O Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro, trouxe a cor azul para as campanhas mundiais de divulgação e sensibilização em relação ao tema, seguindo exemplo da campanha para prevenção do câncer de mama, "Outubro Rosa". A data foi instituída pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1991, e conta com o reconhecimento e apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), que em dezembro de 2006 assinou uma Resolução reconhecendo o diabetes como uma doença crônica e de alto custo mundial. Todos os anos a IDF e OMS estabelecem um tema que é adotado por todas as entidades filiadas e os serviços de saúde de todo o mundo. Desde 2007, a IDF lançou a ideia de iluminar de azul alguns monumentos de diversas cidades em todo mundo, que ficou conhecido como o Dia Azul. No portal da campanha do dia mundial www.worlddiabetesday.org , se encontra disponível vários materiais da campanha deste ano. A organização Pan-Americana da Saúde elaborou um cartaz em português com o tema proposto para 2010, que está disponível para download Alguns municípios já estão participando da campanha cadastrando e iluminando seus monumentos de azul para as comemorações do Dia Mundial, como é o exemplo do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília contam com monumentos que ganharam iluminação azul, para apoiar ações do Dia Mundial do Diabetes, que será realizado no próximo dia 14 em mais de 150 países. Outros municípios também tem adotado iniciativas para a sensibilização da população para o tema: São Caetano preparou uma série de atendimentos à população com aferição de pressão, além de informações e prevenção, durante todo o mês em diferentes bairros. Confira na página da prefeitura (http://www.saocaetanodosul.sp.gov.br/) e no Diario virtual do ABC (Sessão SeteCidades, pag 3)http://home.dgabc.com.br/diariovirtual/
Diadema realiza desde o início do ano, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde o programa "Linhas de Cuidado: Hipertensão Arterial e Diabetes", para fortalecer e qualificar o cuidado às pessoas com hipertensão e diabetes no município, garantindo a avaliação contínua e a melhoria da gestão do cuidado, através do enfoque multiprofissional e integral, por meio de cooperação técnica e compartilhamento de experiências.
Na defesa de Bruno, Ércio Quaresma coleciona inimigos e assume vício em crack
Rio - ‘Doutor Ércio Quaresma, o senhor poderia parar de roncar e se aproximar para acompanhar o depoimento de seu cliente?’. É a terceira vez na semana que a juíza do Tribunal de Júri de Contagem, Marixa Rodrigues, chama a atenção do advogado, que está refestelado numa cadeira nos fundos do plenário dormindo há mais de meia hora. Enquanto isso, seu mais renomado cliente em 20 anos de profissão depõe, na condição de mentor do crime que chocou o País, em junho. O goleiro Bruno, ex-capitão do Flamengo, olha para trás e ri. “Excelência, fique tranquila que na hora de perguntar, se repetir alguma das perguntas já feitas por vossa excelência, eu me calo”, responde fazendo graça, mas num certo tom desafiador. Na sua vez, Quaresma não repete uma pergunta sequer. Uma capacidade de concentração que impressiona, especialmente para alguém que confessa ser viciado em drogas desde 15 anos: “Minha capacidade intelectual é incrível, porque a quantidade de cocaína que eu já cheirei nessa vida...”. Ércio Quaresma Firpe, 46 anos, diz que o vício começou com maconha e não parou mais. Em 2003, mergulhou no submundo do crack. Agora, no foco do caso Bruno, em que adotou a tática do enfrentamento — ridicularizando delegados, promotores e a própria vítima, Eliza Samudio —, despertou a ira de desafetos. A ponto de um suposto vídeo, em que ele apareceria consumindo crack numa boca de fumo de Belo Horizonte, ter virado item de leilão entre emissoras de TV. A imagem não foi ao ar, mas o advogado já tem a resposta na ponta da língua: “Se fumo, cheiro ou dou a bunda, o problema é meu”. Uma frase que ele já soltou ao vivo num programa de TV. “Prefiro falar ao vivo, porque não tem como cortarem o que estou dizendo”, gosta de repetir. Já no pátio do Tribunal de Contagem, entre um cigarro e outro, logo após as 11 horas de depoimento de Bruno, Quaresma, enfim, não ri nem faz piada. “Sou dependente de crack há sete anos. Estou me tratando com o maior psiquiatra do País em dependência química, e tive algumas recaídas. Mas nunca entrei num plenário doidão”, desabafa. Foi numa dessas recaídas que o teriam filmado fumando a pedra, dia 29 de outubro: “Sei disso, fizeram lá na (favela) Ventosa. Tô ligado! Mas quantas e quantas vezes fiquei doidão, jogado pelos cantos das cracolândias?! Em Brasília eu apaguei, me roubaram anel, relógio, tudo”. Quaresma não esconde que um de seus objetivos quando aceitou pegar a causa de Bruno era ter os holofotes para si. Durante a investigação, interrompeu uma entrevista coletiva do diretor do Departamento de Homicídios, delegado Édson Moreira, e disse: “Nesse picadeiro aqui só tem um palhaço, que sou eu”.
