segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ZH dominical traz reportagem sobre famílias que perderam seus jovens em acidentes


Site especial traz relatos conduzidos pelos pais que tiveram a lógica da vida invertida

A cada cinco horas, uma família é dilacerada pela notícia da morte brutal em acidentes no trânsito gaúcho. Histórias particulares se condensam em estatísticas, como as 1.405 vidas ceifadas de janeiro a outubro deste ano, segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
Do total, 359 não chegaram aos 30 anos de idade — e 259 ficaram entre os 18 e 24 anos. Atordoados diante da lógica invertida, casais que perderam filhos eternizam a última lembrança de seus tesouros: o quarto.

Confira o site especial clicando aqui.

O colorido impregnado no dormitório juvenil contrasta com o caminho acinzentado que os pais passaram a percorrer. As flores, a luz da vela e os adornos típicos de quem, aos 18 anos, ainda tateava no mundo adulto são os itens visíveis do quarto de Alessandra Andreolla Feijó, filha do empresário e vice-governador Paulo Afonso Feijó, 52 anos, e da professora de educação física Lisette, 49 anos.
— Nos primeiros seis meses eu dormia aqui, vez por outra. A sensação é de que, no quarto, estamos mais perto. Era o cantinho dela — conta Lisette.

Luanda Patrícia, filha dos empresários Eliane, 37 anos, e Roque Redante, 43 anos, de Guaporé, também tinha 18 anos quando partiu. O dormitório rosado ficou intacto. Num bloco, Luanda deixou rabiscados 45 desejos que ela calculava alcançar antes dos 35 anos. Cumpriu, pelas suas anotações, apenas três: "dançar em cima de um palco loucamente", "dormir com a roupa que saiu" e "viajar com as amigas".

Em Flores da Cunha, a empresária Noeli Agostinetto, 38 anos, mãe de Willian, 19 anos, quis fazer diferente. Logo após a morte do adolescente, tentou se desfazer de tudo, mas já na primeira doação, o coração apertou. Ela e o marido, Cladecir, 44 anos, acabaram vencidos, e as recordações de azul até hoje predominam nos 11 metros quadrados do cômodo incólume.

Ezequiel foi fruto da oitava tentativa de Marta Maria Pretto de engravidar. Quinze anos depois, com a morte do marido, o garoto virou a família de Marta. Mais três anos se passaram e o filho, de 28 anos, se foi, lançado contra a traseira de um caminhão.
— Eu sinto o cheiro dele. Tem vezes que é mais forte. Acho que depende de mim, de como estou — confidencia a mãe.

Quando a garganta da costureira Maria de Lourdes Webber Raupp, 59 anos, engasga, ela solta um berro, para dor da vizinhança. Dia desses, na pequena Dom Pedro de Alcântara, no Litoral Norte, gritou de saudade das traquinagens de Gabriel, 22 anos. O som, estridente, ecoou a ponto de despertar solidariedade. Ela recusou e explicou:
— Deixa eu gritar. Preciso aliviar o peito.

Na casa de Odete da Luz, 53 anos, e do marido, Edemar Rossetto, 57 anos, no município de Novo Barreiro, até a extensão do telefone é mantida no quarto de Everton, morto aos 29 anos, cuja despedida paralisou a vida do casal, há nove meses, até na arrumação da casa.
— Ele dizia que a cortina da sala incomodava. Sempre a prendia em um vaso de flores. Foi o que fez pela última vez antes de sair na tarde do acidente. Desde então, não consegui mais soltar a cortina — conta a mãe.

Os jovens tombados nessa guerra urbana deixam planos incompletos. Mariana ainda cultivava desejos infantis, aos 11 anos, quando partiu, forçando Nara e Clóvis Rodrigues a zelar por ursos de pelúcia, Barbies, roupas e sapatos da menina, intocados desde a ausência da filha única.
As histórias se cruzam e se repetem. Pais e mães carregam consigo objetos de valor inestimável. Noeli usa a corrente e o crucifixo de Willian, e o pai, um anel do garoto. Lisette adotou a gargantilha preta com pingente dourado em forma de coração, mimo de Alessandra. Eliane não desgruda da aliança que Luanda usava no dia da partida.
A dor das famílias amplia a sensação de impotência. Sonham em mudar o cenário dessa guerra que leva para o túmulo jovens que não se alistaram. No especial, as imagens retratam sete histórias paradas no tempo.

Britânico com rosto desfigurado quer chamar atenção para síndrome rara


Um jovem britânico que sofre de uma síndrome rara que provoca o desfiguramento do rosto está chamando atenção para o drama dos portadores da condição

Jono Lancaster, de 26 anos, nasceu com a síndrome de Treacher Collins, que afeta um em cada dez mil bebês na Grã-Bretanha, e contou sua história de sofrimento e superação em um documentário da BBC, Love Me, Love My Face (Ame-me, ame minha face).
Jono, que foi dado para adoção pelos pais com 36 horas de vida, sofre de um problema genético que afeta a forma com que os ossos da face se desenvolvem enquanto o bebê ainda está no útero.
A síndrome de Treacher Collins faz com que seus portadores não tenham ossos malares, consequentemente os olhos ficam caídos. Jono também tem problemas de audição e usa um aparelho implantado em seu osso.
O jovem britânico teve que passar por várias cirurgias, consultas em hospitais e, apesar de hoje estar feliz com seu emprego e sua namorada, Jono sofreu de depressão durante a adolescência.
"Eu era desesperado para ter amigos, eu fazia qualquer coisa. Eu não tinha confiança, comprava muitos doces e entregava para outras crianças, para que elas gostassem de mim. Acabei fazendo muitas coisas estúpidas, para que as pessoas falassem a meu respeito por uma razão que não fosse a minha aparência", disse à BBC.

