quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Policial é flagrado agredindo criança em Curitiba



CURITIBA - Um policial militar foi flagrado agredindo uma criança no bairro Parolin, em Curitiba. As imagens foram feitas por um telespectador e foram exibidas no telejornal Paraná TV 1ª Edição desta quarta-feira. O incidente foi filmado às 7h30m da última quinta-feira, véspera de Natal. A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) já anunciou que o PM envolvido foi afastado e deve ser expulso.
As imagens mostram a criança sendo chutada e levando vários socos nas costas durante uma revista, a qual supostamente buscaria drogas. Embora a criança não demonstre qualquer reação, o policial continua com uma série de agressões.
O homem suspeito de cometer a agressão é um cabo que trabalha no 12º Batalhão da PM. Ele estava acompanhado de um soldado do mesmo batalhão que também estava realizando a ronda pela região. O colega não interferiu na agressão. Os dois estão afastados das ruas e vão prestar serviços administrativos enquanto o comando da PM investiga o caso. As identidades dos oficiais não foram reveladas.
Após todo o procedimento de apuração, os policiais deverão ser expulsos da corporação, garantiu o secretário de Segurança Luiz Fernando Delazari.
- A denúncia feita pelo cidadão tem um aspecto importantíssimo. A agressão à criança, independente do que estivesse fazendo, não tinha nenhuma necessidade e é um desvio de conduta que temos que punir com rigor - afirmou o secretário.
Ainda segundo Delazari, desde 2003, cerca de 7 mil investigações envolvendo desvio de conduta foram realizadas.
O Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado nesta quarta-feira tem 60 dias para ser concluído. As conclusões da investigação serão encaminhadas a um promotor de Justiça, que irá analisar as provas e os depoimentos e oferecer ou não denúncia à Justiça comum.


O Globo

Elefantes disputam partida de futebol no Nepal



Há seis anos o Nepal realiza o Festival de Elefantes de Chitwan, em Sauraha, cidade no centro-sul do país onde fica a entrada principal de um parque nacional.

O evento atraiu este ano mais de mil turistas, de acordo com os organizadores.
Entre os destaques estão a partida de futebol entre elefantes e uma corrida, que conta com a participação de animais de várias partes do Nepal e de estrangeiros - inclusive da Eslováquia e da Austrália.
Mas os três primeiros lugares da corrida ficaram com a equipe Champakali, que representa o Hotel Barahi de Pokhara, cidade no centro do Nepal.


BBC Brasil

O trem mais rápido do mundo é bloqueado por um fumante


PEQUIM — Apenas uma semana depois de ser inaugurado com grande pompa na China, o trem mais rápido do mundo e seus cerca de mil passageiros ficaram bloqueados por quase três horas por causa de um fumante.
O jornal China Daily informou nesta quinta que a fumaça de um cigarro acionou o alarme contra incêndios na terça-feira a bordo do trem que une Cantão (sul) a Wuhan (centro), um trajeto de 1.069 km que a nova maravilha da tecnologia chinesa realiza normalmente a uma velocidade recorde de 350 km/h.
O trem estava ainda na estação de Cantão quando o fumante resolveu acender seu cigarro num dos banheiros da composição, apesar da proibição de fumar. Resultado: o trem só pode partir da estação duas horas e 45 minutos mais tarde, depois de realizada toda uma série de controles de segurança.
O fumante, que causou todo o caos, não foi encontrado
.
A China inaugurou no sábado passado essa nova linha ferroviária de alta velocidade, uma joia da tecnologia que reduz de dez a três horas o tempo de viagem entre as duas cidades A linha será ampliada para unir Pequim a Cantão.


AFP

Livro reúne fotos e desenhos de crianças de todos os países do mundo

A ONG Art in All of Us promove a educação através da arte, e o livro coincide com os 20 anos da Convenção dos Direitos da Criança. A foto acima mostra um menino do Benin

Para coincidir com os 20 anos da Convenção dos Direitos da Criança da ONU, está sendo lançado na Europa o livro Art in All of Us ("Arte em todos nós", em tradução literal), com fotos, desenhos e poemas de crianças em todos os 192 países-membros da ONU.

O trabalho, realizado pela ONG Art in All of Us, da Bélgica, é resultado de cinco anos de pesquisas e do envolvimento de 300 escolas ao redor do mundo.

A obra é resultado de cinco anos de trabalho e o envolvimento de 18 mil crianças em todo o mundo. No Brasil, uma menina desenha como vê o país


Segundo Anthony Asael, um dos fundadores da ONG e um dos autores do livro, a obra representa o mundo através do olhar da criança e pretende incentivar o direito de liberdade de expressão, previsto pelo Artigo 13 da Convenção.


A ilustração de um garoto de 10 anos mostra as marges do rio Tâmisa, em Londres. Para Anthony Asael, crianças se expressam melhor através de desenhos


"Através das perspectivas dos jovens cidadãos representados no livro, esperamos reforçar um entendimento mundial entre culturas, gerações e indivíduos", afirmou Asael, que realizou todas as fotos da obra e é uma das poucas pessoas do mundo a ter visitado todos os 192 dos 194 Estados do planeta.


'Obrigada Guatemala, obrigada por dar vida a nossos avós, obrigada pelas estradas, obrigada pela comida', diz o poema de uma menina de 13 anos.

Apenas não fazem parte da ONU Taiwan e o Vaticano.
O livro ainda não tem lançamento previsto no Brasil.
fotos: Anthony Asael

Bispo argentino é condenado por abuso sexual


A Justiça argentina condenou nesta quarta-feira o bispo católico Edgardo Gabriel Storni a oito anos de prisão por abusos sexuais cometidos quando comandava a arquidiocese da cidade de Santa Fé.

A juíza María Amalia Mascheroni condenou Storni "por abuso sexual agravado por sua condição de sacerdote" em um processo iniciado pelo ex-seminarista Rubén Descalzo em 2002.
Descalzo acusava o bispo de ter cometido os abusos no seminário e durante retiros espirituais em 1992.
"Ele me convidou a ir ao seu apartamento", disse o ex-seminarista em seu depoimento. "Quando cheguei, só havia uma luz acessa. Ele me deu um abraço longo e me beijou."

Histórico
Outros seminaristas realizaram denúncias semelhantes, mas elas foram arquivadas devido ao tempo entre o crime que teria ocorrido e o início do processo.
O caso envolvendo o ex-arcebispo ficou conhecido nos anos 1990 e gerou ainda mais polêmica no ano 2000, a partir de uma denúncia publicada no livro Nuestra Santa Madre (Nossa Santa Mãe), da jornalista Olga Wornat.
Dois anos mais tarde, o então arcebispo renunciou ao cargo e mandou uma carta ao papa João Paulo 2º negando as acusações.
Pouco depois, Storni foi substituído no posto de arcebispo da cidade de Santa Fé e seu pedido de aposentadoria foi atendido. Atualmente, ele mora em uma casa da Igreja na província de Córdoba.
O advogado de Storni diz acreditar que o ex-arcebispo deverá cumprir prisão domiciliar por ter mais de 70 anos de idade.


A Polícia comunitária é a essência da Polícia cidadã.


...”A polícia comunitária, aquela que diuturnamente convive com o povo, não é senão a visão da polícia à luz do valor da amizade; e é a única solução a ser dada com êxito para resolver a preocupante questão da violência, sobretudo nas grandes cidades.” (Miguel Reale. 1910-2006)

A nossa Carta Magna, a atual Constituição Federal de 1988 plantou a semente de uma nova Polícia, uma Polícia voltada para o povo, para efetivamente proteger o povo, para ser a guardiã das Leis Penais e da sociedade e, com o intuito principal de manter a ordem estabelecida pelo Estado Democrático do Direito.
Da semente plantada nasceu a Polícia cidadã. Cresceu, floresceu e já vem dando alguns bons frutos para a sociedade brasileira, embora muito ainda falte para o colhimento de uma ótima safra advinda desta frondosa árvore protetora do povo.
A nossa Carta Magna recebeu o título carinhoso de Constituição Cidadã pelo fato do primor em prática relacionado aos direitos fundamentais e sociais de cada um, alicerçados na cidadania e na dignidade do ser humano.
A Polícia cidadã é a transformação pela qual passou a Polícia de outrora por exigência da Constituição cidadã. Essa Polícia estabelece um sincronismo entre o seu labor direcionado verdadeiramente a serviço da comunidade, ou seja, uma Polícia sempre em defesa do cidadão e não ao combate do cidadão como ocorrera nos anos de chumbo da ditadura militar.
Não há como confundir o termo Polícia cidadã, como sendo uma Polícia covarde, frouxa, que trata os marginais com flores, delicadamente... Muito pelo contrário, a Polícia cidadã é uma Polícia forte, destemida, honrada, justa, capaz de realizar qualquer ato legal possível para defender os direitos ultrajados do cidadão cumpridor dos seus deveres e obrigações.
O estrito cumprimento do dever legal, a legítima defesa de terceiros ou a sua própria defesa devem caminhar sempre juntos com a Polícia cidadã. Quando confronto houver com marginais em atos contrários a estes três itens, deve sair sempre vitoriosa a Polícia cidadã.
A paz é a aspiração, o desejo fundamental de toda pessoa de bom senso, entretanto, só pode ser atingida com a ordenação da potencialidade da comunidade em somação ao poder público em torno do ideal digno de uma segurança justa, cooperativa e interativa. A paz deve estar em constante ação no seio da sociedade, de maneira duradoura, não fugaz.
O estudo das relações humanas constitui uma verdadeira ciência complementada por uma arte, a de se obter e conservar a cooperação e a confiança das partes envolvidas, por isso a necessidade preeminente de uma verdadeira e efetiva interatividade entre a Polícia e a sociedade para melhor se combater a violência e a criminalidade reinante no país.
Partindo do principio de que a nossa Policia, a Polícia cidadã vivencia tudo isso, a Polícia comunitária vivencia muito mais, pois as suas ações são galgadas na amizade, na confiança mútua e na parceria com o cidadão em benefício da própria comunidade.
O Ministro da Justiça, TARSO GENRO, acredita nas ações implementadas na sua gestão e credita pontos positivos para a Polícia comunitária ao discorrer em uma das suas boas falas: “É necessário combater o crime, a marginalidade, mas, sobretudo, desenvolver políticas para cortar as raízes alimentadoras e constitutivas do delito. Se o Brasil não tiver políticas de segurança pública que levem em conta ações sociais, o país corre o risco de caminhar, cada vez mais, para uma situação de barbárie crescente, pois as cidades serão apropriadas por aqueles que desejam substituir o Estado pelo crime organizado. Por esse motivo, é urgente valorizar o trabalho dos trabalhadores da segurança pública. Outra mudança de paradigma gerada pelo PRONASCI é o policiamento comunitário, uma filosofia de segurança pública baseada na interação constante entre a corporação policial e a população.”
As louváveis palavras do Ministro merecem aplausos, principalmente no que tange a questão de valorizar os trabalhadores da área da segurança publica e o resgate da Polícia comunitária que em vários Estados praticamente sucumbiu ou está em fase terminal.
A Polícia comunitária é, sem sombras de dúvidas, a melhor forma de interatividade, amizade e reciprocidade de ações da comunidade com a Polícia cidadã, ou seja, comunga em número e grau com as sábias palavras e o douto entendimento do grande jurista, filosofo, escritor e professor Miguel Reale que entendeu já há alguns anos atrás ser a melhor e única solução a ser dada com êxito para resolver a preocupante questão da violência crescente no nosso País.

