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terça-feira, 11 de outubro de 2016
11 de Outubro - Dia do Deficiente Físico
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Mãe publica carta após filho com Down ser excluído de festa
Menino foi o único da turma que não foi convidado para aniversário
Jennifer disse que o filho não tem sido chamado para comemorações
"É uma carta aberta ao pai que achou 'ok' convidar toda a classe para o aniversário de seu filho, exceto meu filho... Estou compartilhando isso, porque penso que é uma lição valiosa para todos e que estou tentando educar e defender mais", escreveu.
Ao longo de seu desabafo, a mãe afirma que a ausência de seu filho entre os convidados do evento não foi um descuido, mas, sim, uma decisão intencional da família.
Segundo a mãe, filho foi alvo de preconceito - Reprodução Facebook
"A única razão pela qual você decidiu que era 'ok' não convidar meu filho para a festa de aniversário do seu filho é o fato dele ter Síndrome de Down", afirmou Jennifer, que diz que em diversas ocasiões o filho já falou sobre o amigo que fez aniversário, o que demonstra que eles tinham uma boa convivência.
"Ter Síndrome de Down não significa que você não quer ter amigos", diz a mãe.
Jennifer conta que o fato fez com que ela percebesse que seu filho não havia sido convidado para grande parte das festas no último ano. Na carta, a mãe afirma que o pai está desinformado sobre a doença, pois, caso contrário, não teria excluído seu filho. Jennifer diz ainda que não está brava com os pais da criança, mas que considera esta uma ótima oportunidade para que conheçam seu filho melhor. Por fim, Jennifer diz que todos cometem erros, mas que sempre há oportunidade de melhorar.
Fonte: O Globo
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Futebol é mensagem de igualdade para refugiados no Brasil
“Craque Pelé! Craque Pelé!”, saudou um grupo de jovens torcedores que ocupava as acanhadas arquibancadas do campo de futebol do Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET), na zona leste de São Paulo. O alvo das manifestações não era Edson Arantes do Nascimento, e sim um angolano cuja semelhança com o craque brasileiro é o apreço pela bola.
José Pelé Messa nasceu há 45 anos em Cabinda, na Angola, em uma época na qual a idolatria pelo atacante santista era tão grande que sua presença foi capaz de estancar, mesmo que momentaneamente, duas guerras civis africanas, na Nigéria e no Congo. É inspirado nesses dias que o angolano recebeu seu nome do meio, carregado com muito orgulho por um refugiado que vive há dois anos no Brasil.
Unindo a paixão pelo futebol brasileiro e a solidariedade por seus conterrâneos africanos, que enfrentam dificuldades e obstáculos na aquisição de direitos como refugiados políticos, José Pelé é um dos organizadores da Copa dos Refugiados, torneio disputado pela segunda vez na capital paulista em agosto de 2015.
“Através do futebol, podemos levar ao povo brasileiro a nossa mensagem, mostrando que somos iguais”, afirma o organizador, lembrando que ainda há muito preconceito e desconfiança em relação aos estrangeiros que buscam uma nova vida no Brasil. Uma prova dessa conduta aconteceu no início de agosto, quando seis haitianos sofreram ataques a tiros no centro da capital paulista. Felizmente, nenhum deles morreu; há indícios que o crime foi motivado por xenofobia.
“Estamos aqui trazendo a nossa cultura e dedicação. Queremos conviver e trocar ideias e experiências entre aqueles que vivem situações parecidas”, pontua o angolano. E não são poucos: cerca de 240 refugiados ou solicitantes de refúgio participaram da competição, divididos em 18 equipes, cada uma representando um país.
A Copa dos Refugiados ocorre na medida em que a questão do refúgio se torna cada vez mais presente no Brasil: segundo o Ministério da Justiça, 1.165 solicitaram refúgio no país em 2010, sendo que quatro anos depois esse número disparou para 25.996, um crescimento de mais de 2.000%. De acordo com dados de 2015 da Acnur (órgão da ONU para refugiados), há cerca de 59,5 milhões de pessoas deslocadas de suas terras natais por guerras e conflitos.
Criticado pela morosidade e lentidão no atendimento dos pedidos, o Brasil concedeu no ano passado 2.320 refúgios a estrangeiros, entre eles José Pelé. O número superou com facilidade o recorde de 2013, quando 649 estrangeiros tiveram seus documentos regularizados, segundo informações do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados).
Foi através de muito esforço e paciência que o angolano se juntou aos outros cerca de 7.700 refugiados reconhecidos no território brasileiro, provenientes de 81 países. Destes, cerca de 3.200 escolhem a capital paulista como destino. “A minha história é muito triste, prefiro não contar”, desabafa o até então sorridente José Pelé, já com olhos encharcados.
O silêncio que sucedeu a fala serviu de pausa para que ele contasse como, afinal, chegou ao Brasil. Formado em jornalismo e com experiência em áreas tão distintas como marketing e teatro, ele trabalhou como fiscal das eleições angolanas de 2012, quando saiu vitorioso o presidente José Eduardo dos Santos, do MPLA, no comando do país africano desde 1979.
José Pelé não ficou quieto perante as fraudes que descobriu durante seu trabalho. Conta que, para se manter calado, recebeu ofertas de carro e apartamento. Ao recusar, passou a receber ameaças contra sua vida e perseguições. “Não existem direitos humanos em Angola”, decreta.
Foi então que fugiu para o Brasil, mas não pela primeira vez: já tinha vindo ao país nos anos 1980, sempre em busca de encontrar o ídolo que leva em seu nome. Sabe de cor o número de gols marcados pelo Pelé original: 1.285. Recentemente, tentou encontrá-lo no Hospital Albert Einstein, quando o ex-jogador passou por um período de internação.
Ao relembrar a infância na África, o angolano afirma que, antigamente, jogar futebol profissional era malvisto pela maioria das famílias, assim como tentar a carreira musical. “Hoje, já temos a noção de que o futebol é um traço de unidade das nações africanas. Por isso, criamos a Copa dos Refugiados, com o propósito de reunir os povos pela paz e democracia.”
Idealizada e organizada por refugiados e solicitantes de refúgio que vivem em São Paulo, o evento teve a sua segunda edição finalizada na tarde de sábado, dia 8. O inverno não deu às caras, assim como as nuvens, e os jogos foram realizados sob um sol escaldante e temperatura de 23ºC. A grande final foi disputada entre as seleções do Camarões e do Congo, com vitória camaronesa por 2 a 1.
José Pelé considera o evento um sucesso. E promete melhoras. “Amanhã faremos um torneio melhor, pois se não buscarmos isso também não teremos um país melhor. A integração aqui é muito difícil, principalmente para quem não fala português”, afirma ele, que, além do português, fala francês e kikongo, um dialeto angolano.
Hoje, José Pelé mora em Itaquera e trabalha como operador de caixa em um supermercado da Barra Funda. Vira e mexe recebe outros refugiados em seu apartamento. Mas sente saudades da África: deixou lá cinco filhos, com idades entre 5 e 25 anos.
Gosta de viajar para Santos, onde sempre visita a Vila Belmiro, palco de grandes feitos do seu ídolo. Na pauliceia, frequenta parques como o da Água Branca, perto de seu trabalho, e praças do Brás. Ao observar uma disputa de bola que terminou em gol e levou ao delírio da torcida, José Pelé Messa bradou: “É isso que quero. Ver meu povo feliz.” Ao final, a seleção de Camarões levou a taça: vitória de 2 a 1 sobre o Congo.
Fonte: promenino
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
No Dia da Pessoa com Deficiência Visual, especialista ressalta inclusão escolar como principal forma de garantir direitos
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a deficiência mais frequente entre a população brasileira é a visual. Cerca de 35 milhões de pessoas (18,8%) declararam ter dificuldade de enxergar, mesmo com óculos ou lentes de contato.
Para cumprir com esse dever social, a assessora da Fundação Dorina se apoia nas instituições de ensino como principal forma de garantir o direito à educação, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “O espaço que mais precisa de investimento é o educacional em todos os níveis, desde a pré-escola até o nível universitário. Não se garante o direito ao estudo sem técnicas e maneiras corretas de educar e ensinar essas crianças e adolescentes.”
As maiores dificuldades para crianças deficientes visuais estão na aprendizagem. “O ser humano aprende observando, essa criança que não enxerga tem que receber ajuda específica de todas as pessoas à sua volta para mostrar o mundo através de sons e tato.” Em relação às diferenças entre crianças e adultos cegos, Eliana explica que um constrói um mundo sem a visão, enquanto o outro reconstrói. “As crianças precisam se desenvolver e aprender sem a visão. Já quem deixa de enxergar na fase adulta, lida com perda e readequação à sua maneira de ver sem os olhos.”
