segunda-feira, 20 de abril de 2009

Crianças com câncer projetam sentimentos por meio da arte

Oficina para crianças do Cores da Vida na Casa José Eduardo Cavichio de Apoio à Criança com Câncer, em Taboão da Serra

Quando os pacientes de câncer são crianças, a técnica da arte-terapia pode alcançar resultados nem sempre obtidos com a psicoterapia verbal.

"Muitas crianças dizem que não gostam do psicólogo porque ele só fica perguntando e elas não sabem dizer o que sentem", conta Luciana Cassino, do projeto Cores da Vida, que leva oficinas de arte para casas de apoio a crianças com câncer.
"No trabalho de arte, os sentimentos internos da criança são projetados em um suporte externo", diz a arte-terapeuta Cínthia Ghazarian Barana, que orienta as oficinas para crianças do Cores da Vida no Cajec (Casa José Eduardo Cavichio de Apoio à Criança com Câncer), em Taboão da Serra (SP).
Barana, que realiza um trabalho com mosaico, diz que, além de conseguirem um meio de expressão, os participantes se sentem produtivos. "Por isso, aumentam sua autoestima."

Recursos próprios
Para adultos, a arte-terapia também melhora a comunicação entre o terapeuta e o paciente, acredita a psico-oncologista Luciana Holtz, presidente do portal Oncoguia e representante no Brasil da Susan G. Komen for the Cure, ONG de sobreviventes do câncer de mama. "Para quem já está fragilizado, é uma forma mais leve de abordar os medos e procurar recursos para superá-los."
Outro aspecto importante da prática é permitir ao paciente que tenha mais controle do tratamento. "Na quimioterapia ou na radioterapia, o paciente não pode interferir em quase nada. A finalização de um trabalho artístico promove um resgate de sua autonomia", afirma o oncologista Auro del Giglio.
Segundo a arte-terapeuta Regina Chiesa, que coordena oficinas no Cora (Centro Oncológico de Recuperação e Apoio), em São Paulo, a técnica permite ao paciente que encontre recursos próprios para lidar com a doença. A sessão de arte, que pode ser em grupo ou individual, começa com a sensibilização do participante por meio de exercícios corporais ou de respiração, música, leitura de textos ou visualização. Daí são realizados os trabalhos plásticos, com materiais como argila, tintas, papéis, cola e tesoura. O participante, então, transpõe para a linguagem escrita o que percebeu no seu trabalho e verbaliza a experiência com a ajuda do terapeuta.
No ateliê do Cora, de seis a sete participantes desenvolvem trabalhos como a escultura abstrata com pequenos buracos modelada em argila pela pedagoga aposentada Elisabeth Trezza, 70, que teve câncer de mama. "Esses ocos na forma são como os ocos que sinto no estômago. Eu estava muito angustiada nessa última semana", expressa.
Para Maria de Lourdes Furtado, 59, que tem câncer de laringe, seu prato estilizado representa a sua vontade de abocanhar a vida. "Quando se entra em contato com o câncer, a morte se torna real. A busca da cura não é só do corpo físico, mas da mente, da alma."


Criança hospitalizada: Manual de Orientação aos Pais

As psicólogas Daniela Cruz Henriques e Fabiana Martins de Caíres realizaram um manual deorientação a pais que tem filhos em hospitais. Nele são apresentadas algumas informações fundamentais aos pais sobre o adoecimento e hospitalização da criança. A participação ativa dos pais nesse momento transmite tranqüilidade à criança, atenuando vivências desagradáveis durante a hospitalização.
Veja algumas dessas orientações:

CRIANÇA HOSPITALIZADA NECESSITA...

