Criança do Iêmen se refugia em campo improvisado na capital da Somália, Mogadíscio - FEISAL OMAR / REUTE
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Pedidos de asilos aumentam quase 80%. Mais de quatro mil pessoas foram forçadas a fugir de seus países por dia
RIO — O número de refugiados em todo o mundo ultrapassou 20 milhões de pessoas, de acordo com relatório divulgado nesta sexta-feira pela agência de refugiados da ONU, que adverte para “níveis assombrosos de sofrimento humano” em países em conflito. Segundo o documento, que reúne dados de janeiro a junho de 2015, mais de quatro mil pessoas foram forçadas a fugir de seus países por dia nesse período. E o número de pedidos de asilo saltou quase 80%. A guerra na Síria — que completa cinco anos em março do próximo ano — continua sendo o motivo do maior fluxo de novos refugiados e deslocados internos em massa.
Considerando outras populações de refugiados e de deslocados internos sob o mandato de outras agências humanitárias, as estatísticas indicam que o ano de 2015 ultrapassará a marca dos 60 milhões de pessoas forçadas a deixar seus locais de origem devido a guerras, conflitos e perseguições.
O relatório do Alto Comissariado da ONU para Refugiados revela crescimentos nas três principais categorias de deslocamento, que deverão bater recorde em 2015: refugiados, solicitantes de refúgio e deslocados internos (pessoas forçadas a fugir dentro de seus próprios países). Quase um milhão de pessoas cruzaram o mar Mediterrâneo como refugiados e imigrantes neste ano.
“O deslocamento forçado afeta profundamente a nossa realidade e as vidas de milhões de seres humanos, sejam aqueles forçados a fugir quanto os que oferecem abrigo e proteção”, alertou o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres. “Nunca houve uma necessidade tão nítida de tolerância, compaixão e solidariedade para com as pessoas que perderam tudo”.
A população de refugiados no mundo, que há um ano totalizava 19,5 milhões pessoas, chegou a 20,2 milhões em meados de 2015. É a primeira vez, desde 1992, que a marca dos 20 milhões é ultrapassada. Os pedidos de asilo aumentaram cerca 78% (totalizando 993,6 mil casos) na comparação com o mesmo período do ano passado. E o número de pessoas deslocadas dentro de seus próprios países aumentou de cerca de 2 milhões, chegando a um total estimado de 34 milhões.
Os números de novos refugiados também cresceram de forma alarmante: cerca de 839 mil pessoas em apenas seis meses, o equivalente a uma taxa média de quase 4.600 pessoas forçadas a fugir dos seus países todos os dias.
A Turquia é o país que mais acolhe refugiados no mundo, somando 1,84 milhão em 30 de junho de 2015. O Líbano, por sua vez, acolhe mais refugiados em relação ao tamanho de sua população, com uma relação de 209 refugiados por mil habitantes. O total global de pessoas sob os cuidados do Acnur e de outras agências será divulgado em meados de 2016.
Fonte: O Globo
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Crianças refugiadas são mantidas em prisões na Grécia
Criança síria chega à ilha de Kos. Menores são detidos em prisões em condições precárias na Grécia - AP
Crianças compartilham celas com adultos criminosos e só recebem uma refeição diária
ATENAS - O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) precisou intervir para salvar dezenas de crianças órfãs em prisões policiais em condições sanitárias precárias na ilha grega de Kos, após reclamações dos menores passarem despercebidas. Crianças a partir de 11 anos que saíram da Turquia e chegaram ao país sem os pais ou qualquer responsável adulto estão há semanas nas celas de detenção, compartilhando o espaço sujo de fezes com criminosos enquanto as autoridades gregas determinam para onde serão realocadas, informou o jornal inglês “The Independent”.
O jornal informou que, em duas delegacias de Kos, há cerca de 11 menores entre 12 e 17 anos. Na quarta-feira, havia sete menores na delegacia central da ilha, junto a dezenas de adultos. As autoridades policiais afirmam que são obrigadas a manter as crianças protegidas pela própria segurança delas como menores legais. Voluntários de uma organização não-governamental que visitam prisioneiros na delegacia central de Kos diariamente afirmaram que estavam chocados com as condições “medievais” constatadas.
— É realmente imundo — disse um voluntário sob condição de anonimato. — Há fios elétricos saindo do teto, fezes no chão e saindo da cela. Elas têm que estender o braço pelas grades para receber comida. Isso não é normal na Europa.
As crianças recebem uma refeição por dia, além de frutas e água fornecidas por organizações de caridade e ajuda humanitária. Elas não podem sair e, caso remanejadas para outro local, são algemadas, de acordo com testemunhas.
Tim Ubhi, diretor clínico da organização britânica Children’s E-Hospital, visitou a delegacia central de Kos três vezes durante visita recente para ajudar refugiados na ilha.
— É uma cela horrível — afirmou. — É como uma masmorra medieval, não há outra maneira de descrever.
INTERVENÇÃO DA ONU
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) alertou o governo grego e as autoridades locais sobre as condições precárias desde que passou a atuar na ilha em maio. O governo tem lutado para lidar com a chegada de milhares de refugiados e migrantes em barcos vindos da Turquia.
A agência da ONU chegou a um acordo com o Minsistério Público de Kos para que essas crianças estejam sob cuidados de uma ONG, que vai estabelecer um abrigo próprio com financiamento da ONU.
— Claramente (a custódia) permanece como responsabilidade do Estado. Porém, visto que isso não está acontecendo com a velocidade necessária de acordo com o número de refugiados chegando na Grécia, a ONU está feliz em intervir em ajudar — delcarou Marco Procaccini, diretor do escritório da Acnur em Kos.
Desde maio, a Acnur estimula a polícia de Kos a transferir alguns juvens da delegacia central para outra a cerca de 20 quilômetros do centro da ilha, onde as crianças ficariam detidas em células individuais, ao menos separadas de outros presos.