Jogador autorizou Quaresma a controlar suas finanças O fascínio de Ércio Quaresma pela imprensa parece patológico. A cada frase que solta em plenário, seus olhos miram os repórteres. “Os louros disso tudo só vou ter mais pra frente. Por enquanto, só levei fumo”, afirma ele. Não é verdade. Seus honorários já lhe renderam um saque de mais de R$ 200 mil da conta bancária do goleiro. “Não é 5% do que cobrei”, observa. Além de depositar sua liberdade nas mãos de Quaresma, Bruno também deixou com ele a autorização de controlar toda a sua vida fora da cadeia. E o advogado fez questão de registrar isso no depoimento do goleiro à Justiça. “Continuo tendo confiança também para que meu advogado administre minha vida patrimonial e financeira”, declarou Bruno, antes de se levantar, dar um abraço apertado e receber um beijo do advogado: “Ganhei um filho”, completa Quaresma.
No papel de ‘diabo’, briga com noiva do atleta Apesar do histórico e das confusões desde que assumiu a causa, em julho, a confiança do goleiro no advogado parece inabalável. “Ele só me pediu que não brigasse com a dona Estela e com a Ingrid”, diz, referindo-se à avó, a quem Bruno chama de mãe, e à noiva. O apelo não adiantou, e Quaresma se desentendeu com a dentista, que chegou a gravar conversa em que ele falava em tom ameaçador: “Não sou advogado do diabo, eu sou o diabo”. Ele afirma que só quis dizer ser “feio igual o diabo”. Ércio tem certa rejeição em alguns tribunais de Minas Gerais. Uma de suas três anotações na ficha criminal, por desacato, é justamente por ter entrado em confronto com um juiz, este ano, numa audiência de outro processo. As demais são por posse de crack, em 2009, e por ameaças de morte a uma testemunha. No Fórum de Contagem, por exemplo, um ríspido embate com o mesmo promotor de agora, Gustavo Fantini, virou vídeo no youtube. Foi ano passado, no julgamento do empresário Luciano Farah, acusado de ter executado o dono de uma rede de postos de gasolina, Anderson de Carvalho. A má notícia para Bruno é que Farah foi condenado a 19 anos de prisão. E esta não foi a primeira vez. Antes, Farah, defendido por Ércio, já havia sido condenado pelo homicídio do promotor Francisco José Lins do Rego Santos, em Belo Horizonte, em 2002. Gustavo Fantini não fala sobre Ércio e suas agressões verbais. Aliás, o promotor jamais se refere ao advogado pelo nome. Só o chama de Rato. Mas o advogado do goleiro, que tanto se vangloria, tem derrotas clássicas no currículo. Ele trabalhou no caso da missionária americana Dorothy Stang, morta em Anapu, no Pará, em 2005. Seu cliente, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foi condenado a 30 anos de prisão. A notoriedade do polêmico advogado, no entanto, veio antes disso, no julgamento dos PMs acusados do massacre de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, também no Pará, em 1996. “Absolvi seis com 19 corpos no chão”, rebate. Ex-policial civil, entre 1986 e 89, Quaresma diz ter sangue de polícia. Chegou a defender alguns de graça. Tanto conhecimento lhe valeu uma investida política, em 94, quando se candidatou ao governo mineiro, mas perdeu com 124 mil votos. Ainda assim, foi através dessas boas relações que chegou ao Caso Bruno. O advogado é amigo particular do homem apontado como o carrasco de Eliza, Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Nesta fase do processo - em que a juíza decidirá quais dos nove réus responderá no Tribunal de Júri - ainda há muito água para rolar. Por isso, Ércio ironiza: “Aqui, agora, posso dormir à vontade. Mesmo se o meu cliente fosse o Fernandinho Beira-Mar eu dormiria tranquilo. O que não posso é dormir no Júri. Aí vocês vão ver como vai ser”, diz o advogado, que espera fazer o Júri do goleiro até junho de 2011. E que ninguém duvide da próxima diabrura de um advogado que não acredita mas invoca o nome de Deus em suas defesas, e que já quebrou garrafas para mostrar que ela pode virar uma arma letal, usou máscara de esqui para provar aos jurados que seria impossível reconhecer uma pessoa com tal acessório no rosto e, por inúmeras vezes, por pouco não saiu preso dos tribunais ao lado de seus clientes.
Um grupo de cachorros agitados e brincalhões é a arma de pesquisadores da USP para que pacientes com distrofia muscular --uma doença degenerativa severa-- entendam como a ciência está buscando formas de enfrentar o problema. Anteontem, 35 pacientes foram convidados a visitar o Genocão, canil onde 17 cães da raça golden retriever, a maioria também com distrofia genética, são estudados. Eles brincaram com pacientes, a maioria cadeirantes, enquanto cientistas explicavam seus trabalhos. "Esse encontro é importantes pois mostra que algo está sendo feito", diz a geneticista Mayana Zatz. O termo "distrofia muscular" se refere a um grupo de doenças genéticas que afetam a musculatura.
