segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A NOSSA JABUTICABA - TUDO DE BOM !


A NOSSA JABUTICABA
Regina Pereira

A jaboticaba (ou jabuticaba), nossa pequena notável!!! Fruta 100% brasileira.
É dela que vamos falar.
Discreta no quintal de nossa casa, ela contém teores espantosos de substâncias protetoras do peito.
Ganha até da uva, e provavelmente do vinho que é festejado no mundo inteiro por evitar infartos.
Você vai conhecer agora uma revelação científica – e das boas – que acaba de cair do pé.
A química Daniela Brotto Terci nem estava preocupada com as coisas que se passam com o coração.
Tudo o que ela queria, em um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, era encontrar na natureza pigmentos capazes de substituir os corantes artificiais usados na indústria alimentícia.
E, claro, quando se fala em cores a jaboticaba chama a atenção.
Roxa? Azulada? Cá entre nós, jaboticaba tem cor de…jaboticaba.
Mas o que tingiria a sua casca?
A cientista quase deu um pulo para trás ao conferir:
“enormes porções de antocianinas”, foi a resposta.
Desculpe o palavrão, mas é como são chamadas aquelas substâncias que, sim, são pigmentos presentes nas uvas escuras e, conseqüentemente, no vinho tinto, apontados como grandes benfeitores das artérias.
Daniela jamais tinha suspeitado de que havia tanta antocianina ali, na jaboticaba aliás, nem ela nem ninguém.
“Os trabalhos a respeito dessa fruta são muito escassos”, tenta justificar a pesquisadora, que também mediu a dosagem de antocianinas da amora.
Ironia, o fruto da videira saiu perdendo no ranking, enquanto o da jaboticabeira…
Dê só uma olhada (o número representa a quantidade de miligramas das benditas antocianinas por grama da fruta):
jaboticaba: 314
amora: 290
uva: 227

As antocianinas dão o tom. “Se um fruto tem cor arroxeada é porque elas estão ali”, entrega a nutricionista Karla Silva, da Universidade Estadual do Norte Fluminense, no Rio de Janeiro.
No reino vegetal, esse tingimento serve para atrair os pássaros.
“E isso é importante para espalhar as sementes e garantir a perpetuação da espécie”, explica Daniela Terci, da Unicamp.
Para a Medicina, o interesse nas antocianinas é outro. “Elas têm uma potente ação antioxidante”, completa a pesquisadora de Campinas. Ou seja, uma vez em circulação, ajudam a varrer as moléculas instáveis de radicais livres. Esse efeito, observado em tubos de ensaio, dá uma pista para a gente compreender por que a incidência de tumores e problemas cardíacos é menor entre consumidores de alimentos ricos no pigmento. Ultimamente surgem estudos apontando uma nova ligação: as tais substâncias antioxidantes também auxiliariam a estabilizar o açúcar no sangue dos diabéticos.
Se a maior concentração de antocianinas está na casca, não dá para você simplesmente cuspi-la. Tudo bem, engolir a capa preta também é difícil. A saída, sugerida pelos especialistas, é batê-la no preparo de sucos ou usá-la em geléias. A boa notícia é que altas temperaturas não degradam suas substâncias benéficas.
Os sucos, particularmente, rendem experiências bem coloridas. A nutricionista Solange Brazaca, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, interior paulista, dá lições que parecem saídas da alquimia. “Misturar a jaboticaba com o abacaxi resulta numa bebida azulada”, ensina. “Já algumas gotas de limão deixam o suco avermelhado”. As variações ocorrem devido a diferenças de Ph e pela união de pigmentos ácidos.
Mas vale lembrar a velha máxima saudável: bateu, tomou. “Luz e oxigênio reagem com as moléculas protetoras”, diz a professora. Não é só a saúde que sai perdendo: o líquido fica com cor e sabor alterados.
Aliás, no caso da jaboticaba, há outro complicador. Delicada, a fruta se modifica assim que é arrancada da árvore. “Como tem muito açúcar, a fermentação acontece no mesmo dia da colheita”, conta a engenheira agrônoma Sarita Leonel, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu. A dica é guardá-la em saco plástico e na geladeira. Agora, para quem tem uma jabuticabeira, que privilégio! A professora repete o que já diziam os nossos avós: “Jabuticaba se chupa no pé”.

