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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Campanha dialoga com crianças para promover autoproteção e orientação sobre abuso e exploração sexual


Em período de megaeventos como agora, com a Copa do Mundo acontecendo no Brasil, cresce a preocupação e o número de denúncias sobre violações de direitos das crianças e dos adolescentes. Pensando nisso, a Rede Marista de Solidariedade, em parceria com a Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS), criou a campanha “Defenda-se”, focada na autoproteção e orientação direta para crianças sobre abuso e exploração sexual.

Para a campanha foram produzidos seis vídeos, com linguagem direcionada a meninos e meninas de 5 a 11 anos de idade, abordando situações que podem levar a um contexto de violência sexual. Também são dadas dicas simples de como a criança pode se defender, por exemplo não fornecer informações pessoais a estranhos, tomar cuidado com as fotos que compartilha na internet e saber identificar se qualquer pessoa – mesmo que seja da própria família – estiver tocando indevidamente seu corpo.


“Caso isso ocorra, a criança precisa saber que tem direito de ser protegida e que deve relatar a alguém de confiança, como uma professora ou outro familiar. Ou então ligar no Disque 100, para que a rede de proteção seja acionada”, ressalta o articulador do Centro Marista de Defesa da Infância (CEDIN), Douglas Moreira, também articulador do Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente no Paraná (Fórum DCA/PR). “Havia uma lacuna de materiais que falassem diretamente com as crianças, fomentando sua autoproteção. Aproveitando o momento da Copa, mas não se restringindo a ele, os vídeos partem do contexto do futebol e apresentam o ‘Time da Defesa’, formado pelas próprias crianças que aprendem e ensinam outras crianças a se defender”.

A ideia é que o “Defenda-se” não fique somente no Youtube, mas que sirva como material para ser trabalhado nas escolas, instituições e também para conversas em família, promovendo o debate sobre autoproteção e direitos entre as crianças. “Os materiais foram publicados em todos os canais da Rede Marista de Solidariedade e estão sendo repercutidos por diversos órgãos”, explica Moreira. Os vídeos ainda serão utilizados nas atividades socioeducativas desenvolvidas com crianças nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) em Curitiba durante a Copa.


promenino

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Presidência da República - Casa Civil - Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI No 8.971, DE 29 DE DEZEMBRO DE 1994.

Regula o direito dos companheiros a alimentos e à sucessão.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA


Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei:

Art. 1º A companheira comprovada de um homem solteiro, separado judicialmente, divorciado ou viúvo, que com ele viva há mais de cinco anos, ou dele tenha prole, poderá valer-se do disposto na Lei nº 5.478, de 25 de julho de 1968, enquanto não constituir nova união e desde que prove a necessidade.

Parágrafo único. Igual direito e nas mesmas condições é reconhecido ao companheiro de mulher solteira, separada judicialmente, divorciada ou viúva.

Art. 2º As pessoas referidas no artigo anterior participarão da sucessão do(a) companheiro(a) nas seguintes condições:

I - o(a) companheiro(a) sobrevivente terá direito enquanto não constituir nova união, ao usufruto de quarta parte dos bens do de cujos, se houver filhos ou comuns;

II - o(a) companheiro(a) sobrevivente terá direito, enquanto não constituir nova união, ao usufruto da metade dos bens do de cujos, se não houver filhos, embora sobrevivam ascendentes;

III - na falta de descendentes e de ascendentes, o(a) companheiro(a) sobrevivente terá direito à totalidade da herança.

Art. 3º Quando os bens deixados pelo(a) autor(a) da herança resultarem de atividade em que haja colaboração do(a) companheiro, terá o sobrevivente direito à metade dos bens.

Art. 4º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 29 de dezembro de 1994; 173º da Independência e 106º da República.

ITAMAR FRANCO
Alexandre de Paula Dupeyrat Martins

Este texto não substitui o publicado no DOU de 30.12.1994

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

ATENÇÃO!!!!


Você pode salvar a vida de alguém, compartilhando isso.

DERRAME:
Um amigo me enviou… e me encorajou a postar esse assunto e espalhar essa notícia. Eu concordei. E se todos puderem lembrar-se de algo tão simples, creio que vocês poderão salvar vidas.

IDENTIFICAÇÃO DO DERRAME:
Durante uma festa, a esposa de um amigo tropeçou e levou uma pequena queda – ela garantiu que estava bem e que havia somente tropeçado no rejunte do ladrilho, por causa de seu sapato novo. (Foi oferecido chamar a ambulância)

As pessoas a ajudaram e deram-lhe um novo prato de comida e Ingrid pareceu se divertir o resto da noite. No entanto, mais tarde, o marido de Ingrid telefonou avisando que ela havia sido levada ao hospital – (às 6:00hs, Ingrid faleceu.)
Ela havia sofrido um derrame na festa. Se eles soubessem identificar os sinais de um derrame, talvez Ingrid ainda estivesse conosco hoje.

Alguns não morrem. Eles sobrevivem, mas ficam totalmente dependentes e sua condição é limitadíssima. Leva apenas poucos minutos para você ler isso...

IDENTIFICAÇÃO DO DERRAME:

Um médico neurologista afirma que se ele puder chegar a uma vítima de derrame dentro de 3 horas, ele pode reverter completamente os efeitos do derrame...totalmente. Ele afirma que a dica é reconhecer o derrame, diagnosticá-lo e daí submeter o paciente à cuidados médicos até dentro de 3 horas. O que é difícil acontecer.

RECONHECENDO O DERRAME

Lembre-se desses ‘3’ Passos. Leia e aprenda!
Algumas vezes os sintomas de um derrame são difíceis de identificar. Infelizmente a falta de conhecimento leva ao desastre. A vítima de derrame pode sofrer danos mentais severos, quando as pessoas a sua volta não são capazes de reconhecer os sintomas do derrame.
Agora, os médicos dizem que um acompanhante pode identificar o derrame, fazendo apenas 3 perguntas simples:

• Peça a pessoa que SORRIA...
• A FALA. Peça a pessoa que FALE UMA FRASE SIMPLES coerentemente (tipo: “Está ensolarado lá fora”).
• Peça a pessoa que LEVANTE OS DOIS BRAÇOS ao mesmo tempo.

Se ele ou ela tiver problemas com QUALQUER UMA dessas 3 coisas, chame a ambulância e descreva os sintomas ao atendente.

NOTE : Outro sinal de um derrame é
1. Peça a pessoa que coloque a língua para fora.
2. Se a língua estiver enrolada, se ela pender para um lado ou para outro isso é sinal de um derrame.

Um importante cardiologista afirmou que se todos compartilharem essas informações; pode apostar que uma vida acabará sendo salva.

Informação retirada do Facebook

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Criança Segura divulga ranking dos estados campeões em atropelamentos de crianças


Criança pedestre é a principal vítima entre os acidentes de trânsito

O trânsito é responsável pela principal causa de morte, entre os acidentes, de crianças e adolescentes até 14 anos no Brasil. Do total de lesões que vitimam a criança no trânsito, a maior parte, 38%, corresponde aos atropelamentos. Para entender os dados mais profundamente, gerar alerta para as medidas de prevenção desta lesão e incentivar a adoção de políticas públicas que visem reduzir estes acidentes, a CRIANÇA SEGURA realizou um estudo tendo como base números de mortalidade de 2010, os mais atuais divulgados pelo Ministério da Saúde.

Foram 1.895 mortes de crianças de 0 a 14 anos no trânsito, 711 que vitimaram a criança na condição de pedestre. Outras 7.392 foram internadas devido a atropelamentos. Os pequenos são mais vulneráveis a este perigo porque estão expostos às condições de tráfego que superam sua capacidade de percepção do risco.

As idades e sexo das crianças vítimas destes acidentes também foram considerados. As mortes com crianças de 10 a 14 anos representaram 35%, com crianças de 5 a 9 anos 34%, de 1 a 4 anos, 28% e 3% no caso das crianças com menos de 1 ano. Os meninos foram vítimas quase duas vezes mais que as meninas, sendo 65% das mortes por atropelamentos com garotos e 35% envolvendo garotas.

