terça-feira, 27 de setembro de 2016

Nasce o primeiro 'filho de três pessoas', graças a novo tratamento


Bebê de 5 meses tem material genético de pai, mãe e doadora. Entenda a técnica

RIO - Um menino de 5 meses é o primeiro bebê nascido a partir de uma técnica de fertilização que usa material genético de três pessoas. A notícia foi detalhada em uma reportagem da revista científica "New Scientist". A criança recém-nascida, identificada apenas como I.H. por questão de privacidade, tem a maior parte de seu DNA herdada de seu pai e sua mãe, mas uma pequena parcela de seu código genético vem de uma doadora.

A grande vantagem da controversa técnica é permitir que pais e mães com uma rara mutação genética tenham bebês saudáveis. Até hoje, essa forma de fertilização só foi aprovada no Reino Unido. Contudo, o primeiro bebê nascido a partir da técnica tem pais jordanianos, que receberam tratamento de uma equipe americana no México. Embriologistas ouvidos pela revista acham que esse nascimento pode acelerar a discussão e a aprovação da técnica em outros países do mundo.

"É revolucionário", disse à "New Scientist" o cientista Dusko Ilic, do King's College London.

Segundo a publicação, a mãe de I.H. carrega genes da síndrome de Leigh, uma doença letal que atinge o sistema nervoso em desenvolvimento. Os genes dessa doença ficam na mitocôndria, organela que fornece energia para a célula. A mitocôndia reúne 37 genes que são passados pelas mães a seus filhos. Estas informações genéticas ficam separadas da maior parte do DNA, localizada no núcleo da célula.

Cerca de 25% da mitocôndria da mãe do bebê têm a mutação problemática que causa a doença. Mesmo sendo saudável, ela teve dois filhos que nasceram com a síndrome de Leigh e morreram. Por isso, a mulher e seu marido buscaram a ajuda de médicos no New Hope Fertility Center (Centro de Fertilidade Nova Esperança), em Nova York.

Técnica evita que filhos herdem distúrbios mitocondriais da mãe - Divulgação/OHSU

Há poucas formas de realizar esse tratamento. O método aprovado no Reino Unido consiste em fertilizar o óvulo da mãe e da doadora com o esperma do pai. Antes que os óvulos fertilizados comecen a se dividir em embriões primários, cada núcleo é removido. Então, o núcleo do óvulo fertilizado da doadora é removido e substituído pelo núcleo do óvulo fertilizado da mãe. A partir daí, desenvolve-se um embrião com muito mais material genético dos pais do que da doadora.

Essa maneira, porém, não era apropriada para a família de jordanianos, uma vez que, por serem muçulmanos, eles se opõem à destruição de embriões. O especialista John Zhang, da clínica em Nova York, então, tomou uma rota diferente. Ele retirou o núcleo de um dós óvulos da mãe e inseriu o material no óvulo de uma doadora, cujo núcleo já tinha sido removido. O óvulo resultante, com o material nuclear de Shaban e o DNA mitocondrial da doadora, foi, então, fertilizado com o esperma do pai.

Foram criados cinco embriões, mas só um deles se desenvolveu corretamente. Este embrião foi implantado no útero de Shaban, e, nove meses depois, no último dia 6 de abril, nasceu o pequeno I.H.. Saudável. O feito será apresentado oficialmente no Congresso Científico da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva.

Fonte: O Globo

ONU DISPONIBILIZA PLANOS DE AULA PARA PROFESSORES TRABALHAREM GÊNERO NA ESCOLA


A discussão sobre educação de gênero nas escola já é uma pauta discutida há algum tempo, porém o entendimento disso ainda é superficial. Não se leva em consideração que todas as nossas relações são pautadas pela maneira como nos enxergamos e enxergamos ao outro. Já existe educação de gênero nas escolas, mesmo que silenciosa, e ela não é inclusiva.

A ONU – Organização das Nações Unidas lançou, em parceria com a iniciativa O Valente não é Violento, organizou e publicou um currículo de gênero que pode ser implantado com facilidade nas escolas e mudar essa realidade. O projeto foi financiado pelo União Europeia e revisado pela área de Projetos de Educação da UNESCO.

A ideia é atingir alunos do ensino médio com debates,discussões e materiais que os façam refletir sobre as relações que criam entre si e como todas elas são influenciadas por papéis de gênero e amarras sociais.

As aulas falam sobre (1) Sexo, gênero e poder; (2) Violências e suas interfaces; (3) Estereótipos de gênero e esportes; (4) Estereótipos de gênero, raça/etnia e mídia; (5) Estereótipos de gênero, carreiras e profissões: diferenças e desigualdades; e (6) Vulnerabilidades e prevenção. Os documentos trazem referências, bibliografia e até indicação de filmes que abordam as questões.