— Nós não os deixamos sair porque são menores de 18 anos — afirmou Sevastianos Marangos, chefe do Escritório de Proteção Civil de Kos. — Nós os mantemos lá pela própria segurança deles.
Maragons afirma que Kos estava despreparada para o volume de refugiados que começou a chegar no primeiro semestre. Segundo ele, a ilha, que tem uma população de quase 31 mil habitantes, não recebe financiamento ou equipe suficientes para atender às necessidades dos refugiados. Mais de 42 mil já chegaram à ilha este ano.
— Esse problema surgiu pela primeira vez em Kos — disse Marangos. — Tentamos nosso melhor para manter a ilha limpa e segura.
De acordo com a legislação grega, os menores de idade desacompanhados que solicitam abrigo ficam automaticamente sob custódia do Ministério Público até que possam ser supervisionados por um guardião legal apropriado. Na prática, eles ficam sob responsabilidade da polícia enquanto esperam abrigo de algum centro de cuidados em algum lugar da Grécia, o que pode levar dias ou várias semanas, segundo Procaccini.
A Convenção de Direitos da Criança da ONU estabelece que crianças detêm proteção e ajuda especial caso sejam refugiadas e não devem ser alojadas em prisões com adultos. Enquanto acordos da União Europeia determina linhas de proteção para menores desacompanhados, cada país estabelece sua legislação específica.
Stella Nanou, autoridade do Escritório de Informação Pública da Acnur na Grécia, afirmou que a prática de deter crianças sob custódia policial enquanto aguardam abrigo de longo prazo tem sido recorrente em outras partes do país. A agência alertou o governo repetidamente sobre a capacidade de acomodar menores desacompanhados em busca de asilo, mais recentemente em abril.
Fonte: O Globo
Crianças compartilham celas com adultos criminosos e só recebem uma refeição diária
ATENAS - O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) precisou intervir para salvar dezenas de crianças órfãs em prisões policiais em condições sanitárias precárias na ilha grega de Kos, após reclamações dos menores passarem despercebidas. Crianças a partir de 11 anos que saíram da Turquia e chegaram ao país sem os pais ou qualquer responsável adulto estão há semanas nas celas de detenção, compartilhando o espaço sujo de fezes com criminosos enquanto as autoridades gregas determinam para onde serão realocadas, informou o jornal inglês “The Independent”.
O jornal informou que, em duas delegacias de Kos, há cerca de 11 menores entre 12 e 17 anos. Na quarta-feira, havia sete menores na delegacia central da ilha, junto a dezenas de adultos. As autoridades policiais afirmam que são obrigadas a manter as crianças protegidas pela própria segurança delas como menores legais. Voluntários de uma organização não-governamental que visitam prisioneiros na delegacia central de Kos diariamente afirmaram que estavam chocados com as condições “medievais” constatadas.
— É realmente imundo — disse um voluntário sob condição de anonimato. — Há fios elétricos saindo do teto, fezes no chão e saindo da cela. Elas têm que estender o braço pelas grades para receber comida. Isso não é normal na Europa.
As crianças recebem uma refeição por dia, além de frutas e água fornecidas por organizações de caridade e ajuda humanitária. Elas não podem sair e, caso remanejadas para outro local, são algemadas, de acordo com testemunhas.
Tim Ubhi, diretor clínico da organização britânica Children’s E-Hospital, visitou a delegacia central de Kos três vezes durante visita recente para ajudar refugiados na ilha.
— É uma cela horrível — afirmou. — É como uma masmorra medieval, não há outra maneira de descrever.
INTERVENÇÃO DA ONU
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) alertou o governo grego e as autoridades locais sobre as condições precárias desde que passou a atuar na ilha em maio. O governo tem lutado para lidar com a chegada de milhares de refugiados e migrantes em barcos vindos da Turquia.
A agência da ONU chegou a um acordo com o Minsistério Público de Kos para que essas crianças estejam sob cuidados de uma ONG, que vai estabelecer um abrigo próprio com financiamento da ONU.
— Claramente (a custódia) permanece como responsabilidade do Estado. Porém, visto que isso não está acontecendo com a velocidade necessária de acordo com o número de refugiados chegando na Grécia, a ONU está feliz em intervir em ajudar — delcarou Marco Procaccini, diretor do escritório da Acnur em Kos.
Desde maio, a Acnur estimula a polícia de Kos a transferir alguns juvens da delegacia central para outra a cerca de 20 quilômetros do centro da ilha, onde as crianças ficariam detidas em células individuais, ao menos separadas de outros presos.
— Nós não os deixamos sair porque são menores de 18 anos — afirmou Sevastianos Marangos, chefe do Escritório de Proteção Civil de Kos. — Nós os mantemos lá pela própria segurança deles.
Maragons afirma que Kos estava despreparada para o volume de refugiados que começou a chegar no primeiro semestre. Segundo ele, a ilha, que tem uma população de quase 31 mil habitantes, não recebe financiamento ou equipe suficientes para atender às necessidades dos refugiados. Mais de 42 mil já chegaram à ilha este ano.
— Esse problema surgiu pela primeira vez em Kos — disse Marangos. — Tentamos nosso melhor para manter a ilha limpa e segura.
De acordo com a legislação grega, os menores de idade desacompanhados que solicitam abrigo ficam automaticamente sob custódia do Ministério Público até que possam ser supervisionados por um guardião legal apropriado. Na prática, eles ficam sob responsabilidade da polícia enquanto esperam abrigo de algum centro de cuidados em algum lugar da Grécia, o que pode levar dias ou várias semanas, segundo Procaccini.
A Convenção de Direitos da Criança da ONU estabelece que crianças detêm proteção e ajuda especial caso sejam refugiadas e não devem ser alojadas em prisões com adultos. Enquanto acordos da União Europeia determina linhas de proteção para menores desacompanhados, cada país estabelece sua legislação específica.