Ranking por regiões e unidades da federação
O estado de Sergipe foi o campeão em mortes de crianças vítimas de atropelamentos, com taxa de 2,88 por cem mil habitantes menores de 15 anos, seguido de Tocantins, com 2,76, Goiás com 2,50, Santa Catarina, com 2,28 e Alagoas, com 2,20. O Amapá apresentou a menor taxa: 0,90. Acre e Roraima não apresentaram registros de mortes por atropelamentos o que pode estar relacionado à uma deficiência na notificação destas lesões.

Crianças são mais vulneráveis aos atropelamentos
Ainda em desenvolvimento, são incapazes de discernir a velocidade e distância dos veículos, direção de onde vêm os sons, tem a visão periférica limitada (não enxergam nas laterais) e, devido à sua estatura, nem sempre podem ser vistos pelos motoristas. O imaginário infantil também influencia neste caso: as crianças são capazes de acreditar que podem sair ilesas após uma batida – assim como assistem nos programas de TV por exemplo.

Além destas dificuldades, o ambiente em que transitam as crianças apresenta um grande potencial de risco e poucas condições de segurança para os pedestres. Entre outros fatores que causam o atropelamento, está a ausência de uma campanha educativa para motoristas e pedestres, desrespeito aos limites de velocidade, falta de calçadas, sinalização ineficiente, vias e rodovias projetadas sem os devidos cuidados para pedestres e a falta da cultura do respeito às leis. No entanto, a principal causa destes atropelamentos, pode estar relacionada à falta de um adulto com as crianças quando elas estão no trânsito.

Prevenindo os atropelamentos:
Para prevenir este acidente, os responsáveis devem supervisionar sempre até que a criança demonstre habilidades e capacidade de julgamento do trânsito. Isto se dá a partir dos 10 anos aproximadamente. Além disso, devem adotar algumas medidas:

- segurar sempre a criança, firme, pelo pulso, enquanto estiverem caminhando na rua;
- não permitir a brincadeira em locais que não são adequados como entradas de garagens, quintais sem cerca, ruas ou estacionamentos;
- acompanhar a criança para identificar o caminho mais seguro e ensinar a completá-lo de forma segura e cuidadosa.

Além de dar o bom exemplo, os responsáveis também devem ensinar a criança:
- a olhar para os dois lados várias vezes antes de atravessar a rua;
- utilizar a faixa de pedestres sempre que disponível;
- obedecer aos sinais de trânsito;
- não atravessar a rua por trás de carros, ônibus, árvores e postes;
- nunca correr para a rua sem antes parar e olhar se vem carro - seja para pegar uma bola, o cachorro ou por qualquer outra razão;
- esperar que o veículo pare totalmente ao desembarcar do ônibus e aguardar que ele se afaste para atravessar a rua.

Fonte: Criança Segura - 19/07/2012

promenino

sábado, 2 de junho de 2012

As TVs onipresentes matam a conversa?


Amadas por muitos e odiadas por outros, as tevês dividem as atenções. Veja como lidar com elas sem entrar em pé de guerra com seu interlocutor

A televisão chegou ao Brasil em 18 de abril de 1950. Os aparelhos, caros e raros, eram a atração do bairro: a casa com um televisor geralmente era onde os vizinhos se reuniam no horário nobre para assistirem juntos às poucas horas da programação noturna.

Em apenas 50 anos telas de TV de todos os tipos e tamanhos se espalharam pelos cômodos de quase todas as casas do planeta, ocuparam espaços públicos, como bares, restaurantes e praças, estão dentro dos carros, nos elevadores, nas salas de espera de médicos e hospitais, tornaram-se o ponto focal de ambientes privados e públicos e reinam, absolutas, no cotidiano das pessoas.

Isso não significa que o papel agregador da televisão tenha se perdido. Qualquer final de campeonato importante está aí para provar que ela ainda une pessoas por afinidades.

“ Jogos, posse de presidente da república, todo mundo gosta de assistir junto”, diz a consultora de etiqueta Célia Leão. “Nessas circunstâncias, a tevê ligada num canal de notícias em escritórios ou numa sala de espera é inclusive de utilidade pública”, diz a consultora.

Mas fora de situações de interesse específico, o que leva amigos ou casais a saírem para jantar e deixarem o papo morrer diante do estímulo da tela?

Antonio Carlos Amador Pereira, psicólogo, psicoterapeuta e professor no Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, acredita que, se as vozes calam enquanto o olhar gruda na tela, a culpa não é da tevê. “O problema não é um aparelho de televisão no local. As pessoas não se falam no elevador, mal se cumprimentam. O aparelho de tevê só potencializa algo que já existe”, acredita o professor.

Ele compara esse silêncio diante da TV ao de um casal que lê jornais ou revistas no café da manhã de um domingo. “As pessoas tendem a se isolar, principalmente em cidades grandes. Vivem em função dos próprios problemas, de forma individualista. Elas têm seu computador, seu iPad, seu smartphone, sua televisão; se isolam. Vivemos como em um automóvel, em bolhas.”

Apesar da presença maciça, a tevê está longe de ser uma unanimidade, pelo menos nos espaços públicos. Como resolver o conflito entre os fãs de ambientes com tevês e os que não as suportam? Preparamos um pequeno manual para a tevê não se tornar motivo de guerra.

1 – Evite o silêncio
“Sempre que estiver na presença de outras pessoas, o ideal é interagir”, acredita a consultora de boas maneiras Lígia Marques. Claro que numa sala de espera, entre desconhecidos, não tem problema focar na tevê. Mas convidar alguém para um chope e perder o rumo da conversa por causa dela é desagradável.

2 – Marcando: com ou sem tevê?
Se você foi convidado para um lugar com telas por toda parte e não gosta delas, escolha seu lugar estrategicamente. Sentar de costas para elas ajuda. “Sua prioridade tem que ser quem está à mesa, então tente ficar longe da dita. Se não for possível, você vai ter que se esforçar para manter a atenção na pessoa com quem está”, diz Lígia.

3 - Pode pedir para mudar de canal?
De jeito nenhum! “É falta de educação. Só se muda o canal da tevê da própria casa”, diz Célia. Se você não mudaria por conta própria a decoração de um bar, não faz sentido pedir ao dono do estabelecimento para escolher a programação. Já Lígia acredita que se a pessoa estiver sozinha numa sala de espera ou se ninguém mais estiver acompanhando o conteúdo da tevê, o constrangimento é menor.

4 – Pode pedir para desligar ou abaixar o volume?
Se estiver incomodando demais, atrapalhando as conversas ou causando um desconforto no ambiente, pode. “Diga que está alto demais e não está conseguindo conversar. Mudar de lugar é uma boa opção”, afirma Lígia.

5 – A TV dispersa o grupo
O papo começa animado, mas os gols da rodada, a abertura da novela ou até o começo do jornal disputam a atenção com a conversa. O que fazer? Célia Leão sugere dar um toque. “Viemos para beber e conversar ou ver tevê? É você que tem que dar um toque no parceiro – com sutileza”, recomenda. “Ser humano bom de papo é bom ouvinte. Que deselegância você falar e a pessoa estar ligada no futebol, no Faustão”, diz Célia.

6 – Mudar de endereço
Se o foco for mesmo a convivência e a conversa e não for possível conciliar com o lugar escolhido, propor uma mudança de endereço pode salvar a reunião. Nada pior do que não estar no clima do ambiente... “É uma ótima ideia se a TV está fazendo o encontro ficar dividido”, diz Lígia.

7 – E na hora de reunir os amigos em casa? TV or not TV?
Na intimidade do lar, cada família tem suas regras. A programação da tevê pode se tornar o assunto central do bate-papo ou exterminar de vez a conversa. Uma boa solução são DVDs de shows, que dão um clima agradável à reunião, tanto com a tela da tevê ligada quanto desligada. “Outros programas dispersam a conversa. Se ligar a tevê no futebol, não conte com a participação dos homens na festa!”, brinca Lígia.

