Alegações de abuso em instituições católicas holandesas se multiplicaram após denúncia de ex-alunos
Pelo menos 11 meninos foram castrados enquanto estavam aos cuidados da Igreja Católica, na Holanda, nos anos 50, segundo uma reportagem do jornal NRC Handelsblad.
Um rapaz foi castrado em 1956, após contar à polícia que estava sofrendo abusos, segundo o jornal.
O Ministério da Justiça holandês está investigando o papel do governo na época, e parlamentares pediram um inquérito após a publicação da reportagem.
No ano passado, uma investigação na Holanda descobriu que milhares de crianças haviam sofrido abusos em instituições católicas do país a partir de 1945.
'Grave e chocante'
Henk Hethuis, que era aluno de um internato católico, tinha 18 anos quando contou à polícia que um monge holandês estava abusando dele.
Segundo o jornal NRC Handelsblad, ele foi então castrado por ordem de padres católicos e informado de que isso o "curaria" de sua homossexualidade.
O jornal disse que o mesmo aconteceu com pelo menos dez de seus colegas de escola.
Hethuis morreu em um acidente de carro em 1958.
O ministro da Justiça Ivo Opstelten disse que as alegações são "muito graves e chocantes" e prometeu investigar o papel que o governo holandês teve na época.
A Igreja Católica holandesa disse estar disposta a cooperar com investigações para verificar a veracidade da reportagem.
'Cultura do silêncio'
Uma comissão que investigou abusos em instituições católicas holandesas disse, no ano passado, que a Igreja fracassou em lidar com os casos que ocorriam corriqueiramente em escolas, seminários e orfanatos.
A comissão, liderada pelo ex-ministro Wim Deetman, revelou dezenas de milhares de casos de crianças que sofreram abusos que iam de toques inapropriados a estupro, e condenou o que chamou de acobertamento da Igreja e "cultura do silêncio".
O NRC Handelsblad disse que a comissão recebeu uma denúncia sobre os supostos casos de castração em 2010.
Parlamentares anunciaram que pretendem pedir uma audiência formal com Deetman para perguntar por que ele não incluiu a informação em seu relatório.
BBC Brasil
quarta-feira, 21 de março de 2012
Programação marca o 'Dia Internacional da Síndrome de Down'
Em entrevista ao Imirante, geneticista reforça importância da inclusão social.
SÃO LUÍS – Hoje, 21 de março, é o "Dia Internacional da Síndrome de Down". A data homenageia o médico britânico que primeiro relatou a síndrome, em 1862, John Langdon Down. O dia foi escolhido porque faz referência, no calendário americano, à trissomia do cromossoma 21 ("3/21"), conhecida popularmente como "síndrome de Down".
Em São Luís, uma programação especial vai marcar a data comemorativa. A Associação dos Familiares e Amigos dos Down do Maranhão (Afadma) realiza, durante todo o dia, no Jardim Botânico da Vale, na avenida dos Portugueses, o lançamento da "Coleção Incluir", com livros paradidáticos que promovem a inclusão social dos portadores da síndrome de Down voltados para o ambiente escolar. A Afadma solicitou, ainda, uma audiência pública da Câmara Municipal para discutir a melhoria das condições dos serviços prestados aos portadores de Down.
A Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), também, realiza programação especial, com exibição de filmes e distribuição de materiais informativos. A associação, pioneira no auxílio às famílias com portadores de Down, comemora, nesta sexta-feira (23), quarenta anos de fundação no Maranhão.
De acordo com a presidente da Regional Norte-Nordeste da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), a médica geneticista Juliana Rodovalho – ligada à Apae –, a síndrome pode aparecer em qualquer família. "É muito importante procurar um grupo de apoio. Quanto mais próximo o grupo de apoio estiver, melhor para a família", disse em entrevista, pela manhã, ao Imirante. Ela ressalta, ainda, que a família deve procurar o máximo de informações em fontes seguras, como sites de associações que prestam auxílio na área ou de universidades que realizam pesquisas genéticas.
Alguns sinais – como afastamento entre o primeiro e segundo dedo dos pés e excesso de pele na nuca do bebê – apontam, desde cedo, a presença da trissomia do cromossoma, e podem ser detectados, ainda na gestação, por meio de exames médicos. Daí a importância de fazer o pré-natal. "A hipotonia (redução da força muscular) é presente desde o nascimento, então você percebe a dificuldade para o bebê sugar o seio materno e nos marcos do desenvolvimento, como firmar o pescoço sozinho, tentar andar. Então, hoje em dia, com esse tratamento da equipe multidisciplinar, incluindo fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, a pessoa com Down vai sentar na época certa, falar na época certa", afirma a geneticista.
Outros sinais, no entanto, podem ser perigosos para os próprios portadores da síndrome, como a má formação cardíaca. Entre 40% a 50% dos portadores de Down apresentam a má formação cardíaca, que pode ser detectada por meio de um cardiograma, ressalta a médica. "É importante a gente reconhecer cedo, porque é uma das maiores causas de mortalidade na síndrome", diz. Com o avanço da medicina, é possível reverter a má formação por meio de cirurgias cardíacas e prolongar a vida do portador.
Inclusão social
Datas como o 23 de Março ajudam a conscientizar a população para a inclusão social de pessoas portadoras de deficiência ou portadores de alguma síndrome. No caso da síndrome de Down, a data comemorativa serve para uma reflexão da inserção dos portadores no ambiente escolar, quando crianças ou adolescentes, ou, ainda, no mercado de trabalho, quando adultos.
"Geralmente, a própria família reconhece as características clínicas da síndrome. Então, quanto mais você reconhece, começa mais cedo o tratamento precoce, para ter toda uma readaptação, um enfrentamento da família em conjunto, para que ela procure tanto cuidar do filho dela, quanto, também, a educar a sociedade ao seu redor, você consegue, melhor, essa inclusão. A inclusão seria o direito da pessoa com Down, ou com qualquer outra deficiência, seja física ou intelectual, ou sensorial, de estar exercendo sua cidadania. É ter o direito de ir à escola, ter direito à saúde, ao trabalho. Eles conseguem, muito bem, estar executando várias funções na sociedade, ter o seu papel, o seu trabalho, desde que tenha toda uma estrutura de treinamento. A gente deve saber que a diferença está em cada um de nós", finaliza a geneticista.
Imirante
21 de Março: Dia Internacional da Síndrome de Down
O dia 21 de março é uma data importante: é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down.
O dia 21 de março foi escolhido pela associação "Down Syndrome International" para ser o Dia Internacional da Síndrome de Down em referência ao erro genético que a provoca. Todo mundo tem 23 pares de cromossomos. Quem tem Down tem três cromossomos no par de número 21 (daí a data 21/03).
A Síndrome de Down é um acontecimento genético natural e universal. Isso quer dizer que a síndrome não é resultado da ação ou do descuido de mães ou pais, como muitos pensam. E nem é uma doença. Ela é causada por um erro na divisão das células durante a formação do bebê (ainda feto). Só para você ter uma idéia, de cada 700 bebês que nascem, UM tem Síndrome de Down. Por isso, qualquer mulher, independente da raça ou classe social pode ter um bebê Down. Até hoje, a ciência ainda não descobriu os motivos que provocam essa alteração genética, portanto não há como evitar.
Fonte: Meio norte.com
Blog Campanário Net
terça-feira, 20 de março de 2012
Homem preso com drogas em Iguaba foi condenado pelo assassinato do menino João Hélio, afirma PM
Ele já tinha cumprido pena em um abrigo para menores infratores há dois anos
Policiais militares de Iguaba Grande, na região dos Lagos do Rio de Janeiro, prenderam no final da manhã desta terça-feira (20) três homens por envolvimento com tráfico de drogas. De acordo com os PMs, um dos suspeitos é um dos condenados pelo assassinato do menino João Hélio, na zona norte do Rio, em 2007. O suspeito, que era adolescente na época do crime, já tinha cumprido pena em um abrigo para infratores, em 2010.
Os três suspeitos foram abordados pelos policiais quando estavam em um carro particular no bairro de Pedreira. Durante a vistoria do veículo, os policiais encontraram uma arma e drogas.
