sábado, 17 de outubro de 2009

Aluna de 7 anos é levada por PMs para delegacia após briga com colega

Caso abre debate sobre capacidade de escolas lidarem com conflitos internos e de atender estudante com distúrbio

Uma aluna de 7 anos que sofre de distúrbio comportamental associado à hiperatividade foi levada por policiais militares a uma delegacia de Campinas (96 km de São Paulo), após brigar com colegas e tentar agredir funcionários da escola estadual onde estuda. O caso traz à tona a discussão sobre o despreparo de escolas para lidar com conflitos internos e atender estudantes com distúrbios e dificuldades de aprendizagem.

A escola pública está preparada para lidar com indisciplina?

Para especialistas, casos como esse têm de ser resolvidos na própria escola. Eles consideram "absurdo" o encaminhamento de uma criança para uma delegacia, independentemente do motivo que gerou o problema .
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe que menores de 12 anos sejam encaminhados a delegacias. Segundo o comandante da 1ª Companhia do 35º Batalhão de Polícia Militar do Interior, capitão Jaime de Souza, um carro com dois policiais fazia a ronda escolar no bairro, na quarta-feira, quando eles passaram pela escola. Os policiais foram informados de que a menina estava agressiva. "Eles não foram acionados pela escola, era um policiamento de rotina", afirmou.
A mãe da aluna, Madalena Ludovico, disse que a menina recebe acompanhamento de neuropsiquiatria no hospital da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Estou chocada. A gente se sente muito mal."

REGISTRO
O capitão da PM disse que a escola tentou localizar a mãe, mas não conseguiu. Segundo o PM, o irmão mais velho da aluna, de 20 anos, teria afirmado, em um primeiro momento por telefone, que não poderia ir até o local, pois estava trabalhando. "Instantes depois, o irmão apareceu na escola, mas disse que não poderia ficar", afirmou o capitão. A mãe da menina diz que o filho foi até a escola, saiu para buscar uma amiga da família e, quando voltou, a menina tinha sido levada para a delegacia.
De acordo com o capitão, diretores e policiais decidiram registrar o caso no 5º Distrito Policial, onde também funciona a Delegacia da Infância e Juventude. "Houve contato com o Conselho Tutelar, mas a informação foi que os conselheiros estavam em curso."
O capitão desaprovou a atitude de seus subalternos. "O procedimento não seria esse, mas foi uma sucessão de fatos que levou a essa decisão." Em nota oficial, a PM informou que "diante da situação apresentada no momento da ocorrência e da não obtenção de auxílio no Conselho Tutelar, uma representante da escola e a criança foram encaminhadas à Delegacia da Infância". Como a delegacia não estava funcionando, elas foram ao 5º DP. O delegado do 5º DP, Rodrigo Barreto Fernandes, disse que não consta registro na delegacia. A PM informou que o caso será avaliado em procedimento interno.
A Secretaria de Estado da Educação informou, por meio de nota, que será aberta uma apuração preliminar para analisar a atitude da diretoria da escola.
Waldney José Biz, um dos 20 conselheiros do Conselho Tutelar de Campinas, disse ser "radicalmente contrário à atitude adotada". Sobre a informação da PM, de que não houve respaldo do conselho, ele informou que os conselheiros estavam em treinamento obrigatório, mas que sempre há um plantonista para urgências. " Em hipótese alguma houve negligência."

Tatiana Fávaro, CAMPINAS




Apressando a vida


O avião em que viajo finalmente pousa. Cautelosa, espero que a aeronave pare totalmente para relaxar por saber que cheguei sã e salva. Estou sentada numa poltrona do corredor e prefiro esperar as portas se abrirem para levantar. Não consigo: sou atropelada por um senhor, com terno de corte fino, que estava sentado ao lado da janela e tem pressa.
Ele nem sequer pede licença para passar ou espera que eu me levante: simplesmente passa por cima de minhas pernas. Aguardo um pouco e, quando a fila caminha em direção à saída, tento sair. Dura empreitada essa: ninguém está disposto a dar passagem porque isso significa chegar atrás, mais tarde. Segundos apenas, mas mais tarde. Encontro-me com quase todos os companheiros de viagem no ônibus que nos leva até o saguão do aeroporto e enfrento a mesma dificuldade para dele descer e chegar à esteira onde pegarei minha bagagem. Estão lá, os apressados, e vão esperar comigo a mala chegar.
A pressa tomou conta de nossas vidas. Corremos desde que acordamos. O banho é rápido -além de tudo, é preciso economizar água e energia-, o café da manhã é tomado com a leitura do jornal ou outra atividade qualquer, os filhos são empurrados para o carro e, com toda a velocidade, enfrentamos o trânsito emperrado para chegar ao nosso destino. É no trânsito, principalmente, que constatamos a pressa de quase todos: é difícil sair da garagem, já que poucos se dispõem a esperar alguns segundos para dar passagem. Passar de uma pista para outra é tarefa para piloto de Fórmula 1: poucos deixam ser ultrapassados.
As crianças percebem desde cedo a nossa correria e a adotam. Quando bebês, os primeiros passos são dados apressadamente para garantir um equilíbrio ainda em desenvolvimento. Daí em diante, é difícil ver crianças andando: correm sem motivo nenhum. E nós, em nossa pressa, achamos natural que corram dentro de casa, na escola, onde as levamos.
Incentivamos a corrida sem fim dos mais novos: queremos que aprendam tudo rapidamente e cedo, de preferência sem exigir muito de nossa parte para que não atrapalhem a nossa própria corrida. É no futuro deles que pensamos? A justificativa que assumimos foi essa. Mas, pensando bem, ela pode ser uma desculpa que construímos para adequar o papel educativo ao estilo de vida corrido que adotamos. Afinal, estimulando e empurrando os mais novos para essa corrida, tantas vezes desrespeitamos etapas de suas vidas, ritmos pessoais etc.
Aonde precisamos chegar com tanta pressa? Ao pensar nessas questões, ocorre-me o personagem do filme “Forrest Gump”, que, em determinado momento de sua vida, decide correr. Ele simplesmente corre: sem motivo, sem destino.
Para que não façamos o mesmo, precisamos nos perguntar diariamente: “Por que estou correndo? Será que poderia realizar a mesma coisa com mais calma e melhor?”. Desse modo, certamente poderíamos diminuir nosso alto grau de estresse, dedicar mais tempo aos filhos e, assim, ter uma vida melhor com e para eles.


Rosely Sayão

Juiz americano se recusa a fazer casamentos inter-raciais


Um juiz de paz do Estado de Louisiana, no sul dos Estados Unidos, está sendo criticado por se recusar a dar licenças de casamento a casais inter-raciais, alegando que os filhos desses casais enfrentam dificuldades.

O juiz Keith Bardwell, do condado de Tangipahoa, negou racismo, e até afirmou que já oficializou casamentos de vários amigos negros. Mas alegou que crianças filhas destes casamentos inter-raciais não são prontamente aceitas nas comunidades de seus pais.
"Existe um problema com os dois grupos na aceitação de filhos de um casamento como este. Creio que aquelas crianças sofrem e não vou ajudá-los nisto", afirmou.
O juiz de paz trabalha com casamentos há 34 anos e disse que, de acordo com sua experiência, a maioria dos casamentos inter-raciais não duram muito.
Ele estima que já recusou pedidos de quatro casais inter-raciais nos últimos dois anos e meio.
Bardwell também afirmou que tem "amigos negros aos montes", mas simplesmente não acredita na "mistura de raças". "Eles vem à minha casa, eu os caso, eles usam meu banheiro. Trato-os como todo mundo."
O juiz acrescentou que discutiu a questão com pessoas negras e brancas antes de tomar sua decisão sobre as licenças para casamentos inter-raciais.

Outro juiz
Um dos casais que teve a licença de casamento recusada está analisando a possibilidade de apresentar queixa contra Bardwell no Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Bardwell afirma que checou a raça do casal, Beth Humphrey, de 30 anos, e Terence McKay, de 32 anos, quando eles telefonaram pela primeira vez pedindo a licença de casamento.
Humphrey, que é branca, afirmou que quando ligou para o juiz no dia 6 de outubro, para discutir a assinatura da licença de casamento, a esposa de Bardwell comunicou a posição do magistrado em relação ao fornecimento da licença.
A esposa do juiz recomendou que o casal procurasse outro juiz de paz, que acabou concordando com o casamento dos dois.
Katie Schwartzmann, advogada na Louisiana da União Americana das Liberdades Civis, uma organização não-governamental, disse que a União pediu que Bardwell fosse investigado, descrevendo o caso como "intolerância".
A advogada citou uma decisão da Suprema Corte americana, de 1967, que estabeleceu que "o governo não pode dizer às pessoas com quem elas podem ou não podem se casar", e acrescentou que Bardwell desrespeitou a lei conscientemente.
No entanto, o juiz negou que tenha tratado mal alguém.


Confronto entre traficantes mata 5 no Rio

O helicóptero da polícia foi atingido por tiros e explodiu ao fazer um pouso forçado num campo de futebol perto do Morro dos Macacos

Pelo menos cinco pessoas morreram e outras oito ficaram feridas durante tiroteios ocorridos na manhã deste sábado (17) no Morro dos Macacos, na zona norte do Rio de Janeiro. Dois mortos e quatro feridos são policiais militares que estavam em um helicóptero abatido a tiros por traficantes. A aeronave explodiu ao tentar fazer um pouso de emergência dentro de um campo de futebol próximo ao morro, no bairro de Vila Isabel.
Em nota divulgada à imprensa, a assessoria da Polícia Militar diz que "em princípio, bandidos do Complexo do Alemão e do Jacarezinho invadiram o Morro dos Macacos, através do Morro São João por volta das 3h da manhã deste sábado". O helicóptero abatido pertencia ao Grupamento Aéreo-Marítimo (GAM), segundo o comunicado.
"Na ação do Morro dos Macacos, três criminosos morreram em confronto", diz a nota oficial. Apesar de a polícia ter identificado as vítimas como criminosos, a população local disse que eram jovens confundidos com bandidos que retornavam de uma festa.

Incêndios
Na tarde de sábado, 10 ônibus foram incendiados em diferentes favelas da zona norte carioca, de acordo com o Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro. Os ataques aconteceram nas favelas do Jacarezinho e da Mangueira, assim como no bairro do Riachuelo.
A Secretaria Estadual de Segurança do Rio de Janeiro atribuiu os atentados contra os ônibus a uma tentativa dos traficantes de desviar a atenção e de impedir que a polícia concentre suas ações de repressão nas favelas em conflito.
O comando da Polícia Militar informou que ordenou que delegacias de outras áreas da cidade reforcem a presença policial nos locais em que os ônibus foram incendiados para poder concentrar os batalhões de choque nos locais de confronto de traficantes. A Polícia Militar também informou que três pessoas doram detidas.

Agência EFE


Época

A queda da satisfação feminina


Um estudo americano de 37 anos ilumina um terrível paradoxo: objetivamente, a vida das mulheres jamais foi tão boa. Subjetivamente, nunca foi pior.