Gazetaweb

sábado, 5 de maio de 2012

Pesquisadores no Rio explicam como o corpo lida com estresse


Uma ação de conforto libera hormônio que atua no sistema nervoso autônomo

Quando numa situação de crise uma pessoa tenta acalmá-lo e você se sente mais aliviado, não são as palavras amigas que lhe confortam, mas seu sistema nervoso autônomo (SNA) que reage à liberação de oxitocina, fazendo o corpo se acalmar. Essa nova abordagem neurofisiológica do trauma humano tem sido estudada por cientistas em todo o mundo e três dos mais conhecidos deles se reúnem pela primeira vez este fim de semana, em evento no Colégio Brasileiro de Cirurgiões, em Botafogo, onde discutem as novidades no assunto. Um dos objetivos da visita de Peter Levine, Stephen Porges e Sue Carter ao Brasil é preparar profissionais das áreas de saúde e educação para lidar com pessoas em situações de muito estresse e evitar o desenvolvimento de traumas.

A abordagem — eles dizem — deve ser a mais afetuosa possível, transmitindo confiança, seja com uma criança assustada após um tombo na escola, seja num atendimento de emergência após um acidente de carro, por exemplo. Isso porque estudos recentes realizados em parceria por Porges, neurocientista, e Sue Carter, neuroendocrinologista pioneira em estudos sobre o hormônio oxitocina, mostram que o nervo vagal, integrante no SNA, pode estar conectado à rede de receptores para a oxitocina, um neurotransmissor relacionado à confiança, à afetividade, ao amor, à amizade e aos laços maternais. Pessoas com alta ativação dessa região cerebral tenderiam a ser mais afetuosas, generosas e altruístas.

— Nossos estudos indicam que as áreas do tronco cerebral que regulam o SNA são ativadas pela oxitocina, com o efeito de relacionar as áreas do cérebro que regulam o sistema nervoso autônomo a outras regiões — diz Sue, em entrevista ao GLOBO. — Estes resultados estão começando a explicar como e onde, dentro do cérebro, a oxitocina pode atuar para ajudar a modular reações a eventos traumáticos. Esse hormônio parece ser parte de um sistema natural de proteção, que permite que os mamíferos usem o comportamento social para modular suas reações a desafios ou estresse.

Stephen Porges defende que nossa resposta a uma situação de crise envolve sistemas localizados em nosso tronco cerebral, onde está o SNA. Ele tem uma teoria evolutiva, segundo a qual, para preservar a vida, o mamífero entra num estado de congelamento diante de uma ameaça. Essa resposta é inconsciente. Seus estudos mais recentes falam do papel do nervo vago ventral, no SNA, para nos fazer sair deste estado. Quando esta resposta falha, a pessoa entra num estado de trauma e precisa ser tratada.

— Se o medo está associado a uma ameaça à vida, como é o caso de indivíduos gravemente traumatizados, estamos num território desconhecido do comportamento humano. Isso é um problema, porque não evoluímos com mecanismos para corrigir essa resposta, que é um último recurso, fora da esfera do comportamento voluntário — explica Stephen Porges.

Assim como sua origem, a solução do trauma passa pelo organismo, afirmam os especialistas. Sintomas de que algo vai mal são dificuldade para dormir, excesso de vigilância, sobressaltos e dores constantes. Segundo Sonia Gomes, uma das diretoras da Associação Brasileira do Trauma (ABT), organizadora do evento, com apoio da UFRJ, toda pessoa traumatizada passou por um momento de estresse extremo, mas nem todo mundo que se vê numa situação assim estende suas reações, configurando um estado de trauma grave.

Os eventos que mais costumam desencadear estas respostas estão ligados à violência — assaltos, abusos sexuais e corporais, sequestros — e também a desastres naturais, como furacões e enchentes. No Brasil, 10% das crianças de baixa renda sofrem abusos e espancamentos dentro de casa. Destas, 35,8% apresentam transtorno de estresse pós-traumático, segundo dados da ABT.

O autor do livro “O despertar do tigre — curando o trauma” (Editora Summus), Peter Levine, propõe o tratamento através da experiência somática, metodologia que chegou ao Brasil há 13 anos. Seu foco não é o evento em si, mas a capacidade de resistência fisiológica do organismo em reagir a uma situação traumática sem se desorganizar. Na prática, a técnica trabalha os processos fisiológicos interrompidos nos pacientes através das sensações corporais. Eles são conduzidos pelo terapeuta a perceber quais são as manifestações do trauma em seu organismo.

— Às vezes, em uma única sessão, a pessoa se sente mais aliviada — explica Cornélia Rossi, diretora-fundadora da ABT. — Nas terapias tradicionais, os pacientes demoram anos, relembram o evento, o que consideramos fisiologicamente inadequado porque há a necessidade de a pessoa se traumatizar de novo.

De acordo com Levine, a técnica pode ser aplicada em crianças e adultos. Seu paciente mais velho tinha 98 anos. Para todos, é consenso que o trauma precisa ser tratado não só por uma questão de qualidade de vida do indivíduo, mas, também, para evitar que problemas mais graves apareçam, como uma síndrome do pânico, ou mesmo a reprodução de comportamentos violentos na vida futura. Estas seriam consequência não só para o indivíduo e as pessoas que o cercam, mas para toda a sociedade.

O Globo

quarta-feira, 14 de março de 2012

Procon-SP suspende 3 sites de compra por problemas em serviço

Caixa de celular que, segundo Wesley, veio vazia.

Americanas, Submarino e Shoptime devem ficar três dias sem venda online.
Número de reclamações aumentou em 180% de 2010 para 2011.


A Fundação Procon de São Paulo determinou a suspensão das atividades de comércio online dos sites Americanas, Submarino e Shoptime por 72 horas a partir de quinta-feira (15) por problemas no serviço oferecido aos clientes. Além da paralisação das vendas, a B2W - Companhia Global do Varejo, responsável pelos três sites, ainda deverá pagar uma multa de mais de R$ 1,7 milhão. A decisão foi divulgada no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira (14).

De acordo com o Procon, contudo, cabe recurso da decisão, que deve ser apresentado pela empresa em até 15 dias. A suspensão e aplicação da multa só acontecerão após a análise do recurso pelo Procon – ou seja, apenas se for confirmada a decisão.

Segundo o Procon, a B2W teve um aumento de 246% do número de casos relatados à fundação, que passaram de 1.479 atendimentos no segundo semestre de 2010 para 3.635 atendimentos até o primeiro semestre deste ano.

De acordo com a Andrea Sanchez, diretora do Procon-SP, de 2004 até este ano, a fundação já realizou 11 determinações contra a B2W. De 2009 para cá, três delas foram sobre problemas na entrega. "Verificamos que, apesar da existência de processos administrativos e apesar das multas, o problema não só persistiu, como aumentou. Não adianta aplicar somente mais uma multa, já aplicamos nos outros processos e a empresa não mudou a conduta", afirma.

Andrea ressalta que o prazo de entrega é um dos diferenciais que influenciam a decisão do consumidor e, por isso, precisa ser cumprido. "[Se o consumidor soubesse que demoraria mais que o previsto para o produto chegar], ele poderia ter escolhido outra empresa, com preço diferenciado, mas que cumprisse o prazo", ressalta.

Para a especialista, a justificativa de que as vendas aumentaram não pode ser aceitada. "Se aumentou o número de vendas, a empresa tem que ser transparente o suficiente [e falar o prazo real de entrega]", afirma.

Em comunicado, a B2W informou que entrará com pedido de recurso no Procon SP para impedir que os seus sites sejam retirados do ar. "Aproveitamos esta oportunidade para afirmar que desde o inicio deste ano, como resultado das várias e decisivas medidas tomadas pela companhia no sentido de aprimorar seus processos, fizemos grandes avanços", disse o grupo.

"Demos um salto e continuamos trabalhando para melhorar ainda mais. A B2W tem como prioridade elevar a satisfação do seus clientes e continua investindo neste sentido”, acrescentou o comunicado.

Decisão
De acordo com o texto publicado no Diário Oficial, a decisão homologa um auto de infração e fixa multa de R$ 1.744.320. A decisão "considera agravante com aumento de 1/3 da pena-base, por ser o autuado reincidente na prática de infrações às normas da Lei nº 8.078/90".

