sábado, 20 de março de 2010

Depoimento de Gabriel, a testemunha desaparecida


Gabriel nega a alegação da defesa de que ele teria dito em entrevista que o predio ao lado havia sido arrombado:




Blog Caso Isabella Oliveira Nardoni

"Quero me tornar mãe novamente"


Dois anos depois da perda da filha, a mãe de Isabella conta como vive em depoimento a ÉPOCA

Em depoimento a Época, reproduzido abaixo na íntegra, a mãe de Isabella descreve em primeira pessoa como ela e a família viveram os dois últimos anos. Carol, como é chamada pelos amigos, diz que “esperou muito” o dia do julgamento dos acusados pelo assassinato de sua filha. Revela que intensificou a terapia para atravessar o “período difícil” do julgamento e conta como cada membro de sua família viveu a sua maneira o luto pela perda da menina. O avô de Isabella mergulhou no trabalho; a avó lutou para esquecer a imagem da menina morta no hospital. Ana Carolina diz que são os primos de Isabella que trazem hoje alegria para a casa onde ela espera, num futuro ainda sem data, criar outro filho.
Como começar a descrever os meus últimos dois anos? No dia 29 de março de 2008 a minha vida literalmente caiu do 6º andar de um prédio, houve um terremoto, um turbilhão de acontecimentos. Difícil de acreditar e de assimilar como tamanha crueldade possa ter acontecido. Mais um crime bárbaro passaria na televisão, só que desta vez o fato bateu na minha porta, era minha filha que havia sido brutalmente assassinada. Foi-lhe tirada a oportunidade de viver o que de tão bonito a vida poderia lhe mostrar: amigos, família, alfabetização, valores, princípios, amor ao próximo, entre tantas coisas que lhe seriam proporcionadas.

Hoje infelizmente entrei para a estatística das mães que perderam seus filhos, uma lista que parecia ser distante de minha realidade. Hoje a vivo diariamente e entendo o que é sentir essa dor. Uma dor profunda, infinita, um vazio eterno, insuperável. É difícil lidar com a morte, especialmente com a morte do ser que você gerou, carregou durante nove meses e não via a hora de ver o rostinho. Ela nasceu. Era minha estrela de luz, a minha Isabella, aquela que com certeza eu poderia chamar de MINHA. Minha filha, minha princesa, ou melhor... MINHA PRINCESS.
A partir deste momento tudo parou e passei a viver a outra vida, a vida de mãe. A maior dádiva que uma mulher pode ter é o prazer de se tornar mãe. Começou aí outra etapa da vida, a de cuidar, criar, ensinar a sorrir, andar, falar, ensinar a essência da vida para sempre fazer o bem. Posso me sentir vitoriosa por isso. Minha Isabella tinha qualidades inexplicáveis. Uma menina calma, doce, meiga, carinhosa, educada, que sabia falar um português corretíssimo (claro que com alguns ajustes no meio do caminho... rs), mas inteligente demais.
Seu sonho: aprender a ler. Já estava quase lá. Sabia soletrar e, com isso, eu a ajudava a completar as frases. Para escrever, eu soletrava e ela completava. Já sabia escrever seu nome inteiro... eu diria que era um exemplo de criança e quem teve a GRANDE oportunidade de conhecê-la e saber quem ela era pode confirmar o que estou falando.
Seu brinquedo preferido: jogo da memória. Esse ela dava um show de esperteza. Ganhava todas e, se algo desse errado, ela queria competir mais uma vez. Coisas de ariana.
Bem, mais isso lhe foi tirado, arrancado, jogado pela janela. O que fazer depois de perder tudo isso? Como continuar a vida?
Meus últimos dois anos não têm sido de muitas novidades. Acordo cedo para trabalhar e peço a Deus para me proteger e me dar forças. Quando vou me trocar, lembro que não tenho mais aquele rostinho preguiçoso, amassado e lindo para me dizer “Mamãe, você está linda”, ou “Mamãe, esta blusa não está combinando, você pode trocar?”. Aquela manha para pedir o ‘tetê’. Minha mãe também sente a cama vazia. Era lá que ela ia todas as manhãs continuar seu sono, pois disso ela gostava muito... dormir. Ensinar a fazer lição, dançar, ver filmes, mexer no computador, soletrar os sites (‘www’ ao invés de falar ‘ponto’ ela fala [sic] ‘conto’)...
À noite é o vazio de não ter ninguém para entrelaçar as pernas, dar banho, trocar, beijar, cheirar, apenas deitar e agradecer a Deus por mais um dia de vida e pedir para que minha filha esteja protegida, onde estiver – e agradecer também a oportunidade de ter me tornado mãe de uma menina tão iluminada e maravilhosa, um verdadeiro presente.
Os momentos sem ela e a vida sem ela são muito tristes, mas graças a Deus tenho meus sobrinhos, a Gigi, a Gabi, o João e a Marcella. Eu os amo demais e eles me dão a maior atenção do mundo.
A Gigi está a cada dia mais mocinha e isso me faz pensar que minha filha estaria bem parecida, por suas idades serem próximas. Quando ela está na minha casa, sempre me elogia, me abraça, diz que me ama. Poucos dias atrás estávamos conversando e perguntei a ela se lembrava da Isabella. Ela me respondeu com um sorriso lindo que SIM e ainda completou que sente muita falta dela. Eu falei que também sentia e ficamos lembrando os momentos e passeios que fizemos todas juntas.
O João Vitor e a Gabriela são menores. Com isso, comentam menos. O João é todo molecão e gosta de brincar de Ben 10, essas coisas de menino. A Gabi é toda meiga, bastante parecida com a Isabella. Adora usar as roupas que eram da prima.
Meus pais e irmãos sofrem cada um a sua maneira. Cada um tem o seu modo de se expressar e viver o luto. Minha mãe, porque conviveu com ela todas as manhãs, cada dia que acorda lembra e revive os momentos. Durante muito tempo ficou com a imagem dela no hospital, morta, mas conversamos muito e trouxemos as melhores imagens dela novamente para nossas lembranças. Meu pai se jogou de cabeça no trabalho. Ele sofre um pouco mais calado. Visita o cemitério todos os fins de semana.
Meus irmãos sempre lembram dela com seus filhos: o Leonardo, por ser pai da Gigi e saber que, quando a leva para passear, as duas poderiam estar juntas, eram muito companheiras. O Felipe, pai da Gabi, é mais emotivo. Como ela lembra muito (Isabella) pelo jeito de ser, ele sempre chora de saudades.
Hoje continuo com a terapia, pois é lá que descarrego um pouco do peso que sinto. Não é fácil carregar esta falta. É mais difícil ainda lidar com o que a perda faz em nossa mente e em nosso coração. Para não cair de uma vez em um buraco sem fundo, eu fui logo procurar ajuda e me apoiar nas pessoas que estavam ao meu lado: pai, mãe, irmãos, tios, primos e amigos. Foi para eles que chorei, gritei, abri meu coração. De cada um retirei um pouco de força para continuar a dura caminhada da vida.
Para o futuro não tenho planos ainda. Quero continuar trabalhando, seguindo minha vida. A única coisa que é certa é a vontade de me tornar mãe novamente. Mas estes não são planos para agora.
As pessoas ainda me reconhecem na rua, me apontam, dão sorrisos, um tchau, e isso me fortalece. Ainda recebo cartas, mensagens, presentes – claro que hoje com menos frequência, mas ainda recebo, e percebo que ainda existem pessoas com corações bons no mundo. Em uma das últimas cartas que recebi, em fevereiro de 2010, um trecho diz assim: “Você teve uma filhinha que fez o Brasil refletir e é uma santinha que no céu pede muito a Deus por você e sua família. Parabéns pela graça que Deus lhe deu”. Tem como ler isso e não se emocionar?
Agora estou em outra fase difícil, que é o julgamento. Um dia que esperei muito. É uma dor ter de enfrentar tudo novamente, relembrar cada detalhe. Intensifiquei a terapia para poder estar preparada a enfrentar tudo o que virá durante os próximos dias.
Minha força vem da fé que carrego dentro de mim, vem da minha base familiar, muita oração e conversa com Deus.
Quero terminar aqui agradecendo a todos os profissionais competentes que trabalharam desde o começo no caso, desde a delegacia, Instituto Médico-Legal, Instituto de Criminalística, entre outros órgãos;
Aos profissionais que ficaram dia e noite para poder passar a verdade única sobre tudo o que aconteceu. Ao promotor, doutor Francisco Cembranelli, por sua dedicação e competência. À doutora Cristina Christo Leite, minha advogada, pelo empenho e paciência;
A minha família, pela educação e honestidade que me deram, pelo colo, pelo abraço, o ombro, a compreensão e a paciência durante todos estes anos de vida;
Aos meus verdadeiros e grandes amigos por estarem comigo quando eu mais precisei de vocês;
E agradecer a todo o Brasil. A todo mundo que abraçou esta causa, que passou a AMAR e ter minha filha como parte da família, a minha eterna gratidão pela solidariedade.

Obrigada a todos.
Beijos, Carol


Ana Carolina de Olivera, em depoimento a Kátia Mello


Época

Papa pede desculpas por abusos cometidos por bispos

Papa pede desculpas por abusos cometidos por bispos
Crédito: AFP


O papa Bento XVI, em carta aos fiéis irlandeses, pediu desculpas por abusos sexuais cometidos por bispos da igreja no país. O pontífice criticou severamente os bispos irlandeses por "graves erros de julgamento" na condução das questões ligadas ao abuso sexual cometido por clérigos. Além disso, ordenou que seja feita uma investigação na igreja irlandesa para averiguar as ocorrências, mas não mencionou qualquer responsabilidade do Vaticano no escândalo.
O papa também não citou punições aos bispos acusados pelas vítimas, nem fez referências às investigações ordenadas pelo governo irlandês pelo acobertamento de anos de abuso. Na carta, Bento XVI pediu desculpas pelo mal feito às gerações de católicos irlandeses que sofreram abuso "criminoso e pecaminoso" nas mãos de padres e freiras.
"Eu realmente sinto muito", disse. "É compreensível que vocês achem difícil de perdoar ou de se reconciliar com a Igreja", afirmou. "Em nome dela, eu abertamente manifesto a vergonha e o remorso que todos sentimos". Sérios erros foram cometidos, continuou o papa, ao citar que seria necessário "continuar na cooperação com as autoridades civis".