Autor: Archimedes Marques (delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS) – archimedesmarques@infonet.com.br
Fonte: www.infonet.com.br


Enviado por e-mail pelo autor

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Avô de Isabella diz acreditar em absolvição por júri


Justiça marcou para março de 2010 julgamento de casal Nardoni

O avô paterno de Isabella, o advogado Antonio Nardoni, disse ao R7 na última quarta-feira (16) acreditar na absolvição de seu filho, Alexandre Nardoni, e da nora dela, Anna Carolina Jatobá. Os dois são acusados de participação no crime e permanecem presos em Tremembé (147 km de São Paulo). O casal nega as acusações.
O juiz Mauricio Fossen, do 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana (zona norte de São Paulo), marcou para o dia 22 de março de 2010, às 13h, a data do julgamento do casal.
Na noite de 29 de março de 2008, Isabella Nardoni morreu após cair da janela do sexto andar do Edifício London, na Vila Mazzei, zona norte de São Paulo. No apartamento, moravam o pai dela, a madrasta e os dois irmãos menores. Nardoni e Anna dizem que outra pessoa, que eles não conseguiram identificar, invadiu o local e jogou a menina, que tinha cinco anos.
Na semana passada, o promotor Francisco Cembranelli informou que o material genético, colhido no dia 6 de novembro, do casal é o mesmo encontrado no apartamento em que o casal morava. Uma maquete do edifício London será utilizada no júri popular.
Antonio Nardoni disse que a decisão de marcar a data do julgamento perto da morte da garota já era esperada e não provocou surpresa.
- É evidente que a data foi escolhida de propósito. Tudo está sendo feito de modo a não dar possibilidade que nada seja revisto.
Antonio afirma ter conversado com o filho e com a nora a respeito e os “preparou” para a possibilidade de terem de participar de um júri numa data emblemática. O advogado afirmou estar esperançoso na decisão dos integrantes do júri popular se eles se ativerem no processo.
- Deus não dá pra gente uma cruz maior do que a gente pode carregar. Vamos até o final com isso [acompanhamento do processo] e eu confio nos jurados, que vão os absolver.
Às vésperas de passar o segundo Natal sem a neta e longe do filho e da nora, Antonio Nardoni afirmou não ter o que comemorar. Para não deixar a data passar em branco para os dois netos fruto do casal e que estão com ele, Antonio Nardoni diz que fará algo discreto.
- Seja pela morte de minha neta ou pelo meu filho e minha nora, não temos mais motivo para comemorar. Isso tudo mexe com o psicológico de todos. As pessoas acham que só há sofrimento do lado da mãe e do pai não.

foto:google

Clayton Freitas


Psicóloga francesa defende infidelidade masculina para ajudar o casamento


Uma das mais famosas psicólogas francesas causou polêmica ao defender, em um livro recém-lançado, que a infidelidade masculina é boa para o casamento.

No livro Les hommes, l’amour, la fidélité ("Os homens, o amor, a fidelidade"), Maryse Vaillant diz que a maioria dos homens precisa de “seu próprio espaço” e que para eles “a infidelidade é quase inevitável”.
Segundo a autora, as mulheres podem ter uma experiência “libertadora” ao aceitarem que “os pactos de fidelidade não são naturais, mas culturais” e que a infidelidade é “essencial para o funcionamento psíquico” de muitos homens que não deixam por isso de amar suas mulheres.
Para Vaillant, divorciada há 20 anos, seu livro tem o objetivo de “resgatar a infidelidade”. Segundo ela, 39% dos homens franceses foram infiéis às mulheres em algum momento de suas vidas.

Fraqueza de caráter
“A maioria dos homens não faz isso por não amar mais suas mulheres, Pelo contrário, eles simplesmente precisam de um espaço próprio”, diz a psicóloga.
“Para esses homens, que são na verdade profundamente monógamos, a infidelidade é quase inevitável”, afirma.
Para Vaillant, os homens que não têm casos extraconjugais podem ter “uma fraqueza de caráter”.
“Eles são normalmente homens cujo pai era fisicamente ou moralmente ausente. Esses homens têm uma visão completamente idealizada da figura do pai e da função paternal. Eles não têm flexibilidade e são prisioneiros de uma imagem idealizada das funções do homem”, afirma ela.


Caso Sean: advogada de David Goldman diz que pedirá ressarcimento de US$ 500 mil à família brasileira do menino


RIO - A advogada Patricia Apy, que defende o americano David Goldman, pai do menino Sean, de nove anos, informou que pedirá à família brasileira da criança o ressarcimento das despesas que seu cliente teve até conquistar a guarda do filho. O valor chega a US$ 500 mil, informou o Jornal Nacional. Na semana passada, uma decisão do Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a entrega de Sean a David Goldman. A advogada disse também que a avó materna de Sean, Silvana Bianchi, ainda não apresentou pedido formal para visitar o menino e que, quando isso ocorrer, a solicitação precisará ser analisada. A família brasileira já teria declarado que só embarcará para os EUA quando tiver assegurado o direito de visitar Sean.
Em entrevista coletiva realizada na tarde desta terça-feira em New Jersey, nos EUA, David Goldman não respondeu diretamente aos questionamentos dos jornalistas sobre as visitas a Sean pela família brasileira. O pai do menino informou apenas que todas as decisões terão como finalidade a felicidade da criança. David contou que Sean falou pelo telefone com a família brasileira pela segunda vez nesta terça-feira - a primeira havia sido no Natal.
Goldman também relatou como Sean tem passado os dias. Pai e filho retornaram nesta terça-feira à casa da família, após passarem o Natal na Disney.
Segundo Goldman, ainda no avião que o levou do Brasil para os EUA, o menino perguntou várias vezes se eles estariam indo para a "nossa casa". Quando chegou à residência do pai, Sean encontrou intacto o quarto que deixou quanto tinha cinco anos, antes de sua mãe trazê-lo para o Brasil. Bruna Bianchi morreu em 2008, durante o parto de sua filha com o novo marido, o advogado João Paulo Lins e Silva, e desde então Goldman briga na Justiça contra o padrasto pela guarda de Sean.
David também contou na entrevista que, na manhã desta terça-feira, preparou café da manhã para Sean, que passou o resto do dia jogando videogame. O menino também teria manifestado o desejo de patinar no gelo.
- Ele está OK - disse David, sobre Sean.
A Sociedade de Jornalistas Profissionais criticou nesta terça-feira a emissora NBC por ter fretado um jato para transportar aos Estados Unidos Goldman e o filho e assim conseguir uma série de entrevistas exclusivas. A emissora americana, porém, afirmou que a entrevista ao programa "Today" já estava agendada antes de oferecer a Goldman a viagem de avião. Ainda segundo a NBC, o jato servia na verdade para transportar a equipe de jornalistas.

Médicos de hospital de Itajubá recusam fazer aborto em menina de 11 anos engravidada em estupro


BELO HORIZONTE - Uma menina de 11 anos, grávida de 2 meses, terá de ser transferida do Hospital Escola Itajubá, em Minas Gerais, porque os médicos da instituição se recusam a fazer o aborto. A lei brasileira prevê o aborto em caso de estupro, mas o código de ética médica permite que o profissional recuse fazer o procedimento.
- É um problema de consciência, ninguém quis fazer. Mas o hospital tem obrigação de cumprir a ordem judicial - diz o diretor do hospital Sindalberto Fernando de Oliveira.
Oliveira afirma que o hospital procurou um médico fora de seu corpo clínico, mas argumenta que ele tentou e o procedimento não deu certo. Agora, explicou o diretor, é preciso esperar 72 horas para repetir o procedimento, mas o médico viajou em férias.
- Ele não tinha o compromisso de continuar a fazer o procedimento - afirma.
O hospital recorreu à Justiça para pedir a transferência e argumentou que não conseguiu nenhum outro médico para fazer o aborto. Nesta terça-feira, o juiz Selmo Silas autorizou a transferência da menina para o Hospital Júlia Kubitschek, em Belo Horizonte, onde o aborto deve ser feito. O hospital informou que ainda não recebeu a determinação judicial.
A menor grávida e suas duas irmãs, uma de 13 anos e outra de 15 anos, disseram ao Conselho Tutelar que tiveram relação sexual com um conhecido da família. A relação era mantida há um ano e o homem, segundo as meninas, continuava a ameaçá-las. O acusado foi interrogado, mas solto por falta de provas.
A menina grávida, que é da cidade de Piranguinho, continua internada no hospital de Itajubá.
Em março passado, o aborto em uma menina de 9 anos estuprada pelo padrasto em Alagoinha , Pernambuco, causou polêmica entre os médicos e o arcebispo de Olinda e Recife Dom José Cardoso Sobrinho, hoje aposentado. A menina estava grávida de gêmeos e representantes da igreja tentaram convencer a família a impedir o procedimento. "A lei humana contraria a lei de Deus , que é contra a morte", disse o arcebispo, referindo-se ao fato de a lei brasileira autorizar o aborto em caso de estupro.
A menina, que estava internada no Instituto Materno-Infantil Professor Fernando Figueira (Imip), em Recife, acabou transferida às pressas de hospital depois da intervenção da igreja católica. O aborto foi feito na Maternidade Cisam, vinculada à Universidade de Pernambuco, no Recife. O diretor médico do hospital, Sérgio Cabral, disse que a menina corria riscos. O arcebispo, porém, anunciou a excomunhão de médicos, parentes e profissionais que participaram do procedimento.