Mãe adotiva
Jono foi adotado e seus problemas de comportamento na escola pioravam. No entanto, ele afirma que apenas ficava cada vez mais solitário.
"Eu costumava esconder minha infelicidade de minha mãe. Ela já tinha feito tanto por mim", disse.
O jovem se isolava em casa e chegava a cortar o próprio cabelo para não ter que se olhar no espelho em um local público. No entanto, sua vida começou a mudar quando recebeu uma oferta de emprego em um bar.
"Eu suava muito antes de cada turno de trabalho, ficava muito nervoso, com medo da reação das pessoas."
"Não foi fácil, mas, ao mesmo tempo, encontrei tantas pessoas legais que ficaram verdadeiramente interessadas em mim e no meu rosto."
O novo emprego deu a Jono confiança para começar a ir em encontros com garotas e arrumar um novo trabalho, em uma academia de ginástica.
E, no novo emprego, o jovem encontrou Laura Richardson, 20, sua namorada há quatro anos.
"Ela disse que, quando me viu pela primeira vez, notou meu rosto, mas agora ela não nota mais. Foi a primeira vez que consegui ser eu mesmo com uma garota."
"E olhe para nós, quatro anos depois, compramos uma casa juntos (...). Estamos completamente apaixonados."

Pais biológicos
Em 2009, Jono tentou entrar em contato com seus pais biológicos pela segunda vez.
"Era algo que eu sempre quis fazer. Quando era adolescente, eu estava com raiva e queria encontrá-los pela razão errada, para perguntar porque eles me abandonaram. Mas, ao ficar mais maduro, percebi que eles obviamente acharam que não dariam conta."
No entanto, os pais biológicos de Jono se recusaram novamente a encontrá-lo.
"Foi horrível, horrível. Chorei muito. Mas me acertei com isso. Deve ter sido uma das decisões mais difíceis da vida deles."
O jovem descobriu que a família teve outros dois filhos depois dele.
"Fico feliz que eles tenham uma família. Estou feliz e espero que eles estejam também", afirmou.

Ajuda e filhos
Jono, que hoje trabalha com adultos que sofrem de autismo, afirma que quer que as pessoas tenham mais informações a respeito da síndrome de Treacher Collins e como lidar com o problema.
"O que realmente me deixa frustrado e me preocupa é quando uma criança em um supermercado me encara e a mãe dela fala para não olhar."
"Eu queria que eles viessem falar comigo então eu poderia falar sobre o problema, para que tudo parecesse mais normal."
O jovem também quer ajudar outras famílias em situação parecida com a dele. Mas, Jono ainda tem outra preocupação, a possibilidade de que seu filho herde o problema.
Apesar de a síndrome Treacher Collins ser um problema genético raro que pode afetar qualquer pessoa, as chances de Jono passar o problema para seus filhos são de 50%. E o jovem se pergunta se poderá expor seu filho à possibilidade de "operações, consultas no hospital e bullying".
"Eu fico imaginando, me deixa louco. Ainda somos jovens, ainda há muito tempo, mas é algo que eu e Laura teremos que pensar em algum momento."
Médicos perguntaram a Jono se ele gostaria de fazer alguma cirurgia para corrigir seu problema, mas ele se recusou.
"Médicos sempre me perguntaram se eu queria a cirurgia... a construção dos ossos malares, ter meus dentes endireitados ou minha mandíbula quebrada e realinhada, mas apesar da minha depressão, eu penso 'Deus me fez assim'", afirmou.
"Fico feliz de não ter escolhido nada disso. Tenho orgulho de quem sou. E (a síndrome de) Treacher Collins me transformou no que sou."

Vanessa Barford

domingo, 21 de novembro de 2010

O preconceito oculto


O Brasil prefere o mito da democracia racial e fecha os olhos para a intolerância

São 113 anos sem grilhões, sem as marcas da chibata. Mas em pleno século XXI a sociedade brasileira empurra os negros e seus descendentes – ou seja, 45% da população – para uma realidade muito parecida com a das senzalas. Para camuflar a responsabilidade por ter mantido por três séculos a escravidão e submetido os afro-brasileiros ao trabalho forçado e ao cativeiro, criou-se, respaldada na miscigenação, o mito da democracia racial. Como se vivêssemos num eterno desfile de escola de samba, a igualdade entre brancos, negros, mulatinhos e tantas outras variantes de cor, criadas para não encarar o preconceito, foi pregada como uma realidade capaz de maquiar a exclusão e a intolerância racial no Brasil. Para aqueles que não conseguiam enxergar dentro de casa a desigualdade e a sua profunda dimensão racial, a separação entre o Brasil e a África do Sul do apartheid era de um enorme oceano. Enquanto aqui negros e brancos dividiam o mesmo banco do metrô, na terra de Nelson Mandela insuflavam a segregação com leis abomináveis. Do lado de cá do mapa, lutar contra o apartheid sul-africano se limitava a repudiar o governo branco do continente negro. O regime sucumbiu em 1994, quando Mandela chegou à Presidência. Com o fim da ditadura racial no país africano, ficaram mais claros o racismo, a discriminação e a intolerância em países signatários de acordos de defesa dos direitos humanos. A máscara da hipocrisia começou a cair. O Brasil é um dos mais constrangidos, mas não está só. Em todos os quadrantes do planeta, oprimidos raciais, étnicos, religiosos e sexuais estão pondo a boca no trombone para cobrar atitudes coerentes de quem lutou contra o apartheid, mas mantém no seu quintal desigualdades tão abissais quanto as vividas na África do Sul. A intolerância levou o diplomata brasileiro José Augusto Lindgren, atual cônsul-geral em San Francisco (EUA), a propor à ONU a realização de uma nova discussão sobre o preconceito pós-apartheid. A III Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância foi realizada em Durban (África do Sul) entre 31 de agosto e 7 de setembro.