O branco tem seu valor.
A bioquímica Edna Amante, do laboratório de frutas e hortaliças da Universidade Federal de Santa Catarina, destaca alguns nutrientes da parte branca e mais consumida da jaboticaba. “É na polpa que a gente encontra ferro, fósforo, vitamina C e boas doses de niacina, uma vitamina do complexo B que facilita a digestão e ainda nos ajuda a eliminar toxinas”.
Ufa! E não só nessa polpa, mas também na casca escura, você tem excelentes teores de pectina. “Essa fibra tem sido muito indicada para derrubar os níveis de colesterol, entre outras coisas”, conta a nutricionista Karla Silva. A pectina, portanto, faz uma excelente dobradinha com as antocianinas no fruto da jabuticabeira. Daí o discurso inflamado dessa especialista, fã de carteirinha: “A jabuticaba deveria ser mais valorizada, consumida e explorada”. Nós concordamos, e você?


A JABOTICABEIRA
Nativa do Brasil, ela costuma medir entre 6 e 9 metros e é conhecida desde o período do descobrimento. “A espécie é encontrada de norte a sul, desde o Pará até o Rio Grande do Sul”, diz o engenheiro agrônomo João Alexio Scarpare Filho, da Esalq. Segundo ele, a palavra jabuticaba é tupi e quer dizer “fruto em botão”.
A invenção é esta: vinho de jabuticaba. O nome não deixa de ser uma espécie de licença poética, já que só pode ser denominado vinho pra valer o que deriva das uvas. Mas, sim, existe um fermentado feito de jaboticaba que, aliás, já está sendo exportado. “O concentrado da fruta passa um ano inteiro em barris de carvalho,” conta o farmacêutico-bioquímico Marcos Antônio Cândido, da Vinícola Jabuticabal, em Hidrolândia, Goiás.
A jaboticaba é a matéria-prima de delícias já conhecidas, como a geléia e o licor, e também de uma espécie de vinho. Quem provou a bebida garante: é uma delícia.

Em 100 gramas ou 1 copo:
Calorias 51
Vitamina C 12 mg
Niacina 2,50 mg
Ferro 1,90 mg
Fósforo 14 g.

Tire proveito da jaboticaba
Atributos, para essa fruta tipicamente brasileira, são o que não faltam. Vitaminas, fibras e sais minerais aparecem nela ao montes.
Agora, para melhorar ainda mais esse perfil nutritivo, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas descobriram que ela está cheia de antocianinas, substâncias que protegem o coração.
Mais uma razão para que a jaboticaba esteja sempre em seu cardápio.


Justiça condena mulher que abusava de crianças em SP



A mulher de 38 anos é acusada de abusar de quatro primos, com idades entre sete e nove anos. Ela foi presa e condenada a nove anos e quatro meses de prisão e afirmou que não sabia da gravidade dos atos que cometeu com as crianças. Os crimes aconteceram em São Bernardo do Campo (SP).


R7

Banheiro gay é inaugurado na Unidos da Tijuca .


