nas página da revista 'Quem", de 23 de janeiro de 2009, é possível ver uma matéria "possívelmente " paga, pois não se realizou em 18 de janeiro de 2009, como dá a entender, mas sim, em 19 de março de 2006. Qual a razão, para neste exato momento em que o médico deveria ser primeira página de matéria policial, a revista relembrar um acontecimento social realizado há dois anos atrás?
Hoje é um dia de muita emoção para mim", dizia dr. Roger, brincando com a estrelinha concebida em sua clínica. "Me senti assim no sucesso da primeira gestação in vitro. Agradeço a Deus por tudo isso, sou instrumento Dele", afirmou o urologista e andrologista, casado há 39 anos e pai de 5 filhos. "Espero que você continue este trabalho maravilhoso que faz", disse Roberto Carlos, grande amigo do médico, que cantou no evento. "Cada vez mais vou investir em tecnologia e pesquisa", avisou dr. Roger, emendando: "Já investi milhares de dólares nas últimas duas décadas. Pesquisa básica é cara, mas fundamental. Muitas vezes perdi, mas não me arrependo. A ciência ganhou sempre e cerca de 4 000 famílias estão felizes. Essa é minha fortuna."
Parece que a "fortuna" de Roger Abdelmassih é maior do que pensamos.........manipular a Rede Globo exige um cacife alto!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

EX-FUNCIONÁRIA DA CLÍNICA DE FERTILIZAÇÃO DIZ QUE VIU MÉDICO ABUSANDO DE PACIENTE

Conforme publicamos ontem, em http://anjoseguerreiros.blogspot.com/2009/01/roger-abdelmassih-mdico-ou-monstro_21.html, a tv bandeirantes noticiou em seu jornal da noite, que uma ex-funcionária da clínica de Roger Abdelmassih, especialista em FIV (fertilização in vitro), afirmou à TV Bandeirantes ter visto por uma câmera de segurança o médico aproximando-se sexualmente de uma mulher que estava sob seus cuidados.
“Eu vi a paciente de braços abertos, ele segurando-a e abusando dela”, falou. Ela não informou se a paciente estava sedada ou não.
Conforme dissemos na postagem de ontem, a ex-funcionária, que pede para que seu nome não seja revelado, trabalhou um ano como recepcionista na clínica. Ela disse que viu o abuso do médico um pouco antes de ser demitida. “Uma outra funcionária pediu pelo amor de Deus para eu não contar o que tinha acabado de ver.”
A reportagem da Bandeirantes mostra uma foto dela (com o rosto borrado para que não seja identificada) com o uniforme de atendente e na recepção da clínica(foto acima).Para a polícia, o depoimento dela é importante por se tratar de uma testemunha. Há a expectativa de que outras pessoas que trabalharam ou que ainda trabalham na clínica se apresentem à polícia e ao MP.
Até a manhã de hoje, 45 mulheres já tinham procurado o MP, que tem encaminhando-as à Delegacia da Mulher para registrar queixa. “É o que toda vítima de crime sexual tem de fazer”, disse o promotor José Reinaldo Carneiro.
Adriano Salles Vanni, advogado do médico, renovou a reclamação de que seu cliente ainda não sabe dos nomes das mulheres que fazem as acusações, só que algumas já foram publicamente mostradas.

O CASO ISABELLA

Como não há notícias recentes sobre o caso da menina Isabella Nardoni, atirada brutalmente da janela do prédio em que seu pai, Alexandre Nardoni morava com seus dois irmãos e madrasta, resolvemos publicar alguns artigos antigos, mas que discutem temas sempre interessantes. Temos o objetivo de não permitir que um crime tão violenta caia no esquecimento e seus culpados acabem não sendo punidos.
Este texto fui publicado pela Folha Online em 17 de abril de 2008
É assinado por Hélio Schwartsman, 42, editorialista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001.



