domingo, 18 de abril de 2010

Rei mais jovem do mundo é coroado em Uganda


Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV é coroado após completar 18 anos
Foto: AP


O rei mais jovem do mundo, soberano do reino de Toro, no oeste de Uganda, foi coroado no sábado na capital real de Fort-portal, após completar 18 anos. Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV foi coroado oficialmente perante milhares de seus súditos, durante uma cerimônia tradicional em seu palácio.
Oyo sucedeu seu pai - que morreu em 1995 - aos 3 anos, tornando-se o mais jovem rei do mundo na época. No entanto, a coroação só poderia ser feita quando atingisse os 18 anos, o que ocorreu na última semana. Agora o monarca pode exercer sua autoridade - simbólica - sobre seu reinado em Toro.


Terra Notícias

Homem acusado de matar mulher e filha é extraditado da Argentina



O homem havia fugido para a Argentina após assassinar a mulher e a filha no ABC paulista, e estava preso desde 2007 no país.


Band vídeos

Isabella Nardoni completaria sete anos neste domingo

A tragédia que envolveu a morte de Isabella Nardoni, que completaria sete anos neste domingo (18), deixou traumatizadas algumas crianças da escola onde ela estudava.
Mães de alunos que conversaram com o R7 consideram que a posição da diretoria do colégio Isaac Newton, na zona norte da capital paulista, foi neutra: não houve reunião com pais de alunos que não fossem da turma de Isabella. Também não ocorreram atividades em grupo para tratar do assunto.
A filha de Cristiane* estudava na classe ao lado de Isabella no Isaac Newton. Elas eram tão amigas que foi complicado explicar a situação para garota, com cinco anos na época, conta a mãe.
- Quando ela viu a Isabella na TV, gritou: ‘olha, mamãe, a Isa da escola’. Tivemos que parar de ver televisão na minha casa. Eu dizia “lembra que mamãe falou que janela é perigoso”...
Rita*, mãe de um outro aluno, colega da filha de Cristiane, confirma que o colégio não fez nada para amenizar o impacto da tragédia com as crianças que não estudaram diretamente com Isabella. Não houve um dia com acompanhamento de psicólogo, por exemplo.
Ambas as mães criticam a posição do colégio, já que todas as crianças do nível Infantil de Isabella eram muito próximas.
Para Mônica Guttman, psicóloga e educadora, o contato com a verdade, nesse caso, é fundamental. Ela ressalta que a história poderia ter sido explicada com muito tato e de forma adaptada para o universo infantil.
- As crianças vêem desenhos e histórias. Elas conhecem heróis e vilões e têm capacidade para compreender o que é crueldade.
Foi dessa maneira que a mãe Cristiane conseguiu acalmar sua filha.
- Tive que explicar que há pais e madrastas parecidos com os das “histórias de castelos” [referindo-se a Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá].
Mesmo assim, ela conta que a garota ficava longe das janelas, não queria ir ao banheiro da escola – porque, antes, encontrava Isabella passando batom em frente ao espelho – e faltou algumas vezes à aula.
- Fiquei tão traumatizada que nem palmada no bumbum eu conseguia dar. Cheguei a pedir perdão para a minha filha, pelas vezes que briguei com ela. Tinha pavor só em pensar que ela poderia ter medo de mim.


O receio de Cristiane não é irreal. A psicóloga Mônica Guttman conta que muitas pessoas se identificaram com o caso Isabella. Ela recebeu em seu consultório paciente com até 13 anos de idade que ficaram com medo das madrastas.
Aconteceram problemas parecidos, de trauma entre crianças, na escola infantil Cantinho da Alegria, onde Isabella estudou até 2006.
Um menino de seis anos falou para a diretora Elenice dos Santos Romeu que não queria passar o fim de semana com o pai e a namorada porque ela iria fazer com o garoto "o mesmo que a madrasta de Isabella fez".