Stella Nanou, autoridade do Escritório de Informação Pública da Acnur na Grécia, afirmou que a prática de deter crianças sob custódia policial enquanto aguardam abrigo de longo prazo tem sido recorrente em outras partes do país. A agência alertou o governo repetidamente sobre a capacidade de acomodar menores desacompanhados em busca de asilo, mais recentemente em abril.
Fonte: O Globo
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
ONU elogia o Brasil pelo acolhimento a crianças refugiadas em escolas públicas
A Organização das Nações Unidas (ONU) elogiou o Brasil pelo acolhimento a crianças refugiadas em escolas públicas e destacou a atuação do País ao receber refugiados de regiões distantes.
Segundo o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão ligado ao Ministério da Justiça, desde 2011, o Brasil já recebeu mais de dois mil refugiados sírios e a previsão é que esse número continue a subir.
"Eles se unem a nós como cidadãos que estimulam o crescimento de nossa nação multiétnica e multicultural. Suas crianças são nossas crianças e têm, sim, direito à matrícula em nossas escolas públicas”, disse Alexey Dodsworth, assessor especial do ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, durante sabatina na ONU, em Genebra.
Direitos das Crianças
A delegação brasileira, composta por representantes dos Ministérios da Educação, da Saúde, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Justiça e da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, foi enviada a Genebra para participar da 70ª sessão dos Direitos da Criança da ONU. O último encontro foi realizado em 2004.
Os representantes brasileiros responderam a diversas questões relativas aos direitos das crianças e adolescentes. Eles explicaram a situação do País e apontaram caminhos e esforços do governo para promover melhoras.
“Vocês têm muitos desafios pela frente, terão de vencer muitos problemas, mas são nossa esperança”, disse a equatoriana Sara Oviedo, vice-presidente do Comitê dos Direitos da Criança das Nações Unidas.
A ONU vai publicar recomendações para o Brasil. Com base nelas, o País definirá ações e estratégias para melhorar a qualidade da educação oferecida a crianças e adolescentes
Fonte: promenino
Segundo o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão ligado ao Ministério da Justiça, desde 2011, o Brasil já recebeu mais de dois mil refugiados sírios e a previsão é que esse número continue a subir.
"Eles se unem a nós como cidadãos que estimulam o crescimento de nossa nação multiétnica e multicultural. Suas crianças são nossas crianças e têm, sim, direito à matrícula em nossas escolas públicas”, disse Alexey Dodsworth, assessor especial do ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, durante sabatina na ONU, em Genebra.
Direitos das Crianças
A delegação brasileira, composta por representantes dos Ministérios da Educação, da Saúde, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Justiça e da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, foi enviada a Genebra para participar da 70ª sessão dos Direitos da Criança da ONU. O último encontro foi realizado em 2004.
Os representantes brasileiros responderam a diversas questões relativas aos direitos das crianças e adolescentes. Eles explicaram a situação do País e apontaram caminhos e esforços do governo para promover melhoras.
“Vocês têm muitos desafios pela frente, terão de vencer muitos problemas, mas são nossa esperança”, disse a equatoriana Sara Oviedo, vice-presidente do Comitê dos Direitos da Criança das Nações Unidas.
A ONU vai publicar recomendações para o Brasil. Com base nelas, o País definirá ações e estratégias para melhorar a qualidade da educação oferecida a crianças e adolescentes
Fonte: promenino
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Bebê de cinco dias é resgatado em barco de imigrantes no Mediterrâneo
Embarcação líbia levava 285 passageiros e nove grávidas
ROMA — A marinha italiana resgatou na segunda-feira um bebê de apenas cinco dias de uma embarcação líbia que transportava imigrantes no canal da Sicília, ao sul da Itália. O navio pesqueiro em péssimas condições já enfrentava problemas para navegar, depois de ter partido da costa da Líbia na noite anterior, segundo autoridades locais. Entre os passageiros, ainda havia nove mulheres nos últimos meses de gravidez, que foram encaminhadas junto ao recém-nascido a um navio da marinha militar para receber atendimento médico.
O resgate dos 285 refugiados sírios e africanos é mais um episódio da crise migratória na Europa, que já é a mais grave ameaça humanitária no continente desde a Segunda Guerra Mundial. Quase 3 mil pessoas já morreram apenas em travessias no canal da Sicília desde o início do ano.
No mesmo dia, ministros da União Europeia (UE) não conseguiram chegar a um acordo durante uma reunião de emergência na Bélgica, em mais uma tentativa de equilibrar a reação dos países-membros à crise. Pelo contrário, Áustria, Eslováquia e Holanda anunciaram o início do controle das suas fronteiras na segunda-feira, enquanto a Alemanha restabeleceu o controle na entrada de refugiados do país no domingo, depois de nove dias com as fronteiras abertas ao intenso fluxo de refugiados.
Políticos e ONGs vêm aumentando a pressão sobre líderes europeus para uma ação mais eficaz e rápida na assistência aos imigrantes. Nesta segunda-feira, a ONG Médico Sem Fronteiras, que atua no salvamento de imigrantes no mar, publicou uma carta aos ministros do continente pedindo que “todos os canais de acesso seguro que permitam aos refugiados chegar à Europa sejam ativados com urgência”.
Fonte: O Globo
ROMA — A marinha italiana resgatou na segunda-feira um bebê de apenas cinco dias de uma embarcação líbia que transportava imigrantes no canal da Sicília, ao sul da Itália. O navio pesqueiro em péssimas condições já enfrentava problemas para navegar, depois de ter partido da costa da Líbia na noite anterior, segundo autoridades locais. Entre os passageiros, ainda havia nove mulheres nos últimos meses de gravidez, que foram encaminhadas junto ao recém-nascido a um navio da marinha militar para receber atendimento médico.
O resgate dos 285 refugiados sírios e africanos é mais um episódio da crise migratória na Europa, que já é a mais grave ameaça humanitária no continente desde a Segunda Guerra Mundial. Quase 3 mil pessoas já morreram apenas em travessias no canal da Sicília desde o início do ano.