Fonte: Globo

Juíza: lei é pouco para combater preconceito contra mulher


A Lei Maria da Penha é uma versão tímida das convenções e acordos internacionais que tratam dos direitos humanos. A declaração dos direitos humanos de 1948 defende o trato igualitário em uma condição mais ampla e combate o crime de gênero mesmo não tendo ocorrido em ambiente doméstico. Essa é a avaliação que a juíza Amini Haddad Campos, levou para as deputadas, no final do ano, no último evento realizado pela bancada feminina.
“Não é um resumo da violência de gênero, que tem ambiência maior que precisa ser tratada pela lei. Há necessidade de procedimentos para crimes contra a mulher que não seja no ambiente doméstico”, afirma a juíza que comanda a 5ª Vara Especializada de Família e Sucessões e é coordenadora de Direitos Humanos da Associação Mato-grossense de Magistrados.
Para ela, a cultura de exclusão da mulher, que se materializa em violência doméstica, salários menores e pequena participação na esfera política, entre outros casos, não vai ser resolvida apenas com legislação. “Por que depois de tanto tempo ainda estamos excluídas do poder? indaga, ela que vive a realidade da situação de desigualdade no Poder Judiciário, onde um maior número de mulheres é aprovado nos concursos da magistratura, mas não consegue promoção.
Para vencer o preconceito e criar uma situação de igualdade, o trabalho legislativo tem que permear o aspecto cultural. “Se não o fizermos, não vai adiantar lei, porque o preconceito está fundamentado na cultura de exclusão”, avalia a juíza.
Ela diz que dados das pesquisas sobre a questão de gênero revelam que entre 40 mulheres, uma consegue cargo de chefia, enquanto entre os homens, um em cada oito consegue cargo de chefia, embora as mulheres estejam mais bem preparadas intelectualmente. “Tem mulheres com pós-graduação que são secretárias de chefes que não tem sequer graduação”, afirma Amini Haddad.
A situação se repete no campo político, diz ela, destacando que apenas 10% do Parlamento é composto por mulheres e um número ainda menor exerce funções de poder no Executivo.
Segundo ela, poucos conhecem a razão dessa divisão. Teóricos como Platão e Aristóteles, citando apenas dois dos mais conhecidos, desenvolveram as maiores atrocidades para fundamentar a discriminação de gênero que ocorre até hoje.

Apoio religioso

Essas teorias, que são compartilhadas pelas diversas religiões, estão na Bíblia, no Alcorão, no Livro do Torá (dos judeus) etc. Ela mostrou fotos recentes, de novembro deste ano, de crianças de cinco anos casando com homens de 30 anos, no Oriente Médio. “O Alcorão legitima a pedofilia, o homem tem direito de manter relações sexuais com crianças de cinco anos, porque a base cultural é de total submissão das mulheres e apropriação da esfera feminina”, afirma a juíza.
Segundo ela, a teoria cultural vigente no mundo é de que a mulher é a origem de todo a maldade do mundo. O filósofo alemão Nietzsche achava que as mulheres são propriedades dos homens e até hoje persiste em nossa sociedade essa ideia, que se repete com o tráfico de mulheres, a virgindade de crianças que são leiloadas, diz Amini, citando alguns dos casos de violência contra as mulheres que não são tratados com a Lei Maria da Penha.

Educação errada

“É uma questão cultural que tem que estar nas escolas e nos livros logo na primeira etapa de vida das crianças”, sugere, lembrando que a educação coloca como exemplo de harmonia familiar ilustrações de homens vendo TV e as mulheres lavando louça. O caso citado ela tirou dos livros da escola dos filhos. Ela diz que alertou a filha pequena para o caso como a reprodução da violência de gênero.
Lavar louça, cuidar de filhos, cozinhar não são tarefas da mulher, é para qualquer um. É necessário compartilhar tarefas domésticas e o cuidado dos filhos, o que não representa humilhação para a esfera masculina. Disse a juíza à filha pequena e repetiu para as deputadas a lição.

Contribuição da mídia

A mídia também dá sua contribuição na reprodução da violência de gênero, diz ela, citando o caso das propagandas de material de limpeza, que são sempre interpretadas pelas mulheres, o que garante uma “naturalização” da ambiência. “Quando uma mulher sai candidata, a pessoa comum, que vê a ambientação da mulher lavando chão e cuidando dos filhos, não vai conseguir votar na mulher”, diz Amini, explicando que “sem perceber, ela cria estruturas mentais de exclusão da mulher.”
Ela atribui aos grandes teóricos os fundamentos de que o poder deve ser exercido no mundo masculino e da exclusão da mulher. Até chegar aos absurdos do filósofo alemão Theodor von Bischoff ter dito, para fundamentar a exclusão da mulher do domínio público, que o homem era mais inteligente por que o cérebro masculino pesa 1.350 gramas, enquanto o da mulher 1.250 gramas.
Durante toda a sua vida, baseou-se neste fato para apresentar a mulher como um ser com menores capacidades intelectuais. O desmentido da tese estava nele mesmo. Quando morreu, Bischoff doou o seu cérebro para pesquisa e quando foi pesado, pesou 1.245 gramas, menos que o cérebro de uma mulher.
Segundo a juíza, no mapeamento dos dois cérebros, foi detectado que o peso maior do cérebro masculino é devido ao maior número de músculos, que exige quantidade maior de comandos cerebrais para movê-los. Em compensação, existe uma superação de neurônios no cérebro feminino em 30%.
Ela fez questão de dizer que isso não significa superioridade de sexo, mas deve servir para vencer as atrocidades ridículas construídas secularmente. “Somos diferentes, mas isso não pode legitimar uma desigualdade”, alerta, do mesmo jeito que defende que a manutenção de uma cultura não deve ser justificativa para a prática do preconceito de gênero.


Portal Vermelho
Da sucursal de Brasília
Márcia Xavier

Chega de tristeza


As festas que comemoram o fim de ano são para uma pequena parcela da população mundial catalisadores de processos depressivos. As comemorações, que para a maioria das pessoas motivam reuniões de familiares e amigos, costumam causar profunda angústia em pacientes com histórico de depressão, pessoas que atravessam perdas e cidadãos comuns que não conseguem calar suas inquietações com ritos maciços de consumo. As depressões constituem um espectro amplo e multietiológico de transtornos mentais comuns, nos quais aspectos sociais, individuais, biológicos e inconscientes conspiram, gerando agravos à saúde.
Sofrimento, desânimo, tristeza, falta de prazer, perdas afetivas e prejuízo econômico são parte de quadros depressivos. Depressão e uso de álcool ou drogas estão muito associados com risco de suicídio. Num momento de maior vulnerabilidade, pessoas tentam pôr fim à própria vida buscando desesperadamente alívio psíquico imediato. Pelo enorme sofrimento e danos psicológicos que o suicídio causa nos familiares e nos sobreviventes, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e outras instituições, como a International Association for Suicide Prevention (cujo braço brasileiro está sendo fundado), consideram-no como grave problema de saúde pública em todo o mundo e se esforçam para divulgar as ações de prevenção. Sim, porque estudos demonstram que medidas preventivas apresentam impacto positivo. O Ministério da Saúde e a Associação Brasileira de Psiquiatria têm trabalhado desde 2005 neste sentido, sendo importante somar esforços com a ajuda de políticos, empresários, formadores de opinião, terceiro setor e sociedade civil. O primeiro passo consiste em falar sobre o problema de modo responsável.

Existem crises psíquicas. Fala-se pouco disto. A formação médica no Brasil ainda não contempla adequadamente o treinamento em emergências gerais tampouco em urgências psiquiátricas. Nossa reforma psiquiátrica precisa retomar sua vocação inicial e assumir objetivos ligados ao plano nacional de reestruturação das emergências médicas, para o qual será preciso investir em parcerias com a universidade e a sociedade civil no sentido de fomentar treinamento e repensar o uso das emergências.

Embora não se possa afirmar que os métodos de prevenção e intervenção em crises psiquiátricas sejam equivalentes aos de uma doença cardiovascular, por exemplo, há protocolos estabelecidos para controle da depressão e também de situações de risco iminente. O tratamento precoce de quadros depressivos constitui a pedra angular. Antidepressivos, estabilizadores do humor, eletroconvulsoterapia (ECT), psicoterapias e suporte psicossocial apresentam eficácia. Já existe consenso sobre o que fazer, como fazer e, sobretudo, aquilo que não se deve fazer diante de uma pessoa em crise. Se cada paciente acreditasse que seus sintomas e questões poderiam se transformar, diminuir ou desaparecer o desfecho poderia ser alterado e a ideia de suicídio, abandonada. É preciso oferecer ajuda. É preciso buscar ajuda. Ajuda médico-psicológica especializada precisa chegar àqueles que sofrem silenciosamente. Todos podemos ajudar.

POR CARLOS ESTELLITA-LINS - psiquiatra, psicanalista, professor e pesquisador da Fiocruz/RJ.