O ano em que a redatora de televisão carioca Claudia Valli nasceu, 1963, foi marcado pelo lançamento de A mística feminina. O livro históricor de Betty Friedan alardeava a frustração feminina por ter apenas os papéis de esposa e mãe e foi um marco no movimento pela emancipação das mulheres. Hoje, prestes a completar 46 anos, Claudia olha sua própria vida e questiona essas conquistas. Ela trabalha oito horas por dia e administra a casa onde mora com os três filhos – um casal de adolescentes, de seu primeiro casamento, e um menino de 9 anos, do segundo. Tem empregada apenas duas vezes por semana e uma ajuda “relativa” dos ex-maridos. Raramente dorme mais que quatro horas por noite, já que muitas vezes precisa adiantar trabalho de madrugada, além de monitorar o caçula, que é diabético. Na mesa de cabeceira da cama, uma pilha de livros comprados e não lidos. Na mente, a preocupação com os quilos a mais e a falta de tempo para fazer qualquer tipo de exercício. Claudia está sozinha desde a última separação, há cinco anos, e diz que um namorado, agora, seria mais um motivo de estresse. “A emancipação feminina é como um contrato que foi assinado sem ter sido lido direito e que agora precisa ser renegociado”, diz ela. “A vida tornou-se um show que não pode parar.” Antes de dar entrevista a ÉPOCA, Claudia passou no supermercado para comprar pão, leite e banana. Depois de feitas as fotografias, preocupou-se em não parecer mais velha do que é: “Dá para melhorar com Photoshop?”.
Longe de ser uma anomalia, a insatisfação de Claudia com a própria vida é a mesma de milhões de outras mulheres mundo afora. Um estudo de Betsey Stevenson e Justin Wolfers, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, mostra um surpreendente e acentuado declínio da satisfação feminina nas últimas três décadas – período durante o qual cresceram de forma exponencial as oportunidades de trabalho, as possibilidades de educação e, sobretudo, a liberdade da mulher de decidir sobre a própria existência, prática e afetiva. É possível afirmar, sem nenhum traço de dúvida, que as condições objetivas nunca foram tão favoráveis às mulheres desde o início da história humana. Entretanto, entrevistas anuais realizadas com 1.500 pessoas, homens e mulheres, desde 1972, nos Estados Unidos, mostram um cenário de crescente insatisfação subjetiva. A cada ano que passa, menos mulheres se dizem felizes com a própria vida, enquanto um porcentual cada vez maior de homens afirma estar contente. Isso acontece com mulheres casadas e solteiras, com e sem filhos, bem ou mal empregadas, brancas ou negras, pobres e ricas. A insatisfação atinge todos os grupos e se torna pior à medida que as mulheres envelhecem. Quando jovens, elas se dizem mais realizadas que os homens. Pouco depois dos 40, isso já se inverteu. “A tendência é clara, se manifesta em pesquisas realizadas no mundo inteiro, e vai na direção contrária à que nós poderíamos imaginar”, afirma Marcus Buckingham, especialista em pesquisas e autor de diversos livros sobre macrotendências sociais.
As razões dessa melancolia de gênero são difíceis de apontar com precisão. O estudo, assim como Claudia, tende a enxergar no acúmulo de velhas tarefas e novas responsabilidades a causa dos dissabores femininos. “A vida das mulheres ficou mais complexa e sua infelicidade atual reflete a necessidade de realização em mais aspectos da vida, se comparados aos das gerações anteriores”, dizem Stevenson e Wolfers. “As mulheres foram para a rua, mas mantiveram a responsabilidade emocional pela casa e pela família.” É o pesadelo da dupla jornada, física e emocional, que exaure as mulheres e destrói casamentos.
O problema com essa explicação, bastante óbvia, é que ela ignora a realidade estatística: nos países desenvolvidos, homens e mulheres trabalham o mesmo número total de horas diárias, cerca de 7,9. Os homens fazem 5,2 horas de trabalho pago e 2,7 horas de trabalho doméstico, em média. As mulheres fazem 3,4 horas de trabalho externo e 4,5 horas de trabalho doméstico. Uma pesquisa realizada em 25 países sugere que apenas em locais como Benin e África do Sul as mulheres trabalham muito mais horas por dia.
Outro fator que não ajuda a tese da sobrecarga é que a divisão das tarefas domésticas melhorou sensivelmente nas últimas décadas. Entre 1975 e 2008, o número de horas dedicadas ao trabalho doméstico pelas mulheres caiu de 21 para 17 por semana, enquanto a participação masculina cresceu de seis horas para 13 horas semanais. A mesma tendência se revela nas horas que pais e mães passam com as crianças. Logo, se a divisão de tarefas não é perfeita, ela vem melhorando ano a ano, ao contrário do estado de espírito das mulheres, que só piora. Diz Buckingham: “A infelicidade não parece ser uma questão de horas de trabalho ou de atitude. E a desigualdade em relação ao trabalho doméstico está desaparecendo. Onde está a explicação?”. Na tentativa de entender, o estudo americano ressalta a extrema valorização da beleza e da juventude em nosso tempo, que afeta mais as mulheres que os homens. Enquanto elas aumentam seu nível de estresse com cosméticos e tratamentos estéticos e cirúrgicos, os homens muitas vezes ficam atraentes com a maturidade. Aos 50, quando as mulheres já deixaram para trás a possibilidade de reprodução, homens grisalhos começam novas famílias e viram pais. Eles podem ser charmosos à maneira de Sean Connery ou bonitos ao estilo José Mayer. Mas das mulheres se espera que continuem depois dos 40 com a aparência que tinham aos 20 anos. “Não adianta mostrar fotos de Sofia Loren maravilhosa aos 75 anos. O fato é que as mulheres envelhecem mais rápido que os homens, e a maioria de nós se incomoda com isso”, escreveu a articulista Penny Vincenzi, do jornal britânico Daily Mail, comentando as angústias femininas captadas pelo estudo. “Eu sou uma mulher abençoada com uma família grande e feliz, mas, ainda assim, me preocupo diariamente com as pelancas do braço e as rugas do rosto, que se multiplicam à velocidade da luz.”
O publicitário paulistano Jaime Troiano faz pesquisas periódicas sobre a mulher brasileira e diz não se surpreender com o crescimento da insatisfação. A multiplicação dos papéis que elas encarnam, ele afirma, pode ser vista claramente na propaganda. “Ao longo do tempo, a mulher tem se tornado alvo de mais mercados. Isso quer dizer que ocupa cada vez mais espaços na sociedade”, diz. Um estudo recente de sua empresa de consultoria mostrou o abismo entre a forma como ela se vê e a mulher que ela idealiza ser. “A maioria se diz simpática, confiável, sincera ou carinhosa, mas gostaria de ser informada, decidida, criativa ou corajosa”, afirma. “Elas querem ser poderosas, criam expectativas de todo tipo, mas ainda veem seu eu real ligado a características historicamente femininas. Isso causa angústia.”
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A terapeuta corporal paulistana Olga Torres é bom exemplo das ambiguidades do mundo feminino. Aos 35 anos, ela admite que não descobriu os caminhos que a farão feliz. Casou-se aos 20 anos e, por uma década, preferiu cuidar apenas da casa. Com o tempo, sentiu que precisava trabalhar. Arrumou um emprego e voltou a estudar. A mudança na vida a dois acabou minando seu casamento. Agora vive a experiência inversa: realizada no trabalho, sente falta de ter uma família. E filhos. “Sei que eu não me contento com pouco. Não quero um homem qualquer, mas alguém que seja companheiro e, desta vez, entenda que minha carreira é fator de realização”, diz. Ela admite, também, que as mulheres ainda não sabem o que fazer com tantas opções. “A liberdade de escolha traz um peso enorme.”

Será que os conservadores, que sempre atacaram o feminismo
como antinatural, teriam razão?

Tema de reportagem do New York Times no dia 20 do mês passado, o paradoxo da infelicidade feminina ficou semanas entre as mais lidas e comentadas da versão on-line do jornal americano. “Será que a emancipação feminina beneficiou mais os homens que as mulheres?”, escreveu a colunista Maureen Dowd, conhecida por suas posições antifeministas. Indo mais longe, se poderia perguntar: será que os conservadores, que sempre denegriram o feminismo como antinatural, teriam razão? Será que as mulheres seriam mais felizes se retornassem ao papel tradicional de mãe e esposa? O assunto dividiu opiniões no blog de ÉPOCA Mulher 7x7. “Estou cansada? Culpada pela pouca atenção aos filhos? Sim. Sempre querendo ser a melhor no trabalho e também cuidar da beleza? Sim. Mas ainda assim prefiro a liberdade”, escreveu a leitora Carolina. Outra leitora, Andréa, pensa diferente: “Ao mesmo tempo que nossos direitos se multiplicaram, como acesso à educação, voto, mercado de trabalho, nossas responsabilidades cresceram exponencialmente. Temos de gerenciar casa, carreira, filhos, marido e ainda ser magras, cultas e sexy. Isso é irreal”.
Outros estudos recentes mostram sob outro ângulo o “cansaço” feminino. Na semana passada, o Centro de Estudos Políticos da Grã-Bretanha apresentou uma pesquisa sobre mulheres e trabalho: apenas 12% das 4.600 entrevistadas disseram querer trabalhar o dia todo; 31% declararam que não gostariam de trabalhar fora; 49% das mulheres com filhos de menos de 5 anos disseram que, se o marido trabalha, elas gostariam de ficar em casa. Essa é apenas mais uma de dezenas de pesquisas que apontam para um desejo de “volta ao lar”. De acordo com o censo americano, a participação de mulheres casadas, com filhos, na força de trabalho do país caiu de 59% em 1998 para 55% em 2004, quando vinha em linha crescente nos 22 anos anteriores. Cerca de 5,6 milhões de mulheres ficaram em casa com seus filhos em 2005 – 1,2 milhão a mais que em 1995.