Concretizar na rotina escolar o que foi estabelecido por lei é um dos grandes desafios da atualidade. Com as políticas de inclusão estabelecidas recentemente, há maior procura das escolas para se prepararem e se adequarem. Porém, ainda há uma grande defasagem daquilo que é necessário em relação aos recursos disponíveis. “Na escola especificamente existe movimentação de busca por recursos humanos, de inclusão. Estamos longe de alcançar a devida inclusão de fato, mas já demos o primeiro passo.”
Acessibilidade e capacitação
Os depoimentos mais recorrentes de alunos com deficiência visual e de suas famílias baseiam-se na falta. Como ausência de qualificação por parte dos professores e falta ou insuficiência de materiais adaptados e acessíveis que possibilitem um desempenho escolar adequado. Outro ponto são os ambientes pouco permeados com atitudes que realmente favoreçam a verdadeira inclusão.
Ao mesmo tempo, relata Eliana, as declarações dos educadores são cada vez mais em tons de súplica de que não sabem o que fazer e como desempenhar seus papéis para contemplar a todos em sala de aula. “Não nos parece suficiente apenas a legislação e a ‘boa vontade’ para haver a verdadeira inclusão escolar. Cada educador e cada escola precisa buscar a capacitação e adaptações curriculares, adquirir material escolar acessível como parte fundamental do processo. A escola deve garantir um ambiente acolhedor, onde o respeito à dignidade do ser humano não seja apenas discutido, mas exercitado por toda a comunidade escolar.”
A assessora destaca ainda o sistema braille de escrita e leitura como fundamental para qualquer criança que não enxerga. “O braille é tão essencial como a caneta e o papel são para crianças que enxergam. Esse tipo de comunicação garante o processo de formação e desenvolvimento de conceitos.” Eliana afirma que uma pessoa que enxerga pode aprender o sistema braille em 20 horas de aula. “Então não é tão difícil assim o professor se adaptar”.
Nova tecnologia
Além dos livros, há novos recursos e tecnologias disponíveis como importantes meios de comunicação, que facilitam e aproximam as pessoas com deficiência visual. Softwares e aplicativos para tablets e smartphones vêm sendo adaptados e desenvolvidos nos últimos anos, desde leitores óticos que identificam produtos e preços em mercados, até um aplicativo que está sendo desenvolvido por pesquisadores e estudantes da Universidade de Stanford, com uma posição dinâmica das teclas, que seguirão os dedos dos usuários.
Em outubro de 2013, o Laboratório de Inovação Cientifica do Instituto Federal do Ceará apresentou o Portáctil, projeto que tem como slogan “O mundo em braille”. O equipamento cria a possibilidade de ler por meio do tato qualquer obra escrita. Basta que o usuário capture, por meio de um tablet, o que for ler e o sistema transfere o conteúdo para um navegador que tem três células braille e permite ao deficiente visual o entendimento do texto.
Outra forma de apoio vem de entidades como a Fundação Dorina, que oferece um aporte para que qualquer e todo tipo de pessoa possa ser orientada para que os espaços sejam inclusivos de fato. “Os recursos são importantes, mas a sensibilidade e as atitudes da sociedade é que vão garantir a inclusão”, reforça Eliana.
promenino
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Aprovada Nova Lei sobre Educação Especial na Perspectiva Inclusiva no Rio
Acaba de virar Lei mais um projeto nosso, número 5.554/2011, que já prepara o terreno para o que estabelecerá a forma de atendimento das ações públicas de Educação aos alunos com deficiências, transtornos globais de desenvolvimento (TGD) e altas habilidades ou superdotação.
Esta lei aprovada estabelece diretrizes, ou seja, as linhas de ação para que o futuro plano seja executado. Nesta lei de diretrizes, que conquistamos agora, está a garantia de qualificação continuada e especializada dos professores, a prioridade de oferta de vagas a esse grupo de alunos próximos às suas residências, o combate a toda forma de discriminação e exclusão dos alunos com deficiência e o planejamento estratégico para estimular o desenvolvimento e aprendizagem do aluno segundo as necessidades educacionais de cada um, entre outras diretrizes.
Isso abre caminho para que o projeto de lei de ações seja aprovado neste ano de 2013. Quanto a este último, quero destacar que foi preciso muito trabalho e dedicação não só de minha parte, mas também do grupo de mães representantes com o qual venho me reunindo ao longo dos últimos dois anos. Cabe ressaltar que diversos especialistas também contribuiram de forma igualmente importante, tanto de universidades quanto do próprio IHA (Instituto Helena Antipoff, entidade da Prefeitura responsável pela gestão da educação especial).
Juntos, elaboramos o documento que representa as idéias de como a coisa deve se pautar, com as ações, com o que é, de fato, que vai ser executado no dia-a-dia. A previsão de aprovação é até junho deste ano.
Nossa meta com o projeto será possibilitar que os alunos sejam incluídos nas salas de aula com a estrutura adequada para a inclusão, com mediação escolar também adequada a cada deficiência, que as salas tenham um número de alunos compatível por turma, que o currículo, material e avaliações sejam adaptados corretamente, que os professores sejam capacitados especificamente para cada tipo de deficiência, que haja transporte escolar, salas de recursos multifuncionais, entre outras providências.
Aqui cabe uma importante nota: existe um grupo de radicais, com discurso de 20 anos atrás, que defende inclusão plena já. O que seria isso? O fim imediato de todas as classes e escolas especiais, e inclusão total das crianças com deficiência/transtornos globais de desenvolvimento/altas habilidades em turmas comuns. São pessoas que não têm a noção da realidade das escolas públicas – nem das particulares, aqui cabe outro parêntesis, as públicas estão anos luz à frente das particulares nesse quesito. Não sabem que não há estrutura para inclusão em boa parte das escolas, e incluir não é só matricular. É necessário tudo o que citei no parágrafo anterior.
Já visitei inúmeras escolas, mas vou citar o exemplo de apenas uma porque este artigo já está ficando longo demais. Na Escola Municipal Tagore, uma criança com síndrome de down estava na turma comum olhando para o nada quando cheguei, alheia ao que acontecia à sua volta. Perguntei à professora sobre a criança, que respondeu dizendo que ela tinha vindo da classe especial, e era uma criança alegre e se desenvolvia bem. Agora estava regredindo e introspectiva. Não tinha facilitador (mediador escolar) e ela não tinha como dar atenção especial que deveria, com uma turma cheia. Há inúmeros exemplos como esse de quem tem a experiência de campo como eu.
Ora, é claro que a criança down tem todas as capacidades de se desenvolver numa turma comum como qualquer outra criança. Mas é também óbvio que precisa de adaptação de currículo, avaliação, facilitador entre tantas outras estruturas que não estavam disponíveis. A escola é que tem que se adaptar à criança, e não ao contrário. Se o filho com deficiência não está aprendendo, a culpa não é dele, e sim da escola que não se adaptou.
É claro que eu defendo a inclusão. Mas não sou fanático irracional – para não dizer irresponsável – de estar lidando com papéis na minha sala com ar-condicionado, dizendo que defendo inclusão plena já. Conheço a realidade das escolas e, enquanto não houver estrutura condizente que possibilite que a inclusão não seja somente uma matrícula e sim um processo, eu não vou aceitar o fim das classes e escolas especiais. Caberá aos técnicos do IHA e aos pais, estes últimos que têm o direito constitucional pleno, de decidir em conjunto o melhor destino para as crianças.
Para dar um ponto final nessa questão, os radicais ainda gostam de citar legislação e acordos internacionais, mas só sabem ler o que lhes convêm. A declaração de Salamanca diz claramente que “as escolas especiais ou classes especiais podem continuar a prover educação mais adequada a um número reduzido de crianças que não possam ser incluídos adequadamente naquele momento”. E ainda, a nossa própria legislação, a Presidente Dilma assinou um decreto no fim de 2011, de número 7.611, que é o que está em vigor, citando claramente a educação especial e suas providências, como manda a constituição, a educação por toda a vida (fim da terminalidade) entre outros itens. A lei de nossa autoria, aprovada esta semana, está complemante em sintonia com a legislação federal em vigor. E com a lógica do melhor para os alunos.
A educação inclusiva plena é uma meta. Tem que ser defendida. Mas para ser alcançada, não pode começar com a matrícula forçada das crianças, e sim com a estruturação das escolas. Defender a inversão de ordem é minimamente irresponsável. Para defender a educação inclusiva, é pré-requisito defender a adaptação das escolas com todas as providências citadas. Por isso o nosso novo projeto de lei que deverá, como disse, virar realidade ainda neste semestre.
Com essa lei sancionada agora, o próximo passo é, então, aprovar a segunda e mais importante parte, definindo essas ações detalhadamente. Tenho certeza de que conseguiremos ainda mais sucesso nesta jornada a favor da Educação Inclusiva consciente!
Para quem quiser ler mais sobre o assunto, aqui está o link do último artigo que eu escrevi sobre este tema, antes deste de hoje.