1) DA PRESENÇA DA MÃE: Neste momento de crise, determinado pela doença e hospitalização, a criança necessita, basicamente, de apoio e amor materno. A ausência da mãe, ou da família, leva a criança a sentir-se abandonada. Várias são as conseqüências: • ansiedade / angústia; • insegurança; • agressividade; • transtornos emocionais; • transtornos do sono; • transtornos da linguagem; • perda de peso; • depressão; • regressão; • atraso no desenvolvimento.
2) INFORMAÇÕES SOBRE A DOENÇA E AS RAZÕES DA HOSPITALIZAÇÃO: O ambiente hospitalar é sentido pela criança como uma situação nova e, portanto, desconhecida. Ela sente que há alguma coisa diferente ocorrendo mas nada lhe é informado. Cabe aos pais se informarem com o médico e passarem todas as informações necessárias aos filhos sobre: • a doença; • os exames; • a alimentação que passarão a ter; • as roupas que deverão usar; • os horários que deverão seguir; • as pessoas que cuidarão de sua saúde: médicos, enfermeiras, técnicas e auxiliares. Quando há omissão de verdade, não esclarecendo determinados procedimentos utilizados, não estamos protegendo as crianças mas sim, deixando-as mais ansiosas, angustiadas e nervosas; dificultando assim, sua recuperação.
3) AMBIENTE CRIATIVO: O primeiro aspecto que envolve a criança hospitalizada relaciona-se ao ambiente onde esta se encontra. Para ela é estranho e desconhecido objetos da pediatria, como eletrocardiógrafo, equipo de soro, aparelho de RAIO-X, respiradores, etc. e que agora começam a fazer parte de sua vida. O efeito do ambiente depende da criatividade dos pais. Através de desenhos pendurados nas paredes, objetos familiares, brinquedos prediletos pode-se diminuir as tensões emocionais provocadas pelo desconhecido. Mas antes de se tomar qualquer iniciativa, deve-se pedir autorização da equipe de saúde da pediatria, pois qualquer objeto levado ao quarto da criança tem-se o risco de contaminação e também a impossibilidade de se responsabilizar pelos mesmos.
4) O MÍNIMO DE RUÍDOS: Sabemos que em uma pediatria é impossível evitar o choro, gritos e barulho, inclusive de equipamentos. Mas pode-se amenizar a tensão da criança com relação aos ruídos com a simples distração das mesmas. Sabemos que existem alterações importantes na freqüência cardíaca, ritmo de sono, etc, relacionadas diretamente com os ruídos do ambiente. Por isso, procura-se evitar ao máximo os barulhos desnecessários para prevenir problemas orgânicos e/ou emocionais.
5) RECREAÇÃO: A recreação é necessária para que a criança continue a exercer suas habilidades, como focalização de olhar, coordenação dos movimentos, desenvolvimento das sensibilidades táteis e sensoriais, para que possa expressar-se e interagir com o meio que a cerca. A recreação apresenta ainda uma importante contribuição para a diminuição do estado de ansiedade e angústia. Deve-se ter o cuidado de a televisão não ocupar, na medida do possível, o papel da recreação, mantendo-a desta forma ligada somente nos horários de programas infantis. 6) VISITAS: As crianças que permanecem internadas sem a presença constante da mãe ou do pai, devem receber visitas diárias, de acordo com os horários estabelecidos pelo hospital. As crianças que recebem visitas diárias enquanto estão internadas mostram-se mais seguras e confiantes.



No manual ainda há outras informações e também cuidados que a visita deve ter e direitos da criança hospitalizada

Para ler o manual na íntegra clique em: Sociedade Brasileira de Pediatria

Violência é assunto da escola, sim!

Fechar os olhos para a violência de dentro e fora da escola só dificulta as relações entre professores e alunos e traz reflexos negativos à aprendizagem

A grave crise de segurança que atinge as cidades brasileiras é, cada vez mais, um desafio para os educadores. "A situação piorou na sociedade em geral, com ações de gangues e grupos armados e disputas entre traficantes que afetam diretamente a escola", diz a socióloga Miriam Abramovay, de Brasília.
Segundo pesquisa do Instituto Cidadania e da Fundação Perseu Abramo, a violência é o tema que mais preocupa os brasileiros entre 15 e 24 anos (55% do total), à frente de emprego (52%) e da Educação (17%). A pouca importância relativa dada à própria formação evidencia o descompasso entre o ensino e o "mundo lá fora". Segundo Ana Paula Corti, pesquisadora da Ação Educativa, de São Paulo, "a questão está muito presente no horizonte das gerações mais novas, mas as escolas não a incorporaram como fonte de intervenção pedagógica". O desconforto em relação ao assunto é fácil de entender. Trazer os temas do medo e da agressividade para a sala de aula não parece combinar com o papel construtivo e pacificador do universo escolar.
Algumas experiências indicam que vale a pena abandonar essa suposta neutralidade e encarar uma realidade que, de um modo ou de outro, interfere diretamente na vida de todos nós.


domingo, 19 de abril de 2009

Jovem achada morta com bebê no colo em Minas sofreu abuso sexual e foi estrangulada, diz polícia

