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segunda-feira, 28 de março de 2011

Síndrome de Munchaüsen por Aproximação


VERDADE: FAÇA A SUA ESCOLHA!


“Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre”. Charles Chaplin


O caso do menino das “agulhas” de 2 anos, que teve dezenas de agulhas inseridas em seu corpo, “chocou” o Brasil, entretanto este não é o único caso registrado em nosso país. Em 1993, uma criança ficou internada no Hospital São Paulo com 13 agulhas pelo corpo e foi submetida a uma cirurgia para a retirada de apenas uma delas. Em 2000, ao menos quatro casos foram registrados no país, um no Recife e três em São Luís. O pediatra Sérgio Schettini, 63 anos, professor associado da Escola Paulista de Medicina e chefe do serviço de cirurgia pediátrica do Hospital Infantil Menino Jesus, participou do atendimento ao menino que foi internado com agulhas sob a pele do pescoço, peito e abdome em 1993, em São Paulo. A criança tinha 1 ano e 8 meses na época. “Fizemos um procedimento simples, no pronto-socorro mesmo, apenas para a retirada de uma das agulhas que estava mais superficial. As outras ficaram no corpo por não haver risco ao paciente” – relata Sérgio Schettini.

Para o pediatra Sérgio Schettini, os casos em que agulhas são encontradas nos corpos de crianças, com exceção dos acidentes, podem ser diagnosticados como síndrome de Munchausen "by proxy" (por aproximação).

"É uma doença psiquiátrica que se caracteriza quando um adulto simula um sintoma, um acidente para obter carinho. É um indivíduo com carência afetiva patológica. O caso é mais grave e raro quando ele vitimiza uma criança."

Segundo Schettini, a literatura médica aponta que a síndrome de Münchausen "by proxy" ocorre quase sempre pelos pais ou pessoas próximas da família e de forma persistente. "Isso se confunde muito com rituais de magia negra, mas não é. Essa situação é bastante rara na medicina no país."

A síndrome de Münchausen é um transtorno mental em que compulsivamente (ou impulsivamente) o paciente causa ou simula sintomas de doenças, sem lucro secundário aparente para esta atitude, a não ser obter cuidados especiais de outros (parentes, amigos, profissionais do campo psi).

Como relatei na matéria sobre “Traumas Infantis”, a síndrome de Münchausen, é um tipo de trauma infantil, sendo assim, tem as suas conseqüências e deve ser tratado adequadamente. A síndrome de Münchausen by proxi (por procuração) ocorre quando um parente, geralmente a mãe (85 a 95%), de forma persistente, simula, de forma pseudo-intencional, a apresentação de sintomas em seu filho, fazendo com que este seja visto como doente grave, ou mesmo, provocando ativamente a doença, colocando a criança em risco e numa situação que requer atendimento urgente.

A mãe é levada a essa conduta com o objetivo de obter alguma atenção para si e/ou para seu filho, seja em ambiente institucional ou familiar, principalmente do marido ou companheiro, ou se afastar de um lar marcado pela violência. Nas formas clássicas, entretanto, a atitude de simular/produzir a doença não tem um objetivo lógico, parecendo ser uma necessidade intrínseca (impulsiva), ou compulsiva, de assumir o papel de doente ou da pessoa que cuida de um doente.

O comportamento é considerado como compulsivo no sentido de ser imperiosa a sua realização, mesmo tendo consciência de seus riscos. Apesar de compulsivos, não havendo transtorno de consciência, os atos são lúcidos, conscientes, intencionais e premeditados.

O comportamento pode ser considerado "semi-voluntário", até certo ponto, a fim de alcançar um objetivo que é primariamente involuntário e, portanto, compulsivo. Esta doença é um grave transtorno da personalidade, de tratamento difícil e prognóstico reservado. Estes atos são descritos nas classificações como transtornos factícios (caracterizam-se por sintomas físicos ou psicológicos intencionalmente produzidos ou simulados).

A síndrome de Münchausen por procuração é uma forma de abuso infantil. Além da forma clássica por simulação, existem duas outras formas de Münchausen: por intoxicação, e asfixia, onde o filho é repetidamente intoxicado com alguma substância (medicamentos, plantas etc.) ou asfixiado até quase a morte.