Fonte:Agência Estado


Casal Nardoni levará 20 testemunhas de defesa ao Tribunal do Júri


SÃO PAULO - Um dos casos que mais comoveram o país nos últimos anos está próximo de um fim. O julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, presos em Tremembé desde maio de 2008, começa nesta segunda-feira, em São Paulo. A previsão é que o júri dure cinco dias e 24 testemunhas serão ouvidas: 20 delas são de defesa e três de acusação. Três das 20 testemunhas servirão também à acusação, pois seus depoimentos são considerados importantes para os dois lados. Uma das 24 testemunhas, um pedreiro que trabalhava em uma obra nos fundos do edifício London, que disse na época que o local havia sido arrombado, não foi encontrado e, por isso, não recebeu a convocação.
Isabella Nardoni, 5 anos, foi morta no dia 29 de março de 2008. Para a acusação, ela foi jogada pelo pai de uma altura de 20 metros, do sexto andar do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo, para onde a família havia acabado de se mudar. A polícia concluiu que a madrasta asfixiou e que Alexandre a jogou pela janela.
Alexandre e Anna Carolina estão presos em Tremembé, no Vale do Paraíba, desde maio de 2008. ( Veja fotos do casal nos dias seguintes ao crime ). Mas neste fim de semana essa rotina vai mudar. A expectativa é que o casal seja transferido para São Paulo, para participar do julgamento que vai decidir o futuro da vida deles.
Quem vai defender o pai e a madrasta de Isabella é o advogado Roberto Podval. Com 23 anos de carreira, ele participou de 15 júris e perdeu dois. A defesa vai manter a tese de que o pai e a madrasta de Isabella são inocentes.


Menino recebe traqueia feita com células-tronco


Um garoto britânico de dez anos de idade tornou-se a primeira criança a receber um transplante de traqueia feita com células tronco, disse nesta sexta-feira o hospital Great Ormond Street Hospital for Children, em Londres, que realizou a cirurgia esta semana.

Os médicos dizem que o garoto respira normalmente.
Os médicos britânicos e italianos responsáveis pelo transplante inédito esperam que o procedimento reduza em muito o risco de rejeição já que o sistema imunológico do garoto não deve repelir a nova traqueia.
Esta foi a primeira vez que uma traqueia inteira foi transplantada.

Condição rara
Do órgão doado, foram retiradas células do doador, deixando apenas a armação de colágeno. Foram então injetadas células-tronco do garoto na armação.
Os médicos esperam que no próximo mês as células-tronco se transformem em células especializadas que formem o interior e o exterior da traqueia.
O garoto apresenta estenose traqueal congenital, uma malformação rara caracterizada pelo baixo calibre da via aérea. Quando nasceu, sua traqueia media apenas 1 milímetro de largura.
"É como respirar através de um canudo", afirmou o comunicado do hospital.
O pesquisador italiano de células-troco, Paolo Macchiarini, do hospital Universitário de Florença fez parte da equipe médica.


Mãe de Isabella intensificou terapia para enfrentar julgamento do casal Nardoni


SÃO PAULO - Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, intensificou a terapia nos últimos dias para enfrentar o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá - respectivamente, pai e madrasta da menina, morta em 29 de abril de 2009, jogada pela janela do sexto andar do edifício London, na Zona Norte de São Paulo. Num depoimento à revista Época desta semana, Ana Carolina conta que cada um de sua família vive o sofrimento da perda de Isabella à sua maneira. Ela, busca nos quatro sobrinhos traços da filha. O avô mergulhou no trabalho e vai todos os fins de semana ao cemitério. A avó materna recorda todas as manhãs a neta, que ia se refugiar na sua cama quando a mãe saia para o trabalho. Um dos tios chora ao se lembrar da menina. Outro busca nos filhos imagem da sobrinha.
"Hoje continuo com a terapia, pois é lá que descarrego um pouco do peso que sinto. Não é fácil carregar esta falta", diz Ana Carolina no relato à Época, publicado pela revista em primeira pessoa.
A mãe de Isabela diz que num futuro, ainda sem data, espera criar outro filho e conta que os dois últimos anos, além da dor, "não têm sido de muitas novidades". Diz que acorda cedo para trabalhar e, quando vai se trocar, lembra que não tem "mais aquele rostinho preguiçoso, amassado e lindo".
"Agora estou em outra fase difícil, que é o julgamento. Um dia que esperei muito. É uma dor ter de enfrentar tudo novamente, relembrar cada detalhe. Intensifiquei a terapia para poder estar preparada a enfrentar tudo o que virá durante os próximos dias. Minha força vem da fé que carrego dentro de mim, vem da minha base familiar, muita oração e conversa com Deus", diz Ana Carolina à revista.
O brinquedo preferido de Isabella, segundo a mãe, era o 'jogo da memória".
"Esse ela dava um show de esperteza. Ganhava todas e, se algo desse errado, ela queria competir mais uma vez."

Casal chega em comboios separados
Alexandre e Anna Carolina estão presos em Tremembé, no Vale do Paraíba, desde maio de 2008. Ele ajuda na rouparia do presídio. Na penitenciária feminina, Anna Carlina trabalha na cozinha.Mas neste fim de semana essa rotina vai mudar. A expectativa é que o casal seja transferido para São Paulo, para participar do julgamento que vai decidir o futuro da vida deles, em comboios separados.
Quem vai defender o pai e a madrasta de Isabella é o advogado Roberto Podval. Com 23 anos de carreira, ele participou de 15 júris e perdeu dois. A defesa vai manter a tese de que o pai e a madrasta de Isabella são inocentes.
- Eu espero que as pessoas estejam abertas pra ouvir a defesa. É possivel um acidente? É possivel - diz o advogado de defesa Roberto Podval.
A acusação cabe ao promotor Francisco Cembranelli. Em 22 anos de carreira, já esteve em 1.077 julgamentos e ganhou mais de mil.
- Eu espero que a justiça seja feita. O fato de não terem confessado é irrelevante. A maioria dos nossos crimes, não contamos com a confissão, muito menos com testemunhas presenciais - relata Francisco Cembranelli, promotor de justiça.
Uma maquete será usada para facilitar aos jurados entender o crime. O promotor vai detalhar a participação de cada um, segundo a tese da acusação. O cenário de onde Isabella foi jogada foi reproduzido exatamente como deixado após o crime. A cama com o lençol sujo, o cobertor desarrumado e as marcas de sangue no chão.
Quarenta pessoas foram convocadas para o júri, mas apenas sete vão decidir o futuro do casal. Na hora de decidir o futuro do casal Nardoni, os sete jurados vão se reunir numa sala secreta.
Se forem condenados, Alexandre e Anna Carolina Jatobá voltam direto para a cadeia. Nesse caso, o juiz Maurício Fossem é quem vai determinar o tempo de prisão: no mínimo, serão 12 anos. Agora, caso sejam considerados inocentes, o pai e a madrasta da menina vão ser soltos e podem voltar imediatamente para a casa da família e reencontrar os dois filhos.
Pelo menos 30 PMs farão a segurança do Fórum de Santana. O julgamento começa às 13h e agentes da CET vão controlar o trânsito e o estacionamento nas ruas. Com 16 anos de magistratura, o juiz Maurício Fossen é quem vai presidir o julgamento.
O Tribunal de Justiça confirmou que das 24 testemunhas, uma ainda não foi encontrada: é o pedreiro Gabriel Santos Neto que, na época da morte de Isabella chegou a dizer que a construção onde ele trabalhava nos fundos do edifício London havia sido arrombada. Se defesa ou acusação considerar que a falta de qualquer testemunha pode comprometer o julgamento, as partes têm o direito de pedir o adiamento do júri. A decisão caberá ao juiz Maurício Fossen. Até agora nenhum pedido para adiar para adiar o julgamento por falta de testemunha foi feito ao Tribunal de Justiça.
Das outras 23 testemunhas, 20 vão depor a favor dos Nardoni e três foram arroladas pela acusação. Das 20, três devem servir também à acusação, pois são consideradas importantes para os dois lados.

Complexo do Alemão tem "bunkers" e feira atacadista de drogas e armas


Favelas do Rio possuem tenda onde recebem fornecedores, diz policial civil

Traficantes realizam diariamente uma feira atacadista no largo do Coqueiro, na parte alta do complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. Segundo um policial civil que pediu anonimato, algumas das favelas da facção criminosa que age no Alemão e é chefiada pelo traficante Fernandinho Beira-Mar contam com uma tenda de plástico onde recebem os chamados matutos - fornecedores que trazem mercadorias de países vizinhos - para a compra de armas e drogas.
Policiais informaram à reportagem do R7 que, no Complexo do Alemão, os criminosos têm de três a cinco esconderijos subterrâneos, conhecidos como bunkers. Esses bunkers, segundo um agente da DCOD (Delegacia de Combate às Drogas), são considerados "área vip" na favela e só são frequentados pelos chefões da organização criminosa, entre eles, Marcelinho Niterói, homem de confiança de Beira-Mar, traficante preso na penitenciária de Campo Grande (MS). Os traficantes, segundo policiais, construíram até túneis que ligam os seus principais esconderijos.
Um agente da DRAE (Delegacia de Repressão à Armas e Explosivos) estima que, em todo o complexo, os traficantes tenham cerca de 400 armas pesadas, entre fuzis e metralhadoras antiaéreas. Considerado base da maior facção do tráfico no Rio, o complexo do Alemão não recebe uma grande operação policial desde setembro de 2008, quando a favela foi ocupada para a procura do então chefe do local, o traficante Tota, que teria sido morto por antigos aliados.
A feira do Alemão, segundo policiais, costuma começar às 14h e só acabam por volta das 3h ou 4h. Em cada barraca, ficam até dez seguranças armados com fuzis. Para que o matuto possa participar, ele mantém contato com um emissário que comunica sua chegada ao chefe da favela. Cabe a ele, decidir recebê-lo ou não. Entre os traficantes que possuem tendas no local, estão os chefes das comunidades do Jacarezinho, Mangueira e Mandela, na zona norte, e da Vila Kennedy, na zona oeste. O pagamento pelas armas e drogas, segundo o policial, é feito no ato e sempre em dinheiro. E os criminosos testam as armas na hora para saber se funcionam, dando tiros para o alto..
Os matutos levam cargas de drogas de 3 kg até 20 kg nas malas dos próprios carros, diferentemente dos grandes fornecedores, cujos entorpecentes chegam em caminhões. .
O largo do Coqueiro é o "quartel-general" do complexo do Alemão. No local, os traficantes fazem churrascos e várias festas. Imagens feitas em 2008 mostram o atual chefe do tráfico na favela, conhecido como Pezão, comemorando a suposta morte de Tota rodeado por vários bandidos armados. Pezão segue as ordens do criminoso Marcinho VP, atualmente preso na penitenciária federal de Catanduvas (PR).
Policiais ainda contam que criminosos do alto escalão da organização criminosa baleados em confrontos são levados para o Coqueiro, onde são atendidos por médicos e permanecem durante a recuperação. Por lá, também recebem a visita de prostitutas.