No mesmo dia, ministros da União Europeia (UE) não conseguiram chegar a um acordo durante uma reunião de emergência na Bélgica, em mais uma tentativa de equilibrar a reação dos países-membros à crise. Pelo contrário, Áustria, Eslováquia e Holanda anunciaram o início do controle das suas fronteiras na segunda-feira, enquanto a Alemanha restabeleceu o controle na entrada de refugiados do país no domingo, depois de nove dias com as fronteiras abertas ao intenso fluxo de refugiados.
Políticos e ONGs vêm aumentando a pressão sobre líderes europeus para uma ação mais eficaz e rápida na assistência aos imigrantes. Nesta segunda-feira, a ONG Médico Sem Fronteiras, que atua no salvamento de imigrantes no mar, publicou uma carta aos ministros do continente pedindo que “todos os canais de acesso seguro que permitam aos refugiados chegar à Europa sejam ativados com urgência”.
Fonte: O Globo
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Futebol é mensagem de igualdade para refugiados no Brasil
“Craque Pelé! Craque Pelé!”, saudou um grupo de jovens torcedores que ocupava as acanhadas arquibancadas do campo de futebol do Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET), na zona leste de São Paulo. O alvo das manifestações não era Edson Arantes do Nascimento, e sim um angolano cuja semelhança com o craque brasileiro é o apreço pela bola.
José Pelé Messa nasceu há 45 anos em Cabinda, na Angola, em uma época na qual a idolatria pelo atacante santista era tão grande que sua presença foi capaz de estancar, mesmo que momentaneamente, duas guerras civis africanas, na Nigéria e no Congo. É inspirado nesses dias que o angolano recebeu seu nome do meio, carregado com muito orgulho por um refugiado que vive há dois anos no Brasil.
Unindo a paixão pelo futebol brasileiro e a solidariedade por seus conterrâneos africanos, que enfrentam dificuldades e obstáculos na aquisição de direitos como refugiados políticos, José Pelé é um dos organizadores da Copa dos Refugiados, torneio disputado pela segunda vez na capital paulista em agosto de 2015.
“Através do futebol, podemos levar ao povo brasileiro a nossa mensagem, mostrando que somos iguais”, afirma o organizador, lembrando que ainda há muito preconceito e desconfiança em relação aos estrangeiros que buscam uma nova vida no Brasil. Uma prova dessa conduta aconteceu no início de agosto, quando seis haitianos sofreram ataques a tiros no centro da capital paulista. Felizmente, nenhum deles morreu; há indícios que o crime foi motivado por xenofobia.
“Estamos aqui trazendo a nossa cultura e dedicação. Queremos conviver e trocar ideias e experiências entre aqueles que vivem situações parecidas”, pontua o angolano. E não são poucos: cerca de 240 refugiados ou solicitantes de refúgio participaram da competição, divididos em 18 equipes, cada uma representando um país.
A Copa dos Refugiados ocorre na medida em que a questão do refúgio se torna cada vez mais presente no Brasil: segundo o Ministério da Justiça, 1.165 solicitaram refúgio no país em 2010, sendo que quatro anos depois esse número disparou para 25.996, um crescimento de mais de 2.000%. De acordo com dados de 2015 da Acnur (órgão da ONU para refugiados), há cerca de 59,5 milhões de pessoas deslocadas de suas terras natais por guerras e conflitos.
Criticado pela morosidade e lentidão no atendimento dos pedidos, o Brasil concedeu no ano passado 2.320 refúgios a estrangeiros, entre eles José Pelé. O número superou com facilidade o recorde de 2013, quando 649 estrangeiros tiveram seus documentos regularizados, segundo informações do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados).
Foi através de muito esforço e paciência que o angolano se juntou aos outros cerca de 7.700 refugiados reconhecidos no território brasileiro, provenientes de 81 países. Destes, cerca de 3.200 escolhem a capital paulista como destino. “A minha história é muito triste, prefiro não contar”, desabafa o até então sorridente José Pelé, já com olhos encharcados.
O silêncio que sucedeu a fala serviu de pausa para que ele contasse como, afinal, chegou ao Brasil. Formado em jornalismo e com experiência em áreas tão distintas como marketing e teatro, ele trabalhou como fiscal das eleições angolanas de 2012, quando saiu vitorioso o presidente José Eduardo dos Santos, do MPLA, no comando do país africano desde 1979.
José Pelé não ficou quieto perante as fraudes que descobriu durante seu trabalho. Conta que, para se manter calado, recebeu ofertas de carro e apartamento. Ao recusar, passou a receber ameaças contra sua vida e perseguições. “Não existem direitos humanos em Angola”, decreta.
Foi então que fugiu para o Brasil, mas não pela primeira vez: já tinha vindo ao país nos anos 1980, sempre em busca de encontrar o ídolo que leva em seu nome. Sabe de cor o número de gols marcados pelo Pelé original: 1.285. Recentemente, tentou encontrá-lo no Hospital Albert Einstein, quando o ex-jogador passou por um período de internação.
Ao relembrar a infância na África, o angolano afirma que, antigamente, jogar futebol profissional era malvisto pela maioria das famílias, assim como tentar a carreira musical. “Hoje, já temos a noção de que o futebol é um traço de unidade das nações africanas. Por isso, criamos a Copa dos Refugiados, com o propósito de reunir os povos pela paz e democracia.”
Idealizada e organizada por refugiados e solicitantes de refúgio que vivem em São Paulo, o evento teve a sua segunda edição finalizada na tarde de sábado, dia 8. O inverno não deu às caras, assim como as nuvens, e os jogos foram realizados sob um sol escaldante e temperatura de 23ºC. A grande final foi disputada entre as seleções do Camarões e do Congo, com vitória camaronesa por 2 a 1.
