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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Novidade em Matrículas 2012 de Creche para Crianças com Deficiência


Pessoal,

Em reunião no Ministério Público, a Secretaria Municipal de Educação anunciou que neste ano (2012) a matrícula de crianças com deficiência será feita entre 9 e 19 de outubro para o ano letivo 2013, sendo que, para creches, não estará sujeita a sorteio, ou seja, a criança já terá a vaga automaticamente, desde que esteja em situação de vulnerabilidade social e econômica, o que será comprovado mediante a inscriçäo do aluno no Programa “Cartão Carioca”.

É importante notar, contudo, que muitas crianças que devem ter o atendimento educacional especializado têm transtornos globais de desenvolvimento, a exemplo de asperger e autismo, o que não é tão comumente identificável até os dois ou até três anos, deixando de fora deste benefício esse grupo de alunos.

Nestes casos, o diagnóstico precoce e a preparação das educadoras de creche para identificar sinais de TGD é fundamental, e um convênio já foi assinado com a PUC-RJ para este fim.

É importante notar que há uma limitação de duas crianças com deficiência por turma comum em creche, ou seja, pode acontecer de o aluno não ser matriculado na creche escolhida como primeira opção pelos pais. Mas de qualquer forma, é um importante avanço.

Abraços,
Paulo Messina

Blog do Messina

sábado, 26 de março de 2011

Eles não podem mais esperar

Matheus, 2 anos, no colo da mãe, Maria do Amparo. Ele passa muito mal diariamente, e ela está desesperada Foto: Pâmela Oliveira / Agência O Dia

Bebês correm risco de morte se governo não resolver falta de anestesista para transplante

Rio - Há quase 4 meses, as famílias de Andrew Araújo, 1 ano e 7 meses, e Matheus da Silva, 2 anos e 5 meses, enfrentam um pesadelo: o de não saber se os bebês estarão vivos no dia seguinte. Eles estão internados em estado gravíssimo no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) à espera de um transplante de fígado. Cirurgias desse tipo estão paralisadas desde janeiro: anestesistas especializados nelas pediram demissão por não receberem o adicional por plantão hospitalar (APH).
“Em fevereiro, depois que O DIA fez série de reportagens, o ministro (Alexandre Padilha, da Saúde) prometeu que meu filho ia operar logo, e até hoje nada aconteceu. Meu bebê voltou a ser internado às pressas quarta-feira. Ao lado da cama, colocaram aparelho de ressuscitação. O ministro não sabe o que é ver um filho esperando pra morrer”, desabafou o pai de Andrew, Adailton Francisco.
“Ele está vomitando quatro, cinco vezes por dia, às vezes com sangue. Estou esperando há tanto tempo que tenho medo de que ele não consiga mais operar”, desespera-se Maria do Amparo de Souza, mãe de Matheus. Ontem, o defensor público da União André Ordacgy afirmou que até quinta-feira entra com ação na Justiça Federal pedindo que os 349 pacientes na fila do transplante sejam operados em hospitais privados. “O ministério empurra o problema e não resolve nunca. Vamos solicitar também que seja criada remuneração extra para que anestesistas queiram trabalhar no HFB”, afirmou. O presidente da ONG Dohe Fígado, Carlos Cabral, defende que os anestesistas voltem a receber APH — pago quando o profissional é acionado fora do horário de expediente para cirurgias, as quais levam muitas horas.

Promessas após cobranças
Apenas depois que O DIA entrou em contato novamente com o Ministério da Saúde, ontem, o órgão fez alguma previsão. O diretor do Departamento de Gestão Hospitalar do núcleo do Rio, João Marcelo Ramalho, diz que a cirurgia de Andrew foi marcada para terça-feira. A de Matheus, segundo a nova promessa, deve ser dia 5 de abril, se ele estiver em condições clínicas. O problema é que ele piora a cada dia. Segundo Ramalho, o ministério está procurando anestesistas que queiram trabalhar no HFB.

Matheus
OUTUBRO DE 2010
Família de Matheus deixa o Maranhão e vem para o Rio tratar problema no fígado do menino.

3 DE JANEIRO
Há 83 dias, mãe descobriu que, mesmo com doador, filho não pode operar por falta de anestesistas.

3 DE FEVEREIRO
O DIA começa a cobrar do governo solução. Dia 11, ministro promete que Matheus faria cirurgia com anestesistas voluntários.

23 DE FEVEREIRO
Ministério volta atrás e afirma que voluntários não poderiam esperar Matheus concluir exames necessários.

24 DE MARÇO
O DIA volta a cobrar. No dia seguinte, família recebe a notícia de que o menino pode ser operado em abril.


Andrew
JANEIRO DE 2010
Família descobre que ele precisa de transplante. Mãe iria doar, mas não há anestesistas.

3 DE FEVEREIRO
O DIA cobra. Dia 11, ministro promete que Andrew faria cirurgia com voluntários. Mas o menino contrai pneumonia. Ministério prometeu marcar data assim que ele ficasse bom.

2 DE MARÇO
Bebê fica bom, mas recebe alta, sem data para transplante.

24 DE MARÇO
Andrew passa mal e é internado. O DIA cobra. Cirurgia é marcada para terça-feira



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mais de 1,6 bi de pessoas vivem com até R$ 2 por dia


Estudo mostra que 3 em cada 4 desses pobres, ou 1,3 bi, estão em países de renda média

O número de países pobres no mundo diminuiu nos últimos 20 anos, mas o total de miseráveis entre a população dessas nações continua alta. Uma pesquisa do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) mostra que ao menos 1,6 bilhão de pessoas viviam com menos de R$ 2 (ou menos de US$ 1,25, segundo o valor estimado na pesquisa) por dia ao redor do planeta entre 2007 e 2008.
As moedas foram convertidas pela reportagem do R7 a partir de seus valores nesta terça: US$ 1 equivalendo a R$ 1,66.
O estudo chamado E se Três Quartos dos Pobres do Mundo Viverem em Países de Renda Média? analisou a situação de pobreza no mundo no final da década passada e constatou uma situação bastante diferente da que existia nos anos 1990.
De lá para cá, o número de países considerados pobres diminuiu de 60 para 39.
Foi considerado um país pobre aquele com PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas no país) por pessoa (per capita) inferior a R$ 1.651 (ou US$ 995, no valor do dólar de hoje).
Nessa categoria estão países frágeis, com governos corruptos, em sua maioria, e que convivem com situações de guerras ou conflitos internos – como o Sudão, o Paquistão, entre outros.
Vinte anos atrás, 93% da população miserável estavam nesses países.
Hoje em dia, alguns países se desenvolveram, mas as pessoas continuaram pobres. Em torno de 1,3 bilhão viviam em nações com renda média. Isso representa três em cada quatro (75%) pobres do mundo.
Entram na categoria de renda média nações com PIB per capita de R$ 1.653 (US$ 996) e R$ 20.245 (US$ 12.196).
Outros 370 milhões de pessoas que sobreviviam com menos de R$ 2 por dia estavam nesses 39 países considerados miseráveis – a maior parte deles na África Subsaariana.

Distribuição de renda
Andy Sumner, do Instituto de Estudos sobre Desenvolvimento do CIP-CI (Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo), órgão do PNUD responsável pela pesquisa, diz que a desigualdade ainda persiste, apesar do desenvolvimento da maioria dos países nos últimos 20 anos.
- Uma forma de ver esses dados é que a pobreza está deixando de ser internacional e se tornando um problema de distribuição [de renda] nacional. A tributação e as políticas de redistribuição [de riqueza interna] dos governos estão se tornando mais importantes do que a ajuda oficial ao desenvolvimento.
Para ele, isso mostra que o mundo passou por um “crescimento sem transformação social, econômica ou política”. Em outras palavras, é como dizer que os países cresceram juntos no mesmo bolo global, mas mais de 1 em cada 5 pessoas do planeta ainda vivia na miséria. A população mundial hoje é estimada em 6,8 bilhões.