Época

Reforma do Código Penal preocupa promotores de Justiça pelo risco de esvaziar Lei Maria da Penha


RIO - Criada em 2006 com o objetivo de endurecer a punição para crimes de violência doméstica, a Lei Maria da Penha corre o risco de ser esvaziada se a proposta de reforma do Código de Processo Penal (CPP), em discussão no Senado, for aprovada como está.
O projeto de lei, que por um lado tenta agilizar a tramitação de ações na Justiça, por outro deixa de enquadrar a violência doméstica em crime grave, permitindo que o agressor cumpra penas pecuniárias, como a distribuição de cestas básicas ou multas.
A questão mobilizou promotores do Ministério Público em 15 estados. A promotora do Juizado de Combate à Violência Doméstica contra a Mulher de Fortaleza, Fernanda Marinho, entregou pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma carta em nome do grupo, alertando sobre as ameaças à lei. Para ela, a principal conquista da Lei Maria da Penha foi estabelecer, no seu artigo 41, que a violência doméstica, mesmo para penas menores de dois anos, não pode ser considerada crime de menor potencial ofensivo.
O ponto de discórdia é a Lei 9.099/95, que instituiu os juizados especiais criminais e cíveis, favorece a conciliação e não admite a prisão em flagrante ou preventiva. O texto do projeto de lei que tramita agora no Senado (156/09), elaborado por uma comissão de juristas, integra toda essa lei ao código. Dessa forma, é revogado o artigo 41 da Lei Maria da Penha, que exclui da incidência da Lei 9.099/95 os crimes de violência contra as mulheres.
O relator da comissão que analisa o CPP, o senador Renato Casagrande (PSB-ES), porém, promete que as propostas do grupo serão acolhidas no seu parecer que será apresentado até o fim deste mês.
- Vou manter no meu relatório a eficácia e a força da Lei Maria da Penha. Vou colocar a Lei Maria da Penha como exceção e ela ficará com toda a força que tem hoje - prometeu o senador.
A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), que já apresentou um relatório na comissão sobre as implicações das mudanças na Lei Maria da Penha, afirmou que não há possibilidade de o código ser aprovado sem as proteções às mulheres.
- Na nova proposta, que ainda não está aprovada, essa questão foi superada. O Senado não iria cometer um retrocesso dessa envergadura. Da maneira como está, seria a destruição total da Lei Maria da Penha - apontou a senadora.
Novo código dá prioridade à conciliação em ações de violência doméstica
Apesar das propostas na comissão, o texto atual ainda preocupa. A deputada estadual Inês Pandeló (PT-RJ), presidente da Comissão dos Direitos da Mulher na Alerj, critica o uso da conciliação em ações de violência doméstica, previsto no novo CPP.
- Isso poderia gerar novas agressões, porque o homem saberia que dependeria da mulher aceitar ou não o acordo, e não do juiz. A conciliação não é possível numa relação de submissão. Seria uma derrota da lei, da conquista das mulheres e aumentaria a violência doméstica - ressaltou a deputada.
Outro problema apontado é que com a nova legislação a mulher pode desistir da ação depois de iniciado o processo. Para a superintendente do Centro Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim) do Rio, Cecília Soares, este precedente torna-se grave no caso da violência doméstica:
- O agressor está muito mais próximo, ele muitas vezes é o pai dos filhos. O emocional faz com que ela não tenha firmeza em encarar a questão como crime. Se a Justiça diz que ela pode desistir, vai ser mais um estímulo - estimou a superintende, acrescentando que a reforma prevê que os crimes deste tipo passaram a tramitar em juizados criminais e não nas varas especializadas.
A promotora Fernanda Marinho afirma que outro retrocesso presente no texto é que crimes de menor repercussão social podem ter a aplicação de penas suspensas por um juiz.
- O que é menor para um, não é menor para outro. A violência contra a mulher é de fato de menor repercussão social. Está no âmbito da família. Então, os juízes é que vão decidir quando há punição. É uma brecha enorme - disse a promotora, ressaltando que em alguns casos a mulher vai precisar de um advogado para registrar a denúncia, em vez de relatar a violência na delegacia, como acontece hoje.
O novo código excluiu ainda as medidas protetivas que dão garantias às mulheres após a realização da denúncia, como saída do agressor de casa e a proteção dos filhos. Para a superintendente do Cedim, estas alterações provocariam redução do número de denúncias:
- Com a Lei Maria da Penha, as mulheres começaram a saber mais sobre seus direitos e medidas que as protegiam. Quando a Lei 9.099 era aplicada, havia mulheres assassinadas tendo feito nove registros na delegacia. A violência doméstica já é subnotificada, a volta desta situação só aumentaria.
O último levantamento da Lei Maria da Penha revelou que de setembro de 2006 ao fim de 2008, houve julgamento em 75.829 processos relativos à violência doméstica. Os dados foram compilados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e referem-se a varas especializadas de 15 estados.

Thaís Lobo
Globo

Brinde é a principal estratégia de fast food para atrair criança

Levantamento realizado em 14 países mostra que redes "apelam" para os brinquedos como forma de vender lanche

O McDonald's diz que não impõe distribuição de brinde a consumo de sanduíche; outras redes não se pronunciaram

TALITA BEDINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

Cachorrinhos e vaquinhas que grudam nas roupas, garrafinhas com imagens do super-homem e personagens do filme do momento. Uma pesquisa realizada em 14 países, incluindo o Brasil, apontou que a distribuição de brinquedos com sanduíches é a principal estratégia das redes de fast food para atrair crianças e pode contribuir com a obesidade infantil.
Coordenado pela Consumers International (federação que reúne organizações de defesa do consumidor), o estudo analisou a estratégia de marketing das linhas infantis do McDonald's, Burger King e KFC em países como Argentina, Espanha e Reino Unido.
A federação internacional recomenda que os brindes das redes de fast food não sejam mais distribuídos com os lanches.
No Brasil, o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), que coordenou a pesquisa, excluiu o KFC, que não é popular no país, e incluiu as redes Bob's, Giraffas e Habib's.
Todas elas têm "práticas apelativas de marketing", conta a coordenadora-executiva do Idec, Lisa Gunn. E a distribuição desses brindes estimula que as crianças consumam produtos ricos em sódio e gordura.
"A criança vai a lanchonete e consome o lanche por causa do brinquedo. Essas redes acabam induzindo a formação de um padrão de consumo nada saudável", afirma Gunn.
A conselheira do Conselho Federal de Psicologia, Roseli Goffman, concorda. "Esses brinquedos mexem com o imaginário da criança. Ela associa os símbolos que vê nos filmes, com os quais se identifica, com um alimento que faz mal."
No Burger King, por exemplo, os brindes do momento são brinquedos do filme "Tá Chovendo Hambúrguer".
A pesquisa também analisou a quantidade de calorias, gordura, gordura saturada e sódio dos lanches promocionais para crianças. Concluiu que nos produtos das cinco redes estudadas no Brasil havia quantidade de sódio pelo menos duas vezes maior do que o recomendado para crianças de sete a dez anos.
Todos também tinham ao menos um terço da quantidade de calorias e de gorduras de que elas necessitam por dia.
O McLanche Feliz, do McDonald's, com cheeseburger, batata frita e coca-cola, tem 54% das gorduras saturadas que elas precisam, segundo a pesquisa.
Valores que, se consumidos com frequência, podem levar à obesidade, afirma José Marcondes, endocrinologista do hospital Sírio-Libanês.
"Tenho atendido muitos adolescentes com hipertensão e diabetes em função da obesidade. Isso é frequente nos EUA e aqui está começando", afirma.
O McDonald's afirma que não impõe nenhuma obrigatoriedade de consumir a refeição para ter acesso ao brinquedo do McLanche Feliz e que os índices nutricionais do produto são adequados a uma dieta balanceada e saudável. O brinquedo, comprado separadamente, custa R$ 9 -a promoção, com o alimento, fica entre R$ 11 e R$ 12.
A lanchonete afirma ainda que oferece 60 combinações de McLanche Feliz, 83% com menos de 600 calorias.
O Burger King disse que vai continuar incluindo mais opções no cardápio. O Bob's não quis se prenunciar e o Giraffas disse que não teria como responder à reportagem a tempo. Procurado por e-mail, o Habib's não respondeu à Folha.
A coordenadora do Idec concorda que muitas empresas têm adotado em seu cardápio produtos mais saudáveis, como frutas e saladas. "Mas as medidas ainda são muito frágeis. A criança com menos de 12 anos ainda não tem a visão crítica do que significa aquele produto".

Fonte: Folha de São Paulo

Filhos de detentos recebem "Auxílio-reclusão"


O governo federal desembolsou R$ 831,6 milhões em favor dos dependentes de segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que se encontram presos, nos últimos sete anos. Apenas em 2008, a quantia chega a R$ 142,5 milhões. A título de comparação, o valor é análogo a tudo o que foi desembolsado no conjunto de quatro programas federais voltados à infância: combate ao abuso e a exploração sexual de crianças e de adolescentes, atendimento sócio-educativo do adolescente em conflito com a lei, promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente e desenvolvimento da educação especial, que totalizam aplicações de pouco mais de R$ 144 milhões este ano.
Ano a ano, as despesas com o auxílio têm crescido (veja tabela). O valor oferecido às famílias dos presidiários em 2008, por exemplo, é 319% superior a quantia gasta em 2001, quando os dependentes dos presos segurados do INSS receberam R$ 34 milhões, em valores correntes, isto é, desconsiderando a inflação acumulada no período. Se comparado o crescimento de um ano para o outro, a maior marca foi verificada de 2005 para 2006, quando a variação chegou a 27%. No entanto, de 2006 para 2007, os auxílios pagos sofreram queda de 1%, a única desaceleração desde 2001.
A menos de dois meses para o final do ano, o valor desembolsado em prol das famílias dos presidiários equivale a 91% de todo o montante de benefícios pagos durante o ano passado, quando os desembolsos estiveram em R$ 156,6 milhões.
O benefício é concedido aos dependentes do segurado que for preso por qualquer motivo durante todo o período de reclusão. Entende-se por dependentes o cônjuge, companheiros, filhos menores de 21 anos, irmãos menores de 21 anos e pais. Vale destacar que a dependência econômica de cônjuges, companheiros e filhos é presumida, nos demais casos deve ser comprovada.
Não há tempo mínimo de contribuição para que a família do segurado tenha direito ao benefício. Após a concessão do auxílio, os dependentes devem apresentar à Previdência Social, de três em três meses, atestado de que o trabalhador continua preso. Esse documento pode ser a certidão de prisão preventiva, a certidão da sentença condenatória ou o atestado de recolhimento do segurado à prisão. Em caso de fuga, liberdade condicional ou extinção da pena, a família deixa de receber o benefício.
O valor do auxílio-reclusão corresponde à média dos 80% melhores salários do segurado do INSS a partir de 1994, desde que o último salário não ultrapasse R$ 710,08. Em caso de falecimento do detento, o benefício é automaticamente convertido em pensão por morte.
O benefício pode ser solicitado nas Agências da Previdência Social mediante o cumprimento das exigências cumulativas e a apresentação dos documentos exigidos pelo Ministério da Previdência.
Para o cientista político Antônio Flávio Testa, é dever do Estado subsidiar as famílias de presos que estão sob sua guarda. “O auxílio-reclusão tem uma conotação social importante, pois ajuda à família dos presos a se sustentarem, partindo do pressuposto de que os criminosos cuidavam de suas famílias, antes de serem condenados”, argumenta. “A meu ver, os condenados deveriam trabalhar diariamente para ajudar a sustentar as suas famílias e diminuírem os gastos públicos”, opina, ao observar a inexistência de uma política definida de ocupação da mão de obra condenada.
Testa aponta que o Estado não consegue converter essa mão de obra “criminosa” em mão de obra produtiva dentro das prisões. “As ações compensatórias de trabalhar um dia e diminuir o tamanho da pena não produzem resultados significativos. É preciso repensar o sistema. O trabalho obrigatório deve ser implantado para todos os condenados. A formação profissional também deve ser obrigatória e baseada em áreas técnicas necessárias ao mercado e oferecida para condenados que podem voltar ao convívio social positivamente”, ressalta.
Sobre o valor do montante destinado ao auxílio-reclusão, o cientista político avalia que “está razoável” e que depende das condições legais. No entanto, pondera que é preciso verificar o processo de repasse pelo Estado para evitar possíveis fraudes.
O Contas Abertas (CA) entrou em contato com a assessoria de comunicação do Ministério da Previdência Social para saber porque os valores pagos com o benefício vêm crescendo e qual é o procedimento de pagamento do auxílio as famílias. Além disso, o CA procurou saber se há algum levantamento que indique o número de beneficiados com o auxílio. Entretanto, até o fechamento da matéria, o órgão não comentou o assunto.