Tráfico na Penha
Vizinho ao Alemão e vinculado à mesma facção, o complexo de favelas da Penha também não recebe uma grande operação policial há meses. Informações de um agente da delegacia de Brás de Pina (38ª DP) dão conta que os traficantes estão preparados para a "guerra". Segundo ele, os criminosos montaram barricadas usando botijões de gás e granadas para dificultar qualquer ação policial.
O complexo, que reúne as comunidades Vila Cruzeiro, Chatuba, Fé, Sereno e Caixa D´Água, recebeu traficantes de comunidades da zona sul que foram ocupadas por UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras), como a Ladeira dos Tabajaras, Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, além da Cidade de Deus, na zona oeste. Segundo um agente da DRAE, os criminosos têm cerca de 200 fuzis e metralhadoras antiáereas..
Os policiais que investigam a criminalidade no complexo não sabem a dimensão exata do poderio bélico dos traficantes. Um agente declarou, no entanto, que grampos telefônicos feitos com autorização da Justiça indicam que, todas as semanas, chegam armas pesadas no local..
- Os bandidos já tinham o arsenal deles e agora têm dos outros que foram para lá. Eles nem usam mais pistolas e fuzis 556. Só querem de calibre 762, ponto 30, ponto 50 para cima..
Com base em informações de colaboradores, os policiais já sabem que as ruas 12 e 29, ambas na Vila Cruzeiro, são os pontos principais de concentração dos bandidos. Segundo o agente, nesses locais, os traficantes têm de tudo que precisam, porque não podem sair da comunidade. Ali, as bocas de fumo funcionam a todo vapor..
O Disque-Denúncia está oferecendo recompensa para quem prestar informações que levem às capturas dos principais chefes do tráfico nos complexos do Alemão e da Penha. Por Pezão, o serviço oferece R$ 2.000, mesma quantia paga pelo traficante Marcelinho Niterói. Já o traficante Fabiano, o FB, que comanda o complexo da Penha, a recompensa chega a R$ 5.000.
Procurada pelo R7, a Secretaria de Segurança Pública informou que, quando a polícia tiver informações concretas sobre o tráfico nessas comunidades, vai realizar operações para tentar capturar os bandidos, como aconteceu na favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul, na semana passada, que resultou na morte de sete supostos traficantes.
A pasta informou ainda que o complexo do Alemão está nos planos para receber uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), mas ainda não há data certa para a implantação.

Polêmica
A falta de operações no complexo do Alemão vem causando polêmica. Nesta semana, a delegacia da Penha (21ª DP) recebeu um pedido do Ministério Público Estadual para abrir procedimento investigatório sobre um oficial do batalhão de Olaria, na zona norte.
O problema, segundo um agente, começou depois que o batalhão teve que cumprir um mandado de prisão contra um traficante no Alemão. O oficial não se recusou a ir, mas comunicou a Promotoria que, para prender o suspeito, precisava montar um grande aparato policial, com a ajuda de helicópteros. Por causa disso, a Justiça determinou ao Ministério Público que solicitasse à polícia a abertura de uma investigação para apurar a conduta do policial.


'Atuo melhor sob pressão', diz promotor do caso Isabella


Francisco Cembranelli é responsável pela acusação contra casal Nardoni. Ele conta os bastidores de preparação para o júri, que pode durar 5 dias.

Mesmo com 22 anos de experiência e participação em 1.077 júris, o promotor Francisco Cembranelli, responsável pela acusação contra o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, diz que ainda sente um “estresse psicológico” antes de atuar diante dos jurados. A partir desta segunda-feira (22), ele tentará convencer o júri que os dois são os responsáveis pela morte de Isabella Nardoni, ocorrida em março de 2008.
“Mesmo no júri mais simples do mundo, eu ainda sinto todo o problema psicológico de falar em público, de ter que expor, de procurar fazer o melhor. Isso acaba trazendo um estresse psicológico muito grande”, afirma. Cembranelli acredita, porém, que isso ajuda em seu trabalho. “Eu sou daquelas pessoas que atuam melhor sob pressão, sob estresse. Eu imponho as cobranças a mim mesmo, buscando sempre melhorar.”
Apesar de estar diante de um julgamento de grande repercussão, o promotor afirma que atua da mesma forma em todos os casos. “Toda sessão para mim tem importância. Eu sou naturalmente assim, atuo em qualquer caso com essa veemência. E é assim que vai ser”, adianta. Na última semana, o promotor se ocupou dos últimos detalhes da acusação. “Você tem um volume grande de documentos e depoimentos e precisa escolher aquilo que vai utilizar, e de uma maneira compreensível.”
Para aguentar um júri com a possibilidade de durar até cinco dias, é necessária uma preparação física. “A preparação precisa ser física e psicológica para enfrentar esse estresse todo de um julgamento longo. Já vi vários júris serem dissolvidos por problemas físicos que acabam surgindo nas partes ou no corpo de jurados. Tem que haver essa preparação para esses embates”, afirma.
Longe dos tribunais, Cembranelli gosta de correr e passar o tempo livre com os filhos. “Eu gosto de correr, já disputei muitas provas. É um momento em que eu consigo esquecer das coisas e você descarrega um pouco essa energia. Gosto de sair com meus filhos, levá-los ao futebol. Isso que faz com que a vida seja menos estressante.”
O promotor e a mulher, que é defensora pública, se conheceram em lados opostos de um júri. Para que o trabalho não interfira na vida pessoal, eles fizeram um pacto. “Há um tempo, estabelecemos um pacto para conversar sobre questões relativas ao júri até um determinado ponto, porque cada um tem uma ideia e, se você ultrapassa esses limites, vira discussão”, conta. Apesar disso, ele diz ser muito difícil não falar sobre os casos. “Constantemente falamos sobre os casos. Isso é um auxílio importante. Antes de ela ser defensora, é minha esposa.”

Caso Isabella
Como pai, Cembranelli fala das dificuldades em lidar com o caso Isabella Nardoni. “A dificuldade sempre vai existir, porque o caso envolve a morte de uma criança. Eu lido com isso há 22 anos, com pessoas que perdem seus parentes, com tragédias, pais muitas vezes revoltados que perdem filhos queridos. Há uma medida certa para que você se situe nesses contextos marcados por tantas tragédias.”


Homem é acusado de exploração sexual de menor


Ele foi flagrado pela Polícia com uma menina de 14 anos nos coqueirais de Cruz das Almas

Um homem foi preso na noite desta sexta-feira (19), acusado de exploração sexual de menor. O servidor público José Lázaro da Silva, 51, foi flagrado pela Polícia com uma menina de 14 anos dentro do seu veículo Siena, nos coqueirais do bairro de Cruz das Almas.
O acusado foi conduzido para Central de Polícia de Maceió, no bairro do Prado, onde foi autuado em flagrante pela delegada dos Crimes Contra Crianças, Bárbara Arraes, com base no Artigo 218 do Código Penal Brasileiro (CPB).
A adolescente declarou à Polícia ter sido convidada para fazer sexo com o servidor público, quando se encontrava no bairro do Tabuleiro do Martins. Pelo programa, ela receberia R$ 30,00.
A delegada Bárbara Arraes tem dez dias de prazo legal para concluir as investigações e remeter à Justiça. José Lázaro da Silva foi transferido na manhã deste sábado (20) para Casa de Custódia da Polícia Civil, no bairro do Jacintinho.
Ele pode ser condenado a até 10 anos de prisão.

Ednelson Feitosa


Gazetaweb

Autora Glória Perez vai ao julgamento do casal Nardoni


Ela diz que vai prestar solidariedade à mãe de Isabella.
Escritora teve a filha Daniela Perez assassinada em 1992.

Glória Perez estará no julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que terá início nesta segunda-feira (22), no Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo. A autora de novelas, que teve a filha Daniela Perez assassinada em 1992, diz que vai prestar solidariedade e dar seu apoio a Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella.
“O julgamento é um dos momentos mais difíceis, porque é quando você revive todo o caso. Estou indo como amiga da família para dar a minha força”, contou Glória.
A novelista afirmou ainda que espera que se faça justiça e criticou a legislação brasileira, definindo-a como “branda”. “Mesmo quando a condenação é de vários anos, esse período não é nem de perto o que a pessoa ficará presa. Ela sempre sai muito antes.”
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são acusados de matar Isabella, então com 5 anos, em março de 2008.
Por causa da grande repercussão do caso, um dos advogado de defesa afirmou que os réus já entram no julgamento condenados pela sociedade. “A imprensa não cria provas. Isso mostra a fragilidade da defesa deles, que não tem argumentos”, contesta Glória, que a princípio deve ir ao fórum a partir de terça-feira.



A autora ficou próxima de Ana Carolina Oliveira, com quem chegou a se encontrar no Rio de Janeiro após a morte de Isabella –juntamente com Cleyde Prado Maia, mãe da estudante Gabriela Prado Maia Ribeiro, morta por uma bala perdida, em 2003. E estará no julgamento a convite do promotor Francisco Cembranelli. “Nos tornamos bastante amigos após a morte de Isabella”, confirma o promotor.
Outro que deve apoiar Ana Carolina Oliveira é Masataka Ota, que teve o filho Ives, então com 8 anos, sequestrado e morto em 1997. Ele também se aproximou da família após a morte de Isabella e diz que, neste momento, a união é importante. "Tentei conseguir uma senha no fórum, mas só poucas pessoas podem entrar. Mesmo assim, estarei lá antes do início para dar força à família. Hoje estive com eles, estão firmes. Nesta hora, pelo que eu passei e pelo que eles passaram, a gente precisa se apoiar", afirmou.