Desigualdade – O país de Lindgren, onde o mito da democracia racial foi nocauteado pelas estatísticas, tem contas a prestar. O mercado de trabalho é uma prova do tamanho da desigualdade: os negros ganham, em média, a metade do salário dos brancos. Os relatos e sugestões do Brasil ao mundo pós-apartheid serão definidos em um encontro nacional na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, entre os dias 6 e 8 de julho. Os organizadores dos dois eventos prevêem que o abismo entre negros e brancos concentrará as atenções tanto em Durban quanto no Rio.
O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), do Ministério do Planejamento, iniciou, em março, uma de suas pesquisas mais ambiciosas. Sob a coordenação do economista Ricardo Henriques, o instituto quer fazer um diagnóstico da desigualdade racial brasileira em todos os seus aspectos. A pesquisa deve ser concluída no fim de 2002. ISTOÉ teve acesso aos primeiros dados. Os resultados mostram que as leis existentes de nada adiantam. Um trabalhador branco ganha, em média, R$ 573 mensais. O negro, R$ 262. Nos dados do Ipea, o branco passa mais tempo na escola (6,3 anos) do que os negros (4,4 anos). Entre adultos de 25 anos, a situação é a mesma: o negro estuda 6,1 anos e o branco 8,4. O Ipea concluiu também que, se os negros tivessem a mesma escolaridade dos brancos, ainda assim seus rendimentos seriam 30% menores, de R$ 407. A diferença é fruto da discriminação no mercado de trabalho e nesse campo não houve avanços no último século.
“Precisamos de ações afirmativas para reduzir essa distância. Uma delas é garantir um tempo maior de permanência na escola para os negros”, afirma Henriques. Ele defende a adoção de cotas para negros no serviço público, nas empresas e nas universidades. O sociólogo Luiz Antônio de Souza, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, ressalta que o Brasil é um dos países mais injustos quando se trata de distribuição de renda. Como a pobreza é muito gritante e, historicamente, foi construída a imagem de que os negros são incompetentes, e por isso pobres, a questão racial foi maquiada. “Sempre se deu mais importância para a questão social, dizendo: ‘Vamos combater a pobreza que a situação racial vai ser resolvida.’ Isso não é verdade. A discriminação não está associada à pobreza. Ela é racial e, no caso dos gays, sexual. Fazer essa ligação é não aceitar o preconceito. No Brasil não se encara a questão racial como um problema”, analisa.
Souza lembra que aqui se construiu a imagem da discriminação benéfica, ou seja: o negro é muito bom para o esporte, o Carnaval, a música. “O tipo de construção ‘tem samba no pé, é bom no futebol’ serve para dizer que ele se presta apenas para a corporalidade, para o sexo. O negro não ascende socialmente em pé de igualdade com o branco. É como se ele só fosse capaz para determinadas áreas”, afirma o sociólogo. Esse tratamento diferenciado é um velho conhecido do ex-jogador e hoje treinador de futebol Cláudio Adão, 45 anos, e de sua mulher, a jornalista Paula Barreto, 42. Cláudio é negro e Paula, filha do cineasta Luiz Carlos Barreto, é branca. Eles estão casados há 23 anos e têm dois filhos. Quando começaram o namoro enfrentaram todo tipo de preconceito. “No começo, quando chegávamos aos lugares, as pessoas ficavam em silêncio. Hoje é mais sutil, mas ainda acontece. Quando um carro pára ao lado do nosso, normalmente as pessoas ficam nos olhando”, diz Paula. Há dois meses, o filho Felipe, 15 anos, que é negro, estava com três amigos brancos e queria entrar em um condomínio de luxo da Barra da Tijuca para ir a uma festinha. O segurança liberou a entrada dos rapazes brancos e Felipe foi barrado. Cláudio Adão também vê discriminação na função de técnico de futebol. “As pessoas acham que o negro só serve para jogar, correr, fazer gols, mas não é capaz de fazer estratégias, pensar”, afirma ele. “Se disputar uma vaga com dois treinadores brancos, serei eu o preterido”, lamenta.

“O governo brasileiro reconhece a existência de discriminação. Apesar da nossa legislação, que avança, mantemos a situação em que a população negra enfrenta muito mais do que a branca pobre a falta de acesso à educação, ao mercado de trabalho, aos salários e a outros indicadores sociais e culturais”, reconhece o embaixador Gilberto Saboya, secretário de Estado de Direitos Humanos e coordenador da conferência brasileira. A maior carência do País, admite o embaixador, é de políticas públicas.
A lentidão das vitórias contra o racismo levou o teólogo Geraldo Rocha a abandonar a batina. Ele estudou em um seminário no Rio Grande do Sul durante 13 anos. “Eu era o único negro e, depois de muita discriminação, fui convidado a me retirar quando comecei a trabalhar com grupos de consciência negra”, lembra. Rocha se mudou para o Rio de Janeiro e continuou estudando teologia na PUC. Segundo ele, dos 12 mil padres no Brasil, apenas 200 são negros. O racismo, explícito ou disfarçado, faz parte de uma intolerância mais abrangente. As igrejas cristãs, por exemplo, não discriminam apenas o negro. “A Igreja é genocida. Suas pregações contra os homossexuais alimentam os grupos fascistas que matam travestis e gays”, analisa o escritor João Silvério Trevisan. Ao contrário do sistema policial intolerante com os homossexuais, o Judiciário tem se mostrado mais sensível. Já reconhece direito à pensão, à herança e à não discriminação. Em Estados como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais a legislação está mais avançada. Segundo o professor de História do Brasil na Universidade da Califórnia, James Green, a melhor proposta seria alterar a Constituição para explicitar a proibição à discriminação por orientação sexual. “ Mas não adiantam leis sem conscientizar a sociedade”, admite Green.