Eles foram levados para a Delegacia de Iguaba (129º DP). Até às 12h50 desta terça-feira o caso ainda estava sendo registrado e a polícia não tinha informado a quantidade nem o tipo de drogas apreendidas.
O menino João Hélio Fernandes Vieites, que tinha seis anos, morreu após ser arrastado por quatro bairros da zona norte do Rio, preso ao cinto de segurança do carro dos pais. A mãe, uma amiga e a irmã de 13 anos conseguiram escapar, mas o garoto ficou preso ao cinto quando os quatro assaltantes arrancaram com o veículo. Os ladrões ignoraram e continuaram a fuga, arrastando a criança pelo asfalto.
R7
Estudante brasileiro morto na Austrália é identificado
Roberto Curti morreu com arma de choques após perseguição policial em Sydney
A polícia australiana identificou como Roberto Laudisio Curti o cidadão brasileiro que morreu no último domingo (18) pelas descargas de pistolas elétricas durante uma perseguição policial, informou a imprensa local nesta terça-feira (20).
Curti, de 21 anos, estava no país para estudar inglês. Ele chegou no fim de 2011.
Curti morreu após ser perseguido por cinco agentes que usaram pistolas taser e sprays de pimenta para controlá-lo, segundo o diário Sydney Morning Herald. De acordo com o jornal, os policiais perseguiam o rapaz, que estava sem camisa e com as mãos vazias, pela Pitt Street por volta das 5h30 (horário local).
Como ele não parou com a ordem dos agentes, recebeu um disparo do taser. Quando caiu, os policiais se jogaram sobre o jovem e teriam disparado mais três vezes. Enquanto se debatia, ele gritou por ajuda, segundo testemunhas, e em seguida ficou quieto. Câmeras de segurança filmaram a ação e vão ajudar na investigação.
O corpo do rapaz deve passar por autópsia e exames toxicológicos para saber se ele havia consumido drogas ou álcool.
O jovem brasileiro, segundo testemunhas, protagonizou um incidente em uma loja, antes de receber as descargas da pistola elétrica. Segundo a polícia, Curti entrou no estabelecimento pedindo ajuda. Depois disso, teria roubado um pacote de biscoitos e fugido.
Na perseguição, conseguiu se desvencilhar dos agentes em várias ocasiões, mas finalmente acabou controlado após a utilização dos tasers.
Um porta-voz do Consulado Brasileiro na Austrália indicou que o jovem vivia com sua irmã e com seu cunhado em Sydney.
As pistolas elétricas, que causam descargas de 400 volts, são utilizadas pelas forças de segurança em países como Austrália, Reino Unido e Estados Unidos para render agressores em situações que não justificam o uso de armas de fogo.
No entanto, organizações como a Anistia Internacional denunciam que os tasers já causaram dezenas de mortes e também podem ser utilizados para torturar detidos.
O Ministério de Relações Exteriores informou que acompanha as investigações do caso e o Consulado do Brasil em Sydney está em contato com as autoridades locais. Segundo o Itamaraty, os familiares entraram em contato com o governo e deverão receber apoio consular. O governo brasileiro deve questionar as circunstâncias do acontecido, de acordo com o Itamaraty.
Em 2005, o mineiro Jean Charles de Menezes, de 27 anos, foi morto por policiais em Londres , no Reino Unido, ao ser confundido com um terrorista em um trem do metrô da capital britânica. A morte dele ocorreu depois de uma série de atentados ao sistema de transporte público.
R7
Lindbergh e Romário comemoram o Dia da Síndrome de Down
O Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado em 21 de março, será celebrado no Congresso Nacional com representantes do Governo e da sociedade civil. Uma cerimônia, de iniciativa do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e do deputado Romário (PSB-RJ), prevista para às 10h no Salão Negro, será dedicada a divulgar e homenagear projetos bem sucedidos de inclusão social. A intenção do petista é usar o evento para incentivar à manutenção da luta em defesa dos direitos das pessoas com síndrome de Down.
Dentre os projetos que serão destacados na solenidade estão: as ações específicas para pessoas com Down, do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver Sem Limite; a abertura da consulta pública do Protocolo de Saúde para a Síndrome de Down, cuja finalidade é estabelecer procedimentos padronizados para o atendimento na rede de saúde; e o lançamento do portal “Movimento Down”, que ambiciona ser a referência para todos os que buscam informação, orientação e um espaço de discussão sobre a síndrome.
E entre os homenageados estão Evaldo Mocarzel, diretor do filme “Do luto à luta” – documentário que retrata as dificuldades e potencialidades da Síndrome de Down, a presidente da ONG Meta Social, Helena Werneck, e as Organizações Globo, pelo trabalho desenvolvido em relação ao tema, e estudante universitária Kalil Assis Tavares, por sua aprovação em 1º lugar para o vestibular de Geografia na Universidade Federal de Goiás (UFG).
Por que comemorar?
As estatísticas revelam que a cada 800 partos nasce uma criança com Síndrome de Down. No Brasil, estima-se que este problema genético atinge cerca de 8 mil bebês por ano. Entretanto, ainda é grande a dificuldade de acesso a informações, profissionais e aparatos necessários para o pleno desenvolvimento das crianças nessa condição.
Reconhecendo as falhas do sistema, o Brasil, em 2008, ratificou, com status constitucional, a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Este foi o primeiro passo, para o País se lançar como líder nas negociações que culminaram na aprovação, na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em dezembro do ano passado, da Resolução que instituiu 21 de março como Dia Internacional da Síndrome de Down.
A data 21 de março para ser o Dia Internacional da Síndrome de Down foi proposta pela “Down Syndrome International”, porque ela é escrita como 21/3 (ou 3-21, em inglês), de modo a fazer alusão à trissomia do cromossomo 21, responsável pela Síndrome de Down. A síndrome de Down não uma doença. É uma ocorrência genética natural, que acontece, por motivos desconhecidos, na gestação, durante a divisão das células do embrião.
Inclusão social é uma bandeira política
O senador Lindbergh destina parte de seu mandato na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Em seu segundo ano no Senado, o parlamentar já possui cinco proposições voltadas exclusivamente para as pessoas com deficiência. Além disso, ocupa a cadeira de presidente da Subcomissão Permanente de Assuntos Sociais das Pessoas com Deficiência.
O interesse do senador pela causa da inclusão aumentou após o nascimento da sua filha Beatriz, portadora da Síndrome de Down.
Desde então, Lindbergh se dedica a buscar melhorias das políticas públicas destinadas às pessoas com deficiência. No final de 2011, ele participou do lançamento do programa Viver Sem Limite, do Governo Federal, que prevê ações que garantam a inclusão social da pessoa com deficiência na sociedade e no mercado de trabalho.
Catharine Rocha
Conheça as proposições do senador Lindbergh Farias, voltados à pessoa com deficiência:
PLS 377/2011: institui o dia 21 de março como o Dia Nacional da Síndrome de Down.
PLS 505/2011: determina que os editais de concursos públicos contenham deliberações especiais para às pessoas com deficiência.
PLS 506/2011: estabelece que as empresas que participarão da realização da Copa das Confederações, em 2013, da Copa do Mundo, em 2014, e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio, em 2016, reservem o percentual mínimo de 5% dos seus cargos às pessoas com deficiência.
PLS 700/2011: prioriza o atendimento de pessoas com deficiência na isenção de tarifas bancárias com renda mensal bruta de até cinco salários mínimos.
PRS 40/2011: que trona obrigatória a presença de interpretes, tradutores e guia-intérpretes da Língua Brasileira de Sinais nas atividades oficiais do Senado Federal.
Programação do Dia Internacional da Síndrome de Down
Dia: 21 de março de 2012 (quarta-feira)
Horário: das 10h às 11h
Local: Salão Negro do Congresso Nacional
A Ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, apresentará as ações especificamente para a Síndrome de Down do “Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver Sem Limite”.
O Ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, relatará o processo liderado pelo Brasil de aprovação, na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), da Resolução que instituiu 21 de março como Dia Internacional da Síndrome de Down. A Resolução foi aprovada em 19 de dezembro do ano passado.
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançará a consulta pública do Protocolo de Saúde para a Síndrome de Down.
O Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, tratará em especial da sala de recurso multifuncional, que será montada no Congresso Nacional.