José Pelé considera o evento um sucesso. E promete melhoras. “Amanhã faremos um torneio melhor, pois se não buscarmos isso também não teremos um país melhor. A integração aqui é muito difícil, principalmente para quem não fala português”, afirma ele, que, além do português, fala francês e kikongo, um dialeto angolano.
Hoje, José Pelé mora em Itaquera e trabalha como operador de caixa em um supermercado da Barra Funda. Vira e mexe recebe outros refugiados em seu apartamento. Mas sente saudades da África: deixou lá cinco filhos, com idades entre 5 e 25 anos.
Gosta de viajar para Santos, onde sempre visita a Vila Belmiro, palco de grandes feitos do seu ídolo. Na pauliceia, frequenta parques como o da Água Branca, perto de seu trabalho, e praças do Brás. Ao observar uma disputa de bola que terminou em gol e levou ao delírio da torcida, José Pelé Messa bradou: “É isso que quero. Ver meu povo feliz.” Ao final, a seleção de Camarões levou a taça: vitória de 2 a 1 sobre o Congo.
Fonte: promenino
domingo, 8 de janeiro de 2012
Haitianos descobrem que sonho de vida melhor pode virar pesadelo
No caminho até a chegada ao Brasil, imigrantes sofrem com coiotes, fome e violência
BRASILEIA (AC) - Anoitece em Brasileia e centenas de haitianos se espalham na Praça Hugo Poli, uma das principais da cidade, em animados grupos. Uns ocupam a quadra, outros arriscam manobras na pista de skate, vários conversam sentados em bancos ou ao redor dos quiosques. Em minutos, o burburinho dá lugar a sorrisos e longos abraços. É a chegada de três mulheres, que acabam de descer de um táxi puxando malas de rodinhas, em cujas alças ainda estão presos os tíquetes de companhias aéreas. Uma delas é Rosina François, de 27 anos; sua história se encaixa como uma luva no sonho haitiano de morar no Brasil, ganhar um bom salário e, aos poucos, trazer a família.
Rosina é mulher de Dominique Desne, 34 anos, que chegou ao país em novembro, pela fronteira do Acre, assim como centenas de outros haitianos, como O GLOBO revelou na última semana. Hoje, vive em Sorocaba, no interior de São Paulo. Funcionário de uma empresa de construção civil, ele trabalha como pedreiro, é registrado e mora num alojamento da firma no município vizinho de Votorantim. O salário é de R$ 1.100 por mês. Com horas extras, chega a R$ 1.700, suficiente para alugar uma casa para a família que, em breve, estará de novo reunida. Os próximos a chegar são os três filhos do casal, Loumensa, de 7 anos, Donalason, de 4, e Chenala, de 9.
- Vim porque vi que quem tinha vindo havia conseguido emprego para trabalhar - diz Dominique.
O sonho haitiano de trabalhar no Brasil e ganhar salários de até R$ 4 mil começa numa agência de viagens da República Dominicana, com a qual todos fecharam negócio, mas de cujo nome nenhum diz se lembrar. É lá que são vendidos os pacotes de imigração ilegal, a preços que vão de US$ 1.000 a US$ 2.600. O roteiro é conhecido: República Dominicana, Panamá e Lima. A partir da capital peruana, o trajeto é feito de ônibus, passando por Puerto Maldonado, até Iñapari, última cidade antes da fronteira com Assis Brasil, porta de entrada oficial ao território brasileiro pela rodovia Interoceânica, que liga o Brasil ao Oceano Pacífico, num trajeto de 1.700 km.
O Brasil dos sonhos dos haitianos não tem crise econômica, é carente de mão de obra e, de quebra, ainda há Ronaldo Fenômeno, ídolo dos jovens haitianos. Mas, em Iñapari, o sonho acaba: o trabalho da agência termina ali, a 113 quilômetros de Brasileia. O percurso pode ser feito de carro ou táxi em uma hora e meia. A diferença entre sonho e pesadelo é saber se a Polícia Federal brasileira permitirá a entrada sem o visto obrigatório, que deveria ter sido emitido no Haiti. Desde o Natal, a fronteira está liberada.
Relatos de roubo em travessia no mato
Quem chegou antes, entre novembro e dezembro, foi vítima de boatos de que a passagem sem visto estava impedida e caiu nas mãos de coiotes. Dois irmãos peruanos cobrariam US$ 50 para levar até a fronteira com a Bolívia, e outros US$ 50 para cruzar com os haitianos dentro da mata, numa caminhada de duas horas. Há quem diga que, para simular dificuldade, a dupla fazia os haitianos andarem em ziguezague. Na fronteira da Bolívia, houve quem cobrasse pedágio para evitar que fossem presos. Mais US$ 50. Os que não tinham dinheiro deixaram malas e objetos de valor.
A pé, carregando malas no meio do mato, haitianos contam ter sido também roubados e mulheres, estupradas. Houve até notícias não confirmadas de haitianos mortos no caminho.
Luciene Chachou, de 24 anos, e Joseph Christine, de 37, vivem o pesadelo. Cada uma pagou US$ 1.000 para vir. Ao chegarem em Iñapari, em dezembro, souberam que a fronteira estava fechada e aceitaram o trabalho dos coiotes. Na mata, diz Luciene, as duas foram agredidas e tiveram seus pertences arrancados. Após o susto, chegaram a Brasileia sem saber por onde começar e foram acolhidas por uma haitiana, que alugara uma casa, enquanto esperava pelo visto. Mas, esta semana, a mulher foi embora.
- Estamos na rua, não sabemos onde ficar - diz Joseph Christine, que só fala crioulo, sentada na praça ao lado da amiga e companheira de viagem.
Com a ajuda de um intérprete, ela conta que não gosta da comida oferecida pelo governo do Acre; acha as condições em Brasileia muito ruins e está decepcionada, porque a agência que vendeu "o pacote" disse a ela que, logo ao chegar, começaria a trabalhar. Há cozinheiros, padeiros, pedreiros e profissionais de todo o tipo entre os haitianos na praça de Brasileia.