Fora do armário – Emerson Noronha tem 29 anos e é gay assumido. Morando hoje em São Paulo, ele não se reprime. A cidade mineira de Poços de Caldas ficou pequena para ele quando afirmou sua orientação sexual. “Nunca fui desrespeitado, mas ouvia os comentários. A sociedade está mudando, mas o preconceito é o mal da humanidade e atinge o negro, o nordestino, o travesti e até o mauricinho, símbolo da classe média alta bem-comportada”, define Noronha, que trabalha como redator de um site na internet. A atriz Zezeh Barbosa, negra, que está encenando em São Paulo a comédia Eles preferem as louras, concorda que o preconceito não se restringe aos negros e homossexuais. De acordo com ela, as louras, as gordas, as baixinhas e outros tipos também são alvo da intolerância. “Marilyn Monroe sofreu muito por ser linda e loura. Por isso, a tachavam de burra. Eu tive problemas na Escola de Arte Dramática da USP. O Brasil precisa de mais 500 anos para se livrar dos preconceitos”, afirma. A atriz acha que se o negro ou o gay ascender socialmente fica mais fácil driblar o preconceito. Talvez por isso algumas cantoras da MPB, como Cássia Eller, consigam assumir sua homossexualidade sem temer represálias nas ruas. O movimento gay brasileiro vai marcar presença na conferência da ONU, mas sabe que aprovar um tratado internacional considerando crime a discriminação sexual não será possível, uma vez que mais de 70 países consideram o homossexualismo um crime. Mas vai reivindicar políticas públicas efetivas contra a discriminação. Há também a idéia de conceder incentivos fiscais a empresas que contribuírem para minorar um dos efeitos da discriminação: a exclusão dos travestis do mercado de trabalho formal. O maior problema, porém, está nas ruas, onde um homossexual é assassinado a cada dois dias, segundo estimativa do Grupo Gay da Bahia, comandado pelo barulhento antropólogo Luiz Mott. “Nem 10% das investigações sobre essas mortes chegam a uma conclusão”, diz Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris e integrante do comitê que organiza a pré-conferência brasileira. Nascimento é negro e homossexual, vítima, portanto, de múltipla discriminação. Foi expulso de casa ao assumir sua homossexualidade aos 18 anos, tentou o suicídio, perdeu seu companheiro com Aids há três anos e hoje faz do ativismo gay uma bandeira de vida. Ele integra o conselho gestor do Disque Defesa Homossexual. A Justiça já não é muito tolerante com os crimes de racismo.
Para o advogado Hédio Silva Júnior, do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade, “os juízes julgam principalmente segundo suas convicções pessoais o problema racial no Brasil”. Um levantamento feito entre 3 de julho de 1951, data da Lei Afonso Arinos, e julho de 1996, já com a Lei Caó, incorporada à Constituição, que considera o racismo crime inafiançável que nunca prescreve, revela apenas nove condenações no País por discriminação. Nos últimos cinco anos, as condenações cresceram na área cível, na qual a vítima busca ressarcimento financeiro. De 1993 a 1996, a extinta Delegacia de Crimes Raciais de São Paulo registrou 250 ocorrências. Cento e vinte resultaram em inquéritos e, destes, só 40 foram transformados em denúncias. Das 40 denúncias, não houve sequer uma condenação. “Como a sociedade considera o problema racial de pequena importância, os responsáveis pela aplicação do Direito são tolerantes e refletem essa concepção, evitando a condenação”, conclui o advogado.

Sidmara Geremias é advogada e negra. Durante uma audiência na cidade paulista de Santo Anastácio, o juiz se dirigiu a ela pensando estar falando com a ré. Ao se identificar, Sidmara teve que responder a uma série de perguntas, normalmente não formuladas por um juiz a um advogado. Passado o episódio, ela contou, sem citar nomes, o caso em uma palestra para universitários, como um exemplo claro de racismo. O juiz soube do fato e entrou com um processo de calúnia contra Sidmara. Ela ganhou do juiz e revidou, processando-o na corregedoria por abuso de autoridade. A OAB-SP resolveu fazer um ato de desagravo à Sidmara. A entidade acionou a seccional de Presidente Prudente, cidade onde ela está registrada, mas os advogados da regional tentaram boicotar o ato para preservar o juiz. Sidmara teme sofrer represálias. “O ato aconteceu, mesmo em condições precárias. Mas fui até o fim”, afirmou.