BELO HORIZONTE - A polícia ainda não tem pistas do autor ou autores de um crime brutal em Belo Horizonte.
Na noite da última quinta-feira, Ana Carolina Menezes Assunção, de 25 anos, foi encontrada seminua e morta dentro do carro. No colo, estava o filho de um ano e três meses, dormindo.
Segundo os peritos, a mulher foi estrangulada e sofreu abuso sexual. Parentes disseram que Ana Carolina ia buscar a mãe e estava desaparecida. A mãe chegou a ver o carro da jovem passando perto de onde esperava. A polícia acredita que a jovem foi vítima de assaltantes. Nenhum suspeito foi preso até agora.
Centenas de pessoas acompanharam o enterro da jovem em Contagem, na Região Metropolitana de BH, na manhã deste sábado. Os parentes estão revoltados com o crime e pedem a prisão dos responsáveis.
A polícia fazia uma patrulha no bairro João Pinheiro, região Oeste de belo Horizonte, quando viu o veículo parado na marginal da Via Expressa. Segundo a polícia, a placa era a mesma do veículo que teria sido tomado de assalto no bairro Industrial, em Contagem. Quando os policiais se aproximaram, encontraram o corpo e a criança. No pescoço havia marcas de cadarço. A perícia encontrou dinheiro espalhado na parte da frente do carro, mas não havia sinais de roubo.
O presidente Lula sancionou, nesta sexta, sem vetos, o projeto de lei que define o crime de sequestro relâmpago. O criminoso está sujeito a pena de seis a 12 anos de prisão. Em caso de morte da vítima, o tempo de cadeia pode chegar a 30 anos.


sábado, 18 de abril de 2009

Pais que amam demais atrapalham filhos

CURRÍCULO INFANTIL Aula de artes na Escola Internacional de Alphaville, em São Paulo. A diversificação de atividades atende a uma demanda dos pais

Na ânsia de preparar os filhos para o futuro, muitos pais extrapolam no carinho e nas atividades educativas. Que tipo de filho eles criam?

