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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Imagem vista por milhões não desvenda mistério sobre identidade de menina


Uma imagem que mostra a reconstituição do rosto de uma menina encontrada morta dentro de um saco de lixo no Porto de Boston, nos Estados Unidos, já foi vista por mais de 50 milhões de pessoas na página do Facebook da polícia do Estado de Massachusetts.

Após um apelo dos investigadores para que usuários de mídias sociais continuassem a compartilhar a imagem gerada por computador, o caso ganhou manchetes em várias partes do mundo, alcançando um número ainda maior de pessoas. A identidade da vítima, no entanto, continua um mistério.
"Como é possível que ninguém sinta falta dessa menina", questionou uma internauta no perfil da corporação no Facebook. Era uma entre as mais de 50 mil mensagens deixadas ali. Entre elas, pêsames, registros de compartilhamento em diferentes partes do mundo e diversas teorias que incluem a possibilidade de que a vítima seja estrangeira, de que os pais também estejam mortos ou de que ela tenha sido sequestrada anos antes impossibilitando o reconhecimento imediato por parentes.
Segundo a polícia, a menina tinha por volta de quatro anos de idade, cabelos e olhos castanhos e usava brincos.
A imagem foi divulgada pelo Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas (National Center for Missing & Exploited Children em inglês).
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Polícia de Massachusetts também divulgou imagem de manta que estava com criança quando ela foi encontrada (Foto: Divulgação/Polícia Estadual de Massachusetts)
O corpo encontrado na praia estava em estágio inicial de decomposição. Não havia sinais de trauma e a autópsia não foi capaz de identificar a causa da morte. Exames feitos no corpo indicam que a menina não foi envenenada por produtos químicos de fácil acesso como, por exemplo, água sanitária ou soda cáustica. Outros testes serão feitos para determinar a causa da morte.
A polícia está investigando também a hipótese de que o corpo tenha sido colocado no local onde foi encontrado (uma praia com pedras na área do porto) e não trazido pela água como sugerido inicialmente.
"Nós estamos fazendo um apelo para que os pais ou responsáveis por essa menina se apresentem e limpem sua conciência", disse o promotor Dan Conley.
Além da imagem do que seria o rosto em vida da criança, a polícia divulgou também uma foto de uma coberta e da calça que ela vestia quando foi encontrada no dia 25 de junho.

Criança usava esta calça quando foi encontrada (Foto: Divulgação/Polícia Estadual de Massachusetts)
"Por favor, ajude-nos a falar por esta criança que não mais pode falar por si própria", diz a mensagem da polícia que gerou mais de 700 mil compartilhamentos.
A polícia recebeu uma série de denúncias que levaram à verificação de dezenas de casos. Nenhum relacionado à vítima.
Um comunicado da corporação faz referência ao caso da americana Aliayah Lunsford, desaparecida no Estado de West Virginia e mencionado por vários internautas devido à semelhança física entre as fotos, dizendo que a vítima não é a Aliayah.

Outra suspeita levantada era que a menina fosse Kate, bebê desaparecida em Michigan em 2011. Testes de DNA descartaram essa hipótese.
Leitores brasileiros chamaram a atenção para a semelhança física entre a vítima de Boston e uma menina desaparecida em Jaraguá do Sul (SC). Emili Miranda Anacleto desapareceu, sem deixar pistas, há mais de um ano.

A delegada que cuida do caso no Brasil, no entanto, disse à BBC Brasil que uma observação mais atenta de certas características das duas vítimas indica que não sejam a mesma pessoa.
"Eu descartaria a princípio a relação entre as duas, por características físicas e pela idade", disse a delegada Milena de Fátima Rosa à BBC Brasil.
"Olhos, boca, cabelo diferem bastante da reconstituição da polícia americana. Emili tem o cabelo bem fininho, clarinho, e no intervalo do desaparecimento não chegaria ao volume do da menina encontrada nos Estados Unidos", afirmou Rosa. "A idade também não bate: Emili faria 3 anos em junho, a criança americana tinha cerca de 4."
A BBC Brasil também conversou com a polícia americana, que pediu detalhes sobre o caso brasileiro e informou que vai "apurar a suposta semelhança".
"Há um mistério impressionante em torno dessa criança", disse um investigador do FBI à rede americana CNN.

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Em fúria: jovem mata namorada, esfaqueia idoso e foge com criança de dois anos


Cristiano Fontana da Silva, 22 anos, foi preso pelo assassinato da namorada a facadas em Curitiba, no Paraná. Além do homicídio, o jovem espancou o sogro de 63 anos e fugiu com o enteado de dois anos para o litoral.

De acordo com vizinhos, Silva já foi casado uma vez e é bastante violento. Em um momento de fúria, ele foi até a casa de Alessandra Correia de Miranda e a esfaqueou.

O pai da jovem tentou defendê-la, mas acabou sendo espancado. Uma pá foi encontrada no quarto onde o idoso estava. O idoso foi encaminhado para o hospital e está em estado grave.

Ele confessou o crime à Polícia Civil. O tio da vítima Aldoni Correta disse que a família espera punição ao suspeito. "Tem que pagar, condenado à prisão perpétua. O que ele fez não se faz nem com animal", disse.

meionorte.com


FONTE: Com informações do R7

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Violência sexual contra crianças e adolescentes é tema de artigo da Unir

 


 Créditos: George Alexander Ishida Newman
Juliana Sada, com colaboração de Yuri Kiddo, do Promenino com Cidade Escola Aprendiz

O garoto Bernardo, de 11 anos, foi assassinado no Rio Grande do Sul, entre os suspeitos estavam o pai e a madrasta. O menino Alex, de oito anos, morreu após ser espancado seguidas vezes pelo pai.  Há seis anos, a pequena Isabella Nardoni, na época com 5 anos, foi jogada do sexto andar de um edifício pelo pai e a madrasta. Esses casos de violência contra crianças chocaram a opinião pública. Apesar da notoriedade que ganharam, esses são apenas alguns poucos casos de um universo de violência contra crianças e adolescentes.

Em 2013, o serviço de Disque Denúncia da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República registrou 162 mil relatos de violência física, psicológica e sexual contra crianças e adolescentes. Apesar de crescente, o número de denúncias ainda é pequeno em comparação com a realidade. Dados da Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância estimam que a violência doméstica atinja 18 mil crianças por dia no Brasil.

São vários os motivos que explicam a dificuldade de mensurar a ocorrência da violência, seja por meio de denúncias ou atendimentos na rede de saúde. Entre eles está o fato de nem todos os casos serem denunciados, nem sempre a vítima procurar ajuda e nem sempre alguns atos serem considerados violência. Chantagem, humilhação, ameaças, beliscões e xingamentos são alguns tipos de violência recorrentes, muitas vezes vistos como normais. 
Outro fator que leva à dificuldade de se conhecer o fenômeno é que, na maioria das vezes, o autor da violência é alguém da família ou de confiança da criança. Segundo dados da SDH, 70% das violações de direitos das crianças e adolescentes são cometidas por algum familiar. O número traz, além de casos de violência, registros de discriminação, trabalho infantil e negligência. Outro levantamento mostra que metade dos atendimentos realizados por conselhos tutelares têm os pais como autores da violação de direitos.

“A violência é um fenômeno histórico-social complexo e está presente em nossa história desde o processo da colonização, passando pela escravidão e pela sociedade patriarcal, em que a disciplina e o poder eram estabelecidos pelo autoritarismo, pela força e pela violência física”, explica a coordenadora da Campanha Nacional “Não Bata, Eduque”, Marcia Oliveira. Para ela, o uso da violência por familiares como forma de impor a autoridade ainda é culturalmente aceitável. “Muitos adultos não consideram esses tipos de punições como ‘violência’”, afirma.