Acesso restrito
A Justiça vai controlar o acesso ao julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que terá início nesta segunda-feira (22). Apenas 77 pessoas serão autorizadas a ocupar a plateia do Tribunal do Júri.
O G1 apurou que o promotor tem direito a oito senhas, e a família de Ana Carolina Oliveira a quatro. Além disso, outras oito serão divididas entre os familiares dos acusados.
Por isso, uma vaga será muito disputada. Dos 77 lugares da plateia, 20 foram reservados para jornalistas. O restante será ocupado por convidados, parentes dos réus e da vítima.
A restrição de acesso ao Tribunal do Júri é proporcional à repercussão internacional do caso. A ideia é manter o ambiente livre de pressões externas que possam influenciar os jurados, que já vão chegar com muita informação sobre a morte da menina Isabella.
“Não há como não ter informação de um caso como esse. Mas eu acredito piamente que as pessoas que vão julgar terão a oportunidade de conhecer bem a prova, vão poder comparar com o que já sabem, vão poder formar uma convicção que lhes permitirá participar do julgamento e acredito, sim, que vai resultar numa sanção merecida”, afirma o promotor Francisco Cembranelli.
“A gente não pode ser hipócrita. Todo mundo tem que pensar: como é que vão os jurados para aquele júri? Vão ali para condená-los. Vão ali achando, porque tudo que assistiram e o que viram foi isso. E não é verdade”, afirma o advogado de defesa Roberto Podval.


G1

Morte de celebridades alerta para uso abusivo de medicamentos no Brasil


Dependente de remédios, ator Corey Haim morreu na semana passada.
Uso de calmante entre jovens no Brasil supera o de maconha, diz entidade.

A exemplo dos Estados Unidos, onde tem sido frequente a morte de celebridades devido ao uso abusivo de medicamentos, a banalização do consumo de remédios já é um "problema grave" de saúde pública no Brasil, segundo autoridades do governo e médicos ouvidos pela reportagem do G1.
Corey Haim, o eterno rostinho juvenil de "Os garotos perdidos", morreu subitamente na semana passada aos 38 anos em circunstâncias que ainda não foram completamente esclarecidas. O ator estava com 38 anos e já havia declarado vício em calmantes à base de substâncias como o diazepam. O astro da música pop Michael Jackson e o ator Heath Ledger também são vítimas recentes desse tipo de dependência, que não é exclusividade de celebridades norte-americanas.
"Tinha medo de pensar em ficar sem. Fiquei desanimada de lutar pelas coisas, muito acomodada", conta Roberta Martinho, socióloga paulistana de 35 anos que durante cinco anos ingeriu calmantes diariamente e há cinco meses diz ter conseguido se livrar da dependência. "Me sinto livre agora. (...) Me sinto ótima, estou com um corpo ótimo, comendo bem, dormindo melhor, lidando com os meus sentimentos, lidando comigo de novo."
Em todo o mundo, o uso abusivo de remédios já supera o consumo somado de heroína, cocaína e ecstasy, de acordo com relatório do Departamento Internacional de Controle de Narcóticos, ligado à Organização das Nações Unidas (ONU). Só nos Estados Unidos, havia em 2008 6,2 milhões de pessoas dependentes de remédios - cerca de 2% da população norte-americana.
Segundo o médico Elisaldo Carlini, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas (Cebrid), no Brasil o uso de calmantes entre estudantes supera o da maconha.
"Desde 1987, fazemos levantamento do consumo ilícito de drogas entre estudantes. No último que fizemos, aparecem primeiro o álcool e tabaco. Depois, vêm os inalantes, como cola de sapateiro e fluído de isqueiro, os benzodiazepínicos (calmantes), e depois maconha e anfetaminas (inibidores de apetite)", afirma.
O coordenador geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Godinho Delgado, classifica a situação como um desafio para as autoridades de saúde.
"É um problema grave no Brasil. (...) Acho importante abordar essa situação porque, para a saúde pública, as drogas ilegais, legais e prescritas podem apresentar danos comparáveis. Nós sabemos que, de todas as drogas, as mais danosas são duas legais, o álcool e o tabaco. E, entre as que não são ilegais, existe ainda o problema dos medicamentos que podem causar dependência."
De acordo com médicos consultados pelo G1 são três as principais classes de remédios que podem causar dependência: benzodiazepínicos (calmantes), anfetaminas (inibidores de apetite) e opióides (analgésicos). Pedro Gabriel Godinho Delgado destaca que o grupo dos calmantes é o que mais preocupa a saúde pública atualmente. Um levantamento domiciliar de âmbito nacional sobre o uso de drogas psicotrópicas mostrou que, em 2002, 3,3% dos entrevistados já haviam consumido calmantes pelo menos uma vez na vida. No levantamento seguinte, em 2005, passou para 5,6% do total de entrevistados (7.939 pessoas nas 108 maiores cidades do país). O aumento foi de 70%.
"O aumento do consumo se deve a dois fatores, um bom e um ruim. Tem a questão da ampliação do acesso ao tratamento, o que mostra que mais pessoas estão tendo acesso ao uso racional. E o ruim é que muito provavelmente esse aumento tão significativo se deveu ao uso não racional, ao uso nocivo", afirmou o coordenador geral da área de saúde mental do governo.
Um novo levantamento deve ser concluído até o começo do próximo semestre. "A nossa estimativa é de que ainda estamos em fase de crescimento desse consumo", disse Delgado.

Mais perigosos
O grupo dos opióides, ou seja, os analgésicos fortes, preocupa os médicos porque o tratamento é mais complexo devido aos efeitos mais graves da abstinência, conforme Pedro Delgado, do Ministério da Saúde.
"No Brasil existe uso abusivo desses remédios, mas é um problema menor do que na Europa e nos Estados Unidos. Tem prevalência maior entre profissionais de saúde talvez pela facilidade de acesso."
Segundo Carlini, da Unifesp, esse grupo de remédios pode provocar até a morte. "O grande problema dessas drogas é que elas são altamente tóxicas e podem produzir overdose. A principal causa de intoxicação e morte na Europa é por heroína e morfina", conta.
No Brasil, o Sistema Nacional de Informações Toxico-Farmacológicas (Sinitox), da Fundação Fiocruz, estuda os casos de intoxicação por meio de medicamentos. Os dados mais recentes são de 2007, quando 34 mil pessoas se intoxicaram por conta de remédios. Naquele ano ocorreram 90 óbitos em razão dos medicamentos.
A pesquisadora Rosany Bochner afirma que a maior parte dos casos de intoxicação por medicamentos é motivada por tentativa de suicídio. Depois, os acidentes domésticos. Os casos de intoxicação por abuso são poucos, esclareceu, acrescentando que nem sempre as estatísticas comprovam a realidade. "Quando aparece [por abuso] são os benzodiazepínicos. (...) Mas os dados que temos são só uma ponta. Tem muitos médicos que não fazem a notificação."
Para Carlini, não é só a intoxicação que ameaça a vida de quem abusa de calmantes. “Os benzodiazepínicos deixam a pessoa grogue. As pessoas ficam mais calmas, dormem mais do que devem e têm dificuldade de exercer funções psicomotoras de precisão, como dirigir um automóvel. Há uma relação clara entre acidentes de trânsito e dirigir com ação de benzodiazepínicos.”

Culpa dos médicos?
Especialistas consultados pelo G1 destacam que a dependência em medicamentos também é favorecida pelo comportamento de profissionais que atendem nos consultórios.
"Estou cansada de ouvir mulheres que tomam antidepressivos prescritos por seus ginecologistas. (...) As pessoas vão procurar remédios médicos para emagrecer e saem com fórmulas que têm ansiolíticos e outras substâncias que interferem no funcionamento psíquico", afirma a psicoterapeuta e membro do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas Mônica Gorgulho.
Para ela, os médicos que fazem atendimentos rápidos para prescrever a medicação também erram. "Dá muito trabalho acertar o medicamento na dose certa para a necessidade de uma pessoa específica. Esse é um processo que dura muito tempo. O início do uso de um psicotrópico é difícil, o médico tem que ter uma formação, uma atualização permanente. Isso dá muito trabalho. Não é todo médico que está disposto, e não é todo médico que está super bem informado."

Culpa dos pacientes?
Já o coordenador Científico do Grupo de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da USP, Arthur Guerra de Andrade, destaca que a dependência ocorre muitas vezes porque o paciente não segue as recomendações.
"Geralmente, o abuso de remédios começa com uma situação que o próprio médico passa ou um familiar começa a fazer uso, e aí o marido ou a esposa começa a usar, mas não de uma forma médica, de uma forma própria. (...) É uma expectativa milagrosa, uma expectativa mágica sobre o remédio. Os pacientes não têm paciência em tomar [da forma correta], em ter outras condutas, em ter alternativas que possam ser mais naturais, como terapia, exercícios, namoro."
Facilidade de aquisição
Para o psicólogo e coordenador do Instituto Olhos da Alma Sã, em Goiânia, Jorge Antônio Monteiro de Lima, um dos culpados pelos casos de dependência pode ser a facilidade de se obter os medicamentos: "Qualquer um compra uma receita ou remédio em qualquer canto. Na internet, pode-se comprar remédio controlado, qualquer tipo de medicação. Existem também profissionais negligentes, que vendem receita sem acompanhar o paciente. Hoje você compra uma receita controlada por R$ 50, R$ 60."
Lima destaca que há casos ainda de pessoas que migram das drogas ilícitas para as lícitas para serem mais aceitas. "Como a droga lícita é aceita pela sociedade, tem muita gente que migra para ela por uma questão de aceitação social. Ela não é estigmatizada socialmente. Um estudante de medicina viciado em dolantina, por exemplo."
Ele destaca, no entanto, que não se pode considerar o remédio um "vilão". "Não podemos sacrificar o remédio, pois há muitos pacientes que precisam deles, como os que sofrem de esquizofrenia. O remédio não é o vilão. O vilão é o mau uso do remédio."

Mais controle
O coordenador de Saúde Mental do governo, Pedro Delgado, aponta três saídas para amenizar o problema: conscientizar a população, capacitar o médico e controlar melhor a propaganda que as indústrias fazem para os médicos e que acabam, na avaliação dele, influenciando na prescrição dos remédios.
"O governo tem contato direto com as associações médicas, e, na área dos benzodiazepínicos, por exemplo, a sociedade de psiquiatria preza a questão da formação continuada dos médicos. Uma força contrária que é a indústria farmacêutica tem influência sobre os profissionais, o que vai um pouco na contramão do uso racional. (...) Já há controle da propaganda por parte da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], mas precisa ser aperfeiçoado. O ministério defende um controle maior sobre os métodos de propaganda da indústria farmacêutica", afirma.
Quem controla a propaganda de remédios no Brasil é a Anvisa. A agência informou que desde o ano passado já vigora uma resolução que regula o contato entre médicos e indústrias e estabelece limites para essa relação.
O vice-presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, disse ao G1 que é "equivocado afirmar que a classe médica se deixa influenciar pela indústria farmacêutica na prescrição de medicamentos". "As informações prestadas pela indústria farmacêutica aos médicos têm a única função de atualizá-los sobre o lançamento de novos medicamentos e/ou novos tratamentos. A decisão da prescrição de um medicamento é ato soberano do profissional da saúde e o Sindusfarma tem certeza de que ela está balizada pelos compromissos éticos deste profissional com seus pacientes e a comunidade", acresentou Mussolini.

