segunda-feira, 6 de abril de 2009

Como evitar o sequestro de crianças

PREVENÇÃO DE ACIDENTES E VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Promoção Sociedade Brasileira de Pediatria
Apoio: UNICEF
Organização – Diretoria de Promoção Social e Direitos da Criança/ Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente (DCSCA).

Seja “esperto” e evite acidentes, entre os quais o desaparecimento de crianças, observando alguns lembretes para você e seu filho:

1. Evite aceitar balas e refrigerantes de estranhos.
2. Saiba de cor o seu nome inteiro e nome completo e endereço/ telefone de sua casa.
3. Faça carteira de identidade de seu filho, caso não a possua. Ela será sempre útil em viagens, associado a “pulseira” de identificação.
4. Ao ir para escola não peça carona ou aceite convites de estranhos para qualquer programa.
5. Brinque com segurança – Ao brincar em casa feche o portão e brincando perto de casa tenha a companhia de adulto conhecido.
6. Tenha fácil acesso a telefones úteis de sua cidade como – Polícia 190.
7. SOS criança – Movimento Nacional em defesa da criança desaparecida (41) 324-1992. wwdcd.hpg.ig.com.br.
8. Criar um sistema de comunicação com os pais. Pode ser por pager, celular ou até frases em códigos.
9. Evitar dar informações para estranhos sobre patrimônio dos pais e parentes. Também fugir de perguntas do gênero 'onde você mora?'.
10. Preferir andar em grupos.
11. Ficar atento ao que acontece a seu redor. Observar o comportamento de pessoas que estão por perto.
12. Entender que segurança não ameaça a independência.

Fonte: Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente



Hanseníase: uma doença milenar ameaça novas gerações

Ela age em silêncio. Atinge o corpo, fere a carne e marca a alma. Nasce na falta de informação e de saúde básica. Multiplica-se na miséria. Alimenta-se da vida que rouba, aos poucos, de suas vítimas. Atinge adultos e, cada vez mais, jovens e crianças. Esconde-se na vergonha e no preconceito. Ela é uma doença e também um nome. Palavra, carregada de estigmas, que corta como navalha. Mas é preciso lutar contra ela. Informar e desmistificar. Tirar os doentes do escuro dos seus quartos. Contar suas histórias. Ir além das estatísticas que, por sinal, são muito ruins. Dizer seu nome com coragem e sem preconceito: hanseníase.

Reportagem de
Marcionila Teixeira e Silvia Bessa
com fotos de Alcione Ferreira e vídeos de Silvia Bessa
Diário de Pernambuco
A doença mais antiga da humanidade ameaça uma nova geração de crianças e jovens brasileiros. Traiçoeira, chega sem alardear. Instala-se no corpo com lentidão. Atinge a pele e os nervos. Pode deixar fortes seqüelas físicas e emocionais. O perigo tem nome bíblico: lepra. Ou Mal de Hansen ou hanseníase, como é definida no país desde 1976. A hansen é um grave problema de saúde pública. Uma endemia que parece invisível e sem controle. Em 2006, 46 mil pessoas foram contaminadas por ela - cerca de 4 mil com idade inferior a 15 anos. Quatro mil notificados; outros milhares ignorados. Já existe tratamento e cura para a hanseníase; para o preconceito contra ela, não.
O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking geral de casos descobertos anualmente - uma média de 49 mil na última década. Só perde para a Índia, país asiático com densidade populacional 15 vezes maior e duas vezes mais pobre. E até a Índia cumpriu a meta definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a eliminação da hanseníase. Das 193 nações do globo, apenas quatro não reduziram as taxas à média aceitável de um caso a cada 10 mil habitantes - Brasil, Nepal, Moçambique e Congo. A posição do país deve ser motivo de vergonha. Não dos vitimados. Dos governantes. Presidentes, governadores e prefeitos das últimas cinco décadas.
A Bíblia revela que, antes de Cristo, a hanseníase já era considerada uma praga. Os doentes eram isolados, as roupas queimadas e eles rotulados de “imundos”. O temor de pegar a lepra, como era chamada na época, era ainda maior do que nos dias de hoje.
O psicólogo Lindomar Lopes, que atua há 13 anos no Hospital Colônia Santa Marta, em Goiás, no Centro-Oeste, acredita que o preconceito contra o mal já faz parte do inconsciente coletivo. “Tem relação com o processo histórico da doença, com a memória de um passado que remete a 600 anos Antes de Cristo. Quem tem a hansen já se coloca num quadro diferenciado”, justifica.
O coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Moreira, critica a falta de campanhas nacionais, com veiculação na TV, promovidas pelo Governo Federal. Na opinião de Arthur, isso dificulta a compreensão e a cura do mal e ainda promove o preconceito.“O preconceito não é somente falta de informação sobre algo. Também está ligado às informações erradas. O combate à doença precisa de um esforço maior não só no número de informações, mas na qualidade educativa delas. É preciso haver prioridade”, defende.
O Telehansen, que responde dúvidas através do número 0800262001, foi criado na década de 90 e calcula-se que receba cerca de 11 mil ligações por ano. A maioria delas trata de denúncias de discriminação e maltratos. Muitos pedem orientação jurídica”.

