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sábado, 14 de julho de 2012
Família brasileira poderá continuar disputa na Justiça americana para ver Sean Goldman
Antes tínhamos só um não; agora temos esperança’, diz padrasto do menino, há dois anos sem vir ao Brasil
RIO - O caso do menino Sean Goldman, de 12 anos, ganhou esta semana um novo capítulo. A divisão de apelações da Corte Superior de Nova Jersey, nos Estados Unidos, decidiu que a família brasileira do garoto poderá continuar a disputa na Justiça norte-americana para obter o direito de visitá-lo.
O caso do menino Sean Goldman, de 12 anos, ganhou esta semana um novo capítulo. A divisão de apelações da Corte Superior de Nova Jersey, nos Estados Unidos, decidiu que a família brasileira do garoto poderá continuar a disputa na Justiça norte-americana para obter o direito de visitá-lo.
Sean é alvo de uma grande batalha judicial envolvendo o pai, David Goldman, e a família da mãe, Bruna Bianchi, que morreu em 2008. Desde 2009 morando com David nos Estados Unidos, Sean não vem ao Brasil há dois anos e seis meses.
No início do ano passado foi negado um pedido de Silvana Bianchi, avó materna de Sean, para visitar o neto nos Estados Unidos sem obedecer às condições impostas pelo pai do menino.
O advogado Frans Nederstigt, que representa Silvana, afirma que a decisão da Justiça norte-americana, em primeira instância, dava ênfase aos argumentos de David, e que a revisão do parecer se deve ao fato de os juízes entenderam que a as condições exigidas não eram razoáveis.
- A avó materna aceitou algumas das condições, como a não divulgação na imprensa das conversas com o neto e a retirada das ações judiciais em andamento no Brasil. Mas é importante que haja uma audiência. Alguns pontos, como o pagamento de US$ 200 mil para os advogados de David, ainda têm que ser discutidos.
De acordo com o padrasto de Sean, João Paulo Lins e Silva, a família materna continua sem qualquer tipo de contato com o menino. No entanto, ele acredita que a recente decisão da Justiça norte-americana pode dar fim ao drama pelo qual a família passa há mais de três anos.
‑ Ainda faltam mais alguns passos, mas essa decisão a nosso favor foi muito importante. Antes tínhamos só um "não". Agora ganhamos esperança ‑ afirma.
Em abril, em entrevista ao canal americano NBC, Sean falou pela primeira vez na imprensa sobre sua vida após retornar para os Estados Unidos com o pai e contou que percorreu um longo caminho até retomar o vínculo com David, mas nos últimos anos conseguiu estabelecer uma relação pai-filho verdadeira.
O advogado Ricardo Zamariola Junior, representante de David no Brasil, disse que ficou sabendo da decisão à favor da família materna pela imprensa e se recusou a falar sobre o caso.
O Globo
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terça-feira, 1 de maio de 2012
SEAN
Essa é a verdade e espero que acreditem e esqueçam o resto....
Você e eu temos um carinho especial pelos personagens dessa história tão sem cabimento, não é verdade? Estou feliz de ver o Sean calmo, bonito, com um sorrisinho tão simpático quando fala. Digo, a quem esteja lendo estes comentários, que conheço essa "tragédia" desde o primeiro dia em que o pai iniciou a sua defesa aqui no Brasil. Os jornais gostam de sensacionalismo e conseguiram fazer disto uma "chanchada" brasileira. Desde quando o trabalho de alguém deve vir a público como fez a defesa da família brasileira? Parecia o lançamento de filme, advogado dando entrevistas, sentindo-se o máximo diante das câmeras. É claro que a opinião pública é manipulada com isso. Mas acabou com um preço muito alto para o garoto, expondo sua vida com total falta de respeito por parte da imprensa. Mas isso dá notícia, o povo gosta de dramalhão. Sei de longa data que ele está bem , tem uma pessoa que o vê de tempos em tempos e diz que dentro do que uma criança pode entender de tudo que aconteceu, ele está muito bem centrado.
Os jornais deram ênfase só à família brasileira, mas o "jeitinho" brasileiro não funciona sempre, principalmente para governos que cuidam de seus cidadãos doa a quem doer, e o americano faz isso, é duro, mas temos que reconhecer que competência não se compra no boteco da esquina, competência se consegue com trabalho e clareza nas atitudes. Nada disso teria acontecido se a política não tivesse seu dedinho no meio. e o povo não percebeu isso. A avó me perdoe, mas amar é deixar o nosso sentimento de lado e proporcionar o melhor para aquele que amamos. E pai é pai, o garoto não era órfão de pai. E ele é uma boa pessoa, tem os mesmos defeitos que todos nós pais de coração aberto temos : ama seu filho. Alguma vez a justiça brasileira tomou providências quando ele veio ver o filho, com autorização judicial, e a família saía, viajava, e dizia não ter sido notificada ? Que grande mentira ! Vai uma pessoa sem recursos afrontar uma ordem judicial e veja o que acontece. Então, deixando o bairrismo de lado, vamos torcer para que essa fase da vida do Sean seja bem superada e que ele seja uma pessoa que pratique esse amor pelas pessoas, como a luta de seu pai demonstrou por ele. Lamento pela sua irmãzinha, mas quem forçou a barra foram seus familiares, alguém acredita que o governo americano vai permitir que o menino venha visitá-la simplesmente? Vai exigir tudo, absolutamente tudo, que foi exigido aqui no Brasil.
A avó foi convidada para visitá-lo, mas ela quer que seja do jeito dela, mas lá não há apadrinhamentos e fica difícil. Afirmo : esse pai batalhou, sofreu, chorou, ficou frustrado inúmeras vezes, veio ao Brasil um montão de vezes e perdeu a viagem. Americanos fizeram campanhas para ajudá-lo e isso foi encarado como "comércio", e eu, desde que não comprometesse minha honra, tentaria absolutamente tudo para ter meu filho de volta, e então também divulguei o site que pedia a volta de Sean para a casa em que nasceu, mas o que ninguém prestou atenção foi o seguinte : A CRIANÇA SERIA LEVADA DE VOLTA PARA CASA E TUDO CONTINUARIA A SER JULGADO LÁ, E SE A MÃE FOSSE CONSIDERADA O MELHOR PARA SUA CRIAÇÃO, ELE VOLTARIA PARA O BRASIL. BASTAVA QUE A FAMÍLIA BRASILEIRA MOSTRASSE SEU BEM QUERER PELA CRIANÇA, QUE SUA CRIAÇÃO ERA MAIS ADEQUADA AQUI, E TUDO SERIA BEM AVALIADO, E QUEM SABE, HAVERIA UM ACORDO FAMILIAR PELO BEM DO GAROTO ? Afinal não é assim aqui no nosso dia a dia ? Visitas periódicas dos progenitores ? Por que não para esse menino?
Sejamos realistas: a família materna acreditou na pizza brasileira e não contava com a persistência do pai, assim apelou para todas as bobagens que vimos.A vida de cada um não é pública, então nunca veremos esclarecido "tudinho" pela imprensa. Afirmo : esse pai lutou pelo filho desde o momento em que foi avisado que sua família não voltaria para sua casa, seu lar. Há muitos podres ! Mas não nos interessa, vai mudar nossa vida em alguma coisa? Deveria mudar sim, pois casos como esse tem muitos correndo nos nossos tribunais, e ninguém vai atrás, ou seja, só se comove pela informação de um caso e esquece. Devemos usar essa indignação que vejo nos comentários por aí afora, para ajudar a toda criança que precisa ser protegida da insensatez dos adultos. Não conheço Sean pessoalmente mas o entendo, e desejo que sua vida seja feliz, que se movimente pelo bem estar do próximo, da mesma forma que recebeu a ajuda de desconhecidos em sua terra natal, e ele é brasileiro também, não vamos esquecer disto!!!! Amar um filho é viver com o coração fora do peito ! Li isso há tanto tempo ... sou avó, e dizemos que amamos os netos diferente, não é verdade, é igual ao amor pelos filhos, mas "curtimos" diferente, temos alguma experiência a mais e nosso coração se derrete a cada momento delicioso que eles nos proporcionam. Abraços a todos.
Comentário recebido por e-mail
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Caso David
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Família brasileira pode entrar com nova ação nos EUA para ver Sean
Sean Goldman falou à TV americana NBC pela 1ª vez desde início do caso.
Psicanalista contratado pela família brasileira do menino analisou entrevista.
A família brasileira de Sean Goldman, de 11 anos, pode entrar com uma nova ação na Justiça Federal dos Estados Unidos para que possa visitar o menino. A informação foi dada pelo advogado da família, Carlos Nicodemos.
"A medida será tomada caso não se consiga obter a visitação da avó materna ao menino pelas autoridades", afirmou Nicodemos, em coletiva realizada na tarde desta segunda-feira (30). Também participaram da entrevista outro advogado, Frans Nerdestig, e o psicanalista Luiz Alberto Py, contratado pela família para analisar a entrevista de Sean à rede NBC, reproduzida com exclusividade no domingo (29), pelo Fantástico.
Segundo documento apresentado pelos advogados, a Autoridade Central americana informou que não atuará mais no caso, alegando que já existe uma ação nesse sentido na comarca do estado americano de New Jersey e porque a Convenção de Haia não prevê pedidos de visita por avós. Os dois argumentos são contestados pelos advogados.
"Não há nenhuma pretensão de reversão da guarda que foi alcançada pelo pai, David Goldman, no Supremo Tribunal Federal. A família reclama, nesses dois anos e quatro meses (desde que Sean voltou para os Estados Unidos), o direito de visita, não só da avó, Silvana Bianchi, como dos tios, da irmã", afirmou Nicodemos.
O advogado criticou bastante as autoridades brasileiras e americanas na condução do caso. "Para nós, tudo isso contraria o princípio da reciprocidade, considerando todos os esforços feitos pelo Brasil na saída de Sean daqui. O que nos chama a atenção não é só a negativa das autoridades americanas, mas o silêncio das autoridades brasileiras. Onde fica a autoridade do Ministério das Relações Exteriores e do Itamaraty? Isso coloca o Brasil em condições de subserviência em relação aos Estados Unidos. Gostaríamos de saber o motivo que leva ao silêncio do Itamaraty e das autoridades brasileiras", declarou o advogado.
O G1 procurou o Itamaraty, mas até agora não obteve retorno.
Psicanalista diz que Sean é forte
O psicanalista Luiz Alberto Py, contratado pela família brasileira para analisar a entrevista à TV americana, afirmou que o menino estava "tenso e desconfortável". "Causou dor olhar a entrevista e ver o menino submetido a isso. De certa forma eu vejo com otimismo como ele consegue driblar esse desconforto. É um sobrevivente, com a personalidade muito forte, felizmente", afirmou o psicanalista.
"Essas pessoas fortes tendem a se sentir amadas. Sean deve pensar: 'Poxa, me amam tanto que até brigam por mim'", avaliou Py, acrescentando que considerou a entrevista "invasiva" e "desnecessária".
Segundo o psicanalista, a exposição pode causar um dano ao menino, mas "isso só pode ser avaliado por um terapeuta".
Py destacou o olhar parado de Sean e algumas respostas monossilábicas como sintomas de sua tensão. Para o psicanalista, o menino estava confuso e evitou todo o tempo o confronto. Apesar disso, acha que Sean foi espontâneo em algumas respostas. Py não soube avaliar se o garoto foi obrigado a dar a entrevista: "Não sei se foi, seria especulativo, mas ele enfrenta. 'Chegou a hora de dar a entrevista, eu dou'. E o pai tem um lado positivo, e ele vai atrás desse lado bom do pai", afirmou.
Embora considere que há riscos de que essa exposição na mídia provoque danos ao menino, Py disse que o mais importante é sua capacidade de sobreviver aos traumas: "Ele tem uma robustez para enfrentar as dificuldades", avaliou o psicanalista.
Avó brasileira considera 'crueldade'
A avó materna de Sean, Silvana Bianchi, disse ao G1 na quinta (26) que considera a entrevista "uma crueldade". "Não cheguei a ver e nem quero ver. Fiquei sabendo da reportagem por jornalistas, que me relataram alguns trechos do que o Sean teria dito na entrevista. Eu me reservo ao direito de não assistir porque eu acho isso uma crueldade. Eu acho que é uma exposição", afirmou Silvana.
Silvana reclamou ainda da falta de contato com o menino. "Há um ano e meio que eu não tenho uma palavra do meu neto, nenhuma palavra, nem e-mail nem telefonema. O menino está totalmente bloqueado junto ao pai. Se ele já tem tudo isso que ele mais desejava na vida, por que continua essa exposição dessa criança na imprensa? Eu acho isso uma crueldade, por isso que eu não quero ver", disse.
A entrevista
Durante a entrevista exibida na sexta-feira (27), Sean Goldman disse que, quando sua mãe se casou novamente, ela falou para ele que o advogado João Paulo Lins e Silva era seu pai. É a primeira vez que ele fala desde o início do caso.