Relutei o quanto pude em comentar o caso do assassinato da pequena Isabella Nardoni. Não importa quem seja o autor do crime, o resultado é o mesmo: uma tragédia pessoal e familiar. Como há um homicídio a esclarecer, é inevitável que as autoridades policiais escarafunchem todos os aspectos da história, mas isso não significa que o grande público deva participar de tudo e acompanhar "on line" cada novo desdobramento das investigações. Até para que a família possa viver o luto, seria necessário um certo distanciamento. Receio, entretanto, que os limites do decoro tenham sido quebrados pela perversa combinação de uma imprensa ávida por sensacionalismo com declarações irresponsáveis de autoridades policiais e judiciárias. Tudo isso, é claro, motivado pelo desejo das pessoas de saber tudo a respeito desse macabro episódio.
É justamente sobre a natureza desse desejo que gostaria de lançar algumas observações na coluna de hoje. Por que o assassinato de crianças nos toca mais do que homicídios envolvendo adultos? Por que a simples possibilidade de o pai ser um dos suspeitos transforma uma ocorrência policial em comoção nacional?
Parte da resposta está na biologia. Bebês e crianças comovem e mobilizam nossos instintos de cuidadores. Estes serezinhos foram "desenhados" com características que exploram os vieses sensórios de seus pais e de adultos em geral. Tais traços, especialmente os faciais, são há décadas conhecidos de artistas como Walt Disney. O que torna Mickey Mouse fofinho e não repulsivo como a maioria dos murídeos? Como observa Marc Hauser em "Moral Minds", "a cabeça muito maior do que o corpo e os olhos grandes em relação ao rosto (...) são como doces visuais, irresistíveis para nossos olhos".
A circuitaria cerebral responsável por esse, digamos, "amor às crianças" é comum a vários mamíferos. Também julgamos fofinhos filhotes de cães, gatos e até de animais perigosos como ursos (lembrem-se de Knut) e tigres. A adoção inter-espécies não é um fenômeno de todo incomum. Cadelas, lobas e gatas freqüentemente criam filhotes abandonados de outros bichos. Há até dois casos de bebês humanos que caíram em jaulas de gorilas em zôos americanos e foram socorridos por fêmeas dessa espécie.
Só que as coisas são um pouco mais complicadas. Apenas achar um bebê engraçadinho não é em absoluto garantia de que cuidaremos bem dele. A natureza, à parte algumas idealizações românticas de ecologistas empedernidos, é cruel. Não foram raras as situações do passado darwiniano nas quais tínhamos várias crianças fofinhas para cuidar e pouco ou nenhum recurso. Daí que nós e outras espécies desenvolvemos o hábito, hoje condenável, de sacrificar os bebês que nos parecessem mais fracos (infanticídio) ou que portassem defeitos congênitos (eugenia).
A biologia é uma eterna corrida armamentista entre indivíduos. Para espécies sociais como a nossa, o jogo se dá num ambiente de cooperação, mas isso não impede que os interesses de homens e mulheres, pais e filhos, irmãos e irmãs divirjam. A disputa se dá então no nível da "sintonia fina", e com as regras ditadas por "gargalos" ambientais.
Enquanto nossos bebês nasciam aos borbotões e morriam em proporções equivalentes --situação que perdurou durante 99,9% de nossa história evolutiva--, víamos o óbito de filhos como um fenômeno, senão natural, pelo menos esperado. É só sob condições ótimas que o amor e a dedicação paternos podem prosperar com maior força.
O historiador francês Philippe Ariès (1914-1984), autor de "A Criança e a Vida Familiar sob o Antigo Regime" (1960), mostra bem as mudanças culturais que estão por trás do amor que hoje sentimos pelos nossos filhos. Já tratei do assunto numa coluna antiga, mas retomo aqui o argumento.
A idéia de que os filhos devem ser amados é antes de mais nada uma criação recente. Durante a Idade Média era menos do que uma abstração. Em sua configuração moderna, o conceito só surge na Europa nos séculos 16 e 17 e entre os mais ricos. Ele se dissemina pelos outros estratos apenas em finais do século 19 e início do 20 --quando as taxas de fecundidade e mortalidade infantil baixam significativamente.
É verdade que os trabalhos de Ariès sofreram fortes críticas, algumas convincentes. Poucos, porém, contestam a tese central de que a infância no "ancien régime" era vista de um modo muito diverso do de hoje.
Uma criança não passava de um projeto de adulto, só que com mais desvantagens. As últimas características que esses serezinhos desenvolviam eram a razão e a lógica, o que os tornava verdadeiros débeis mentais à espera do sopro da inteligência.
A noção de que pudesse haver alguma especificidade da infância soaria exótica. Pais não viam, por exemplo, nenhum inconveniente em fazer sexo diante de seus filhos de sete, oito anos em atitude que horrorizaria os educadores de hoje. Para Ariès, a função da família no antigo regime era basicamente a de perpetuar o patrimônio e os costumes. O amor aos filhos, tornado central para a família contemporânea, era perfeitamente dispensável então. Ele só vai se desenvolver plenamente com o advento da família burguesa e sob o tempero de puericultores como Rousseau, Pestalozzi e, mais recentemente, Montessori e Piaget, sem mencionar os infindáveis autores de manuais que pretendem trazer o "modo de usar" de filhos e enteados.
À luz dessas reflexões, o assassinato de uma garotinha de apenas cinco anos desponta como duplamente horroroso. Contraria não apenas a disposição biológica inata de preservar as crianças como também o mais recente movimento cultural de valorização da infância. O fato de o pai, pelas circunstâncias do crime, figurar na lista de suspeitos é apenas o ingrediente que faltava para os chamados abutres da imprensa se lambuzarem no caso como moscas no mel. Não por acaso, são os mesmos componentes que transformaram o desaparecimento da jovem Madeleine McCann de uma praia do Algarve em "hit" mundial.
Voltando à teoria, críticos da abordagem sociobiológica se queixam de que essa visão transforma nossos sentimentos mais nobres em mera análise probabilística. É como se nossos corações fossem máquinas de calcular riscos, a partir dos quais decidiríamos atuarialmente quem deve ou não ser amado. É uma interpretação, reconheço. Mas, o bonito no darwinismo é justamente que não faz muita diferença se os comportamentos adotados pelos indivíduos são genuínos ou afetados. O resultado tende a ser mais ou menos o mesmo. A intencionalidade e o livre-arbítrio talvez sejam conceitos biologicamente menos reais do que o direito e a teologia gostariam.

