
MPF discute responsabilidade do poder público no combate à violência a que menores são submetidos
Cerca de 80% das crianças que sofrem abuso sexual tornam-se adultos violentos. A constatação foi divulgada ontem, durante audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO). No entanto, os traumas começam a se manifestar ainda na infância. O problema é que 90% dos casos não são notificados, o que dificulta a interferência do poder público no ciclo de violência a que as crianças ficam submetidas.
Estima-se que anualmente acontecem 100 mil casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. Destes, somente 10 mil chegam ao conhecimento de órgãos que fiscalizam e punem agressores, como Conselhos Tutelares, delegacias e Ministério Público. Isto porque as notificações dobraram entre 2005 e 2006, quando foi criado um telefone destinado a denúncias. De 1997 a 2005, o total de casos denunciados em todo período foi de 5 mil.
“A subnotificação é clara, mas já aumentou nos últimos anos. Temos que trabalhar para formar agentes capazes de identificar casos de abuso sexual contra crianças, para que possa haver interferência ou mesmo antecipação do ato”, disse procurador regional dos Direitos do Cidadão em Goiás, Ailton Benedito de Souza.
Os traumas físicos, psicológicos e comportamentais que passam as crianças violentadas dificilmente possibilitam reestruturação. “As crianças tendem a reproduzir as atitudes que são sujeitas. Temos que oferecer programas de apoio psicosocial para mudar esse prognóstico”, afirmou o coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Infância e Juventude do Ministério Público Estadual, Everaldo Sebastião de Sousa.
O procurador regional da República, Guilherme Zanina Schelb, defende a criação de uma rede real de investigação e tratamento para que o ciclo de violência seja interrompido. “Se isto não acontecer, essas crianças serão vistas pela sociedade somente quando adotarem postura violenta. Aí, será tarde demais”, disse.
Alfredo Mergulhão
Fonte: Diário de Goiás
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