Amanda Costa
Do Contas Abertas

Confirme estas informações no site doMinistério da Previdência

Caso Eloá - Marcas persistem um ano após tragédia


Nova família retoma vida no local do crime; vizinhos se queixam da "fama"

SANTO ANDRÉ - As paredes foram todas pintadas - amarelo-queimado nos dois quartos, verde-claro na sala, branco no único banheiro. Na cozinha, os azulejos foram trocados pela primeira vez desde a construção, em 1999. Camas, mesa, cadeiras, quadro na parede, todas as peças domésticas também são diferentes, a indicar ocupação recente. Mas há uma marca na porta do quarto - a fechadura torta, aparentemente forçada - que teima em denunciar que algo errado aconteceu ali.
A peça danificada num dos quartos do apartamento - número 24, bloco 24 do CDHU Jardim Santo André, em Santo André, no ABC paulista - é a única marca visível do que aconteceu na antiga casa da adolescente Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, onde ela foi mantida refém pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, por quase cinco dias, e depois assassinada com um tiro na cabeça, em 18 de outubro de 2008. Exatamente um ano depois, porém, para pessoas que a conheciam, e mesmo quem participa da história por acaso, como a moradora atual do apartamento, as marcas continuam palpáveis.
Após ter ficado seis meses vazio, o antigo apartamento de Eloá foi reocupado em abril, pela família da dona de casa Daniela Cristina de Souza, de 25 anos. É ela quem apresenta os cômodos, avisando que "tudo mudou". "Mas não tem como não lembrar daquilo, as pessoas perguntam, querem saber como é", conta Daniela, ex-moradora da Favela do Lamartine, também em Santo André. "Mas não sinto ‘peso’ na atmosfera. Para quem sofreu o que sofri, esse lugar é um pedaço do céu."
Em outubro de 2008, enquanto Eloá e a amiga Nayara eram mantidas reféns, Daniela vivia seu próprio drama. Numa noite de chuva, uma barreira desabou em cima do barraco em que ela, o marido e o filho de 6 anos viviam e destruiu todos seus pertences. "Não sei como não morremos. Só o quarto em que estávamos ficou inteiro." Por mais que aceitasse na hora a oferta de funcionários da CDHU, ela sabia que a nova morada não seria comum. Soube logo no primeiro dia, quando apareceu na janela da cozinha - a mesma janela em que Eloá aparecia, fazendo sinal para que todos se acalmassem. "Um menino apontou e chamou todos para ver. Por isso, apareço pouco na janela. Até troquei as cortinas, para diferenciar."
A família de Eloá ainda reluta em falar sobre o assunto. As marcas são nítidas. Na frente da nova casa da família - um sobrado verde-claro também financiado pela CDHU, dois quilômetros distante do antigo apartamento -, o irmão mais novo de Eloá, Douglas, de 15 anos, disse estar pensando em mudar de colégio. "Não gosto de ser conhecido como ‘irmão da Eloá’ na escola, e é só como me chamam", contou. "Ninguém quer ser lembrado por uma tragédia." A mãe, Ana Cristina Pimentel, lactarista de uma creche municipal, tenta retomar a rotina. Voltou a trabalhar em agosto e toma cada vez menos tranquilizantes. E a insônia, segundo Douglas, passou.
A adolescente Nayara Rodrigues, de 16 anos - melhor amiga de Eloá e que, também sequestrada, levou um tiro no rosto de Lindemberg -, mudou de colégio. Estuda agora numa escola particular, fala cada vez menos com a família de Eloá e, segundo a mãe, Andréia, não concede entrevistas para "não mexer em feridas não cicatrizadas".
Nos arredores do bloco 24 do Jardim Santo André, as marcas de que a tragédia não será esquecida se manifestam em pichações nos muros - "quem ama não mata", por exemplo - e em constante antipatia pela imprensa. "Todo entregador de pizza novo pergunta se é a casa da Eloá", disse um dos vizinhos. "Por toda exposição, acho que nunca seremos esquecidos."

Vitor Hugo Brandalise - O Estado de S. Paulo

Leia também: 100 horas da tragédia no ABC
Pai de Eloá trabalha em fazenda na Bolívia

Alienação Parental: Falsas acusações para interromper o vínculo


Falsas acusações para interromper o vínculo

Conferência na Universidade de Belgrano.
Disciplina de Psicologia Legista.
Julho de 1999.