Orientação do Procon
O consumidor que tiver problema com entrega de produto e serviços no estado de São Paulo pode procurar um dos postos da Fundação Procon-SP das seguintes formas. Os endereços estão listados no site do Procon:

- Pessoalmente, das 7h às 19h, de segunda à sexta-feira, e aos sábado, das 7h às 13h, nos postos dos Poupatempo Sé, Santo Amaro e Itaquera.
- Nos postos dos Centros de Integração da Cidadania (CIC), de segunda à quinta-feira, das 9h às 15h.
- Por telefone no número 151 ou por fax ao telefone (11) 3824-0717.
- Por cartas na Caixa Postal 3050, CEP 01031-970, São Paulo-SP.

G1

quarta-feira, 7 de março de 2012

ALERTA MÉDICA: MUCHO CUIDADO, CON ELAPOFISIS ESTILOIDES: ES ALGO QUE TODOS HACEMOS Y ES MUY PELIGROSO


NO SOSTENGA EL TELEFONO CON LA CABEZA Y EL HOMBRO

La alerta llega de los consultores médicos del diario británico 'Neurology'.
Está comprobado que es peligroso, y hasta puede ser fatal conversar por el teléfono apoyándolo en el hombro y aguantándolo con la cabeza.

Generalmente hay una tendencia a hacer eso cuando necesitamos anotar lo que el interlocutor está diciendo. El caso relatado por la publicación científica se refiere a un psiquiatra francés que pasó una hora con el teléfono entre la cabeza y el hombro izquierdo. Cuando terminó, sufrió ceguera temporal y sintió dificultad para hablar, a lo que sobrevino un derrame cerebral.

MOTIVO: Un hueso minúsculo, pero puntiagudo, situado debajo de la oreja izquierda y detrás de la mandíbula, rompió los vasos que llevan la sangre hacia el cerebro. Ese rompimiento se produce porque la persona, sin sentirlo, va presionando cada vez más la cabeza sobre el teléfono y también, involuntariamente, va levantando el hombro.

Como es una práctica muy común este comportamiento, principalmente en las oficinas, muchas veces este problema afecta a las personas con intensidad y puede causar problemas por acumulación. Luego no sabemos el por qué ahora sufren las personas, de tantos derrames cerebrales (Accidente Cerebro Vascular = ACV)

Ojo con esto. Avisa a todos sus contactos y EVITA HABLAR POR TELÉFONO SOSTENIÉNDOLO ENTRE LA CABEZA Y EL HOMBRO

Informação recebida por e-mail

quinta-feira, 1 de março de 2012

Exame de DNA negativo não basta para anular registro de nascimento


Para obter êxito em ação negatória de paternidade é necessário comprovar a inexistência de vínculo genético e, além disso, de vínculo social e afetivo. Com esse entendimento, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou recurso especial interposto por homem que, após mais de 30 anos, pretendia anular os registros de nascimento das duas filhas, nos quais consta o seu nome. O autor da ação sustentou que, após se casar, foi induzido a registrar como suas as filhas que a esposa teve com outro homem. Na época, ele não sabia que havia sido traído. Após um tempo, desconfiou da esposa, que confessou a traição. Apesar disso, ele nunca contou às filhas que não era seu pai biológico, nem mesmo após separar-se da esposa. Depois disso, a relação de pai continuou. “Quando já eram moças, ficaram sabendo que eu não era o pai delas. Eu senti muito, mas, para mim, sempre foram minhas filhas”, disse o homem em depoimento. O autor explicou que só entrou com o processo devido a uma disputa sobre bens, mas, independentemente disso, demonstrou o desejo de continuar sendo “o pai do coração delas”. Estado social Em primeira instância, a ação foi julgada improcedente em relação às duas, mesmo que uma delas não tivesse contestado o pedido. Para o juiz, embora o exame de DNA tenha oferecido resultado negativo para a paternidade, a ocorrência da paternidade socioafetiva deve ser considerada. Na segunda instância, a decisão do juiz foi mantida. Segundo a desembargadora relatora do acórdão, “sendo a filiação um estado social, comprovada a posse do estado de filhas, não se justifica a anulação do registro de nascimento”. Para ela, a narrativa do próprio autor demonstra a existência de vínculo parental. No recurso especial interposto no STJ, o autor sustentou que, apesar do reconhecimento do vínculo social e afetivo entre ele e as filhas, deveria prevalecer a verdade real, a paternidade biológica, sem a qual o registro de nascimento deveria ser anulado, pois houve vício de consentimento. O autor citou o julgamento proferido em outro recurso especial, na Terceira Turma: “A realização do exame pelo método DNA, a comprovar cientificamente a inexistência do vínculo genético, confere ao marido a possibilidade de obter, por meio de ação negatória de paternidade, a anulação do registro ocorrido com vício de consentimento.” Convivência familiar Para o relator do recurso especial, ministro Luis Felipe Salomão, “em conformidade com os princípios do Código Civil de 2002 e a Constituição Federal de 1988, o êxito em ação negatória de paternidade depende da demonstração, a um só tempo, da inexistência de origem biológica e também de que não tenha sido constituído o estado de filiação, fortemente marcado pelas relações socioafetivas e edificado na convivência familiar”. “A pretensão voltada à impugnação da paternidade”, continuou ele, “não pode prosperar quando fundada apenas na origem genética, mas em aberto conflito com a paternidade socioafetiva.” O relator explicou que não é novo na doutrina o reconhecimento de que a negatória de paternidade, prevista no artigo 1.601 do Código Civil, submete-se a outras considerações que não a simples base da consanguinidade. Segundo ele, “exames laboratoriais hoje não são, em si, suficientes para a negação de laços estabelecidos nos recônditos espaços familiares”. “A paternidade atualmente deve ser considerada gênero do qual são espécies a paternidade biológica e a socioafetiva”, disse Salomão. Segundo o ministro, as instâncias ordinárias julgaram corretamente o caso ao negar o pedido do autor e reconhecer a paternidade socioafetiva.

Fonte: Superior Tribunal de Justiça

Revista Jus Vigilantibus

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

domingo, 13 de novembro de 2011

Campanha alerta para os riscos de doenças cardiovasculares



Lembrado desde 2007, Dia Nacional de Prevenção de Arritmias Cardíacas e Morte Súbita vem mobilizando centenas de cardiologistas de todo o país

Neste sábado, ocorreu o Dia Nacional de Prevenção de Arritmias Cardíacas e Morte Súbita, organizado pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac). Realizada desde 2007, a campanha tem como um dos pilares a conscientização da população a respeito das arritmias cardíacas e da morte súbita, mobilizando centenas de cardiologistas de todo o país. A Sobrac também quer esclarecer órgãos públicos e privados sobre a importância da presença do desfibrilador externo automático (DEA) em locais de grande circulação de pessoas.

— Apesar do grande número de vítimas, a morte súbita necessita ser melhor divulgada no Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou recentemente que as doenças cardiovasculares matam mais que quaisquer outras, incluindo o câncer — ressalta o eletrofisiologista Eduardo Bartholomay, coordenador da campanha no Rio Grande do Sul em 2011.

Com a Campanha Coração na Batida Certa, a entidade quer alertar a população a respeito dos riscos das arritmias cardíacas e da morte súbita, que, juntas, vitimam mais de 300 mil pessoas todos os anos. A morte súbita é considerada um dos maiores problemas de saúde pública no mundo, acometendo, na maioria das vezes, pessoas na faixa etária produtiva, bem como atletas — jovens e saudáveis.

A atenção da Sobrac também está voltada para os programas de treinamento para socorristas e o uso correto do DEA, tornando relevante a discussão do equipamento em locais como vias públicas, aeroportos e estádios de futebol.

— Estes equipamentos desempenham função vital. O Brasil terá destaque mundial nos dois eventos esportivos de maior repercussão internacional: a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016), em que a grande concentração de público torna o DEA ainda mais relevante — ressalta o presidente da Sobrac Guilherme Fenelon.

Trata-se de uma questão que merece atenção permanente. O tratamento preventivo das arritmias permite evitar o grande número de casos de óbitos, segundo o médico Enrique Pachón, do Hospital do Coração (HCor), de São Paulo.

— Um método muito utilizado para o tratamento definitivo das arritmias é a ablação por radiofrequência termocontrolada por computador, sem necessidade de cirurgia. Esse foi o maior avanço no tratamento nos últimos tempos — ressalta.