No belo filme O Sexto Sentido, quando o garoto protagonista desvenda a causa mortis de uma menina, achando e entregando ao pai da vítima um DVD que mostra a mãe colocando uma substância suspeita em sua comida. Um típico caso de Münchausen.

Outro caso recente em nosso país foi na região metropolitana de Porto Alegre, onde uma técnica de enfermagem injetou uma alta dosagem de sedativos em 11 recém-nascidos. Quando um caso é suspeito, descobre-se que há uma história com anos de evolução e os eventos, apesar de grosseiros, não terem sido considerados quanto à possibilidade de abuso infantil.

Quando existem outros filhos, em 42% dos casos, outro filho também já sofreu o abuso - pesquisa de 1996. É importante não confundir a Síndrome de Münchausen com a de Ganser (doença simulada para se obter afastamento do trabalho, aposentar-se por invalidez, receber um seguro, não se engajar no serviço militar, e, principalmente, tornar-se inimputável em um delito cometido).

Alguns adolescentes apresentam quadro clínico de Münchausen semelhantes aos dos adultos. A doença pode ser considerada um tipo de abuso infantil, concomitantemente a outras formas de abuso, principalmente o sexual.

Quando a criança cresce, desenvolve uma tendência a que participe da fraude, e na adolescência se torne portadora da síndrome de Münchausen clássica típica em que os sintomas são inventados, simulados ou produzidos nela mesma.

Ao contrário do abuso e da violência clássica contra crianças, as mães portadoras da síndrome de Münchausen by proxy não são violentas nem negligentes com os filhos. Esta síndrome foi descrita pela primeira vez por Meadow, em 1977. Ainda hoje é pouco conhecida. Sua abordagem deve envolver especialistas na doença simulada, psiquiatras e psicólogos, enfermagem, assistentes sociais e, mais tarde, advogado e diretor clínico do hospital e profissionais de proteção da criança agredida (Conselhos Tutelares e Juízes da Infância).

Esses casos, como o das “agulhas” muito se é confundido com “Magia Negra”, aqui não quero entrar em questões “religiosas”, entretanto já se fica muito “claro” que se uma pessoa, ou grupo de pessoas são capazes de realizar “magias” como essa, é porque demonstra problemas de ordem psiquiátrica que podem ter sido desencadeadas por “n” situações ocorridas ao longo de sua vida.

Obs: utilizei como base de estudo sobre essa síndrome matérias do colunista Adalberto Tripicchio do site: www.redepsi.com.br. CAMILA LEMES ALVES Psicóloga


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Delegacia de Atendimento à Mulher recebeu 4.654 queixas de janeiro a junho


“Eu ficava levando bofetada na cara e vendo o meu sangue escorrer quando ele cortava meus dedos”, contou Joana*, 46 anos. Ao longo de 8 anos de relacionamento, ela sofreu agressões físicas, sexuais e psicológicas do marido. Sozinha, passou por cima do sentimento de derrota e de vergonha para denunciá-lo à Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), há alguns meses. O pedido de separação incomodou o homem “violento e perigoso”. O medo da reação do ex-companheiro levou a mulher a pedir o arquivamento da ação que começara a tramitar na Justiça. Desde então, o marido não voltou a procurar Joana e os dois filhos que ela teve em outro casamento. “Os homens querem apagar a luz linda que é a mulher. Estão querendo destruir e pisar na rosa. E nós, mulheres, não podemos nos dar ao luxo de botar na cara o que se passa dentro da gente”, desabafou, ontem, no Dia Internacional pelo Fim da Violência Contra a Mulher.