Maceió registrou 39.982 casos de violência contra jovens em 2009


Dados foram divulgados por Conselhos Tutelares, que fizeram balanço de ocorrências este ano

Foi ao som de uma banda formada por jovens recuperados das drogas, que deu início, na manhã desta terça-feira (29), o último plenário estadual de conselhos tutelares do ano, composto por cerca de 150 conselheiros tutelares vindos do Alto Sertão, Agreste, Litoral, Zona da Mata, Baixo São Francisco e Grande Maceió. A reunião ocorreu no auditório do Conselho Regional de Medicina, no Farol.
No encontro, foi feita uma avaliação geral das ocorrências no ano de 2009 e divulgados espantosos números de casos de violência contra jovens. Neste ano foram registrados 39.982 episódios de violência contra a criança e ao adolescente somente em Maceió, de acordo com dados dos conselhos tutelares. Números que levaram a capital alagoana ao primeiro lugar entre as capitais brasileiras com maior índice de violência entre jovens, segundo o Ministério da Justiça e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O presidente do Fórum Estadual de Conselhos Tutelares, Edmilson Souza, disse que o objetivo da reunião, além de mostrar números, é discutir formas para combater a violência, sobretudo, contra crianças. Entre os tipos de violência estão o abandono, maus-tratos, exploração sexual, trabalho infantil e negação a saúde e educação. No entanto, o mais preocupante, segundo Souza, é o envolvimento de crianças com drogas.
Para combater os mais variados tipos de violência, Souza explicou que os conselhos tutelares agem de duas maneiras, a primeira delas é de caráter preventivo, realizando trabalhos de conscientização nas escolas e junto com a família e o segundo é por meio de atividades curativas, quando são acionadas as polícias, o Ministério Público e a Justiça para denunciar casos.
O presidente do Fórum aproveitou a oportunidade para dizer que ainda existem muitos obstáculos para um trabalho eficaz dos conselhos tutelares, principalmente no tocante a apoios governamentais. “Muitas prefeituras deixam a desejar, não dão apoio para que os conselhos tutelares trabalhem. Muitos conselheiros não vieram ao fórum porque as prefeituras não viabilizaram transporte”, reclamou.

Eleições para conselheiros

Questionado sobre supostas irregularidades nas eleições para conselheiros tutelares, o presidente do Fórum Estadual disse que pessoas infiltradas com interesses político-partidários têm prejudicado as eleições. “A essência é que não exista ninguém envolvido a partidos“, resumiu.
Souza não quis entrar em detalhes sobre as denúncias nas eleições, mas pediu para aqueles que se sintam prejudicados que procurem o Ministério Público para formalizar denúncia.

Adoção: Atitudes para diminuir preconceitos


Em Ponta Grossa, para iniciar o processo de encaminhamento do pedido de adoção, os interessados precisam antes participar de três reuniões do Grupo de Apoio às Adoções Necessárias (Gaan). Não é uma mera formalidade. A intenção é deixar bem claro que a prioridade deve ser para as necessidades das crianças e tentar tirar dos pretendentes os preconceitos que podem estar presentes. Rosane Gonçalves, presidente do Gaan, fala com propriedade. Ela mesma é filha e também mãe adotiva. No grupo, os voluntários explicam aos candidatos a importância de adotar grupos de irmãos, por exemplo. “A Justiça não separa as crianças, principalmente nos casos em que houve convivência. E normalmente, eles cuidam uns dos outros”, relata Rosane. Ela argumenta que muitas das crianças já são vítimas de abandono e maus-tratos e que a separação dos irmãos seria mais um trauma psicológico.
O psicólogo Maurício Wisniewski também busca a aproximação entre interessados em adoção e crianças com necessidades especiais e/ou grupos de irmãos. Ele tem a própria história para contar. Irmão gêmeo de uma menininha, foi separado dela com pouco tempo de vida e nunca mais voltou a encontrá-la. Três anos e meio mais tarde, mais um “filho de coração” chegou na casa. “Eu que achei ele na cozinha. Falei pra minha mãe que o Papai Noel tinha trazido um irmãozinho pra mim”, conta ele.
O psicólogo reconhece que é mais difícil convencer os pretendentes a assumir desafios, mas não esmorece. “De cada cem casais, não passam de 5 os que aceitam adotar crianças fora dos padrões esperados. Mas já presenciei casos de pais que vão até o fórum ou no abrigo e na hora que veem a criança se sentem identificados e não interessa se há defi­­ciên­­cia”, relata.
Para Wisniewski, problemas de saúde não podem ser encarados como impeditivos. “Às vezes se trata de uma criança que requer mais cuidado, mas é uma criança mais carinhosa, capaz de um amor incondicional”, diz. Ele ainda usa como argumento que a fila para o perfil clássico de adoção costuma demorar muito mais. E para as crianças a espera tem um caráter muito mais desumano. Elas ficam muito mais tempo nos abrigos.

Fonte: Gazeta do Povo

STF suspende prisão de ex-prefeito acusado de pedofilia


O ex-prefeito de Coari (AM) Manoel Adail Amaral Pinheiro, investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia do Senado e preso preventivamente por determinação da Justiça amazonense, obteve liminar do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, determinando sua soltura.
De plantão durante o recesso do Judiciário, o presidente do STF reformou decisão do ministro Napoleão Nunes Maia Filho, do Superior Tribunal de Justiça que, há duas semanas, negara o mesmo pedido, em habeas-corpus ajuizado pela defesa de Pinheiro.
Ao conceder a liminar, o ministro Gilmar Mendes baseou-se na jurisprudência do STF, segundo a qual a prisão preventiva é medida excepcional e só deve ser decretada "com fundamentação que contenha elementos concretos que justifiquem a medida". De acordo com o seu despacho, o juiz de primeiro grau "não fundamentou a decisão que determinou a preventiva do paciente, infringindo o inciso 9 do artigo 93 da Constituição". E acrescentou: "A alegada necessidade de manutenção da ordem pública cingiu-se ao clamor popular pela gravidade do crime imputado e ao suposto poder político do acusado, por ter sido diversas vezes prefeito do município de Coari".
Pinheiro é acusado de ser dono de uma casa de tolerância e favorecer a prostituição de menores entre 12 e 14 anos. Ele foi denunciado pelos crimes previstos nos artigos 227 (mediação para servir à lascívia de outrem) e 228 (favorecimento da prostituição) do Código Penal, e também no artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente (prostituição de menor).

Fonte: Portal Terra

Sedes apura denúncias de maus tratos contra adolescentes da Fundac


Referente às denúncias sobre maus tratos cometidos por orientadores contra adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa em unidade da Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), a Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes) esclarece que já abriu um processo interno de apuração.
“Caso as denúncias sejam confirmadas, os orientadores serão exonerados, como já fizemos anteriormente. Não admitiremos, em nenhuma hipótese, que adolescentes que estão sob nossos cuidados sofram qualquer tipo de violência em unidades da Fundac”, disse o secretário estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Valmir Assunção.
As ações da Fundac estão enquadradas nos preceitos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase). Por isso, o princípio do órgão é exonerar todo funcionário que viole os direitos dos adolescentes dentro das Comunidades de Atendimento Socioeducativo (Cases). Nos últimos três anos, foram identificados casos de maus tratos e todos os envolvidos foram desligados do órgão.

Fonte: Correio da Bahia
Foto ilustrativa

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos apoia a entrega de Sean Goldman


BRASÍLIA - O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, se mostrou nesta terça-feira a favor da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a entrega do menino Sean Goldman ao seu pai, o americano David Goldman. Para o ministro, a decisão do STF atende às obrigações do Brasil com relação ao cumprimento da Convenção de Haia, da qual o país é signatário.
Após longa batalha judicial, a família brasileira entregou, na quinta-feira, o menino ao pai no Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, após perder sua guarda na Justiça.
Em nota publicada no site da secretaria, o ministro explica que " toda criança levada do país em que mora para outro país, e que neste seja retida sem o consentimento de um dos pais, deve ser imediatamente restituída, para que todas as questões relativas à custódia e às visitas sejam decididas no país de sua residência habitual".
O ministro ressalta também que, reiteradas vezes, durante audiências sobre o caso, defendeu que o menino fosse protegido conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.
"O governo brasileiro dará o apoio necessário para resguardar, nos termos da Convenção, o convívio familiar da criança com a sua família brasileira", diz a nota.
Na terça-feira, David Goldman afirmou, em entrevista à rede de televisão americana NBC, que Sean ainda não o chama de pai.
- Ele não me chamou de nada. Acho que ele está lutando contra isso. Eu disse: 'você pode me chamar de papai'. E ele não disse nada.
Goldman disse ainda que os dois vão curar os cinco anos perdidos juntos: - Eu perdi cinco anos preciosos da vida do meu filho. É uma grande cicatriz. Mas agora estamos juntos. E vamos curar isso. E vamos curtir, viver, amar, dividir, chorar, gargalhar e aprender como pai e filho - disse Goldman.
O americano lutava pela guarda do filho na Justiça desde 2004. A criança foi trazida de Nova Jersey para o Rio de Janeiro por sua mãe, Bruna Bianchi. No Brasil, ela se divorciou de Goldman e se casou novamente. Bruna morreu ano passado durante o parto de sua filha. A família brasileira tentou continuar com Sean.
No último sábado, a família brasileira de Sean recebeu a primeira notícia do menino após ele voltar com o pai para os Estados Unidos. O menino enviou uma mensagem de texto escrito "cheguei". A avó de Sean, Silvana Bianchi, confirmou neste domingo que em seguida recebeu uma mensagem de voz no celular, dizendo "Nona, cheguei aqui. Tô muito feliz. Um beijo, tchau". Segundo Silvana, a voz de Sean era muito chorosa. Ambas as mensagens foram através do celular de David, informou ela.


Mãe de vítima de incêndio é indiciada por abandono de incapaz seguido de morte


Criança de 3 anos e três irmãs estavam sozinhas quando fogo começou.
Segundo a polícia, mãe responderá em liberdade.

A mãe da menina de 3 anos que morreu num incêndio na favela Parque União, em Bonsucesso, foi indiciada nesta terça-feira (29) por abandono de incapaz, seguido de morte, de acordo com a delegada Valéria de Castro, da 21ª DP (Bonsucesso), onde o caso foi registrado.
“Ela contou que saiu para comprar um lanche e que ficou, no máximo, 20 minutos fora de casa”, disse a delegada, acrescentando que ouvirá testemunhas, além do pai das quatro meninas, para saber se ela sempre as deixava sozinhas.
Ainda segundo a delegada, a mulher negou que tenha deixado uma vela acesa no interior da residência - o que, segundo os bombeiros, teria iniciado o incêndio.
Além de Maria Eduarda Pereira da Silva, duas irmãs de 5 e 8 anos, e um bebê, de 1 ano, estavam no local, mas foram socorridas e passam bem.