Saiba mais
As doenças cardiovasculares são responsáveis pela maior causa de mortalidade em todo mundo. Na distribuição global das causas de morte, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), elas apresentam a maior incidência, sobrepondo neoplasias (câncer de pulmão e mama), traumas por acidentes de trânsito e até Aids. Juntas, as arritmias cardíacas e a morte súbita vitimam mais de 300 mil pessoas todos os anos.

As arritmias podem surgir em indivíduos aparentemente normais mas, quando benignas e com tratamento adequado, são passíveis de controle ou até cura. Dentre as arritmias malignas, a fibrilação ventricular é a mais grave porque leva ao óbito cerebral em poucos minutos. É o principal mecanismo de morte súbita cardíaca, que atinge mais o sexo masculino, aumentando com a idade (pico entre 45 e 75 anos) e, em 80% dos casos, tem relação com a doença arterial coronariana.

A parada cardíaca tem sucesso de recuperação quando realizadas manobras de ressuscitação cardiopulmonares imediatas. A ajuda do desfibrilador automático externo (DEA) depende diretamente do tempo transcorrido entre o pedido de socorro e a desfibrilação, sendo que as chances diminuem cerca de 10% a cada minuto de atraso.

Bem-estar

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Mas é (mesmo) caso de terapia?


Um comportamento diferente ou uma dificuldade inesperada de seu filho, um acontecimento traumático, uma reação surpreendente: o que pensar e qual atitude tomar na hora em que bate a dúvida de procurar um psicólogo. Saiba aqui que tipo de situação, quais especialistas você vai encontrar e por que não há razão para ter preconceito ou se sentir fracassado

Quando planejamos ou temos um filho, a felicidade e a responsabilidade são tão grandes que muitas vezes nos parece uma missão impossível. Mesmo que a jornada já tenha começado. Diante de um conflito – de não conseguir que a criança saia da frente da TV até como fazê-la entender que seus pais não vão mais morar juntos –, é legítimo achar que a força de ser mãe ou ser pai vai desmoronar. Mas também legítimo é entender que pode precisar de ajuda. De alguém da família, de um educador da escola, de um amigo ou, sim, de um terapeuta. Mas quem é esse profissional? Como entender esses vários “psis” disponíveis?

Psicólogo, psicanalista, psicopedagogo e psiquiatra são alguns dos especialistas apoiadores dos pais, desde um caso de transtorno comportamental diagnosticado a uma dificuldade pontual emocional. Ah, mas antigamente não precisávamos deles, alguém pode dizer. Verdade, sabe por quê? Antes sabíamos menos sobre o que se passa na infância. “O preconceito contra esse tipo de atuação profissional está diminuindo porque temos informações melhores”, diz o pediatra Eduardo Juan Troster, coordenador da UTI Neonatal do Hospital Albert Einstein (SP). “As questões da saúde evoluíram tanto que é praticamente impossível só um profissional dar conta de um ser humano do ponto de vista clínico, orgânico, mental, emocional”, diz a psicóloga Rita Calegari, do Hospital São Camilo (SP).

A discussão acontece também em Brasília. Fez parte das reuniões sobre as indicações e normas da Agência Nacional de Saúde (ANS), que regula os planos de saúde no Brasil. Tanto que, desde junho do ano passado, os convênios médicos são obrigados a pagar por 40 sessões/consultas com psicólogo ou terapeuta ocupacional, que sempre devem ser indicados por um médico que já esteja cuidando desse paciente. “A gente vem sempre discutindo ampliar a participação desses profissionais por entender que é necessária uma visão multidisciplinar”, diz a médica e hebiatra Karla Coelho, gerente de atenção à saúde da ANS. E será que a lista desses profissionais nos livros do convênio médico pode diminuir o preconceito? “Sim, essa abertura pode ajudar a desmitificar a atuação de um psicólogo, por exemplo, e melhorar a avaliação da criança e do adolescente”, completa.

Claro que não é fácil enxergar um problema no filho. Para ninguém. Qual pai ou mãe não luta todos os dias para que ele seja feliz? “Os pais têm sempre um filho imaginado, e, às vezes, não conseguem aceitar o filho real, assumir para si mesmo que ele é diferente do esperado. É difícil não se culpar, não se decepcionar ou até sentir um certo ciúme de que outra pessoa vai ajudá-lo e não você”, diz Gina Khafif Levinzon, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise e professora do curso de psicoterapia psicanalítica da USP. Outra dificuldade pode ser a de não querer acreditar que o filho, de fato, tem algum problema e sempre buscar uma justificativa para o comportamento dele. Aceitar a realidade não quer dizer que você falhou.

Mas quando procurar ajuda? Há dois sinais mais fortes. “Primeiro, se a criança ou adolescente tem um problema acadêmico. Não uma nota baixa, mas quando realmente se percebe que não está aprendendo. Segundo, se tem algum prejuízo de relacionamento social. Se exclui ou é excluído, é impulsivo demais, fica isolado no recreio, não tem amigos. Com a criança sofrendo, investigue. E isso pode resultar em medicação, medicação e terapia, às vezes só terapia ou somente um aconselhamento aos pais”, diz o psiquiatra Gustavo Teixeira, autor dos livros Manual Antibullying e Desatentos e Hiperativos (ambos da Ed. BestSeller). Segundo ele, como a ciência aponta sempre que somos fruto da soma de genética e ambiente, pode-se fazer muito pela segunda parte. “Prevenção e intervenção precoce são oportunidades de ouro.”

Juntos pela criança
Parceria e foco são fundamentais. “Não adianta ter uma série de intervenções se os pais possuem uma conduta inapropriada. Indiretamente, eles quase que passam por um processo terapêutico também”, diz o psiquiatra Paulo Germano Marmorato, coordenador do Ambulatório de Socialização, do Serviço de Psiquiatria da Infância e do Adolescente do Hospital das Clínicas (SP). “Muitos temem que a criança fique dependente da terapia. Mas, na verdade, o objetivo é justamente fazer com que ela caminhe sozinha”, afirma Gina Levinzon.

Por isso, para Paulo Marmorato, os pais precisam saber o que está acontecendo com a criança o tempo todo. “Para entenderem que tipo de proposta o profissional oferece. É um ‘o que vamos fazer para que seu filho consiga lidar melhor com o que está acontecendo’”, afirma ele, que também é psicoterapeuta. “O profissional verá primeiro os pais, perguntará sobre a concepção e o parto, os primeiros anos de vida, se teve doenças, como é a questão da alimentação, sono etc., e qual a queixa. Só depois a criança entra e, se necessário, começam as sessões”, explica Rita Calegari. Nelas, a criança vai ser submetida a testes específicos, mas ela achará que está brincando. “A gente avalia tudo, pensa nos encaminhamentos, que podem ser desde a terapia, uma consulta a um neurologista ou até fazer uma atividade física”, diz a especialista.

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Mas é (mesmo) caso de terapia?

Crescer

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Depressão dos pais pode influenciar problemas emocionais na criança


Um quarto dos filhos com pais depressivos sofrem com distúrbios comportamentais

Crianças com pais que possuem sintomas de depressão ou outra condição mental têm um risco maior de desenvolver problemas comportamentais ou emocionais, diz estudo da New York School of Medicine (EUA) e publicado no periódico Pediatrics.

A pesquisa analisou 21.993 crianças que moram com seus pais. Eles perceberam que, se a mãe tem sintomas depressivos, o risco de a criança ter problemas emocionais ou comportamentais é maior do que se o pai é afetado por esses mesmos sintomas.

Os pesquisadores descobriram que a taxa desses problemas nas crianças são:
- 25% se ambos os pais têm sintomas de depressão;
- 19% se apenas a mãe é afetada;
- 11% se apenas o pai é afetado;
- 6% se nenhum dos pais é afetado.

Para os estudiosos, pesquisas futuras são necessárias para identificar problemas mentais nos pais.

Dicas para você sair da depressão
Todos os dias podem parecer uma batalha quando você está deprimido. O tratamento médico e as terapias são os passos mais importantes a serem dados para a plena recuperação. Porém, existem coisas que você pode fazer que ajudam a se sentir melhor. Veja as dicas que a psicoterapeuta cognitivo comportamental Evelyn Vinocur dá para você se afastar de vez da depressão:

1) Reconheça os sinais precoces
É importante reconhecer e tratar a depressão o mais precoce quanto possível, o que diminuirá os riscos de você deprimir novamente. Se você fingir que o problema não está ocorrendo, provavelmente você se sentirá pior. Você precisa observar os tipos de eventos que contribuíram para a depressão no passado e ficar alerta aos sintomas precoces.