Todos os pais querem que seus filhos sejam bem-sucedidos. E a receita é clara: como na infância nosso cérebro é mais propenso ao aprendizado, basta desenvolvê-lo ao máximo, desde o mais cedo possível. Infelizmente, ninguém consegue prever o futuro – e portanto não há como saber quais habilidades serão mais importantes quando nossos pequenos tesouros virarem adultos. O que faz um bom pai, nesse caso? Claro! Aposta no máximo de atividades. Escola bilíngue, curso de uma terceira língua, iniciação musical, aulas de etiqueta, ginástica, natação... No tempo livre, por que não aproveitar para divertir as crianças com um bom DVD educativo?
Mas esse investimento todo não vai valer nada se não soubermos proteger e amparar as crianças de todos os perigos desta vida. Então é preciso aceitar o sacrifício de levá-las e trazê-las de carro de todos os compromissos e manter a constante possibilidade de contato pelo celular – esse moderno e abençoado cordão umbilical tecnológico.
Só há um pequeno porém com essa receita. Na verdade, dois. O primeiro é que segui-la sai um pouco caro, tanto em dinheiro como em preocupações. O segundo é que... essa fórmula pode dar errado. Bem errado.
Depois de umas boas décadas em que grande parte dos psicólogos, educadores, cientistas e empresários estimulava o esforço pelo desenvolvimento planejado das crianças, estamos vendo agora um novo fenômeno: o combate ao excesso de zelo dos pais. Uma recente reportagem da revista americana New Yorker define o fenômeno como overparenting. Trata-se dos hiperpais, pais superprovedores – ou simplesmente pais demais. Eles são o avesso dos pais negligentes. Protegem demais, são indulgentes demais e sentem uma ânsia que os leva a resolver todos os problemas das crianças. Alguns desses espécimes atendem pelo apelido de pais-helicóptero, porque estão sempre, de alguma maneira, “sobrevoando” os filhos, impedindo que encontrem suas próprias saídas e tenham seus momentos de solidão e brincadeira. Esses momentos são imprescindíveis para que as crianças aprendam a pensar por si próprias – e se tornem adultos independentes e conscientes. O novo discurso é que nada substitui a brincadeira como atividade para desenvolver a inteligência e as habilidades sociais, e a melhor maneira de um adolescente aprender algo é pelo método de tentativa e erro.
Até no campo da medicina esse discurso vem ganhando força. Um dos comportamentos mais comuns dos hiperpais é o cuidado extremo com a higiene. E quem poderia condenar isso? Os médicos. Peter Liquornik, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, é um exemplo. “Muitos bebês ficam com seu amadurecimento imunológico comprometido pela mania de limpeza e esterilização dos pais. A natureza faz a criança engatinhar e colocar tudo na boca porque é assim que ela vai criar suas defesas”, diz. Segundo Liquornik, existe hoje uma superproteção das crianças, que muitas vezes ficam impedidas de brincar, de se sujar, em nome de uma higiene exacerbada. Ninguém precisa entregar bolas de sujeira para os filhos lamberem, mas, se eles não tiverem algum contato com as imperfeições do mundo, não criarão anticorpos suficientes.
Isso vale não apenas para vírus e bactérias. “Se não há dificuldades na vida das crianças, elas não vão desenvolver muitas habilidades”, diz a americana Hara Marano, editora da revista Psychology Today e autora do livro A nation of wimps: the high cost of invasive parenting (Uma nação de fracos: o alto custo da paternidade invasiva), lançado em 2008. “É como amarrar os sapatos: na primeira, na segunda ou na terceira vez eles não conseguem. Em vez de amarrar para eles, deixe que andem com os cadarços soltos de vez em quando. Vão começar a tentar sozinhos até aprender.” Marano acredita que os valores ocidentais de competitividade tenham gerado essa “hiperpaternidade” no mundo contemporâneo. “Os pais foram tomados por uma enorme ansiedade, focada na vida dos filhos. Querem resolver o futuro deles agora, querem ser eficientes. Mas eficiência é um valor da profissão, não da criação de um filho.”
O celular ajuda a reforçar essa síndrome, diz Marano. “Com ele, os hiperpais podem ligar sem necessidade real para os filhos, apenas como forma de suavizar suas próprias ansiedades.” E as crianças são levadas a criar o costume de falar com os pais por qualquer mínimo motivo. “Aos 7 anos, muitas crianças já trazem o celular para a escola”, diz Fernanda Carísio, coordenadora educacional do Colégio Cruzeiro, tradicional escola do Rio de Janeiro. “Mesmo a gente pedindo em toda reunião de pais que não deixem as crianças vir com telefone para a escola.” Segundo Carísio, os pais sentem culpa por passar muito tempo longe dos filhos e encaram o celular como um elo. “Só que as crianças não entendem e fazem o uso que acharem melhor.” Uma pesquisa da Fundação Telefônica e da Universidade de Navarra, feita no mês passado entre estudantes paulistas, concluiu que 51% das crianças entre 6 e 9 anos têm celular próprio.
O foco intenso na criança é o cume de um processo que começou por volta do século XV. Até a Idade Média, a infância não era valorizada. A partir do desmame (aos 3 ou 4 anos, naquela época), ela passava a viver no mundo adulto. Não havia escolas formais e a própria família não era nuclear. Conviviam na mesma casa pessoas de várias procedências. Com o início da Idade Moderna, a revolução liberal e, mais tarde, o Iluminismo e a formação da burguesia, o cuidado com a criança e os laços familiares se fortaleceram. Pais e filhos ficaram mais próximos, e a criança passou a ser vista como um indivíduo em formação, que precisa de atenção e tratamento especial.
Até aí, tudo bem. Mas hoje parece que não há apenas uma infância, e sim várias. O mercado de quartos infantis mostra isso. Há uma proposta de ambiente para cada idade. “O quarto cresce com a criança”, diz a arquiteta paranaense Kethlen Durski. “Há berços diferentes, camas que vão aumentando de tamanho, cores propícias para cada momento e até uma iluminação apropriada para cada fase.” Há quem coloque tapete de borracha pela casa para que a criança não se machuque ao engatinhar ou mesmo retire a maioria dos móveis da sala de estar (outra prova de excesso de zelo: a criança deve aprender a cair, diz a nova teoria).
A supervalorização do aprendizado na infância começou nos anos 80, quando pesquisas científicas comprovaram a plasticidade do cérebro do bebê e da criança pequena. “Aí surgiram as ideias de estimulação precoce que hoje levam a um exagero”, diz a psicanalista carioca Silvia Zornig, autora de A criança e o infantil em psicanálise. Junto com essa cobrança exagerada paradoxalmente vem a falta de limites. “Os hiperpais confortam demais, protegem demais, toleram demais, envolvem demais seus filhos o tempo todo”, diz a pediatra e escritora americana Marilyn Heins, dona de um site de dicas para os pais (parentkidsright.com). “As crianças não conseguem respirar diante desse contato exacerbado.” Sobre os hiperpais, Heins é peremptória: “O bom pai é aquele que tem a coragem de entregar seu filho para o mundo. Quem não faz isso está subestimando a criança e atrapalhando seu futuro e sua felicidade. A mensagem que está sendo enviada para a criança é: você não é bom nem inteligente o bastante para ser bem-sucedido, seja lá no que for”.