"Minha mãe casou com outra pessoa e me falou: Este é seu pai", afirmou. Questionado se ele simplesmente aceitou aquilo, ele respondeu: "Sim, porque eu não queria deixar ninguém bravo."
Sean aparece falando em sua primeira entrevista desde o polêmico caso
"Do que eu me lembro, eu estava confuso. O que está acontecendo, onde está meu pai?", conta. O menino afirma que não questionava a família sobre o paradeiro do pai. "Isso só me deixaria triste de novo. Eles provavelmente diriam: eu não sei. (...) Sim, talvez fosse um pouco de medo [da resposta que receberia]", disse.
Sean contou que aprendeu a se fechar contra o que sentia. "Eu não queria ser diferente, então eu meio que espantava os sentimentos e tentava viver com a situação."
Quando perguntado se ele sabia das idas de seu pai ao Brasil para tentar vê-lo, Sean negou. "Não, eu não tinha nenhuma ideia". Segundo ele, os familiares brasileiros não o informavam sobre aquilo.
Sean elogia o pai
Quando a apresentadora pede que ele compare o período de cinco anos no Brasil e os últimos dois anos, desde que chegou aos EUA, Sean elogia o pai.
"Os últimos dois anos foram um pouco [mais fáceis], porque meu pai tem ajudado muito, mas os cinco anos [no Brasil] não foram muito fáceis. (...) Agora, eu tenho um guia, meu pai. Não sei como explicar, temos esse elo. Por isso aqui é mais fácil, porque eu tenho um pai."
Sean disse se lembrar de quando, em dezembro de 2009, foi levado do Rio de Janeiro de volta a Tinton Falls, Nova Jersey, onde hoje mora.
"Lembro de ser arrastado por ruas cheias de cinegrafistas. Muitas pessoas empurrando", disse. "E ouvir muita gritaria e gente chamando meu nome. Eu só queria escapar de todos."
"Eu lembro de ter ido ao avião, e meu pai estava olhando e acenando. Eu disse para ele se apressar porque eu queria entrar no avião e voltar para os EUA."
Visita da avó
O pai de Sean, David Goldman, também foi ouvido na reportagem. Ele falou sobre sua ex-sogra, Silvana Bianchi, que segue com um processo na Justiça americana apelando pelo direito de visitar o neto.
"Quem disse que eu não permito que ela o veja? Ela pode vir e vê-lo quando ela quiser, levando em conta algumas condições que eu seria um idiota se não impusesse. Porque se fosse por ela, eu nunca mais veria meu filho e ele ainda estaria no Brasil. Ela precisa parar com os processos e então vir para a terapia, com o terapeuta do Sean, conversar e ouvir o aconselhamento sobre como ela deve agir", afirmou Goldman.
Ele afirmaou que, se o filho demonstrasse vontade de rever a avó, ele daria apoio, mas que isso não acontece. "Várias vezes, nos feriados, eu dizia 'Vamos ligar? Nós deveríamos ligar', mas ele não queria. E eu não sei até onde devo insistir", diz Goldman. Mas afirma que, caso o menino quisesse o encontro, ele seria nos Estados Unidos.
Sean cogitou visitar os parentes brasileiros, mas no futuro. "Quero estar mais velho antes de voltar ou algo assim. (...) Porque eu provavelmente vou conseguir lidar com mais coisas, com mais sentimentos. (...) Eu ainda tenho 11 anos. Talvez aos 16 ou 18 eu possa tentar."
Disputa judicial
A disputa judicial pela guarda do garoto começou depois da morte da mãe de Sean, Bruna Bianchi, em 2008.
Antes da decisão da Justiça brasileira autorizando a permanência do garoto com o pai biológico, Sean morava no Brasil havia quase 5 anos, após ter sido trazido dos Estados Unidos pela mãe.
Já no Brasil, Bruna Bianchi se separou de David e se casou com o advogado João Paulo Lins e Silva.
Em 2008, após a morte de Bruna, o padrasto ficou com a guarda provisória da criança.
David Goldman, no entanto, entrou na Justiça e pediu o retorno da criança aos Estados Unidos.
O presidente dos EUA, Barack Obama, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, pressionaram pela entrega de Sean.
Pai, padrasto e avós maternos da criança travaram uma batalha jurídica pela guarda do menino.
O caso começou na Justiça estadual do Rio e depois passou para a jurisdição federal.
Goldman argumentou que o Brasil violava uma convenção internacional ao negar seu direito à guarda do filho.
Já a família brasileira do garoto dizia que, por “razões socioafetivas”, o que inclui a convivência com sua meia-irmã, Chiara, ele deveria permanecer no país, ao qual já estava adaptado.
A Justiça brasileira, no entanto, ordenou a entrega do menino ao pai biológico.
A avó de Sean ainda recorre, no Supremo Tribunal Federal, da decisão judicial que o mandou morar com o pai nos Estados Unidos.
O plenário do tribunal deve analisar o caso, em data ainda não definida.
G1
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sábado, 28 de abril de 2012
“Minha mãe casou com outro cara e disse: este é seu pai”, diz Sean
Em entrevista à rede americana de TV NBC, o menino afirmou que visitar a família no Brasil faz parte de seus planos, mas que só fará a viagem quando ficar mais velho
WASHINGTON - Na entrevista veiculada às 23h desta sexta-feira do Brasil pela rede americana de TV NBC, o menino Sean Goldman afirma à apresentadora Meredith Vieira, do "Dateline", que sua mãe, Brunna Bianchi, disse a ele, após casar, que o advogado João Lins e Silva era o seu pai:
— Minha mãe casou com outro cara e disse: esse é seu pai - afirmou o menino. — Eu sabia que ele não era meu pai, mas eu não dizia nada, porque eu não queria deixar ninguém zangado.
O programa é entremeado com imagens de arquivo, que recontam a história do menino e da batalha judicial por sua guarda, e declarações do pai, também em entrevista a Meredith Vieira. A cada etapa da história de Sean o programa volta à entrevista com o garoto, que responde sobre determinado tópico. A versão da família brasileira foi mencionada no programa, que utiliza linguagem e música bastante emocionais.
Respondendo a muitas perguntas de forma curta e direta, Sean disse que, nos anos que ficou no Brasil, ninguém lhe disse que seu pai, David Goldman, estava tentando vê-lo, inclusive com viagens ao Brasil. Perguntado por Meredith Vieira se tinha conhecimento à época da batalha do pai, respondeu:
— Nenhuma ideia.
A apresentou insistiu, indagando se ninguém no Brasil havia contado para ele:
— Não - respondeu o menino.
Sean se disse confuso com a ausência do pai na temporada que passou no Brasil. Perguntado se entendia o que ocorria, respondeu:
— Não, do que eu me lembro eu estava confuso. O que está acontecendo? Cadê meu pai?
Indagado se ficou zangado à época com o pai, Sean negou:
— Não zangado, eu estava confuso. Porque... cadê meu pai?
O menino diz à apresentadora que "não, nunca" esqueceu David Goldman:
— É uma grande parte da sua vida quando você é uma criança, seu pai. Você quer seu pai.
Ele disse que o reencontro com o pai, no início de 2009, na casa onde vivia, após quatro anos e meio, quando brincaram na piscina, foi um momento de "muita felicidade" e que os sentimentos "ressurgiram" quando o viu:
— Como alegria. Eu só o encontrei, alegria, e eu estava feliz, realmente feliz.
Hoje vivendo com David em Nova Jersey, Sean diz que o pai é um modelo para ele:
— Meu pai, ele é um guia. Eu não sei como explicar, é simplesmente este vínculo, de que ele está ali.
"Quero ficar mais velho para voltar" ao Brasil, diz o menino Sean
Na entrevista, o menino disse que voltar ao Brasil para visitar a família faz parte de seus planos, mas que só fará a viagem quando ficar mais velho. Para Sean, que completará em breve 12 anos, quando tiver 16 ou 18 anos ele terá mais condições de lidar emocionalmente com a situação.
— Talvez algum dia eu visite (a família brasileira), mas eu quero ficar mais velho antes de eu voltar lá. Porque eu posso lidar mais (com a situação) - disse Sean, dizendo que tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos há pessoas que se importam com ele.
O garoto afirmou que não pensa muita em sua avó, Silvana Bianchi, como uma forma de se proteger. Perguntado se pensa na avó, respondeu:
— Na verdade, não, porque eu fico triste. E ninguém gosta de ficar triste.
O pai do menino, David Goldman, afirmou em entrevista ao mesmo programa que se Sean manifestar interesse em encontrar a avó, dirá a ele para ligar para Silvana, que eles tentarão encontrar uma forma de fazer o encontro acontecer. Ele garantiu que encoraja o filho a ligar para a família brasileira.
David Goldman contou no programa que Sean ainda frequenta sessões de terapia e que passou por um teste no ano passado. O pai viajou por alguns dias no verão e o deixou com os avós maternos, quando ficou claro, segundo David, que o garoto ainda se recupera de um trauma.
— Na quarta noite, ele acordou após pesadelos de que estava sendo perseguido no Brasil (...). Era um teste pelo qual ele tinha que passar.
No início do programa, a apresentadora disse a Sean que o pai havia lhe contado que ele tinha tido problemas com Matemática, mas que hoje era um estudante de primeira linha. O menino respondeu:
— Assim é a vida, superar desafios.
Ele afirmou que fica triste às vezes com o fato de sua mãe, Bruna Bianchi, ter morrido em 2008, mas que tenta se acostumar à situação. Segundo o pai do garoto, Sean faz referências de vez em quando à mãe, como por exemplo lembrar que ela gostava de determinada música. Ele garantiu que mantém viva a memória de Bruna na vida do filho, por exemplo mencionando ocasionalmente um restaurante que ela gostava de frequentar.
No texto lido pela apresentadora enquanto imagens de Sean com Bruna eram veiculadas, Meredith Vieira disse que a morte da mãe é um dos assuntos nos quais Sean hesita falar. Em seguida, ela perguntou diretamente ao menino se ele fala de Bruna com o pai:
— Às vezes eu fico triste, porque toda criança que tenha um pai ou mãe que já morreu fica triste de vez em quando. Mas, você sabe, eu tento viver com isso.
Adiante, ele brinca. Indagado se o seu maior desafio no retorno aos Estados Unidos foi retomar o inglês, Sean respondeu:
— Na verdade, não - disse ele. — Acho que o maior desafio foi voltar a ficar em forma. Já perdi uns 13,5 a 18 quilos (em dois anos e meio
O Globo
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quinta-feira, 26 de abril de 2012
Sean Goldman dá entrevista a TV
Garoto, hoje morando em Nova Jersey, diz que seu pai é o 'melhor amigo'.
Guarda do menino ainda está em disputa com a família da mãe brasileira.
O garoto Sean Goldman, pivô de uma polêmica internacional sobre custódia entre seu pai americano e a família brasileira de sua mãe, deu uma entrevista que deve ir ao ar nesta sexta-feira (27) na TV americana NBC.
É a primeira vez que ele fala desde o início do caso.
Jornais americanos adiantaram partes da entrevista para o programa "Dateline NBC". Nelas, Sean diz que seu pai, David Goldman, é "seu melhor amigo" e relembra os dois anos em que vivem juntos no estado americano de Nova Jersey.
"Outros pais podem ser só pais. Mas ele é mais que um pai", diz Sean a respeito de David, que encarou uma longa disputa judicial para ter sua custódia.
Questionado sobre como era sua vida no Brasil antes da volta para os EUA, Sean, hoje com 11 anos, disse:
"Eu não estava com raiva, mas estava confuso", disse, sempre em inglês. "Onde estava meu pai? Eu tinha medo de perguntar."
Sean disse se lembrar de quando, em dezembro de 2009, foi levado do Rio de Janeiro de volta a Tinton Falls, Nova Jersey, onde hoje mora.
"Lembro de ser arrastado por ruas cheias de cinegrafistas. Muitas pessoas empurrando", disse. "E ouvir muita gritaria e gente chamando meu nome. Eu só queria escapar de todos."
"Eu lembro de ter ido ao avião, e meu pai estava olhando e acenando. Eu disse para ele se apressar porque eu queria entrar no avião e voltar para os EUA."
Disputa judicial
A disputa judicial pela guarda do garoto começou depois da morte da mãe de Sean, Bruna Bianchi, em 2008.
Antes da decisão da Justiça brasileira autorizando a permanência do garoto com o pai biológico, Sean morava no Brasil havia quase 5 anos, após ter sido trazido dos Estados Unidos pela mãe.
Já no Brasil, Bruna Bianchi se separou de David e se casou com o advogado João Paulo Lins e Silva.
Em 2008, após a morte de Bruna, o padrasto ficou com a guarda provisória da criança.
David Goldman, no entanto, entrou na Justiça e pediu o retorno da criança aos Estados Unidos.
O presidente dos EUA, Barack Obama, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, pressionaram pela entrega de Sean.