Mãe responderá em liberdade
As crianças foram encaminhadas ao conselho tutelar e, segundo a delegada, deverão ficar sob a responsabilidade da avó. A mãe responderá ao processo em liberdade.
No local do incêndio, o pai de três das crianças, que estava separado da mãe de menina, no entanto, disse, chorando, que já havia pedido à ex-mulher para não deixar as crianças sozinhas. Vizinhos afirmam que ela havia saído de casa para ir a um forró próximo, que acontece todas as segundas-feiras, e não a um baile, como chegou a ser informado anteriormente.
“A perícia mostrou que a menina nem sequer esboçou reação e é provável que tenha morrido por asfixia”, contou Valéria, que afirmou ainda que, ao ver o fogo, a filha mais velha saiu de casa carregando o bebê de um ano e a outra foi retirada por um vizinho.


Interações com medicamentos podem deixar a pílula anticoncepcional menos eficaz


RIO - Tomar a pílula todos os dias no mesmo horário e nunca esquecer um comprimido podem não garantir uma proteção completa contra a gravidez. Alguns medicamentos e suplementos naturais podem diminuir a eficácia do anticoncepcional, segundo estudo divulgado pelo Holtorf Medical Group, nos Estados Unidos.
Como os tipos de pílula são muitos, assim como as doses dos remédios, nada melhor do que conversar com um ginecologista para esclarecer todas as suas dúvidas. Mas como nestas horas todo cuidado é pouco, confira a lista de alguns remédios que podem atrapalhar o efeito do contraceptivo hormonal e fique esperta na hora de ler a bula:

Ansiolíticos e antidepressivos:
Os benzodiazepínicos, usados no tratamento contra a insônia e a ansiedade, podem diminuir a eficácia da pílula se forem usados por um prazo longo. Alguns antidepressivos, especialmente a nova geração de medicamentos (como a fluoxetina e a sertralina), pode causar interferências no efeito protetor. O ideal é conversar com o médico ou usar um método contraceptivo complementar, como a camisinha.

Antibióticos: A rifampicina, usada no tratamento da tuberculose e de infecções bacterianas; a tetraciclina, usada para tratar a acne resistente; a amoxicilina e ampicilina, também usadas nas infecções por bactérias, costumam ser as mais perigosas.

Suplementos naturais: A erva de São João, também conhecida como Hipérico, indicada para pessoas ansiosas ou com sintomas de depressão leve, pode cortar o efeito do anticoncepcional. A erva também pode diminuir a eficácia da pílula do dia seguinte. Suplementos contendo soja podem alterar os níveis hormonais e prejudicar o efeito contraceptivo. Na dúvida, consulte sempre seu ginecologista antes de tomar cápsulas ou tinturas naturais.

Remédios para enxaqueca e epilepsia: O topiramato, usado para evitar crises epiléticas e para controlar a dor de cabeça forte; o fenobarbital, um anticonvulsivante também usado para tratar insônia; e a carbamazepina, indicado no tratamento da epilepsia, da bipolaridade e do déficit de atenção podem alterar a eficácia da pílula.



Castigos físicos são proibidos em 24 países


Segundo o relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) lançado no último mês de agosto, somente 24 países proíbem os castigos físicos legalmente, e destes apenas três são membros da Organização dos Estados Americanos (OEA): Uruguai, Venezuela e Costa Rica. Por outro lado, países como Peru, Brasil, Canadá e Nicarágua apresentaram recentemente iniciativas legislativas para proibir o castigo corporal contra as pessoas com menos de 18 anos.
Em seu documento, a CIDH pede que os Estados proíbam toda forma de violência contra a infância e adolescência e solicita políticas públicas que enfoquem integralmente os direitos da criança. Estabelece, ainda que até 2011 os países formalizem mecanismos de prevenção contra a violência infantil, incluindo medidas que possibilitem aos meninos e meninas denunciar maus-tratos e, principalmente, serem ouvidos.

Projeto de lei - No Brasil, o Projeto de Lei 2654/03, de autoria da deputada Maria do Rosário (PT), tramita no Senado com a proposta de abolir os castigos físicos, incluindo as palmadas, contra crianças e adolescentes. Para isto, o projeto pretende alterar artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e do Código Civil para tornar crime a punição corporal de qualquer intensidade contra meninos e meninas. O projeto, que ficou conhecido como Lei da Palmada, foi aprovado na Câmara dos Deputados pelas Comissões de Educação e Cultura, Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça e de Cidadania. A proposta prevê o encaminhamento do agressor a programas de proteção à família, e da vítima a tratamento especializado.

Fonte: Jornal de Jundiaí

David Goldman afirma que Sean nunca disse que não queria voltar aos Estados Unidos



Em entrevista, David Goldman conta que tenta acalmar o filho e mostrar que o ama

David Goldman, pai do menino Sean Goldman, afirmou nesta segunda-feira (28) em entrevista exclusiva à rede americana NBC que o filho nunca mostrou resistência para voltar aos Estados Unidos com o pai. Sean chegou aos EUA na quinta-feira (24) e passou o Natal com o pai na Flórida.
- Espero que ele esqueça logo [o que aconteceu].
Goldman contou que antes de embarcar o garoto listou objetos que precisaria para enfrentar o frio e a neve, como botas e casaco.
- Ele já estava imaginando como seria. A cabeça dele está em vários lugares. Estou tentando responder da melhor maneira possível para mantê-lo calmo e mostrar que o amo.
Ontem, David já havia classificado como “um milagre” o retorno de Sean aos Estados Unidos.
No último sábado, a NBC divulgou que David dará duas entrevistas, uma que foi ao ar nesta segunda e outra no dia 8 de janeiro com um especial de duas horas mostrando imagens exclusivas do encontro do garoto e do pai biológico no consulado dos EUA no Rio.
Sean morou nos Estados Unidos até os quatro anos de idade com o pai dele e a mãe, a brasileira Bruna. A casa fica num bairro de classe média numa área muito tranquila a uma hora e meia de Nova York.


R7

5 coisinhas sobre falar de sexo com as meninas


Não existem regras para as primeiras conversas com as filhas sobre sexo, porque tudo depende de como foi a educação da mãe e de como ela viveu e vive sua sexualidade. Separamos cinco dicas que podem facilitar o diálogo.

1 – USE A SIMPLICIDADE – Converse de forma objetiva e simples, respondendo somente o que a filha perguntar. Para a menina, a mãe é a figura mais importante no processo de formação sexual, em função da representação afetiva que ela tem. O que a mãe fala fica registrado.

2 – TENHA HUMILDADE – A mãe não tem obrigação de saber tudo. Admitir falta de conhecimento em determinada resposta é saudável. Junto com a filha, busque a informação solicitada.

3 – SAIBA ACEITAR – Esteja sempre preparado para aceitar que seus filhos também tem sexualidade. Esteja aberto para as mudanças sexuais de sua filha e esteja disposta a ouvir e a responder dúvidas.

4 – PESQUISE – Faça comentários sobre o que vê na TV, revistas ou internet sobre temas sexuais. Disponha-se a procurar junto com sua filha a informação necessária, sempre respeitando sua privacidade (não precisa falar de sua própria sexualidade, se não quiser).

5 – CONVERSE SOBRE OS PERIGOS – Por mais liberais que os pais sejam, é necessário alertar sempre sobre os riscos que as relações sexuais podem trazer, principalmente para os adolescentes. Além de incentivar o uso do preservativo para evitar doenças sexualmente transmissíveis, os pais devem aconselhar as filhas a visitarem o ginecologista para receberem mais informações sobre contracepção e sobre o próprio corpo. Outro assunto que deve ser abordado é a gravidez na adolescência, promovida principalmente pela falta de informação.

Fonte: Cristina Romualdo, psicóloga e coordenadora do Instituto Kaplan

Zero Hora


Jovem é acusada de matar o pai após tentativa de abuso sexual em SP


SÃO PAULO - Uma jovem de 21 anos é suspeita de ter matado o pai e enterrado o corpo no quintal da própria casa, em Guará, região de Ribeirão Preto, no norte do estado de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, o crime ocorreu porque o lavrador Laercio Fernandes Galindo, de 51 anos, tentou abusar sexualmente da filha.
O homicídio aconteceu no início da madrugada desta segunda-feira e o corpo foi encontrado por volta das 18h, quando uma das filhas sentiu a falta do pai e acionou os policiais, que foram ao local.
Alessandra Maria de Souza foi presa em flagrante por homicídio e ocultação de cadáver. A irmã também foi presa, pois o depoimento não batia, segundo a polícia.
A discussão entre pai e filha teria começado no quarto de Alessandra. Ao se defender do abuso sexual, ela bateu com um pedaço de ferro na cabeça do pai, que morreu na hora. A agressora levou o corpo até o quintal de casa, cavou um buraco de aproximadamente um metro, enterrou o corpo e cobriu com tijolos.
Alessandra morava com o filho de quatro meses, uma irmã mais velha, um sobrinho e o pai na casa de cinco cômodos.
Segundo um dos filhos da vítima, Leonildo Fernando Souza, Galindo já tinha passagem pela polícia por duplo homicídio. Ele foi preso acusado de matar a companheira e um enteado em 1994 em Franca.