Segue, ainda, o link do projeto de lei das ações, o qual pretendo transformar em lei neste ano de 2013, com as devidas correções e emendas após ouvir a sociedade em audiências públicas.
PAULO Messina
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
A inclusão de crianças com deficiência física
João Guilherme pode ir para todos os lados. O pai conseguiu uma cadeira adaptada para o filho estudar. Tirando as dúvidas da João Guilherme pode ir a qualquer lugar da escola, pois ela tem rampas por criançada sobre o que é deficiência física, os professores ajudam João Guilherme a construir um caminho sem obstáculos para o saber.
João Guilherme dos Santos, 7 anos,demorou para nascer. O atraso no parto causou-lhe paralisia cerebral, comprometendo a parte motora do corpo.Com 8 meses, ele começou a ser atendido em hospital especializado e fez terapia na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Luís, onde mora.Mas, ao atingir a idade para iniciar a Educação Infantil, a família colocou-o em escola regular.A diretora da primeira creche que visitou não queria aceitá-lo, alegando não ter estrutura."Conheço as leis que garantem os direitos do meu filho", disse o pai, Manuel Carlos Soares dos Santos. Com esse argumento, a matrícula foi efetuada.
Agora no Ensino Fundamental, João Guilherme estuda na Unidade Integrada Alberico Silva. Ele e o pai levam duas horas para chegar até lá, de ônibus, e outras duas para voltar para casa. Pequeno comerciante,Manuel adaptou sua rotina para que o filho possa conviver com crianças sem deficiência:"Ele progride a cada dia.Com uma boa educação, João pode ter uma vida melhor e lutar por seus direitos".
Aplicação para isso não falta ao menino."Ele é muito inteligente", atesta a professora Sandra Helena Nascimento Sousa. Sim, ela teve muito medo de aceitá-lo em sua turma."Uma criança que não anda é um trabalho a mais: tem que dar lanche, levar ao banheiro...Tenho alunos pequenos e não queria me ausentar por muito tempo da classe", conta. O pai se prontificou a ajudar e, mesmo insegura por não se sentir capacitada para lidar com a deficiência, Sandra aceitou o desafio.
"O professor regular precisa saber se a criança tem alguma restrição médica que a impeça de fazer atividades dentro ou fora da sala, acompanhar seu estado de saúde e conhecer os efeitos dos medicamentos que ela está tomando", explica Eliane Mauerberg-deCastro, coordenadora do Programa de Educação Física Adaptada da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, interior de São Paulo. "E a escola deve garantir o acesso físico à sala."Para isso, Sandra teve o apoio do grupo de atendimento especial da Secretaria de Educação do município, que a colocou a par da história de João e levou material específico para ele - como a prancheta magnética para formar palavras, acoplada à mesa de estudos.
Alguns alunos perguntavam se João era doente. Nas rodas de conversa, a professora falou sobre diferenças: "Expliquei que ele era inteligente, mas aprenderia de outra forma, já que as pessoas não são iguais e têm capacidades e limitações próprias".Todos se esforçam para ajudar João Guilherme e ficam em silêncio para ouvi-lo falar, pois ele ainda tem dificuldade para se expressar.
Na cadeira, mas sem rodas
O maior desafio das crianças com deficiência física não está na capacidade de aprender, mas na coordenação motora."Geralmente, elas têm dificuldade para se movimentar, escrever ou falar. Se estiverem atrasadas no desenvolvimento intelectual, é porque não tiveram uma educação apropriada", diz Eliane, da Unesp.Marcos Nantes Coutinho, 9 anos, por exemplo, tem dificuldade em memorizar e os especialistas acreditam que é porque ele não consegue registrar os novos aprendizados. Por isso, as professoras da 2a série da EE Olinda Conceição Teixeira Bacha, em Campo Grande, retomam várias vezes os conteúdos e querem que ele tenha aulas de apoio na sala de recursos de uma escola vizinha.
Na classe,Marcos é atendido pela parceria afinada de Cristina Encina de Barros, a professora regente, e Yara Mara Barbosa de Oliveira, a itinerante, que percorre as escolas que têm alunos com deficiência. Toda quartafeira elas conversam sobre os avanços do menino e os desafios que ele ainda tem de superar, repassam a programação de estudos e fazem as adaptações necessárias ao garoto.A comunicação aberta entre os profissionais também inclui conversas com assistentes sociais, coordenadores e médicos. Outra estratégia é usar material concreto e imagens. O menino aprende as palavras com um alfabeto móvel, feito com letras recortadas em cartolina, e já monta termos com até três sílabas. Como tem dificuldade em segurar o lápis,muito fino, as professoras improvisaram um reforço com um pedaço de espuma tipo espaguete de piscina.
Marcos usa andador, baba e tem dificuldade para falar. Até os 5 anos, ele freqüentou a escola de Educação Infantil da Associação Pestalozzi, onde era assistido por fisioterapeuta, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e psicóloga. Esta última aconselhou a mãe, Ana Flávia Nantes Zuza, a colocá-lo numa creche regular, como forma de prepará-lo para ingressar no Ensino Fundamental.
Na escola,Marcos ganhou autonomia. Durante o ano passado, ele se sentava em cadeira adaptada com apoio para os braços, onde ficava com a postura largada. Como extensão do tratamento terapêutico, a especialista Yara fez uma experiência: colocou-o numa carteira igual à dos demais alunos, encostada à parede. Isso ajudou-o a sustentar o tronco para não escorregar, a ter uma postura melhor e a se equilibrar.Mas a cadeira de rodas é importante e não deve ser evitada."É preciso aceitar que ela, ou uma prótese, faz parte da vida da criança com deficiência física. É como usar óculos", diz Eliane.Marcos já não depende tanto do andador: ele o deixa na porta da classe e apóia-se na fileira de carteiras, até o lugar onde se acomoda.Mostra progressos também nas idas ao banheiro - antes, ela tinha que levá-lo, agora só precisa acompanhá-lo até a entrada. Conquistas simples, mas que mostram às professoras que elas estão no caminho certo. "Qualquer criança pode progredir. Basta a gente ensinar com interesse, atenção e amor", afirma Cristina.
Vínculo afetivo
Para ajudar Vinícius Guedes dos Santos, 7 anos, a superar as restrições de movimentos que ele tem por conta da má-formação das pernas e dos braços, a Escola Básica Donícia Maria da Costa, em Florianópolis, designou uma auxiliar. Ela o ajuda nas atividades em classe,o acompanha ao banheiro e dá o lanche. Ele escreve devagar,mas tem cadernos caprichados. E adora livros. {9] Na hora de ler,Vinícius escolhe os títulos na caixa-biblioteca, sempre em lugar de fácil acesso. "Como ele tem bom nível de leitura e escrita, ainda ajuda os colegas menos avançados", conta Gislene Prim, professora da 2a série.
Desde a 1a série ela se preocupou em fortalecer os laços afetivos para Vinícius sentir confiança na turma. E conseguiu: na assembléia de classe, a turma sugeriu a criação de um parquinho com balanço adaptado só para Vinícius poder brincar também.
Nas aulas de Educação Física, o professor Luiz Augusto Estácio incentiva a socialização das crianças por meio de brincadeiras que todos participem."A experiência de jogar bola sentado na cadeira ou no chão pode ser um desafio diferente e divertido para toda a garotada", exemplifica. Com isso, a criança com deficiência começa a se sentir mais à vontade entre os colegas. A mãe de Vinícius, Adriana Guedes dos Santos, atesta a desenvoltura que o filho tem hoje:"O Vinícius era tímido e quase não conversava.Agora, ele já faz até bagunça e, quando quer alguma coisa, não tem vergonha de pedir".
Atividades e estratégias
BEM-ESTAR FÍSICO
Procure saber sobre o histórico pessoal e escolar do aluno com deficiência, informe-se com a família e o médico sobre o estado de saúde e quais os efeitos dos remédios que ele está tomando. Esse conhecimento é a base para sugerir qualquer atividade que exija esforço físico. Os exercícios podem, por exemplo, interferir na metabolização de medicamentos.
HABILIDADES BÁSICAS
Para ajudar a criança com deficiência física nas habilidades sociais, escolha atividades relacionadas às exigências diárias, como deitar, sentar e levantar-se, arremessar e pegar objetos, parar e mudar de direção. Proponha jogos nos quais o aluno faça escolhas (passar por cima ou por baixo de cordas ou elásticos), para que ele perceba o controle que pode ter sobre o corpo.
INTERAÇÃO
Estimule o contato da criança com deficiência com os colegas, permitindo a troca de idéias, a expressão de emoções e o contato físico para auxiliar nas diversas atividades.
PEÇAS IMANTADAS
Use material concreto e lousa com letras magnéticas para facilitar a formação de palavras e a memorização quando houver restrição no movimento dos braços.