O Portal de Informações sobre Síndrome de Down: o Movimento Down (www.movimentodown.org.br), entrará no ar. Um dos principais diferenciais da plataforma é sua acessibilidade intelectual. O internauta terá a chance de controlar os marcos de desenvolvimento de cada idade, assim como encontrar serviços públicos e privados relacionados por região. Breno Viola, 31 anos, que tem Síndrome de Down, é coordenador de conteúdo e um dos principais entusiastas do site.
Homenagens a:
Evaldo Mocarzel, diretor do filme “Do luto à luta”
Organizações Globo, pelo trabalho relacionado a temas de responsabilidade social.
Rodrigo Marinho de Noronha, assessor do Deputado Federal Eduardo Barbosa, em razão de seu trabalho na Câmara dos Deputados.
Helena Werneck, presidente da ONG Meta Social (sua filha, Paula, a representará no evento)
Kalil Assis Tavares, jovem que resolveu prestar vestibular para o curso de Geografia e passou na 1ª lista da Universidade Federal de Goiás (UFG).
PT no Senado
França: atirador que matou 4 em escola pode ter filmado ataque
Segundo ministro, extremista estava com câmera muito usada entre paraquedistas
TOULOUSE, França — Um dia depois de um homem em uma scooter matar quatro pessoas em uma escola judaica de Toulouse, na França, testemunhas revelaram que o atirador levava uma pequena câmera em volta do pescoço. Policiais investigam se o vídeo foi disseminado na internet. Enquanto isso, a França prepara uma das maiores caçadas humanas de sua História. Cerca de 200 homens vieram de Paris para Toulouse ajudar nas investigações, e todas as escolas e prédios religiosos — islâmicos ou judeus — na região dos Pirineus estão sendo vigiados por policiais.
Segundo a imprensa francesa, a câmera usada pelo atirador de Toulouse seria de um modelo popular no país, custaria cerca de 200 euros e seria comum entre paraquedistas. A polícia francesa trabalha com duas hipóteses principais: um crime ligado ou ao Islamismo ou à extrema-direita.
— As câmeras de segurança mostram que o assassino gravava enquanto atuava. Isto soma mais um elemento ao perfil do assassino. Alguém cruel o bastante para gravar tudo, alguém muito frio, determinado, com gestos precisos e muito cruel — disse o ministro do Interior, Claude Guéant, nesta terça-feira.
Guéant disse que os investigadores acreditam que os responsáveis pelos três últimos atentados na região dos Pirineus — o ataque à escola judaica na segunda-feira e a morte de três policiais de origens árabe e caribenha — seriam ex-militares expulsos das Forças Armadas por comportamentos neonazistas. Uma fonte próxima ao caso, no entanto, teria dito à Reuters nesta manhã que os homens já não seriam mais suspeitos. Dois dos três soldados reformados teriam sido interrogados na noite de ontem e o terceiro já teria sido ouvido pela polícia na semana passada.
Nesta manhã, todas as escolas francesas fizeram um minuto de silêncio em homenagens às vítimas da tragédia. Em um ato de solidariedade, o prefeito de Toulouse, Pierre Cohen, condenou os incidentes recentes que classificou de “atos racistas”. Cohen pediu para a população ser prudente e “se manter vigilante” e não descartou a hipótese de um quarto ataque. Em Paris, o presidente Nicolas Sarkozy participou de uma solenidade no colégio François Couperin.
— Infelizmente, não temos nada — disse Sarkozy sobre o avanço das investigações.
Paris aumenta cerco em Toulouse
Logo após o atentado que deixou três crianças e um homem morto, na segunda-feira, autoridades francesas acionaram o alerta máximo para terrorismo na região de Toulouse. O “sinal vermelho” permite que autoridades implementem medidas de segurança mais duras, incluindo patrulhas de policiais e militares, suspendam o transporte público e fechem escolas.
Uma equipe de 200 investigadores foi de Paris a Toulouse para ajudar no caso, e guardas estão sendo posicionados em frente a todas escolas e prédios islâmicos e judeus da região. A scooter usada pelo atiradora — um modelo preto da marca Yamaha — foi roubada cinco dias antes do atentado na cidade. Segundo fontes policiais, o número da placa do veículo foi encontrado nas imagens do circuito de segurança da escola.
Na segunda-feira, Sarkozy, confirmou que a mesma arma foi usada na escola e em outros dois atentados envolvendo policiais de origem estrangeiras também nos Pirineus. O governante chamou o episódio de “abominável”.
Na manhã de ontem, um homem abriu fogo em frente ao colégio judaico Ozar Hatora, matando o professor de religião Jonathan Sandler, de 29 anos, um rabino israelense que havia se mudado recentemente para a França e que dava aulas no colégio, segundo o jornal israelense “Yediot Ahronot”.
Ele foi assassinado junto com os filhos Gabriel, de 3 anos, e Arie, de 6 anos. A quarta vítima foi a filha do diretor da escola, Miriam Monsonego, de 7 anos. O atirador teria entrado na escola e continuado a disparar. Os quatro serão repatriados nesta noite para Israel, onde serão enterrados na quarta-feira. O chanceler francês, Alain Juppé, deve acompanhar os funerais. Um adolescente de 17 anos também estaria gravemente ferido.
O Globo
domingo, 18 de março de 2012
Filho mais velho de Eike Batista se envolve em acidente com morte na Baixada Fluminense
Homem de 30 anos que estava em bicicleta foi atropelado na Rio-Petrópolis
O filho mais velho do empresário Eike Batista e da ex-modelo Luma de Oliveira, Thor de Oliveira Fuhrken Batista, 20 anos, é suspeito de atropelar e matar o ajudante de caminhão Wanderson Pereira dos Santos, de 30 anos, por volta das 19h20 de sábado (17), na pista sentido Rio da rodovia Washington Luís, nas proximidades do distrito de Xerém, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Policiais rodoviários federais informaram que Thor dirigia um Mercedes Benz Mc Laren prata, placa EIK-0063, que teve a parte da frente destruída. A vítima estava no acostamento em uma bicicleta e morreu na hora. O corpo foi levado para o IML (Instituto Médico Legal) de Caxias e deve ser liberado neste domingo (18) após reconhecimento da família. Uma tia e uma prima chegaram ao local por volta das 8h e não quiseram falar com a imprensa.
O caso foi registrado na Delegacia de Xerém (61ª DP) como homicídio culposo, ou seja, sem a intenção de matar. Um inspetor de plantão neste domingo informou que Thor deve comparecer à unidade na segunda-feira (19) para prestar esclarecimentos ao delegado Mario Roberto Arruda. Caso ele não se apresente, poderá ser intimado.
O R7 tenta contato com Thor e os advogados da família Batista, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.
Perfil: um carioca cobiçado
Nascido em berço bilionário, o carioca Thor Batista não gosta do título de príncipe William brasileiro. O loiro declarou durante entrevista em 2011 não se achar o melhor partido do País.
- Não sou o melhor partido do Brasil, nem sou orgulhoso por acharem isso [sobre ser o William brasileiro] de mim. Me acho, no máximo, um cara boa pinta.
E nem adianta tentar enganar o herdeiro de Eike. O filho do bilionário afirma:
- Eu já vim com detector de gente interesseira embutido. Já me decepcionei algumas vezes, claro, mas aprendo. Sou de pouquíssimos e bons amigos.
Thor Batista começou cedo no mundo dos negócios. Ele coordena seu primeiro projeto, a BBX, empresa no ramo de entretenimento e turismo, sempre com cautela.
- Não sou tão ousado. Faço grandes tacadas, pouco a pouco. Aprendi isso com meu pai.
O loiro revelou que sofreu por ser gordo na infância e contou o quão difícil foi superar a separação dos pais quando tinha apenas 13 anos.
- Foi um trauma, um processo muito doloroso. Fiquei quase um mês sem ir à escola, mas o tempo curou
R7
Mulheres sequestradas no Egito foram libertadas, diz pastor
'Falei com ela por telefone e ela disse: 'Pai, estou bem'', diz Dejair Silvério.
Segundo ele, a filha e a amiga foram liberadas sem ferimentos.