sábado, 17 de janeiro de 2009

MAIS SOBRE O CASO ROGER ABDELMASSIH

Fotógrafa é primeira a fazer acusação pública contra médico por abuso sexual

A fotógrafa Monika Bartkevitch, 43, afirmou ontem ter sido agarrada e beijada pelo médico Roger Abdelmassih, 65, quando estava em tratamento há nove anos. Ela é a primeira mulher a contar sua história sem exigir anonimato. Segundo Monika, o episódio contribuiu para o fim do seu casamento. "Estou falando não apenas por mim, mas por todas as mulheres que passaram por isso, para que se sintam encorajadas a denunciar", diz. Monika ainda não depôs na polícia --pretende fazê-lo na próxima semana. Até ontem, 35 mulheres procuraram o Ministério Público do Estado de São Paulo dizendo-se vítimas de abusos praticados por Abdelmassih, dono da maior clínica de fertilidade do país. O médico nega todas as acusações. Leia abaixo a entrevista concedida à Lilian Cristofoletti, da Folha de São Paulo:

FOLHA - Por que você foi à clínica?
MONIKA BARTKEVITCH - Eu estava casada havia oito anos e o meu marido era vasectomizado. Ele tinha dois filhos de um outro casamento. Eu tinha um filho também de outra união. Queríamos uma filha e, na fertilização, poderíamos escolher o sexo. Fomos à clínica de Abdelmassih e fechamos um pacote de três inseminações. Já no primeiro dia, achei muito estranho o jeito do dr. Roger me abordar, de se despedir, e isso na frente do meu ex-marido.
FOLHA - O que aconteceu?
MONIKA - No segundo dia, fui sozinha fazer alguns exames. Na saída, o dr. Roger me deu um selinho na boca. Fiquei passada, não sabia o que fazer. Em casa, contei ao meu marido, que não acreditou. Ele disse: "A gente tem muito dinheiro lá [na clínica] e tem um objetivo, que é ter uma filha. Você é descolada, saberá se virar bem". Fui à clínica pela terceira vez. Quando o dr. Roger veio me cumprimentar, estiquei a mão. Disse que não tinha gostado da atitude dele, que estava na clínica para uma coisa sagrada, que é ter um filho. Ele me pediu desculpas, disse que eu era uma pessoa envolvente.
FOLHA - Não houve mais nada?
MONIKA - No dia em que eu fui retirar os óvulos, acordei com o dr. Roger ao meu lado, parado, com a cara em cima da minha, me olhando. Estava voltando da sedação, levei um susto e gritei. Ele se assustou, pediu calma e beijou a minha mão. Chamou um funcionário e me ofereceu um suco de maracujá. Depois, contei isso para o meu marido, que não viu nada de anormal. Três dias depois, voltei para a inseminação. Estava num quarto, de avental. O dr. Roger entrou, me pegou no colo na frente de uma enfermeira e me levou ao centro cirúrgico.
FOLHA - No colo?
MONIKA - Ele me carregou como se eu fosse um bebê. Uma funcionária ofereceu uma maca, mas ele recusou dizendo que eu era especial. Depois da inseminação, de novo, na frente das enfermeiras, ele me pegou no colo e me levou até o quarto. Pediu à enfermeira que saísse. Daí, ficou completamente alterado. Disse que era louco por mim, lambia a minha cara inteira. Eu gritava, mas ele tapava a minha boca. Ficou tentando me beijar, passava a mão por todo o meu corpo. Ele jogou o corpo para cima de mim. Eu dava socos, empurrões, gritava. Comecei a lutar, acho que isso durou uns 15 minutos, não sei, pareceu uma eternidade.
FOLHA - Como terminou?
MONIKA - Continuei gritando e ele se afastou. Briguei com a enfermeira que entrou no quarto, porque ela era mulher e sabia o que havia acontecido. Quando meu marido entrou no quarto, também não conseguia olhar para a cara dele. Porque já tinha contado o que havia acontecido, desde o começo dizia que o médico me tratava de forma estranha, que havia me beijado, e ele não acreditou. Quando saí de lá, o dr. Roger quis falar comigo, pediu que eu voltasse em três dias para saber se tinha dado certo a inseminação. Entrei em depressão, fiquei três dias fechada no meu quarto. Quando voltei à clínica, vi que não tinha engravidado. Eu estava no chão. Meu casamento acabou menos de dois meses depois.
FOLHA - Você tentou denunciar o médico à época?
MONIKA - Procurei uma equipe de TV, queria usar um microfone escondido, queria denunciá-lo, mas não deu certo. Depois, essa história me machucou muito. Separei-me do meu marido e ainda tinha de enfrentar familiares e amigos que perguntavam se eu havia dado abertura. Isso quase me deixou louca. Eu me perguntava, será que fiz algo errado? Mas agora, com todas essas mulheres falando, vi que não estava só.
FOLHA - Por que seu marido não acreditou em você?
MONIKA - Ele é do meio médico, não quis denunciar, não quis acreditar, não quis se comprometer, me deixou completamente sozinha.