Nova Escola
Dia Internacional da Pessoa com Deficiência é celebrado nesta segunda-feira
O Dia Internacional da Pessoa com Deficiência é celebrado nesta segunda-feira, 3 de dezembro. A data foi criada em 1998 pela Organização das Nações Unidas (ONU) para dar foco e atenção à causa e aos direitos dessa população, estimada em 650 milhões de pessoas, ou 10% da população mundial, segundo a própria ONU.
Entre 3 e 6 de dezembro Brasília vai sediar a III Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, evento que reúne governo, empresas e organizações da sociedade civil para discutir as perspectivas e desafios do grupo.
Também em Brasília, será realizada nesta semana o II Salão de Negócios da Acessibilidade, Reabilitação e Inclusão Social, espaço inclusivo para promover oportunidades de trabalho e geração de renda voltados para as pessoas com deficiência.
A EBC estará presente nos dois eventos para reproduzir em seus veículos as discussões mais relevantes e atuais dos encontros. Além disso, durante toda a semana, vai produzir conteúdos especiais sobre questões relacionadas à pessoa com deficiência sob o ponto de vista da cidadania, dos direitos, da tecnologia, da cultura e da acessibilidade. Acompanhe.
Portal EBC
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Novidade em Matrículas 2012 de Creche para Crianças com Deficiência
Pessoal,
Em reunião no Ministério Público, a Secretaria Municipal de Educação anunciou que neste ano (2012) a matrícula de crianças com deficiência será feita entre 9 e 19 de outubro para o ano letivo 2013, sendo que, para creches, não estará sujeita a sorteio, ou seja, a criança já terá a vaga automaticamente, desde que esteja em situação de vulnerabilidade social e econômica, o que será comprovado mediante a inscriçäo do aluno no Programa “Cartão Carioca”.
É importante notar, contudo, que muitas crianças que devem ter o atendimento educacional especializado têm transtornos globais de desenvolvimento, a exemplo de asperger e autismo, o que não é tão comumente identificável até os dois ou até três anos, deixando de fora deste benefício esse grupo de alunos.
Nestes casos, o diagnóstico precoce e a preparação das educadoras de creche para identificar sinais de TGD é fundamental, e um convênio já foi assinado com a PUC-RJ para este fim.
É importante notar que há uma limitação de duas crianças com deficiência por turma comum em creche, ou seja, pode acontecer de o aluno não ser matriculado na creche escolhida como primeira opção pelos pais. Mas de qualquer forma, é um importante avanço.
Abraços,
Paulo Messina
Blog do Messina
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
ESPECIAL A ESCOLA COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO
A reinserção na educação: dificuldades de convivência e atividades no contraturno escolar
Instituído na década de 90, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) tem o objetivo de restabelecer os direitos de crianças e adolescentes vítimas dessa violação. Para tanto, o programa, que faz parte do Sistema Único de Assistência Social (Suas), atua em três frentes: a redistribuição de renda, inserindo as famílias das crianças no Bolsa Família e no Bolsa Peti; a atuação no convencimento e fortalecimento de vínculos para crianças e adolescentes até 16 anos; e a inserção da família na rotina de acompanhamento do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).
Para receber os benefícios do Bolsa Família e do Bolsa Peti, as famílias precisam participar das ações de acompanhamento realizadas pelos Cras ou Creas, garantir que as crianças tenha frequência mínima de 85% na escola (os adolescente precisam frequentar, pelo menos, 75% das aulas), que participem das atividades do Peti no contraturno escolar e que não realizem qualquer tipo de trabalho (salvo nas condições de aprendiz, a partir dos 14 anos de idade).
As atividades do contraturno escolar contam com grupos de leitura e atividades lúdicas que auxiliam e complementam a aprendizagem escolar. De acordo com Maria Marcia Silva Nogueira, coordenadora municipal do Peti de Fortaleza (CE), a maior dificuldade para a inserção de crianças e adolescentes nas atividades do programa é o estabelecimento de regras. “Eles são fascinados pela rua, pela praia e por poder fazer de tudo lá fora. Aí, quando damos as regras daqui, como pedir a palavra antes de falar, eles não acompanham. Também apresentam dificuldade ao ter que ouvir os educadores e não conseguem cumprir os horários”, conta.
Segundo a coordenadora, a adaptação à nova realidade e às regras é tranquila e mais rápida quando a criança ou adolescente trabalhava há pouco tempo. “Mas quando resgatamos um adolescente que já trabalha há bastante tempo, é mais complicado. Na maioria das vezes, ele vê as atividades como besteira e prefere trabalhar, para ter seu próprio dinheiro. Aí argumentamos falando da importância do estudo para a profissionalização, e que essa profissionalização trará melhores empregos no futuro etc. É mais trabalhoso, mas também dá resultado”, acrescenta.
Acompanhamento escolar
Em Mococa (SP), o Peti ainda não foi implantado. Mas o Grupo Tumm - Todos Unidos Mudaremos o Mundo - já mudou a realidade de mais de 400 crianças e adolescentes nos últimos quatro anos, quando deu início ao Projeto Catavento de Possibilidades para combater e erradicar o trabalho infantil. “Aqui em Mococa, tínhamos muitas crianças que trabalhavam vendendo sorvete ou mendigavam por dinheiro. Mas desde que começamos a argumentar com crianças, adolescentes e famílias, a situação melhorou bastante. Com o apoio do promotor da infância, hoje já não existem crianças vendendo sorvete e a mendicância caiu 80%”, conta Maria Antonieta Pinto, fundadora e coordenadora geral da ONG.
A equipe do Grupo Tumm vê a educação como o melhor instrumento de retirada da criança do trabalho infantil. Por isso, oferece atividades complementares e lúdicas no contraturno escolar para as crianças que participam do projeto. “Também desenvolvemos ações de sensibilização dentro das escolas para mostrar a todas as crianças, vítimas ou não do trabalho infantil, sobre os males da prática”, acrescenta.
Durante o contraturno, a ONG organiza passeios, atividades de lazer, monta grupos de leitura e oferece auxílio às crianças caso estejam com dificuldade em acompanhar o ritmo escolar. Além disso, há um acompanhamento do rendimento do aluno nas aulas, por meio do boletim de notas e de conversas com os professores. “Se algum dos meninos do projeto vai mal na escola, a professora liga, avisa, chama a gente para conversar e até fala sobre o comportamento do aluno. Isso é bom porque podemos ajudá-lo a estudar e a aprender o que é dado em sala de aula”, conta Maria Antonieta.
Para a idealizadora do grupo, a ação casada entre escola, organizações sociais, promotoria e conselho tutelar é essencial. “Atuando juntos, conseguimos melhorar as condições de vida e o interesse pelo estudo de muitas crianças e de adolescentes. E é bonito vê-los mudar e melhorar com o tempo. Algumas até se tornaram multiplicadoras aqui no Grupo Tumm e auxiliam os menores no processo de reinserção escolar”, finaliza.
promenino
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Inclusão da USP não beneficia aluno negro
A política de inclusão de alunos de escolas públicas da USP (Universidade de São Paulo) não tem refletido no acesso de negros na instituição. Entre 2011 e 2012, houve aumento de quase 10% da participação de alunos de escolas públicas nas matrículas, mas o porcentual de estudantes pretos e pardos não acompanhou o processo e ficou praticamente estável.
A participação de alunos de escola pública na USP chegou a 28% em 2012, contra 26% no ano passado. Se calculados os ingressantes pretos e pardos, eles representaram 13,8% dos aprovados no vestibular deste ano. No ano anterior, esse porcentual era de 13,4%. Os pardos registraram pequeno aumento, de 10,6% para 11,2%. Os candidatos que se declararam pretos representaram 2,6%, contra 2,8% em 2011. Neste ano, foram aprovados 283 estudantes pretos, de um total de 10.766.
Entre 2011 e 2012 houve aumento de 11% nas inscrições de alunos que se declararam pretos e pardos, o que colaboraria com o maior acesso dessa população à universidade. Os dados são da própria Fuvest, fundação que realiza o vestibular da principal universidade do País.
Tradicionalmente a USP descarta a adoção de qualquer tipo de cota, sempre indicando valorizar exclusivamente o mérito. A USP entende que o sistema de bônus do Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp), voltado a alunos de escola pública, independentemente da cor da pele, já atende às demandas por inclusão. O Inclusp foi adotado a partir de 2007 e dá bônus na nota do vestibular a esses alunos, independentemente da cor da pele.
O diretor da ONG Educafro, frei David Raimundo dos Santos, critica o que ele chama de "falsa meritocracia" da USP.
— O mundo é feito de oportunidades. A USP tem plena consciência de que aplica meritocracia injusta e não discute. A injustiça está em uma universidade pública cobrar aquilo que o Estado, que é público e financia a universidade, não forneceu a suas escolas.