O pastor Dejair Batista Silvério, de 60 anos, afirmou na noite deste domingo (18) que a filha dele Sara Lima Silvério, de 18 anos, e a amiga Zélia Magalhães de Mello, de 45, foram libertadas no Egito. O Itamaraty confirmou a informação.
"Ela está viva. Falei com ela por telefone e ela disse: 'Pai, estou bem", afirmou o pastor, em entrevista ao G1, por telefone, do Egito. Segundo ele, Sara e Zélia, que foram liberadas sem ferimentos, serão levadas para o hotel onde o grupo da excursão foi hospedado. Todos fazem parte da Igreja Evangélica Avivamento da Fé, que tem sede em Osasco, na Grande São Paulo.
As duas foram levadas por beduínos que "metralharam" o ônibus onde eles estavam, a caminho do Monte Sinai. "Foi algo impressionante", desabafou o pastor, após saber da notícia da libertação.
Os turistas brasileiros haviam saído do Cairo e tomado uma estrada rumo ao Monte Sinai. "De repente, dois carros ultrapassaram o ônibus e eles desceram atirando. Foram vários disparos, de metralhadora e de fuzil. Eles atiraram na porta do ônibus. Achei que estavam até atirando na gente já. Foi então que eles entraram no ônibus e levaram as duas para fora", afirmou o pastor.
Silvério disse não saber o porquê da escolha das duas. "Foi muito assustador. A gente pessou que fosse um assalto", afirmou. "No começo, a gente achou que eles iam usar as duas como reféns para roubar as pessoas do ônibus."
O ônibus foi interceptado por um grupo de beduínos que sequestrou, além das duas brasileiras, o segurança do ônibus, que é egípcio e estava armado, segundo fontes do Itamaraty.
Os sequestradores colocaram os reféns em um carro e fugiram para uma região montanhosa, segundo autoridades egípcias.
Os demais brasileiros que estavam no veículo foram escoltados por duas equipes das Forças Armadas egípcias para um hotel perto do Monte Sinai, segundo Silvério.
"Foi uma coisa tão rápida e chocante", afirmou. Ele agradeceu o governo brasileiro pela "rapidez" com que entraram em contato com as autoridades do Egito. "Recebi uma ligação do embaixador. Também fui avisado que o Itamaraty estava tomando as providências."
A intenção do grupo é cruzar a fronteira com Israel nesta semana e voltar ao Brasil no dia 27.
Terceiro caso
Vários casos parecidos, envolvendo estrangeiros, ocorreram na região em 2012.
Em fevereiro, beduínos sequestraram três turistas sul-coreanos, pouco depois de um crime similar contra duas americanas e um guia egípcio, com a exigência de libertação de companheiros detidos.
Os turistas e o guia foram libertados rapidamente e sem ferimentos, assim como 25 trabalhadores chineses que haviam sido sequestrados em janeiro e que ficaram cerca de 20 horas como reféns.
Beduínos foram presos por conta de envolvimento em atentados praticados na região entre 2004 e 2006, que mataram cerca de 130 pessoas.
Além de pedir a libertação dos companheiros, os beduínos também relatam descontentamento em relação à maneira como são tratados pelo governo provisório egpcio, no poder desde a queda do ditador Hosni Mubarak no ano passado.
Os beduínos pegaram em armas para ajudar a rebelião que derrubou Mubarak, mas consideram que não foram recompensados por isso pela junta militar egípcia.
Isso aumentou a tensão e a violência na região, com com ataques a delegacias de polícia e explosões frequentes contra oleodutos que levam gás ao vizinho Israel.
A pouco habitada região abriga a maioria dos luxuosos resorts egípcios, ao mesmo tempo que é o local de moradia de grande parte da pobre população beduína.
G1
sábado, 17 de março de 2012
Cinco brasileiros são presos na Espanha por exploração sexual
Uma das quadrilhas aliciava mulheres pobres brasileiras
MADRI - Cinco brasileiros que participavam de rede de de exploração sexual de mulheres foram presos na Espanha. Os criminosos atuavam em Navarra, Madri e Andaluzia. No total, a polícia espanhola prendeu 22 pessoas e indiciou oito, com idades entre 23 e 59 anos, em operação que desarticulou as três quadrilhas.
As máfias se dedicavam a prostituição, tráfico de mulheres e de drogas e aos casamentos de conveniência. Em Navarra, a operação chamada de “Arrieros” começou em junho de 2011, quando, durante uma inspeção rotineira da polícia a um clube de prostituição, uma das garotas de programa denunciou o que ela vinha sofrendo desde 2009, quando chegou à Espanha. A máfia, com uma organização hierarquizada, estava dividida entre os que captavam mulheres pobres no Brasil e na República Dominicana, com falsas promessas de trabalho; os que compravam as passagens de avião - sempre voos com várias escalas-; e os que se encarregavam dos trâmites de documentos. Além de cinco brasileiros, foram detidos três dominicanos e cinco espanhóis.
A organização proporcionava às mulheres a quantia suficiente de dinheiro para que pudessem mostrar no aeroporto, ao desembarcar na Espanha, dizendo que viajavam a turismo. Os traficantes davam, para as mulheres, um endereço falso, em Zaragoza (Aragão). Ao não encontrar nada, elas ligavam para seu contato na Espanha, e marcavam de se encontrar. Eram levadas, então, a um apartamento, onde ficavam sabendo da dívida que haviam contraído e que deveriam saldá-la prostituindo-se.
A partir desse momento, passavam a trabalhar em boates de Navarra, no norte da Espanha, durante mais de 12 horas seguidas, fazendo apenas uma refeição por dia. Se não cumprissem as estritas regras, eram multadas. A máfia, visando maiores rendimentos, também arranjava casamentos de conveniência - para que as vítimas não tivessem o risco de serem deportadas - entre as prostitutas e espanhóis, aos quais pagavam 1.500 euros.
Durante a operação, foi encontrado, também, um laboratório para adulterar, embalar e distribuir drogas, além de terem sido confiscados 250 gramas de cocaína, documentos, computadores, e 11 mil euros.
Trancadas em boate sem energia elétrica
Em Navalcarnero, a 31 quilômetros de Madri, em outra operação policial, desta vez apelidada de “Zen”, foram descobertas mulheres que eram ameaçadas, coagidas, insultadas e agredidas pelos donos de uma boate, onde cerca de 30 prostitutas - entre elas, brasileiras - eram confinadas. O casal detido - um espanhol de 42 anos e uma dominicana de 25, conhecida como ‘Mami’-, quando ia embora do clube noturno, às 5h da madrugada, fechava as mulheres em seus quartos e desligava a corrente elétrica, bloqueando as portas, já que só podiam ser abertas com cartões eletrônicos. As mulheres não viam a cor do dinheiro dos programas, já que ‘Mami’ confiscava tudo, como estratégia para que continuassem trabalhando para o casal. O filho do espanhol detido foi indiciado, por suposta participação.
Obrigadas a prostituir-se 24 horas por dia
Já em Estepona e em San Pedro de Alcántara, cidades da província de Málaga, na Andaluzia, houve sete detidos, todos espanhóis, por tráfico de pessoas, exploração sexual e tráfico de drogas, como consequência de uma investigação policial iniciada há um mês. Neste caso, muitas das mulheres sabiam que se prostituiriam - ligavam, como resposta a anúncios, e eram entrevistadas pessoalmente - mas não sabiam as condições. Brasileiras, chilenas, nicaraguenses, paraguaias e espanholas eram forçadas a trabalhar 24 horas seguidas, durante períodos de 21 dias. Elas eram obrigadas a dormir vestidas, porque a qualquer momento, atendendo a demanda dos clientes, eram acordadas para serví-los. As prostitutas recebiam, semanalmente, a metade do valor cobrado pelo programa. A outra metade ficava com os donos das boates. O pagamento, às vezes, era feito em cocaína, em vez de dinheiro.
O Globo
sexta-feira, 16 de março de 2012
Paulistana com maior grau de escolaridade bebe mais, aponta pesquisa
Por outro lado, maior instrução é fator protetor para consumo de bebida alcoólica entre os homens
Diferentemente do que acontece com os homens, quanto maior o tempo de estudo entre as mulheres paulistanas, maiores os riscos que elas correm de beberem demais. Essa é a conclusão de um estudo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq - HC), publicado na edição deste mês da revista científica Clinics.