Colaborou Diego Assis

Nova lei acelera júri do caso Isabella, mas não impede adiamento; entenda as mudanças


Publicado em 18/03/2010

Em pouco menos de dois anos após o crime, acontece na próxima segunda-feira (22) o júri popular que irá decidir se Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella Nardoni, são culpados ou inocentes pela morte da menina, ocorrida em 28 de março de 2008. Um dos fatores responsáveis pela rapidez foram as mudanças no Código do Processo Penal relativas a esse tipo de julgamento popular.
Isabella, segundo denúncia do Ministério Público, foi jogada da janela do 6º andar pelo pai no edifício onde o casal morava, após ter sido agredida pela madrasta. O casal, que responde por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (por alterarem a cena do crime com o objetivo de enganar a Justiça), nega as acusações.

Novas regras
Desde que a denúncia foi apresentada, em 7 de maio de 2008, até a sentença que pronunciou o casal (determinou que eles fossem julgados por júri popular), em 31 de outubro daquele ano, foram necessários pouco menos de cinco meses para finalizar essa fase inicial. Nesse meio tempo, mais precisamente em 10 de junho, foi publicada a lei 11.689, e entraram em vigor as novas regras, aplicadas imediatamente ao caso por se tratar de uma mudança no processo penal (veja quadro no final desta reportagem).
Em comparação com outro caso de repercussão, o assassinato da jornalista Sandra Gomide pelo também jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, denunciado em 28 de agosto de 2000 e pronunciado apenas em 14 de junho de 2002, o tempo de tramitação caiu mais da metade.
Outra fase sujeita a recursos que, antes, provocavam uma espera de mais de ano até a data do júri, também foi encurtada consideravelmente. Enquanto, no caso de Pimenta, esse período durou cerca de quatro anos, no processo dos Nardoni ocorreu em menos de cinco meses. Em outro caso famoso, o do ex-seminarista Gil Rugai, acusado de matar pai e madrasta em São Paulo, essa fase se arrasta desde 2005 e ainda não há data para o julgamento.
“O objetivo dessa reforma foi, sem dúvida, fazer com que o Estado dê uma resposta à sociedade de uma maneira mais célere, simplificando o procedimento do júri. Uma Justiça tardia é a mesma coisa do que uma injustiça”, avalia Leonardo Pantaleão, professor do Complexo Damásio de Jesus. “Sem dúvida acelerou. Não é um tempo recorde, mas, considerando a complexidade desse caso, o júri vai acontecer em um tempo razoável.”

Adiamento possível
As mudanças, no entanto, não evitam por completo as chances de que a sessão seja adiada, a exemplo do que ocorreu no julgamento de Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais, em 2006. A ausência de uma testemunha considerada imprescindível fez com que a defesa abandonasse o plenário e uma nova data tivesse que ser marcada pelo juiz.
Ainda segundo o criminalista, outra hipótese é a de que, na hora do julgamento, algum fato ainda necessitar de perícia para ser explicado. “Eu não duvido nada, em um júri dessa magnitude, que um jurado levante uma hipótese ainda não aventada. Mas isso terá que ser reconhecido como essencial pelo juiz para que o júri seja interrompido”, afirma o especialista.
O mesmo vale caso uma testemunha considerada imprescindível pelos advogados não seja localizada. “Isso depende de quando e de como se soube que essa testemunha não foi encontrada”, adianta Pantaleão. Caso a testemunha tenha sido intimada e não comparecer, ela é procurada e levada até o fórum. Se não for localizada no local indicado, o júri continua da mesma maneira.

Preparativos para o júri
As versões da defesa e da acusação devem ser apresentadas aos jurados durante pelo menos três dias a partir da próxima segunda-feira. Por causa do número de testemunhas, o juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri, reservou o plenário por uma semana.
O magistrado também já requisitou reforço por causa da grande repercussão do caso: solicitou um médico para plantão e uma ambulância, equipada com equipamentos necessários e socorrista, duas viaturas para uso durante os trabalhos de julgamento, aumento no efetivo de agentes de segurança no prédio, para proteger o patrimônio público, e reforço policial.
Na terça (16), o desembargador Luís Soares de Mello, da 4ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou habeas corpus à defesa do casal, que pretendia adiar o julgamento. O advogado Roberto Podval pediu a produção de novas provas e alegou cerceamento de defesa. Para o magistrado, o pedido tinha "nítido caráter protelatório".
O Tribunal de Justiça já sorteou os 40 jurados dos quais 25 comporão inicialmente o Conselho de Sentença. São 17 homens e 23 mulheres, maiores de 18 anos e residentes em São Paulo. Destes, restarão sete, escolhidos um a um no início da sessão do dia 22.
O esquema para a cobertura do júri também será definido em uma reunião especialmente convocada na sede do TJ-SP, no centro da capital. Até o momento, dos 77 lugares disponíveis em plenário, os jornalistas poderão ocupar 20. Será proibido filmar, gravar ou entrar com laptops, para não atrapalhar a sessão.

Confira algumas das mudanças nos procedimentos do Tribunal do Júri

Interrogatórios
Antes: O réu, as testemunhas de acusação e de defesa são ouvidos em dias diferentes. Apresentadas contrarrazões, o juiz decide se leva o acusado a júri popular (sentença de pronúncia)
Depois:Testemunhas de acusação, defesa e, por último, o réu, são ouvidos na mesma audiência, juntamente com os argumentos das partes pelo Ministério Público e advogados. O juiz decide no mesmo dia ou, em casos mais complexos, dá um prazo de 10 dias.

Protesto por novo júri
Antes: O réu pode recorrer caso seja condenado a uma pena superior a 20 anos de prisão
Depois: Não existe mais recurso contra pena superior a 20 anos
Jurados
Antes: Idade mínima de 21 anos
Depois: Idade mínima de 18 anos

Quesitos
Antes: Os jurados respondem a uma série de perguntas relativas ao crime, que são interpretadas pelo juiz, que profere o veredicto
Depois: Os quesitos foram simplificados. Entre eles, deve haver a pergunta: "O jurado absolve o acusado?"

Julgamento
Antes: É obrigatória a presença do réu
Depois: O réu pode decidir não comparecer, exercendo seu direito de silêncio
Debates
Antes: Acusação e defesa tinham duas horas cada para apresentar seus argumentos ao júri, com meia hora de réplica e tréplica para cada (tempo dobrado em caso de dois réus)
Depois: São uma hora e meia para cada, com uma hora para réplica e tréplica para cada (tempo dobrado em caso de dois réus)
“A mudança na lei trouxe algo muito positivo para o júri, a não-obrigatoriedade de o réu estar presente ao julgamento. Antes, tinha réu que ficava anos sem ser julgado simplesmente porque não comparecia à audiência", afirma Pantaleão. “Agora, se a defesa tiver razões suficientes para crer que o seu cliente não teve garantida sua ampla defesa, essa não é uma questão dessa lei, mas sim, do direito do advogado de decidir abandonar o plenário. Mas ele tem de estar muito bem fundamentado para fazer isso, caso contrário, poderá sofrer sanção disciplinar”, completa.


Quatro capitais brasileiras estão entre as mais desiguais do mundo, diz ONU

PARIS - Quatro capitais brasileiras estão entre as mais desiguais do mundo : Goiânia, Fortaleza, Belo Horizonte e Brasília, segundo o relatório "Situação das cidades do mundo 2010-2011", da Habitat, a agência da ONU para habitação. Depois de Buffalo City , Johannesburg e Ekurhuleni, todas na África do Sul, as brasileiras foram classificadas como cidades "extremamente desiguais". Isto é : onde o fosso entre ricos e pobres é muito grande.
Mas a Habitat poupa o Brasil ao comparar a desigualdade destas cidades com os piores casos da África.
- Embora cidades brasileiras, em geral, tenham graus de desigualdade de renda extremamente altos, estão muito melhor do que cidades altamente desiguais na África quando se trata de saneamento e água encanada. Em 2007, embora a capital Brasília tivesse um índice Gini (que mede a desigualdade) muito alto, 90% da população tinha acesso à água encanada e 88% à saneamento básico - diz o relatório.
O índice Gini - entre 0 e 1 - mede a distribuição no consumo e na renda de um país, e é usado no mundo inteiro como indicador de desigualdade: quanto mais próximo de 1, maiior a desigualdade. As quatro capitais brasileiras, segundo a ONU, têm índice acima de 0.60.
Outras cidades com alto coeficiente de desigualdade são Bogotá (Colômbia), com 0.55, Buenos Aires (Argentina), Santiago do Chile e Quito (Equador), têm entre 0.51 e 0.55. Beijing, na China, é a cidade com menor índice de desigualdade: 0.22. E até Caracas, na Venezuela, aparece na lista das cidades menos desiguais do mundo: 0.39.
Se medida só com base na distribuição de consumo, cidades como Dhaka e Chittagong (ambas em Bangladesh), estão entre as cidades mais igualitárias do mundo. Mas não há o que comemorar: a população está "igual" por baixo, isto é, na mais absoluta na pobreza. Washington D.C, nos EUA, também é citada como uma cidade altamente desigual (0.53).
Segundo a Habitat, há vários outros problemas afetando cidades do mundo. Uma delas é que a prioridade na urbanização e nas reformas estão sendo dada à população rica, e não aos pobres, segundo sondagem em 30 cidades de vários continentes.
Má nutrição nas favelas é outro problema : o relatório diz que "cada vez mais as pessoas vivendo em cidades vão dormir com mais fome a cada noite, mais do que os que estão no campo". O relatório também chama atenção para o baixo índice de escolaridade de crianças nas favelas brasileiras. O Brasil é comparado com a Guatemala, onde apenas 54% das crianças vivendo em favelas estavam em escolas primárias em 1999.
A Habitat faz um apelo para que governos direcionem mais suas políticas para jovens das cidades, que estão sendo marginalizados, o que contribui para as desigualdades. Um estudo da Habitat mostrou que no Rio de Janeiro, com uma população de jovens de 1 milhão de um total de 6.1 milhão, políticas não estão funcionando : cursos são criticados pelos jovens por serem "insuficientes ou esporádicos" e sem conexão com o mercado.
Segundo o relatório, cidades estão crescendo e se conectando em eixos que o Habitat chama de "mega-regiões" ou "corredores urbanos". A agência da ONU, por exemplo, define o eixo São Paulo- Rio de Janeiro, onde 43 milhões de pessoas vivem, como uma mega-região. E vê vantagens nisso : estas "mega-regiões" estão crescendo mais rápido econômicamente do que "mega-cidades" (definidas como tendo mais de 20 milhões de habitantes), porque há estímulo para negócios, mais desenvolvimento imobiliário e valorização das terras, por exemplo. Mas há uma desvantagem : como estes corredores ganham muita importância econômica, outras regiões no país acabam ficando prejudicadas.
- Há o perigo de criar uma nova hierarquia urbana e mais padrões de exclusão econômica e social - diz o relatório.
Rio de Janeiro, São Paulo, cidade do México e Buenos Aires são as quatro mega cidades no mundo em desenvolvimento que, sozinhas, são responsáveis por 1.5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Já na Europa, por exemplo, Bruxelas contribui com 44,4% do PIB de seu país, a Bélgica.