Fonte: Globo

Risco de acidente cresce com as férias


ANDREZZA TRAJANO

Férias é tempo de brincadeira com a criançada, de descanso das aulas, mas também de atenção redobrada com os pequenos que estão em casa cheios de energia e ociosos. Qualquer deslize pode transformar o período de sossego em tragédia.
Com a chegada do recesso escolar, aumenta o número de crianças internadas no Hospital da Criança São Antônio, vítimas de acidentes domésticos. De acordo com o diretor clínico do hospital, o pediatra Altamiro Vilhena, a quantidade de atendimentos neste período dobra.
Só esta semana duas crianças foram internadas após ingerirem soda cáustica. Apesar da gravidade, elas não correm risco de perder a vida, mas ficarão internadas por aproximadamente 30 dias. Não menos que isso.
Também foi internado recentemente um menino com traumatismo craniano, após um portão cair em cima da cabeça dele. E outro garoto foi submetido a uma cirurgia, depois que um muro caiu sobre ele e um pedaço de madeira entrou em seu joelho.
Ainda há uma quantidade expressiva de crianças mordidas por cachorro, que se machucaram depois de cair de bicicletas e que se queimaram brincando com fogo ou mexendo em panela quente. No fim de semana, um bebê de 1 ano e 5 meses morreu de um choque elétrico. Ele mordeu o fio elétrico de um ventilador.
As principais vítimas, afirma o pediatra, são crianças com idades entre 5 e 12 anos. Abaixo desta faixa etária, elas já são monitoradas constantemente. “As crianças nesta fase [5 a 12 anos] têm uma nova rotina nas férias. Porque não estão acostumadas a ficar o tempo inteiro em casa”, observou.
Vilhena enfatizou que sãos imprescindíveis os cuidados dos pais com as crianças, em especial neste período de férias. “Os pais têm que ficar mais atentos, os cuidados devem ser redobrados. As crianças estão cheias de disposição, não se pode deixá-las à vontade”, frisou.
Neste caso, mesmo com a falta de opção que considera existir na cidade para entreter a garotada, Vilhena destaca que é preciso matricular as crianças em colônia de férias ou buscar alternativas, como a prática de esportes, por exemplo, que as deixem fora da ociosidade.
“É preciso ocupar aquele tempo em que normalmente a criança estaria na escola. Sei que muitos pais trabalham, mas é preciso fazer um esforço. Se for preciso, que se revezem nos cuidados da criança em horários distintos, mas que tenha sempre um adulto por perto”, recomendou.
O médico orientou ainda para que nessa época os pais revisem os locais onde armazenam materiais de limpeza, produtos químicos e remédios, guardando-os em locais mais seguros.
“A soda cáustica, por exemplo, é um produto barato. Então o ideal é que se use, e jogue fora o que sobrar. A ingestão é um caso grave, a criança passa longo tempo internada, sem falar do risco de mortalidade, que é alto. Outra orientação que faço é com relação ao álcool. É comum a criança querer brincar com fogo, por isso recomendo que se mantenha o produto longe dela e que se compre apenas aquele em forma de gel, que é menos inflamável”, disse Altamiro Vilhena, observando que o atendimento no Hospital da Criança só voltará ao normal com o retorno das aulas.

Medidas preventivas garantem segurança aos pequenos

Os pais e responsáveis devem tomar certos cuidados com as crianças neste período, como não deixar panelas com cabos para fora do fogão e evitar que as crianças circulem por locais lisos e molhados ou em calçadas altas. Devem também guardar objetos como fósforos, isqueiros ou remédios para que não sejam ingeridos.
O neurologista infantil Aroldo Silva, do Hospital da Criança Santo Antônio, explica que os acidentes mais comuns nesta época do ano dividem-se em leves e graves.
Os leves são geralmente queimaduras com ferro de passar, panelas quentes em cima do fogão e quedas sem ferimentos profundos. Acidentes com maior gravidade são aqueles como queda com perda de consciência e cortes profundos, com sangramento.
“Nos casos mais leves, não é necessário que os pais se desloquem para o hospital, pois os cuidados podem ser executados em casa ou mesmo nas unidades básicas de saúde”, destaca Silva.
Nestas ocorrências, os cuidados básicos são compressas de gelo para quedas e lavagem com água fria das queimaduras com o uso posterior de pomada específica, indicada por profissional de uma unidade básica de saúde.
Acidentes como quedas onde a criança bate a cabeça e perde a consciência requerem uma avaliação clínica aprofundada com exames específicos feitos no Hospital da Criança. Em caso de queimaduras graves, os pais não devem passar creme dental ou outras pomadas no ferimento sem antes passarem pela avaliação médica.

Fonte: Grupo Folha Comunicação

Pai é quem cria: o caso do menino Sean


Por Mario Guerreiro *

Nos últimos dias, a mídia tem noticiado e comentado o caso do menino Sean (pronuncia-se: Chan, como em Sean Connery). O que passarei a dizer neste artigo baseia-se nos relatos apresentados pela mídia e não em uma leitura dos autos, pedindo desde já minhas desculpas por qualquer falha quanto à verdadeira natureza da questão.
Segundo informações colhidas nos jornais escritos e televisivos, a história começou quando uma cidadã brasileira casou-se com um cidadão americano e foi morar nos Estados Unidos.
Não fui informado sobre os motivos que levaram à separação do casal, mas sim que ela veio para o Brasil trazendo Sean, então com alguns meses de vida. Tendo se divorciado do americano, ela se casou com um brasileiro com o qual teve uma filha. No entanto, a mãe morreu no parto.
Não sei se o pai biológico de Sean havia entrado na Justiça com um pedido da guarda do menino, mas, se entrou, esse pedido foi recusado. Sean já está vivendo a uns cinco ou seis anos com uma família constituída por seu padrasto, sua madrasta e sua irmã por parte de mãe.
Não sei se sua mãe, antes de falecer, pediu a nacionalidade brasileira para ele. Mas o fato é que ele estuda numa escola brasileira, foi alfabetizado em português ou teve uma alfabetização bilíngüe. Para todos os efeitos, de americano ele somente tem a herança genética paterna.
No entanto, seu pai biológico entrou com um pedido na Justiça reivindicando a guarda de Sean. À primeira vista, parece razoável, uma vez que com a morte da mãe, ele, o pai biológico, é o parente mais próximo do menino e é compreensível que queira cuidar de seu filho, como é esperado de um pai.
Ocorre que, passados cinco ou seis anos, Sean já está adaptado à sua família, principalmente à sua meia-irmã, e seria para ele algo extremamente traumático - podendo ter repercussões negativas para o resto da via - ser separado de seu padrasto e sua madrasta que, embora não sejam seus pais biológicos, são as pessoas que o criaram e que ele reconhece como pais verdadeiros.
No entanto, o caso Sean subiu ao Supremo, que terá de decidir se a guarda do menino permanece com seus pais de criação ou se ele será devolvido ao seu pai biológico. Tertium non datur.
Ambas as partes envolvidas nesse caso terão de aceitar,obviamente, a decisão do Supremo. Mas posso perfeitamente dar meu ponto de vista sobre a questão, independentemente da decisão a ser tomada pela referida Corte em última instância.
Penso que em casos dessa natureza tem-se que levar seriamente em consideração e colocar mesmo como prioritária uma resposta dada à seguinte pergunta: O que é melhor para a criança, ou seja: o que produzirá melhor resultado para sua formação como indivíduo humano?
Deixá-lo continuar vivendo com sua família brasileira, a única conhecida por ele - uma vez que veio para o Brasil com meses de idade - ou enviá-lo ao seu pai biológico, tendo que deixar seus vínculos afetivos e familiares no Brasil e partir para um país desconhecido, separado de sua meia-irmã, ser privado do convívio de seus amiguinhos e coleguinhas, para viver com um pai pouco conhecido por ele?
Acredito que qualquer pessoa dotada de bom senso, ao se colocar no lugar do menino Sean, decidirá que é melhor para ele ficar com sua família brasileira. E espero, sincera e ansiosamente, que o Supremo acolherá esse ponto de vista.

*Mario Guerreiro
Mario Antonio de Lacerda Guerreiro é doutor em Filosofia pela UFRJ. Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Ex-Pesquisador do CNPq. Ex-Membro do ILTC [Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC [Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos]. Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica.

Fonte: Jus Vigilantibus

Julgamento dos Nardonis acontece em março de 2010

Família vai continuar brigando na Justiça para retomar guarda de Sean


A família do menino Sean Goldman informou nesta segunda-feira que vai continuar brigando, na Justiça brasileira, para retomar a guarda do garoto, que viajou no último dia 24 para os Estados Unidos, com o pai, o americano David Goldman. A família afirma cogitar entrar com recurso no STJ (Superior Tribunal de Justiça) para que o garoto de 9 anos seja ouvido pela Justiça.
Os familiares brasileiros esperam que Sean manifeste-se a favor de morar no Brasil, e, a partir disso, espera que guarda dele pode ser retomada.
Com a decisão, a família volta atrás na pretensão apenas de brigar para fazer visitas ao garoto nos EUA. Logo após a partida de Sean, o advogado da família, Sérgio Tostes, havia declarado que não recorreria mais à Justiça brasileira.
"Desta forma, apesar de ter sido determinada a antecipação da entrega do menino Sean, e essa ter sido cumprida na forma da decisão do ministro Gilmar Mendes em 24 de dezembro de 2009, a questão judicial no Brasil não terminou", afirma nota divulgada por Tostes.
A família mantém a esperança de que, a partir do depoimento de Sean, seja revista a decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, confirmada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Caso isso ocorra, os advogados dizem esperar que as autoridades brasileiras atuem no sentido de que o garoto retorne ao país.
"A família confia em que serão tomadas pelas autoridades brasileiras todas as medidas para que haja o retorno imediato de Sean ao Brasil. A família reitera sua confiança na Justiça e confia que o retorno do menino ocorra com a maior brevidade", complementa a nota.

Cirilo Junior


Folha Online

Para salvar vidas


Ministério da Saúde lança campanha de incentivo à doação de medula óssea. Número de transplantes tem crescido no Brasil

Rio - Esperança para os 979 pacientes que aguardam por um transplante de medula óssea no Brasil, foi lançada ontem pelo Ministério da Saúde a campanha “Seja o amigo oculto de alguém por toda vida”. O objetivo é aumentar o número de possíveis doadores de medula óssea do País.
Segundo o órgão, em nove anos houve crescimento de 10.814% no número de cadastros do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula (Redome). No estado do Rio de Janeiro, o aumento foi de 174,7% de 2007 até 2009, de acordo com o Hemorio.
O levantamento do ministério aponta que transplantes de medula óssea entre pessoas que não são da mesma família cresceram 411,5% entre 2001 e 2008, enquanto a doação entre parentes aumentou 25,3%.
Apesar dos índices, quem precisa do transplante sofre para encontrar doadores compatíveis. No Brasil, a compatibilidade é de uma para cem mil pessoas, segundo a coordenadora de campanhas do Hemorio, Regina Lacerda. Entre irmãos, a chance é de 25%. É o caso de Drielly de Souza, de 5 anos. A menina tem leucemia e aguarda pelo transplante de medula óssea. A doadora será a irmã gêmea, Raíssa.
Para quem não encontra compatibilidade na família, a solução é o Redome. Segundo Regina, quanto mais cadastros no banco, maior a chance de salvar vidas.
“Em seis dias a medula se reconstitui totalmente, por isso não faz falta para quem doa. Quanto mais cadastros no banco, maior a chance de encontrarmos pessoas compatíveis”, ressalta Lacerda.
Quem quiser se cadastrar, pode fazê-lo em qualquer hemocentro. Basta ter entre 18 e 55 anos e ser saudável. Não é necessário estar em jejum.