Mas, ao contrário do segundo lugar onde Isabella estudou, a creche teve participação ativa na época do crime. As crianças desenharam “seus sentimentos” – um menino pintou um edifício e a Isabella “deitada” no chão -, rezaram e mandaram “beijinhos para o céu” na comemoração de aniversário dela no ano passado.
Elenice abriu a escola, deixou os jornalistas entrarem e deu entrevistas.
- Pensei que poderia ter errado, mas, no final, percebi que eu ajudei a fazer o casal ir a júri popular. Eles estavam na mídia, e a Justiça foi cobrada. Ela [a Isabella] passou por aqui [na Cantinho da Alegria]; não se pode cobrir o sol com a peneira.

Outro lado

A diretoria do colégio Isaac Newton foi procurada, mas não retornou os telefonemas da reportagem. A telefonista informou que o diretor João Tomas “não comenta sobre o caso Isabella”, e os seguranças da instituição também não falam sobre o assunto.
O R7 apurou que, na semana do crime, as aulas de todas as séries foram interrompidas para que fosse feito um minuto de silêncio em homenagem à Isabella.

* Os nomes foram trocados a pedido das mães dos alunos.

R7 Notícias
Foto: Escola Cantinho da Alegria, onde Isabella Nardoni estudou pela primeira vez. (Foto: Letícia Casado/R7)

Aprovada gratuidade de documentos à vítimas de violência domésticas


Foi aprovado, em primeira votação, o projeto de lei nº 34/10 que dispõe sobre o fornecimento gratuito de documentos pessoais às mulheres vítimas de violência doméstica e aos seus filhos menores de idade. De autoria do presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva (PP), a proposta se refere à segunda via da Certidão de Nascimento; Certidão de Casamento e Cédula de Identidade, o Registro Geral ou simplesmente RG e atende apenas os considerados de baixa renda.
Conforme a matéria, o Poder Executivo firmará convênios, acordos ou parcerias com o Poder Judiciário na consolidação da proposta. O parlamentar progressista argumentou que a violência contra a mulher representa, hoje, uma das principais causas de sofrimento físico e psicológico, constituindo assim um sério problema de saúde pública.
Uma pesquisa do “Data Senado”, feita no final do ano passado, aponta que 62% das pessoas entrevistadas disseram conhecer mulheres que já sofreram violência doméstica e familiar. Entre os tipos de violência sofrida, as mais citadas foram: a física (55%), a moral (16%) e a psicológica (15%). De acordo com um levantamento promovido em 2002 pela Fundação Perseu Abramo, no Brasil a cada 15 segundos uma mulher é espancada pelo marido ou companheiro.
Para a coordenadora da Sala da Mulher da Assembleia, Janete Riva, a proposta é importante pelo fato de que, comprovadamente, a mulher vitimada pela violência fica fragilizada em todos os sentidos. “Ela acaba perdendo o equilíbrio e depois do ocorrido, não sente interesse em manter-se por conta do ordenador de despesa, por exemplo” , disse Janete explicando que: “este beneficio lhe encoraja a buscar alternativas de trabalho e liberdade para enfrentar sozinha as barreiras do cotidiano”, concluiu. O projeto de lei foi encaminhado para análise da Comissão de Constituição, Justiça e Redação.

Gazeta Digital

Padre confessa à CPI da Pedofilia ter molestado dois coroinhas em Alagoas


MACEIÓ - Após ter sido pressionado pelo senador Magno Malta (PR-ES), que integra a CPI da Pedofilia, o padre Edilson Duarte, da Paróquia Bom Conselho, confessou, durante audiência realizada na manhã deste sábado, em Arapiraca, Alagoas, que praticou sexo com dois dos três coroinhas envolvidos na acusação contra os religiosos. O padre também admitiu que é homossexual e que os monsenhores e bispo que também tiveram seus nomes apontados na denúncia possuíam 'apelidos' comprometedores.
Para conseguir a confissão, o senador ofereceu o benefício de delação premiada e fez uma acareação entre o padre e os coroinhas C.F.B, F.S.F e A.F.S, que já haviam prestado depoimento nesta sexta-feira. Ainda assim, no início, o padre negava todas as acusações.
Após Malta afirmar que tinha vídeos e provas contra o padre e ressaltar que qualquer mentira proferida em audiência acarretaria em sua prisão, o acusado decidiu admitir o crime, informando que teria feito sexo com C.F.B e F.S.F. Entre as declarações, o padre também confirmou que Dom Valério Breda, de Penedo, monsenhor Luiz Marcio e monsenhor Raimundo Gomes tinham apelidos comprometedores.
O depoimento foi suspenso por 40 minutos, para uma discussão a portas fechadas entre membros da CPI da Pedofilia, Ministério Público e o advogado do padre, Wellington Wanderley. O site Gazetaweb tentou entrar em contato com os dois monsenhores e com Dom Valério Breda, mas não obteve êxito em nenhum dos casos.

