
SÃO PAULO - A Polícia Federal prendeu 59 pessoas em duas operações contra o tráfico internacional de drogas desencadeadas em nove estados do país e no Distrito Federal nesta quarta-feira. Uma das quadrilhas, com ramificações no Suriname, Venezuela, Colômbia e Holanda, foi articulada e era comandada pelo celular por um presidiário que há sete anos cumpre pena no Complexo Prisional de Goiás, em Goiânia. Segundo a PF, a quadrilha movimentava até 4 toneladas de drogas por ano.
Leonardo Dias Mendonça trocou de celular pelo menos 50 vezes nos últimos três anos para não ser interceptado. Ele está condenado a 39 anos de prisão. Do lado de fora das grades atuava seu braço direito, preso nesta quarta, Emílio Teixeira Campos. A PF informou que Mendonça deve ser transferido para um presídio federal de segurança máxima, para impedir que continue a fazer ligações telefônicas.
Segundo o delegado Deuselino Valadares dos Santos, da PF de Goiás, Mendonça era parceiro de um brasileiro considerado um dos maiores traficantes de drogas do mundo, identificado como Norval Rodrigues, 53 anos, que está sendo procurado pela Interpol no Suriname. Ele também teria ligação com a quadrilha de Fernandinho Beira Mar, que está detido no presídio de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, e com a Farc, na Colômbia.
Apenas em Goiás, 12 pessoas foram presas pela PF, entre elas advogados, fazendeiros e empresários, na operação que recebeu o nome de Pérola. Outros 13 foram localizados em Tocantins, São Paulo, Minas Gerais, Pará e Ceará, além do Distrito Federal. Foram apreendidos ainda carros de luxo, computadores e entorpecentes. Dois dos presos tinham mandados de prisão também pela outra operação da PF, a Triângulo, desencadeada a partir de investigações no Triângulo Mineiro. Nos outros quatro países do esquema, a Interpol auxilia o trabalho da PF com as polícias locais.
A droga era comprada na Colômbia, vinha de avião e era distribuída dentro e fora do Brasil. No país, os principais mercados eram o litoral paulista e Fortaleza, no Ceará. As rotas de saída da droga eram pelo Pará e na fronteira com o Suriname, com destino à Europa e Estados Unidos.
- Prendemos os cabeças das quadrilhas. Existem mais integrantes, mas com participação menor no esquema - diz o delegado Santos.
O delegado disse que a quadrilha usou vários expedientes para mandar a droga para o exterior. Num deles, descoberto pela PF, uma substância preta foi misturada à cocaína para que ela ficasse com a forma de borracha. O casal que tentava embarcar com a droga para a Espanha foi detido no aeroporto de Brasília.
Na operação desencadeada por investigações no Triângulo Mineiro foram presos 37 acusados nos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia. Entre os presos está um advogado, detido na cidade de Anápolis, em Goiás. Pelo menos 210 agentes participaram da operação, 140 apenas em Minas Gerais.
Segundo a PF, os criminosos adquiriam cocaína na fronteira do Brasil com Paraguai, Bolívia e Colômbia, para abastecer os traficantes de pelo menos cinco estados brasileiros. O delegado regional de combate ao crime organizado da Polícia Federal em Minas, Marcelo Freitas, diz que os chefes da quadrilha foram presos e que ela foi desbaratada. No total, foram cumpridos 40 mandados de busca e apreensão em sete cidades mineiras, três de Goiás, duas do Mato Grosso, duas do Mato Grosso do Sul e na capital baiana.
A PF apreendeu veículos usados pelos traficantes, dinheiro e cheques. Os agentes recuperaram R$ 100 mil reais em espécie em Minas Gerais e no Mato Grosso, além de R$ 400 mil em cheques.
- Desde dezembro temos procurado drogas de maneira a fazer uma vinculação com os líderes da organização criminosa, que normalmente não colocam a mão na droga. Agora os líderes estão identificados e já foram presos - disse Freitas.