"Há quinze anos, a proporção era de sete homens que bebiam para cada mulher. Hoje, temos 1,2 homem para cada mulher que consome bebidas alcoólicas", constata a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, uma das autoras da pesquisa. No caso das mulheres com grau de instrução maior e melhores condições econômicas, a situação pode ser ainda mais complexa. "Elas têm de dar conta de mais de um papel. São mães, esposas e profissionais. Sofrem uma cobrança social muito grande."
"A relação entre escolaridade e consumo de álcool reflete uma mudança cultural", diz o conselheiro da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), Carlos Salgado.
Considerada um indicador socioeconômico, a educação é um sinônimo de independência feminina, tanto emocional como financeira. "Mulheres com grau de escolaridade maior são mais independentes e estão mais expostas", explica a pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad), Ilana Pinsky. Para Salgado, o álcool acaba sendo utilizado com uma válvula de escape feminino contra o estresse.
Já entre o sexo masculino, aponta a pesquisa, a escolaridade é um fator de proteção. Homens com baixo grau de instrução apresentam oito vezes mais riscos para o alcoolismo.
(Com Agência Estado)
Veja
Três jovens são presos em motel por orgia com menores
Grupo já havia roubado carro de casal em Mesquita
Três jovens foram presos suspeitos de promover uma orgia em um motel na Pavuna, zona norte do Rio de Janeiro. Eles estavam com uma travesti de 17 anos, uma menina de 13, e outra garota que teria fugido.
Um pouco mais cedo, os homens usaram de violência para roubar o carro de um casal em Mesquita, na Baixada Fluminense. Depois, o trio pegou as garotas e foi ao motel.
Após cinco horas de encontro, o grupo deixou o estabelecimento no carro da polícia. No veículo foram encontradas roupas íntimas, energéticos, seringa, maconha até cápsulas de cocaína.
O próximo passo das investigações é ouvir os responsáveis pelo motel, para saber como dois menores entraram no estabelecimento acompanhados de três adultos. De acordo com os jovens, nenhum funcionário pediu documento para verificar a idade na entrada.
R7
Polícia vai investigar agressão que deixou cadela paralítica em MS
Animal está internado em clínica veterinária de Campo Grande há 19 dias.
Mais de 100 pessoas de várias cidades do país e do exterior querem adotá-la
A Polícia Civil abriu inquérito nesta sexta-feira (16) para apurar um caso de maus-tratos contra uma cadela vira-lata de 3 meses, que teria sido chutada pelo dono e perdeu os movimentos das patas traseiras. A cadelinha, que foi batizada como Mel, está há 19 dias em uma clínica veterinária de Campo Grande, e teria sido levada pelo dono que não voltou ao local.
De acordo com a médica veterinária Ana Lúcia Salviatto, a cachorrinha foi deixada na clínica no dia 27 de fevereiro por um homem que dizia tê-la encontrado na rua. Dois dias depois o suspeito acabou dizendo que tinha chutado o animal. “Nós desconfiamos e no final ele disse que tinha a mal tratado e nunca mais apareceu”, recorda a veterinária.
Mel teve fratura na tíbia e os membros inferiores ficaram paralisados, a cadela não anda e não consegue se equilibrar nas patas da frente. A filhote toma medicamentos para fortalecimento muscular e vitaminas. Ana Lúcia afirma que uma cirurgia, sessões de fisioterapia e acupuntura serão necessárias para que a cadela tenha melhor qualidade de vida. “As chances dela andar são mínimas, depois da cirurgia vamos avaliar a condição clínica dela”.
Depois de estabilizar a saúde do animal, a médica divulgou o caso nas redes sociais. A foto da cadela foi visualizada por várias pessoas e a lista de possíveis novos donos da Mel já passa de 100 pessoas de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas e até Londres, na Inglaterra.
A veterinária conta que no primeiro contato que teve com a cadela chegou a pensar em praticar a eutanásia em razão das dores que o animal sentia, mas depois de analisar a condição clínica, resolveu continuar com o tratamento. “Nós vamos explicar para as pessoas que não é um animal fácil, o trabalho e gasto serão grandes. Se ninguém tiver condições, vamos ficar com ela aqui na clínica. Já estão todos apegados”, conta Ana Lúcia.
O delegado Miguel Said da 1ª Delegacia de Polícia Civil da capital disse ao G1 que soube do caso através das redes sociais e decidiu investigá-lo. “Nós tomamos conhecimento e entramos em contato com a clínica, as investigações estão iniciando e temos alguns indícios que podem ajudar na identificação do suspeito”.
A pessoa responsável pela agressão pode responder por crime de maus-tratos, com pena de três meses a 1 ano de detenção. De acordo com o delegado, o caso deve ser repassado para a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Proteção ao Turista (Decat) ainda nesta sexta-feira.
Comoção
Médicos veterinários de várias especialidades se prontificaram a atender a filhote depois que souberam do caso pela internet. Um médico ortopedista irá realizar a cirurgia sem cobrar nada. Fisioterapeutas e acupunturistas devem auxiliar no tratamento da cadela.
Uma cadeira de rodas adaptada, conhecida como carrinho, também deve ser doada para que Mel consiga se locomover com as patas da frente. “No início queríamos um dono, agora estamos buscando doações para que ela tenha toda o tratamento de ótima qualidade sem custo algum”, afirma Ana Lúcia.
G1
Por que mais famílias negras dos EUA optam por educar seus filhos em casa?
Até recentemente, a prática de home schooling (educação domiciliar) nos Estados Unidos era mais comum entre famílias brancas, mas um crescente número de negros tem, atualmente, retirado seus filhos das escolas públicas e optado por educá-los em casa. Mas por quê?
"Há muitas brigas e pessoas levando tiros (nas escolas)", explica Sonya Barbee, uma das que recorreram ao ensino doméstico. "Era demais, não era um bom ambiente para uma criança. Apesar de eu trabalhar período integral e ser difícil para mim, ainda acho que foi a decisão correta."
Sonya não está levando uma vida fácil. Mãe solteira e funcionária do governo dos EUA, ela agora tem a tarefa adicional de ser professora de seu filho de 11 anos, Copeland.
Mas nem a violência, nem o fato de seu filho sofrer bullying, foram a gota d'água. Sonya tomou a decisão de tirar Copeland de uma escola pública em "uma área ruim de Washington" porque o menino estava "perdendo seu amor pelo aprendizado".
Agora, com a ajuda da mãe de Sonya, que cuida de Copeland duas vezes por semana enquanto ele estuda na internet, ela espera "reacender a chama" da curiosidade do filho. Ensina-o depois de sua jornada de trabalho e em feriados.
Seu único lamento até agora é pelo fato de Copeland não estar muito animado, por sentir falta da "loucura" da sala de aula. Mas ela ressalta que o processo de educação domiciliar do filho ainda é recente.
Cerca de 2 milhões de crianças americanas (4% do total) são educadas em casa, segundo a associação norte-americana NHERI, que estuda esse setor. O número, porém, é uma estimativa, já que em muitos Estados as famílias não precisam registrar oficialmente que praticam o ensino doméstico.
Motivações
A prática, antes mais comum entre famílias cristãs brancas no sul rural do país - que criticavam o "liberalismo" de escolas públicas quanto a educação sexual e darwinismo -, tem ganho adeptos entre pais urbanos, com motivações mais educacionais do que religiosas.
O número geral de home schoolers tem crescido já há algum tempo, mas até há pouco era incomum entre famílias negras, segundo o diretor do NHERI, Brian Ray.
"Para a comunidade afro-americana, havia uma grande pressão contra (o ensino doméstico), porque, nos EUA, os avós das crianças hoje educadas em casa lutaram contra a segregação nas escolas. Eles pensavam que as escolas públicas iriam salvá-los (da discriminação social)", diz Ray.
Mas, segundo ele, essa atitude tem mudado rapidamente.
Joyce Burges, cofundadora da associação Educadores Domiciliares Negros, que educou em casa seus cinco filhos, afirma que "os fracassos do ensino público fizeram com que todos nós, brancos ou negros, buscássemos ideias criativas sobre a educação de nossos filhos".