Todas as aulas estão disponíveis para download e os profissionais que quiserem discutir o currículo ou falar sobre sua aplicação podem entrar em contato com a instituição pelo e-mail ovalentenaoeviolento@gmail.com

Fonte: ondda.com

Bola de fogo é vista cruzando o céu da Austrália


Fenômeno foi visto na noite de ontem e assustou os moradores de Queensland.


Os moradores da parte central de Queensland, na Austrália, foram surpreendidos por um clarão no céu acompanhado de um forte tremor de terra na noite da última segunda-feira. “Um impacto proveniente de um meteoro parece a melhor explicação até o momento para o estrondo e o brilho do fenômeno”, afirmou David Parkinson, professor de cosmologia da Universidade de Queensland ao site local The Gladstone Observer.

Meteoros são produzidos por fragmentos de asteroides que, ao entrarem em contato com a atmosfera da Terra, deixam um rastro brilhante no céu – popularmente conhecido como estrela cadente. A incandescência é resultado do atrito do objeto com o ar, e a onda de choque pode eventualmente resultar em leves tremores.

Uma representante do departamento de pesquisas geológicas do governo australiano, Geosciences Australia, confirmou que houve um tremor na região próxima às 20h30 no horário local, e informou que não se tratava de um terremoto.

Moradores da região relataram o ocorrido nas redes sociais, afirmando que viram a bola de fogo cruzar o céu e logo depois sentiram um tremor em suas casas. De acordo com o Observer, a polícia local recebeu diversas ligações de pessoas afirmando terem visto a mesma coisa. Em uma página do Facebook, Jacques Reimers relata que estava na praia de Boyne Island quando viu o clarão no céu. No instante seguinte, ouviu o estrondo e sentiu o impacto em seu carro. “Foi uma experiência incrível”, afirmou.

Fonte: veja.com

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Psicologia e Comportamento Idosos órfãos de filhos vivos são os novos desvalidos do século XXI



Por Ana Fraiman, Mestre em Psicologia Social pela USP


Atenção e carinho estão para a alegria da alma, como o ar que respiramos está para a saúde do corpo. Nestas últimas décadas surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões

A ordem era essa: em busca de melhores oportunidades, vinham para as cidades os filhos mais crescidos e não necessariamente os mais fortes, que logo traziam seus irmãos, que logo traziam seus pais e moravam todos sob um mesmo teto, até que a vida e o trabalho duro e honesto lhes propiciassem melhores condições. Este senhor, com olhos sonhadores, rememorava com saudade os tempos em que cavavam buracos nas terras e ali dormiam, cheios de sonho que lhes fortalecia os músculos cansados. Não importava dormir ao relento. Cediam ao cansaço sob a luz das estrelas e das esperanças.

A evasão dos mais jovens em busca de recursos de sobrevivência e de desenvolvimento, sempre ocorreu. Trabalho, estudos, fugas das guerras e perseguições, a seca e a fome brutal, desde que o mundo é mundo pressionou os jovens a abandonarem o lar paterno. Também os jovens fugiram da violência e brutalidade de seus pais ignorantes e de mau gênio. Nada disso, porém, era vivido como abandono: era rompimento nos casos mais drásticos. Era separação vivida como intervalo, breve ou tornado definitivo, caso a vida não lhes concedesse condição futura de reencontro, de reunião.


Separação e responsabilidade


Assim como os pais deixavam e, ainda deixam seus filhos em mãos de outros familiares, ao partirem em busca de melhores condições de vida, de trabalho e estudos, houve filhos que se separaram de seus pais. Em geral, porém, isso não é percebido como abandono emocional. Não há descaso nem esquecimento. Os filhos que partem e partiam, também assumiam responsabilidades pesadas de ampará-los e aos irmãos mais jovens. Gratidão e retorno, em forma de cuidados ainda que à distância. Mesmo quando um filho não está presente na vida de seus pais, sua voz ao telefone, agora enviada pelas modernas tecnologias e, com ela as imagens nas telinhas, carrega a melodia do afeto, da saudade e da genuína preocupação. E os mais velhos nutrem seus corações e curam as feridas de suas almas, por que se sentem amados e podem abençoá-los. Nos tempos de hoje, porém, dentro de um espectro social muito amplo e profundo, os abandonos e as distâncias não ocupam mais do que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas. Nasceu uma geração de ‘pais órfãos de filhos’. Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que cedem seus créditos consignados para filhos contraírem dívidas em seus honrados nomes, que lhes antecipam herança. Mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão – talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo – mas da crença de que seus pais se bastam.