Espaço é decorado com borboletas e fotos de Carmem Miranda
O samba da campeã de 2010 todo mundo já conhece. Que o carnavalesco Paulo Barros vai levar um monte de surpresas para a avenida ninguém tem dúvidas. Na inauguração da reformada e ampliada quadra da Unidos da Tijuca, no Santo Cristo, no Centro do Rio, na noite de sábado (8) a sensação foi mesmo banheiro destinado ao público LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), batizado de Banheiro Arco-Íris.
Além do presidente da escola, Fernando Horta, cortaram a faixa de inauguração o secretária municipal de Turistmo, Antônio Pedro Figueira de Mello, o carnavalesco da Unidos da Tijuca, Paulo Barros, o carnavalesco da Cidade do Samba, Milton Cunha, além do casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Marquinhos e Geovanna. A fita foi cortada pouco depois da meia-noite.
A polêmica levantada durante a semana, sobre se o banheiro discriminava os homossexuais ou não, despertou a curiosidade do público que lotou a quadra da campeã. Afinal, todo mundo queria saber o que um banheiro LGBT tem de diferente dos outros.
Enquanto o samba rolava na voz do intérprete Bruno Ribas, embalado pela bateria de Mestre Casagrande, uma fila de curiosos (gays ou não), tão grande quanto a fila do bar, se formava na porta do novo banheiro. Todos queriam ver o único banheiro decorado da escola.
A discrição dos dois bonequinhos com roupinhas com as cores do arco-írs na porta em nada lembravam a o ambiente decorado do recinto do lado de dentro. Fotos de Carmem MIranda, borboletas nos azulejos e ao redor do espelho com borda cor de rosa davam o tom do banheiro gay. O único com direito a espelho de corpo inteiro na entrada e no interior, além de pufes roxos, aparador com flores e recipientes com camisinhas.
"Um luxo que contrasta com o banheiros brancos e sem decoração feminino e masculino. Aqui,agora a gente vai se sentir bem mais à vontade para se arrumar e não vai causar constrangimentos a ninguém". Tenho certeza que muito hétero vai frequentar para saber o que estamos fofocando lá dentro. Eles adoram saber das novidades", disse o costureiro da escola, Peteca de 49 anos.


Risco de contrair HIV em transfusão no Brasil é 20 vezes maior que nos EUA


Ministério da Saúde questiona estudo da Fundação Pró-Sangue de São Paulo feito por estimativa

BRASÍLIA - Uma pesquisa feita em três hemocentros brasileiros no período entre 2007 e 2008 indica que o risco de contrair HIV em transfusões de sangue no Brasil é 20 vezes maior que nos Estados Unidos. O trabalho, feito por estimativa, calcula que uma em cada 100 mil bolsas de sangue do País podem estar contaminadas pelo vírus causador da aids. Nos EUA, a relação é de 1 para cada 2 milhões de bolsas.
Embora muito mais elevados do que americanos e de alguns países europeus, os índices brasileiros melhoraram. Uma versão anterior do levantamento indicava que 1 em cada 60 mil bolsas poderiam estar contaminadas pelo HIV. "Precisamos avançar na segurança. Mas não há dúvida de que muito já foi feito", afirma a coordenadora desse trabalho, Ester Sabino, da Fundação Pró-Sangue de São Paulo. De acordo com os números atuais, entre 30 e 60 pessoas por ano podem ser contaminadas por sangue doado.
Na versão anterior da pesquisa, a estimativa era de que entre 50 e 100 indivíduos pudessem se infectar. O coordenador nacional da Política de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Guilherme Genovez, questiona os índices apresentados no estudo. "Eles estão mais para um oráculo. Foram feitos por estatística, não podem ser considerados fato", observou. Para mostrar a segurança do sangue no Brasil, Genovez cita um levantamento feito em 130 mil bolsas de sangue coletadas em hemocentros de Santa Catarina, São Paulo, Rio e Pernambuco: o vírus não foi identificado em nenhuma amostra.
Financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, em inglês), o levantamento coordenado por Ester foi feito a partir da análise de bolsas de sangue coletadas nos hemocentros de São Paulo, Minas e Pernambuco. Durante a apresentação dos resultados, em congresso da Associação Americana de Bancos de Sangue, a autora classificou como "alto" o risco residual para HIV em transfusões de sangue no Brasil. A doação no País, no entanto, é precedida de uma série de cuidados: os candidatos passam por entrevistas para detectar situações de risco de contaminação recente com o vírus. Passada essa fase, o sangue é submetido a testes para identificar a presença do HIV.
O problema está no que médicos chamam de janela imunológica, período no qual a presença do vírus não é descoberta pelo exame. O mesmo problema ocorre com hepatite C, cuja janela imunológica é de 50 dias. Os reflexos dos exames "falso negativos" podem ser constatados nas estatísticas. Dados do Ministério da Saúde mostram que 13,3% dos casos da doença confirmados em 2009 foram causados por transfusão de sangue.
Uma das alternativas para melhorar a segurança é a introdução de rotina do uso de um teste batizado de NAT, que identifica traços do vírus no sangue e não de anticorpos, como os exames tradicionais.
Ester calcula que, com o início do teste, o risco de infecção por HIV passaria de 1 em 100 mil para um em cada 250 mil. "O exame, sozinho, não basta. O resultado não vai a zero, nem chega próximo do que é identificado nos Estados Unidos", diz. Para a professora, é importante reduzir uma prática ainda comum de as pessoas buscarem bancos de sangue para fazer testagem de HIV. "Além do NAT, dependemos de mudanças de comportamento de alguns doadores mais expostos ao HIV para que não façam doações", afirmou.