O advogado do médico Roger Abdelmassih, Adriano Vanni, afirmou ontem considerar "fantasiosa" a história contada pela fotógrafa Monika Bartkevitch à Folha."Acho muito estranho uma mulher passar por tudo isso e não ter denunciado à época. Ela disse que isso aconteceu há nove anos? Então, por que não procurou a polícia? Por que não procurou o CRM [Conselho Regional de Medicina]? Bom, ela conta que o marido não a deixou denunciar, mas ela se livrou do marido, que era o obstáculo para qualquer denúncia, dois meses depois. O que a impediu, então, de denunciar o médico?", questiona o advogado Vanni. O advogado diz que Abdelmassih nunca carregou pacientes no colo nem as molestou. Para ele, é um absurdo lançar suspeitas como essas sobre um profissional sério e muito respeitado. "O dr. Roger nunca fica sozinho com a paciente, esse não é um procedimento adotado na clínica. Ele está sempre acompanhado por uma enfermeira. Repito, o que ela contou é fantasioso", afirmou.
O advogado reclama não ter acesso à íntegra dos depoimentos nem aos nomes das mulheres que acusaram Abdelmassih à polícia e ao Ministério Público. "Sem saber quem o acusa, ou do que ele é acusado, é impossível fazer a defesa. A gente nem sabe se essas mulheres são efetivamente ex-pacientes dele. Após termos acesso integral ao inquérito policial, o dr. Roger poderá esclarecer, uma a uma, todas as acusações. Ele vai provar a sua inocência."Nesta semana, Vanni pediu novamente à Justiça acesso ao inquérito que tramita na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo. O advogado afirma que não sabe a "verdadeira motivação" das mulheres que denunciaram Abdelmassih."É importante lembrar que, há um ano e meio, o dr. Roger foi vítima de uma campanha difamatória via internet. Já pedimos a abertura de uma investigação na Polícia Civil para apurar isso. Qual era o objetivo? Nós ainda não sabemos", afirma Vanni. Ele se refere a um blog que trazia denúncias contra Abdelmassih postadas com nomes falsos e que foi tirado da rede a pedido do médico. Na primeira e única entrevista que concedeu à Folha sobre o assunto, há cerca de dois meses, Abdelmassih afirmou ser vítima de uma armação da concorrência. O especialista, que é referência na área de reprodução assistida, fez em sua clínica um terço de todos os bebês de proveta do país. Em nota da assessoria, Abdelmassih disse negar com veemência todas as acusações e informou que até o momento não foi ouvido no inquérito policial. Ainda segundo a assessoria, a clínica de Abdelmassih funciona normalmente e completa, neste ano, 20 anos de atividade, tendo atendido mais de 20 mil casais em busca de filhos.