Levantamento feito em junho pelo jornal O Estado de S.Paulo, com dados do vestibular de 2011, mostrou que, em cinco anos, apenas 0,9% - o equivalente a 77 alunos - dos matriculados em Medicina, Direito e na Escola Politécnica eram pretos. Em Medicina, por exemplo, nenhum preto havia passado nos vestibulares de 2011 e 2010. Esse recorte do vestibular de 2012 ainda não está disponível.
Inclusão
A USP sempre sofreu críticas em relação ao perfil dos estudantes que ocupam suas vagas - a maioria absoluta vem de escolas particulares. Além do Inclusp, a universidade inaugurou a partir deste ano um novo modelo de bonificação para alunos de escola pública.
Para quem sempre estudou em escola pública - do ensino fundamental ao médio -, a universidade criou o Pasusp (Programa de Avaliação Seriada da USP). Neste ano, o primeiro após a mudança nos critérios, o bônus chegou a até 15%, de acordo com o desempenho do estudante na Fuvest. Para participar, o aluno precisa estar cursando o ensino médio e realizar as provas no 2.º e no 3.º anos.
Questionada, a USP informou que "o Inclusp tem como principal objetivo a inclusão de alunos da rede pública na universidade, tendo o mérito como principal premissa, independentemente da raça". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
R7
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Projeto Chefs Especiais reúne jovens com síndrome de Down
Um chef de cozinha renomado pega os ingredientes e ensina a uma turma atenta como se executa uma receita simples, que pode ser feita de novo em casa. Esse momento de atenção exclusiva e de acesso aos segredos de cozinheiros famosos poderia ser o sonho de consumo de qualquer amante de gastronomia, mas essas aulas não são para alunos quaisquer. Elas fazem parte do projeto Chefs Especiais, que reúne crianças e jovens com síndrome de Down e lhes dá, na cozinha, a oportunidade de desenvolver a autoestima, a coordenação motora, de lidar com o conceito de quantidade e higiene e, de quebra, de aprender a fazer pratos para a família.
As oficinas gratuitas, dadas pelo menos uma vez por mês, começaram em 2006 por iniciativa do casal Márcio e Simone Berti. Ela, advogada e jornalista, com experiência em consultoria empresarial; ele, fabricante de panelas de ferro; ela e ele com o desejo de participar de algum projeto de impacto social pela gastronomia, uma paixão em comum. “Começamos a pesquisar e percebemos que havia muitos projetos voltados para os idosos, para a população de baixa renda, para as crianças. Mas vimos que não tinha, na época, nenhum que não fosse na área de saúde voltado para pessoas com síndrome de Down”, afirma Simone.
O casal, que não tem filhos com síndrome de Down, foi pesquisar sobre o assunto. “Percebemos que as crianças Down estão sobrevivendo aos pais”, diz Simone. Com essa preocupação em mente, eles procuraram montar as oficinas para que as crianças e os jovens conseguissem se tornar mais autônomos a partir de uma atividade cotidiana, que é cozinhar. “Independentemente da palavra bonita que se use, a gastronomia está dentro de casa. Isso os empolga. Mostra, de um jeito simples, que eles podem fazer mais do que disseram para eles que podiam.”
Aproveitando, então, os contatos de Márcio no mundo dos restaurantes, o casal começou a convidar chefs de cozinha conhecidos e que já demonstravam alguma preocupação social para ministrar as oficinas. Nesses seis anos, algumas dezenas de profissionais já aceitaram o convite e participaram, uma ou mais vezes, da experiência, entre eles Olivier Anquier, Alex Caputo e Rogério Shimura. Os encontros duram, em média, duas horas e atendem a pessoas de todas as classes sociais. “Atendemos tanto a famílias que moram de favor nos fundos da igreja, quanto àquelas que têm cavalo no Jockey. Na hora da aula, eles estão todos de uniforme, são todos iguais”, diz Simone.Patrocinadores e apoiadores garantem ingredientes e local adequado para que haja ao menos uma oficina por mês. A segunda e a terceira oficina do mês, que ocorrem com certa frequência, têm saído do bolso do casal. “Você veja o tamanho do meu problema. Para que a oficina seja benfeita, não posso colocar mais que 15 alunos. Eu tenho 200 cadastrados. Eu vou fazendo um rodízio, mas eles acabam demorando muito a voltar”, diz Simone que, para atender a essa demanda crescente, afastou-se no ano passado de parte de suas atividades profissionais para fundar o instituto.
Patrocinadores e apoiadores garantem ingredientes e local adequado para que haja ao menos uma oficina por mês. A segunda e a terceira oficina do mês, que ocorrem com certa frequência, têm saído do bolso do casal. “Você veja o tamanho do meu problema. Para que a oficina seja benfeita, não posso colocar mais que 15 alunos. Eu tenho 200 cadastrados. Eu vou fazendo um rodízio, mas eles acabam demorando muito a voltar”, diz Simone que, para atender a essa demanda crescente, afastou-se no ano passado de parte de suas atividades profissionais para fundar o instituto.
Ainda sem sede, a instituição luta para encontrar um patrocinador para viabilizar, além das oficinas, os outros serviços que pretende oferecer. “Queremos construir uma cozinha-escola. Ganhei fornos e fogões, que devem chegar hoje, mas vou estocá-los na casa do meu sogro enquanto não encontro um lugar”, diz. Segundo Simone, a sede precisa ficar em um local próximo ao metrô, preferencialmente na zona oeste, de onde vêm a maior parte das pessoas que atende e dos chefs que dão as oficinas.
De acordo com ela, além das oficinas, o instituto também vai trabalhar com cursos para a capacitação profissional dos alunos, ajudando na alocação deles no mercado de trabalho e em seu acompanhamento, para que eles se mantenham na vaga. Também há a intenção de trabalhar com famílias de baixo poder aquisitivo, oferecendo cursos em atividades que as ajudem a gerar renda em casa e aulas de gestão de pequenos negócios. “A maior parte das mães é sozinha. Elas precisaram parar de trabalhar para acompanhar o filho”, afirma Simone, que aponta para a possibilidade de mãe e filho trabalharem juntos em casa. “Por que não?”, pergunta.
Para Simone, mesmo que o instituto não tenha, de fato, começado a oferecer seus serviços, as oficinas já dão uma mostra do impacto que ações como essa podem ter na vida da pessoa com síndrome de Down. O principal benefício que as aulas trazem para as crianças e jovens, diz, é o aumento da autoestima. “Com a autoestima lá em cima, todo o resto fica mais fácil. Eles se interessam mais em estudar, aprendem a trabalhar em equipe, ficam mais participantes em casa”, afirma. A idealizadora do projeto enumera ainda outras vantagens que tem percebido ao longo desses anos. “O conceito de quantidade, que costuma ser muito difícil para eles, fica mais palpável quando eu falo que 1 kg de açúcar é muito para fazer aquele doce.”
O projeto também já coleciona histórias de superação. “Aqui cada vitória é conquistada. Você tem que ver a cara deles quando quebram um ovo pela primeira vez.” Mas as conquistas, com a ajuda dos Chefs Especiais, vão muito além da clara e da gema. Simone conta que uma das alunas das oficinas fazia também tratamento contra a leucemia. Antes de começar a participar do projeto, ela sempre estava com a aparência doente, desanimada.
Os remédios, diz, quase não faziam mais efeito. Para ajudar no tratamento, Simone a convidou para participar de todas as oficinas, excluindo-a do rodízio, e as aulas a deixaram mais segura, confiante e feliz. Um dia, ainda durante a quimioterapia, o médico chamou a mãe dela e perguntou: “O que essa menina tem feito de diferente ultimamente? Seja o que for, não a deixe parar de jeito nenhum”. Os remédios voltaram a fazer efeito e a menina se curou. “Hoje ela é a aluna mais mal criada que eu tenho”, conta Simone, emocionada.
Estadão
domingo, 24 de junho de 2012
Conheça a história de superação de Andrieli
A trajetória da jovem moradora da cidade de Estrela, portadora de síndrome de Down, que chegou à faculdade e trabalha na biblioteca da instituição onde estuda.
Zero Hora
terça-feira, 29 de maio de 2012
Inclusão: 7 professoras mostram como enfrentam esse desafio
Educadoras compartilham a experiência de ensinar alunos com necessidades educacionais especiais. As soluções sempre envolvem o trabalho em equipe
Ensinar crianças e jovens com necessidades educacionais especiais (NEE) ainda é um desafio. Nos últimos dez anos, período em que a inclusão se tornou realidade, o que se viu foi a escola atendendo esse novo aluno ao mesmo tempo que aprendia a fazer isso. Hoje ainda são comuns casos de professores que recebem um ou mais alunos com deficiência ou transtorno global do desenvolvimento (TGD) e se sentem sozinhos e sem apoio, recursos ou formação para executar um bom trabalho. Dezenas de perguntas recebidas por NOVA ESCOLA tratam disso. Mas a tendência, felizmente, é de mudança - embora lenta e ainda desigual. A boa-nova é que em muitos lugares a inclusão já é um trabalho de equipe. E isso faz toda a diferença.