O bom pai tem a coragem de entregar seu filho para o mundo. Quem não faz isso subestima a criança

Os hiperpais costumam ser implacáveis na questão do desenvolvimento intelectual ou físico. Em São Paulo, proliferam os personal trainers infantis – professores de educação física especializados no atendimento individual de crianças e adolescentes. Luiz Ricardo Rhormens atende hoje dez crianças. Diz que a demanda é crescente. A maioria são crianças acima do peso ou que os pais consideram tímidas para os esportes coletivos. Fazem principalmente natação, caminhada e corrida. “Os pais cobram retorno, querem que a criança se comprometa com metas. Alguns são bastante neuróticos, e eu tento melhorar essa relação.”
Diretora da escola de dança Petit Danse, que tem três unidades em bairros de classe média no Rio de Janeiro, Nelma Darzi diz que a procura aumenta a cada início de ano letivo. “Muitas delas vêm de outras atividades ou vão para outras depois de sair daqui. Não é raro vermos alunos dando sinais de cansaço. Costumo conversar com as mães, mas muitas estão focadas na competitividade”, afirma. Às tradicionais aulas de natação, futebol, balé e inglês somam-se agora atividades mais diversificadas, como cursos de japonês e chinês, história da arte e etiqueta, sem falar no mercado de professores particulares que preparam alunos para os “vestibulinhos”, as provas de admissão nos colégios mais concorridos.
Neste mundo competitivo, as escolas se adaptam. Na Escola Internacional de Alphaville, num condomínio de classe média alta de São Paulo, crianças de 3 e 4 anos têm aulas sobre artistas como Miró, Van Gogh e Pollock. As aulas são apresentadas como uma forma de os alunos “apreciarem a obra e o fazer artístico e refletirem sobre o percurso de criação do artista”. A professora Cássia Bessa, coordenadora do projeto, diz que a diferenciação entre as crianças se dá cada vez mais cedo. “Há uma demanda social por isso, é a evolução natural.” Na Escola de Educação Infantil Ponto Omega, também em São Paulo, há um curso de etiqueta para os pequenos. São quatro módulos sobre como eles devem se comportar: “em casa”, “na escola”, “no clube” e “no restaurante”.
Com uma agenda tão cheia, quando as crianças estão em casa, o tempo é de brincadeira, certo? Mais ou menos. Muitos pais gostam que, em vez do divertimento totalmente livre, haja entretenimento dirigido e programas didáticos. Tarsila Naylor, de 4 anos, e seu irmão Thales, de 2, moradores de Niterói, no Rio de Janeiro, fazem balé, natação, capoeira, iniciação musical e vivência religiosa. Em casa, desde muito pequenos assistem aos DVDs da série Baby Einstein, que são divididos em faixa etária e falam de natureza, ciência e artes. (Há dois anos, uma pesquisa da Universidade de Washington demonstrou que bebês que assistem a esses programas aprendem menos palavras que os que não assistem, mas isso é outra história.) Os irmãos também veem vídeos de histórias infantis em seis línguas diferentes, para ir se acostumando com a sonoridade. “O que ninguém pode roubar de uma pessoa é o conhecimento”, diz o fiscal de tributos Carlos Mauro Naylor, pai das crianças. “Quando crescerem um pouco mais, vão entrar num curso de mandarim.”


Educação sexual é fundamental para futuro reprodutivo das meninas


Adolescência

Educação sexual é fundamental para futuro reprodutivo das meninas
O modo com que as adolescentes conversam sobre sexualidade na escola, na família, e absorvem informação adequada sobre todos os riscos envolvidos, é fundamental para determinar a saúde reprodutiva no futuro. De acordo com a doutora Silvana Chedid, especialista em Reprodução Humana, um bom número de mulheres enfrenta problemas para engravidar por conta de descuidos cometidos na adolescência que podiam ter sido evitados.“Jovens que não têm acesso a informação adequada sobre métodos anticoncepcionais e formas de evitar infecções causadas por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) enfrentam mais problemas para engravidar. Uma das principais sequelas dessas doenças é o entupimento das trompas”, diz a médica. Segundo Silvana Chedid, em geral, o jovem ainda não se dá conta de que sua conduta sexual enquanto está namorando ou “ficando” com alguém pode comprometer seus relacionamentos na fase adulta e, inclusive, dificultar a formação de uma família. “Por mais que as novas tecnologias facilitem o acesso a todo tipo de informação, os adolescentes se interessam muito pouco ainda sobre prevenção das DSTs. Infelizmente, os descuidos ainda são muito comuns. Com relação às meninas, por exemplo, a doença que mais desencadeia infecção pélvica e alteração tubária é a clamídia (Chlamydia). Como em 75% dos casos a doença só se manifesta através de um discreto corrimento, muitas meninas sequer se importam com o fato”, diz a especialista. Na opinião da médica, apesar de haver muitos fatores que podem comprometer a saúde reprodutiva e resultar em dificuldade para engravidar na fase adulta, se as jovens levassem mais a sério a necessidade de usar preservativos em toda relação sexual, os índices de DSTs cairiam bastante.“Ainda na pré-adolescência, as mães devem levar suas filhas a uma ginecologista de sua confiança para entenderem todo processo de transformação do corpo e, inclusive, esclarecer como as garotas podem contribuir para a preservação da saúde”, diz Silvana.A especialista chama atenção para um projeto lançado pela Associação Americana de Fertilidade e coordenado por uma equipe da Faculdade de Medicina de Nova York. “Trata-se do programa ‘Manicures & Martinis’, que deve circular pelas escolas de 20 grandes cidades norte-americanas e que tem o objetivo de esclarecer os ‘sins’ e os ‘nãos’ da preservação da fertilidade fazendo uso de uma linguagem bastante jovem”.
RedaçãoeAgora.com.br