Entenda o caso
Após uma série de denúncias de envolvimento de padres alagoanos em crime de pedofilia contra coroinhas, o senador Carlos Magno Malta e mais nove integrantes da CPI seguiram para Alagoas para receber os depoimentos das supostas vítimas, dos acusados e de testemunhas.
As primeiras a serem ouvidas foram as delegadas Barbara Arraes e Maria Angelita. Em seguida foram ouvidos os ex-coroinha. Entre eles, F.S.F, que hoje tem 20 anos, afirmou ter sido assediado pelo padre desde os 12.
As investigações a respeito da Pedofilia em Alagoas começaram a partir de uma denúncia feita num programa de TV que expõe o vídeo em que o padre pratica sexo com um ex-coroinha. As imagens teriam sido gravadas por um ex-coroinha, que alegou que o padre o assediava sexualmente desde os 12 anos. Dois dias depois da denúncia, a Igreja Católica afastou os párocos e, em seguida, o Vaticano se manifestou assumindo os casos de pedofilia que têm ocorrido na Igreja.

Globo

FOTO ILUSTRATIVA

Escolas reduzem violência com medida polêmica em MS


Alunos indisciplinados lavam louça e banheiros
Atividades foram introduzidas em 52 instituições


As escolas de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, conseguiram reduzir em 60% a violência, em apenas um ano, com aplicação de medidas consideradas polêmicas pelos alunos, mas aprovadas pelos pais. O dado é do promotor da Infância e Adolescência, Sérgio Fernando Harfouche.
Para punir os estudantes indisciplinados, escolas das redes pública e particular fazem os alunos lavar banheiros, pratos e talheres, distribuir merenda e limpar o local onde estudam.
As atividades foram introduzidas em 52 estabelecimentos do ensino fundamental, que reúnem um total de 8 mil dirigentes e professores. As práticas, que entraram em vigor em maio do ano passado, são apontadas como responsáveis pela redução da violência escolar.
Harfouche é autor do método que pune os indisciplinados com tarefas obrigatórias dentro da escola. Ele reconhece que a medida não é simpática, mas afirma que ela tem dado "ótimos resultados". "Crianças não são bandidos, são indisciplinadas."

Principais problemas

Segundo Harfouche, entre os principais problemas registrados com crianças e adolescentes de 11 a 14 anos estão desacato e agressão ao professor, ameaças e brigas. E há até casos de tentativa de homicídio. "Eles acabam cometendo uma série de infrações, contrariando o Artigo 129 do Código Penal. Se fossem adultos seriam condenados e presos", diz Harfouche.
Mas, como não são, afirma o promotor, a pena máxima é "ficar com o nome sujo na polícia, impune e passar pelas unidades de internação educacional do governo". "Nas escolas, no lugar de uma ocorrência policial contra o menor, nós damos trabalho."
No ano passado, um aluno de 12 anos foi armado com uma faca caseira, do tipo peixeira, para a escola. "Eu queria matar um colega da minha classe, mas fui denunciado e me levaram para o juizado", conta o garoto. A mãe dele, de 38 anos, confirma a história, acrescentando que o filho "era terrível".
"Em três meses de atividades obrigatórias na escola, ele virou outra coisa - e coisa boa", comemora a mãe. E o garoto completa: "Eu trabalhei direitinho. Paguei muito mico na frente dos meus amigos. Era só gozação", admite.
O promotor da Infância e da Adolescência afirma que o garoto não foi o único a deixar a internação do juizado de menores. "Já conseguimos reunir o nome, endereço e todos os dados disponíveis de 178 menores que saíram desses locais no ano passado e estão estudando normalmente, principalmente em escolas da rede pública", conta.