Pai, padrasto e avós maternos da criança travaram uma batalha jurídica pela guarda do menino.
O caso começou na Justiça estadual do Rio e depois passou para a jurisdição federal.
Goldman argumentou que o Brasil violava uma convenção internacional ao negar seu direito à guarda do filho.
Já a família brasileira do garoto dizia que, por “razões socioafetivas”, o que inclui a convivência com sua meia-irmã, Chiara, ele deveria permanecer no país, ao qual já estava adaptado.
A Justiça brasileira, no entanto, ordenou a entrega do menino ao pai biológico.
A avó de Sean ainda recorre, no Supremo Tribunal Federal, da decisão judicial que o mandou morar com o pai nos Estados Unidos.
O plenário do tribunal deve analisar o caso, em data ainda não definida.
Para avó, entrevista é 'crueldade'
A avó materna de Sean, Silvana Bianchi, disse ao G1 na tarde desta quinta (26) que considera a entrevista "uma crueldade". "Não cheguei a ver e nem quero ver. Fiquei sabendo da reportagem por jornalistas, que me relataram alguns trechos do que o Sean teria dito na entrevista. Eu me reservo ao direito de não assistir porque eu acho isso uma crueldade. Eu acho que é uma exposição", afirmou Silvana.
Silvana reclamou ainda da falta de contato com o menino. "Há um ano e meio que eu não tenho uma palavra do meu neto, nenhuma palavra, nem e-mail nem telefonema. O menino está totalmente bloqueado junto ao pai. Se ele já tem tudo isso que ele mais desejava na vida, por que continua essa exposição dessa criança na imprensa? Eu acho isso uma crueldade, por isso que eu não quero ver", disse.
G1
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segunda-feira, 9 de maio de 2011
'Sean nunca pergunta do Brasil', diz pai em entrevista para TV dos EUA
Foram exibidas as primeiras imagens do menino em quase um ano e meio.
Pai não permite visitas da família brasileira.
Pai não permite visitas da família brasileira.
Sean Goldman, envolvido em uma batalha judicial entre suas famílias no Brasil e nos Estados Unidos, nunca mais perguntou da família materna desde que retornou a Nova Jersey em dezembro de 2009. A afirmação foi feita pelo seu pai, David Goldman, em entrevista para a rede de TV NBC na noite deste domingo (8). No programa de uma hora de duração, foram exibidas as primeiras imagens do menino em quase um ano e meio.
"Ele nunca pergunta da família do Brasil", disse o David Goldman, que na semana passada lançou o livro "A father's love", pela editora Penguin Books, em que conta a sua versão da disputa pela guarda de Sean.
O pai admitiu que, algumas vezes, Sean afirma sentir falta da mãe.
No programa, também foram exibidas entrevistas com a avó brasileira, Silvana Bianchi, e seus advogados no Brasil e nos EUA. Eles reclamaram que David Goldman não cumpriu acordo para que a família materna pudesse visitar Sean. "Gostaria de expressar a minha preocupação com a situação emocional dele", afirmou Silvana.
A avó acrescentou ainda que o avô do menino, que morreu recentemente, também teria morrido com o peso de não ter visto o neto pela última vez.
David Goldman reagiu às afirmações dizendo que não permite as visitas "porque a família (brasileira) continua apelando na Justiça" e ele teme que o menino seja sequestrado pela avó ou o padrasto, João Paulo Lins e Silva, que se casou com Bruna Bianchi, mãe do menino. O pai disse ainda que o avô não pôde visitar o neto por culpa da avó.
G1
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quinta-feira, 14 de abril de 2011
Governo diz que vai ajudar avós em visitas a Sean
A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário disse que o governo vai ajudar nas negociações para garantir o cumprimento da Convenção de Haia e permitir que a família brasileira de Sean Goldman o visite. As informações são da Agencia Brasil.
Depois de se reunir com Silvana Bianchi, avó da criança, Rosário disse que “nós vamos apoiar a família brasileira para que o menino tenha contato com a avó”.
O advogado de Bianchi, Carlos Nicodemos, reconhece que, agora, houve uma tomada de posição do governo brasileiro e o caso virou uma questão entre Estados. Para o advogado, o cumprimento do direito da avó virou um interesse do Estado brasileiro.
Sean Goldman, hoje com dez anos, é filho do americano David Goldman e da brasileira Bruna Ribeiro, já morta, filha de Silvana e Raimundo. Ao trazer Sean ao Brasil, Bruna se casou com o advogado João Paulo Lins e Silva, que também tem se empenhado para reverter o atual quadro.
Nascido nos Estados Unidos, Sean foi trazido para o Brasil em 2004 pela mãe e aqui foi retido, contra a vontade do pai. Depois de uma longa batalha judicial em tribunais americanos e brasileiros, David conseguiu, em 2009, levar o menino de volta para os Estados Unidos. Desde então Silvana continuam tentando na Justiça recuperar a guarda de Sean e trazê-lo de volta para o Brasil. A luta dos avós sofreu um abalo com a morte de Raimundo, marido de Silvana, no início do ano.
Em 17 de fevereiro, a Corte Superior de Nova Jersey negou o pedido de Silvana e Raimundo Ribeiro, avós de Sean, para visitar o neto nos Estados Unidos sem ter que obedecer às condições impostas pelo pai da criança, David Goldman. Entre outras exigências, David pedia que fossem suspensas as ações contestando seu pátrio poder que os avós sustentam contra ele no Brasil. Os avós recusaram as exigências.
Outros pedidos de visita foram feitos, mas foram negados pelo Departamento de Estado norte-americano. Agora, acredita-se que as tentativas terão como reforço os acertos feitos entre a presidenta Dilma Rousseff e o presidente americano, Barack Obama, quando ele veio ao Brasil em março.
Em comunicado conjunto, os dois chefes de Estado afirmaram que há disposição para solução de situações pendentes relativas às crianças entre os dois países. “Agora, eu saio daqui com a certeza de que o Brasil está junto comigo para me ajudar a visitar meu neto”, disse a avó de Sean.
Conjur
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quinta-feira, 24 de março de 2011
Advogado diz que David Goldman deixou Sean ver avô antes de morrer

Nota afirma que família brasileira não retornou ligações.
Advogados da família Bianchi negam e dizem que Sean está obeso.
Três dias após a morte do avô materno do menino Sean Goldman, de 10 anos, os advogados de David Goldman, pai biológico da criança, informaram em nota divulgada à imprensa que entraram em contato com a família para marcar uma visita do garoto ao avô, mas não recebeu retorno.
Entretanto, o advogado da avó materna do menino, Carlos Nicodemos, disse ao G1, nesta quinta-feira (24), que a família brasileira de Sean não recebeu qualquer tipo de contato.
"Não procede a informação. Nenhum contato sequer foi facilitado pela família, nem mesmo a visita consular, que é aquela em que a autoridade consular brasileira nos Estados Unidos vai ver condições psicossociais dele, muito menos para os avós verem o Sean", afirmou Nicodemos.
O advogado disse ainda que há 15 meses o máximo permitido à família Bianchi foram dois telefonemas para o menino, com a restrição de serem em inglês e monitorados.
O avô de Sean, Raimundo Bianchi, estava internado com câncer no pulmão há 40 dias no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
De acordo com os advogados do pai de Sean no Brasil e nos Estados Unidos - Ricardo Zamariola Junior e Patricia Apy - logo que foram informados sobre o estado de saúde do avô materno, no dia 23 de fevereiro, eles entraram contato com Jonathan Wolfe, subscritor do pedido de visitação em nome dos avós brasileiros.
Pai queria que encontro fosse fora do Brasil
O objetivo do contato, segundo os advogados, era discutir os termos em que a visita poderia ser realizada, sugerindo contato por telefone ou até mesmo um deslocamento do menor para um país próximo ao Brasil, caso o avô não pudesse viajar aos Estados Unidos.
Ainda de acordo com a defesa de David Goldman, o subscritor não retornou o contato feito para que a visita fosse providenciada. "Ao contrário, dias depois Patricia Apy foi intimidada a responder aos termos de novo pedido judicial de visitação forçada apresentado pelos avós brasileiros nos EUA", diz a nota.
Obesidade e depressão
O advogado Sérgio Tostes, que também defende a família Bianchi na Justiça, afirmou ao G1, na última quarta-feira (23), que recebeu informações de vizinhos de Sean nos Estados Unidos de que o menino estaria com um quadro depressivo e com obesidade mórbida.
Os advogados de David negaram a informação, em nota. "São absolutamente lamentáveis as afirmações atribuídas hoje pela imprensa ao advogado Sérgio Tostes, no sentido de que o menor Sean sofreria de obesidade mórbida e quadro depressivo – essas afirmações não correspondem à realidade e dificultam ainda mais o encontro de um entendimento entre duas famílias cujo relacionamento é já tão desgastado", diz o texto.
Advogados da família Bianchi negam e dizem que Sean está obeso.
Três dias após a morte do avô materno do menino Sean Goldman, de 10 anos, os advogados de David Goldman, pai biológico da criança, informaram em nota divulgada à imprensa que entraram em contato com a família para marcar uma visita do garoto ao avô, mas não recebeu retorno.
Entretanto, o advogado da avó materna do menino, Carlos Nicodemos, disse ao G1, nesta quinta-feira (24), que a família brasileira de Sean não recebeu qualquer tipo de contato.
"Não procede a informação. Nenhum contato sequer foi facilitado pela família, nem mesmo a visita consular, que é aquela em que a autoridade consular brasileira nos Estados Unidos vai ver condições psicossociais dele, muito menos para os avós verem o Sean", afirmou Nicodemos.
O advogado disse ainda que há 15 meses o máximo permitido à família Bianchi foram dois telefonemas para o menino, com a restrição de serem em inglês e monitorados.
O avô de Sean, Raimundo Bianchi, estava internado com câncer no pulmão há 40 dias no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
De acordo com os advogados do pai de Sean no Brasil e nos Estados Unidos - Ricardo Zamariola Junior e Patricia Apy - logo que foram informados sobre o estado de saúde do avô materno, no dia 23 de fevereiro, eles entraram contato com Jonathan Wolfe, subscritor do pedido de visitação em nome dos avós brasileiros.
Pai queria que encontro fosse fora do Brasil
O objetivo do contato, segundo os advogados, era discutir os termos em que a visita poderia ser realizada, sugerindo contato por telefone ou até mesmo um deslocamento do menor para um país próximo ao Brasil, caso o avô não pudesse viajar aos Estados Unidos.
Ainda de acordo com a defesa de David Goldman, o subscritor não retornou o contato feito para que a visita fosse providenciada. "Ao contrário, dias depois Patricia Apy foi intimidada a responder aos termos de novo pedido judicial de visitação forçada apresentado pelos avós brasileiros nos EUA", diz a nota.
Obesidade e depressão
O advogado Sérgio Tostes, que também defende a família Bianchi na Justiça, afirmou ao G1, na última quarta-feira (23), que recebeu informações de vizinhos de Sean nos Estados Unidos de que o menino estaria com um quadro depressivo e com obesidade mórbida.
Os advogados de David negaram a informação, em nota. "São absolutamente lamentáveis as afirmações atribuídas hoje pela imprensa ao advogado Sérgio Tostes, no sentido de que o menor Sean sofreria de obesidade mórbida e quadro depressivo – essas afirmações não correspondem à realidade e dificultam ainda mais o encontro de um entendimento entre duas famílias cujo relacionamento é já tão desgastado", diz o texto.
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Caso David
terça-feira, 22 de março de 2011
Avô do menino Sean Goldman morre no Rio aos 65 anos
Segundo esposa, Raimundo Carneiro Ribeiro Filho tinha câncer de pulmão.
Ele estava internado há 40 dias no Hospital Copa D’Or, em Copacabana
O avô materno do menino Sean Goldman, de 10 anos, Raimundo Carneiro Ribeiro Filho, de 65, morreu na noite desta segunda-feira (21), vítima de câncer de pulmão. Segundo Silvana Bianchi, avó de Sean, o marido estava internado há 40 dias no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Desde 2009, Sean mora com o pai biológico, o norte-americano David Goldman, nos EUA. O menino foi entregue ao pai depois de uma luta judicial no Brasil por sua guarda. David iniciou a briga com a família brasileira depois da morte da mãe de Sean, a estilista Bruna Bianchi.
De acordo com Silvana Bianchi, um dos últimos desejos de Raimundo era de poder ver o neto antes de morrer. A família, então, entrou com um pedido na Justiça para que Sean pudesse visitar o avô no hospital. No entanto, segundo ela, esse pedido foi negado. Ela afirmou que não conseguiu comunicar ao neto sobre o falecimento do avô. Abalada, Silvana disse que não vai desistir.
“Meu marido morreu com uma enorme tristeza na alma por causa dessa sentença covarde e injusta. Mesmo lutando contra o câncer, ele nunca deixou de acreditar que veria o neto novamente e o que ele mais queria era vê-lo pela última vez, mas isso não foi possível. Não permitiram que ele visse o neto. Pedimos, mas não foi possível”, disse Silvana.