Estadão

Ação de ladrões apaga 400 semáforos na África do Sul


Cerca de 400 semáforos de alta tecnologia saíram do ar em Johanesburgo, na África do Sul, depois de ladrões terem roubado os chips de memória contidos nos aparelhos.

Os ladrões conseguiram utilizar os chips para fazer ligações de celular que resultaram em contas telefônicas astronômicas.
A agência de trânsito da cidade sul-africana (JRA, na sigla em inglês) disse estar investigando a possibilidade de ser um crime encomendado por alguém de dentro do próprio órgão, já que os alvos foram apenas os cartões de memória dos semáforos.
Os chips haviam sido desenhados para avisar a JRA sobre eventuais falhas nos sinais de trânsito.
“Temos 2 mil grandes cruzamentos de ruas em Johanesburgo e só 600 deles tinham (semáforos com) chips”, disse à BBC o porta-voz da JRA, Thulani Makhubela. “Ninguém além da agência e de nossos fornecedores sabe quais cruzamentos contam com esse sistema.”
Ele descreveu os roubos como “sistemáticos e coordenados”.
Segundo Makhubela, o “vandalismo” começou em novembro, quando alguns semáforos foram afetados e consertados.
“Em dezembro, os ladrões voltaram a atacar, desta vez atingindo centenas de sinais, incluindo os que havíamos consertado. Essas pessoas sabem o que estão fazendo.”

Contas telefônicas
O conserto dos semáforos danificados foi estimado em cerca de 9 milhões de randes (cerca de R$ 2,2 milhões).
A JRA disse ter bloqueado todos os chips, para que eles não sejam usados para novas ligações, mas fez isso tarde demais.
“Um chip tinha uma conta de 30 mil randes (R$ 7,4 mil), e há 150 contas. De qualquer ângulo, estamos falando de muito dinheiro”, declarou Makhubela.
O correspondente da BBC Pumza Fihlani diz que as ruas de Johanesburgo estiveram razoavelmente calmas em dezembro, apesar dos roubos, mas podem se tornar caóticas com a volta iminente de moradores que passam as férias fora da cidade.


Testemunhas do processo contra pai e madrasta da menina Joanna serão ouvidas nesta segunda


Réus foram denunciados por tortura e homicídio qualificado

A Justiça começa a ouvir nesta segunda-feira (10) as testemunhas de acusação e defesa do processo contra o pai e a madrasta da menina Joanna Cardoso Marcenal Marins, que morreu de meningite em agosto de 2010, após ficar 26 dias em coma no Rio de Janeiro. André Rodrigues Marins, que está preso desde 25 de outubro de 2010, e Vanessa Maia, que responde ao processo em liberdade, foram denunciados por tortura e homicídio qualificado.
A justiça pretende ouvir 36 testemunhas de acusação e defesa. Em conversa com o R7, a médica Cristiane Marcenal Ferraz, mãe de Joanna, afirmou que ainda não recebeu a intimação para depor no caso. Ela confirmou a presença nesta primeira audiência e acredita que será chamada para depor como testemunha de acusação.
- Agora vai ser ainda mais difícil do que a audiência da Sarita [médica responsável pela contratação do falso médico, que deu alta para a menina Joanna]. Não aguento olhar para ele [André, pai de Joanna], não quero nem pensar em como vai ser.