Autora :Dra. Delia Susana Pedrosa de Alvarez

Nos Estados Unidos, a partir de 1987 formou-se uma consciência social sobre o tema do Impedimento e a Obstrução do Vínculo entre o genitor sem convívio e o filho. O autor mais importante sobre esse assunto é Richard Gardner. Trata-se de um psiquiatra titular da disciplina de Psiquiatria Infantil na Universidade de Columbia.
Entre artigos e livros, escreveu mais de 240 obras. Sabia pela sua experiência clínica que, após o divórcio, os filhos continuam amando os seus pais de forma igual, não obstante a separação e o decorrer dos anos.Porém, no caso de Divórcio Destrutivo, o genitor que detinha a guarda manipulava de forma consciente ou inconsciente a criança para provocar a recusa deste e obstruir assim o relacionamento com o outro genitor. Também sabia que as conclusões dos estudos sobre filhos de divórcios apontavam que as crianças mantinham após o divórcio um bom
relacionamento com ambos os pais quando o genitor com a guarda não manifestava a intenção de eliminar o outro genitor da relação.Ele se questionou porque o sintoma da recusa aparente surgia nos casos onde havia um impedidor. Ele analisou os seus pequenos pacientes, tendo descoberto que em todos os casos, as crianças eram objeto de persuasãocoerciva ou "lavagem cerebral".
Gardner não foi o único a chegar a essas conclusões, já que concomitantemente em vários Estados dos EUA, outros psicólogos e psiquiatras que trabalhavam com crianças e com famílias também haviam chegado às mesmas conclusões e identificado os mesmos sintomas clínicos.
Simultaneamente e desconhecendo estes autores os trabalhos de outros, surgem três Síndromes relacionadas. Em Michigan, psicólogos que não conheciam o trabalho de Gardner, publicaram trabalhos sobre uma Síndrome em que a criança repetia tudo
aquilo que o genitor impedidor dizia sobre o outro, adotando a sua terminologia e se referindo a situações que dizia recordar, porém que não haviam ocorrido e que, a serem reais, não poderiam ter sido relembradas pela sua tenra idade.
Esta Síndrome explicava alguns casos de denúncias falsas de abusos sexuais e os autores deste trabalho foram Blush e Ross (!980) que o designaram como Síndrome SAID.
Outros autores que trabalhavam na área legista chegaram a definir tipologias ou perfis de personalidade para o genitor que acusa falsamente, tendo destacado o vínculo patológico entre a criança e o genitor que exerce a guarda. Jacobs em Nova York e Wallerstein no Estado da Califórnia descreveram casos daquilo que eles designaram como Síndrome de Medea. Citaram Gardner, tal como o faria Turkat na sua Síndrome da Denúncia Maliciosa (1994).
Clawar e Rivlin conduziram um estudo populacional em crianças impedidas do contato com um dos genitores e explicaram aquilo que designaram como Programação Parental no Divórcio ou "lavagem cerebral" e sua influência nos litígios. Este estudo esteve a cargo da Associação Americana da Seção de Família e Lei. Após mais de 12 anos de investigação, publicaram então em 1991 um livro, "Crianças reféns". Os autores revelaram que a programação parental constituía uma forma de abuso psicológico praticada em maior ou menor grau por 80% dos pais divorciados.
Que 20% das crianças eram submetidas a esta forma de relacionamento abusivo, pelo menos uma vez por dia, ao escutarem mentiras e supostos defeitos do genitor que com elas não convivia.
Este trabalho causou comoção na mídia e nos círculos acadêmicos norte-americanos. A maioria das crianças sofria o impedimento do vínculo no estudo de Claward e Rivlin, sendo que 20% delas o sofria em regime diário. Amiúde, quando a criança não era complacente, era castigada de forma física ou por meios mais sutis como a retirada de privilégios ou amor e as atenções por parte do genitor obstrutor.
É depois do conceito de Gardner sobre a Síndrome de Afastamento Parental que começa a surgir uma miríade de trabalhos versando o tema: características dos pais que acusam falsamente, a função da falsa denúncia, formas de mentalidade que auxiliam os pais obstrutores a afastar as crianças do outro genitor, assim como o abuso emocional e psicológico grave das crianças nos casos mais acentuados de Impedimento,
incluindo a Síndrome de Munchausen por Poder e os Distúrbios Fictícios por Poderes. Esta última entidade encontra-se no DSMIV e sobre ela me debruçarei na última parte.
Outros estudiosos ocuparam-se do seqüestro do filho por parte de um dos genitores, determinando que a sua causa residia na relação abusiva pelo impedidor que o inibia de abstrair as suas necessidades das do menor.
Outra autora, Mary Lund, examinou as reações fóbicas de recusa ao genitor impedido, tendo expressado que a rápida intervenção do Juiz nas primeiras fases de Impedimento pode auxiliar a prevenir este tipo de reações fóbicas que ocorrem depois que o contato é interrompido durante largos períodos, tanto decorrente de procedimentos legais quanto da ação do impedidor. Expressou que a intervenção legal será a pedra chave do tratamento.
Um fator que consideramos importante ter sido destacado por Lund diz respeito ao SAP. Pode desenvolver-se na criança como resposta ao stress gerado pelos conflitos entre seus pais, tanto no início do divórcio como no final. Se o filho for inserido no espaço de conflito dos pais, a sua reação será a da fuga e de recusa de relacionamento com um deles. A autora destaca que por vezes os terapeutas acentuam esta polarização na criança, sendo então necessária uma decisão judicial para interromper o tratamento. Todos os clínicos especialistas no tema sublinham a
combinação de estratégias legais que cessem o impedimento e em seguida as intervenções terapêuticas para tornar o caso mais maleável.
A par destes estudos, surge nesse país uma nova tendência no estudo do Abuso Sexual Infantil e o sistema de informações se simplificou tanto que uma denúncia anônima era suficiente para abrir um processo por abuso sexual. O mesmo é dizer, bastava alguém dizer que determinada criança teria presumivelmente sido abusada por um familiar para que o contato com o mesmo fosse proibido.
O número de relatórios dos profissionais da saúde, nomeadamente psicólogos e assistentes sociais, duplicou como também dobrou o número de falsas revelações e falsas denúncias.
De acordo com as estatísticas elaboradas pelo Centro Nacional de Abuso Infantil em 1988, demonstrou-se que os relatórios sem validade, ou seja, denúncias errôneas ou falsas de abuso sexual, superavam o número dos casos constatados de abuso em uma relação de 2:1 (Fonte: National Center on Child Abuse and Neglect: estudo da incidência nacional e prevalência em Washington DC: Ministério da Saúde e Serviços Sociais 1988, contrato 105-85-1702, cit. Por Rand.: O espectro da Síndrome de Alienação Parental, American Journal of Forensic Psychology, vol. 15, número 3,
1997/51).
Uma das causas dizia respeito ao hiato de conhecimento dos psicólogos e profissionais da Saúde, enfatizado pela Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescência em 1994, assim como o emprego de práticas de efeitos sugestivos e indutores como as bonecas anatômicas mal designadas de "teste de abuso". É importante destacar que em um Simpósio sobre Abuso Sexual realizado pelo Centro Americano sobre Abuso Sexual e Negligência, foi proibido o seu uso como diagnóstico de teste (1986) (Citado por Melton e Limber, Alterações na Lei da Família e Vida
em família, American Psichologist vol.44, nr.8 págs.1213-1216.).
Da mesma forma, o último Comitê de Especialistas da Associação Americana de
Psicólogos em 1996 concordou com esta decisão, tendo estabelecido que não poderiam ser usadas no âmbito legista, ou seja, definiu não ser científico tecer considerações clínicas com base em um jogo de bonecas, nem poderiam ser empregues com fins legistas (Ver Ciência Psicológica e o emprego de Bonecas Anatômica na Avaliação de Crianças vítimas de Abuso Sexual ? Goodman et all, Psychological Bulletin, 1995, vol.118, nr.2 199-222).
Posição similar é a da Associação de Psiquiatras Americanos (Ver Parâmetros de Prática para a Avaliação Legista de Crianças e Adolescentes possíveis vítimas de abuso sexual físico ou psicológico, J. Am. Acad. Child Adolesc. Psychiatry, 36: 3, Março de 1997). Outros autores a consideram uma técnica indutiva e coerciva (Gardner, Goodman, Ceci e Bruck, etc).
Outro elemento que facilitava as denúncias falsas e os diagnósticos errados era basear-se na mãe como fonte única de informações para os casos de possível abuso, quer de natureza sexual, quer de supostos maus-tratos. Lamentavelmente, estas falhas que possibilitam a utilização da denúncia falsa por profissionais inescrupulosos, se reproduzem no nosso país.
O Juiz Stewart, citado por Rand em um artigo da Associação Americana de Psicologia Legista em Junho do ano passado, escreveu: ?As Varas de Família sofrem os efeitos de uma nova moda utilizada pelas partes nos litígios: denunciar que a outra parte está abusando da criança. O impacto de tais denúncias nos processos de guarda é acentuado (...). O Juiz da Vara Familiar pode impedir o acesso à criança do genitor acusado
até o encerramento da acusação?... (pág. 11 - obras citadas pág. 26).Como resposta a este problema, a União das Associações da Família e Varas de Conciliação obteve fundos para um estudo sobre as acusações de abuso sexual em processos de divórcio.Foram coletados dados de 1985 a 1986 nas Varas de Família do país inteiro. Verificou-se inicialmente que a incidência de denúncias de abuso sexual era de 2%, embora em alguns estados variasse entre 1% e 8%.
As denúncias de abuso sexual no contexto de um litígio por guarda e por regime de visitas somente eram verdadeiras em 50% dos casos. Os Conselheiros da Corte também destacaram que haviam notado um aumento de tais casos relativamente a anos anteriores.
Dez anos depois, em 1996, o Congresso de Prevenção e Tratamento do Abuso Infantil nos EUA eliminou a figura da imunidade para as pessoas que fizessem dolosamente falsas denúncias ou informações. A medida obedecia a uma realidade alarmante: 2 milhões de crianças tinham sido envolvidas em falsas denúncias. O número é significativo quando comparado com o número real de 1 milhão de crianças realmente vitimadas.
Resumindo, no Norte do país existe uma conscientização clara sobre o papel das denúncias falsas de abuso sexual no âmbito dos processos por guarda e regime de visitas, assim como o seu uso intencional para obstruir o vínculo com um dos genitores. Muitos protocolos de avaliação contemplam uma cláusula sobre os possíveis mecanismos de denúncia falsa e da sua relação com o Divórcio Destrutivo, citamos aqui a do estado da Califórnia, referida por Rand (Estado da Califórnia: Relatório sobre Abuso e Negligência Infantil na Califórnia.Lei: Temas e Respostas para profissionais da saúde, 1991). Protocolopara casos de abuso sexual, de Gardner (1995) e o publicado pelaAcademia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescência em Março de 1997.
Entretanto, no período compreendido entre 1980 e 1996, nos Estados Unidos havia sido realizada uma campanha maciça para treinar Assistentes Sociais, Juízes e profissionais da saúde relativamente a conceitos como "crianças nunca mentem sobre abuso". Fomentou-se a aceitação irrestrita daquilo que a criança ou mãe diziam e a aceitação de toda e qualquer denúncia de abuso sexual como verdadeira.
Fomentou-se a observação pelos pais e educadores dos "indicadores de abuso" nos seus filhos, uma vez que poderiam ser abusados sexualmente na família, na escola e em qualquer lugar.
Estes possíveis indícios eram vagos sintomas: baixa auto-estima, encoprésia, enurese, peso baixo, comportamentos agressivos ou pelo contrário não se saber defender, isolamento social ou ao contrário grande desenvoltura e outros comportamentos normais no desenvolvimento evolutivo como o sejam os pesadelos e a curiosidade sexual. A sexualidade infantil normal foi considerada como indício de suspeitas experiências abusivas passadas.
Nunca serão suficientes as medidas de segurança a esse respeito, nem os esforços para eliminar este tipo de delitos contra as crianças, embora tenham surgido situações muito peculiares nos Estados Unidos como resposta patológica a estas tentativas. Professores treinados na detecção de possíveis casos de abuso sexual na escola com um grau elevado de fanatismo sobre o tema, porém não especialistas, geraram situações como as ocorridas em um Estado do sul dos EUA onde os pais da
maioria dos alunos foram presos por suspeita de abuso sexual. (Ver. Rand, ob.cit.) . Outro caso que envolveu médicos aconteceu em Cleveland, onde alguns médicos através de técnicas duvidosas constataram "relações anais" em 121 crianças durante um período de cinco meses que se comprovou serem diagnósticos equivocados. (Citado por Huxtable. Proteção à Criança. Social Work, vol.39, número 1 Janeiro de 1994).
As denúncias falsas de abuso sexual são comuns nos casos mais graves de afastamento ou de obstrução do contato, embora não sejam as mais freqüentes, como destaca Gardner, Turkat, Bernet, Yuille, Benedek, etc. Outras denúncias falsas são mais comuns, podendo incluir maus-tratos físicos, negligência, abuso emocional ou uma história forjada de maus-tratos à mulher como sustento para a incompatibilidade do vínculo filial.
Os processos de violência contra a mulher e as violências sexuais contra crianças constituem uma realidade preocupante no nosso país e nunca serão suficientes os esforços da Comunidade para os prevenir e punir. Eles geram uma repulsa enérgica na consciência pública.
As crianças expostas às falsas denúncias de abuso sexual, abuso de algum tipo, maus tratos, etc, sofrem outra tragédia não menos grave, devendo ser igualmente amparadas. A manipulação de falsas denúncias onde a mulher protagoniza o papel de "vítima da violência" como manobra de obstrução constitui a outra face de um mesmo drama.
Freqüentemente, escutamos que as falsas denúncias de abuso são muito raras: alguns alegam serem 3% dos casos. Não obstante, a prevalência de casos de falsas informações foi tão grande nos Estados Unidos que no DSMIV encontramos o seguinte quadro: os transtornos fictícios por poderes.
A explicação é a seguinte: "A característica essencial deste transtorno é a produção ou simulação de forma deliberada de indícios ou sintomas físicos ou psicológicos em outrem que se encontra dependente do indivíduo"; vejamos um exemplo: A mãe de forma mentirosa informa à psicóloga de um serviço: "Minha filha tinha as calcinhas com sangue depois da visita do pai", "o médico legista me informou que estava
sangrando".
Apresenta dados que são contrários àqueles contemplados no laudo médico legista, porém que não são fornecidos ao profissional. Simula sinais de abuso na filha. Ou seja, o profissional é ludibriado e não constata através da consulta pericial as supostas lesões. Também não constata outros supostos sintomas indicados pela mãe através do simples processo de interrogar a filha. Com base na aceitação dogmática da versão materna, elabora o "diagnóstico de abuso" e solicita a suspensão do
regime de visitas durante o período de tempo que decorreu a avaliação psicológica (11 meses). O relato da mãe foi mais determinante que o rotundo "não" a estas perguntas: O teu pai te tocou? Alguma outra pessoa tocou você? Ou um colega? E mais importante, a perícia ao médico legista não foi realizada.
Trata-se da mãe que simula indícios e sintomas "em outrem que se encontra dependente do indivíduo". Normalmente,a vítima é uma criança pequena e o agente ativo é a sua mãe (...). "O interventor induz ou simula na vítima um processo patológico e logo a acompanha ao médico"(...) "A maior parte das doenças induzidas ou simuladas diz
respeito aos aparelhos digestivo e genito-urinário" "...Os casos
caracterizam-se pelo curso atípico dos sintomas..." .
Poderíamos ser levados a pensar que nenhuma mãe chegaria a tais extremos. Porém, as mães que sofrem este mesmo transtorno chegam a informar falsamente o médico a respeito de convulsões inexistentes que desencadeiam um tratamento com psico-fármacos que deterioram a saúde da criança. Ou então agregam substâncias nas análises de urina, etc.
A relação dos transtornos fictícios com as falsas denúncias de abuso sexual como manobra de impedimento tem sido estudada em profundidade por Rand, psicóloga legista norte-americana e o aprofundamento exaustivo do tema nos exigiria mais tempo do que aquele que dispomos.

Tradução: Paulo Mariano Lopes

Fonte: APASE

89% dos que fazem xixi na cama foram agredidos


Por: Fabiana Cimieri

Estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro sobre violência doméstica contra crianças e adolescentes que fazem xixi na cama mostrou que 89% dos 149 entrevistados sofreram algum tipo de agressão. Eles são pacientes, com idade entre 6 e 18 anos, do ambulatório de pediatria ou do Núcleo de Estudo da Saúde do Adolescente do Hospital Universitário Pedro Ernesto. Todos haviam sido diagnosticados com enurese noturna (incontinência urinária durante o sono, pelo menos duas vezes por semana, por três meses consecutivos).
Em todos os 132 casos nos quais foi relatada agressão, houve ofensa verbal, com brigas, gritos ou xingamentos contra a criança ou o adolescente. Em mais da metade (50,8%) houve punição física sem contato, ou seja, o menor sofreu algum castigo como ser obrigado a tomar banho frio, lavar o próprio lençol molhado ou ser obrigado a ficar de pé o resto da noite. Em 48%, os entrevistados disseram que eram surrados.
O mais preocupante é que essas agressões são recorrentes, acontecendo quase que diariamente, em 88,4% dos casos. A mãe é a principal agressora (87,9%). Em um caso, houve lesão genital grave que necessitou de cirurgia reconstrutora.
Para os pesquisadores, a alta taxa de agressão sugere que as famílias não reconhecem a enurese noturna como uma doença e que a violência é culturalmente aceita como forma de educação. Eles também observaram que quanto mais alto o nível de escolaridade, maior a compreensão da família.