Deborah Berlinck


sexta-feira, 19 de março de 2010

Paulo Maluf entra para a lista de procurados da Interpol


SÃO PAULO - O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) foi incluído na lista de procurados da Interpol, que é uma espécie de polícia internacional. A informação foi divulgada nesta sexta-feira pelo Ministério Público de São Paulo. Com isso, o ex-prefeito de São Paulo pode ser preso ao entrar em um dos 181 países que são membros da Interpol. A decisão da prisão de Maluf pela Interpol não pode, no entanto, ser cumprida no Brasil.
- Nenhum brasileiro nato pode ser extraditado, segundo a legislação - disse o promotor do Ministério Público (MP) de São Paulo Silvio Marques, acrescentando que as autoridades americanas não podem pedir para Maluf ficar preso no Brasil.
Maluf foi incluído na lista de procurados, a chamada "difusão vermelha", a pedido da Promotoria de Nova York, nos Estados Unidos, após investigação conjunta de promotores brasileiros e americanos, iniciada no Brasil em 2001. Em 2007, a Justiça americana determinou a prisão de Maluf pelos crimes de conspiração, auxílio na remessa de dinheiro ilegal para Nova York e roubo de dinheiro público em São Paulo.
O deputado federal é acusado de desviar recursos das obras da Avenida Água Espraiada e remetê-los para Nova York, e em seguida para a Suíça, Inglaterra e Ilha de Jersey, um paraíso fiscal. Depois, segundo o MP paulista, parte do dinheiro era investida na Eucatex, empresa do ex-prefeito em São Paulo.
Flávio Maluf, filho do ex-prefeito, acusado pela Justiça americana pelos mesmos crimes e no mesmo processo, também aparece na lista de procurados no site da Interpol.
Segundo denúncia do promotor americano Robert Morgenthau, Paulo Maluf teria enviado, de janeiro a agosto de 1998, US$ 11,68 milhões de fundos roubados para uma conta nos Estados Unidos, que teria servido de ponte para encaminhar o dinheiro para a Ilha de Jersey.
- Enquanto ele não estava na lista da Interpol, ele podia ir para qualquer lugar. Agora, não - disse o promotor Silvio Marques.
De acordo com o promotor Silvio Marques, Maluf não chegou a ser julgado nos Estados Unidos, pois o julgamento só pode acontecer na presença dele. No Brasil, o ex-prefeito ficou preso por 40 dias em 2005 e seus bens foram bloqueados, mas a Justiça concedeu liberdade ao hoje deputado federal. Além disso, a Prefeitura de São Paulo conseguiu o bloqueio de US$ 22 milhões na Ilha de Jersey, onde parte dos valores foi depositada.
Em nota, a assessoria de imprensa de Maluf disse que as acusações são falsas. "Basta começarem as movimentações eleitorais para que velhas e falsas acusações voltem a aparecer, divulgadas por setores do Ministério Público de São Paulo", diz a nota.
Já o advogado do ex-prefeito, Maurício Leite, afirmou, também em nota, que a a inclusão do nome do deputado é "uma ilegalidade por parte da promotoria estadual norte-americana, verdadeira afronta à soberania do Brasil e do Congresso Brasileiro. Seria o mesmo que um promotor de Justiça estadual de qualquer estado brasileiro - a exemplo do que fez a promotoria do Estado de Nova York - enviar à Polícia internacional o nome de um parlamentar norte-americano proibindo-o de viajar sob pena de prisão". Leite informou que, em fevereiro, por meio de uma advogado americano, entrou com uma ação na Justiça dos Estados Unidos para anular a inclusão na lista da Interpol.


O Globo

Testemunha de defesa dos Nardoni desaparece e julgamento pode ser adiado



Uma das testemunhas convocadas pelos advogados de defesa do casal Nardoni ainda não foi localizada. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o pedreiro Gabriel Santos Neto ainda não recebeu a convocação oficial para o júri, marcado para a próxima segunda-feira, a partir das 13 horas.
A informação foi confirmada ao estadão.com.br pelo advogado de defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, Roberto Podval. O advogado também informou que a decisão sobre um possível adiamento do júri deve ser analisada na segunda-feira.
Em nota oficial, o TJ informa que com a "não localização do pedreiro ou de qualquer outra testemunha intimada, somente após a instalação do júri, e a partir da argumentação da defesa e da acusação, é que o juiz decidirá o que fazer."
Para o professor de Direito Penal da Faculdade de Direito da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) Filipe Schimidt Sarmento Fialdini, a possibilidade do julgamento ser adiado é real, mas dependerá de uma "série de fatores" que o juiz pode levar em conta.
"E mesmo se o julgamento for suspenso na segunda-feira, não creio que será remarcado para muito além do previsto", acrescenta. "Se defesa pode se comprometer a encontrar a testemunha, pode-se remarcar para daqui uma ou duas semanas, por exemplo."
Na última terça-feira, 16, o TJ-SP já havia negado pedido de habeas corpus feito pela defesa do casal, com a intenção de suspender o julgamento. A decisão foi do desembargador Luís Soares de Mello.
O casal é acusado de matar a menina Isabella Nardoni em março de 2008, em São Paulo, que à época do crime, tinha 5 anos. Alexandre e Anna Carolina estão presos em Tremembé e alegam inocência. Os dois são acusados de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.

Estadão.com.br

Estudante agredida com apagador pode mudar de escola


RIO - A menina de 11 anos que foi atingida por um apagador jogado por um professor em sala de aula, na última quarta-feira, poderá ser transferida de escola, segundo a Coordenadoria Regional de Educação (CRE) da região da Ilha do Governador, que está avaliando esta possibilidade. A advogada Consuelo Martins, que representa a aluna, conta que passou a manhã desta quinta-feira com membros da CRE:
- O importante é a saúde psicológica da criança, que está muito assustada. Acordou hoje (quinta) dizendo que não queria mais voltar à escola, mas confusa, por causa das provas. Ela foi ao médico com muitas dores no estômago e teve febre.
O professor de geografia Marcelo de Souza Leite, que protagonizou o incidente na Escola Municipal Cuba, não foi trabalhar nesta quinta-feira e a menina faltou à prova de inglês.
Em nota, a Secretaria municipal de Educação disse considerar inaceitáveis atitudes como a do professor. A CRE instaurou sindicância, com prazo de 60 dias, para apurar os fatos. A direção do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) informou que incidentes como este vêm se repetindo de várias formas e que o motivo é o alto nível de estresse dos profissionais devido à superlotação das turmas e à falta de infraestrutura e de uma política pedagógica coerente.

Globo

População nas favelas diminuiu


O Brasil reduziu em 16% a população de favelas. Cerca de 10,4 milhões de pessoas deixaram esse tipo de habitação nos últimos 10 anos, apontou ontem um relatório das Nações Unidas. Apesar disso, o número de habitantes de moradia precária em todo o mundo, no mesmo período, avançou de 776,7 milhões para 827,6 milhões.
O número de brasileiros que moram em favelas diminuiu de 31,5% para 26,4% devido à adoção de políticas econômicas e sociais, à diminuição da taxa de natalidade e à migração do campo para a cidade. A Agência para Habitação das Nações Unidas atribuiu a melhoria também à criação do Ministério das Cidades pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a adoção de emenda constitucional afirmando o direito do cidadão à moradia e aos subsídios a materiais de construção.
Entre os países pesquisados, o Brasil está atrás apenas de China, Índia e Indonésia, que, segundo a ONU, deramgrandes passos para combater a precariedade das moradias.
Os autores do estudo calculam que, mantida a taxa atual, o número de habitantes de favelas aumentará 6 milhões por ano até 2020, quando chegará a 889 milhões.
Apesar do incremento de 55 milhões no número absoluto de favelados no período pesquisado, o relatório destaca que 227 milhões de pessoas no mundo deixaram de viver em assentamentos precários entre 2000 e 2010.
“Isto significa que, coletivamente, os governos do mundo alcançaram a Meta 11 do Objetivo 7 dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (melhorar a vida de pelo menos 100 milhões de habitantes em assentamentos precários para o ano 2020) em 2,2 vezes”, diz o texto.
A África Subsaariana é região que concentra a maior população em favelas, onde 199,5 milhões ou 61,7% de sua população urbana vivem em tais áreas.

Diário Catarinense

Justiça proíbe fotos de modelo seminua beijando filho na boca


Um ensaio fotográfico no qual a ex-modelo Cristina Mortágua, 39 anos, aparece com os seios a mostra e beijando o filho de 15 anos, que teve com o ex-jogador de futebol Edmundo, virou alvo de um inquérito civil no Ministério Público (MP), que pediu, e a Justiça determinou a proibição da publicação das fotos. A juíza Ivone Ferreira Caetano, da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, disse que não comentará o caso porque o processo está em andamento. O ensaio foi feito a pedido do jornal Extra, do Rio. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Essa foto já deu muito o que falar. Meu filho está segurando bem essa onda, mas não sei até quando. Foi tudo uma grande brincadeira feita lá em casa durante um ensaio fotográfico e que se transformou nessa palhaçada. Isso é coisa de gente recalcada", disse a ex-modelo ao jornal. A lei proíbe expor menores a situações vexatórias.