Entenda o caso
O caso teve início no dia 16 de julho de 2010, data da internação de Joanna no Rio Mar, na Barra da Tijuca, na zona oeste.
Na ocasião ela foi atendida pela médica Sarita Fernandes Pereira, responsável pela contratação do estudante de medicina Alex Sandro da Cunha de Souza, que deu alta para a menina.
Em função da piora do seu estado de saúde, Joanna desenvolveu quadro viral provocado pelo vírus da herpes, que resultou em meningite, causa de sua morte cerebral no dia 19 de julho e posterior morte com óbito constatado em 13 de agosto de 2010.
André Marins é acusado dos crimes hediondos de tortura e de homicídio qualificado. Ele está preso desde o dia 25 de outubro. O depoimento de uma babá à polícia foi decisivo para a prisão. Ela contou ter visto certa vez a menina enrolada em fita crepe e toda suja de urina e fezes na casa do pai.


Menina morre asfixiada dentro de carro no litoral de SP



Criança de 3 anos foi encontrada desacordada neste domingo.
Segundo a família, ela tinha o costume de brincar dentro do carro.

Uma menina de 3 anos morreu asfixiada dentro de um carro em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, neste domingo (9). O acidente aconteceu no bairro Indaiá.
De acordo com a polícia, a família percebeu que a menina havia sumido na hora do almoço. A criança foi encontrada já desacordada dentro do carro. Um bombeiro que estava de folga tentou reanimá-la, mas não foi possível.
Um inquérito foi aberto para apurar o caso. Parentes da menina prestaram depoimento. A família disse que a criança tinha o hábito de brincar dentro do carro.


G1

domingo, 9 de janeiro de 2011

Vivo para não deixar o horror cair no esquecimento

Foto da escola em que todos os alunos, menos ele, foram executados Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia

Sobrevivente do extermínio de judeus na Segunda Guerra tem como missão de vida passar sua história aos jovens
Rio - Há 72 anos, o então adolescente judeu Aleksander Laks, estudante de uma escola improvisada pelos nazistas no gueto de Lodz, na Polônia, desconfiou quando os responsáveis pelo colégio mandaram todos os alunos comparecerem sem falta no dia seguinte e resolveu ficar em casa. Na manhã seguinte, todos os colegas foram executados.
Um dos mais famosos sobrevivente do Holocausto que hoje vivem no Brasil, Laks, 84 anos, tem nas escolas a grande missão da sua vida: não deixar que os horrores da Segunda Guerra (1939/1945) caiam no esquecimento. Aos 17 anos, ele foi resgatado de campos de concentração pesando apenas 28 quilos. Além de dar várias palestras por semana contando como sobreviveu após passar por três campos na Polônia e na Alemanha, Laks mantém ainda contato com jovens através de sites como o Facebook e o Orkut.
Neste último, por exemplo, ele já tem dois perfis — no primeiro, o limite de amigos já foi atingido — e há uma comunidade com o título de ‘O Sr. Laks é um fofo’.
“Hoje eu vivo para manter viva a memória, não deixar o Holocausto cair no esquecimento. Dou palestras em escolas públicas, particulares, universidades e igrejas. Os jovens recebem esse testemunho chorando”, afirma. Além do Rio, ele também percorre outros estados contando como se tornou o único sobrevivente de uma família de 60 pessoas, arrasada pela perseguição nazista aos judeus.