Clarissa Mello

imagem:Google

Criança morre e outra fica ferida em incêndio na favela Parque União


Mãe teria deixado as duas para ir a baile funk. Vela acesa para iluminar o cômodo caiu no colchão

Rio - Uma criança de três anos morreu e outra ficou ferida em incêndio que destruiu um barraco na Rua São Sebastião, 42, Parque União, no complexo de favelas da Maré, na Zona Norte do Rio. A criança morta foi identificada como Maria Eduarda pereira da Silva. As irmãs Kelly, Geovana e Vitória Cristina, de um, quatro e oito anos, foram resgatada por bombeiros e estão internadas no Hospital Geral de Bonsucesso.
Segundo os bombeiros, a mãe, Josimeri Correia da Silva, deixou as filhas e foi para um baile funk. Uma vela acesa para iluminar o cômodo, caiu no colchão onde as irmãs dormiam e o fogo se alastrou. Vizinhos chamaram os bombeiros e a mãe não foi encontrada.
Os traficantes da comunidade, segundo moradores do parque União, decretaram a pena de morte para a mãe das meninas.


Médicos retiram mais quatro agulhas de menino de dois anos



Objetos estavam no pescoço e canal medular.
Cirurgia correu bem e garoto está em recuperação, segundo hospital.

Terminou por volta das 21h (horário de Brasília) desta segunda-feira (28), a terceira cirurgia pela qual passou o menino de 2 anos que está internado em um hospital de Salvador com agulhas pelo corpo. Segundo a assessoria do Hospital Ana Neri, onde o garoto está internado, foram retiradas quatro agulhas: três que estavam no pescoço e outra no canal medular.
Correu tudo bem durante a cirurgia e o garoto está em recuperação na UTI, informou ainda a assessoria. O procedimento teve duração de quatro horas, com início por volta das 17h (horário de Brasília).
"A cirurgia vascular foi feita com muita tranquilidade. A cirurgia neurológica também. Acreditamos que essa criança vai ter um final feliz", disse o médico José Siqueira.
De acordo com o hospital, restam agulhas no corpo do menino mas em locais que não oferecem risco de morte. Ainda segundo a assessoria de imprensa, ele passará por outros procedimentos mais simples para retirá-las. Novos exames serão feitos em alguns dias para confirmar exatamente quantos objetos ainda restam e onde estão alojados. Em princípio, o garoto tinha 31 agulhas no corpo e foram retiradas 22.

Internação
O menino já passou por duas cirurgias para a retirada de objetos do fígado, intestino, bexiga, coração e pulmão. Na sexta-feira (26), ele havia conseguido caminhar com a ajuda de fisioterapeutas do hospital.

Transferência
O garoto foi levado a uma unidade de saúde de Ibotirama (BA) depois de reclamar de dores na barriga. Um exame mostrou que ele tinha várias agulhas espalhadas pelo corpo. A vítima foi internada em Barreiras (BA) e, depois, transferida para Salvador.
Segundo a polícia, o padrasto do menino confessou o crime. Ele disse à polícia que teve ajuda de duas mulheres. O homem teria afirmado que enfiava as agulhas no corpo do menino como parte de um ritual religioso.

G1

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

BA: Mulher é agredida por segurança das Lojas Americanas na frente do filho


Uma confusão nas Lojas Americanas do shopping Iguatemi chamou a atenção de diversos consumidores no final da tarde deste domingo, 27. Segundo relato dos presentes, uma mulher não identificada, aparentando ter 25 anos, que estava acompanhada do filho de aproximadamente quatro anos, foi agredida fisicamente por um segurança do estabelecimento. O gerente da loja, Jean Silva, disse que a mulher teria tentado furtar um objeto de maquiagem.
De acordo com as testemunhas, o segurança, que não teve o nome divulgado, segurou a mulher pelo pescoço, a arrastou pelo interior da loja e conduziu para o depósito, enquanto a criança chorava e gritava pela mãe. “Daqui de fora (do depósito) ouvimos vários gritos”, relatou Joceval Tibúrcio, 48, que presenciou toda a confusão.

Indignação - Cleziane Silva, 28, ficou assustada com o acontecimento. “Eu nunca tinha visto uma cena como esta. A mulher não teve reação pela forma como foi abordada”, contou. Ela também lamentou o fato de a criança ter sido agredida verbalmente e passado pelo constrangimento: “O que chamou a nossa atenção foram os gritos da criança. Eu tentei entrar em contato com o juizado de menores, mas não consegui falar”.
O cliente Adagilson Rodrigues, 35, disse que pediu várias vezes para ver como a criança estava, mas ninguém permitiu. “Por mais que a moça tenha errado, a atitude tomada não deveria ter sido esta. A criança não tem culpa pelo ato da mãe”, lamentou.
Segundo uma funcionária, que pediu para não ser identificada, a mulher teria apanhado bastante no interior do depósito, na frente do filho. Nenhum responsável pelo estabelecimento quis dar explicações aos consumidores que aguardavam a saída da mulher e da criança do depósito. O segurança não apareceu depois da confusão e, conforme os funcionários, a mulher foi liberada pelos fundos da loja.
O gerente das lojas Americanas não quis dar outros detalhes sobre o assunto e disse que ainda não sabe a punição que o segurança receberá pela atitude tomada.

Fonte: A Tarde Online

Campanha previne desaparecimento de crianças e adolescentes na rodoviária


Para evitar o desaparecimento de menores, neste período em que o número de embarques e desembarques é maior, serão distribuídas 40 mil pulseiras de identificação no Terminal Rodoviário Novo Rio. Até quarta-feira (30), a Campanha de Prevenção ao Desaparecimento de Crianças e Adolescentes, organizada pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, por meio do Programa SOS Crianças Desaparecidas da FIA (Fundação para a Infância e Adolescência), estará em ação no setor de Embarque Superior no Espaço Social, das 10h às 16h.
O acessório deve informar o nome, telefone e endereço da criança. É aconselhável que os pais ou responsáveis identifiquem o menor antes de sair de casa. O material é resistente à água. Além das pulseiras de identificação, cartazes com fotos de crianças desaparecidas estão sendo distribuídos.
"Esta ação visa à prevenção do desaparecimento temporário de menores. Este local é fundamental para esta campanha, pois é a entrada e saída de crianças e adolescentes vindos de outros estados. Estamos abordando os pais e responsáveis sobre a importância desta pulseira. Estas pessoas têm que ter a consciência de que todo o cuidado é pouco em relação a este público", afirmou o gerente do programa, Luiz Henrique Oliveira.
Caso haja desaparecimento, o responsável deve procurar imediatamente a delegacia mais próxima para registrar a ocorrência.

Fonte: SRZD

Pai de Eloá é preso em sítio em Alagoas


Everaldo Pereira foi condenado a 33 anos de prisão por morte de delegado.
Eloá foi sequestrada e morta pelo ex-namorado em Santo André, em 2008

Policiais civis de Alagoas prenderam, na tarde desta segunda-feira (28), Everaldo Pereira dos Santos, pai da menina Eloá Cristina Pimentel, 15 anos. Ele estava foragido e foi encontrado em um sítio nas imediações de um conjunto habitacional, em Maceió.
Eloá foi sequestrada e morta pelo ex-namorado, Lindemberg Alves Fernandes, de 22 anos, no dia 17 de outubro de 2008, dentro de um apartamento em Santo André, no ABC.
Para José Edson Freitas, delegado geral adjunto de Maceió, disse ao G1 que Everaldo era monitorado desde a morte da filha Eloá, em outrubro de 2008. "O mandado de prisão foi expedido pelo juíz de Alagoas naquela época, logo que o identificamos em uma imagem de TV, recebendo atendimento médico após a morte da filha."
Freitas afirmou que Everaldo foi preso na casa de uma cunhada dele. "Descobrimos que ele estava no sítio há dez dias. Provavelmente passaria as festas de fim de ano na região. Cercamos a casa e ele ainda tentou fugir pulando o muro. Não estava armado e foi levado para a sede da Polícia Civil, onde prestará depoimento."


O delegado disse ainda que Freitas tomará ciência de todas as acusações que tem na Justiça de Alagoas. "Ele sabe que é um arquivo vivo. Ele nos disse que temia ser morto como queima de arquivo. Everaldo ainda tem muita informação para ajudar a polícia a esclarecer crimes, principalmente de homicídios."
Freitas afirmou ao G1 que Everaldo circulou por vários estados durante a fuga desde a morte de Eloá. "Sabemos que ele passou por dois estados, pelo menos, e pela Bolívia, informação que já nos foi confirmada por ele logo após ser preso hoje. Ainda vamos esclarecer por onde ele passou. O fato de ele ser ex-policial pode ter ajudado durante todo esse tempo de fuga."


Condenação
Mesmo foragido, o ex-militar, acusado de integrar a Gangue Fardada, foi condenado, em novembro deste ano, a 33 anos de prisão por envolvimento no assassinato do delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador Ronaldo Lessa.
O crime ocorreu em outubro de 1991, época em que o delegado investigava um crime ocorrido na Unidade de Emergência e que tinha como principal suspeito o grupo ligado ao ex-tenente coronel PM Manoel Cavalcante.