Este estilo de vida, nos dias comuns, que não inclui conversa amena e exclui a ‘presença a troco de nada, só para ficar junto’, dificulta ou, mesmo, impede o compartilhar de valores e interesses por parte dos membros de uma família na atualidade, resulta de uma cultura baseada na afirmação das individualidades e na política familiar focada nos mais jovens, nos que tomam decisões ego-centradas e na alta velocidade: tudo muito veloz, tudo fugaz, tudo incerto e instável. Vida líquida, como diz Zygmunt Bauman, sociólogo polonês. Instalou-se e aprofundou-se nos pais, nem tão velhos assim, o sentimento de abandono. E de desespero. O universo de relacionamento nas sociedades líquidas assegura a insegurança permanente e monta uma armadilha em que redes sociais são suficientes para gerar controle e sentimento de pertença. Não passam, porém de ilusões que mascaram as distâncias interpessoais que se acentuam e que esvaziam de afeto, mesmo aquelas que são primordiais: entre pais e filhos e entre irmãos. O desespero calado dos pais desvalidos, órfãos de quem lhes asseguraria conforto emocional e, quiçá material, não faz parte de uma genuína renúncia da parte destes pais, que ‘não querem incomodar ninguém’, uma falsa racionalidade – e é para isso que se prestam as racionalizações – que abala a saúde, a segurança pessoal, o senso de pertença. É do medo de perder o pouco que seus filhos lhes concedem em termos de atenção e presença afetuosa. O primado da ‘falta de tempo’ torna muito difícil viver um dia a dia em que a pessoa está sujeita ao pânico de não ter com quem contar.

A irritação por precisar mudar alguns hábitos. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões. Desde os poucos minutos dos sinais luminosos para se atravessar uma rua, até as grandes filas nos supermercados, a dificuldade de caminhar por calçadas quebradas e a hesitação ao digitar uma senha de computador, qualquer coisa que tire o adulto de seu tempo de trabalho e do seu lazer, ao acompanhar os pais, é causa de irritação. Inclusive por que o próprio lazer, igualmente, é executado com horário marcado e em espaço determinado. Nas salas de espera veem-se os idosos calados e seus filhos entretidos nos seus jornais, revistas, tablets e celulares. Vive-se uma vida velocíssima, em que quase todo o tempo do simples existir deve ser vertido para tempo útil, entendendo-se tempo útil como aquele que também é investido nas redes sociais. Enquanto isso, para os mais velhos o relógio gira mais lento, à medida que percebem, eles próprios, irem passando pelo tempo. O tempo para estar parado, o tempo da fruição está limitado. Os adultos correm para diminuir suas ansiosas marchas em aulas de meditação. Os mais velhos têm tempo sobrante para escutar os outros, ou para lerem seus livros, a Bíblia, tudo aquilo que possa requerer reflexão. Ou somente uma leve distração. Os idosos leem o de que gostam. Adultos devoram artigos, revistas e informações sobre o seu trabalho, em suas hiper especializações. Têm que estar a par de tudo just in time – o que não significa exatamente saber, posto que existe grande diferença entre saber e tomar conhecimento. Já, os mais velhos querem mais é se livrar do excesso de conhecimento e manter suas mentes mais abertas e em repouso. Ou, então, focadas naquilo que realmente lhes faz bem como pessoa. Restam poucos interesses em comum a compartilhar. Idosos precisam de tempo para fazer nada e, simplesmente recordar. Idosos apreciam prosear. Adultos têm necessidade de dizer e de contar. A prosa poética e contemplativa ausentou-se do seu dia a dia. Ela não é útil, não produz resultados palpáveis.


A dificuldade de reconhecer a falta que o outro faz.


Do prisma dos relacionamentos afetivos e dos compromissos existenciais, todas as gerações têm medo de confessar o quanto o outro faz falta em suas vidas, como se isso fraqueza fosse. Montou-se, coletivamente, uma enorme e terrível armadilha existencial, como se ninguém mais precisasse de ninguém. A família nuclear é muito ameaçadora. para o conforto, segurança e bem-estar: um número grande de filhos não mais é bemvindo, pais longevos não são bem tolerados e tudo isso custa muito caro, financeira, material e psicologicamente falando. Sobrevieram a solidão e o medo permanente que impregnam a cultura utilitarista, que transformou as relações humanas em transações comerciais. As pessoas se enxergam como recursos ou clientes. Pais em desespero tentam comprar o amor dos filhos e temem os ataques e abandono de clientes descontentes. Mas, carinho de filho não se compra, assim como ausência de pai e mãe não se compensa com presentes, dinheiro e silêncio sobre as dores profundas as gerações em conflito se infringem. Por vezes a estratégia de condutas desviantes dão certo, para os adolescentes conseguirem trazer seus pais para mais perto, enquanto os mais idosos caem doentes, necessitando – objetivamente – de cuidados especiais. Tudo isso, porém, tem um altíssimo custo. Diálogo? Só existe o verdadeiro diálogo entre aqueles que não comungam das mesmas crenças e valores, que são efetivamente diferentes. Conversar, trocar ideias não é dialogar. Dialogar é abrir-se para o outro. É experiência delicada e profunda de auto revelação. Dialogar requer tempo, ambiente e clima, para que se realizem escutas autênticas e para que sejam afastadas as mútuas projeções. O que sabem, pais e filhos, sobre as noites insones de uns e de outros? O que conversam eles sobre os receios, inseguranças e solidão? E sobre os novos amores? Cada geração se encerra dentro de si própria e age como se tudo estivesse certo e correto, quando isso não é verdade.