2) Estabeleça objetivos possíveis
Você pode se sentir esgotado pelas mínimas que fizer em casa ou no trabalho. Não seja durona com você. Lembre-se que a depressão é uma doença e que você não deve extrapolar além das suas possibilidades. Mantenha o foco em metas objetivas, pequenas, realísticas e alcançáveis e assim você vai facilitar a sua volta as rotinas em casa, com a família e no trabalho.

3) Faça o que gostar
Tire um tempo para fazer coisas que goste. Reúna-se com amigos. Caminhe. Vá ao cinema. Jogue um jogo que você já não joga há anos.

4) Não tome decisões importantes
Uma vez que a depressão pode distorcer a sua interpretação das coisas, é mais prudente não tomar nenhuma decisão importante nesse momento, como pedir demissão do emprego, ou se mudar, etc., até você melhorar da depressão.

5) Não beba
Apesar de você achar que o álcool pode fazê-lo se sentir melhor, o álcool pode piorar muito a sua depressão. Pessoas deprimidas estão em alto risco de se envolver em abuso de álcool ou de outras substâncias psicoativas e o álcool interage com os antidepressivos.

6) Faça exercícios
Existem cada vez mais evidências que o exercício ajuda na depressão leve ou moderada. Encontre uma atividade que você goste, comece devagar e repita três vezes na semana, por 20 a 30 minutos.

Minha Vida

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Profissão dona de casa, com direito a aposentadoria



INSS passa a aceitar contribuição de quem trabalha no lar, cuidando de filhos e marido

Rio - Aos 51 anos, dona de casa e mãe de três filhos, Lúcia Barbosa não via a hora de poder voltar a contribuir com o INSS para garantir a aposentadoria. Ela pagava os carnês da Previdência Social como contribuinte facultativa, mas parou porque os R$ 59,95 pesavam demais no orçamento. Com a redução da alíquota, que entra em vigor este mês, já faz planos para retomar sua contribuição, o mais rapidamente possível, pagando menos. “Dá para pagar esse novo valor de R$ 27,25 com mais tranquilidade”, comemora Lúcia.

A partir da segunda quinzena desse mês, Lúcia e mais outras 10 milhões de donas de casa, e diaristas, do País poderão contar com a proteção da Previdência Social, pagando apenas R$ 27,25 ao mês. Com a mudança, para se aposentar aos 60 anos, as interessadas passarão a contribuir com apenas 5% sobre o mínimo (R$ 545), por um período de 15 anos.

A economia mensal é de R$ 32,70, já que antes a elas só era possível ter a cobertura da Previdência sob o modelo de contribuição individual, que prevê o pagamento de 11% sobre o mínimo (R$59,95). Será preciso, no entanto, que a dona de casa ou diarista esteja inscrita no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais).

De acordo com o INSS, para que as donas de casa iniciem o pagamento por meio da nova contribuição falta apenas a uniformização do sistema com os bancos. O código de contribuição terá como número o 1759.

Segundo a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) aspectos técnicos serão acertados com Receita Federal. Tudo indica que o novo sistema de contribuição esteja pronto a partir do próximo dia 16.

Passo a passo da nova contribuição
Segundo informações da Central de Atendimento 135, do INSS, o novo modelo de contribuição fica operacional na segunda quinzena do mês, após o prazo regular de pagamento das contribuições relativas ao mês de setembro, que ainda não incluía as donas de casa e as diaristas.

Para contribuir por meio da nova alíquota, será necessário que a dona de casa ou diarista tenha renda mensal de até dois salários mínimos (R$ 1.090) e esteja inscrita no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal).

A inscrição no programa é feita da seguinte forma: a dona de casa precisa procurar a equipe responsável pelo Bolsa Família, na prefeitura do município em que mora, e solicitar a inscrição no Cadastro Único.

Assim que os bancos e a Receita Federal finalizarem os aspectos técnicos, a dona de casa poderá, no www.inss.gov.br, imprimir a Guia de recolhimento da Previdência Social.

Será preciso acessar no site a ‘agência eletrônica: empregador/Guia da Previdência Social’. O pagamento também poderá ser feito nos bancos por meio das centrais de autoatendimento sempre até o dia 15. Basta clicar em ‘Tributos Federais/Guia da Previdência Social’ e efetuar o pagamento.

PROTEÇÕES - Auxílio-doença, salário-maternidade, licença-saúde e aposentadoria por invalidez e pensão a dependentes são os benefícios que passam a ter donas de casa e diaristas.

CONTRIBUIÇÃO E IDADES MÍNIMAS - Para ter direito à aposentadoria, no valor do salário mínimo da época, a dona de casa ou diarista precisará ter 15 anos de contribuição e 60 de idade.

Colaborou Angélica Fernandes

O DIA ONLINE

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Prevenção da gravidez na adolescência começa em casa, dizem especialistas

Alguns adultos não veem os jovens como pessoas sexuadas

Dia 26 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção da Gravidez na Adolescência. A um mês da data, Donna Online se antecipa para lembrar que nunca é cedo demais para evitar uma gestação não planejada. E o diálogo entre pais e filhos é a melhor maneira para isso.

Segundo o Ministério da Saúde, a quantidade de partos na adolescência diminuiu 41,07% entre 2000 e 2009, no Rio Grande do Sul. Ainda assim, somente em 2009, 17.837 meninas de 10 a 19 anos deram à luz no Estado.

A coordenadora de Saúde do Adolescente e do Jovem do Ministério da Saúde, Thereza de Lamare, comenta que muitos adultos não veem o adolescente como uma pessoa sexuada.

— Em seu processo de crescimento, ele [o adolescente] vai descobrir e ter relações afetivas. Reconhecer os direitos sexuais e reprodutivos desse grupo é uma conquista do Brasil — comenta Thereza.

Não adianta imaginar que os filhos não praticam atividades sexuais. Na fase das mudanças no corpo e no comportamento, o desejo de meninos e meninas aflora. Portanto, a prevenção deve começar em casa.

— A falta de diálogo com os pais é um ponto forte na vulnerabilidade dos adolescentes à gravidez na adolescência. Os estudos mostram que jovens que conversam com seus pais sobre sexo engravidam menos nessa fase — afirma Maria Helena Vilela, educadora sexual do Instituto Kaplan.

Assim, quando suas eternas crianças começarem a perguntar sobre sexo, não hesite em responder. Quanto antes entenderem sobre métodos contraceptivos, mais seguras elas estarão para evitar uma gravidez precoce, ou mesmo alguma doença sexualmente transmissível.

É importante lembrar, também, que a gravidez é um período desejado por muitas mulheres e não pode ser visto como algo ruim. Por outro lado, uma gestação não programada, ainda mais na adolescência, pode causar transtornos. Por isso, Maria Helena dá uma sugestão aos adolescentes:

— Experimente fazer um exercício para identificar seu sonho, a realidade que quer construir para você. Trace um plano de vida e elabore estratégias para alcançá-los e observe as consequências de uma gravidez nestes seus planos — finaliza.

donna

domingo, 21 de agosto de 2011

Sem medo do AVC: é possível prevenir a doença que mais mata no país


Conhecer as causas e os sintomas ainda é a melhor arma para evitar o Acidente Vascular Cerebral

Até o final da leitura deste texto, uma pessoa terá morrido em decorrência de Acidente Vascular Cerebral (AVC) — principal causa de óbito no Brasil. A incidência aumenta em 20% no inverno e as regiões Sul e Sudeste são as que mais somam casos de derrame. Prevenir o aparecimento da doença é simples. Basta seguir as determinações da boa saúde: alimentação de qualidade, controle do colesterol, da pressão arterial, além de cultivar a prática de exercícios físicos e não fumar.

O coração batendo descompassado e uma tosse insistente são alguns dos sintomas mais frequentes de quem esteve próximo a ter um derrame, como Maria Amelia Mello Pinho, 72 anos. Em meados de 2008, crises sucessivas de estresse fizeram com que a aposentada saísse em disparada para o pronto-socorro, em Gravataí, município da Região Metropolitana.