Portal Terra

Mãe de Isabella Nardoni escreve carta de agradecimento aos brasileiros



Ana Carolina Cunha de Oliveira enviou a carta à produção do programa Hoje em Dia, para agradecer aos brasileiros pelo apoio, desde a morte da pequena Isabella, em 29 de março de 2008. A mãe terminou a carta com uma mensagem à filha. O julgamento de Ana Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni, pai de Isabella, acontece nesta segunda-feira, 22 de março.

Internet se transforma em Tribunal e internautas viram jurados do caso Isabella


Ao digitar Isabella Nardoni no Google aparecem quase 700 mil resultados para a busca. No Orkut, passam de mil as comunidades que debatem a morte da menina. A discussão chegou a blogs, sites e, mais recentemente, ao twitter, onde o “Caso Isabella” e o “Justiça Justa” acumulam quase 2 mil seguidores em pouco mais de um mês de existência. Pela primeira vez, o Brasil acompanha tamanha mobilização em torno de um crime.
Nem mesmo a morte de João Hélio, que ficou preso ao cinto de segurança do carro da mãe durante um assalto em fevereiro de 2007, no Rio de Janeiro, e foi arrastado por mais de sete quilômetros, despertou tantos sentimentos. Na internet, pessoas que dizem nunca ter tido qualquer contato com a família de Isabella e dos acusados, Alexandre Nardoni (pai da menina) e Anna Carolina Jatobá (madrasta), exercem papel de detetives e juízes do caso.
A reportagem do iG entrou em contato com três pessoas que acreditam que o casal Nardoni é inocente e três que consideram-nos culpados. Para defender seus pontos de vista, elas não medem esforços. Algumas, passam mais de duas horas diárias na internet em função disso.
A artesã Maria Goretti Guimarães, de 56 anos, é uma delas. Ela participa de quatro comunidades "Quem matou Isabela Nardoni?", "Eu defendo Alexandre Nardoni", "Justiça sim; Injustiça não" e "Contradições no caso Isabela" e conta que, diariamente, encontra-se pela web com pessoas que, como ela, acreditam na inocência de Alexandre e Anna Jatobá. “A internet é de suma importância em casos assim, ela fornece a ferramenta que precisamos para ir mais a fundo em algo que não conhecemos”, diz, e acrescenta que ela ajuda na mobilização. “Sem ela, não seria possível”, afirma.
Goretti criou o blog Caso Isabella Oliveira Nardoni e, por causa dele, estudou até mesmo como funciona o reagente Luminol, utilizado pela perícia no apartamento de onde Isabella caiu do 6º andar. “Aprendi que ele pode dar positivo para outras substâncias que não sangue. Estudei asfixia mecânica e, por isso, acho que não ela foi esganada”, conta ela, que também divulgou vídeos sobre o caso, sendo que um deles já ultrapassou os 30 mil acessos.
Por que tanto esforço? “Porque acredito que nada fizeram, não sou defensora de assassinos. Se um dia for comprovada a culpa, sem sombra de dúvidas, que paguem com os rigores da lei por tamanha barbárie”, justifica.
As contradições no processo são os motivos que a assistente social Paula da Silva Pereira, de 45 anos, alega para defender o casal. Criadora do twitter "Justiça Justa", que tem 450 seguidores (até dia 18), prega a inocência do casal e o utiliza para divulgar o blog Nardoni Isabela Nardoni. Nele, publica reportagens divulgadas na imprensa, laudos e entrevistas que supostamente mostram erros da investigação e da perícia.
“Há poucos dias do julgamento, as apelações psicológicas para incriminar ainda mais o casal e levar a população ao clamor público continuam indiscriminadamente”, diz o blog. Em entrevista ao iG, Paula nega relação com a família dos acusados e diz que apenas neste último mês entrou em contato, por telefone e e-mail, com Antônio Nardoni, pai de Alexandre. O motivo da dedicação, diz ela, é mostrar o “outro lado da história”. “Quando foi marcado o júri estava na hora de perdermos o medo e darmos um grito por Justiça”, afirma.
O médico aposentado Carlos Souza Goulart, além de fazer parte de diversas comunidades, criou o blog Acreditamos no Casal Nardoni, que possui diversas fotos de Alexandre Nardoni e Anna Carolina com Isabella. Nelas, eles aparecem felizes em festas e situações típicas de uma família harmoniosa.
Goulart conta que aprendeu a usar o Orkut com a ajuda dos netos e, no começo, achava que era apenas “brincadeira de adolescentes”, mas percebeu “estar muito errado”. Hoje, no blog, diz reunir pessoas de diversos Estados do Brasil e até uma amiga que acompanha o caso do Japão. “Algumas pessoas nunca se olharam, mas temos aqui um canal pra compartilhar informação”, diz.

Acreditam na culpa do casal
Mais do que participar de sites e comunidade, a advogada mineira Juliana Campos, de 38 anos, também investiga a morte de Isabella. Com a ajuda de amigas, conseguiu cópias de laudos e partes de depoimentos prestados pelo casal e por testemunhas. No post de quinta-feira, há um trecho do depoimento de Anna Carolina, onde ela conta que brigava muito com o marido. Há ainda fotos e vídeos que podem ser vistos no Blog Caso Isabella Oliveira Nardoni.


Blog Caso Isabella mostra provas contrárias ao casal

“A gente buscou pesquisar o assunto para também ser responsável por aquilo que publica. Eu acho que falta ao brasileiro se posicionar diante das coisas”, explica.
Juliana, que acredita veementemente na culpa do casal, conta que, diante da polêmica sobre a esganadura ou não da menina, enviou fotos dos ferimentos e cópias de laudos para peritos de outros Estados, que nada tinham a ver com o caso. “Todos foram unânimes em dizer que houve esganadura”, afirma.
O interesse pelo caso saiu, inclusive, do mundo virtual. Agora, sempre que pode, Juliana encontra-se pessoalmente com as amigas que fez pela internet em São Paulo e no Rio Janeiro, que hoje ajudam-na a manter o blog. Diariamente, dedica pelo menos duas horas ao caso, entre pesquisas, entrevistas e atualizações
Uma das amigas de Juliana, a agente de viagens Andréa Ramos, de 40 anos, conta que o fato de ter uma filha de 6 anos a sensibilizou ainda mais com o crime. “Olho para ela dormindo e penso na Ana Carolina (mãe) que não vive mais esses momentos mágicos”, afirma.
Diariamente, de hora em hora, ela atualiza sites e blogs dos quais faz parte. “Acompanhei todos os andamentos do processo”, diz. A motivação, explica, é o “desejo de que não haja mais um caso de impunidade”.
Para ela, além do caso em si, que considera “chocante”, a internet foi fundamental para disseminar o debate. “Acompanhei também o caso da rua Cuba e da Daniela Perez, mas na época não tínhamos as ferramentas que temos hoje. As pessoas só liam as reportagens, hoje elas podem opinar e discutir”, ressalta.
A empresária catarinense Diana Rosa, de 39 anos, diz que começou a acompanhar o caso já no dia seguinte à morte de Isabella. “Leio tudo e no começo torci para que não fosse o casal, mas acho que todas as provas apontam para eles”, explica.
Diana ainda se espanta com o clamor público que o caso criou. “A população exigiu, foi às ruas, se mobilizou e as autoridades corresponderam”, diz, e acrescenta que a real importância deste julgamento deve ser percebida mais a frente.
Para elas, pelo bem ou pelo mal, o caso Isabella já se mostra como “um divisor de águas” na Justiça Brasileira.






Lecticia Maggi, iG São Paulo

Carta do Papa sobre pedofilia marca o fim da política de silêncio


A "Carta Pastoral" de Bento XVI aos irlandeses, que o Vaticano divulgará sábado, representa o primeiro documento escrito por um Papa sobre a pedofilia e confirma a vontade da Igreja, nesta última década, de quebrar a barreira do silêncio, sustentam os vaticanistas.
A política do silêncio, aplicada durante décadas pelo Vaticano, foi acatada inclusive pelo então cardeal Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI, segundo denúncias da imprensa alemã que o acusam de ter hospedado, em 1980, em sua diocese de Munique, um sacerdote com antecedentes de abusos a menores, para ser submetido à terapia.
O religioso foi transferido depois a uma paróquia sem que Ratzinger, a maior autoridade local, tenha sido informado e voltou a transgredir.
O caso ilustra a atitude da hierarquia católica até que explodiram, em 2000, numerosos e graves escândalos de pedofilia nos Estados Unidos.
Em 2001, João Paulo II publicou um documento especial, um "motu propio", qualificando o comportamento de "crime grave", iniciando, assim, a ruptura com o passado.
O documento papal havia sido elaborado pelo então cardeal e teólogo Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
Entre as medidas adotadas e comunicadas pelo Vaticano estava a de convidar os bispos a afastarem imediatamente os padres denunciados por pedofilia.
"Nos últimos 15 anos vem sendo vivenciada uma verdadeira revolução na Igreja", explicou à AFP o vaticanista Marco Politi.
"A mudança é tão importante, que até o Papa, hoje em dia, pede que se denunciem os casos", acrescentou.
"Bento XVI arremeteu contra o fenômeno desde o início de seu pontificado, em 2005, quando ordenou ao padre mexicano Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo, que deixasse as celebrações religosas em público, depois de ter sido alvo de múltiplas acusações por abuso a menores seminaristas", recorda John Allen, especialista americano em assuntos do Vaticano.
"O pontífice também se encontrou com as vítimas, durante viagens aos Estados Unidos e à Austrália", destaca.
Os casos de pedofilia cometidos por padres aumentam a cada dia e afetam vários países e numerosas instituições que educam milhões de jovens em todo o mundo.
O desafio é também financeiro. A igreja americana pagou, em 2008, 436 milhões de dólares em indenizações.
"A hierarquia da Igreja está consciente, agora, de que não se pode guardar silêncio nem limitar-se a transferir o sacerdote culpado, sob o risco de cometer novas atrocidades", sustenta outro especialista, Sandro Magister, na revista italiana L'Espresso.
Para o bispo italiano de Alessandria, Giuseppe Versaldi, "graças ao rigor" de Bento XVI as conferências episcopais de todo o mundo não temem que cheguem à luz as denúncias, colaborando com as autoridades penais para que os "culpados sejam punidos".
"A carta aos católicos irlandeses será o primeiro documento oficial de um Papa sobre a pedofilia na sociedade contemporânea", destaca Marco Politi.