COMO AJUDAR

  • Leve seu filho ao banheiro antes de ele dormir e na madrugada
  • Não dê líquidos até duas horas antes de ele se deitar
  • Elogie, porém sem estardalhaço, quando ele acordar seco
  • Quando o xixi escapar, diga que ele vai aprender a segurá-lo
  • Não grite, não xingue, não bata


Fonte: Estadão.com.br

Computador de bispo continha cerca de mil imagens de pornografia infantil


Toronto (Canadá), 16 out (EFE).- A Polícia canadense encontrou perto de 1.000 fotografias e 33 vídeos de pornografia infantil no computador portátil de um bispo católico que foi retido por agentes de fronteira em setembro, quando voltava ao Canadá após uma viagem ao estrangeiro.

A televisão pública canadense "CBC" disse hoje que, segundo documentos apresentados pela Polícia perante os tribunais, muitas das imagens em posse do bispo Raymond Lahey, que era bispo da diocese de Antigonish, na província de Nova Escócia, parecem ser de homens jovens realizando atos sexuais.
Os documentos também explicam o que Lahey disse aos investigadores da Agência de Serviços Fronteiriços do Canadá após ser detido no aeroporto internacional de Ottawa no dia 15 de setembro, quando retornava de Londres.
O relato policial assinala que Lahey confessou que utilizava internet para manter conversas sexuais, na sua opinião sempre com maiores de idade, e que nunca tinha tido nenhum interesse sexual em pessoas menores de 18 anos.
EFE jcr/ma

Fonte: Último Segundo

Música, sexo e loucura: As perigosas combinações dos jovens


Para potencializarem o efeito de drogas como o ecstasy
e a cocaína, jovens as misturam a anestésicos de uso veterinário,
remédios para impotência e até medicamentos para tratamento de aids


Kalleo Coura

Fazem parte da natureza dos jovens a imprudência e o desejo de experimentar novas sensações. Resultado frequente da combinação desses fatores, o uso de drogas, sobretudo nas baladas ou "nights", tornou-se prática tão comum que a maioria das casas noturnas faz vista grossa para elas. Só que agora a imprudência e a vontade de experimentar sensações desconhecidas vêm conduzindo os frequentadores de clubes e raves a um comportamento de duplo risco: além de usarem nas pistas substâncias ilegais de todo tipo, muitos passaram a misturá-las com um coquetel de drogas farmacêuticas de acesso fácil e efeitos, algumas vezes, devastadores. Anestésicos de uso veterinário, remédios para impotência e até medicamentos para tratamento de aids ingressam facilmente nos clubes para ser consumidos com cocaína e comprimidos de ecstasy. "Muitos usuários acreditam que, por se tratar de substâncias legais e manipuladas em laboratórios farmacêuticos, elas são mais seguras", diz o americano Thomas McLellan, diretor adjunto do Escritório Nacional de Políticas de Controle de Drogas do governo americano. Nada mais falso – em especial, quando combinadas a outras.

Fernando Cavalcanti

Nos Estados Unidos, o uso "recreativo" de analgésicos – ingeridos sozinhos ou misturados a outras drogas – já é a causa de 40% das 22 400 mortes anuais provocadas por overdose. "Alguns desses analgésicos têm toxicidade superior à da heroína vendida nas ruas", diz McLellan. No Brasil, vem se popularizando nos clubes noturnos o coquetel conhecido por "bomba". Vendido a 200 reais, ele inclui uma cápsula de ecstasy, uma pílula para impotência e dois comprimidos de antirretrovirais. A lógica distorcida por trás do uso da combinação é que o remédio contra a impotência evita o efeito vasoconstritor do ecstasy e possibilita a ereção, enquanto o antirretroviral "protege" contra o vírus HIV em uma eventual relação sexual sem camisinha. "O uso conjunto dessas drogas é um desvario", diz o infectologista Juvencio Furtado, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. No Brasil, médicos de fato prescrevem antirretrovirais para quem não tem o vírus HIV e foi, ou pensa ter sido, exposto a ele – caso de mulheres que sofreram abuso sexual ou de profissionais de saúde que foram vítimas de acidentes durante uma cirurgia, por exemplo. Para evitarem o contágio, eles usam um coquetel de três antirretrovirais – mas ao longo de um mês, e não por uma noite. "Não há nenhuma comprovação de que uma única dose de antirretroviral antes de uma noite de sexo sem proteção produza efeito", diz o infectologista Artur Timerman.
Se como salvo-conduto para o sexo sem camisinha o coquetel é uma fraude, como estimulador do sexo ele atende às expectativas dos usuários – ainda que à custa de efeitos colaterais diversos. O fato de antirretrovirais como o Norvir inibirem o metabolismo de algumas das substâncias presentes no Viagra e no ecstasy faz com que os efeitos das duas substâncias perdurem no organismo – no caso do Viagra, a ponto de possibilitar ereções por até 48 horas. O infectologista Juvencio Furtado afirma que, entre os jovens que frequentam o seu consultório mensalmente, de dois a três relatam ter feito uso da "bomba".
Comprar drogas nunca foi tão fácil. Sintéticas ou ditas "naturais", elas estão disponíveis na internet à velocidade de um clique. Numa busca rápida, a reportagem de VEJA localizou dez traficantes que ofereciam ecstasy e LSD em comunidades ligadas a raves. De acordo com o delegado do Departamento de Investigações sobre Narcóticos da Polícia Civil de São Paulo, Reinaldo Corrêa, quase 80% dos traficantes de drogas sintéticas presos pela polícia do estado nos últimos meses têm curso superior ou estão fazendo faculdade. Isso quer dizer que, ao contrário do que ocorria até há pouco tempo, não é preciso subir morros ou aventurar-se em favelas para comprar drogas – o traficante está logo ali, ao alcance do usuário: é seu colega de classe ou de balada.

Imprudência, curiosidade e, agora, fartura: diante da facilidade com que adquirem drogas, jovens transformam a si próprios em cobaias. O ecstasy, por exemplo, a mais popular das drogas sintéticas nos clubes noturnos, raramente é ingerido sozinho. Uma pesquisa feita em 2005, com 1 140 usuários brasileiros da substância, mostrou que – antes, durante ou depois de consumi-la – 97% dos entrevistados usaram uma outra substância, legal ou ilegal, com o objetivo de potencializar o efeito do comprimido ou anular sensações indesejadas causadas por ele. É o caso do empresário paulistano Rodrigo (os nomes nesta reportagem são fictícios), de 30 anos. Depois de ingerir ecstasy, ele costuma aspirar ketamina, um anestésico de uso veterinário indicado principalmente no tratamento de cavalos. "O efeito da bala (gíria que designa o ecstasy) vem mais rápido e dura mais tempo", diz ele. A alquimia não para por aí. Quando a festa chega perto do fim, Rodrigo toma uma dose de GHB (ácido gama-hidroxibutírico, usado no tratamento de narcolepsia e consumido como anabolizante nas academias). "É para dar um último fôlego e me ajudar a aguentar até as 7 da manhã", diz.

A ketamina, também disponível na internet, é um líquido, mas pode ser aquecida num forno elétrico até virar pó, de maneira a ser aspirada pelos usuários como se fosse cocaína. Nos clubes noturnos, cada saquinho da substância, igualmente chamada de K (com a pronúncia inglesa da letra: "quei"), é vendido a 30 reais. Seu consumo pode provocar delírios, amnésia e a sensação de deixar o próprio corpo. "Alguns dos relatos de quem usa essa droga são similares às experiências de pacientes que quase morreram", diz o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo. Para driblarem a segurança da entrada das casas noturnas (quando há segurança de fato), usuários do GHB levam a substância, líquida, disfarçada em recipientes de colírio ou perfume. Ecstasy e LSD passam facilmente despercebidos dentro das carteiras, quase nunca checadas pelos seguranças.

Muitas vezes, os jovens optam por consumir as drogas antes de chegar à balada, nos chamados encontros de "esquenta" ou "chill-in", na casa de amigos. Foi numa dessas reuniões pré-balada que a vendedora Letícia, de 20 anos, chegou a misturar quatro tipos de droga, além do álcool: "Cheirei cocaína, fumei maconha, tomei ácido e ecstasy, tudo de uma vez". O resultado foi uma "bad trip" da qual ela não gosta nem de se lembrar. "Agora, só misturo cocaína com álcool – e para poder cheirar mais", diz.

São 3h15 da manhã num dos mais conhecidos clubes de música eletrônica em São Paulo. Para a maioria dos presentes, a noite mal começou. Para outros – como as duas garotas na faixa dos 20 anos que cambaleiam pela pista, despejando vodca em quem quer que passe à sua frente –, ela já está prestes a acabar. "Usamos bala (ecstasy) e tomamos três copos de vodca", diz Júlia, uma das meninas. "O problema é que não jantamos antes de sair de casa por causa da dieta", justifica-se. Depois de ver a amiga tateando o ar e cair mais de sete vezes no chão, ela decide pagar a comanda e partir num táxi, a salvo – pelo menos até a próxima festa.

Veja.com

Menino muda de sexo aos oito anos nos Estados Unidos


Família diz que, desde que aprendeu a falar, a criança dizia que era uma menina

Josie Romero é uma menina de oito anos. Josie já foi Joey, um menino. A história sobre a mudança de sexo e de como isso foi enfrentado pela família da criança, nos Estados Unidos, é tema de um documentário que será transmitido na semana que vem no canal Channel 4, na Inglaterra. Os relatos também estão nos sites dos jornais britânicos (Telegraph, Daily Mail, The Sun) nesta quinta-feira (15) e foram contados no documentário "Sex, lies, and gender", no canal National Geographic, em setembro.
A mãe de Josie, Venessia, diz que, desde que a filha começou a falar, sempre afirmava: "Eu sou uma menina". Os pais a corrigiam: "Não, você é um menino". Josie, à época Joey, insistia em tentar transformar seus brinquedos de garotos em brinquedos de menina. A mãe afirma que a brincadeira preferida da filha era enrolar seus cachecóis na cintura e fingir que eram saias.
A família viveu até o ano passado no Japão. O pai de Josie, Joseph Romero, é engenheiro das Forças Armadas americanas. Quando Josie tinha quatro anos, os Romeros adotaram uma menina chinesa de dois. Os pais temeram que a filha mais velha ficasse com ciúmes, mas dizem que ela gostou muito da chegada de Jade. As duas brincavam como duas garotas.
Venessa afirma que, no início, achava que tinha um filho homossexual. Porém, depois se deu conta que era uma criança transexual. Ela conta que começou a comprar roupas de menino e de menina e deixar o guarda-roupa dividido com as duas opções. Josie sempre optava pelas vestimentas femininas.
Na base militar em que a família morava e as crianças iam à escola, Joseph diz que o preconceito era grande. Ele mesmo afirma que foi difícil aceitar que seu filho era uma menina. Segundo Joseph, o primeiro sentimento que teve foi de que havia perdido seu filho. Depois, percebeu havia ganhado uma filha.