G1

E-terapia ganha espaço nos consultórios


Com a expansão dos serviços online, os psicólogos ocupam seu espaço na web, surgindo nova modalidade de atendimento
Adilson Camargo

Você está em pânico? Sente-se angustiado, deprimido? Está passando por uma crise existencial? Então, ligue o computador, entre na Internet, sente-se no divã virtual e converse com um psicólogo. A e-terapia é a nova modalidade de atendimento psicológico. O cliente não precisa mais sair de casa para buscar orientação que lhe dê um pouco de paz consigo mesmo e com o mundo.
Basta um computador e conexão à Internet. Se o cliente tiver uma webcam e um microfone conectados à máquina, melhor. A conversa pode ser por chat (conversa online), MSN, Skype e outros meios eletrônicos. A consulta tem duração de 50 minutos e, segundo regulamentação do Conselho Federal de Psicologia (CFP), o trabalho não pode ir além de um aconselhamento. A psicoterapia online é proibida. Se o caso demanda um tratamento psicológico, o cliente deve ser orientado a procurar uma clínica convencional.
Nos últimos anos, com a popularização da banda larga, uma série de serviços passou a migrar do mundo real para o virtual. E os psicólogos estão procurando ocupar esse espaço oferecido pela tecnologia.
Com as pessoas cada vez mais atarefadas e sem tempo para nada, as mudanças, em geral, têm agradado os internautas pela praticidade. É possível fazer um milhão de coisas sem se levantar da cadeira, no maior conforto.
No entanto, a falta de um contato mais direto, do olho no olho, da observação do cliente, é vista por uma parcela dos profissionais como uma barreira para um diagnóstico mais preciso. Essa seria uma das desvantagens da e-terapia.
De acordo com a psicóloga corporal Gretta Rodrigues de Souza, ver as reações dos clientes durante uma conversa é de grande ajuda, mas ela afirma que alguns problemas podem ser resolvidos mesmo a distância.
Em fevereiro último, ela conseguiu o credenciamento de seu site junto ao CFP para atendimento online. O serviço ainda não está funcionando, mas ela já teve provas de que dá certo.
Ela presta consultoria psicológica aos leitores da revista Todateen, da Editora Alto Astral. No ano passado, recebeu por e-mail um pedido de ajuda de uma garota de 18 anos que mora no Rio de Janeiro. Ela sofria de anorexia (doença caracterizada pelo baixo peso corporal) e queria uma orientação de como enfrentar o problema.
Depois de vários contatos pela Internet, Gretta recomendou à garota que procurasse um psicólogo em sua cidade para que fosse feito um tratamento adequado. A jovem seguiu o conselho e hoje, de acordo com os contatos feitos por e-mail com a psicóloga de Bauru, ela está bem.
O mesmo foi feito com outras pessoas e a prática mostrou que é possível auxiliá-las mesmo em um divã virtual, apenas com orientações e aconselhamentos.
E a ajuda pode ser oferecida não apenas para pessoas mas também para empresas. É o que pretende a psicóloga Danielle Ferrarezi Barboza. Desde que se formou, ela tem atuado junto ao setor de recursos humanos de algumas empresas, prestando orientação empresarial e dizendo o que pode ser melhorado internamente.
Depois de passar por várias cidades, entre elas Bauru, a psicóloga está morando em Assis e de lá pretende continuar auxiliando seus antigos e novos clientes. O contato inicial é online, mas se for preciso ela não descarta a hipótese de ir até a empresa se ela estiver em um raio de 100 quilômetros de distância de sua cidade.
No atendimento às pessoas, o foco também é voltado para o trabalho. A ideia de Danielle é orientar pessoas que querem entrar no mercado de trabalho ou buscam um emprego em que se sintam realizados profissionalmente.
Segundo a psicóloga, o que ela faz é definir o perfil do cliente e com base nisso mostrar a ele os caminhos que ele tem mais chances de se dar bem. O site ainda está em construção, mas Danielle espera iniciar os trabalhos online em breve. “Estou muito confiante”, declara.
Além dela, o site contará com a colaboração de outras duas psicólogas. Giseli Santos Pires vai auxiliar quando os problemas envolverem crianças e Vanessa Cavassani Ramos vai ajudar nas questões relacionadas às relações amorosas.