Jovem de 16 anos acende cachimbo de crack, na rua dos Gusmões, região da nova cracolândia, no centro de São Paulo
Devastador como nenhuma outra droga no Brasil, ele se espalha pelo país e demanda ações mais contundentes das autoridades
A tragédia do crack não é nova para o Brasil. Há anos, o país convive com o drama de violência e morte. Novo e oportuno, contudo, é o fato de a elite política do país, enfim, reconhecer a emergência do problema. No último dia 31, em seu primeiro discurso como presidente eleita, Dilma Rousseff disse que o governo não deveria descansar enquanto "reinar o crack e as cracolândias". Poderia ter falado genericamente "drogas", mas referiu-se especificamente ao "crack". Não foi à toa. Estima-se que no mínimo 600.000 pessoas sejam dependentes da droga no país - variante devastadora da cocaína que, como nenhuma outra, mata 30% de seus usuários no prazo máximo de cinco anos. A praga do crack nasceu e grassou entre os miseráveis, a tal ponto que "cracolândia" virou sinônimo de "local onde pobres consomem sua droga". É mais do que tempo de rever esse conceito. Pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo divulgada em 2009 constatou que o crack avança rapidamente entre os mais abastados: o crescimento entre pessoas com renda superior a vinte salários mínimos foi de 139,5%. Além dos números, os dramas pessoais confirmam que a química do crack corrói toda a sociedade. Nas clínicas particulares, que custam aos viciados que tentam se livrar da cruz alucinógena milhares de reais ao mês, multiplicam-se universitários, empresários, professores, militares. Todos estão reunidos pelo mesmo mal e almejam idêntico objetivo: tirar a pedra do meio do caminho de suas vidas. Confira os depoimentos. O crack se espraia pelas classes sociais e pelas paragens brasileiras. "Antes, São Paulo era o reduto. Falava-se do assunto como um fenômeno paulistano. Agora, ele chega com força em outras cidades e estados", diz Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Embora não haja números precisos sobre consumo, os dados sobre apreensão da droga permitem concluir que cada vez mais gente é ferida pela pedra. Segundo dados da Polícia Federal, em 2009, foram apreendidos 513 quilos da droga - volume 43 vezes superior ao registrado no início da década. Embora tardias, duas pesquisas em andamento na esfera do governo federal explicitam a preocupação das autoridades com a questão. Uma, a cargo do Ministério da Saúde, vai traçar o perfil do usuário de crack. Outra, nas mãos da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), pretende determinar padrões de consumo, barreiras para o tratamento e histórico social e médico de 22.000 usuários - que farão testes de HIV, hepatites (B e C) e tuberculose. Paulina Duarte, secretária adjunta da Senad e responsável técnica pelo estudo, acredita que será a maior pesquisa já realizada no mundo sobre o crack. "Um estudo dessa magnitude vai produzir um banco de dados gigantesco", diz. O levantamento pode ser um esforço hercúleo, mas não escapa das críticas dos especialistas. Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Associação Brasileira de Psiquiatria, diz que o governo deveria substituir pesquisas por ações. "Há doze anos, a comunidade científica aponta que o crack é uma droga diferente. Para que gastar dinheiro com um grande levantamento quando o que precisamos é de ação e de propostas?", questiona. O governo contra-ataca. Lembra que, em maio, lançou o Plano Integrado para Enfrentamento do Crack e outras drogas, com investimento estimado em 410 milhões de reais em pesquisa, prevenção, combate e tratamento.
Droga nefasta - "Comparado a outras drogas, o crack é sem dúvida a mais nefasta, porque produz rapidamente a dependência: sob a compulsão pela substância, o usuário desenvolve comportamentos de risco, que podem chegar à atividade criminosa e à prostituição", diz Solange Nappo, da Unifesp. Pablo Roig, psiquiatra e dono de uma clínica de tratamento de dependentes químicos, acrescenta que a dependência chega a tal ponto que "o usuário perde a capacidade de decidir se usará ou não a droga". A mancha do crack se espalha entre usuários de drogas devido a uma combinação de acesso econômico e potência química. Jairo Werner, psiquiatra da Universidade Federal Fluminense e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, chama a atenção para a relação "custo-efeito" da droga. "A relação entre preço e efeito faz do crack uma droga muito popular, de fácil acesso", diz. Ele explica ainda que os traficantes desenvolveram uma verdadeira estratégia para ampliar o mercado da droga: a "venda casada", de maconha mais crack. "No primeiro momento, a maconha dá um relaxamento e o efeito do crack é mitigado. Depois, o usuário resolve experimentar o crack puro e sente um efeito muito mais poderoso." Começam, então, as mudanças de comportamento. Além de graves consequências para a saúde, a droga provoca no dependente atitudes violentas. "Ele fica alterado, inquieto, irritado e, em geral, passa a se envolver com a criminalidade como nenhum outro usuário de drogas", diz Laranjeira, da Associação Brasileira de Psiquiatria. "A única prioridade é a droga: a saúde, a família, o trabalho e os amigos ficam de lado. É uma mudança total no esquema de vida e estrutura de valores", acrescenta Roig. Estimativas americanas apontam que, a cada dólar gasto no combate às drogas, a sociedade economiza até sete dólares em despesas com hospitais, segurança pública e acidentes de carros, entre outros. No caso devastador do crack, fica evidente que a cruzada antidroga pode economizar ainda mais vidas.