A dificuldade de reconhecer limites característicos do envelhecimento dos pais. Este é o modelo que se pode identificar. Muito mais grave seria não ter modelo. A questão é que as dores são tão mascaradas, profundas e bem alimentadas pelas novas tecnologias, inclusive, que todas as gerações estão envolvidas pelo desejo exacerbado de viver fortes emoções e correr riscos desnecessários, quase que diariamente. Drogas e violência toldam a visão de consequências e sequestram as responsabilidades. Na infância e adolescência os pais devem ser responsáveis pelos seus filhos. Depois, os adultos, cada qual deve ser responsável por si próprio. Mais além, os filhos devem ser responsáveis por seus pais de mais idade. E quando não se é mais nem tão jovem e, ainda não tão idoso que se necessite de cuidados permanentes por parte dos filhos? Temos aí a geração de pais desvalidos: pais órfãos de seus filhos vivos. E estes respondem, de maneira geral, ou com negligência ou, com superproteção. Qualquer das formas caracteriza maus cuidados e violência emocional.

Na vida dos mais velhos alguns dos limites físicos e mentais vão se instalando e vão mudando com a idade. Dos pais e dos filhos. Desobrigados que foram de serem solidários aos seus pais, os filhos adultos como que se habituaram a não prestarem atenção às necessidades de seus pais, conforme envelhecem. Mantêm expectativas irrealistas e não têm pálida ideia do que é ter lutado toda uma vida para se auto afirmar, para depois passar a viver com dependências relativas e dar de frente com a grande dor da exclusão social. A começar pela perda dos postos de trabalho e, a continuar, pela enxurrada de preconceitos que se abatem sobre os idosos, nas sociedades profundamente preconceituosas e fóbicas em relação à morte e à velhice. Somente que, em vez de se flexibilizarem, uns e outros, os filhos tentam modificar seus pais, ensinando-lhes como envelhecer. Chega a ser patético. Então, eles impõem suas verdades pós-modernas e os idosos fingem acatar seus conselhos, que não foram pedidos e nem lhes cabem de fato.

De onde vem a prepotência de filhos adultos e netos adolescentes que se arrogam saber como seus pais e avós devem ser, fazer, sentir e pensar ao envelhecer? É risível o esforço das gerações mais jovens, querendo educa-los, quando o envelhecimento é uma obra social e, mais, profundamente coletiva, da qual os adultos de hoje – que justa, porém indevidamente – cultivam os valores da juventude permanente e, da velhice não fazem a mais pálida ideia. Além do que, também não têm a menor noção de como haverão eles próprios de envelhecer, uma vez que está em curso uma profunda mudança nas formas, estilos e no tempo de se viver até envelhecer naturalmente e, morrer a Boa Morte. Penso ser uma verdadeira utopia propor, neste momento crítico, mudanças definidas na interação entre pais e filhos e entre irmãos. Mudanças definidas e, de nenhuma forma definitivas, porém, um tanto mais humanas, sensíveis e confortáveis. O compartilhar é imperativo. O dialogar poderá interpor-se entre os conflitos geracionais, quem sabe atenuando-os e reafirmando a necessidade de resgatar a simplicidade dos afetos garantidos e das presenças necessárias para a segurança de todos.

Quando a solidão e o desamparo, o abandono emocional, forem reconhecidos como altamente nocivos, pela experiência e pelas autoridades médicas, em redes públicas de saúde e de comunicação, quem sabe ouviremos mais pessoas que pensam desta mesma forma, porém se auto impuseram a lei do silêncio. Por vergonha de se declararem abandonados justamente por aqueles a quem mais se dedicaram até então. É necessário aprender a enfrentar o que constitui perigo, alto risco para a saúde moral e emocional para cada faixa etária. Temos previsão de que, chegados ao ano de 2.035, no Brasil haverá mais pessoas com 55 anos ou mais de idade, do que crianças de até dez anos, em toda a população. E, com certeza, no seio das famílias. Estudos de grande envergadura em relação ao envelhecimento populacional afirmam que a população de 80 anos e mais é a que vai quadruplicar de hoje até o ano de 2.050. O diálogo, portanto, intra e intergeracional deve ensaiar seus passos desde agora. O aumento expressivo de idosos acima dos 80 anos nas políticas públicas ainda não está, nem de longe, sendo contemplado pelas autoridades competentes. As medidas a serem tomadas serão muito duras. Ninguém de nós vai ficar de fora. Como não deve permanecer fora da discussão sobre o envelhecimento populacional mundial e as estratégias para enfrentá-lo.