R7

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Fome diminui no mundo, mas ainda é alarmante em 29 países


SÃO PAULO - A fome ainda é um problema alarmante em 29 países, apesar das melhoras registradas nas condições de alimentação em todo o mundo nos últimos 20 anos, diz estudo do Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares (IFRPRI, na sigla em inglês). O chamado Índice Global da Fome (GHI) calculado pela entidade para 2010 caiu 25% em relação ao patamar visto em 1990, mas permanece em um nível considerado "sério". Já o número de famintos, segundo dados das Nações Unidas, soma 925 milhões em 2010, depois de ter superado 1 bilhão de pessoas em 2009.
Os países com piores indicadores nesse quesito estão no sul da Ásia e na África sub-saariana. Os quatro países com GHI "extremamente alarmante" são africanos: Burundi, Chade, Eritreia e Congo. Nesse subcontinente, fatores como conflitos armados, instabilidade política e ausência do poder público agravam a fome.
No sul da Ásia, por outro lado, houve melhoras, mas a situação das mulheres - fraca em termos sociais, educacionais e nutricionais - piora o quadro de desnutrição das crianças até cinco anos.
Segundo o Instituto, a persistência da fome no mundo está muito ligada à desnutrição infantil, que se concentra em algumas regiões. Mais de 90% das crianças com peso abaixo da média estão na África e na Ásia.
A desnutrição infantil corresponde a quase metade do cálculo do Índice Global da Fome. Outros indicadores contabilizados nessa metodologia são a mortalidade de crianças abaixo de cinco anos e a proporção das pessoas subnutridas em relação à população em geral. A combinação dos três componentes forma o conceito de "fome" considerado pela pesquisa, além de permitir o cálculo do índice para cada país.
Segundo o estudo, o Brasil passou de um índice "moderado" de fome em 1990 para "baixo" em 2010. O Instituto ressalta que o país procura combater a desnutrição infantil (o percentual de crianças abaixo do peso caiu de 37% em 1974-75 para 7% em 2006-07) e se beneficia dos maiores gastos sociais e, mais recentemente, do crescimento econômico.
"De 1996 a 2007, grande parte da melhora na nutrição infantil deveu-se à maior escolaridade materna, maior renda familiar, avanços na saúde materna e infantil, e uma melhor cobertura de abastecimento de água e saneamento", diz o relatório do estudo. O texto cita o Bolsa Família como um "programa de redução da pobreza bem-sucedido", que colaborou para que o nível nutricional das crianças pobres se aproximasse dos das crianças mais ricas.

domingo, 19 de setembro de 2010

Mulheres com dificuldades financeiras se dispõem a comercializar o ventre


No início dos anos 1990, o tema inspirou uma telenovela. Na trama, um casal impossibilitado de ter filhos paga uma jovem para que ela empreste seu útero. A gravidez transcorre sem problemas, mas a gestante, tomada pelo sentimento de maternidade, se nega a entregar a criança após o parto. Começa uma batalha judicial que se estende até o último capítulo. A ficção reproduziu a história de milhares de mulheres no Brasil que não podem realizar o sonho de dar à luz uma criança. No Distrito Federal não é diferente. É cada vez mais comum encontrar alguém disposta a alugar o ventre, — por meio da técnica de fertilização in vitro —, em troca de dinheiro.
Durante uma simples busca em sites de classificados, o Correio identificou 65 anúncios de mulheres que cobram entre R$ 50 mil e R$ 400 mil para passar nove meses carregando um bebê e depois entregá-lo a outra pessoa. A prática é até aceita no Brasil, mas com uma série de restrições. A Resolução nº 1.358/92 (ver Para saber mais), do Conselho Federal de Medicina (CFM), prevê que a gravidez de substituição seja feita apenas entre pessoas com parentesco até segundo grau, desde que não envolva dinheiro. Quem estiver fora desse perfil pode responder criminalmente. O artigo 242, do Código Penal Brasileiro (CPB), prevê punição de até seis anos de reclusão para aquela que “dar parto alheio como próprio ou registrar como seu filho de outrem”.
No entanto, o medo de ir parar atrás das grades parece não assustar aquelas que mantém anúncios na rede mundial. A servidora pública Anita (nome fictício), 33 anos, há um ano, decidiu que compraria sua casa própria com o dinheiro de uma barriga de aluguel. Para chamar a atenção dos interessados, ela elencou seus atributos no anúncio: “Sou alta, branca, sem vícios e 100% saudável. Deixo acompanhar o pré-natal. Garanto sigilo absoluto”, diz o texto, acompanhado de um pseudônimo e o número de um telefone celular.
Ela revelou que cobra R$ 190 mil e sabe que está praticando uma infração. “Sei que posso até ser presa por isso, mas estou decidida a fazer. Não estou me importando com o que os outros pensam, nem tenho medo de me apegar à criança porque desde o primeiro momento vou tratar a gravidez como um negócio”, afirmou a servidora.
Anita diz já ter recebido quatro ligações de casais, mas nenhum fechou o negócio. “Acho que eles têm medo. A última vez, uma mulher me ligou e começou a chorar. Disse que queria muito um filho que todos pensassem que fosse dela, mas tinha medo de ir adiante”, contou.
Já a costureira Adriana (nome fictício), 37 anos, aposta na barriga de aluguel para sanar uma dívida de R$ 40 mil que teve ao entrar num negócio malsucedido. “Estou desesperada. Quero que apareça logo alguém que pague o que estou pedindo (R$ 100 mil). Quero quitar minha dívida e dar uma vida melhor aos meus dois filhos. Essa é a forma mais fácil que encontrei de levantar todo esse dinheiro todo. Só com o salário do trabalho, não dá”, explicou.

Falta legislação
Para o titular da Promotoria de Defesa dos Usuários de Serviços de Saúde (Provida), Diaulas Ribeiro, a falta de uma legislação específica sobre o assunto dificulta uma fiscalização mais rigorosa. Atualmente, está parado na Câmara Federal o Projeto de Lei nº 90, de 1999, que cria regras para os procedimentos de reprodução assistida no Brasil. Um dos parágrafos regulamenta a gestação de substituição, em que uma mulher se submeta a uma inseminação artificial com o objetivo de gerar uma criança para outra mulher que comprovadamente não possa ter filhos. “Esse projeto está parado há muito tempo e já precisa ser reformulado. O que tem regido esta matéria é uma resolução do CFM, mas ela é apenas para controle dos médicos. A falta de uma lei específica leva as pessoas para dois caminhos: a Justiça ou crime. A maioria escolhe a segunda opção”, afirmou Diaulas Ribeiro.
A professora de bioética da Universidade de Brasília (UnB) Déborah Diniz considera o assunto delicado. Segundo ela, a maternidade ocupa um lugar central na vida das mulheres e não é difícil explicar quando alguém resolve adotar a prática da barriga de aluguel. “A mercantilização do corpo é um tema delicado do ponto de vista ético. De um lado, há um mercado perverso, em que quem geralmente vende são mulheres pobres ou vulneráveis à exploração e, de outro, quem compra são mulheres desesperadas por um filho e, regra geral, com problemas de infertilidade involuntária”, ressaltou.
A docente reconhece que não é possível definir qual será o comportamento da mulher que se submete a essa prática. “Pode haver diferentes experiências nesse caso. Mulheres que tratam como um simples negócio. Outras que se arrependem. E as que sofrem. Não há, como em outras práticas e relações sociais, um padrão de comportamento afetivo, social ou psicológico.