"Isso explica o aumento no número de escolas cooperativas e de afro-americanos vendo que (as alternativas ao ensino público) não são mais uma coisa de brancos."
Desempenho
Apesar do fim da segregação nas escolas, há um abismo no desempenho escolar de brancos e negros que pouco mudou desde os anos 1960. O problema é especialmente sério entre meninos negros.
Segundo um estudo de 2008 da Fundação Schott, "nos últimos 25 anos, os desempenhos sociais, educacionais e econômicos de homens negros têm sido mais devastadores do que os de qualquer outro grupo racial ou étnico".
Monica Utsey, que coordena uma cooperativa de ensino domiciliar para crianças negras em Washington, diz que, "para mães afro-americanas, especialmente as mães de meninos, têm muitos problemas com o sistema de ensino. As salas de aula são melhores equipadas para meninas".
Pessoalmente, porém, sua principal motivação para educar seus filhos em casa era cultural: ela queria que as crianças aprendessem mais sobre suas raízes africanas e não achassem "que sua história começa com a escravidão".
Os home schoolers são duros críticos do sistema educacional, argumentando que os professores não oferecem uma educação ampla e atribuem qualquer problema de comportamento infantil a síndromes de deficit de atenção e hiperatividade.
"Os professores estão sempre dizendo aos pais que eles precisam medicar seus filhos, como se estes tivessem um problema médico. É uma loucura", diz Sonya Barbee. "Ninguém quer que seu filho vire um zumbi."
As cooperativas de ensino doméstico, em que as aulas são feitas pelos pais para grupos de idades mistas, se espalharam por cidades americanas nos últimos anos, ajudando a quebrar o estigma de isolamento das crianças educadas em casa - algo que era um constante alvo de críticas.
Não é para todos
Mas mesmo os defensores mais entusiasmados do modelo admitem que ele não é adequado para todas as famílias - costuma funcionar só para os pais mais comprometidos com todos os aspectos educacionais e que realmente desfrutam do tempo passado ensinando seus filhos.
Nem todos os pais conseguem se manter em dia com as exigências curriculares de ensino, principalmente se querem preparar seus filhos para a universidade. E muitas crianças educadas em casa acabam voltando à escola para cursar o ensino secundário.
Além disso, a prática não contribui com a melhoria do ensino público, o que, segundo especialistas, enfraquece a educação e os laços de toda a comunidade.
Joyve Burges acredita que pode estar perto o dia em que a cooperativa de ensino doméstico local, conduzida por um grupo de pais comprometidos, viraria uma alternativa real à escola pública, para crianças de todas as idades e etnias.
Aparentemente, a demanda para tal existe.
"Toda hora recebo e-mails e telefonemas de pessoas querendo saber se há alguém disponível para educar seu filho em casa", diz Monica Utsey. "Digo a eles que não funciona assim. A responsabilidade é dos pais."
BBC Brasil
quinta-feira, 15 de março de 2012
Desempregado é condenado a 24 anos por jogar filho no Rio Tietê
Homem foi sentenciado à prisão por morte ocorrida em 2010.
Apesar de condenação, Alexandre Franco nega o crime.
O desempregado Alexandre Franco foi condenado na noite desta quarta-feira (14) a 24 anos, 10 meses e 20 dias de prisão pela morte do filho, de 6 anos, ocorrida em 2010. A sentença foi lida por volta das 21h10 pelo juiz Alexandre Andreta dos Santos, no Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo.
O juiz considerou que o homicídio causou trauma à ex-mulher de Franco, Maria do Carmo Maciel, e à família dela. "O fato de ser crime contra uma criança aumenta a pena em um terço, e como a vítima era filho do acusado, o crescimento da pena é de mais um sexto", disse o magistrado ao ler a sentença.
Segundo o Ministério Público, o desempregado jogou o menino Nicollas Maciel Franco no Rio Tietê, na noite de 23 de dezembro de 2010. O condenado nega e diz que a criança caiu acidentalmente da Ponte da Vila Maria. O pai, porém, não mergulhou atrás da criança nem pediu ajuda. O corpo do menino foi encontrado dias depois, boiando no rio, na região da Casa Verde.
Para o promotor André Luiz Bogado Cunha, a sentença foi satisfatória e os quatro votos do júri que foram lidos eram favoráveis à acusação. "O que nós esperávamos era isso, que houvesse condenação e dentro da lei, o máximo possível de pena. Foi o que foi feito, eu acredito que tenha sido feita a Justiça", disse ele.
A defesa diz que vai recorrer da decisão, por entender que a pena foi muito alta. "A sentença foi injusta, porque nos autos havia provas de que ele [Franco] agiu com culpa, e não com dolo [intenção de matar]", diz o advogado do desempregado, Osvaldo Correa Vieira. Para ele, ficou demonstrado que Franco "foi um bom pai" e que a morte "foi uma fatalidade". "Ele estava passando na ponte com o filho e no caminho o menino caiu", ressalta.
Tortura
Durante o julgamento, o desempregado disse ter sido torturado por policiais, à época do crime, para confessar que jogou o menino por não aceitar o fim do relacionamento com a ex-mulher. "A confissão foi forçada, a polícia me forçou a falar", afirmou. Segundo o condenado, policiais bateram em seus pés, em suas mãos e na barriga até que ele dissesse que havia cometido o crime.
O desempregado disse ao juiz que estava com o garoto no colo, e que a queda foi um acidente. "Desci [a ponte] para encontrá-lo, mas não consegui ver o menino, então fugi", disse. Segundo o promotor Cunha, no entanto, laudos do Instituto Médico-Legal (IML) atestaram que não havia hematomas nem marcas de violência em Franco após o depoimento à Polícia Civil.
O homem confessou, em depoimento, estar sob o efeito de drogas no momento do crime e ter levado o menino tanto para um bar - onde ele se embriagou - quanto para uma boca de fumo, onde comprou cocaína.
Herói
Maria do Carmo, ex-mulher de Franco, disse que o menino amava o pai. "O Nicollas tinha o pai como herói. Era um menino doce, muito meigo e muito tímido", disse a mãe, que chorou várias vezes durante o julgamento. Desenhos feitos pelo garoto ressaltando o amor pelo pai e comparando-o a um super-herói foram usados pela acusação no júri.
A mãe disse ter recebido sete ligações do condenado instantes após o crime. Os telefonemas ocorreram entre 23h20 e 23h40 do dia 23 de dezembro, segundo Maria do Carmo. Ela contou que Franco parecia calmo nos primeiros telefonemas. "Ele ligava a cobrar, dizia 'não tem mais filho, não tem mais Nicollas' e depois desligava."
Nas últimas ligações, segundo a ex-mulher, Franco estava exaltado e admitiu o crime. "Ele dizia que iria acabar com a minha vida, mas que não iria me matar. Ele disse que matou o menino e que iria cometer suicídio", afirmou. De acordo com ela, Franco também disse que a mulher era "culpada pelo crime porque não queria reatar" com o desempregado.
Em seu interrogatório, Franco disse que estava nervoso com a ex-mulher porque eles haviam combinado de se encontrar. "Seria uma despedida, achei que ela iria me ver naquele dia. Mas ela combinou de sair com as amigas", disse o desempregado.
A ex-mulher disse que o marido já havia fugido com a criança anteriormente, em dezembro de 2009. O desempregado manteve Nicollas Maciel Franco escondido por quatro dias sem que ninguém tivesse notícias do garoto.
"Ele fazia chantagem usando o garoto. Dizia que queria viajar com Nicollas, que queria os mesmos direitos de ficar com ele", afirmou a mãe. Franco afirmou que apenas ficou com seu filho mais tempo do que o combinado, durante as festas de fim de ano.
O júri durou sete horas. Franco foi condenado por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima). O acusado foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, segundo seu advogado, e deve ser transferido para outro presídio com a condenação.
Agressões
Maria do Carmo disse ter sido agredida e ameaçada por Franco durante e após o casamento. A união durou cinco anos. "Ele perseguia, ameaçava, queria saber onde eu estava, esperava na porta do meu serviço", afirmou a mulher, reiterando que o comportamento mudou após o terceiro ano de enlace.