10 passos para acabar com o bullying

Se você pensa que bullying é coisa só de pessoas normais está enganado. Miley Cyrus confessou em sua autobiografia que sofria deste mal no colégio. Confira algumas dicas para não passar por isso.












NANISMO

Nanismo é a condição de tamanho de um individuo quando a sua altura é muito menor que a média de todos os sujeitos que pertencem a mesma população.
Se admite que se pode chamar de nanismo quando o tamanho de um sujeito é inferior em média dos mesmos sujeitos da mesma idade.
A condição de estar abaixo da altura esperada como o resultado de uma parada prematura do crescimento esquelético. Ele pode ser causado pela secreção insuficiente do hormônio do crescimento: nanismo hipofisário.


Fonte: pt.wikipedia.org


Os anões e a exclusão social
Quem se encontra, hoje, fora dos padrões convencionais de beleza, estatura, peso e medidas faz parte de um grupo estigmatizado da sociedade. Os anões, que alcançam estatura entre 70cm e 1,40m, na idade adulta, estão nesse grupo, pois sua característica preponderante é a baixa estatura. Mas não só. Há um conjunto de fatores que caracterizam as pessoas com nanismo, que se subdividem em 200 tipos e 80 subtipos. O mais comum é o chamado Acondroplasia (leia boxe). Caracterizam-se pela testa proeminente, área achatada acima do nariz (entre os olhos), mandíbula ressaltada e arcada dentária pequena, com sobreposição e desalinhamento dos dentes.
A principal dificuldade para esse grupo de pessoas, cuja incidência ainda não foi oficialmente levantada, é a falta de acessibilidade em ambientes, produtos e serviços de uso público, como balcões de atendimento, prateleiras em supermercados, degraus de escadas e de transportes, caixas eletrônicos, mobiliário público e doméstico em geral (mesas, cadeiras, bancos, camas, estantes, armários, etc.). Tudo é produzido para pessoas com estatura mediana, excluindo as pessoas muito altas ou muito baixas. Outra questão vivenciada pelos anões é a falta de reconhecimento e respeito como pessoa, sendo tratados de forma infantilizada e, muitas vezes, ridicularizados.
O nanismo pode ocorrer em qualquer pessoa, mesmo sem histórico na família. Também em animais, como cães e vacas, o nanismo está presente. As causas podem ser endócrinas (distúrbios relacionados a produção de hormônio de crescimento) e também por mutação genética como é o caso da Acondroplasia.
Embora quem não tenha casos de nanismo na família possa ter filhos anões, o contrário necessariamente não é verdadeiro, ou seja, nem todo anão irá gerar filhos anões. Se os pais são anões do tipo acondroplásico, as probabilidades são de 25% ter filhos com estatura normal e de 75% ter filhos anões.
Apesar do preconceito, os anões podem ter vida social e constituir família como qualquer pessoa, sendo tanto melhor sucedido quanto maior forem a aceitação e o apoio recebidos de familiares.
Segundo o médico ortopedista João Tomazelli, especializado em Nanismo pela universidade americana John Hopkins e considerado referência brasileira na área, é possível detectar o nanismo por ultra-sonografia, a partir do 5º mês de gestação. Não é possível evitá-lo, mas é possível, em alguns casos, desenvolver estatura com tratamento à base de hormônio de crescimento ou cirurgia, porém o efeito é o de "alongamento de ossos", preservando-se outras características.
O médico destaca que a baixa estatura é preponderante, porém, menos importante, pois o menor problema deles é o tamanho. "O tamanho não nos preocupa, mas sua invisibilidade: pouco se sabe sobre eles e isso compromete sua qualidade de vida, devido ao preconceito de que são vítimas", observa. Os anões são 10 vezes mais suscetíveis a problemas com anestesias do que as demais pessoas, em função de um quadro chamado "hipertermia maligna", uma espécie de superaquecimento do organismo, que os fazem suar muito, pois geram calor mais que outras pessoas e esse quadro pode se agravar com alguns anestésicos. Uma anestesia raquia (na região da coluna vertebral) pode ter sérios comprometimentos, podendo inclusive levar a paralisia, segundo o médico. "Esses detalhes são pouco conhecidos pelos profissionais da saúde, aliás, existem médicos que nunca trataram de um anão na vida", observa.
Ele revela, ainda, um dado preocupante: elevado número de suicídios entre os anões. "Não raro temos notícia de um anão que se suicida, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Eles ficam escondidos e se tornam 'invisíveis' , dificultando a inclusão social", afirma.
Para melhorar a qualidade de vida efacilitar a inclusão social, Tomazelli sugere a prática de esportes de baixo impacto, como natação, musculação e hidroginástica, inclusive para o controle da obesidade. Esportes de alto impacto não são indicados porque contribuem para o desgaste das articulações, gerando dores e doenças.