A experiência de Roberta Martins Braz Villaça, da EMEB Helena Zanfelici da Silva, em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, comprova isso. Entre seus 24 alunos da pré-escola está Isabelly Victoria Borges dos Santos, 5 anos, que tem paralisia cerebral. Apesar do comprometimento motor, a menina tem a capacidade cognitiva preservada. Na escola desde o ano passado, ela participa de todas as atividades. "Os conteúdos trabalhados em sala são os mesmos para ela. O que eu mudo são as estratégias e os recursos", explica a professora.
Isabelly se comunica por meio da expressão facial. Com um sorriso ela escolhe as cores durante uma atividade de pintura. No parque, com a ajuda das placas de comunicação, decide se quer brincar de blocos de montar ou no escorregador. Nas atividades de escrita, indica quais letras móveis quer usar para formar as palavras e já reconhece o próprio nome. "Ela tem avançado muito e conseguido acompanhar a rotina escolar", comemora a professora.
Roberta não está sozinha nesse trabalho. Ela conta com o apoio diário de uma auxiliar, que a ajuda na execução das atividades, na alimentação e na higiene pessoal de Isabelly. Outra parceira é a professora do atendimento educacional especializado (AEE). Num encontro semanal de uma hora, elas avaliam as necessidades da menina, pensam nas estratégias a utilizar e fazem a adaptação dos materiais.
Inaugurada em 2001, a escola em que Roberta leciona já foi construída levando em conta a inclusão: o projeto previa um elevador e um espaço para uma futura sala de recursos. Mas daí a funcionar com qualidade, com materiais diversos e uma equipe afinada, foi um longo caminho. "Somente em 2005 passamos a contar com estagiários e auxiliares em sala", lembra a diretora, Maria do Carmo Tessaroto.
Gestores preocupados com a questão e que buscam recursos e pessoal de apoio fazem da inclusão um projeto da escola. Dessa forma, melhoram as condições de trabalho dos professores, que passam a atuar em conjunto com um profissional responsável pelo AEE, a contar com diferentes recursos tecnológicos e a ter ciência de que o aluno com deficiência ou TGD não é responsabilidade exclusivamente sua. Com a parceria da família, as possibilidades de sucesso são ainda maiores, como você verá nas páginas a seguir. Com base nas experiências de professoras que atendem alunos com NEE, respondemos às seis perguntas mais recorrentes enviadas à redação. Essas educadoras certamente indicarão caminhos para você que, como elas, trabalha para fazer a inclusão de verdade.
Veja mais:
2 - O que fazer quando recebo um aluno com deficiência em uma turma numerosa?
3 - Como conseguir recursos quando a escola não tem sequer infraestrutura adequada?
4 - Como deve ser a articulação entre o professor da sala e o responsável pelo AEE?
5 - Qual a melhor maneira de lidar em sala de aula com situações-limite?
6 - Como a tecnologia pode melhorar a aprendizagem de alunos com deficiência?
7 - Como explicar às famílias que é preciso adequar o currículo às necessidades dos filhos?
Nova Escola
quarta-feira, 21 de março de 2012
Programação marca o 'Dia Internacional da Síndrome de Down'
Em entrevista ao Imirante, geneticista reforça importância da inclusão social.
SÃO LUÍS – Hoje, 21 de março, é o "Dia Internacional da Síndrome de Down". A data homenageia o médico britânico que primeiro relatou a síndrome, em 1862, John Langdon Down. O dia foi escolhido porque faz referência, no calendário americano, à trissomia do cromossoma 21 ("3/21"), conhecida popularmente como "síndrome de Down".
Em São Luís, uma programação especial vai marcar a data comemorativa. A Associação dos Familiares e Amigos dos Down do Maranhão (Afadma) realiza, durante todo o dia, no Jardim Botânico da Vale, na avenida dos Portugueses, o lançamento da "Coleção Incluir", com livros paradidáticos que promovem a inclusão social dos portadores da síndrome de Down voltados para o ambiente escolar. A Afadma solicitou, ainda, uma audiência pública da Câmara Municipal para discutir a melhoria das condições dos serviços prestados aos portadores de Down.
A Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), também, realiza programação especial, com exibição de filmes e distribuição de materiais informativos. A associação, pioneira no auxílio às famílias com portadores de Down, comemora, nesta sexta-feira (23), quarenta anos de fundação no Maranhão.
De acordo com a presidente da Regional Norte-Nordeste da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), a médica geneticista Juliana Rodovalho – ligada à Apae –, a síndrome pode aparecer em qualquer família. "É muito importante procurar um grupo de apoio. Quanto mais próximo o grupo de apoio estiver, melhor para a família", disse em entrevista, pela manhã, ao Imirante. Ela ressalta, ainda, que a família deve procurar o máximo de informações em fontes seguras, como sites de associações que prestam auxílio na área ou de universidades que realizam pesquisas genéticas.
Alguns sinais – como afastamento entre o primeiro e segundo dedo dos pés e excesso de pele na nuca do bebê – apontam, desde cedo, a presença da trissomia do cromossoma, e podem ser detectados, ainda na gestação, por meio de exames médicos. Daí a importância de fazer o pré-natal. "A hipotonia (redução da força muscular) é presente desde o nascimento, então você percebe a dificuldade para o bebê sugar o seio materno e nos marcos do desenvolvimento, como firmar o pescoço sozinho, tentar andar. Então, hoje em dia, com esse tratamento da equipe multidisciplinar, incluindo fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, a pessoa com Down vai sentar na época certa, falar na época certa", afirma a geneticista.
Outros sinais, no entanto, podem ser perigosos para os próprios portadores da síndrome, como a má formação cardíaca. Entre 40% a 50% dos portadores de Down apresentam a má formação cardíaca, que pode ser detectada por meio de um cardiograma, ressalta a médica. "É importante a gente reconhecer cedo, porque é uma das maiores causas de mortalidade na síndrome", diz. Com o avanço da medicina, é possível reverter a má formação por meio de cirurgias cardíacas e prolongar a vida do portador.
Inclusão social
Datas como o 23 de Março ajudam a conscientizar a população para a inclusão social de pessoas portadoras de deficiência ou portadores de alguma síndrome. No caso da síndrome de Down, a data comemorativa serve para uma reflexão da inserção dos portadores no ambiente escolar, quando crianças ou adolescentes, ou, ainda, no mercado de trabalho, quando adultos.
"Geralmente, a própria família reconhece as características clínicas da síndrome. Então, quanto mais você reconhece, começa mais cedo o tratamento precoce, para ter toda uma readaptação, um enfrentamento da família em conjunto, para que ela procure tanto cuidar do filho dela, quanto, também, a educar a sociedade ao seu redor, você consegue, melhor, essa inclusão. A inclusão seria o direito da pessoa com Down, ou com qualquer outra deficiência, seja física ou intelectual, ou sensorial, de estar exercendo sua cidadania. É ter o direito de ir à escola, ter direito à saúde, ao trabalho. Eles conseguem, muito bem, estar executando várias funções na sociedade, ter o seu papel, o seu trabalho, desde que tenha toda uma estrutura de treinamento. A gente deve saber que a diferença está em cada um de nós", finaliza a geneticista.
Imirante
terça-feira, 20 de março de 2012
Lindbergh e Romário comemoram o Dia da Síndrome de Down
O Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado em 21 de março, será celebrado no Congresso Nacional com representantes do Governo e da sociedade civil. Uma cerimônia, de iniciativa do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e do deputado Romário (PSB-RJ), prevista para às 10h no Salão Negro, será dedicada a divulgar e homenagear projetos bem sucedidos de inclusão social. A intenção do petista é usar o evento para incentivar à manutenção da luta em defesa dos direitos das pessoas com síndrome de Down.
Dentre os projetos que serão destacados na solenidade estão: as ações específicas para pessoas com Down, do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver Sem Limite; a abertura da consulta pública do Protocolo de Saúde para a Síndrome de Down, cuja finalidade é estabelecer procedimentos padronizados para o atendimento na rede de saúde; e o lançamento do portal “Movimento Down”, que ambiciona ser a referência para todos os que buscam informação, orientação e um espaço de discussão sobre a síndrome.
E entre os homenageados estão Evaldo Mocarzel, diretor do filme “Do luto à luta” – documentário que retrata as dificuldades e potencialidades da Síndrome de Down, a presidente da ONG Meta Social, Helena Werneck, e as Organizações Globo, pelo trabalho desenvolvido em relação ao tema, e estudante universitária Kalil Assis Tavares, por sua aprovação em 1º lugar para o vestibular de Geografia na Universidade Federal de Goiás (UFG).
Por que comemorar?