Em uma das ocasiões, Franco agarrou o pescoço da ex-mulher com força, segundo o depoimento dela no júri. O homem, que morava nos arredores da Luz, na região central de São Paulo, mudou de casa e tornou-se vizinho da ex-mulher.
O condenado admitiu ter discutido algumas vezes com a ex-mulher, mas negou as agressões. "Nunca bati", disse ele.
A mãe comemorou o resultado do júri, mas disse que esperava ao menos 30 anos de pena - tempo máximo de reclusão para quem é condenado no Brasil. "Ele não se arrependeu. Ele se entregou [para a polícia] com medo de morrer, não se entregou porque é um bom pai. Eu criei meu filho sozinha", disse a mãe, enquanto chorava. Ela diz ter "contado até dez, até mil" para se controlar durante o julgamento.
G1
Promotora pede abertura de inquérito civil contra advogada de Lindemberg por ofensa a juíza
No segundo dia do júri, Ana Lúcia disse que a juíza Milena Dias precisava "voltar a estudar".
A promotora de Justiça Ilsara Brandão de Almeida solicitou à delegacia seccional de Santo André, no Grande ABC, que seja aberto um inquérito civil contra a advogada de Lindemberg Alves, Ana Lúcia Assad. Ao obter a ata do julgamento do réu, condenado – entre outros crimes- por matar a jovem Eloá Pimentel , a promotora considerou que a defensora ofendeu a juíza Milena Dias.
No segundo dia do júri, que aconteceu no dia 14 de fevereiro deste ano, Ana Lúcia disse que a juíza "precisa voltar a estudar". A declaração foi feita logo após a defensora pedir para fazer mais uma pergunta à testemunha com base no "princípio real da verdade". A juíza então declarou que esse princípio não existia e a advogada retrucou.
R7
Entre Livros – Biblioburro
Localização: La Gloria, Colômbia
Acervo: 4.800 mil livros
Data de criação: década de 90
Se Maomé não vai à montanha…
O poder transformador da leitura fez com que o professor Luis Soriano, natural de La Gloria, criasse uma biblioteca itinerante que leva conhecimento a comunidades rurais da Colômbia: a Biblioburro.
Semanalmente, o educador e seus dois burros Alfa e Beto aventuram-se em caminhos perigosos levando livros como bagagem: um ritual que já dura mais de 10 anos e que começou com apenas 70 exemplares. Hoje, a coleção da Biblioburro reúne mais de 4.800 livros e vem crescendo a cada dia com doações feitas por admiradores do projeto.
Mesmo diante de muitas dificuldades, Luis Soriano não desiste e consegue pequenas e gratificantes vitórias diárias em uma região fatigada pela violência e pela constante ameaça de retaliação por grupos criminosos.
Bistro Cultural
Cães são expulsos de universidade do RJ após ataque a estudante
Aluna foi atacada na sexta-feira (9) em campus no Norte Fluminense.
Professores e alunos se mobilizaram para que animais sejam adotados.
Um ataque envolvendo cães causa polêmica na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em Campos. Uma estudante da instituição foi atacada por um dos animais na sexta-feira (9) e a direção decidiu expulsar todos os cães do campus.
Os animais chegaram em 2003 e sempre circularam normalmente pelas dependências da Uenf. Apesar disso, a presença deles nunca foi um consenso.
"Eles, às vezes, latem, correm atrás das pessoas, é insuportável", disse Alcenir Vianna, técnico de laboratório da universidade.
Já João Neto, que é estudante, não se incomoda com a presença dos animais. "Eles ficam quietinhos lá no canto deles. Até hoje, não fizeram nada de mau", disse.
Depois do ataque a aluna, a decisão da prefeitura do campos é de que, até o fim do mês, os cães devem deixar o campus. Segundo o prefeito Gustavo Xavier, as 4 mil pessoas que circulam pela Uenf não podem correr riscos, já que, de acordo com ele, esse não é o primeiro ataque dos cachorros.
"O que eu, de fato, tenho que me preocupar é com a integridade física das pessoas que transitam aqui ", afirmou.
Adoção
Algumas pessoas, no entanto, já se mobilizaram para a evitar que os bichos sejam transferidos para o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Professores e estudantes organizaram uma campanha de adoção e os animais foram castrados e vacinados. Três deles já ganharam donos, entre eles, o que mordeu a estudante. Outros quatro ainda estão no campus.
"Vão ter assistência veterinária para o resto da vida. Então, quer dizer, a gente só precisa mesmo encontrar um lar para eles", explicou Indiara Sales, que é estudante.
Caso os animais não consigam sejam adotados, serão transferidos para o CCZ. "A gente tem até cinco dias para ficar com os animas aqui dentro, e após isso, tem que ser dado um destino a eles. Por doação à instituição, adoção por pessoa física ou jurídica, ou sacrifício", disse Márcio Duarte, coordenador do canil municipal.
Quem tem interesse em adotar um dos cães, basta ir até a universidade, na Avenida Alberto Lamego.
G1
A infância como alvo das guerras
Crianças mortas no massacre em Homs AFP
Massacres recentes expõem uso de crianças como meio para espalhar o medo
RIO - Desde o início do conflito na Síria, em março de 2011, os relatos de atrocidades cometidas pelo governo do presidente Bashar al-Assad contra os insurgentes só aumentam. A ONU estima que mais de oito mil pessoas já foram mortas. Nas últimas semanas, o cerco aumentou, com a tomada de áreas rebeldes e centenas de assassinatos. Porém, a chacina, na última segunda-feira, de 26 crianças (com vídeos amplamente divulgados que mostravam alguns corpos com sinais de tortura e gargantas cortadas) no bairro de Karm el-Zeitun, na castigada cidade de Homs, aprofundou preocupações com a escalada da violência no país. E com o uso de crianças como alvo deliberado para determinados fins.
O massacre, que vitimou também 21 mulheres, de acordo com os Comitês Locais de Coordenação da Síria, causou uma forte reação mundial. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e os chanceleres da França, Alain Juppé, e do Reino Unido, William Hague, entre outras autoridades internacionais, condenaram o episódio, em que o governo e os opositores acusam-se mutuamente.
— Na Síria, temos documentado muitos casos de violações contra crianças. É difícil dizer por que isso acontece, mas acho que muitas vezes é para criar uma situação de terror, de medo. Porque obviamente se nem as crianças são protegidas da violência, cria-se um alto nível de medo em qualquer população, e um governo ou um grupo rebelde podem usar esse pânico para atingir seus fins militares ou políticos — disse ao GLOBO, de Nova York, Ian Levine, diretor-executivo para programas da Human Rights Watch (HRW), que acompanha a situação no país.
De acordo com Jo Becker, diretora de Defesa da Divisão de Direitos das Crianças da mesma organização, pelo menos 600 crianças (bebês, inclusive) foram assassinadas desde o início dos conflitos no país no ano passado. Relatos recentes dão conta de que muitos adolescentes e crianças têm sido degolados.
— Documentamos extensos casos de assassinatos, prisões e torturas de crianças realizados pelas forças de segurança sírias em suas casas, escolas e nas ruas. Atiradores de elite miram nelas independentemente de sua idade. Algumas foram mutiladas dentro de suas próprias casas — conta Jo, acrescentando que muitas escolas, agora, são usadas como centros de detenção e tortura, inclusive de ex-alunos.
Segundo Peter Smerdon, porta-voz da Unicef em Nova York, a organização estima que há 1,5 bilhão de crianças e adolescentes com menos de 18 anos vivendo em 42 países afetados por violência e conflitos intensos. O número corresponde a dois terços da população infantil do mundo.
— A morte de crianças durante um conflito é algo condenável e deplorável. Eles podem tentar demonstrar poder, mas, na verdade, matar crianças é a coisa mais fácil do mundo, porque elas são inofensivas e praticamente não podem oferecer resistência. Não há nada a se ganhar com a morte delas — diz ele.
Os motivos que levaram um soldado americano a invadir casas afegãs em Panjwai, na província de Kandahar, no último domingo, ainda não estão claros. Mas a fragilidade das vítimas pode explicar, em parte, os números do massacre: dos 16 mortos, nove eram crianças — mais da metade.