Na estrutura montada pela polícia, foram divulgados três núcleos de trabalho envolvendo violência doméstica
Como Joana, outras 4.653 mulheres registraram ocorrência de violência doméstica nos primeiros seis meses deste ano. Significa dizer que a cada hora, de janeiro a junho, uma mulher procurou uma delegacia do Distrito Federal para prestar queixas do companheiro. Números do Pró-Vítima, programa ligado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, mostram que a média se manteve em relação a 2009, quando 9.597 mulheres buscaram apoio — aproximadamente 26 por dia. Mas os valores aumentaram em cerca de 35% se comparados aos de 2008. Naquele ano, 7.100 casos foram registrados pela Polícia Civil do DF. A subsecretária de Proteção às Vítimas de Violência, Valéria Velasco, acredita que as mulheres estão perdendo o medo de denunciar as agressões sofridas entre quatro paredes. “Elas sabem que têm respaldo da Justiça e da polícia”, defendeu.
Sancionada em 2006, a Lei Maria da Penha garantiu direitos às mulheres e determinou punições a homens agressores. Até então, não havia legislação específica sobre o tema. Há quatro anos, as mulheres não podem mais desistir da investigação aberta contra o companheiro na delegacia — sendo permitido recuar apenas na frente do juiz, como fez Joana. O autor das agressões pode ser preso em caráter preventivo ou em flagrante. Caso seja denunciado por violência à mulher, o homem ainda corre o risco de perder o direito de se aproximar da vítima com limite máximo de distância fixado pelo juiz responsável pelo caso; de ser proibido de frequentar alguns lugares; e de ser obrigado a se afastar de casa e dos dependentes. Segundo a Polícia Civil, o Distrito Federal conta com o maior número de registros em relação ao restante do Brasil.
Para Valéria, o número tende a aumentar com a capacitação do Estado em receber as vítimas e oferecer a elas o acompanhamento necessário. Atualmente, a única delegacia especializada no atendimento à mulher está localizada na Asa Sul. A distância do restante do DF impede pessoas de denunciar os maus-tratos. “As vítimas também podem ir às delegacias nas cidades, mas acabam intimidadas por serem ambientes naturalmente machistas”, explicou. Essa situação dificulta o trabalho das entidades que lutam contra a violência doméstica em Brasília. Segundo a delegada-chefe adjunta da Deam, Adriana Aguiar, apenas 40% das vítimas recorrem contra o agressor. “Muitas arquivam o processo ou fazem acordos. Acreditam que eles vão melhorar e que tudo vai voltar ao normal. Mas sabemos que não é assim”, explicou.
O gerente de Referência do Atendimento às Mulheres da Sejus, Luiz Henrique Machado e Aguiar, explicou que o tabu familiar também impede a mulher de registrar a ocorrência contra o companheiro. Muitas vítimas, segundo ele, questionam se mereciam a agressão e quais motivos a levaram àquela situação. “Às vezes, ela depende do homem financeiramente, ou ele é pai dos filhos e tem laços afetivos. A dependência emocional é complexa e o crime não é comum. Por isso a necessidade de profissionais capacitados para lidar com as vítimas de agressões. O assunto deve deixar o âmbito privado e chegar a público”, acredita. Ele cita Ceilândia, Gama, Recanto das Emas e Santa Maria como origem das demandas mais intensas.