Uma das violências contra a criança e adolescente que também tem apresentado números alarmantes é a de caráter sexual, como abuso, exploração (com fins comerciais), aliciamento e pornografia envolvendo crianças, entre outras práticas. Segundo um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), metade dos casos de estupro de crianças e adolescentes tem como autor pais, padrastos, amigos ou conhecidos da vítima. O estudo, realizado a partir de dados coletados pelo Ministério da Saúde, revela ainda que 70% das vítimas de estupro em 2011 tinham menos de 18 anos. O número é mais grave quando se observa que metade das vítimas tinha até 13 anos. De acordo com a secretária executiva do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Karina Figueiredo, a questão cultural é importante para esse quadro. “A lógica machista é muito presente em nossa sociedade, e ela diz sobre a dominação do homem sobre mulher, que ela deve ser subserviente e pressupõe que é obrigada a ter relações com o homem, quando ele quiser.”

 Para Karina, além da questão cultural, a impunidade e a vulnerabilidade são fatores importantes. “Não vemos quase ninguém sendo preso por isso, muitas vezes é solto logo ou fica respondendo o processo em liberdade. Quando atendemos um caso de violência sexual, vemos que a família em geral está enfrentando uma situação de vulnerabilidade. Não apenas econômica, mas também de vínculos e de afeto”, explica.

Vítimas marcadas para sempre

Segundo o estudo do IPEA, a predominância de crianças e adolescentes entre as vítimas de estupro é “absolutamente alarmante, uma vez que as consequências, em termos psicológicos, para esses garotos e garotas são devastadoras”. A publicação explica que “o processo de formação da autoestima - que se dá exatamente nessa fase - estará comprometido, ocasionando inúmeras vicissitudes nos relacionamentos sociais desses indivíduos”.

Karina ressalta que as consequências da violência sexual são inúmeras. “Quando a questão não é tratada, há impactos na autoestima, nas relações interpessoais, no desenvolvimento da sexualidade e no aprendizado.” A secretária executiva relata que o atendimento às crianças vítimas de violência ainda não é satisfatório. “É necessário uma estrutura de serviços especializados, porque hoje o atendimento está diluído dentro da saúde e da assistência social e esses serviços não têm dado conta das especificidades, já que lidam com diferentes temas também.”

Outras formas de violência contra criança como castigos físicos, ameaças e xingamentos no ambiente doméstico têm entre as consequências a reprodução do ciclo da violência. Marcia Oliveira ressalta que a maioria dos adultos foram criados com o uso de práticas violentas (tapas, surras, beliscões, gritos, xingamentos etc.); e é a forma que eles conhecem e reproduzem. “Combater a banalização e aceitação desse tipo de violência tem sido nosso maior desafio. Estamos discutindo uma mudança cultural de longo prazo que contribua para que as pessoas passem a perceber o uso dos castigos físicos e tratamento humilhante como ‘não natural’ e busquem alternativas educativas não violentas”, pontua a coordenadora da Campanha Nacional “Não Bata, Eduque”.

Fonte: Pró-menino

sábado, 1 de novembro de 2014

Boko Haram nega ter aceitado cessar-fogo e diz ter casado meninas raptadas


O líder da milícia islamita Boko Haram, da Nigéria, negou que tenha aceitado um cessar-fogo com o governo do país e afirmou, em vídeo divulgado na madrugada da sexta (31), que as mais de 200 meninas raptadas em abril se converteram ao Islã e se casaram.

"A questão das garotas está há muito tempo esquecida, porque eu as casei", disse Abubakar Shekau, rindo.

Em abril, 276 garotas com menos de 18 anos foram sequestradas enquanto faziam uma prova em um colégio católico de Chibok, no norte do país. Muitas delas conseguiram escapar, mas mais de 200 seguem desaparecidas. O episódio voltou as atenções do mundo para o grupo. "Voltar atrás não é uma opção nesta guerra", afirmou ele no vídeo, que foi recebido por agências de notícias e jornais locais, como mensagens anteriores.

O chefe do departamento de defesa nigeriano, Alex Badeh, anunciou em 17 de outubro que o Boko Haram havia aceitado um cessar-fogo que poria em pausa uma insurgência que dura cinco anos, matou milhares de pessoas na Nigéria e levou centenas de milhares de pessoas a deixarem suas casas no norte do país.

Ainda que o governo tenha anunciado o cessar-fogo, ataques e raptos continuaram. Nesta semana, a cidade de Mubi, com mais de 200.000 habitantes, foi cercada pela milícia. Shekau anunciou em agosto que o Boko Haram deseja fundar um califado islâmico, similar à intenção do Estado Islâmico na Síria e no Iraque.


Correio do Estado

sábado, 25 de outubro de 2014

Bahia registra mais de 800 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes


De janeiro a abril de 2014, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) registrou mais de 800 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes no estado da Bahia. Para debater o assunto, o Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador realizou uma audiência pública na última sexta-feira (17).

“Não podemos fechar os olhos para o problema e sim buscar formas de prevenir e acabar com a problemática que afeta tantas famílias”, afirmou o vereador Leandro Guerrilha (PSL). Foi ele quem conduziu o debate, intitulado “Violência sexual contra crianças e adolescentes”, ao lado do coordenador executivo do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan (Cedeca-BA), Waldemar Oliveira, e do superintendente estadual de Direitos Humanos, Ailton Ferreira.

Do volume de denúncias registradas pelo Disque 100, mais de 250 vieram de Salvador. “Além da capital baiana, Feira de Santana, Camaçari, Ilhéus, Vitória da Conquista, Jequié, Lauro de Freitas, Dias D’Ávila, Teixeira de Freitas e Alagoinhas compõem o quadro dos dez municípios mais incidentes em denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes”, ressaltou o vereador.

promenino

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Em audiência, professora diz que Bernardo controlava medicação

Professora de Bernardo, Simone concedeu depoimento à Justiça nesta segunda (Foto: Caetanno Freitas/G1)


Audiência ouve sete testemunhas nesta segunda-feira (8) em Três Passos.
Simone Muller era professora da criança assassinada em abril deste ano


O segundo dia de audiência do caso Bernardo, em Três Passos, no Rio Grande do Sul, teve início com o depoimento de Simone Muller, professora do menino de 11 anos encontrado morto em abril deste ano. Segundo a mulher, a criança era amável e prestativa, mas tinha dificuldades de prestar atenção na aula.

Durante a audiência, a professora afirmou que Bernardo nunca foi agressivo com os amigos. “Era um menino que a gente sabia que tinha problemas emocionais. Ele usava medicação, que ele próprio controlava quando estava na minha casa”, declarou a mulher.

Sobre o pai da criança, Leandro Boldrini, Simone disse que nunca conviveu com ele e Bernardo juntos, mas que sabia da sua relação por meio de terceiros. "Leandro dizia que criava Bernardo na ponta do facão", disse. O pai é um dos réus pelo crime.

O corpo do menino de 11 anos foi achado no dia 14 de abril enterrado em um matagal na área rural de Frederico Westphalen, a cerca de 80 quilômetros de Três Passos, onde ele residia com a família. O menino estava desaparecido desde 4 de abril. Além do pai, são acusados pela morte a madrasta, Graciele Ugulini, a amiga dela Edelvania Wirganovicz e o irmão, Evandro Wirganovicz. Eles estão presos e respondem pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

“Meu sentimento é de alguém que recebe um quebra-cabeças e não consegue decifrar o que está acontecendo. A gente vai tentando entender e naquele momento nós não entendemos o que se passava. Hoje eu sei o que significa. Não sinto culpa, mas sinto impotência. Poderia ter feito algo a mais”, contou durante questionamento da promotoria do Ministério Público.

Com um auditório lotado, sobretudo pela imprensa, a única ré a acompanhar o segundo dia de oitivas desta fase do processo criminal é Edelvania Wirganovicz, que chegou ao local escoltada por agentes da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) por volta das 9h20. Os demais acusados não compareceram.