Bebês de proveta
A inglesa Louise Brown, foi o primeiro bebê de proveta do mundo e despertou o mercado de fertilização in vitro, que é a técnica em que o óvulo é fecundado em laboratório. Há 30 anos, a chance de uma gravidez dessa natureza vingar era de 5%. Hoje, esse percentual é quase dez vezes maior.

Norma veda o comércio
A Resolução do CFM nº 1.358/92 determina que as técnicas de Reprodução Assistida (RA) têm o papel de auxiliar na resolução dos problemas de infertilidade humana, facilitando o processo de procriação quando outras terapêuticas tenham sido ineficazes ou ineficientes. Elas podem ser utilizadas desde que exista probabilidade efetiva de sucesso e não se incorra em risco grave de saúde para a paciente. A doação nunca terá caráter lucrativa ou comercial.

Saulo Araújo


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Há menos famintos no mundo pela primeira vez em 15 anos, aponta FAO


Pela primeira vez em 15 anos, o número de pessoas com fome no mundo caiu para 925 milhões, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), uma cifra que a entidade mesmo assim considera inadmissível.
O número de famintos no mundo, que no ano passado alcançou a alarmante cifra de 1,023 bilhão, caiu 9,6% em 2010, segundo a FAO, que tem sede em Roma.
"O número de pessoas desnutridas no mundo continua inaceitável, apesar de ter registrado uma queda esperada, a primeira em 15 anos. A queda se explica graças a uma conjuntura econômica favorável em 2010", explicou a FAO.
Para a entidade, contribuiu para a queda a baixa dos preços dos alimentos nos mercados internacionais e nacionais a partir de 2008.
A agência especializada das Nações Unidas considera que a cifra de 925 milhões de pessoas com fome e desnutrição continua sendo muito alta em relação às crises alimentares e econômicas registradas antes de 2008, quando era de 850 milhões.
A maioria das pessoas (98%) que padecem de fome residem em países em desenvolvimento, recordou a FAO.


quarta-feira, 23 de junho de 2010

35% dos brasileiros ainda não se alimentam o suficiente


Dados do IBGE mostram, entretanto, que essa fatia era de 46,7% no levatamento de 2002/2003 e que a fome diminuiu em todas as regiões do País

RIO - A fome zero ainda não é realidade no País, embora o acesso das famílias brasileiras à comida tenha aumentado significativamente em sete anos. Ainda que 35,5% das famílias vivam em situação de "insuficiência da quantidade de alimentos consumidos", segundo a POF 2008/2009, o porcentual é bem inferior ao apurado na pesquisa anterior, referente ao período 2002/2003, quando os alimentos eram insuficientes para 46,7% das famílias consultadas. No Norte, mais de 50% das famílias ainda não comem o que necessitam.
Segundo o levantamento, houve redução da fome em todas as regiões brasileiras. Os destaques ficaram com o Sudeste - onde os alimentos eram insuficientes para 43,4% das famílias em 2003, enquanto em 2009 essa situação baixou para 29,4% - e o Norte (de 63,9% para 51,5%).
Apesar de comerem mais, as famílias brasileiras ainda não conseguem escolher sempre os alimentos consumidos, também mostra a pesquisa. Apenas 35,2% delas consomem sempre os alimentos "do tipo preferido", enquanto 52% nem sempre conseguem comer o que querem. Outras 12,9% das famílias "raramente" consomem o tipo preferido de comida.

Jacqueline Farid, da Agência Estado


Estadão

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Aos dez anos, Cristiano é apresentado ao mundo das letras


O mundo das letras só começou a fazer parte da vida de Cristiano Tavares aos 10 anos. Até então, vivia à parte, sem entender muito bem o que acontecia em sala de aula. Por dois anos seguidos, repetiu o 3° ano, porque não conseguia aprender a ler. O rumo dessa história se tornou diferente depois de uma mudança na vida do menino, que, enfim, foi aceito na escola da cidadania.
A casa nova, a assistência social que começou a receber e a prática de atividades esportivas acabou trazendo melhorias para o desempenho escolar do estudante. No ano passado, conseguiu avançar no processo de alfabetização e conquistou o direito de ir para o 4° ano, na Escola Municipal Albino Souza Cruz, em Manguinhos.
A mudança começou após o menino ter sido flagrado pelo EXTRA nadando numa poça d’água em Manguinhos. A foto do jornalista Fabiano Rocha revelou a necessidade urgente de investimentos na comunidade da Zona Norte.
Um ano depois, os primeiros sinais da transformação vieram com o avanço das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os imóveis construídos numa área insalubre, inclusive o de Cristiano, ao lado de um valão, foram removidos, e os moradores receberam novas casas. Um parque esportivo, com piscinas e quadras, virou a principal opção de lazer. E um computador novo — o equipamento foi doado aos moradores beneficiados pelo projeto — permitiu acesso ao mundo digital. O incentivo do governo trouxe reflexos positivos na sala de aula.

"Agora, o caderno está cheio de dever"
Para a mãe de Cristiano, a auxiliar de serviços gerais Bianca Nascimento, o interesse do filho pela escola aumentou depois que a família deixou de viver num barraco de madeira e se mudou para uma casa com mais estrutura.
— Antes, ele ficava na rua, não queria fazer o dever de casa. Na escola, só fazia bagunça. Mas, no ano passado, Cristiano melhorou muito. A casa nova nos ajudou bastante. Aqui, tranco o portão e ninguém sai. O caderno dele está cheio de dever, vejo que agora ele faz os trabalhos direitinho. Ele ainda não sabe ler, mas está melhorando muito — disse Bianca.
No ano passado, Cristiano conseguiu avanços que lhe permitiram passar para o 4° ano. O estudante aprendeu a escrever seu nome e começou a dominar fonemas mais simples. Para superar o baixo rendimento e os problemas na fala, como a gagueira, a escola o encaminhou para assistentes sociais e fonoaudiólogos da Fiocruz. E, neste ano, o aluno voltou a frequentar aulas de reforço, para que possa acompanhar o ritmo dos seus colegas de turma.

Tia Vera, o incentivo em sala de aula
Se, fora da escola, o motor do aprendizado de Cristiano foi a melhoria das condições sociais, dentro da sala de aula, a responsável foi uma só: a professora Vera Azevedo. Ela identificou as dificuldades do aluno e sugeriu à mãe de Cristiano que buscasse apoio na Fiocruz. A parceria entre Bianca e tia Vera foi um fator importante para que o estudante interrompesse o ciclo de reprovações e passasse para o 4° ano.