*Nome fictício

DIA DE CONSCIENTIZAÇÃO NA RODOVIÁRIA
Ações de conscientização contra a violência doméstica marcaram o Dia Internacional pelo Fim da Violência Contra a Mulher, ontem. Pela manhã, a Secretaria de Justiça montou um estante no calçadão entre o Conic e o Conjunto Nacional para distribuir cartilhas e tirar dúvidas da população. A partir das 13h, a unidade móvel da Delegacia de Atendimento à Mulher estacionou na plataforma inferior da Rodoviária do Plano Piloto para oferecer atendimento da Polícia Civil a interessados em denunciar casos de agressão doméstica, além de distribuir panfletos com instruções para evitar estupros e mostrar os benefícios da Lei Maria da Penha.
A Subsecretaria para Assuntos da Mulher da Sejus divulgou os três núcleos de trabalho envolvendo a violência doméstica. A casa-abrigo oferece acompanhamento médico e psicossocial e segurança à vítima de agressão consumada. Além disso, a mulher pode fazer o primeiro contato com os especialistas no Centro de Referência de Atendimento às Mulheres e com os Núcleos de Atendimento à Família, que atende as mulheres, os filhos e o agressor. A Deam foi até a população com a unidade móvel. Segundo a delegada-chefe adjunta, Adriana Aguiar, o local foi escolhido para alcançar moradores do Distrito Federal e do Entorno. “A ideia é levar a delegacia à mulher”, afirmou. No próximo dia 5, a instituição estará em Taguatinga.
A Lei nº 11.340 recebeu o codinome Maria da Penha em homenagem a uma mulher que acabou tetraplégica após sofrer agressões e ameaças do marido, o professor universitário colombiano Marco Antonio Heredia Viveros. Ela foi maltratada por aproximadamente seis anos. Em 1983, o marido tentou assassiná-la duas vezes. Na primeira ocasião, ele disparou um revólver contra Maria da Penha simulando um assalto. Na segunda tentativa, o homem tentou eletrocutá-la e afogá-la.
Em 1984, Maria da Penha iniciou uma longa jornada em busca de justiça e de segurança. Sete anos depois, seu marido foi a júri, sendo condenado a 15 anos de prisão. A defesa apelou da sentença e, em 1992, a condenação foi anulada. Um novo julgamento foi realizado em 1996 e uma condenação de 10 anos foi-lhe aplicada. Porém, após dois anos em regime fechado, o professor universitário foi liberado graças a recursos jurídicos. Hoje, está livre.
O fato chamou a atenção do Centro de Justiça pelo Direito Internacional e do Comitê Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher. Assim, o Centro de Justiça e Maria da Penha formalizaram uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Pela primeira vez na história, uma agressão doméstica foi considerada crime. O caso abriu caminhos para a sanção da Lei Maria da Penha, em agosto de 2006. Atualmente, Maria da Penha é coordenadora de estudos da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV), no Ceará.

EU ACHO...

“Acho ótimo. Nem todas as mulheres têm coragem de ir até a delegacia ou falta oportunidade. Temos que incentivar as pessoas que conhecemos e passam por isso a denunciar. Só assim será possível acabar com isso. A violência contra as mulheres só continua porque nem todas lutam contra isso. Tudo depende da iniciativa da mulher”
Marilene Ribeiro da Silva, 27 anos, operadora de caixa, moradora do Itapoã

NÚMEROS
Casos envolvendo a Lei Maria da Penha nos últimos três anos :
.2008 - 7.100 ocorrências ao ano = 591 por mês = 19 por dia = 0,82 por hora
.2009 - 9.597 ocorrências ao ano (aumento de 35%) = 799 por mês = 26 por dia = 1,1 por hora
.2010 - 4.654 ocorrências nos seis primeiros meses = 775 por mês = 25 por dia = 1,07 por hora

ONDE RECORRER
-Núcleos do Pró-Vítima no Distrito Federal
-Núcleo SIA
SIA Trecho 8, Lotes 170/180
3905-1434 / 3905-7152 / 3905-1484
-Núcleo Paranoá
Quadra 2, Conjunto C, Lote A
3905-4299 / 3905-1448
-Núcleo Plano Piloto
Estação 114 Sul do Metrô
3905-8442 / 3905-1777
-Centro de Referência em Atendimentos às Mulheres da Secretaria de Justiça: 3322-2266

O QUE DIZ A LEI
A Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha, cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar. Segundo a legislação, a violência contra a mulher constitui uma das formas de violação dos direitos humanos. O artigo 5º considera violência doméstica e familiar qualquer ação ou omissão que resulte em morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, além de dano moral e patrimonial. Constatada a prática, o juiz pode afastar o agressor do lar, proibir a aproximação da mulher, dos familiares, das testemunhas com distâncias definidas e punir o homem caso ele frequente lugares considerados proibidos pela Justiça. Logo após entrar em vigor, a Lei Maria da Penha foi posta em prática para prender um homem acusado de estrangular a ex-esposa, no Rio de Janeiro.