O depoimento de Simone é importante para a Justiça porque, além da ligação com o menino, sua casa foi o local em que o pai de Bernardo disse que o filho estava no final de semana em que sumiu. O pai informou à polícia no início de abril que o menino havia ido dormir na casa da mulher, que era mãe de um dos seus amiguinhos, Lucas. Em uma das suas declarações, o médico afirmou não ter se preocupado com o “desaparecimento” do menino durante o final de semana.

Ainda segundo a mulher, a criança vestia sempre uniforme e quase nunca usava roupas próprias. Em uma das suas recordações, Bernardo chegou brabo à escola afirmando ter visto o pai e a madrasta em uma relação sexual.

“Ele chegou muito brabo, estava muito irritado. Disse que eles [pai e madrasta] tinham feito ‘aquela coisa que faz criança’, que ele viu”, falou Simone.

Além da professora, irão depor à Justiça o casal Carlos e Juçara Petry, que tinha uma relação afetiva muito forte com o menino; a ex-babá, Elaine Marisa Wentz, que relatou uma tentativa de asfixia da madrasta, e a ex-secretária de Leandro, Andressa Wagner. Outras duas pessoas completam a relação.

Segundo secretária de escola, menino não falava da irmã

A segunda testemunha a ser ouvida pela Justiça foi a secretária do colégio de Bernardo, Rosani Teresinha Neuhaus. Ela relatou que costumava dar caronas ao menino de casa à escola, e o levava para almoçar em restaurantes.

“Ele não falava do relacionamento com o pai, com a madrasta, só dizia que ela era chata. O colégio tentou falar com o pai e a madrasta uma vez. Ligamos para falar do boletim, ninguém ia, até que um dia a Kelly [Graciele] foi até a escola. O conselho tutelar foi até a escola em uma oportunidade”, relembrou.

Rosani ainda completou que Bernardo falava pouco da irmã mais nova, fruto do relacionamento do pai com a madrasta.

“Eu perguntava sobre a irmãzinha dele, como ela estava, e ele sempre cortava o assunto. Parecia que não gostava dela, de falar da família. Ele dizia que ela era chata, a Kelly. Ele sempre pedia para ir junto para minha casa, não queria ir para a casa dele”, disse.

Sobre o vídeo em que o menino aparece com um facão, ameaçando o pai, a secretária nega ter visto a criança irritada. “Assisti aos vídeos do facão, do Bernardo pedindo socorro. Nunca presenciei ele tendo uma crise, muito irritado. Quem me relatava era a coordenadora. Não conhecia o Leandro muito bem. Dentro de casa eu não sabia o que se passava”, finalizou.

Relembre a primeira audiência
Apenas quatro testemunhas das 33 arroladas foram ouvidas no dia 26 de agosto. A sessão durou cerca de 11 horas e foi restrita à imprensa. Dois réus, os irmãos Edelvânia e Evandro, estiveram presentes. Leandro e Graciele foram dispensados.

Prestaram depoimento as delegadas que trabalharam no caso, Caroline Bamberg Machado e Cristiane de Moura Baucks, além do médico Celestino Ambrosio Schmitt e a dentista Graciele Klein Dreher, que atendia o menino. Os depoimentos das duas autoridades policiais foram considerados os mais importantes.

A delegada Caroline Bamberg falou por cerca de cinco horas. Na saída, revelou pontos do que disse ao juiz. Afirmou que a polícia entregou recentemente à Justiça um vídeo extraído do celular de Leandro, que mostra o menino sendo dopado pelo pai, além de ameaças e maus-tratos em casa. Uma gravação de uma briga com facão entre o pai e o filho também foi citada. As imagens foram apagadas do aparelho, mas recuperadas pela perícia.

Novas provas da acusação
O material recuperado no celular de Leandro foi utilizado como nova prova da acusação. Para as testemunhas, os vídeos revelam a má conduta do pai e da madrasta com Bernardo e podem ser decisivos no processo.

O G1 teve acesso a um dos vídeos que mostra uma briga entre Bernardo, Leandro e Graciele. As imagens são de agosto de 2013, véspera do Dia dos Pais, e captaram gritos de socorro de Bernardo dentro de casa. Em alguns trechos, a madrasta diz a Bernardo frases como “vai ter o mesmo fim que tua mãe”, “vamos ver quem vai para baixo da terra primeiro”, “tu não sabe do que eu sou capaz”.

Em dois outros vídeos, obtidos pelo jornal Zero Hora, o garoto aparece com uma faca e depois, com um facão, na mão, e ainda chorando dentro de um armário. As imagens, de junho de 2013, mostram o médico provocando o filho. “Isso aqui vai ser mostrado para quem quiser ver. Vamos lá, machão”, afirma Leandro. A reação do menino às gravações demonstra que essa era uma prática do casal. Várias vezes, Bernardo pede que o pai pare de gravar ou apague o vídeo.

Depoimentos fora da Comarca de Três Passos
Depois da primeira audiência, novos depoimentos deram continuidade à fase de instrução do processo. Uma amiga da madrasta falou à Justiça em Coronel Bicaco. Em Tenente Portela, o depoimento foi de um policial rodoviário que abordou e multou Graciele no dia da morte do menino.

A depoente, proprietária de uma loja de roupas em Redentora, onde Graciele já morou, disse que foi procurada pela madrasta de Bernardo cerca de dois meses antes do crime. Segundo ela, a amiga afirmou que o menino era "doente" e que, por isso, ela queria que ele estivesse "embaixo da terra”. A testemunha também relatou que ouviu de Graciele que Leandro queria, assim como ela, "se livrar" do menino pelo comportamento agressivo dele. Segundo ela, "se Leandro tivesse um sítio com um poço, já teria feito isso há muito tempo".

Já o policial disse que abordou o carro conduzido por Graciele, por excesso de velocidade, na ERS-472, no sentido Tenente Portela-Frederico Westphalen. No veículo, uma caminhonete preta, estavam apenas a madrasta e o menino. De acordo com as investigações, a fiscalização do Comando Rodoviário da Brigada Militar ocorreu quando o menino era levado pela madrasta para Frederico Westphalen, onde o corpo dele foi encontrado em abril deste ano.

Em depoimento, o policial confirmou sua versão anterior. Ele lembrou ter visto Bernardo acordado no banco de trás do carro e disse que não chegou a conversar com o menino, apenas perguntou se ele usava cinto de segurança e o garoto acenou positivamente. O agente disse ainda que, quando Bernardo desapareceu, relatou o ocorrido a um colega de Três Passos e as informações foram repassadas aos agentes da Polícia Civil.

O processo
Em Três Passos serão ouvidas 33 testemunhas de defesa e acusação. São familiares, vizinhos, amigos e outras pessoas que possam colaborar com a Justiça. Depois de encerrada a primeira etapa, novas audiências serão realizadas. Foram 25 testemunhas arroladas pelo Ministério Público (MP) e 52 pelas respectivas defesas, totalizando 77 pessoas.

Após o depoimento das 33, o restante será ouvido por carta precatória, conforme o local onde residem. Ainda haverá testemunhas em Campo Novo, Santo Augusto, Palmeira das Missões, Rodeio Bonito, Ijuí, Santo ngelo, Porto Alegre e Florianópolis (SC).

Cumpridas todas as precatórias, será designada uma nova audiência para ouvir alguma testemunha de defesa que possa ter ficado para trás por motivos como atestado médico, viagem, etc. Na sequência, haverá alegações pelas partes e a sentença do juiz para avaliar se é caso de pronúncia (se vai a júri ou não).

Entenda
Conforme alegou a família, Bernardo teria sido visto pela última vez às 18h do dia 4 de abril, quando ia dormir na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de distância da residência da família. No dia 6 de abril, o pai do menino disse que foi até a casa do amigo, mas foi comunicado que o filho não estava lá e nem havia chegado nos dias anteriores.