ACONDROPLASIA: O TIPO MAIS COMUM DE NANISMO
A acondroplasia, o tipo mais comum de nanismo, pode ou não ser hereditária e ocorre por modificação genética. Qualquer pessoa pode gerar outra com acondroplasia. Suas principais características são: baixa estatura, braços e pernas pequenos desproporcionais ao tamanho da cabeça e comprimento do tronco. Esse encurtamento é principalmente na parte de cima dos braços e nas coxas. Um adulto com acondroplasia tem uma curva acentuada na parte final da espinha, que apresenta uma aparência saliente. Suas pernas quase sempre se tornam curvas e a pessoa pode apresentar limitada movimentação dos cotovelos, que não se dobram completamente. As mãos são pequenas e os pés, pequenos e largos. Muitas crianças acondroplásicas podem flexionar a articulação de seus dedos, pulsos, cintura e joelhos a um ângulo extremo devido a ligamentos frouxos de algumas articulações. Esses sinais são normalmente aparentes no nascimento e a acondroplasia pode ser diagnosticada nessa época, na maioria dos casos. Em geral, não há alteração intelectual.
Não parece haver ligação entre a altura dos pais e a altura a que a criança com acondroplasia vai alcançar quando adulta. Há psicólogos, pediatras, endocrinologistas, geneticistas, ortopedistas e neurologistas que podem oferecer apoio. Muitas pesquisas estão sendo feitas sobre a acondroplasia e outros problemas de crescimento.



Fonte: www.ame-sp.org.br

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Polícia alemã desarticula rede de pedofilia que inclui 781 brasileiros


A polícia alemã anunciou nesta sexta-feira ter desmantelado uma rede internacional de pedofilia em uma das maiores operações contra esse tipo de crime.
As investigações apontam para cerca de 9.000 suspeitos em mais de 91 países. O Brasil estaria, segundo os investigadores, entre os primeiros da lista em número de supostos membros do círculo.
De acordo com os investigadores, imagens não somente de menores em poses eróticas, mas também de "sérios abusos sexuais envolvendo crianças, incluindo bebês", foram transmitidas de mais de cerca de 1.000 conexões alemãs para 8.000 endereços de computadores em várias partes do mundo.
Na operação, foram apreendidos mais de 500 computadores, mais de 43 mil dispositivos de armazenamento de dados e quase 800 discos rígidos em diversas cidades alemãs.

No alto da lista

"Constatamos 781 registros de usuários com origem no Brasil e enviamos esses dados às autoridades do país", disse à BBC Brasil Horst Haug, porta-voz do órgão responsável pelas investigações, a Agência Estadual de Investigações Criminais de Baden-Württenberg, estado no sul da Alemanha.
Apesar de reticente ao tecer comparações, Haug confirmou que o Brasil está entre as nações com maior quantidade de registros na suposta rede, na frente dos Estados Unidos e de países europeus. "Não quero comparar, porque os números são relativos, mas pode-se dizer que os Brasil está entre os primeiros da lista".
A rede de compartilhamento de dados, na qual eram trocados filmes de conteúdo de pedofilia através de um software de troca de arquivos, estava desde o ano passado na mira dos investigadores alemães.
Nesta sexta-feira, autoridades alemãs fecharam um contrato com cinco dos maiores provedores de internet do país para bloquear o acesso dos usuários a sites com conteúdo de pedofilia. Com isso, o governo da Alemanha espera possibilitar a obstrução de entre 300 mil e 400 mil tentativas de acesso diárias de internautas no país a mais de mil sites internacionais.