Fonte: Pazes

sábado, 17 de setembro de 2016

Bélgica aplica pela 1º vez eutanásia em um paciente menor de 18 anos

O médico belga Marc Van Hoey, presidente da associação Direito à morte, fala sobre a prática a jornalistas - Yves Logghe / AP


País europeu é o único que permite morte assistida em pessoas de todas as idades


Bruxelas - Um jovem de 17 anos morreu de forma assistida neste sábado, na Bélgica, na primeira aplicação de uma nova lei adotada pelo país em 2014, que permite a eutanásia em pessoas de todas as idades. A notícia é do jornal “Het Nieuwsblad”, que não divulgou a identidade nem a doença do paciente.

Wim Distelmans, presidente do Comissão Federal de Controle e Avaliação sobre a Eutanásia na Bélgica, disse em um comunicado enviado por e-mail que o primeiro caso foi relatado para a sua comissão por um médico local na semana passada.

A Bélgica legalizou a eutanásia em 2002, e dois anos depois fez uma emenda na lei que permitia a morte assistida por médicos a menores de idade, em casos extremos e e com consentimento explícito dos pacientes e dos pais. É o único país onde isso é permitido a pessoas de todas as idades. Na Holanda, uma lei permite a morte assistida apenas em crianças a partir de 12 anos, mas a aplicação da eutanásia ainda provoca polêmica. Um dos casos mais recentes é o de uma jovem de 20 anos, vítima de depressão e anorexia após sofrer um abuso sexual, que recebeu autorização para se submeter a eutanásia por injeção letal. O fato gerou revolta em países vizinhos.

Entre 2003 e 2013, quase 9 mil pessoas morreram de forma assistida na Bélgica, segundo dados Comissão Federal de Controle e Avaliação sobre a Eutanásia do país.

Fonte: O Globo



sábado, 10 de setembro de 2016

Ainda considerado tabu, suicídio pode ser prevenido com tratamento aos primeiros sintomas

Após receber tratamento, Érica Toledo superou a depressão e nunca mais pensou em suicídio
Crédito: Arquivo Pessoal


Últimos dados do Ministério da Saúde mostram que, a cada 45 minutos, uma pessoa se mata no país. No entanto, estudos da Organização Mundial de Saúde indicam que 90% dos suicídios poderiam ser evitados, se essas pessoas tivessem mais acesso a tratamentos.

Por Athos Moura

Em 2010, durante uma depressão profunda, a professora mineira Érica Toledo, de 39 anos, chegou a planejar o suicídio duas vezes. O casamento dela havia acabado e seu pai foi diagnosticado com Alzheimer. Hoje, Érica consegue falar sobre seus problemas, mas só depois de ter buscado tratamento.

"Foi a primeira vez que eu falei sobre isso. Eu não tinha com quem falar. Suicídio é um tabu na sociedade. Você não tem a menor abertura pra dizer isso, como você vai falar isso com alguém? Foi a primeira vez que falei sobre isso e a pessoa me ouviu sem preconceito. Aquilo foi libertador, foi catártico, sublimei tudo que tinha de negativo das minhas experiências de vida. Era possível seguir adiante. Nunca mais pensei nisso. Claro que tenho momentos de tristeza, mas me libertei de muita coisa", contou a professora.

Falar sobre suicídio é um tabu que precisa ser quebrado. É o que defendem especialistas e pessoas que já cogitaram se matar. O dia dez de setembro é o dia mundial de prevenção ao suicídio e, baseado nele, foi criada a campanha Setembro Amarelo, para alertar para o problema. Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, o Sistema de Informação de Mortalidade registrou 10.653 mortes por suicídio em 2014. É o mesmo que dizer que, a cada 45 minutos, uma pessoa se matou no país.

Mas esse dado podia ser menor. Um estudo da Organização Mundial de Saúde diz que, por ano, oitocentas mil pessoas se matam no mundo, mas 90% dessas vidas poderiam ser preservadas, caso recebessem tratamento adequado.

Ainda de acordo com a OMS, 36% dessas pessoas possuem problemas relacionados a transtornos afetivos, que são doenças como bipolaridade e depressão; 23% são dependentes químicos; e 10% possuem outros transtornos como ansiedade e esquizofrenia. O restante sofre de outras doenças.

O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antonio Geraldo da Silva, explica que é preciso ficar atento aos sinais de que a pessoa não está bem e ressalta que o tratamento é essencial para prevenir o suicídio.