Todos os presos vão responder pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, cujas penas variam de 5 a 15 anos e 3 a 10 anos, respectivamente.
Nesta terça-feira, foi feita pela Polícia Civil de Uberlândia uma apreensão de 11 tabletes de pasta base de cocaína na lateral de uma picape com placas de Brasília. Seis pessoas foram presas.
Triângulo Mineiro usado como rota de 4 quadrilhas e depósito de drogas
Em março passado, na Operação Alfa, a Polícia Federal prendeu quatro pessoas na região do Triângulo Mineiro por tráfico internacional de drogas. No total, 42 veículos foram apreendidos - 20 deles no estado de São Paulo - e quatro armas. Sessenta e cinco pessoas foram apontadas como suspeitas, entre elas empresários da construção civil, turismo, comércio de automóveis e advogados.
As cidades de Uberlândia e Ituiutaba são consideradas rotas importantes das quadrilhas de tráfico internacional. Nada menos do que quatro organizações criminosas foram identificadas no decorrer das investigações, todas operando com cocaína de origem boliviana. Uma delas atuava por meio de uma construtora do Mato Grosso que fazia obras em San Matias, na Bolívia. Os caminhões da empresa eram usados para trazer carregamentos de cocaína da Bolívia para o Brasil. Outra quadrilha usava aviões para transportar a droga e jogá-las em fazendas de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais.
Em maio de 2008, três traficantes foram presos com 58 quilos de cocaína e condenados a penas entre 7 e 8 anos de prisão. Os três homens quase foram libertados em março deste ano por meio de um alvará de soltura falso. A fuga só não aconteceu porque uma servidora da 2ª Vara Criminal de Uberlândia desconfiou e verificou as informações no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em junho deste ano, a polícia de Uberlândia apreendeu 700 kg de maconha. Uma casa na cidade era usada como depósito para a droga que vinha da Bolívia escondida em caminhões de carvão, que disfarçavam o cheiro. Foi a maior apreensão na cidade nos últimos três anos. O homem preso com a droga já havia sido condenado por tráfico, mas havia sido transferido para o regime semiaberto.
Marcelle Ribeiro
O Globo
Leonardo Dias Mendonça trocou de celular pelo menos 50 vezes nos últimos três anos para não ser interceptado. Ele está condenado a 39 anos de prisão. Do lado de fora das grades atuava seu braço direito, preso nesta quarta, Emílio Teixeira Campos. A PF informou que Mendonça deve ser transferido para um presídio federal de segurança máxima, para impedir que continue a fazer ligações telefônicas.
Segundo o delegado Deuselino Valadares dos Santos, da PF de Goiás, Mendonça era parceiro de um brasileiro considerado um dos maiores traficantes de drogas do mundo, identificado como Norval Rodrigues, 53 anos, que está sendo procurado pela Interpol no Suriname. Ele também teria ligação com a quadrilha de Fernandinho Beira Mar, que está detido no presídio de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, e com a Farc, na Colômbia.
Apenas em Goiás, 12 pessoas foram presas pela PF, entre elas advogados, fazendeiros e empresários, na operação que recebeu o nome de Pérola. Outros 13 foram localizados em Tocantins, São Paulo, Minas Gerais, Pará e Ceará, além do Distrito Federal. Foram apreendidos ainda carros de luxo, computadores e entorpecentes. Dois dos presos tinham mandados de prisão também pela outra operação da PF, a Triângulo, desencadeada a partir de investigações no Triângulo Mineiro. Nos outros quatro países do esquema, a Interpol auxilia o trabalho da PF com as polícias locais.
A droga era comprada na Colômbia, vinha de avião e era distribuída dentro e fora do Brasil. No país, os principais mercados eram o litoral paulista e Fortaleza, no Ceará. As rotas de saída da droga eram pelo Pará e na fronteira com o Suriname, com destino à Europa e Estados Unidos.