G1

Mulheres pedem fim da violência e legalização do aborto em marcha que passou por dez cidades de São Paulo


São Paulo - Com um ato político em frente ao Estádio do Pacaembu, em São Paulo, cerca de 3 mil mulheres de várias partes do Brasil e de vários movimentos sociais encerraram ontem a participação na Marcha Mundial das Mulheres, que teve início no dia 8 de março, com uma caminhada saindo de Campinas (SP).
A intenção das mulheres, que passaram por nove cidades até chegar à capital paulista, foi chamar a atenção para o papel da mulher na sociedade, centrando as reivindicações em quatro temas: a autonomia econômica, a paz e desmilitarização, a não violência contra a mulher e a contrariedade à privatização dos serviços e bens públicos. Entre os principais temas reivindicados estavam a legalização do aborto, a realização da reforma agrária e o fim da violência contra a mulher.
“A manifestação é a prova de que o feminino não está morto. Está muito vivo. E as mulheres precisam somar suas forças. Acredito que saindo daqui vamos estar muito mais fortalecidas para a luta das mulheres”, disse Carmen Foro, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), que ressaltou que uma das principais lutas das brasileiras hoje é com relação à questão da violência.
“A cada quinze segundos uma mulher é violentada pelo pai, pelo marido ou pelos filhos. E hoje estamos chamando a atenção do mundo sobre essa marcha”, disse Claudinéia Santos Cruz, do Conselho Municipal do Direito das Mulheres de Santo André (SP).
Com camisetas roxas, a cor do movimento feminista, as mulheres chegaram por volta das 15h45 na capital, num trem que veio da cidade de Osasco (SP) e parou na Estação Barra Funda. De lá, a caminhada seguiu para o Pacaembu. Em cada cidade por onde passaram, as mulheres participaram de cursos e atividades de formação com temas como saúde da mulher, economia solidária, reforma agrária, agroecologia e direito ao aborto.
A técnica em higiene dental Railene Ribeiro Cardoso saiu de Belém (PA) para participar da marcha em São Paulo pela primeira vez. Segundo ela, a ideia agora é transferir o conhecimento adquirido e as histórias acumuladas durante todo o trajeto da marcha para os netos. “Quero levar um amanhã melhor para meus netos e netas e que eles tenham conscientização de que a mulher deve ser valorizada”, afirmou.
A marcha é parte de um ato internacional que vai terminar em uma grande mobilização no dia 17 de outubro, na República Democrática do Congo.

Correio Braziliense

CNBB afirma que os 19 suicídios indígenas ocorridos no País foram em Mato Grosso do Sul


Os representantes do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) nacional, vinculado à CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), reuniu a imprensa na tarde desta quinta-feira para debater o processo de demarcação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul. Para o presidente nacional do Cimi, Erwin Krautler, é preciso encontrar uma solução primordial para acabar com a marginalização da população indígena do Estado.
Para Krautler, a situação dos povos Guarani-Kaiowá é degradante e insuportável.” O Mato Grosso do Sul está na berlinda. Os 19 suicídios de indígenas registrados no Brasil todos foram aqui, fora os assassinatos. Isso é situação grave e insuportável”, afirmou, relatando que o poder público é omisso quanto às questões indígenas. “Para um Estado que se denomina agropecuário, é claro que não irão se importar com as questões indígenas”, completou.
“A demarcação é o caminho para os índios terem mais dignidade”, ressaltou o presidente do Cimi, Ervin Krautler.
Krautler acha inaceitável um Estado que tem a segunda maior população indígena do País não se preocupar com as aldeias, principalmente as localizadas em Dourados. “Nós acompanhamos a situação nas aldeias, com criança na beira da estrada, passando fome”, relatou.
Ele acredita que existe verba para ser aplicada na melhoria das aldeias, mas depende da ação de quem está no poder.
Krautler foi incisivo ao dizer que as terras têm que ser devolvidas para os índios, já que há uma comprovação antropológica histórica. Ele é contrário à proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de comprar terras para os índios em Mato Grosso do Sul.
Ontem (17) a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) aprovou a mudança no texto da Constituição Federal que prevê a indenização para os proprietários rurais que tiverem suas terras desapropriadas pela União para serem demarcadas. O substitutivo é de autoria do senador Valter Pereira (PMDB). Voto em separado do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que colocava restrições a essa indenização, foi rejeitado pela CCJ.
Segundo o presidente do Cimi, ‘os latifundiários nunca irão se compadecer pelas causas indígenas e sempre irão achar que os índios são um estorvo'.
Abaixo segue a Carta Campo Grande. Solidariedade aos povos indígenas no Mato Grosso do Sul.
Denunciamos, mais uma vez, as graves violações de direitos humanos que continuam sendo praticadas contra o povo Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul: confinamentos em pequenas reservas, altos índices de violência, mortalidade infantil, famílias acampadas à beira de estradas, realidade de miséria e desassistência.
Diante desta realidade, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) reuniu-se em Campo Grande para reafirmar seu compromisso e solidariedade aos povos indígenas de Mato Grosso do Sul, bem como posicionar-se de forma irrestrita em apoio às lutas pela garantia de seus direitos, especialmente às suas terras, como espaços de vida e não de mercadoria.
Enquanto políticos declaram que este estado não será “terra de índios”, nós nos unimos aos que afirmam: “Mato Grosso do Sul também é terra dos Kaiowá Guarani, dos Terena, dos Kadiweu, dos Ofaié, dos Kinikinawa, dos Guató”. Só haverá justiça, democracia e fraternidade quando os direitos de todos forem assegurados, quando a pluralidade de povos for respeitada como uma riqueza e a terra voltar a ser um espaço de vida e não apenas mercadoria ou objeto de produção para o enriquecimento de alguns.
Como já denunciaram os bispos de Mato Grosso do Sul, “trata-se de uma situação insustentável e iníqua, fruto de uma sociedade de consumo que privilegia o lucro, e cuja solução, adiada indefinidamente, nada faz senão aumentar a angústia e a revolta de todos”. O próprio Conselho de Defesa da Pessoa Humana, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), em visita às comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul no início do mês, reconheceu que os indígenas do estado vivem em situação degradante e miserável. Em vários locais falta água e alimento. Os povos enfrentam problemas com a falta de demarcação de suas terras e sofrem constantemente discriminação e preconceitos. Além disso, eles estão impedidos de realizar atividades básicas à sua subsistência, como a pesca e a caça.
A certeza da impunidade e a omissão dos governos federal e estadual são estímulos para que tais crueldades continuem e se ampliem. Por isso, com os povos indígenas deste estado exigimos apuração e punição rigorosa dessas violências, bem como a imediata demarcação de todas as terras indígenas. Posicionamo-nos contra medidas paliativas pretendidas por fazendeiros e algumas autoridades, como a compra de terras ou a transferência de comunidades para regiões distantes, flagrantes violações aos direitos constitucionais dos povos indígenas.
Juntamo-nos às vozes dos bispos da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (2007), realizada em Aparecida (SP), que “a Igreja está convocada a ser advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu” (DAp. 395). Pode-se aplicar aos povos do MS o que os bispos afirmaram em Aparecida: “comunidades indígenas se encontram fora de suas terras porque estas foram invadidas e degradadas. Se não têm terras suficientes para desenvolver suas culturas, sofrem graves ataques à sua identidade e sobrevivência [...]” (DAp. 90).
Reafirmamos nosso compromisso com os povos indígenas deste estado, apoiamos sua resistência histórica, paciência sábia e profunda espiritualidade, que lhes têm permitido ultrapassar séculos de guerra, de extermínio e opressão. Com eles aprendemos a construir um outro mundo possível, necessário e melhor para todos, caminhando firmes em direção ao Reino definitivo.
O Cimi, unido à voz silenciada dos povos indígenas, diz: basta de violência, basta de negação a terra, basta de impunidade, basta de intolerância! Terra, Vida, Justiça e Paz para os povos indígenas no Mato Grosso do Sul!

Midiamax

Tropa de Choque vai escoltar casal Nardoni para o julgamento



A Tropa de Choque da Polícia Militar fará a escolta de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jabotá durante o percurso de Tremembé (147 km de SP), onde estão presos, até o Fórum de Santana (zona norte de SP). O julgamento do casal, acusado de matar a menina Isabella Nardoni, começa na segunda-feira e deverá durar entre três e cinco dias.

Alvaro Magalhães
Jornal Agora São Paulo

Julgamento dos Nardoni terá maquete do apartamento e prédio do casal


RIO - Com a filha Isabella nos braços, Alexandre Nardoni sobe na cama e, após desequilibrar-se, acaba deixando uma pegada no lençol. Por um buraco de 47,5 cm de diâmetro feito na tela de proteção da janela, ele joga a filha - de apenas 5 anos - de uma altura de 20 metros.Para convencer os jurados da tese da acusação no julgamento de Alexandre Nardoni e de Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella, o promotor Francisco Cembranelli contará com o auxílio de uma maquete do prédio e do apartamento do casal feita sob encomenda. O julgamento está marcado para começar na próxima segunda-feira, em São Paulo.
O uso da maquete, segundo o promotor, é para facilitar o entendimento do crime e detalhar a participação de cada um no assassinato que chocou o país, em 29 de março de 2008. Cembranelli considera ser muito difícil para o jurado, em qualquer júri, entender olhando uma simples fotografia. O cenário de onde Isabella foi jogada foi reproduzido exatamente como deixado após o crime. A cama com o lençol sujo, o cobertor desarrumado e as marcas de sangue no chão.
- Acredito que este é o primeiro caso em que uma maquete será usada num julgamento. Recebemos o pedido do Instituto de Criminalística, em novembro, e passamos cerca de três meses na elaboração da maquete - informou Fábio Fogassa, dono da empresa Maquetes Fogassa, responsável pela miniatura.
Doze funcionários da empresa participaram do projeto. Para reproduzir a cena do crime, os profissionais tiveram acesso às fotos feitas pela perícia e visitaram apartamentos no Edifício London, Zona Norte de São Paulo, onde ocorreu o crime.
- Não pensamos que ali havia ocorrido um crime. Nosso objetivo foi deixar o ambiente o mais próximo da realidade possível - acrescentou Fogassa, preferindo não revelar o quanto recebeu pelo trabalho.

Para a defesa, não há motivos para temer a maquete.

- A realidade é que se a maquete for bem feita, ela não prejudicará nosso trabalho. Se retratar os detalhes e a vulnerabilidade do prédio, ela vai reforçar a nossa convicção de que o casal não matou Isabella - disse Ricardo Martins, advogado do casal Nardoni.



O Globo
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