Letícia Vieira

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Bullying contra alunos com deficiência

SANTO REMÉDIO A professora Maria de Lourdes falou com toda a turma sobre a deficiência de um colega. Foto: Marina Piedade

A violência moral e física contra estudantes com necessidades especiais é uma realidade velada. Saiba o que fazer para reverter essa situação

Um ou mais alunos xingam, agridem fisicamente ou isolam um colega, além de colocar apelidos grosseiros. Esse tipo de perseguição intencional definitivamente não pode ser encarado só como uma brincadeira natural da faixa etária ou como algo banal, a ser ignorado pelo professor. É muito mais sério do que parece. Trata-se de bullying. A situação se torna ainda mais grave quando o alvo é uma criança ou um jovem com algum tipo de deficiência - que nem sempre têm habilidade física ou emocional para lidar com as agressões.
Tais atitudes costumam ser impulsionadas pela falta de conhecimento sobre as deficiências, sejam elas físicas ou intelectuais, e, em boa parte, pelo preconceito trazido de casa. Em pesquisa recente sobre o tema, realizada com 18 mil estudantes, professores, funcionários e pais, em 501 escolas em todo o Brasil, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) constatou que 96,5% dos entrevistados admitem o preconceito contra pessoas com deficiência. Colocar em prática ações pedagógicas inclusivas para reverter essa estatística e minar comportamentos violentos e intolerantes é responsabilidade de toda a escola.
Quando a professora Maria de Lourdes Neves da Silva, da EMEF Professora Eliza Rachel Macedo de Souza, na capital paulista, recebeu Gabriel**, a reação dos colegas da 1ª série foi excluir o menino - na época com 9 anos de idade - do convívio com a turma. "A fisionomia dele assustava as crianças. Resolvi explicar que o Gabriel sofreu má-formação ainda na barriga da mãe. Falamos sobre isso numa roda de conversa com todos . Eles ficaram curiosos e fizeram perguntas ao colega sobre o cotidiano dele. Depois de tudo esclarecido, os pequenos deixaram de sentir medo", conta. Hoje, com 13 anos, Gabriel continua na escola e estuda na turma da professora Maria do Carmo Fernandes da Silva, que recebe capacitação do Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão (Cefai), da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, e está sempre discutindo a questão com os demais educadores. "A exclusão é uma forma de bullying e deve ser combatida com o trabalho de toda a equipe", afirma. De fato, um bom trabalho para reverter situações de violência passa pela abordagem clara e direta do que é a deficiência. De acordo com a psicóloga Sônia Casarin, diretora do S.O.S. Down - Serviço de Orientação sobre Síndrome de D
own, em São Paulo, é normal os alunos reagirem negativamente diante de uma situação desconhecida. Cabe ao professor estabelecer limites para essas reações e buscar erradicá-las não pela imposição, mas por meio da conscientização e do esclarecimento.
Não se trata de estabelecer vítimas e culpados quando o assunto é o bullying. Isso só reforça uma situação polarizada e não ajuda em nada a resolução dos conflitos. Melhor do que apenas culpar um aluno e vitimizar o outro é desatar os nós da tensão por meio do diálogo. Esse, aliás, deve extrapolar os limites da sala de aula, pois a violência moral nem sempre fica restrita a ela. O Anexo Eustáquio Júnio Matosinhos, ligado à EM Newton Amaral Franco, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, encontrou no diálogo coletivo a solução para uma situação provocada por pais de alunos. Este ano, a escola recebeu uma criança de 4 anos com deficiência intelectual e os pais dos coleguinhas de turma foram até a Secretaria de Educação pedir que o menino fosse transferido. A vice-diretora, Leila Dóris Pires, conta que a solução foi fazer uma reunião com todos eles. "Convidamos o diretor de inclusão da secretaria e um ativista social cadeirante para discutir a questão com esses pais. Muitos nem sabiam o que era esse conceito. A atitude deles foi motivada por total falta de informação e, depois da reunião, a postura mudou."

Seis soluções práticas
- Conversar sobre a deficiência do aluno com todos na presença dele.
- Adaptar a rotina para facilitar a aprendizagem sempre que necessário.
- Chamar os pais e a comunidade para falar de bullying e inclusão.
- Exibir filmes e adotar livros em que personagens com deficiência vivenciam contextos positivos.
- Focar as habilidades e capacidades de aprendizagem do estudante para integrá-lo à turma.
- Elaborar com a escola um projeto de ação e prevenção contra o bullying.


"Passei a adiantar para o José, em cada aula, o conteúdo que seria ensinado na seguinte. Assim, ele descobria antes o que iria aprender."
Maria Aparecida de Sousa Silva Sá, professora do CAIC EMEIEF Antônio Tabosa Rodrigues, em Cajazeiras, PB. Foto: Leonardo
Silva

Antecipar o que vai ser estudado dá mais segurança ao aluno
No CAIC EMEIEF Antônio Tabosa Rodrigues, em Cajazeiras, a 460 quilômetros de João Pessoa, a solução para vencer o bullying foi investir, sobretudo, na aprendizagem. Ao receber José, um garoto de 12 anos com necessidades educacionais especiais, a professora Maria Aparecida de Sousa Silva Sá passou a conviver com a hostilidade crescente da turma de 6ª série contra ele. "Chamavam o José de doido, o empurravam e o machucavam. Como ele era apegado à rotina, mentiam para ele, dizendo que a aula acabaria mais cedo. Isso o desestabilizava e o fazia chorar", lembra. Percebendo que era importante para o garoto saber como o dia seria encaminhado, a professora Maria Aparecida resolveu mudar: "Passei a adiantar para o José, em cada aula, o conteúdo que seria ensinado na seguinte. Assim, ele descobria antes o que iria aprender".
Nas aulas seguintes, o aluno, que sempre foi quieto, começou a participar ativamente. Ao notar que ele era capaz de aprender, a turma passou a respeitá-lo. "Fiquei emocionada quando os garotos que o excluíam começaram a chamá-lo para fazer trabalhos em grupo", conta. Depois da intervenção, as agressões cessaram. "O caminho é focar as habilidades e a capacidade de aprender. Quando o aluno participa das aulas e das atividades, exercitando seu papel de aprendiz e contribuindo com o grupo, naturalmente ele é valorizado pela turma. E o bullying, quando não cessa, se reduz drasticamente", analisa Silvana Drago, responsável pela Diretoria de Orientação Técnica - Educação Especial, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
Samara Oliboni, psicóloga e autora de tese de mestrado sobre bullying, diz que é preciso pensar a questão de forma integrada. "O professor deve analisar o meio em que a criança vive, refletir se o projeto pedagógico da escola é inclusivo e repensar até seu próprio comportamento para checar se ele não reforça o preconceito e, consequentemente, o bullying. Se ele olha a criança pelo viés da incapacidade, como pode querer que os alunos ajam de outra forma?", reflete. A violência começa em tirar do aluno com deficiência o direito de ser um participante do processo de aprendizagem. É tarefa dos educadores oferecer um ambiente propício para que todos, especialmente para os que têm deficiência, se desenvolvam. Com respeito e harmonia.

** Os nomes dos alunos foram trocados para preservar a identidade

Ana Rita Martins


Nova Escola

segunda-feira, 15 de março de 2010

Aparelho permite a cego 'enxergar com a língua'



Um equipamento pioneiro, desenvolvido nos Estados Unidos, promete ajudar pessoas cegas a ler com a língua.

O aparelho consiste em uma câmera acoplada a óculos especiais, que manda sinais de luz para uma placa de eletrodos introduzida na boca. Esta placa dá pequenos choques formando uma "imagem" sobre a língua.
Segundo os cientistas da Universidade de Pittsburgh, o equipamento funciona melhor com pessoas que já tiveram a visão normal antes. Por isso, um dos primeiros voluntários é um ex-soldado britânico que ficou cego após um ataque no Iraque.
O novo aparelho poderá custar mais de US$ 15 mil.


BBC Brasil

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

HAITI, BRASIL E A CATÁSTROFE HUMANITÁRIA.


Nem é preciso falar das gravíssimas ocorrências do início deste ano aqui no Brasil e no Haiti. No inferno sob as águas que algumas de nossas cidades se transformaram até a desolação total e o cenário de guerra em que o Haiti se encontra, temos em comum apenas a solidariedade do povo.
Por isso venho pedir a vocês leitores do Visão Panorâmica que façam doações para as vítimas brasileiras e haitianas através da Cruz Vermelha Brasileira. Uma entidade das mais sérias e que está ao lado do ser humano em suas piores horas.