A ONU pediu nesta sexta-feira cerca de US$ 164 milhões para combater a epidemia de cólera no Haiti, que já matou mais de 700 pessoas.
Uma porta-voz da organização, Elisabeth Byrs, afirmou que, se o dinheiro não for fornecido pelos doadores internacionais, "todos nossos esforços serão superados pela epidemia". "Nós precisamos deste dinheiro o mais rápido possível", afirmou a porta-voz, acrescentando que, até o momento, 11.125 pessoas foram infectadas pela doença no país. Segundo Byrs, o dinheiro será usada para trazer mais médicos para o Haiti, medicamentos e equipamentos para purificar água. Stefano Zannini, chefe da missão dos Médicos Sem Fronteiras no Haiti, afirmou que os hospitais da capital, Porto Príncipe, estão superlotados e os pacientes poderão ter que ser tratados nas ruas. "Estamos muito preocupados com a questão do espaço", afirmou. "Se o número de casos continuar a subir na mesma taxa (que apresenta agora), então teremos que adotar algumas medidas drásticas. Vamos ter que usar espaços públicos e até mesmo as ruas." "Posso prever, facilmente, a deterioração desta situação, até ao ponto no qual os pacientes vão para as ruas, esperar por tratamento", acrescentou.
Mais casos A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira que espera que a epidemia de cólera ainda perdure por mais tempo no Haiti. "As projeções de 200 mil casos nos próximos seis a 12 meses mostra a amplitude do que se pode esperar", disse o porta-voz da OMS Gregory Hartl. O porta-voz acrescentou que a taxa de mortalidade, de 6,5%, é muito mais alta do que deveria ser. "Ninguém vivo no Haiti teve cólera antes, então esta é uma população que está muito suscetível à bactéria", afirma. "Uma vez que entra no sistema (de abastecimento) de água, é transmitida facilmente." Cólera causa febre, diarreia e vômitos, levando à desidratação severa, e pode matar em 24 horas se não for tratada. Mas pode ser controlada facilmente por meio da reidratação e de antibióticos. A doença é causada por uma bactéria transmitida por água ou alimentos contaminados. As agências de ajuda estão tentando evitar mais contágio pela doença em Porto Príncipe, em meio ao temor de que a doença se espalhe pelos acampamentos onde vivem 1,1 milhão de sobreviventes do terremoto de janeiro. A epidemia começou no vale do rio Artibonite no meio do mês de outubro. Inicialmente parecia ter sido contida, mas a passagem do furacão Tomas, no início de novembro, causou inundações que teriam contaminado com a bactéria comunidades de refugiados que já passavam por dificuldade .
Na manhã desta sexta-feira, foi encontrado, nas proximidades do Morro da Serrinha, em Madureira, no Rio, mais um carro incendiado em cujo interior havia quatro corpos carbonizados. Há, portanto, nítidos indícios, muito embora as autoridades policiais não confirmem até agora, de que a "chefia" do poder paralelo no Rio - boa parte dela já encarcerada em penitenciárias de segurança máxima fora do estado - resolveu, em represália ao avanço da Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), acrescentar à sua estratégia de atuação práticas criminosas que desafiem o poder público e implantem o clima de pânico no seio populacional. É a vingança pela perda de lucros com o sucesso das UPPs. Imaginam criar um cenário de violência que dificulte sobremodo as estratégias policiais de contenção. Não bastam só os arrastões. O narcoterrorismo agora também resolveu, mesmo sem nada roubar na abordagem a motoristas em vias públicas, incendiar imediatamente os véiculos. Em menos de três dias, foram seis carros incendiados no Rio. No bairro do Flamengo, os dois veículos alvos da ação do terror estavam estacionados sem a presença dos motoristas, tiveram os vidros quebrados e coquetéis molotov arremessados em seu interior. Ação típica de terrorismo urbano, que coloca em xeque a efetividade do planejamento policial preventivo. É preciso também investigar se outros tipos de explosivos foram utilizados nos ataques que redundaram na queima dos veículos. A polícia do Rio está gravemente desafiada e precisará dar a resposta à altura antes que se torne impotente face a uma ação marginal inusitada e de dificílima prevenção e repressão. A polícia não poderá esperar mais que aconteça para desferir a ofensiva legal, sob pena do clima de insegurança e de pânico gerar até mesmo a grave perturbação da ordem pública. É inadmissível que o poder legal seja desafiado dessa forma por narcoterroristas que, embora enfraquecidos em suas bases, parece que pagarão muito caro pela rendição. A ação policial (pró-ativa) terá que se antecipar o quanto antes à atuação dos "bondes do terror". É necessário acabar com o crime na origem (nos redutos do tráfico). Ali há armas e perigosos delinquentes que, em liberdade, causam inquietação. Tal ação marginal desafiadora é, portanto, extremamente preocupante. Por enquanto, aguarda-se qual será a nova tática de atuação na nova estratégia do poder paralelo para se manter atuante: o "terror no asfalto". A polícia vai ter que se antecipar. Quer queira, quer não. A sociedade precisa de uma rápida e eficaz resposta. Incendiar carros é ação típica de terror.