EX-PACIENTE DIZ TER SIDO ESTUPRADA PELO MÉDICO ABDELMASSIH

Na quinta-feira, 15, uma ex-paciente de Roger Abdelmassih (foto), 65, comunicou ao MP (Ministério Público) do Estado de São Paulo que há 12 anos foi estuprada pelo médico quando se submetia a tratamento de fertilização in vitro. A informação é da Veja desta semana.
Até então, 33 mulheres tinham prestado depoimento à polícia e ao MP acusando o especialista em reprodução assistida de abuso sexual, como tentativa de beijo de língua à força, o que, pela lei, é considerado atentado violento ao pudor. Algumas delas temem o que possa ter acontecido quando estavam sedadas, mas nenhuma disse ter conhecimento de ter sido penetrada.
A ex-paciente que mora em Minas foi a primeira a relatar ter sido vítima de estupro.
À revista, ela disse: “Eu tinha sido sedada para a aspiração dos óvulos. Estava dormindo e senti alguém me beijando. Achei que fosse meu marido e retribuí. Quando vi, era o doutor Roger”.
Contou que o médico não se satisfez com o beijo e a violentou, e ela não pôde reagir por estar ainda sob os efeitos da sedação. "É uma coisa estranha, a gente não consegue reagir. Fica acuada, envergonhada, porque dá a impressão de que permitiu a situação".
Ela já tinha conseguido com êxito uma fertilização na clínica de Abdelmassih e estava tentando um segundo filho.
E ficou abalada emocionalmente até hoje.
Abdelmassih tem evitado a imprensa. Por intermédio do advogado Adriano Salles Vanni, ele nega as acusações e se diz ser vítima de uma campanha difamatória. “Não fiz nada.”
Ele foi intimado por duas vezes a depor, mas não compareceu.
Agora, afirma que, quando tiver de ir à delegacia, para contestar as 33 denunciantes, não vai “levar uma ou duas testemunhas”, mas “um caminhão de pessoas que me conhecem. De preferência pessoas de aparência muito bonita que foram minhas clientes, para contar se por acaso eu tive qualquer comportamento indevido".
É curioso que Abdelmassih distinga entre as suas ex-pacientes as que têm “aparência muito bonita”, como se ele fosse médico de cirurgia plástica, não de fertilização em in vitro.
Aliás, o médico chama suas pacientes de “clientes”.
Previsto para terminar em fevereiro, o inquérito policial será prorrogado se continuar surgindo novas denúncias.
retirado de:

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Cremesp condenou médico que é acusado de abuso

SÃO PAULO - O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) condenou o médico Roger Abdelmassih por infração ao artigo 98 do código de ética médica, que trata de relacionamentos indevidos com laboratórios farmacêuticos e farmácias. O processo começou em 2002, após denúncia de uma paciente que também levou ao conselho o caso de uma suposta violência sexual, que teria ocorrido em 1997, acusação arquivada por falta de provas, conforme o Estado apurou.
Outras seis apurações sobre suposta propaganda indevida tramitam contra Abdelmassih no conselho. O órgão confirmou as informações, mas disse não poder dar detalhes da condenação nem das apurações porque elas são sigilosas. A advertência ainda não foi realizada porque Abdelmassih recorreu da punição ao Conselho Federal de Medicina. O artigo 98 do código veta relações de dependência e interação com empresas farmacêuticas .

O presidente do Cremesp, Henrique Carlos Gonçalves, afirmou ontem que é possível que o órgão peça a suspensão cautelar do registro do médico em razão das acusações de atentado ao pudor. Para isso, aguarda receber os depoimentos das mulheres que procuraram as autoridades. O órgão decidiu abrir processos de apuração separados para cada mulher, com o objetivo de preservar a identidade das supostas vítimas.

"O conjunto será analisado. É uma situação diferente, agora são dezenas de mulheres que falaram e as histórias são as mesmas, o script é o mesmo", comentou Gonçalves, que esteve reunido com promotores que apuram as acusações. Adriano Vanni, advogado do médico, afirmou que Abdelmassih "nega com veemência" todas as acusações de violência sexual e confia que todas as investigações, entre elas a do Cremesp, "vão comprovar a sua inocência".
"O dr. Roger Abdelmassih é o maior interessado na elucidação total dos fatos e lamenta o fato de a sua defesa não ter obtido, até agora, acesso integral ao inquérito policial". A defesa informou que só deverá comentar nesta quinta-feira, 15, as demais investigações.


O PROBLEMA NÃO É NOVO E AS DENÚNCIAS TAMBÉM NÃO COMEÇARAM AGORA...E OUTRAS DENÚNCIAS DE DIFERENTES ASSUNTOS E NÃO SÓ SOBRE ASSÉDIO!

AGUARDEMOS O QUE A DEFESA FICOU DE DECLARAR ONTEM!



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