Para o Haiti você pode doar aqui:
Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) – doações só em dinheiro devido a dificuldade de deslocamento de donativos. Tudo o que for possível comprar será feito com o dinheiro enviado internacionalmente para as unidades da Cruz Vermelha em serviço lá.

Credite qualquer valor (mesmo um simples real) na conta:
Nome: Comitê Internacional da Cruz Vermelha
Banco: HSBC – Agência: 1276 – CC: 14526-84 – CNPJ: 04359688/0001-51

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Doações e ajuda de qualquer tipo para socorro e reconstrução de São Luiz do Paraitinga.

Doe aqui:
A cidade de São Luís do Paraitinga, a 182 km da capital paulista, enfrenta a maior tragédia de sua história devido às enchentes que ocorreram na região e deixaram mais de 4 mil pessoas desabrigadas e desalojadas. A Cruz Vermelha Brasileira – Filial do Estado de São Paulo mobiliza-se em uma Campanha de Ajuda Humanitária que prioriza o envio de voluntários e donativos aos afetados no local. As prioridades de doações no momento são alimentos de fácil preparação e consumo, leite longa vida, itens de higiene, limpeza e materiais de Primeiros Socorros. Doações em dinheiro podem ser feitas através do banco Itaú, número 341, agência 6480, conta corrente 06310-3. Nosso CNPJ é 07.127.753/0001-01. Para a entrega e distribuição das doações contamos com as Filiais Municipais de Jacareí e São José dos Campos. Estão presentes em São Luiz do Paraitinga 15 voluntários a fim de prestar auxílio à Defesa Civil em relação a coordenação de voluntários, abrigos e pré-atendimento hospitalar para às vítimas. A Cruz Vermelha é uma instituição sem fins lucrativos que está presente em 185 países e tem como missão atenuar o sofrimento humano com toda a imparcialidade, sem distinção de raça, religião, nacionalidade, nível social e opinião política. A Cruz Vermelha de São Paulo conta com voluntários de todas as idades e diversificadas formações como: bombeiros, médicos, socorristas, enfermeiros, administradores, professores, etc.

Um abraço a todos.

A. Maximus
BLOG VISÃO PANORÂMICA
http://www.visaopanoramica.com/

sábado, 2 de janeiro de 2010

Nova Escola de Pais


Iniciativa da Câmara Municipal
O concelho de Alfândega da Fé vai dispor te uma “Escola de Pais” cujo principal objectivo é formar pais emocionalmente competentes. O projecto partiu da iniciativa da Câmara Municipal que, deste modo, pretende dar resposta a famílias com crianças com necessidades especiais, mas também a outras famílias e profissionais que lidam de perto com pessoas que têm algumas incapacidades. Neste concelho estão identificadas cerca de 60 pessoas com necessidades especiais. A Escola de Pais de Alfândega da Fé vai começar a funcionar no próximo mês de Fevereiro nas instalações da Biblioteca Municipal. Todos os interessados podem formalizar a inscrição junto deste serviço municipal. Os cursos têm duração de 30 a 50 horas, distribuídas por duas a três horas, uma vez por semana, num horário a decidir pelos formandos. A formação está aberta à participação de todos os pais, educadores e outros técnicos interessados em adquirir e melhorar as competências para lidar com crianças, especialmente crianças com necessidades especiais. Esta será uma forma de suprir algumas das dificuldades sentidas pelos pais, que vão encontrar neste serviço um local de troca de experiências e vivências e, sobretudo, de aprendizagem. O serviço da escola permitirá que os pais possam deixar os filhos ao cuidado de voluntários, durante o tempo que decorrem as acções de formação. Neste espaço, as próprias crianças vão poder desenvolver diversas actividades lúdico-educativas.

Portugal

Mensageiro Notícias

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Uma escola sem barreiras: espaços adaptados para alunos com deficiência


Com criatividade o envolvimento da equipe, medidas simples podem facilitar o acesso e a inclusão de todos

Quando a Educação começou a se massificar no Brasil, na primeira metade do século 20, crianças com deficiência ainda eram tratadas como caso de saúde. Estavam fora das escolas, que foram construídas sem que se levassem em consideração as necessidades especiais que elas pudessem ter. A transformação do espaço físico, portanto, é um dos desafios a superar neste momento, em que todos os que têm deficiência devem estar matriculados na rede de ensino regular.
Adequar apenas a escola, porém, não basta. As mudanças necessárias são maiores do que a instalação de rampas, elevadores e banheiros adaptados. Elas precisam chegar à sala de aula, onde muitas vezes atitudes são mais bem-vindas do que grandes reformas. Na EM Coronel Epifânio Mendes Mourão, em São Gonçalo do Pará, a 118 quilômetros de Belo Horizonte, a professora Amanda Rafaela Silva procurou a direção e a coordenação pedagógica quando soube que receberia João Vitor Silva, 7 anos, com deficiência múltipla, em sua turma de Educação Infantil.
"Transferimos a turma para uma sala maior porque o João Vitor se locomove em cadeira de rodas, e passei a organizar a classe em grupos, dois de cinco e dois de seis, para abrir mais espaço para a circulação dele", explica Amanda. "Além disso, em grupos também podemos desenvolver diversas atividades." A psicopedagoga Daniela Alonso, consultora da área de inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10, aprova a iniciativa da professora. "A reorganização do espaço físico é a função inicial da escola e pequenas mudanças podem garantir a acessibilidade da criança às aulas."
João Vitor é o único com necessidades educacionais especiais nessa escola, que não se limitou a rever o espaço. Uma das providências tomadas foi colocar uma monitora para acompanhar o garoto. "Isso facilita muito o trabalho da professora Amanda, que pode se dedicar igualmente aos demais membros da turma", afirma Sonia Aparecida do Amaral Silva, mãe de João Vitor. "Ele foi muito bem recebido pela escola, que adapta tudo às suas necessidades."
Muitos dos conteúdos são relacionados à linguagem oral e escrita e, nessa fase, aprender a redigir o próprio nome e reconhecer o dos colegas é fundamental. Para isso, a turma trabalha a escrita com letras móveis e incentiva a leitura de crachás. Eu coloco os pequenos sentados no chão, em círculo, em volta dos crachás. "Cada um vai até o meio da roda e pega o seu", descreve Amanda. "Assim eles aprendem a reconhecer o próprio nome e o dos colegas." João Vitor também vai para a roda, apoiado pela professora monitora, Maria Helenita de Faria.
Quando os colegas estão trabalhando com as letras móveis, a alternativa encontrada para João Vitor, que tem baixa visão, é o uso de letras feitas de borracha em tamanho ampliado. Maria Helenita ajuda o garoto a reconhecer, pelo tato, o formato da primeira letra de seu nome. "Como ele não desenvolveu a linguagem oral, o fato de manusear a letra e mostrá-la é uma maneira de participar do conteúdo proposto pela professora", analisa Daniela. "Utilizar a percepção tátil com a ajuda da monitora é uma forma de reconhecer as competências do menino e pode ser um estímulo para novas aquisições." Daniela também elogia a designação da professora monitora. "O quadro docente foi reorganizado para atender a uma necessidade específica. É importante que as duas participem de reuniões periódicas, integrando o trabalho com especialistas da Educação Especial", aconselha.
"A professora Amanda é muito dedicada e aceitou meu filho como um desafio no trabalho dela. Sei que o João Vitor tem dificuldades, mas só o fato de ele participar dessa rotina já é ótimo. Acho que ele queria frequentar a escola havia muito tempo e eu não tinha percebido", diz a mãe, Sonia.