*Milton Corrêa da Costa é Coronel da PM do Rio na reserva
Ave foi levada para o veterinário, onde foi tratada; ela deve ser solta na natureza
Do Hoje em Dia
A Polícia Militar apreendeu, neste sábado (13), uma coruja que feriu as asas em Contagem, cidade na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). A ave ficou machucada quando pessoas tentaram capturá-la para colocar em cativeiro. As informações são do site Hoje em Dia. Depois do flagrante, a coruja foi levada pelos policiais a uma clínica veterinária da região, onde ela foi tratada. Por causa dos ferimentos, a ave pode ter que passar por uma cirurgia. Depois de curado, o animal deve ser levado ao seu habitat natural.
"Os médicos disseram que eu não teria o meu filho aqui por causa de um problema de contaminação no berçário", diz a estudante Viviane Pereira
Superlotação e falta de médicos são apontados como as causas para o alto índice de mortalidade registrado desde o início de outubro no Hospital Regional da Asa Sul. Apenas nos primeiros 10 dias de novembro, seis recém-nascidos perderam a vida na unidade
Três meses depois do aparecimento da superbactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC) no Distrito Federal, mais um surto de infecção hospitalar ameaça a rede pública. E agora, os pacientes atingidos pelo problema são ainda mais vulneráveis. Desde o início de outubro, 11 recém-nascidos morreram no Hospital Regional da Asa Sul (Hras) em virtude da contaminação por três tipos de bactérias. Nos primeiros 10 dias de novembro foram seis óbitos por infecção hospitalar, mais do que o total registrado no mês passado, quando cinco bebês morreram depois de contraírem as bactérias no hospital. Com a UTI neonatal superlotada e diante do risco de disseminação dos micro-organismos, o Hras começou ontem a transferir gestantes que chegam ao local para realizar partos. A unidade de tratamento intensivo neonatal do hospital tem 30 leitos, mas o número de bebês internados chega a quase 40. O ideal é que a unidade tivesse 45 vagas para cuidados intensivos, mas, para isso, a Secretaria de Saúde teria que contratar mais 30 médicos — missão quase impossível diante da dificuldade do governo em encontrar pediatras dispostos a trabalhar na rede pública. O excesso de pacientes e a falta de funcionários são a fórmula ideal para a proliferação de infecções hospitalares. Sem tempo para cuidar de todos os bebês internados, muitos enfermeiros e médicos não seguem todas as normas técnicas que devem ser adotadas em unidades neonatais, como a rigorosa higienização das mãos. A direção do Hras já sabe que os bebês que morreram foram infectados pelas bactérias Estafilococos, Serratia ou pela Klebsiella — o mesmo tipo da bactéria KPC, porém, essa variedade não sofre mutação nem é resistente a antibióticos. Atualmente, há quatro bebês isolados por conta de infecção hospitalar. O Hras é o hospital de referência da rede pública para atendimento pediátrico e obstétrico no DF. Mas Viviane Pereira dos Santos, 17 anos, não conseguiu receber assistência para realizar seu parto na unidade. Ela chegou ao local por volta das 16h30 e, logo depois, foi informada de que o nascimento de seu primeiro filho não poderia acontecer lá. “Os médicos disseram que eu não teria o meu filho aqui por causa de um problema de contaminação no berçário. Se o meu bebê tivesse qualquer complicação, ele não poderia ir para a UTI”, explicou a paciente, que foi imediatamente encaminhada ao Hospital Regional da Asa Norte. Apesar dos rumores de que os recém-nascidos podem ter sido infectados pela superbactéria KPC, o diretor do Hospital Regional da Asa Sul, Alberto Henrique Barbosa, garante que não há casos de infecção por esse micro-organismo no local. Ele reconhece, no entanto, que há um surto de infecção hospitalar na unidade. “Isso é resultado da superlotação e da falta de profissionais, o que ocasiona uma quebra dos protocolos de segurança para controle das infecções hospitalares”, explica. Segundo o diretor, o número aceitável de mortes de bebês seria de, no máximo, dois ou três por mês.