No início da tarde do dia 4, a madrasta foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. Graciele trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen. O Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) disse que ela estava acompanhada do menino.

O pai registrou o desaparecimento do menino no dia 6, e a polícia começou a investigar o caso. No dia 14 de abril, o corpo do garoto foi localizado. Segundo as investigações da Polícia Civil, Bernardo foi morto com uma superdosagem de um sedativo e depois enterrado em uma cova rasa, na área rural de Frederico Westphalen.

O inquérito apontou que Leandro Boldrini atuou no crime de homicídio e ocultação de cadáver como mentor, juntamente com Graciele. Ainda conforme a polícia, ele também auxiliou na compra do remédio em comprimidos, fornecendo a receita Leandro e Graciele arquitetaram o plano, assim como a história para que tal crime ficasse impune, e contaram com a colaboração de Edelvania e Evandro.

G1

domingo, 7 de setembro de 2014

Contra violência sexual, projeto ViraVida é lançado no Espírito Santo


Presente atualmente em 19 estados, o Projeto ViraVida será lançado no Espírito Santo hoje (29), em evento na capital, Vitória. A iniciativa busca transformar a vida de jovens de 16 a 21 anos que viveram experiências de abuso ou exploração sexual e tiveram seus direitos violados, oferecendo atendimento psicossocial e capacitação profissional durante um ano, habilitando-os à inserção no mercado de trabalho e garantindo a superação de traumas.

Em cinco anos, o ViraVida já matriculou 3,9 mil jovens e a previsão é que seja implantado em todos os 27 estados do país. O programa, que já investiu R$ 41,8 milhões na ressocialização dos jovens, é realizado pelos Departamentos Regionais do SESI (Serviço Social da Indústria), sob a coordenação do Conselho Nacional do Sesi. Possui uma equipe multidisciplinar integrada por psicólogos, pedagogos e assistentes sociais para oferecer atendimento integral aos jovens. Os cursos realizados combinam formação profissional e educação básica, com abordagem de temas como cidadania, saúde, doenças sexualmente transmissíveis, cuidados com o corpo, orçamento familiar e direitos humanos.

promenino

sábado, 30 de agosto de 2014

'Não consigo dormir', diz coveiro que enterrou Bernardo após ver vídeo


João Fernando trabalha no cemitério de Santa Maria há 28 anos.
Vídeo divulgado nesta semana mostra briga entre menino, pai e madrasta.


O vídeo que mostra a briga entre Bernardo, o pai, Leandro Boldrini, e a madrasta Graciele tirou o sono do coveiro do Cemitério Municipal de Santa Maria, onde menino de 11 anos foi sepultado ao lado da mãe. Os gritos de socorro do garoto não saem da cabeça de João Fernando Fontana, que já trabalha há 28 anos abrindo covas no local.

"O que fizeram com ele não tem explicação. Foi uma barbaridade. Eu não consigo dormir desde que vi esse vídeo da briga. Fui eu que enterrei o Bernardo, isso me deixou muito chocado", afirma ao G1 o coveiro.

O menino de 11 anos foi encontrado morto, enterrado em uma cova na cidade de Frederico Westphalen, em abril deste ano. Quatro pessoas estão presas por participação no crime, entre elas o pai, o médico Leandro Boldrini, e a madrasta, Graciele Ugulini. Na sexta-feira, dois novos vídeos que mostram brigas entre pai e filho foram divulgados.

Aos 64 anos, João Fernando diz que foi o caso mais cruel que já enfrentou na função. "Olha, das tantas covas que já fiz, nunca senti tanto uma morte de quem eu nem conhecia", relata. "Essas pessoas que fizeram isso têm de pagar até o fim da vida", completa.

No jazigo da família Uglione, o corpo de Bernardo sepultado ao lado da mãe, Odilaine, que morreu em 2010. Na época, a polícia concluiu que ela havia cometido suicídio. No entanto, após a divulgação do vídeo com a discussão da família, a avó materna do menino, Jussara, pede a reabertura das investigações.

Para ela e seu advogado, Marlon Taborda, as declarações de Leandro e Graciele indicam uma "confissão". "Me chamou a atenção que há uma confissão da morte da mãe do Bernardo. Em dado momento é dito para o menino 'Tu vai ter mesmo fim que a tua mãe'. Ora, Bernardo foi vítima de homicídio, logo a mãe dele também foi vítima de homicídio", aponta Taborda.

Nas imagens, a madrasta fala para o menino que a mãe dele é uma "vagabunda". Leandro também critica a ex-mulher. "Ah, Bernardo, eu fico com pena de ti… Com pena de ti, cara. Tua mãe te botou no mato. Deus o livre. Te abandonou", afirma Leandro.

Odilaine morreu em 2010 após se suicidar, conforme conclusão da polícia. Nas imagens, a madrasta fala para o menino que a mãe dele é uma "vagabunda". Leandro também critica a ex-mulher.

"Ah, Bernardo, eu fico com pena de ti… Com pena de ti, cara. Tua mãe te botou no mato. Deus o livre. Te abandonou", afirma Leandro. O menino responde aos dois revoltado. "Tomara que tu morra. Tomara que tu morra! E essa coisa [Graciele] que morra junto!", grita Bernardo.

O advogado de Leandro, Jader Marques, disse que o vídeo é de 2013 e mostra a realidade do conflito familiar difícil, mas nada que altere a situação da falta de provas da participação do médico no homicídio do menino e suicídio da mãe de Bernardo. O escritório do advogado da madrasta, Vanderlei Pompeo de Mattos, informou que não pretende se manifestar sobre o tema.

Vídeo mostra discussão familiar

O vídeo começa com a sombra de Leandro no chão do quarto da casa onde a família morava, em Três Passos, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul (veja o vídeo). O pai de Bernardo liga a câmera e passa para Graciele enquanto o menino grita por socorro de um outro cômodo. É possível ver o rosto do médico neste momento das imagens. A madrasta pega o celular e o ajeita na cama do casal.

Também é possível ouvir Bernardo em outro cômodo gritando por socorro por mais de três minutos. Em seguida, o menino se aproxima para pedir o telefone emprestado para "denunciar" o pai. Leandro chama a atenção, pedindo que Bernardo cuide a irmã, que está no mesmo cômodo. Depois começa a discussão entre o menino e a madrasta, em que ocorrem as ameaças.