Milton Santos, O papa da geografia

Juliana Vilas
O geógrafo Milton Santos foi um dos intelectuais brasileiros mais respeitados dentro e fora do Brasil. Foi o único pesquisador fora do mundo anglo-saxão laureado com o prêmio Vautrin Lud, uma espécie de Nobel da geografia, em 1994. Vítima de câncer na próstata, ele faleceu aos 75 anos na madrugada do domingo 24, em São Paulo. Santos não brilhou somente por ter publicado mais de 40 livros no Brasil, Japão e Europa ou por ter colecionado 20 títulos honoris causa de universidades do mundo todo e prêmios internacionais. Em sua trajetória, lançou um olhar inovador e original sobre a realidade brasileira, a exclusão social e a globalização. Além disso, tentava tirar a geografia do isolamento acadêmico, combinado-a com a filosofia, a economia e a sociologia.
Mas a excepcional carreira de Milton Santos foi marcada por dificuldades. Afinal, além de nordestino – nasceu em Brotas de Macaúba, na Bahia –, era descendente de escravos emancipados. Tornou-se um dos grandes pensadores brasileiros do século XX, mesmo enfrentando diversas manifestações racistas ao longo da vida. Ele fundou a Associação dos Estudantes Secundaristas da Bahia. Porém, não se candidatou ao cargo de presidente da entidade. Disseram que, por ser negro, Santos seria incapaz de dialogar com as autoridades. Logo depois, pensou em cursar engenharia, mas desistiu ao saber que na Escola Politécnica havia resistência a alunos negros. Em 1948, formou-se em direito pela Universidade Federal da Bahia e dez anos depois concluiu doutorado em Geografia pela Universidade de Estrasburgo, na França.
As empreitadas de Santos foram além do ambiente acadêmico. Nos anos 60, foi subchefe da Casa Civil no governo Jânio Quadros e presidente da Comissão Estadual de Planejamento Econômico da Bahia. Atuou também como jornalista, no jornal A Tarde. Lecionou na UFBA até ser preso pelo regime militar. Ficou na cadeia por 60 dias e, ao sair, partiu para o Exterior. Deu aulas em universidades da França, Tanzânia, Venezuela, dos EUA, Canadá, e Reino Unido. Voltou ao Brasil em 1977.

Ana Carvalho e Aziz Filho


Isto É Independente

Lei suprema


Por mais que a liberdade de culto seja uma garantia constitucional, quando há uma criança em risco é o direito à vida que deve prevalecer

Uma adolescente de 13 anos morreu na míngua de uma transfusão de sangue. A mãe e a menor eram Testemunhas de Jeová e não deram consentimento para o ato médico. O pai teria sido omisso e concorrido para a morte. Um médico da mesma religião teria interferido para que não fosse realizada a transfusão, sendo, assim como os pais, processado. Os três serão julgados pelo Tribunal do Júri por homicídio doloso.
As Testemunhas de Jeová adotaram essa denominação em 1931, inspiradas no Livro de Isaías. Dentre os dogmas que professam, o mais conhecido é a recusa à transfusão de sangue, baseado no Livro dos Atos dos Apóstolos: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro jugo além destes, que são indispensáveis: que vos abstenhais das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das uniões ilegítimas”. A proibição de se alimentar de sangue constitui dogma de outras religiões. Mas a transfusão é proibida apenas entre as Testemunhas de Jeová, o que tem gerado conflitos entre médicos, familiares e pacientes.
As teses debatidas confrontam o direito à vida e a liberdade de culto e, ainda, o direito à autonomia. O maior desafio é a compatibilização do direito à vida com a autonomia. Do mandamento hipocrático “a saúde do doente é a lei suprema” passamos para “a vontade do paciente é a lei suprema”. Um dos documentos sobre essa mudança, o Relatório Belmont, de 1979, consagrou a autonomia como proteção das pessoas. Trata-se de diretriz para obtenção do consentimento informado, exigido em todo e qualquer ato médico.
A dispensa de consentimento para intervenções médicas decorreu do positivismo do século XIX. Augusto Comte teve sua doutrina incorporada à prática médica para afastar a relevância do subjetivismo do paciente para expressar sintomas e avaliar opções de tratamento, consolidando-se o paternalismo médico.
Freud reintroduziu a palavra do paciente na sua relação com o médico, dando voz a uma ciência que havia se tornado muda. Devemos a ele e à Bioética a valorização do diálogo como fonte da autonomia. Não há, porém, fundamento para se acatar o consentimento nem o dissenso pessoal de incapazes, incluindo os menores de idade, que devem ser representados pelos seus pais, curadores ou outras pessoas indicadas legalmente.
No caso referido, ainda que a menor tomasse a decisão de não aceitar o sangue, caberia à mãe e/ou ao pai superar o dissenso e autorizar o procedimento. Jamais poderiam endossar a decisão da filha, cuja opinião não tinha relevância jurídica, não se podendo transferir para sua memória a opção que resultou na tragédia. Também não pode ser atribuída aos médicos assistentes a responsabilidade pela morte. O dilema de um médico ante a recusa dos pais em casos semelhantes tem sido resolvido no Ministério Público e no Poder Judiciário. Quando realizam transfusões contra a vontade de pacientes Testemunhas de Jeová, têm sido processados por danos morais.
As Testemunhas de Jeová têm Comissões de Ligação com Hospitais (COLIH) para intermediar conflitos entre médicos e pacientes. Essas comissões procuram convencer os profissionais a realizar cirurgias sem sangue ou a não realizar transfusões em casos não cirúrgicos. Mas os membros da COLIH têm responsabilidade penal pelas mortes, quando houver nexo causal entre elas e suas intervenções. Por isso, é acertada a promoção de ação penal contra o médico que interferiu no trabalho de seus colegas para defender os valores de sua própria religião.
Não se pode confundir a posição aqui defendida com aquela inscrita no parágrafo único do art. 41 do Novo Código de Ética Médica, que trata da suspensão de esforço terapêutico de paciente em fase terminal de doença incurável: “Nos casos de doença incurável e terminal, deve o médico oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis sem empreender ações diagnósticas ou terapêuticas inúteis ou obstinadas, levando sempre em consideração a vontade expressa do paciente ou, na sua impossibilidade, a de seu representante legal”. No caso de paciente capaz, que se recusa a receber sangue, remanesce o direito à alta. Mas se perder a capacidade e for internado com risco de morte, a transfusão deverá ser empreendida. Tratando-se de menor, se os pais o retirarem de um hospital para inviabilizar o procedimento, caberá até a busca e apreensão e a suspensão do poder parental, realizando-se a transfusão com intervenção judicial.
Portanto, ainda não há espaço de consenso ético nem jurídico para se permitir a morte de incapazes, tratáveis com transfusão de sangue medicamente indicada. Por mais que a liberdade de culto seja garantia constitucional, no confronto entre dogmas religiosos e valores laicos, deverá prevalecer o valor neutro mais amigo do incapaz, neste caso, a vida. Somente o STF poderá declarar entendimento diferente. As Testemunhas de Jeová podem pedir uma posição do Supremo. Se for declarada constitucional a renúncia à vida a ser vivida, parte desse debate estará superada. A questão residual se limitará à objeção de consciência de cada médico, a ser regulada pelo Conselho Federal de Medicina.
Até as guerras se humanizam quando Deus é deixado fora do campo de batalha. Esse debate, e também outros sobre temas correlatos, precisam ser humanizados.