Arremessos pelo som
Em Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo, a EMEF Antônio Fenólio trabalha com 25 incluídos em salas regulares. A unidade, que desde 2002 mantém uma sala de recursos, também conta com o apoio de uma equipe preparada para dar suporte pedagógico aos professores e orientações aos jovens no contraturno. Ali, algumas flexibilizações de espaço foram feitas pelo professor Anderson Martins para permitir a participação de quem tem deficiência visual nas aulas de Educação Física.
Martins leciona há mais de cinco anos para turmas das quais fazem parte alunos com necessidades educacionais especiais. Entre eles estão alguns adolescentes cegos. Para que todos pudessem participar de uma disputa de arremessos de basquete, ele fez adaptações na quadra de esportes da escola. "Pesquisei maneiras de adaptar o espaço", explica Martins. "O primeiro objetivo era permitir que os jovens pudessem identificar a área do arremesso."
Para isso, ele providenciou um tapete que foi colocado na área do garrafão. Assim, os que apresentam deficiência visual sabem, com a identificação de um piso com textura diferenciada, o local de onde arremessar a bola. No início, os que não se sentiam seguros eram acompanhados por um colega até o local. O passo seguinte foi facilitar a localização da cesta. "A única maneira era acrescentar um sinal sonoro à tabela", explica Martins. "Com um bastão, eu bato no aro e o som ajuda na orientação. Na hora do arremesso, os colegas ajudam avisando quando é necessário colocar mais força ou mirar melhor. Após algumas tentativas, eles conseguem acertar a jogada", diz.
Para Daniela Alonso, Martins acertou ao flexibilizar o espaço e os recursos. "Essa proposta mostra como é possível garantir a participação, o respeito à diversidade e a consideração das necessidades individuais", analisa. De acordo com a consultora, o professor deve planejar, mas também contemplar ajustes sugeridos pelos alunos. Assim, o próprio estudante com deficiência pode indicar suas necessidades. "É importante salientar que as práticas f lexibilizadas podem ser momentos de aprendizagem para todos. Aqueles que participam das estratégias diferenciadas também têm a oportunidade de reforçar ou desenvolver novas habilidades", destaca Daniela.
Apesar da dificuldade de encestar a bola, a aluna Tainara Monteiro Maria, 13 anos, conta que se diverte durante a atividade. Aluna da 6ª série, ela tem baixa visão (enxerga sombras). "A maioria dos meus arremessos bate no aro e não entra, mas eu acertei uma vez", conta, comemorando. "É difícil acertar. Muitos dos meus colegas que enxergam também não conseguem." Renato Barbosa de Almeida, 14 anos, que cursa a 7ª série e também tem deficiência visual, aprova o jogo. "Eu gosto de Educação Física, principalmente quando tem futebol e basquete. Com o tapete e o bastão na aula de arremesso, eu também participo."
Além das propostas diversificadas, também podem fazer parte das aulas de Educação Física, nos conteúdos correspondentes, o estudo e o conhecimento de práticas específicas para deficientes. "Um bom exemplo é o reconhecimento das modalidades paraolímpicas, que crescem no Brasil", sugere Daniela.

Momento da roda
Em Ananindeua, na região metropolitana de Belém, o Centro Educacional Sesc Ananindeua trabalha com inclusão desde 1995 e, atualmente, conta com dez crianças com deficiência em salas regulares. Na Educação Infantil, está Glenda de Moraes de Magalhães, 5 anos, que não anda e tem comprometimento motor.
Para que ela pudesse participar das várias atividades, a professora Andreza Roseane da Silva Gomes fez algumas adaptações no espaço. No momento da roda, por exemplo, quando a meninada se senta no chão, ela forma o círculo próximo da parede. Assim, com o uso de almofadas e travesseiros, Glenda pode ficar encostada e junto aos colegas. Nesse momento, a professora trabalha com fichas em que o nome dos pequenos é escrito. "Cada um pega a sua e coloca no quadro de chamada. Para que Glenda possa fazer isso como os demais, coloquei o quadro mais próximo ao chão. Ela se arrasta e dá conta da tarefa", conta Andreza. O objetivo da atividade é criar uma relação de identidade com os nomes. Em roda, a garotada conversa, ouve histórias, canta e trabalha sequências numéricas.
Outra adequação foi feita nas atividades diversificadas (ou cantos). Em geral, os pequenos trocam de mesa para realizar todas as propostas. Com a flexibilização adotada por Andreza, eles permanecem nos grupos e os diversos materiais percorrem as mesas. "Assim a Glenda não precisa se locomover e pode participar também." Nas atividades diversificadas, são trabalhados ao mesmo tempo jogos educativos, como quebra-cabeça, dominó e jogo da memória, leitura de histórias, desenho etc.
Segundo Liliane Garcez, coordenadora da área de Educação e do Serviço de Apoio à Inclusão Escolar da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), em São Paulo, as atividades flexibilizadas evidenciam o ganho que a inclusão proporciona. "Os exemplos revelam quanto todos podem se beneficiar com a inclusão escolar se tiverem uma postura aberta e ética, já que ela pressupõe o respeito e a valorização das diferenças", analisa Liliane.



Nova Escola

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Atendimento para crianças autistas


Rio - Crianças autistas terão, a partir de hoje, um centro municipal com tratamento multidisciplinar para o problema. A unidade, que será oficialmente inaugurada hoje, já tem 30 pacientes e deverá dobrar a sua capacidade até o fim do ano, segundo o secretário municipal da Pessoa com Deficiência, Márcio Pacheco.
“O objetivo do centro, que terá desde atividades lúdicas à fisioterapia, é desenvolver na criança autista a capacidade de aprendizagem. Queremos preparar este paciente para que tenha melhor desenvolvimento na escola. Essas crianças podem competir no mercado de trabalho e esse é um dos nossos objetivos”, diz.
Segundo Pacheco, o centro, que conta com brinquedoteca e computadores, tem como diferencial o acompanhamento dos pais e familiares dos pacientes. “Esse atendimento é fundamental porque vamos poder trabalhar o relacionamento dos pais com seus filhos. Com um relacionamento em casa melhor, essas crianças terão mais facilidade para se relacionar com outras pessoas.”
Segundo a neuropediatra Eliana Silva, diretora do centro, o diagnóstico do transtorno ocorre quando a criança tem cerca de 3 anos. “Os bebês autistas geralmente são mais quietos, choram pouco. As crianças evitam brincadeiras com outros colegas. Os movimentos repetitivos, principalmente das mãos, também são frequentes”, relata a médica.
Os pais de crianças com o transtorno podem buscar auxílio e esclarecimentos no próprio centro, que fica na Avenida Presidente Vargas 1.997, 1º andar, ou pelo telefone: (21) 2242-7700.
CARACTERÍSTICAS DO TRANSTORNO
Estima-se que a prevalência do autismo seja de um para cada mil nascidos, sendo quatro vezes mais frequentes nos meninos do que nas meninas.
Um dos mais famosos autistas é Kim Peek, imortalizado por Dustin Hoffman no filme ‘Rain Man’. Ele memorizou mais de 12 mil livros.
Os sintomas podem variar de acordo com a idade. Os mais frequentes são a dificuldade de fazer amigos, resistência a mudanças de rotina e repetição de palavras e movimentos.
Não existe um exame capaz de identificar o transtorno. O diagnóstico é clínico.



quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Número de famintos no mundo passa de 1 bilhão


Londres, 16 set (EFE).- O Programa Mundial de Alimentos (PMA) informou nesta quarta-feira que, pela primeira vez, o número de pessoas com fome no mundo passou de um bilhão.
Em entrevista coletiva em Londres, a diretora do PMA, Josette Sheeran, disse que o planeta atualmente tem 1,020 bilhão de famintos. Já o fluxo da ajuda humanitária é o menor da história, destacou a funcionária.
"Este ano, temos mais famintos que nunca", afirmou Sheeran, que fez questão de lembrar que "muitas pessoas acordam e não têm nada para comer".
Segundo a diretora do PMA, essa situação, além de ser uma "receita para o desastre", é "crítica para a paz, a segurança e a estabilidade em muitos lugares do mundo".
A vulnerabilidade de muitas pessoas, acrescentou Sheeran, foi agravada por "duas tempestades que coincidiram e estão superando" os efeitos da crise financeira internacional e do encarecimento dos alimentos.