Veja a transcrição


Bernardo: Socorro! Socorro! Socorro! Socorro! Socorro! Socorro!
Leandro: Vamos se acalmar. Vai para o teu quarto.
Bernardo: Socorro! Meu pai vai me agredir. Socorro! Socorro!! Socorro! Socorro! Socorro! Socorro! Socorro! Não! (...)
Leandro: Respeita a tua irmã, a Maria aqui…
Bernardo: Socorro, socorro! Eu vou contar... Vocês me agrediram!! Socorro, socorro, socorro. Meu pai me agrediu.
Graciele: Fecha a porta… (diz para Leandro)
Bernardo: Socorro! Socorro! Socorro! (...)
Eu quero denunciar, empresta o telefone, eu quero denunciar vocês! Empresta, quero denunciar!
Leandro: Aqui quem manda sou eu.
Bernardo: Eu quero denunciar, empresta!
Leandro: Ou tu entra, ou tu sai. E se entrar fala baixo.
Bernardo: Empresta o telefone agora! Empresta! Empresta o telefone. Empresta! Empresta o telefone agora! Tu falou que eu poderia denunciar, então empresta! Empresta!
Leandro: Tchê, a Maria...
Bernardo: Empresta! Empresta o telefone.
Graciele: Sim, tu quer o telefone emprestado para denunciar? (risos)
Bernardo: Sim! Empresta!
Graciele: Quer denunciar, te vira! Não empresto. Te vira!
Bernardo: Empresta!
Leandro: Cuidado a Maria aqui, rapaz! Escuta aqui ó, que bagunça é essa?
Bernardo: Socorro!!
Leandro: E fecha a porta, né?
Bernardo: As pessoas estão olhando…
Leandro: Viu?
Bernardo: As pessoas estão olhando…
Graciele: Vai lá, vai lá pedir socorro.
Bernardo: Vão vocês!
Graciele: Tu que tá pedindo! Tu que está gritando!
Leandro: Quem que começou a bagunça?
Bernardo: Vocês me agrediram, tu me agrediu.
Graciele: E vou agredir mais. A próxima vez que tu abrir a boca para falar de mim, eu vou agredir mais.
Leandro: Xingando ela. Ninguém merece ser xingado, né, rapaz.
Graciele: Eu vou agredir mais, eu não fiz nada em ti.
Bernardo: Fez sim. Tu me bateu.
Graciele: Tu não sabe do que eu sou capaz de fazer.
Bernardo: Tu me bateu.
Graciele: Tu não sabe.
Bernardo: Tu me bateu.
Graciele: Eu não tenho nada a perder, Bernardo. Tu não sabe do que eu sou capaz. Eu prefiro apodrecer na cadeia a viver nesta casa contigo incomodando. Tu não sabe do que eu sou capaz.
Bernardo: (inaudível) Queria que tu morresse
Graciele: Tu não sabe do que eu sou capaz. Vamos ver quem tem mais força. Aí nós vamos ver quem tem mais força.
Bernardo: Quando tu morrer.
Graciele: É, vamos quem tem mais força. Vamos ver quem vai para baixo da terra primeiro
Bernardo: Tu. Tu vai..
Graciele: Então tá, se tu tá dizendo.
Bernardo: Tu, tu vai…
Graciele: Vamos ver quem vai primeiro.
Bernardo: Coitada da Maria, vocês vão agredir ela aqui também! Vão sim!
Graciele: Ela está comigo.
Bernardo: Vão agredir ela depois…
Graciele: Ah, então tá.
Leandro: Ah, Bernardo, eu fico com pena de ti… Com pena de ti, cara. Tua mãe te botou no mato. Deus o livre. Te abandonou…
Bernardo: E tu traiu ela!
Leandro: Como é que ele tem isso na cabeça?
Graciele: É… Ela que andava com tudo que é homem aí, ó! Ela que era vagabunda, Bernardo!
Bernardo: Não era! Minha mãe não é vagabunda!
Graciele: Então vai perguntar para as pessoas da cidade o que tua mãe fazia! Pergunta!
Bernardo: Minha mãe não era vagabunda…
Graciele: Então pergunta para as pessoas o que tua mãe fazia com teu pai.

Leandro: Eu sei que tua mãe é o máximo para ti, mas simplesmente ela te abandonou.
Bernardo: Não, ela não me abandonou. Foi culpa tua, sim!
Graciele: Ela que pensou em matar teu pai.
Bernardo: Porque ele estava incomodando ela.
Leandro: Ela foi lá na vila com o cara, comprou uma 38 para ir ao consultório com duas balas. O que ia acontecer comigo?
Bernardo: Tinha que ter matado mesmo!
Leandro: E o que ia sobrar de ti?
Bernardo: Tinha que ter te matado!
Leandro: Mas o que eu tenho que ver, cara?
Bernardo: Tem de morrer!
Leandro: Tenho de pegar com minha vida por causa de gente à toa?
Bernardo: Sim!
Leandro: De gente que não presta?
Bernardo: Tomara que tu morra! E essa coisa [Graciele] que morra junto!
Graciele: Tu vai ir antes. Doente que tu está desse jeito…
Leandro: Quanta gente…
Graciele: Igual a tua mãe. Teu fim vai ser igual o da tua mãe.
Bernardo: Não!
Graciele: Então tá…
Leandro: Eu salvo uns quatro ou cinco todo dia, tiro as pessoas de dentro do caixão.
Bernardo: Não tira!
Leandro: Elas aparecem uma semana depois caminhando lá no consultório.
Bernardo: Não!
Leandro: Eu acho que tenho uma função nesse mundo…
Bernardo: De morrer, tem que morrer!
Leandro: Deixa que eu morro a hora que Deus quiser…
Graciele: É, a hora que Deus quiser.
Leandro: Não é pela tua boca.
Bernardo: Tu vai morrer.
Leandro: Me respeita!
Bernardo: Vou rezar para tu morrer.
Graciele: Então vai, te ajoelha.
Leandro: Tu vai ficar 20 anos rezando. Quanto mais tu rezar, pior vai ser. Mais eu vou durar.
Bernardo: Tomara que tu morra. (fala inaudível)
Leandro: O que tu falou?
Bernardo: Não te interessa!
Leandro: É, é… 'Froinha', que não é capaz de falar. Se fosse macho falava melhor!
Bernardo: Ó a polícia!!
Graciele: Vai lá então… Vamo, desce lá!
Bernardo: Não…
Graciele: Desce lá.
Bernardo: Tu me agrediu!
Graciele: Vai lá, Bernardo…
Bernardo: Tenho marca aqui… Tu me agrediu. Eu tenho marca aqui.
Graciele: Vai lá, Bernardo! Ô, cagão! Ô, cagão, desce lá, cagão! Cagou nas calças? Cagou nas calças?
Bernardo: Vamos…
Graciele: Como, vamos? Cagão, vai atrás do teu pai, vai lá, macho! Vai lá, cagão.
Bernardo: Meu pai me agrediu…
Graciele: Vai dizer, então! Vai! Cagão.
Bernardo: Tu me bateu, tu me bateu, tu me bateu. Tu me agrediu!
Leandro: Faço tudo para dar certo e a polícia chega na minha casa no sábado à noite.
Graciele: É, ahã.
Bernardo: Tu me bateu também…
Graciele: É um cagão mesmo! Agora vai atrás do papai. Cagão.
Bernardo: Tu me bateu, conta que tu me bateu...

(longo trecho em silêncio)
Leandro: E esse remédio aqui?
Bernardo: Tu vai me matar…
Leandro: Quantos quilos tu tem?
Bernardo: Não sei. (inaudível)
Graciele: Dá sessenta gotas…
Bernardo: Eu vou me matar… Eu vou... Eu vou me matar.
Graciele: Dá uma faca, Leandro!

(minutos depois)
Leandro: Você sabe o que está fazendo, você sabe…
Bernardo: Meu pai mandou eu te pedir desculpas.
Leandro: Você sabe o que está fazendo…
Bernardo: Eu quero me matar…

G1

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Primeira audiência da morte de Bernardo levanta novas provas



Após primeira audiência do caso Bernardo, que durou mais de 11 horas, surgem novas provas e suspeitas contra a madastra do menino e seu pai, Leandro Boldrini. Vídeos mostram brigas do casal e ameaças ao garoto.

R7

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Vídeo mostra criança sendo agredida por babá no Rio



Menina de seis anos teria sido ameaçada, caso contasse à mãe sobre agressões

Uma babá é suspeita de agredir uma criança de seis anos em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Juliana dos Santos Tavares, mãe da vítima, descobriu as agressões na sexta-feira passada (22) e o caso foi registrado na Delegacia de Alcântara (74ª DP) como maus-tratos.

A mãe diz que desconfiava do comportamento agressivo da filha, mas só descobriu o motivo quando uma pessoa desconhecida lhe entregou vídeos que registraram as agressões. Segundo a mãe da vítima, as imagens foram feitas pela filha mais velha da babá, que cuidava dos dois filhos de Juliana havia um ano e meio e cobrava R$ 250 por mês. No mês passado, a suspeita havia dito que não queria mais ficar com a menina.

— Ela [a babá] reclamou dizendo que a menina estava fazendo muito escândalo e estava com medo de o Conselho Tutelar procurá-la de novo. Minha filha ficava suja, descabelada e reclamando de fome. Aquilo foi me magoando, porque era uma amiga. Eu pensei que ela era minha amiga.