Vantagens

Entre as vantagens apontadas por Danielle para o atendimento online, ela cita a possibilidade de ter clientes do mundo todo, o fato de não precisar gastar com aluguel de um consultório e a versatilidade de horários. Na visão dela, esse é um bom recurso para os profissionais que estão começando na carreira e não têm dinheiro para montar um consultório. Os novatos poderiam começar com as orientações e aconselhamentos online e, depois, com o dinheiro recebido abrir o consultório para iniciar a psicoterapia.
“O atendimento online não vai substituir o atendimento clínico, mas, sinceramente, acho que esse é o futuro. Ambos vão caminhar juntos”, acredita Danielle.

Jornal da Cidade de Bauru

Feto é encontrado morto dentro de vaso sanitário em shopping de São José

Equipe do Samu fez atendimento no shopping Itaguaçu - Diego Redel /

Corpo foi achado por uma funcionária que cuida da limpeza do local

Um feto de aproximadamente sete meses foi encontrado na noite desta sexta-feira no vaso sanitário de um dos banheiros do shopping Itaguaçu, em São José, na Grande Florianópolis.
Ainda dentro da placenta, o bebê já havia formado os braços e as pernas e estava vivo quando foi localizado. Ainda não há confirmação do sexo. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) fez o atendimento da ocorrência.
O corpo foi descoberto por uma funcionária da limpeza, que foi avisada por outras pessoas de que havia um vazamento dentro do banheiro.
A Polícia Civil analisou as imagens da câmera de segurança e viu duas mulheres suspeitas saindo do shopping, uma delas com a mão na barriga. O material continuará a ser estudado.


Neil Gaiman: “As crianças têm fascínio pela morte”


Em entrevista a ÉPOCA, o escritor britânico Neil Gaiman fala sobre a fama, a obsessão por temas sobrenaturais e o romance "O livro do cemitério", recém-lançado no Brasil

Depois de escapar do assassino que matou toda sua família, o bebê Ninguém Owens foge para um cemitério próximo à sua casa. É encontrado por um casal de fantasmas, que passa a educá-lo e protegê-lo enquanto ele prepara sua vingança. A história normalmente passaria longe de qualquer livro infantil – a não ser que o autor seja Neil Gaiman. Aos 49 anos, após uma carreira de grande sucesso como roteirista de quadrinhos, o escritor britânico tornou-se uma espécie de “astro do rock” na literatura. Além de conquistar a crítica, que concedeu prêmios importantes como o Hugo (http://www.thehugoawards.org/hugo-history/) e o Nebula (http://www.nebulaawards.com/index.php/awards/nebulas) aos seus livros, o autor acostumou-se a atrair multidões de fãs - tanto pessoalmente, em eventos e noites de autógrafos, como na internet, em seu blog (http://journal.neilgaiman.com/) e em seu perfil no Twitter (http://twitter.com/neilhimself).
Em entrevista a ÉPOCA, Gaiman fala sobre a fama, a obsessão por temas sobrenaturais e o romance O livro do cemitério, recém-lançado no Brasil.

ÉPOCA – Ao contrário do Livro do cemitério, a maioria dos livros infantis evita abordar temas como a morte. Você considera isso um erro?
Gaiman
– Eu acho que as crianças têm fascínio pela morte – eu sei que eu tinha. E elas também são fascinadas por cemitérios. Elas olham para os cemitérios e ficam imaginando o que acontece ali. Eu quis escrever um livro para entender esse olhar. Falar sobre a morte é uma maneira de falar sobre a vida, sobre o que é a infância.

ÉPOCA – Você disse que tinha fascínio pela morte quando era criança. Como esse interesse começou?
Gaiman – Eu lembro que havia um belo cemitério na rua da minha casa. Quando eu era criança, as pessoas diziam que havia bruxas enterradas lá. Elas tinham sido queimadas vivas. Depois, quando me tornei adulto, voltei para lá e descobri que elas haviam sido queimadas porque eram prostitutas, e não bruxas. Fiquei muito desapontado, sempre acreditei que eram bruxas.