Ex-namorado é suspeito de atear fogo em jovem grávida em Mirandópolis



A mulher foi internada com queimaduras de segundo e terceiro graus

No Dia Internacional de Combate à Violência Doméstica, mais um caso grave foi registrado em Mirandópolis. Dessa vez, a vítima foi agredida e queimada pelo ex-namorado.
Joyce da Silva Ferreira, 22, é mais uma vítima da violência doméstica. A jovem, que está grávida de quatro meses, foi queimada pelo namorado. Ela está internada em estado grave no hospital de Mirandópolis com queimaduras de segundo e terceiro graus, principalmente no peito e no rosto.
Conforme a polícia, a agressão aconteceu na casa do namorado. O casal teria discutido e Joyce quis terminar o relacionamento. Foi então que o rapaz pegou uma garrafa de álcool, despejou na jovem e ateou fogo. Depois do ataque, ele fugiu. O rapaz tem passagens por roubo, tentativa de homicídio e ameaça.
A tia de Joyce, Valderez da Silva Ferreira, já estava cansada de ver as brigas do casal que está junto há quatro anos e tem uma filha pequena, de dois anos. Só que ela nunca imaginou que as ameaças se tornariam realidade.
Casos de violência, como esse, não são raros. Estatísticas de organizações não governamentais apontam que a cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil. Em Rio Preto, um caso chamou a atenção pelas marcas deixadas no corpo da vítima. Uma mulher de 23 anos ficou refém do namorado por três dias. Ela foi amarrada e espancada.


TV Tem

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Polícia indiciará apenas pai de adolescente espancada até a morte em Cafelândia, SP


SÃO PAULO - A Polícia Civil de Cafelândia, a 407 km de São Paulo, vai indiciar por lesão corporal seguida de morte o pai da adolescente Larissa Rafaela de Lima, de 15 anos, que morreu nesta quarta-feira após ser espancada dentro da própria casa pelos pais. De acordo com o delegado Adilson Carlos Vicentini Batanero, a mãe da menina não responderá pelo crime, pois teria dado na filha "apenas um corretivo" com uma cinta. A menina foi espancada porque estava namorando em uma praça com um colega da escola, escondido, o que não seria permitido pela igreja frequentada pela família. José Carlos de Lima, de 38 anos, é acusado de agredir a filha com chutes na cabeça.
De acordo com Batanero, na tarde desta terça-feira, a mãe ficou sabendo que a menina estava na praça com o namorado e foi até o local, mas retornou ao saber que a adolescente já estava em casa.
- Ao chegar em casa, a mãe pegou uma cinta e agrediu a menina. O pai chegou logo em seguida do trabalho e começou a agredi-la após a menor responder a ele. Foram vários chutes na cabeça, segundo a mãe da vítima - diz o delegado.
Larissa começou a passar mal após a meia-noite e foi levada pelos próprios pais para a Santa Casa de Cafelândia, onde a mãe avisou a Polícia Militar do ocorrido. Após várias convulsões seguidas de vômito, a adolescente foi transferida para um hospital de Bauru, onde não resistiu aos ferimentos e morreu.
- Segundo o médico legista de Bauru, a causa da morte foi um edema pulmonar, provavelmente em decorrência nas lesões no cérebro da menina, que teria feito o pulmão parar de funcionar - diz Batanero.
De acordo com o delegado, não houve, por parte do pai, intenção de matar a filha. Por isso, ele não será indiciado por homicídio.
- O que houve foi lesão corporal seguida de morte. O pai socorreu a filha, não tinha intenção de provocar a morte - acrescenta.
Segundo Batanero, a mãe da menina não será indiciada. Tanto ela quanto o pai, ao serem comunicados sobre a morte da filha, entraram em estado de choque.
Larissa cursava o primeiro ano do Ensino Médio em um centro educacional de Cafelândia e começou a namorar um colega da escola há algumas semanas.
O crime deixou amigos da família chocados. Segundo a polícia, a família era estruturada e Larissa tem dois irmãos.
- Ela ajudava a mãe, era tranquila, excelente. Não sei o que aconteceu com este pai - diz Anizete da Silvam amiga da família.
Amigos dizem que o pai da menina era calmo.
- Um cara 100%, brincalhão, não tem como explicar. Eu estou surpreso também - disse Roberto Machado, mecânico e conhecido da família.
José Carlos de Lima foi encaminhado para a cadeia pública de Promissão. Caso seja condenado, ele poderá cumprir pena que varia de 4 a 12 anos de prisão, segundo o delegado Adilson Carlos Vicentini Batanero.


O Globo
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