Juliana afirma que, depois que conseguiu conversar sobre os maus-tratos, a filha ficou mais tranquila, mas evita falar sobre o assunto. A criança não teria contado à mãe sobre as agressões por medo de ameaças.

— Ela [a criança] disse que não me falou nada porque estava com medo, que ela [a babá] estava ameaçando. Fiquei muito revoltada.

Procurada pela reportagem da Rede Record, a suspeita de agredir a criança não quis se manifestar. O caso é investigado pela Delegacia do Rio do Ouro (75ª DP).



R7

sábado, 23 de agosto de 2014

Nova lei em Salvador obriga hospitais a denunciar violência contra crianças e adolescentes


Casos de violência sexual, física ou psicológica ocorridos dentro ou fora do contexto familiar contra crianças e adolescentes, além de mulheres e idosos, terão que ser informados pelos profissionais de saúde de hospitais das redes pública e privada de Salvador.

É o que determina nova lei, publicada no Diário Oficial do Município na última sexta-feira (16). Os dados do hospital serão encaminhados a um comitê especializado, formado por delegacias de proteção especial, Ministério Público e ONGs. As informações de casos de violação, tortura, maus-tratos, tráfico de pessoas, prostituição forçada, entre outros, devem ser registradas contendo o nome do agressor.

A lei será regulamentada dentro de 90 dias e prevê ainda a capacitação de profissionais para atender as vítimas. Ela também será válida em instituições de ensino.

promenino

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Menino yazidi com deficiência é resgatado no deserto do Iraque

 Um menino deficiente da minoria religiosa yazidi foi encontrado no deserto do norte do Iraque. Caçados pelo Estado Islâmico, milhares de pessoas da etnia já deixaram as suas casas. Sob circunstâncias ainda não esclarecidas, o menino foi abandonado à própria sorte no deserto. Ele foi encontrado por militantes curdos à beira da morte, sob temperaturas de até 50ºC. BBC Brasil

sábado, 9 de agosto de 2014

Justiça nega liberdade para pai e madrasta de Bernardo


Magistrado também manteve decisão que impede visita da filha do casal, de um ano e quatro meses

Os pedidos de liberdade de Leandro Boldrini e Graciele Ugulini, suspeitos de envolvimento na morte do menino Bernardo, foram negados pelo juiz Marcos Luís Agostini, da Comarca de Três Passos, na tarde desta sexta-feira. O magistrado também manteve a decisão que nega o contato de Graciele com a filha, de um ano e quatro meses, pelo menos durante a tramitação da ação penal.

Em relação ao pedido de habeas corpus, o juiz considerou que os fundamentos que autorizaram a decretação da prisão preventiva de Leandro e Graciele permanecem presentes. O magistrado também afirmou que "não prosperam as alegações das defesas de excesso de prazo na instrução penal ou decorrente do aditamento da denúncia". Na tarde desta quinta-feira, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul havia refutado o pedido de liberdade dos réus Evandro e Edelvânia Wirganovicz.

A decisão que impede que Graciele receba visitas leva em consideração a grave acusação que pesa contra a ré. Segundo o magistrado, homicídio qualificado contra o próprio enteado, de 11 anos, é motivo suficiente para recomendar que a mulher não tenha contato com a filha.

Agostini também analisou o pedido da defesa de Leandro Boldrini para que fosse declarada a ilegalidade das interceptações dos telefones dos familiares dos réus e a solicitação de diligências acerca das escutas telefônicas, entre elas que o cartório judicial informasse os telefones interceptados, a titularidade dos mesmos e a data da efetivação da interceptação.

O magistrado refutou a nulidade alegada e indeferiu o pedido de diligências, afirmando que não houve interceptação sem autorização judicial, nem gravação fora do Sistema Guardião. Sobre os dados solicitados pela defesa, Agostini informou que eles constam no processo. O juiz também negou o pedido de restituição dos bens do réu. Segundo ele, os bens apreendidos não podem ser restituídos enquanto interessarem ao processo.

O magistrado também afirmou que o pedido de afastar a competência de juízo da Comarca de Três Passos, postulado por Leandro Boldrini e Graciele Ugulini, foi refutado pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Com esse argumento, o magistrado também negou a transferência do caso para a Comarca de Frederico Westphalen (onde o corpo do menino foi enterrado).

Agostini também explicou que a entrevista de Edelvânia, na penitenciária, não é meio de prova previsto em lei. Sendo assim, afirmou que, caso a ré pretenda alterar o teor das declarações prestadas na fase policial, poderá fazê-lo na oportunidade do interrogatório em juízo.

As testemunhas de defesa e acusação serão ouvidas em 26 de agosto, a partir das 9h15min, no Foro da Comarca de Três Passos.

Relembre o caso

Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, desapareceu no dia 4 de abril, uma sexta-feira, em Três Passos, município do Noroeste. De acordo com o pai, o médico cirurgião Leandro Boldrini, 38 anos, ele teria ido à tarde para a cidade de Frederico Westphalen com a madrasta, Graciele Ugulini, 36 anos, para comprar uma TV.

De volta a Três Passos, o menino teria dito que passaria o final de semana na casa de um amigo. Como no domingo ele não retornou, o pai acionou a polícia. Boldrini chegou a contatar uma rádio local para anunciar o desaparecimento. Cartazes com fotos de Bernardo foram espalhados pela cidade, por Santa Maria e Passo Fundo.

Na noite de segunda-feira, dia 14, o corpo do menino foi encontrado no interior de Frederico Westphalen dentro de um saco plástico e enterrado às margens do Rio Mico, na localidade de Linha São Francisco, interior do município.

Segundo a Polícia Civil, Bernardo foi dopado antes de ser morto com uma injeção letal no dia 4. Seu corpo foi velado em Santa Maria e sepultado na mesma cidade. No dia 14, foram presos o médico Leandro Boldrini — que tem uma clínica particular em Três Passos e atua no hospital do município —, a madrasta, uma amiga dela, identificada como Edelvânia Wirganovicz, 40 anos, que colaborou com a identificação do corpo.

Posteriormente, o irmão de Edelvânia – Evandro Wirganovicz – foi preso temporariamente por suspeita de facilitar a ocultação de cadáver, crime pelo qual ele acabou denunciado pelo Ministério Público.

Após pedido de aditamento do MP, a Justiça também aceitou a denúncia de Evandro por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de veneno e recurso que dificultou defesa da vítima), e decretou sua prisão preventiva.

Zero Hora

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Uma criança é morta por hora em Gaza, denuncia ONG Save the Children


Em apenas duas semanas de ataque militar israelense na Faixa de Gaza, no mínimo 70 mil crianças viram-se obrigadas a abandonarem seus lares com suas famílias. Além disso, os ataques se intensificaram na semana passada e uma criança é morta por hora, de acordo com Osama Damo, representante da organização não governamental Save the Children em entrevista à TV americana ABC. Até o dia 26 de julho foram contabilizadas 121 crianças mortas pelas ofensivas israelenses.

Além disso, a ONG alerta que 116 mil crianças necessitam de “apoio psicossocial especializado imediato”, e que os recém-nascidos estão muito vulneráveis, com comida para bebês “extremamente escassa”, colocando as mães em situação de estresse.

A equipe da Save the Children em Gaza tem objetivo de atuar nas áreas mais castigadas pelos ataques, proporcionando ajuda médica e materiais de higiene e proteção.

promenino

sábado, 26 de julho de 2014

Extremistas islâmicos ordenam mutilação genital em massa no Iraque: multiculturalismo ou barbárie?

Ali e Ferguson: um casal nota dez, que defende a civilização contra a barbárie


O movimento radical Estado Islâmico (EI) ordenou que garotas e mulheres da cidade de Mosul, norte do Iraque, e arredores sejam submetidas a mutilação genital. A informação foi confirmada pela ONU nesta quinta-feira (24).