Ao lado da esposa, Raimundo entrou com vários processos na Justiça para tentar reverter a sentença. Silvana afirmou que ainda é difícil conseguir notícias do neto. Ela lamenta que Sean não poderá comparecer ao enterro do avô: "Só queríamos ele aqui nesse momento", completou.
O corpo de Raimundo será sepultado e velado às 14h desta terça (22), no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária. Além da esposa e do neto, ele deixa o filho, Lucas, e a neta, Chiara, de 2 anos.
Irmã no processo
No início de março, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, incluir a irmã de Sean Goldman, Chiara Ribeiro Lins e Silva, 2 anos, como parte interessada no processo que trata da disputa pela guarda do garoto. O pedido de inclusão da irmã foi feito pela defesa dos avós maternos.
O pedido foi feito em 2009, quando Sean ainda estava no Brasil. A defesa pretende usar a presença da menina no processo para reverter a decisão que permitiu Goldman levar o filho para os Estados Unidos. De acordo com o advogado dos avós maternos do garoto, Sérgio Tostes, o Estatuto da Criança e do Adolescente garante a irmãos o direito à convivência. Dessa forma, Chiara seria parte interessada no processo.
Em fevereiro, o pedido de visitação feito pelos avós do menino foi considerado improcedente pela Corte Superior do Estado de Nova Jersey. Segundo a decisão, David Goldman permitiu a visita dos avós com algumas condições “razoáveis” e estas não foram aceitas. Silvana diz ter acatado todas as condições. Na época, ela e o marido deram entrada no pedido usando o estatuto da visitação dos avós (GVS - Grandparent Visitation Statute) de Nova Jersey.
As condições impostas por David são encerrar os processos na Justiça brasileira que tentem reverter a repatriação de Sean aos Estados Unidos ou a guarda total dele ao pai, os avós, então, deveriam não fazer aparições públicas questionando essas decisões, a duração das visitas e quando deveriam acontecer seria decidido pelo psicólogo de Sean, e que toda a comunicação entre David e os avós maternos fosse confidencial.
Ele estava internado há 40 dias no Hospital Copa D’Or, em Copacabana
O avô materno do menino Sean Goldman, de 10 anos, Raimundo Carneiro Ribeiro Filho, de 65, morreu na noite desta segunda-feira (21), vítima de câncer de pulmão. Segundo Silvana Bianchi, avó de Sean, o marido estava internado há 40 dias no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Desde 2009, Sean mora com o pai biológico, o norte-americano David Goldman, nos EUA. O menino foi entregue ao pai depois de uma luta judicial no Brasil por sua guarda. David iniciou a briga com a família brasileira depois da morte da mãe de Sean, a estilista Bruna Bianchi.
De acordo com Silvana Bianchi, um dos últimos desejos de Raimundo era de poder ver o neto antes de morrer. A família, então, entrou com um pedido na Justiça para que Sean pudesse visitar o avô no hospital. No entanto, segundo ela, esse pedido foi negado. Ela afirmou que não conseguiu comunicar ao neto sobre o falecimento do avô. Abalada, Silvana disse que não vai desistir.
“Meu marido morreu com uma enorme tristeza na alma por causa dessa sentença covarde e injusta. Mesmo lutando contra o câncer, ele nunca deixou de acreditar que veria o neto novamente e o que ele mais queria era vê-lo pela última vez, mas isso não foi possível. Não permitiram que ele visse o neto. Pedimos, mas não foi possível”, disse Silvana.
Ao lado da esposa, Raimundo entrou com vários processos na Justiça para tentar reverter a sentença. Silvana afirmou que ainda é difícil conseguir notícias do neto. Ela lamenta que Sean não poderá comparecer ao enterro do avô: "Só queríamos ele aqui nesse momento", completou.
O corpo de Raimundo será sepultado e velado às 14h desta terça (22), no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária. Além da esposa e do neto, ele deixa o filho, Lucas, e a neta, Chiara, de 2 anos.
Irmã no processo
No início de março, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, incluir a irmã de Sean Goldman, Chiara Ribeiro Lins e Silva, 2 anos, como parte interessada no processo que trata da disputa pela guarda do garoto. O pedido de inclusão da irmã foi feito pela defesa dos avós maternos.
O pedido foi feito em 2009, quando Sean ainda estava no Brasil. A defesa pretende usar a presença da menina no processo para reverter a decisão que permitiu Goldman levar o filho para os Estados Unidos. De acordo com o advogado dos avós maternos do garoto, Sérgio Tostes, o Estatuto da Criança e do Adolescente garante a irmãos o direito à convivência. Dessa forma, Chiara seria parte interessada no processo.
Em fevereiro, o pedido de visitação feito pelos avós do menino foi considerado improcedente pela Corte Superior do Estado de Nova Jersey. Segundo a decisão, David Goldman permitiu a visita dos avós com algumas condições “razoáveis” e estas não foram aceitas. Silvana diz ter acatado todas as condições. Na época, ela e o marido deram entrada no pedido usando o estatuto da visitação dos avós (GVS - Grandparent Visitation Statute) de Nova Jersey.
As condições impostas por David são encerrar os processos na Justiça brasileira que tentem reverter a repatriação de Sean aos Estados Unidos ou a guarda total dele ao pai, os avós, então, deveriam não fazer aparições públicas questionando essas decisões, a duração das visitas e quando deveriam acontecer seria decidido pelo psicólogo de Sean, e que toda a comunicação entre David e os avós maternos fosse confidencial.
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Caso David
sábado, 19 de março de 2011
Família de S. no Brasil espera o apoio da presidente Dilma

"Esperamos que Dilma, como mulher e avó, se sensibilize que um menino brasileiro está proibido de ter acesso aos avós", disse o advogado Paulo Lins e Silva, pai do padrasto do menino
O advogado Paulo Lins e Silva, pai do padrasto do menino S., João Paulo Lins e Silva, declarou ao O POVO Online nesta quinta-feira, 17, que espera o apoio da presidente Dilma Rousseff para o caso. Filho do norte-americano David Goldman com a brasileira Bruna Bianchi, S. nasceu nos Estados Unidos e foi trazido para o Brasil pela mãe. O caso tornou-se uma polêmica mundial, gerou um embate diplomático entre os dois países e desencadeou uma arrastada batalha judicial.
"Esperamos bom senso humano e consciência política dos novos dirigentes brasileiros, e que Dilma, como mulher e avó, se sensibilize", disse Paulo, alegando que o menino estaria vivendo em "cárcere privado". "Nós não vamos montar sites, blogs, nada disso. Nós queremos usar o lado humano", afirmou.
A família, segundo o advogado, gostaria que "da mesma forma que o governo americano pressionou o governo brasileiro para o retorno de S. aos Estados Unidos, de forma elegante, o governo brasileiro convencesse o governo de Obama de legitimar o direito humano de acesso ao garoto de seus avós, de sua irmã, Chiara", do relacionamento de Bruna com João Paulo Lins.
Paulo contabilizou o contato com o menino em seis ligações telefônicas "limitadas e condicionadas" pelo pai, a última delas em 24 de dezembro de 2009. O advogado criticou que S. já estaria "falando mal o português".
Mesmo sem contato com o garoto, Paulo disse que existe a suspeita de que ele estaria com obesidade mórbida. Sobre qual a base dessa suspeita, Paulo respondeu que seria consequência de uma "criança vive 10 anos com uma família, de repente passa a ter uma vida totalmente diferente".
Paulo Lins e Silva está em Fortaleza para o lançamento livro "Alienação Parental", do advogado Paulo Duarte, nesta quinta-feira, 17, na livraria Cultura, às 19 horas. O livro contém uma seleção de decisões judiciais, legislação e questões de ordem prática para juristas, advogados, magistrados, estudantes e público em geral. A proposta do lançamento do livro é debater o assunto em uma coletiva jurídica.
O advogado Paulo Lins e Silva, pai do padrasto do menino S., João Paulo Lins e Silva, declarou ao O POVO Online nesta quinta-feira, 17, que espera o apoio da presidente Dilma Rousseff para o caso. Filho do norte-americano David Goldman com a brasileira Bruna Bianchi, S. nasceu nos Estados Unidos e foi trazido para o Brasil pela mãe. O caso tornou-se uma polêmica mundial, gerou um embate diplomático entre os dois países e desencadeou uma arrastada batalha judicial.
"Esperamos bom senso humano e consciência política dos novos dirigentes brasileiros, e que Dilma, como mulher e avó, se sensibilize", disse Paulo, alegando que o menino estaria vivendo em "cárcere privado". "Nós não vamos montar sites, blogs, nada disso. Nós queremos usar o lado humano", afirmou.
A família, segundo o advogado, gostaria que "da mesma forma que o governo americano pressionou o governo brasileiro para o retorno de S. aos Estados Unidos, de forma elegante, o governo brasileiro convencesse o governo de Obama de legitimar o direito humano de acesso ao garoto de seus avós, de sua irmã, Chiara", do relacionamento de Bruna com João Paulo Lins.
Paulo contabilizou o contato com o menino em seis ligações telefônicas "limitadas e condicionadas" pelo pai, a última delas em 24 de dezembro de 2009. O advogado criticou que S. já estaria "falando mal o português".
Mesmo sem contato com o garoto, Paulo disse que existe a suspeita de que ele estaria com obesidade mórbida. Sobre qual a base dessa suspeita, Paulo respondeu que seria consequência de uma "criança vive 10 anos com uma família, de repente passa a ter uma vida totalmente diferente".
Paulo Lins e Silva está em Fortaleza para o lançamento livro "Alienação Parental", do advogado Paulo Duarte, nesta quinta-feira, 17, na livraria Cultura, às 19 horas. O livro contém uma seleção de decisões judiciais, legislação e questões de ordem prática para juristas, advogados, magistrados, estudantes e público em geral. A proposta do lançamento do livro é debater o assunto em uma coletiva jurídica.
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quinta-feira, 17 de março de 2011
STJ mantém multa contra padrasto de Sean Goldman
João Paulo Lins e Silva é acusado de impedir visita do pai biológico.
Sean Goldman é alvo de disputa entre pai biológico e família brasileira.
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou nesta quinta-feira (17) recurso do padastro do menino Sean Goldman, João Paulo Lins e Silva, que havia sido condenado em 2009 a pagar multa de R$ 240 por agir de má-fé em relação às visitas do pai biológico do garoto, o norte-americano David Goldman. Cabe recurso, mas a defesa do padrasto ainda analisa se fará nova apelação.
Em outubro de 2008, quando Sean ainda morava no Brasil – o menino foi levado pelo pai biológico aos Estados Unidos, em dezembro de 2009 – o padrasto foi processado por não ter entregado o garoto a David Goldman para uma visita autorizada pela Justiça.
O advogado do padrasto, Rodrigo Abranches, afirma que Lins e Silva não foi informado pelo pai biológico da data que viria ao Brasil para visitar o garoto. Sem saber da chegada de Goldman, Lins e Silva viajou com Sean e a família.
“A multa já foi paga em juízo, mas o recurso é mais do ponto de vista moral. João Paulo não agiu com dolo. Ele desconfiava, mas não sabia. Ele estava apenas cuidando da vida”, disse Abranches.
Por 3 votos a 2, os ministros do STJ mantiveram a condenação por entender que não seria adequado reexaminar as provas do processo no julgamento de um recurso. A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, defendeu que Lins e Silva não agiu de má-fé por não saber com antecedência da chegada do pai biológico.
No início do mês, o STJ decidiu, por unanimidade, incluir a irmã de Sean, Chiara Ribeiro Lins e Silva, 2 anos, como parte interessada no processo que trata da disputa pela guarda do garoto entre sua família brasileira e o pai biológico.
O pedido de inclusão da irmã foi feito pela defesa dos avós maternos. A defesa pretende usar a presença da menina no processo para reverter a decisão que permitiu a Goldman levar o filho para os Estados Unidos.
De acordo com os advogados da família brasileira de Sean, o STJ julgará ainda outros três recursos sobre o caso. Entre eles, o que trata do reconhecimento da paternidade socioafetiva de Lins e Silva em relação ao garoto. Além disso, o tribunal deverá analisar se o garoto deveria ter sido ouvido no processo que determinou sua entrega ao pai biológico, em 2009.
Disputa judicial
A briga judicial pela guarda do garoto começou depois da morte da mãe de Sean, Bruna Bianchi, em 2008. No último dia 22 de fevereiro, a Justiça norte-americana negou o pedido da avó para visitar o neto nos Estados Unidos.
Antes da decisão da Justiça brasileira autorizando a permanência do garoto com o pai biológico, Sean mora no Brasil quase 5 anos, trazido dos Estados Unidos pela mãe. Já no Brasil, Bruna Bianchi se separou de David e se casou com o advogado João Paulo Lins e Silva.