Exceções Para resolver o problema, a saída encontrada pela equipe do Hras foi restringir os atendimentos na maternidade. Agora, somente os casos graves serão recebidos. Mulheres com menos de 30 semanas de gravidez ou aquelas que estão entre a 38ª e a 40ª semana, mas que apresentam complicações como hipertensão ou má-formação do feto, terão assistência assegurada. As outras mães serão encaminhadas a unidades da rede pública como o Hran e o Hospital Regional de Taguatinga. Não fossem essas exceções, Naldirene Ferreira da Silva, 36 anos, teria encontrado mais uma porta fechada após percorrer hospitais públicos no Gama, em Samambaia e em Taguatinga. “A gravidez dela é de risco. O médico disse que se o parto não for feito imediatamente há o risco de ela perder o bebê”, disse a amiga Ângela Aparecida de Campos. Por conta da situação delicada, Naldirene conseguiu atendimento no Hras. O presidente da Sociedade Brasiliense de Pediatria, Dennis Alexander, conta que o problema das infecções hospitalares sempre fez parte da rotina das equipes do Hospital da Asa Sul. “Infelizmente, isso é rotineiro. Volta e meia há um descontrole das infecções hospitalares. É um problema crônico”, relata o especialista. “Na rede pública do Distrito Federal, não há muito investimento na área de UTI neonatal. E as infecções são sempre perigosas para os bebês, que nascem desprovidos de defesas naturais”, acrescenta Dennis. A neonatologia é o ramo da pediatria que se dedica a cuidar dos recém-nascidos sadios ou doentes. São considerados recém-nascidos as crianças entre um e 28 dias. A partir dessa idade, os bebês podem receber os cuidados de um neonatalogista caso apresentem pouco peso ou outras complicações que os levem à hospitalização em unidades neonatais — os antigos berçários — ou mesmo nas Unidades de Terapias Intensivas. Crianças com má-formação, que apresentaram problemas respiratórios no momento do parto, icterícia, anemia e convulsões, por exemplo, precisam do tratamento especial. No momento do nascimento, ele deve estar de prontidão para eventuais emergências, como a necessidade de reanimação. A atenção do especialista é fundamental, já que uma das características do período neonatal são as altas taxas de mortalidade devido à fragilidade dos bebês, em especial a de crianças prematuras.
Perícia criminal é considerada fundamental para resolução de crimes. Para se tornar um perito é preciso prestar concurso; veja dicas
Considerada ponto-chave em todas as investigações criminais, a perícia técnica vem ganhando destaque nos últimos anos por conta dos crimes de grande repercussão e que parecem ser de difícil solução. Além disso, seriados que mostram policiais ou peritos utilizando ciência e tecnologia para desvendar casos complexos também ajudam a aumentar o interesse pela área. Para entender melhor qual o papel desses profissionais, o G1 acompanhou o trabalho de Sérgio Vieira Ferreira, 51 anos, perito que atuou em um dos crimes mais famosos na história recente do país. Ele estava de plantão na noite da morte da menina Isabella Nardoni, em março de 2008, e foi o primeiro perito a chegar à cena do crime, o apartamento de Alexandre Nardoni, condenado pela acusação de ter jogado a filha pela janela. A ocorrência acompanhada pelo G1 na madrugada de uma quarta-feira em outubro foi a sétima do plantão de Sérgio Ferreira – um plantão de 24 horas. Em uma rua tranquila do bairro do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo, houve uma tentativa de assalto, por volta de 21h, com vítima baleada e socorrida com vida, segundo informações iniciais. A reportagem acompanhava o perito em outra ocorrência, no centro de São Paulo, quando Sérgio foi notificado da nova perícia. A vítima era um homem de 50 anos. De acordo com testemunhas, ele saiu de carro de casa, a algumas quadras do local do crime, para comprar ração para o cachorro. Na tentativa de assalto, a vítima, em um Honda Civic, foi baleada. O assaltante fugiu. O motorista ainda correu pela rua em busca de ajuda, foi socorrido, mas não resistiu ao ferimento e morreu. A Polícia Civil informou que investiga o crime. Ferreira disse à reportagem que um perito não pode se envolver com nenhum caso. "Somos policiais técnicos. É necessário coletar provas técnicas. Não pode se emocionar. Tem casos difíceis que, como ser humano, você tem que dar aquele breque. Mas vamos fazer o serviço e coletar o que tiver para coletar", afirmou. O perito, no entanto, não escondeu que casos envolvendo crianças o "incomodam" mais. "Eu era o perito plantonista naquela noite [da morte de Isabella] e fui o primeiro da perícia a chegar ao local. Chegou como crime contra o patrimônio, que alguém havia invadido um apartamento e jogado a criança pela janela. Pensei no lógico. Se alguém invadiu, vai ter sinais de arrombamento. E fui percebendo que a história não batia. E os vestígios contam para a gente a história. O perito, com a experiência, aprende a ter esse tino." Formado em biologia, Ferreira já trabalhou como professor e prestou concurso por incentivo do irmão, que é policial. "Ser perito para mim é uma profissão maravilhosa, a cada dia há casos diferentes. Não estamos aqui para condenar nem inocentar, mas para dar subsídios para que se tenha investigação honesta."