O problema é que eles não têm como sair dali. Além da espera pelo visto humanitário, que demora até 45 dias, agora há o medo. No ano passado, grupos de haitianos receberam passagem do governo do Acre para ir até Porto Velho, em Rondônia, onde encontraram trabalho, principalmente ligados à construção de três hidrelétricas. Lá, muitos esperam ganhar dinheiro e seguir para o sonho maior: São Paulo.
Haitianos com diploma universitário ou com dinheiro não ficam no hotel da praça. Alugam casas e andam pelas ruas. Pelo menos 20%, calcula o governo do Acre, são estudantes que buscam vagas em universidades. Muitos deles têm Brasília como destino.
A notícia de um sucesso, como o de Dominique, ou recados da família que ficou no Haiti, de que um ou outro já está estudando ou bem empregado, alimenta a esperança de quem está em Brasileia. Fresner Jeune, de 29 anos já possui CPF e visto temporário, mas diz não ter dinheiro para seguir viagem. E tem muito medo de ficar na rua numa cidade grande. O que faria numa cidade de 11 milhões de pessoas como São Paulo? Quem o ajudaria?
- Você acha que dá para arrumar emprego em São Paulo? - pergunta, com olhar esperançoso.
Assim como Jeune, centenas de haitianos perambulam pelas ruas de Brasileia. O visto humanitário dado pelo governo, por enquanto, termina ali.
O Globo
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
65% dos refugiados no Brasil são africanos

Existem atualmente 4.305 pessoas refugiadas no país
O Brasil abriga atualmente 4.305 refugiados. Desse total, 65%, ou 2.800 pessoas, são do continente africano. De acordo com dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça, depois da África, o continente americano é o que mais tem refugiados no Brasil --954 (22,16%)--, seguido pela Ásia, com 448 (10,41%), e a Europa, com 98 (2,27%).
O refúgio é concedido quando há perseguição no país de origem por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões; quando a pessoa não tem mais nacionalidade e está fora do país onde antes teve sua residência habitual; ou quando há grave violação de direitos humanos e o cidadão é obrigado a deixar o país de origem.
No Brasil, há refugiados de 78 nacionalidades. De acordo com o balanço do Conare, Angola é o país com o maior número de refugiados em território brasileiro --1.688. A Colômbia vem em segundo lugar, com 589 refugiados, seguida pela República Democrática do Congo, com 431, a Libéria, com 259, e o Iraque, com 201.
O comitê também divulgou o balanço dos reassentamentos no país. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), os refugiados que estiverem em um segundo ou terceiro país estrangeiro com vistas à proteção internacional, não sendo seu país natal nem o primeiro país que lhes concedeu refúgio, são considerados reassentados.
Do total de refugiados em território brasileiro (4.305), 397 são reassentados. A América tem 281 refugiados reassentados, a Ásia tem 112, a África tem um. Três são apátridas, ou seja, sem nacionalidade.
Em 1999, o Brasil firmou com o Acnur o Acordo Macro para o Reassentamento de Refugiados. Uma das medidas adotadas pelo Conare para acolhida é a entrevista feita por representantes do comitê com os candidatos ao reassentamento no Brasil ainda no primeiro país de refúgio.
De acordo com o Conare, a medida é eficaz, pois durante as entrevistas os funcionários brasileiros procuram apresentar a realidade econômica, social e cultural do país da maneira mais explícita possível, evitando qualquer frustração futura com relação à integração dos reassentados.
O Programa de Reassentamento Brasileiro também tem um procedimento especial para os casos urgentes, conhecidos como fast track. Nessa situação, os integrantes do comitê têm até 72 horas para analisar os casos. Havendo unanimidade entre os membros consultados, a decisão é ratificada pela plenária do Conare e os refugiados aceitos chegam ao país em até dez dias.
A divulgação desses dados faz parte do Encontro Regional sobre Reassentamento Solidário – Twinning Programme, que ocorre hoje (25) e amanhã em Porto Alegre. Organizado pelo Acnur Brasil e pelo governo da Noruega, o encontro tem o apoio da organização não governamental Associação Antônio Vieira (Asav) e do governo do Canadá. Estarão presentes representantes dos governos da Argentina, do Brasil, Chile, da Noruega, do Paraguai e Uruguai, funcionários do Acnur e organizações da sociedade civil dos países participantes.
UOL
Jornale
O Brasil abriga atualmente 4.305 refugiados. Desse total, 65%, ou 2.800 pessoas, são do continente africano. De acordo com dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça, depois da África, o continente americano é o que mais tem refugiados no Brasil --954 (22,16%)--, seguido pela Ásia, com 448 (10,41%), e a Europa, com 98 (2,27%).
O refúgio é concedido quando há perseguição no país de origem por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões; quando a pessoa não tem mais nacionalidade e está fora do país onde antes teve sua residência habitual; ou quando há grave violação de direitos humanos e o cidadão é obrigado a deixar o país de origem.
No Brasil, há refugiados de 78 nacionalidades. De acordo com o balanço do Conare, Angola é o país com o maior número de refugiados em território brasileiro --1.688. A Colômbia vem em segundo lugar, com 589 refugiados, seguida pela República Democrática do Congo, com 431, a Libéria, com 259, e o Iraque, com 201.
O comitê também divulgou o balanço dos reassentamentos no país. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), os refugiados que estiverem em um segundo ou terceiro país estrangeiro com vistas à proteção internacional, não sendo seu país natal nem o primeiro país que lhes concedeu refúgio, são considerados reassentados.
Do total de refugiados em território brasileiro (4.305), 397 são reassentados. A América tem 281 refugiados reassentados, a Ásia tem 112, a África tem um. Três são apátridas, ou seja, sem nacionalidade.
Em 1999, o Brasil firmou com o Acnur o Acordo Macro para o Reassentamento de Refugiados. Uma das medidas adotadas pelo Conare para acolhida é a entrevista feita por representantes do comitê com os candidatos ao reassentamento no Brasil ainda no primeiro país de refúgio.