Em 2008, após a morte de Bruna, o padrasto ficou com a guarda provisória da criança. David Goldman, no entanto, entrou na Justiça e pediu o retorno da criança aos Estados Unidos.
Pai, padrasto e avós maternos da criança travaram uma batalha jurídica pela guarda do menino. O caso começou na Justiça estadual do Rio e depois passou para a competência federal.
Goldman alegou que o Brasil violava uma convenção internacional ao negar seu direito à guarda do filho. Já a família brasileira do garoto dizia que, por “razões socioafetivas”, ele deveria permanecer no país. A justiça brasileira, no entanto, ordenou a entrega do menino ao pai biológico.
Sean Goldman é alvo de disputa entre pai biológico e família brasileira.
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou nesta quinta-feira (17) recurso do padastro do menino Sean Goldman, João Paulo Lins e Silva, que havia sido condenado em 2009 a pagar multa de R$ 240 por agir de má-fé em relação às visitas do pai biológico do garoto, o norte-americano David Goldman. Cabe recurso, mas a defesa do padrasto ainda analisa se fará nova apelação.
Em outubro de 2008, quando Sean ainda morava no Brasil – o menino foi levado pelo pai biológico aos Estados Unidos, em dezembro de 2009 – o padrasto foi processado por não ter entregado o garoto a David Goldman para uma visita autorizada pela Justiça.
O advogado do padrasto, Rodrigo Abranches, afirma que Lins e Silva não foi informado pelo pai biológico da data que viria ao Brasil para visitar o garoto. Sem saber da chegada de Goldman, Lins e Silva viajou com Sean e a família.
“A multa já foi paga em juízo, mas o recurso é mais do ponto de vista moral. João Paulo não agiu com dolo. Ele desconfiava, mas não sabia. Ele estava apenas cuidando da vida”, disse Abranches.
Por 3 votos a 2, os ministros do STJ mantiveram a condenação por entender que não seria adequado reexaminar as provas do processo no julgamento de um recurso. A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, defendeu que Lins e Silva não agiu de má-fé por não saber com antecedência da chegada do pai biológico.
No início do mês, o STJ decidiu, por unanimidade, incluir a irmã de Sean, Chiara Ribeiro Lins e Silva, 2 anos, como parte interessada no processo que trata da disputa pela guarda do garoto entre sua família brasileira e o pai biológico.
O pedido de inclusão da irmã foi feito pela defesa dos avós maternos. A defesa pretende usar a presença da menina no processo para reverter a decisão que permitiu a Goldman levar o filho para os Estados Unidos.
De acordo com os advogados da família brasileira de Sean, o STJ julgará ainda outros três recursos sobre o caso. Entre eles, o que trata do reconhecimento da paternidade socioafetiva de Lins e Silva em relação ao garoto. Além disso, o tribunal deverá analisar se o garoto deveria ter sido ouvido no processo que determinou sua entrega ao pai biológico, em 2009.
Disputa judicial
A briga judicial pela guarda do garoto começou depois da morte da mãe de Sean, Bruna Bianchi, em 2008. No último dia 22 de fevereiro, a Justiça norte-americana negou o pedido da avó para visitar o neto nos Estados Unidos.
Antes da decisão da Justiça brasileira autorizando a permanência do garoto com o pai biológico, Sean mora no Brasil quase 5 anos, trazido dos Estados Unidos pela mãe. Já no Brasil, Bruna Bianchi se separou de David e se casou com o advogado João Paulo Lins e Silva.
Em 2008, após a morte de Bruna, o padrasto ficou com a guarda provisória da criança. David Goldman, no entanto, entrou na Justiça e pediu o retorno da criança aos Estados Unidos.
Pai, padrasto e avós maternos da criança travaram uma batalha jurídica pela guarda do menino. O caso começou na Justiça estadual do Rio e depois passou para a competência federal.
Goldman alegou que o Brasil violava uma convenção internacional ao negar seu direito à guarda do filho. Já a família brasileira do garoto dizia que, por “razões socioafetivas”, ele deveria permanecer no país. A justiça brasileira, no entanto, ordenou a entrega do menino ao pai biológico.
Débora Santos
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Caso David
quinta-feira, 3 de março de 2011
Sean só voltará ao Brasil se Justiça americana determinar, diz advogado do pai

A decisão de qualquer instância da Justiça brasileira não trará Sean Goldman de volta ao Brasil. Essa é a opinião de Ricardo Zamariola, advogado de David Goldman, pai biológico do menino. “O menor só retorna ao Brasil se a Justiça americana determinar que ele volte. Não é uma questão de demérito à Justiça brasileira, é uma questão de competência internacional”.
Zamariola afirmou à Agência Brasil que está surpreso com a decisão de ontem (1º) do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou que a irmã de Sean, de apenas 2 anos, Chiara Bianchi, fosse incluída como interessada no processo de guarda do garoto. “Não havia interesse jurídico na questão, o efeito prático no que já foi decidido é nenhum”, avaliou o advogado. Segundo Zamariola, o máximo que pode acontecer é o advogado da menina ser ouvido no julgamento sobre a guarda de Sean.
O advogado de David Goldman afirmou ainda que o caso deve demorar meses para ser analisado pelo STJ, uma vez que os autos ainda estão na Justiça Federal no Rio de Janeiro, que deu a decisão favorável ao pai biológico. Zamariola contou que o processo de adaptação do garoto nos Estados Unidos vai bem. “As primeiras semanas foram difíceis, mas, agora, a informação é de que ele está indo muito bem com o pai”.
Sean foi levado pelo pai em dezembro de 2009, por determinação judicial que lhe devolveu a guarda do menino. No Brasil, ele vivia com o pai adotivo e a irmã, Chiara. Sua mãe, Bruna Bianchi, casou-se com David nos Estados Unidos e, em 2004, trouxe Sean para passar férias no Brasil. Ela se separou de David e casou-se novamente. Em 2008, Bruna morreu depois do parto em que teve Chiara.
Agência Brasil
Zamariola afirmou à Agência Brasil que está surpreso com a decisão de ontem (1º) do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou que a irmã de Sean, de apenas 2 anos, Chiara Bianchi, fosse incluída como interessada no processo de guarda do garoto. “Não havia interesse jurídico na questão, o efeito prático no que já foi decidido é nenhum”, avaliou o advogado. Segundo Zamariola, o máximo que pode acontecer é o advogado da menina ser ouvido no julgamento sobre a guarda de Sean.
O advogado de David Goldman afirmou ainda que o caso deve demorar meses para ser analisado pelo STJ, uma vez que os autos ainda estão na Justiça Federal no Rio de Janeiro, que deu a decisão favorável ao pai biológico. Zamariola contou que o processo de adaptação do garoto nos Estados Unidos vai bem. “As primeiras semanas foram difíceis, mas, agora, a informação é de que ele está indo muito bem com o pai”.
Sean foi levado pelo pai em dezembro de 2009, por determinação judicial que lhe devolveu a guarda do menino. No Brasil, ele vivia com o pai adotivo e a irmã, Chiara. Sua mãe, Bruna Bianchi, casou-se com David nos Estados Unidos e, em 2004, trouxe Sean para passar férias no Brasil. Ela se separou de David e casou-se novamente. Em 2008, Bruna morreu depois do parto em que teve Chiara.
Agência Brasil
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Caso David
Juiz americano considera "indecentes" ações de avós brasileiros de Sean
Mesmo depois que Sean foi retornado ao David (foto), os avós continuaram com uma avalanche de litígios na Justiça brasileiraO juiz da Corte Superior, Michael Guadagno, recusou-se a forçar David Goldman a permitir que seus ex-sogros viajem diretamente do Brasil para visitar seu filho
Os avós de Sean Goldman, 10 anos, residente em Tinton Falls (NJ), que o mantiveram ilegalmente no Brasil por 4 anos, não terão direito à uma ordem judicial para visita-lo em virtude de suas “ações deploráveis” na tentativa de mantê-lo longe de seus pais, determinou um juiz no Condado de Monmouth. Na contínua batalha internacional pela custódia de Sean, o juiz da Corte Superior, Michael Guadagno, recusou-se a forçar David Goldman a permitir que seus ex-sogros viajem diretamente do Brasil para visitar seu filho.
A decisão, que ocupou 44 páginas de um processo, emitida em 17 de fevereiro, estava repleta de duras críticas aos avós maternos de Sean, que segundo o juiz tentaram por anos minar o relacionamento entre pai e filho.
A antiga esposa de Goldman, Bruna Bianchi, divorciou-se dele em 2007 no Brasil, após uma visita a seus pais no Rio de Janeiro em 2004. Ela casou-se novamente em 2007 e morreu durante o parto de seu segundo filho no ano seguinte. Alheia da batalha legal que David havia iniciado em New Jersey na tentativa de reaver seu filho, a Justiça brasileira, a princípio, concedeu a custódia do menor ao novo marido de Bianchi, que alegou nas cortes brasileiras que o norte-americano havia abandonado seu filho.
Guadagno considerou tais alegações de abandono “muito além de qualquer limite da decência”.
“É difícil imaginar um exemplo mais dramático de abuso emocional contra uma criança”, escreveu o juiz.
A determinação é resultado de uma ação civil que os avós do menor apresentaram em março do ano passado na Corte do Condado de Monmouth, na tentativa de visitar o neto, que foi retornado aos EUA em dezembro de 2009, sob as ordens da Corte Suprema no Brasil.
Um juiz da Corte Superior em Freehold (NJ) rejeitou o pedido de visitação, entretanto, permitiu que ambos os lados chegassem a um acordo. As conversações terminaram quando os avós, Raimundo Ribeiro Filno e Silvana Ribeiro, também conhecida como Silvana Bianchi, recusaram-se a suspender uma ação civil no Brasil como uma das condições para verem Sean, segundo a determinação do magistrado.
Jonathan Wolfe, advogado de Raimundo e Silvana, alegou que seus clientes estavam mais que flexíveis ao concordarem com “uma grande variedade de condições”, incluindo visitas supervisionadas com o menor.
“Através do caso, concordamos com uma variedade de condições”, disse Wolfe. “O que queríamos é que eles vissem o neto, não leva-lo de volta ao Brasil, não viajar de férias”.
Entretanto, Guadagno disse que a condição imposta por David da suspensão do litígio no Brasil é “totalmente razoável” em virtude dos danos que eles causaram no passado ao separá-lo de seu pai.
“Mesmo depois que Sean foi retornado ao David, os avós continuaram com uma avalanche de litígios na Justiça brasileira, que continua até hoje, todas visando o retorno de Sean”, escreveu Guadagno.
Wolfe disse que seus clientes estão “bastante desapontados” com a decisão e ainda não decidiram se apelarão. O juiz ainda decidirá se os ex-sogros de David deverão restituir o dinheiro gasto por ele com custos legais.
“Para avós que não fizeram nada a não ser amar e cuidar do neto, é incrivelmente doloroso e injusto”, disse Wolfe com relação as duras palavras utilizadas por Guadagno contra seus clientes. “Nesse caso, a coisa mais triste é o Sean. Ele perdeu sua mãe. Agora, ele também perdeu todo esse lado da família”.
Os avós de Sean Goldman, 10 anos, residente em Tinton Falls (NJ), que o mantiveram ilegalmente no Brasil por 4 anos, não terão direito à uma ordem judicial para visita-lo em virtude de suas “ações deploráveis” na tentativa de mantê-lo longe de seus pais, determinou um juiz no Condado de Monmouth. Na contínua batalha internacional pela custódia de Sean, o juiz da Corte Superior, Michael Guadagno, recusou-se a forçar David Goldman a permitir que seus ex-sogros viajem diretamente do Brasil para visitar seu filho.
A decisão, que ocupou 44 páginas de um processo, emitida em 17 de fevereiro, estava repleta de duras críticas aos avós maternos de Sean, que segundo o juiz tentaram por anos minar o relacionamento entre pai e filho.
A antiga esposa de Goldman, Bruna Bianchi, divorciou-se dele em 2007 no Brasil, após uma visita a seus pais no Rio de Janeiro em 2004. Ela casou-se novamente em 2007 e morreu durante o parto de seu segundo filho no ano seguinte. Alheia da batalha legal que David havia iniciado em New Jersey na tentativa de reaver seu filho, a Justiça brasileira, a princípio, concedeu a custódia do menor ao novo marido de Bianchi, que alegou nas cortes brasileiras que o norte-americano havia abandonado seu filho.
Guadagno considerou tais alegações de abandono “muito além de qualquer limite da decência”.
“É difícil imaginar um exemplo mais dramático de abuso emocional contra uma criança”, escreveu o juiz.
A determinação é resultado de uma ação civil que os avós do menor apresentaram em março do ano passado na Corte do Condado de Monmouth, na tentativa de visitar o neto, que foi retornado aos EUA em dezembro de 2009, sob as ordens da Corte Suprema no Brasil.