"A gente acha que o mais importante é fazer a intervenção precoce. Mostrar para essas pessoas que nós temos inúmeros casos de sucesso de bom tratamento que fez a pessoa perder para sempre a ideia de suicídio. Não se tem ideia de suicídio sem se ter uma doença psiquiátrica. Portanto, se a pessoa tem acesso ao tratamento, ela vai perder a ideia de suicídio e vai perder a possibilidade de cometer suicídio", disse o psiquiatra.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio, Robert Paris, é um dos organizadores do Simpósio Internacional de Valorização da Vida, que acontece sempre em setembro, no Brasil, mas atrai pessoas de todo o mundo. Ele explica que o objetivo do encontro é criar redes regionais ou nacionais de prevenção, para auxiliar pessoas que estejam pensando em se matar.

"O que acontece nesse simpósio é uma troca de ideia, uma abertura de horizonte, para que a gente ache os caminhos para a prevenção de suicídio. Cada um dá a sua contribuição. O maior objetivo são formações de redes nacionais ou regionais de ações que possam efetivamente aumentar o apoio de quem procura ou deixar mais informações e lugares disponíveis para que se procure ajuda", alegou Robert.

Para os pesquisadores que participam do simpósio, um exemplo de mobilização da sociedade civil para a prevenção do suicídio é o Centro de Valorização da Vida, que desde 1962 atende pessoas em situação vulnerável. A sede fica em São Paulo, mas há outros 72 espaços de atendimento gratuito espalhados pelo Brasil, com dois mil voluntários.

A empresária Patrícia Fanteza é voluntária no Rio de Janeiro há 16 anos. Segundo ela, muitas pessoas apenas precisam ser ouvidas.

"A gente percebe que em geral as pessoas querem ser ouvidas. Elas querem poder falar de verdade aquilo que estão sentido sem esse medo e receio. Ou então às vezes até mesmo, a gente percebe uma tendência, mesmo que sem querer, das pessoas minimizarem um pouco. E quando elas encontram um espaço neutro, em geral, é como se ela tirasse um peso, como se aliviasse essa pressão", contou a voluntária.

O Centro de Valorização da Vida faz atendimento por telefone e em redes sociais. No âmbito do governo federal, o Ministério da Saúde informou que existem 2.328 Centros de Atendimento Psicossocial pelo país, onde o paciente recebe atendimento próximo da família, assistência médica especializada e cuidado terapêutico.

Fonte: CBN

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Mulher adota 6 irmãs de uma vez só para que elas ficassem juntas


Mulher adota 6 irmãs de uma vez só para que elas ficassem juntas

A coisa mais triste para irmãos que passam pelo processo de adoção é saber que um dia eles podem ser separados. Afinal, não é todo mundo que tem condições financeiras e emocionais para adotar mais de uma criança.

Mas, nunca se pode perder a esperança quando existem pessoas como a norte-americana Lacey Dunkin.

Em 2011, ela adotou seis irmãs de uma vez só, incluindo uma recém-nascida, para que elas não fossem separadas e tivessem seus corações partidos pela distância umas das outras.

“Elas [filhas] me trazem muita alegria e caos, mas a vida seria tão vazia, sem graça e chata sem elas. É uma honra ser mãe, elas derretem meu coração”, explicou Lacey.

Fonte: Razões para acreditar

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

APROXIME-SE DOS SEUS FILHOS, NÃO SE DISTANCIE!

APROXIME-SE DOS SEUS FILHOS, NÃO SE DISTANCIE!
"A mente é maravilhosa"

Com o estilo de vida que levamos, cada vez nos encontramos mais ocupados e sem tempo para nos dedicar a nós mesmos e às pessoas que mais amamos. Nesse contexto encontram-se nossos filhos, os principais afetados que veem como seus pais vão se distanciando cada vez mais deles.

Quando pensamos em ter filhos, analisar se vamos poder fornecer a eles uma estabilidade econômica e encontrar uma resposta afirmativa é importante na hora de dar esse grande passo. Mas nos esquecemos de que antes da estabilidade econômica temos que analisar se podemos e estamos dispostos a compartilhar tempo de qualidade com eles. Podemos dar um quarto impressionante com muitos e muitos brinquedos, cheios de livros com ilustrações fantásticas, mas se não há com quem brincar ou quem leia para eles, não fará diferença.
Um filho dá um monte de alegrias mas também nos traz muitos desafios. Perguntas e mais perguntas, para as quais por vezes não temos resposta, mas que de alguma maneira temos que responder. Para isso temos que ouvi-los, conhecê-los e transmitir para eles nosso carinho, fazê-los entender que podem contar conosco. Isso pode se dar já com seus avós, com seus irmãos, seus tios, sua babá se houver. Mas o mais importante é o reconhecimento dos pais.

Ter filhos não nos torna pais automaticamente, assim como ter um piano não nos torna pianistas.

