
MEDFORD, Oregon - Vestindo pijamas verdes encharcados, Betty Snyder, 14, caminhava sob um frio chuvisco no parque da cidade enquanto vários meninos mais velhos decidiam o que fazer com ela.
Betty contou ter fugido de casa uma semana antes depois de uma violenta discussão com sua mãe.
Tremendo e de mal-humor, ela jurou que não voltaria a dormir sozinha atrás de cercas vivas no centro da cidade, onde os sem-teto mais velhos e os viciados em metanfetamina poderiam encontrá-la.
Os meninos também eram fugitivos. Mas ao contrário deles, Betty disse que foi descrita à polícia como desaparecida. Isto significa que se os meninos a deixassem passar a noite no seu acampamento escondido pela auto-estrada, eles arriscariam ser presos por abrigar uma fugitiva.
"Nós sempre nos deparamos com isso", disse um dos meninos, Clinton Anchors, 18.
No ano passado, segundo ele, ele e cinco outros adolescentes que vivem juntos pelas ruas ajudaram mais de 20 outros - alguns mais jovens, de até 12 anos - e os ensinaram a evitar predadores e a polícia, a sobreviver ao frio e encontrar comida.
"Nós sempre tentamos mandá-los para casa primeiro", disse Clinton, que fugiu de casa aos 12 anos. "Mas muitas vezes eles simplesmente não querem voltar, porque lá as coisas são muito ruins. Então nós nos tornamos sua nova família".
Nos últimos dois anos, oficiais do governo e especialistas viram um número cada vez maior de crianças abandonar suas casas em troca da vida nas ruas, incluindo muitos com menos de 13 anos.
Execuções hipotecárias, demissões, aumento no preço dos alimentos e do combustível, além da oferta inadequada de moradia barata levaram muitas famílias a situações extremas e a pressão chegou aos adolescentes e pré-adolescentes.
Estudos federais e especialistas neste campo estimam que pelo menos 1,6 milhão de jovens fogem ou são expulsos de casa por ano nos Estados Unidos.
Mas a maioria destes volta para casa em uma semana e o governo não realiza uma contagem ampla ou atualizada dos dados.
A melhor medida do problema pode ser o número de contatos com fugitivos realizados por programas financiados federalmente, que aumentou de 550 mil em 2002 para 761 mil em 2008, quando os métodos atuais de contagem foram iniciados. O número caiu em 2007, mas aumentou novamente no ano passado, e o número de programas federais de auxílio permaneceu o mesmo neste período.

Emprego legítimo foi difícil de encontrar no verão de 2009. O Departamento do Trabalho disse menos de 30% dos adolescentes conseguiram trabalho.
Em mais de 50 entrevistas durante 11 meses, adolescentes que se mantêm sozinhos em oito Estados contaram as histórias de sua horrível existência, que em muitos casos incluem dormir em prédios abandonados, ficar no sofá da casa de amigos e parentes, ou acampar em margens de rios e parques, depois de fugir ou serem expulsos de casa por famílias em crise financeira.
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