De acordo com o relatório “Promoção e proteção dos direitos da criança” apresentado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha à ONU, em outubro de 2011, cerca de um milhão de crianças adquiriram alguma deficiência física durante a última guerra do Afeganistão, iniciada em 2001. No país, duas crianças morriam diariamente em 2010, de acordo com a Afghanistan Rights Monitor. O ano de 2009 foi o pior para os menores afegãos: mais de 1.050 morreram em ataques suicidas, bombardeios, explosões e trocas de tiros.
O uso de menores como alvos não é, entretanto, uma prática restrita à Síria e ao Afeganistão. Em setembro de 2004, terroristas chechenos separatistas invadiram uma escola com armas pesadas em Beslan, na Ossétia do Norte. Após três dias de cerco das tropas do governo, uma invasão a base de tiros de lança, rojão e tanques resultou na morte de 331 pessoas — 186 crianças. Dos 32 terroristas que participaram da ação, apenas um saiu vivo — e preso.
Além dos ataques deliberados, outro problema é o aliciamento de menores como crianças-soldados. Dias atrás, o caso do ugandense Joseph Kony, chefe do grupo Exército de Resistência do Senhor, ficou conhecido mundialmente após um vídeo viral expor seus crimes e sua situação de procurado número 1 pelo Tribunal Penal Internacional. Hoje, a mesma corte declarou culpado o congolês Thomas Lubanga, ex-líder da União de Patriotas Congoleses (UPC), por recrutar meninos soldados entre 2002 e 2003. Haia considera crime o uso de menores de 15 anos em conflitos armados.
— Crianças são recrutadas como soldados porque são consideradas bons soldados, capazes de serem dominadas por outros — observa Levine. — Apesar disso, sua situação é muito mais exposta hoje do que no passado, o que contribui para tentar impedir o avanço do problema.
Apesar de mais de 25 artigos nas Convenções de Genebra e em seus protocolos adicionais se referirem especificamente a crianças, ataques como o de Homs deixam claro o quão difícil é impedir o uso da força contra elas.
— Seria bom que a comunidade internacional ficasse tão revoltada com o abuso de crianças que reagisse de forma dura. Há algumas semanas, o Conselho de Segurança estava tentando aprovar uma resolução condenando a Síria. Mas a Rússia e a China usaram seu poder de veto e ela não avançou. Isso aconteceu apesar de dois ou três dias antes a HRW ter publicado um relatório que tratou de violações contra crianças, incluindo mortes, prisões e torturas feitas pelas forças de segurança do governo da Síria — ressalta Levine.
O Globo
Massacres recentes expõem uso de crianças como meio para espalhar o medo
RIO - Desde o início do conflito na Síria, em março de 2011, os relatos de atrocidades cometidas pelo governo do presidente Bashar al-Assad contra os insurgentes só aumentam. A ONU estima que mais de oito mil pessoas já foram mortas. Nas últimas semanas, o cerco aumentou, com a tomada de áreas rebeldes e centenas de assassinatos. Porém, a chacina, na última segunda-feira, de 26 crianças (com vídeos amplamente divulgados que mostravam alguns corpos com sinais de tortura e gargantas cortadas) no bairro de Karm el-Zeitun, na castigada cidade de Homs, aprofundou preocupações com a escalada da violência no país. E com o uso de crianças como alvo deliberado para determinados fins.
O massacre, que vitimou também 21 mulheres, de acordo com os Comitês Locais de Coordenação da Síria, causou uma forte reação mundial. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e os chanceleres da França, Alain Juppé, e do Reino Unido, William Hague, entre outras autoridades internacionais, condenaram o episódio, em que o governo e os opositores acusam-se mutuamente.
— Na Síria, temos documentado muitos casos de violações contra crianças. É difícil dizer por que isso acontece, mas acho que muitas vezes é para criar uma situação de terror, de medo. Porque obviamente se nem as crianças são protegidas da violência, cria-se um alto nível de medo em qualquer população, e um governo ou um grupo rebelde podem usar esse pânico para atingir seus fins militares ou políticos — disse ao GLOBO, de Nova York, Ian Levine, diretor-executivo para programas da Human Rights Watch (HRW), que acompanha a situação no país.
De acordo com Jo Becker, diretora de Defesa da Divisão de Direitos das Crianças da mesma organização, pelo menos 600 crianças (bebês, inclusive) foram assassinadas desde o início dos conflitos no país no ano passado. Relatos recentes dão conta de que muitos adolescentes e crianças têm sido degolados.
— Documentamos extensos casos de assassinatos, prisões e torturas de crianças realizados pelas forças de segurança sírias em suas casas, escolas e nas ruas. Atiradores de elite miram nelas independentemente de sua idade. Algumas foram mutiladas dentro de suas próprias casas — conta Jo, acrescentando que muitas escolas, agora, são usadas como centros de detenção e tortura, inclusive de ex-alunos.
Segundo Peter Smerdon, porta-voz da Unicef em Nova York, a organização estima que há 1,5 bilhão de crianças e adolescentes com menos de 18 anos vivendo em 42 países afetados por violência e conflitos intensos. O número corresponde a dois terços da população infantil do mundo.
— A morte de crianças durante um conflito é algo condenável e deplorável. Eles podem tentar demonstrar poder, mas, na verdade, matar crianças é a coisa mais fácil do mundo, porque elas são inofensivas e praticamente não podem oferecer resistência. Não há nada a se ganhar com a morte delas — diz ele.
Os motivos que levaram um soldado americano a invadir casas afegãs em Panjwai, na província de Kandahar, no último domingo, ainda não estão claros. Mas a fragilidade das vítimas pode explicar, em parte, os números do massacre: dos 16 mortos, nove eram crianças — mais da metade.
De acordo com o relatório “Promoção e proteção dos direitos da criança” apresentado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha à ONU, em outubro de 2011, cerca de um milhão de crianças adquiriram alguma deficiência física durante a última guerra do Afeganistão, iniciada em 2001. No país, duas crianças morriam diariamente em 2010, de acordo com a Afghanistan Rights Monitor. O ano de 2009 foi o pior para os menores afegãos: mais de 1.050 morreram em ataques suicidas, bombardeios, explosões e trocas de tiros.
O uso de menores como alvos não é, entretanto, uma prática restrita à Síria e ao Afeganistão. Em setembro de 2004, terroristas chechenos separatistas invadiram uma escola com armas pesadas em Beslan, na Ossétia do Norte. Após três dias de cerco das tropas do governo, uma invasão a base de tiros de lança, rojão e tanques resultou na morte de 331 pessoas — 186 crianças. Dos 32 terroristas que participaram da ação, apenas um saiu vivo — e preso.
Além dos ataques deliberados, outro problema é o aliciamento de menores como crianças-soldados. Dias atrás, o caso do ugandense Joseph Kony, chefe do grupo Exército de Resistência do Senhor, ficou conhecido mundialmente após um vídeo viral expor seus crimes e sua situação de procurado número 1 pelo Tribunal Penal Internacional. Hoje, a mesma corte declarou culpado o congolês Thomas Lubanga, ex-líder da União de Patriotas Congoleses (UPC), por recrutar meninos soldados entre 2002 e 2003. Haia considera crime o uso de menores de 15 anos em conflitos armados.
— Crianças são recrutadas como soldados porque são consideradas bons soldados, capazes de serem dominadas por outros — observa Levine. — Apesar disso, sua situação é muito mais exposta hoje do que no passado, o que contribui para tentar impedir o avanço do problema.
Apesar de mais de 25 artigos nas Convenções de Genebra e em seus protocolos adicionais se referirem especificamente a crianças, ataques como o de Homs deixam claro o quão difícil é impedir o uso da força contra elas.
— Seria bom que a comunidade internacional ficasse tão revoltada com o abuso de crianças que reagisse de forma dura. Há algumas semanas, o Conselho de Segurança estava tentando aprovar uma resolução condenando a Síria. Mas a Rússia e a China usaram seu poder de veto e ela não avançou. Isso aconteceu apesar de dois ou três dias antes a HRW ter publicado um relatório que tratou de violações contra crianças, incluindo mortes, prisões e torturas feitas pelas forças de segurança do governo da Síria — ressalta Levine.
O Globo
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