Tira-dúvidas



O que é hanseníase?

É uma doença infecto-contagiosa. Tem evolução lenta e só ataca seres humanos.

Quais os sintomas da doença?

Os sinais e sintomas aparecem através de lesões na pele e nos nervos periféricos, principalmente olhos, mãos e pés. Mas a doença também pode afetar a mucosa nasal, o fígado e os testículos. Não atinge o cérebro e a medula espinhal (leia mais sintomas ao lado).

O que causa a doença?

É causada por um tipo de micróbio, chamado bacilo Mycobacterium leprae ou bacilo de hansen.

Como se pega hanseníase?

Somente por meio de uma pessoa infectada com a forma contagiante (chamada multibacilar) que não esteja em tratamento. A infecção só acontece com o contato longo e íntimo. O bacilo é transmitido pelas vias respiratórias (fluidos nasais ou da boca). Aparece de dois a sete anos depois do contato com o doente, em média.

Pode se pegar hansen com um aperto de mão?

Não. A doença não se pega com aperto de mão nem com um abraço. Somente pelas vias aéreas, como nariz e boca.

O doente deve ser isolado dos familiares para evitar o contágio?

Não.

O doente de hansen deixa de contaminar as pessoas assim que inicia o tratamento.Os objetos do paciente devem ser separados?

Não. A transmissão acaba com o início do tratamento. Ou seja, pode-se compartilhar com a família o uso de utensílios, como copos, talheres ou pratos.

O paciente deve ser afastado do trabalho?Não.

Independente da forma clínica apresentada, o doente em tratamento deve ser mantido no trabalho. Isso porque, fazendo o tratamento regularmente, ele deixa de ser transmissor do bacilo.

De que forma posso identificar a doença?

Um caso típico de hanseníase apresenta lesões ou áreas da pele com alteração de sensibilidade, lesões nos nervos e baciloscopia positiva para Mycobacterium leprae. Ela pode se apresentar de quatro formas: indeterminada e tuberculóide (paubacilar, até cinco lesões na pele), virchowiana e dimorfa (multibacilar, mais de cinco lesões na pele).

Todo mundo pode pegar hanseníase?

A contaminação vai depender do sistema imunológico da pessoa. Outros fatores a serem levados em conta são as condições sócio-econômicas desfavoráveis (como a má-alimentação), a falta de acompanhamento médico ou a má-condição de moradia, com alto índice de ocupação.

Um bebê pode nascer com hanseníase?

Não. A doença não é hereditária.

Quais os danos físicos que a doença pode causar?

O tratamento tardio pode provocar dormência, pele seca, fraqueza. O nariz entope, surgem formigamentos nas mãos e pés, ou inchaços nas mãos, pés, rosto e orelhas. Sem sensibilidade, a pele pode sofrer ferimentos ou queimaduras. Há casos em que os homens ficam estéreis. Entre as deformidades estão úlceras, mãos em garra, pé e mão caídos e sem força, atrofias musculares, reabsorção óssea e articulações rígidas.

A hanseníase tem cura?

Sim. As duas formas da hanseníase - a paubacilar e a multibacilar - têm cura. Em 1982, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou um novo tratamento quimioterápico para a doença: a polioquimioterapia (PQT). A PQT é um tratamento simples, eficaz e barato. É todo custeado pelo governo. Mas se o tratamento acontece tarde, a pessoa pode ter seqüelas, como deformidades, mesmo que a infecção da hansen tenha sido curada.

Quanto tempo demora o tratamento?

As formas paubacilares são cuidadas com o tratamento Poliquimioterápico (PQT) ao longo de seis meses. As formas multibacilares exigem a medicação ao longo de um ano. A PQT é doada para o Brasil pela Organização Mundial de Saúde e deve estar em todos os municípios gratuitamente.