Os Romeros voltaram para os Estados Unidos no ano passado. Josie recebe atendimento médico e psicológico. Ela tomará medicamentos para evitar a puberdade masculina. Quando completar 12 anos, deve ingerir hormônios femininos. A mãe diz que Josie já sabe que terá de passar por uma cirurgia de mudança de sexo quando for adulta. No Arizona, onde vivem, Josie participa de grupos de apoio para famílias de transexuais, incluindo crianças. Ela conta sua história. Venessa diz que a filha é muito feliz por poder compartilhar a sua experiência, para ajudar outros pais e filhos que passam pela mesma situação.
No ano passado, todos os documentos de Josie foram alterados. Ela é considerada, legalmente, uma pessoa do sexo feminino.


Época

Por que pacientes do Roger demoraram para acusá-lo de abuso?


Nesta semana, a juíza Kenarik Boujikian Felippe, da 16ª Vara Criminal de São Paulo, começou a colher o depoimento das mulheres que acusam Roger Abdelmassih (foto) de abuso sexual.
Algumas delas têm relatado o que por anos não disseram sequer ao marido.
Por que algo tão grave foi mantido em segredo por tanto tempo? E por que só agora essas mulheres resolveram denunciar o especialista em reprodução humana assistida?
Muitas pessoas que acompanham o caso fazem essas perguntas.

Abaixo, segue a explicação de uma das ex-pacientes do médico.

Por que não contei nada na hora?

O meu marido não era totalmente favorável ao tratamento. Após eu insistir, resolvemos pagar cerca de 30 mil para realizar um sonho, no "melhor do Brasil" (o médico assim se denominava).
Após gastar mais de R$ 11 mil de remédios, no dia da aspiração, em uma sala de repouso, onde eu estava sozinha, ele [o médico] me agarrou, me beijou, me acariciou nos órgãos genitais, etc.... Mesmo implorando para que ele parasse, ele continuou.
No momento em que consegui fugir só tinha duas possibilidades:
1ª) Fazer um escândalo na clínica e contar tudo ou
2ª) Ficar calada para sempre.

Ponderei rapidamente com muita dor e sofrimento a primeira hipótese e senti que a consequência poderia ser muito pesada, pois meu marido ficaria nervoso e quebraria tudo, inclusive ele [o médico].
Neste caso, o meu marido seria preso e eu não teria nenhuma prova do fato. Estávamos nós dois na sala e não houve penetração. E quem acreditaria numa "Joana Ninguém" se comparada a um médico com projeção nacional e internacional e com amigos poderosos?
Além disso, possivelmente meu marido nunca mais toparia fazer um tratamento para ter um filho, somando-se a isso o fato de os nossos embriões já estarem dentro da clínica, era só implantar. Para somar, eu já havia pagado tudo (R$ 37 mil) e era a minha quase única chance de ter um filho.
Ainda com sofrimento, ponderei as consequências da hipótese de ficar calada. Neste caso, também sofreria para o resto da vida, mas ao menos não faria o meu marido e a minha família sofrerem.
Além disso eu poderia engravidar e torcer para que um dia eu ou outra pessoa conseguisse alguma prova para incriminá-lo, porque certamente Deus trataria do assunto com a verdadeira justiça. Diante das consequências menos arriscadas para minha família, optei por ficar calada.
No entanto, precisei voltar [à clínica] para implantar os embriões e me certifiquei de que não seria com ele [o dr. Abdelmassih]. Além disso, tomei o cuidado de não ficar sozinha em NENHUM momento dentro daquele local.
Infelizmente, fui vítima de uma dor emocional muito forte combinada com uma infecção e aí perdi o meu bebê. Mas mesmo tendo pago um pacote de três tentativas [de fertilização] NUNCA MAIS VOLTEI NAQUELE HORROR...
Esse depoimento é apenas para esclarecer por que não contei tudo na hora.
Hoje é tudo mais fácil, inclusive julgar quem não contou na hora. Agora tenho certeza de que o médico fazia [abusava] de várias [mulheres] e armava tudo para que não houvesse provas. Afinal, o crime de abuso sexual é realmente um crime silencioso.
Graças a Deus alguém muito mais forte e corajosa do que eu contou a verdade. Então a verdade das demais ganhou a força para buscar a justiça dos homens.
Às mulheres que se trataram na clínica e não passaram por isso, eu digo: agradeçam a Deus todas as noites por terem sido poupadas.

Alguns comentário sobre a matéria:

Paulo Roberto Lopes disse...
Gostaria que neste espaço outras mulheres que acusam o médico contassem por que demoraram tanto (ou não) para contar sobre o assédio ao marido e também as razões daquelas que ainda mantêm o segredo.
16/10/09 20:34

Mariana disse...
Na época em que fui abusada (faz 9 anos), cheguei a fazer um BO. Procurei um advogado, que não me deu crédito e disse que a história não teria futuro. Conhecidas começaram a me dizer que os fatos não eram novidadade e que o Dr.Roger era um homem perigoso. Decidi me calar, por não saber a quem mais recorrer, além de ficar insegura. Não sou de São Paulo e não tinha contatos importantes, como o Doutor, tinha. Quando li a matéria da Folha, em janeiro deste ano, quase morri de tanta satisfação. E aí já estava o caminho das pedras. Foi só seguir a diante, procurando o Ministério Público.
Tenho um prazer inenarrável de juntamente com as outras vítimas, ver a justiça ser feita contra o Doutor Roger.
16/10/09 23:01

Vitima de Santa Catarina disse...
Paulo, eu acho incrível como nós as 56 vítimas iniciais pensaram e agiram da mesma maneira...
Primeiro o sonho do marido em ser pai.
E quem iria acreditar numa caipira do interior de Santa Catarina sendo assediada por um médico de renome internacional e amigo de famosos.
Após um intervalo de alguns anos meu marido quis voltar a clínica p/ fazer mais uma tentativa, daí eu cheguei no meu limite e contei a ele o que tinha acontecido, contei a ele e a um amigo que é médico da família... Meu marido queria ir até SP, bater, fazer e acontecer, mas uma formiguinha diante de um elefante não tem nenhuma chance não é mesmo?
Passei mais alguns anos da minha vida pensando se eles (marido e amigo médico) tinham acreditado em mim. Até o dia em que recebi um e-mail denunciando este ex doutor, daí sim o peso que eu carregava nos ombros foi aliviado e hoje nós as vítimas esperamos pela justiça, nada mais do que isso, JUSTIÇA. Obrigada Paulo mais uma vez por este espaço, obrigada aos promotores da GAECO, obrigada por todas as pessoas que de muitas maneiras manisfestam solidariedade a nós.
16/10/09 23:31

Anônimo disse...
Apesar do meu caso ser novo, adorei esse espaço, pois as minhas razões não diferem em nada das citadas, e era isso com certeza que o deixava na impunidade e ele sabia disso, ele estava com a "faca e o queijo nas mãos" literalmente.
17/10/09 00:04
Teresa disse...
Vamos lá...
Não pensem que estamos aqui relatando os fatos por nos fazer bem.
Não, é que, infelizmente no Brasil uma pessoa que é rica e famosa, não é considerada criminosa. Só comentem crimes os pobres e negros, só estupram os que são doentes e os que não tem família..
Quando são denunciados os grandes considerados “classe A”, a sociedade não acredita ou finge não acreditar.
Restando para nós vítimas o papel mais difícil, que mesmo depois de provado que sofreu um crime considerado hediondo, sofremos por parte da sociedade uma cobrança brutal (ESTA) que está fora de nossas forças, “A OBRIGAÇÃO” de ter que desenhar o abuso sofrido diante das câmeras de TV, Jornais e outros meios de Comunicação. Mesmo assim, dizem não acreditar só por ELE SER rico e famoso.
Minha história é diferente de todas, mas de muita importância, porque ela mostra que ele faz isso desde sempre, talvez desde o ventre de sua mãe.
Aconteceu na década de 70, eu menor de idade, única filha mulher (caçula) de uma prole de 7 irmãos.
Família recém chegada da roça, xucros, sem nenhuma informação, não conheciam TV e pouco sabiam ler.
Acredito que eu nem soubesse que existia algo chamado “DIREITO”, meu pai faleceu com 74 anos e minha mãe com 91, nunca contrataram de um advogado.
Então Sra. Sociedade, não contei, por falta de informação, e por “MEDOS” primeiro era o medo de contar e ele cumprir as ameaças feitas contra minha família, depois o medo de contar e saber que acima de mim existiam pais e irmãos que poderiam acabar cometendo um crime fazendo justiça com as próprias mãos, e ai ficaria pior. O terceiro medo era da SOCIEDADE, se viesse saber me marcaria como se marca um boi, para sempre.
Para que os leitores tenham idéia, eu a época nunca tinha tido um namorado, nunca tinha beijado um homem, uma educação rígida, sair de casa apenas acompanhada pelos irmãos e com hora marcada para chegar, sempre antes das 21:00.
Se aqui entre os leitores tem alguém com minha idade, saberá entender o que era na época o valor moral de uma mulher. A maioria dos pais quando descobriam que as filhas não eram mais virgens virgem as obrigavam a casar ou sair de casa.
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Fico me perguntando, porque querem saber o motivo de não termos contado na época e qual diferença faz?...rsrsrs, se vocês não acreditam agora em mais de 80 denuncias iriam acreditar em mim sozinha?
17/10/09 04:23


Coelhos são queimados para gerar biocombustível na Suécia


Coelhos estão sendo usados como matéria-prima para a produção de biocombustível para o aquecimento de casas na Suécia.

Os corpos de milhares de coelhos são queimados em uma usina de geração de energia na região central da Suécia.
Os animais vem da capital sueca, Estocolmo. A Prefeitura mata milhares de coelhos anualmente para proteger parques e campos na cidade.
As espécies de coelhos não são nativas da Suécia. De acordo com as autoridades, os coelhos sujam muitos dos espaços verdes da capital.
Como não há animais predadores de coelhos em Estocolmo, a Prefeitura contrata caçadores para matá-los.