A síndrome dos pais ausentes nos filhos

Talvez pensemos que tudo o que falamos até então não seja tão grave assim, ou é isso que queremos acreditar. A verdade é que podemos estar provocando em nossos filhos uma síndrome chamada síndrome do pai ausente, em que ainda que o pai esteja presente, encontra-se inacessível emocionalmente.

Só nossa presença não basta para nossos filhos

Devemos estar ali para eles, falar, compreendê-los, compartilhar coisas, sonhar juntos. É muito importante ter isso em mente se não queremos que nossos filhos comecem a desenvolver condutas que não nos agradam, como essas a seguir:

Problemas para respeitar as regras ou a autoridade em todos os âmbitos.
Incapacidade para fazer um trabalho até o fim.
Indisciplina e falta de iniciativa.
Condutas abusivas com os companheiros.
Falta de sinceridade.
Ainda que não acreditemos, todos esses problemas que tentamos resolver por meio de gritos ou castigo têm uma só origem: nós mesmos. Estamos fazendo as coisas de uma forma muito ruim, e não nos damos conta. Não devemos ser pais ausentes, devemos ser pais presentes.

Não se mate trabalhando para dar tudo do bom e do melhor para o seu filho. Quando eles crescerem não se lembrarão dos presentes e dos brinquedos, mas sim dos momentos que passaram com você.


O desenvolvimento cerebral pode ser afetado


Os problemas anteriormente descritos já são graves e difíceis de resolver, mas você sabia que o desenvolvimento cerebral de nossos filhos pode ser gravemente afetado por nosso comportamento distante? Isso não é uma afirmação aleatória, é o resultado de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Sichuan.

Nesse estudo chegou-se à conclusão de que as crianças que passam muito tempo sem seus pais, sem manter um contato verdadeiro e próximo com eles, sem estabelecer um vínculo emocional, sem passar tempo juntos de verdade, manifestam um atraso no desenvolvimento cerebral.

O cérebro permanece imaturo. As áreas relacionadas com as emoções não se desenvolvem do jeito devido e, por isso, há uma resposta deficiente em relação a esses estímulos aos quais as crianças não foram expostas.

Mas podemos pensar que isso só tem a ver com as emoções, quando realmente tem a ver com muito mais. O estudo também descobriu que ter pais ausentes pode provocar graves problemas de aprendizagem, assim como um quociente intelectual muito menor.

“Dê a mão ao seu filho cada vez que tiver a oportunidade. Chegará ao momento em que nunca deixará de fazê-lo”
-H. Jackson Brown-

Em algumas ocasiões, não há nenhuma diferença entre um pai que passa tempo com seus filhos e aquele que quase nunca os vê. O importante é saber se aproximar deles, compartilhar coisas, falar e prestar atenção. O problema dos adultos é que consideramos que nossas preocupações são mais importantes quando, na realidade, não há nada mais importante que estar ali para nossos filhos.

Não são só os problemas que, como vimos, podem surgir da distância, mas também o valioso tempo que estamos perdendo e a irresponsabilidade que é não estar lá para ensinar aos nossos filhos como dar seus primeiros passos nesse mundo. Pensemos um momento em quando éramos pequenos, não precisávamos de pais presentes?

Fonte: O Segredo




quinta-feira, 25 de agosto de 2016

SÍNDROME DE PENSAMENTO ACELERADO

Desde sempre se ouviu falar em hiperactividade, esta é caracterizada por uma ansiedade psicomotora, inquietação e agitação do pensamento articulado à linguagem. A este tipo de Hiperactividade designamos por – Hiperactividade genética.

O que acontece nos nossos dias e está a acontecer muito nas nossas escolas, é que as nossas crianças estão a ser todas catalogadas como hiperactivas. Os meninos(as) não param nas cadeiras, tem défices de atenção, são respondonas e muitas vezes respondem coisas adversas aquilo que lhes é questionado,… entra muitas outras coisas. – A este tipo de hiperactividade, designamos Hiperactividade Funcional.

O que muitos pais e professores desconhecem é que a origem da hiperactividade(Funcional) está relacionada com o, SPA – Síndrome de Pensamento Acelerado*.

A televisão e os jogos de computador, apresentam estímulos alucinantes visuais, cheios de cores e padrões que o nosso cérebro capta em milésimos de segundo em conjunto com os mais diversos estímulos sonoros. Mostram mais de sessenta personagem por hora, com diversas características e personalidades e é com estas personagens (Pessoas destemidas, irreverentes, tristes, alegres, sorridentes, mal criadas, verdadeiros “artistas”), que os nossos filhos vivem e pior do que isso, se identificam e nos comparam. Pelo menos quatro horas por dia, quando não é mais em alguns dos casos. Lamentavelmente, muitos pais já colocam bebés de seis meses e ainda mais pequenos, à frente da caixinha maravilha lá de casa chamada: televisão, ao quatro anos, oferecem PSP`s, NIntendos e outros.