MARCIO DAMASCENO
da BBC Brasil em Berlim

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A desumanização da Medicina

Em sua origem, a medicina ocidental era uma ciência essencialmente humanística. Suas raízes se assentavam no solo da filosofia da natureza e seu sistema teórico partia de uma visão holística que entendia o homem como ser dotado de corpo e espírito. Nesse sentido, para médicos como Hipócrates (nascido em Cós, aproximadamente no ano 460 a.C.) “as doenças não são consideradas isoladamente e como um problema especial, mas é no homem vítima da enfermidade, com toda a natureza que o rodeia, com todas as leis universais que a regem e com a qualidade individual dele, que [o médico] se fixa com segura visão”.
As causas das doenças, portanto, deveriam ser buscadas não apenas no órgão ou mesmo no organismo enfermo mas também e principalmente no que há de essencialmente humano no homem: a alma; esse componente espiritual que distingue o homem dos outros organismos vivos do planeta.
Mais do que um biólogo, mais do que um naturalista, o médico deveria ser, fundamentalmente, um humanista. Um sábio que, na formulação do seu diagnóstico, leva em conta não apenas os dados biológicos mas também os ambientais, culturais, sociológicos, familiares, psicológicos e espirituais. O médico clássico portanto é, antes de tudo, um filósofo; um conhecedor das leis da natureza e da alma humana.
Os enormes progressos alcançados graças às ciências físicas, químicas e biológicas, aliados aos desenvolvimentos tecnológicos, foram, cada vez mais, redirecionando a formação e a atuação do médico, modificando também sua escala de valores. Na medida em que o prestígio das ciências experimentais foi crescendo, o das ciências humanas esvanecia-se no meio médico.
As descobertas ainda mais surpreendentes que ocorreram nas últimas décadas, principalmente no âmbito da biologia celular e molecular, que ultimamente têm culminado nas pesquisas do genoma, parecem ter definitivamente confirmado a idéia de que a chave de todo o conhecimento médico está nas ciências experimentais.
Certamente, mesmo depois de totalmente desvendado o código genético e desenvolvidas as mais sofisticadas técnicas de diagnóstico e prognóstico clínico, os médicos continuarão enfrentando limitações e dificuldades que exigirão mais do que o conhecimento científico-tecnológico para que possam ser superadas. E isso é uma realidade que já se experimenta, muitas vezes de forma traumática e desalentadora, nos dias de hoje.
Encarar o paciente como um ser humano, ser capaz de enxergar o outro, compadecer-se de sua dor , é uma arte há muito esquecida pelos profissionais da saúde.
Quanto mais Phds, mais valoriza-se o cérebro e a razão e menos atenção é dispensada ao coração e aos sentimentos.
Antonio Carlos da Fonseca, que necessitou de terapia fonoaudiológica , após a retirada de sua laringe, descreve em seu livro "Aprenda a se conhecer", a sua experiência como paciente. Transcrevemos abaixo alguns trechos que ilustram nossa reflexão e sensibilizam para a necessidade de uma atitude mais humana frente aos pacientes, em todas as áreas.

... De que adianta uma profissional tecnicamente competente, como foi o caso de minha avaliação pré-operatória, se ele não procurou aplicar técnicas de relacionamento humano tão necessárias para o momento, que era de muita angústia e tensão.
Competente é o profissional que sabe se situar e avaliar o momento, utilizando o conhecimento das técnicas mais adequadas às circunstâncias, a fim de conseguir respostas e chegar com sucesso ao seu objetivo...

... No meu caso, no período pós-operatório, quando comecei a realizar minha sessões de fonoterapia, passei por umas sessões superficiais de consultório, sem despertar maiores interesses para o aprendizado, em que a fonoaudióloga da época metralhava com exercícios e só se preocupava em exigir a realização deles com perfeição, não enxergava o paciente e não se importava com o meu estado de espírito, fazendo questão apenas de demonstrar o seu conhecimento sobre as técnicas da recuperação da voz, de se mostrar o(a) dono(a) da situação, esquecendo-se de que na sua frente estava uma pessoa muito fragilizada em seus sentimentos, estressada, depressiva com sua nova aparência e perspectiva de vida, que necessitava muito de estímulos emocionais e psicológicos, juntamente com a aplicação da parte técnica, pois, neste momento, a sensação da perda definitiva da voz parecia-me iminente...

Fonte: Aprenda a se conhecer - Antonio Carlos da Fonseca



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