DIAULAS COSTA RIBEIRO É PROMOTOR DE JUSTIÇA, PROFESSOR DA UNIPLAC-BRASÍLIA E DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA





Médica sul-africana cria camisinha feminina antiestupro

Camisinha feminina antiestupro contém 'garras' que se fincam no pênis com a penetração

A África do Sul tem uma das maiores taxas de estupro no mundo, de acordo com a organização não-governamental Human Rights Watch. Também estima-se que 16% da população esteja contaminada pelo vírus HIV, da AIDS. Visando a combater o crime sexual – ou pelo menos dar às mulheres uma chance de defesa – a médica sul-africana Sonnet Ehlers criou uma camisinha feminina chamada Rape-axe, com “garras” que fincam no pênis quando ocorre a penetração.
“Machuca. O homem não consegue urinar nem andar quando a camisinha fica presa. Se ele tentar removê-la, vai ficar ainda mais apertada”, explicou Ehlers em entrevista à CNN, rede de televisão norte-americana.
O preservativo é colocado como um absorvente interno na vagina e só pode ser retirado do pênis por um médico. Ehlers está distribuindo 30 mil camisinhas desse tipo na África do Sul durante a Copa do Mundo.
Acusada de criar um cinto de castidade medieval, a Dra. Sonnet Ehlers se defende: “Consultei engenheiros, ginecologistas e psicólogos para ajudar com o design e garantir a segurança do produto”. A médica finalizou dizendo que acredita que algo precisa ser feito. “Assim alguns homens vão pensar duas vezes antes de abordarem uma mulher”, afirmou.


BOL

Índia promove campanha 'Sem vaso sanitário, não me caso'


Governo quer é acabar com a defecação ao ar livre, que causa inúmeras doenças

"Sem vaso sanitário, não me caso" é a mensagem utilizada por uma campanha promovida pelo governo de um estado do norte da Índia, que conseguiu que 1,4 milhão de vasos fossem instalados em lares do país, onde metade da população não conta com esse utensílio de higiene básica. A ideia é convencer as famílias, que normalmente se encarregam de organizar os casamentos na Índia, que rejeitem os pretendentes de suas filhas que não aceitarem construir vasos sanitários em suas casas.
Popularmente conhecida como "No loo? No 'I do'" (Sem privada? Não aceito, em tradução livre), a iniciativa conta com o apoio financeiro do governo, que custeia 80% da construção de banheiros nos lares mais pobres. "Deu muito trabalho para criar consciência sobre a higiene. Mas nos demos conta de que envolvendo as mulheres seria mais fácil", explicou a diretora do departamento de desenvolvimento para mulheres e crianças de Haryana, Neerja Shekhar. Graças à campanha, "muitas famílias pobres têm um banheiro em suas casas", acrescentou ela.
Isto pode "servir como um impulso fantástico para as comunidades" de toda a Índia, acrescentou a diretora de comunicação da Unicef no sul da Ásia, Sarah Crowe. Segundo ela, é preciso educar para convencer as pessoas da importância de se ter banheiro em seus lares. Na índia, 638 milhões de pessoas não têm vaso sanitário em casa, segundo dados da Unicef.

Recursos - Em 1999, o governo indiano lançou um programa de quase 3 bilhões de dólares que previa a construção de 118 milhões de banheiros, principalmente em escolas, creches e regiões rurais. Segundo dados oficiais, há dois anos ainda faltavam construir vasos sanitários em 115 milhões de lares rurais, por isso parece difícil cumprir o objetivo do governo de acabar com a defecação ao ar livre até 2012.
Em comunicado, a Unicef alertou para os riscos a que a população que defeca ao ar livre se expõe, como diarreia, malária e aids, e calculou em 500.000 o número de crianças do sul da Ásia que morrem anualmente por causa das insalubridade. As ONGs que colaboram nas campanhas governamentais para promover o uso do vaso sanitário advertem que, além dos riscos para a saúde, as mulheres se arriscam a ser assediadas ao saírem de suas casas para fazer suas necessidades durante a madrugada.
Em comunicado, a Unicef alertou que a região está no rumo certo para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que segundo seus cálculos, nesse ritmo só será possível em 2043, 28 anos depois da data previsto. Na Índia, "há mais famílias com televisões em suas casas e mais pessoas que têm telefones celulares do que instalações sanitárias decentes", lamentou a organização.