Livro a caminho
Entre as várias palestras por semana e navegadas na Internet, Laks ainda encontra disposição para preparar um novo livro. Seu primeiro, ‘O Sobrevivente - Memórias de um brasileiro que escapou de Awschwitz’, teve dez edições em 10 anos. A nova obra, ainda sem título e editora, será sobre a vida de Laks no Brasil, onde chegou em 1948. “Estava num campo de refugiados e inicialmente não pude vir porque era judeu. Depois, consegui ir para os EUA, e, de lá, como turista, para o Rio, onde tinha uma tia. Constituí família e nunca mais sai. Sou brasileiro”, conta.
Pais de Laks foram executados e trem, bombardeado
Atual presidente da Associação Brasileira dos Israelitas Sobreviventes da Perseguição Nazista, Laks ficou sob o poder do exército de Hitler entre 1939 e 1944. Depois de sair do gueto de Lodz, ele passou pelos campos de concentração de Auschwitz-Bikenau e Gross-Rosen.
Sua mãe morreu no primeiro e o pai, depois da chamada ‘Marcha da Morte’, percurso a pé até o campo de Flossenbürg, na Alemanha. “No caminho, me pediu que, se sobrevivesse, contasse o que passamos”.
Durante o período nos campos, Laks teve o nariz quebrado por um guarda e, enquanto tinha um dos dentes arrancados, foi obrigado a não gritar para não ser executado.
A liberdade veio no fim da guerra. “Estava sendo levado num trem para ser executado, quando ele foi bombardeado. Muitos passageiros morreram em outros vagões, mas quando abriram a porta, eu estava livre”.


Peixonauta: a aventura de descobrir o mundo

Série de animação infantil brasileira é exportada para 65 países; investimentos em projetos nacionais chegam a R$ 135 milhões

O Peixonauta é um simpático peixinho viajante, que sai mundo afora em busca de aventuras. Literalmente. A produção brasileira virou líder de audiência no canal Discovery Kids Brasil, e foi além. Hoje, crianças de 65 países vibram com as missões do agente secreto da Ostra, a Organização Secreta para Total Recuperação Ambiental, e interagem em frente à TV para ajudar o peixinho a preservar a natureza. Do Ocidente ao Oriente, o Peixonauta segue descobrindo e sendo descoberto pelo mundo.
Mas chegar nesse ponto foi uma “verdadeira aventura”, com direito a muitas missões desafiadoras. “Fomos os primeiros a produzir uma série de animação inteiramente no Brasil. Antes não havia parâmetro. Aliás, o que tinha era parâmetro ruim, pessoas de peso que tentaram e não deram certo. Por isso tivemos que ir descobrindo o caminho aos poucos”, conta Kiko Mistrorigo, sócio fundador da TVPinguim, criada em 1989.
A ideia da série surgiu em 2003, mas só depois de seis anos o primeiro episódio foi ao ar na Discovery Kids Brasil. A maior dificuldade foi encontrar parceiros para o projeto, mas sem abrir mão da propriedade intelectual e autoral da série. Segundo Mistrorigo, a conversa com as redes brasileiras de televisão sempre foi difícil.
Com o elevado custo de produção, emissoras nacionais preferem comprar licenças de séries já consagradas no exterior a entrar como parceiras de produtoras independentes. Ou então compram o projeto e produzem elas mesmas, diz Mistrorigo. O cenário é bem diferente com as grandes redes de TV no exterior. “Sabe quantas câmeras a Discovery tem? Nenhuma. A grade deles é toda de licença de programas que eles compram de produtoras independentes”, afirma.
Produzir uma série de 26 episódios com duração média de 15 minutos não sai por menos de R$ 10 milhões, segundo estimativa da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPI-TV). O Brasil possui aproximadamente 30 empresas especializadas em animação, e contabiliza investimentos totais de cerca de R$ 135 mihões em projetos nacionais em 2009. “Somos a bola da vez para ideias originais e projetos bem elaborados. Em 2011, vamos ter ainda mais visibilidade”, afirma a Eliana Russi, gerente executiva do Projeto Internacional da ABPI.