Onde é feito o tratamento?

O tratamento pode ser feito nos postos e centros de saúde e no Programa de Saúde da Família (PSF). O atendimento e o tratamento, incluindo remédios, são gratuitos.

Quem pode tirar dúvidas sobre a doença?

Os agentes de saúde, os enfermeiros e médicos do posto mais próximo. Consulte mais de um profissional, se for preciso.


O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas por Hanseníase dispõe de informações no site www.morhan.org.br e pode tirar dúvidas pelo telefone 0800262001.


Fonte: Morhan/Hanseníase: Atividade de Controle e Manual de Procedimentos, do Governo do Estado de Pernambuco/Ministério da Saúde



domingo, 5 de abril de 2009

MGF - Mutilação Genital Feminina



Há várias formas de mutilação genital feminina. Pode ser uma circuncisão primária para meninas jovens, normalmente entre 5 e 12 anos de idade, ou uma circuncisão secundária, por exemplo, depois do parto. A extensão de uma circuncisão primária pode variar de uma incisão no prepúcio do clitóris até uma circuncisão com remoção do clitóris e dos pequenos lábios ou sutura dos grandes lábios, de forma que só reste uma abertura mínima para escoar urina e sangue menstrual.
Existe uma tendência a associar esta prática com o Islamismo, porém, nenhuma das principais religiões faz referência explícita a circuncisão feminina nem apoia esta prática.
A Organização Mundial de Saúde – OMS – e outros institutos e organizações internacionais alertaram em 2006, para o fato de que de 100 a 140 milhões de meninas e mulheres em todo o mundo já haviam sido submetidas à chamada mutilação genital, e mais 2 milhões 'corriam o risco' de passar por esse procedimento a cada ano.
Na época, a remoção do clitóris era comum em 28 países da África, além de regiões do Oriente Médio e da Ásia. No site da OMS encontra-se algumas explicações sobre as razões que motivam a mutilação genital: serviria para garantir a virgindade das mulheres até o casamento e assim valorizá-las; as partes sexuais seriam removidas por razões de assepsia, ou ainda para diminuir o desejo sexual feminino - o que manteria as mulheres fiéis no casamento. Motivos religiosos são também brevemente citados.
Os grupos de combate a essa prática enumeram as complicações graves para a saúde e o psicológico das mulheres. Existem vários riscos, inclusive o de morte e o da transmissão da Aids. Para muitas, a dor nunca passa. A menstruação e o parto ficam ameaçados, as relações sexuais tornam-se dolorosas e o prazer sexual da mulher é tolhido. Infecções e todo tipo de problema na saúde sexual feminina estão relacionados à brutalidade da excisão, feita na maioria das vezes com instrumentos não-esterilizados e usados em várias meninas numa mesma ocasião, e sem anestesia.
No entanto, o tratamento dado a práticas comuns a certas sociedades, e que são repudiadas pelo ocidente, levanta alguns questionamentos. A mutilação genital é um processo de origem cultural, religiosa e social, intrínseco a sociedades africanas, asiáticas e do Oriente Médio, e muitas vezes desejado pelas mulheres que são motivadas a se submeter à operação por várias razões estranhas à compreensão das sociedades ocidentais.
A também chamada excisão é para muitas mulheres um rito de passagem, algo importante para as meninas das comunidades em que é praticada. As próprias mulheres acreditam nisso, por vezes discriminando aquelas que não passaram pela mutilação. A Care, organização sediada nos Estados Unidos com o objetivo de defender os direitos humanos especialmente femininos e que tem uma campanha exclusiva para o combate à mutilação genital feminina , conta em seu site que uma das entrevistadas, no Sudão, disse que a comida feita por uma mulher que não houvesse sofrido a mutilação era suja.
No Quênia, a organização observou preconceito religioso: havia pessoas dizendo que mulheres que não passaram pela excisão não podiam ser muçulmanas – costuma-se associar a prática à devoção ao islamismo. Muito poucas pessoas, especialmente entre os homens, sabiam das conseqüências da mutilação genital para a saúde, relata a ONG.
Segundo a Care, não há muita opção para as mulheres que vivem nas comunidades em que é comum a mutilação genital. As meninas que decidem não se submeter à prática, mas continuam vivendo no mesmo grupo, enfrentam problemas de socialização, são hostilizadas e excluídas. Por isso a organização se propõe, inclusive, a dar apoio e proteção às famílias que se recusam a submeter suas meninas e mulheres à prática.
A Care afirma, no entanto, que não é comum às mulheres que vivem nessas comunidades não desejarem se submeter à prática por livre e espontânea vontade. Freqüentemente não existe uma associação forte na cabeça das pessoas com as conseqüências da prática. E, nos lugares onde a excisão é universal, não há outros pontos de referência, muitas vezes. Todas as meninas e mulheres são iguais nesse ponto, explica Susan Igras, especialista do Núcleo de Saúde Sexual e Reprodutiva da Care. As pessoas que praticam a circuncisão valorizam muito os significados positivos relacionados a ela, complementa.