ÉPOCA – Há elementos da sua própria infância no Livro do cemitério?
Gaiman – Sim, claro! Sempre me inspiro na minha vida e na minha infância. Eu coloquei meu cemitério favorito no livro.

ÉPOCA – Deve ter sido uma infância diferente: poucas crianças têm um cemitério favorito...
Gaiman – É mesmo? (Risos) Esse é um assunto interessante. Uma das coisas que me inspiraram a escrever o livro foi um documentário sobre a Argentina na ditadura militar. E havia uma mulher que dizia que na época em que era criança, a polícia invadiu a casa dela para prender sua família e ela fugiu para um cemitério, com ajuda de pessoas de lá. Ela passou uma boa parte da vida ali. Para ela, era um lugar muito seguro – e eu percebi que aquilo era verdade: num cemitério, as únicas pessoas que podem te machucar são os vivos. Isso me deu a ideia para o começo do livro, quando a criança foge para o cemitério. É um lugar seguro.

ÉPOCA – A vingança também é um tema central do livro. Você acredita que esse é um conceito natural para crianças?
Gaiman
– É só conversar com uma professora de jardim da infância para ver que as crianças são naturalmente vingativas. (Risos) É fascinante ver o que elas fazem para se vingar. É algo importante na vida delas.

ÉPOCA – Seu livro pode ser lido como um romance de formação, um livro sobre a passagem da infância para a vida adulta. Você acha que essa passagem exige que a criança aprenda a lidar com a morte?
Gaiman
– Acho que não. Uma pessoa pode passar a vida inteira sem aprender a lidar com a morte, ou pelo menos a infância inteira. Mas um livro não é necessariamente sobre como as uma criança aprende sobre a morte, mas sim sobre como ela aprende sobre a vida. Em um lugar bastante estranho, no caso do meu livro (risos).

ÉPOCA – Você também se inspirou nos seus filhos?
Gaiman – Sim, muito. Na verdade toda a história começou com o meu filho Mike, que hoje tem 26 anos e é programador do Google. Nós vivíamos em uma casa não muito grande, sem muito espaço para brincar. Ele queria andar de triciclo, mas não tínhamos jardim. Como morávamos perto do cemitério, quando ele precisava de um lugar para andar de triciclo, sempre íamos para lá. Vê-lo brincando lá me deu a ideia de escrever o livro.

ÉPOCA – Era o cemitério favorito dele também?
Gaiman
– Não sei nem se ele via dessa forma, para ele era um lugar onde ele brincava. Era tranquilo, grande, e ele podia andar de triciclo à vontade. Eu olhava para ele brincando, feliz no cemitério, e então pensei em juntar isso com o Livro da selva, do Rudyard Kipling, em que um garoto é criado por animais da floresta.

ÉPOCA – Numa entrevista antiga você chegou a dizer que um dos seus motivos para preferir escrever histórias em quadrinhos era o fato de todo seu trabalho ser novo, pois não havia uma grande tradição no gênero. Agora que você é um romancista premiado, sua opinião mudou?
Gaiman
– “Nas histórias em quadrinhos, uma das coisas que mais me agradava era o fato de não ter de competir com Rudyard Kipling, Jorge Luis Borges, Gabriel García Marquez ou Jane Austen. Muitos autores já haviam escrito grandes romances, mas eu não precisava me preocupar com isso. Agora eu sinto que já escrevi meu nome na “parede” dos escritores. Posso não ter escrito em um lugar muito alto, ou com uma letra muito bonita, mas ele está lá. Eu não me sinto mais como se estivesse competindo. Também não me acho um romancista: há pessoas que são, e eu sou fã delas, mas eu prefiro me considerar um contador de histórias. Gosto de contar algo da melhor maneira possível – pode ser em forma de livro, quadrinhos, filmes, qualquer coisa.