A diretora do PMA aproveitou a ocasião para fazer um "apelo urgente" ao G8 (os sete países mais industrializados e a Rússia) e ao G20 (os países mais ricos e as principais nações emergentes) para que ajudem a resolver um problema que requer mais que "soluções de longo prazo".
"Com a Assembleia Geral das Nações Unidas e a cúpula do G20 em Pittsburgh (Pensilvânia, EUA) já para acontecer, os líderes mundiais têm a oportunidade ideal de colocar a fome no mapa", destacou o PMA num comunicado.
Sheeran anunciou ainda que o Programa Mundial de Alimentos enfrenta "um grave déficit fiscal". Segundo ela, este ano o PMA só recebeu US$ 2,6 bilhões dos US$ 6,7 bilhões necessários para distribuir alimentos a 108 milhões de pessoas em 74 países.
A funcionária também disse que, com "menos de 1%" das injeções feitas pelos Governos para salvar o sistema financeiro internacional, seria possível acabar com a fome de milhões de pessoas.



Agencia EFE

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Casal de negros tem três filhos albinos


Rosemere Fernandes de Andrade, moradora de uma favela em Olinda (PE), é mãe de cinco filhos e tem dificuldades para cuidar de três deles, que são albinos

O drama de um casal brasileiro negro que tem três filhos albinos está chamando a atenção da imprensa britânica. Nesta semana, vários jornais publicaram reportagens sobre a história de Rosemere Fernandes de Andrade e do marido, identificado apenas como João, que têm dificuldades para criar os filhos pois eles precisam de cuidados especiais. O Jornal do Commercio tratou do assunto na edição de 29 de agosto.
De acordo com o Telegraph, Rosemere mora em uma favela de Olinda, em Pernambuco. Ela tem cinco filhos, sendo que três deles – Ruth Caroline, de dez anos, Esthefany Caroline, de oito, e Kauan, de cinco – são albinos. A mãe contou que o casal não tem conseguido comprar as roupas necessárias para os três filhos e nem o protetor solar que utilizam, pois são muito caros. “Tenho medo que eles tenham câncer de pele, porque não consigo comprar a proteção que eles precisam”. Além disso, conta Rosemere, seus três filhos albinos sofrem com preconceito na escola e constrangimentos, pois é comum as pessoas não acreditarem que ela é mãe das crianças. Valdir Balbino, professor de genética da Universidade Federal de Pernambuco, disse que o caso é extremamente raro, especialmente porque os pais e duas outras crianças são negros. Segundo Balbino, o pai e a mãe precisam ter o gene do albinismo. Se isso ocorrer, a chance de o filho ser albino é de apenas 25%. Com Rosemere e João, isso ocorreu três vezes.

Veja também:
http://anjoseguerreiros.blogspot.com/2009/08/projeto-de-lei-beneficia-albinos.html


Revista Época

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

ONGs querem EIA-Rima para liberação da Ponte Mário Covas


A cena se repete a mais de 20 anos. Mas só é possível percebê-la durante a noite.
Eles vão chegando aos poucos pelas bordas. Uns, se arrastando, outros, aos saltos,ao som do coachar serelepe da rã que escapa do jacaré-do–papo-amarelo que a espreita.
O rito se prolonga pela noite inteira, em meio a calmaria que assombra o transeunte solitário com tamanha paz e segurança.
É assim que se sentem capivaras, antas, sucuris, lobos guarás,tamanduás e catetos.
Sob a vigilância da coruja atenta para o esturro da onça, por entre as croas de matas e varjões,eles adentram pelas margens do paranazão e rio verde amigos.
Todas as noite eles se refestelam na areia, pelas curvas da estrada solitária,paraíso dos livres em um santuário de meu Deus.
É assim por todos os 22.886 hectares da Reserva Cisalpina, no município de Brasilândia, no Mato Grosso do Sul,onde a natureza está protegida pelos braços da Cesp e a consciência de outros, ainda que poucos, engajados cidadãos.
Mas a alegria dura só até as 6 horas da manhã. Horário paulista.
Porque a partir da aurora, com a chegada da balsa de Paulicéia-SP,
a paz animal sossega e é hora de bater em retirada, tal qual o tuiuiú majestoso que disputa com a garça andeja a linha do horizonte, para o fundão dos pantanais.
O fluxo de veículos que cruza a Rodovia Luigi Cantone, antiga MS-040, hoje BR 158, agora, é de hora em hora,e os animais retardatários, que espreguiçam-se mais demoradamente no leito da estrada,estes, já estão até acostumados com o tilindar das pedras no casco dos veículos,batendo firme no chão essa hora, que transforma aos pouco o ambiente de paz, no terror de suas vidas.

Não, filhinho, não atravesse a pista. A estrada deixou de ser segura....

Mais informações:
http://institutocisalpina.vilabol.uol.com.br/


Carlos Alberto dos Santos Dutra
RG nº 080054400597 SSP/RS
Diretor Presidente do Instituto Cisalpina

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Unicef suspende ajuda a crianças na Somália


Agência da ONU forçada a adiar envio de ajuda humanitária para milhares de crianças devido à insegurança em várias regiões do centro-sul do país; medicamentos destinavam-se à prevenção e tratamento de malnutrição aguda.
O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, disse ter adiado o envio de centenas de toneladas de medicamentos e outros bens humanitários para áreas no centro e sul da Somália devido à crescente hostilidade em relação a organizações de auxílio.
Uma nota do órgão divulgada esta quinta-feira indica que os suplementos nutricionais destinavam-se à prevenção e tratamento de malnutrição aguda em mais de 85 mil crianças.

Emergência
A distribuição de redes mosquiteiras anti-malária para mais de 100 mil mulheres e crianças foi também afectada.
A agência da ONU informou que continuará a fornecer ajuda de emergência em regiões mais seguras.
A representante do Unicef na Somália, Rozanne Chorlton, disse que o órgão necessita de garantias das autoridades locais de que pode continuar a implementar os seus programas de auxílio.
O principal centro de operações da agência para o centro-sul do país, na cidade de Jowar, foi atacado em Maio último. Grandes quantidades de bens humanitários e equipamentos de comunicação foram roubados ou destruídos durante o assalto.

Vacinas
A nota diz ainda existirem notícias de que fornecimentos de emergência do órgão que estavam armazenados num edifício de uma ONG parceira em Jammane, na região do Baixo Juba, centro do país, foram também roubados no início deste mês.
O Unicef fornece vacinas e outros medicamentos essenciais para a saúde materna e infantil a mais de 1,2 milhão de crianças com menos de cinco anos e 1,4 milhão de mulheres no centro-sul da Somália.