Made in Brazil
Para que a série fosse 100% nacional, os criadores do Peixonauta saíram em busca de parceiros no mercado externo. Inspirados no que viam em países emergentes com uma realidade econômica não muito diferente do Brasil – “o pessoal conseguia produzir conteúdo interessante que viajava pelo mundo” – Mistrorigo e sua sócia, Célia Catunda, foram a feiras e eventos internacionais do setor audiovisual para fazer contatos e procurar quem também acreditasse no projeto.
Iniciaram as conversas com a Discovery em 2005, que entrou como parceira na série, conseguiram linha de financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), contaram com recursos próprios e de empresas como a Bunge, que apoiaram o projeto amparadas na lei de renúncia fiscal. “Quase uma saga. Foi uma soma de dinheiros que no fim resultou em um projeto totalmente brasileiro”, diz Mistrorigo. A produção da série começou em 2007 e, dois anos depois, o programa foi ao ar pela primeira vez na Discovery, no dia 20 de abril de 2009.
O dono da TVPinguim não revela o faturamento da empresa, por conta do contrato firmado com a emissora. Mas segundo o BNDES, a série Peixonauta gerou receitas de pouco mais de R$ 110 mil no mês passado (65 mil dólares canadenses). “Estamos começando a ter retorno com a série e com o licenciamento dos produtos agora”, diz Mistrorigo.
Parte importante das receitas vem com a venda de licenças de veiculação para emissoras no mundo todo – incluindo a Al Jazeera, que exibe o programa para países árabes do Oriente Médio. Nas estimativas da ABPI-TV, uma série de sucesso com dez horas de duração pode alcançar faturamento de até R$ 12 milhões só com a venda dos direitos de exibição. “Está acontecendo um fenômeno interessante agora. Antes o Brasil só pagava royalties para fora para poder exibir os programas aqui. Hoje, estamos vendo uma inversão disso, estamos começando a receber royalties por produção nacional”, diz Mistrorigo.
Além disso, o licenciamento da marca Peixonauta para produtos como DVDs, brinquedos, material escolar, mercado editorial, vestuário, itens para festas e alimentos também dará um bom reforço nos ganhos da TVPinguim. Até agora, a produtora fechou 18 contratos deste tipo. Em nota, o BNDES afirma que “além do potencial de exportação das obras, é possível gerar receitas com licenciamento”.

Mais expansão pela frente
Com o crescimento das oportunidades de negócio com a marca, Mistrorigo planeja uma mudança na estrutura organizacional. “A TVPinguim vai focar em produção mesmo, mas vamos criar um braço só para administrar a marca Peixonauta”, diz. Com a nova divisão, os brasileirinhos e crianças no mundo todo podem esperar o lançamento de novos produtos – um site inteiramente dedicado ao peixinho, aplicativos para smartphones e tablets, por exemplo.
O ano já começou agitado para os fãs da série. Neste final de semana, estreia no Rio de Janeiro uma adaptação do Peixonauta para o teatro, projeto idealizado pelo casal de apresentadores Luciano Huck e Angélica. O investimento total para levar o peixinho aventureiro ao teatro ficou em R$ 2 milhões. Também neste ano será produzido o primeiro longa do Peixonauta, na que deve ser a primeira animação brasileira em 3D. E também está em preparação a segunda temporada da série para a TV.