Segundo a antropóloga Elielma Machado, da PUC-Rio, em primeiro lugar as organizações que pretendem combater a prática precisam ter cuidado durante o trabalho de coleta de informações a respeito da mutilação genital nas comunidades. Para que ocorra a mudança de idéia com relação à prática da chamada mutilação genital feminina é fundamental que haja a vontade de mudar de pelo menos algumas pessoas que vivem ou tenham vivido nas sociedades, que sabem – reconheçam - os símbolos e significados subjacentes à prática. Caso contrário a intervenção externa não se justifica, complementa a antropóloga.
Ainda segundo Elielma, como muitas ações ocidentais sobre grupos africanos e asiáticos têm historicamente como pano de fundo um movimento de dominação, essas sociedades podem vir a reagir da maneira avessa ao que se espera, endossando ainda mais a prática como forma de reagir à dominação. Manter a prática adquire ainda mais importância, torna-se uma forma de resistência à dominação. Ou seja, o que você chama de sacrifício e dor tem outro significado, (…) 'fortes dores e riscos de saúde' seriam formas de demonstração de pertencimento ao grupo, sociedade e cultura, explica.
A Care explica que expõe os problemas originados da mutilação às comunidades, mas deixa as decisões nas mãos de seus membros, restringindo-se a apresentar-lhes fatores que os estimulem a refletir a respeito da prática.

Questão de direitos humanos: a tradição X a lei
Uma outra questão de destaque entre os assuntos relacionados à mutilação genital refere-se ao poder de escolha. Uma mulher adulta pode optar pela mutilação, sabendo de sua função cultural, social e religiosa e até de suas conseqüências e do risco de morte, mas uma criança não tem esse discernimento.
Helen Negrão acredita que talvez se deva fazer uma separação entre as mulheres adultas que optam pela mutilação por questões diversas e as meninas, que são submetidas à prática ainda crianças. Para fundamentar essa reflexão, ela cita um trecho da publicação da Anistia Internacional Mulheres e direitos humanos, trabalho coordenado por Helder Vieira dos Santos que data de 1995. Enquanto uma mulher adulta é suficientemente livre para se submeter a um ritual ou tradição, uma criança não tem qualquer opinião formada e não consente, mas é simplesmente submetida à operação enquanto está totalmente vulnerável (…) as descrições disponíveis sobre a reação das crianças indicam uma prática comparável à tortura, relata o texto.
Além de já existir legislação contra a prática nos EUA, a Convenção sobre os Direitos da Criança, assinada em Setembro de 1990, a considera um ato de tortura e abuso sexual.
Na Grã-Bretanha, há um esforço grande em direção a dar fim à prática da mutilação genital, realizada dentro do território inglês por imigrantes ou até mesmo no exterior, para onde meninas são enviadas para fazer a remoção. Ambas as atitudes são proibidas desde 2004, de acordo com lei editada pelo governo britânico.
O hospital Saint Thomas, no centro de Londres, realiza por ano em torno de 200 operações de reversão, restaurando a abertura natural da vagina de mulheres que sofreram mutilação genital. A operação é necessária quando a mulher sofreu o tipo mais grave de circuncisão, o tipo 3, que consiste na retirada de dois terços dos genitais. A vagina é costurada, restando apenas uma pequena abertura.
O ginecologista somaliano Abdulcadir Omar Hussein, que vive em Londres, apesar de declarar ser contra a mutilação genital sugere que, se for para ser feita, ao menos seja realizada de uma forma menos violenta à saúde da mulher, com uma cirurgia menos bruta.
Mutilação genital é comum em meninas curdas
30/12/2008 Costuma-se pensar na região curda, no norte do Iraque, como mais progressiva do que outras. Mas é lá que há um dos maiores índices de mutilação genital feminina. A maioria não sabe porque segue o ritual, que é extremamente doloroso e com risco de infecção. Além disso, a mulher, durante toda a sua vida, terá dores fortes toda vez que tiver uma relação sexual. Perguntada por que submetera sua filha a isso uma mãe respondeu, orgulhosa: "É ordem do Profeta."
Em nossa opinião, na verdade essa prática tem a ver com assegurar a virgindade das moças solteiras e a fidelidade das casadas. Como cada relação sexual é uma verdadeira tortura, os maridos podem ter certeza que suas esposas serão fiéis.
Conseguir-se-á eliminar a MGF no espaço de uma geração?
Espera-se que, com a ajuda de toda a sociedade (comunidades atingidas e não só), mulheres e homens, a resposta venha a ser positiva. Os números divulgados pela OMS são brutais: existem entre 120 a 140 milhões de excisadas em todo o mundo; na África o número é de 92 milhões de meninas e mulheres com 10 anos e mais; existem todos os dias cerca de três milhões de meninas em risco.