Um juiz da Corte Superior em Freehold (NJ) rejeitou o pedido de visitação, entretanto, permitiu que ambos os lados chegassem a um acordo. As conversações terminaram quando os avós, Raimundo Ribeiro Filno e Silvana Ribeiro, também conhecida como Silvana Bianchi, recusaram-se a suspender uma ação civil no Brasil como uma das condições para verem Sean, segundo a determinação do magistrado.
Jonathan Wolfe, advogado de Raimundo e Silvana, alegou que seus clientes estavam mais que flexíveis ao concordarem com “uma grande variedade de condições”, incluindo visitas supervisionadas com o menor.
“Através do caso, concordamos com uma variedade de condições”, disse Wolfe. “O que queríamos é que eles vissem o neto, não leva-lo de volta ao Brasil, não viajar de férias”.
Entretanto, Guadagno disse que a condição imposta por David da suspensão do litígio no Brasil é “totalmente razoável” em virtude dos danos que eles causaram no passado ao separá-lo de seu pai.
“Mesmo depois que Sean foi retornado ao David, os avós continuaram com uma avalanche de litígios na Justiça brasileira, que continua até hoje, todas visando o retorno de Sean”, escreveu Guadagno.
Wolfe disse que seus clientes estão “bastante desapontados” com a decisão e ainda não decidiram se apelarão. O juiz ainda decidirá se os ex-sogros de David deverão restituir o dinheiro gasto por ele com custos legais.
“Para avós que não fizeram nada a não ser amar e cuidar do neto, é incrivelmente doloroso e injusto”, disse Wolfe com relação as duras palavras utilizadas por Guadagno contra seus clientes. “Nesse caso, a coisa mais triste é o Sean. Ele perdeu sua mãe. Agora, ele também perdeu todo esse lado da família”.
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terça-feira, 1 de março de 2011
STJ inclui irmã de Sean Goldman no processo que pede seu retorno ao País

Inclusão pode tornar volta do garoto ao Brasil mais fácil, uma vez que haveria mais um laço familiar
SÃO PAULO - O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira, 1, incluir a irmã de Sean Goldman como parte interessada no processo que a família materna do menino move para trazê-lo de volta ao País. Sean vive nos Estados Unidos com o pai biológico, David Goldman, desde 2009, após o Supremo Tribunal Federal ter cassado a liminar que o mantinha no país.
A assessoria de imprensa do STJ informou que a inclusão da irmã de Sean no processo poderia tornar a volta do menino mais fácil, uma vez que haveria mais um laço familiar no Brasil. A lei brasileira prevê que irmãos devem ser criados juntos. Chiara Lins e Silva tem pouco mais de dois anos e é fruto do casamento entre a mãe de Sean e seu padrasto, João Paulo Lins e Silva.
O advogado da família, Sérgio Tostes, explicou que a inclusão da irmã no processo "equilibra o jogo". Isso porque a Justiça havia admitido David como assistente da União Federal no processo, mas negado Chiara como assistente de João Paulo, alegando que ela não possuía direito jurídico. Agora que este recurso de inclusão foi aceito, o advogado disse que pedirá que os demais recursos que ele registrou também sejam examinados e, eventualmente, a revisão completa do processo.
Em entrevista por telefone, ele reforçou sua opinião de que a decisão de mandar Sean para os Estados Unidos foi precipitada. Sérgio Tostes espera ainda que o assunto seja tratado durante a visita do presidente norte-americano Barack Obama ao País.
Estadão
A assessoria de imprensa do STJ informou que a inclusão da irmã de Sean no processo poderia tornar a volta do menino mais fácil, uma vez que haveria mais um laço familiar no Brasil. A lei brasileira prevê que irmãos devem ser criados juntos. Chiara Lins e Silva tem pouco mais de dois anos e é fruto do casamento entre a mãe de Sean e seu padrasto, João Paulo Lins e Silva.
O advogado da família, Sérgio Tostes, explicou que a inclusão da irmã no processo "equilibra o jogo". Isso porque a Justiça havia admitido David como assistente da União Federal no processo, mas negado Chiara como assistente de João Paulo, alegando que ela não possuía direito jurídico. Agora que este recurso de inclusão foi aceito, o advogado disse que pedirá que os demais recursos que ele registrou também sejam examinados e, eventualmente, a revisão completa do processo.
Em entrevista por telefone, ele reforçou sua opinião de que a decisão de mandar Sean para os Estados Unidos foi precipitada. Sérgio Tostes espera ainda que o assunto seja tratado durante a visita do presidente norte-americano Barack Obama ao País.
Estadão
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Caso David
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Justiça dos EUA nega visitas de avós de Sean

A Corte Superior de Nova Jersey negou, no último dia 17, o pedido de Silvana e Raimundo Ribeiro, avós de Sean, para visitar o neto Sean nos Estados Unidos sem ter que obedecer às condições impostas pelo pai da criança, David Goldman.
A Corte de Nova Jersey aplicou ao caso a teoria das “mãos limpas”, um princípio que determina a rejeição do pedido da parte que tenha agido de má-fé contra a Justiça na conduta a que o pedido se refere. Tal teoria deve ser aplicada nos casos em que condutas fraudulentas contaminam o objeto a ser julgado.
Nesse sentido, a corte entendeu que os avós de Sean desobedeceram diversas ordens judiciais da Corte de Nova Jersey, e que, foram, inclusive, os réus de uma ordem de 23 de agosto de 2004, para devolverem Sean a David. Na decisão, consideraram que “esse tipo de atitude não só violou a ordem judicial, mas mostrou desprezo pela autoridade dessa corte, de maneira flagrante e inegável”.
Com base em laudos de psicólogos, a corte entendeu também que a insistência dos avós da criança de disputar na Justiça o direito de levar a criança de volta para o Brasil, tem prejudicado o menino e só atende aos interesses deles próprios. Concluiu também que a falta de visitas dos avós não prejudicará o garoto.
Sean Goldman, hoje com 10 anos, é filho do americano David Godlman e da brasileira Bruna Ribeiro, filha de Silvana e Raimundo. Nascido nos Estados Unidos, Sean foi trazido para o Brasil em 2004 pela mãe e aqui foi retido, contra a vontade do pai. Depois de uma longa batalha judicial em tribunais americanos e brasileiros , David conseguiu, em 2009, levar o menino de volta para os Estados Unidos. Desde então Silvana e Raimundo continuam tentando na Justiça recuparer a guarda de Sean e trazê-lo de volta para o Brasil.
Silvana e Raimundo Ribeiro alegaram que quando Bruna trouxe Sean para o Brasil, em junho de 2004, e eles descobriram sua intenção de permanecer com a criança ilegalmente no país, a orientaram a voltar para Nova Jersey e conversar com David. Tal afirmação não pareceu plausível ao tribunal, já que o casal sustentou a filha até ela se casar com Lins e Silva, pagando a escola de Sean, arranjando emprego para ela, e, o mais importante, pagando as custas judiciais das ações sobre a guarda de Sean, que, até outubro de 2005 eram estimadas em U$200 mil.
“Eles apoiaram integralmente a filha, e mais importante, financiaram completamente as longas e caras batalhas judiciais nos dois países para manter Sean no Brasil mesmo após a morte de Bruna”, entendeu a corte.
Para decidir, o tribunal se baseou na decisão da Suprema Corte in Moriarty v. Bradt, em que era discutida a visita de avós a uma criança que também tinha vivido muito tempo junto deles, e que perdeu a mãe. Nesse caso, foi criado um precedente judicial segundo o qual as visitas dos avós não poderiam ser impostas sem que fosse provado o dano que seria causado na criança com a falta dessas visitas.
Para aplicar o precedente, ou seja, analisar se a falta de visitas dos avós iria ou não prejudicar Sean, a corte analisou se os avó já haviam prejudicado o garoto e concluíram que sim.
O prejuízo começou com a separação brusca e completa da criança e do pai, com quem ele mantinha uma segura, estável e íntima relação durante seus primeiros quatro anos de vida, e foi mantido porque os avós preencheram a “jovem e impressionável mente da criança com invenções, como a de que seu pai teria morrido”, quanto ao que o tribunal declarou ser “difícil conceber um exemplo de abuso emocional mais dramático”.
Segundo o casal, Sean seria prejudicado com a negativa já que ele e os avós foram muito próximos por cinco anos, quando o menino morou, ilegalmente, no Brasil. Quanto à relação entre a criança e os avós, a corte entendeu que é uma noção de senso comum que uma criança de nove anos estabeleça laços com os avós que via todos os dias por cinco anos, mas que na verdade esse vínculo era viciado por ter tido origem com a retenção errônea do garoto no Brasil.
Em sua defesa, o casal apresentou um laudo psicológico que concluía pelo danos causado ao garoto com a falta de visitas, mas a corte considerou que o laudo foi simplista e incompleto, por ter compreendido de maneira superficial a situação da criança, além de ter sido feito sem técnica nem material suficientes, já que ignorou os danos causados na criança pelas tentativas dos avós e da mãe de o separarem do pai.
A decisão também levou em consideração que David não negou o direito de visitas dos avós, mas só estabeleceu condições razoáveis. Pelo contrário, David sempre se manteve favorável à relação entre neto e avós, mantendo-os em contato e enviando fotos, mas estes criaram uma conta de e-mail secreta para se comunicar com o neto, para quem constantemente afirmavam que estavam lutando por sua guarda na Justiça.
O tribunal reconheceu que “esta persistente e determinada tentativa dos Ribeiro de minar o relacionamento de Sean com David e de desestabilizar a vida do menino, é uma continuação do bem documentado dano que eles causaram à criança desde que ela chegou ao Brasil “.
As condições impostas por David para estabelecer um regime de visitas para os avós de Sean e não aceitas por eles foram as seguintes:
1)Suspender todas as ações que os avós movem no Brasil contestando a repatriação de Sean para os Estados Unidos ou a guarda concedida a David;
2) A não aparição em público dos avós com a criança, desafiando determinação da corte de NJ;
3) O momento e a duração das visitas serão estabelecidos de acordo com as indicações do psicólogo que acompanha Sean;
4) Toda a comunicação dos participantes das visitas deverá ser confidencial.
A corte só foi contra a condição número dois, por considerar que "a enorme cobertura jornalística que o caso teve foi favorável a David".
A corte entendeu que ao discordar das condições impostas por David, os avós mostram que sua prioridade não é ver Sean, mas ganhar as disputas judiciais, o que significaria ainda mais dano a Sean. Segundo Charles Diament, psicólogo do garoto, apesar de ter se adaptado aos EUA e recomposto seus laços com o pai, “ele se mantém emocionalmente frágil e está tentando reintegrar sua experiência no Brasil com sua nova vida nos EUA”. O psicólogo manifestou sua preocupação em envolver Sean em futuras disputas.
De maneira similar a Diament, três psicologos brasileiros, indicados pela justiça do Brasil, mostraram que os avós tentaram afastar Sean de David, desde que a criança chegou ao Brasil.
Leia aqui a íntegra da decisão, em inglês.
A Corte de Nova Jersey aplicou ao caso a teoria das “mãos limpas”, um princípio que determina a rejeição do pedido da parte que tenha agido de má-fé contra a Justiça na conduta a que o pedido se refere. Tal teoria deve ser aplicada nos casos em que condutas fraudulentas contaminam o objeto a ser julgado.
Nesse sentido, a corte entendeu que os avós de Sean desobedeceram diversas ordens judiciais da Corte de Nova Jersey, e que, foram, inclusive, os réus de uma ordem de 23 de agosto de 2004, para devolverem Sean a David. Na decisão, consideraram que “esse tipo de atitude não só violou a ordem judicial, mas mostrou desprezo pela autoridade dessa corte, de maneira flagrante e inegável”.
Com base em laudos de psicólogos, a corte entendeu também que a insistência dos avós da criança de disputar na Justiça o direito de levar a criança de volta para o Brasil, tem prejudicado o menino e só atende aos interesses deles próprios. Concluiu também que a falta de visitas dos avós não prejudicará o garoto.
Sean Goldman, hoje com 10 anos, é filho do americano David Godlman e da brasileira Bruna Ribeiro, filha de Silvana e Raimundo. Nascido nos Estados Unidos, Sean foi trazido para o Brasil em 2004 pela mãe e aqui foi retido, contra a vontade do pai. Depois de uma longa batalha judicial em tribunais americanos e brasileiros , David conseguiu, em 2009, levar o menino de volta para os Estados Unidos. Desde então Silvana e Raimundo continuam tentando na Justiça recuparer a guarda de Sean e trazê-lo de volta para o Brasil.
Silvana e Raimundo Ribeiro alegaram que quando Bruna trouxe Sean para o Brasil, em junho de 2004, e eles descobriram sua intenção de permanecer com a criança ilegalmente no país, a orientaram a voltar para Nova Jersey e conversar com David. Tal afirmação não pareceu plausível ao tribunal, já que o casal sustentou a filha até ela se casar com Lins e Silva, pagando a escola de Sean, arranjando emprego para ela, e, o mais importante, pagando as custas judiciais das ações sobre a guarda de Sean, que, até outubro de 2005 eram estimadas em U$200 mil.