Tipos de perícia São duas as áreas de atuação dentro da perícia criminal: o trabalho de campo, quando os peritos saem para a rua e vão ao local do crime coletar indícios para produção das provas, como faz Sérgio Ferreira; e o trabalho nos laboratórios, no qual os peritos fazem análise dos materiais coletados nos locais dos crimes. Em São Paulo, a Polícia Técnico-Científica tem seis áreas laboratoriais para análise das provas obtidas na perícia de campo: física, química, análise instrumental, entorpecentes, balística e biologia/bioquímica. O perito Adílson Pereira, físico que coordena os laboratórios da capital paulista, mostrou ao G1 um dos locais que despertam mais curiosidade em relação às investigações criminais: o laboratório de DNA forense. É lá que amostras de sangue ou outros materiais genéticos são analisados. "No laboratório de DNA forense se faz análise para chegar ao perfil genético do material, que será comparado com suspeito, vítima ou parentes. Aqui é analisado todo material biológico: sangue, ossos, cabelo, material nas unhas da vítima que eventualmente tentou se defender arranhando outra pessoa. São materiais coletados no campo ou pelo médico legista, recolhido no cadáver ou no vivo que tenha ido fazer exame de corpo de delito", explica - veja no vídeo ao lado como é o laboratório e ouça mais sobre o trabalho do perito. Pereira conta que nem sempre é fácil analisar esses materiais: "Muitas vezes analisamos material em decomposição, pode levar de alguns dias até seis meses. Às vezes o sangue ficou muitas horas exposto ao sol, isso torna mais difícil o trabalho." O Instituto Médico Legal (IML) também faz parte da Polícia Técnica. Se, por acaso, balas são retiradas de vítimas pelos médicos legistas, esses materiais serão analisados nos laboratórios.
Concurso Atualmente, para ser um perito criminal no Brasil só há uma porta de entrada: o concurso público. É preciso ter graduação completa em qualquer área. O concurso é geralmente formado por três etapas: a prova escrita de múltipla escolha, a prova oral e um curso de formação na Academia de Polícia, que dura quase um ano. O perito é treinado como um policial comum, mas passa por especialização para atuar na área. O perito criminal pode e deve andar armado, destaca Adílson Pereira. "Somos policiais treinados. Temos que agir como policiais, mas estamos mais voltados para a área científica", afirmou. Diretor do Núcleo de Perícias em Crimes contra a Pessoa da Polícia Técnica de São Paulo, José Antonio de Moraes explica ainda que durante a formação o perito estuda criminalística, organização policial, contenção de crises e abordagens, além de outros temas. Para ele, para ser um bom perito é preciso ter vocação. "Precisa ser um indivíduo chamado vocacionado. Temos aqui formados em direito, biblioteconomia, não importa a área. Caso seja aprovado no concurso, passará por curso de formação e será treinado." "Tem gente que entra, fica três meses, e depois não quer mais voltar. Não pode se envolver emocionalmente com o crime. Isso não é frieza, é profissionalismo. (...) A perícia é imparcial. Não importa se os vestígios ajudarem a defesa ou a acusação. O processo tem dois tipos de prova, a testemunhal e a técnica. Pessoas mentem, vestígios jamais", comenta o perito Moraes. Enquanto que para ser perito de campo não há exigência sobre área de formação, para atuar nos laboratórios, em muitos casos, é necessário ter conhecimento específico. "Nos laboratórios, damos preferência a quem tem formação, mas não necessariamente quem tem habilitação vai atuar dentro daquela área. Temos uma formação que habilita ao atendimento na cena do crime e, quando tem necessidade de especialista, buscamos dentro dos quadros. Um biólogo não necessariamente vai atuar no laboratório de biologia. Pode atuar também no campo", explicou o físico Adílson Pereira, que chefia os laboratórios de São Paulo. Além de peritos criminais, as perícias estaduais têm ainda fotógrafos e desenhistas, que também são concursados. Eles fotografam os locais dos crimes e fazem desenhos para simular situações. A organização das perícias varia de acordo com cada estado. Em alguns casos, os órgãos são subordinados diretamente à Secretaria de Segurança Pública estadual e têm independência em relação às polícias civil e militar. Em outros estados, as polícias técnicas são subordinadas às polícias civis. Em São Paulo, há expectativa sobre a abertura de um grande concurso em 2011, com cerca de mil vagas, mas a Secretaria de Segurança Pública do estado não confirmou.
Efeito 'CSI' Presidente da Associação Brasileira de Criminalística (ABC), o perito paraibano Humberto Pontes diz que há falta de pessoal em todas as perícias do país e avalia que a abertura de concursos é necessária. "Estudos dão conta de que é preciso 1 perito para cada 5 mil habitantes, e isso não acontece. (...) É preciso abrir concurso", afirmou. Em São Paulo, a Polícia Científica tem 3,2 mil funcionários – dos quais 1,1 mil são peritos. A cidade tem 11 milhões de habitantes. São, portanto, 10 mil habitantes para cada perito. Pontes, da ABC, diz que há demanda para preenchimento dos cargos. “Tem bastante gente interessada. Tenho recebido estudantes e graduados interessados sobre onde tem concurso. Isso é efeito CSI, que tem feito uma divulgação enorme da perícia", comenta, citando o seriado de TV norte-americano. Adílson Pereira, do laboratório da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, comenta que há, inclusive, semelhança entre a realidade da perícia e as séries de televisão que atraem os jovens para a profissão. "A consultoria para esses seriados é muito boa. Os equipamentos são os mesmos de que dispomos. Evidentemente que nos seriados mostram os produtos ‘top de linha’. As técnicas utilizadas são parecidas. A diferença é que lá eles fecham os episódios em 40 minutos. Aqui, não recebemos o roteiro, é uma incógnita. Não dá para fechar em 40 minutos, às vezes demora seis meses para fechar um caso." Moraes, do Núcleo de Crimes contra a Pessoa, concorda: "CSI realmente mostra o trabalho que se faz. CSI americana é um pouco diferente porque o perito é policial. Aqui o perito aparece só depois que o crime acontece." O perito Sérgio Ferreira, que o G1 acompanhou no trabalho de campo, não concorda tanto assim: "Lá dá tudo certo, colhem a impressão digital e sabem até a cor dos olhos da pessoa. Coisas que não têm nada a ver. Mas é Hollywood. Tem que ter magia", comenta, aos risos.