— Foi um susto. Precisei levar uns choques no peito e ser internada. Depois desse dia, passei a tomar anticoagulante diariamente e controlar mês a mês os níveis de coagulação do sangue — conta Maria Amelia.

O fato de ter as taxas de glicose, colesterol, e os níveis de pressão equilibrados podem ter ajudado a livrar a aposentada de ter um AVC. Sorte não desfrutada por 400 mil indivíduos a cada ano no país — o equivalente ao número de habitantes de Caxias do Sul, a segunda cidade mais populosa do Estado. Desses, até 30% morrem em seguida do ataque. Do restante, 60% morre em cinco anos.

A principal causa do AVC isquêmico, o tipo mais fatal e que mais deixa sequelas, é a hipertensão arterial. Para abordar o assunto e trabalhar na prevenção, na quarta-feira passada foi celebrado o Dia da Consciência Vascular, sob o tema Mantenha-se em Circulação.

— A forma mais simples de resolver é deixando a vida sedentária.Com isso, os outros índices vão se ajeitando aos poucos — aponta Adamastor Humberto Pereira, presidente da Regional Rio Grande do Sul da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular.

Especialistas destacam que um dos principais erros cometidos pelos pacientes é demorar para procurar ajuda. Logo após os primeiros sintomas, cada minuto se torna precioso. Portanto, esperar que algum familiar chegue em casa para tomar providências ou ir sozinho ao hospital só atrasa o diagnóstico.

— O mais prudente é chamar a Samu, no 192. Esses profissionais estão habilitados a orientar desde o telefonema e sabem quais hospitais são mais indicados — explica a neurologista Sheila Cristina Ouriques Martins, coordenadora da ONG Rede Brasil AVC, que tem sede no Rio Grande do Sul.

Para o neurologista vascular Alexandre Pieri, responsável pelo ambulatório de AVC da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), a ausência de sintomas, porém, não significa que a pessoa não tenha que se cuidar.

— Apenas um terço dos pacientes apresenta sinais de que estão tendo um derrame, como falta de força de um lado do corpo ou distúrbios na fala. Eles se assustam e vão ao médico. O restante não tem essa sorte. O negócio é prevenir.

Novos medicamentos ajudam a prevenir
A indústria farmacêutica tem evoluído a passos largos no desenvolvimento de drogas que ajudam a prevenir o AVC provocados por fibrilação atrial — um dos tipos mais comuns de arritmia e responsável por um a cada seis derrames. Após 50 anos sem novidades no segmento, uma nova geração de anticoagulantes chegou ao mercado nesse mês. O primeiro tem a dabigatrana como princípio ativo e já foi aprovado pela Agência Nacional deVigilância Sanitária (Anvisa).O segundo, a rivaroxabana, já está em fase final de estudos e pode ser liberado em breve. Em comum, têm o benefício de quebrar um pouco a dependência do paciente com o médico.

Para Gilberto Nunes, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (Socergs), os níveis de prevenção do derrame são praticamente os mesmos dos que já existem. As vantagens estariam na comodidade.

— As drogas dispensam os tradicionais exames de sangue para controlar os níveis de coagulação e também não interagem com outros medicamentos ou alimentos que contenham a vitamina K, como alface e brócolis. Mas tem um fator limitante, que é o preço (cerca de R$ 250).Ele é bem aplicado naqueles pacientes que não tem responsabilidade ao fazer o tratamento.

Aderir à risca às prescrições do médico é crucial. Poucos o fazem. Um pesquisa recente realizada em parceria com a ONG Rede Brasil AVC constatou que apenas 8% daqueles que tiveram derrame estavam utilizando o medicamento.

Números da doença
:: Incidência
- 1 em cada 6 pessoas terão o problema, estima a Organização Mundial de AVC

- 70 mil brasileiros morrem de AVC todos os anos — essa é a doença que mais mata no país

- 1 em cada 10 pessoas que sofreram um AVC tem outro ataque nos 12 meses seguintes

::Tipos-
- Em 85% dos casos, o AVC é isquêmico, quando um coágulo ou placa de gordura se instala em uma das artérias cerebrais, reduzindo ou impedindo a circulação sanguínea. Este coágulo pode se originar diretamente no cérebro, ou tem origem no coração ou nas artérias carótidas ou vertebrais e depois migrar para o cérebro.

- O AVC hemorrágico é caracterizado pelo rompimento de um vaso sanguíneo, desencadeando uma hemorragia no cérebro.

:: Progressão
- A cada hora sem tratamento, são perdidos 120 milhões de neurônios - ao todo o cérebro tem cerca de 90 bilhões dessas células.

- Após o AVC, o cérebro usa sua capacidade de plasticidade neuronal para fazer com que outras áreas assumam as funções de coordenação executadas pelos neurônios danificados.

:: Corrida contra o tempo
Quanto mais rápido o atendimento, menor o dano. O que deve ser feito:

AVC isquêmico
- Até 4,5 horas após o início: pode ser dado o medicamento trombolítico, que irá estimular o organismo a destruir o trombo e reduzir em até 30% as sequelas. Porém, apenas 5% chegam a tempo. Além disso, a droga não pode ser aplicada em pacientes suscetíveis a hemorragia.

- De 4,5 horas a 8 horas após o início: é feita a terapia interarterial, na qual um cateter é usado para facilitar a destruição do trombo.

AVC hemorrágico
- Não há medicamento. O que se deve fazer é controlar a pressão sanguínea nas primeiras horas para evitar que a lesão aumente.

bem-estar

domingo, 31 de julho de 2011

Formas criativas para estimular a mente de alunos com deficiência

CONCENTRAÇÃO Enquanto a turma lê fábulas, Moisés faz desenhos sobre o tema para exercitar o foco. Foto: Tatianal Cardeal

De todas as experiências que surgem no caminho de quem trabalha com a inclusão, receber um aluno com deficiência intelectual parece a mais complexa. Para o surdo, os primeiros passos são dados com a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os cegos têm o braile como ferramenta básica e, para os estudantes com limitações físicas, adaptações no ambiente e nos materiais costumam resolver os entraves do dia-a-dia.

O professor deve entender as dificuldades dos estudantes com limitações de raciocínio e desenvolver formas criativas para auxiliá-los

De todas as experiências que surgem no caminho de quem trabalha com a inclusão, receber um aluno com deficiência intelectual parece a mais complexa. Para o surdo, os primeiros passos são dados com a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os cegos têm o braile como ferramenta básica e, para os estudantes com limitações físicas, adaptações no ambiente e nos materiais costumam resolver os entraves do dia-a-dia.

Mas por onde começar quando a deficiência é intelectual? Melhor do que se prender a relatórios médicos, os educadores das salas de recurso e das regulares precisam entender que tais diagnósticos são uma pista para descobrir o que interessa: quais obstáculos o aluno enfrentará para aprender - e eles, para ensinar.

No geral, especialistas na área sabem que existem características comuns a todo esse público (leia a definição no quadro desta página). São três as principais dificuldades enfrentadas por eles: falta de concentração, entraves na comunicação e na interação e menor capacidade para entender a lógica de funcionamento das línguas, por não compreender a representação escrita ou necessitar de um sistema de aprendizado diferente. "Há crianças que reproduzem qualquer palavra escrita no quadro, mas não conseguem escrever sozinhas por não associar que aquelas letras representem o que ela diz", comenta Anna Augusta Sampaio de Oliveira, professora do Departamento de Educação Especial da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). As características de todas as outras deficiências você pode ver no especial Inclusão, de NOVA ESCOLA (leia o último quadro).