- Prendemos os cabeças das quadrilhas. Existem mais integrantes, mas com participação menor no esquema - diz o delegado Santos.
O delegado disse que a quadrilha usou vários expedientes para mandar a droga para o exterior. Num deles, descoberto pela PF, uma substância preta foi misturada à cocaína para que ela ficasse com a forma de borracha. O casal que tentava embarcar com a droga para a Espanha foi detido no aeroporto de Brasília.
Na operação desencadeada por investigações no Triângulo Mineiro foram presos 37 acusados nos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia. Entre os presos está um advogado, detido na cidade de Anápolis, em Goiás. Pelo menos 210 agentes participaram da operação, 140 apenas em Minas Gerais.
Segundo a PF, os criminosos adquiriam cocaína na fronteira do Brasil com Paraguai, Bolívia e Colômbia, para abastecer os traficantes de pelo menos cinco estados brasileiros. O delegado regional de combate ao crime organizado da Polícia Federal em Minas, Marcelo Freitas, diz que os chefes da quadrilha foram presos e que ela foi desbaratada. No total, foram cumpridos 40 mandados de busca e apreensão em sete cidades mineiras, três de Goiás, duas do Mato Grosso, duas do Mato Grosso do Sul e na capital baiana.
A PF apreendeu veículos usados pelos traficantes, dinheiro e cheques. Os agentes recuperaram R$ 100 mil reais em espécie em Minas Gerais e no Mato Grosso, além de R$ 400 mil em cheques.
- Desde dezembro temos procurado drogas de maneira a fazer uma vinculação com os líderes da organização criminosa, que normalmente não colocam a mão na droga. Agora os líderes estão identificados e já foram presos - disse Freitas.
Todos os presos vão responder pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, cujas penas variam de 5 a 15 anos e 3 a 10 anos, respectivamente.
Nesta terça-feira, foi feita pela Polícia Civil de Uberlândia uma apreensão de 11 tabletes de pasta base de cocaína na lateral de uma picape com placas de Brasília. Seis pessoas foram presas.
Triângulo Mineiro usado como rota de 4 quadrilhas e depósito de drogas
Em março passado, na Operação Alfa, a Polícia Federal prendeu quatro pessoas na região do Triângulo Mineiro por tráfico internacional de drogas. No total, 42 veículos foram apreendidos - 20 deles no estado de São Paulo - e quatro armas. Sessenta e cinco pessoas foram apontadas como suspeitas, entre elas empresários da construção civil, turismo, comércio de automóveis e advogados.
As cidades de Uberlândia e Ituiutaba são consideradas rotas importantes das quadrilhas de tráfico internacional. Nada menos do que quatro organizações criminosas foram identificadas no decorrer das investigações, todas operando com cocaína de origem boliviana. Uma delas atuava por meio de uma construtora do Mato Grosso que fazia obras em San Matias, na Bolívia. Os caminhões da empresa eram usados para trazer carregamentos de cocaína da Bolívia para o Brasil. Outra quadrilha usava aviões para transportar a droga e jogá-las em fazendas de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais.
Em maio de 2008, três traficantes foram presos com 58 quilos de cocaína e condenados a penas entre 7 e 8 anos de prisão. Os três homens quase foram libertados em março deste ano por meio de um alvará de soltura falso. A fuga só não aconteceu porque uma servidora da 2ª Vara Criminal de Uberlândia desconfiou e verificou as informações no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em junho deste ano, a polícia de Uberlândia apreendeu 700 kg de maconha. Uma casa na cidade era usada como depósito para a droga que vinha da Bolívia escondida em caminhões de carvão, que disfarçavam o cheiro. Foi a maior apreensão na cidade nos últimos três anos. O homem preso com a droga já havia sido condenado por tráfico, mas havia sido transferido para o regime semiaberto.
Marcelle Ribeiro
O Globo
DEUS E PODEROSO JUSTO E FIL, NUNCA FALLHA E TUDO VE MESMO.
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