Investimentos Para tornar a perícia no Brasil mais moderna, o governo federal anunciou novos investimentos nos últimos meses. O secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Ballestreri, informou que até o final deste ano serão aplicados R$ 100 milhões para modernização dos órgãos. Kits básicos já foram entregues aos estados, conforme o Ministério da Justiça. "Pelo país, os níveis são díspares. Algumas perícias têm boas condições e outras não têm nada. Vamos tentar criar padronização mínima para que se possa dizer que o Brasil inteiro tem condição de trabalho na perícia." Na avaliação de Ballestreri, o crime é uma "atividade cada vez mais complexa" e a tecnologia é necessária para combatê-lo. "Queremos com isso [investimentos] aumentar o índice de resolução de crimes. (...) No nosso país, durante décadas o modelo predominante da segurança pública foi fundamentado na força bruta.. (...) Se força bruta resolvesse alguma coisa, mas já se sabe que não se resolve nada. Temos que ingressar na era da tecnologia definitivamente." Ballestreri diz que pesquisas de acadêmicos utilizadas pelo governo dão conta de que o índice de resolução de crimes nos estados está entre 30% e 70% dos casos. "Tem estados que superam a média. outros têm média inferior a 30%. (...) Isso passa para a população a impressão ou certeza de impunidade. Acaba sendo fator gerador de crimes."
Equipamentos Um perito de campo, quando sai para seu trabalho, leva consigo uma maleta com objetos simples, mas que são fundamentais para o trabalho. Entre eles há pinça, lanterna e outros - confira no infográfico abaixo para o que serve cada um. Além do material básico, há ainda itens mais complexos, mas que ficaram famosos por conta das investigações criminais de repercussão e dos seriados. São eles o luminol, também conhecido como bluestar, e as luzes forenses. O luminol serve para detectar manchas de sangue, e as luzes são, na verdade, faróis possantes com infravermelho que revelam a presença de substâncias orgânicas. No acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas, há dois anos, as luzes forenses foram usadas para localização de restos mortais, conforme explicou José Antonio de Moraes, do Núcleo de Crimes Contra a Pessoa da polícia técnica paulista. "No acidente da TAM, embora tenha ocorrido investigação por parte do núcleo de engenharia, o núcleo de crimes contra pessoa também atuou. Foram usadas as luzes forenses. O avião bateu no prédio e caiu metade do prédio. Pegou fogo, explodiu, caiu outra parte. Sobrou pó, misturado com plástico, madeira e restos mortais. Fomos procurar vestígios de material orgânico para tentar ajudar na identificação dos corpos. E conseguimos ajudar."
Fachada do Instituto Central do HC, onde é realizado boa parte dos transplantes
Sistema digital que organiza transplantes é referencia internacional O estado de São Paulo estabeleceu um recorde histórico em relação à doação de órgãos. Segundo a Secretaria de Saúde, o número de doações registrado até novembro de 2010 já supera o total do ano passado. Em 2009, 705 pacientes com morte cerebral tiveram seus órgãos doados - este ano foram 760 até agora. O número de transplantes, consequentemente, também subiu, passando de 1.708 para 2.018. O rim é o mais transplantado (1238, este ano) e o pulmão é o menos (53, este ano também). Cada doador cede mais de um órgão. Reginaldo Boni, médico da Central de Transplantes, atribui o recorde a diversos fatores. “Desde 2006 observamos um crescimento gradual no número de doações e de transplantes. Nos últimos quatro anos temos desenvolvido um curso de capacitação de profissionais para identificar possíveis doadores”, afirma Boni, um dos responsáveis pela criação do curso que já foi procurado, segundo ele, por mais de 500 profissionais. O curso trata desde a identificação do possível doador até a entrevista com a família, passando pelo diagnóstico. Outra medida que incrementou a eficiência do sistema de doação de órgãos teria sido o projeto Doar São Paulo, que colocou médicos dedicados à doação em 22 hospitais do estado. “A cada cinco doadores potenciais, apenas um é notificado para a secretária de saúde”, relata Boni, explicando a importância da medida. Também foi criado um sistema digital para gerenciar a fila de pacientes que precisam de transplante. “Antes, a solicitação de transplante era feita por fax”, conta o médico, que afirma que o sistema atual se tornou referencia em outros países e está sendo exportado. Após ser cadastrado, o paciente pode acompanhar sua posição na "fila" pela internet. Quando um órgão é disponibilizado, o sistema automaticamente seleciona o paciente, com base nos critérios nacionais de compatibilidade, tempo em lista e gravidade. Todos os pacientes transplantados continuam no sistema, permitindo acompanhamento pelos médicos.