As estatísticas revelam que a cada 800 partos nasce uma criança com Síndrome de Down. No Brasil, estima-se que este problema genético atinge cerca de 8 mil bebês por ano. Entretanto, ainda é grande a dificuldade de acesso a informações, profissionais e aparatos necessários para o pleno desenvolvimento das crianças nessa condição.
Reconhecendo as falhas do sistema, o Brasil, em 2008, ratificou, com status constitucional, a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Este foi o primeiro passo, para o País se lançar como líder nas negociações que culminaram na aprovação, na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em dezembro do ano passado, da Resolução que instituiu 21 de março como Dia Internacional da Síndrome de Down.
A data 21 de março para ser o Dia Internacional da Síndrome de Down foi proposta pela “Down Syndrome International”, porque ela é escrita como 21/3 (ou 3-21, em inglês), de modo a fazer alusão à trissomia do cromossomo 21, responsável pela Síndrome de Down. A síndrome de Down não uma doença. É uma ocorrência genética natural, que acontece, por motivos desconhecidos, na gestação, durante a divisão das células do embrião.
Inclusão social é uma bandeira política
O senador Lindbergh destina parte de seu mandato na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Em seu segundo ano no Senado, o parlamentar já possui cinco proposições voltadas exclusivamente para as pessoas com deficiência. Além disso, ocupa a cadeira de presidente da Subcomissão Permanente de Assuntos Sociais das Pessoas com Deficiência.
O interesse do senador pela causa da inclusão aumentou após o nascimento da sua filha Beatriz, portadora da Síndrome de Down.
Desde então, Lindbergh se dedica a buscar melhorias das políticas públicas destinadas às pessoas com deficiência. No final de 2011, ele participou do lançamento do programa Viver Sem Limite, do Governo Federal, que prevê ações que garantam a inclusão social da pessoa com deficiência na sociedade e no mercado de trabalho.
Catharine Rocha
Conheça as proposições do senador Lindbergh Farias, voltados à pessoa com deficiência:
PLS 377/2011: institui o dia 21 de março como o Dia Nacional da Síndrome de Down.
PLS 505/2011: determina que os editais de concursos públicos contenham deliberações especiais para às pessoas com deficiência.
PLS 506/2011: estabelece que as empresas que participarão da realização da Copa das Confederações, em 2013, da Copa do Mundo, em 2014, e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio, em 2016, reservem o percentual mínimo de 5% dos seus cargos às pessoas com deficiência.
PLS 700/2011: prioriza o atendimento de pessoas com deficiência na isenção de tarifas bancárias com renda mensal bruta de até cinco salários mínimos.
PRS 40/2011: que trona obrigatória a presença de interpretes, tradutores e guia-intérpretes da Língua Brasileira de Sinais nas atividades oficiais do Senado Federal.
Programação do Dia Internacional da Síndrome de Down
Dia: 21 de março de 2012 (quarta-feira)
Horário: das 10h às 11h
Local: Salão Negro do Congresso Nacional
A Ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, apresentará as ações especificamente para a Síndrome de Down do “Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver Sem Limite”.
O Ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, relatará o processo liderado pelo Brasil de aprovação, na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), da Resolução que instituiu 21 de março como Dia Internacional da Síndrome de Down. A Resolução foi aprovada em 19 de dezembro do ano passado.
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançará a consulta pública do Protocolo de Saúde para a Síndrome de Down.
O Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, tratará em especial da sala de recurso multifuncional, que será montada no Congresso Nacional.
O Portal de Informações sobre Síndrome de Down: o Movimento Down (www.movimentodown.org.br), entrará no ar. Um dos principais diferenciais da plataforma é sua acessibilidade intelectual. O internauta terá a chance de controlar os marcos de desenvolvimento de cada idade, assim como encontrar serviços públicos e privados relacionados por região. Breno Viola, 31 anos, que tem Síndrome de Down, é coordenador de conteúdo e um dos principais entusiastas do site.
Homenagens a:
Evaldo Mocarzel, diretor do filme “Do luto à luta”
Organizações Globo, pelo trabalho relacionado a temas de responsabilidade social.
Rodrigo Marinho de Noronha, assessor do Deputado Federal Eduardo Barbosa, em razão de seu trabalho na Câmara dos Deputados.
Helena Werneck, presidente da ONG Meta Social (sua filha, Paula, a representará no evento)
Kalil Assis Tavares, jovem que resolveu prestar vestibular para o curso de Geografia e passou na 1ª lista da Universidade Federal de Goiás (UFG).
PT no Senado
domingo, 11 de dezembro de 2011
Projeto Aquarius celebra a paz e o Natal no Alemão

Músicos, moradores e autoridades dizem que evento simboliza integração da cidade
RIO - O Complexo do Alemão se vestiu de branco para festejar, neste sábado, um ano de paz ao som da "Nona Sinfonia" de Beethoven. Palco de partidas de futebol aos fins de semana, o Campo do Sargento, em Inhaúma, deu lugar a um espetáculo com grandes expoentes da música clássica . O time, comandado pelo maestro da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), Roberto Minczuk, entrou no palco às 20h.
Uma realização do GLOBO e da OSB, com apresentação da prefeitura do Rio e patrocínio da Vale e do Bradesco, além de apoio do BNDES, o Projeto Aquarius aportou pela primeira vez em uma favela pacificada. Novo capítulo de uma história que começou em 1972. De lá para cá, foram nada menos do que 283 apresentações.
A estrutura do evento é grandiosa. Com capacidade para reunir até 200 músicos de uma só vez, o palco tem 70 metros de largura. E dois telões LED, somando 80 metros quadrados nas laterais. A potência do show será tanta que cerca de 15 mil pessoas poderão assistir ao evento com clareza sem precisar sair de suas lajes. Com um balé de luzes, os efeitos especiais prometem fazer os espectadores se envolverem com o concerto. Para a plateia — serão três mil assentos — não passar aperto, foram instalados 30 banheiros químicos no local do espetáculo.
Antes da entrada da Orquestra Sinfônica Brasileira, o Afro Circo, grupo de malabaristas do AfroReggae, divertiu o público.
A chuva não espantou moradores e visitantes. Morador do Alemão há 42 anos, o pedreiro José Gomes, de 62 anos, chegou cedo ao local para ter a oportunidade de ver um concerto ao vivo pela primeira vez.
- Só vi pela televisão. Acho que vai ser algo diferente.
O caráter inovador da apresentação também é destacado pelo maestro desta noite. Para Minczuck, a apresentação do Projeto Aquarius no Complexo do Alemão é um acontecimento histórico, a partir do qual ele espera que a música clássica esteja mais presente na vida de cidadãos de comunidades, como o Complexo do Alemão.
- Essa apresentação representa a conquista da música e da cultura que chega a essas comunidades. A música e a orquestra pertecem a eles também, a todos os cidadãos do Rio de Janeiro. E nós estamos muito felizes de podermos apresentar a Nona Sinfonia de Beethoven, que é linda, um patrimônio da humanidade. É uma emocao especial, muito diferente. Muitos estarão ouvindo uma orquestra pela primeira vez ao vivo. A mensagem é de união, de fraternidade. E esperamos que essas pessoas não tenham receio de ir assistir à Orquestra no Theatro Municipal. Pois, como já disse, a orquestra é deles - afirmou Minczuck.
Músico da OSB, o violinista Willian Isaac destaca que, há pouco mais de um ano, antes da ocupação do Alemão pelas forças de segurança, era inimaginável ocorrer um espetáculo como este na comunidade.
- Sou de Goiânia. É a primeira vez que entro numa favela. E tocando com uma orquestra. É fantástico. Nunca me imaginei tocando no Complexo do Alemão. E estar aqui hoje acredito que seja uma conquista para todos, para nós, músicos, e para a comunidade -disse Isaac.
A opinião é parecida com a da percussionista Janaína Sá. Ela diz que espera emocionar a plateia, numa apresentação que ela considera símbolo da integração da cidade.
- Esta é uma apresentação inovadora, histórica. E tenho certeza que a música vai conseguir tocar o público, emocionar. A música é para isso, romper barreiras - diz ela.
Muitos artistas, autoridades e líderes sociais prestigiaram o evento. A chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, foi uma das primeiras a chegar. E fez questão de afirmar que vinha ao espetáculo no papel de uma cidadã, que veio compartilhar este momento com os moradores do Complexo do Alemão.
- Esta é a melhor forma de comemorar a mudança. Este agora é um território de paz. E a cultura tem esse poder, de transformar. Não estou aqui hoje como Chefe de Polícia Civil, mas como uma cidadã. Acredito que este seja um dos momentos mais especiais da ocupação da comunidade - afirmou ela.
Artista como as atrizes Thalma de Freitas e Guta Stresser também estiveram por lá. O governador Sérgio Cabral acaba de chegar, acompanhado da mulher, Adriana, e de secretários de estado, como Adriana Scorzelli Rattes, de Cultura, e Carlos Roberto Osório, de Conservação. É aguardada a chegada ainda do prefeito Eduardo Paes. Trajando uma camiseta branca, Cabral destacou a importância da realização de um evento, como o Projeto Aquarius, no Complexo do Alemão.