“Eles apoiaram integralmente a filha, e mais importante, financiaram completamente as longas e caras batalhas judiciais nos dois países para manter Sean no Brasil mesmo após a morte de Bruna”, entendeu a corte.
Para decidir, o tribunal se baseou na decisão da Suprema Corte in Moriarty v. Bradt, em que era discutida a visita de avós a uma criança que também tinha vivido muito tempo junto deles, e que perdeu a mãe. Nesse caso, foi criado um precedente judicial segundo o qual as visitas dos avós não poderiam ser impostas sem que fosse provado o dano que seria causado na criança com a falta dessas visitas.
Para aplicar o precedente, ou seja, analisar se a falta de visitas dos avós iria ou não prejudicar Sean, a corte analisou se os avó já haviam prejudicado o garoto e concluíram que sim.
O prejuízo começou com a separação brusca e completa da criança e do pai, com quem ele mantinha uma segura, estável e íntima relação durante seus primeiros quatro anos de vida, e foi mantido porque os avós preencheram a “jovem e impressionável mente da criança com invenções, como a de que seu pai teria morrido”, quanto ao que o tribunal declarou ser “difícil conceber um exemplo de abuso emocional mais dramático”.
Segundo o casal, Sean seria prejudicado com a negativa já que ele e os avós foram muito próximos por cinco anos, quando o menino morou, ilegalmente, no Brasil. Quanto à relação entre a criança e os avós, a corte entendeu que é uma noção de senso comum que uma criança de nove anos estabeleça laços com os avós que via todos os dias por cinco anos, mas que na verdade esse vínculo era viciado por ter tido origem com a retenção errônea do garoto no Brasil.
Em sua defesa, o casal apresentou um laudo psicológico que concluía pelo danos causado ao garoto com a falta de visitas, mas a corte considerou que o laudo foi simplista e incompleto, por ter compreendido de maneira superficial a situação da criança, além de ter sido feito sem técnica nem material suficientes, já que ignorou os danos causados na criança pelas tentativas dos avós e da mãe de o separarem do pai.
A decisão também levou em consideração que David não negou o direito de visitas dos avós, mas só estabeleceu condições razoáveis. Pelo contrário, David sempre se manteve favorável à relação entre neto e avós, mantendo-os em contato e enviando fotos, mas estes criaram uma conta de e-mail secreta para se comunicar com o neto, para quem constantemente afirmavam que estavam lutando por sua guarda na Justiça.
O tribunal reconheceu que “esta persistente e determinada tentativa dos Ribeiro de minar o relacionamento de Sean com David e de desestabilizar a vida do menino, é uma continuação do bem documentado dano que eles causaram à criança desde que ela chegou ao Brasil “.
As condições impostas por David para estabelecer um regime de visitas para os avós de Sean e não aceitas por eles foram as seguintes:
1)Suspender todas as ações que os avós movem no Brasil contestando a repatriação de Sean para os Estados Unidos ou a guarda concedida a David;
2) A não aparição em público dos avós com a criança, desafiando determinação da corte de NJ;
3) O momento e a duração das visitas serão estabelecidos de acordo com as indicações do psicólogo que acompanha Sean;
4) Toda a comunicação dos participantes das visitas deverá ser confidencial.
A corte só foi contra a condição número dois, por considerar que "a enorme cobertura jornalística que o caso teve foi favorável a David".
A corte entendeu que ao discordar das condições impostas por David, os avós mostram que sua prioridade não é ver Sean, mas ganhar as disputas judiciais, o que significaria ainda mais dano a Sean. Segundo Charles Diament, psicólogo do garoto, apesar de ter se adaptado aos EUA e recomposto seus laços com o pai, “ele se mantém emocionalmente frágil e está tentando reintegrar sua experiência no Brasil com sua nova vida nos EUA”. O psicólogo manifestou sua preocupação em envolver Sean em futuras disputas.
De maneira similar a Diament, três psicologos brasileiros, indicados pela justiça do Brasil, mostraram que os avós tentaram afastar Sean de David, desde que a criança chegou ao Brasil.
Leia aqui a íntegra da decisão, em inglês.
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Caso David
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
David Goldman vai publicar livro sob sua saga

‘A Father’s Love’ estará disponível em maio e contará os bastidores da briga judicial pelo filho
Depois de quase quatro anos em uma batalha judicial para receber a guarda do filho Sean, o americano David Goldman, de New Jersey, decidiu publicar um livro de memórias para contar a sua versão dos fatos. "A Father’s Love" (O amor de um pai) será comercializado a partir de maio deste ano pelo editora Viking.
Em 2004, Goldman estava casado com a brasileira Bruna Bianchi e vivia em Tinton Falls, Nova Jersey, quando a mulher dele viajou para o Brasil com o filho, então com quatro anos. Goldman supunha que eles iam apenas passar férias.
Chegando no Brasil, porém, Bruna anunciou a Goldman que ela ficaria no País com o menino. Ela se divorciou de Goldman e casou-se novamente, com o advogado João Paulo Lins e Silva. Goldman passou dois anos em tribunais norte-americanos e brasileiros, até conseguir levar o menino de volta para casa, no Natal de 2009.
Bruna morreu em 2008, durante o parto de outro filho, mas o padrasto brasileiro do menino e a avó continuaram a batalha judicial pela custódia do menor no Brasil. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, chegou a dar declarações apoiando a iniciativa do pai para levar o menino de volta aos EUA.
Os cinco anos em que David ficou separado do filho serão contados neste livro, de 288 páginas. Ele destaca no texto, em detalhes, todas as emoções sentidas neste período, como também os desafios que ele está enfrentando agora para reconstruir a relação com Sean. O americano conta como está seu trabalho junto a pais que vivem a mesma experiência. "Trata-se de um testamento sobre como pai e filho podem ser conectados", disse a editora em um release sobre a obra.
Depois de quase quatro anos em uma batalha judicial para receber a guarda do filho Sean, o americano David Goldman, de New Jersey, decidiu publicar um livro de memórias para contar a sua versão dos fatos. "A Father’s Love" (O amor de um pai) será comercializado a partir de maio deste ano pelo editora Viking.
Em 2004, Goldman estava casado com a brasileira Bruna Bianchi e vivia em Tinton Falls, Nova Jersey, quando a mulher dele viajou para o Brasil com o filho, então com quatro anos. Goldman supunha que eles iam apenas passar férias.
Chegando no Brasil, porém, Bruna anunciou a Goldman que ela ficaria no País com o menino. Ela se divorciou de Goldman e casou-se novamente, com o advogado João Paulo Lins e Silva. Goldman passou dois anos em tribunais norte-americanos e brasileiros, até conseguir levar o menino de volta para casa, no Natal de 2009.
Bruna morreu em 2008, durante o parto de outro filho, mas o padrasto brasileiro do menino e a avó continuaram a batalha judicial pela custódia do menor no Brasil. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, chegou a dar declarações apoiando a iniciativa do pai para levar o menino de volta aos EUA.
Os cinco anos em que David ficou separado do filho serão contados neste livro, de 288 páginas. Ele destaca no texto, em detalhes, todas as emoções sentidas neste período, como também os desafios que ele está enfrentando agora para reconstruir a relação com Sean. O americano conta como está seu trabalho junto a pais que vivem a mesma experiência. "Trata-se de um testamento sobre como pai e filho podem ser conectados", disse a editora em um release sobre a obra.
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Caso David
sábado, 25 de dezembro de 2010
‘Sean desabrochou no subúrbio americano’, diz amigo da família Goldman

Um ano depois de voltar para os Estados Unidos, em cumprimento à decisão da Justiça brasileira, Sean Goldman "se adaptou rapidamente, tem ido bem na escola e tem muitos amigos da idade dele", segundo Bob D'Amico, amigo da família e membro da Fundação Traga o Sean para Casa.
"É irônico que ele tenha vindo de uma vida muito privilegiada no Rio de Janeiro e que tenha desabrochado vivendo na classe média do subúrbio americano", afirma D'Amico.
"Acho que é por causa da liberdade, a liberdade de poder jogar bola com os amigos na rua, ou no riacho que passa atrás da casa dele", acrescenta. "Compare isso com morar em um arranha-céu dentro dos muros de um condomínio fechado, assegurado por guardas fortemente armados, e você vai entender."
O amigo da família Goldman diz não poder dar mais detalhes sobre Sean, 10, e seu pai, David, para preservar a privacidade dos dois e porque o processo ainda está em andamento.
Ele acrescenta, no entanto, que a volta do menino para os Estados Unidos foi "melhor do que qualquer um de nós poderia ter imaginado".
Disputa judicial
Sean foi levado aos Estados Unidos na véspera do Natal de 2009 depois de uma disputa judicial entre a família da mãe do menino – Bruna Bianchi, morta após o parto de sua segunda filha, em 2008 – e David Goldman.
Em dezembro passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu a guarda do menino, que estava vivendo no Brasil, a David Goldman.
O caso chegou a ganhar proporções políticas: em março de 2009, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pleiteou, em mensagem ao governo brasileiro, a volta de Sean aos Estados Unidos.
Em reação à disputa pela guarda, um senador americano chegou a apresentar uma moção suspendendo a votação do Sistema Geral de Preferências, um programa de isenção tarifária que beneficiava exportações brasileiras.
O programa só foi aprovado depois da decisão do STF favorável a David Goldman.
Convenção
Para Patricia Apy, advogada de David Goldman, o caso de Sean foi difícil de resolver por ter sido o primeiro do tipo. "Por isso, progrediu vagarosamente no sistema", afirma.
"Sean Goldman está entre as primeiras inscrições feitas na Autoridade Central Brasileira, e foi a primeira criança americana a voltar do Brasil", acrescenta a advogada.
"O Brasil havia acabado de estabelecer relacionamento de tratado com os Estados Unidos, aceitando os termos de adesão na Convenção de Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças."
O sequestro de filhos se dá quando um dos pais leva o filho ou a filha para fora do país e, à revelia do outro genitor, decide não devolvê-los.
No caso Sean, a família brasileira tentou ao longo do processo convencer a Justiça de que era desejo do garoto permanecer no Brasil.
No fim, o STF acabou decidindo pela volta do menino aos Estados Unidos com base na Convenção de Haia, assinada na Holanda em 1980, que determina o retorno imediato da criança ao seu país de residência.
O Brasil é signatário do acordo, e um dos argumentos do Supremo para basear sua decisão foi que manter Sean no país poderia implicar em sanções internacionais.
De acordo com Apy, o fato de o caso ter se tornado público contribuiu para a resolução do caso.
"De agora em diante, espera-se que nenhum pai tenha que levar seu caso a público para poder desfrutar da lei de tratados internacionais", afirma a advogada. "Agora, espero, o processo está estabelecido para casos no futuro."
Camila Viegas-Lee
BBC Brasil
"É irônico que ele tenha vindo de uma vida muito privilegiada no Rio de Janeiro e que tenha desabrochado vivendo na classe média do subúrbio americano", afirma D'Amico.
"Acho que é por causa da liberdade, a liberdade de poder jogar bola com os amigos na rua, ou no riacho que passa atrás da casa dele", acrescenta. "Compare isso com morar em um arranha-céu dentro dos muros de um condomínio fechado, assegurado por guardas fortemente armados, e você vai entender."
O amigo da família Goldman diz não poder dar mais detalhes sobre Sean, 10, e seu pai, David, para preservar a privacidade dos dois e porque o processo ainda está em andamento.
Ele acrescenta, no entanto, que a volta do menino para os Estados Unidos foi "melhor do que qualquer um de nós poderia ter imaginado".
Disputa judicial
Sean foi levado aos Estados Unidos na véspera do Natal de 2009 depois de uma disputa judicial entre a família da mãe do menino – Bruna Bianchi, morta após o parto de sua segunda filha, em 2008 – e David Goldman.
Em dezembro passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu a guarda do menino, que estava vivendo no Brasil, a David Goldman.
O caso chegou a ganhar proporções políticas: em março de 2009, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pleiteou, em mensagem ao governo brasileiro, a volta de Sean aos Estados Unidos.
Em reação à disputa pela guarda, um senador americano chegou a apresentar uma moção suspendendo a votação do Sistema Geral de Preferências, um programa de isenção tarifária que beneficiava exportações brasileiras.
O programa só foi aprovado depois da decisão do STF favorável a David Goldman.
Convenção
Para Patricia Apy, advogada de David Goldman, o caso de Sean foi difícil de resolver por ter sido o primeiro do tipo. "Por isso, progrediu vagarosamente no sistema", afirma.
"Sean Goldman está entre as primeiras inscrições feitas na Autoridade Central Brasileira, e foi a primeira criança americana a voltar do Brasil", acrescenta a advogada.
"O Brasil havia acabado de estabelecer relacionamento de tratado com os Estados Unidos, aceitando os termos de adesão na Convenção de Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças."