O líder do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, emitiu um comunicado de Aleppo, na Síria, no último dia 11, no qual ordena a mutilação genital de todas as mulheres que estão sob sua liderança e tenham idades entre 11 e 46 anos.
O processo deverá ser realizado a exemplo do que “se fazia na cidade sagrada saudita de Medina”, continua o documento.

O EI capturou diversas cidades do Iraque recentemente e, no mês passado, proclamou a fundação de seu califado (Estado islâmico) –que, no futuro, pretende o grupo, se estenderá por um território que hoje inclui não só o Iraque mas também a Síria.

Localizada a cerca de 400 km ao norte da capital Bagdá, Mosul é a segunda maior cidade do Iraque, e é a principal atualmente sob controle dos extremistas.

O EI dizem que o intuito da mutilação genital em massa é “cuidar” da sociedade muçulmana, evitando “a expansão da libertinagem e da imoralidade” entre as mulheres iraquianas.

Pergunto: isso é multiculturalismo ou barbárie? Muitos “progressistas” abraçam um exacerbado relativismo cultural (e moral), receosos de que qualquer crítica mais objetiva seja confundida com etnocentrismo, que por sua vez remete ao nazismo, à arrogância de uma raça superior ou algo do tipo. Balela!

Reconhecer que certas culturas avançaram mais que outras não tem nada a ver com nazismo, com raça superior, até porque cultura não é raça, não é genética, não é estanque; evolui, muda, e as mais abertas são justamente as que mais conseguem absorver qualidades de outras. Povos fechados costumam ficar para trás.

Não resta muita dúvida, analisando por esta ótica, que a cultura ocidental evoluiu mais. Muitos países islâmicos sequer passaram por seu iluminismo ainda; vivem na Idade das Trevas, sem separação alguma entre estado e religião, sem liberdades individuais.

A esquerda multiculturalista enfrenta um impasse: cuspir nessa cultura ocidental que permitiu sua própria existência, mas que é associada ao domínio do “homem branco” e vista como “imperialista”; e ao mesmo tempo abraçar bandeiras “liberais” de defesa das “minorias” que são completamente ignoradas nesses países atrasados que gosta de defender. É uma postura incoerente.

Ser feminista no Ocidente é moleza. Usar como instrumento dessa luta contra o “machismo” atitudes como não se depilar é moleza, ainda que nojento (minha opinião). Agora, erguer bandeiras em prol da liberdade feminina em países islâmicos, isso é coragem! Não é à toa que poucas fazem…

Para quem quiser saber mais sobre essa nefasta prática de mutilação genital, recomendo a biografia Infiel, de Ayaan Hirsi Ali, esposa de Niall Ferguson que fugiu do islamismo africano para a liberdade holandesa, e hoje luta contra a barbárie, sem medo de ofender os multiculturalistas politicamente corretos.

Rodrigo Constantino

Veja

terça-feira, 22 de julho de 2014

Bombardeios de Israel em Gaza já mataram 121 crianças, diz Unicef


Bombardeios de Israel em Gaza já mataram 121 crianças, diz Unicef

Um total de 121 crianças palestinas, 80 delas de menos de 12 anos - morreram desde que Israel começou a ofensiva militar contra o território palestino de Gaza, informou o Unicef, o organismo das Nações Unidas para a proteção da infância, nesta terça-feira (22).

Segundo os dados, 84 vítimas eram meninos e 37 meninas, com idades que variavam entre cinco meses e 17 anos.

Pelo menos 904 outras crianças ficaram feridas, acrescentou o órgão.

Com as mortes ocorridas nesta terça em Gaza, as vítimas palestinas da ofensiva israelense já somam 593 pessoas em 15 dias. No mesmo período, 27 soldados israelenses também morreram, os dois últimos em combates na noite desta segunda (21), além de dois civis, um israelense e um beduíno, depois que foram atingidos por foguetes lançados da Faixa de Gaza.

O Escritório de Assuntos Humanitários da ONU descreveu como "devastadora" a situação para a população de Gaza, um território de altíssima densidade demográfica, com 4.500 pessoas por quilômetro quadrado.

"Literalmente, não há um espaço que seja seguro para os civis", destacou o porta-voz, Jens Laerke.

Segundo uma rápida avaliação realizada por voluntários em Gaza, 107 mil crianças precisam de tratamento especializado pelo trauma que sofreram ao vivenciar ataques que mataram suas famílias ou destruíram suas casas.

Por enquanto, as equipes de emergência conseguiram oferecer esse tipo de apoio a menos de 900 crianças.

G1

sábado, 19 de julho de 2014

Crianças são as mais afetadas por violência em Gaza e Israel, alerta diretor do Unicef


Mais de 30 crianças foram mortas pelo conflito e agravamento da violência em Gaza e Israel, além de centenas de outras feridas, somente nos últimos dias. A declaração é do diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Anthony Lake, que ainda afirmou que “nenhuma criança deveria sofrer as terríveis consequências desse tipo violência.”

A violência afeta diretamente aspectos físicos e psicológicos na criança, podendo implicar em dificuldades para encontrar paz, estabilidade e entendimento. O diretor do Unicef alertou que é comum as crianças que testemunham situações como essa passam a considerá-la ‘normal’, e há grandes chances de repetir comportamento violento futuramente em suas vidas

promenino

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Plantão na Fan Fest de Brasília recebe denúncias de violações de direitos


O Comitê de Proteção da Criança e do Adolescente para Grandes Eventos no Distrito Federal registrou 24 ocorrências do início da Copa até 23 de junho. Instalado no espaço da Fan Fest, o Comitê atende casos de violações dos direitos das crianças e dos adolescentes e conta com uma equipe multidisciplinar para dar encaminhamento às ocorrências.

Entre os casos atendidos, estão quatro de trabalho infantil, um de discriminação racial contra um adolescente e uma denúncia de exploração sexual, envolvendo uma criança de 12 anos e um estrangeiro. Outras ocorrências dão conta do uso de álcool e outras drogas e crianças desacompanhadas. No mesmo período, o serviço de denúncias por telefone do Distrito Federal recebeu 147 casos, sendo o mais recorrente o de negligência, mas há denúncias também de exploração sexual e trabalho infantil.

promenino

sábado, 31 de maio de 2014

Às vésperas do início da Copa, exploração sexual de crianças e adolescentes preocupa

Yuri Kiddo, do Promenino com Cidade Escola Aprendiz

A menos de um mês do Mundial, basta conversar com alguns taxistas para ouvir que parte dos mais de 600 mil turistas estrangeiros esperados para o evento já está no Brasil. A estimativa do Ministério do Turismo é de quase quatro milhões de pessoas, entre brasileiros e outras nacionalidades, circulando por todo o país.

Se dentro de campo a maior preocupação é se a seleção brasileira de futebol conseguirá erguer a taça de hexacampeão, fora dele o foco é na infraestrutura. No entanto, pouco é questionado se o país conseguirá ser bem sucedido no campo de direitos humanos e de proteção à infância. O alto número de pessoas circulando pelo país pode trazer riscos, especialmente quando se trata de violência sexual contra crianças e adolescentes.

Em fevereiro, a entidade sueca Childhood fez um alerta à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) sobre os riscos de aumento de violência sexual. A entidade entregou à SDH um estudo sobre o aumento de casos de exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes nos países-sede de grandes eventos esportivos nos últimos anos. Os dados revelam que, nos dois meses anteriores ao início da Copa na África do Sul em 2010, o crime contra meninos e meninas aumentou em cerca de 40 mil casos (63%). Já no Mundial de 2006 na Alemanha, em 20 mil (28%).