- Trazer o Projeto Aquarius aqui é de uma delicadeza imensa. Representa o novo momento que o Rio e o subúrbio da cidade estão vivendo - afirmou Cabral.
Ao ser cercado por crianças da comunidade, o governador afirmou que, depois da apresentação do projeto, podem surgir novos Pixinguinhas e Joãos da Baiana na comunidade.
Depois do prelúdio ''Carmen'', de Bizet, o programa continuou com a execução de ''Jesus Alegria dos Homens'', de Johann Sebastian Bach. Em seguida, ''Adeste fidelis''. A ''Nona Sinfonia'' foi permeada com a apresentação de ''Os Estatutos do Homem'', poema de Thiago de Mello.
Cercada de expectativa, a estreia do Aquarius no conjunto de favelas da Zona Norte mereceu atenção especial dos organizadores.
— A apresentação de hoje (sábado) é um motivo de orgulho para O GLOBO. É uma tradição do projeto Aquarius, em seus 39 anos de existência, levar música clássica a todos os públicos. Mas hoje teremos uma apresentação muito especial. O concerto da OSB no Complexo do Alemão é também uma celebração da paz no Rio, num momento histórico da cidade. Convidamos todos os que queiram celebrar essa paz a assistirem ao espetáculo de hoje — disse Sandra Sanches, diretora executiva do GLOBO.
Um momento de grande emoção foi quando a OSB executava o Quarto MOvimento da Nona Sinfonia, Bethoveen, e que foi encontrada uma bandeira branca ao lado do palco. Muitas pessoas foram às lágrimas, inclusive a atriz e cantora Thalma de Freitas.
Bastante animado, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrane, ressaltou que são momento como esse que os moradores do Rio precisam e que precisam ser repetidos em outras comunidades.
-São momentos de integração como esse que estamos precisando e nos dão forma e esperança para continuar com nosso trabalho - afirmou o secretário.
Ao final da apresentação, integrantes da OSB e do grupo AfroReggae se uniram para tocar ‘’Cidade Maravilhosa’’, que foi acompanhada pelo público presente, numa grande confraternização.
O Globo
domingo, 2 de outubro de 2011
São Paulo lança proposta de avaliação para alunos com deficiência intelectual
A rede escolar do município possui 3.683 alunos com deficiência intelectual matriculados no Ciclo II e na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
O documento, inédito no país, irá medir os níveis de aprendizagem desses estudantes, a partir de 2012. No ciclo I ele já é aplicado desde 2009.
O que é
O RAADI é um instrumento de avaliação com indicadores em todas as áreas curriculares, baseado em adaptações das expectativas de aprendizagem para os estudantes com deficiência mental. Ele permite mapear os níveis desses alunos, sem fazer uma comparação incorreta com outros colegas.
O novo documento abordará em seus capítulos a conceituação da deficiência intelectual, a discussão sobre a competência de leitura e escrita escritora em alunos com essas características, além de questões sobre a sexualidade. Ele ressalta, ainda, o papel dos gestores escolares e a importância do professor no processo inclusivo.
Implantação
A partir de outubro, coordenadores pedagógicos e professores das 13 Diretorias Regionais de Educação da cidade receberão formação sobre o uso do novo referencial que começa a ser aplicado em 2012.
Fonte: Portal Aprendiz, com informações da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo - 29/09/2011
prómenino
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
21 de Setembro - Dia Nacional de Luta das Pessoas com Dificiência

Passeata de deficientes chama atenção para a falta de acessibilidade
Em comemoração ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, centenas de deficientes e familiares fizeram uma passeata na manhã desta quarta-feira (21), da Igreja da Candelária até a Cinelândia. Os manifestantes aproveitaram a ocasião para chamar atenção para a falta de acessibilidade na cidade.
"Normalmente fazemos a manifestação em Copacabana, mas neste ano escolhemos o Centro do Rio para mostrar que, apesar de ser o centro comercial da cidade, não tem acessibilidade nenhuma", destacou Nena Gonzalez, diretora do Instituto Novo Ser, que organiza a passeata junto com a Associação Movimento Superação.
Juliana Remorini, integrante do Movimento Superação, salientou que ainda falta muita iniciativa de inclusão de pessoa com deficiência nas escolas, no mercado de trabalho e nos meios de transporte.
"As pessoas acham que acessibilidade trata-se só de colocar rampa e elevador", destaca. "Mas não é só isso. O que chamamos de acessibilidade plena é dar condições para que os deficientes possam exercer sua cidadania como um todo, com acesso à escola, mercado de trabalho, etc."
A manifestação está em seu quinto ano, mas nesta edição, a ideia foi de levantar estas questões com o objetivo de mobilizar a sociedade para que as pessoas se aproximem desse universo.
Jornal do Brasil
Educação aposta no processo de inclusão em escolas regulares
Rio - Integrar estudantes portadores de necessidades especiais em escolas tradicionais tem sido um desafio para os educadores. Afinal, não basta colocá-los em sala de aula, esses alunos exigem um tratamento diferenciado e com professores capacitados para desenvolver suas habilidades e conhecimentos.
A secretaria estadual de Educação vem implementando ações como a formação de professores especializados para atender a cerca de 2.900 estudantes que estão incluídos dentro do sistema regular de ensino. Desse total 743 estão no 1ºsegmento do Ensino Fundamental, 1.113 no 2º grau e 981 do Ensino Médio,e 699 se encontram em turmas especiais
Segundo a Política Nacional de Educação Especial,são considerados alunos com necessidades educacionais especiais aqueles com deficiência (mental, auditiva, visual e física), com transtornos globais do desenvolvimento e com altas habilidades/superdotação.
Para a coordenadora de Educação Especial,Roseni Cardoso, o número de alunos portadores de necessidades especiais vem aumentando na rede estadual, por isso o Estado vem investindo em mais profissionais para atender esses estudantes. Atualmente há um total de 327 intérpretes da Língua Brasileira de Sinais(LIBRAS)atuando em 172 escolas. Para o aluno com paralisia cerebral, a Seeduc fornece profissionais de apoio, a fim de acompanhá-los em classe.
A estrutura para atender os portadores de necessidades especiais é formada pelo Núcleo de Apoio Pedagógico Especializado (Napes), responsável pela capacitação de professores de classes comuns.A secretaria possui o Centro de Apoio Pedagógico ao Atendimento de Pessoas com Deficiência Visual (Caps), nos municípios de São Gonçalo e Itaperuna, que produzem material em braile e em alto relevo para alunos cegos, e em escrita ampliada para alunos com baixa visão da rede estadual.
Breno Guedes do Nascimento,deficiente auditivo, é aluno do Instituto de Educação Eber Teixeira de Figueredo, em Bom Jesus do Itabapoana, está no terceiro ano do Ensino Fundamental. De acordo com a diretora Maria Aparecida Medeiros,a adaptação foi facilitada pelo apoio dos pais e dos colegas."Atualmente, a turma de Breno aprende e realiza diversos trabalhos envolvendo a linguagem de sinais", diz a diretora.
Participante de várias atividades, ele gosta das aulas de arte e integra o coral do colégio, cantando música em LIBRAS."Eu gosto muito da linguagem de sinais, sempre gostei. Quando comecei a aprender achei difícil, mas depois ficou fácil entender" explica o aluno.
Portador de deficiência visual, Filipe Knupp, de 14 anos, estuda no colégio Ramiro Braga, em Bom Jardim, e é considerado um dos melhores alunos em Matemática, ele luta capoeira e joga futebol (usa uma bola com guizo), além de ter aptidão especial por música, tocando teclado e sax.
Dificuldades
Embora a rede estadual de ensino venha investindo na qualificação de professores,o caminho ainda é longo e existem obstáculos que precisam ser superados, segundo a psicóloga e mestre em psicologia escolar, Márcia Magalhães Fonseca.
Para ela o processo de inclusão exige tempo e os resultados não aparecem de uma hora para outra. "A iniciativa é importante,mas o número de profissionais especializados é pequeno. Como um professor não qualificado pode dar conta dos alunos ditos normais e ao mesmo tempo de um estudante que precisa de maior atenção?" questiona.
A psicóloga lembra que nem todas as escolas estão preparadas à atender alunos especiais. "Muitas escolas não possuem rampas para os cadeirantes, por exemplo.Outra questão é como a professora fará quando este aluno precisar ir ao banheiro,já que ele necessita de acompanhante. Como fazer com um aluno com deficiência visual, já que a maioria dos professores não conhecem a Libras? Claro que não podemos desmerecer todas as iniciativas que levem ao processo de inclusão,mas é fundamental que as autoridades encontrem soluções para essas questões' finaliza.
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