(Com agência EFE)


Veja

ONU celebra fala de Papa a favor de preservativos


O diretor do programa UNAIDS, criado pela ONU para combater a propagação do vírus da Aids, chamou de "passo adiante significativo e positivo" o fato do Papa Bento XVI ter admitido o uso da camisinha em certos casos.
"É um passo adiante significativo e positivo do Vaticano", afirma em um comunicado o diretor executivo do UNAIDS, Michel Sidibé. "Este avanço reconhece que um comportamento sexual responsável e o uso do preservativo têm um papel importante na prevenção do HIV-Aids", completa a nota.
Sidibé disse ainda que em 2009 teve conversas de longo alcance com representantes do Vaticano sobre a prevenção da Aids. "Juntos podemos construir um mundo sem novas infecções por Aids, sem discriminação e sem mortes como consequência da doença", destacou.
Pela primeira vez, um Papa, Bento XVI, admite o uso do preservativo "em certos casos", "para reduzir os riscos de contaminação" do vírus HIV, em um livro de entrevistas que chegará às livrarias na terça-feira.
A publicação que será lançada na Alemanha, o Papa Bento XVI considera que o uso do preservativo é aceitável como forma de proteção, em particular para reduzir o risco de infecção, o que aparenta uma flexibilização da postura severa da Igreja a respeito do tema.


eBand

Estudantes brasileiros crescem 0,2% nos EUA; mundo todo, 3%


Crescimento foi puxado pela China que mandou 30% a mais que biênio anterior. Americanos também crescem no Brasil

Relatório do Instituto de Educação Internacional (IIE) mostra que o número de estudantes brasileiros nos Estados Unidos cresceu, mas em ritmo 15 vezes menor do que a média mundial. O total de brasileiros matriculados no país entre 2009 e 2010 subiu 0,2% de 8.767 para 8.786. No mesmo período, os estrangeiros de forma geral cresceram 3%.
Quem puxou o dado geral para cima foi a China, que matriculou 128 mil pessoas nas faculdades norte-americanas, 30% a mais que o biênio anterior. Segundo o relatório, chamado Open Doors (Portas Abertas) , 690.923 estrangeiros estudaram nos Estados Unidos nos últimos dois anos. Depois da China, o segundo país que mais envia estudantes ao país é a Índia, que aumentou em 2% o total, atingindo quase 105 mil.
Dos 25 países que mais enviam alunos para as universidades norte-americanas, mais da metade reduziram as matrículas no período. O relatório atribui a queda a crise que afetou os países mais ricos do mundo.
De acordo com Adele Ruppe, Conselheira para Assuntos de Imprensa, Educação e Cultura da Embaixada dos EUA em Brasília, os Estados Unidos continuam sendo um dos destinos preferidos pelos estudantes do Brasil. “Nós esperamos que os números continuem a crescer enquanto o ensino da língua inglesa no Brasil aumenta, devido a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 se aproximam”, diz.
Segundo Allan E. Goodman, presidente do Instituto de Educação Internacional (IIE), com sede em Nova York, os Estados Unidos continuam a receber mais estudantes internacionais do que qualquer outro país do mundo.

Vice-versa
O Open Doors também revelou que 2.777 alunos americanos estudaram no Brasil no ano acadêmico de 2008/09, representando um aumento de 2%. O Brasil está entre os principais destinos [19o no mundo] dos americanos que estudam no exterior. O número total de americanos estudando no exterior para crédito acadêmico foi de 260.327 durante o ano acadêmico de 2008/09, comparado com 262.416 no ano anterior, um decréscimo de 0,8% que também foi motivado pela crise econômica.


Parceria com escolas pode ajudar na entrega de presentes, diz Correios



Em alguns estados, só aluno de escola pública pode escrever a Papai Noel.
Em Minas, restrição é adotada desde 2008, segundo coordenador.

Até a segunda quinzena de dezembro, crianças podem escrever cartas para a campanha Papai Noel dos Correios, que é realizada há mais de 20 anos em todo o país. Por meio desse projeto, voluntários escolhem as cartas e encaminham os presentes pedidos pelos autores das cartinhas. Recentemente, foi firmada uma parceria dos Correios com escolas públicas, creches e abrigos que atendem crianças em situação de vulnerabilidade social.
A parceria não é obrigatória, de acordo com os Correios. Neste ano, pelo menos três estados estão trabalhando exclusivamente com cartas de alunos de escolas públicas: Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina.
Segundo Valéria Figueiredo Vilela, coordenadora nacional da campanha, o objetivo da parceria é "agregar valores" à campanha. "A grande maioria das cartas é escrita por crianças. Muitas vezes, faltam informações como endereço, ou, por exemplo, ela pede patins, mas não coloca o número. De cinco cartas abertas, uma é selecionada. A empresa enxergou como ponto de contribuição melhorar o endereçamento e isso pode ser trabalhado nas escolas", disse.
Valéria afirmou ao G1 que um regulamento é enviado às unidades de ensino e indica a necessidade de trabalhar a redação de cartas manuscritas, o uso correto do CEP e do selo postal, entre outros itens. "Não queremos texto padronizado. Insistimos em trabalhar a crença no Papai Noel, mas também a inclusão de informações importantes, como o endereço do remetente, para que a gente possa enviar o presente."
No Rio, os Correios começaram a receber as cartas na quarta-feira (17). Os pedidos deverão ser de brinquedos, roupas e material escolar e a empresa pretende priorizar crianças de áreas carentes.