Morte de Eloá
Os desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo negaram, em 15 de dezembro, o recurso impetrado pela defesa de Lindemberg Alves Fernandes, para anular a sentença do juiz de Santo André, que leva o réu a júri popular.
Desse modo, Lindemberg, acusado de sequestrar e matar a ex-namorada Eloá, será mesmo julgado por um júri composto por pessoas comuns. A informação é da assessoria de imprensa do TJ. A data do julgamento, no entanto, ainda não foi marcada.
Foi o juiz José Carlos de França Carvalho Neto, da Vara do Júri e Execuções Criminais de Santo André, quem decidiu no dia 8 de janeiro que Lindemberg Alves, de 22 anos, iria a júri popular pela morte de Eloá.
O crime
Nayara Silva, Eloá Cristina Pimentel, e mais dois adolescentes foram feitos reféns por Lindemberg no dia 13 de outubro do ano passado em um apartamento em Santo André. Os dois jovens foram libertados no mesmo dia e as duas meninas seguiram no apartamento. Nayara deixou o local no dia 14, mas retornou no dia 16 após uma tentativa frustrada de negociação. No dia seguinte, a polícia invadiu o apartamento e as duas acabaram baleadas. Eloá, que era ex-namorada de Lindemberg, morreu atingida por dois tiros.
Ele irá responder por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), duas tentativas de homicídio (contra Nayara e um sargento da Polícia Militar), cárcere privado e disparo de arma de fogo.

Testemunhas
Em janeiro, a estudante Nayara Silva, de 15 anos, foi a primeira a ser ouvida pelo juiz que determinou que Lindemberg fosse a júri popular. Durante o depoimento de quase duas horas, ela respondeu todas as perguntas feitas. Manteve o discurso que deu à polícia sobre o motivo do sequestro. “Ele entrou [no apartamento] para matar a Eloá. Não admitia que ela não o aceitasse de volta”, teria dito a menina, segundo o Tribunal de Justiça.
As testemunhas de defesa, vizinhas e amigas da família dele, disseram desconhecer histórico de violência por parte do réu contra a ex-namorada Eloá.


Feridas que não cicatrizam: a neurobiologia do abuso infantil


Maus tratos na infância podem ter efeitos negativos duradouros
por Martin H. Teicher

Está provado. Maus tratos na infância não provocam apenas traumas psicológicos reversíveis. Mas também danos permanentes no desenvolvimento e funções cerebrais. Os hemisférios esquerdos de pessoas vitimadas pela violência desenvolvem-se significativamente menos do que deveriam. Martin H. Teicher, professor de psiquiatria na Escola de Medicina da Universidade de Harvard, explica detalhadamente o processo.
Em 1994, a polícia de Boston chocou-se ao descobrir um menino de quatro anos de idade, desnutrido e trancado num apartamento imundo de Roxbury, onde vivia em condições pavorosas. Pior, as mãozinhas da criança tinham sido horrivelmente queimadas. Soube-se que a mãe, viciada em drogas, tinha posto as mãos do menino sob a torneira de água fervente para castigá-lo por ter consumido a comida de seu namorado. A criança ferida não tivera nenhum tipo de assistência médica. A história perturbadora chegou rapidamente às manchetes. Adotado, o menino recebeu enxertos de pele para ajudar as mãos machucadas a recuperar suas funções. Mas, embora as feridas físicas da vítima tenham sido tratadas, descobertas recentes indicam que ferimentos infligidos a sua mente em desenvolvimento podem nunca cicatrizar de todo.
Ainda que seja um exemplo extremo, esse caso notório infelizmente não é incomum. A cada ano, as agências de bem-estar do menor dos EUA recebem mais de três milhões de denúncias de abuso e negligência no trato de crianças, e levantam evidências suficientes para substanciar mais de um milhão de casos.
Não é surpresa para nós que as pesquisas revelem um forte laço entre maus tratos físicos, sexuais e emocionais e o desenvolvimento de problemas psiquiátricos. Mas, até o início dos anos 90, profissionais da área de saúde mental acreditavam que as dificuldades emocionais e sociais ocorriam principalmente por meios psicológicos. Os maus tratos na infância eram vistos como causadores do desenvolvimento de mecanismos de defesa intra-psíquicos, responsáveis pelo fracasso do indivíduo na idade adulta. Ou como paralisadores do desenvolvimento psicossocial, mantendo a vítima presa à condição de “criança ferida” . Os pesquisadores achavam que os danos eram basicamente um problema de software, tratáveis com uma reprogramação via terapia, ou que podiam simplesmente ser apagados com exortações do tipo “esqueça” ou “supere”.
Novas investigações sobre as conseqüências dos maus tratos na infância, incluindo o trabalho que meus colegas e eu fizemos no McLean Hospital em Belmont, Massachusetts, e na Harvard Medical School, parecem contar uma história diferente. Como o abuso infantil ocorre durante o período formativo crítico em que o cérebro está sendo fisicamente esculpido pela experiência, o impacto do extremo estresse pode deixar uma marca indelével em sua estrutura e função. Tais abusos, parece, induzem a uma cascata de efeitos moleculares e neurobiológicos, que alteram de modo irreversível o desenvolvimento neuronal.

Fonte: UOL

O caso Abdelmassih


FERNANDO DE BARROS E SILVA

SÃO PAULO - Vamos começar fazendo três perguntas: 1. Quantas pessoas estão encarceradas hoje no país, em regime de prisão preventiva, sem que ainda tenham sido julgadas? 2. Quantas, entre as pessoas que se encontram nessa condição, chegam a ter seus pedidos de soltura apreciados pelo Supremo Tribunal Federal? 3. E quantas conseguem ver seu caso atendido em apenas quatro meses pelo presidente da mais alta corte do país?
A resposta talvez conduza à conclusão de que o doutor Roger Abdelmassih é um homem de sorte. Ou que pagou os advogados certos. O jornal "Le Monde" tinha razão, mas pegou leve ao dizer que nosso Judiciário é "preguiçoso". Às vezes, só às vezes, é ágil até demais.
O habeas corpus de Gilmar Mendes, que, no recesso da Justiça, libertou o médico acusado de molestar sexualmente pelo menos 39 mulheres, causa óbvio mal-estar. As vítimas (supostas?) depositavam na expertise do doutor a esperança de engravidar -e a situação de vulnerabilidade física e emocional em que foram atacadas, conforme os relatos, confere ao escândalo feição especialmente repugnante.
Os leigos estão cobertos de razão ao manifestar indignação diante da decisão judicial, não obstante suas "razões técnicas". Mendes sustenta que a prisão preventiva não pode representar a "antecipação da pena". Tem sido uma das suas brigas.
Mas podemos inverter o raciocínio e indagar se o Judiciário, refém e cúmplice das chicanas de advogados "influentes", não patrocina, com suas peças intermináveis, um patético teatro da impunidade?
Não há como fugir à evidência revoltante de que, tendo dinheiro e/ ou fama -e advogados a preço de ouro-, o sujeito, não importa o que tenha feito de terrível, cedo ou tarde se dá bem. Sim, sabemos que cabe à Justiça zelar pelos direitos dos indivíduos contra o clamor às vezes cego da maioria. Mas nossa prática jurídica não raro invoca esse princípio para dar guarida aos aspectos mais abomináveis do privilégio.

Fonte: Folha de São Paulo

Bafômetro reprova mais de 38% das mulheres motoristas


O índice de mulheres reprovadas no teste do bafômetro durante as blitze da Lei Seca na Capital cresceu vertiginosamente. Levantamento feito pela Polícia Militar, a pedido do Estado, mostra que, em janeiro, 5,16% das motoristas que foram paradas pela fiscalização haviam bebido antes de pegar o volante.
Em outubro, esse percentual passou para 38,6%, quase quatro em cada dez mulheres fiscalizadas. Os dados mostram que a evolução de embriagadas na direção é praticamente constante mês a mês. Em contrapartida, o número total de detectados pelos aparelhos que medem a dosagem de álcool no sangue está em declínio - passou de 11% para 4%.
A alta feminina nos flagrantes das operações é impulsionada por dois fatores principais. O primeiro - e responsável direto, acreditam os especialistas - é a mudança recente na forma de fiscalizar a Lei Seca.
Até o primeiro semestre de 2009, a Polícia Militar organizava as operações de fiscalização de forma aleatória. Nem todos os carros que passavam pelos locais das blitze eram abordados, e só fazia o bafômetro quem tivesse sinais de embriaguez.
Há cinco meses, porém, a estratégia mudou, e as mulheres, portanto, deixaram de ser invisíveis para quem faz a fiscalização. O segundo fator para o aumento de embriagadas identificadas é que as mulheres estão consumindo mais álcool, o que também aumenta o comportamento de risco.

DRIBLE - O ministro das Cidades, Márcio Fortes, que coordena o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), afirma que as motoristas são mesmo usadas como escudo para fiscalização. "Esse aumento de mulheres flagradas, para mim, indica que elas estavam sendo usadas como truque para driblar a Lei Seca. Um aproveitamento da imagem de que a mulher não bebe e passa batido pelos fiscais."
Antes, homens de 18 a 25 anos eram alvo principal
A sensação de que as mulheres são blindadas do bafômetro nasceu quase que juntamente com a Lei Seca - em junho do ano passado -, sobretudo com as estratégias iniciais adotadas pela fiscalização paulistana. No início, a Polícia Militar definiu como alvo principal da fiscalização os jovens, com idades entre 18 e 25 anos, que frequentavam locais com alta concentração de bares.
O motivo para a escolha do sexo masculino eram os estudos sobre acidentes de trânsito e uso nocivo de álcool, que sempre apontaram os homens como vítimas principais.
Agora, a publicitária Camila Tomasi, 24 anos, é termômetro sobre a mudança da forma de fiscalizar a Lei Seca. Entre os compromissos diários, ela sabe que toda sexta-feira é dia de passar por uma blitz. No caminho entre o trabalho e a casa - que passa pela Avenida Sumaré, na Zona Oeste -, sempre esbarra pelo mesmo esquema de fiscalização de motoristas alcoolizados. Seu rosto ainda de menina não convence que o resultado será zero no bafômetro.
"Já até conheço os policiais. Brinco que vou fazer coleção de teste no bafômetro", diz Camila. Ela só bebe aos fins de semana e tem tática definida para não ser flagrada. Se bebe, não dirige, apesar de admitir que a prática não é recorrente entre as amigas.

Fonte: Diário do Grande ABC
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