Fonte: Pesquisa Google

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Em Moçambique, presos são abandonados para morrer

Por razões “desconhecidas” mas de novo em Nampula
Outros 15 presos morrem, desta vez na cadeia de Angoche

• Cidadãos em Angoche dizem que se tratou de mais casos de morte por “asfixia”, mas as autoridades alegam que morreram com “cólera”
• As autoridades médicas reconhecem que houve mortes por “cólera” mas o número de óbitos de que falam não chega a 15

Entre os dias 18 e 23 de março, a sociedade de bom senso , indignada, viu a morte de mais pessoas abandonadas na Cadeia de Angoche, em Moçambique. As autoridades da cadeia dizem que morreram de cólera e, as autoridades sanitárias afirmam que as condições de vida dos presos originaram os óbitos. Com capacidade para 30 pessoas, Angoche abriga 200 reclusos: 80 condenados,63 aguardando julgamento e outro tanto em prisão preventiva.
No norte do país, continua-se a morrer nas cadeias sem que as autoridades ponham termo a um autêntico massacre . Com isto cresce entre a população uma onda de indignação sem precedentes;começam a olhar para as autoridades com grande desconfiança. Um responsável da Cadeia de Angoche, disse por telefone ao Canal de Moçambique que naquela penitenciaria vive-se o “caos”. Afirmou que “os reclusos alimentam-se todos os dias de feijão, manteiga e farinha de milho”, sublinhando que “não existe variação de alimentos”. Segundo a fonte, “os quinze reclusos morreram por falta de assistência médica”, o que a confirmar-se coloca o Governo em mais uma situação penosa e delicada.
No Hospital Distrital de Angoche, foi dito que“alguns reclusos morreram no espaço de 30 minutos logo após a sua chegada” . “Chegaram quase mortos, o que dá a entender que começaram a padecer há muito tempo'.
Os corpos foram enterrados em valas comuns , pois segundo O Conselho Municipal de Angoche, os mortos não teriam sido reclamados pela família.
Na província de Nampula, esta é a segunda vez, em menos de um mês, que morrem reclusos em cadeias. O primeiro caso que indignou o país ocorreu há três semanas, no distrito de Mongicual. Pelo menos 12 pessoas teriam morrido de asfixia,segundo declarações oficiais,depois de terem estado presos numa cela minúscula da Policia da República de Moçambique (PRM). Eram cidadãos que se encontravam detidos acusados de terem participado numa alegada “campanha de desinformação sobre a situação da cólera” que assola a província de Nampula no geral, e o distrito de Mongicual em particular. As mortes de Mongicual foram já condenadas por diversos camadas da sociedade moçambicana, designadamente pela Renamo( maior partido de oposição), que já veio dizer que os reclusos mortos eram seus membros, o que confere às ocorrências motivação política. A Renamo prometeu também que irá instaurar, junto tribunais internacionais, processos contra o Estado moçambicano e as figuras do ministro do Interior, José Pacheco, e do vice-ministro, José Mandra. Aquele que é o maior partido da oposição considera os dois principais dignitários do Ministério do Interior como “mandantes do crime”.
A Presidência da União Europeia também já veio a público manifestar a sua preocupação pelo sucedido em Mongicual.
Segundo o comandante geral da Polícia , o encerramento da cadeia “não vai impedir a Polícia de continuar a perseguir todos aqueles que estão envolvidos na perturbação da ordem e segurança públicas em Angoche”.

Bernardo Álvaro, em Pemba, e Aunício da Silva, em Nampula)2009-04-01 05:51:00
Fonte: Canal de Moçambique