A importância do foco nas explicações em sala de aula
Alunos com dificuldade de concentração precisam de espaço organizado, rotina, atividades lógicas e regras. Como a sala de aula tem muitos elementos - colegas, professor, quadro-negro, livros e materiais -, focar o raciocínio fica ainda mais difícil. Por isso, é ideal que as aulas tenham um início prático e instrumentalizado. "Não adianta insistir em falar a mesma coisa várias vezes. Não se trata de reforço. Ele precisa desenvolver a habilidade de prestar atenção com estratégias diferenciadas para, depois, entender o conteúdo", diz Maria Tereza Eglér Mantoan, doutora e docente em Psicologia Educacional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O ponto de partida deve ser algo que mantenha o aluno atento, como jogos de tabuleiro, quebra-cabeça, jogo da memória e imitações de sons ou movimentos do professor ou dos colegas - em Geografia, por exemplo, ele pode exercitar a mente traçando no ar com o dedo o contorno de uma planície, planalto, morro e montanha. Também é importante adequar a proposta à idade e, principalmente, aos assuntos trabalhados em classe. Nesse caso, o estudo das formas geométricas poderia vir acompanhado de uma atividade para encontrar figuras semelhantes que representem o quadrado, o retângulo e o círculo.

A meta é que, sempre que possível e mesmo com um trabalho diferente, o aluno esteja participando do grupo. A tarefa deve começar tão fácil quanto seja necessário para que ele perceba que consegue executá-la, mas sempre com algum desafio. Depois, pode-se aumentar as regras, o número de participantes e a complexidade. "A própria sequência de exercícios parecidos e agradáveis já vai ajudá-lo a aumentar de forma considerável a capacidade de se concentrar", comenta Maria Tereza, da Unicamp.

O que é a deficiência intelectual?
É a limitação em pelo menos duas das seguintes habilidades: comunicação, autocuidado, vida no lar, adaptação social, saúde e segurança, uso de recursos da comunidade, determinação, funções acadêmicas, lazer e trabalho. O termo substituiu "deficiência mental" em 2004, por recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU), para evitar confusões com "doença mental", que é um estado patológico de pessoas que têm o intelecto igual da média, mas que, por algum problema, acabam temporariamente sem usá-lo em sua capacidade plena. As causas variam e são complexas, englobando fatores genéticos, como a síndrome de Down, e ambientais, como os decorrentes de infecções e uso de drogas na gravidez, dificuldades no parto, prematuridade, meningite e traumas cranianos. Os Transtornos Globais de Desenvolvimento (TGDs), como o autismo, também costumam causar limitações. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 5% da população mundial tem alguma deficiência intelectual.


Foi o que fez a professora Marina Fazio Simão, da EMEF Professor Henrique Pegado, na capital paulista, para conseguir a atenção de Moisés de Oliveira, aluno com síndrome de Down da 3ª série. "Ele não ficava parado, assistindo à aula", lembra ela. Este ano, em um projeto sobre fábulas, os avanços começaram a aparecer. "Nós lemos para a sala e os alunos recontam a história de maneiras diferentes. No caso dele, o primeiro passo foram os desenhos. Depois, escrevi com ele o nome dos personagens e palavras-chave", relata ela.

Escrita significativa e muito bem ilustrada
A falta de compreensão da função da escrita como representação da linguagem é outra característica comum em quem tem deficiência intelectual. Essa imaturidade do sistema neurológico pede estratégias que servem para a criança desenvolver a capacidade de relacionar o falado com o escrito. Para ajudar, o professor deve enaltecer o uso social da língua e usar ilustrações e fichas de leitura. O objetivo delas é acostumar o estudante a relacionar imagens com textos. A elaboração de relatórios sobre o que está sendo feito também ajuda nas etapas avançadas da alfabetização.

A professora Andréia Cristina Motta Nascimento é titular da sala de recursos da EM Padre Anchieta, em Curitiba, onde atende estudantes com deficiência intelectual. Este ano, desenvolve com eles um projeto baseado na autoidentificação - forma encontrada para tornar o aprendizado mais significativo. A primeira medida foi pedir que trouxessem fotos, certidão de nascimento, registro de identidade e tudo que poderia dizer quem eram. "O material vai compor um livro sobre a vida de cada um e, enquanto se empolgam com esse objetivo, eu alcanço o meu, que é ensiná-los a escrever", argumenta a educadora.

Quem não se comunica... pode precisar de interação
Outra característica da deficiência intelectual que pode comprometer o aprendizado é a dificuldade de comunicação. A inclusão de músicas, brincadeiras orais, leituras com entonação apropriada, poemas e parlendas ajuda a desenvolver a oralidade. "Parcerias com fonoaudiólogos devem ser sempre buscadas, mas a sala de aula contribui bastante porque, além de verbalizar, eles se motivam ao ver os colegas tentando o mesmo", explica Anna, da Unesp.

Essa limitação, muitas vezes, camufla a verdadeira causa do problema: a falta de interação. Nos alunos com autismo, por exemplo, a comunicação é rara por falta de interação. É o convívio com os colegas que trará o desenvolvimento do estudante. Para integrá-lo, as dicas são dar o espaço de que ele precisa mantendo sempre um canal aberto para que busque o educador e os colegas.

Para a professora Sumaia Ferreira, da EM José de Calazans, em Belo Horizonte, esse canal com Vinicius Sander, aluno com autismo do 2º ano do Ensino Fundamental, foi feito pela música. O garoto falava poucas palavras e não se aproximava dos demais. Sumaia percebeu que o menino insistia em brincar com as capas de DVDs da sala e com um toca-CD, colocando músicas aleatoriamente. Aos poucos, viu que poderia unir o útil ao agradável, já que essas atividades aproximavam o menino voluntariamente. Como ele passou a se mostrar satisfeito quando os colegas aceitavam bem a música que escolheu, ela flexibilizou o uso do aparelho e passou a incluir músicas relacionadas ao conteúdo. "Vi que ele tem uma memória muito boa e o vocabulário dele cresceu bastante. Por meio dos sons, enturmamos o Vinicius."

Nova Escola

terça-feira, 26 de julho de 2011

Dia da Avó


Entenda como as avós são importantes no desenvolvimento dos netos

Que elas tornam a vida dos netos mais doce, todo mundo sabe. Isso já foi até comprovado cientificamente. E assim ganharam até um dia próprio: o Dia da Avó, comemorado em 26 de julho.

"Não tem um dia em minha filha não pergunte pela avó”, conta Janaína Teixeira, mãe de Joana de 2 anos e 10 meses. Essa cumplicidade entre crianças e avós vem de outras gerações: a menina recebeu o nome em homenagem a bisavó, personagem fundamental na vida de Janaína. “Às vezes, meu marido quer implicar com a minha mãe por ela fazer todos os mimos da Joana", diz. "É que ele não teve avós presentes na infância, por isso não sabe a importância que eles têm” comenta.

Para a psicóloga e psicoterapeuta Lídia Rosenberg Aratangy o papel desempenhado pela avó, e também pelo avô, é determinante no desenvolvimento da criança como um indivíduo consciente de si mesmo. “Os avós são os únicos depositários da história dos pais. Eles carregam e transmitem a história da família. E nós sabemos que para ter equilíbrio emocional, você deve saber quem é, de onde veio e para onde vai. Os avós personificam essas orientações”, ressalta a especialista.

A autora do Livro dos Avós. Na casa dos avós é sempre domingo? destaca ainda que é na relação com os avós que as crianças aprendem a lidar com os mais velhos, se preparando para uma futura relação com os próprios pais, que também irão envelhecer. “As crianças levam essa lição para a vida toda” conclui.

Dicas para uma boa convivência
As diferenças de geração entre pais e filhos naturalmente se transferem para a relação entre avós e pais. Mas o respeito deve ser a base de todas as resoluções - e ele é conquistado com base no diálogo e na aceitação. “A mãe precisa aceitar a sabedoria e autoridade da avó, assim como essa deve respeitar o papel da mãe”, explica Lídia. Veja algumas dicas para essa convivência se tornar mais prazerosa ainda.

- Tratar a avó como babá de luxo é o principal erro cometido pelas mães. Por isso, se a criança precisa ou quer passar o dia na casa da avó, não faça listas indicando o que pode ou não poder ser feito. Confie na relação direta existente entre avó e neto e respeite suas decisões e atitudes.

- Quando acontecer algum desentendimento sobre as normas na educação ou comportamento do seu filho, respire fundo e deixe a discussão para um momento em que a criança não esteja presente. Isso garante uma convivência pacífica e saudável entre todos.

- Lembre-se dos momentos felizes e divertidos que você mesma passou ao lado dos seus avós fazendo tudo aquilo que lhe era proibido pelos pais e que, no entanto, não lhe fizeram mal nenhum.

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