O sequestro de filhos se dá quando um dos pais leva o filho ou a filha para fora do país e, à revelia do outro genitor, decide não devolvê-los.
No caso Sean, a família brasileira tentou ao longo do processo convencer a Justiça de que era desejo do garoto permanecer no Brasil.
No fim, o STF acabou decidindo pela volta do menino aos Estados Unidos com base na Convenção de Haia, assinada na Holanda em 1980, que determina o retorno imediato da criança ao seu país de residência.
O Brasil é signatário do acordo, e um dos argumentos do Supremo para basear sua decisão foi que manter Sean no país poderia implicar em sanções internacionais.
De acordo com Apy, o fato de o caso ter se tornado público contribuiu para a resolução do caso.
"De agora em diante, espera-se que nenhum pai tenha que levar seu caso a público para poder desfrutar da lei de tratados internacionais", afirma a advogada. "Agora, espero, o processo está estabelecido para casos no futuro."
Camila Viegas-Lee
BBC Brasil
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Faz um ano que Sean foi entregue ao pai; e a avó ainda não se conformou

Faz um ano que a Justiça brasileira entregou o garoto Sean, 10, ao seu pai, o americano David Goldman. Silvana Bianchi (foto), 60, a avó brasileira materna, tem aproveitado a oportunidade para lamentar a perda.
Bruna, 34, a mãe de Sean, trouxe o garoto para o Brasil de férias em 2004 e disse ao marido que voltaria para os Estados Unidos, mas não voltou. Ela rompeu a união com Goldman, casou-se de novo e morreu de parto em agosto de 2008.
O pai teve de recorrer à Justiça e a políticos e mobilizar a opinião pública americana para que Silvana entregasse o seu filho. Em várias oportunidades, ele se queixou de que ela o impedia que visitasse Sean.
Agora, durante uma entrevista, entre lágrimas, Silvana exagerou: “Não sei se meu neto está vivo ou morto”.
Ela lembrou que a última vez que teve contato com Sean foi em 22 de junho, quando ele telefonou para dizer em inglês que estava bem. “Foi uma conversa sem espontaneidade. Ele parecia ter alguém do lado, tomando conta do que falava."
Silvana sempre quis Sean só para ela, colocando o pai de escanteio, como se a posse do neto fosse uma compensação para a morte de sua filha.
Ela chegou a dizer que a cultura brasileira valoriza a mãe na educação do filho, e ela, como avó, estava desempenhando o papel materno, sem levar em conta que Sean é filho de americano e nasceu nos Estados Unidos. A sua argumentação incluía a defesa de que o padrasto João Paulo Lins e Silva, 36, era mais pai do que o pai verdadeiro.
Sean foi vítima de alienação parental. A figura do seu pai era minimizada pela avó e a do padrasto superestimada.
Lins e Silva, advogado especializado em questões de família, foi usado por Silvana na guerra jurídica contra o pai de Sean. Aparentemente, o padrasto resolveu se restringir aos bastidores desde a a volta do garoto para os Estados Unidos.
Silvana, na entrevista de agora, apela até mesmo para a irmã de Sean para desenvolver a sua narrativa de vítima. Disse que Chiara tem sentido falta do irmão, que pergunta por ele, etc.
“Não consigo acreditar que [Sean] seja feliz lá, sem saber de nós, da irmã”, disse.
Nesta véspera de Natal, Sean deverá telefonar para a avó.
O site bringseanhome.org (‘Tragam Sean para casa’), criado na época da disputa pelo menino, enviou e-mail às pessoas cadastradas dizendo que a relação entre pai e filho “está bem melhor do que qualquer um de nós poderia imaginar ser possível".
Com informação da Folha.
Paulopes Weblog
Bruna, 34, a mãe de Sean, trouxe o garoto para o Brasil de férias em 2004 e disse ao marido que voltaria para os Estados Unidos, mas não voltou. Ela rompeu a união com Goldman, casou-se de novo e morreu de parto em agosto de 2008.
O pai teve de recorrer à Justiça e a políticos e mobilizar a opinião pública americana para que Silvana entregasse o seu filho. Em várias oportunidades, ele se queixou de que ela o impedia que visitasse Sean.
Agora, durante uma entrevista, entre lágrimas, Silvana exagerou: “Não sei se meu neto está vivo ou morto”.
Ela lembrou que a última vez que teve contato com Sean foi em 22 de junho, quando ele telefonou para dizer em inglês que estava bem. “Foi uma conversa sem espontaneidade. Ele parecia ter alguém do lado, tomando conta do que falava."
Silvana sempre quis Sean só para ela, colocando o pai de escanteio, como se a posse do neto fosse uma compensação para a morte de sua filha.
Ela chegou a dizer que a cultura brasileira valoriza a mãe na educação do filho, e ela, como avó, estava desempenhando o papel materno, sem levar em conta que Sean é filho de americano e nasceu nos Estados Unidos. A sua argumentação incluía a defesa de que o padrasto João Paulo Lins e Silva, 36, era mais pai do que o pai verdadeiro.
Sean foi vítima de alienação parental. A figura do seu pai era minimizada pela avó e a do padrasto superestimada.
Lins e Silva, advogado especializado em questões de família, foi usado por Silvana na guerra jurídica contra o pai de Sean. Aparentemente, o padrasto resolveu se restringir aos bastidores desde a a volta do garoto para os Estados Unidos.
Silvana, na entrevista de agora, apela até mesmo para a irmã de Sean para desenvolver a sua narrativa de vítima. Disse que Chiara tem sentido falta do irmão, que pergunta por ele, etc.
“Não consigo acreditar que [Sean] seja feliz lá, sem saber de nós, da irmã”, disse.
Nesta véspera de Natal, Sean deverá telefonar para a avó.
O site bringseanhome.org (‘Tragam Sean para casa’), criado na época da disputa pelo menino, enviou e-mail às pessoas cadastradas dizendo que a relação entre pai e filho “está bem melhor do que qualquer um de nós poderia imaginar ser possível".
Com informação da Folha.
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Após briga judicial pelo filho, Goldman publica memórias

O homem de Nova Jersey que protagonizou uma prolongada batalha judicial pela custódia de seu filho no Brasil, David Goldman publicará um livro de memórias no ano que vem. "A Father''s Love" (O amor de um pai) será comercializado a partir de maio pelo selo Viking, anunciou hoje a editora.
Em 2004, Goldman estava casado com a brasileira Bruna Bianchi e vivia em Tinton Falls, Nova Jersey, quando a mulher dele viajou para o Brasil com o filho de 4 anos do casal. Goldman supunha que eles iam apenas passar férias.
Chegando no Brasil, porém, Bruna anunciou a Goldman que ela ficaria no País com o menino. Ela se divorciou de Goldman e casou-se novamente, com um advogado, João Paulo Lins e Silva. Goldman passou dois anos em tribunais norte-americanos e brasileiros, até conseguir levar o menino de volta para casa, em 2009.
Bruna morreu em 2008, durante o parto de outro filho, mas o padrasto brasileiro do menino e sua avó continuaram a batalha judicial pela custódia do menor no Brasil. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, chegou a dar declarações apoiando a iniciativa do pai para levar o menino de volta aos EUA. As informações são da Associated Press.
Em 2004, Goldman estava casado com a brasileira Bruna Bianchi e vivia em Tinton Falls, Nova Jersey, quando a mulher dele viajou para o Brasil com o filho de 4 anos do casal. Goldman supunha que eles iam apenas passar férias.
Chegando no Brasil, porém, Bruna anunciou a Goldman que ela ficaria no País com o menino. Ela se divorciou de Goldman e casou-se novamente, com um advogado, João Paulo Lins e Silva. Goldman passou dois anos em tribunais norte-americanos e brasileiros, até conseguir levar o menino de volta para casa, em 2009.
Bruna morreu em 2008, durante o parto de outro filho, mas o padrasto brasileiro do menino e sua avó continuaram a batalha judicial pela custódia do menor no Brasil. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, chegou a dar declarações apoiando a iniciativa do pai para levar o menino de volta aos EUA. As informações são da Associated Press.
Agência Estado
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
A vida sem Sean

Às vésperas do Natal, a chef Silvana Bianchi tenta superar a separação do neto
A chef de cozinha Silvana Bianchi tem dedicado especial atenção à comemoração de Natal deste ano. Além de escolher cuidadosamente os pratos que preparará, ela decidiu contratar um Papai Noel para animar a festa em seu amplo apartamento na Lagoa e entregar um presente à neta Chiara, de 2 anos. Com isso, Silvana espera diminuir a tristeza que tomou conta de sua família desde 24 de dezembro do ano passado. Naquele dia, por decisão do Supremo Tribunal Federal, ela foi forçada a se separar do neto Sean Goldman, então com 9 anos, e entregá-lo ao pai, o americano David Goldman. O menino vivia com a avó no Rio fazia cinco anos e era alvo de uma disputa travada na Justiça. Sem ver o meio-irmão desde então, Chiara pergunta por ele com frequência. Recentemente levou a família às lágrimas ao avistar um garoto parecido com ele em um shopping e chamá-lo de Sean. “Prometi a mim mesma que daria um Natal mais feliz a Chiara, apesar de ainda ser tremendamente duro superar a ausência de Sean”, diz Silvana, que é ex-proprietária do restaurante Quadrifoglio.
Ela afirma que há seis meses não tem nenhuma notícia do menino, que hoje vive em Nova Jersey, nos Estados Unidos. A última conversa entre os dois aconteceu no dia 22 de junho. Na ligação, Sean demonstrou pouquíssima espontaneidade ao relatar sua atual rotina. Respondia às perguntas da avó em um inglês lacônico e com voz triste. Segundo Silvana, Sean não fala mais português por determinação do pai. Até o endereço de e-mail que o menino usava para mandar mensagens à família foi desativado. “Ele foi completamente excluído da nossa vida”, lamenta a avó. A mãe de Sean, Bruna Bianchi, filha de Silvana, conheceu David Goldman na Itália, em 1999. Os dois se casaram e o menino nasceu em 2000, nos EUA. Quatro anos depois, Bruna veio ao Brasil com o menino visitar a família. Decidiu não retornar e se separar do marido. Em seguida, casou-se com o advogado João Paulo Lins e Silva, a quem Sean chamava de pai. Em 2007, engravidou de Chiara, mas morreu no parto, aos 33 anos, em 2008. Foi quando o americano decidiu reivindicar a guarda do filho — e ganhou. Hoje Silvana tenta romper o bloqueio imposto pelo ex-genro e rever o neto. Promete não desistir jamais.
A chef de cozinha Silvana Bianchi tem dedicado especial atenção à comemoração de Natal deste ano. Além de escolher cuidadosamente os pratos que preparará, ela decidiu contratar um Papai Noel para animar a festa em seu amplo apartamento na Lagoa e entregar um presente à neta Chiara, de 2 anos. Com isso, Silvana espera diminuir a tristeza que tomou conta de sua família desde 24 de dezembro do ano passado. Naquele dia, por decisão do Supremo Tribunal Federal, ela foi forçada a se separar do neto Sean Goldman, então com 9 anos, e entregá-lo ao pai, o americano David Goldman. O menino vivia com a avó no Rio fazia cinco anos e era alvo de uma disputa travada na Justiça. Sem ver o meio-irmão desde então, Chiara pergunta por ele com frequência. Recentemente levou a família às lágrimas ao avistar um garoto parecido com ele em um shopping e chamá-lo de Sean. “Prometi a mim mesma que daria um Natal mais feliz a Chiara, apesar de ainda ser tremendamente duro superar a ausência de Sean”, diz Silvana, que é ex-proprietária do restaurante Quadrifoglio.
Ela afirma que há seis meses não tem nenhuma notícia do menino, que hoje vive em Nova Jersey, nos Estados Unidos. A última conversa entre os dois aconteceu no dia 22 de junho. Na ligação, Sean demonstrou pouquíssima espontaneidade ao relatar sua atual rotina. Respondia às perguntas da avó em um inglês lacônico e com voz triste. Segundo Silvana, Sean não fala mais português por determinação do pai. Até o endereço de e-mail que o menino usava para mandar mensagens à família foi desativado. “Ele foi completamente excluído da nossa vida”, lamenta a avó. A mãe de Sean, Bruna Bianchi, filha de Silvana, conheceu David Goldman na Itália, em 1999. Os dois se casaram e o menino nasceu em 2000, nos EUA. Quatro anos depois, Bruna veio ao Brasil com o menino visitar a família. Decidiu não retornar e se separar do marido. Em seguida, casou-se com o advogado João Paulo Lins e Silva, a quem Sean chamava de pai. Em 2007, engravidou de Chiara, mas morreu no parto, aos 33 anos, em 2008. Foi quando o americano decidiu reivindicar a guarda do filho — e ganhou. Hoje Silvana tenta romper o bloqueio imposto pelo ex-genro e rever o neto. Promete não desistir jamais.
Letícia Pimenta
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Caso David
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