Rádio ONU

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Voo em que adolescente morreu tinha menino diagnosticado com gripe suína


SÃO PAULO - Um menino que foi diagnosticado com gripe suína estava no mesmo voo da Copa Airlines em que Jaqueline Ruas, de 15 anos, morreu durante viagem entre o Panamá e o Brasil, na madrugada de domingo. O menino fazia parte do grupo da adolescente e a doença foi constatada no Celebration Hospital, na Florida, o mesmo onde Jaqueline foi examinada. O garoto foi medicado e teve autorização para embarcar. Após ser examinada e fazer um teste rápido para constatar gripe, os médicos do Celebration Hospital disseram que Jaqueline estava com uma pneumonia leve. Embora não tenham constatado a gripe H1N1 (gripe suína), eles recomendaram que caso ela sentisse cansaço, deveria retornar ao hospital, o que não aconteceu.
A polícia vai apurar se houve negligência . Novos exames foram feitos e o laudo deve sair em 30 dias .
No Panamá, durante uma conexão da viagem de volta da Disney, Jaqueline reclamou de cansaço e entrou no avião de cadeira de rodas. Uma das monitoras da viagem a deixou embarcar, mesmo contrariando a orientação dos médicos.
O diretor da empresa que organizou a viagem, a Tia Augusta Turismo, Luiz Felipe Albuquerque, não soube explicar porque a monitora permitiu que a menina embarcasse. Ele disse que vai pedir ao Ministério da Saúde para que o hospital da Flórida explique os procedimentos médicos adotados em relação a Jaqueline e por que os médicos a liberaram para a viagem, mesmo sabendo que ela era suspeita de estar com a gripe suína. Albuquerque negou que a organização tenha sido negligente na morte da menina. Ele afirmou que, antes de ser levada ao hospital, a menina foi atendida por dois médicos do convênio da agência na Flórida.
Leia também: Adolescente pode ter tido embolia, diz médico
O diretor de Portos e Fronteiras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), José Agenor Álvares, disse que se Jacqueline estivesse no Brasil, dificilmente o governo brasileiro deixaria que ela embarcasse em um voo internacional. Ele não quis responsabilizar o governo americano porque, segundo ele, as informações que teve até o momento indicam que o país seguiu o protocolo estabelecido para enfrentar a gripe suína. Todos os passageiros do voo estão sendo monitorados, disse o diretor da Anvisa.
- No nosso caso, há poucas chances da gente deixar embarcar - disse Agenor, lembrando que já houve casos de passageiros impedidos pela Anvisa de entrarem em voos.
O diretor explicou que, no Brasil, a orientação é para que o paciente com suspeita do novo vírus seja medicado e tratado dentro do país. Agenor disse ter sido informado que o teste realizado na jovem nos EUA era um teste rápido. Segundo ele, cerca de 50% dos resultados negativos deste tipo de teste são falso-negativo. O governo brasileiro não descarta nenhuma possibilidade, inclusive a de a moça ter morrido em decorrência da gripe suína.
Um vídeo feito por ela durante a viagem, mostra a garota aparentemente bem, sorridente e mandando beijos para a tia e um amigo no Brasil. (Jornal Hoje: veja o vídeo feito pela menina)
Médico diz que ela pode ter morrido enquanto dormia
A adolescente pode ter morrido enquanto dormia e já estava morta ao ser atendida dentro do avião da Copa Airlines, na viagem de volta da Disney, nos Estados Unidos, segundo o médico Aníbal Fenelon Junior. Primeiro a chegar até a poltrona da menina, depois do pedido de ajuda da tripulação do avião da Copa Airlines, o médico disse que a adolescente estava inerte, fria e não respondia a estímulos.
O corpo de Jacqueline foi enterrado no Cemitério das Lágrimas, em São Caetano do Sul, no ABC paulista, na manhã desta segunda-feira. A mãe da adolescente desmaiou no enterro da filha e foi levada para um hospital em companhia do marido.
- Ela estava sem pulso, sem batimento, com a cabeça pendida - contou o oftalmologista.
Fenelon Junior explicou que a menina não chegou a pedir ajuda e que a morte pode ter ocorrido bem antes do pedido de socorro.
- Ela tinha uma secreção na boca, que escorreu para a blusa e que já estava consistente. Não dá para dizer que seja vômito, mas estava lá há mais tempo. A morte ocorreu de madrugada, enquando as pessoas dormiam. A adolescente que estava com ela (Jacqueline) na fileira só percebeu quando começou a movimentação para o café da manhã - afirmou o médico.
Fenelon Junior afirmou que nada mais poderia ser feito no momento em que a aeromoça pediu ajuda de passageiros com conhecimento de primeiros-socorros.
- Se ela ainda estivesse mais quente, se tivesse acabado de ocorrer o mal-estar, talvez houvesse alguma chance de reverter o quadro. Naquele momento, nada mais poderia ser feito - afirmou o médico.
Segundo Fenelon Junior, logo após essa primeira constatação, ele e outro médico, o cirurgião Irineu Rasera Junior, colocaram a menina deitada no chão da aeronave, onde foi feita massagem cardíaca.
- Era o único procedimento possível naquele momento. Como não surtia efeito, os demais adolescentes, que acompanhavam a vítima na excursão, começaram a ficar desesperados, a chorar, e achamos melhor levar a Jacqueline para o fundo da aeronave. Ali, continuamos com as massagens, mas sem resultados. Pedimos uma lanterna à tripulação e constatamos que ela já estava com a pupila dilatada - afirmou o médico.
De acordo com a secretaria de Segurança Pública de São Paulo, caberá à Polícia Federal todas as investigações sobre o caso. O médico disse que soube, pela guia da excursão, que a menina passou por dois médicos nos Estados Unidos, e que teve um exame para o vírus influenza negativo.
- A guia confirmou que ela estava com pneumonia, o que leva a supor que houve um processo infeccioso que levou ao choque séptico - contou o médico.
Fenelon Junior diz que apenas exames laboratoriais vão poder indicar se o quadro foi provocado por uma infecção bacteriana ou por uma virose. Os exames foram realizados no Instituto Médico Legal de Guarulhos, na Grande São Paulo.
O médico voltava de Punta Caña, na República Dominicana, para o Brasil e, durante uma conexão, na Cidade do Panamá, pegou o mesmo voo que a excursão de Jacqueline, que voltava de uma viagem a Orlando, na Flórida. Ele explicou ainda que a morte foi confirmada por volta de 5h, depois que todos os procedimentos de reanimação foram feitos. O avião pousou cerca de uma hora depois. Segundo Fenelon Junior, a tripulação conseguiu acalmar os passageiros e, apesar da comoção, o restante da viagem ocorreu sem tumultos. Garota pode ter sofrido embolia, diz médico
O médico Marcos Antonio Cyrilo, do Hospital Santa Catarina, afirmou que pacientes com pneumonia, como Jacqueline Ruas, não devem fazer viagens longas de avião por causa do risco de embolia pulmonar.
- Uma viagem longa de avião pode favorecer o aparecimento de coágulos de sangue, que se desprendem dos membros e podem chegar ao pulmão. Uma infecção também pode estar relacionada com a formação de coágulos. Essa jovem tinha dois grandes fatores de risco para um quadro de morte súbita - afirmou o médico.
De acordo com ele, a indicação para pacientes com pneumonia, mesmo medicados, é não fazer longas viagens de avião. Mas, segundo Cyrillo, tudo depende das condições do paciente.
- São as condições do paciente, e não as condições do avião, que determinam se ele pode ou não viajar.
O médico explicou ainda que os remédios encontrados na mala de Jacquline eram antivirais, anti-inflamatórios e antimicrobianos, todos usados no tratamento de problemas respiratórios



O Globo

sábado, 1 de agosto de 2009

Pônei guia


A islamita Mona Ramouni, uma muçulmana de 28 anos, trabalha como revisora de textos em braile. Ela se vale de um pônei como guia - Mona é deficiente visual. Por que não utiliza um cão? Em seu país, a saliva de cachorro é considerada impura.



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