De acordo com o Conare, a medida é eficaz, pois durante as entrevistas os funcionários brasileiros procuram apresentar a realidade econômica, social e cultural do país da maneira mais explícita possível, evitando qualquer frustração futura com relação à integração dos reassentados.
O Programa de Reassentamento Brasileiro também tem um procedimento especial para os casos urgentes, conhecidos como fast track. Nessa situação, os integrantes do comitê têm até 72 horas para analisar os casos. Havendo unanimidade entre os membros consultados, a decisão é ratificada pela plenária do Conare e os refugiados aceitos chegam ao país em até dez dias.
A divulgação desses dados faz parte do Encontro Regional sobre Reassentamento Solidário – Twinning Programme, que ocorre hoje (25) e amanhã em Porto Alegre. Organizado pelo Acnur Brasil e pelo governo da Noruega, o encontro tem o apoio da organização não governamental Associação Antônio Vieira (Asav) e do governo do Canadá. Estarão presentes representantes dos governos da Argentina, do Brasil, Chile, da Noruega, do Paraguai e Uruguai, funcionários do Acnur e organizações da sociedade civil dos países participantes.
UOL
Jornale
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Médico amigo de Paulo Coelho consegue fugir do Irã após socorrer Neda
RIO - O escritor brasileiro Paulo Coelho, que foi a público informar que um dos homens vistos ao lado da iraniana Neda era seu melhor amigo iraniano, afirma nesta quarta-feira que seu colega conseguiu deixar o Irã hoje e chegou em segurança a Londres. O escritor e o médico começaram a trocar mensagens no domingo, quando a imagem da morte da mulher ficou conhecida em todo o mundo.
Sem revelar o nome do amigo, o escritor falou ao site do GLOBO na terça-feira, pedindo que a imprensa esperasse algumas horas, pois Arash - nome hoje divulgado - tentaria na manhã desta quarta-feira fugir do país.
"Ele está tentando sair do Irã neste momento", disse.
Arash pede ao amigo que não divulgue seu nome até às 14h (10h em Brasília), pois isso poderia prejudicar sua fuga. O escritor então prometeu que na tarde de hoje (em Londres), informaria o nome do colega juntamente com a informação de sua chegada ao Reino Unido ou possível sumiço.
"Se nao tiver noticias até 14h, eu vou dar a entrevista".
Abaixo, a troca de e-mails entre o brasileiro e o iraniano nos últimos dias:
Sem revelar o nome do amigo, o escritor falou ao site do GLOBO na terça-feira, pedindo que a imprensa esperasse algumas horas, pois Arash - nome hoje divulgado - tentaria na manhã desta quarta-feira fugir do país.
"Ele está tentando sair do Irã neste momento", disse.
Arash pede ao amigo que não divulgue seu nome até às 14h (10h em Brasília), pois isso poderia prejudicar sua fuga. O escritor então prometeu que na tarde de hoje (em Londres), informaria o nome do colega juntamente com a informação de sua chegada ao Reino Unido ou possível sumiço.
"Se nao tiver noticias até 14h, eu vou dar a entrevista".
Abaixo, a troca de e-mails entre o brasileiro e o iraniano nos últimos dias:
Domingo
21 23h11m
Querido Arash,
Eu preciso saber onde você está, se as coisas que estou vendo/lendo são verdadeiras. Então, eu posso tomar uma posição - dependendo do seu informe, é claro.
Amor
Paulo
Segunda
22 2h05m
Querido Paulo,
Eu estou agora em Teerã. O vídeo do assassinato de Neda foi gravado por meu amigo, e você pode me reconhecer no vídeo. Eu era o médico que tentou salvá-la e falhou. Ela morreu em meus braços. Estou escrevendo com lágrimas nos meus olhos. Por favor, não mencione meu nome. Eu vou te contactar com mais detalhes em breve
Amor
Arash
Segunda
22 17:46Querido Arash
Até agora, nenhuma notícia de você. Depois que publiquei o vídeo no meu blog, parece que ele se espalhou pelo mundo, incluindo posts no New York Times, Guardian, National Review, etc.
Portanto, minha preocupação agora é com você. Você PRECISA responder este mail, dizendo que está tudo bem e o nome da pessoa com quem passamos juntos a véspera do Ano Novo em 2001, apenas para ter certeza que é realmente você que está respondendo ao e-mail. Eu não comprei essa pessoa da CNN respondendo o seu celular.
Se você não fizer isso, posso vazar o seu nome para a imprensa, para te proteger - visibilidade é a única proteção neste ponto. Eu sei disso porque eu sou ex-prisioneiro da consciência. Se eu fizer isso, a não ser que você me instrua ao contrário, vou parar de te pressionar por agora. Minha maior preocupação é com você e sua família.
Love
Paulo
P.S. - há vários amigos confiáveis em cópia oculta aqui
Terça,
Junho 23, 2009
1h35m
Querido Paulo
Está tudo bem por agora. Não estou ficando em casa. Não sei nada sobre a CNN. O nome do amigo era Frederick
Amor
Arash
Terça,
Junho 23, 2009
1h37m
Querido Paulo,
Tentando sair do país amanhã de manhã. Se eu não chegar em Londres ás duas da tarde, alguma coisa aconteceu comigo. Até lá, espere.
Minha esposa e filho estão em (editado). O telefone deles (editado) O email dela (editado)
Por favor, espere até amanhã. Se alguma coisa acontecer comigo, por favor, tome conta de (nome da esposa) e (nome do filho), ele estão lá, sozinhos, e não tem mais ninguém no mundo.