ÉPOCA – Quando você tem uma ideia para uma história, como decide se vai ser um livro, uma revista em quadrinhos ou um filme?
Gaiman
– Depende muito de como a história surge na minha cabeça. Se ela aparece na forma de cenas, é um filme; se há desenhos, mas eles não se movem, é uma história em quadrinhos. Se são só palavras, é um romance, ou um conto. Mas às vezes também me engano: tentei escrever Os filhos de Anansi como um filme, primeiro, mas acabou virando um livro.

ÉPOCA – E o que você acha dos filmes baseados em seus livros?
Gaiman
– Eu sempre gosto. Coraline (2009) é o meu favorito, mas também gosto muito de Stardust (2007).

ÉPOCA – O livro do cemitério também vai virar filme?
Gaiman
– Sim, o [diretor e roteirista] Neil Jordan está trabalhando no script.

ÉPOCA – Você tem alguma expectativa para o filme?
Gaiman
– Eu procuro não criar expectativas para filmes. A minha única expectativa é que uma hora eles acabem sendo feitos (risos). Eu espero pelo melhor, mas me preparo para o pior.

ÉPOCA – Você já tem planos para o próximo livro – ou filme, ou história em quadrinhos?
Gaiman
– Agora estou trabalhando em um filme baseado em Os filhos de Anansi. Depois, quando terminar, quero publicar um novo romance. Na verdade não é um romance, é um livro sobre minhas viagens para a China.

ÉPOCA – Será um livro de não-ficção?
Gaiman
– A maior parte, sim. Eu quero fazer de tudo.

ÉPOCA – A impressão é que você parou de se preocupar com a competição. Escrever agora é uma diversão para você?
Gaiman
– Já estou me divertindo há alguns anos. Acho que há dois jeitos de levar escritor. Um deles é levar uma vida de preocupações, encarar tudo como um trabalho e pensar no que agradaria o mercado. O outro é inventar histórias que te agradem e ver o que acontece. E eu tenho sorte, porque invento histórias que me agradam e elas também agradam outras pessoas.

ÉPOCA – Numa outra entrevista, há alguns anos, você disse que adorava o fato de não ser famoso. Depois disso você se tornou uma espécie de “astro do rock” na literatura...
Gaiman
– É, agora sou famoso... (Risos)

ÉPOCA – Você já se acostumou com isso? O que mudou em sua vida?
Gaiman
– Não, não me acostumei. Eu gosto de algumas coisas: há algumas semanas eu fui para Moscou pela primeira vez e havia multidões me esperando. Participei de grandes eventos e noites de autógrafos em lugares onde você não conseguia nem se mexer, havia pessoas até do lado de fora. Honestamente, isso tudo é muito divertido! Eu também gosto quando isso faz as pessoas felizes. Minha noiva diz que gosta quando vou com ela a uma festa, por exemplo, porque seus amigos ficam ansiosos para conhecer o Neil Gaiman. Eu nunca imaginaria isso, é algo que eu nunca teria percebido. O lado ruim é que sou uma pessoa muito reservada, fico facilmente envergonhado. Eu sou tímido. Gostava bastante de não ser famoso, viver num mundo em que não era conhecido. A revista Time acabou de divulgar uma lista prévia das 200 pessoas mais influentes do mundo, e eu estou nela! (Risos) Sério, eu não acho que eu seja uma das 200 pessoas mais influentes do mundo. Isso é muito estranho.

ÉPOCA – A fama influenciou o seu trabalho de alguma forma?
Gaiman
– Eu espero que não. As pessoas falam muito sobre a fama, sobre coisas como prêmios literários, mas a verdade é que, no fim do dia, você é só uma pessoa com um papel em branco na sua frente. Isso nunca muda. O que importa o que você vai colocar naquela folha de papel.

Danilo Venticinque


Época

Vale a pena ouvir



Meu Papagaio cantando um fragmento da "Flauta Magica", de W.A. Mozart....ele aprendeu muito rapido!!!
Ele morreu de uma doenca desconhecida com apenas 15 anos.
Estou muito triste por que ele era meu pequeno amigo e muito especial para mim.

Obrigada a todos pelas lindas mensagens e por apreciar esse incrivel animal, meu papagaio Menino!!!
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