Minas Gerais
Em Minas Gerais, a estimativa é de que cerca de 160 mil crianças participem da campanha em 2010. O coordenador da campanha no estado, Antônio Rubatino, contou que, desde 2008, a participação na campanha é limitada a crianças de até 10 anos matriculadas até a 5ª série do ensino fundamental de escolas públicas localizadas em áreas carentes.
Em 2010, 4.800 instituições de ensino participam do projeto. Os interessados em adotar uma cartinha têm até 14 de dezembro para entregar os presentes nas agências dos Correios que fazem parte da campanha.
De acordo com Rubatino, em 2009, a campanha em Minas Gerais recebeu 160 mil cartas, o mesmo número esperado para este ano. Do total das crianças que escreveram para o Papai Noel dos Correios, aproximadamente 90% receberam os presentes. O coordenador ressaltou que não há restrições dos pedidos que podem ser feitos nas correspondências, em Minas.

Santa Catarina
Em Santa Catarina, a parceria com escolas públicas, creches e casas-lar ocorre desde 2008, segundo Ary Martins, assessor de comunicação dos Correios no estado. A iniciativa surgiu principalmente para melhorar o atendimento. "Nós percebemos que havia distorções, como gente que vendia os presentes, e alguns problemas entre as crianças mesmo. Imagina um menino que escreveu a carta, mas não ganhou nada, e viu o brinquedo que o vizinho recebeu", disse Martins. "Além disso, havia a questão da falta de endereço e mesmo do percurso que percorríamos até lugares pouco acessíveis. Resolvemos, então, pensar em uma maneira de otimizar a campanha."
A empresa entrou em contato com unidades de ensino do estado e também com as prefeituras para definir uma lista de beneficiados. A prioridade é para escolas, creches e casas-lar que ficam em locais mais pobres. Neste ano, a expectativa é que 20 mil cartas sejam adotadas.

Alicerce
Para Valéria, a parceria não implica exclusão de crianças não matriculadas na rede pública. "O alicerce da campanha é o atendimento a crianças em situação de vulnerabilidade social", disse. "Nós seguimos uma questão de prioridade e não de exclusividade. Na maioria dos estados, a iniciativa é aberta a todas as crianças que escrevem para o Papai Noel."
Os Correios informam que, onde há exclusividade dos alunos das escolas públicas, há divulgação prévia sobre a restrição.
Valéria também afirmou que, inicialmente, a avaliação é que a parceria já realizada em Minas e em Santa Catarina apresentou resultados positivos. Os dados de outros estados devem ser analisados após a entrega dos presentes.

*(Com informações do G1 MG e do G1 RJ)


G1

Exposição dos fetos a químicos leva EUA a rever regulamentação


Cientistas da Agência de Proteção Ambiental temem que uso esteja relacionado ao aumento dos casos de obesidade infantil

Estados Unidos - Representantes da Agência de Proteção Ambiental (EPA) se reuniram com cientistas neste mês em Washington para discutir maneiras de estabelecer políticas para o uso de químicos. A reunião foi motivada pela publicação de novas pesquisas que associam o uso de químicos durante a gravidez a doenças que se desenvolvem já na fase adulta. De acordo com esses estudos, mudanças que ocorrem na primeira fase da gravidez podem ser responsáveis por problemas na saúde futura da criança. Podem, por exemplo, determinar se o bebê será propenso a mudanças bruscas de humor, terá tendê ncia a ganhar peso, aumentar o risco de desenvolver problemas cardíacos ou câncer ao fazer 50 anos e ainda definir maior ou menor probabilidade de passar os genes para seus filhos.
De acordo com os especialistas da EPA a exposição aos químicos podem estar causando o aumento de obesidade nos Estados Unidos. “Estamos sentindo a necessidade de avaliar todos os 200 mil químicos que são usados comercialmente para determinar sua toxidade”, explica Bruce Blumberg, biólogo da Universidade da Califórnia. Blumberg achou evidências muito convincentes que demonstram as origens da obesidade no feto. Sua pesquisa sugere que uma criança que foi exposta ao tributil estanho durante fase inicial da vida terá por toda a sua vida propensão a ser obesa. “Em um momento vital, quando células decidem se especializar como osso ou adiposa, aquelas que foram expostas ao tributil estanho ficaram duas vezes mais propensas a se tornar adiposas”, disse Blumberg. Ele chamou esses químicos de “obesogenes”ou químicos que estimulam a obesidade. &ldquo ;Eu diria que os obesogenes são um fator que não tínhamos considerado anteriormente e que agora estamos começando a avaliar”, explicou. “Dieta e falta de exercício não são suficientes para explicar a epidemia de obesidade atual, principalmente, a epidemia de bebês de seis meses obesos.”
Nesta semana na Escócia, o porta voz de saúde pública do partido democrata, Jamie Stone exigiu do governo uma posição mais definida em relação ao bisfenol A. Ele disse que o governo deveria “utilizar a abordagem do princípio de precaução”e proibir o uso de bisfenol A em embalagens alimentares. “Vários outros países, como a Dinamarca, estabeleceram restrições ao BPA. Nós também devemos tomar medidas de precaução para proteger a saúde de nossos cidadãos ao invés de ficar esperando que comunidade científica chegue a um consenso ou depois do dano já causado.”
Texto feito com base em notícias originalmente publicadas no New York Times, em 15 de novembro de 2010, e no Herald Scotland, em 16 de novembro de 2010.

Fabiana Dupont e Fernanda Medeiros


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