“O produto audiovisual tem de ser concebido já com todas as suas possibilidades de distribuição. Não se pode mais pensar em um projeto somente para uma mídia. A animação é o carro-chefe, mas o produto é multiplataforma. É preciso pensar na viabilidade de produtos como games, plataforma web e celular”, diz Russi, da ABPI.
Ela acredita que projetos de co-produção com outros países também são a saída para conseguir mais espaço no mercado internacional – nesse modelo, uma série possui ‘dupla nacionalidade’ e tem acesso livre a ambos países e conta com diversos benefícios fiscais. Atualmente, o Brasil tem mais de 40 acordos bilaterais deste tipo, mas apenas dois – Canadá e Alemanha – permitem a produção para qualquer plataforma, enquanto os outros só valem para cinema.
Na avaliação do BNDES, “a produção nacional de obras de animação encontra-se em fase de consolidação, buscando inserir-se em um mercado ainda dominado por produções estrangeiras”. Em nota, o banco afirma que “apesar de ser um mercado novo para o Brasil, já existem alguns exemplos de sucessos nacionais”. Além do Peixonauta, outras duas séries de animação estão em exibição em emissoras no Brasil e no exterior: a Escola Pra Cachorro, da produtora Radar, e Meu Amigãozão, da 2D Lab.
O BNDES, por meio do Programa para o Desenvolvimento da Economia da Cultura (Procult), repassou um total de R$ 7,3 milhões para as três produções, sendo R$ 4,2 milhões em financiamento e um montante não reembolsável de R$ 3,1 milhões, como incentivo previsto na Lei do Audiovisual. Do grupo, o Peixonauta foi o primeiro a firmar acordo com o banco e recebeu o menor montante - R$ 1,75 milhão. Outra fonte de incentivo ao setor é a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), que desenvolve com a ABPI-TV o projeto Brazilian TV Producers, com objetivo de impulsionar as exportações. Com um orçamento de R$ 6,5 milhões, entre 2004 e 2009 o projeto alavancou um total de US$ 85 milhões em negócios fechados, de acordo com as empresas associadas.



iG

Andar de bicicleta ajuda no diagnóstico do mal de Parkinson


Método pode proporcionar um diagnóstico mais eficiente

Os neurologistas que examinarem um paciente com sintomas iniciais de mal de Parkinson deveriam fazê-lo andar de bicicleta antes de concluir seu diagnóstico, afirma uma pesquisa realizada por médicos holandeses e publicada na revista científica Lancet nesta sexta-feira (7).
Distinguir entre pacientes com Parkinson e portadores de uma doença conhecida como Parkinsonismo Atípico é muito importante, porque as duas condições possuem diferentes causas e tratamentos.
As duas doenças apresentam sintomas parecidos, incluindo o tremor dos membros, os movimentos lentos e a rigidez muscular. Por causa disso, até mesmo a avançada tecnologia médica pode cometer erros ao distinguir uma doença da outra.
Mas, segundo especialistas do Centro de Parkinson de Nijmegen, na Holanda, fazer o paciente andar de bicicleta pode proporcionar um diagnóstico mais eficiente - e barato.
De acordo com os médicos, um portador de Parkinson comum geralmente tem uma incrível habilidade de andar de bicicleta, pois apresenta poucos problemas no equilíbrio e nos movimentos rítmicos exigidos para pedalar.
Esta tarefa, no entanto, exige mais esforços de pessoas portadoras do Parkinsonismo Atípico, enfermidade que envolve uma série de síndromes como paralisia muscular supranuclear progressiva, atrofia sistêmica múltipla e degeneração córtico-basal.
Os médicos holandeses testaram sua teoria em 111 pacientes com sintomas parkinsonianos e que eram capazes de andar de bicicleta no início da pesquisa. Ao fim do estudo, 45 dos pacientes foram confirmados com mal de Parkinson e 64 com Parkinsonismo Atípico.
Durante os 30 meses que foram pesquisados, apenas dois dos 45 pacientes com Parkinson pararam de andar de bicicleta. Já entre os 64 pacientes diagnosticados com o Parkinsonismo Atípico, 34 apresentaram incapacidade de continuar pedalando.
Segundo os pesquisadores, a perda de capacidade de pedalar depois do estabelecimento da doença pode servir como um novo sinal de alerta, indicando a presença de Parkinsonismo Atípico.
O mal de Parkinson tem origem na morte celular de uma parte fundamental do cérebro chamada substância nigra, que é responsável pela produção de um neurotransmissor, a dopamina.
O tratamento padrão é feito com levodopa, medicamento que o cérebro converte em dopamina. Mas o tratamento não é efetivo ou não funciona quando se trata de Parkinsonimo Atípico.




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