Os resultados são muito mais graves, do que os pais e professores podem pensar.

A maior consequência dos estímulos é contribuir para o desenvolvimento do SPA, as crianças geram compulsão nos seus comportamentos, para tentar aliviar e compensar a falta dos estímulos, assim como um dependente necessita das drogas.

Sintomas:

Fadiga excessiva, sem exercício físico; sono insuficiente; irritabilidade, sofrimento por antecipação, esquecimento, défice de concentração, aversão à rotina e por vezes sintomas psicossomáticos como: dores musculares, taquicardia, gastrite, etc.

* Autor e investigador Dr.º Augusto Curry

Fonte: Espaço Psi

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A importância de brincar sem brinquedo

Um foguete, uma varinha mágica, um trem ou qualquer tipo de animal estão entre as muitas formas que um simples graveto pode tomar pela criatividade e imaginação (principalmente) das crianças. O exercício é importante para o desenvolvimento e para a construção autoral dos pequenos e, ter esta consciência, ajuda os adultos a garantir que haja momentos livres de brinquedos prontos.
“É preciso não planejar tantas atividades e não deixar tantas opções de brinquedos com uma função específica disponível”, afirma Tatiana Weberman, responsável pelo SlowKids, movimento que propõe a desaceleração para a infância. “Deixar menos opções, muitas vezes, é abrir uma porta para a criatividade e uma vastidão de possibilidades.”
Criadora da plataforma de brincadeiras Massacuca, Graziela Iacooca, conta que, ao contrário de muitos adultos, as crianças não precisam de instruções para brincar com objetos do cotidiano. “A nossa proposta é tirar o lúdico de objetos normais, o que a criança sabe fazer. Estamos ensinando os adultos a disponibilizar isso para os pequenos”, comenta.
O caso mais famoso é o tradicional baú de tesouros. Basta uma caixa, balde ou sacola e diferentes objetos da casa, como utensílios de cozinha em tamanhos e materiais variados. “Daí podem sair narrativas de histórias incríveis ou um bolo ou qualquer coisa que a criança queira e ela vai se divertir não apenas com os objetos, mas com a criação”, comenta Graziela.
Construções das crianças podem ser ricas de significado. Foto: Território do Brincar
Os mesmos objetos podem ser também contornados, congelados, ornamentados, mergulhados na água, enterrados e assim por diante. “Não somos exatamente contra brinquedos, mas contra o excesso de brinquedos e contra os que têm uma função específica”, explica.
Um animal bem pequeno, por exemplo, pode ser colocado dentro de uma bexiga com água, congelado e depois se transformar em um ovo a ser quebrado para retirar o bicho de lá de dentro.
O brincar espontâneo é objeto de pesquisa da cineasta Renata Meirelles. Por conta disso, viajou por 9 estados e estabeleceu-se em 14 comunidades diferentes durante 1 a 3 meses para estudar o assunto e produzir o documentário Território do Brincar, lançado este ano. “O foco foi sempre entender o que a criança faz, elas que dizem o que querem nos mostrar”, conta.
Ela e o marido viajaram com os dois filhos, agora com 6 e 8 anos, que também participavam das brincadeiras. Os destinos escolhidos foram locais com pouca estrutura como o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, ou o Recôncavo Baiano.
“A gente viu muitas que não se utilizam de brinquedos comprados, industrializados, elas reúnem o nada e organizam para compor o que elas brincam”, explica, ainda com o encanto da riqueza percebida. “Nesta busca, ela consegue se ver representada por aquelas coisas que ela fez, compôs, arrumou. Cria um diálogo grande com quem ela é.”
Para ela, há um “sufocamento da própria infância” com a quantidade de brinquedos de que algumas são cercadas. “Mesmo os brinquedos mais comuns, como carrinhos e barquinhos, para os meninos, quando são feitos por eles, com latas, tábuas, chinelos, pneus e uma gama de objetos contam uma história e geram um vínculo diferente.”
Ela conta que impressionam os detalhes, por exemplo, em casinhas com panos colocados como toalhas de mesa e flores para decorar. “Foi incrível a diversidade de composições de brinquedos e brincadeiras”, comenta.
Os filhos levaram uma mala de brinquedos que também eram compartilhados e costumavam interessar às demais crianças. “Certamente se você falar que vai dar, eles querem, mas sabem distinguir. Eles dizem, por exemplo, que brinquedo comprado ‘quebra’, ou seja, os deles, em sua percepção, são apenas modificados.”
Para ela, entre tantas lições do projeto Território do Brincar, uma bastante clara é que a infância precisa do ócio e da ausência de brinquedos prontos para que possam acessar os próprios desejos, vontades e interesses. “Elas conseguem concretizar na prática seus sonhos com sua imaginação.”

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