quinta-feira, 16 de abril de 2009

Não bata, eduque!



“A palmada é um recurso utilizado em todas as classes sociais.” Em 99% dos lares brasileiros, as crianças já levaram pelo menos uma palmada na vida”, diz o psicólogo Cristiano da Silveira Longo, que defendeu tese na USP sobre punição corporal.
No livro “Mania de Bater”, as psicólogas Maria Amélia Azevedo e Viviane Nogueira de Azevedo realizaram uma ampla pesquisa com 984 crianças de diversas classes sociais. Mais de 50% das crianças revelaram ter apanhado em casa. O estudo concluiu que a palmada é a tática punitiva preferida dos pais.
A palmada, considerada por muitos inofensiva, interrompe o comportamento considerado inadequado, mas a médio e longo prazo não educa. Não mostra o que deve ser feito, apenas o que não deve e, portanto, enfoca o erro e não ensina o certo. É um ato, por vezes, incoerente, pois em algumas situações a criança apanha para aprender que não deve bater. O círculo completa-se com a violência psicológica que normalmente acompanha a palmada. São frases depreciativas como: “você faz tudo errado”, que podem levar a criança a se convencer disso e gerar mais comportamentos negativos.
A palmada deixa cicatrizes como baixa auto-estima, agressividade, medo, insegurança e sensação de impotência. A criança experimenta dor, humilhação, tristeza, angústia, ódio, raiva e vergonha. "Toda palmada é um ato violento e a pouca força que os pais acreditam aplicar num tapa nem sempre é a mesma percebida pela criança", diz Longo. Ele ressalta que as seqüelas podem ou não aparecer em conseqüência de aspectos como o equilíbrio do ambiente familiar, a freqüência com que a criança apanha e sua personalidade. É claro que, quando batem em seus filhos, os pais não querem simplesmente humilhá-los. A palmada é dada com a melhor das intenções: educar a criança para que ela conheça seus limites e se torne um adulto responsável. Só que há outras formas de educar.
Segundo pesquisas atuais, os filhos de pais autoritativos são os mais otimistas, têm menos sintomas de depressão e ansiedade, têm melhores habilidades sociais, melhor auto-estima, entre outros (artigos das pesquisas podem ser encontrados no site www.nac.ufpr.br). Os pais autoritativos combinam comportamentos de exigência, em cumprimento de regras e estabelecimento de limites, com comportamentos de responsividade, dando retorno às demandas dos filhos e possibilitando-lhes maior autonomia e auto-afirmação. De um lado há uma posição de controle e poder e de outro uma posição de compreensão. . Não é suficiente ser apenas exigente ou apenas responsivo. Os pais precisam ser firmes e manter certa autoridade e ao mesmo tempo perceber o que os filhos precisam, entendendo que eles também possuem exigências. Ao mesmo tempo em que os pais precisam ser respeitados em seus papéis, eles também devem respeitar os direitos dos filhos. Assim, se os pais fazem exigências, mas são responsivos, não punem a criança fisicamente em nome desse respeito.
A “palmadinha que não dói ”pode provocar o efeito inverso: fazer com que a criança perca o respeito por seus pais. “A criança sente-se castigada, mas não chega a ter medo da punição, o que equivale a um passe livre para transgredir”, diz a psicóloga infantil Ana Esther Cunha. A palmada pode iniciar uma espiral de violência que conduz os pais às surras e aos espancamentos. "Quando a palmadinha já não surte efeito, a dose da agressão aumenta para intimidar a criança", diz Ana Esther. "A conseqüência é o medo que estimula a criança a mentir", acrescenta a psicóloga Raquel Caruso Whitaker, do Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento.
Em seu trabalho, Cristiano da Silveira Longo listou os principais argumentos utilizados pelos pais que lançam mão da palmada, entre eles, a necessidade de impor respeito com resultados imediatos, a crença de que a criança não tem maturidade de escutar e entender e a tentativa de evitar que ela se torne um adulto autoritário e desagradável. Há os que se acham no direito de bater porque são os provedores da criança. Mas, de acordo com especialistas, os motivos são outros. Os pais batem porque estão estressados por trabalho, trânsito, problemas financeiros ou pelo acúmulo de problemas com a criança. "Pais batem porque são inseguros e autoritários", diz a terapeuta familiar Verônica Cezar Ferreira. Para ela, educar dá trabalho e o adulto precisa ser firme e coerente, o que não é sinônimo de braveza nem de rigidez.
Os especialistas sugerem que façam combinados com o filho. São como contratos, que devem ser acertados antes dos confrontos. Se seu filho teima em criar problemas na hora de vestir-se para a escola, converse antes com ele, explique a importância da pontualidade e decida em conjunto qual será a conseqüência caso o acordo não seja cumprido. O castigo deve ser sempre compatível com a idade e relacionado à transgressão cometida. Deve ser aplicado imediatamente após o ocorrido e de curta duração, para que ambos os lados consigam levá-lo até o fim.

O QUE EDUCA É AMOR, CARINHO E RESPEITO!

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