Polêmica
Um dos caçadores, Tommy Tuvunger, disse ao site da revista alemã Spiegel que seis mil coelhos foram mortos no ano passado. Neste ano, três mil já foram caçados.
"Eles são um problema muito grande", diz Tuvunger. "Depois de mortos, os coelhos são congelados e, quando temos números suficientes, uma empresa vem e os leva."
Os coelhos são levados para a usina na cidade de Karlskoga, que os queima para fornecer energia para o aquecimento de casas.
Leo Virta, diretor da empresa Konvex, que fornece os coelhos para a usina, desenvolveu uma forma de processar os restos dos animais para a produção de biocombustível com financiamento da União Europeia.
Com a técnica, o corpo do coelho é esmagado, ralado e depois levado a uma caldeira, onde é queimado junto com pedaços de madeira e lixo para geração de calor.
"É um bom sistema, porque resolve o problema de lidar com o lixo animal e gera aquecimento", disse Virta à BBC.
O editor do jornal The Local, de Estocolmo, disse à BBC que a notícia do uso de coelhos para produção de biocombustíveis gera polêmica no país.
"Na cidade onde eles estão sendo queimados, a reação dos moradores é bastante calma", disse o editor James Savage.
"Mas em Estocolmo, existe a preocupação de que os coelhos são bonitinhos. Isso entre algumas pessoas, em especial ativistas de direitos animais, que pensam que esta não é uma boa forma de se tratar coelhos."



sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Promotoria da Suíça livra Paula da cadeia e pede que só seja multada


A Promotoria da Suíça apresentou nesta sexta à Justiça pedido para que a brasileira Paula Oliveira (foto), 26, seja multada pelo fato de ter tentado enganar as autoridades. O valor da multa ainda não foi divulgado. Ela foi indiciada. A informação é da Agência Estado.
Em fevereiro deste ano, com grande repercussão na imprensa brasileira, Paula disse ter sido agredida por três homens brancos carecas, provavelmente skinheads, que riscaram com estilete o seu ventre, coxas e pernas, levando-a a abortar um casal de gêmeos cuja gestação estava no terceiro mês.
A polícia descobriu que o ataque foi inventado pela brasileira. Ela não estava grávida e as marcas de estilete em seu corpo foram feitas provavelmente por ela mesma.
Uma das suspeitas levantadas pela polícia é a de que a brasileira se mutilou para obter um seguro do governo suíço. Advogada, ela trabalhava em uma empresa e sua situação no país é legal. O seu contrato com a empresa estaria para terminar.
Paula teria admitido à polícia que tudo foi uma armação, mas o seu advogado disse que tal depoimento não tem valor jurídico porque não foi feito diante de um juiz.
A brasileira foi impedida de deixar o país até que a Justiça tome uma decisão. Seu passaporte foi apreendido.
Por ter prestado falso testemunho, Paula poderia ser condenada até a três anos de prisão.
Para livrá-la da cadeia, o seu advogado argumentou que ela sofre de problemas psiquiátricos.
Depois de pagar a multa, Paula será liberada para voltar ao Brasil, onde terá de receber tratamento.
Brasileiros que moram na Suíça têm criticado-a porque o episódio reforçou alguns preconceitos dos quais eles são vítimas.

Fonte: Paulo Lopes Weblog

Recém-nascido de nove dias está em cela da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul


CAMPO GRANDE - Um recém-nascido de apenas nove dias de vida está em uma cela da Polícia Civil da cidade de Jardim, dividindo espaço com mais seis pessoas. A mãe da criança, M.E.A.F, 40 anos, está detida desde o dia 4 de setembro, flagrada em uma boca de fumo que seria comandada pelo filho dela, de 15 anos. A juíza da 2ª Vara da Infância e Adolescência, Eucélia Cassal teria cogitado separar mãe e filho, para garantir a saúde do bebê, mas a alternativa que está sendo estudada agora é a transferência de mulher para presídio em Campo Grande ou Rio Brilhante.
M.E.A.F foi detida durante operação da Polícia Civil de Jardim, que monitorava a casa dela, na Vila Angélica. No local, conforme investigação, funcionava a boca de fumo do Paloma, o apelido de I.F, 15 anos, filho de M.E.A.F. O adolescente já tem histórico de envolvimento com o crime e foi responsável pelo roubo e sequestro-relâmpago de um taxista na cidade. No flagrante da boca de fumo, onze pessoas foram detidas, entre elas, a dona da casa, Paloma e outro filho.
O adolescente foi levado para Unidade Educacional de Internação (Unei) e o outro filho para o presídio masculino. Sem estabelecimento penal feminino, a polícia encaminhou M.E.A.F para a delegacia da Polícia Civil. No local, outras quatro mulheres estão detidas e, caso haja flagrantes no município, os presos - sejam homem ou mulher - serão levados para o mesmo local.
M.E.A.F já é mãe de dez filhos e estava grávida de oito meses quando foi detida. A mulher foi para o hospital em outubro, onde teve o filho, que nasceu no dia 7. Uma semana depois, recebeu alta e voltou para a cela da Polícia Civil. A juíza Eucélia Cassal considerou que aquele não seria o lugar ideal para o recém-nascido. Segundo informações do Conselho Tutelar, há fumantes entre as outras detentas e uma estaria resfriada, um risco à saúde do bebê.
Eucélia Cassal encaminhou ao Conselho Tutelar uma consulta para averiguar se seria possível separar mãe e filho. A médica remeteu à Justiça o parecer e recomendou que o melhor é que a criança fique com a mãe, que está amamentando. Além disso, a legislação resguarda o direto da convivência com o filho, mesmo em estabelecimento penal.
O inquérito sobre o caso já foi enviado ao Ministério Público Estadual (MPE) de Jardim e M.E.A.F pode responder por crime da Lei Antitóxicos. O juiz Wilson Leite Correa, que será responsável pelo processo criminal contra ela, caso a denúncia seja aceita, já pediu a transferência da mulher para o presídio de Rio Brilhante.

Fonte: Globo

Portugal: Metade das mulheres nos Açores sofrem maus-tratos


O Plano Regional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica é uma iniciativa da Secretaria Regional do Trabalho e Solidariedade Social, através da Direcção Regional de Igualdade de Oportunidades.
O Plano Regional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica é uma iniciativa da Secretaria Regional do Trabalho e Solidariedade Social, através da Direcção Regional de Igualdade de Oportunidades. Surgiu na actual legislatura do Governo Regional e o expressodasnove.pt foi falar com a directora regional da Igualdade de Oportunidades, Natércia Gaspar, para descobrir em que consiste este projecto.
A directora diz que "o compromisso de elaborar e implementar o Plano Regional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica surgiu na actual legislatura, na sequência dos resultados do estudo sobre violência de género nos Açores, para além de que é uma necessidade sentida pelos diferentes agentes públicos e privados que intervêm nesta problemática".
Segundo conta, "nos últimos 13 anos, o fenómeno da violência doméstica sempre constou na lista de prioridades do Governo dos Açores que, em parceria com entidades públicas e privadas, tem investido na criação e melhoria de respostas e metodologias de intervenção".
Assim sendo, "considerando as recomendações do Conselho da Europa, conjugadas com os resultados do estudo sobre violência de género nos Açores, impelem o Executivo Regional a melhorar a estratégia de intervenção adoptada até ao momento, no que diz respeito à abordagem global e integrada de todas as dimensões, envolvidas no fenómeno da violência doméstica". Natércia Gaspar acrescenta ainda que "no fundo, o Plano Regional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica constituirá o instrumento político de excelência para definir e congregar as linhas de orientação, objectivos e medidas a melhorar ou a implementar, nesta matéria".
À pergunta sobre o investimento feito neste plano, a directora afirma que "em termos financeiros prevê-se um investimento na ordem dos 450.000.00 euros, para a sua elaboração e implementação. Contudo, o projecto envolve outro tipo de investimento, não passível de contabilizar, que é o empenho, a generosidade e a massa crítica de técnicos e dirigentes dos vários organismos do Governo e instituições particulares de solidariedade social que integram o grupo de trabalho para a elaboração do plano".
Neste momento, está a ser realizado um "diagnóstico sobre o que já foi feito, no que diz respeito a medidas/acções na área de prevenção e combate ao fenómeno da violência, na Região". Porém, já existem pilares definidos para este projecto. Assim, "o plano deverá incidir em áreas estratégicas de intervenção como a informação, formação sensibilização e educação para a prevenção e combate à violência doméstica; protecção das vítimas e prevenção da revitimação; capacitação e reinserção das vítimas de violência doméstica e qualificação de profissionais", explicou.
Natércia Gaspar afirma, ainda, que "o estudo sobre violência de género nos Açores indica que 53% das mulheres a viver na Região são vítimas de algum tipo de violência (física, psicológica, sexual, económica ou sócio-cultural), praticada por homens. Este número expressa bem a desigualdade de poderes que ainda persiste nas relações entre homens e mulheres, facto que urge inverter", conclui.

Expresso das Nove

Um terço de meninas vítimas de abuso já engravidou


Uma pesquisa intitulada “Vítimas da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes: Indicadores de Risco, Vulnerabilidade e Proteção”, apontou que 60,9% das vítimas de exploração sexual já pensaram em suicídio, sendo que 58,1% efetivamente já tentaram tirar a própria vida.
Este percentual é mais de dez vezes superior ao relatado por jovens em situação de risco no Brasil – cerca de 6%. O estudo foi realizado no Pará e em sete Estados: Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí, Bahia, São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, com crianças e adolescentes de 10 a 19 anos, abordando questões como saúde, drogas, suicídio, violência e sexualidade.
Como justificativa para este quadro, os jovens apontaram problemas familiares e a falta de sentido para viver. Dos que declararam já ter tentado suicídio, 20% o fizeram em razão da violência sexual sofrida. O Pará foi o único Estado da região Norte a participar da pesquisa e soma 11,6% de jovens que enfrentam este problema.
Outro dado alarmante é que cerca de 30% das participantes meninas já passaram por pelo menos um episódio de gravidez. Da mostra total, 17% já perderam um ou mais filhos em abortos naturais (6%) ou provocados (11%). Apenas 5,8% delas vivem com seus filhos.
A sede do Pró-Paz, que atende vítimas de abuso sexual e funciona dentro da maternidade Santa Casa de Misericórdia, já registrou mais de 4 mil casos comprovados de abuso sexual em crianças e adolescentes desde a sua fundação, no ano de 2006. E só em julho deste ano, o Pró-Paz contabilizou cerca de 500. Vale ressaltar que estes números refletem os casos que passam pelo programa que acolhe as pequenas vítimas, sem contar com vários outros que não são notificados.
A amostra foi composta na maioria por meninas, fato que expressa o predomínio delas na situação de exploração sexual e no atendimento às vítimas. Os meninos vítimas de qualquer tipo de violência sexual passam por maiores dificuldades de diagnóstico e consequente atendimento.
Do total de crianças e adolescente pesquisados no Brasil, apenas 29 % demonstraram preocupação por ser contaminado por HIV/AIDS, sendo que a maioria – 86,8 % - declarou saber o que é a doença e 41,5% sabem onde é possível fazer os testes para diagnosticá-la.

PROSTITUIÇÃO
Um terço das participantes da pesquisa declarou ter parado de estudar em decorrência da gravidez e 21,7% delas afirmaram que foram expulsas de casa. Para ter acesso à droga, 36% afirmaram “transar” em troca de dinheiro. As drogas mais consumidas por esses jovens foram álcool, 88% e cigarro, 63%. Dentre as drogas ilícitas a maconha aparece com 32% de consumo, seguida por inalantes, 32% (cola e “loló”, por exemplo) e remédios, com 23%.
As crianças e adolescentes vítimas estudadas tiveram o primeiro ato sexual mais cedo, com média de 12,7 anos. O percentual de participantes que declara a exploração com ganhos financeiros aumentou de 60% no passado para 65% no presente. Esta constatação é preocupante, pois indica que, mesmo estando em instituições de assistência, essas crianças e adolescentes continuam se envolvendo na exploração sexual.
A pesquisa que tem iniciativa da Childhood Brasil, organização fundada pela rainha Sílvia, da Suécia e que atua na proteção da infância e adolescência contra a violência sexual atenta para aspectos mais significativos revelados pelo estudo, como os índices elevados daqueles que já tentaram ou pensaram em suicídio, muito acima da média entre os demais jovens. Esta foi a primeira vez que uma pesquisa no Brasil avalia o contexto de risco, vulnerabilidade e os indicadores de proteção para meninas e meninos envolvidos em situações de exploração sexual.


Diário do Pará
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