Muito amor, foi uma honra ter você como amigo
Arash
Quarta,
24 de junho, 2009
13h55m
Arash aterrissou em Londres
O Globo On Line
sábado, 20 de junho de 2009
ONU celebra Dia Mundial dos Refugiados
Mundo tinha 42 milhões de refugiados ou deslocados internos em 2008.Angelina Jolie gravou vídeo para chamar a atenção para o problema.Garota paquistanesa neste sábado (20) no campo de refugiados de Jalozai, no Vale do Swat. Ela e sua família foram expulsos de sua aldeia de origem por conta dos confrontos entre o Exército e a guerrilha Talibã. A ONU celebra hoje o Dia Mundial dos Refugiados, lembrando os 42 milhões de refugiados e deslocados internos espalhados pelo mundo.
G1
Brasília - Futebol “sem fronteira” marca passagem do Dia Mundial do Refugiado
Brasília - Será realizado hoje (20) no Sesc de Interlagos, em São Paulo, o torneio de futebol Esporte sem Fronteiras, promovido pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) em parceria com a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo e o Serviço Social do Comércio (Sesc). A competição marca o Dia Mundial do Refugiado, comemorado neste sábado.Participarão do torneio brasileiros e estrangeiros que pediram refúgio no país. Entre os times está o Brazsat Futebol Clube, time profissional da segunda divisão do campeonato brasiliense (fundado em 2005) que tem três refugiados (de Serra Leoa, Palestina, Colômbia) entre os jogadores contratados.
O interesse pelo futebol é grande entre os refugiados. Segundo Luiz Paulo Barreto, secretário executivo do Ministério da Justiça, que preside o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), alguns dizem na migração que escolheram o Brasil por causa da bola.
“O entrevistador sempre pergunta 'por que o Brasil?'. As respostas são as mais variadas. Muitos dizem que é por causa do clima, outros dizem que é por causa da língua, outros dizem que é por que no Brasil os estrangeiros não são perseguidos e podem ter sua fé, vestimenta e costumes preservados. Outros dizem até que é por causa do futebol”, conta Barreto.
O interesse pelo futebol é grande entre os refugiados. Segundo Luiz Paulo Barreto, secretário executivo do Ministério da Justiça, que preside o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), alguns dizem na migração que escolheram o Brasil por causa da bola.
“O entrevistador sempre pergunta 'por que o Brasil?'. As respostas são as mais variadas. Muitos dizem que é por causa do clima, outros dizem que é por causa da língua, outros dizem que é por que no Brasil os estrangeiros não são perseguidos e podem ter sua fé, vestimenta e costumes preservados. Outros dizem até que é por causa do futebol”, conta Barreto.
Agência Brasil
Luanda - Comemora-se hoje Dia Mundial do Refugiado
Luanda – Comemora-se hoje, 20 de Junho, o Dia Mundial do Refugiado, instituído em 2.000 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, para reafirmar os valores dos acordos internacionais de protecção dos refugiados.A efeméride foi igualmente adoptada com o objectivo de aumentar a consciência da sociedade sobre a problemática dos homens e mulheres deslocados por guerras e conflitos armados ou perseguidos por motivo de religião, nacionalidade, raça, grupo social e opinião política.
A deslocação humana representa um dos maiores problemas da actualidade. Aproximadamente 40 milhões de pessoas encontram-se deslocadas devido a conflitos, violência, perseguições, degradação ambiental ou desastres naturais, e este número continua a crescer.
Assim, torna-se cada vez mais essencial e urgente o comprometimento da comunidade internacional em discutir e desenvolver soluções efectivas para esta questão.
De acordo um relatório anual do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o número de pessoas forçadas a se deslocar devido a conflitos e perseguições chegou a 42 milhões em todo o mundo no final de 2008.
Esta cifra, segundo o ACNUR, inclui 16 milhões de refugiados e solicitantes de refúgio e 26 milhões de pessoas deslocadas em seus próprios países, de acordo com o relatório “Refúgio no Mundo – Tendências Globais”.
O documento indica ainda que 80 porcento dos refugiados estão em países em desenvolvimento, assim como a maior parte dos deslocados internos – uma população com a qual a agência da ONU para refugiados está cada vez mais envolvida.
“Em 2009, já observamos novos deslocados no Paquistão, Sri Lanka e Somália”, informou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres.
O relatório enumera 29 diferentes grupos de 25 mil ou mais refugiados em 22 nações que vivem exilados há cinco anos ou mais e para os quais não existe nenhuma solução imediata à vista.
Isto significa que pelo menos 5,7 milhões de refugiados vivem num limbo.
Aproximadamente 2 milhões de refugiados e de deslocados internos puderam retornar para casa em 2008, o que representa um declínio em comparação ao ano anterior. Retornaram para casa durante os últimos 10 anos - a maioria deles com o apoio do ACNUR.
Em 2008, a agência da ONU para os refugiados propôs o reassentamento de 121 mil indivíduos a terceiros países, sendo que mais de 67 mil partiram para suas novas pátrias com a ajuda do ACNUR.
Em Angola, o acto central das comemorações do Dia Mundial dos Refugiados vai realizar-se na cidade do Luena, província do Moxico.
Segundo o programa de actividades elaborado pela Direcção Provincial de Assistência e Reinserção Social (MINARS), estão a ser realizados ciclos de palestras subordinadas aos temas "Pedido de nacionalidade e direito jurídico", assim como "Protecção dos Refugiados e Movimentos Migratórios em Angola".
Constam igualmente temas sobre a "Violência de género no seio dos refugiados" e o "Processo migratório internacional", e a entrega de kits de reintegração sustentável e bens de primeira necessidades aos refugiados.
Exibição de peças teatrais, danças modernas e tradicionais, realização de maratona músico-cultural figuram também do programa.
A fonte garantiu que as condições logísticas e humanas estão criadas para a realização condigna da efeméride.
Refugiado, segundo a ONU, é uma pessoa que se encontra fora do seu país de origem porque tem fortes probabilidades de ser objecto de abusos graves, em virtude da sua religião, etnia, raça, crença ou ideologia.
Por Paulino Neto
Angola Press
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