Por sua vez, o estudo “Exploração de crianças e adolescentes e a Copa do Mundo: uma análise dos riscos e das intervenções de proteção” aponta que a exploração sexual de crianças e adolescentes relacionada aos grandes eventos esportivos está atrelada a outros problemas sociais que o país já sofre, como desvio na oferta de atendimento, estresse familiar, pobreza e violência doméstica.

Dados do Disque 100 (2003 - 2011)

275.638 denúncias de violações de direitos humanos de crianças e adolescentes;

Do total, 27.664 referem-se a casos de exploração sexual de meninos e meninas;

Média de 294 denúncias por mês.


A questão foi tomada como prioridade pela SDH nos últimos tempos. A partir das denúncias registradas pelo Disque 100, entre maio de 2003 e março de 2011, a Secretaria constatou que os crimes sexuais contra crianças e adolescentes já são recorrentes no país, inclusive nas cidades-sede. Com base nos números, a SDH colocou como prioridade ações em rodovias, fronteiras, grandes obras e nas cidades-sede para o campeonato mundial, visando coibir o crime.

Iniciativas


Para diminuir e tentar coibir os crimes sexuais contra crianças e adolescentes, o governo federal e organizações da sociedade civil realizam campanhas para tirar o tema da invisibilidade e intensificar o número de denúncias. “Temos várias ações que já utilizamos em megaeventos como o Carnaval e que servirão para a Copa do Mundo. Plantões, acolhimento para crianças perdidas ou que sofreram alguma violência, além do reforço da rede de proteção, delegacias e do Disque 100”, explica o coordenador geral de proteção à infância do Ministério do Turismo, Adelino Neto.

Nas cidades-sede estão ocorrendo formações para profissionais do turismo e materiais sobre a questão serão distribuídos em hotéis, bares, restaurantes, aeroportos e para taxistas. “O turista terá todo tipo de informação a respeito desse assunto para promover uma visita ao país de forma consciente, responsável, sustentável e decente.”

Antes mesmo de chegarem ao Brasil, os turistas de 17 países europeus já terão informações por meio da campanha comandada pela rede internacional ECPAT (Redes Nacionais de Defesa dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes). Sob o mote “Não Desvie o Olhar”, a campanha abordará nos aviões e aeroportos fora do Brasil quatro dimensões da questão: prostituição, pornografia, tráfico e turismo para fins de exploração sexual. O governo federal também promove a campanha “Proteja Brasil” que busca envolver a sociedade na proteção das crianças e adolescentes e estimular as denúncias de casos de violações de direitos.

“A campanha é importante porque tira o assunto da invisibilidade. Nós que defendemos direitos de crianças e adolescentes sabemos que o crime existe e estamos atentos. Então, a primeira parte é tornar o problema público e não fazer com que isso seja uma prática natural”, explica a representante da ECPAT no Brasil, Tiana Sento-Sé. “Em seguida, queremos empoderar as pessoas para que elas não fiquem caladas e denunciem. Acredito ainda que temos uma terceira função, que é colocar de forma efetiva o tema na nossa agenda de prioridades para que os setores de assistência, saúde, judiciário e segurança estejam melhores preparados.”

Além das campanhas, na noite desta quarta-feira (21) foi sancionado pela presidenta Dilma Rousseff o Projeto de Lei (PL) que torna a exploração sexual de crianças e adolescentes crime hediondo. A lei vem para reforçar o enfrentamento à questão. “Esse tema nunca foi tão debatido no Brasil como agora. Temos que ter como legado da Copa o fortalecimento da rede de atendimento e a união de esforços de todos que trabalham na área”, afirma o coordenador do Ministério, Adelino Neto.

Limitações


No entanto, Tiana relata que os esforços não serão suficientes. “Infelizmente não foram planejados recursos financeiros suficientes, não tem nada no orçamento público a não ser para obras.” Para ela e diversos especialistas na área de direitos da infância, o Sistema de Garantia de Direitos precisa de recursos humanos e materiais para que o atendimento dê conta da demanda do atendimento das crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, seja Copa do Mundo ou não.

A partir da experiência com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual Infantil em São Paulo, a vereadora Patrícia Bezerra aponta que há falhas na rede de proteção que deveriam ser sanadas antes mesmo da Copa. “As redes não dão conta de contemplar o assunto na complexidade que ele exige. Elas funcionam apenas no atendimento pontual e sem devidos processos e encaminhamentos, então não temos essa proteção garantida”.

Tiana concorda que as deficiências da rede se amplificam com o evento. “Para a Copa, o problema só se agrava porque o país não priorizou a infância e porque direitos humanos não é assunto da FIFA. Ela não está preocupada com isso.” Tiana ainda cita a permissão de pessoas com menos de 18 anos trabalharem como gandula no Mundial. “Isso só mostra que a preocupação maior é dinheiro e não o bem-estar de ninguém, nem das próprias crianças e adolescentes, que representam o futuro.”

A vereadora Patrícia Bezerra relata que a Federação Internacional do Futebol (FIFA) foi convidada a participar de uma campanha internacional sobre crimes sexuais envolvendo crianças e adolescentes e se recusou com a justificativa de “não querer atrelar o nome da marca e a imagem da Copa com a exploração sexual infantil”. “Eles [FIFA] vêm aqui e faturam bilhões de reais e não investem um centavo na proteção da infância.”

Antes mesmo de começar, a Copa já contribuiu no aumento da vulnerabilidade de crianças e adolescentes. Canteiros de obras com intensa presença de homens, muitas vezes afastados de suas famílias, levaram a casos de exploração sexual de crianças e adolescentes. As denúncias foram comuns em várias cidades-sede e repercutiram até na imprensa internacional.

Parte das denúncias foram relativas à Arena Corinthians, em São Paulo, que será palco da festa de abertura da Copa. O estádio foi escolhido como local de protesto no último domingo, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e data da inauguração da Arena. “Quisemos levar a manifestação para esse lugar emblemático, construído com o histórico de exploração sexual de crianças e adolescentes”, afirma a vereadora Patrícia Bezerra.

promenino

sábado, 24 de maio de 2014

Filho de brasileiro é refém no Paraguai há mais de 50 dias

Pai pagou resgate de US$ 500 mil, mas jovem continua em poder de guerrilheiros

BUENOS AIRES - Há mais de 50 dias, o filho de um brasileiro está sequestrado no Paraguai. O jovem Arlan Fick, de 16 anos, foi levado pelo Exército do Povo Paraguaio (EPP), uma guerrilha que atua principalmente na região rural do país e, apesar de seu pai, Alcido Fick, ter pagado um resgate de US$ 500 mil, ele continua desaparecido e sem dar qualquer sinal de vida. Dono de terras no Paraguai, Alcido não pediu ajuda às autoridades brasileiras, mas a Embaixada acompanha de perto o caso.

O sequestro também é seguido pelo governo do presidente Horacio Cartes, que, desde que chegou ao poder, em agosto do ano passado, reforçou a militarização na região Noroeste do Paraguai, onde opera o EPP.

Arlan foi sequestrado no dia 2 de abril, no departamento de Concepción, a cerca de 400 quilômetros de Assunção. Segundo informações da imprensa local, membros do EPP invadiram terras de seu pai para roubar alimentos e, em meio a um tiroteio com o Exército, levaram o jovem. Na ação, dois guerrilheiros e um militar morreram.

- Por favor, liberem meu filho Arlan como prometeram. Somos gente trabalhadora, não temos problemas com ninguém. Estou muito doente, e minha senhora está muito fraca. Por favor senhores, já é suficiente - apelou o pai de Arlan.

Ninguém sabe, no Paraguai, a dimensão real do EPP. Mas as autoridades do país acreditam que o grupo tem hoje, no máximo, cem membros. Alguns estão presos, e uma das condições da guerrilha para soltar Arlan é, justamente, a libertação de seus integrantes. O EPP sequestrou a filha do ex-presidente Raúl Cubas (1998-1999), e a matou, mesmo após o pagamento de resgate.

O Globo
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